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Os EUA aderem à maconha, mas não completamente

A
única coisa boa das eleições de 2012 nos EUA — além do fato de tudo ter
finalmente acabado — foi que elas trouxeram grandes avanços no que concerne às
políticas estatais em relação à maconha. 
A maconha foi legalizada em
dois estados: Colorado e Washington.  Uma
legislação para o uso medicinal da
maconha foi aprovada em
Massachusetts.  A
maconha foi descriminalizada em
várias grandes cidades de Michigan, e a cidade de Burlington, Vermont, aprovou
uma resolução que diz que a maconha deve ser legalizada.  As únicas derrotas ocorreram no estado do
Oregon, que não aprovou a legalização, e no Arkansas, que não aprovou o uso da
maconha para fins medicinais.

Tais
eventos representam uma estupefaciente reviravolta em relação às eleições de
2010, quando a Proposição 19 na Califórnia não foi aprovada pelos eleitores,
não obstante as altas expectativas. 
Expliquei em detalhes por que a Proposição 19 fracassou neste artigo.  Foi uma bizarra coalizão entre Batistas, isto
é, pessoas que se opõem ao uso da maconha, e contrabandistas, isto é, pessoas
que obtêm altos lucros com a venda da maconha no mercado negro e que, por
motivos óbvios, querem que tudo continue como está.  Ambos agiram em conjunto para acabar com os
esforços de legalização.

Com
relação às vitórias da legalização nos estados do Colorado e de Washington, Tom
Angell, presidente da LEAP (Law Enforcement Against Prohibition, entidade pró-legalização formada por
policiais na ativa e aposentados) disse que a eleição foi uma “noite histórica
para os reformadores das leis antidrogas”. 
Paul Armentano, diretor adjunto da NORML (National Organization
for the Reform of Marijuana Laws
, entidade que defende que o uso responsável da cannabis por adultos não esteja sujeito
a penalidades), afirmou que as vitórias em Colorado e Washington foram “de
significância extrema”, e observou que “ambas as medidas fornecem a adultos
consumidores de cannabis proteções
legais sem precedentes”.  Ele também
notou que, “até hoje, nenhum estado na história moderna havia classificado a
própria cannabis como um produto
lícito que pode ser legalmente possuído e consumido por adultos.”  Escrevendo para o Marijuana Policy
Project
(entidade que defende
a regulação e a tributação da venda e da posse de maconha de maneira similar à
do álcool
), Robert
Capecchi disse que as vitória no Colorado e em Washington foram “históricas”,
acrescentando que elas “representam os primeiros tijolos a serem derrubados do
muro de proibição à maconha”.

A
seguir, uma lista fornecida pela LEAP de todas as medidas
relacionadas à maconha nas eleições de 2012:

Colorado

Legalização da maconha

Aprovado

Washington

Legalização da maconha

Aprovado

Oregon

Legalização da maconha

Reprovado

Massachusetts

Maconha para fins medicinais

Aprovado

Arkansas

Maconha para fins medicinais

Reprovado

Detroit, MI

Descriminalização da posse de maconha por adultos

Aprovado

Flint, MI

Descriminalização da posse de maconha por adultos

Aprovado

Ypsilanti, MI

Maconha deve ser a menor das prioridades das
autoridades

Aprovado

Grand Rapids, MI

Descriminalização da posse de maconha por adultos

Aprovado

Kalamazoo, MI

Autorizadas três farmácias para a venda de maconha
para fins medicinais na cidade

Aprovado

Burlington, VT

Recomendação de que a maconha seja legalizada

Aprovado

Montana

Referendo restringindo o uso da maconha para fins
medicinais

Provavelmente será aprovado

Alguns
leitores podem compreensivelmente não se sentir muito estimulados quanto aos
prospectos da legalização, descriminalização e uso da maconha para fins
médicos, mas os benefícios são maiores do que se pode imaginar a
princípio.  Em primeiro lugar, a crise
econômica é uma grande oportunidade para fazer com que este tipo de reforma
seja aprovado.  Há várias dimensões
econômicas atuando nesta questão.  A mais
óbvia de todas é que os governos estão sedentos por receitas, e a legalização
da maconha pode ser uma fonte atrativa para os governos, tanto em termos de
impostos indiretos quanto em termos de taxas de permissão.  A legalização da maconha seria também uma fonte
de empregos, embora o ganho líquido em termos de postos de trabalho e renda
provavelmente seria pequeno de início.

Um
grande benefício seria uma redução no escopo do governo.  A proibição da maconha resulta em centenas de
milhares de pessoas sendo presas, bem como em um enorme desperdício das
atividades do efetivo policial.  Em vez
de proteger os cidadãos nas ruas, a polícia é utilizada para fazer batidas e
encarcerar indivíduos pelo “crime” de estar em posse de uma planta natural.  Tribunais e penitenciárias ficam
desnecessariamente lotados em consequência desta irracionalidade.  Quando a cidade da Filadélfia
tomou a decisão
de que o combate à maconha teria uma baixa prioridade e que
a posse seria tratada como sendo mera intoxicação (multa de US$200), a
prefeitura acabou poupando US$2 milhões logo no primeiro ano.

Uma
das mais importantes benfeitorias destas medidas é que elas possibilitam uma
sociedade mais livre no sentido misesiano. 
A proibição da maconha é uma violência estatal contra o indivíduo, além
de ser um preconceito e uma discriminação. 
Legalização de substâncias e liberalismo significam propriedade privada
e tolerância pública.  Como escreveu
Ludwig von Mises,

O ensinamento essencial do liberalismo é que a cooperação
social e a divisão do trabalho somente podem ser alcançados em um sistema em
que haja propriedade privada dos meios de produção, isto é, dentro de uma
sociedade de mercado, também chamada de capitalismo.  Todos os outros princípios do liberalismo,
como a liberdade pessoal do indivíduo, a liberdade de expressão e de imprensa,
a tolerância religiosa, e a paz entre as nações são consequências deste
postulado básico.  Tais princípios podem
ser concretizados somente em uma sociedade baseada na propriedade privada. (Omnipotent
Government
, p. 48)

O
elemento essencial, em termos econômicos, é que mais liberdade é algo positivo
para empreendimentos, empregos e prosperidade. 
A legalização da maconha, assim como a união civil entre pessoas do
mesmo sexo, pode ser algo à primeira vista pavoroso para algumas pessoas;
porém, quando empresas estão fazendo pesquisas para iniciar um empreendimento
ou para estabelecer novas operações, estas são algumas das coisas que elas
levam em consideração, assim como impostos, escolas, criminalidade etc.  Estados que estão competindo para atrair as
melhores empresas que oferecem os melhores salários são os mesmo estados que
estão liberalizando suas políticas.

Sendo
assim, não deveria ser surpresa alguma o fato de um estado como Washington
ter legalizado a maconha
sem nunca ter apresentado um histórico de ativismo
em prol da legalização.  Afinal, o estado
de Washington tem de concorrer com outros estados por mão-de-obra qualificada
— como engenheiros, técnicos e programadores de computadores — para as
empresas sediadas em seu território, como a Boeing e a Microsoft.  Não se surpreenda caso o que o ocorreu em
Colorado e Washington se espalhe para os outros estados americanos nas próximas
eleições.

O
mais importante aspecto das vitórias no Colorado e em Washington foi que as
pessoas desses estados se mantiverem firmes e manifestaram sua oposição ao
governo federal e sua política autoritária de proibição da maconha.  Elas estão ordenando aos seus governos estaduais
para que não mais cooperem com o governo federal.  Pode apostar que funcionários públicos
federais tentarão intimidar empresas e funcionários municipais, como já fizeram
na Califórnia
.  Eles tentarão
utilizar de violência e medo para manter seu poder.

No
entanto, em termos demográficos e ideológicos, eles estão lutando uma batalha
que não podem vencer.  Defensores da
legalização são mais jovens, mais espertos, mais bem educados, e possuem renda
acima da média nacional.  Os líderes dos
movimentos reformistas não parecem encarar seus esforços como sendo
“pró-maconha”, mas sim como antiproibição, e eles sabem das consequências benéficas
em termos de segurança pública, saúde e prosperidade.

Quando
meu livro The
Economics of Prohibition
foi publicado 20 anos atrás,
frequentemente me perguntavam se a maconha seria ou deveria ser
legalizada.  Minha resposta de sempre era
que a maconha para fins medicinais começaria a ser legalizada dentro de 10 anos
e que a maconha para uso individual começaria a ser legalizada dentro de 20
anos, provavelmente durante uma crise econômica.  Minha única previsão escrita foi que o
processo de reforma começaria por volta da virada do século.  E a primeira reforma foi de fato uma lei
sobre o uso medicinal da maconha, aprovada na Califórnia em 1996.

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156 comentários em “Os EUA aderem à maconha, mas não completamente”

  1. Para quem não é consumidor do produto em questão, só posso dizer que a legalização veio tarde demais. Se essa medida tivesse sido tomada quinze anos atrás, teríamos a chance de ver uma propaganda com o Marlboro Man de dreadlocks e ouvindo Bob Marley enquanto puxa o seu baseado Philip Morris.

  2. A legalização da maconha está sendo um grave erro. Pesquisas mais recentes provam que a droga provoca sérios danos no cérebro de quem a consome. Gerações inteiras podem ser devastadas e as possiveis vantagens econômicas seriam muito mais superadas pelos prejuizos a saúde dos usuários com enormes gastos com tratamentos.

  3. No curto prazo a economia ganha, mas no médio e principalmente no LONGO PRAZO a economia PERDE e a sociedade entre em colapso.

    Ética é um dos pilares da livre economia.

    O comentário ou argumento que indivíduos mais qualificados ou estudados são mais propícios as drogas e uma forma distorcida de ver o saber acadêmico e intelectual.

    Todo usuário de crack, cocaína e heroína começa usando maconha.

  4. O FBI ainda pode atuar nestes estados contra o uso da maconha?

    Se o governo federal editar uma lei contra o uso da maconha, qual lei prevalece neste tipo de federalismo: a estadual ou a federal? Não conheço a legislação norte-americana…

    Grato pelas respostas!

  5. Os liberais deviam pensar dez vezes antes de comemorar isso.
    Claro que se o demente quiser matar seus neurônios isso é problema dele, só que essa liberação aí não tem nada a ver com isso, nem com PNA, nem com Milton Friedman nem nada.
    Isso daí só mostra a força da geração Obama, fale pra qualquer demente desses sobre estado mínimo e ele te olha como um monstro insensível que quer que os pobres morram.
    Ou seja, vitória da propaganda de lixo liberal(liberal = esquerda de lá) como Bill Maher e cia

  6. “”Foi uma bizarra coalizão entre Batistas, isto é, pessoas que se opõem ao uso da maconha, e contrabandistas, isto é, pessoas que obtêm altos lucros com a venda da maconha no mercado negro e que, por motivos óbvios, querem que tudo continue como está. Ambos agiram em conjunto para acabar com os esforços de legalização.””

    No texto acima o Autor do Artigo afirma que houve uma coalizão entre BATISTAS ( só membro desta igreja no Brasil e CONTRABANDISTAS (traficantes,mas o autor quis amenizar os criminosos que vendem drogas chamando-os de “contrabandistas”.

    Agora eu quero as PROVAS deste autor de que houve realmente uma COALIZÂO entre Batistas e traficantes. Mostre as evidências,os acordos,encontros,fotos,noticias,tudo mais.
    Está tão estranha,impensável e inimáginavel Aliança,concluo ou união entre os religiosos e traficantes e só neste Artigo fico sabendo do ocorrido.

    No dicionário a palavra Coalização significa:Aliança tática entre partidos, ou potências, ou classes sociais etc., visando a um objetivo comum.

    Sinônimos de Coalizão

    Sinônimo de coalizão: acordo, aliança, confederação e liga http://www.dicio.com.br/coalizao/

    Agora gostaria que os Editores deste Blog,mises.org.br me explicasse,bem explicadinho como foi essa “COALIZÂO ENTRE BATISTAS E TRAFICANTES”.

    Umas das coisas que os que lutam pela legalização e discriminação das drogas fazem é :mentir,mentir,mentir,enganar,enganar,enganar………..

    Vai ver o que tem de verdade no que este povo fala ? O artigo está cheio de argumentos,análises,pontos favoráveis a favor da liberação da maconha. Agora vamos ver como a “coisa” é na realidade ?
    O que tem de mentira,enganação,falsas premissas,falsos argumentos,etc é coisa deste mundo.
    A maior prova de que maconha não presta que já vi foi ver muito maconheiro indo rapidinho lá para “cidade dos pés juntos,o Cemitério”.

    A “Causa Mortis” foi á maconha. Vocês iriam argumentar que todo mundo morre,então, os maconheiros morrerão como todo mundo. Mas ! Maconheiros morrem de maconha principalmente.

    Que tal os senhores pedirem explicações ao autor do texto; Mark Thornton Ele deve ter muito em que dizer desta tão estranha “Coligação” entre Batistas e traficantes.

  7. Uma pergunta: o álcool e o cigarro fazem um pai acorrentar o seu próprio filho para que ele não venda a casa toda para comprar drogas? Ora, é um equívoco vocês compararem as drogas lícitas com as atuais ilícitas, pois há um motivo muito forte para que essas drogas sejam proibidas. Aliás, eu sei que cocaína e crack não são derivados da maconha, porém é notório que a maconha vai perdendo o efeito ao longo do tempo e estimula cada vez mais o uso de outros tipos de drogas mais fortes, sendo por isso que dizem que é a porta de entrada.

  8. POR QUE NÃO SOU LIBERAL
    Por Olavo de Carvalho

    Há muitos motivos para você ser contra o socialismo, mas entre eles há dois que são conflitantes entre si: você tem de escolher. Ou você gosta da liberdade de mercado porque ela promove o Estado de direito, ou gosta do Estado de direito porque ele promove a liberdade de mercado. No primeiro caso, você é um "conservador"; no segundo, é um "liberal".

    Durante algum tempo, você não sente a diferença. Quando a direita é ainda incipiente, nebulosa e sem forma, liberais e conservadores permanecem numa gostosa promiscuidade, fundidos na ojeriza comum ao estatismo esquerdista. Tão logo a luta contra o esquerdismo exige uma definição doutrinal mais precisa, a diferença aparece: ou você fundamenta o Estado de direito numa concepção tradicional da dignidade humana, ou você o reinventa segundo o modelo do mercado, onde o direito às preferências arbitrárias só é limitado por um contrato de compra e venda livremente negociado entre as partes. Nos dois casos você quer a liberdade, mas no primeiro o fundamento dela é "material", isto é, definido por valores e princípios explícitos, no segundo é "formal", isto é, definido por uma equação contratual cujo conteúdo está aberto à escolha dos interessados.

    Se você é um conservador, você acha que um cidadão não tem o direito de contratar outro para matá-lo (muito menos para matar um terceiro), porque a vida é um dom sagrado que não pode ser negociado. Mas, para o liberal, nada existe de mais sagrado que o direito de comprar e vender – a própria vida inclusive: se você acha que sua vida está um saco e quer contratar um profissional para dar cabo dela, nem o Estado nem a Igreja têm o direito de dar nisso o menor palpite. Já se quem está enchendo o saco é o seu bebê anencéfalo, a sua avó senil ou o seu tio esquizofrênico, eles não têm capacidade contratante, mas você tem: caso tenha também o dinheiro para pagar uma injeção letal e o enfermeiro para aplicá-la, nada poderá impedir que os três chatos sejam retirados do mercado mediante os serviços desse profissional. Curiosamente, não conheço um só liberal que atine com a identidade essencial de contratar um enfermeiro para dar uma injeção nos desgraçados, um pistoleiro para lhes estourar os miolos ou uma motoniveladora para reduzi-los ao estado bidimensional. Quando dizem que consideram a primeira alternativa mais "humana", não percebem que estão apelando a um argumento conservador e limitando abominavelmente a liberdade de mercado.

    O conservadorismo é a arte de expandir e fortalecer a aplicação dos princípios morais e humanitários tradicionais por meio dos recursos formidáveis criados pela economia de mercado. O liberalismo é a firme decisão de submeter tudo aos critérios do mercado, inclusive os valores morais e humanitários. O conservadorismo é a civilização judaico-cristã elevada à potência da grande economia capitalista consolidada em Estado de direito. O liberalismo é um momento do processo revolucionário que, por meio do capitalismo, acaba dissolvendo no mercado a herança da civilização judaico-cristã e o Estado de direito.

  9. já sou a favor de liberar TODAS as drogas.
    pra mim, o número de usuários cairia em uma geração.
    os ignorantes em todos os sentidos usariam ainda mais abreviando ainda mais as doenças decorrentes do uso, e morreriam mais rápido, se vai fazer propaganda pra vender droga incentiva o suicídio também.
    assim acelera o processo e os que não usam não vão ter que perder horas com os filhos falando sobre algo tão imbecil.
    rsrsrs

  10. Dez princípios conservadores – 1a. Parte

    Escrito por Editoria MSM | 31 Agosto 2006
    Arquivo

    A atitude que nós chamamos de conservadorismo é sustentada por um conjunto de sentimentos, mais do que por um sistema de dogmas ideológicos.

    Não sendo nem uma religião nem uma ideologia, o conjunto de opiniões designado como conservadorismo não possui nem uma Escritura Sagrada nem um Das Kapital que lhe forneça um dogma. Na medida em que seja possível determinar o que os conservadores crêem, os primeiros princípios do pensamento conservador provêm daquilo que professaram os principais escritores e homens públicos conservadores ao longo dos últimos dois séculos. Sendo assim, depois de algumas observações introdutórias a respeito deste tema geral, eu irei arrolar dez destes princípios conservadores.

    Talvez seja mais apropriado, a maior parte das vezes, usar a palavra "conservador" principalmente como adjetivo, já que não existe um Modelo Conservador, sendo o conservadorismo, na verdade, a negação da ideologia: trata-se de um estado da mente, de um tipo de caráter, de uma maneira de olhar para ordem social civil.

    A atitude que nós chamamos de conservadorismo é sustentada por um conjunto de sentimentos, mais do que por um sistema de dogmas ideológicos. É quase verdade que um conservador pode ser definido como sendo a pessoa que se acha conservadora. O movimento ou o conjunto de opiniões conservadoras pode comportar uma diversidade considerável de visões a respeito de um número considerável de temas, não havendo nenhuma Lei do Teste (Test Act)[1] ou Trinta e Nove Artigos (Thirty-Nine Articles)[2] do credo conservador.

    Em suma, uma pessoa conservadora é simplesmente uma pessoa que considera as coisas permanentes mais satisfatórias do que o "caos e a noite primitiva"[3]. (Mesmo assim, os conservadores sabem, como Burke, que a saudável "mudança é o meio de nossa preservação"). A continuidade da experiência de um povo, diz o conservador, oferece uma direção muito melhor para a política do que os planos abstratos dos filósofos de botequim. Mas é claro que a convicção conservadora é muito mais do que esta simples atitude genérica.

    Não é possível redigir um catálogo completo das convicções conservadoras; no entanto, ofereço aqui, de forma sumária, dez princípios gerais; tudo indica que se possa afirmar com segurança que a maioria dos conservadores subscreveria a maior parte destas máximas. Nas várias edições do meu livro The Conservative Mind, fiz uma lista de alguns cânones do pensamento conservador – a lista foi sendo levemente modificada de uma edição para a outra edição; em minha antologia The Portable Conservative Reader, ofereço algumas variações sobre este assunto. Agora, lhes apresento uma resenha dos pontos de vista conservadores que difere um pouco dos cânones que se encontram nestes meus dois livros. Por fim, as diferentes maneiras através das quais as opiniões conservadoras podem se expressar são, em si mesmas, uma prova de que o conservadorismo não é uma ideologia rígida. Os princípios específicos enfatizados pelos conservadores, em um dado período, variam de acordo com as circunstâncias e as necessidades daquela época. Os dez artigos de convicções abaixo refletem as ênfases dos conservadores americanos da atualidade.

    1) um conservador crê que existe uma ordem moral duradoura.
    Esta ordem é feita para o homem e o homem é feito para ela: a natureza humana é uma constante e as verdades morais são permanentes.
    Esta palavra ordem quer dizer harmonia. Há dois aspectos ou tipos de ordem: a ordem interior da alma e a ordem exterior do Estado. Vinte e cinco séculos atrás, Platão ensinou esta doutrina mas hoje em dia até as pessoas instruídas acham difícil de compreendê-la. O problema da ordem tem sido uma das principais preocupações dos conservadores desde que a palavra conservador se tornou um termo político.
    O nosso mundo do século XX experimentou as terríveis conseqüências do colapso na crença em uma ordem moral. Assim como as atrocidades e os desastres da Grécia do século V a.C., a ruína das grandes nações, em nosso século, nos mostra o poço dentro do qual caem as sociedades que fazem confusão entre o interesse pessoal, ou engenhosos controles sociais, e as soluções satisfatórias da ordem moral tradicional.
    Foi dito pelos intelectuais progressistas que os conservadores acreditam que todas as questões sociais, no fundo, são uma questão de moral pessoal. Se entendida corretamente esta afirmação é bastante verdadeira. Uma sociedade onde homens e mulheres são governados pela crença em uma ordem moral duradoura, por um forte sentido de certo e errado, por convicções pessoais sobre a justiça e a honra, será uma boa sociedade – não importa que mecanismo político se possa usar; enquanto se uma sociedade for composta de homens e mulheres moralmente à deriva, ignorantes das normas, e voltados primariamente para a gratificação de seus apetites, ela será sempre uma má sociedade – não importa o número de seus eleitores e não importa o quanto seja progressista sua constituição formal.

    2) o conservador adere ao costume, à convenção e à continuidade.
    É o costume tradicional que permite que as pessoas vivam juntas pacificamente; os destruidores dos costumes demolem mais do que o que eles conhecem ou desejam. É através da convenção – uma palavra bastante mal empregada em nossos dias – que nós conseguimos evitar as eternas discussões sobre direitos e deveres: o Direito é fundamentalmente um conjunto de convenções. Continuidade é uma forma de atar uma geração com a outra; isto é tão importante para a sociedade com o é para o indivíduo; sem isto a vida seria sem sentido. Revolucionários bem sucedidos conseguem apagar os antigos costumes, ridicularizar as velhas convenções e quebrar a continuidade das instituições sociais – motivo pelo qual, nos últimos tempos, eles têm descoberto a necessidade de estabelecer novos costumes, convenções e continuidade; mas este processo é lento e doloroso e a nova ordem social que eventualmente emerge, pode ser muito inferior à antiga ordem que os radicais derrubaram um seu zelo pelo Paraíso Terrestre.
    Os conservadores são defensores do costume, da convenção e da continuidade porque preferem o diabo conhecido ao diabo que não conhecem. Eles crêem que ordem, justiça e liberdade são produtos artificiais de uma longa experiência social, o resultado de séculos de tentativas, reflexão e sacrifício. Por isto, o organismo social é uma espécie de corporação espiritual, comparável à Igreja; pode até ser chamado de comunidade de almas. A sociedade humana não é uma máquina, para ser tratada mecanicamente. A continuidade, a seiva vital de uma sociedade não pode ser interronpida. A necessidade de uma mudança prudente, recordada por Burke, está na mente de um conservador. Mas a mudança necessária, redargúem os conservadores, deve ser gradual e descriminativa, nunca se desvencilhando de uma só vez dos antigos cuidados.

    3) os conservadores acreditam no que se poderia chamar de princípio do preestabelecimento.
    Os conservadores percebem que as pessoas atuais são anões nos ombros de gigantes, capazes de ver mais longe do que seus ancestrais, apenas por causa da grande estatura dos que nos precederam no tempo. Por isto os conservadores com freqüência enfatizam a importância do preestabelecimento – ou seja, as coisas estabelecidas por costume imemorial, de cujo contrário não há memória de homem que se recorde. Há direitos cuja principal ratificação é a própria antiguidade – inclusive, com freqüência, direitos de propriedade. Da mesma forma a nossa moral é, em grande parte, preestabelecida. Os conservadores argumentam que seja improvável que nós modernos façamos alguma grande descoberta em termos de moral, de política ou de bom gosto. É perigoso avaliar cada tema eventual tendo como base o julgamento pessoal e a racionalidade pessoal. O indivíduo é tolo, mas a espécie é sábia, declarou Burke. Na política nós agimos bem se observarmos o precedente, o preestabelecido e até o preconceito, porque a grande e misteriosa incorporação da raça humana adquiriu uma sabedoria prescritiva muito maior do que a mesquinha racionalidade privada de uma pessoa.

    4) os conservadores são guiados pelo princípio da prudência.
    Burke concorda com Platão que entre os estadistas a prudência é a primeira das virtudes. Toda medida política deveria ser medida a partir das prováveis conseqüências de longo prazo, não apenas pela vantagem temporária e pela popularidade. Os progressistas e os radicais, dizem os conservadores, são imprudentes porque eles se lançam aos seus objetivos sem dar muita importância ao risco de novos abusos, piores do que os males que esperam varrer. Com diz John Randolph of Roanoke, a Providência se move devagar, mas o demônio está sempre com pressa. Sendo a sociedade humana complexa, os remédios não podem ser simples, se desejam ser eficazes. O conservador afirma que só agirá depois de uma reflexão adequada, tendo pesado as conseqüências. Reformas repentinas e incisivas são tão perigosas quanto as cirurgias repentinas e incisivas.

    O conservador se esforça por limitar e balancear o poder político para que não surjam nem a anarquia, nem a tirania.

    5) os conservadores prestam atenção no princípio da variedade.
    Eles gostam do crescente emaranhado de instituições sociais e dos modos de vida tradicionais, e isto os diferencia da uniformidade estreita e do igualitarismo entorpecente dos sistemas radicais. Em qualquer civilização, para que seja preservada uma diversidade sadia, devem sobreviver ordens e classes, diferenças em condições matérias e várias formas de desigualdade. As únicas formas verdadeiras de igualdade são a igualdade do Juízo Final e a igualdade diante do tribunal de justiça; todas as outras tentativas de nivelamento irão conduzir, na melhor das hipóteses, à estagnação social. Uma sociedade precisa de liderança honesta e capaz e se as diferenças naturais e institucionais forem abolidas, algum tirano ou algum bando de oligarcas desprezíveis irá rapidamente criar novas formas de desigualdade.

    6) os conservadores são refreados pelo princípio da imperfectibilidade.
    A natureza humana sofre irremediavelmente de certas falhas graves, bem conhecidas pelos conservadores. Sendo o homem imperfeito, nenhuma ordem social perfeita poderá jamais ser criada. Por causa da inquietação humana, a humanidade tornar-se-ia rebelde sob qualquer dominação utópica e se desmantelaria, mais uma vez, em violento desencontro – ou então morreria de tédio. Buscar a utopia é terminar num desastre, dizem os conservadores; nós não somos capazes de coisas perfeitas. Tudo o que podemos esperar razoavelmente é uma sociedade que seja sofrivelmente ordenada, justa e livre, na qual alguns males, desajustes e desprazeres continuarão a se esconder. Dando a devida atenção à prudente reforma, podemos preservar e aperfeiçoar esta ordem sofrível. Mas se os baluartes tradicionais de instituição e moralidade de uma nação forem negligenciados, se dá largas ao impulso anárquico que está no ser humano: "afoga-se o ritual da inocência"[4]. Os ideólogos que prometem a perfeição do homem e da sociedade transformaram boa parte do século XX em um inferno terrestre.

    7) conservadores estão convencidos de que liberdade e propriedade estão intimamente ligadas.
    Separe a propriedade do domínio privado e Leviatã se tornará o mestre de tudo. Sobre o fundamento da propriedade privada construíram-se grandes civilizações. Quanto mais se espalhar o domínio da propriedade privada, tanto mais a nação será estável e produtiva. Os conservadores defendem que o nivelamento econômico não é progresso econômico. Aquisição e gasto não são as finalidades principais da existência humana mas deve-se desejar uma sólida base econômica para a pessoa, a família e o Estado. Sir Henry Maine, em sua Village Communities, defende vigorosamente a causa da propriedade privada, como diferente da propriedade pública: "Ninguém pode ao mesmo tempo atacar a propriedade privada e dizer que aprecia a civilização. A história destas duas realidades não pode ser desintrincada", pois a instituição da propriedade privada tem sido um instrumento poderoso, ensinando a responsabilidade a homens e mulheres, dando motivos para a integridade, apoiando a cultura geral e elevando a humanidade acima do nível do mero trabalho pesado, proporcionando tempo livre para pensar e liberdade para agir. Ser capaz de guardar o fruto do próprio trabalho; ser capaz de ver o próprio trabalho transformado em algo de duradouro; ser capaz de deixar em herança a sua propriedade para sua posteridade; ser capaz de se erguer da condição natural da oprimente pobreza para a segurança de uma realização estável; ter algo que é realmente propriedade pessoal – estas são vantagens difíceis de refutar. O conservador reconhece que a posse de propriedade estabelece certos deveres do possuidor; ele reconhece com alegria estas obrigações morais e legais.

    8) os conservadores promovem comunidades voluntárias, assim como se opõem ao coletivismo involuntário.
    Embora os americanos tenham se apegado vigorosamente aos direitos privados e de privacidade, também têm sido um povo conhecido por seu bem sucedido espírito comunitário. Na verdadeira comunidade, as decisões que afetam de forma mais direta as vidas dos cidadãos são tomadas no âmbito local e de forma voluntária. Algumas destas funções são desempenhadas por organismos políticos locais, outras por associações privadas; enquanto permanecem no âmbito local e são caracterizadas pelo comum acordo das pessoas envolvidas, elas constituem comunidades saudáveis. Mas quando as funções, quer por deficiência, quer por usurpação, passam para uma autoridade central, a comunidade se encontra em sério perigo. Se existe algo de benéfico ou prudente em uma democracia moderna, isto se dá através da volição cooperativa. Se, então, em nome de uma democracia abstrata, as funções da comunidade são transferidas para uma coordenação política distante, o governo verdadeiro, através do consentimento dos governados, cede lugar para um processo de padronização hostil à liberdade e à dignidade humanas.
    Uma nação não é mais forte do que as numerosas pequenas comunidades pelas quais é composta. Uma administração central, ou um grupo seleto de administradores e servidores públicos, por mais bem intencionado e bem treinado que seja, não pode produzir justiça, prosperidade e tranqüilidade para uma massa de homens e mulheres privada de suas responsabilidades de outrora. Esta experiência já foi feita; e foi desastrosa. É a realização de nossos deveres em comunidade que nos ensina a prudência, a eficiência e a caridade.

    9) o conservador percebe a necessidade de uma prudente contenção do poder e das paixões humanas.
    Politicamente falando, poder é a capacidade de se fazer aquilo que se queira, a despeito da aspiração dos próprios companheiros. Um estado em que um indivíduo ou um pequeno grupo é capaz de dominar as aspirações de seus companheiros sem controles é um despotismo, quer seja monárquico, aristoc rático ou democrático. Quando cada pessoa pretende ser um poder em si mesmo, então a sociedade se transforma numa anarquia. A anarquia nunca dura muito tempo, já que, sendo intolerável para todos e contrária ao fato irrefutável de que algumas pessoas são mais fortes e espertas do que seus próximos. À anarquia sucede a tirania ou a oligarquia, nas quais o poder é monopolizado por pouquíssimos.
    O conservador se esforça por limitar e balancear o poder político para que não surjam nem a anarquia, nem a tirania. No entanto, em todas as épocas, homens e mulheres foram tentados a derrubar os limites colocados sobre o poder, a favor de um capricho temporário. É uma característica do radical que ele pense o poder como uma força para o bem – desde que o poder caia em suas mãos. Em nome da liberdade, os revolucionários franceses e russos aboliram os limites tradicionais ao poder mas o poder não pode ser abolido e ele sempre acha um jeito de terminar nas mãos de alguém.
    O poder que os revolucionários pensavam ser opressor nas mãos do antigo regime, tornou-se muitas vezes mais tirânico nas mãos dos novos mestres do Estado.
    Sabendo que a natureza humana é uma mistura do bem e do mal, o conservador não coloca sua confiança na mera benevolência. Restrições constitucionais, freios e contrapesos políticos (checks and balances), correta coerção das leis, a rede tradicional e intricada de contenções sobre a vontade e o apetite – tudo isto o conservador aprova como instrumento de liberdade e de ordem. Um governo justo mantém uma tensão saudável entre as reivindicações da autoridade e as reivindicações da liberdade.

    10) o pensador conservador compreende que a estabilidade e a mudança devem ser reconhecidas e reconciliadas em uma sociedade robusta.
    O conservador não se opõe ao aprimoramento da sociedade, embora ele tenha suas dúvidas sobre a existência de qualquer força parecida com um místico Progresso, com P maiúsculo, em ação no mundo. Quando uma sociedade progride em alguns aspectos, geralmente ela está decaindo em outros. O conservador sabe que qualquer sociedade sadia é influenciada por duas forças, que Samuel Taylor Coleridge chamou de Conservação e Progressão (Permanence and Progression). A Conservação de uma sociedade é formada pelos interesses e convicções duradouros que nos dão estabilidade e continuidade; sem esta Conservação, as fontes do grande abismo se dissolvem, a sociedade resvala para a anarquia. A Progressão de uma sociedade é aquele espírito e conjunto de talentos que nos instiga a realizar uma prudente reforma e aperfeiçoamento; sem esta Progressão, um povo fica estagnado. Por isto, o conservador inteligente se esforça por reconciliar as reivindicações da Conservação e as reivindicações da Progressão. Ele pensa que o progressista e o radical, cegos aos justos reclamos da Conservação, colocariam em perigo a herança que nos foi legada, num esforço de nos apressar na direção de um duvidoso Paraíso Terrestre. O conservador, em suma, é a favor de um razoável e moderado progresso; ele se opõe ao culto do Progresso, cujos devotos crêem que tudo o que é novo é necessariamente superior a tudo o que é velho.
    O conservador raciocina que a mudança é essencial para um corpo social da mesma forma que o é para o corpo humano. Um corpo que deixou de se renovar, começou a morrer. Mas se este corpo deve ser vigoroso, a mudança deve acontecer de uma forma harmoniosa, adequando-se à forma e à natureza do corpo; do contrário, a mudança produz um crescimento monstruoso, um câncer que devora o seu hospedeiro. O conservador cuida para que numa sociedade nada nunca seja completamente velho e que nada nunca seja completamente novo. Esta é a forma de conservar uma nação, da mesma forma que é o meio de conservar um organismo vivo. Quanta mudança seja necessária em uma sociedade, e que tipo de mudança, depende das circunstâncias de uma época e de uma nação.

    Notas:
    [1] Test Act­ – Lei inglesa de 1673 que exigia dos titulares de cargos civis e militares professarem a fé da Igreja Anglicana através de uma fórmula de juramento (N. do T.).
    [2] Declaração oficial da doutrina da Igreja Anglicana (N. do T.).
    [3] A frase “Chaos and old Night” provém do poema épico de John Milton Paradise Lost (Book I; line 544). Milton usa esta frase para se referir à "matéria" a partir da qual Deus ordenou e criou o mundo (N. do T.).
    [4] William Buttler Yeats, The Second Coming (N. do T.).

    Sobre o assunto, leia também:

    Dez princípios conservadores – 1a. Parte

    Conservadorismo: os seis mandamentos de Russel Kirk

    A abolição do Homem e o triunfo da Natureza

    Tradução: Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior

  11. Ainda que houvesses prejuízos e mortes com a liberação das drogas, seria desproporcional em relação ao cenário atual, isto é, um cenário bem menos destrutivo. Tire do contrabando, a pirataria e o tráfico de drogas a alcunha de “crime”, e a violência reduz drasticamente.

  12. A revogação da proibição de substâncias que causam dependência significa que qualquer pessoa pode utiliza-las em qualquer produto que entre em contato com o corpo, inclusive acrescentá-las em quaisquer produtos destinados a comercialização, sendo eles comestíveis, medicamentos, produtos destinados a todos os tipos de públicos: crianças, idosos e etc. de forma oculta ou explícita sem precisar dar a menor satisfação para ninguém.

    Esta afirmativa seria correta? Caso contrário alguem poderia por gentileza apontar o erro?

    Obrigado pela atenção

  13. E o Crack transformando a sociedade em “zumbis”??
    Isso me fez lembrar a Guerra do ópio, quando ficou fácil para Inglaterra dominar a China que naquela época tinha a maior parte da sua população viciada.

    Sou libertário e manter a liberação das drogas como causa pétrea significa que a maior parte da população, que é contra a liberação das drogas, não nos apoiará. Isso servirá como pedra em nosso sapato.

  14. Por mim pode liberar as droga , a policia fica livre para crimes serios (contra a vida e o patrimonio), entretanto nao uso e nao indico a ninguem, mas se o camarada eh maior de idade (no sentido de Rothbard) e quer usar nao tenho nada com isto. Os unicos pontos que me incomodam sao o fato de vivermos em um estado socialista, logo o ze que ficar “doente” vai querer o meu rico dinheirinho para “curar” o seu vicio (sistema publico de saude), a relativizacao da responsabilidade no caso de crimes por conta do uso de substancias entorpecentes.

  15. não sou a favor da legalização da maconha,mas finalmente li um artigo que usa bons argumentos para a maconha deixar de ser uma droga ilícita…apesar disso sou contra pois o Estado inicialmente pode diminuir custos não combatendo mais a maconha,mas a médio e longo prazo os prejuízos serão muitos maiores,já está comprovado que a maconha causa estragos no psicológico do indivíduo,aumentando as chances dos usuários desenvolverem esquizofrenia,futuramente quem vai arcar com os custos do tratamento vai ser o Estado,e outro campo que a liberação da maconha iria trazer malefícios seria no trânsito,depois que a pessoa consome maconha ela não se mantêm igual a uma pessoa que fuma um cigarro,uma pessoa sob os efeitos da maconha iria fazer muita m*** no poder de um carro…

  16. Bom dia senhores, gostaria de agregar com um comentário.
    Acho que perdemos um pouco o foco. Em relação ao artigo, é ótimo estados americanos aumentarem as liberardes individuais com tal ato. Mesmo que tal ato tenha interesses políticos, econômicos ou social. O fato dos que seguem a liberdade, acompanham e se instruem pelas escolas econômicas livres buscam uma sociedade livre em todos os aspectos. Acompanho essa organização já ha algum tempo, mais de 5 anos.
    No toca a esse discurso sobre saúde e ética, no âmbito da saúde digo somente o seguinte. Que a Cannabis faz mal, isso já é descrito na medicina ha tempos e que tem efeitos positivos para a saúde também. Comparar com álcool, cigarro também já foi feito. Tudo que consumimos faz mal e bem para nós, depende da quantidade, um conjunto de hábitos, genética entre outros. Gordura saturada faz mal, diminui extremamente a expectava de vida, como trans, excesso de sódio, falta de fibras, vida sedentária… Poderia ficar enumerando durante algum tempo que tudo há um lado positivo e negativo. Vejo um excesso de preconceitos em posts anteriores. A legalização é benéfica socialmente. Diminui o trafico de drogas e como já demonstrado na Espanha, Holanda, Canadá. A legalização para uso medicinal ou recreativo não aumentou o consumo. Apenas tirou da ilegalidade um numero grande de pessoas que tinham que se esconder do poder coercitivo do estado para poder usar o que lhes agrada. Recentemente há movimentos de legalização da Cannabis na Australia e Uruguai.
    Para os senhores que afirmam veementemente que a legalização irá aumentar gastos de um estado inchado, com saúde e segurança. A legalização não aumenta o numero de usuários, apenas os regulamenta. Então tal argumento seria positivo em sua visão economia mainstream, pois geraria aumento de recolhimento de impostos mantendo gastos estáveis.
    Lembrando introdução a economia, que qualquer calouro de faculdade aprendeu. Quando há uma demanda haverá uma oferta, mesmo que ela não seja regulamentada ou proibida. Essas medidas somente colocarão cidadãos pacíficos a margem do que é considerado socialmente correto.

  17. Ainda me impressiona a tamanha “polêmica” quando esse nobre instituto se mostra à favor das liberdades individuais.

    Quando esses “conservadores” — na verdade, “conservadores de True Outpeak” — mostram sua própria hipocrisia sendo a favor da inútil guerra contra as drogas que mata milhares de pessoas por um motivo estúpido e outros — esses, proibicionistas encubados — que apontam diversos “motivos pragmáticos” para NÃO se tocar nesse assunto tão importante para a filosofia libertária que é a emancipação do próprio corpo do indivíduo.

    Esse tradicionalismo irracional é um erro.

  18. Uma diferenciação básica: uma coisa é defender que as pessoas arquem com as consequências de suas ações ( usar drogas, e pagar por um eventual tratamento ). Outra é defender que o estado libere as drogas e pague o tratamento para os viciados. A primeira é defendida aqui. A segunda não. A primeira desestimula o uso. A segunda estimula. No atual arranjo dos estados babás, e isto conta para os Estados Unidos, a que vai ser colocada em prática sem dúvida é a segunda situação. Se no final o saldo de um eventual fim da guerra às drogas contabilizado com o aumento exponencial no preço dos tratamentos médicos será positivo, é difícil prever.

  19. Sim, claro, mas esta guerra às drogas é tão abrangente, que é difícil que a liberação de uma droga ( entre tantas ) em alguns estados possa levar a alguma mudança nesta política ( nacional ). Esqueci de mencionar, mas como o estado comanda este jogo, podemos contar com leis anti-discriminação vindos junto no pacote da liberação. Aí fica interessante, um empregador sendo obrigado a suportar um funcionário drogado… Entendo, e concordo que qualquer passo na direção de mais liberdades individuais é positivo, mas os ganhos podem ser facilmente superado por políticas sociais que visam o bem estar de certos grupos em detrimento de outros… Como o Fernando Chiocca falou no outro artigo, o melhor é descriminalizar, porém sem regulamentar. Mas é difícil que isto aconteça.

  20. Ok, relendo ali em cima acho que deixei margem para se entender que pelo simples fato do funcionário consumir maconha em sua casa, em seu tempo livre, seria um motivo para demití-lo, mesmo que este não tivesse seu rendimento afetado no trabalho. Pois bem, é isto mesmo, esta interpretação também é correta. A empresa é minha, contrato quem eu quiser, pelos motivos que eu quiser, e demito quem eu quiser, pelos mesmos motivos que só dizem respeito a mim mesmo. Quem vai ter a imagem da empresa manchada serei eu, o único prejudicado ( ou beneficiado, dependendo do tipo de trabalho, meu público consumidor pode não tolerar tais comportamentos, ou o tipo de atividade pode exigir plenas capacidades mentais todo o tempo, por exemplo ) serei eu e a minha empresa. Se você quer a liberdade para consumir sua droga, e quer que os outros sejam obrigados a aceitar isto, e tolerar isto, você está sendo extremamente hipócrita. Quer impor a proibição de comportamento que era imposta a você aos outros que discordam de você, enquanto desfruta da liberdade que lhe era negada e você está negando aos outros.\r
    \r
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    Ps. Se você acha que gastos estatais com saúde não prejudicam TODOS na economia, gaste um pouco mais de tempo lendo os artigos aqui no IMB.

  21. Um post como esses é ótimo pra que a gente possa separar o joio do trigo, distinguir quem é libertário pra valer daqueles que só advogam em favor das liberdades que lhes convém. Frequenta esse site, berra aos quatro ventos que quer liberdade econômica, e aí quer restringir o que os outros consomem, ou que propagandas podem ser veiculadas? Vai chorar na cama que é quentinho, libertário de fachada! Pela liberação total das drogas, e pelo fim da saúde pública e estatal. Quem usa, seja álcool, seja heroína, seja lexotan, seja rivotril, que arque com as consequências de seus atos. Liberdade demanda responsabilidade, e é assim que a evolução ocorre, seja no nível pessoal, seja a sociedade como um todo. O que não é mais tolerável é que inocentes, que não usam nem traficam sigam pagando o preço da violência criada por aqueles que querem ditar o que cada um faz com seu corpo.

  22. Vejo que muitos defendem que a liberação de drogas não aumenta o seu consumo. Não poso acreditar nisso como um verdade geral (embora possa ser uma verdade parcial, em alguns casos particulares). Os motivos são os seguintes:

    1. Liberação abaixa os preços. Preços mais baixos sempre tendem a aumentar o consumo, porque os recursos das pessoas são limitados. Visto que essa lei econômica não pode estar errada, desconfio bastante das pesquisas que dizem o contrário.

    2. Os ingleses forçaram o governo chinês a liberar o ópio, e obtiveram os fins desejados. Uma multidão de chineses efetivamente se viciou, trazendo desgraça ao país e satisfazendo os objetivos do governo inglês.

    Ora, mas dentro de um estado de economia fascista (semi-socialista), aumento do consumo só pode significar aumento do tratamento estatal.

  23. Aponta-se que muitos conservadores antigos confiavam na moralidade e na religião para por freio aos vícios. É verdade, mas é verdade também que esses freios praticamente não mais existem. Num certo sentido, as proibições estatais servEM como uma muleta para a deficiência da família, dos grupos sociais, e da religião. Deficiências essas causadas, em grande parte, pelo próprio estado moderno. O estado retirou grande parte da autoridade dos país, luta constantemente contra a religião, e destruiu as redes sociais dos grupos tradicionais (famílias no sentido mais amplo, clãs, a vila). O estado, controlado em grande parte pelo arquitetos de alguma “nova ordem” não queria concorrência, então lutou contra tudo o que concorria com ele no coração das pessoas. Eventualmente os “arquitetos das novas ordens” diminuirão os poderes dos estados nacionais (nos assuntos de “meio-ambiente”, isso já vem acontecendo), para dar poderes a entidades supra-nacionais.

    Bom, qual a nossa atual situação quanto às drogas? Tendo sido destruidos os mecanismos sociais naturais de controle dos vícios (a razão porque ao longa da história, o descontrole dos vícios foi a exceção, e não a regra) a sociedade se apoia agora, quase totalmente, na muleta da repressão estatal. Retirada essa repentinamente, o vício dominará grande parte da sociedade. Eventualmente a sociedade pode voltar desenvolver maios orgânicos de defesa? Não, porque o estado quer deixar de combater agora apenas as drogas, mas continuará combatendo os meios de defesa da sociedade. O Partido estatólatra (que não é um partido no sentido legal, mas no sentido verdadeiro) tem sido inimigo da livre associação, inimigo das religiões (a não ser quando pode utilizalas para fins de estatolatria), inimigo das famílias, inimigo das redes sociais que não são uteis aos propósitos.

    Se fosse combatida a opressão do Partido estatólatra contra a família, a religião e outras formas de associação social natural, a eventual descriminalização de drogas seria muito menos sentida. Mas é justamente por saber que os mecanismos sociais naturais de auto-proteção da sociedade já estão quase destruidos, que o estado agora quer liberar as drogas.

  24. Esses libertários não entenderam nada do que leram sobre o Mises, e ao invés de refletir, resolvem levar ao extremo o que leram e aplicar em TUDO quanto é coisa, incluindo drogas e vida. Os libertários já começam mal pois se baseiam em um princípio auto-contraditório: a liberdade. Ora, não há liberdade total. Vocês falham em perceber que uma liberdade total não existe pois uma iria se chocar com a outra, vencendo no final a lei do mais forte. Por exemplo, essa questão da descriminalização das drogas, falham ao perceber que isso também é um risco à liberdade, uma vez que drogados são um grupo de alto risco já que muitos cometem crimes (contra a vida e a propriedade de outro indivíduo) para poder financiar seu vício. Por favor, menos repetição e mais reflexão.

  25. Esses “liberais” que tremem de medo que a legalização de uma erva que JÁ É amplamente difundida e utilizada no mundo todo, independentemente da proibição, irá “destruir o tecido social”…. Deduzo que todos vocês queiram também tornar o álcool ilegal, certo? Porque não é possível que sejam tão incoerentes.

  26. Gustavo Augusto Ribeiro Abreu

    O mais engraçado de tudo é vê conservadores tentando convencer liberais, chega a ser patético a atiude dessas pessoas.\r
    \r
    Conservadorismo é a mesma coisa que esquerdismo a diferença que o primeiro prega mais liberdade para a economia mas com o adendo de totalizar, massaficar e intrometer na vida alheia em prol dos “bons costumes” e da “moralidade de seus cidadões”.\r
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    Vivemos num mundo globalizado, moral. ética e bons costumes é o caralho, o individuo é que tem primazia por sua consciência e por suas escolhas.

  27. Muito bom seu comentário. Eu, como conservador, sou contra a utilização de drogas, porém tenho mudado minha posição a respeito da proibição das drogas. O custo da proibição parece-me que já superou o da liberação. Com a liberação haveria a diminuição de um aparelho de estado repressor, no entanto, como vivemos em um estado socialista, haveria um aumento do aparelho de estado assistencialista na saúde. Isso, de certa forma, parece que o Estado quer enfraquer o cidadão, deixando o cada vez mais alienado, através da intoxicação, desarmamento e desmasculinização. Assim nos infantilizando e tornando-nos mais dependente do Estado paternalista. Dessa forma a liberação das drogas é mais um vitória do Estado socialista do que da liberdade individual. Não quero aumentar a desavença entre conservadores e liberais, mas lembro que há pensadores conservadores que acreditam que o liberalismo, na sua forma radical, é o navio quebra-gelo do socialismo. Por essas e outras, mesmo sendo a favor da liberação das drogas e admirar muito os liberais, considero-me conservador.

  28. 15/11/2012 12h38 – Atualizado em 15/11/2012 18h08
    Jovens estudantes tentam refundar partido símbolo da ditadura militar
    Grupo publica programa da ‘nova Arena’ no Diário Oficial e busca adesões.
    Desiludidos com a direita, eles propõem sigla nacionalista e conservadora.

    Márcio Luiz Do G1 RS

    Cibele Bumbel Baginski tenta refundar Arena (Foto: Arquivo Pessoal)Presidente da Arena em visita ao museu do Comando Militar do Sul, em Porto Alegre (Foto: Arquivo Pessoal)

    Extinta há mais de 30 anos com o fim do bipartidarismo no Brasil, a Aliança Renovadora Nacional (Arena) pode voltar à ativa nas mãos de jovens e com uma cara “nova”. O estatuto e o programa do novo partido foram publicados no Diário Oficial da União na última terça-feira (13), cumprindo um dos passos burocráticos para o registro da legenda.

    A Arena foi fundada originalmente em abril de 1966 dentro do sistema de bipartidarismo imposto pelo regime, que extinguiu outros 13 partidos que existiam antes. Enquanto a Arena sustentava o governo militar, fazia oposição no Congresso o Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

    O partido elegeu todos os presidentes que se candidataram pela legenda, de Costa e Silva (1967-1969) a João Figueiredo (1979-1985). Foi extinto junto com o MDB em novembro de 1979, no processo de redemocratização que permitiu a abertura de novos partidos. Do MDB surgiu o PMDB; os remanescentes da Arena foram o antigo PDS (atual PP) e a Frente Liberal (atualmente DEM).

    Nos anos 70, enquanto os militares estiveram no poder, o país viveu o chamado “milagre econômico”, com altas taxas de crescimento econômico. No âmbito político, o período foi marcado por perseguição aos opositores do regime, com a violação de direitos humanos e políticos e a adoção de práticas como censura prévia da imprensa, tortura e assassinatos.

    Para fugir da repressão do Estado, políticos, militantes, artistas e pessoas de vários outros setores da sociedade buscaram exílio em outros países. Estima-se que mais de 420 pessoas foram assassinadas ou dadas como desaparecidas durante o período de exceção. Em maio deste ano, foi instalada a Comissão da Verdade, com o objetivo de apurar os crimes cometidos no período.

    Valores e ideologia
    Segundo sua idealizadora, a estudante de Direito Cibele Bumbel Baginski, 23 anos, a nova Arena rechaça a possibilidade de atrair grupos extremistas, com tendências fascistas ou neonazistas, por exemplo. Ela conta que o grupo já teve de aturar alguns tipos com “propostas absurdas”, mas que, aos poucos, acabaram se afastando.

    “Não viemos flertar com o totalitarismo. Nosso partido não é uma seita. Quem não tem capacidade de dialogar, pode pegar a mala e ir embora. Somos a direita democrática”, garante.

    O grupo de 144 pessoas, espalhados por 15 estados do país, diz querer promover o retorno da “verdadeira direita” ao cenário político brasileiro. A nova Arena defende o resgate de valores que consideram esquecidos, como o conservadorismo e o nacionalismo, um partido que defenda o Estado “necessário” e o direto à propriedade, por exemplo.

    No programa da nova Arena, constam propostas como a privatização do sistema penitenciário; a abolição de qualquer sistema de cotas raciais, de gênero, ou condições “especiais”; a aprovação da maioridade penal aos 16 anos; o retorno ao currículo escolar de disciplinas como moral e cívica e latim; a retomada do controle de estatais fundamentais à proteção da nação; e o reaparelhamento das Forças Armadas.

    Estudante na Universidade de Caxias do Sul (UCS), sediada no município de mesmo nome, é Cibele Bumbel Baginski quem assina como presidente provisória do partido o estatuto e o programa da nova Arena.

    “Queremos implementar mudanças na sociedade de forma gradual, ordeira e com estabilidade. Propomos um jeito de fazer política com convicção, com propostas e focado na resolução dos problemas dos país. As pessoas querem solução e não discussão”, argumenta.

    O objetivo é erguer um partido assumidamente de direita. Para os neo-arenistas, há um espaço que precisa ser preenchido entre as 30 legendas atualmente existentes. “Politicamente, a direita brasileira é um horror. Não existe. Tem vergonha de se assumir. É a única direita que se vende para a esquerda”, opina Cibele.

    De acordo com o estatuto, a nova Arena “não coligará com partidos que declaram em seu programa e estatuto a defesa do comunismo, bem como vertentes marxistas”. Caberá a um órgão chamado de Conselho Ideológico, entre outras tarefas, aprovar as correntes e tendências que venham a se formar internamente, além de “fiscalizar, e se necessário intervir, em todos os órgãos do partido”. Esse conselho, a instância máxima, será formado formado por nove pessoas, das quais cinco serão membros permanentes e vitalícios.

    Mobilização
    A publicação no Diário Oficial é uma das etapas para a criação do partido. Após a sigla adquirir personalidade jurídica, os fundadores irão pleitear o registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para isso, devem reunir 491 mil assinaturas de eleitores (0,5% dos votos válidos na última eleição para a Câmara dos Deputados) de pelo menos nove estados (um terço do total) – o grupo já tem de 40 a 50 mil, diz Cibele.

    “A partir de agora é que vamos mobilizar nossos núcleos regionais para essa tarefa. Acredito que até meados de 2013 isso esteja pronto, e o partido apto a concorrer nas eleições de 2014”, planeja Cibele.

    Natural de Porto Alegre, a estudante reside em Caxias do Sul há cerca de quatro anos. O gosto pela política, diz ela, vem dos pais, um casal de comerciantes. A ideia de fundar uma legenda nova surgiu a partir de discussões entre colegas universitários e amigos sobre o modelo de partido ideal. Os debates se espalharam pela internet e encontraram adeptos em outros estados. Em junho, o grupo decidiu levar a proposta adiante e deu início aos trâmites burocráticos.

    A proposta inicial não era ressuscitar a extinta Arena – o nome só foi escolhido depois, em votação, por sugestão de outra fundadora. A presidente da nova Arena não teme críticas pelo fato de o nome do partido estar associado à ditadura militar. Ela argumenta que o partido atuava dentro das leis da época e que os crimes cometidos durante o regime de exceção partiram das pessoas que controlavam o Estado e as instituições, não do partido.

    “Não acho que seja algo ruim. É algo que ou você gosta ou você não gosta”, diz Cibele, que cita o desenvolvimento econômico durante o período do regime militar como saldo positivo. “O país estava precisando de uma sacudida. Sem isso [o regime militar], o Brasil não seria o que é hoje”, defende.

    Autora de um livro de contos de publicação independente, que assina como Lady Baginski, a jovem que exibe um piercing nos lábios foge do estereótipo de conservadora. Ela conta que, por suas convicções políticas, já sofreu agressões verbais públicas no meio universitário, que considera "doutrinado" pelo pensamento marxista. Diz que cultiva amizades e consegue dialogar com pessoas de ideologias opostas.

    O que era
    Segundo o verbete do Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, organizado pelo CPDOC/FGV, a Arena foi um “partido político de âmbito nacional, de apoio ao governo, fundado em 4 de abril de 1966 dentro do sistema de bipartidarismo instaurado no país após a edição do Ato Institucional nº 2 (27/10/1965), que extinguiu os partidos existentes, e do Ato Complementar nº 4, que estabeleceu as condições para a formação de novos partidos. Desapareceu em 29 de novembro de 1979, quando o Congresso decretou o fim do bipartidarismo e abriu espaço para a reorganização de um novo sistema multipartidário”.

    O que será
    De acordo com o estatuto publicado no Diário Oficial da União, a nova Arena é um partido que “possui como ideologia o conservadorismo, nacionalismo e tecno-progressismo, tendo para todos os efeitos a posição de direita no espectro político; devendo as correntes e tendências ideológicas ser aprovadas pelo Conselho Ideológico (CI), visando a coerência com as diretrizes partidárias. A Arena, em respeito à convicções ideológicas de Direita, não coligará com partidos que declaram em seu programa eestatuto a defesa do comunismo, bem como vertentes marxistas”.

    O que defendem os novos arenistas
    – Privatização do Sistema Penitenciário.
    – Abolição de quaisquer sistemas de cotas raciais, de gênero, ou condições “especiais”.
    – Aprovação da maioridade penal aos 16 anos.
    – Retorno ao currículo escolar das disciplinas de Educação Moral e Cívica e Latim.
    – Ensino da História do Brasil e História Geral sem ênfases tendenciosas doutrinariamente e com abrangência de todos os continentes, e não somente alguns.
    – Defender o Estado Necessário
    – Retomar o controle de todas as empresas estatais que são fundamentais à proteção da Nação.
    – Reaparelhar as Forças Armadas, tirando-a de seu sucateamento e parco efetivo.

    g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2012/11/jovens-estudantes-tentam-refundar-partido-simbolo-da-ditadura-militar.html

    O que achou, Leandro? Defende umas idéias boas…

  29. Não falo nem sobre questões morais, mas sim que em questão de incentivos, a proibição das drogas só faz aumentar o número de traficantes e em consequência a própria violência. Explico o porquê.
    Quando a droga é proibida, o vendedor tem maior dificuldade para vender seu produto, e por isso o preço do produto sobe. Como o preço subiu e a demanda continuou a mesma, mais pessoas vão estar interessadas em vender esse produto. Alie isso a grande massa de pessoas sem grandes expectativa de vida no Brasil, ao perceberem que não irão ganhar muito dinheiro em um trabalho ‘regular’, preferem arriscar tudo e partir para o comércio de drogas ilícitas.
    Em consequência, cresce também o número de conflitos por determinados pontos de venda, aumentando ainda mais a violência. Podemos contar aqui o número de policiais envolvidos no esquema, mas isso seria julgar sem ter provas.
    Se a solução seria a liberação geral, ainda não tenho resposta, porque ainda não consigo responder algumas questões, como por exemplo: Quem venderia as drogas? Qual seria a taxação? Onde poderia ser usada? Crimes sob efeitos de drogas teriam pena reduzida ou até aumentada? Além de muitas outras.
    Mas uma coisa tenho certeza: Do jeito que está, não dá.

  30. Não queira comparar, Leandro. Os conservadores da Old Right americana vinham de uma sociedade cristã, muito ética, muito trabalhadora, muito responsável. A Revolução Gramsciana ainda não havia acontecido. Olhando por este prisma, eu também defenderia o libertarianismo. Por exemplo: liberar as drogas, entre um povo decente e responsável, é possível liberar até o crack que as pessoas não vão querer usar. Como disse o John Adams, um dos pais fundadores dos EUA minarquista: “Our Constitution was made only for a moral and religious people. It is wholly inadequate to the government of any other.”

  31. Ótimo artigo. ” A proibição da maconha é uma violência estatal contra o indivíduo, além de ser um preconceito e uma discriminação”. Acredito que esta é a melhor visão e vale também para as armas de fogo. Quem não gosta de armas não as tenham e quem não gosta de maresia não fume, mas ficar querendo proibir os outros, caso você não esteja sendo incomodado, é brabo.

    Esquerdopatas = Liberam a maconha, proíbem armas.

    Direitopatas = Proíbem maconha, liberam armas.

    Maconha é diferente de cocaína e crack

    Pistola é diferente de fuzil e metralhadora

    Qual o motivo de tanta confusão?

  32. A maior parte da violência é provocada pelo consumidor sem recursos que rouba e pratica latrocínio para obter recurso para financiar o vício. A simples liberação de cultivo caseiro de maconha para consumo próprio já reduziria drasticamente a violencia nas ruas. Mas os defensores da legalização da maconha estão mesmo de olho é nos lucros dos futuros negócios de drogas, de armas ou de segurança.

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