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Versos cipriotas

Pensavam muitos que eu fora grego
Que não tivesse logradouro
Até que um dia entrei no euro
Pra não ser um mais pelego

Convidamos oligarcas
Pro paraíso da ciranda
Pra ficarmos da varanda
Curtindo como bons monarcas

Nos alertavam especialistas
Cuidado com o descasamento!
O ganho pode em um só momento
Transformar-se em vãs conquistas

A reserva fracionária
Parecia panaceia
A receita europeia
Pra extinguir toda miséria

Hoje quando vou à agência
Coletar minha poupança
Dizem pra eu ter esperança,
Confiança e paciência

Mas vos digo, cipriotas
Não confiem mais no estado
Nem em seu banco, que é safado
Nos fizeram de idiotas.

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4 comentários em “Versos cipriotas”

  1. Ótimo poema, Hélio. É algo tão absurdo que apenas a abstração lírica é capaz de ilustrar com tal exatidão e de forma tão concisa, direcionando-se ao cerne do problema.

    Seria uma excelente introdução a um artigo brasileiro da revista científica do IMB sobre a crise no Chipre.

  2. Nao deixa de ser ironico que paises subdesenvolvidos comecem invejando paises desenvolvidos, para depois passar a os imitar em aparencia, entao abandonam seus valores culturais para adotar aqueles de paises desonvolvidos, e, finalmente, apos venderem sua alma, os paises subdesenvolvidos vendem sua propria soberania. Ou seja, tanta tragedia por causa de um complexo de inferioridade diante de reis que, no final das contas, estavam nus.

  3. Ao ver uma reportagem do Chipre, um cidadão local soltou uma piada que fazem por lá, no qual seria mais ou menos assim:
    “Hilter invadiu a Europa com seus tanques, enquanto Merkel invade a Europa com seus bancos”.
    Por que ainda insistem que a culpa foram dos Alemães?

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