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Como parei de inventar desculpas e finalmente libertei minha mente

É
com bastante frequência que recebo as seguintes perguntas: “Quando foi que você
percebeu que não era necessário haver um estado?”, “Quando foi que você deixou
de defender a existência de um estado?”, ou até mesmo “Como foi que você
percebeu que era incoerente ser pró-liberdade e ao mesmo defender o monopólio
da violência para uma instituição política?”. 
E há também a pergunta que resume tudo: “Quando foi que você se tornou
um anarcocapitalista?”

Não
é uma pergunta fácil de ser respondida. 
Mudanças profundas na perspectiva intelectual de uma pessoa não ocorrem
da noite para o dia.  Primeiro, você
cogita a ideia.  Em seguida, você avalia
sua plausibilidade.  Você pode até
abraçar completamente a ideia, mas apenas de forma abstrata.  A verdadeira mudança intelectual ocorre
apenas quando você se torna capaz de ver a ideia funcionando no mundo real —
até mesmo em sua vida cotidiana.  É aí
que a confiança em uma ideia se impõe.

É
justamente por esta razão que nunca entendi como é possível alguém se tornar
socialista.  É algo que vai totalmente
contra a lógica.  O socialismo é a ideia
menos plausível que pode ser imaginada. 
Bens escassos não podem ser propriedade de todos.  Não é uma questão de ideologia, mas sim de
lógica pura.  Tente socializar seu
notebook, ou seus sapatos, seu carro ou qualquer bem de capital ou de
consumo.  Duas pessoas não podem ser
proprietárias de forma simultânea e integral do mesmo bem.  O socialismo inevitavelmente sempre terminará
em controle estatal total.  É por isso
que o socialismo gera desastres humanitários sempre que é integralmente
implementado.  Socialistas genuínos ou
não entendem essa lógica ou simplesmente querem viver no perpétuo autoengano.

A
primeira vez em que ouvi falar em anarcocapitalismo — ou ‘anarquismo baseado
na propriedade privada’ — foi quando vi o livro de Murray Rothbard Man, Economy, and State na
estante de livros de um professor.  Só o
título [Homem, Economia e Estado] já
abordava diretamente alguns problemas que vinham me atormentando à época.  Perguntei ao professor sobre aquele livro e
ele ficou alarmado, como se eu houvesse visto algo que não podia ver.  Ele rapidamente me alertou que eu não deveria
ler o livro. “Rothbard é um anarquista”, disse ele de forma soturna.  É claro que, por causa desta antipropaganda,
eu imediatamente quis ler aquela obra (mas não podia porque não havia dela na
biblioteca da escola e eu não consegui bolar uma maneira de pegar furtivamente
o livro da estante do professor).

Tive
de deixar este objetivo temporariamente de lado, mas passei a me dedicar mais
profundamente à leitura de livros pró-livre mercado.  Quanto mais eu lia, mais eu me
impressionava.  Milton Friedman estava
certo.  Henry Hazlitt estava certo.  Ludwig von Mises estava certo.  F.A. Hayek estava certo.  Leonard Read estava certo.  Toda esta tradição, que remetia a Adam Smith,
apresentava uma lógica de raciocínio espetacular.  O mundo estava tentando gerenciar suas
economias por meio de decretos estatais, mas tudo estava dando errado.  Com essas leituras, aprendi que somente a
liberdade e a propriedade privada são genuinamente produtivas, criativas e
evolutivas, e somente elas realmente dão poder para as pessoas comuns da
sociedade.

E,
ainda assim, cada um desses pensadores, por algum motivo que me escapava, não
levava essas ideias ao seu extremo lógico. 
Eles não chegavam ao ponto de dizer que nós realmente não precisamos de
um estado.  Todos eles pareciam concordar
que o estado era necessário para manter a paz; que o estado é realmente tudo o
que se interpõe entre nós e o caos total. 
Sem o estado, não seríamos capazes nem mesmo de dar aquele primeiro
passo rumo à ordem social.  Não haveria como
usufruir aquela segurança que tomávamos como natural.  Bens e serviços essenciais não poderiam ser
ofertados.  Não haveria tribunais,
serviços de segurança e defesa, e talvez nem mesmo estradas.  O estado fornece coisas que o mercado não
pode fornecer — ou pelo menos era o que dizia tal raciocínio.

Com
o passar do tempo, e com minhas leituras, estas ilusões foram sendo destroçadas
uma por uma.  Descobri que estradas,
correios, comunicações e até mesmo aqueles lendários ‘bens públicos’ como
faróis de navegação marítima foram, de uma perspectiva puramente histórica,
todos ofertados pelo livre mercado.  Só
depois é que o governo monopolizou estes serviços.  Tribunais?  Na década de 1980, as cortes estatais já
estavam tão cheias e eram tão ineficientes, que empresas e indivíduos não
queriam utilizá-las.  A arbitragem privada
era uma opção muito melhor.  Mesmo nos
empreendimentos cotidianos, contratos eram formulados de modo que contendas fossem
resolvidas em tribunais privados.  Para
mim, tudo aquilo significava que mesmo estes serviços não eram algo exclusivo
do governo; eles poderiam ser ofertados exclusivamente pelo livre mercado.  O mesmo se aplicava à segurança.  Não é o estado o que nos dá segurança
diariamente, mas sim nossas próprias precauções e medidas preventivas, como
fechaduras, armas e a contratação de serviços de segurança privados.

E
vale ressaltar que toda essa transformação estava ocorrendo em minha mente
durante os anos finais da Guerra Fria. 
Um holocausto nuclear era uma ameaça real e diária.  Inimigos estrangeiros nos rodeavam.  Os comunistas queriam destruir nosso modo de
vida.  Falar sobre isso atualmente parece
uma grande tolice, principalmente quando se descobriu, após 1989, o quão inacreditavelmente
pobres e patéticos eram todos os países do bloco soviético.  Porém, naquela época, tudo era
amedrontador.  Não poderíamos abrir mão
de nossas armas nucleares porque isso colocaria em risco nosso modo de vida.

Aprofundando
meus estudos de história, comecei a descobrir coisas interessantes.  Ocorre que a Ameaça Vermelha era algo
recorrente na história dos EUA.  As
pessoas tinham tanto pavor dos comunistas na década de 1920 quanto na década de
1980.  Neste ínterim, no entanto, houve
aquele estranho período em que os líderes americanos e soviéticos eram
considerados aliados próximos na batalha contra os japoneses e os alemães.  Com efeito, os EUA fizeram de tudo para
manter o regime soviético intacto, e, após a Segunda Guerra Mundial, os
próprios EUA ajudaram a entregar o Leste Europeu ao jugo soviético.  Após isso, os soviéticos repentinamente se
tornaram novamente o inimigo.  Foi para
chamar a atenção para esse absurdo que George Orwell escreveu 1984. (O título faz um trocadilho com
1948. O livro foi publicado em 1949).

Estes
fatos começaram a complicar o cenário. 
Não é necessário relatar todo o revisionismo histórico aqui; basta dizer
que as guerras em que os EUA se meteram no século XX se tornaram bem menos
claras e muito mais confusas para mim do que aparentavam ser para a mídia
ideologicamente polarizada.  A Guerra
Fria não era uma história de anjos e demônios, não obstante os impulsos
nacionalistas para se torcer por seus respectivos governos.  A Guerra Fria foi uma batalha entre estados,
ambos os quais estavam perfeitamente dispostos a mentir para seus cidadãos, a explorar
sua população e a preferir o conflito à paz. 
Era também impossível não perceber que, quanto mais os EUA elevavam o
tom belicista contra o comunismo, mais o próprio governo americano se tornava
uma ameaça às liberdades dos cidadãos.  A
guerra, como descobri, nunca foi uma aliada da liberdade.

Enquanto
isso, comecei a perceber que, se os EUA realmente fossem invadidos por um
inimigo estrangeiro, os governos federal, estaduais e municipais poderiam até
ajudar, mas a maior probabilidade é que atrapalhassem impondo leis marciais,
estatizando a indústria e confiscando nossas armas — como todos os governos
tendem a fazer em qualquer emergência.  Na
prática, na iminência de uma invasão, os cidadãos e os mercados é que serão
decisivos para combater e derrotar os invasores utilizando meios privados:
nossas próprias armas, nosso aparato de segurança, nossas redes de amizade, e
nossos esforços individuais e comunitários. 
Quanto mais eu pensava sobre isso, mais ridícula se tornava a ideia de
que deveríamos depender do governo para toda a nossa proteção.  Tomando-se por base a experiência, governos
podem agravar ainda mais os malefícios, simplesmente porque eles tendem a usar
situações de emergência em proveito próprio — e em benefício daqueles que lhes
garantem poder (os grupos de interesse e os lobistas).  O que é ainda pior: pessoas com poder tendem
a estimular ou até mesmo a criar emergências quando têm o poder para tal.

Esta
foi a evolução do meu progresso intelectual durante um período de
aproximadamente cinco anos.  Finalmente,
em um belo dia, parei para refletir melhor e me fiz a seguinte pergunta: existe
alguma coisa que o governo faz, que tem de ser feita e que não pode ser
efetuada de maneira mais eficiente e mais completa pela livre e voluntária
associação entre indivíduos?

Fiquei
revirando esta pergunta em minha mente. 
Não conseguia pensar em outra resposta senão a de que não há
absolutamente nada de essencial que o governo faça que não possa ser mais bem
efetuado pela livre iniciativa e pela livre associação entre as pessoas.  Confesso que foi um pensamento
amedrontador.  Será que eu estava me
tornando um anarquista?  Será que esse
pensamento iria mudar minha vida?  Se eu
seguisse nessa direção, estaria eu fazendo algo terrivelmente
irresponsável?  Encontrei consolo na
possibilidade de que talvez eu não houvesse raciocinado corretamente; de que
talvez houvesse algo de errado na maneira em que eu havia formulado a pergunta.  Tentei confortar-me na hipótese de que eu
havia desconsiderado alguma pequena característica positiva do governo,
característica essa que eu poderia defender de modo a não ter de me considerar
um maluco.

Foi
no saguão de um hotel em que Murray Rothbard
estava hospedado que eu finalmente fiz a ele esta pergunta.  Formulei de maneira bem direta.  Se eu respondesse ‘não’ àquela pergunta
acima, seria eu um anarquista?  Murray
disse que sim.  Assustado, tentei
esclarecer melhor: se eu cheguei à conclusão de que o estado não contribui com
absolutamente nada de valor para a ordem social, e de que ele não pode trazer
nenhum aprimoramento para aquilo que criamos com nosso próprio esforço, seria
eu um anarquista?  Ele novamente disse
que sim.  E eu respondi: bom, então acho
que sou um.  E ele então soltou uma
gargalhada efusiva, apertou vigorosamente minha mão, e me congratulou de forma
exuberante, tudo naquele seu bem conhecido estilo jubiloso.  Uau.  O
feito havia sido consumado, pensei.

E,
ainda assim, eu estava enganado.  O feito
intelectual havia sido consumado, mas ainda era muito fácil manter esta ideia
como uma abstração, como algo que não afetava em nada meu trabalho diário ou
minha vida.  Uma coisa é você enxergar a
luz lá longe; outra bem diferente é ver essa luz ao seu redor
constantemente.  Este passo me tomou
vários outros anos de meditação acerca de questões específicas como direitos
humanos, serviços de mercado, a maneira como a liberdade funciona, a maneira
como o estado se portou ao longo da história, e a maneira como ele funciona
hoje.  Os últimos estágios desse processo
de pensamento levaram vários anos para serem processados.

O
que eu fui descobrindo de maneira gradual em minha rotina diária é que o
anarquismo está inteiramente ao nosso redor. 
O estado não nos acorda de manhã, não arruma nossa cama, não tece nossos
lençóis, não constrói nossas casas, não faz nossos carros funcionarem, não
prepara nossa comida, não nos faz trabalhar com mais afinco e dedicação, não
produz os livros que lemos, não gerencia nossas igrejas, não nos dá roupas, não
escolhe nossas amizades e nossos amores, não toca a música de que gostamos, não
produz os filmes a que assistimos, não cuida de nossos filhos, não cuida de
nossos pais, não escolhe onde passamos férias, não dita o assunto de nossas
conversas, não torna nossos feriados mais bonitos e alegres, não cria nada de
positivo para nós.

Tudo
isso são coisas que fazemos por conta própria. 
Nós moldamos o nosso próprio mundo. 
Por meio da prática da vontade humana, todos nós trabalhamos para fazer
com que o mundo à nossa volta seja ordeiro. 
Isso é o que toda a população mundial faz.  Todos nós trabalhamos motivados pelo nosso
interesse próprio com o intuito de encontrar maneiras de ter uma vida
melhor.  Mais ainda: todos nós nos
esforçamos para trabalhar com terceiros em um arranjo que seja mutuamente
benéfico, de modo que o aprimoramento de nossa vida não ocorra à custa dos
direitos e das liberdades de terceiros.  A
liberdade está onde são geradas as coisas bonitas de nossas vidas.  E isso é válido em todos os cantos do
mundo.  Sempre foi.  Uma bela anarquia é a principal fonte da
própria civilização.

Qual
o papel do estado?  Ele interfere.  Ele confisca nossa propriedade e reduz nossa
riqueza individual.  Ele bloqueia
oportunidades por meio de suas regulamentações e subsequentes criações de
cartéis.  Na verdade, ele faz ainda pior:
ele busca desculpas para iniciar guerras, ele se intromete em nossas famílias, ele
pune o comportamento pacífico que não prejudica ninguém — em suma, ele obstrui
o progresso de variadas formas.  O estado
é o grande forasteiro.  Ele é exógeno à
própria sociedade.  A maior parte do
mundo ainda funciona, e a civilização ainda prospera, porque as pessoas se
esforçam para ignorar o estado o máximo possível.  E se ele desaparecesse?  Eu realmente não consigo ver nenhuma consequência
negativa neste fenômeno.  Mas vejo várias
positivas.

E
ainda assim há aqueles que alertam para o iminente apocalipse caso o estado
desapareça.  A maioria das pessoas que
acreditam em um governo limitado (“minarquistas”) nutre essa ideia.  Mesmo grandes pensadores como Ludwig von
Mises e Henry Hazlitt acreditavam nisso. 
Todos eles aceitavam alguma versão do pesadelo imaginado por Thomas
Hobbes: na ausência do estado, a vida seria sórdida, solitária, bestial e
curta.  Mas o fato é que ele escreveu isso
durante uma época de turbulência política, uma época em que tribos religiosas
guerreavam para controlar o estado.  A
vida sem o estado teria sido exatamente daquela maneira — mas exatamente por
causa da presença do estado que todos queriam controlar, e não por sua
ausência.

Não
irei aqui analisar todas as distorções já feitas em relação a esta ideia, e nem
irei utilizar este espaço para tentar refutar todas as justificativas já
apresentadas em defesa do estado.  Irei
apenas mencionar uma intuição bastante comum que muitas pessoas têm.  As pessoas dizem que não faz muito sentido
eliminar o estado porque outras pessoas irão simplesmente criar outro em seu
lugar.  Não duvido que esta afirmação
seja verdadeira.  As pessoas de fato têm
a ilusão de que o estado contribui com algo de positivo e importante para a
sociedade.  Elas querem líderes que governem
desde lá de cima, ainda que elas próprias estejam aqui em baixo.

Pense
em Samuel, do Velho Testamento.  As
pessoas vinham até ele implorando por um rei. 
Ele advertiu que um rei confiscaria suas propriedades, colocaria seus
filhos em servidão, iniciaria guerras terríveis e, no final, escravizaria a
todos.  Não importava.  Elas queriam um rei de qualquer maneira.

Este
é exatamente o comportamento das pessoas de hoje.  Nada mudou.  Elas continuam
implorando por sua própria escravidão.  Pior
ainda: temem viver em liberdade.  É por
isso que o estado continua se reinventando. 
Aqueles que ao menos entendem que o estado deve ser limitado caso tenha
de existir merecem alguns créditos.  Mas
o problema é que tais limites nunca de fato funcionaram.  É por isso que é melhor simplesmente deixar a
sociedade prosperar sem o jugo de um estado. 
O grande projeto da liberdade é fazer as pessoas entenderem que elas não
devem abraçar a ilusão de que um estado — qualquer estado — pode ser um
aliado e um benfeitor da liberdade humana. 
Foi isso que a revolução liberal que ocorreu no final da Idade Média até
o Iluminismo pregou.  É imprescindível
entender a real beleza da liberdade para se poder alcançá-la.

Desde
o início da era digital, estamos tendo o privilégio de observar em primeira mão
o atordoante poder criativo da volição humana. 
A cada bilionésimo de segundo, indivíduos ao redor de todo o mundo estão
trabalhando para criar novos tipos de associações, instituições, capital e
meios de prosperidade.  Estamos vendo se
desenrolar perante nossos olhos coisas que até a década passada eram tidas como
impossíveis.  E tudo está apenas
começando.  Estamos ainda nos primórdios
de coisas como impressora 3-D, moedas alternativas, e civilizações com bases
digitais capazes de nos ofertar mais filmes, mais livros, mais arte e mais
sabedoria do que qualquer ser humano de épocas passadas seria capaz de obter durante
várias vidas.  Este mundo recém-surgido
está transformando nossa existência. 
Tome nota: nenhum estado foi responsável por isso, nenhum estado criou
isso, nenhum estado aprovou isso e nenhum estado está administrando tudo isso.

Por
fim, deixe-me admitir aqui que meu anarquismo é provavelmente de ordem mais
prática do que ideológica — o que é exatamente o oposto da postura dos mais
bem conhecidos pensadores anarquistas da história.  Vejo a regularidade e a harmonia da ação e da
volição humana ao meu redor o tempo todo. 
Acho tudo isso totalmente inspirador. 
É algo que liberta a minha mente e me permite entender o que é realmente
importante na vida.  Essa capacidade de
observação me permite ver a realidade como ela é.  Não é uma ideologia inalcançável o que me
deixa ansioso por um mundo sem estado, mas sim o fato de eu saber do que é
capaz o ser humano quando tem liberdade para melhorar este mundo por meio de
seus próprios esforços.  Somente seres
humanos podem superar a irremediável realidade da escassez que o mundo impôs
sobre nós.  Até onde sei, o estado é, na
melhor das hipóteses, o grande distúrbio que retarda esse poderoso projeto de
construção da civilização.

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194 comentários em “Como parei de inventar desculpas e finalmente libertei minha mente”

  1. Intuitivamente o minarquista sabe que poder de justiça e de polícia devem ser os únicos pra ficar com o governo porque é justamente isso que transforma uma gangue num governo.
    O único sentido de existir governo é julgar e fazer cumprir a lei mesmo quando as pessoas não querem.Um poder acima é o único jeito de resolver o problema quando as duas partes não concordam.
    Se um rico só for julgado pelo juiz que ele escolher, óbvio, não vai preso nunca.

  2. ‘e civilizações com bases digitais capazes de nos ofertar mais filmes, mais livros, mais arte e mais sabedoria do que qualquer ser humano de épocas passadas seria capaz de obter’

    Falar que PI vai contra o direito natural, isso dá pra entender.Agora falar que sem PI, sem incentivo pra produzir essas coisas as pessoas vão produzir MAIS disso tudo, aí não dá pra levar a sério.
    É preciso muita imaginação pra ser anarquista.

  3. Ótimo artigo, mas ele só peca em um aspecto. Dá a entender que o apoio ao Estado vem apenas do nosso desejo de ser governado, de ter um rei. Acho que a realidade é ainda mais complexa. O Estado tráz uma série de benefícios a muita gente, muita gente perderia sem o apoio da máquina do Estado.

    Empresas fechariam, pessoas teriam que procurar emprego em outras áreas, alguns teriam um impacto seríssimo em seu padrão de vida. Da mesma forma, mesmo os pobres, teriam uma ameaça direta de perder alguns rendimentos. Como é que vou defender para uma pessoa pobre, simples, vivendo de uma aposentadoria de um salário mínimo, que o Estado não deveria existir? É claro que a primeira coisa que ela vai pensar é em sua aposentadoria.

    Os malefícios do Estado são difusos, a gente precisa ler nas entrelinhas. É completamente fora do senso comum. Da mesma forma que o Estado usa recursos pra atividades completamente inúteis, também presta serviços essenciais que são usados por todos.

    O Estado é completamente condenável do ponto de vista moral, mas, no ponto de vista prático, precisamos de um exercício muito grande de criatividade para imaginar as soluções alternativas. Pensar nisso dá trabalho e o modelo atual tem uma probabilidade mínima de mudar, assim a maioria das pessoas deixa isso de lado e prefere defender que o Estado haja de acordo com suas convicções.

    O desejo pelo estado não vem apenas do desejo por um líder, mas pelo fato de que esse é o caminho com menor resistência para ver nossos desejos satisfeitos.

  4. maurício barbosa

    Cadê os que me criticaram quando mencionei o texto bíblico de Samuel capitulo 8,seus críticos de araques,quero ver se tem a hombridade de críticar Jeffrey Tucker,eu vocês fizeram chacota e dele vocês vão dizer o que,bando de cara palída.
    Excelente artigo,demonstra as mesmas dúvidas e reações que todos temos quando nos deparamos com a teoria anarquista.

  5. O Direito de propriedade não é decorrente da escassez, mas sim da ação humana, do trabalho intelectual ou fisico.

    O fato de uma idéia não poder ser tomada (seu autor privado dela) não critério para negar ao autor o seu legitimo direito de propriedade. Ela é uma propriedade não material, é direito dele arbitrar sobre ela e por tal somente se pode dela usufruir legitimamente com o consentimento implicito ou explicito do autor.

    Negar o direito de propriedade de um trabalho com base no fato de que tal pode ser usufruido indefinidamente por indefinido número sem privar o autor do fruto de seu trabalho, não é critério racional. É mera cisma com uma idéia certa estendendo-a a campos errados.

    Ética é area da filosofia e não da economia. Direito tem relação com ética, com justiça, com liberdade e não com economia.

    Há o direito de propriedade e o direito de uso.
    O direito de uso se extingue com uso infinito, é devido uma contingência. O direito de propriedade é inerente ao individuo e a tudo da ação física ou intelectual DELE decorrer.

    A escassez atribui VALOR mas não direito de propriedade. A propriedade não decorre da escassez, decorre do direito natural.
    propriedade não decorre da praxis, o valor sim. pode-se ser proprietário mesmo de algo sem valor algum, da mesma forma que se tem direito inerente viajar, mesmo que se não o exerça.

  6. Charles Hertz da SIlva

    que belo artigo para se ler de manhã! bastante inspirador!

    esse artigo é perfeito para os minarquistas lerem, mas como o próprio texto diz, os minarquistas ainda devem receber algum crédito por pelo menos querer diminuir o estado! os que tem que mudar por completo são os socialistas! estes sim!

    é engraçado ver que o criador do artigo o fez a muito tempo, mas eu tive a mesma experiência que ele!

    eu pensava que o mundo seria impossível sem um estado mínimo, pensava que o trânsito não funcionaria, que pais de crianças pedófilos ficariam impunes, dentre outras coisas… mas com o tempo eu fui tendo este mesmo pensamento: será que realmente existe algo que a iniciativa privada não possa fazer igual ou melhor que o estado?

    depois de alguns meses lendo artigos e estudando sobre os mais variados sistemas políticos e até formas de anarquismo mesmo (os de esquerda e direita), eu cheguei a mesma conclusão do criador do artigo! e a mesma perspectiva de um futuro sem estado!

  7. O que eu fui descobrindo de maneira gradual em minha rotina diária é que o anarquismo está inteiramente ao nosso redor. O estado não nos acorda de manhã, não arruma nossa cama, não tece nossos lençóis, não constrói nossas casas, não faz nossos carros funcionarem, não prepara nossa comida, não nos faz trabalhar com mais afinco e dedicação, não produz os livros que lemos, não gerencia nossas igrejas, não nos dá roupas, não escolhe nossas amizades e nossos amores, não toca a música de que gostamos, não produz os filmes a que assistimos, não cuida de nossos filhos, não cuida de nossos pais, não escolhe onde passamos férias, não dita o assunto de nossas conversas, não torna nossos feriados mais bonitos e alegres, não cria nada de positivo para nós.

    Por favor, não deixem que o Mantega saiba disso!

  8. Fica muito facil dizer que o livre-mercado é melhor que o socialismo (porque de fato é)…mas somente isso não o torna um sistema perfeito e ideal como os artigos falam…

    Por os bens serem escassos, voce privatiza-los por inteiro tambem poderá gerar alguns riscos para o sistema…bens naturais e essenciais por exemplo. Como ficaria um país se toda sua reserva de água ficasse na mao de uma empresa? e se esta empresa tivesse um exercito particular? não teriamos um apelo popular suficiente para derruba-lo do mercado, pois ele possui um produto que será sempre vendido…em algum momento no furturo este sistema tambem ira colapsar…

    Outra questão é a divisão social e a igualdade de oportunidades…

    Divisão Social: sempre será piramidal.

    Igualdade de Oportunidades: só irá existir nos mesmos niveis sociais, nunca um filho de pedreiro terá a mesma chance que o filho do dono da construtora…e assim por diante.

    Acredito em um sistema onde possamos utilizar o maximo possivel do intelecto humano…tendo uma matriz inteligente conectando todo o globo e administrando os bens naturais de forma eficiente, diminuindo o desperdicio…assim poderiamos diminuir o problema de escasses(jamais acabar com a escasses)…exemplo: a comida e sua distribuição global. Teriamos novas cidades em lugares estrategicos e não como estao agora…planejamento é muito importante, e temos que utilizar todo o potencial disponivel…

    O que vejo é muito idolatria tanto para o socialismo e tanto para o capitalismo…como se somente existissem estas possibilidades…

  9. Melanie Schwartz

    Artigo muito bom. A EA tem ideias sólidas, fáceis de entender e difíceis de contrariar. Por que será que a EA não tem tantos adeptos?

    Acho que em parte é pela arrogância dos poucos membros. Toda vez que eu leio os comentários, eu tenho a impressão que os opositores que vêm debater só levam safanão, sarcasmo e desprezo. Enfim, os libertários não parecem ser uma minoria acolhedora. Eu acho que o comunismo e a igreja evangélica, para citar alguns, atraem muitos seguidores porque passam um sentimento bom (ainda que falso) de união, de hospitalidade, de família. Talvez vocês precisem de um líder carismático. Está super na moda, rs.

    No meio tempo, continuem com o bom trabalho.

  10. Eu vou dar só um exemplo sobre cono o anarcocapitalismo baseado na propriedade privada strictu sensu pode ferrar com o povo, e que há casos que poderá até ter um conflito (e claro, quem ganha é o MAIS FORTE).

    Vocês devem saber que o Nordeste sofre com problemas de seca. Isso não é novidade pra ninguém. Qualquer cidadão brasileiro sabe diso. Pois bem. Em Aparecida, Paraíba, tem um canal. Às margens do Canal, tem grandes fazendas. Até aí nenhum problema. O problema começa quando estes grandes fazendeiros impedem os pequenos agricultores (que também precisam de água) de usarem a água do Canal. Eles se instalaram às margens do canal, usam a água como se fosse deles e não deiam os outros usar. Houve conflitos. Agora, me digam, “libertarios”, como resolver isso? No estatismo, Estado (a prefeitura) resolveu o problema da seguinte maneira: construiu obras de irrigação para estes pequenos agricultores. Mas no anarcocapitalismo, como seria resolvido? Ocorreria o seguinte: os fazendeiros continuariam sem mandar água para estes pequenos agricultores (propriedade privada), não haveria um prefeito, nem ninguém que irrigasse a terra desta gente, e haveria conflitos pelo uso da água, até o mais forte vencer o conflito.

  11. jose carlos zanforlin

    Senhores, a título de colaboração, eis trecho da Bíblia, sobre Samuel, referido no artigo, e confirmem se não é o retrato do que nos ocorre hoje, representanto o estado o grande ralo por onde escorrem nossas riquezas:

    I Samuel

    Capítulo 8

    4 Todos os anciãos de Israel vieram em grupo ter com Samuel em Ramá, 5 e disseram-lhe: Estás velho e teus filhos não seguem as tuas pisadas. Dá-nos um rei que nos governe, como o têm todas as nações. 6 Estas palavras: Dá-nos um rei que nos governe, desagradaram a Samuel, que se pôs em oração diante do Senhor. 7 O Senhor disse-lhe: Ouve a voz do povo em tudo o que te disseram. Não é a ti que eles rejeitam, mas a mim, pois já não querem que eu reine sobre eles. 8 Fazem contigo como sempre o têm feito comigo, desde o dia em que os tirei do Egito até o presente: abandonam-me para servir a deuses estranhos. 9 Atende-os, agora; mas declara-lhes solenemente, dando-lhes a conhecer os direitos do rei que reinará sobre eles. 10 Referiu Samuel todas as palavras do Senhor ao povo que reclamava um rei: 11 Eis, disse ele, como vos há de tratar o vosso rei: tomará os vossos filhos para os seus carros e sua cavalaria, ou para correr diante do seu carro. 12 Fará deles chefes de mil e chefes de cinqüenta, empregá-los-á em suas lavouras e em suas colheitas, na fabricação de suas armas de guerra e de seus carros. 13 Fará de vossas filhas suas perfumistas, cozinheiras e padeiras. 14 Tomará também o melhor de vossos campos, de vossas vinhas e de vossos olivais, e dá-los-á aos seus servos. 15 Tomará também o dízimo de vossas semeaduras e de vossas vinhas para dá-los aos seus eunucos e aos seus servos. 16 Tomará também vossos servos e vossas servas, vossos melhores bois e vossos jumentos, para empregá-los no seu trabalho. 17 Tomará ainda o dízimo de vossos rebanhos, e vós mesmos sereis seus escravos. 18 E no dia em que clamardes ao Senhor por causa do rei, que vós mesmos escolhestes, o Senhor não vos ouvirá. 19 O povo recusou ouvir a voz de Samuel. Não, disseram eles; é preciso que tenhamos um rei! 20 Queremos ser como todas as outras nações; o nosso rei nos julgará, marchará à nossa frente e será nosso chefe na guerra. 21 Samuel ouviu todas as palavras do povo e referiu-as ao Senhor. 22 E respondeu-lhe o Senhor: Ouve-os; dá-lhes um rei. Samuel disse aos israelitas: Volte cada um para a sua cidade.

  12. Pensador de esquerda

    Até a grande mídia elitista reconhece o papel do Estado e a cobrança justa dos impostos para o bem da humanidade:

    "E se não existisse imposto?"

    Isso pode doer no coração e no bolso, mas a verdade é que não chegaríamos muito longe sem tributos. Grandes conquistas da civilização só foram possíveis graças à riqueza acumuladas com os impostos. Foi com dinheiro público que reis, imperadores e presidentes nos levaram a conquistas, desde as mais simples – como a construção de estradas – até as mais complexas – como a chegada do homem à Lua.
    Vejam a cena de horror em um mundo anarcocapitalista ou mesmo minarquista:

    PRIVATIZAÇÃO GERAL:

    Todos os serviços seriam cobrados, mesmo os mais básicos. Quer andar em rua pavimentada? Precisa pagar. Sua casa pegou fogo e os bombeiros apareceram? Prepare-se para receber a conta. O mesmo vale para educação, iluminação pública… Em compensação, só pagaríamos pelo que realmente usássemos.

    SEM O ESTADO ASSISTENCIANDO, VIDA BREVE:

    Morre-se mais cedo em uma sociedade tribal. Entre os índios brasileiros, a expectativa de vida é de 46 anos, contra 73 na população em geral. Sem vacinação nem assistência públicas, até diarreia e sarampo podem matar. Uma grande população doente deixaria vulnerável até quem pagasse por serviço de saúde particular.

    SEM ESTADO, AINDA ESTARÍAMOS NA IDADE MÉDIA:

    A inovação viria de empresas, mas faltaria fôlego para grandes investimentos. E serviço que não desse lucro não seria explorado. Carros elétricos, por exemplo, rodam hoje graças a subsídios que os tornam acessíveis – sem ajuda governamental, os fabricantes não venderiam nada. Por isso, uma sociedade sem tributos seria menos desenvolvida.

    Fonte: Revista Super Interessante, clique aqui.

  13. Caros intelectuais (ou anti-intelectuais se preferirem) anarcocapitalistas e minarquistas,

    Ps: o primeiro parágrafo é sobre minha história, as perguntas estão no último.

    Primeiramente gostaria de parabeniza-los pelo trabalho de vocês e agradecer pelo enorme papel que cumpriram na minha formação. Eu sou de um daqueles colégios que o filósofo Luiz Felipe Pondé chamaria de “colégios chiques de esquerda”, onde a hegemonia anticapitalista e coletivista está presente e ativa todos os dias, para a maioria dos alunos, desde que aprenderam a falar “mamãe”. Os professores de história culpam o capitalismo pela pobreza, pelo consumismo, pelas guerras e por todos os males que se puder imaginar. Os professores que filosofia concluem e afirmam categoricamente que a natureza humana não existe( e que portanto um homem novo é possível, e portanto um paraíso é possível. Dai é aquela lógica religiosa: “se o paraíso é possível, porque não empreender todos os nossos esforços para alcançá-lo?” mesmo que isso envolva matar os que discordam)e as autoridades intelectuais em geral fazem todo tipo de desraciocínio mental para por a culpa no que eles chamam de livre mercado e liberalismo. Eles “ensinam” que o liberalismo fracassou e que o estado mínimo gera caos social e miséria. Os soldadinhos vermelhos, então devidamente doutrinados, apelam para ataques pessoais e discursos sentimentalistas para manter sua opinião intacta.
    O colégio se preocupa com a autonomia dos alunos: autonomia de organização e financeira(a escola é bem cara) mas claramente trabalham contra a autonomia intelectual #DESABAFO

    Enfim, com a escola austriaca redescobri um dos grandes motores da minha vida: tentar entender politica, economia, filosofia, psicologia e ética, mas estou em cima do muro entre minarquia e anarquia, gostaria que
    *Os minarquistas dissessem porque a anarquia não funcionaria
    * Os anarquistas me respondessem as seguintes perguntas:
    – Se as pessoas podem contratar agencias que protejam seus interesses segundo a lei, o que aconteceria se elas contratassem mercenários para defender seus interesses violando a lei? Por exemplo, eu sou acusado de assassinato e contrato 100 mercenários para me defender e ainda ameaçar explodir uma bomba atômica caso me prendam?
    – Quanto aos tribunais privados,quem escolheria em que tribunal o caso seria julgado? Quer dizer, se A processa B, é A que escolhe o tribunal? Afinal, e se eles nunca concordarem com que tribunal usar? Algum deles(inocente e pacífico até que se prove o contrário)vai ser obrigado a comparecer a um determinado tribunal? E se o acusado não estiver à fim de ir ao tribunal?
    – O direito natural da conte de absolutamente todos os conflitos possíveis ou é necessário que se crie algumas leis negativas como, por exemplo, “é proibido ter bombas atômicas”. Isso seria proibido?

    Muito obrigado!!!

  14. Viram a reportagem no jornal da globo hoje? Entrevistaram uns economistas que defendem uma reforma tributária que aumente os impostos sobre renda e lucro e diminuam os impostos sobre o consumo. Usaram como argumento a noção de que é assim que funciona nos países desenvolvidos. Estou enganado ou ficaremos todos pobres agora?

  15. Li recentemente a obra de Marcello Mazzilli “O Estado? Não, obrigado”, e lendo este texto de Jeffrey Tucker sou sincera em dizer que simpatizo com o tal do anarcocapitalismo. Mas, assim como o autor, parece-me difícil admitir isso a todos, já que fui meio “doutrinada” aqui no Brasil a uma política mais assistencialista/intervencionista. Sem querer, ainda associo a anarquia a um caos total, a ausência de ordem (anomia), uma noção equivocada. As leituras, mas principalmente a prática, tem provado para mim que realmente o estado não me ajuda em nada, pelo contrário, me atrapalha e muito!

    Analisando pessoas em minha volta percebo que muitas não querem assumir responsabilidades. Querem “só ter direitos”, mas sem oferecer qualquer contrapartida. Parecem que abrem mão da liberdade plena em troca de ter alguém que “cuide” delas. É bem a história do Samuel do Velho Testamento.

    Agora taí uma coisa que consegui libertar minha mente: da religião. O meu dilema era por conta do que os outros iriam pensar disso, principalmente a família. Encontrei um parceiro ateu, o que me encorajou a ser livre e finalmente admitir o meu posicionamento não religioso/espiritual.

    Acredito que libertar minha mente para a filosofia política também não vai ser fácil. Foram mais de 30 anos na ignorância. As obras editadas pelo Instituto von Mises Brasil tem me ajudado muito sentido. Estudar o liberalismo tem sido prazeroso. Mas por enquanto o anarcocapitalismo vai ficar como “paixão platônica” e ainda não defendida publicamente. Não estou preparada para uma liberdade total. Não neste país, melhor dizendo, não neste mundo. 🙂

  16. Muito interessante o texto como exercício intelectual, mas me faz lembrar textos sobre unicórnios alados ou vampiros apaixonados: rendem estórias populares mas simplesmente não existem…
    Feita a provocação, na opnião dos adeptos do anarcocaptalismo, qual país (ou sociedade) no momento atual mais se aproxima dos ideais defendidos no texto?

  17. aalegação do autor sobre Samuel induz a um erro. Ao falar contra o estado, o autor na verdade está dizendo que nós não precisamos de nenhuma forma de governo, não apenas o estado moderno. Mas a escolha que os israelitas fizeram não foi de estado contra governo nenhum. Israel não era uma anarquia. A escolha foi entre o sistema miniarquista (os governos de anciãos independentes em cada cidade) e uma monarquia centralizada.

    Muitos ancaps cometem esse erro. Trazem para o “seu lado” governos limitados (governos tribais, governos de anciãos, demarquias). que nunca poderiam ser considerados como sistemas anarquistas.

    Outro erro cometido freqüentemente pelos ancaps é listar os males do estado moderno como exemplos do que é governo, esquecendo que os antigos sistemas de governo também são governo.

    E outro erro comum é primeiro afirmar que questões comerciais podem ser resolvidas por meio de acordos privados (o que é verdade) para disso tirar a falsa conclusão de que questões criminais podem ser resolvidas por arbitramento privado. Em virtualmente todos os povos narrados na história, em virtualmente todos os tempos e lugares, julgamentos criminais foram feitos por juizes da localidade, da tribo, do grupo. e não por juizes escolhidos segundo o gosto de cada um. Ao mesmo tempo, questões comerciais e civis muitas vezes eram tranqüilamente resolvidas por julgamentos privados. É evidente que o julgamento criminal não tem a mesma natureza das outras classes de julgamentos, e que os mesmos povos que encontravam soluções arbitradas para outros tipos de conflito, não conseguiam encontrar soluções arbitradas para as pendencias criminais.

    Quanto à idéia de proteção privado contra ataques de outros estados, ela me parece pueril.

    Como o autor eu já pensei bastante sobre isso, mas ao contrário do autor, não vejo solução estável sem governo civil.

    Finalmente, o autor, como costumam fazer os ancaps, atribuem o miniarquismo dos grandes autores do passado à sua timidez, ou ao fato deles supostamente não terem pensado o suficiente no assunto, ou ao suposto fato deles não terem ido até o fim em suas conclusões. Não acredito nisso. Suponho que Mises e todos os outros grandes autores de economia do passado pensaram muito sobre o assunto, e chegaram à conclusão de que alguma forma de governoera imprescindível.

  18. Sinceramente, não sou anarco-capitalista porque essa filosofia está ligada à ética de Rothbard, que ao meu ver é a ética da barbárie.

    No entanto, sei que a posição minarquista é falha. Por isso, não sou também, minarquista.

    Parece confunso não se enquadrar nestes dois, mas acredito no seguinte:

    ————————————————————————————

    Todos os serem humanos são dotados por Deus de livre-arbítrio, que não o condicionou a nada a não ser a si mesmo.

    Disto provém:

    1. O governo de cada um é si mesmo. O meu Estado sou eu, meu território é minha casa, minha nação é minha família.

    2. As decisões de cada um são invioláveis na medida em que são inviolantes.

    3. O uso de força é legítimo contra violação do livre-arbítrio ou sua iminência, porquanto é, por definição, defensivo e se opõe à força violadora.

    4. O livre-arbítrio de um não existe na medida em que este o fez não existir em seus irmãos.

    ————————————————————————————-

    Disto tenho a Secessão Individual e a Proteção da Ética:

    Secessão Individual: todo indivíduo, como estado em si mesmo, tem o direito de secessão de qualquer governo procuratório – governo sobre mais de um indivíduo, formado por procuração de seus membros -.

    Proteção da Ética – por ética, entenda-se tudo que é passível de ser feito com seu livre-arbítrio e que não fere o de outrem – : O uso da força é legítimo contra força violadora a terceiros, uma vez que, na medida em que a força é violadora, forçar contra ela não terá caráter violador, e sim defensivo.

    Desses conceitos se estabelece uma resposta ao minarquismo e ao anarco-capitalismo, já que não haverá condescendência com barreiras que protegeriam os agressores, sejam elas o direito de propriedade ou o qualquer “direito” dos governos atuais.

    Não dependeria de contrato prévio por parte de alguém a sua sujeição ao conceito de livre-arbítrio. Por exemplo: o vizinho que espanca sua filha pode ter sua casa invadida por você, para livrá-la.

    Também não haveria necessidade de decisões éticas serem adotadas obrigatoriamente por todos de um espaço que hoje chamam de país, haveria a possibilidade de secessão do governo procuratório do estado, da cidade, até o governo primordial do indivíduo. Por exemplo: Com sua visão econômica, Dilma acabaria sendo apenas presidente da então isolada Brasília, o país mais pobre do mundo. hehe.

    ————————————————————————————

    Enfim, é o que eu humildemente penso estar correto. Eu era minarquista, o do governo mínimo, mas o problema da sujeição forçada de pessoas a determinado governo certamente era errada. Por outro lado, nunca concordei com Rothbard; a propriedade é posterior ao livre-arbítrio, e a violação pode ser combatida sem a concordância do violador, aliás, ela só o é assim.

    Achei, graças a Deus, essa solução. Quem infelizmente se incomoda com o termo livre-arbítrio, pode substituir por liberdade, e irmãos, substituir por semelhantes, e Deus, por natureza ou cosmos… Saiba apenas que os verdadeiros são os primeiros termos.

  19. Achei o artigo muito interessante, mas, na prática, como se privatiza uma sociedade? Como se diminui a intervenção estatal o máximo possível? Quanto tempo leva isso? Deve-se recorrer à violência? Deve-se demitir todos os tipos de funcionários públicos e agentes do estado e esperar que eles aceitem sem revolta?

    Estatistas e esquerdistas não são pessoas normais, em geral, não se convence eles com argumentos lógicos e demonstrações… são loucos bitolados e teimosos! Não subestimem a loucura, tenho contato com esse tipo de gente todos os dias. Há dois artigos que li e que me espantaram por sua verdade:

    http://www.olavodecarvalho.org/semana/121212dc.html
    http://www.olavodecarvalho.org/semana/130204dc.html

    Minha dúvida é: como fazer?

  20. Renato, obrigado por expor sua posição.

    Agradeço que tenha dedicado parte de seu tempo para ler meu ponto-de-vista.

    Tentarei elucidar melhor os conceitos básicos e a lógica na qual fundamentei meu raciocínio, e a partir

    disso, qualquer situação particular poderá ser bem conduzida aplicando-se princípios universais de

    liberdade de escolha, livre-arbítrio.

    ————————————————————————————-

    Defini alguns pontos que praticamente são princípios de respeito à liberdade de cada ser humano. Neste

    ponto vou me iniciar, para dele prosseguir à sua indagação; fundamentarei todo meu ponto-de-vista no

    conceito de livre-arbítrio:

    1. Definição.

    Delineio livre-arbítrio como o atributo de poder decidir conscientemente.

    O livre-arbítrio está intrinsecamente relacionado com a nossa humanidade, pois para estar presente em um

    ser, este deve portar capacidade de processamento mental; deve possuir capacidade de raciocínio; deve

    também ser dotado de consciência; e deve haver nele um intelecto.

    Logo, o ser humano pode decidir conscientemente, haja vista possui os requisitos para isto.

    ————————————————————————————-

    2. Vínculo com a propriedade.

    Podemos também ligar o livre-arbítrio com a propriedade do agir do homem, e com os produtos materiais

    resultantes desse agir :

    O livre-arbítrio é a condição para o efetuar de ações humanas, ele é anterior a elas.

    Todo efetuar do homem é fruto do efetuar da sua vontade; logo, todo fruto do efetuar das mãos do homem

    é também fruto do efetuar da sua vontade. E, logo, existe um vínculo entre o trabalho do homem e o seu

    livre-arbítrio, em que este é o responsável por aquele. Logo, há um vínculo proprietário entre o livre-arbítrio

    e o produto do trabalho do homem.
    E já que esse livre-arbítrio pertence ao homem, as suas ações e o fruto delas também assim o são.

    Por isso temos o direito de propriedade: a responsabilidade pela criação de um bem remete ao atributo

    intrinsecamente pertencente ao proprietário.

    ————————————————————————————-

    3. O limite autorreferente do livre-arbítrio e de seus produtos.

    Podemos dizer que o limite do livre-arbítrio é ele mesmo. O livre-arbítrio de um ser humano é limitado pelo

    livre-arbítrio de outro, ou, colocando de uma melhor forma: o livre arbítrio de um ser humano não é

    limitado enquanto ele não limita o de outro.

    Se nos lembrar-mos que o livre-arbítrio efetua o agir, concluiremos que também o agir tem o mesma

    limitação, já que ele é, de certa forma, uma extensão do livre-arbítrio; logo, temos que o agir de um ser-

    humano não deve ser limitado enquanto ele não limita o agir de outro.

    E se ainda nos lembrar-mos que o livre-arbítrio efetua, através do agir, a nossa propriedade, também

    concluiremos que ela tem a mesma limitação. logo, a propriedade de um ser humano não deve ser limitada

    enquanto ele não limita a de outro.

    ————————————————————————————-

    4. O conceito de força agressora.

    Como o ser humano é capaz do mal, ele pode usar de seu agir e de suas propriedades para limitar o agir e

    a propriedade de outros. Pode operar seu livre-arbítrio para destituir a manifestação externa do livre-arbítrio

    de seu irmão.

    O agir de um somente pode limitar o agir de outro, e a propriedade de um somente pode limitar a

    propriedade de outro através da força. Só se pode limitar o livre-arbítrio através da força. E o nome que

    dou à força que limita o livre-arbítrio é força agressora.

    Ela tem caráter destrutivo, já que destrói o livre-arbítrio; age para destruir o ser humano.

    ————————————————————————————-

    5. O conceito de força reativa.

    Com a existência da força agressora, com a possibilidade de alguém usar de seu livre-arbítrio para minar o

    nosso, torna-se necessário uma reação. E como essa agressão se dá pela força, uma reação de defesa a

    ela também precisa ser forçosa. A força que é utilizado em resposta a uma agressão ao livre-arbítrio ou à

    iminência dela, dou o nome de força reativa.

    Já que se opõe à força opressora, não constitui agressão ao livre-arbítrio do agressor; é uma defesa que

    visa a manutenção do estado de livre-arbítrio legítimo, no qual não há agressão.

    Ela tem caráter protetor, já que protege o livre-arbítrio; age para preservar o ser humano.

    ————————————————————————————-

    Aplicação prática dos conceitos de livre-arbítrio:

    No mundo em geral e principalmente nos dias de hoje, com o ambiente estatista sufocando cada vez mais

    a vida humana, e com um grupo de tiranos oprimindo a imensa maioria da população, pode-se aplicar os

    conceitos de livre-arbítrio tanto para justificar possibilidade de independência dos indivíduos em relação

    aos governos hoje constituídos, quanto para assegurar que a desconfiguração dessa conjutura

    exploratória não dará lugar a uma conjuntura predatória. Os conceitos para esses pontos de suma-

    importância são dois, respectivamente:

    Secessão Individual

    Todo indivíduo que se encontra submetido a um Estado onde tal submissão se dá através da força ou de

    falso acordo, o qual nunca foi consentido pelo indivíduo ( daí poder ser corretamente chamado de acordo

    de discórdia ), tem a faculdade de declarar secessão do Estado tirânico. Tal secessão simplesmente

    significa a desobrigação do indivíduo de cumprir obrigações exercidas por outros, obrigações que estes

    intentaram impor forçosamente.

    É importante ressaltar que o apesar de o indivíduo poder se desvincular do jugo involuntário às leis de

    outrem; sua sujeição à lei do livre-arbítrio – ou seja, ao respeito ao tal – não pode ser revogada, uma vez

    que tal sujeição não provém da concórdia de cada homem, mas do livre-arbítrio intrínseco ao caráter do

    homem como tal. Em outras palavras, a ilegitimidade de violar o livre-arbítrio de outrem não depende da

    concordância do livre-arbítrio do agressor com a integridade do livre-arbítrio do agredido; mesmo porque,

    se há tal uso de força agressora, logicamente já houve, por parte do agressor, a desconsideração do

    livre-arbítrio do agredido.

    Reação Protetora

    Todo indivíduo tem o direito à reagir à força agressora ou à iminência dela com uso de força. A

    legitimidade de uso de força contra o agressor se dá pelo fato que este, ao operar para destituir o livre-

    arbítrio de seu irmão, tem simultaneamente e na mesma intensidade seu livre-arbítrio destituído.

    Tal reação não configura, portanto, violação do agir e da propriedade do agressor, uma vez que estes

    proveêm do livre-arbítrio, e este foi por ele mesmo destituído.

    A reação protetora é legitima enquanto ela for reativa e protetora, enquanto a força que ela se utiliza for

    defensiva. Vale dizer que seu caráter reativo a faz ser oposta e de mesma intensidade ao que combate, e

    seu caráter protetor faz com que o que ela combate seja a agressão.

    ————————————————————————————-

    Se esses conceitos forem entendidos e respeitados pelos homens, teremos um mundo melhor,

    secularmente. Acrescento que o livre-arbítrio efetua sua mais acertada e perfeita escolha quando ele

    aceita a Jesus Cristo como seu Salvador. Se estas duas coisas forem feitas, teremos um mundo melhor

    secular e espiritualmente.

    ————————————————————————————-

    Ao Renato, depois de tudo isto, creio que você possa encontrar as respostas às suas indagações se você

    aplicar desde o início de seu exemplo hipotético, esses conceitos.

    Se não estiver satisfeito, pode perguntar novamente.

    ————————————————————————————-

    A qualquer um que por acaso chegou até aqui, muito obrigado pelo seu tempo que você dispor a ouvir meu

    ponto-de-vista.

    Que Deus abençoe você e sua família, em nome de Jesus!

  21. Tá rolando anarquia lá na região que envolve o Iraque e outros países vizinhos. Vejam que beleza! Tem até foto de uma criança segurando a cabeça decepada de um dos “infiéis”!

  22. Muito bom o artigo.

    Antes de conhecer o IMB, eu também era miniarquista. Do tipo liberal clássico, na verdade. A princípio eu achei absurda a ideia de que abolir o estado e vivermos em anarquia do mercado. Achava que isso não iria funcionar porque as pessoas não iriam aceitar, o boicote social não seria suficiente e/ou gangues iriam dominar a população.

    Eu cria que um conjunto geral de leis precisaria ser imposto pelo estado para que as coisas funcionassem. Até que não tinha tanto em mente a necessidade de segurança, de policiamento e de exército estatais, porque mais ou menos privadamente isso já existe (Suíça não possui exército – então porque o Brasil precisa? Empresas de alarme monitoram estabelecimentos que as contratam. Mesmo se uma borboleta acionar o sensor, em minutos os caras já chegam para ver o que houve – então porque precisamos de polícia pública?)

    Não tinha ideia da tão grande contradição em que eu estava envolvido ao aceitar/desejar o estado. Eu pensava: mas como será isso, e tal e coisa e coisa e tal? Então houve um estalo em minha mente. A resposta é: tudo vai funcionar como sempre, oras! A diferença é que o serviço de tudo será privado. Quando eu precisar de justiça e segurança haverá maior liberdade a quem recorrer e maior eficiência. E isso implica em maior progresso econômico, moral e social para a humanidade.
    Graças a Deus – e ao Mises Brasil – minha mente está liberta das garras do leviatã. Mas, infelizmente, não vejo perspectivas de mudança de mentalidade da sociedade em relação a isso.

  23. Só tem um problema nessa teoria toda. Nossos vizinhos ainda teriam um exército, ainda teriam barreiras protecionistas, Ainda teríamos que nos defender de invasões dos vizinhos bolivarianos, e ainda teríamos que ser representados por alguém em câmaras mundiais do comércio, ONU. Ainda que teríamos que defender nossas fronteiras de governos entrangeiros, dentre outras coisas. Essa teoria só funciona se todos aderirem ao mesmo tempo, Se você fizer e seu vizinho não fizer você perde.
    Ainda teriamos que ter uma legislação pra proteger a propriedade privada (ou seria a lógica do velho oeste?) e alguém para julgar os que infringissem a lei (ou seria a lei da bala?)

  24. O que mais gosto dos comentários aqui no Mises é que já há artigos prontos para a quase totalidade dos contrapontos apresentados por aqueles que acabaram de conhecer o site.

  25. Michel Geraissate

    Eu tenho algumas grande dúvidas e questionamentos sobre uma sociedade sem o estado, mas a principal é: como faríamos a transição do que existe hoje para essa nova sociedade? Porque pra mim, faz bastante sentido a ideia de não existir algo extremamente autoritário, controlador e monopolizador, mas como seria essa transição na prática? Ignoraremos as pessoas que obviamente foram massacradas tanto pelo estado quanto pela iniciativa privada? Ou essa revolução aconteceria a partir de uma grande catástrofe econômica que nos levaria a um estado tipo mad max pra depois repensarmos em uma nova organização social? Uma dúvida legítima mesmo…

  26. Não sei se todos estão cientes, mas recentemente a economista italiana Mariana Mazzucato lançou o livro “O Estado Empreendedor, Desmascarando Mitos do Setor Público vs Privado”. A obra não foi tão badalada quanto a do Piketty, mas a vi divulgada em mídias bastante abrangentes. Pelos releases que li – não li o livro ainda -, a autora defende que o grande motor da inovação não é necessariamente o setor privado, mas sim o estado e argumenta suas teses orbitando o fator risco. Para ela, embora muitas inovações sejam produto da iniciativa privada, aquelas que representam saltos significativos mas que costumam apresentar riscos elevados precisam da existência de um estado que as financie, ampare e possa correr riscos. E ela usa exemplos como os seguintes:

    “Mazzucato aponta que “75% das novas entidades moleculares [aprovadas entre 1993 e 2004 pela FDA, a agência federal norte-americana que regulamenta e fiscaliza alimentos e remédios] tiveram origem em pesquisas… financiadas pelos laboratórios dos Institutos Nacionais da Saúde, nos Estados Unidos”. A seguir, essas descobertas são transferidas a baixo preço para empresas privadas, que extraem grandes lucros.”

    Um exemplo talvez ainda mais significativo é a revolução na tecnologia da informação. A Fundação Nacional da Ciência dos Estados Unidos bancou a pesquisa sobre o algoritmo que serve de base ao serviço de busca do Google. O financiamento inicial da Apple veio do Programa de Inovação e Pesquisa para Pequenas Empresas, do governo dos Estados Unidos. “Todas as tecnologias que tornam um iPhone ‘inteligente’ foram bancadas pelo Estado, da tela touchscreen ao sistema Siri de assistência com comando de voz”. (trecho retirado do release a Folha).

    Lendo o artigo, me deparei com essa passagem:

    “Com o passar do tempo, e com minhas leituras, estas ilusões foram sendo destroçadas uma por uma. Descobri que estradas, correios, comunicações e até mesmo aqueles lendários ‘bens públicos’ como faróis de navegação marítima foram, de uma perspectiva puramente histórica, todos ofertados pelo livre mercado. Só depois é que o governo monopolizou estes serviços.”

    Lembrei do livro e algumas dúvidas me apareceram sobre “o que Mises diria”. Pela postura da autora oposta à ideia de que necessariamente o mercado cria e o estado monopoliza, quais seriam as refutações aos argumentos dela?

  27. As discussões em torno da real necessidade ou os benefícios na existência de um estado sempre despertam as perspectivas mais sociais. As dúvidas quase sempre giram em torno de quem ou o quê vai proteger os pobres e fracos, de sua própria condição diga-se de passagem. É um consenso para a grande maioria que ter um estado é a única garantia de que será exercido lado mais humano da sociedade, por bem ou por mal. Ver o impasse social parece ser a única coisa que resta, para qualquer bom entendedor da liberdade.

    Mas um artigo como este mostra como essa ‘experiência de liberdade’ (ou o anarcocapitalismo) pode e deve ser vivida aqui e agora mesmo, sem depender que todo o arranjo social se modifique. É muito mais um estado de espírito, uma maneira de ser do que qualquer outra coisa. Algo como ‘cultive sua liberdade e mostre aos outros como’. Se há alguém cativante e que, pra mim, melhor traduz o que realmente significa esse tal de anarcocapitalismo, esse alguém é o Jeffrey Tucker. Tanto que não sei se é a edição que estava inspirada ou se a musa (o texto) foi muito boa, mas eu achei que a imagem ficou maravilhosamente em harmonia com a ideia. De qualquer forma, parabéns para os dois.

    Muito obrigada, e até a próxima.

  28. Por que os libertários (queiram ou não) são de direita?
    BY LUCIANOHENRIQUE

    Se há uma instância da paralaxe cognitiva que virou moda em nosso tempo é aquela onde alguém diz ter "superado os paradigmas de direita e esquerda'. Geralmente os que professam tal aberração lógica tendem a se sentir auto-confiantes, como se aqueles optando por "direita" ou "esquerda" fossem um bando de limitados diante de um iluminado. Só se este for um "iluminado" no que diz respeito a concorrer pelo troféu de vítima do Efeito Duning-Kruger, no caso, de incapacidade de perceber sua incoerência lógica.

    Esta postura arrogante dos que alegam "superar direita e esquerda" torna ainda mais divertida a refutação dessa empulhação. Verdade seja dita: há enroladores deste tipo tanto na direita como na esquerda.

    É preciso fazer justiça. Estou refutando apenas os que usam esse discurso para debates políticos sérios, e não para comícios com foco em eleições públicas. Ali é normal um candidato dizer "não quero saber de direita e esquerda, o que importa é políticas que funcionem, e eu quero as políticas boas". Mas isso ocorre por que ele fala a um público que em sua maioria não sabe o que é ser de direita ou esquerda. A partir do momento em que você está usando o mesmo discurso em um debate onde se espera que o público saiba o que significam essas visões políticas, já estamos na seara da picaretagem.

    O que é esquerda, afinal? Basicamente, é a ação política com o objetivo de implementar um estado totalitário que obtenha o máximo de controle sobre a vida de seus cidadãos, de forma que tudo beneficie os burocratas que tomam conta deste estado. Esquerdismo é a crença nessa ação política, e, por consequência, no estado inchado e interventor.

    Alguns iludidos podem reclamar: "Mas é a história da igualdade? Mas e a promessa de sociedade sem classes?". Essa é uma confusão entre o que o esquerdismo é (na avaliação histórico-empírica de suas implementações) com a propaganda enganosa que os esquerdistas mais espertos criaram, e que uma legião de zumbis repete de forma patética e deprimente.

    Pessoas racionais não podem julgar algo pela propaganda enganosa. Se fosse assim, todo bandido seria automaticamente inocente, pois sua propaganda enganosa diz "sou inocente". Ou mesmo toda mulher pega na cama com o amante sendo fotografada pelo detetive particular. Ela diz "não é isso que você está pensando". Por favor, não avalie posições políticas por suas propagandas enganosas, mas pelo que a história nos mostra a respeito delas. Ou seja, olhe para os fatos, não para o parangolé desonesto.

    Se já limpamos o lixo das concepções erradas sobre o esquerdismo, basta usar a lógica, suficientemente compreensível para qualquer pessoa tanto minimamente inteligente quanto intelectualmente honesta: sendo a proposição esquerdista focada em dar poderes totais ao estado, a rejeição a este tipo de proposta implica no pensamento de direita.

    Assim, conservadores, liberais e libertários são de direita. E os libertários radicais (que pregam o fim absoluto do estado) são extrema-direita, tanto quanto os seguidores de Kim Jong-Un são de extrema-esquerda.

    Melhor ainda é olhar a questão por termos pragmáticos: nossos discursos prejudicam quem tenta implementar estado inchados e interventores? Se fazem isso, estamos indo bem em nosso direitismo.

    De resto, sair dizendo "não sou de direita nem esquerda" em debates sérios (e para quem sabe o que significam esses termos) dá quase no mesmo que dizer que "não sou nem contra nem a favor do estupro" ou "creio e não creio em Deus ao mesmo tempo". Pelo menos serve como piada por algum tempo, mas piadas repetidas não tem mais graça.

    lucianoayan.com/2014/08/10/por-que-os-libertarios-queiram-ou-nao-sao-de-direita/

  29. O AI5 foi a intervenção nos Estados e Municípios e cerceamento da defesa dos cidadãos.

    Em 1968 muda-se a denominação Brasileira de Estados Unidos do Brasil para República Federativa do Brasil.

    O esquema utilizado (intervenção) foi através da abertura da terra (sítios), criação de empresas, loteamentos, muita migração.

    Cidades com suas capacidades esgotadas devido ao grande fluxo de migrantes, aumento da criminalidade, maior intervenção do estado.

    Empresários procurando mão-de-obra barata dos migrantes.

    População local afastada das empresas, as quais são utilizadas pelos migrantes e novas gerações.

    População local deve ser empreendedora, enquanto os migrantes trabalham e governam.

    População local praticamente sem direitos, gerações de imigrantes.

    Como diz o filósofo Olavo de Carvalho, no Brasil é a esquerda disputando contra outra esquerda, e a esquerda são os militares.

  30. Eclesiastes 8:9

    “Tudo isto eu tenho visto, e houve um empenho do meu coração em todo o trabalho que se tem feito debaixo do sol, durante o tempo em que homem tem dominado homem para seu prejuízo”

    O Rei de Sião nunca esteve tão certo…

  31. Eu me fiz esse questionamento de forma parecida. Durante vários meses fiz uma longa lista de todos os bens e serviços que precisei adquirir para tocar a minha vida. Levei minha consulta até onde minha memória me permitiu no passado. Desconsiderei coisas que eu não preciso para viver, mas fui obrigado a adquirir, por capricho do estado, como documentos, por exemplo. Procurei marcar, na lista, quais e quantas vezes o estado havia me fornecido de forma “gratuita” o que seria o mesmo que o retorno das contribuições compulsórias que me são impostas. Só achei um serviço de sentença judicial proferida numa contenda havida entre eu e outro agente privado. Daí vem meu neto que é um advogado tarimbado e me diz que também aquele serviço eu havia pagado através das custas judiciais. Estando ele certo então até hoje a burocracia estatal não me deu retorno algum. Tudo que necessitei para viver paguei do meu bolso e ainda paguei impostos. Em suma: fui tapeado, para não dizer roubado.

  32. e se o erro de lógica for do A? por ser escasso talvez deva ser “público”!
    ñ tenho notebook mas posso usar o público! assim o carro; outros poderão usá-lo enqto durmo ou trabalho sem ele; o mesmo vale pro sapat0 – enqto durmo outro pé 42 poderá calçá-lo, ñ? e assim por diante. sds anarcoliberais.

  33. Grande ingenuidade do autor, as favelas são os exemplos claros do que acontece quando não há estado.
    Mesmo não sendo perfeito a presença do estado dá SIM mais segurança as pessoas. Imagine não haver estado, e um grupo de pessoas armadas resolve tomar sua casa e ai você vai fazer o que?
    Sou defensor do liberalismo, mas não ingênuo a ponto de achar que não deve haver estado.

  34. Emerson Luis, um Psicologo

    Realmente, pouco ou nada precisaria ser feito pelo Estado em vez de pela iniciativa privada – ou apenas pelo Estado. Porém, para evitar mal entendidos, prefiro usar termos como “autarquia” ou “subsidiariedade” em vez do polissêmico “anarquia”.

    * * *

  35. Jamais havia pensado por este ângulo. Me interessei e irei pesquisar mais sobre este ponto de vista. No entanto, creio que o uso da passagem de Samuel não se adeque a ideia proposta. Isso porque Israel estava abrindo mão de um modelo de governo, que era o teocrático, onde eles recebiam as orientações divinas através dos profetas, juízes, etc e partindo para o modelo hierárquico, e não partindo do não estado para o estado. Ou seja, antes da hierarquização o “estado” de Israel existia porém era guiado diretamente por Deus.

  36. mas a internet foi criada pelos militares norte-americanos, não é de fato um símbolo do anarquismo, e também acho que não rola muita liberdade por causa da espionagem, mas entendi o significado.

  37. Leandro, anarcocapitalismo e mutualismo de livre mercado são a mesma coisa?

    tradutoresdedireita.org/a-esquerda-libertaria-livre-mercado-anti-capitalismo-um-ideal-desconhecido/

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