Uma
grande fatia da população genuinamente acredita que o governo é seu benfeitor,
que ele visa aos melhores interesses dela, que ele existe para protegê-la das
iniquidades e da tirania dos homens maus.
Já a outra fatia o vê como seu inimigo declarado. O problema é que, dependendo das
circunstâncias e das políticas, ambas podem trocar de lado.
Esta
espécie de mecanismo hidráulico pode ser observada no interminável debate sobre
impostos (quem paga mais impostos em relação à sua renda), sobre salário
mínimo, sobre saúde pública, sobre educação pública, sobre segurança, sobre o
combate às drogas, sobre as regulamentações etc. — você escolhe. É desta forma que o governo consegue
continuamente jogar um grupo contra o outro em um concurso de pilhagem mútua, fazendo
com que as pessoas ajam como tribos primitivas que ainda não descobriram como produzir,
comercializar e prosperar.
Este
conflito açulado pelo governo está esfacelando a civilização, criando uma batalha
épica que nenhum dos dois lados pode vencer.
O único real vitorioso nesta batalha é o próprio governo.
“Não
é que governos comecem virtuosos e terminem em pecado”, disse um astuto
observador. “Qualquer governo sempre começa protegendo alguns poucos e termina
se protegendo contra todos”.
Essas
são as palavras de Robert LeFevre, um brilhante escritor que viveu de 1911 a
1986. Ele exerceu uma enorme influência
em sua época, muito antes de estas ideias se tornaram comuns entre os mais
sábios. Ele foi capaz de enxergar as
reais intenções dos governos que recorriam a esta tática de dividir e
conquistar. Ele explicou que assistencialismo,
regulamentações e políticas monetárias inflacionistas são tão perigosos para o
desenvolvimento humano quanto guerras e imperialismo. Ele conseguiu explicar a real natureza do
estado como poucos outros conseguiram.
Seu
magistral livro The Nature of Man and His
Government foi
publicado em 1959. Vejo essa obra como a
parte dois de A Lei, de
Frédéric Bastiat.
É
absolutamente surpreendente que algo tão claro, tão profético, tão
perspicaz e ao mesmo tempo tão calmamente racional possa ter sido escrito meio
século atrás, em uma época em que a maioria das pessoas julgava o tamanho
do governo e de suas atividades como sendo bem enxuto (e de fato era, comparado
aos dias de hoje). Robert LeFevre
antecipou nossa era como poucos livros de sua época conseguiram.
LeFevre
dizia que o governo é apenas uma ferramenta e nada mais. Governos são criados por pessoas que têm medo
de alguma coisa (invasões estrangeiras, velhice, violência, doenças, segurança
de produtos etc.). Essas pessoas criam
governos na esperança de que eles irão arrefecer seus medos. Mas ocorre justamente o contrário: governos
intensificam os medos.
E
é assim porque o governo pode fazer uma coisa, e uma coisa apenas: coagir pessoas. Toda a atividade estatal, no final, se resume
a isso. O governo exerce sua coerção
criando e impingindo um número cada vez maior de leis e de regulamentações que
visam apenas a espoliar a propriedade dos cidadãos e controlar suas vidas. Quanto mais o governo age, menos dinheiro e
liberdade as pessoas têm para gerir suas próprias vidas.
No
entanto, várias pessoas negam que é isso o que ocorre. Elas imaginam o governo como sendo um meio
para se alcançar a justiça social, a paz global, a igualdade para todos, a
moralidade, a virtude, a saúde, o bem-estar, a pureza racial, a harmonia e a
prosperidade eterna. E tudo isso sem
recessões.
Claro,
nada disso jamais ocorreu na história do mundo, não importa o tanto de poder e
dinheiro que tenha sido entregue aos governos.
Mas esse fracasso é incapaz de abalar a fé das pessoas. Por quê?
Porque elas ainda não conseguiram aceitar a verdade que LeFevre explicou
neste seu pequeno livro.
E
essa verdade é a raiz da vasta quantidade de problemas econômicos e sociais que
temos hoje. Não importa quem está no poder, escreveu LeFevre, assim como não importa quem está operando a
guilhotina. O governo, a qualquer
momento e sob qualquer partido político, está fazendo justamente aquilo que
governos fazem: dividindo e conquistando a sociedade, e tolhendo os direitos e
as liberdades dos indivíduos.
O
erro primário, disse LeFevre, foi exatamente o de criar um governo.
Mas
então por que não criar um governo e colocar várias restrições às suas
ações? Ora, isso foi exatamente o que a
geração dos fundadores dos EUA fizeram ao criar a Constituição americana. Eles criaram um aparato que deliberadamente
incapacitava o governo de fazer o que quisesse.
Havia três poderes, os sistemas de elaboração de novas leis eram
extremamente complexos, e havia uma enormidade de pesos e contrapesos para
conter qualquer ímpeto autoritário e centralizador.
À
época, observadores do velho mundo riram da ideia e disseram se tratar do mais
convoluto sistema de governo que já haviam visto, um sistema que garantiria que
o governo jamais funcionasse perfeitamente.
O que eles não entenderam era que este era exatamente o objetivo.
Porém,
o que aconteceu no decorrer do tempo? O
governo americano se livrou de seus limites e restrições. E isso era totalmente previsível.
Como
disse LeFevre, o governo “é um instrumento de força e de coerção. E jamais pode haver um instrumento de força e
coerção que irá voluntária e conscientemente se restringir a si próprio. Logo, ele deve ser contido de fora. No entanto, não há nenhuma ferramenta capaz
de fazer isso. Pois qualquer tipo de
ferramenta, qualquer que seja a sua natureza — a qual foi supostamente criada
para restringir e conter o governo — irá, por sua própria natureza,
simplesmente se tornar um governo do governo.”
As
pessoas dizem que os governos atuais enlouqueceram com sua insanidade de
regulamentações e seu indecifrável arcabouço tributário. LeFevre discordaria. “Um governo que cria e impõe à força uma
infinidade de regras e códigos não está fora de sua natureza”, escreveu
ele. “Esta é exatamente a sua
natureza. É assim que governos
operam. E quanto mais tempo um governo
durar, maior será a quantidade de leis que ele irá criar. É a função de um governo criar leis e
impingi-las. Não há por que estranhar
tal comportamento.”
Tenha
em mente que isso que você lerá agora foi escrito em 1959:
Atualmente, os governos se preocupam majoritariamente não
com criminosos, mas sim com os cidadãos honestos. Cada cidadão é uma vítima das táticas
agressivas do governo . . . o cidadão médio de hoje, cercado e ofuscado pelo
governo por todos os lados, descobre que está infringindo várias leis durante o
decorrer de um só dia. E este fato faz com
que ele deixe de ser um cidadão honesto e se transforme em um cidadão
transgressor, o que o iguala a qualquer criminoso de rua que, com efeito,
transgride a lei com objetivos agressivos.
Sim,
mas e o que dizer a respeito da agressividade dos reguladores, da sanha da
Receita Federal, da perversidade dos burocratas e do total desrespeito à
privacidade pessoal e financeira dos cidadãos?
LeFevre
responde: “O governo possui um único padrão de comportamento: exigir
obediência. Seus decretos, bons, maus ou
indiferentes, são obrigatórios e impingidos à força. E os homens dentro do governo não reconhecem
nenhuma lei que não necessite ser impingida.
Se o governo adotou uma determinada política, tal política tem
necessariamente de ser aplicada, mesmo que uma determinada medida almeje a
estabilidade social e a outra, a injustiça social.”
Um
bom exemplo deste comportamento paradoxal pode ser observado na regulamentação
do setor automotivo. Um grupo de
reguladores exige que os carros sejam mais seguros. Outro grupo quer que eles consumam
menos. Os objetivos estão em conflito,
sendo até mesmo contraditórios (para o carro ser mais econômico, ele tem de ser
mais leve, o que aumenta a probabilidade de mortes em caso de acidentes). Ambos os grupos conseguiram impor suas
vontades, e os resultados foram absurdos.
Eles criaram
uma bagunça e, ao fazerem isso, destruíram as forças criativas do mercado
capazes de inventar coisas novas e melhores.
Este
é apenas um exemplo. Há milhões de
outros. Estamos cercados pelas
distorções criadas por decretos governamentais.
Em consequência, somos mais pobres, mais doentes e menos civilizados do
que seríamos sem estas distorções. E o
que é particularmente lamentável é que não há como quantificar toda esta perda,
pois o governo faz com que invenções e criações sejam ilegais em qualquer setor
que ele controle por completo.
Como
LeFevre repetidamente afirma, o governo foi criado pelas pessoas para ser uma
ferramenta. Esta ferramenta não alcançou
seu objetivo.
O governo, quando devidamente examinado, revela ser apenas
um grupo de homens falíveis, mas com o poder político para agir como se fossem
infalíveis.
E
então ele diz com otimismo: assim como ele foi criado, ele pode ser desfeito. Ele pode ser desmantelado. Ele pode ser abolido. Em vez de uma sociedade baseada na coerção,
podemos ter uma sociedade baseada no comércio e na ação voluntária. Para alcançarmos isso, precisamos apenas
fazer essa escolha.
Excelente artigo!
Artigo estupendo,pena que a maioria não acorda para esta realidade.
Prezado Leandro,
Primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelo esforço feito até então de iluminar as mentes alheias e lutar contra certos preconceitos do senso comum. Porém gostaria de saber se teria como me ajudar em uma questão acadêmica:
Sou Aluno de um curso de TI, mas como gosto de ler sobre economia, acabei me matriculando em uma disciplina de gestão de operações financeiras internacionais (nome pomposo, não? =P), para complementar horas da faculdade.Em um dado momento do curso, o professor mencionou sobre a variação cambial, e dos “por que” o governo comprava e vendia dólares. E num determinado momento, comentou que a pior coisa que poderia acontecer era a deflação(mas nao disso o por que seria ruim). Nessa altura da aula, os alunos começaram a questionar qual seria então o cenário ideal para ele, que respondeu com:
“O cenário ideal seria de uma pequena inflação com um crescimento econômico maior que a inflação.”
Isso me doeu os ouvidos, e também fez perder um pouco a consideração que eu tinha pelo professor…rs. O problema foi que, eu tentei argumentar, partindo do princípio do conceito de inflação, aumento da quantidade da moeda no mercado, o qual ele concordou, perguntando como que a perda do poder aquisitivo seria benéfico para a população. Então ele simplesmente repetiu o que a mídia governista vive falando, que o poder aquisitivo aumentou nos últimos anos sim, que milhões de pessoas saíram da miséria, bla bla bla wiskas sache. Comentei brevemente que o que aconteceu foi apenas uma política assistencialista eleitoreira, aliada a uma quase desenfrada expansão de crédito..mas foi em vão….era a palavra de um aluno de TI contra a de um Professor Pós Graduado na àrea financeira…=/….Então eu gostaria muito de saber, se poracaso xistem dados de fontes governamentais, que possam corroborar com a alegação de que nao houve um aumento expressivo no poder aquisitivo do brasileiro, e sim um aumento da propaganda governamental…
Leandro,
Acerta o ponto em: “Claro, nada disso jamais ocorreu na história do mundo, não importa o tanto de poder e dinheiro que tenha sido entregue aos governo.s”
Sugestão: “Este é apenas um exemplo. Há milhões de outros. Estamos cercados pelas distorções criadas por decretos governamentais. Em consequência, somos mais pobres, mais doentes e menos civilizados do que seríamos sem estas distorções. E o que é particularmente lamentável é que não há como quantificar toda esta perda, pois o governo faz com que invenções e criações sejam ilegais em qualquer setor que ele controle por completo.”. A ideia é fazer alguns artigos explicitando alguns ou vários outros exemplos (o negócio dos carros parecerem os mesmos da cnet são um arraso) de como o governo na verdade atrapalha o desenvolvimento.
Abraços
Sem vivêssemos numa sociedade cristã e trabalhadora, até eu defenderia o libertarianismo. Por exemplo: liberar as drogas, entre um povo decente e trabalhador, é possível liberar até o crack que as pessoas não vão querer usar. Como disse o John Adams, um dos pais fundadores dos EUA minarquista: “Our Constitution was made only for a moral and religious people. It is wholly inadequate to the government of any other.”
Falar que inflação é coisa boa é ser extremamente ingenuo, pois amanhã teremos que compro nossos produtos de 1ª necessidade sempre com preços aumentados, por isso, acho que só pessoas distraidas que falam sem pensar ou saber do assunto. Mas isto, pode ser desculpado. O cumulo é o Presidente da maior economia do mundo dizer que o mercado livre não funciona e nunca funcionou. Procurem o artigo do professor James Etteson,j do Manhatan Institute, ” An audacious promise: the moral case for capitalism” para quem sabe ingles, para os que não sabem fiz uma tradução de amador. Se alguem quiser ler:
Uma promessa audaciosa: o caso moral para o capitalismo
James R. Otteson
PDF
PODCAST (existe)
James Otteson e Howard Husock, vice-presidente de pesquisa de políticas do Instituto Manhattan, discutir o caso moral para o capitalismo.
“O mercado vai cuidar de tudo”, dizem-nos …. Mas aqui está o problema: ele não funciona. Ele nunca funcionou. Não funcionou quando foi experimentado na década (1920-1930) antes da Grande Depressão. Não foi o mercado que produziu os progressos incríveis do pós-guerra dos anos 50 e 60. E não funcionou quando foi experimentado durante a última década. Quer dizer, compreendam , não é o mesmo que dizer que esta teoria nunca foi experimentada.
Palavras proferidas pelo Presidente Barack Obama, Osawatomie, Kansas, 06 de dezembro de 2011*
Vejam só que este presidente é anti-mercado, anti-business, anti-iniciariva privada, anti-individualismo, ou seja é socialista, estatista, segue a teoria de Keynes que é um puro socialismo disfarçado.
Milton Friedman disse uma vez que toda vez que o capitalismo foi experimentado teve exito, e que toda vez o que socialismo foi experimentado, ele falhou. No entanto, o presidente Obama afirmou extravagantemente que tentamos o capitalismo de livre mercado, e ” êle nunca funcionou.” Isso é uma afirmação digna nota: observem bem;
Desde 1800, a população mundial aumentou seis vezes (6x), no entanto, apesar deste enorme aumento, a renda real per capita aumentou cerca de 16 vezes! Isto é algo verdadeiramente surpreendente!
Na América, o aumento é ainda mais dramático: em 1800, a população total da América foi de 5,3 milhões, a expectativa de vida era de 39, e o produto interno bruto per capita foi de 1.343 dólares (em dólares 2010 ), em 2011, nossa população era 308 milhões, nossa expectativa de vida era de 78, e nosso PIB per capita foi de 48.800 dólares. Assim, mesmo enquanto a população aumentou 58 vezes, nossa expectativa de vida duplicou, e nosso PIB per capita aumentou quase 36 vezes. Esse crescimento é sem precedentes na história da humanidade. Considerando que a renda per capita mundial real, para os 99,9 por cento anterior dos seres humanos atingiu em média cerca de US $ 1 por dia, a afirmação é extraordinária.
O que explica isso? Parece que é devido, principalmente, ao complexo de instituições geralmente incluídos sob o termo “capitalismo”, já que a principal coisa que mudou entre os ultimos 200 anos e os 100 mil anos anteriores da história humana foi a introdução e aceitação das chamadas "instituições capitalistas" , particularmente, do respeito à propriedade privada e a não intervenção nos mercados. Uma promessa central do capitalismo tem sido a de que ele leva a uma prosperidade material crescente. Parece justo dizer que esta promessa, pelo menos, foi cumprido além imaginação de qualquer pessoa. No entanto, as pessoas continuam desconfiados do capitalismo; e mais do que apenas uma desconfiança, um movimento real: Ocupai Wall Street é apenas o mais recente acontecimento ocorrido. Parece que estamos prontos para acusar o capitalismo para muitos ou para todos os nossos problemas sociais. Por quê?
Um consenso generalizado é de que o capitalismo é melhor instrumento produção de bens e serviços, mas falha como fator moral. Por outro lado, o socialismo, embora não consiga ser eficiente na produção, é moralmente superior como se pudéssemos viver seus ideais e promessas. Duas principais acusações normalmente dirigidos contra o capitalismo são que: ele gera desigualdade, permitindo que algumas pessoas ficarem mais ricos do que outros, e que isto ameace a solidariedade social, permitindo que indivíduos alguns privilégios em suas comunidades. Outras acusações incluem: encoraja o egoísmo ou a "ganância"; que “atomiza” indivíduos ou “aliena” (expressão de Marx) as pessoas umas das outras; que explora os recursos naturais ou a natureza; que empobrece países do terceiro mundo, e que desumaniza as pessoas, porque a contínua busca de lucro reduz tudo, incluindo os seres humanos, aos odiosos cálculos de dólares e centavos.
A lista de acusações contra o capitalismo é longa. Mas algumas das acusações não são tão fortes como se poderia supor. Tome então, a comunidade. O capitalismo nos dá incentivos ao comércio e associar com pessoas de fora nossa comunidade local, até mesmo pessoas completamente estranhas, não na base do nosso amor ou cuidado por eles, mas por nosso amor-próprio e nosso auto interesse. Assim, o capitalismo permite às pessoas escapar dos limites de suas comunidades locais. Mas isso é ruim? O capitalismo cria oportunidades para as pessoas comerciarem,fazer trocas mutuas, associarem-se, colaborar , cooperar e compartilhar bens, ideias e serviços bem como aprender com as pessoas, não só dentro da comunidade, mas o mundo inteiro, até mesmo mesmo com pessoas que falam línguas diferentes, usam roupas diferentes , comem alimentos diferentes, e adoram deuses diferentes, e que nem conhecem umas as outras. As características sociais que em outros tempos e em diferentes instituições levaria a conflitos, até mesmo violentos, conflitos sangrentos, tornam-se, sob o capitalismo coisa irrelevante e, portanto, já não de discórdia. Os capitalistas são só comerciantes e adoram a paz. A guerra é indesejada para o capitalista e para o mecanismo do mercado, pois atrapalham os seus negocios. O capitalismo incentiva as pessoas a ver os que estão fora de suas comunidades não como ameaças, mas como oportunidades. Isso nos dá um incentivo a olhar além de nossos estreitas associações paroquiais e de maneira ampla que de outra forma não seria possível. Logo o capitalismo é universal, pacifico, composto de comerciantes amantes da paz e contra a guerra. Quem provoca as guerras são os grandes governos.
O capitalismo, portanto, não leva a nenhum isolamento da comunidade, mas sim para as comunidade diferentemente configuradas. Considere esta passagem notável de Adam Smith, 1776 A Riqueza das Nações:
O casaco de lã, por exemplo, que abrange o trabalhador diarista, quão grosseiro e rude possa parecer, é o produto do trabalho conjunto de uma grande multidão de trabalhadores. O pastor, o classificador da lã, o cardador, o tintureiro, o escrevinhador, o fiador, o tecelão, tudo que se use na confecção do casaco, etc. Além disso a colaboração de muitos comerciantes e transportadores, mas também, os produtos devem ter sido empregado no transporte dos materiais de alguns desses trabalhadores para outros operários que muitas vezes vivem em uma parte muito distante do país ou em outros países distantes. Quanto comércio e navegação em particular, quantos construtores de navios, marinheiros, fabricantes de velas, fabricantes de cordas, deve ter sido empregados, a fim de reunir as diferentes produtos de que faz uso o tintureiro, que muitas vezes vêm dos mais remotos cantos do mundo! Também uma variedade de trabalho é necessário para produzir as ferramentas para o mais humilde dos operários! … Se examinarmos, todas essas coisas, e considerar que uma variedade de trabalho foi empregada por cada um deles, devemos ser sensatos em admitir, que sem a ajuda e cooperação de muitos milhares de pessoas, mesmo das mais humildes de cada país civilizado, os produtos não poderiam ser fornecido, mesmo de acordo com o que muito falsamente se imagina da maneira fácil e simples, em que eles são comumente fornecidos.
Esta é uma celebração para Smith. Ela representa não a independência total exigida no século XVIII, pelo filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, que imaginou um tipo de existência solitária orangotango-simile, como o ideal para os seres humanos, mas também não é o atomismo que alguns críticos do capitalismo afirmam. Ele contempla um conjunto de instituições sociais que nos permite transcender os limites dos instintos nosso pequeno grupo envolvendo-se em cooperação distantes. Se estivéssemos em vez de restringir a cooperação apenas às trocas que poderiam ser baseados pessoas conhecidas e trocas afetivas, a perda de ganhos neste comércio restrito estariam reduzindo drasticamente o nosso padrão de vida, fazendo-nos regredir de forma constante ao status quo ante da existência humana- ou seja, US $ 1 por dia. Em contraste, o processo de mercado nos permitem “servir” um outro mesmo quando não amamos um ao outro, mesmo quando não sabemos de sua existência. Isso implica uma interdependência generalizada, que é extensa, profunda e penetrante e real, se diferentes tipos de comunidade. Não existe atomismo.
E a desigualdade? O capitalismo permite, e talvez até mesmo exige a desigualdade. Ora os talentos , habilidades, valores, desejos e preferências das pessoas variam isto é são diferentes e, por maior eficiência ou por pura sorte, algumas pessoas serão capazes de gerar mais riqueza em um sistema de livre iniciativa do que outras; o que irá resultar desigualdade . Mas não está claro que devemos nos preocupar com isso. Mesmo numa mesma família a desigualdade é uma regra, os filhos são completamente diferentes mesmo criados do mesmo jeito.
Considere-se primeiro que as trocas voluntárias que ocorrem no sistema de livre iniciativa são de soma positiva, e não de soma zero. Significando não que uma pessoa só se beneficia à custa dos outros, mas sim que todas as partes se beneficiam numa transação de livre comercio. Se você e eu concordamos que eu vou completar uma tarefa para você por US $ 100, isto significa que eu valorizo ??mais os 100 dólares do que o trabalho e outras oportunidades abandonados que me custa, e você valoriza a tarefa concluída mais que os US $ 100 que lhe custa . Que voluntariamente fechar um acordo significa que ambos se beneficiam, cada um de acordo com sua respectiva escala de valores. O que o capitalismo propõe é expandir as fronteiras da possibilidade de tais transações mutuamente benéficas para que mais e mais pessoas podem trabalhar juntos das mais diferentes maneiras . Esta crescente cooperação significa benefício crescente, de formas novas, imprevisíveis, e sim, desigual mas, no entanto substancial.
Mesmo que nem todos fiquem ricos com a mesma velocidade, todos nós ainda ficamos mais ricos. Para sentir a importância deste ponto, pergunte a si mesmo: Se você pudesse resolver apenas um problema social: a desigualdade ou a pobreza, qual você escolheria? Ou suponha que a única maneira de combater a pobreza seria permitir que a desigualdade. Será que você permitiria isto? Este parece ser um questão que quase exige pouco raciocínio para decidir : a pobreza é um fator muito maior na miséria humana que é a desigualdade. Se pudéssemos conseguir firmemente que menos pessoas sofressem devido a pobreza severa, o que não é algo para não se deixar de pensar, mesmo se ela acontecesse com desigualdade? Esta parece ser a posição em que nos encontramos. A única maneira que descobrimos para retirar as pessoas da pobreza são as instituições do capitalismo, e as instituições do capitalismo permitem a desigualdade. Manter as pessoas na pobreza parece um preço muito alto a pagar a serviço da igualdade. Somos tentados a dizer que só uma pessoa que nunca experimentou a pobreza poderia pensar diferente.
Considere que permitir que essas desigualdades, na verdade, reflete o respeito pela dignidade individual. Em uma famosa passagem de A Riqueza das Nações, Smith escreve: “Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da consideração dele com seu próprio interesse. Dirigimo-nos, não à sua humanidade, mas ao seu amor-próprio, e nunca devemos falar com eles de nossas próprias necessidades, mas das próprias vantagens. “Alguns leem e interpretam como egoísmo. Mas Smith viu na dinâmica destas trocas não egoísmo, mas respeito. Talvez isso soa absurdo, mas considerem estas suposições em tais negociações. Cada pessoa está dizendo para o outro: “Eu entendo que você é quem conduz a sua vida , e em vez de tentar comparar a sua escala de valores com a minha, eu vou respeitar e reconhecer a sua escala de valores. Assim sem 2ª intenções ou questionamentos, em vez disso, proponho que nós consideremos uns aos outros como parceiros e cooperadores “Essa é uma maneira surpreendentemente profunda a respeitar os outros.. Considere, por outro lado, a suposição em que queremos impedir os outros de cooperação mutuamente voluntária: E diríamos: Nós não acreditamos que você é competente para conduzir a sua própria vida, então vamos fazer isso por você” Isso pode ser um bom caminho para tratar crianças ou pessoas mentalmente enfermas, e os irresponsáveis, mas é uma maneira humilhante e vergonhosa para tratar adultos e é inaceitável para um povo livre.
Smith escreveu: “Exige-se pouco para conduzir um país para o mais alto grau de opulência partindo da barbárie: só a paz, impostos simples (baixos) e uma administração tolerável da justiça: todo o resto será trazida pelo curso natural das coisas. Todos os governos que impedem o curso natural, que forçam as coisas em outro sentido ou que se esforçam para deter o progresso da sociedade em um ponto específico, não são naturais, e para se sustentar são obrigados a serem opressivos e tirânicos “.
Há uma profunda naturalidade, como Smith chamou, no “sistema óbvio e simples da liberdade natural” que ele imaginava. Se tivermos uma “administração tolerável da justiça” e que sejamos protegidos de agressão internacional e também doméstica, e se proporcionando poucos serviços públicos (estradas, canais, ensino fundamental) que sejam oferecidos naquela área geográfica, e por detrás desse conjunto: a “mão invisível”, motivada por desejo das pessoas de melhorar sua própria condição e guiada pela liberdade de explorar o seu conhecimento próprio, bem como a responsabilidade de enfrentar as consequências de suas próprias decisões, vai gerar prosperidade, conduzindo, de acordo com Smith, a “abundância geral” e “opulência universal. “Isso foi uma promessa audaciosa, e o fato de que ela parece ter sido cumprida nesses lugares no mundo que tenham adotado estas instituições smithianas ao longo dos últimos dois séculos é uma demonstração notável de que o modelo de Adam Smith para não mencionar um grande benefício a aqueles suficiente afortunados de viver nesses locais.
O sucesso do capitalismo em suas metas tem sido tão enorme e sem precedentes que poderia facilmente pensar que isso é tudo o que pode ser dito em seu nome. Resgatando centenas de milhões de pessoas da pobreza severa é, no entanto, nada desprezível, e nada de achar que caiu do ceu . O resto da história humana tem nos mostrado o quão desagradável, pobre e brutal é o padrão da vida humana, mesmo no século XX, idade do iluminismo democrático, foi demonstrado a rapidez com que a civilização pode se transformar em barbárie**. Paz, Estado de Direito e as normas constante aumento do padrão de vida são a exceção, não a regra, e as instituições que os defendem são frágeis e necessitam de manutenção constante e cuidado.
Mas o capitalismo é parte de um conjunto maior de instituições sociais que tem outra justificativa por si mesmo do que a prosperidade material crescente, tão importante quanto ela é. E essa é a sua presunção de dignidade e da preciosidade de cada indivíduo e do respeito, que ele requer. O capitalismo pressupõe que cada um de nós é um agente moral livre, capaz de conduzir sua própria vida, de manter a cabeça erguida, não pedindo licença ou permissão antes de agir, que não está sujeito à correção de seus superiores: um cidadão, não um súdito. O capitalismo não supõe que os homens são infalíveis, pelo contrário, é porque ninguém é infalível de que o capitalismo nega qualquer um de nós a autoridade absoluta sobre a vida dos outros. Ele assume apenas que, como agentes morais livres, cada um de nós tem autoridade sobre si mesmo e que cada um de nós é soberano sobre sua própria vida.
O capitalismo, por outro lado, não supõe que os homens são átomos, isoladas e desconectados dos outros. Como Adam Smith escreveu: “Na sociedade civilizada o homem necessita em todos os momentos da cooperação e assistência de grandes multidões” e ” o homem tem oportunidades constante para a ajuda de semelhantes ” No entanto, Smith também escreveu que ” toda a vida dos homens é um intervalo insuficiente para ganhar a amizade de poucas pessoas. “Nós não podemos depender, portanto, dos laços pessoais de ternura, carinho, ou de amizade e ainda esperar viver acima dos níveis de subsistência.
O que o sistema de livre-empresa de Smith, “sistema óbvio e simples da liberdade natural”, propõe, então, é a adoção de tais instituições políticas e econômicas que conseguem combinar não um, mas dois grandes imperativos morais: permitir que as pessoas tenham a oportunidade de subir de uma existência empobrecida que parece ser a condição miserável da humanidade, que é seu atual status quo, e o respeito as pessoas como indivíduos insubstituíveis e preciosos que são. Esse é um conjunto sublime de prosperidade material e condição moral, o que nenhum outro sistema de economia política já exibiu, muito menos alcançou.
O capitalismo não é perfeito. Mas nenhum sistema criado por seres humanos o é, nem nunca será, perfeito. O máximo que podemos esperar é constante melhoria gradual. Para este fim, devemos examinar honestamente as perspectivas dos sistemas disponíveis de economia política. Os benefícios da sociedade da livre iniciativa são enormes e sem precedentes, eles significaram a diferença entre a vida e a morte para centenas de milhões de pessoas e tem proporcionado uma dignidade às populações que de outra forma seriam esquecidos. Devemos desejar estender esses benefícios, em vez de restringi-los.
Seria muito fácil para nós, entre as pessoas mais ricas que já viveram, em um dos lugares mais ricos do planeta, desdenhar as instituições que nos permitiram escapar das restrições da pobreza e da falta de respeito que têm atormentado a humanidade na grande maioria de sua existência. Nosso crime hoje, no entanto, não se encontram em nossas desigualdades, mas sim em nossa recusa em apoiar as instituições que dão a humanidade a única esperança que ela já conheceu de subir de seu estado natural de pobreza. As grandes e preciosas bênçãos da liberdade e da prosperidade que nós americanos desfrutamos, e que para alguns ainda não o suficiente, e que outros ao redor do mundo também têm experimentaram, merecem algo melhor.
James R. Otteson é Professor Adjunto de filosofia e economia, e presidente do Departamento de Filosofia, da Universidade Yeshiva, em Nova York.
*Palavras proferidas pelo Presidente Barack Obama, Osawatomie, Kansas, 06 de dezembro de 2011
Vejam só que este presidente formado em Harvard, é anti-mercado, anti-business, anti iniciariva privada, anti-individualismo, ou seja é socialista, estatista, segue a teoria de Keynes que é um socialismo disfarçado. Vejam que em outras partes do mundo també existe politicos pouco letrados, isto é ignorantes ou mal intencionados, que chegam a governar nações consideradas avançadas.
**(Os cemiterios de Stalin, Mao, Cuba, Camboja, Holocausto e outros chefes de governo que acumulam grandes poderes).
Traduzido pelo amador em libertarianismo e em inglês: Dam Herzog.