Por
que as pessoas adoram ver competições na arena dos esportes — seja nos campos,
nas quadras, na pista de atletismo, na piscina ou na quadra de tênis –, mas
temem e desprezam a competição na arena do mercado?
A analogia entre os esportes olímpicos e a concorrência
inerente a um livre mercado é muito próxima, bem mais próxima do que muitas
pessoas são capazes de perceber. Não
obstante, ao passo em que festejamos a competição acirrada no âmbito esportivo,
fazemos de tudo para tentar bani-la do âmbito empreendedorial.
Considere
que, nos últimos dias, milhões de pessoas não desgrudaram os olhos de
suas televisões, seus computadores, iPhones e demais apetrechos eletrônicos,
ansiosas que estavam para acompanhar as façanhas e proezas individuais de
atletas de todo o mundo nos Jogos Olímpicos. As pessoas normalmente são mais viciadas em
acompanhar esportes de equipes, como futebol, basquete, vôlei, futebol
americano e beisebol, mas, a cada quatro anos, somos também levados a
acompanhar os dramas proporcionados pelas competições individuais.
São
vários os que roem suas unhas e furam o acolchoamento do sofá torcendo
nervosamente para seus atletas favoritos ou simplesmente ansiosos para ver
feitos heróicos. Será que haverá outra
quebra de recordes na natação? Haverá um
novo homem mais rápido do mundo no atletismo?
O melhor do mundo no tênis conseguirá manter sua fama? A ginástica artística trará surpresas?
No
entanto, as mesmas pessoas que torcem e vibram com a dominância de um atleta na
natação e no atletismo condenam e lamentam a dominância de uma empresa no livre
mercado. Por quê?
A competição e os grandes
A
competição nos esportes é cada vez mais acirrada. Um atleta só consegue manter sua hegemonia se
ele estiver se aprimorando continuamente e se esforçando crescentemente. O mesmo raciocínio vale para o mercado. Uma determinada empresa que opera em um
arranjo de livre concorrência, seja ela grande ou pequena, só conseguirá manter
sua hegemonia (no caso, sua “fatia de mercado”) caso ela constantemente melhore
seus serviços ou continuamente reduza os preços que pagamos por seus serviços. Ou faça ambos.
A
principal alegação dos anticapitalistas neste quesito é a de que uma empresa se
tornar muito grande e passar a dominar uma ampla fatia do mercado é algo
extremamente perigoso, pois ela, por ser grande, irá praticar preços
predatórios para eliminar a concorrência e, logo em seguida, com a concorrência
já eliminada, ela voltará a subir os preços e, com isso, jogar os consumidores
na miséria. Não apenas isso nunca
aconteceu na prática, como também a própria teoria explica que isso seria completamente
insustentável, para não dizer irracional do ponto de vista empreendedorial.
Apenas imagine: você é o gerente de uma grande empresa e quer destruir a
empresa concorrente reduzindo seus preços para um valor menor do que os custos
de produção. Ao fazer isso, você começa a operar no vermelho. Ao operar no
vermelho, por definição, você está destruindo o capital da sua empresa; você
está, na melhor das hipóteses, queimando reservas que poderiam ser utilizadas
para investimentos futuros.
Pois bem. Após vários meses no vermelho,
você finalmente consegue quebrar o concorrente. Qual a situação agora? Você de fato está sozinho no mercado, porém
bastante descapitalizado, sem capacidade de fazer novos investimentos. A sua intenção é voltar a subir os preços para
tentar recuperar os lucros de antes. Só
que, ao subir os preços, você estará automaticamente convidando novos
concorrentes para o mercado, que poderão vender a preços menores. Pior ainda: estes novos concorrentes poderão
perfeitamente estar mais bem capitalizados, de modo que é você quem agora
estará correndo o risco de ser expulso do mercado. Seus concorrentes poderão
vender a preços mais baixos e sem ter prejuízos, ao passo que você terá
necessariamente de vender a preços altos apenas para recuperar seus lucros.
Ou seja, ao expulsar um concorrente do mercado, você debilitou sua empresa a
tal ponto, que você inevitavelmente se tornou a próxima vítima da mesma prática
que você aplicou sobre os outros.
E é exatamente por isso que tal prática não é observada no mundo real. Ela é
totalmente ignara. Um empreendedor que incorrer em tal prática estará
destruindo o capital de sua empresa, correndo o risco de quebrá-la
completamente. Um sujeito com esta “sabedoria” não duraria um dia no livre
mercado.
Por outro lado, tal prática pode sim ser muito viável em um mercado totalmente
regulado e protegido pelo governo, no qual não existe liberdade de entrada para
a concorrência. Mas aí, neste caso, obviamente não temos uma falha de mercado,
mas sim protecionismo estatal. Em um
mercado assim, no qual o que vale é a amizade com políticos, qualquer incapaz
prospera.
Adicionalmente,
vale enfatizar que o sucesso é por si só algo que estimula e atrai mais
concorrência. Assim como Michael Phelps ao se tornar um gigante inspirou jovens
nadadores que hoje são seus concorrentes, o sucesso de empresas como Wal-Mart
inspirou o surgimento da Amazon e de vários outros estabelecimento
especializados em vender a preços baixos, inclusive a próxima mega loja da sua
cidade ou a simples butique da esquina, as quais ainda não existem, mas passarão
a existir caso o governo permita.
Em
seu livro Liberalismo –
Segundo a tradição clássica, Ludwig von Mises explicou o que ocorreria caso
a concorrência desaparecesse. “Não
haveria novos progressos no sistema de produção.” Não haveria novos aperfeiçoamentos. Sim, isso faria com que ninguém mais tivesse
de se esforçar e nem se preocupar com nada, mas a que custo? Mises afirma que a produção cairia, pois não
mais haveria nenhuma relação entre esforço e recompensa.
Que
tal raciocínio seja válido para os esportes é algo que ninguém duvida. Mas é igualmente válido para a economia,
exatamente como Mises explicou.
Os benefícios e os obstáculos
A
beleza de uma concorrência de livre mercado é que, nela, os reais vencedores
são os consumidores. Todos nós somos
beneficiados pela capacidade de uma empresa conseguir fornecer bens e serviços
de maneira cada vez mais eficiente e a preços reais cada vez menores. Da
mesma forma, os fãs de esportes se beneficiam ao verem desempenhos cada vez
mais exímios dos atletas. Com o esporte,
ganhamos benefícios psicológicos; com o mercado, ganhamos bens e serviços cada
vez melhores a preços reais cada vez menores.
De
modo oposto, o maior escândalo das Olimpíadas de Londres foi a
desclassificação das equipes de badminton da Coréia do Sul, da China e da
Indonésia por não terem
competido. Fãs e jogadores se sentiram
ultrajados quando estas equipes perderam propositalmente algumas partidas na
tentativa de garantir rivais mais fáceis nas fases eliminatórias. Não competir não é uma opção.
Nos
esportes, assim como no mercado, a paz é preferível à guerra. A sensação de “jogo justo” tem de estar onipresente. Os mais ferozes e aguerridos adversários se
abraçam após a competição, o vencedor e o perdedor se congratulam mutuamente
pelo bom jogo. A maneira mais garantida
de se vencer nos esportes e nos negócios é por meio do treinamento e da
disciplina. Nenhum competidor quer realmente ferir e prejudicar seu
oponente; todos querem ser vistos como ganhadores limpos, que venceram por seus
próprios méritos.
Já
o governo, por outro lado, está constantemente quebrando regras, escolhendo
favoritos e incorrendo em violência contra aqueles que não estão em sua lista
de favoritos. Se no esporte o
favorecimento se dá por meio de arbitragens corruptas, em um mercado sob
intervenção estatal o favorecimento se dá por meio de regulamentações que
privilegiam alguns poucos e punem outros vários.
Ao
passo que, no esporte, o atleta que vencer por meios ilícitos é punido, em um
mercado regulado o governo consegue fazer com que seus empresários e empresas
favoritos não apenas se mantenham ativos, como também enriqueçam continuamente.
As regulamentações criadas pelo estado sempre
foram uma ferramenta utilizada por grandes empresas para suprimir a
concorrência de empresas menores e menos politicamente poderosas.
As regulamentações criam barreiras que
impedem que novos concorrentes entrem no mercado e desafiem as grandes empresas
já estabelecidas. Quanto
mais um empreendedor tem de lidar com regulamentações e reguladores, menos
tempo ele tem para se dedicar a criar maneiras de aprimorar seus produtos,
cortar seus custos e preços, e criar novos produtos. As regulamentações estatais desestimulam o
genuíno empreendimento e a genuína criação de riqueza, ao mesmo tempo em que
impõem incomensuráveis custos (em tempo e dinheiro) às empresas.
Por exemplo, todo o setor de
utilidades públicas — como telefonia, energia elétrica, saneamento, TV a cabo
e transportes –, fortemente regulado pelo estado, nada mais é do que um cartel
monopolista formado exclusivamente por empresas escolhidas pelo governo. Os preços dos serviços são controlados pelo governo e a concorrência com novas empresas desafiantes é
legalmente proibida. Um privilégio que
nos esportes não seria tolerado é, em uma economia regulada, tornado plenamente
aceitável pelo governo.
Já em
uma sociedade genuinamente capitalista, a concorrência pode vir de
absolutamente qualquer lugar. Ninguém se
importa com a pobreza na qual um determinado empreendedor cresceu, qual escola
ele frequentou, ou até mesmo se ele chegou a frequentar alguma escola. É o seu desempenho no mercado o que
conta. No capitalismo laissez-faire, não há nenhum sistema de
castas. Há apenas a preocupação em se criar valor para os consumidores. Ninguém compra um produto
só por causa da árvore genealógica do vendedor.
É o mercado — isto é, a livre escolha de consumo das pessoas –, e não
o governo, quem decide quem será rico e quem será pobre, baseando-se
exclusivamente na capacidade e na qualidade dos bens e serviços ofertados. Como e onde estes eleitos foram criados é
algo que não importa.
Da
mesma maneira, os juízes olímpicos não se comovem — e nem podem se comover —
com o histórico dos atletas. Pouco
importa se eles cresceram em famílias pobres, se passaram por grandes
dificuldades, se os pais são separados ou se algum deles está financeiramente
quebrado. Na competição esportiva,
somente a habilidade, a concentração, a disciplina e o desempenho contam.
Isso
é exatamente o oposto de como funcionam o governo, suas leis e suas
regulamentações. Em um mercado regulado
pelo estado, só vence quem tem bons contatos na burocracia, quem conhece
pessoas poderosas e quem tem influência política suficiente para fazer o
governo erigir barreiras à entrada de novos concorrentes. Sem um sistema de livre concorrência
determinando quem é mais produtivo e quem se sobressai, os preços dos bens e
serviços se tornam altos e sua qualidade, precária. Os derrotados são os consumidores.
Nas
Olimpíadas, o cronômetro e a fita métrica determinam o sucesso e o fracasso. Por exemplo, apesar de estar à época com a
avançada idade de 39 anos, o búlgaro Jordan Jovtchev competiu
acirradamente contra homens com a metade da sua idade nas Olimpíadas de Londres em 2012. Ele até mesmo conseguiu a prata nas argolas.
O
mesmo ocorre naqueles setores onde o mercado é relativamente livre. Empresas velhas estão constantemente sendo
desafiadas pelo surgimento de novos concorrentes. Não há regras de senioridade no mercado. Empresas antigas utilizam sua experiência e
malícia para concorrer contra as ideias novas e exuberantes das mais jovens.
Nos
esportes, sabemos que os grandes competidores são aqueles que observam
meticulosamente e aprendem com os outros. Eles emulam tudo aquilo que é bem-sucedido e
evitam tudo aquilo que se comprovou falho.
E isso é para o bem de todos.
Todo mundo se beneficia porque tal postura faz com que tudo e todos se
tornem mais excelentes. Não apenas
sabemos que as coisas funcionam assim, como defendemos que seja assim. Por outro lado, no comércio, há leis estatais
que proíbem pessoas de analisarem e copiarem o comportamento de outros. Quando o Android observa e copia do iPhone, o
governo diz que ele está roubando ideias.
Embora
esta competição de mercado enriqueça os consumidores, os anticapitalistas e os
políticos se referem a ela em termos derrogatórios, como “impiedosa, “cruel”,
“lei da selva”, “cão-come-cão” e “sobrevivência do mais forte”. Mas por que seria algo violento ou
incivilizado competir pela preferência das pessoas? Sempre que políticos atribuem tais adjetivos
ao mercado é porque eles querem criar barreiras para excluir a concorrência e
privilegiar seus empresários favoritos.
Afinal, a concorrência reduz as margens de lucro. Descansar sobre seus louros não é uma opção
quando se tem de competir continuamente.
E não é todo mundo que quer viver com esta constante preocupação.
Da
mesma maneira, atletas que foram campeões mundiais no ano passado não podem
simplesmente enviar pelo correio seus desempenhos do ano passado. Eles têm de fazer tudo de novo, e
provavelmente terão de fazer ainda melhor desta vez se quiserem
vencer. O mercado funciona da mesma
maneira. A tecnologia do ano passado já
não concorre com a mesma eficiência este ano.
As pessoas podem até falar que têm nostalgia dos bons e velhos tempos,
mas elas querem que seus produtos e serviços estejam constantemente
atualizados.
É
assim que a sociedade progride. Em vez
de pedir ao governo que coloque obstáculos à concorrência, estipulando salários
e determinando preços, tarifas e afins, todos nós deveríamos encorajar e até
mesmo vibrar com a concorrência amigável do mercado.
Conclusão
Todo
atleta das Olimpíadas está em melhor situação por ter treinado ao extremo, se
sacrificado e ter dado o melhor de si.
Quando as empresas, por sua vez, são forçadas a concorrer, elas também
irão procurar aperfeiçoar seus produtos e serviços diariamente, sempre querendo
ganhar novos clientes. É a concorrência
o que faz dos consumidores os campeões finais.
O
que nos leva à pergunta final: por que as pessoas adoram a concorrência nos
esportes, mas têm medo dela no mundo do comércio? A resposta é aquele problema que sempre
assombrou a história da humanidade: ignorância econômica. E apenas o estudo sério e sincero de como
realmente funciona a economia pode nos fazer perceber o elo explícito entre
esportes e comércio — bem como ver os erros daqueles que celebram o primeiro e
demonizam o último.
Não
há nenhuma “lei da selva” nas Olimpíadas.
E nem em uma sociedade genuinamente livre.
Eu recebi esse artigo pelo Laissez Faire Today e estava prestes a traduzi-lo pra compartilhar, mas duvido que faria um trabaho tão bom. Obrigado!
Grande abraço.
Excelente artigo! A analogia entre as competições esportivas dos Jogos Olímpicos e a concorrência de livre mercado foi tecida de maneira extremamente inteligente.
Competidor é colaborador. O Aprendizado é perpétuo.
Quando o Android observa e copia do iPhone, o governo diz que ele está roubando ideias.
Se uma empresa farmacêutica investe dois bilhoes em um remedio contra o cancer e calcula que a caixa deve ser vendida a R$ 50,00, para se recuperar o capital investido e obter lucro, uma empresa concorrente copia a fórmula e vende a caixa a R$ 20,00 obtendo uma grande fatia do mercado. Isso nao vai desestimular novas pesquisas?
A grande ironia nessa questão toda, é justamente que as nações Comunistas sempre foram, historicamente, as maiores entusiastas das competições olímpicas.
Outra coisa que eu acho ‘engraçada’: todo mundo acha o máximo quando um atleta diz que treina um zilhão de horas por dia e tal pra conseguir ser campeão. Da mesma forma que muita gente (inclusive políticos) se vangloria de ter trabalhado um zilhão de horas por dia pra ‘crescer na vida’.\r
Mas são essas mesmas pessoas que apóiam leis trabalhistas que criam jornadas de trabalho de x horas, impedindo as pessoas menos capacitadas de ‘crescerem na vida’ se esforçando mais.\r
Vai entender…
Queria parabenizar o excelente trabalho que é realizado no Mises Brasil.A mídia estraga nossa cabeça com as ideias que o governo tem que levar o cidadão no colo,que salvar um esquilo vale mais que a vida humana…………….
Sou aluno do segundo ano do ensino médio,e meu colégio,o intellectus no Rio de janeiro,é um colégio 100% ambiental,amigo da natureza,essas paradas………
Lá não existe uma feira de ciências pra dar ponto pro aluno,nem feira da Cultura,mas um evento chamado SEMANA DE CONSCIENTIZAÇÃO AMBIENTAL.Uma das tarefas é entrevistar um jurista ou biólogo sobre o novo código florestal.Eu e uns amigos meus somos totalmente a favor do liberalismo clássico e tal, queríamos alguém da escola austríaca para falar sobre……para fazermos entrevista…..Tem grupo que alguém lá,e vão entrevistar a Marina Silva…………Sinceramente eu não vou de jeito nenhum colocar uma entrevista botando toda a culpa no mundo burgues,nos ruralistas e tal…….Gostaria muito de passar a visão da escola austríaca.
-Agradeceria muito se alguém pudesse ajudar..
abraços
O governo é o doping no jogo do mercado. Apenas meia dúzia de “privilegiados” escolhidos pelo Estado podem subir ao pódio do sucesso capitalista.
Venho aqui para agradecer, a todos vocês do site por trazer até nós textos preciosos. Tem sido de grande valia para mim. Obrigado!
Excelente analogia…
Aqui no bairro onde moro, abriu a 3 meses uma pizzaria de garagem, que por sinal é muito gostosa e barata, além de ser ao lado de casa.
Todos do bairro sabem que é clandestina (no ponto de vista do governo), mesmo assim, comemos sem medo. Mas certo dia uns agentes da vigilância sanitária apareceram por lá com a policia civil também; nada de irregular foi observado em relação a higiene, mas o pequeno empreendedor, foi multado por falta de alvará, e foi levado pela polícia civil por fazer os filhos trabalharem com ele depois do horário escolar por mais de 6hrs diárias.
Todos no bairro acharam um absurdo, pois era um comércio familiar e qual o problema de os filhos ajudarem os pais a ganharem uma renda maior? Os garotos nunca reclamavam de nada, estavam sempre felizes, acho que por estarem aprendendo a profissão de pizza iolo.
Alguem duvida que alguma outra pizzaria de grande porte na cidade, tenha percebido a movimentação dos motoboys daquela pequena pizzaria tomando uma fatia de mercado, tenha feito a denuncia para algum amigo “poderoso”?
Baaaahhh!!! Que tragédia vivemos.
Como vamos reverter isso?!
É uma comparação interessante, mas o texto esqueceu de mencionar o fato das diferenças entre as pessoas, percebam que não são todos os que podem competir como crianças e idosos, por exemplo, e até mesmo uma competição entre homens e mulheres, nesse caso o papel do governo seria suprir e equalizar as necessidades especificamente desses grupos.
é muito lindo isso “competição”! mas so é lindo na teoria porque na pratica amigos a historia é outra.\r
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Se nao me engano o brasil abriu o mercado bancario em 98 ou foi no ano 2000 de la pra ca surgiram novos bancos, bancos da espanha dos estados unidos e tal, o objetivo do governo era criar concorrencia para que o juros fossem reduzidos mas ao invez desses novos bancos reduzir os juros eles passaram a aplicar os mesmos juros dos bancos que ja estavam instalados aqui.\r
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O OBJETIVO PRINCIPAL DA CONCORENCIA PODE FALHAR?
Como Ideologia hj tem um aspecto negativo, ela sempre é do outro,nunca a nossa. Diria que existe nessa metáfora da competição uma diferença entre ser o melhor e vencer. Às vezes vence, não quem é melhor, mas quem trapaceia, ou que sabe usar o defeito do outro a seu favor não como superação de si próprio. Mas é claro isso o mercador ou qualquer sistema que for não vai corrigir, quando muito elementos da cultura e de educação podem influenciar. Será que poderia se falar em ética economica ou de mercado?
Gostaria de esclarecer algumas dúvidas. Sou leigo no assunto, conto a ajuda de vocês, se possível:
1) Supondo 2 empresas concorrentes na venda de arroz. Ambas com qualidade, valor de marca no mercado, preço, etc, ou seja, atributos bastante semelhantes!
A empresa “A” vende o saco de arroz de 1kg com o peso correto, ao passo que a empresa “B” vende o saco de 1kg com o peso incorreto (por exemplo, 990g). Neste caso a empresa “B” leva vantagem em relação a empresa “A”, porém o consumidor não percebe essa diferença no produto, a menos que exista uma instituição para avaliar o peso dos sacos de arroz.
* No caso de um “doping” no livre mercado, como seria este controle?
* Seria uma disputa entre o INMETRO (estatal) x certificação ISO (privado) para atestar o controle sobre o produto?
2) No caso dos esportes, especificamente o futebol: para um clube poder disputar competições oficiais – nacionais e internacionais – deve submeter-se a federação do seu estado (ex.: Federação Gaúcha de Futebol), que por sua vez submete-se à CBF, e esta à CONMEBOL, e por fim à FIFA.
A FIFA assume o poder de um “Estado”, tendo em vista:
* O poder coercitivo de punir clubes que desrespeitem alguma regra?
* O poder de “tributar” os clubes?
* O que diferenciaria a FIFA de um “Estado”?
Vocês que são a favor da meritocracia, que são contra bolsa família e cotas, deveriam analisar esta publicação:
http://www.washingtonpost.com/blogs/wonkblog/wp/2014/10/18/poor-kids-who-do-everything-right-dont-do-better-than-rich-kids-who-do-everything-wrong/
Abram os olhos! Sua utopia só favorece o atual mecanismo em que os pobres permanecem fora do jogo e os ricos aumentam seus ganhos.
Redondamente enganado. O livre comércio e a competição esportiva possuem uma diferença fundamental gritante, uma diferença tão grande que são coisas completamente opostas, para falar a verdade.
E é essa diferença fundamental que faz o livre comércio ser infinitamente superior a qualquer outro esporte
– Nos esportes a competição é eliminatória: a minha vitória depende necessariamente da não vitória (ou fracasso) do meu concorrente, pois só pode existir um único primeiro lugar, um único ganhador da medalha de ouro.
– No comércio nem sempre precisa ser assim. Se por exemplo o meu concorrente opera num setor com um produto que atenda a uma faixa do público e ele é muito bom nisso portanto é grande, eu posso atingir os meus objetivos atendendo outro público, ou vendendo o mesmo produto porém de uma forma que o meu concorrente grande ainda não faz, ou operando com algo similar etc. Nem sempre o meu aumento de capital depende do não aumento do capital do meu concorrente; nem sempre o ganho de público do meu negócio depende do não ganho de público do meu concorrente.
É possível sim que haja no comércio vários primeiros lugares, e o vibrante setor de informática por exemplo está aí para mostrar exatamente isto: empresas que oferecem exatamente o mesmo tipo de produto mas se diferenciando em outros aspectos, um cobrindo a “falha” do outro, mas todos no geral ganhando o seu dinheiro, aumentando seus capitais e alcançando seus objetivos.
Outra coisa também é que o número de multinacionais só aumenta. Em 1970 existiam cerca de 7000 empresas multinacionais no mundo. Hoje em dia existem cerca de 38000 (https://pt.wikipedia.org/wiki/Empresa_transnacional).
Se a competição no comércio fosse igual a dos esportes, portanto eliminatória, a quantidade de multinacionais hoje seria menor. Aconteceu exatamente o contrário, como podemos ver.
No mercado intervencionista ou em empresas apadrinhadas pelo governo, quando um fica mais rico os outros ficam mais pobres pois podem vencer a coocorrência (através de benefícios) mesmo que aumente os preços e diminua a qualidade.
No livre mercado, para um ficar rico ele precisa vender mais barato para vencer a concorrência, diminuindo assim o custo de vida de todos.
Então no livre mercado quando um fica mais rico os outros ficam menos pobres.
Se considerarmos a lógica da concorrencia como otimizadora de um sistema, de um mercado, organizacao etc, por dizer que a concorrencia do capitalismo com outros sistemas economicos faz com que o capitalismo zeja um sistema mais eficiente? Ou seja, socialismo, comunismo, feudalismo e muitos outros ismos em diversos paises, fariam o capitalismo ser um sistema mais eficiente pela logica da concorrencia? ate mais
Porque no esporte todos disputam em pé de igualdade. Por melhor que a seleção americana de basquete seja são as mesmas regras pros dois diferente da vida que um favelado não tem as mesmas condições que o filho do eike batista
Muito bom.
Sei não… Hoje em dia tem uma palhaçada de ensinar as crianças que “o importante é competir” somada à pratica de premiar todas as participantes, amenizando as distinções…
Nem precisa o governo liberalizar se não quiser, basta fechar os olhos que já dá para se virar:
http://www.dgabc.com.br/Noticia/2007810/lotacoes-dominam-transporte-em-maua
Leio esses tipos de texto e sinto que há um romantismo no Mises.org, pois ignora-se as limitações reais de alcance das pessoas.
O que quero dizer é que quando se fala em monopólio as pessoas em geral pensam “Coca-cola”. Faça um experimento em casa na sua cidade: ligue pra 10 restaurantes com tele e peça um refri NÃO-coca-cola-company e nos conte depois o que aconteceu. Independente da cidade.
Depois temos o típico humano que acha terrível monopólio nos outros mas paradoxalmente faz de tudo para ter o seu, ficando até brabo e agressivo quando um concorrente qq “rouba” seus clientes.
Por fim, se tu se deparar com os pseudo-inteletuais por aí eles te jogaram essa: https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_da_%C3%A1gua_(Bol%C3%ADvia) e irão embora antes que vc respire e cheios de si.
Mas vou além! Pense isso da água no Brasil de hoje. Se privatizassem a água da minha cidade, provavelmente ela subiria de preço, talvez dobrasse mesmo. O produto em tando seria praticamente a mesma coisa.
Fora que já imagino alguém gritando “ahhh mas hj é barato pq o governo tira $$ do imposto xyz pra subsidiar a água”. Sim, aposto que sim. Mas pense no dilema tenebrosamente real do Zé da Silva qualquer: ele continuará arcando com a mesma carga tributária E MAIS a conta salgada da água. Pq sejamos francos né, quem acha que o governo iria reduzir os impostos (em termos gerais)?
O autor vive numa utopia.
Todo esporte hoje é pesadamente regulamentado e existem regras duras e punições severas, não dos outros atletas, mas das organizações de cada esporte. Um exemplo: existe golpe mais eficiente que um chute na virilha para derrubar um homem? mas não é permitido em esporte nenhum. há regras estritas sobre isso. não é a livre concorrência entre atletas que determina isso, mas as federações esportivas.
O mesmo vale para automóveis, nenhuma empresa se preocupava com segurança e só queria vender carros bonitos e andem rápido. O grande público só tomou conhecimento do descaso com este item após a publicação de “Unsafe at Any Speed”, que chacoalhou o mercado automotivo, e ainda levou décadas para que os consumidores começassem a levar a sério a questão da segurança.
Quanto a antiga União Sovietica ruiu, háviam várias industrias metalúrgicas extremamente capazes oferecendo seu produto ao ocidente, e o que aconteceu? Grupos empresariais americanos, alemães e ingleses compraram todas estas fábricas e as desmontaram eliminando a concorrência.
Na teoria, concorrência livre e honesta é uma maravilha, mas na vida real, cada empresa quer o monopólio em sua área de atuação. E se tiver recursos para pressionar o governo a criar regras ridículas para se proteger, ela fará
Para quê competir? Para quê tentar ser melhor do que os outros? Esse pensamento capitalista nos faz esquecer que somos humanos, iguais, e que devemos nos ajudar ao invés de nos transformar em robôs programados para querer dinheiro a qualquer custo. Para quê pisar nos outros? Para quê comprar, vender, consumir? Para quê ter as coisas? Isso é uma neurose. Por que não viver em um mundo onde as pessoas sejam assim como este sujeito do vídeo linkado abaixo, livres dessa escravidão capitalista. Reflitam.
https://www.youtube.com/watch?v=I7arqW5luKc
Perfeito o artigo publicado, porém faço alguma ressalvas.
Gosto sempre de separar o Brasil dos Países de 1º Mundo.
As empresas no Brasil, principalmente as micro e pequenas, estão inseridas em um ambiente nocivo. Juros altos, legislação complexa, altos impostos e agentes do Estado (ficais corruptos), etc. Converso com colegas empresários que querem melhorar a sua produtividade , porém encontram barreiras para as ações necessárias.
Isto torna o empreendedorismo em nosso País uma verdadeira aventura numa “selva escura”.
Quando estive no EUA pude observar o incentivo que o Estado fornece aos empresários para compra de máquinas e operatrizes para o seu “piso de fábrica”. Financiamentos a juros módicos, impostos quase inexistentes, ou seja os caras sabem que atrás de uma máquina há um operário para operá-la, ou seja fomenta emprego e alavanca o progresso.
Em terras brasileiras isso não acontece, ou seja os bancos não estão nem aí para empregos, eles querem é exercitar a sua musculatura financeira (lucro) através de juros extorsivos e o Estado faz a sua parte na recessão, ou seja, cobrando o seu quinhão através de altos impostos de bens de produção. Um verdadeiro descalabro, um freio ao desenvolvimento da Nação. Reproduz, assim, a miséria.
Por isso, volto a escrever, sempre devemos observar as teorias importadas, sem observar às nossas peculiaridades (ou mazelas) política-econômica-social-cultural para entendermos melhor o nosso contexto atual.
Por que as pessoas adoram a concorrência nos esportes, mas têm medo dela no mundo do comércio? Porque a maioria das pessoas assiste esportes pela TV e concorrência no negócio dos outros é refresco!
Falando sério agora, impossível não concordar com a ideia central do artigo: empresários (os verdadeiros competidores nas olimpíadas do mercado) deveriam ser os principais interessados na lisura da competição e valorização dos melhores. Porém, ai porém… (viva Paulinho da Viola rs) o que fazer quando o próprio órgão fiscalizador está à venda, tornando bem mais barato “comprar o juiz” do que investir em treinamentos e, pior, jura para a plateia que favorecer um competidor é o melhor para o esporte? Complemente isso com uma plateia que, na sua maioria, pensa que se estivesse no lugar do competidor compraria o juiz também…
O socialismo é uma olimpíada sem medalhas, um jogo de futebol sem gols, ou um jogo de golfe sem buracos.
Os artigos do Mises trazem conhecimento e ajudam a superar o marxismo cultural que vem sendo impregnado nas escolas e em universidades. Cursos de jornalismo só falam de Teoria Crítica, só mostram um lado da moeda.
Parabéns pelo trabalho, vamos compartilhar.
“Por que as pessoas adoram ver competições na arena dos esportes — seja nos campos, nas quadras, na pista de atletismo, na piscina ou na quadra de tênis —, mas temem e desprezam a competição na arena do mercado?”
Poxa, porque o primeiro trata-se de diversão e espetáculo, e o segundo trata-se da sua vida, sobrevivência, condições de saúde, educação, segurança, sua e dos seus entes queridos. Quem em sã consciência vai querer deixar sua vida sujeita à competição mercadológica?
O argumento de que nas mãos do governo as coisas tendem a ser morosas, e mal feitas, pela falta de incentivo final (lucro), e que o único incentivo dos políticos seria a manutenção e obtenção de cargos, o que os faz suar apenas nas épocas de eleições é muito ruim. Isso pode ser um fato em alguns lugares do Brasil, mas não é uma regra, o que só faz com que este argumento da competição possa ser realocado: temos que mudar o sistema político de forma a fazer os governantes ficarem a maior parte do tempo incentivados a realizar boas governanças. Tornar o sistema político livre de parasitas e feito para condecorar honestos, bravos e esforçados governantes também parece muito mais viável que tentar fazer isso com o mercado, pois não temos qualquer controle sobre que tipo de pessoa está comandando as empresas que fornecem os produtos e serviços essenciais à nossa sobrevivência.
A competição nos esportes geram medalhas ou vídeos mitológicos de feitos e erros, a competição no mercado gera não só competição pelo preço do feijão e itens essenciais, invenção de produtos incríveis e às vezes totalmente desnecessários, como também fraudes, desinformação e até crises econômicas brutais.
E ainda tem o que já foi comentado logo acima, que as competições SÃO REGULADAS por um conjunto de regras acordadas, que recebe punição do órgão organizador se não forem cumpridas, e também que as condições para que aconteçam os jogos são mais ou menos niveladas.
A maioria das pessoas foi doutrinada para admirar atletas e desprezar empreendedores e não é capacitada a ligar os pontos e perceber a incoerência.
Os socialistas gostam do esporte, entre outros motivos, porque a disciplina e o autoaprimoramento constante dos atletas serve de modelo para a engenharia social que querem fazer para produzir um Novo Homem e uma nova sociedade em que todos obedecem, ou seja, sem liberdade nem individualidade.
* * *
Isso me leva a pensar…por que será que não existe uma cota para ntrar na seleção Brasileira de futebol? kkkkkkkkkkkkkkkkkk
Como o destacado no artigo, operar no vermelho para tentar eliminar os concorrentes certamente não é uma decisão inteligente.
Porém, no cenário atual do capitalismo mundial distorcido pela ação de governos e bancos centrais gerando enxurradas de liquidez, operar no vermelho acabou virando algo corriqueiro – vide a quantidade crescente de empresas zumbis pelo mundo.
Se tal pratica de dumping nunca ocorreu anteriormente, no momento atual de farta liquidez não poderia ser diferente?
Esse contexto de liquidez artificial abundante não facilitaria o dumping, já que grandes empresas com acesso mais fácil a crédito e ao mercado de capitais aguentariam um cash burn por longo tempo? (e ainda haveria farta liquidez para se recapitalizarem após estarem sozinhas no mercado)
O melhor artigo que ja li aqui!!!!