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O imposto sobre as grandes fortunas e os baixos salários no Brasil

Uma
das consequências mais nefastas da “revolução gloriosa” de junho de 2013 —
que é como praticamente toda a imprensa vem tratando as manifestações ocorridas
— foi o ressurgimento
do Imposto sobre Grandes Fortunas
(ISGF), previsto no artigo 153 da Constituição de 1988, mas nunca
regulamentado.

Vale
lembrar que a proposta tem apoio multipartidário.  Após a Constituinte de 1988, o então senador
Fernando Henrique Cardoso, já em 1989, apresentou uma nova versão para essa
mesma proposta.  Em 1990, Fernando Collor
anunciou que trabalharia pela implantação desta proposta em seu governo.  Em 2010, o PT inseriu oficialmente a sua
versão desta proposta em seu plano de governo de 2011.  Em 2011, a senadora Jandira Feghali, do PCdoB,
foi a relatora de uma nova proposta.  Em
2012, o senador Antonio Carlos Valadares, do PSB, apresentou o PLS
534/11 — Complementar
.  E o deputado Dr. Aluízio, do PV, é o relator
da atual versão do projeto.

Todos
estes políticos, obviamente, se apóiam nos argumentos populistas apresentados
por intelectuais e economistas das nossas gloriosas universidades federais para
justificar este projeto.  Veja um trecho desta
reportagem
:

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), relatora de uma das
propostas que trata do assunto e tramita na Câmara desde 2011, reforçou a luta
que vem fazendo ao longo dos anos pela aprovação da matéria. A Liderança do PT
encaminhou a proposta para acelerar a discussão sobre a cobrança de impostos
sobre as grandes fortunas no
país. O líder da bancada propõe a construção de um entendimento com os partidos
com representação na Câmara sobre a forma de votar a matéria.

Para Jandira, que defende a destinação dos recursos
oriundos do imposto sobre grandes fortunas para a saúde, a aprovação do projeto
de autoria do deputado Dr. Aluízio (PV-RJ), “significaria um aporte adicional
de, pelo menos, R$ 14 bilhões para a saúde. Recursos que viriam, em grande
parte, de apenas 907 contribuintes com patrimônio superior a R$150 milhões”.

A parlamentar cita artigo do economista e professor do
Instituto de Economia da UFRJ, João Sicsú, que afirma que “um sistema
tributário socialmente justo deve ter caráter distributivo, portanto, deve
impor maior sacrifício àqueles que têm mais condições de suportá-lo e, ao mesmo
tempo, estabelecer menores alíquotas, taxas e contribuições para aqueles que
auferem rendas mais baixas e, em consequência, possuem menores estoques de
riqueza”.

Segundo
os próprios políticos, este novo imposto arrecadaria R$14 bilhões para a
saúde.  O curioso é que uma quantia muito
maior do que esta pode ser conseguida pela simples reestruturação do Ministério
da Educação, que torrou
mais de R$51 bilhões de reais em 2012.  A
abolição deste nefasto ministério, responsável direto pelo emburrecimento
sistêmico dos nossos estudantes, liberaria dinheiro de sobra para a saúde.  Outro ministério cuja abolição liberaria uma
boa quantia de recursos é o Ministério das Cidades, que esbanjou
R$12 bilhões no ano passado. 

Idiotices
como Ministério da Pesca, Ministério da Cultura, Ministério do Turismo,
Ministério do Desenvolvimento Agrário (já um existe um Ministério da
Agricultura), Ministério da Integração Nacional, Secretaria de Assuntos
Estratégicos, Secretaria de Políticas para Mulheres, Secretaria da Promoção da
Igualdade Racial, Secretaria de Comunicação Social, Secretaria de Portos,
Secretaria de Aviação Civil, Secretaria das Relações Institucionais e
Secretaria de Direitos Humanos poderiam ser imediatamente abolidas, e
liberariam muito mais do que R$14 bilhões. 
Veja aqui
o total das despesas de cada ministério.

O
fato é que nunca houve problema de falta de recursos.  Um país cujo governo federal arrecada mais de
R$930 bilhões por ano não tem o direito de dizer que precisa arrancar mais R$14
bilhões dos cidadãos.  O que há é excesso
de burocratas e de mordomias.  E de
incompetência também.  Querer tomar ainda
mais dinheiro do cidadão para sustentar essa pouca vergonha é um ato, no
mínimo, imoral, e seus proponentes não deveriam ser agraciados com o mais
mínimo respeito da população.  Será que
os 90 tributos
existentes no Brasil
já não bastam para saciar essa gente?

Pior
ainda é querer utilizar a retórica da luta de classes, dizendo que a criação de
mais um imposto sobre os ricos é uma questão de justiça que irá ajudar a
reduzir as desigualdades sociais — como defende este bastião da moralidade
chamado Zeca
Dirceu
.  Para pessoas com esta
mentalidade, mais vale empobrecer um rico do que enriquecer um pobre.

A
realidade é que, sempre que o governo eleva impostos, ele concomitantemente eleva
seus gastos correntes.  Os gastos do
governo sempre sobem junto com o aumento das receitas.  E isso é uma empiria observada ao redor do
mundo.  Todo aumento de impostos
inevitavelmente se traduz em mais benesses para políticos e burocratas, sem
nenhum benefício líquido para o povo, que agora estará com menos dinheiro no
bolso.  Não há absolutamente nenhum
motivo para crer que este novo imposto sobre os ricos será direcionado
exclusivamente para o fim anunciado.

Foi
desta realidade que surgiu a Lei de Parkinson da
burocracia, cunhada pelo professor Cyril
Northcote Parkinson, que afirmou que, em uma burocracia estatal, “os gastos sobem de encontro à
receita.”  Segundo ele, o governo sempre será um sumidouro de dinheiro público, pois “não
é necessário haver nenhuma relação entre o trabalho a ser feito e o tamanho da
equipe para a qual ele deve ser designado.”  O contínuo aumento no
total dos funcionários públicos “seria praticamente o mesmo caso o volume
de trabalho aumentasse, diminuísse ou até mesmo desaparecesse.” 

Porém,
pelo bem do debate, vamos supor que não houvesse desperdícios e nem
favorecimentos.  Suponhamos também que
não haja corrupção.  Adicionalmente,
vamos supor que, de fato, todo aumento de impostos exclusivamente sobre os mais
ricos seja direcionado para os mais pobres ou para o financiamento de serviços
voltados para os mais pobres.  Ignoremos
também toda a questão moral que há por trás desta proposta de se tributar os
mais ricos, ideia essa defendida por todos aqueles que cultuam a inveja.  Ainda assim, a teoria econômica recomenda ser
contra esta prática.

O processo de criação de riqueza

Para
uma economia enriquecer e melhorar o padrão de vida de sua população, ela tem
de produzir bens e serviços de qualidade.  Quanto maior a abundância
desses bens e serviços de qualidade, menor o preço deles e maior a qualidade de
vida da população.  O nível de riqueza de um país é proporcional à
quantidade e à variedade de bens disponíveis em sua economia.

Porém,
para que eles sejam produzidos, é necessário haver capital.  Capital, no caso, refere-se não ao dinheiro, mas a
ativos físicos das empresas e indústrias.  Capital são as instalações, os
maquinários, as ferramentas, os estoques e os equipamentos de escritório de uma
fábrica ou de uma empresa qualquer.  Ou seja, capital é tudo aquilo que auxilia
um modo de produção

Quanto
maior a quantidade desse capital, maior será a intensidade, a abundância e a
qualidade dos produtos criados.  Portanto, para uma economia crescer e
melhorar o padrão de vida das pessoas, ela precisa ser intensiva em capital.

Qualquer
outra maneira de melhorar o padrão de vida de um país que não seja por meio do
aumento do capital acumulado será completamente insustentável.  Essa,
aliás, é a grande falácia do pensamento keynesiano, que diz que é o consumo que
gera a riqueza.  Se não houver produção, como pode haver consumo? 
Como você pode consumir algo que não foi produzido?  Antes do consumo, tem
de vir a produção.  E, para haver produção, é preciso acumular capital.

O
problema é que o capital não surge do nada; ele não cai do céu.  Para
haver um acúmulo de capital que possibilite toda essa produção, é preciso antes
haver poupança.  E poupança nada mais é do que a abstenção do
consumo.  O sujeito que poupa é aquele que deixa de consumir.  Ao se
abster do consumo, esse indivíduo estará liberando bens de consumo para serem
usados nos processos de produção que irão criar os bens de capital.

Funciona
assim: se grande parte da população deixa de comprar computadores, laptops,
carros, motos, celulares, iPhones, televisões, DVDs etc., isso fará com que
haja uma maior abundância desses bens, reduzindo seus preços e liberando as
indústrias da necessidade de produzir mais destes bens apenas para suprir a
escassez deles.  Tal atitude estará liberando os fatores de produção
dessas indústrias, que agora poderão utilizá-los em outros processos de
produção, resultando em uma abundância ainda maior de bens de consumo.

Mais
ainda: os bens que já foram produzidos e não consumidos — isto é, os bens que
foram poupados — poderão ser empregados em outros processos de produção cujos
produtos finais — embora irão estar prontos somente daqui a algum tempo —
trarão óbvias satisfações para os consumidores.

Como disse Mises,

Aqueles que poupam — isto é, que consomem menos que a sua
parcela dos bens produzidos — inauguram o progresso em direção à prosperidade
geral.  As sementes que eles semearam enriquecem não apenas eles próprios,
mas também todas as outras camadas da sociedade.  Sua poupança beneficia os
consumidores em geral.

Portanto,
a poupança dos indivíduos permite que haja uma maior quantidade de bens
(recursos) a serem empregados na produção, ajudando na criação de bens de
capital, os quais, por sua vez, irão produzir mais e ampliar a abundância de
produtos na economia.

O
capital advém da poupança.  É a poupança que permite a formação de
capital, o qual, por sua vez, irá produzir uma maior quantidade de bens de
consumo.

Gastos
do governo, tributação e os ricos

O
governo atrapalha esse processo de formação de capital de três maneiras:
gastando, tributando e incorrendo em déficits orçamentários.

Quando
o governo gasta — seja comprando recursos para fazer obras, seja comprando
bens para políticos, seja dando salários para funcionários públicos, os quais
irão consumi-los –, ele está impedindo diretamente a formação de
capital.  Afinal, os gastos do governo fazem com que haja uma menor
quantidade de bens na economia, anulando a poupança dos indivíduos (eles se
abstiveram do consumo, mas não terão o benefício da abundância futura de
produtos, pois o governo consumiu boa parte) e interrompendo o processo de
formação de capital acima descrito.

Para
financiar seus gastos, o governo utiliza em grande parte as receitas
provenientes de impostos.  Se a incidência de impostos for sobre a renda —
e sobre a poupança advinda dessa renda –, então o governo estará impedindo que esses recursos sejam
destinados a investimentos produtivos
, levando aos mesmos efeitos acima.

Se
o governo incorre em déficits orçamentários, ele terá de pegar empréstimos para
cobrir esse rombo.  Na maioria dos casos, ele venderá títulos em troca do
dinheiro poupado por indivíduos e empresas, e utilizará esse dinheiro para
cobrir seus gastos.  Obviamente, essa apropriação de renda de indivíduos e
empresas também surtirá os mesmos efeitos acima.

Portanto,
se uma economia quiser aumentar a poupança e a formação de capital, o governo
terá de ter um orçamento equilibrado, impostos baixos e gastos idem.  E,
principalmente, os impostos não devem recair sobre a produção e nem sobre a
renda, pois isso seria um enorme obstáculo à poupança e à formação de capital.

É
por isso que o artifício de reduzir impostos sem uma concomitante redução de
gastos — uma medida que soa muito positiva para muitos liberais — não ajuda
no processo de formação de capital.  Ao contrário, pode piorá-lo ainda
mais, pois, os fundos que o governo agora deixou de confiscar via impostos, ele
irá recolher via empréstimos.  O governo está trocando R$1 de impostos por
R$1 de endividamento.  Cada real adquirido pelo governo desta forma
significa um real a menos disponível para o resto do sistema econômico, e com
um agravante: como o governo está desviando poupança para si próprio, haverá
menos fundos disponíveis para investimentos produtivos, aumentando o preço
(juros) deles.

Portanto,
cortes de impostos que causam um aumento no déficit do governo não promovem a
poupança e nem a formação de capital.  São, por isso, contrários a esse
propósito. 

O
mesmo é válido para os déficits que, em vez de serem financiados por mais
endividamento, sejam financiados pelo aumento da expansão monetária praticada
pelo Banco Central em conjunto com o sistema bancário de reservas fracionárias. 
A inflação desestimula a poupança e estimula o consumo do capital numa
velocidade ainda maior — afinal, poupar deixa de ser uma atividade benéfica,
dado que seu dinheiro está perdendo poder de compra. 

Da
mesma forma, dado que a inflação provoca um aumento nominal da renda e dos
lucros, isso faz com que as empresas tenham de pagar uma quantidade maior de impostos sobre a renda e sobre
o lucro, pois a tabela do imposto de renda não é corrigida
anualmente pela inflação.  Acrescente-se
a isso o fato de que a inflação encarece os custos de manutenção e a reposição
de estoques, e você entenderá como a inflação afeta sobremaneira a capacidade
de investimento das empresas.  Isso,
aliás, vem acontecendo no Brasil atual.

Os
críticos da alta carga tributária que recai sobre os bens de consumo —
prejudicando, portanto, os mais pobres — querem que haja mais impostos sobre a
renda e sobre a propriedade dos mais ricos, exatamente a medida mais destrutiva
para a formação de capital, algo que seria ainda mais prejudicial para os mais
pobres no longo prazo. 

Se
a incidência de impostos for sobre a renda, o governo estará impedindo que haja
o financiamento de investimentos produtivos. 
Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o dinheiro dos ricos
não está parado dentro de uma gaveta.  Em
nosso atual sistema monetário e financeiro, todo o dinheiro está
inevitavelmente em algum depósito bancário. 
Não importa se o rico comprou ações, papeis, títulos, CDBs, aplicou em
fundos de investimento ou em fundos de ações: no final, este dinheiro caiu em
alguma conta bancária, e será emprestado pelos bancos para financiar
investimentos.  Portanto, se a
preocupação é dar um direcionamento útil ao dinheiro dos ricos, não há por que
se preocupar.

Se
o governo tributar esse dinheiro, fará apenas que o dinheiro que antes estava
investido em coisas produtivas seja direcionado para o mero consumismo do
governo, ficando sob os caprichos de seus burocratas, obstruindo a formação de
capital.  Por isso, impostos que recaem
sobre a produção e sobre a renda dos mais ricos são um enorme obstáculo à
formação de capital.  É dos ricos e das
grandes empresas que vem a poupança necessária para os investimentos
produtivos.  Aumentar impostos sobre eles
será ainda mais prejudicial para os mais pobres no longo prazo, pois se trata
de uma medida extremamente destrutiva para a formação de capital, impedindo o
consequente aumento da oferta de bens e serviços na economia, que é justamente
o que beneficia os mais pobres.

O problema com os salários pagos no Brasil

Muitas
pessoas podem aceitar a lógica da explicação acima, mas ainda assim podem se
mostrar céticas ou até mesmo um tanto desanimadas.  Várias recorrem ao seguinte argumento: “Eu
até entendo que as coisas sejam assim, mas por que os salários no Brasil são
tão baixos?  Por que não defender a
tributação dos mais ricos para ajudar a complementar estes salários e assim
reduzir as desigualdades de renda?  Sou
assalariado, ganho pouco e quero melhorar minha vida já!  Chega de patrões mesquinhos!”.

De
fato, os salários no Brasil são muito baixos. 
No entanto, tributar os ricos para fazer esta complementação salarial é
algo que teria efeito apenas de curto prazo. 
Tal arranjo seria insustentável no longo prazo, pois geraria todos os
efeitos explicados acima — o dinheiro que os ricos poupam (investem) seria
consumido pelos mais pobres, cuja propensão a poupar é menor.  No final, caso
não houvesse nenhuma reforma estrutural
, o processo de criação de riqueza da
economia se estagnaria ou até mesmo definharia. 
Afinal, é a poupança e o investimento — e não o mero consumismo — o
que cria riqueza.

Mas
por que os salários são baixos no Brasil? 
Para se chegar a uma resposta, é necessário inverter a pergunta: o que
faz com que os salários possam ser altos? 

São
dois os fatores que permitem que os salários sejam permanentemente altos.  Um deles é a produtividade da mão-de-obra
Quanto mais produtivo for um empregado — isto é, quanto maior for a
receita que ele consegue gerar para a empresa em um determinado período de
tempo –, maior poderá ser o seu salário. 
Só que produtividade é algo que depende de duas coisas: capacidade
técnica do trabalhador (ou seja, seu preparo e sua educação) e quantidade de
capital utilizada pela empresa.

A
questão da educação e da capacidade técnica do trabalhador brasileiro é um
assunto complexo que não pode ser corrigido da noite para o dia.  Não testarei aqui a paciência do leitor
falando platitudes sobre a necessidade de se melhorar a educação, pois isso é
um consenso.  Assim como também é
consenso o fato de que tal melhoria não irá ocorrer no curto prazo.  Dado que a educação não irá melhorar no curto
prazo, resta então abordar a quantidade de capital utilizada pela empresa.  Só que isso nos leva ao segundo fator, que é
a carga tributária.

E
neste quesito o Brasil está na vanguarda do atraso.   Aqui, as empresas têm de lidar não apenas com
os encargos sociais e trabalhistas que incidem sobre a folha de pagamento, como
também com toda a carga tributária que incide sobre a receita e sobre o lucro
das empresas, o que impede aumentos salariais, contratações a salários
atraentes e, principalmente, a acumulação de capital.

Por
exemplo, vejamos os impostos incidentes sobre as empresas.  No Brasil, a alíquota máxima do IRPJ é de
15%.  Porém, aqui as coisas são mais avançadas.  Não bastasse o IRPJ,
há uma sobretaxa de 10% sobre o lucro que ultrapassa determinado valor, há
também a CSLL
(Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido), cuja alíquota pode chegar a 32%, o
PIS, cuja alíquota chega a 1,65% e a COFINS, cuja alíquota chega a 7,6%. 
PIS e COFINS incidem sobre a receita bruta.  Há também o ICMS, que varia
de estado para estado, mas cuja média é de 20%, e o ISS municipal.  Não tente fazer a conta, pois você irá se
apavorar.

É
impossível haver uma grande acumulação de capital desta forma. Lucro que
poderia ser reinvestido na compra de bens de capital modernos, que aumentariam
a produtividade dos trabalhadores — e, consequentemente, seus salários — é
confiscado pelo governo e desperdiçado no sustento da burocracia e no salário
de seus parasitas. A atividade governamental é destruidora de capital. Ela
impede o enriquecimento de empresas e trabalhadores.

Adicionalmente,
dentre os encargos sociais, temos o INSS, o FGTS normal, o FGTS/Rescisão, o PIS/PASEP,
o salário-educação e o Sistema S.  Dentre os encargos trabalhistas temos
13º salário, adicional de remuneração, adicional de férias, ausência
remunerada, férias, licenças, repouso remunerado e feriado, rescisão
contratual, vale transporte, indenização por tempo de serviço e outros
benefícios.

Este site mostra
que, dependendo do caso, os encargos sociais e trabalhistas podem chegar a
quase 102% do salário, o que faz com que um salário de R$ 678 gere um custo
final total de R$ 1.369 para o empregador.

Desse
jeito, realmente, não há como trabalhadores serem beneficiados. Os
trabalhadores brasileiros são cheios de “direitos sociais” (encargos
sociais e trabalhistas pagos pelos patrões); só que, para terem esses direitos,
seus salários ficam cada vez mais achatados. Não há, afinal, almoço grátis.

O
Brasil não pode virar uma Alemanha por meio de um simples decreto governamental
que estipule salários e que aumente impostos sobre os mais ricos, como muita
gente pensa.  Para que o Brasil pague
salários de primeiro mundo, antes é preciso acumular capital.  E para acumular capital, é preciso investir.  E para investir, é preciso poupar.  E para poupar, é preciso trabalhar.  E para que a economia faça tudo isso, o
governo não pode atrapalhar, não pode obstruir a livre iniciativa e não pode
confiscar capital acumulado.

Qualquer discussão que não se atenha a estes fatos é mera espuma.

Conclusão

Toda
a carga tributária existente no Brasil, que impede aumentos salariais na
iniciativa privada, existe justamente para sustentar o setor público e seus
funcionários que ganham salários magnânimos e vivem à custa dos trabalhadores
da iniciativa privada, os quais ganham pouco justamente porque têm de bancar os
membros do setor público.  E essa gente
não está satisfeita, pois os políticos seguem à procura de novas vacas com
tetas suculentas das quais sugar ainda mais recursos para fartar seus cofres.

Em vez de aumentar impostos, deveríamos nos concentrar em como aumentar a
riqueza.  E o que gera riqueza é divisão
do trabalho, poupança, acumulação de capital, capacidade intelectual da
população (se a população for burra, a mão-de-obra terá de ser importada),
respeito à propriedade privada, baixa tributação, segurança institucional,
desregulamentação econômica, moeda forte, ausência de inflação,
empreendedorismo da população, leis confiáveis e estáveis, arcabouço jurídico
sensato e independente etc.

Querer
que a população enriqueça por meio de aumentos de impostos é querer a roda
triangular.  Querer que a iniciativa
privada pague bons salários, forneça bons serviços e melhore a qualidade de
vida da população estando sob todo o peso deste mamute estatal é querer
milagres dignos de canonização.  Odiar
“patrões mesquinhos” é coisa de quem ignora por completo nossa
realidade econômica e tributária.

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159 comentários em “O imposto sobre as grandes fortunas e os baixos salários no Brasil”

  1. A meu ver a única esperança é esperar o estado parasita crescer até o ponto de sufocar seu anêmico hospedeiro e morrer logo a seguir abraçado com o mesmo(já que ele não admite diminuir).
    E depois torcer pra que surja algo mais livre das cinzas pra recomeçar do zero.
    O problema é quanto tempo isso vai levar.

  2. Viu a lista de partidos? PT, PV, PCdoB, só merda socialista, é brindeira como diz o neto?

    E me assusta que muitos liberais/conservadores respeitem um sujeito como FHC que sempre está na vanguarda de todo e qualquer lixo socialista que chegar nesse país.

  3. Roberto Jargemboski

    Eu realmente não sei até que ponto são úteis nossos esforços em compreender a realidade econômica e lutar contra os mitos do establishment.
    No fim das contas, parece que o Olavo de Carvalho tem razão ao dizer que os liberais e conservadores de hoje perdem seu tempo tentando debater honestamente com a esquerda em todos os seus espectros. Essa gente não está preocupada com “detalhes” como história da humanidade, evidências empíricas, e a já quase centanária refutação de todo o arcabouço que sustenta o intervencionismo e o estatismo.
    Eu digo isso porque tive debates recentes com ferrenhos defensores do welfare state, na tentativa de desfazer certos mitos sobre os direitos sociais, tributação progressiva, etc, e a frustração é sempre plena.
    Não consigo imaginar uma forma de vencer toda a canalhice dos apelos emocionais e das distorções deliberadas dessa corja, por mais fundamentados que sejam os argumentos.
    Cada vez mais me convenço de que não se trata absolutamente de um embate de ideias, ou de qualquer coisa que se possa vencer exclusivamente no âmbito intelectual.

  4. Jose Roberto Baschiera Junior

    Sobre os salários, foi uma análise fantástica. Isso que ele nem chegou a mencionar o enorme efeito destrutivo de empregos que os sindicatos criam. A situação é terrível.

  5. Antonio Galdiano

    Para quem está começando a vida econômica agora, qual país vocês recomendariam para começar uma vida produtiva, em que o indivíduo assuma a responsabilidade de sua vida e não faça demandas ao estado? Qual o país que mais se aproxima da combinação de alto nível de capital e estabilidade maior estabilidade na prática de políticas liberais? Já assumo que o Brasil é um caso perdido.

  6. Concordo inteiramente com o imposto sobre grandes fortunas. 14 bi arrecadados de apenas 907 cidadãos, informa que esses cabocos tem dinheiro demais, muito mais do que o razoável.

    Parece que existem cegos por aqui. Se fossem 900 bilhões ao invés de 14, ainda sim os mesmos que são contra tal imposto seriam da mesma forma. Se fossem 14 trilhões, também. Porque? Porque não enxergam o óbvio. As coisas são relativas. Não é possível numa sociedade onde um trabalhador ganha uma miséria, existir um outro cidadão que, só de juros, ganha uma renda mensal maior que o trabalhador conseguirá juntar na VIDA inteira.

    Isso não é razoável!

  7. thiago santos carvalho

    Impressionante como são as coisas, agora eu tenho que fazer concurso público para fixar meu negócio privado, uma vergonha mesmo. Estou nessa sinuca , me formo em engenharia e tenho uma empresa própria, mas pelo que eu vi, vou ter que trabalhar para o Estado por um tempo, para capitar recursos e injetar na empresa, pq até para Banco emprestar dinheiro como capital de giro, vc precisa ter um segundo emprego, e claro, Público.

  8. Nao vi em nenhum lugar do artigo, que uma parte dos impostos retorna para os capitalistas em forma de pagamentos de juros e “amortizacoes”, estas que sao obrigacoes do governo que tem prioridade prevista em lei, ou melhor, a remuneracao do capital ( coisa que sou a favor), estes mesmos que sao responsanveis em sua grande parte pelas prestacoes de servicos para o proprio governo… Os poderosos dao( compram papeis) recursos ao governo, o governo paga a eles mesmos e por fim uma parte dos impostos serve para remunerar o capital( pagando-se juros), ganham nas duas pontas, e outras “facilidades tais como: os empresarios destribuem aos socios uma parte do lucro, esta eh isenta de imposto, previsto tambem em lei, tambem se tem as brechas do sistema tributario para facilitar a elisao fiscal e sobra para o micro, alguns pequenos empresarios e o povo trabalhador( estes que consomem na ponta os produtos com impostos embutidos em seus precos, e ainda eh tributado compulsoriamente com o IRF, criado pelo “genio” americano para garantir o minimo de arrecadacao para remunerar o capital…) E por fim jogo a toalha! Dos sumerios para a civilizacao da cibernetica nao se mudou em nada, a nao ser uma cultura que explora as entranhas humanas em seu subconsciente ( o sobrinho do Freud, estes austriacos sao os cara mesmo… criou tal ciencia), e com isso dando-nos um falso ar de vivermos em liberdade e fazermos o que quiser… Dou um doce para quem souber qual o percentual dos impostos destinados a essas ” obrigacoes”, mas isso nao importa o que importa eh que o dinheiro eh reaplicado no sistema, que eh uma verdade( talvez o motivo de nao ser citado no artigo)! Mas dar um efeito bola de neve que dar satisfacao nirvanicos em nossa elite.

  9. Leandro,
    primeiramente parabéns pelo excelente trabalho que tem feito neste site!
    Gostaria de fazer algumas perguntas:
    De fato o governo federal tem uma arrecadação trilhonaria todos os anos, mas penso que grande parte desta fortuna é direcionada para o pagamento do chamado serviço da divida publica. Segundo informações oficiais, em 2013 53% desta arrecadação é destinada ao pagamento da dívida publica interna e externa.
    A minha pergunta é a seguinte: O endividamento publico é resultado de um estado muito grande, ou seja, quanto maior é a máquina estatal, maior é sua necessidade de endividamento, visto que somente com arrecadação tributária este mesmo estado não seria capaz de cobrir seus enormes gastos com tantos ministérios e secretarias com status de ministérios, assim como programas sociais típico de governos socialistas? O governo na verdade, não estaria mais uma vez, ao tentar sancionar uma lei de impostos para grandes fortunas, garantindo mais receita para cumprir as chamadas metas de superavit primário (que é nada mais do que dinheiro pra pagar rolagem de divida), assim como tem feito também com a previdência social através da DRU (desvinculação das receitas da União) somente para garantir o pagamento com os rentistas desta dívida? Enfim, resumindo o que eu realmente gostaria de saber: Quanto maior a máquina estatal, maior é a sua necessidade de endividamento?

  10. Leandro Roque,

    O instituto Mises poderia fazer um artigo, sobre como seria uma reforma tribut’aria justa (que nao fosse sobre a producao e renda).
    Seria do modus Valor Agregado ??

    Obrigado !!!
    ABS

  11. Parabéns Leandro, o artigo é impecável. o que me entristece é que eu nao vejo uma luz no fim do tunel, pelo menos para o brasil. e ainda por cima o povo brasileiro nao sabe votar, nao tem em quem votar,e, pelo menos na minha opiniao, nao tem saída.

  12. thiago santos carvalho

    Sou a favor que a delegação de recursos( claro se fosse um administrador estatal em uma economia sem livre mercado) fique centrada nos Estados, e o governo federal seja apenas fiscalizador…

  13. Os artigos 21, 22, 23 e 153 da CF-88 provavelmente são os principais pilares do socialismo à brasileira. São os instrumentos jurídicos que conferem poder total aos políticos. Serão mudados apenas em caso de ruptura institucional.

  14. Infelizmente, esse tipo de atitude por parte dos políticos já era esperada. Por isso desde o início eu tive receio do resultado das manifestações. Acredito que as passeatas são resultado da ineficiência estatal na promoção do ‘bem comum’. Mas como acalmar uma população ensandecida? Como a cúpula governamental reagiria diante disso? Assumiriam sua ineficiência? O aumento dos gastos era, desde o início das manifestações, previsível. Pior: para que esse aumento cumprisse seu intento, seria preciso que fosse o mais escandaloso possível. Nada de critério além da ‘soberania popular’ e da boa publicidade. É ônibus barato que estão pedindo? Subsídio é a solução. É hospital, mais edifícios públicos devem dar conta do recado. Se a população estivesse clamando por chuva talvez o governo desse um jeito de construir um chuveiro quilométrico para a população se banhar ao ar livre. Tudo em nome da democracia. Neste quadro tenebroso, alguém tem de pagar a conta. Quem? É triste, mas a própria população que pede muitas vezes ignora a máxima tão antiga: não existe almoço grátis.

  15. Oi Leandro,

    Seria correto dizer que no caso das empresa intensivas em conhecimento, o capital acumulado são patentes, processos, know-how, métodos, marcas, etc e não “ativos físicos das empresas e indústrias”?

    abraço!

  16. JOSUELITO BRITTO

    Extraordinária a sua análise, LEANDRO. Seu artigo deveria ser lido nas Universidades, lugar onde se ensina que 2+2 pode não ser 4, mas dependendo da “vontade política”, 6, 8 ou 10. Passei toda vida universitária sem ouvir falar de Von Mises e tantos outros de leitura indispensável. Também como Professor, pesquisando a bibliografia jurídica, jamais encontrei, salvo recentemente, Von Mises, Hayek (que tem relevante contribuição no campo jurídico e tantos outros. Mas, afinal, encontrei esses autores e muitos outros, notáveis. Precisamos divulgar essas ideias por vários meios (artigo, livros, e-book, áudio-livros). Seus artigos, pela clareza e fundamentação, estão entre os melhores desse site. Obrigado pela sua grande contribuição.

  17. Outro dia encontrei um desses defensores dos “impostos sobre as grandes fortunas” numa discussão. Creio que não cometo um erro em generalizar e dizer que a atitude dele representa boa parte dos defensores dessas idéias.

    A verdade é que ele não tinha a menor idéia de como funcionavam as contas públicas.
    Ele não tinha a menor noção de proporção pra relacionar quanto os tais ricos ganham, quanto as esferas federal, estadual e municipal gastam em estados diferentes, quais os gastos de arrecadar e gastar esses impostos, quais os gastos dos serviços que ele queria ver financiados, enfim.

    O fato é que ele não tinha o menor plano ou a menor noção do que fazer com esses recursos. Tudo o que ele queria era ver ricos sendo taxados. Pura e simplesmente.

    Essas pessoas têm muito mais interesse em ver quem tem mais que elas perdendo, do que em promover melhoras na sociedade. Essa que é a verdade que estendo pra grande maioria dos defensores dessa idéia.

    Como bem tocado no texto sobre a questão dos cortes de gasto, penso que a atitude mais sensata de alguém que não é um completo canalha, ao querer atingir o objetivo de conseguir X bilhões pro governo fazer algo (deixemos pra outro dia o problema de querer dinheiro nas mãos do governo), é estudar pesadamente em como ele poderia eliminar gastos rampantes e absolutamente inúteis até deixar de gastar esses X bilhões.
    É bem claro que o governo gasta nosso dinheiro de forma grosseiramente ineficiente. É lastimável alguém nem começar a pensar em reduzir esses gastos e partir diretamente pra idéia de taxar os outros, e jogar mais combustível num tanque todo furado esperando que o carro ande mais.

    É o que volta pra conclusão anterior: essas pessoas não estão interessadas em garantir mais orçamento disponível pras coisas que elas julgam “úteis” do governo. Elas estão interessadas, primeiramente, em ver a expropriação dos que tem mais do que elas. Pra onde vai esse dinheiro é um mero detalhe de rodapé que elas não fazem grande questão de saber.

  18. Há pouco tempo a França instituiu esse imposto e muitos milionários saíram de lá. Era bom que acontecesse o mesmo aqui, para esses parasitas perceberem que o empreendedor é que leva a prosperidade.

  19. Esse negócio do IGF no final se for aprovado irá colocar a mão em tudo que estiver acima de 1 ou 2 milhões e irão chamar isso de grandes fortunas, por que os grandes capitais têm formas próprias de se saírem de um tributação dessas através das inúmeras formas que propiciam a pessoa jurídica. Será o fim, e ainda teremos muita gente que ficará satisfeito achando que 1 milhão é fortuna! A classe média estará irremediavelmente extinta, e conheceremos a partir daí a tão decantada nova classe média.

  20. Boa tarde.

    E creio que caso esse imposto seja regulamentado aqui, acontecerá inicialmente três coisas.

    1) Uma partes dos alvos da taxação irá embora daqui.

    2) Uma parte irá conseguir encontrar brechas jurídicas para não pagar.

    3) Uma parte menor acabará pagando e talvez acabe recebendo algo do governo como “compensação”.

    Mas em seguida esse valor de 150M irá diminuir, até chegar em 500K de patrimônio, calculado pelo governo o que fará com que a classe média pague e talvez parte dos pobres.

    Pois é importante lembrar que a ideia original do imposto de renda era evitar a concentração de renda, hoje no Brasil se vc ganha pouco mais de 24K por ano, vc paga IR, qual a concentração de renda que uma pessoa que ganha isso pode conseguir?

    Esse imposto sobre grandes fortunas será apenas mais um. E políticos, corruptos e MSTs da vida não serão afetados…

    Obrigado.

  21. Típico Filósofo

    Senhor Leandro, grandes fortunas devem ser proibidas e não só taxadas.

    Pois, simplesmente, o lucro é gerado pelo salário não pago; o que significa que o quão menor forem as margens de lucro, maiores serão os salários. Trata-se duma lógica infalível já percebida pela esquerda americana democrata: Se menores forem as oportunidades de ganhos no investimento em uma determinada atividade, menores serão os lucros e maior será o número de empregos gerado por ela.
    Tal medida econômica civilizatória ainda está à caminho de nossa realidade tomada pelo individualismo burguês, entretanto, luto para que seja implementada.

    Toda esta discussão é apenas produto da luta de classes. Além disso, é válido ressaltar que existe uma escala moral da produção social(Como vislumbrado por Salle), onde fundos confiscados pelo Estado em prol do bem comum estão em um patamar moral do que se nas mãos daqueles que o geraram.

    Por que tanta relutância em aceitar a civilização?

  22. Leandro,

    Todo imposto é sobre a renda no final das contas não? Afinal se não for sobre a renda é sobre o quê então?

    (Desculpe se a pergunta é de principiante, mas o texto deixa a entender que apenas os impostos sobre a renda são nocivos, e pra mim todo imposto é sobre a renda no final das contas…)

  23. E aí? Quem será o primeiro a comprar um lote no Galt”s Gulch?

    galtsgulchchile.com

    Leandro, vc sabe alguma coisa sobre este empreendimento além do conteúdo do site?

    abs e obrigado ao IMB

  24. DESCULPEM -ME PELO TAMANHO DO COMENTÁRIO. Eu copie algumas partes do texto do autor para tentar emitir uma opinião mais clara. Vamos lá.

    MEU COMENTÁRIO: Se considerarmos um ser vivo qualquer nasceu, que trabalhou duro, com todo preço que tem que pagar por isso, e ainda , com seu único e exclusivo mérito, venceu, acumulou riqueza – pagando todos os TRIBUTOS e não apenas impostos – diretos indiretos, entre outras classificações, e agora, do nada , aparece uma proposta de lhe retirar mais recursos , pode até se concluir que haja uma certa injustiça nesta proposta do IGF.
    Sim porque este sujeito sofreu com os baixos salários no Brasil ( como afirma o autor). Além disso, sofreu com o emaranhado de tributos brasileiros, com a alta carga tributária, com os "parasitas" burocráticos, com os descontos de seu salário, ou com o custo da folha de pagamentos, enfim, com tudo que foi mostrado, e mesmo assim, conseguiu acumular. Conseguiu gerar poupança! Ora, que diabos falar-se então de imposto sobre a minha grande fortuna!? ( aqui cabe um observação: a poupança só pode existir após um consumo, ainda que mínimo ou reduzido, afinal, NADA é de graça.)

    Logo, para acumular, necessariamente, precisa PAGAR pelo consumo da sobrevivência).
    Mesmo para aqueles que por questões de capacidade intelectual ( sim, uns são mais inteligentes do que outros) ou mesmo por sorte ( sim, uns têm mais sorte do que outros) também, a princípio, não seria justo simplesmente querer anular essa capacidade ou esta sorte do sujeito, só para retirar-lhe seu capital e entregar "de graça" para os outros.

    Sim, é claro, se o governo FEDERAL cortar despesas, mais recursos estarão disponíveis para qualquer fim.
    Todavia, com o devido respeito, o autor não manteve coesão e a coerência, ou pelo menos, observa-se uma certa incoerência de objeto do discurso. Ora, a proposta foi: Imposto sobre grandes fortunas e os baixos salários no Brasil.

    Mas o assunto é complexo porque trata-lo sem uma ideologia explícita ou implícita é quase impossível.

    Qualquer opinião emitida pode ser enquadrada de cara. Dizer que é a favor do IGF é o suficiente para lhe taxar de socialista. Ao contrário, seria capitalista liberal.

    O primeiro seria aquele que acaba com a propriedade privada. Querem se ver livres da "livre iniciativa e do capital etc.

    O segundo deseja a maior distancia do menor viés socialista possível. Enfim, tudo que todos nós já sabemos. Logo, penso ser infrutífera uma discussão do tema, nessa linha. ( capital vs trabalho ou bastante capital e pouco salário etc etc).

    TEXTO DO AUTOR (…)O curioso é que uma quantia muito maior do que esta pode ser conseguida pela simples reestruturação do Ministério da Educação, que torroumais de R$51 bilhões de reais em 2012.(…)

    (…) poderiam ser imediatamente abolidas, e liberariam muito mais do que R$14 bilhões. Veja aquio total das despesas de cada ministério.
    O fato é que nunca houve problema de falta de recursos. Um país cujo governo federal arrecada mais de R$930 bilhões por ano não tem o direito de dizer que precisa arrancar mais R$14 bilhões dos cidadãos.”

    MEU COMENTÁRIO: Ora, se nunca houve falta de recursos e mesmo assim, não há poupança interna, então o recurso só pode ter "evaporado", ou consumido FORA DO PAIS etc.

    Ora mesmo se considerarmos o absurdo de 100% de carga tributária, todo o recurso privado estaria nas mãos do governo. Se só 1% destes recursos fosse direcionado para o pagamento de salários, subsídios e remunerações, este 1% seria transferido para algum lugar em troca de outros bens. Seriam consumidos internamente ou externamente.

    Os 99% restantes estariam se acumulando, ou sendo queimados, ou sendo transferidos para outro lugar bem longe do Brasil e acumulando-se lá.

    A propriedade ainda seria do país, ( haja vista a proteção universal da propriedade privada no sistema) a não ser em caso de doação para outros entes etc.

    Mas, estamos bem ou mal num sistema capitalista que defende e protege a propriedade privada. Logo, o dinheiro ( que é a resultante de ativo de um lado e passivo(financiador) de outro estará ali na sobra da equação patrimonial.

    Se preferir , podemos trata-lo de propriedade privada, bens, recursos, fator de produção etc. Nada mais justo e correto. A sobra patrimonial pertence ao PROPRIETÁRIO. Fim de papo.

    Ele o tem, o arriscou , o emprestou, e merece um retorno por isso. Ele almeja enriquecer-se, cada vez mais, como todos nós, egoístas e individualistas ( no bom sentido econômico de Smith).

    TEXTO DO AUTOR(…)Ignoremos também toda a questão moral que há por trás desta proposta de se tributar os mais ricos, ideia essa defendida por todos aqueles que cultuam a inveja. Ainda assim, a teoria econômica recomenda ser contra esta prática.
    Notemos bem, quer concordemos ou não com isso, a inveja está contida num dos sentimentos humanos.”

    MEU COMENTÁRIO: Inveja existe até entre entes queridos. Eis uma questão a ser melhor tratada. Não basta que a teoria econômica apenas recomende ser contra a esta prática. Teoria nenhuma , nem mesmo a psicológica pode se dar ao luxo de anular esta prática. Inveja, mudando o que precisa ser mudado, existe até entre “empresas” com suas espionagens industriais!. Ora, onde está mérito?

    TEXTO DO AUTOR: O processo de criação de riqueza
    Para uma economia enriquecer e melhorar o padrão de vida de sua população, ela tem de produzir bens e serviços de qualidade. Quanto maior a abundância desses bens e serviços de qualidade, menor o preço deles e maior a qualidade de vida da população. O nível de riqueza de um país é proporcional à quantidade e à variedade de bens disponíveis em sua economia.
    Porém, para que eles sejam produzidos, é necessário haver capital. Capital, no caso, refere-se não ao dinheiro, mas a ativos físicos das empresas e indústrias.

    MEU COMENTÁRIO: E o que são ativos físicos das empresas e indústrias? Resposta: são bens que possuem DONO. Uma família qualquer, detentora deste fator de produção, resolveu "investir" ou emprestá-lo para uma ATIVIDADE QUALQUER para lhe gerar renda, juros ou lucro.

    Portanto, o capital ( ativado, empresarial, afora o de bancos e o de terras etc) gera sim a produção no sentido clássico. Todavia, o capital que gera a produção foi antes "emprestado". Em última instância pela família ( ou ente) detentor desta propriedade privada. E ao final, este capital gerará DINHEIRO, observando-se o custo de oportunidade, (Wacc a uma determinada TIR, ou tirm, cujo VPL seja positivo etc) Enfim tudo aquilo que todos nós já sabemos.

    Assim, uma vez ATIVADO um recurso qualquer ( que em última instancia SERÁ DINHEIRO, ou algo que possa se expressar em DINHEIRO) ele se tornará CAPITAL.
    Logo, os termos, dinheiro, capital, propriedade privada e afins, não passam de MESMA COISA com óticas ou momentos diferentes. O termo geral é propriedade privada. ( é claro, dinheiro fiduciário seria um desdobramento daquele atrelado , real etc. Vocês sabem muito bem do que falo)

    TEXTO DO AUTOR: Capital são as instalações, os maquinários, as ferramentas, os estoques e os equipamentos de escritório de uma fábrica ou de uma empresa qualquer. Ou seja, capital é tudo aquilo que auxilia um modo de produção
    Quanto maior a quantidade desse capital, maior será a intensidade, a abundância e a qualidade dos produtos criados.

    MEU COMENTÁRIO:

    NÃO NECESSARIAMENTE. Depende. Se alocar incorretamente uma quantidade de RECURSOS em determinado ATIVO, você NÃO GERARÁ ABUNDANCIA E QUALIDADE DOS PRODUTOS CRIADOS. Pode ter a certeza disso.
    Logo, a sua afirmação, com o devido respeito, esta equivocada. Monte um estrutura de capital inadequada e verás o resultado.

    TEXTO DO AUTOR: Portanto, para uma economia crescer e melhorar o padrão de vida das pessoas, ela precisa ser intensiva em capital.

    MEU COMENTÁRIO: Sim e não. Se tiver muito capital financiado por famílias alienígenas pode não resultar em crescimento INTERNO, mas sim, EXTERNO. Ora, porque no Brasil e em outros o PNB < PIB? TEXTO DO AUTOR: Qualquer outra maneira de melhorar o padrão de vida de um país que não seja por meio do aumento do capital acumulado será completamente insustentável. Essa, aliás, é a grande falácia do pensamento keynesiano, que diz que é o consumo que gera a riqueza. Se não houver produção, como pode haver consumo? Como você pode consumir algo que não foi produzido? Antes do consumo, tem de vir a produção. E, para haver produção, é preciso acumular capital.
    MEU COMENTÁRIO: Ok, é verdade que para se consumir um bem PRODUZIDO, precisa antes que o bem seja produzido.
    Todavia, a ideia central de consumo da equação geral , seria a igualdade. Consumo=produção= despesas ( mais ou menos por ai)

    O problema aqui, sem querer encontrar a fórmula mágica, é para onde , para quem , como vai ser consumido um determinado bem. Eis um problema , partindo-se do principio que houve intervenção , houve receita derivada e portanto, deverá haver alguma forma de voltar com tais recursos. Aqui, de fato, o Brasil deixa muito a desejar. Verdadeiros absurdos de muita receita pra quase nada.

    TEXTO DO AUTOR: O problema é que o capital não surge do nada; ele não cai do céu. Para haver um acúmulo de capital que possibilite toda essa produção, é preciso antes haver poupança. E poupança nada mais é do que a abstenção do consumo. O sujeito que poupa é aquele que deixa de consumir. Ao se abster do consumo, esse indivíduo estará liberando bens de consumo para serem usados nos processos de produção que irão criar os bens de capital.

    MEU COMENTÁRIO: Com o devido respeito, poupança NÃO É abstenção de consumo, da forma sugerida. Poupança ocorre, necessariamente, APÓS o consumo. Senão vejamos.
    Um ser humano qualquer só pode POUPAR ÁGUA, após o CONSUMO NECESSÁRIO PARA A SUA SOBREVIVÊNCIA. Ele jamais ( com a tecnologia atual) conseguirá sobreviver SEM ÁGUA.
    Da mesma forma, ocorre com bens produzidos. Primeiro, o sujeito compra e consome, ainda que o mínimo, algum bem: Água, alguma roupa( ainda que mais simples) pois, sedento morrerá além de não poder andar por ai pelado.

    Ademais, não há almoço grátis. Logo, só poupará após o pagamento deste almoço!
    Portanto, o sujeito que poupa NÃO É, necessariamente, aquele que deixa de consumir!
    Com o devido respeito caro autor, sua afirmação contém sério equívoco.

    Isso todavia, não invalida a importância da poupança interna. De fato, é preciso poupar para que possamos gerar investimentos. Tudo em âmbito interno, evitando-se assim, a necessidade de financiamentos externos os quais nem sempre, visam investimento de longo prazo etc. Geram sim, acumulação, mas para interesses alienígenas.

    TEXTO DO AUTOR(…)O problema com os salários pagos no Brasil
    Muitas pessoas podem aceitar a lógica da explicação acima, mas ainda assim podem se mostrar céticas ou até mesmo um tanto desanimadas. Várias recorrem ao seguinte argumento: “Eu até entendo que as coisas sejam assim, mas por que os salários no Brasil são tão baixos? Por que não defender a tributação dos mais ricos para ajudar a complementar estes salários e assim reduzir as desigualdades de renda? Sou assalariado, ganho pouco e quero melhorar minha vida já! Chega de patrões mesquinhos!”.

    De fato, os salários no Brasil são muito baixos. No entanto, tributar os ricos para fazer esta complementação salarial é algo que teria efeito apenas de curto prazo.(…)

    MEU COMENTÁRIO: De fato, não basta regulamentar mais um imposto para enfrentar nossos problemas internos, mormente, o de distribuição. Ora, alguém gera renda, paga todos os tributos( não apenas impostos) que a priori, já servem para financiar o desenvolvimento do próprio Estado e ao final, recebem mais um imposto para o mesmo fim? Parece imbecil isto daí. Pelo conjuntura brasileira suponho que JAMAIS tal tributo será regulamentado por aqui. ( não pretendo discorrer sobre a possibilidade ou não desta regulamentação. Tema longo para outro texto.

    Limito-me a dizer-lheS que essa conversa de IGF é banal. (respeitando-se aqui aqueles que de boa fé a defendem).

    E como já dito, os salários do Brasil, são realmente baixos. Baixíssimos. Dai porque cair fora de salários , o quanto antes( tema que já abordei em outro texto sobre carreira, salários etc aqui neste sítio).

    No Brasil, você tem de pensar desde sempre em uma forma de não necessitar de SALÁRIO para sobreviver e muito menos para se enriquecer. Pra mim, salário é o mesmo que condenar um ser humano ao fracasso! Diante de nosso contexto, salário, emprego, carreira são imbecilidades para desorientados.

    Portanto, repita-se : caia fora de salários. O fator de produção que o gera é , sem dúvida alguma, o pior que pode deter um ser humano ou uma família. Prefiro vender capital e terra( estou restringido aos clássicos). Vender trabalho JAMAIS. E com ele deve ir para o inferno qualquer forma de argumentação quanto a empregos, trabalhos, etc etc. Pura banalidade ( no Brasil pelo menos) diante de tamanha desigualdade entre a "remuneração" dos fatores.

    TEXTO DO AUTOR: Conclusão

    (…)Em vez de aumentar impostos, deveríamos nos concentrar em como aumentar a riqueza. E o que gera riqueza é divisão do trabalho, poupança, acumulação de capital, capacidade intelectual da população (se a população for burra, a mão-de-obra terá de ser importada), respeito à propriedade privada, baixa tributação, segurança institucional, desregulamentação econômica, moeda forte, ausência de inflação, empreendedorismo da população, leis confiáveis e estáveis, arcabouço jurídico sensato e independente etc.
    Querer que a população enriqueça por meio de aumentos de impostos é querer a roda triangular. Querer que a iniciativa privada pague bons salários, forneça bons serviços e melhore a qualidade de vida da população estando sob todo o peso deste mamute estatal é querer milagres dignos de canonização. Odiar “patrões mesquinhos” é coisa de quem ignora por completo nossa realidade econômica e tributária.

    MEU COMENTÁRIO:

    Bem, se a divisão de trabalho gera riqueza, Smith, Ricardo, Taylor, Fayol, FORD entre outros, já provaram ao mundo, praticamente. Gera mesmo! E como gera! Não há como refutar essa premissa.

    Odiar patrões… Mesmo em Taylor, já se observou isso. ( odiado e amado Taylor)
    Pra mim odiar patrões é discussão banal. Infrutífera.

    A questão, portanto, não é essa. A questão é a de que todos os humanos normais ( de uma forma ou de outra) no fundo, é egoísta e individualista e visam a riqueza.( como já bem disse os precitados mestres).

    Logo, somente um desinformado para acreditar que SALÁRIO, gera riqueza. Somente um alienado mesmo, visa incrementar sua "remuneração" ou a remuneração da venda de sua força de trabalho , ” bens" remunerados pelo salário.

    É aumentar salário nominalmente para ver os preços correrem atrás de novas "margens de contribuição".

    Aumentar a produtividade é alternativa recorrente para alguns. Pra mim não. É linha tênue. Fazer mais com menos, de forma eficiente, eficaz e efetiva, vai gerar ganhos para o "vendedor" de trabalho. Todavia, só pode gerar ganho ao vendedor quando, por óbvio, gerar mais ganho ainda ao comprador de trabalho.

    A riqueza não está no Trabalho mas sim no Capital. É o capital que compra o trabalho e não o contrário.

    Prefiro comprar trabalho e gerar lucro, renda, juros etc.

    Portanto, caros brasileiros, festejem e corram na atrás ou na frente das remunerações do CAPITAL , da TERRA, sobretudo , da de JUROS.
    Trabalho, no Brasil, com o devido respeito, é coisa para desorientados.

  25. O problema não são os impostos, mas a maneira como são o dinheiro dos impostos é usado. Se o governo para de usar dinheiro na cueca, no sapato, para de dar dinheiro para ONGs, MST, MLST, paradas gays, e investir na saúde e na educação, a situaçao melhora.

  26. A fala da deputada diz 907, mas o artigo do Zeca Dirceu fala de 56 mil pessoas afetadas, transcrevo abaixo:

    ” O projeto, que está pronto para entrar na pauta de votação da Câmara, prevê a criação de nove faixas de contribuição baseadas em acúmulo de patrimônio, sendo a última acima de R$ 150 milhões. Pelos dados da Receita Federal, há no Brasil apenas 56 mil pessoas habilitadas nas faixas patrimoniais acima do piso.”

    Qual seria a quantidade correta?

    Quero deixar claro que minha intenção é apenas esclarecer a questão, pois não importa a quantidade, mesmo se esse tributo só afetasse uma única pessoa, ainda assim seria um roubo.

    Uma dúvida:
    Leandro, a mão de obra e a terra também são parte do capital? Eu já ouvi muito: “terra, capital e trabalho”, como se estes dois fatores não fossem integrantes do capital. E na descrição de capital do seu texto, que eu considerei ótimo como sempre, você também não os menciona diretamente.

  27. Artigo importante, Leandro. Um dos grandes conceitos econômicos equivocados que se comete é considerar determinada tributação como nociva apenas a quem ela primeiro incide.

    Você fez um grande serviço ao bem da compreensão econômica ao demonstrar que a taxação sobre grandes fortunas, bem como qualquer tipo de taxação, repercute além dos limites de seus destinatários iniciais. Afinal, nós sabemos que as interações econômicas fazem impostos incindirem com grande equidade contra a economia como um todo.

    Eis um bom artigo que melhor vai ao encontro do desejo de ajudar aos menos prósperos:

    Alguns conselhos para aqueles que genuinamente querem ajudar os pobres

  28. Leandro

    Parabéns pelo texto. Estou engatinhando na leitura sobre economia, minha formação é jurídica, achei muito bom o seu texto, embora se faz necessário fazer algumas reflexões, ainda que modestas.

    Sou contrário ao socialismo – não gosto do PT e seu assemelhados, mas não comungo de um pensamento liberal extremo, acredito mais em um pensamento liberal moderado.

    Não acredito que uma desregulamentação total da economia seja algo bom e que resolva todas as mazelas do Pais, basta lembrar a recente crise Americana de 2008, que decorreu justamente por desregulamentação excessiva do setor bancário e imobiliário. Acho salutar, como papel do Estado, algum tipo de regulação, mas em base que promova a competitividade, empreendedorismo e que estabeleça um cenário econômico de segurança jurídica para a livre iniciativa.

    Assim, não há como suprimir o papel do Estado. Certo. Mas dá para discutir o seu tamanho e sua forma.

    Neste sentido, não acho que o problema seja os servidores públicos concursados. Acho demérito achincalhar todos de parasitas. Não é por ai.

    Se as pessoas fizeram concurso é porque a estrutura, o sistema político-social, lhes induziram a isso. Seria necessário uma mudança profunda que não conduzisse a criação de cargos e conduzisse a massa de concursados para a iniciativa privada.

    Neste ponto acho que precisa-se de um equilíbrio..pois o que se vê hoje é faculdade de balela que despejam milhares de bacharéis de diploma na mão sem qualquer qualificação que se possa fazer defesa (basta olha a quantidade de faculdade de Direito – um recorde mundial!!). O que resta a este povo? Fazer concurso…infelizmente, pois esta massa de “formado” se não fossem submetidas ao maior estelionato educacional da historia mundial, poderia ter sido engajada em meio mais produtivo na iniciativa privada se houvesse esta mentalidade no nosso Pais.

    E de certo que o desejado são serviços público de qualidade e certamente colocar no mesmo balaio todos os servidores é cometer um erro de ignorância, pois existem áreas essenciais do Estado que precisam de um corpo de excelência e bem remunerados visando a eficácia e eficiência dos seus serviços.

    Concordo que quanto mais receita para o Estado mais despesa aumentara na proporção do crescimento daquela. O que fazer?. penso que seria necessário reduzir o tamanho do Estado certamente.. a começar por proibir a nomeação de cargos em comissão de livre nomeação e exoneração, esse o verdadeiro câncer da administração pública.

    Não os cargos concursados legitimamente preenchidos que são o problema e sim a sua quantidade. Dá para reduzir o cargos concursados?.. Claro que dá.. basta criar um formato diferente..com base na meritocracia, induzindo-se o resultado como fio condutor da ação do Estado.

    O Estado precisa ser menor? sim!!, mais eficiente e gerar menores gastos, desde que mantenha uma corpo qualificado e profissionalizado estritamente em numero adequado e que haja um impacto regulatório suficiente para inibir assimetrias de mercado, mas que ao mesmo tempo permita e induza a livre iniciativa e a competitividade.

    Outro exemplo, para reduzir o tamanho do Estado, poderia-se reduzir o tamanho do legislativo (Federal, Estadual e Municipal) e por tabela uma miríade de cargos inúteis ligados ao assessoramento de cargos políticos – o país precisa de quadro qualificado de legisladores e não quantidade excessiva de sugadores e criadores de despesa.

    Bom.. e minha modesta opinião..

  29. Gostaria de saber o que vocês pensam sobre a transição? Já imaginaram o cenário de acabar com o SUS de imediato.

    O que ocorreria com as pessoas que dependem dele, não estou falando das pessoas que trabalham, mas dos idosos por exemplo, que não tem mais condições de trabalhar e que podem não ter filhos em condições de sustentá-los e que necessitem de medicamentos para doenças crônicas.

    Muitos destes idosos não tem acesso a estes medicamentos pelo próprio Estado e são obrigados a comprar, outros não compram por não ter $ suficiente e acabam morrendo, seria a morte por não ter condições de cuidar da própria saúde a melhor solução? Acho que neste caso os Libertários deveriam ser os primeiros a pensar em uma solução (pode ser não Estatal, para estes casos)

  30. Se en um dado país, por exemplo, 30% da população for pobre a ponto de morrer por inanição e 5% é rica. Se cobrar impostos desses 5% mais ricos para dar para os 30% mais pobres eles irão passar a sobreviver e sair da pobreza ou o aumento dos preços dos produtos será maior que o aumento da renda dos pobres?

  31. Reformulando a pergunta: taxando os ricos e dando apenas aos que se encontram em extrema pobreza, não iria melhorar, mesmo que minimamente, a situação desses desamparados?

  32. Fernando Schoulten

    Lendo esse artigo e pensando em meus colegas de trabalho que reclamam do salário baixo ao mesmo tempo que glorificaram o último pagamento do Abono Salarial. Acho que a tarefa mais difícil dos libertários é passar uma explicação similar a essa do artigo à grande massa.

  33. Leandro, li o artigo e acabaram me surgindo alguns questionamentos juntando com o aprendizado de outros artigos daqui e meu conhecimento já tido. Leio os artigos do IMB há meses e lhe peço a gentileza de me explicar certas dúvidas:

    1) Como foi dito e entendo perfeitamente, o nível de instrução da população é vital para a elevação da produtividade do trabalhador e, portanto, da renda também. No entanto, em outros artigos defendia-se a extinção do sistema público de educação. Sem sombras de dúvida, um sistema 100% privado seria muito superior quando se fala de qualidade, no entanto, o “raio de alcance” não seria menor devido aos custos? Acredito que nao teria um impacto positivo na instrução por muitos terem o acesso restrito, principalmente a universidades, por exemplo, caras.

    2) Eu nunca entendi muito bem tal pensamento “A poupança, ou seja, a abstenção do consumo, aumenta a produção de riqueza na forma de produtos ou serviços”. No entanto, não compreendo como isso é possível… Uma diminuição no consumo aceleraria a produção? Não “sobrariam” bens, já que o consumo é menor e produção, maior?

    3) Eu sou defensor da ideia de que o Estado deve diminuir sua atuação na economia e suas atividades. Inclusive defendo que todos os impostos sejam concentrados diretamente no consumo, e não divididos e aplicados em diversos pontos. Assim, haveria uma drástica redução da burocracia e ao mesmo tempo um forte estímulo ao investimento, já que apenas o consumo seria taxado. Acredito que assim o nível de desenvolvimento seria muito mais elevado. Poderia-se zerar o imposto de importação (já que o importado também receberia todos os impostos sobre consumo e o produto nacional sai da indústria ou de onde for com muito pouco imposto.) Na minha visão, isso também impulsionaria as exportações, já que quase não levariam impostos. Por fim, a economia iria muito bem.
    O que acha deste pensamento? Acha válido como melhoria ao sistema atual?

  34. Ora, é claro que sim. Qualquer pessoa que passe a receber dinheiro diretamente terá sua situação melhorada. Isso vale tanto para mortos de fome quanto para funças ou empreiteiros com contratos com o governo. Ninguém em sã consciência nega que uma pessoa estará em melhor situação caso passe a receber dinheiro. Não há absolutamente nada de controverso nisso.

    A questão é analisar os efeitos disso sobre todo o resto da economia.

    No seu exemplo, as pessoas deixariam de estar com fome. Mas isso duraria quanto tempo? Afinal, sentir fome é algo diario, já o dinheiro a ser tributado é algo finito. Mais ainda: tributar ricos não gera produção de comida. É isso que não está fechando neste seu cenário. Para saciar a fome, a tributação não apenas teria de ser eterna, como teria de ser crescente — pois a riqueza dos ricos é finita e passaria a ser decrescente tão logo a tributação fosse imposta, ao passo que, simultaneamente, tal tributação não faria nada para aumentar a produção de alimentos.

    Ou seja, você quer resolver um problema dinâmico dando uma sugestão estática, uma sugestão que tem alguma seventia para um período de tempo muito pequeno, como um mês ou um ano. Para além disso, os problemas passam a ser outros. Como continuar tributando uma riqueza que se tornou menor? Como garantir um aumento da produção de comida em um cenário de maior carga tributária?”

    Então a inflaçào, se o dinheiro novo criado for entregue aos pobres, tira eles da pobreza, pois assim como a taxação e a redistribuição é uma forma de transferência de renda, certo?

  35. Olá, primeiramente parabéns pois gostei bastante do artigo e concordo com seu ponto de vista. Só um detalhe é que eu acho que a tal “Lei de Parkinson” na verdade é um ensaio em tom de humor e não um artigo de cunho científico. A Wikipedia em português faz uma menção incorreta sobre a publicação feita no The Economist. A Wiki em inglês me parece mais correta:

    en.wikipedia.org/wiki/Parkinson%27s_law

    Do site acima:
    “Parkinson’s law is the adage first articulated by Cyril Northcote Parkinson as part of the first sentence of a humorous essay published in The Economist in 1955:[1][2]”

    em outro ponto:
    “Much of the essay is dedicated to a summary of purportedly scientific observations supporting his law,…”

    É fato que o artigo foi escrito com base em dados reais da marinha britânica, mas mesmo assim acho que seria legal citar a fonte mais honesta (wikipedia em inglês).

    Abraços,

  36. Achei o artigo sensacional, esclareceu-me em muitos aspectos.

    Uma parte suscitou-me dúvidas, porém: o autor aduz que o excesso de tributação é um dos fatores preponderantes para a existência de salários tão baixos – como no caso do Brasil. O problema é que parece incorreto (ao menos pra mim, iniciante na ciência econômica) concluir que, se os tributos e as exigências trabalhistas fossem extintos, o dinheiro gasto pelas empresas com estas exações seria convertido a seus empregados. Imaginemos que o governo edite, hipoteticamente, uma lei abolindo o FGTS. Será que as empresas incorporariam as somas anteriormente gastas com esse encargo ao salário de seus empregados?

    Enfim, agradeço pelo valioso artigo e, desde já, por qualquer esclarecimento adicional.

  37. Excelente texto do Rodrigo Constantino sobre a vontade do governo petista de aumentar ainda mais os já absurdos impostos: veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/economia/presidente-do-pt-quer-mais-impostos-sobre-os-ricos/

  38. Luís Guilherme Sella

    Esta lógica de que o capital poupado será quase que automaticamente re-investido nos meios de produção só funcionaria num mundo ideal. Se pagando impostos o capitalista ainda obtém lucro dos seus meios de produção, porque ele iria querer mudar esta realidade? Ele poderia muito bem utilizar esta “economia” relativa ao não pagamento de impostos em qualquer outra coisa que não seja a própria empresa.

    Vamos considerar as seguintes hipóteses: E se o capitalista após ser privado do pagamento de impostos não re-investisse este capital nos meios de produção? Se ele resolvesse investir toda essa grana adquirindo, por exemplo, imóveis para alugar e deixar “rendendo”? Ou decidisse simplesmente “torrar” tudo e virar o “rei do camarote”? Onde ficaria o aumento da oferta de bens de consumo, o aumento de salários e a geração de tecnologia?

    Tudo bem, ele estaria sujeito à concorrência do mercado. Nada impede que um outro capitalista decida aplicar o dinheiro dos impostos em seus próprios meios de produção e triunfar sobre o concorrente perdulário. Mas no mundo de hoje, quantos são os “ricos”?

    Considero um tanto quanto utópico imaginar que estes “grandes” re-investiriam automaticamente estas “sobras” em suas empresas. Funcionaria, talvez, com pequenos e médios, mas vale lembrar que estes “ricos” já estão sentados em uma estabilidade confortável nos negócios. Eles são, geralmente, produtores de insumos vitais para quase todas as cadeias produtivas e, por isso, detêm um poder sobre as forças de produção bastante consolidado. Como sabem que boa parte da economia depende deles, seria improvável que fossem destronados caso optassem por simplesmente torrar a grana.

    Pois bem. Aqui vem a minha teoria um tanto quanto fantasiosa, mas que talvez, quem sabe, faça sentido. Se os problemas são a falta de garantia no destino destes recursos economizados com o não pagamento de impostos, a ineficiência do governo em utilizá-los quando arrecadados e a má distribuição de renda, que tal se o capitalista fosse “convencido” (gentilmente ou obrigado por lei) a fazer uma divisão dos lucros entre todos os seus empregados? Desta forma, ele não pagaria impostos para o governo (o “intermediário”) e faria distribuição dos lucros de forma direta. Hoje no Brasil a CSLL varia de 12% a 32% dependendo do ramo de atividade. Vamos supor que estes grandes “ricos” reservassem esta percentagem dos lucros e dividissem igualmente entre todos os funcionários como “reconhecimento” da produtividade deles. Confesso que tenho minhas dúvidas quanto à minha própria teoria, mas não seria mais “justo”?

    Outra opção seria abolir os impostos sobre PJs, principalmente os que incidem sobre o lucro: IRPJ, CSLL… Custear um estado mínimo somente com impostos sobre PFs em alíquotas progressivas, sem taxar qualquer atividade econômica produtiva e entender “renda” somente como ganho de capital sobre capital aplicado. Ou seja, por exemplo, o salário seria apenas o produto da venda da mão de obra do trabalhador, portanto uma atividade econômica, não uma aplicação de capital com intuito de fazer “render”. Ele não obteve “renda” nesta transação, apenas fez um comércio de sua força de trabalho. Caso ele pegue este dinheiro e aplique em algum negócio que faça com que o capital “renda”, aí sim ele paga imposto. Entender também que empresas não se beneficiam de capital e não “gastam” dinheiro. Quem se beneficia dos lucros é o dono da empresa (ou os donos). São eles que consomem produtos e serviços em benefício próprio quando a empresa lucra. Desta forma, o empresário só pagaria imposto quando retirasse capital da empresa para utilizá-lo em seu benefício: seria a “renda” sobre o capital que aplicou nos meios de produção anteriormente, o capital inicial. Acredito que neste modelo o capitalista seria impelido a re-investir os lucros da empresa na própria empresa, nos bens de capital, na mão de obra e em inovação, sob pena de ser tributado caso decida utilizá-los exclusivamente para si.

    Um tanto autoritário, eu sei, mas considero pragmático. Passar de um mercado altamente regulado e de uma sociedade totalmente catequizada sobre a “benevolência” do Estado para um laissez fare absoluto demanda uma transição. Vale lembrar que boa parte dos milionários que existem hoje são monopolistas criados pela proteção do Estado, não necessariamente pelos seus méritos.

  39. Luis Guilherme Sella

    Liam Neeson, grande ator, vamos com calma. Vou começar levantando uma bandeirinha branca e deixar claro que discordo veementemente de qualquer tipo de autoritarismo e de início de agressão a não agressores da mesma forma que você, acredito. Minha intenção com o comentário anterior foi levantar hipóteses, questionamentos… Ser uma espécie de “advogado do diabo”. Nada de defender posicionamentos e verdades absolutas. Em nenhum momento blindei de suspeitas nenhuma de minhas colocações, muito menos mencionei que seriam Santo Graal para coisa alguma. São apenas suposições e devaneios de uma mente que tem o direito de ser burra assim como a de alguns tem o direito de ser arrogante. Nada rigidamente científico já que minha intenção nem de longe é ser inspiração para “gênios” das políticas econômicas. Sobre o que eu penso – como está explícito por mim no texto -, nem eu concordo com o “proposto”. Todavia, acredito que uma reforma no Estado precisa ser feita com parcimônia: uma “abertura lenta, segura e gradual” da economia, assim como quando se trata um vício. A sociedade precisa ser “desmamada” aos poucos da droga do Estado e, para que os efeitos das crises de abstinência não tomem conta dos indivíduos, alguns cuidados precisam ser tomados para que não haja recaída. Posto isto, vamos por partes tal qual você fez.

    Se ele fizer isso, simplesmente não terá como expandir sua empresa. Aliás, não terá nem como repor seus estoques. Será desalojado do mercado.

    Mas, mesmo assim, se ele realmente quiser fazer isso, e daí? Por que ele não pode ter essa liberdade de ser burro? Até você tem…

    Sim, ele terá como continuar expandindo a empresa dele. Pela sua lógica, nenhuma empresa que paga impostos gera lucros e pode ser expandida? No modelo atual, empresas pagam impostos – escorchantes, é verdade – e, sim, muitas delas crescem, inclusive as grandes. Desta forma, o empresário detentor de grandes fortunas que for privado da obrigação de pagar impostos poderá manter a mesma taxa de investimento anterior. Ele pode simplesmente “embolsar” o lucro extra sem prejudicar a empresa. Se ele tem direito de fazer isso? É claro que tem! Em que momento eu mencionei que ele não poderia fazê-lo? O problema não está em onde ele vai enfiar o dinheiro, mas sim no argumento que prega ser automática a conversão do lucro referente ao não pagamento de impostos em investimentos nos meios de produção. Pra esse contexto ideal acontecer, seria necessária a contrapartida do empresário, e não se pode negar que isso tem chances de não acontecer. Ele quebraria? Pequenos e médios, certamente. Mas grandes barões estão sentados sobre a influência que tem sobre todo o mercado. Em geral, eles são donos dos meios de produção de matérias primas e de todo o tipo de insumos necessários para todas as outras cadeias produtivas. São o topo e a base ao mesmo tempo e tem – à revelia da intervenção dos Estados -, um poder direto e indireto sobre todos os meios de produção e podem manipular mercados e governos com relativa facilidade. A longo prazo, o livre mercado tenderia a destroná-los, mas a curto e médio eles teriam uma grande oportunidade de aumentar seus patrimônios a ponto de não “precisarem mais trabalhar” mantendo a mesma política de investimentos e de salários de sempre.

    Numa reforma que eu consideraria prudente nos devaneios desta mente burra (eu admito), ele seria privado do pagamento dos impostos, sim. Mas aquilo que antes pagaria para o governo ele seria obrigado a reinvestir nos meios de produção através de participação nos lucros. Assim, a mesma percentagem – ou talvez menor – que pagaria em imposto, ele redistribuiria na própria empresa. O Estado, a princípio, deixaria de ser o intermediário e tornaria este “barão” ator principal no aumento da renda dos trabalhadores, dando chance a eles de consumirem mais, de pouparem mais e de (por quê não?) tornarem-se futuros concorrentes.

    De onde você tirou que absolutamente todos os ricos têm a obrigação de aumentar a oferta de bens de consumo, de aumentar salários e de criar tecnologia? Se o sujeito quiser dissipar toda a sua riqueza e ficar pobre, que o faça.

    O rico não tem obrigação nenhuma de aumentar a oferta de bens de consumo! O rico não tem obrigação de nada, na verdade. De onde você tirou no meu texto alguma menção a isso? Mas vamos ao cerne do argumento: a defesa da não taxação sobre grandes fortunas se baseia justamente na ideia de que se pagarem menos impostos, os “grandes empresários ricos” poderão reinvestir este lucro extra nas próprias empresas. Assim eles produziriam mais bens de consumo, aumentariam os salários dos empregados e fariam a economia como um todo crescer. Pois bem. Quem está delegando aos ricos a responsabilidade de aumentar a oferta de bens de consumo e fazer a economia crescer neste caso? Por que não poderiam ser os próprios empregados deste rico, ganhando maiores salários com a participação sobre os lucros, a assumirem o papel de poupadores/investidores; capitalistas?

    É mesmo? “Estabilidade confortável”? Isso prova que você desconhece completamente a história.

    Grandes bilionários são geralmente frutos de ocasiões. De tempos em tempos surgem novos nichos nos mercados e quem sabe aproveitá-los da maneira certa é recompensado com uma rápida ascensão (veja a trajetória do Vale do Silício). Na medida em que o “novo” mercado vai sendo explorado por outros investidores e se consolida como meio de produção, a tendência é de que a situação vá voltando ao equilíbrio e que os “pais” sejam suplantados pelos seguidores em maior número. Fora isso, existem bens de produção que tem uma demanda praticamente garantida durante longos períodos de tempo e os detentores destes mercados nem sempre estão sujeitos aos altos e baixos radicais de outros mercados menos estáveis. É o caso dos produtores de minério de ferro, aço, petróleo, soja e etc. Muitas outras cadeias produtivas dependem da oferta destes bens, portanto, quem detém os meios de produção sobre eles tem os mercados nas mãos. Podem não ser, necessariamente, bilionários da Forbes, mas a riqueza acumulada por eles não pode ser considerada “mixaria”. Concordamos que o livre mercado retiraria boa parte do poder das mãos destes barões, mesmo porque muitos só existem porque são tutelados pelo Estado. Mas até que a concorrência possa incomodá-los, eles dificilmente seriam afetados sem que um longo período de ajustes na economia se passe. Em uma reforma liberal (creio eu) não bastaria que o Estado, a princípio, simplesmente abrisse mão das regulamentações. Antes ele precisaria, além de reformar os critérios de suas regulamentações, (nos devaneios desta mente burra) tentar equilibrar as coisas retirando um pouco do poder destes “grandes”. Este processo conteria medidas que os fariam distribuir parte de seus lucros (diretamente com seus empregados, talvez, mas nunca através do Estado), o que daria oportunidade de novos investidores ganharem terreno sobre os monopólios e cartéis até então formados por eles. Uma forma de dar “chance” para que outros médios e pequenos investidores possam adentrar nestes mercados, tornando-os, assim, mais competitivos de fato, não apenas em teoria.

    Parabéns pela franqueza, embora deva lamentar a covardia de utilizar o termo “convencido” em vez do “coagido”. Você é apenas mais um totalitário que acha que descobriu o segredo para a felicidade do mundo e quer obrigar todos — por meio da violência — a seguirem esta luz que só você viu.

    Volto a repetir. Posso estar errado, mas acredito que sair de um mundo baseado em coerção para um mundo totalmente livre requer uma transição responsável. “Convencido” foi ironia, embora você não tenha percebido. Pelo visto, o mundo em que você acredita é o mesmo que os socialistas projetam para “despues de la revolución sangrenta” ou talvez possa ser alcançado por um estalar de dedos. Sem pragmatismo e cautela, qualquer mudança abrupta nos padrões vigentes pode gerar distorções insuportáveis. É esse o “desmame” lento e gradual para evitar crises de abstinência e possíveis recaídas (governo Lula em 2002, por exemplo).

    Genial. Primeiro você diz que sua ideia tem de ser implantada à força (os ricos devem ser “gentilmente ou obrigados por lei”). Depois, só depois, você expressa dúvidas a respeito da própria teoria criada.

    Não sei se percebeu, mas não estou elaborando nenhum tratado político, sociológico ou econômico aqui.

    Mas e daí? O que importa é que, para você, tomar a propriedade alheia e redistribuí-la de acordo com seus próprios caprichos é o que “seria mais justo”.

    Não defenda os seus argumentos distorcendo o dos outros.

    Ignorância atroz. Se os lucros realmente fossem utilizados pelos empreendedores para consumir “produtos e serviços em benefício próprio”, então simplesmente não haveria mais empresa nenhuma.

    Entenda uma coisa: lucros são reinvestidos na empresa, seja na forma de reposição de estoques, seja na forma de expansão dos negócios, seja na forma de contratação de novos trabalhadores, ou até mesmo na forma de aumentos salariais. Se os lucros fossem consumidos em produtos e serviços, as empresas simplesmente não seriam capazes nem de repor seus estoques. A padaria da esquina não teria nem como comprar farinha para fazer mais pão.

    Essa ideia de que lucros servem apenas aos caprichos dos capitalistas é uma das coisas mais ignaras que alguém já foi capaz de inventar

    Leia novamente meu texto, por favor. Utilizar todos os lucros em benefício próprio é uma coisa. Utilizar lucros “extra” em benefício próprio sem reinvestí-los é completamente diferente. E se os lucros não servem apenas para o capricho dos capitalistas, oras, pra que eles servem, então? Por que o cara vai investir o capital dele e trabalhar para fazê-los render se ele não quer utilizar os retornos em benefício próprio? Por que o trabalhador vai colocar o tempo e a força de trabalho dele se ele não quer obter lucro com isso? No seu mundo, os empresários vivem somente pelas empresas, gostam de morar de aluguel em bairros de classe baixa, andam de carro velho e se alimentam de luz?

    Meu filho, ele já faz isso. Se ele não fizer, ele sai do mercado. Acorda! Em vez de ficar ouvindo baboseira de professor de economia, vá dar uma voltinha, vá conversar com empreendedores e vá conhecer o mundo real,

    Amigo, em que momento eu mencionei que o empresário não reinveste seus lucros na própria empresa? Em que momento eu condenei os empreendedores? Em que momento eu me desliguei do mundo real? Quem parece estar no mundo da fantasia é você. Vá ver a realidade dos empregados destes “grandes barões”. Não defendo, de maneira nenhuma, socialismo ou qualquer tipo de intervencionismo ou planejamento econômico central. Apenas observo (e transito por várias realidades diferentes) que o caminho para uma economia mais favorável a todos deve passar por reformas em etapas. Pregar a ideologia liberal e querer implantá-la a qualquer “custo”, simplesmente abolindo impostos e Estado do dia para a noite é o mesmo que pregar o comunismo e querer organizar {i]la revolución sangrenta[/i]. Uma ideologia norteia nossas ações, é o “objetivo final”. Cabe a quem acredita nela organizar os meios para alcançar esta meta da melhor forma possível. O que os meus devaneios propõem é justamente o encolhimento do Estado com a não arrecadação dos impostos destas grandes fortunas. Que, se há uma concentração ilegítima de renda na mão destes barões, a distribuição dela seja feita de forma direta, não através do Robin Hood estatal. E que esta medida seja temporária e apenas uma pequena parte de uma grande reforma que vá eliminando aos poucos a influência do Estado nas nossas vidas, deixando, ao mesmo tempo, uma sociedade com oportunidades de ser competitiva de fato.

    Grande abraço e sucesso.

  40. A realidade é que, sempre que o governo eleva impostos, ele concomitantemente eleva seus gastos correntes. Os gastos do governo sempre sobem junto com o aumento das receitas. E isso é uma empiria observada ao redor do mundo.

    Eu gostaria que alguém pudesse me mostrar dados e fontes ou explicasse o porquê de SEMPRE isso ocorrer.

    Desde já agradeço a compreensão.

    “O pior do estado ainda está por vir!”

  41. Eu sempre fui aluno nota 11. Cresci sendo domesticado com as marolagens de FGTS, INSS, 13º, etc. Mas com meu ímpeto de indagação, não entrei nessa até hoje. Estou há mt tempo (menos de 1 anos) planejando empreender. No momento sem capital suficientemente expressivo para começar o que quero, me resta ficar por aqui estudando sobre assuntos relacionados à empreendedorismo, inovação e economia e trabalhando em desenvolvimento para web até arranjar uma grana ou um investidor que compre minha ideia ou até conseguir criar meu MPV e botar para arrebentar.

    Tive oportunidade de pegar uma cota em concursos e levar o primeiro lugar (fui aprovado na ampla) e entrar já ganhando 4 mil no TJ do meu estado. Como não fiz isso, outro assumiu. Tenho repulsa pelo setor público, e pior ainda quando se fala de cotas. Acho ele muito obsceno e dói-me os olhos quando entro em órgão público e vejo os barrigudos folgados conversando nos corredores feito ratos de plantão.

    Penso que se o país está ruim é por que a nação em geral apoia este descaso, e sendo assim, quando outro concurso que fiz completar 2 anos para findar o prazo de chamada (o mesmo foi bloqueado por ‘suspeitas’ de fraude e corrupção) e não me chamarem, vou levar na justiça para exigir o direito de assumir, pois é direito adquirido, e com isso arrumo meu capital em menos de 6 meses. Que tomem na bunda os pagadores de impostos que permitiram esse caos todo. É fácil querer mordomia pelo estado e ser socialista, mas pagar a minha conta não querem.

    A vida é assim. Vida fácil não tem graça. O legal é vencer as adversidades…

  42. Uma dúvida:

    Considerando que toda forma de tributação é destrutiva/indesejável, na visão de um economista austríaco, como são vistas as isenções fiscais aplicadas a setores específicos? Elas produzem mais efeitos benéficos ou maléficos sobre a economia ?

    Politicamente é claro que elas são um sintoma do nefasto capitalismo de compadrio que temos no Brasil. Mas e as consequências em termos econômicos? Positivas ou negativas?

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