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O sonho impossível do liberalismo clássico

O liberalismo clássico é um sistema de governo em que o estado detém apenas o monopólio da segurança e da justiça, e lida exclusivamente com estas questões, não se intrometendo em nada mais. 

Tendo essa definição em mente, é possível entender por que uma pessoa defenderia o liberalismo clássico.  Mais de quarenta anos atrás, eu mesmo era um resoluto defensor deste sistema.  As pessoas se tornam defensoras do liberalismo clássico por várias razões, sendo que as duas principais, as quais são interrelacionadas, são: 1) elas passam a entender que, se o objetivo é gerar prosperidade e paz, então o livre mercado funciona melhor do que sistemas econômicos controlados pelo governo; e 2) porque elas passam a acreditar que podem, com muita razão, reivindicar (seguindo um raciocínio um tanto lockeano) seus direitos à vida, à liberdade e à propriedade, sem sofrer coerção. 

Estas duas razões são interrelacionadas porque os direitos lockeanos fornecem os fundamentos necessários para o livre mercado existir e funcionar adequadamente.

Assim como Locke, os liberais clássicos reconhecem que algumas pessoas podem violar os direitos de outras pessoas à vida, liberdade e propriedade, e que algum meio deve ser empregado para defender adequadamente estes direitos.  Sob este aspecto, elas aceitam o governo, mas somente com a condição de que o governo se mantenha estritamente limitado a proteger as pessoas contra violências e fraudes que iriam injustamente privá-las de sua vida, liberdade e propriedade.  Elas de fato acreditam que o governo pode realizar estas funções e se manter limitado a apenas estas funções.  E elas também acreditam que indivíduos vivendo em um arranjo sem governo estariam à mercê de predadores, e consequentemente suas vidas seriam, como supôs Hobbes, solitárias, pobres, sórdidas, bestiais e curtas.  Ninguém quer isso.

Portanto, para enfatizar, é possível entender por que alguém venha a se tornar um liberal clássico.  No entanto, à medida que os anos vão se passando, confesso que tenho cada vez mais dificuldades para entender por que alguém continua sendo um liberal clássico.  É difícil entender por que essa pessoa não é capaz de levar a lógica adiante, dar aquele passo à frente e passar a defender a genuína autonomia do indivíduo em contraposição ao objetivo liberal clássico do “governo limitado”.

Minha dificuldade surge nem tanto de uma insatisfação com o governo sendo encarregado de proteger os cidadãos contra violência e fraude, mas sim de uma crescente convicção de que o governo, no cômputo geral, não efetua estas tarefas.  Pior ainda, de que ele nem sequer tenta efetuá-las, exceto de uma forma insincera e preguiçosa — no fundo, tudo é uma falcatrua.

Verdade seja dita, o governo nunca se limitou e nem nunca irá limitar a proteger os cidadãos contra a violência e a fraude.  Com efeito, o governo é o pior violador dos direitos à vida, à propriedade e à liberdade de cada indivíduo.  Para cada assassinato, assalto ou roubo que o governo impede, ele comete centenas.  Para cada direito de propriedade que ele protege, ele viola milhares.  Embora pretenda suprimir e punir a fraude, o próprio governo nada mais é do que uma fraude em ampla escala, uma enorme máquina de espoliação, abuso e distribuição de privilégios e protecionismos, tudo santificado por suas próprias “leis”, as quais redefinem seus crimes como sendo meras atividades governamentais.  Em suma, o governo nada mais é do que uma máquina de extorsão protegida da verdadeira justiça por seus próprios juízes e por suas legiões de funcionários públicos e de intelectuais e jornalistas a serviço da defesa do regime.

Confrontado com estes horrores, o liberal clássico respira fundo e, em vez de reconhecer o óbvio, resolve propor “reformas” para as políticas e ações “equivocadas” e “contraproducentes” do governo.  Ainda pior, o dedicado liberal clássico se recusa firmemente a reconhecer que tais ações do governo são tudo, menos equivocadas; com efeito, o governo está sempre atuando para alcançar seus verdadeiros objetivos de uma forma muito direta, e ele rapidamente suspende qualquer medida que se revele incapaz de enriquecer e de aumentar os poderes de seus próprios líderes e de seus amigos íntimos no chamado setor privado (o qual já está quase virando um mito, dada a generalizada interferência do governo, que está sempre ajudando seus empresários favoritos e prejudicando aqueles sem influência política). 

Apenas quando reconhecemos que este declarado objetivo do governo de servir o interesse público nunca teve outro propósito que não o de servir de cortina de fumaça para que ele pudesse roubar, coagir e intimidar o povo, é que conseguimos finalmente entender que as ações e os programas do governo não são de modo algum “contraproducentes”,   Aquilo que economistas e outros palpiteiros chamam de “falha de governo” nunca de fato existiu; “falha de governo” é apenas a não-realização daquilo que os poderosos burocratas na realidade nunca tiveram a mais mínima intenção de fazer.

Em suma, o liberal clássico que, perante estas realidades, se agarre firmemente ao mito de que é possível haver um lockeano governo limitado nada mais é do que um indivíduo irracionalmente fiel a um pensamento fantasioso, um crente em contos de fadas.  Sonhos devem ter seu lugar na vida humana, sem dúvida, mas o sonho de um governo que se mantenha restrito e limitado às suas funções lockeanas já é um delírio que nunca foi e nunca será realidade.  Em algum momento, essas pessoas terão de abrir seus olhos e constatar a nudeza do rei — e, simultaneamente, toda sua depravação, crueldade, brutalidade e total e sistemática injustiça.  Caso contrário, os liberais clássicos servirão apenas de objeto de deleite para os cínicos que controlam o governo e que colocam seus poderes a serviço de sua própria exaltação e de seu próprio e agressivo engrandecimento.

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133 comentários em “O sonho impossível do liberalismo clássico”

  1. Não é somente os liberais clássicos que caem na ilusão do estado mínimo, os conservadores cometem o mesmo erro, com um agravante, eles acreditam no estado como grande defensor de seus valores morais e tradicionais, mas assim como um estado mínimo não permanece mínimo por muito tempo(economicamente falando); um governo conservador também não o será por muito tempo, pois a medida que o estado se agiganta, o governo vai tomando medidas cada vez mais socializantes para manter sob seu controle a “massa de manobra”. É a união do keynesianismo com o gramscismo, como bem diagnosticou Olavo de Carvalho. Enquanto liberais clássicos e conservadores não se derem conta desta incongruência estaram fadados a enfrentar os inimigos com as armas das quais eles são especialistas: o poder estatal.

  2. Eu sugiro que antes de convencer a população da maior nação do mundo a abolir seu Estado, convençam os inimigos desse povo, cuja inveja é latente, a abolir os seus Estados antes.

  3. O problema maior de dar a um grupo o monopólio da lei e da justiça é o fato de não estarmos lidando com conceitos ideais e estabelecidos. Hoje, por exemplo, a “lei e a justiça”, monopólio estatal, já não vê como crime a ação de “movimentos sociais”. Um grupo invade uma fazenda produtiva, destrói tudo, e são protegidos pela lei. Objetivamente, são criminosos. Subjetivamente, de acordo com a ideologia de quem tem o monopólio da justiça, não. E ficamos, todos, obrigados a aceitar esse tipo sui generis de justiça. Como defender, honestamente, que esse seja o melhor arranjo, me escapa.

  4. Esse artigo é excelente para o Rodrigo Constantino ler e refletir. Mas acredito que ele não lerá e mesmo que leia não mudará de ideia. Acredito que seu objetivo seja ser ouvido e chamar a atenção mais do que defender os ideias libertários.

  5. Não me levem a mal, mas eu às vezes me pergunto o que passa na cabeça do sujeito que afirma que os defensores do liberalismo clássico como um norte a ser perseguido não passam de “indivíduos irracionalmente fiéis a um pensamento fantasioso” e “crentes em contos de fadas” ao mesmo tempo em que oferece o anarcocapitalismo como alternativa.

    Por acaso, o anarcopitalismo “já foi ou será realidade”???

    Tô perguntando numa boa. Sem chiliques, por favor.

  6. Enquanto os anarcocapitalistas brincam de filósofo do barril, o gramscismo avança… Afinal “o ótimo é inimigo do bom” e “quem tudo quer nada tem”.

  7. Robert Higgs apresenta uma característica que aproxima muito o comportamento dos liberais clássicos ao dos marxistas/socialistas. Ao se defrontar com as críticas ao socialismo real, os marxistas/socialistas sempre recorrem ao artifício de dizer que o que foi implantado não era o verdadeiro socialismo, que havia muita interferência corporativa no verdadeiro socialismo proposto por Marx & Lenin.

    E poderíamos acrescentar: o socialismo demanda um “homem novo”, que negua o instituto da propriedade privada, do lucro e do empreendedorismo. O liberalismo clássico também precisa de uma espécie de “homem novo”, um ente que reprima por completo sua inclinação para usar o monopólio da força e das leis em proveito próprio. Essa é mais um (dentre tantas) vantagens do anarco-capitalismo, ele não precisa de nenhuma revolução comportamental. Ele opera com o homem do jeito que ele é, incluindo suas imperfeições.

  8. É por ai! O objetivo é um melhor arranjo, não a recriação do Jardim do Eden. A variável homem e suas imperfeições estará lá sempre.

  9. Em uma perspectiva de um mundo anarcocapitalista,como se resolveria a seguinte questão:

    Um jovem trabalhador de 20 anos tem seus dois braços amputados durante o trabalho. O indivíduo está incapacitado para exercer atividades laborais e, por conseguinte, sem meios para prover sua subsistência.

    Hoje em dia ele estaria segurado pela previdência social – que lhe alcançaria uma pequena quantia para continuar a sobreviver, mas como se socorreria esse cidadão em um sistema anarcocapitalista?

    Outra ponto que questiono é com referência à segurança. Vivemos em um cenário de “paz armada”, ou seja, invasões e tentativas de tomada de território são exceções, graças ao poderio militar.Sendo assim, o que impediria alguém de contratar milhares de mercenários para dominar vários “estados” e dessa forma instalar o caos total, impossibilitando a paz e tranquilidade buscada por todos?

    Por último, deixo claro que não sou um defensor do estado, apenas gostaria de saber como resolver essas questões em um ambiente anarcocapitalista.

  10. Minha dúvida é muito semelhante à do colega ESC. Não entendo o que separa o anarco-capitalismo da anarquia. Conceitualmente, há, no primeiro, a garantia do direito à propriedade, a qual seria totalmente abolida no segundo. Mas da mesma forma que tal abolição foi mal-sucedida nas tentativas de implantação prática do anarquismo, o que nos faz pensar que sua manutenção seria garantida num mundo anarco-capitalista?

    Colocando de outra forma: numa sociedade sem leis impostas por algum ente acima dos acordos privados, o que impediria indivíduos desonestos de se aliar e usar da força para suprimir a propriedade daqueles que não fossem tão bem-sucedidos em fazer alianças para-militares para se proteger?

    Ou de outra forma: não é o anarco-capitalismo justamente o que está em ação desde o início da humanidade, sendo que os arranjos privados (claro, na maior parte das vezes não-respeitando a propriedade, a vida ou a liberdade alheias) resultaram nas diferentes configurações políticas que temos hoje?

    Ou de outra forma ainda: se não respeitarmos o “caráter estatal” do estado, ao invés disso encarando-o como apenas mais um dentre tantos contratos privados (certamente, o maior deles), não estaríamos já vivendo no anarco-capitalismo, enfrentando uma grande e intrincada associação privada de indivíduos desonestos que utiliza a força, a opressão psicológica e a manipulação do público como ferramenta para se estabelecer?

    Ou, por última: como alguém saberia reconhecer que
    Se desconsiderarmos o “caráter estatal” do estado, ao invés disso encarando-o como apenas mais um dentre tantos contratos privados (certamente, o maior deles) entre indivíduos associados, mas que obviamente não respeita a propriedade alheia, ao invés disso usando de sua força para saqueá-la, o que impediria o anarco-capitalismo “começado do zero” de resultar, após algum tempo, exatamente na mesma realidade que temos hoje?

    Reforço que não estou defendendo o estado como o conhecemos hoje, nem o estado mínimo, nem a monarquia, nem a minarquia. A princípio, sou eu mesmo um libertário radical. Apenas gostaria de entender melhor o lado prático da coisa, e agradeceria imensamente por respostas sinceras e desapaixonadas.

    Abraço,
    Gunnar

  11. “Aqui está! Eu, como liberal, condeno qualquer leitura de um autor como bíblia, pois o liberalismo não é um sistema fechado, dogmático. Mas esses “seguidores” de Mises não lêem Mises como onisciente ou “Ação Humana” como uma bíblia. Seria errado, como disse, e eu mesmo não concordo com Mises em tudo, naturalmente. Mas seria bem menos pior do que fazem! A triste verdade é que eles falam em nome de Mises, mas eles não leram Mises direito, ou se leram, não entenderam, ou se entenderam, não ligam para o fato de que defendem coisas diametralmente opostas ao pensador austríaco.”

    Rodrigo Constantino in

    rodrigoconstantino.blogspot.com.br/2013/06/leiam-mises.html

    Concordo com o Constantino.
    A prática de um estado mínimo acredito estar potencialmente encerrada no MPU com a extinção dos demais poderes da República Federativa e consequente alteração constitucional.
    Antes será necessário a abolição do imposto com a revolução de novos meios tecnológicos para este fim.
    Aí sim teremos o estabelecimento de uma nova Condição de Contorno social e econômica que trará para mais perto a questão da prática do anarcocapitalismo.

  12. Agradeço aos colegas pelas respostas aos meus questionamentos.

    Conheci o IMB no meio do ano passado, mas passei a ler os artigos e alguns livros apenas no início desse ano.

    Graduei-me em direito no final do ano passado e após adquirir certo conhecimento sobre os ensinamentos da Escola Austríaca percebi que poderia ter colocado “contra a parede” vários professores – principalmente os tributaristas e trabalhistas. A mentalidade do “Deus Estado” é recorrente em quase todas as cadeiras e não há qualquer divergência em sala de aula apontando os erros desse pensamento.

    O Instituto Mises foi uma benção para mim; não para de ler os artigos e livros indicados no site. Aliás, vocês já podem imaginar que a minha motivação para atuar como advogado já não é mais a mesma, ainda mais que possuo um gosto especial pela área empresarial hehe.

    Abraços, colegas.

  13. Comecei a ler os textos, anônimo, começando pelo “Dez objeções típicas ao anarquismo libertário”. A tréplica típica do autor (Roderick T. Long) consiste em dizer: “isso poderia acontecer, claro, mas não é provável”. E sai a tecer linhas de raciocínio baseadas em sistemas de incentivo econômico para justificar tal baixa probabilidade. A grande falha dessa abordagem, na minha opinião, é reduzir todo o sistema de interesses e interações que forma uma sociedade a fatores comportamentais baseados na racionalidade econômica – sendo que humanos se movem por uma miríade muito mais ampla e inexplicável de motivos, que muitas vezes transforma cenários “improváveis” do ponto de vista comportamental econômico em “altamente prováveis” no ponto de vista antropológico-cultural.

    Na verdade, minha grande dúvida se sintetiza da seguinte forma: se o anarco-capitalismo é tão auto-surgitório num ambiente de pessoas livres, por que ele nunca surgiu? E se surgiu, como descambou no que temos hoje? Ou, por outra: não seria o atual estado das coisas justamente a prova de que a anarquia resultará, no fim, em um governo?

  14. Sugestão de Abordagem

    É de praxe os conflitos vividos em tópicos que secam o anarcocapitalismo. Repetem-se inúmeros argumentos refraseados a combater incansáveis os argumentos paralelos de costume da oposição. As discussões, como já previsível a qualquer usuário do IMB, estendem-se ao infinito, consumindo incontáveis esforços para que proposições já inúmeras vezes defendidas adentrem a mente daqueles que debatem por transporte ativo.

    Como distante da discussão, não discutirei. Sugerirei uma maneira pela qual o tópico pode ser inicialmente abordado.

    1.Faz-se o básico: Decompõem-se uns lugares comuns recorrentes(Quem construirá as estradas?), explana-se sob a via ética de direito natural a natureza coercitiva do estado, adentra-se o tópico para os malefícios de um monopólio e ao invés de cair sobre o mais recorrente ponto de choque entre opositores e defensores(O dilema pragmático estatal, será melhor com ele ou sem ele?), lança-se à proposta 2.

    2.Concilia-se pragmaticamente ambas as facções divergentes de acordo com o método para a obtenção do Anarcocapitalismo. Destaca-se a estratégia hopperiana para a secessão estimulada e o mantenimento de estados menores possíveis através de um estímulo praxeológico(A competição por capitais, a dificílima autossuficiência, etc.) visando a diminuição do poder monopolistas dos mesmos e uma maior tendência para o suporte da liberdade. Viso demonstrá-la pois serve de denominador comum entre objetivos e os obstáculos corriqueiros erguidos pelos opositores da proposta.

    Perdoem-me por eventual equívoco no que direi a seguir, entretanto, a abordagem de uma oposição à proposta anarcocapitalista tende a adotar a ausência de um estado como um cenário hipotético imediato, o que inevitavelmente gerará conflitos entre aqueles que debatem. A “estratégia” pelo qual o ANCAP será atingido é de debate mais que imprescindível pois será desses que as regras e ordens sociais na “etapa posterior”(Secessão individual) surgirão.

    3.Destaca-se a meta definitiva de todo anarcocapitalista: A secessão individual. Ou seja, a simples quebra do pacto social: A maximização final da utilidade e a sociedade voluntária. Dado que a etapa 2 será tomada pelo mero pragmatismo, a defesa deste estágio ocorrerá apenas por princípios éticos. Se não houver acordo quanto ao estado como um “mal desnecessário” mesmo após estabelecida uma estratégia sob princípios praxeológicos(Vide Hoppe, novamente) para a possibilidade da secessão individual, faz-se imprescindível que como compensação ocorra uma aceitação de sua natureza coercitiva.
    _____________________________________________________________________________________
    (Perdoem-me por possível “amadorismo” nesta mensagem. Dado meu cansaço.)

  15. Ausência de estado não significa presença de anarcocapitalismo.
    Em 1400 não tinha estado no Brasil e também não tinha anarcocapitalismo, os índia nem tinham moeda.
    Na Somália não tem estado e também não tem anarcocapitalismo, os somalianos vivem em guerra entre si
    pois existem vários grupos querendo se tornar o estado.

    “Qualquer sistema político que dependa da adesão da maioria é uma utopia”, é sério isso?

    Você acha então que a maioria das pessoas não apoia a existência do estado apenas
    discordando sobre alguns detalhes de como ele deve funcionar?
    Você vive no Brasil? Pergunte pra uma pessoa aleatória que você conhece se ela gostaria
    que o governo fosse dissolvido e que adotássemos o anarcocapitalismo.

    ‘Ou você nunca ouviu “se todos aderissem e desejasem o socialismo, o socialismo funcionaria”?’
    Bom o meu argumento foi que para se implantar o anarcocapitalismo é preciso que a maioria queira adotá-lo.
    Eu não disse que ele funcionaria apenas pelo fato da maioria adotá-lo.
    Ele funcionária por razões lógicas já explicadas em inúmeros outros artigos nesse site:
    Artigos sobre o assunto Anarcocapitalismo

    Da mesma forma para se implantar o socialismo é preciso que a maioria queira, ou pelo menos que um número
    suficientemente grande de psicopatas, com armas, queira. Mas o fato de se conseguir adotar o socialismo
    não significa que ele funcionará. As razões pelas quais o socialismo não funcionaria, mesmo que TODOS o
    adotassem de bom grado também são explicadas em diversos artigos nesse site, por exemplo:
    tem esse artigo: A Escola Austríaca e a refutação cabal do socialismo
    e tem esse livro: O cálculo econômico sob o socialismo

  16. Não sei. Não sei, mesmo. Esse negócio de não ter Estado é meio perigoso. Quem nos defenderá? Quem nos ajudará quando precisarmos (se empobrecermos, por exemplo)? Quem calçará as ruas? Quem definirá as leis? Quem definirá os nomes das ruas? Quem fiscalizará se as leis estão sendo cumpridas? Quem fiscalizará se o meio-ambiente está sendo protegido?

    Fora isto, a questão dos índios. É só o que se fala atualmente. Como vamos proteger tantos índios que existem neste país. Eles tem as terras, mas os safadões dos fazendeiros não querem desocupá-las.

    Tem também os estudantes. Sem estado, como iriam pagar meia-entrada.

    Não sei mesmo. Ando lendo, mas com tantas coisas para o Estado fazer, não estou plenamente convencido de descartá-lo.

    Além do mais, se tivéssemos que descartar o Estado, como as pessoas iam fazer para sobreviver, para seguir suas vidas, sem leis, sem normas, sem regulamentações, sem fiscais nos mandando fazer isto ou aquilo?

    Talvez a vida fosse chata, seria só negociar, trabalhar e curti-la. Não iríamos ficar comentando sobre as guerras no Oriente Médio? Que graça tem sem sequer um governante para falar mal? Para botar a culpa nas mazelas, mesmo que as mazelas sejam questão de sorte ou provocadas pela própria população? Afinal, governo serve para isto, para a gente falar mal.

    Somos do povo. Povo costuma falar mal.

    Mas, não sei mesmo. Esse pessoal, do governo, acho que, no fundo, lá no fundo, trabalham seriamente, pensam realmente no bem-estar do povo.

    Acho que não é só uma questão de ego. De querer o poder para viver bem e dizer que ganhou. De simplesmente dizer que “está por cima”. De dizer que ” ‘vão se fu… seus fi… da pu…’ que perderam as eleições, pois nós ganhamos, fomos mais competentes em enganar essa ruma de besta…”;

    Não. Não é só isso. Tem gente séria. Que quer fazer o bem. Que quer ajudar. Que não pensa só na gratificação e no poder. Que não é egocêntrico. Que não é arrogante. Que tem humildade. Tem gente, que se fosse candidato a papa, talvez ganhasse pela benevolênica.

    Não sei. Acho que ainda não estou convencido.

    Bem, é o que penso…

  17. Gente, é sério. Não se trata de qualquer brincadeira.

    Vocês realmente acham que o povo consegue viver sem um prefeito, sem os seus vereadores?

    Digamos, se realizássemos um plebiscito (do latim: decisão do povão), será que o populacho iria aprovar a liberdade? Que iria aprovar sair das amarras? Que iria aprovar deixar o bolsa-família, o auxílio-prisão, o seguro-desemprego?

    São direitos consagrados… Cláusulas pétreas…

    Vocês querem destruir as cláusulas pétreas? Fale com um advogado e pergunte o que é isto. Dizem que contra a Constituição só Revolução…

    E a arte? Quem vai apoiar a arte? O que seria da arte sem o Ministério da Cultura?

    O que seria da pesca sem o Ministério da Pesca? Não sei se vocês possuem aí uma estatística, mas acho que aumentou o número de peixes pescados nos últimos tempos, não foi?

    Bem, por enquanto é só… desculpem o desabafo…

  18. Finalizando…

    Concluindo pela ‘necessidade’ do Estado,

    “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Eu sei, eu sei… desculpem-me pelo apossamento da frase e sincero perdão ao Autor.

    “Traduzindo”, livremente: “Dai ao Diabo o que é do Diabo e a Deus o que é de Deus”.

    E, que Deus nos proteja! Incluindo aqueles que são ateus, graças a Deus.

  19. Mercado de Milhas

    esses austriacos sao engracados…

    estado minimo eh impossivel, o bom mesmo eh pacto de nao agressao! kkkkk esse eh possivel! aham!! rsrs..

  20. Desde o séc. XIX existe um esforço de várias correntes de pensamento que empenhadas em provar a veracidade do marxismo acabaram por dissolver o economicismo numa variedade de enfoques causais que não tem nada de marxismo, mas que no final, serviram para vender aos liberais, a irresistível idéia de que toda existência humana em sociedade existe termos puramente econômicos.
    Mas o que os liberais ainda aprenderam com os marxistas, é que o mundo econômico pode ser literalmente destruído da noite para o dia pela ação revolucionária…

    Robert Higgs, quer nos mostrar uma contradição entre o sonho liberal clássico e a realidade, e que essa contradição exite, mas não porque a teoria liberal não se aplica à nossa realidade específica, mas porque uma tese só pode pretender explicar um aspecto da realidade e que por isso ela não pode resolver um problema que transcende esse aspecto definido(delimitado) pela teoria, que é o aspecto da interferência do estado na economia.

    O sonho liberal clássico ou mesmo o sonho do anarquista econômico não leva em consideração a condição humana de que somos seres mortais, que sofrer faz parte da realidade humana e que por isso o poder real está na capacidade de matar e impingir sofrimento ao outro.

    Além do mais, essa insipiente direita liberal brasileira está totalmente inerme nas mãos dos estrategistas revolucionários justamente porque abdicaram da tradição, da religião e das prórpias convicções em nome do puro economicismo e o resultado não poderia ser outro, tudo ficou nas mãos dos revolucionários que não se importavam com economia mas que sem demora, tomaram conta também da economia.
    O que vocês deveria discutir com urgência, não é se queremos ou não um estado, mas sim como sobreviveremos à aquilo que o estado está preparando para nós, pois a hora de reagir já passou faz 20 anos…

  21. “estatistas patéticos como você”

    É só alguém discordar de você para virar estatista? Hahaha… Nunca falha. CQD!

    “Alias, você foge de todas as minhas colocações. Já falei que, da mesma forma que para se chegar num anarcocapitalismo teríamos que passar pelo estágio de um governo mínimo, para se chegar um estado mínimo teríamos que passar por uma democracia socialista sem intervenção na cultura, depois uma sem intervenção na cultura e no esporte, e assim por diante”

    Ô Sakamoto do Anarcocapitalismo, o que acredita que o mundo inteiro não abraçou o ideário ancap por falta de investimento na educassaum das pessoas, em nenhum momento eu fugi disso porque a redução gradual do estado, defendida por mim e por… você, leva a algo parecido com isso. Não sei se seria uma “democracia socialista sem intervenção na cultura”, embora já fosse melhor do que uma democracia socialista com intervenção na cultura. Qualquer redução do estado na vida das pessoas, ainda que mínima, já é alguma coisa a ser comemorada, não? Mas você não quer admitir que a estratégia ancap também vai passar por uma redução de imposto de 1%, depois 30%, 100%, uma retirada da intervenção estatal aqui e ali, e seguir avançando, atingir o estado reduzido e solapá-lo de vez.

    Mas eu entendo. É feio perder a pose. Quando o sujeito se abraça à muleta, quanto mais você a chuta, mais ele se apoia para não cair.

    Sempre repetindo: eu quero ver a sua demonstração de que a redução gradual do estado não vai passar pelo estado mínimo, o conto de fadas dos liberais clássicos. Em outras palavras: como você vai fazer para começar a redução gradual do estado, saltar o estado mínimo e cair direto no anarcocapitalismo?

    Pode me xingar à vontade. Eu não ligo. Ainda mais quando quem ofende não tem relevância alguma. Um sujeito que é descrito como tímido na vida real virar um gigante do teclado, cagando regra para o mundo inteiro, tem lá certa graça.

  22. O texto é muito interessante e deveríamos aproveitá-lo para criar um ambiente profícuo de avanço em idéias novas, e não para o debate agressivo e temperamental, pois não atingiremos qualquer objetivo prático factível.
    Infelizmente, caros amigos, não vejo minimamente possível uma sociedade sem Estado nos tempos atuais com a enormidade de nosso território, onde metade ou mais dos negócios tem o Estado como cliente ou gerador do ‘salário’. Redução do seu tamanho será muito difícil pelo ‘status quo’ de grande parte dos parasitas que se aproveitam deste Estado, quer na forma de funcionalismo, quer na forma de empresários cujo fim é ter apenas um cliente que aceita e quer um superfaturamento.
    Acho que somente com atitudes muito duras, em países pequeníssimos, esta prática libertária poderá nascer um dia.
    A adoção em países como o Brasil, EUA, China, Rússia e Índia, seria uma idéia totalmente utópica se não forem seus territórios recortados e divididos em pequenos novos países independentes.

  23. Ricardo Wildberger Lisboa

    O estado é um FATO em nossas vidas. Tudo o mais a respeito são idéias. Aqui, lembro de Fernando Pessoa, que escreveu:

    Não basta abrir a janela
    Para ver os campos e o rio.
    Não é bastante não ser cego
    Para ver as árvores e as flores.
    É preciso também não ter filosofia nenhuma.
    Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
    Há só cada um de nós, como uma cave.
    Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
    E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
    Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

    Quanto a se o estado deve mínimo ou, simplesmente, não existente, ou se é possível chegar a uma realidade sem passar pela outra, creio que está havendo desperdício de debate aqui, para se esbarrar o mero confronto. Creio que o relevante de tudo o que se discutiu até aqui é o seguinte:

    Na medida em que as alternativas independentes forem tomando forma e mostrando-se auto-sustentáveis, o estado deve ser SEMPRE MENOR. Acima de tudo, isso: o estado deve ser SEMPRE MENOR.

  24. Alice von Woheim

    O texto sugere, tal como deveria pela sua lógica, que o Estado simplismente seja extinto presumindo que este viola direitos que não deveria. No entanto, não explica como as pessoas não violariam muito mais umas as outras sem a presença de uma força coercitiva que as impeça de fazer. É claro que nunca houve um Estado que seguiu objetivamente o liberalismo clássico, no entanto isso não elimina de todo a possibilidade de sua construção. E mesmo que seja impossível fazê-lo, parece-me que eliminar a única instituição que regula as relações sociais em favor de deixar que os indivíduos, de maioria sem educação, se regulem é um ato atroz em relação a população.

    Além disso adoraria saber como uma pessoa invalida viveria sem suporte de um Estado que, é claro deveria servir exclusivamente à justiça e segurança (inclusive a esses casos lastimáveis).

  25. Quando li este artigo lembrei-me dos hippies nos anos 60 e das musicas do Raul Seixas.

    Nossa quanta utopia e baboseira. E olha que eu gosto das musicas do Raul.

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