Ao
leitor leigo que teve a coragem de clicar neste artigo não obstante seu título
nada atraente, prometo meu máximo esforço para tornar esta leitura palatável e
perfeitamente compreensível. O assunto
pode parecer árido e desinteressante à primeira vista, porém é o mais
importante de toda a economia. Afinal, é
justamente o sistema bancário quem multiplica a quantidade de dinheiro na
economia e, consequentemente, afeta a oferta de crédito.
Qualquer
assunto que envolva a criação e a manipulação de dinheiro e da oferta de
crédito possui mais impacto sobre a economia do que qualquer pacote de estímulo
fiscal, qualquer regulamentação, qualquer parceria público-privada. A diferença é que o impacto surge mais no longo
prazo e quase sempre suas reais causas não são compreendidas. A manipulação da moeda de um país é algo que
afeta a todos, mas em proporções muito distintas. Alguns ganham e muitos (a maioria) perdem.
Se
você entender este artigo, entenderá como realmente funciona o nosso atual
sistema financeiro — e o considerará, no mínimo, muito estranho.
Estrutura
As
relações entre o Banco Central e o sistema bancário já foram exaustiva e
detalhadamente cobertas em uma série de artigos deste site (dentre os quais,
sugiro este, este e este), de modo que
neste artigo vamos nos concentrar mais na mecânica do sistema bancário.
Mais
especificamente, vamos nos ater às seguintes questões: como de fato os bancos
criam dinheiro, expandem o crédito e afetam toda a economia? Seria possível o sistema bancário criar moeda
e expandir a oferta de crédito continuamente caso não houvesse um Banco
Central? Como os bancos podem atender ao
apelo daquele animador de circo que ocupa o cargo de Ministro da Fazenda e sair
concedendo
crédito a rodo? A inflação de preços
no Brasil, teimosamente alta, tem a ver com o nosso sistema bancário?
Os
três primeiros artigos linkados acima detalham como o Banco Central, por meio
de suas compras de títulos públicos que estão em posse do sistema bancário,
deposita dinheiro (meros dígitos eletrônicos criados do nada, ao simples
apertar de uma tecla de computador) em uma conta que os bancos mantêm junto ao
Banco Central. Estes dígitos
recém-adicionados às suas contas são então utilizados pelos bancos para
expandir a oferta de crédito em uma quantidade várias vezes maior do que a
quantidade de dígitos criada pelo Banco Central.
Isso
é apenas o básico. Os detalhes, no
entanto, explicam muita coisa. Vamos a
eles.
Os
dez principais bancos brasileiros, elencados pelo valor de seus ativos, são:
Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, BNDES, Caixa Econômica Federal, Santander,
HSBC, Votorantim, Safra e BTG Pactual.
Menção honrosa para o Citibank em 11º e para o Banrisul em 12ª, inflando
o orgulho dos gaúchos.
Olhando
esta lista — e excluindo o BNDES pelo fato de ele não ser um banco comercial
no sentido estrito do termo, isto é, com correntistas pessoas físicas –, é
fácil perceber como o sistema bancário brasileiro é concentrado. Afinal, quantas pessoas você conhece que são
correntistas apenas do Votorantim, do
Safra, do BTG Pactual e do HSBC? Votorantim
e BTG sequer trabalham com caderneta de poupança. E os ativos do Santander, quinto da lista sem
o BNDES, são a metade dos do Itaú, o segundo da lista.
Logo,
se, por exemplo, o Itaú emprestar dinheiro para alguém, o dinheiro deste
empréstimo muito provavelmente acabará sendo depositado ou em uma agência do
BB, ou em uma do Bradesco, ou em uma da CEF, ou em uma do próprio Itaú. Com uma menor probabilidade, este dinheiro
pode ir para o Santander. E com muito
menos probabilidade, ele pode ir para qualquer outro banco.
(E
se considerarmos a hipótese mais realista de que empréstimos vultosos feitos
por uma instituição tendem a ser pulverizados para vários cantos da economia,
as chances de que uma fatia deste dinheiro volte para a própria instituição
bancária que originou o empréstimo é bem grande.)
Todos
estes prolegômenos têm um só objetivo: mostrar que o sistema bancário
brasileiro é extremamente concentrado.
Fazendo uma simplificação relativamente realista, não é exagero dizer
que temos apenas 5 bancos: BB, Itaú, Bradesco, CEF e Santander. Com boa vontade, podemos incluir o HSBC,
cujos ativos são quase nove vezes menores que os do BB. Isto significa que, sempre que BB, Itaú, Bradesco
ou CEF fizerem um empréstimo, a chance de uma fatia deste dinheiro voltar para
eles próprios é bem alta. Mais
especificamente, sempre que o BB, por exemplo, faz um empréstimo vultoso,
pode-se dizer que 20% (um quinto) deste dinheiro volta para ele.
Juntos,
BB, Itaú, Bradesco, CEF e Santander detêm 74% dos ativos de todo o sistema
bancário.
E
as consequências disso são muitas.
As características do atual sistema
bancário
Em
teoria — e é isso o que diz os manuais de economia e até mesmo de direito –,
a função de um banco é a de servir de intermediário entre o poupador e o investidor. Um banco captaria um depósito de um cliente,
o poupador, e emprestaria este valor para um empreendedor. Para fazer isso, o banco emitiria um título
prometendo pagar uma determinada taxa de juros Y. O poupador compraria este título. Ato contínuo, o banco emprestaria o dinheiro
assim obtido para um empreendedor que necessitasse de financiamento. O banco cobraria deste empreendedor uma taxa
de juros X, com X sendo maior do que Y. Esta
diferença entre a taxa de juros que o banco paga para captar recursos e a taxa
de juros que ele cobra para emprestar se chama spread, e ela seria a principal fonte de receita dos bancos.
Neste
modelo, os bancos atuariam como genuínos intermediadores financeiros. Mais ainda: eles estariam agindo como
empreendedores alertas às oportunidades e atentos a todas as eventuais descoordenações
do mercado. Ao coordenarem um equilíbrio
entre poupadores e empreendedores, ao verem que em um setor da economia há
alguém disposto a emprestar dinheiro a 10% e, em outro setor, há alguém
disposto a pegar dinheiro emprestado a 15%, os bancos fariam esta intermediação
e lucrariam com ela. Sua “função social”
seria justamente a de reconhecer esta descoordenação, corrigi-la e, neste
processo, auferir lucros. Sua atividade
como intermediador financeiro seria a de coletar poupança e direcioná-la para
empreendedores.
Neste
caso, como os empréstimos feitos pelos bancos estão vindo de uma poupança real
que estaria apenas sendo transferida de um indivíduo para o outro, podemos
dizer que está havendo a criação de crédito
real. O crédito real é a base da
acumulação de capital e do crescimento econômico.
No
entanto, como bem sabem nossos leitores, o sistema bancário atual — tanto no
Brasil quanto no mundo — opera de uma maneira um tanto distinta. Em vez de atuarem como intermediadores da
poupança e do investimento, os bancos na realidade possuem o privilégio legal e
exclusivo de criar dinheiro do nada,
emprestarem este dinheiro e cobrarem juros sobre ele. Como se trata de algo importante e bizarro
demais para ser ignorado, vale a pena enfatizar: bancos possuem o privilégio
legal, concedido pelo estado, de criar
dinheiro eletrônico, de emprestar
estes dígitos eletrônicos para pessoas e empresas, e de cobrar juros sobre eles. Algo que lhe daria cadeia se você fizesse, os
bancos fazem com a autorização e até mesmo com um forte incentivo estatal.
A
principal característica do atual sistema bancário é que o seu real modus operandi não permite sequer que
digamos que os bancos também fazem
uma intermediação financeira. Não, o
sistema bancário atual não atua também direcionando poupança para
investimentos. Os bancos de hoje lidam
majoritariamente com dígitos eletrônicos que eles próprios criam. E, quando você lida com dígitos eletrônicos
que podem ser criados do nada, você não se preocupa com a origem daquele
dígito. Se você pode criar dígitos
eletrônicos para emprestar para João, você não tem de se preocupar em remover
estes dígitos eletrônicos da conta do José.
Você pode criar os dígitos eletrônicos na conta de João ao mesmo tempo em que José segue tendo
total e irrestrito acesso aos dígitos eletrônicos dele.
Sendo
assim, a realidade é que, para todas as operações de concessão de crédito, os
bancos criam dinheiro eletrônico do nada e emprestam este dinheiro para
pessoas, empresas e governos (federal, estaduais e municipais), em um processo
que veremos mais abaixo. Dado que tais
depósitos bancários assim criados não vieram da poupança, podemos dizer que está
havendo a criação de crédito bancário
(e não de crédito real). É importante
frisar isso: no atual sistema bancário, todo o crédito é bancário. Trata-se de dígitos eletrônicos que são
criados pelos bancos e acrescidos às contas dos tomadores de empréstimos. Nenhum dinheiro está sendo removido de uma
conta para outra. Está havendo apenas a
criação de dígitos eletrônicos.
E
é essa capacidade de criar crédito bancário o que gera o contínuo aumento da
quantidade de dinheiro eletrônico na economia, bem como suas inevitáveis
consequências: inflação de preços e ciclos econômicos.
Para
o leitor ter uma ideia da magnitude desta criação de crédito bancário no Brasil,
o total de cédulas de papel e de moedas metálicas (ou seja, dinheiro físico) na
economia brasileira foi, em julho, de aproximadamente R$ 153 bilhões. Deste valor, R$ 124 bilhões
estavam nas mãos do público (isto é, na sua carteira, nos caixas dos
estabelecimentos comerciais, nos cofres das empresas etc.) e o restante, R$ 29
bilhões, estava em posse da rede bancária (isto é, nos caixas eletrônicos e nos
cofres das agências bancárias). Ao mesmo
tempo, o saldo total do crédito bancário na economia, ou seja, a quantidade de
dinheiro eletrônico que os bancos criaram e emprestaram, totalizava R$ 2,17 trilhões. Portanto, o total de dinheiro eletrônico
criado é de 74 vezes a quantidade de papel-moeda em posse dos bancos e de 14
vezes a quantidade total de papel-moeda existente.
Todo
este dinheiro eletrônico, uma vez criado, é espalhado por diversas contas e
aplicações bancárias: contas-correntes, contas-poupança, depósitos a prazo,
letras de câmbio, letras hipotecárias, letras de imobiliárias, e fundos de
investimento, como fundos cambiais, de curto prazo, renda fixa, multimercado e
referenciado.
Portanto,
eis aqui a primeira e primordial constatação: todo o dinheiro que está hoje na
forma de dígitos eletrônicos em contas e aplicações bancárias entrou na
economia de uma única maneira: criação de
crédito bancário. Não há nenhuma
outra maneira de o dinheiro entrar na economia geral a não ser pela criação de
crédito bancário.
E
agora a segunda constatação, derivada da primeira: a principal fonte de todos
os depósitos bancários que hoje existem na economia não são os depositantes,
mas sim os empréstimos que os bancos criam do nada. Os depósitos são a consequência destes
empréstimos. Contas bancárias são produto
da criação de crédito, e não o contrário.
Uma
pessoa, uma empresa ou um funcionário do governo vai ao banco e pede um
empréstimo. Ato contínuo, o banco cria,
do nada, dígitos eletrônicos na conta desta pessoa. Nenhuma outra conta foi subtraída neste
processo. A quantidade de dinheiro
eletrônico na economia simplesmente aumentou.
Ao ser gasto, este dinheiro recém-criado vai parar nas contas de outras
pessoas e empresas. Dali, ele vai para o
depósito ou aplicação que este recebedor final escolher.
Os
bancos criam dinheiro eletrônico sempre que fazem qualquer tipo de empréstimo
ou de investimento. Sem exceção. Se você vai ao banco e pede um empréstimo
para comprar um imóvel, o banco vai criar dinheiro eletrônico na sua
conta. Se você pedir um empréstimo para
comprar um carro, o banco vai criar dinheiro eletrônico na sua conta. Quando o Tesouro faz um leilão de títulos, os
bancos criam dinheiro eletrônico para comprar estes títulos. Se um empresário quer descontar uma
duplicata, o banco compra o papel — a um valor descontado, é claro — criando
dinheiro eletrônico na conta deste empresário.
O mesmo ocorre quando uma empresa faz uma operação de vendor (quando a empresa vende um
produto a prazo para um cliente, mas quer receber o pagamento à vista, ela leva
a nota promissória ao banco, que a comprará a um preço de descontado. Desta forma, o banco está financiando o
comprador).
Capital
de giro, conta garantida, aquisição de bens, financiamento imobiliário,
adiantamento sobre contratos de câmbio, cheque especial, crédito pessoal etc. — tudo é feito com a criação de dinheiro
eletrônico. Sempre que um banco adquire
um ativo, ele tem de criar um passivo. O
ativo é o papel que ele comprou criando dinheiro eletrônico; o passivo são
justamente os dígitos eletrônicos que ele acrescenta na conta da pessoa de quem
ele comprou o ativo. Ao fazer isso, o
banco aumenta a oferta monetária e pressiona os preços para cima.
Portanto,
bancos não são — como muitos acreditam — mediadores de crédito. Eles são criadores
de crédito.
Como os bancos expandem o crédito muito
além do controle do Banco Central
Uma
vez entendido que os bancos criam dinheiro do nada, vem a pergunta: o que os
restringe? Como garantir que eles não
abusem deste invejável poder?
A
resposta é clara: se os bancos saírem criando crédito bancário em demasia, a
inflação de preços subirá. Com o aumento
dos preços, os bancos terão de aumentar os juros que cobram, caso contrário
receberão de volta um dinheiro com menos poder de compra do que aquele que emprestaram. Esta subida dos juros arrefecerá o ímpeto das
pessoas e empresas em contraírem empréstimos, o que irá colocar um fim
temporário à farra expansionista.
Além
desta prudência voluntária dos bancos, há também o controle do Banco Central
por meio do depósito compulsório. O
depósito compulsório é, como o nome diz, um depósito que os bancos são
obrigados a fazer no Banco Central.
Todos os bancos têm de manter depositado no Banco Central uma
determinada porcentagem do valor total de seus depósitos. Por exemplo, se um banco tem $1.000 em
conta-corrente, e o compulsório é de 40%, os bancos têm de manter $400 parados
no Banco Central. Estes $400 são suas reservas bancárias.
(Este
sistema em que os bancos são legalmente autorizados a manter como reservas
apenas uma fração de seus depósitos é chamado de sistema bancário de reservas fracionárias. Ele difere enormemente daquele sistema
descrito no início deste texto, no qual um banco atua como intermediador
financeiro. Naquele esquema, o correntista
que quiser auferir juros vai emprestar seu dinheiro, ficando sem ter acesso a
ele durante o período do empréstimo. No
esquema atual, várias pessoas são as donas de um mesmo dinheiro físico — no
caso, os $400 que estão nas reservas.
Todo o resto é dinheiro eletrônico.
Se houver uma corrida bancária para sacar dinheiro, quem chegar por
último ficará sem nada. Ele finalmente
descobrirá que os dígitos eletrônicos em sua conta eram apenas aquilo: dígitos
eletrônicos. Não havia nada físico
lastreando aqueles dígitos.)
Neste
exemplo numérico dos $1.000 em conta-corrente, se um correntista transferir,
digamos, $50 deste banco para um banco de outra marca (do Itaú para o Bradesco,
por exemplo), as reservas cairão para $350 e o valor total da conta-corrente será
de $950. Neste caso, o banco estará violando a regra de 40% do
compulsório. Tendo $950 de
conta-corrente, ele tem de ter $380 de reservas bancárias. Logo, o banco terá de arranjar mais $30 para
cobrir este “rombo”.
No
sistema bancário atual, esta “cobertura de rombo” acontece diariamente no final
do expediente bancário, que é quando ocorrem as compensações. Normalmente, o dinheiro que é transferido dos
clientes do Itaú para os clientes do BB, da CEF, do Bradesco e do Santander é
compensado pelo dinheiro que os clientes destes transferem para o Itaú. No entanto, caso algum banco chegue ao final
do dia tendo de arrecadar dinheiro para cobrir o rombo em seu compulsório, ele
irá recorrer ao mercado interbancário, no qual aqueles bancos com reservas em
excesso emprestam dinheiro para aqueles com reservas insuficientes. Os juros que eles cobram nesta operação é
exatamente a taxa SELIC.
O
funcionamento do mercado interbancário foi explicado detalhadamente neste artigo, de modo
que não irei aqui me aprofundar neste assunto novamente. A intenção de falar sobre o compulsório é
mostrar que ele é um mecanismo de controle da expansão monetária. Quanto menor for a porcentagem do compulsório,
maior será a quantidade de dinheiro que os bancos podem criar via
empréstimos.
Mas
há dois problemas. O primeiro,
certamente o leitor mais atento já conseguiu visualizar: quanto maior a
concentração bancária, mais tranquilamente os bancos podem expandir o crédito. Se os cinco maiores bancos brasileiros
decidem expandir o crédito no mesmo ritmo, o dinheiro que um cria vai parar na
conta do outro, e vice-versa. No final
do dia, a necessidade de eles recorrerem ao mercado interbancário para obter
quantias volumosas para satisfazer a determinação do compulsório é muito
pequena. Só terá esta necessidade aquele
banco que expandir muito mais do que os concorrentes. Em se tratando de um sistema bancário com
poucos bancos e totalmente cartelizado e controlado pelo Banco Central, como o
brasileiro, tal coordenação é fácil de ser feita. Aliás, ela é justamente uma das funções do Banco
Central. Portanto, este é o primeiro
detalhe estrutural que arrefece bastante a capacidade do Banco Central de
restringir a expansão creditícia feita pelos bancos.
O
segundo problema, que é justamente o ponto deste artigo, é um pouco mais
complexo: os bancos podem legalmente
escapar do compulsório imposto pelo Banco Central, o que significa, mais uma
vez, que a capacidade de criação de crédito bancário está muito aquém do
controle do Banco Central.
A
seguir, recorro a um balancete bem simplificado para ilustrar como os bancos
podem expandir o crédito para muito além do permitido pelo compulsório. O balancete representa o sistema bancário
consolidado de uma determinada economia.
De início, o sistema bancário trabalha apenas com depósitos em conta-corrente. O compulsório é de
40%. Os bancos criaram um crédito
bancário total de $15.000. Deste valor,
$10.000 foram parar nas contas-correntes de todo o sistema bancário, e o
restante está disperso pela economia na forma de papel-moeda em posse das
pessoas e na forma de passivos de longo prazo do sistema bancário. Observe que há $4.000 na forma de reservas
bancárias, satisfazendo o compulsório de 40%. (Tecnicamente, tais reservas
podem ser tanto na forma de dinheiro físico no cofre dos bancos, quanto na
forma de dinheiro eletrônico depositado junto ao Banco Central).
|
Balancete consolidado do sistema bancário |
|
|
Ativos |
Passivos |
|
Reservas: Crédito: |
Depósitos Passivos
Capital: |
|
Total |
Total |
Observe
que, neste ponto, os bancos não mais podem expandir o crédito. Qualquer expansão do crédito levará a um
aumento nos depósitos em conta-corrente, o que, consequentemente, imporá a
necessidade de se elevar a quantidade de reservas. E, para aumentar suas reservas, os bancos
teriam de induzir algumas pessoas a depositar dinheiro em espécie nos
bancos. Para tal, eles teriam de
oferecer incentivos, como emitir papeis que paguem juros altos. Isso pode afetar seus lucros.
Outro
problema é que mais criação de crédito implica maior probabilidade de saques em
espécie, o que reduziria as reservas dos bancos.
Caso
as coisas continuassem assim e — muito importante –, caso o Banco Central não
interviesse imprimindo dinheiro e criando mais reservas bancárias, a expansão do
crédito estaria estagnada.
No
entanto, há outros truques legais que permitem contornar esta situação. Os bancos podem, por exemplo, convencer seus
correntistas a migrarem seus depósitos em conta-corrente para uma nova
modalidade criada, os depósitos a prazo.
Estes depósitos, em nosso exemplo, não
possuem regras para compulsório.
Quais as consequências?
Suponha
que os bancos conseguiram convencer alguns clientes a fazer tal migração de
conta, totalizando uma transferência de $5.000 das contas-correntes para os
depósitos a prazo. Imediatamente após a
transferência, este seria o balancete do sistema bancário:
|
Balancete consolidado do sistema bancário |
|
|
Ativos |
Passivos |
|
Reservas: Crédito: |
Depósitos Depósitos Passivos
Capital: |
|
Total |
Total |
Observe
que agora as reservas estão em excesso em relação ao volume das
contas-correntes. A transferência de
$5.000 das contas-correntes para depósitos a prazo liberou mais $5.000 para os bancos criarem crédito bancário.
Após
esta nova expansão do crédito bancário, veja o novo balancete do sistema
bancário:
|
Balancete consolidado do sistema bancário |
|
|
Ativos |
Passivos |
|
Reservas: Crédito: |
Depósitos Depósitos Passivos
Capital: |
|
Total |
Total |
Observe
que está tudo de acordo com as leis estipuladas pelo Banco Central. O crédito foi expandido em mais $5.000 e este
valor foi parar integralmente nas contas-correntes dos bancos. (Haveria o risco de os correntistas sacarem parte
deste dinheiro digital que foi criado, o que faria com que os valores das
reservas e das contas-correntes fossem menores.
Mas isso apenas faria com que a nova expansão do crédito fosse menor; tal
ato não seria um empecilho para a expansão do crédito. Pelo bem da brevidade, vamos supor que não
houve nenhuma alteração na propensão dos cidadãos a portar um volume maior de
dinheiro, o que, aliás, é um argumento bastante realista). As reservas de $4.000 continuam respeitando o
compulsório de 40% para o valor total das contas-correntes.
E
se os bancos gostarem e quiserem repetir a dose? É perfeitamente possível. Basta eles continuarem incitando os
correntistas a migrarem suas contas para depósitos a prazo. Repetindo idêntico procedimento acima, mais
$5.000 são transferidos das contas-correntes para os depósitos a prazo. Lembre-se: são apenas dígitos
eletrônicos. Não há nenhum obstáculo a
esta manipulação.
Eis
o balancete do sistema bancário imediatamente após esta nova transferência:
|
Balancete consolidado do sistema bancário |
|
|
Ativos |
Passivos |
|
Reservas: Crédito: |
Depósitos Depósitos Passivos
Capital: |
|
Total |
Total |
Com
reservas em excesso, os bancos podem novamente expandir o crédito em mais
$5.000. Eis o balancete dos bancos após
esta expansão creditícia:
|
Balancete consolidado do sistema bancário |
|
|
Ativos |
Passivos |
|
Reservas: Crédito: |
Depósitos Depósitos Passivos
Capital: |
|
Total |
Total |
Com
apenas duas rodadas de migração de contas, foi possível ampliar o crédito em
$10.000. Mais importante: não houve
injeção de dinheiro do banco central; nenhuma moeda física foi criada para
permitir este aumento. O único fenômeno
ocorrido foram bancos migrando contas e criando dígitos eletrônicos do nada.
Tal
prática pode continuar perpetuamente? Em
um ambiente sem um Banco Central, muito difícil, pois, como dito, sempre há o
risco de os correntistas decidirem sacar dinheiro. Porém, normalmente, o dinheiro que é sacado
acaba sendo gasto; ao ser gasto, ele volta a ser depositado em outra
conta-corrente, de modo que a alteração final tende a ser nula. Mas vale a pena enfatizar: sacar dinheiro dos
bancos e não depositá-lo novamente é um instrumento poderosíssimo para abalar
um sistema bancário de reservas fracionárias.
E é exatamente aí que entra o Banco Central, garantindo contínuas
injeções de reservas bancárias e impressões de dinheiro (via Casa da Moeda) de
modo a não abalar a continuidade deste processo.
Em
termos práticos, vale ressaltar que foi exatamente este processo de migração de
contas e consequente expansão do crédito que aconteceu durante a década de 1920
nos EUA, quando os bancos expandiram o crédito muito além daquilo que imaginava
ser possível o Federal Reserve. Um
excelente livro a respeito, que transcreve vários relatórios emitidos pelo Fed
à época mostrando enorme surpresa dos burocratas com a evolução do crédito para
muito além do que julgavam ser possível, é este
(há versões gratuitas para iPad e iPhone, bem como .pdfs.).
Esta
mesma prática é hoje corriqueira em todo o mundo, inclusive no Brasil, cujos
dados ilustrados ao final deste artigo irão comprová-la. Nos EUA e na Europa, o sistema bancário, com
a anuência de seus respectivos bancos centrais e pelo simples truque da
migração de contas (tanto nos EUA quanto na Europa, não há regra de compulsório
para depósitos a prazo), expandiu enormemente a oferta de crédito durante a
década de 2000, gerando a bolha imobiliária e a subsequente crise financeira, com
os resultados que estamos vivenciando hoje.
Aqui
no Brasil, o compulsório para depósitos em conta-corrente é talvez o maior do
mundo, de 43%. Mas isso é pouco efetivo,
pois a migração para contas-poupança, para depósitos a prazo e para fundos de
investimento é maciça. O compulsório
sobre depósitos a prazo é de 20%. O
mesmo valor se aplica aos depósitos de poupança. Qualquer aplicação dos bancos em fundos de
investimento está isenta de compulsório.
E há mais detalhes: o compulsório
sobre depósitos a prazo vigorou apenas durante um determinado período da
primeira fase do Plano Real (1996 a 1998).
Depois, foi abolido (ficando em seu lugar a necessidade de depositar
títulos do Tesouro junto ao Banco Central).
Só voltou a vigorar em abril de 2010, e sua taxa é constantemente alterada,
variando de 15% a 20%. Ou seja, durante
a maior parte da história recente não havia tal instrumento. O espaço que tais alterações de compulsório
abre para a expansão do crédito bancário é enorme.
Os números do Brasil
Para
se ter uma ideia prática do volume deste fenômeno da migração de contas, veja
os dois gráficos abaixo. O primeiro
gráfico mostra a evolução nominal da conta-corrente (linha vermelha), dos
depósitos em poupança (linha azul) e dos depósitos a prazo (linha verde). Observe que, com a instituição do compulsório
sobre depósitos a prazo a partir de 1996, os depósitos em poupança ganham mais
captação. Óbvio, pois depósitos a prazo
normalmente pagam juros maiores do que depósitos em poupança. Mesmo com a abolição do
compulsório ao final de 1998, os depósitos a prazo ainda demoram um pouco para
ganhar atratividade, o que só começa a acontecer em definitivo a partir de
2001.
O
volume de depósitos a prazo é 6 vezes (ou 500%) maior do que o de depósitos em conta-corrente. O volume de depósitos em
poupança é 3 vezes maior, ou 200%.
Se
construirmos um gráfico mostrando a taxa de crescimento anual das três
variáveis, algumas observações se tornam mais óbvias:
Em
2003, a estagnação do crédito foi geral, de modo que o crescimento das três
contas desacelerou fortemente. Apenas os
depósitos a prazo aumentaram em relação a 2002 (5%, como mostra o gráfico ao
final de 2003). Nenhuma surpresa. Em 2004, o crédito voltou a se expandir, e os
depósitos a prazo, também sem surpresa, foram os que mais cresceram. A partir de 2006, quando o Banco Central
começou o ciclo de redução da SELIC, o qual duraria até março de 2008, a taxa
de crescimento dos depósitos a prazo começou a desacelerar, ao passo que
conta-corrente e conta-poupança passaram a aumentar. A partir de 2007, a relação inversa entre as
variáveis se torna explícita: quando a SELIC sobe (2008, segundo semestre de
2010, primeiro semestre de 2011), há uma migração para os depósitos a prazo;
quando a SELIC cai (2009 e segundo semestre de 2011 até hoje), há uma migração
para a poupança e para a conta-corrente.
A
forte migração para os depósitos a prazo ocorrida em 2008 pode ser explicada
tanto pela elevação da SELIC quanto pelo fato de, ainda àquela época, não haver
compulsório para os depósitos a prazo.
Finalmente, a partir de meados de 2011, com o atual ciclo de redução da
SELIC, a taxa de crescimento dos depósitos a prazo voltou a cair, embora seu
crescimento ainda esteja maior do que o crescimento dos outros dois depósitos.
Vale
notar também que os depósitos em conta-corrente são os primeiros a reagirem a
uma alteração na SELIC. Óbvio, pois eles
são o primeiro destino de todos os dígitos eletrônicos que foram criados e
gastos. A poupança varia
simultaneamente, mas com uma pequena defasagem.
Já os depósitos a prazo variam inversamente.
Por
fim, contemple o gráfico da expansão total do crédito. Ao olhar o gráfico, pense que estes R$2,17
trilhões são meros dígitos eletrônicos criados por bancos.
Enquanto
isso, o valor total da base monetária em julho — aquela variável que está
totalmente sob controle do Banco Central — foi de R$192,5 bilhões. Quem ainda imagina que, em um sistema
bancário de reservas fracionárias, o Banco Central pode exercer algum controle
benéfico sobre o sistema está seriamente iludido.
A
função do Banco Central em todo este esquema é propiciar seguidas injeções de
reservas bancárias para permitir que a expansão do crédito bancário prossiga
incólume. Afinal, sempre que ele pára de
injetar reservas, a SELIC sobe e o povo reclama
E
um detalhe final: mesmo que o BC pare de injetar reservas com o intuito de
restringir a expansão do crédito, é perfeitamente possível os bancos
continuarem expandindo o crédito bancário ainda por um bom tempo: basta eles
coordenarem uma expansão creditícia simultânea ao mesmo tempo em que fazem
migrações de contas bancárias. Em um
sistema bancário extremamente concentrado como o brasileiro, tal coordenação
não é nada difícil.
Conclusão
No
sistema monetário atual, o processo de criação de crédito é totalmente
artificial. Ao contrário do que imaginam
alguns românticos, bancos não são meros intermediadores financeiros entre
poupadores e investidores. Bancos são
criadores de crédito artificial na forma de meros dígitos eletrônicos. Sendo assim, o sistema bancário de reservas
fracionárias, em conjunto com o Banco Central, realiza uma tarefa extremamente
importante para a popularidade de políticos: ele aumenta artificialmente a
renda das pessoas de forma quase imediata.
Se
a expansão do crédito for alta e, por algum motivo estrutural (alta abertura da
economia e aumento da produtividade), o aumento de preços demorar a aparecer, o
bem-estar das pessoas irá aumentar (temporariamente, até os preços finalmente
começarem a subir), e os políticos da situação ganharão com isso. Tal fenômeno foi evidente na primeira metade
da década passada nos EUA e na Europa, quando a expansão do crédito bancário
levou a um grande aumento da renda ao mesmo tempo em que a inflação de preços
se manteve contida durante algum tempo, exceto no setor imobiliário, o que fez
a festa de vários especuladores.
Um
país como os EUA, que possui uma economia aberta, consegue manter uma expansão
creditícia por um longo período de tempo porque, como sua economia é aberta, as
importações ajudam a arrefecer as pressões inflacionistas geradas pela expansão
do crédito. Sendo assim, aquele aumento dos juros que põe fim à expansão de
crédito (e que dá início à recessão) só irá ocorrer um bom tempo após o ciclo
expansionista ter começado. Por exemplo, a última expansão creditícia
americana, aquela que gerou a bolha imobiliária, começou em meados de 2001 e só
foi acabar em 2006. Neste ínterim, a
inflação de preços ficou relativamente contida.
Em
um arranjo democrático, a facilidade da expansão do crédito bancário é um
mecanismo extremamente tentador. Isso
explica por que Guido Mantega vem suplicando de joelhos para os bancos
brasileiros expandirem o crédito a juros baixos. Ele sabe que, no curto prazo, tal medida de
fato é bastante eficaz politicamente. O
problema vem depois, com a inflação de preços e os ciclos econômicos.
Nenhuma economia é capaz de expandir o crédito bancário
indefinidamente. Toda expansão sempre termina
em recessão. Mas é sim possível
postergar recessões com novas rodadas de expansão de crédito, as quais têm de
ocorrer em doses cada vez maiores para manter a economia artificialmente
aquecida.
Adicionalmente,
como no Brasil a economia é bastante fechada, qualquer expansão do crédito
bancário rapidamente se transforma em inflação de preços, o que faz com que o Banco
Central rapidamente volte a aumentar os juros — leia-se “diminuir as injeções
de reservas bancárias”. Ao passo que um
ciclo expansionista dura de 4 a 5 anos nos EUA, aqui no Brasil ele mal chega a
dois.
O
que nos leva à última pergunta remanescente: é possível os bancos atenderem ao apelo do
animador de circo e saírem concedendo crédito a rodo? Sim, nada os impede. Exceto o bom senso. Bancos podem expandir o crédito quando
quiserem, especialmente se eles operarem sob os auspícios de um Banco Central indulgente,
que injete reservas continuamente no sistema.
Na nossa atual situação, a única coisa que vem impedindo os bancos de
saírem expandindo o crédito de maneira orquestrada é o temor de calotes em
decorrência de alto endividamento das famílias e da inadimplência em níveis
incômodos.
Nossa
situação é curiosa, para não dizer desesperadora: temos de ficar na torcida
para que os bancos, contra os interesses do governo, se contenham e evitem a
expansão de sua carteira de crédito, algo que também vai contra seus imediatos
interesses lucrativos. Ao mesmo tempo, temos um governo que praticamente
os obriga a ser mais temerários, a saírem emprestando para qualquer pessoa, sem
nenhuma consideração para com risco ou histórico de crédito. E tudo isso
apenas para garantir uns décimos a mais no PIB.
Quando
a solidez da economia de um país passa a depender de os bancos terem de se
conter para não mais aumentarem seus empréstimos, mesmo sendo incitados a isso
por um lunático com amplos poderes, apenas uma deidade infinitamente poderosa
pode nos salvar da catástrofe.



Será que 0,1% da população brasileira sabe dessa lama bancária?
Bom dia Leandro!
Esta criação é a chamada alavancagem?
Qual é a alavancagem dos bancos no Brasil? E nos principais países do Mundo?
O banco Votarantim, e o Panamericano, tambem fazem esta criação?
O governo brasileiro, depois de mais de 10 anos, autorizou um banco estrangeiro a operar no Brasil. E porque um banco chines? abs
Meus artigos favoritos são os do Leandro.
Não me contenho com os adjetivos que são sempre dirigidos ao senhor Guido Mantega nesses artigos. Sempre na dose correta.
Faço coro com outros comentaristas do site:
+1 artigo para o próximo livro na biblioteca do IMB A História Econômica Recente do Brasil (by Leandro Roque).
Abraços
Leandro grato pela explicação.
será que eu estou errado em não adquirir( e aconselhando meus filhos) nada por meio de “alavancagem”?
Uma duvida que paira sobre mim:
já li em vários estabelecimentos comerciais que não aceitam pagamento em cheque, e aceitam cartão de credito. O hipotético emissor de cheque sem fundo pagará corretamente a fatura do cartão de credito? abs
Deixe-me ver se entendi: o banco A cria X de moeda (crédito) para um tomador de empréstimo B a uma taxa de juros anual Y%. Ao fim de um ano, B amortizou a dívida de uma vez só, pagando X(1+Y%). O banco criou moeda, lucrou com juros, mas e o que foi feito do principal X criado do além? Ele vira patrimonio do banco ou tem que ser “destruído” contabilmente?
Gosto muito desse tipo de artigo, mais prático e com exemplos brasileiros. Fica fácil de entender e dá mais vontade ainda de ler sobre Economia Austríaca. E dá mais raiva também do burrocratas do estado. Esse Mantega só não é uma piada porque as consequências dos atos dele são muito entristecedoras.
Muito interessante esse texto, Leandro.
Deixa eu ver se entendi direito. Para driblar o compulsório, bancos dão um jeito de converter saldo bancário (M1) em outros ativos sem passar pelo dinheiro primário (M0).
Isso faz diminuir o M1 do banco, sem tocar suas reservas, que seguem intactas. Essa diminuição do M1 faz com que a porcentagem em reserva seja maior que o compulsório e pronto, eles podem legalmente criar mais saldo bancário.
É isso?
O porquê do envio de dinheiro a essas contas especiais não representar um saque de dinheiro primário, ou uma movimentação de conta corrente à conta corrente, já é mais complicado pra mim entender.
Se eu deposito dinheiro num fundo de ações por ex., o meu saldo bancário será convertido em cotas desse fundo. Mas esse fundo tem que comprar ações com o dinheiro que eu depositei. Esse dinheiro vai então parar no saldo bancário daquele que vender essas ações ao fundo. Independente das contas estarem ou não no mesmo banco, o M1 total continuaria o mesmo – é só dinheiro migrando de uma conta corrente à outra.
Eu não entendi porque essa transferência de dinheiro da CC para uma conta especial não representa no final das contas uma transferência de uma CC para outra CC, pertencente a outro indivíduo.
Há alguma particularidade sobre os depósitos à prazo? Admito minha ignorância financeira: não sei que o são depósitos à prazo. São como CDBs? O dinheiro depositado nessa conta será emprestado a alguém? Se for esse o caso, não dá na mesma que o exemplo com o fundo de ações (dinheiro sai da minha CC e entra na CC de outra pessoa, não alterando a proporção M1/M0).
Abraços!
DÍVIDA=ESCRAVIDÃO
O texto é fantástico, e não poderia ter sido encerrado com outra palavra: ‘catástrofe’.
Quanto mais pessoas dispostas a endividar-se, mais dinheiro é inventado, para ser emprestado novamente a juros. É uma máquina de inventar ENDIVIDADOS. Isso não funcionaria entre sábios, e se está funcionando, é porque a bíblia estava certa sobre aqueles que não seguem seus estatutos: “Ele te emprestará a ti, porém tu não emprestarás a ele; ele será por cabeça, e tu serás por cauda” Deuteronômio 28:44.
Prezado Leandro:\r
\r
Se o depósito compulsório (que não se trata de conceito a priori) abrangesse a totalidade dos recursos de que são depositários os bancos, então a “burla” não ocorreria. Se ocorre, é consentida. “The shadow money lenders” são os que fazem as regras e deixam buracos nas peneiras de propósito.\r
\r
Agora, sua capacidade de transformar em “arroz com feijão” o que comentaristas econômicos de televisão e os de 20 linhas de jornais procuram complicar é surpreendentemente benvinda e esclarecedora! \r
\r
Grato.
Sempre magistral.
Abraço.
Leandro: sempre aprendo muito com você. Não sou economista, mas advogado. Nas faculdades de direito ou nos ambientes jurídicos ninguém conhece Von Mises, Hayek e muitos outros austriacos, jamais citados. Vige a ideologia socialista, de vários matizes, inclusive na modalidade brasileira, ganhar salários elevados no estado lato sensu e pregar “socialismo”. Mas você poderia nos dar um curso sobre a economia brasileira, à luz da teoria austríaca. Iriamos aprender muito mais e de forma sistematizada.
Gostaria de agradecer a todos os colaboradores do mises Brasil, sou economista de formação, mas confesso que aprendi mais em poucos meses de estudo dos textos austríacos do que em anos de doutrinação marxista-keynesiana. Faço coro pelo curso de economia austriaca, de preferencia on-line. Por ultimo, gostaria q comentassem o candidato a vice dos republicanos, Paul Ryan, ouvi disser que ele estudou Hayek. Nao seria um Ron Paul, mas seria um avanço.
Leandro,\r
você sabe que eu não sei nada de economia, portanto me perdoe desde já se a observação que vou fazer a seguir for estúpida.\r
Acho que o Brasil tem uma substancial diferença pros EUA que precisa ser levada em conta. O funcionalismo público.\r
Paralelamente a essa expensão artificial do crédito, o governo aumentou muito o número de funças e o salário dos funças nos últimos anos. Muito mesmo! Além disso, a maioria dos funças usa o BB e a CEF, e as opções de crédito fácil nesses bancos são cada vez maiores e mais generosas para os funças.\r
Eu sei disso pq, como vc bem sabe, sou um funça… Nos dois lugares onde trabalhei nos últimos 5 anos eu vi todo mundo de carro novo, casa nova, viajando pro exterior todo ano. As mulheres todas meteram silicone nos peitos, haha…\r
Vc tem algum dado que analise o quanto o gasto dos funças tem crescido e segurado o consumo no Brasil? Pergunto isso pq esse é um gasto seguro, já que o emprego é garantido. Ou isso é irrelevante para as suas sempre lúcidas e didáticas análises da economia brasileira?\r
Forte abraço.
anönimo,
desculpa eu me meter, mas vi um vídeo hoje que explica isto que vc esta falando:
http://www.youtube.com/watch?v=ANA57VatwsA&feature=player_embedded
Sei que o pessoal nao gosta muito do friedman, mas eu sou seu fa, ele tem o grande merito de conversa com o povao.
“Ao leitor leigo que teve a coragem de clicar neste artigo não obstante seu título nada atraente, prometo meu máximo esforço para tornar esta leitura palatável e perfeitamente compreensível.”
Agradeço a consideração e o esforço.
Não entendo nada de economia(ainda), mas estou me esforçando para entender.
E são artigos como esses que esclarecem que estamos perdidos se depender do Sr. Guido Mantega.
Obrigada.
Impressionante como vejo comentários similares aos do Marcos Campos e do Josuelito Britto em conversas, em outros artigos, fóruns, etc.
Mises, Hayek e demais austríacos foram simplesmente “apagados” do mapa. E no caso do ambiente universitário, como exemplificou o Marcos, qualquer aluno, em especial nas áreas de economia, administração e sociologia, que traga ao debate as ideias da Escola Austríaca, ou é tratado como “excêntrico” (pra não dizer “reaça fdp”) ou é até mesmo torna-se figura indesejada pelos professores, que obviamente são completamente míopes e doutrinados na teoria keynesiana ou marxista. Os “mestres” simplesmente não possuem argumentos para sustentar suas teorias. Quando é universidade pública, então…
Enfim, uma completa tragédia e a mais ultrajante omissão da verdade de nossos tempos. Parabéns ao Leandro pelo texto de extrema utilidade.
Eu iniciei meu curso de economia em uma universidade federal no interior do Brasil e conclui em uma universidade particular aqui em São Paulo. Eu somente fui conhecer os austríacos quando o meu professor de Ética me recomendou ler as Seis Lições de Mises para fazer um trabalho sobre sistemas políticos e econômicos. Desde então não parei mais de ler a escola austríaca.
Mas o impressionante é que foi o professor de Ética, e não os de economia, que recomendaram Mises.
Podemos assumir uma mentira do ilustre presidente cefalópode e familiares. A de que o governo trabalha para quitação da dívida pública. Afinal, se houver quitação o BC (pelas políticas atuais) não teria meios para regular a SELIC ?
Há três coisas fundamentais a se fazer no sistema financeiro do Brasil:
1- Privatizar todos os bancos federais, inclusive o BNDES, a CEF e o Banco do Brasil.
2- Extinguir de uma vez o compulsório dos bancos, o que reduziria os juros.
3- Proibir que se emprestem a estados, municípios, união e empresas públicas.
Leandro,
Teus artigos sobre o sistema bancários são excelentes. Tenho utilizado constantemente tuas análises para mostrar aos meus amigos que estamos indo em direção ao buraco! Infelizmente.
abs,
Resumindo tudo: Os bancos são uma extenção do estado.
Leandro,\r
\r
Tira uma duvida aqui, por favor. Uma grande parcela (talvez a maioria) dos libertarios apoia o retorno ao padrao ouro (sendo que alguns sugerem que o padrao ouro seja obrigatorio e outros, que o ouro seja uma opcao dentre varias).\r
\r
Minha duvida eh em relacao a adocao de um mercado baseado 100% no padrao ouro. Sabendo-se que o ouro eh um elemento finito, eventualmente nao haveria mais aumento no volume de ouro em circulacao no mercado.\r
\r
Chegando-se nesse estado, qualquer juro significa necessariamente a subtracao de ouro de outras areas economicas. Tentando simplificar: se existem 100 moedas de ouro no mercado, e eu empresto a outra pessoa 1 moeda esperando receber 2 moedas daqui a 5 anos, entao todas as demais mercadorias em circulacao, no valor de 98 moedas, teriam que ser desvalorizadas (num processo de deflacao), para que sobrasse 2 moeda para eu receber de volta ao fim do periodo.\r
\r
Eh isso mesmo, ou algo parecido?
Tenho uma pequena dúvida prática. Como um reles mortal que não é dono de um banco pode fazer paraa faturar com essa lambança?
Como ficaria um novo banco que operasse no Brasil (considerando o atual sistema bancário que você descreveu) de forma ortodoxa, servindo de intermediário financeiro entre o poupador e o investidor? Eu tenho a tendência a acreditar que tal banco seria rapidamente excluido do sistema, penalizado por querer fazer negócios reais em um ambiente de fantasia… mas gostaria de ouvir a opinião de vcs…
Não sou economista. Sou engenheiro eletrônico, e, talvez isso explique em parte algumas ideias que tenho há algum tempo e que vou compartilhar aqui.
Não vejo mais nenhum sentido teórico em ainda haver bancos. Em tese, eles só deveriam existir para "guardar" moeda física, mas ainda continuam existindo, e ainda continua existindo também moeda física. Nos dias de hoje, com o nível de informatização existente, é um absurdo ainda haver moeda física.
O sistema que pensei e que proponho extingue a moeda física e os bancos – e, com eles, o sistema de reservas fracionadas, trazendo o mundo monetário para o mundo real.
Proponho apenas a moeda eletrônica, onde cada cidadão disporia de uma carteira eletrônica que seria a porta para suas movimentações financeiras (compra/venda) que seriam registradas numa base de dados mantida pelo estado. Seria a única moeda circulante no país. Cada débito seria relacionado a um crédito de igual valor. Numa transação de compra/venda, por exemplo, o vendedor solicitaria um crédito do comprador (no valor do produto vendido/comprado), e este autorizaria o débito em sua conta corrente.
Nesse sistema, não haveria a necessidade de bancos para se guardar dinheiro, pois este já estaria “armazenado” num sistema central de modo seguro. E por que digo seguro?
Porque uma das condições de minha proposta é que o dinheiro deixaria de ser um título ao portador e passaria a ser um título nominal. Ou seja, na base de dados central, toda movimentação financeira teria vínculo entre o titular do débito e o referente titular do crédito. Qualquer contestação (seja por fraude, roubo ou outro meio ilícito qualquer) seria facilmente investigável, já que seria plenamente rastreável. Isso praticamente eliminaria o risco de crimes de motivação financeira. Seria uma consequência de enorme importância do sistema aqui proposto.
Mas tem mais. Na ausência de bancos, qualquer pessoa (física ou jurídica) poderia conceder empréstimos (lastreados em dinheiro realmente existente, diga-se de passagem) a outras. Para isso, o credor associaria uma saída de sua conta para a conta do tomador do crédito com saídas futuras da conta do devedor para a sua própria (do credor) – obviamente com a autorização de ambos os envolvidos –, já contabilizados os juros. Nas datas acordadas haveria automaticamente o pagamento das parcelas. Ao devedor não haveria a possibilidade de sustar tais pagamentos. E se não houvesse saldo suficiente para honrar alguma parcela?
Aí haveria a transferência do saldo do devedor para o credor, e a dívida ficaria registrada em sua conta agora contando os encargos previamente acordados em caso de saldo insuficiente. Como não haveria outro modo de uma pessoa receber dinheiro senão por sua carteira eletrônica vinculada a sua conta, assim que o devedor recebesse um novo crédito, este seria automaticamente transferido para o credor até que houvesse o pleno pagamento da obrigação acordada.
Está aí outra tremenda vantagem desse sistema: o risco quase zero de calote.
Obviamente que, numa concessão de crédito, o credor – para a análise de risco da transação – poderia exigir do tomador uma consulta oficial a seus compromissos futuros para decidir se concede ou não o emprétimo.
Outra vantagem: este sistema ajudaria as pessoas a não se tornarem insolventes, pois aos primeiros sinais de insolvência, o devedor teria muita dificuldade em conseguir crédito e aumentar ainda mais suas dívidas. Todas as suas remunerações seriam direcionadas ao pagamento de suas dívidas até que não houvesse compromisso em atraso.
Imagine o efeito disso sobre as taxas de juros… Iriam despencar!
E como ficariam as transações internacionais, já que os outros países não teriam tal sistema?
Simples. Para cada entrada de dinheiro em moeda estrangeira, o governo lançaria um crédito convertido para a moeda eletrônica na conta do recebedor e reteria em seus cofres (ou depositado de alguma outra forma) o valor original da transação na moeda estrangeira. Para cada fluxo de dinheiro para o exterior, o processo ocorreria de forma inversa.
Utopias à parte, está lançada a ideia – se é que alguém não o fez antes – para as devidas críticas e comentários.
Prezado Leandro:
Trago à discussão tema de certa forma ligado a esse com que vc nos brindou. Obtive-o no endereço futurefastforward.com/images/stories/financial/TheGoldProblemRevisited2.pdf , de autoria de ANTAL E. FEKETE, intitulado THE GOLD PROBLEM REVISITED*, publicado ontem (30/08/12) no endereço acima referido. O interesse pela matéria é o fato de seu autor fazer alguns contrapontos a Ludwig Mises, como se vê logo ao início do texto:
" The article The Gold Problem of Ludwig von Mises published 47 years ago in 1965, just six years before he died (the gold standard died with him in the same year) has some breath-taking thoughts, for example, "the gold standard alone can make the determination of money's purchasing power independent of the ambitions and machinations of governments, of dictators, of political parties, and of pressure groups", or: "the gold standard did not fail: governments deliberately sabotaged it, and still go on sabotaging it." But for all our admiration we would be amiss if we did not point out certain errors in his article. These are all errors of omission, and correcting them would hopefully make the Mises article even more helpful to the discriminating reader.
Mises fails to answer his own question why gold is the best choice to serve as money.
Indeed, why not another commodity, or a basket of commodities? The reason is that the marginal utility of gold is unique in that it declines at a rate slower than that of any other substance on Earth."
Confesso que meu conhecimento do idioma inglês é “feijão com arroz”, razão pela qual devo haver “flutuado” aqui e ali. De qualquer forma, se vc tiver tempo, prezaria saber sua opinião sobre esse artigo.
Grato.
Venho lendo o conteúdo do site e acompanhando as explicações da crise de 2008 há um tempo. Nos EUA e mais recentemente na Europa a quantidade de dinheiro na economia foi multiplicada várias vezes, pelo menos no EUA, já há 4 anos. Agora no Brasil também percebemos um grande aumento no dinheiro em circulação e na quantidade de crédito concedido.
Segundo a teoria Austríaca a inflação depende principalmente da quantidade de dinheiro colocada em circulação. Então como até hoje os EUA não enfrentam uma inflação, nem ao menos uma pequena inflação, mesmo o Brasil não percebeu uma inflação preocupante apesar do aumento da quantidade de dinheiro.
Talvez seja um campo para nossos atuais economistas Austríacos acrescentarem a teoria já existente.
minha duvida é qual o limite para esta criação de dinheiro e se esse dinheiro criado se torna um dinheiro devido e se sim a quem?
Leandro, excelente artigo. Tenho uma dúvida que ainda não achei resposta. Qual a explicação para que permaneça a cotação do dólar na casa dos dois reais há dez anos, apesar de nos últimos 10 anos a moeda Real já ter sofrido 120,11 % de inflação pelo indice do IGP-M, e o dólar americano no mesmo período 27,21% pelo índice oficial CPI? Pelas minhas projeções, considerando esta defasagem, o dolar já teria ultrapassado os cinco reais. Desculpe fugir um pouco do tópico.
Os bacanas não param!
MP destina crédito adicional para Caixa e BB
O governo editou nesta sexta-feira a Medida Provisória (MP) 581 que, entre outras providências, constitui fonte adicional de recursos para ampliação de limites operacionais da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. A medida autoriza a União a conceder crédito à Caixa de até R$ 13 bilhões e ao BB, de até R$ 8,1 bilhões, “em condições financeiras e contratuais definidas pelo ministro de Estado da Fazenda que permitam o enquadramento como instrumento híbrido de capital e dívida apto a integrar o patrimônio de referência, conforme definido pelo Conselho Monetário Nacional”.
A MP diz que, para a cobertura desse crédito, a União emitirá títulos da dívida pública mobiliária federal, sob a forma de colocação direta, em favor da Caixa e do BB. As características desses papeis ainda serão definidas pelo Ministério da Fazenda.
Ou seja, aumenta-se o endividamento de toda a população apenas para que os bancos estatais sigam expandindo o crédito artificial, pressionando a inflação de preços, destruindo o poder de compra das pessoas e estimulando o endividamento dos otários. O resultado é esse aqui:
Renda comprometida das famílias com dívidas bate recorde de 22,38%
Para um gráfico mostrando que, no quesito endividamento, estamos duas vezes piores do que os americanos, veja este artigo.
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1320
Leandro, boa noite. Estou elaborando um trabalho de pós-graduação, onde irei abordar, dentre outros aspectos, como a regulação, principalmente, a Lei Sarbanes-Oxley, não resolveu os problemas posteriormente criados após a sua edição. Você teria algum artigo/texto para sugerir para a minha leitura? Caso eu precise de alguns dados poderia me ajudar como obtê-los mais rapidamente? Obrigado.
Seria muito interessante se os bancos fossem obrigados a explicar todos estes detalhes quase nunca mencionados a todo cliente que for abrir uma conta em banco, a entregar panfletos com explicações a prova de idiotas, e fossem obrigados a divulgar, tanto em seus sites como nas agências, qual o nível de reservas de moedas que eles possuem no momento.
Belo artigo. Simplesmente interessante. Agora sei de onde vem o dinheiro que nossos clientes vem enlouquecidos tomar emprestados e pagar juros por eles hehehhehe. Mundo sinistro não acham?
Leandro,
Apesar de eu ser formado em economia, estou ainda em uma saga pessoal para entendê-la.
Estou evoluindo rapidamente em vários pontos e esse seu artigo fechou algumas peças do meu quebra-cabeça. Obrigado!
No entanto, ainda estou confuso sobre algumas coisas.
Uma parte eu não entendi, foi essa:
“A função do Banco Central em todo este esquema é propiciar seguidas injeções de reservas bancárias para permitir que a expansão do crédito bancário prossiga incólume. Afinal, sempre que ele pára de injetar reservas, a SELIC sobe e o povo reclama”
A primeira frase, ok. A função do banco central é imprimir dinheiro dando a garantia de que o banco pode tomar mais risco do que normalmente tomaria. Mas como essa emissão de moeda ocorre na prática? O BC faz um empréstimo ao banco e entrega-lhe um bolo de papel moeda?
A segunda frase me deixou um pouco confuso também. Entendo que se o BC prover menos papel moeda, o mercado interbancário ficará com menos recursos, e a taxa de empréstimo interbancária tende a subir. No entanto a SELIC não é fixada pelo BC? Como o governo consegue fixar o preço da SELIC, e impedir que os bancos negociem no mercado interbancário a outra taxa?
Funcionaria como um controle de preços, no qual o BC teria de prover a oferta ilimitada de papel moeda caso os bancos demandem no mercado interbancário? (a não ser que os bancos estejam dispostos a emprestar a uma taxa mais baixa que o BC, que eu imagino ser algo raro).
Na verdade quando o Copom decide a SELIC ele implicitamente está decidindo quanto de papel moeda ele vai emprestar para os bancos injetarem na economia? Ou a SELIC pode variar além do desejo do BC?
Se puder me responder se estou correto e/ou me indicar artigos que expliquem como funcionam ou detalhes dessas operações, agradeço.
Abraços e obrigado!
Leandro,
Primeiro, parabéns pelo artigo. Venho acompanhando o site há um tempo e estou gostando bastante dos textos publicados.
Não entendi a criação de $5.000 na sua terceira tabela. De acordo com o Cosif, o valor deveria permancer o mesmo, pois foi subtraído $5.000 de depósitos a vista para depósitos a prazo, e esses $5.000 não entrariam na conta 1-disponibilidades.
Caso possa clarear um pouco essa situação ajudará um bocado. Enquanto isso vou ver se consigo encontrar essa possibilidade no Cosif.
Abraços
Leandro, fui introduzido hoje aos seus artigos, li vários e gostaria de te parabenizar pelo ótimo trabalho. Todos os artigos que li achei muito didáticos e informativos. Porem senti as vezes a falta de um pouco mais de imparcialidade e estilo acadêmico no direcionamento da informação. A maioria das pessoas provavelmente discordem de mim por verem nesse tipo de artigo uma forma de chocar as outras pessoas (e chamar atenção) ao compartilhar o teu pensamento, e por isso provavelmente você não deva me ouvir.
No caso desde artigo em particular, eu gostaria de ter visto você salientar que sem a monitorização da economia (criação de dinheiro “do nada” nas suas palavras) o dinheiro se tornaria escaco com o crescimento da economia, forcando as taxas de juros para cima e desacelerando o desenvolvimento. Essa foi uma das razoes para a abolicao do golden standard. Alem disso, uma economia operando num ponto de equilíbrio (AS/AD) abaixo do full-employment operaria com recursos disponiveis inutilizados requerendo uma ação do governo para empurrar tal equilíbrio para mais perto do full-employment. O jeito mais rápido de se fazer isso eh através de politica de expansão monetária. Todos os paises do MUNDO fazem isso. Outro ponto que eu achei um pouco desvirtuado foi sobre os bancos serem capazes de “inventar dinheiro”. Não ficou claro que esse dinheiro não se torna parte do capital do banco. Essa quantidade de dinheiro criada “do nada” entra no balanço do banco como “divida” que tem que ser eventualmente quitada. Sendo que os Bancos só podem “criar” esse dinheiro para emprestar, essa quantidade eh limitada pelo risco de não receber, ja que o lucro do banco eh o juro proveniente do emprestimo e nao o dinheiro “criado” em si. Se a porcentagem de calote for muito alta o banco não vai ter dinheiro para cobrir seus gastos e suas reservas, aumentando a razão passivo/ativo se tornando uma instituição inconfiável e eventualmente indo a falência. Nao?
Por favor me corrija se estiver falando alguma besteira pois você muito melhor do que eu sabe como tudo isso funciona.
Abraco
Caro Leandro, tenho uma duvida: o que aconteceria na economia do brasil (eu sei que vc questiona o pib como indicador, mas na falta de outro) no curt, médio e longo prazo, caso o Brasil, e só o Brasil, parasse imediatamente de aumentar a oferta de dinheiro na economia (ou pelo menos parasse de emitir dinheiro não lastreado)… eu sei que isso provavelmente nunca irá ocorrer, mas quais seriam as consequencias prováveis (positivas e negativas) caso isso acontecesse?
Leandro
É interessante notar que a expansão monetária é principalmente um fenômeno contemporâneo. Antes da invenção do papel-moeda, era complicado excessivamente visível o truque de aumentar a quantidade de dinheiro na economia. Governantes eventualmente recolhiam o dinheiro e o cunhavam com um peso menor. Ocorre que não podiam fazer isso o tempo todo, e até o mais pascácio dos cidadãos percebia a mutreta. Então o truque de inflacionar a moeda era bastante limitado.
O que os fanáticos pela expansão monetária não conseguem explicar é como a economia dos países crescia sem que houvesse grande expansão monetária. Com o desenvolvimento de novas técnicas, surgiam cada vez mais bens de consumo, a qualidade dos produtos melhorava, os preços se tornavam cada vez mais acessíveis ao povão. E não existiam crises surgidas do nada, “medos irracionais” que levavam a economia a parar, como supõem os keynesianos que inevitavelmente ocorrerá se o governo não criar inflação. Crises normalmente tinham causas reais, e findavam logo. Olhar o desenvolvimeno de inúmeros países durante os séculos XVIII e XIX, simplesmente alicerçados no acúmulo de capital (isto é na poupança) e na inovação técnica, é um exercício fascinante. A população aumentou rapidamente, porque pela primeira vez na história a produção agrícola e de todo tipo de bens crescia rapidamente.
Será que os keynesianos não percebem isso, que eles não criaram o desenvolvimento econômico, criaram a inflação galopante e o endividamento irracional de virtualmente todos os governos? Porque eles se atribuem a descoberta da chave para o desenvolvimento, se são eles os maiores criadores de crises e recessões? eles não percebem que antes deles o desenvolvimento era mais contínuo? Porque eles se atribuem a garantia da estabilidade monetária, se o aumento de preços era um fenômeno passageiro até o final do século XIX, e a lenta diminuição dos preços era a regra? Será que eles se julgam os descobridores da roda e do fogo também?
Uma pergunta intrigante: os bancos podem ter perda financeira? Dividindo a pergunta em duas partes:
1) Dado que o dinheiro emprestado é literalmente criado, qual o risco que o banco corre na concessão de um empréstimo? Exceto pelo fato de que o banco vai deixar de ganhar os juros, se o tomador do empréstimo não pagar a dívida, o banco não perde nada, pelo que entendo. Isso provavelmente geraria redução na reserva bancária, mas bastaria o Banco Central injetar mais recursos que o problema estaria sanado, correto? De toda forma, não consigo imaginar um cenário de perda financeira para o banco.
2) Quando o tomador do empréstimo paga a dívida, o dinheiro virtual criado no momento do empréstimo desaparece. Sendo assim, o que impede o banco de cancelar um empréstimo, como se ele nunca tivesse existido, mas com o dinheiro criado permanecendo com o tomador do empréstimo? A explicação que encontro é que dessa forma o banco vai estar injetando dinheiro na economia, causando inflação e, consequentemente, gerando menos lucro para ele no futuro. Mas, mais uma vez, o banco não teria perda e sim menos lucro, correto?
Leandro
Pelo que entendi, o dinheiro criado pelo banco, no momento em que concede empréstimo, desaparece quando o empréstimo é pago.
Se não vejamos: Cem clientes depositam cada um $100 em conta corrente no banco, totalizando $10.000. O banco, cinete da probabilidades de saque, julga seguro emprestar $2.000 ao fulano X, que veio em busca de empréstimo, que deverão ser devolvidos em 6 prestações de $350, perfazendo $2.100. Tecnicamente o banco está insolvente, visto que se todos os cem clientes vierem sacar todo o seu dinheiro, faltarão 3.000. Desta forma, existem contabilmente $2.000 reais a mais na economia, o que caracteriza inflação monetária. X exercer suas atividades de agente econômico e consegue pagar normalmente o empréstimo, inclusive os juros, que vieram de seus lucros em sua atividade comercial ou de seu salário. Se ninguém mais tomasse empréstimos, o banco estaria novamente solvente, e toda a inflação monetária gerada nessa operação teria sido esterilizada.
Então é lícito supor que a diminuição do nível de endividamento da sociedade elimina parte da inflação monetária? Também seria correto supor que o pagamento de todos os empréstimos bancários, por parte de todos os agentes, sem que mais ninguém tomasse empréstimos, eliminaria totalmente a inflação?
Se estou correto, num sistema de reservas fracionárias, o governo depende do endividamento da população para gerar inflação. Logo, uma população mais prudente quanto aos financiamentos (que prefira, sempre que possivel, acumular reservas para comprar os bens, em vez de tomar empréstimos, e que seja culdadosa em não se endividar de mais, e que calcule cudadosamente qual é a taxa de juros real dos empréstimos, para evitar pagar juros altos) tal pupulação destruirá os planos do governo de criar grande inflação monetária. Está correto o meu raciocínio?
Leandro, citaste que uma das causas do aumento dos depósitos a prazo ocorrido em 2008 "pode ser explicada tanto pela elevação da SELIC quanto pelo fato de, ainda àquela época, não haver compulsório para os depósitos a prazo". Mas imagino que a disparada deste número, neste período, assim como em 2011, tenha impacto mais direto do resultado do mercado de ações. Analisando o Ibovespa, estes dois períodos (2008 e 2011) foram os seus momentos de queda, tempos de grande incerteza nos mercados e então os investidores buscaram fortemente a "segurança" da renda fixa. Tal tua opinião sobre esta hipótese?
Leando, mandei esse artigo para o meu ex-professor de Economia e ele respondeu o seguinte: “Discordo do argumento central: bancos não criam dinheiro do nada… ao realizar operações de crédito, um banco TRAZ riqueza do futuro… o recurso emprestado vai ser aplicado em capital, gerar lucro e o banco recebe uma parte desse lucro… Mas acho que o artigo todo precisaria ser discutido em uma aula de Economia Monetária.” – Como assim o banco TRAZ riqueza do futuro?
Leandro, qual a sua avaliação do ponto de vista econômico da proposta de economia baseada em recursos do projeto Venus (www.thevenusproject.com)?
Leandro, fiquei com uma dúvida.
Entendo que o dinheiro virtual criado pelo crédito bancário seja simplesmente uma geração de inflação, o fato do governo imprimir dinheiro seria somente uma contrapartida para ajustar esta conta, correto? Afinal a moeda já foi desvalorizada quando o dinheiro foi criado do nada.
Mas, se o pensamento acima for correto, me parece que mesmo com o crédito real poderia sofrer disso, não? Afinal o banco também criou esses juros do nada… só foi em escala menor.
Só pode ser uma piada:
http://www.youtube.com/watch?v=qY3bc1mkNeQ
Sapoia garante!
(A galera do Mises não poderia fazer uns vídeos assim tabém no Youtube?)
Vi uma frase em um artigo ”avaranda.blogspot.com.br/2013/04/mudando-de-assunto-luiz-carlos-mendonca.html ” que me deixou em duvida, vou colar o trecho aqui, se o Leandro puder me explicar:
”O modelo de um ajuste fiscal violento, sem a ajuda de uma expansão monetária agressiva como a perseguida pelo Fed nos Estados Unidos, está por trás do atraso europeu.”
O que o autor quis dizer com ”expansão monetaria agressiva como a perseguida pelo FED” ? Como está se dando (se é que esta se dando) esta expansão, e ela é benéfica ou ruinosa, na sua opinião? Quem esta mais no caminho certo, na sua opinião?
Olá Leandro,
Recentemente tive acesso ao conteúdo desse maravilho site e também deste seu artigo. Mto bom, parabéns!
Se possível, gostaria de saber como nós (pessoas comuns) podemos nos proteger dos efeitos deletérios (inflação, basicamente) dessa política expansionista de crédito bancário. Eu particularmente já tinha uma convicção pessoal de que poupar a cada dia que passa fica cada vez mais difícil por conta dos efeitos da inflação. E se nao poupamos hoje teremos sérios problemas em mantermos nosso próprio sustento no futuro. A cada dia que passa, trabalhamos cada vez mais e nossa poupança parece cada fez menor. Essa é uma preocupação que tenho, pois não teremos a mesma força de trabalho depois que envelhecemos.
O podemos fazer para nos proteger desse tributo maligno chamado inflação?
Grato!
Ainda não li todos os artigos, conheci o instituto somente hoje.
Gostaria de um esclarecimento sobre o interbancário de CDI que se processa no âmbito da Cetip S/A, de que forma ele pode suprir recursos para expansão do crédito e, na sua visão, como esse mercado pode influir na formação da Selic?
Já há algum artigo escrito sobre isso?
Grato e parabéns pelo site.
PS Venho fazendo posts em outro blog nessa mesma visão do mercado financeiro e já me fascinei pelos artigos deste site, aos quais fiz uma rápida visita.
Esta situação é mundial. Para quem quiser saber mais sobre esta loucura no mundo é só visitar as seguintes páginas:
http://www.resistir.info/financas/secrets_of_money_p.html
http://www.resistir.info/europa/moeda_de_estado.html
Este sistema é o que levou o mundo desenvolvido ao colapso atual. Pelo lado bom, tudo está em vias de mudar…
É correto dizer que, “se” a CEF comece a receber calote generalizado dos tomadores de empréstimo, uma crise bancária nacional será desencadeada? Seria irreal supor que, com o anúncio esta semana do “bail-in” como método para resgatar bancos em caso de uma crise, os correntistas com alguma quantia considerável em depósitos estão na mira para serem financiadores de um eventual resgate? Só imagino como ficaria, nesta situação, o FGC, que anunciou hoje que aumentou a cobertura de R$70k para R$250k, talvez já estejam preparando terreno para uma solução como a executada no Chipre.
De qualquer maneira, vou abrir uma conta no exterior, só pra garantir.
Pessoal, como uma pessoa sem conhecimentos de economia, eu gostaria de fazer algumas peguntas para vocês (desculpem se minhas perguntas são muito bobas, de resposta óbvia ou se já foram respondidas anteriormente):
Já que os bancos podem criar dinheiro do nada e isso gera inflação e tende a gerar uma recessão na economia, seria o caso de abolir esse sistema de reservas fracionadas?
Em caso afirmativo, como poderia ser feita essa transição para que os bancos fossem apenas intermediadores entre poupadores e empreendedores, sem causar um desequilíbrio à economia?
Vi que na seção biblioteca desse site existe muito material, mas quias são indicados para quem ainda não tem conhecimentos econômicos como eu? Pelo título, me interessou muito o livro “Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos”, mas acho que ainda é uma leitura muito pesada pra mim.
Agradeço se puderem me responder.
Olá, estou fazendo minha monografia sobre o Sistema de Reserva Fracionária e gostaria se saber de onde retirou os dados para fazer os gráficos.
Desde já agradeço.
Além do compulsório não existe outra limitação da alavancagem dos bancos? O comitê da Basiléia recomenda uma alavancagem máxima de quantas vezes o valor do patrimônio líquido dos bancos? O Bacen adota alguma limitação desse tipo?
Leandro ótimo texto – sou economista de primeira viagem e me projeto a área bancaria pública. logo quero fazer uma analogia ao texto e duas perguntas.
Primeiro, pelo que intendi vivemos quase num sistema de “mercantilismo bancário” onde eles tenta manter suas reservas inalteradas mas investindo em propensões de lucro. Não se assemelha ao sistema que o Império Inglês fez com suas colonias? ou viajei na maionese? rsrs
pronto perguntas na sua opinião:
Esse processo de ciclo de expansão no nosso pais é curto, logo o remédio seria uma solvência maior dos numero de bancos no mercado ou um regime de controle maior de compulsório?
E a meta de inflação projetadas usando como mecanismo (por alto) apenas a selic como o controle da geração de credito é fraca, deveria haver uma regulamentação maior acerca câmbio interbancário? se sim qual seria a imposição que poderia forçar os bancos a diminuir os juros e beneficiar setores da economia? setores como os pequenos banco e bancos cooperativas.
Boa tarde, excelente artigo e muito claro. Porém, estou fazendo um trabalho voltado à controladoria e contabilidade bancária. Poderia me informar como é o real funcionamento do que dizem ser a dedutibilidade? Onde o BACEN controla os créditos podres e restitui os valores em forma de dedução? No caso para créditos pessoais, contratos acima de 180 dias e financiamento de bens para contratos inadimplentes acima de 720 dias sem a busca ou apreensão do bem. Fico no aguardo. Muito obrigado e parabéns.
Olá, mais um excelente e explicativo artigo, porém alguém poderia me ajudar a solucionar uma questão vital que não consigo compreender?
Como a economia vai crescer e as pessoas enriquecerem se não for criado dinheiro do nada pelos bancos?
O que adianta eu montar uma empresa e produzir um produto gerando riqueza para a sociedade se ninguém poder comprar este meu produto?
Se todas as pessoas estiverem com o orçamento todo comprometido, como vão poder adquirir novas riquezas geradas?
Ou seja, pelo que penso, assim não seria criado dinheiro, só transferido, então para alguém ganhar mais outro sempre teria que ganhar menos.
Grandes intelectuais autores e leitores do Misses, podem me explicar e me ensinar por favor?
Leandro, bom dia.
Não sei se você tem acompanhado o debate entre o Bob Murphy e autores de uma escola chamada MMT – Modern Monetary Theory – principalmente um chamado Warren Mosler (o debate está no youtube). Um desses autores, chamado Randall Wray, argumenta que esse sistema bancário de reservas fracionárias e moeda estatal existe desde sempre, que o dinheiro não é commodity e nunca surgiu do escambo, mas é e sempre foi um título de dívida, sendo uma criação do estado como unidade de conta – a visão chartalista da moeda, embasada em Innes-Mitchel, David Graeber etc. Eles dizem que o estado se financia criando moeda e o público vende seus bens e serviços pro estado porque precisa da moeda pra pagar impostos, por isso a moeda estatal tem poder de compra (quando o estado recebe de volta a moeda ela "morre" como uma quitação de dívida). Disso, argumentam que o estado não se financia pela coleta de impostos e nem do endividamento, estes dois servem apenas para drenar excesso de moeda da economia real e evitar inflação de preços. Desta forma, os déficits governamentais não seriam preocupação e nem um fardo para futuras gerações, já que o governo pode se financiar por ser o emissor de moeda; moeda e dívida são os dois lados da mesma moeda, como dizem eles. E como moeda é dívida, ela é criada de forma endógena, pelos agentes nos mercados, ou seja, qualquer um é emissor de moeda. O problema é que dívidas privadas só podem, em última instância, ser quitadas em dívidas públicas (a moeda estatal).
Eles também afirmam que a inflação de preços e os malinvestments não decorrem do aumento da moeda, mas ao contrário, são as causas para o aumento da quantidade de moeda estatal, seu efeito.
Outro ponto que eles levantam é que o governo não pode ser comparado a qualquer outra instituição privada pelo fato de ser o emissor de moeda, assim, afirmam que o governo precisa estar sempre em déficit para que o público tenha dinheiro suficiente para pagar os impostos e poder aumentar a poupança privada. Eles sempre apresentam essa fórmula: G – T = S – I. Se os governos incorrerem em superávits, estarão apenas aumentando o fardo de impostos sobre a população e no final das contas não haverá mais moeda pra transações quando o governo quitar a dívida pública.
Ah! E os investimentos não vêm da poupança, mas é a poupança que é criada pelos investimentos, já que moeda é um título de dívida e não uma commodity. E até o mercado é invenção do estado pra eles.
E como tudo isso é assim mesmo, eles propõem uma política de estoque regulador de trabalho não especializado com um valor pré-definido pra evitar ciclos econômicos, inflação de preços e gerar automaticamente pleno-emprego.
Como você vê esses argumentos todos? Desculpa te incomodar com isso, mas não acho que o Murphy tem respondido à altura e não vi mais nenhum austríaco interessado neste debate, apesar de achá-lo de suma importância pelos resultados que esse intervencionismo todo pode levar (e eu não consigo visualizar em todos os seus detalhes).
Desde já agradeço e desculpa o tamanho do comentário.
Boa noite Leandro!
Entrando no mérito do assunto,gostaria de saber qual a sua opinião e a do IMB sobre o FGC.Essa associação é benéfica pra todos ou é só mais um truque do sistema bancário?
Obrigado!
Prezados,
uma dúvida teórica. Após a leitura desse artigo surge uma pergunta: vale a teoria clássica ou keynesiana? A poupança gera o investimento ou o investimento gera a poupança?
É necessário uma poupança prévia para gerar o investimento ou o crédito viabiliza o investimento que por sua vez se desdobra em poupança ex-post?
Obrigado!!
Parabéns pelo excelente artigo.
Há tempos não via informação tão clara, objetiva e imparcial!
Ganhou um fã! 😉
Parabéns pelo excelente artigo. Infelizmente sabemos que o número de pessoas que se interessam a entender esses meandros da realidade é muito reduzido. A única solução prática é tornar a moeda independente do estado e as criptomoedas descentralizadas (ex. Bitcoin) estão no caminho certo.
Leandro, como você se posiciona pessoalmente em relação as criptomoedas?
Leandro, uma dúvida. Seguindo o raciocínio exposto no artigo que diz que toda oferta monetária é equivalente a dívida existente no sistema financeiro (governo + empresas + famílias), seria possível afirmar que para quitar toda a dívida (principal + juros) seria preciso realizar novos empréstimos para pagar os juros? Uma vez que a oferta monetária equivale a apenas o principal da dívida.
POLITICA DO FED AINDA É EXPANSIVA
O FED não está retirando estímulos. Continua aumentando menos, a um ritmo menor. Os estímulos continuam a crescer, só que em ritmo menor. A dívida não diminui: apenas cresce menos: 500 bilhões a mais, em lugar de 1 trilhão de dólares anuais.
É muito pequena a retirada de 10 bilhões mensais (500 bilhões no ano) para produzir qualquer efeito significativo.
Olá caros IMBistas,
O assunto é meio off-topic (ou não), mas queria a opinião de vcs sobre a descrição do sistema bancário contida no filme “Zeitgeist Addendum”. Eu acho toda a série e movimento Zeitgeist meio forçado demais, muitas vezes distorcendo as coisas para encaixar em conceitos pré-definidos do diretor… mas a parte inicial do Addendum me pareceu bem condizente com a realidade e só um pouquinho pendendo para a teoria da conspiração.
Como um fact-check, envio a dúvida para os ilustres… Obrigado.
Bom dia Leandro!
Gostaria de tirar uma dúvida sobre os balancetes dos bancos:
Quando um cliente paga um empréstimo ao banco as reservas bancárias desse empréstimo continuam no sistema bancário ou elas também são liquidadas?
A INGENUIDADE DO ESTÍMULO AO CONSUMO
O "Tsunami de dólares" – que tanto irritou a presidente – ocorreu simultaneamente aos estímulos ao consumo no Brasil. Não constituiu surpresa alguma a valorização do Real frente ao Dólar que levou ao consumo de bugigangas importadas. Apesar de esgotados, os estímulos persistem até hoje.
Tal como nos EUA o governo brasileiro não precisaria tomar nenhuma providência porque os salários já estavam valorizados pela imensa oferta Chinesa de uma vasta gama de mercadorias baratas. Estimular o consumo de bens específicos serviu para reforçar ainda mais o poder de compra dos assalariados, à custa daqueles que ficaram de fora dos incentivos. O trabalhador se tornou mais caro para as outras atividades, perdendo competitividade e o país se industrializou.
O ex-presidente aproveitou uma janela dos enormes superávits produzidos pelo "boom das comodities" – minérios e agronegócio subsidiado – para constituir grande reserva e fazer a distribuição de renda com aumento dos salários acima da inflação. Poderia ter aproveitado para fazer investimentos em infraestrutura, mas não foi isso que aconteceu. Retirou IPI de alguns produtos e entupiu as cidades e estradas de automóveis e caminhões. Inclusive as pequenas cidades.
Poderia ter aproveitado o momento para fazer investimento em infraestrutura. Não o fez. Mas, pode voltar a exportar bens industriais devido ao dólar valorizado.
Aumento generalizado dos salários acima da inflação torna o trabalhador brasileiro caro e faz perder a concorrência para países mais pobres. Não há desindustrialização, mas mudança para o setor de serviços, uma característica precoce de país industrializado. Nossa industrialização se deu na década de 70 e de lá pra cá voltamos ao setor primário.
As “reservas bancárias” são lastreadas em cédulas? Ou, pelo menos, o Banco Central garante que se necessário transformará o dinheiro eletrônico presente nas “reservas bancárias” em cédulas?
Bom dia Leandro!
Estou fazendo um trabalho de faculdade sobre o comportamento dos agregados monetários,e comparando o desempenho dos depósitos de conta corrente e dos ítens do M2 excetuando o M1 vi que a partir do segundo semestre (a partir de setembro) o crescimento do M2-M1 tem sido maior que o crescimento dos depósitos de conta corrente em 12 meses,isso seria um indício de migração de contas corrente para o M2?
Leandro fiquei com uma dúvida no M1:
os depósitos à vista que vão pro cálculo do M1 são os que estão nos passivos dos bancos (reservas inclusas) ou se desconta as mesmas?
Ah e mais,se o M2 é o total do passivo bancário,então por que o crédito total da economia é bem maior que o M2?
Caro Leandro,
Parabéns pelos excelentes textos. Sou “formado em economia”, entretanto confesso que cada vez que leio seus textos e os dos outros ECONOMISTAS, sinto que preciso estudar muito, muito mesmo para um dia chegar perto do conhecimento e discernimento de vocês. Continuem com essa maravilhosa função social, de dividir o Bom conhecimento aos sedentos de informação!
Parabéns
Henrique
Artigo do Banco da Inglaterra que descreve como a criação de dinheiro é realizada por lá. Basicamente o processo é o mesmo que aqui. Mas é interessante ler tudo isso saindo da “boca” da própria instituição.
http://www.bankofengland.co.uk/publications/Documents/quarterlybulletin/2014/qb14q1prereleasemoneycreation.pdf
Leandro, no trecho abaixo você diz que a taxa é a SELIC, não seria a taxa DI, publicada pela CETIP?
“No entanto, caso algum banco chegue ao final do dia tendo de arrecadar dinheiro para cobrir o rombo em seu compulsório, ele irá recorrer ao mercado interbancário, no qual aqueles bancos com reservas em excesso emprestam dinheiro para aqueles com reservas insuficientes. Os juros que eles cobram nesta operação é exatamente a taxa SELIC.”
amigo por favor faz um artigo sobre como os juros afetam a economia. li um artigo dizendo que os empréstimos não podem ser pagos pq o empréstimo é feito: ( dinheiro+ juros) só que o dinheiro do juros não está a ser criado então é impossível ser pago. por um tempo eu pensei que isso era mentira porque quando você faz um empréstimo é possível pagá-lo existem inúmeras pessoas que conseguiram quitar empréstimos com o banco, mas no artigo dizia que só uma parte vai conseguir pagar ex: o banco empresta 7 reais a três pessoas, mas com o juros todas as três tem que devolver 8, a primeira e a segunda vão conseguir a primeira vai tirar 8 e vai sobrar 13 e a segunda vai tirar 8 e vai sobrar 5, o que torna impossível de ela pagar, esse mesmo artigo até cita a crise de 29 como exemplo, quando o banco parou de conceder crédito nem todo mundo conseguiu pagar o que levou a crise econômica, amigo ficaria grato se você me respondesse, desde já agradeço. se puder faz um artigo falando de juros. abraços!
Ola , alguem poderia por gentileza me explicar o seguinte
se o governo fabricar papel moeda mais que o necessario e injetar no mercado como doaçao por exemplo as pessoas, isso gera inflaçao , certo?
mas se o governo conseguisse travar os preços ( tabelar ) e nao ter reajustes no comercio , poderia gerar inflaçao de outra forma ou ate mesmo deflaçao?
Perfeito!
Bem vindos ao Capitalismo!
Alguém pode me explicar a diferença entre depósitos a prazo e depósitos em poupança?
“Quando o Tesouro faz um leilão de títulos, os bancos criam dinheiro eletrônico para comprar estes títulos.”
Isso não é verdade.
Bancos comerciais só podem comprar títulos nos leilões do Tesouro com Reservas Bancárias.
Reservas Bancárias são emitidas única e exclusivamente pelo Banco Central, e os bancos comerciais não podem e nem conseguem emitir esse tipo de dinheiro (a não ser que invadam os sistemas internos do Banco Central).
Os bancos comerciais precisam conseguir essas Reservas Bancárias para pagar compras de títulos do tesouro nesses leilões. Se eles não tem Reservas Bancárias, eles não conseguem comprar. Simples assim.
“Se você pedir um empréstimo para comprar um carro, o banco vai criar dinheiro eletrônico na sua conta.”
A princípio isso é verdade.
Mas se você exigir sacar o dinheiro para pagar a vista ao dono do carro, o banco vai ter que se virar e encontrar em algum lugar moedas e células de real para te pagar, e esse tipo de dinheiro ele não pode emitir ou fabricar (é crime, e apenas o Banco Central do Brasil pode, através da Casa da Moeda).
Além disso, vamos supor que você pediu dinheiro emprestado ao Itaú para financiar seu carro, que será vendido a você por uma concessionária.
No momento que você pede o empréstimo, a única coisa que o Itaú faz é mexer em alguns números eletrônicos no sistema interno, fazendo o valor da linha “Saldo em conta corrente” da sua conta corrente aumentar. O Itaú tem realmente todo o poder para emitir esse tipo de “dinheiro” (que eu não gosto de chamar de dinheiro, mas é como chamam, não posso lutar contra as pessoas). Se a concessionária tem conta em outro banco, como o Bradesco, dai a coisa pode complicar. Você tem que transferir o “dinheiro” emprestado do Itaú para a conta da concessionária, no Bradesco. Nesse caso, o Itaú vai ter que dar um jeito de conseguir Reservas Bancárias (que ele não pode emitir, apenas o Banco Central pode emitir) e transferir essas reservas para o Bradesco.
O caso mais fácil para o Itaú seria se tanto você quanto a concessionária tivessem conta corrente lá. Nesse caso, quando você faz a transferência de dinheiro da sua conta corrente para a conta da concessionária, o Itaú apenas manipula números em seu sistema interno, e não existe realmente um fluxo de dinheiro (como moedas, cédulas ou Reservas Bancárias) se movendo. É só um bem bolado interno que o Itaú faz entre as contas correntes de seus clientes. O Itaú diminiu o Saldo em Conta Corrente de você, cliente, e aumenta o Saldo em Conta Corrente da concessionária.
Não podemos confundir moedas de real, cédulas de real e Reservas Bancárias (que são “reais eletrônicos”) com outros tipos de dinheiro, como depósitos em conta corrente dos bancos comerciais (e depósitos de poupança ou depósitos a prazo) pois essas coisas são bem diferentes, e os bancos comerciais conseguem emitir apenas depósitos de bancos comerciais.
Senhores, discussão excelente.
Um detalhe que eu pude entender da discussão é que moeda escriturária criada por um banco comercial só faz sentido dentro do "mundo de operações" do próprio banco que a criou. Consequentemente, qualquer operação de transferência entre entidades (bancos comerciais, BACEN, governo) necessariamente é feita utilizando moedas de Real, cédulas de Real e Reservas Bancárias (“Reais eletrônicos”), pois moeda escriturária não tem significado nenhum fora do ambiente do próprio banco comercial que a criou.
É isso mesmo?
Ola Leandro.
Parabéns pelo site e pelo artigo.
Bueno, tenho duas perguntas:
1 – Tenho $$$ em poupança que o valor da pra construir minha casa. Pelo atual sistema que estamos o que seria melhor? Comprar um terreno e financiar a construção (R$ 150.000) para pagar R$ 1400,00/mês a prestação em 240 meses com valores decaindo, e in vestir o $$$ que tenho, ou construir com meus próprios recursos?
Valeu.
Abraço
Boa noite Leandro,
gostaria de parabenizá-lo pelos textos e, principalmente, ao modo de escrita de fácil compreensão.
Sou biomédico e entendo muito pouco sobre economia. Ouvi falar sobre Mises e teorias econômicas austríacas neste site e me interessei muito. Já li vários comentários sobre quais seriam os modelos ideais de cada um, também tenho um modelo em mente, mas gostaria da sua opinião sobre o que precisa ser feito para chegarmos a um modelo que represente uma economia ideal?
O que vc acha do modelo abaixo:
– Um único banco regulado diretamente pelo Governo, somente para brasileiros no formato cooperativo, onde cada brasileiro ao fazer seu CPF ou Registro civíl, têm sua Conta corrente, mas para movimentá-la somente com 18 anos ou com carteira de trabalho assinada. Recebimento dos lucros da instituição de acordo com o número de quotas capitais e somente se tiver com carteira assinada. Parto do princípio que o Estado não deve ter lucro nem prejuízo, tudo deve ser revertido ao povo. Na medida que o comercio interno aumenta, maior é a riqueza e maior será os ativos do banco. Enxugar a máquina pública aumentando a autonomia dos estados e ficando somente a regulação ao Estado.
Pode ser loucura, mas penso ser algo definitivamente voltado para o povo. Gostaria da sua opinião.
Sou geólogo, mas a clareza do artigo me fez entender melhor sobre este mal contra a humanidade, chamado Sistema Financeiro/Banco/Banca.
Vejo uma solução: tomar a decisão política como aconteceu em Islândia.
Em 2011, a banca foi expulsa deste país. Os banqueiros fugiram da ira popular. O que abalou as bolsa em New York/EUA.
Porém, a mídia comprometida com a banca, pouco divulgou, pois poderia interferir de maneira global.
Poderemos fazer o mesmo no Brasil?
Leandro,
Excelente artigo. Consegui entender tudo que gostaria sobre como funciona os ciclos econômicos lendo os diversos artigos que você escreveu neste site.
Já li tantos artigos seus que não sabia em qual deveria parabenizá-lo pelo excelente trabalho. Escolhi este por ter sido um dos melhores.
Fico impressionado com a relação direta de como tudo que o setor bancário faz tem consequências em todos os outros setores da economia, algo que hoje me parece óbvio, mas antes parecia um arranjo confuso. Tudo se resume ao tripé (modo como entendi) do governo gastar mais do que arrecada, bancos criarem dinheiro do nada e o BC proteger as fraudes bancárias e ajudar a financiar o governo. Disto resulta todas as anamolias que geram ciclos econômicos. (Favor me corrigir caso tenha escrito besteiras, mas de modo bem resumido, foi o que entendi)
Enfim, raramente comento algo no site, mas já aprendi tanto aqui que gostaria apenas de encorajá-los a continuar o bom trabalho. Conheci o site e as idéias austríacas por acaso, enquanto jogava no google dúvidas sobre crises econômicas e desde então entro no site todo dia querendo aprender mais e mais.
Já estou me estendendo muito…rs
Abs
Lendo esse artigo, fiquei pensando que veredito dar aos ladrões de bancos – inocentes ou culpados?
Essa história de criar dinheiro do nada vem de uma confusão do fator multiplicativo que vêm do depósito compulsório. A quantidade de dinheiro de fato não aumenta, o que aumenta é a circulação do dinheiro. E esta, quando não constrita por depósitos compulsórios, segue a lei da oferta e demanda como qualquer outra mercadoria, e restringir isso não é muito diferente do que estabelecer quotas de fabricação de produtos.
Para qualquer empréstimo que um banco faz, ele tem que captar o dinheiro para entregar ao cliente. Os bancos em geral tem duas opções: ou eles pedem emprestado do mercado (outros bancos ou governos) ou eles usam dinheiro depositado de clientes. Em ambos os casos você tem um custo de capital embutido nesse dinheiro, que é o custo de imput da operação.
Se você tirar um balanço financeiro de todas as pessoas do mundo em um dado instante vai ver que o total de dinheiro devido é exatamente igual ao de dinheiro emprestado, e que nenhum dinheiro foi criado no banco. Mas se você tirar a soma do dinheiro em circulação num dia ou mês vai ver que sim, há mais dinheiro em circulação porque os bancos emprestaram mais. E eles emprestaram mais porque havia essa demanda pelo dinheiro. Ninguém aponta uma arma e obriga as pessoas ou empresas a tomarem empréstimos.
O único jeito dos bancos não “criarem dinheiro” seria se o depósito compulsório fosse 100%. O que de fato mataria o sistema bancário eliminando a possibilidade de se fazer qualquer empréstimo a qualquer pessoa ou empresa, a não ser que o governo emprestasse para os bancos, só que aí você teria um depósito compulsório “liquido” inferior a 100% e “criação de dinheiro”. Não preciso nem contar o tamanho da recessão que isto causaria, né?
Leandro, achei brilhante o artigo. Pode-se chegar a conclusão que uma maneira de escapar dessa economia “virtual” é adquirir riqueza real e palpável, como por exemplo terras, ouro, entre outros?
E por isso que os bancos oferecem captalizaçao? Poq que nao vejo lucro nenhum para o correntista,mais o banco da risada,ou seja o banco oferece plano de capitalizaçao para 500.000 clientes,por 4 anos cada um depositara 100 reais por mes,para concorrer a algo sei la um carro por mes,no final se ele nao ganhar devolvem o dinheiro aplicado,mais sem juros e coreçao,esse lucro astronomico serviria para abater os digitos criados ou e so pega bobo para lucrar mais?
Boa madrugada (sim estou lendo de madrugada), sempre leio os artigos aqui do site, são incríveis e me deram uma bela base para encarar concursos bancários.
Minha dúvida é a seguinte; o cálculo sobre o compusório não estaria errado? segundo minha professora de conhecimentos bancários o compusório inside sobre a média da semana de depósitos, então se por exemplo: durante uma semana em cada um dos 5 dias o banco X recebeu 1000 reais, gerando um total de 5.000 reais e uma média de 1000, se o compusório for 40% apenas 400 reais irão para as reservas do bacen e os outros 4600 ficarão no banco o que geraria um efeito multiplicador gigantesco, isso está correto?
Aqui um vídeo do exemplo dado acima.
https://www.youtube.com/watch?v=S-T0R9kFTTQ&feature=youtu.be
Por fim queria perguntar se aqui no site tem algum artigo explicando a zeragem automática das reservas bancárias pelo bacen. Meus agradecimentos a todos do site.
Olá.
Alguém aí pode me indicar alguns livros sobre o sistema financeiro/bancário (tanto brasileiro como americano/internacional)?
Ficaria imensamente grato por qualquer dica.
Abraços.
Olá Leandro.
Duas perguntas, todos os bancos funcionam por esse sistema fracionário? Os de investimento e os estatais tipo BNDES também?
E devido aos problemas dessa forma de injeção de credito, qual é a forma que o MISES defende como a ideal? Qual seria a forma correta do governo disponibilizar credito e moedas na economia?
Obrigado
Prezado Leandro,
1) É mesmo vedado ao BC adquirir papeis diretamente do Tesouro no mercado primário ? Pelo que consta na coluna “N” das abas na seguinte planilha (https://www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/231888/banco_de_dados.xls/75043417-728f-452d-8b69-56f40b4451cb), não seria a autoridade monetária o maior atuante naqueles leilões (obs: ñ sei se a coluna “L” refere-se ao total, ou apenas às vendas aos bancos comerciais) ?
Por sinal, tanto a Lei 4.595/1964 (Art. 10 – XII) como a própria Constituição Federal de 1988 (Art. 164 §2º, embora esquizofrenicamente contrariando seu próprio §1º !) a princípio permitem o financiamento de um pelo outro mesmo nas ofertas públicas primárias, desde que “apenas” p/, respectivamente, “fins de execução da política monetária”, e “regular a oferta de moeda ou a taxa de juros” (o que na prática pelo visto sempre serão as justificativas alegadas pelos órgãos de Estado atuando como parte e contraparte em negócios naqueles eventos).
2) Pelas “regras” atualmente em vigor em Banânia, digo, no Brasil, estaria autorizada a simples criação de dinheiro (independente da forma, física ou eletrônica) pelo BC e sua transferência ao Tesouro sem este entregar títulos próprios à autoridade monetária, conforme sugeriu o colunista Amir Khair no jornal O Estado de São Paulo em artigo do dia 05/Jul/2015, no qual propõe que “…déficits fiscais devem ser compensados com emissão de moeda e não de títulos da dívida” ?!
Isto não configuraria uma evidente fraude contábil nos balanços destes órgãos ? Fez-me lembrar do patético protesto do “saudoso” Guido Mantega ao FMI requisitando que os títulos do Tesouro em poder do BCB fossem excluídos do cálculo da dívida bruta do País por “não terem natureza fiscal”, ao que Gustavo Franco sarcasticamente comparou a um exótico “dinheiro de natureza não-monetária”…
A propósito, por um “acaso” teria sido este absurdo (dentro do absurdo sistema de reservas bancárias fracionárias já então em funcionamento) a imperar na calamitosa década hiperinflacionária de 1980 ?
Obrigado.
Att.
Joaquim Saad
Ok, Leandro. Vou tentar resumir a enorme pergunta anterior p/ ver se consigo uma resposta:
Os bancos têm de quitar “à vista” suas compras de títulos públicos nos leilões primários do Tesouro brasileiro ?
Ou é possível operarem “alavancados” naquele mercado, utilizando inclusive o redesconto intradia do BC p/ subscreverem as ofertas primárias de papeis federais sem terem disponível em suas reservas na ocasião o financeiro correspondente ?
Na segunda das hipóteses acima, bastaria então em seguida os bancos comerciais revenderem ao próprio BC no mercado aberto os títulos do governo que adquiriram “no crédito” no mercado primário no mesmo dia (de quebra lucrando c/ qualquer spread nesta intermediação) p/ assim configurar-se (mais) um canal de financiamento do Tesouro pela autoridade monetária, condicionado totalmente à discricionariedade e ao bom senso (!) do poder executivo central (já que não há limites percentuais p/ dívida e déficit públicos nem na Constituição de 1988, nem em qualquer lei, inclusive na de Responsabilidade Fiscal – 101/2000) ?!
É mesmo assim tão fácil a colocação da dívida pública no Brasil (sem falar no fato do próprio BC participar dos leilões primários do Tesouro, comprando diretamente seus títulos) ?!
Obrigado.
Leandro, obrigado novamente pelos esclarecimentos.
Quanto a ser “imaterial” a possibilidade que questionei dos bancos se alavancarem na aquisição de títulos no mercado primário, a hipótese aventada seria a de inexistência de reservas em excesso necessárias p/ que o sistema bancário pudesse subscrever as ofertas dos leilões do Tesouro. Afinal, neste instante ocorre um débito de suas contas no BC e um crédito correspondente na do governo, não havendo tempo hábil p/ que tais valores retornem aos bancos via gasto público que recomporia as reservas, certo ?
Deste modo, se já tiverem sido empregadas todas as maneiras dos bancos arrumarem recursos p/ efetivar as compras no mercado primário (apelando inclusive ao redesconto INTRADIA do BC – que não tem custo, ao contrário do redesconto de 1 dia ou mais – oferecendo qualquer colateral aceitável, desde títulos públicos em carteira até mesmo certificados privados, a la “Quantitative Easing” americano e europeu, se fosse permitido no Brasil !), então o Tesouro iria enfrentar sérias dificuldades em colocar sua dívida, não fossem as cínicas e esquizofrênicas brechas legais através das quais ele se financia diretamente pela autoridade monetária, cuja atuação nos leilões primários (onde tem tido presença forte ao menos durante a última década) poderia ser então claramente vedada p/ assim configurar-se um potente freio à expansão do endividamento e do déficit governamentais, que por sua vez estão na gênese de todo o processo inflacionário, potencializado pelas reservas fracionárias.
Não acha que tal medida (i.e. banimento do BC do mercado primário) seria muito mais facilmente aceita no âmbito de uma mini-reforma das regras do jogo, enquanto não se vislumbram modificações mais profundas no horizonte ?
Olá Leandro, encontrei seu artigo por acaso e gostei muito. Gostaria de alguma recomendação de leitura e aprofundamento sobre a ciência do dinheiro. [Sou leigo no assunto]. Quero entender melhor para poder saber agir melhor na questão de dinheiro. [PERGUNTA] Podemos dizer que o dinheiro que temos não vale nada? O que realmente vale são os ativos como casas e prédios de aluguel e terras, ou poços de petróleo? Obrigado.
Boa tarde!
Por favor, quais são as leis que dizem claramente que os bancos podem trabalhar de acordo com esse regime de reservas fracionárias? Procurei no site do Banco Central e encontrei números relacionados ao quanto os bancos devem manter de reserva… Porém, nada de “moeda de alto poder de expansão” (não sei se é isso mesmo…), reservas fracionárias, etc…
Obrigado!
Leandro eu só não entendi o porquê de a caderneta de poupança variar inversamente ao comportamento da SELIC,já que a taxa referencial da remuneração da mesma toma como base a média de 30 dias do CDB,que é um título que aumenta a rentabilidade com uma SELIC crescente e diminui a rentabilidade com a SELIC declinante.
E gostaria de fazer uma observação: esses procedimentos de convencer um correntista a migrar seu dinheiro para aplicações que rendem juros também não seriam facilitados pela persistente deterioração do poder de compra da moeda,já que com a conta corrente nessa ambiente inflacionário o mutuário perde poder de compra e tem essa perda pelo menos compensada pela rentabilidade das aplicações a prazo,assim estimulando a permissão do mutuário para fazer a transferência?
Obrigado!
Boa tarde. Adorei este site (que descobri muito por acaso quinta-feira passada). Não consigo mais me separar do site e dos excelentes artigos, como o que acabei de ler.
Passei o site para todos os meus professores e colegas do curso que estou fazendo recomendando fortemente a leitura de todos os artigos aos colegas e professores. Eu tentei acessar o link onde são passadas a informações acerca dos valores emitidos em papel moeda e os que constam informados a depósito. Quando clico no link vêm estas mensagens ” 404 – File or directory not found.” Estou fazendo um artigo de TCC e iria citar a referencia, mas, com a falha não posso baixar o arquivo e fazer a citação sem a prova documental da referencia do BCB. Por acaso o senhor não teria este arquivo com esta informação salva para me enviar (se não lhe parecer muita desaforada a minha parte a solicitação?).
Grata.
A criação de moeda não é o problema mais grave. Vários países possuem juros baixos e tem pouca inflação.
O maior problema é a falta de concorrência, o protecionismo e a apropriação dos bens pelo estado. Essas coisas reduzem o poder de compra, aumentando ainda mais a necessidade de crédito.
Nós temos a maior carga tributária do mundo, se levarmos em conta os serviços prestados pelo governo. Temos o IPhone mais caro do mundo. Pagamos por um carro 1.0 o mesmo preço de um carro 1.6 no exterior. Pagamos mais juros. Pagamos mais caro pela burocracia. Pagamos mais caro pela desvalorização da moeda. Pagamos mais caro pela corrupção. Pagamos mais caro pelo protecionismo. Pagamos mais caro por contribuições sindicais. Pagamos mais caro pela energia. Pagamos muito caro por serviços de telecomunicações. Pagamos muitos caro pela infraestrutira das empresas e de logística. Pagamos caro por moeda estrangeira.
Como pagamos caro pelas coisas que compramos, a expansão do crédito mandou 48% da população para a inadimplência. Esse número deveria ser bem menor, se o poder de compra fosse melhor.
Claro que é uma irresponsabilidade colocar 48% da população na inadimplência, mas esse número só é alto por conta do excesso de custos, tributação alta, falta de competitividade e protecionismo.
Olá, Leandro.
Estava fuçando no SGS do BaCen, e encontrei os seguintes valores aproximados p/o final de 2015:
– reservas bancárias (série “1787”) = R$ 29.8 bi;
– depósitos compulsórios em espécie (série “1828”) = R$ 338.5 bi;
– papel-moeda emitido (série “1786”) = R$ 225.5 bi;
É padrão entre os BC’s contabilizar os recolhimentos obrigatórios de forma segregada das reservas dos bancos ? Estas corresponderiam então (no caso brasileiro) às “excess reserves” do Fed ?
Aquele mega-aumento dos compulsórios a partir de 2010 foi atendido através da venda ao BC de títulos públicos das carteiras dos bancos comerciais ?
Obrigado.
Abs.
Amigo, perdoe pois não entendo muito do assunto, mas me surgiu a seguinte duvida:
Sendo que o BACEM tem dificuldade em emitir papel moeda em larga escala por conta de sua capacidade produtiva, e pelo que pude entender a emissão de papel moeda é uma forma de intimidar os grandes bancos a continuarem criando capital bancário “do nada”. Se hipoteticamente o governo fizesse novas cédulas como de 500 reais, 1000 reais não seria uma forma de aumentar a quantidade de capital físico com a mesma capacidade produtiva do BACEM?
Boa tarde,
Após ler o artigo fica então a seguinte perguta: qual a saída?
Na opinião do autor, como deveriam funcionar os bancos para que a oferta de crédito fosse sustentável. Qual seria o cenário ideal?
Acredito que seria um artigo muito interessante.
Abraços.
Muito bom. Só sugeriria que na parte dos balancetes se utilizasse alguma outra forma mais didática de mostrar o estado e a evolução das contas. Digo isso porque, para um leigo, balancetes não são intuitivos.
Uma dúvida: quando os primary dealers compram títulos diretamente do tesouro, eles pagam ao tesouro nacional usando suas reservas bancárias, isto é, usando sua “conta corrente” no BACEN para pagar? E quando essa compra e vende é feita entre eles?
“Observe que, neste exemplo, o Bradesco não precisa recorrer ao interbancário para recompor suas reservas e ficar dentro do limite do compulsório estipulado pelo Banco Central. Reservas bancárias e conta-corrente caíram no mesmo tanto.“
Isto apenas caso o banco não se encontrasse alavancado ao seu limite, certo ? Do contrário (isto é, se estiver operando “no talo”), cada unidade monetária que perder em suas reservas (ativos) como consequência de igual redução (absoluta) simultânea em seus depósitos (passivos) não iria colocá-lo em situação de descumprimento dos compulsórios ?
Por ex, um banco c/ R$ 1 bilhão de reservas (incluindo os recolhimentos obrigatórios ao banco central) e R$2,5 bilhões nas contas à vista de seus clientes sujeito a taxa de compulsório de 40%, ao sofrer um saque de R$100 milhões não iria p/ uma condição de desenquadramento ? Afinal, 40% x 2,4 bi = 960 MM, o que é maior do que os R$900 milhões restantes nas reservas…
Leandro,
e o dinheiro que os bancos usam pra comprar os títulos do tesouro são “criados do nada” também? essa parte não ficou clara para mim
Leandro, gostaria da sua opinião sobre essa afirmação que encontrei num estudo sobre Quantitative Easing pelo professor John Greenwood:
“The right way to do this (fazer os QEs, no caso) is not to focus policy on ever-decreasing interest rates, but instead to create money directly by purchases of securities (or indeed any other asset) from nonbanks – thereby creating new deposits in the hands of firms and households. Although they did not explicitly articulate their policies in this way, this is in effect what the Fed and the Bank of England did in 2008-13. In other words it would be better for the BoJ and the ECB to focus on the quantitative effects of QE, not the interest rate effects. To put it differently, QE is (or should be) about expanding purchasing power in the economy or money in the hands of the non-bank public, not lowering rates and hoping the banks will expand lending.”
Pelo que eu entendi, ele está dizendo que o jeito “certo” de se fazer um QE (acredito que ele diga certo pois assim de fato haveria aumento real na oferta monetária) seria então literalmente imprimir dinheiro e dar diretamente para as pessoas.
É isso mesmo? Me parece uma ideia ainda mais biruta do que o que se faz atualmente via sistema bancário.
Obrigado por responder. Me permita mais duas perguntas:
1 – “(A encrenca depois seria em convencer a todos de que essa foi uma medida excepcional, que será adotada apenas uma vez, e que não mais voltará a acontecer; caso contrário, o risco moral estará consolidado e todos passarão a agir já partindo do princípio que sempre serão socorridos)”
Tá, digamos que eles decidam operar nesse tipo de estímulo, mas com essa intenção exclusivamente voltada para a quitação de dívidas. Mesmo esse processo não sendo inflacionário, ele não traria nenhuma outra consequência de longo prazo (fora essa questão moral)? Não daria uma espécie de “bugada” em toda a economia com essas dívidas sendo magicamente quitadas do mais absolutamente “thin air”? No caso ninguém produziu nada pra quitar seus débitos, me parece meio estranho isso poder dar certo, ainda mais pensando que nem um austríaco pensaria.
2 – Em relação ao seu outro texto sobre os créditos livres e direcionados, nessa parte: “Essa medida, como já mencionado, é inerentemente inflacionária. Quem compra esses títulos emitidos pelo Tesouro é majoritariamente o próprio sistema bancário (tanto os bancos privados quanto os estatais).”
Os bancos que compram majoritariamente esses títulos são os chamados “dealer primários”?
Abraço!
Esqueci de mudar o nome…
Mas, Leandro. Os chamados QE’s não eram para capitalizar os bancos?
Alguma boa alma poderia em indicar um artigo em que haja explicações da razão de o spread bancário no brasil ser tão alto? Gostaria de ver um artigo completo disso.
Bom dia a todos.
Atualmente, há algum lugar no mundo em que o sistema bancário não seja corporativista?
Sr. Leandro,
Em meio a toda essa confusão financeira, essa semana recebi uma citação de uma cobrança do Banco Itaú feita à minha mãe, que faleceu em dezembro de 2011 e não deixou bens. O banco cobra R$ 113.000,00, evidentemente resultante de juros e correções, que minha mãe com 93 anos teria ” estourado” em seu crédito especial. Vou fazer a defesa, mas nesses casos de morte do correntista com algum débito no seu ” cheque especial” – coisa que eu preciso verificar se existe nos documentos da minha mãe ainda em minha posse – os bancos não possuem algum contrato com seguradoras, no caso dessas ocorrências?
Obrigada por uma resposta.
Porque a elevação da Selic leva a um aumento nos depositos a prazo feitos pelo banco?
IMPOSTO É ROUBO
Mais uma vez parabéns pelo excelente artigo, Leandro. Mas me restou uma dúvida: Como sanar então o problema de expansão desmedida de crédito? Existe alguma forma de impedir que os bancos gerem mais dinheiro, salvo a existencia de uma concomitante expansão produtiva no país, com geração e aquisição de bens de consumo e de capital? Pode ser apenas ignorancia minha, mas, pelo meu entendimento, mesmo que os bancos credores não recebessem o pagamento com juros de seus empréstimos, eles poderiam sempre gerar cada vez mais dinheiro para cobrir seus “buracos orçamentários”, é este mesmo o caso?
O tempo passa e a situação piora:
“… Os quatro maiores conglomerados bancários – Itaú-Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal – detinham, no fim de 2016, 78,99% de todas as operações de crédito feitas por instituições financeiras no país e também 78,48% dos depósitos, segundo o relatório de estabilidade financeira divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central.
Um ano antes, no fim de 2015, os quatro bancos detinham, juntos, cerca de 75% dos empréstimos e depósitos de todo o sistema financeiro. Com isso, subiu a concentração bancária no ano passado, de acordo com dados do BC.
Em 2007, eles tinham 54,6% de todas operações de crédito, indicador que mostra que a concentração bancária era muito menor no país. …”
Fonte:
http://www.contabeis.com.br/noticias/33335/itau-bradesco-bb-e-caixa-tinham-quase-80-do-mercado-de-credito-ao-fim-de-2016
Quando digo que o iluminismo nada mais fez que justificar ideologicamente a transição do poder a partir da igreja católica para os bancos, e que no fim das contas éramos escravos de uma instituição religiosa e hoje somos escravos de instituições bancárias me chamam de esquerdista….
Leandro, parabéns pelo brilhante artigo. Estou lendo-o em 2017, cinco anos depois, e me impressiona a clareza que você teve acerca do cenário que se avizinhava. Por isso, quero fazer um pedido: você poderia reescrevê-lo atualizando os fatos e dados para 2017, ou mesmo incluindo um capítulo acerca das consequências da política de expansão de crédito iniciada pelos bancos em 2012 e que, como você bem salientou, desaguou em uma brutal recessão?
Muito obrigado e parabéns novamente.
Boa noite, Leandro parabenizo pelo artigo, sou graduado em Administração de Empresas e gostaria de saber se é possível devido a crise ou instabilidade financeira e econômica existir no Sistema Monetário ou Bancário Brasileiro, um intercâmbio ou uma união entre contas correntes representadas pelas maiores instituições bancárias do país, tendo por base como moeda o Real e se o crédito gerado por este intercâmbio poderia saldar a dívida pública do país e o excedente aquecer e movimentar nossa Economia? Gostaria também de receber uma opinião profissional sobre a respectiva questão quanto a viabilidade de existir ou não essa possibilidade enunciada. Ou dentro do próprio Sistema Monetário ou Bancário Brasileiro existiria outra maneira de se alcançar um ponto de equilíbrio para a real situação do país? Aguardo contato, abraço e obrigado.
https://www.uol/economia/especiais/concentracao-de-bancos.htm
Continua…
Leandro, não sou economista, sou sociologo, aposentado do BB em 2.000 – Pense aí pra mim depois me responda. O Bco do Brasil, banco executor das atividades governamentais, até hoje, 09/2017, obriga os demais bancos de depositárem todo o dinheiro existente então, na agência, que são mais de 6.000 agências no Brasil inteiro, as 16 horas, em ponto, sob pena de altas multas se isso não acontecer.
De 16 horas até às 18 horas, esse dinheiro recebido das outras agências, particulares, é contado e somado ao dinheiro da própria agencia do Bco do Brasil, e, apurado o valor existente correspondente ao movimento financeiro da cidade inteira, junto com o que já havia nele. Então as 18 horas é feita uma partida contabil transferindo esse valor para um setor no Bco Central.
Pensando bem, esse valor foi transferido para o Bco Central, mas só o valor como se diz, digital, pois o papel moeda correspondente ficou guardado no cofre do Banco Ag. Centro da cidade. Então subentende-se que esse valor foi somente o valor do lastro de ouro no tesouro nacional.
O Banco Central por sua vez tem o prazo de até 20 horas de apurar quanto em dinheiro foi transferido do Brasil inteiro, ou seja, de suas mais de 6.000 agencias do BB, é apurado quando em dinheiro o Brasil teria até aquele dia, dinheiro esse que, como sou curioso, alguns acham que esse dinheiro já em Brasilia apurado às 20 horas do dia, é depositado em contas do governo federal, sob responsabilidade da presidencia da republica, que, à noite, às vezes, até paga contas com ele e às 4 horas da manhã haverá novo balanço para verificação de quanto sobrou, para que até as 8 horas da manhã seguinte seja transferida novamente para as agencias do BB em todo terrítório brasileiro.
Essa parte de Brasilia não posso dizer nada pois não sei, mas ainda dizem que o governo federal tira dinheiro desse valor todos os dias gastando com alguma coisa, e, para não faltar, o Bco Central cria um título da divida pública e vende nas bolsas de valores, COISA QUE DEDUZO QUE HAVERÁ ASSIM AUMENTO DA DÍVIDA PÚBLICA DO PÁIS, ISTO É, SE TUDO ISSO, PARTE DE BRASILIA FOR VERDADE. POIS PARTE DA AGENCIA EU JÁ PRESENCIEI ESSA ROTINA BANCÁRIA…
Sendo assim, imagino o PORQUE OS EX PRESIDENTES FICAM LOUCOS PARA VOLTAREM AO PODER DE PRESIDENTE DA REPUBLICA, LEVANDO EM CONTA QUE, NO MEIO DE QUINTILHÕES DE REAIS, UMA RETIRADA DE 100 MILHÕES POR UM PRESIDENTE, Não é nem notado.
Leandro, verifique com seus amigos aí e apure essa parte de Bco Central de Brasilia-DF.
Só por curiosidade…
Leandro,
Mais esclarecedor impossível p/ 1 leigo técnico industrial do ensino médio como eu.
O sistema raiz da Casa de Rothschild impera no planeta com belas pitadas de tecnologia?!
Não antissemita, apenas busco a verdade doe a quem doer.
Att
AL+
“Tal prática pode continuar perpetuamente? Em um ambiente sem um Banco Central, muito difícil, pois, como dito, sempre há o risco de os correntistas decidirem sacar dinheiro.” No caso de uma corrida bancária, essas reservas não seriam utilizadas justamente para evitar a quebra dos bancos? Será que os bancos realmente calculam esse risco de ocorrer uma corrida bancária no saque dos depósitos?
Pessoal, uma pergunta:
Estava lendo recentemente um texto de Cullen O. Roche intitulado “Understanding the Modern Monetary System”, no qual ele argumenta que as reservas fracionárias não influenciam na predisposição dos bancos privados de fornecerem empréstimos, sendo o seu capital o real fator decisão.
Achei uma afirmação um tanto suspeita, uma vez que uma análise da taxa de crescimento da Base Monetária daqui do Brasil permite ver sua influência direta na taxa de crescimento do M1. Entretanto, o autor cita o exemplo do Canadá, onde não existem requerimentos de reservas junto ao BC de lá e isso não resulta em uma guinada de expansão creditícia. Ele também cita uma análise feita pelo próprio Fed dos EUA negando essa relação.
Alguém poderia me ajudar a entender esse fenômeno? Tenho certeza de que os bancos do Canadá não são descapitalizados, então por que não há empréstimos crescentes?
Pessoal, uma pergunta:
Estava lendo recentemente um texto de Cullen O. Roche intitulado “Understanding the Modern Monetary System”, no qual ele argumenta que as reservas fracionárias não influenciam na predisposição dos bancos privados de fornecerem empréstimos, sendo o seu capital o real fator decisão.
Achei uma afirmação um tanto suspeita, uma vez que uma análise da taxa de crescimento da Base Monetária daqui do Brasil permite ver sua influência direta na taxa de crescimento do M1. Entretanto, o autor cita o exemplo do Canadá, onde não existem requerimentos de reservas junto ao BC de lá e isso não resulta em uma guinada de expansão creditícia. Ele também cita uma análise feita pelo próprio Fed dos EUA negando essa relação.
Alguém poderia me ajudar a entender esse fenômeno? Tenho certeza de que os bancos do Canadá não são descapitalizados, então por que não há empréstimos crescentes?
Leandro, por acaso boa parte desse dinheiro injetado na economia entra na mão das pessoas na forma de cheque ? Como as pessoas utilizam o dinheiro digital ? Queria dizer também que este artigo está muito bom .
“No entanto, caso algum banco chegue ao final do dia tendo de arrecadar dinheiro para cobrir o rombo em seu compulsório, ele irá recorrer ao mercado interbancário, no qual aqueles bancos com reservas em excesso emprestam dinheiro para aqueles com reservas insuficientes.”
O que impede que um banco com reservas insuficientes crie dinheiro eletrônico para para cobrir o rombo em seu compulsório?
Vou fazer a mesma coisa que os bancos.
Só que ao invés de usar dinheiro vou cria-lo do nada.
Vou emprestar dinheiros a juros de pessoas que tem cartão de crédito.
Cenário:
Emprest0 R$ 1.000,00
Recebo em 10x de 120,00
Pago 3% de comissão ao Mercado livre e ganho 17% sem fazer nenhum investimento.
Dinheiro não fica parado no Banco,eles emprestam o dinheiro para Governo,pessoas físicas e empresas,enfim voltam a circulação.
Alguém poderia me informar qual a taxa de dinheiro fisico e dinheiro criado, atualmente no Brasil?
Nao sou economista, mas pelo que vi M0 seria correspondente ao dinheiro fisico e M3 o total da moeda fisica com a criada, certo?
É por isso que quando se cria uma cooperativa de crédito, com tão pouco dinheiro, o negócio decola? Pois sendo uma instituição financeira, tratada como banco pelo bcb, também passa a ser participante do SFN, e começa a emprestar dinheiro, mesmo eletrônico, aos seus cooperados, só que em juros bem mais baixos!
Leandro, sera q vc poderia explicar como se dá na pratica a entrada de dinheiro fisico numa agencia bancária, no caso de este dinheiro chegar de carro forte? para quem o gerente da agencia pediu esse dinheiro? O valor que entra em moeda fisica é então descontado da conta de dinheiro escritural da agencia? como isso funciona na pratica?
Sou bancário e iniciante no estudo da EA.
Uma dúvida:
O texto diz que no sistema bancário atual os bancos não são meros intermediadores entre poupadores e tomadores, pois ” bancos possuem o privilégio legal, concedido pelo estado, de criar dinheiro eletrônico, de emprestar estes dígitos eletrônicos para pessoas e empresas, e de cobrar juros sobre eles. ”
Sendo assim, entendo que não haveria tanta necessidade dos bancos fazerem captação de recursos (via CDB, LCA, LCI, etc). Entretanto, na prática temos meta constante de captação de recursos no nosso dia dia no banco (segundo a diretriz do banco, necessitamos dessa captação para servir de funding para as operações de crédito)
Alguém poderia me explicar?
Obs: do meu círculo de amigos bancários digo com certeza que nenhum deles faz ideia o funcionamento do sistema bancário da forma como apresentado no texto.
Uma duvida, eu li que a emissão de títulos pode apenas afetar a oferta de crédito, mas não a inflação diretamente. Por que o BC pode alterar a Selic
Se os juros do mercado interbancário estiverem acima da meta, o banco central compra títulos, expandindo a liquidez. consequentemente, os juros caem e voltam para a meta
Se os juros do mercado interbancário estiverem abaixo da meta, o banco central vende títulos, enxugando a liquidez. consequentemente, os juros sobem e voltam para a meta
Ou seja, se a inflação subir porque os bancos compram titulos, o BC enxuga a liquidez e a inflação cai.
O que é afetado é o credito para empresas apenas. Procede?
Caro Leandro
Como funcionaria essa dinâmica de criação de dígitos para bancos pequenos ou iniciantes, já que os empréstimos por ele concedidos iriam certamente ser transferidos aos gigantes do sistema?
Exemplo: banco pequeno recém criado com 20 milhões de patrimônio líquido. Poderá conceder empréstimos acima desse montante, sem ter captado ainda nada?
Contabilmente como ficaria isso na conta reservas?
Um abraço
Olá, estou começando os estudos em economia agora e fiquei com uma dúvida no início do artigo, no trecho abaixo.
‘Neste exemplo numérico dos $1.000 em conta-corrente, se um correntista transferir, digamos, $50 deste banco para um banco de outra marca (do Itaú para o Bradesco, por exemplo), as reservas cairão para $350 e o valor total da conta-corrente será de $950. Neste caso, o banco estará violando a regra de 40% do compulsório. Tendo $950 de conta-corrente, ele tem de ter $380 de reservas bancárias. Logo, o banco terá de arranjar mais $30 para cobrir este “rombo”.’
Então quando vou ao banco e faço um saque da C/C (ou transfiro o valor para um outro banco) esse valor é subtraído diretamente das reservas bancárias desse banco? Como eu tirei o valor da conta, esse valor deixa de ser um passivo desse banco, por isso há a subtração tanto no depósito em C/C quanto nas reservas. Correto?
Gostaria de saber também se há alguma legislação ou normativa oficial com mais informações sobre o sistema de reservas fracionarias. Se alguém puder me ajudar com isso agradeço, não consegui encontrar muita coisa no site do BC.
“Há cinco coisas fundamentais a se fazer no sistema financeiro do Brasil:
1- Privatizar todos os bancos federais, inclusive o BNDES, a CEF e o Banco do Brasil;
2- Extinguir de uma vez o compulsório dos bancos, o que reduziria os juros;
3- Proibir que se emprestem a estados, municípios, união e empresas públicas;
4- Abrir o mercado para que qualquer pessoa possa emprestar dinheiro sem ser considerada “agiota”, abrindo caminho para a criação de novos bancos e para a entrada de bancos estrangeiros;
5- Extinção do Banco Central e do Ministério da Fazenda.”
Li que CDI e Selic são quase a mesma coisa, mas os vários artigos da internet que eu esperava esclarecer a diferença ou semelhança não me ajudaram muito
Alguém aqui do Mises se arrisca ?
Exemplo:
blog.magnetis.com.br/cdi-e-selic/
Eu tenho a impressão que os sites de economia têm um entendimento/interpretação da Selic diferente daqui
Falando de bancos e mercado financeiro, no caso da Bolívia, como que funcionaria exatamente a política monetária da Bolívia? É meramente o BCB vendendo e comprando dólares para manter o boliviano no patamar cambial? Pelo que li no site, eles também fazem operações com títulos, para controlar a quantidade de dinheiro na economia.
Recentemente, o Banco Central de Bolivia anunciou leilões de oferta de títulos governamentais. Por lá, ao contrário daqui, o banco central não controla os juros (eles flutuam, por sinal estão baixinhos, apenas 4,07 %) e a política monetária se baseia na taxa de câmbio. Nesse caso de oferta de títulos, isso influencia de alguma forma a política monetária do banco de lá?
Interessante que no comunicado deles de janeiro desse ano, eles disseram que os níveis de reservas internacionais estão dentro do aceitável, sendo de que elas estão em contração desde que o dólar voltaria a ficar mundialmente forte (ou seja, há mais de 6 anos).
Curiosidade: inflação de preços de lá ficou em apenas 0,54 % no mês de junho… até que o banco central tem bastante reserva em ouro. São 42,51 toneladas, enquanto o Brasil, país bem maior, tem 67,36 toneladas.
Estava pensando aqui… o sistema de crédito bancário, já que não é lastreado e depende de novos entrantes para se balancear, não seria um equiparado a um esquema do tipo Ponzi? Afinal, a conta nunca fecha. Por isso que o governo sempre precisa “azeitar as engrenagens” do sistema bancário injetando o dinheiro dos impostos para não haver quebradeira? Estou curioso pelas opiniões dos colegas…
E um esquema de divida, impressao de dinheiro.
Todo dinhero extra entrou porque um trouxa vai pagar por ele.
Mas se o cara der calote no banco, todo dinheiro extra nunca vai ser pago. Nascem os títulos podres.
Se todo devedor der calote, as notas não tem lastro e as pessoas só aceitam porque são obrigadas
Já no ponzi, o novo entrante paga os do topo. É um esquema fadado a que uma hora não vai ter novos entrantes pra pagar as promessas de pagamento: é um esquema de estelionato, promessa enganosa pra fazer vc dar seus bens a troco de nada.