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Uma sociedade de perdedores

Estamos caminhando para uma sociedade de perdedores, de
maricas, de frangos, em suma, de pequenos indivíduos medíocres.  Cento e doze anos após a morte de Nietzsche, o
Brasil embarca numa cruzada moralizante de rebanho.  É espantoso ver como andamos rapidamente para
o matadouro da civilização.  Caminhamos
para a nossa morte, em
silêncio.  Meu tom
apocalíptico pode parecer exagero, mas é necessário para demonstrar o quanto
determinadas atitudes estão levando a humanidade ao seu crepúsculo.  A nova lei do bullying é um exemplo disto.

Sob a alcunha de “intimidação vexatória” o Brasil irá
criminalizar o bullying.  Aquele colega
de sala de aula chato que todos nós temos ou tivemos, apaixonado por colocar
apelidos e que, devido ao fato de ter menos vergonha ou ser mais efusivo,
sempre ultrapassa um pouco os “limites”, será criminalizado pelo simples fato
de ser chato.  Estamos decretando o fim
do humor, da piada, da risada e da diversão que é capaz de mudar a nossa
rotina.

Obviamente que a lei não é tão simplista quanto o exemplo do
colega praticante do bullying para com os gordos, portadores de óculos, fanhos
etc.  A lei proposta é clara em dizer que
o crime é intimidar, constranger, ameaçar, assediar sexualmente, ofender,
castigar, agredir ou segregar criança ou adolescente.  A punição será de um a quatro anos, em caso de
condenação.  Aqui é preciso dar uma
pausa, respirar e demonstrar a estupidez desta proposta de lei.

A particularização das leis mais atrapalha do que auxilia.  Uma proposta de simplificar o que seria de
fato um crime é defini-lo como coação para com a vida e a propriedade de
terceiros.  Neste sentido, agressões
físicas, assassinatos, roubos e furtos são crimes fáceis de identificar, pois a
coação para com a vida e propriedade alheia é evidente.  Como podemos identificar o crime de
intimidação vexatória?

Intimidar é obviamente uma agressão para com a integridade
da pessoa, é levá-la pela força a agir ou deixar de agir de determinada forma.  O mesmo ocorre com a ameaça e a agressão.  É fácil identificar que estes três pontos
possuem realmente um viés de coação para com a pessoa.  Não é preciso esperar o disparo da arma para
agir, a arma em punho e a clara intenção de atirar, isto é, a ameaça, é
passível de reação perante o agressor.  Entendo
que os critérios que constituem a diferença entre uma mera ameaça trivial de
uma ameaça real podem ser nebulosos, por isso o uso do exemplo da arma.  O que não faz sentido é que já existem leis
que criminalizam a agressão, a ameaça e a intimidação, não fazendo sentido mais
particularizações.

Não é preciso falar sobre o assédio sexual, que também já é
crime e não precisava constar na lista da intimidação vexatória.

Os problemas começam com a criminalização do
constrangimento.  Como mensuramos o
constrangimento?  Tudo o que constrange
individualmente uma criança e adolescente deverá ser crime?  Numa sociedade de adultos donos de si mesmo e
não meros servos de vontades alheias faz-se tudo aquilo que não agrida
terceiros.  Apenas seres pequenos visam
coibir, pela força da lei, que pessoas livres exerçam sua liberdade.  O não constrangimento está muito mais
relacionado à sensibilidade humana em não constranger do que em privação de
determinada atitude em prol de um conceito subjetivo.

Paralelo ao “crime” de constrangimento está o “crime” da
ofensa.  Pessoas fracas se sentem
ofendidas.  Esta lei me ofende por ser
estúpida, mas não fico pedindo a prisão dos anencéfalos da comissão de justiça
do senado por estar ofendido com tamanha burrice.  Ofensas são combatidas ou são ignoradas num
processo de abstração psicológica.  Prender
por ofensa é coisa digna de pessoas mentalmente infantilizadas, incapazes de
superar um xingamento.  O mundo adulto é
repleto de ofensas, calúnias e difamações.  Por este motivo ofendo todos os patéticos
asseclas da criminalização destes atos.

Outro ponto complexo é a definição de castigo.  Como criminalizar um castigo?  Castigar uma criança amarrando-a num poste,
espancando-a com chicote ou cortando seu corpo são todos castigos de agressão
física, obviamente atitudes condenáveis.  Fico imaginando quantos processos idiotas de
adolescentes chatos e pentelhos irão surgir contra as “punições” recebidas de
seus pais.  Os políticos desocupados
(desculpem a redundância) ficam criando estes textos inúteis apenas para daqui
algum tempo posarem de benfeitores de “leis da moda”.  É óbvio que entra em pauta a velha discussão
sobre a palmada.  Estou convicto que há
maneiras mais eficazes de disciplinar um filho, como o uso de regras claras,
objetivas e construídas de maneira participativa, com punições restritivas e
diálogo acerca da ação e da punição.  Entretanto,
criminalizar um pai que faz o uso da palmada (que é algo bem diferente do
agredir por agredir) é criminalizar a escolha disciplinar. Para os adeptos da
discussão sobre diversidade cultural, que defendem que índios possam matar
crianças defeituosas ou gêmeas, a palmada é uma construção cultural da tradição
judaico-cristã.  Neste aspecto, por mais
idiota que seja usar a “varinha”, não faz sentido criminalizar o castigo
perpetuado pelos pais para fins disciplinares.

Por último ficou a segregação.  Eis outra palavra-coringa do modismo
intelectual brasileiro, seguindo a estrada aberta pelo multiculturalismo.  Segregar é separar, excluir, não querer manter
contato.  Agora, as crianças sem amigos
podem acusar os colegas de segregação.  Evitamos
contato com diversos tipos de pessoas e por diversos motivos.  Existem diversas pessoas que trabalham com
moradores de rua, com sua alimentação, saúde, moradia, reintegração.  Porém, há quem tenha, pelo motivo mais idiota
que seja, certo nojo de estar perto de moradores de ruas.  Ignorar crianças que moram nas ruas e
evitá-las é um tipo de segregação.  Não
faz sentido criminalizar alguém que não deseja que certa pessoa participe de
seu convívio pessoal.

No fundo, o que esta proposta possui é a insanidade de
juntar várias propostas isoladas como a criminalização da palmada e da
separação de pessoas do seu convívio.  Colocaram
itens diversos e foram aplaudidos por pedagogos por criminalizarem o bullying.  Os “profissionais” da educação demonstram ser
incapazes de lidar com este fato escolar e ficaram felizes com a proposta de
lei porque a responsabilidade do bom andamento do processo de
ensino-aprendizagem se tornou uma questão jurídica.  Não precisarão mais estudar e aprender a
enfrentar situações, pois bastará acionar a justiça para que o problema seja
resolvido.  São os perdedores que se
alegram quando outros retiram um pouco de seu fardo.

Para completar a proposta, se o “criminoso” for menor de
idade não será preso, mas cumprirá uma pena sócio-educativa.  Se a prática de bullying ocorre com maior
frequência entre crianças e adolescentes, a lei tem qual finalidade?  Os professores já não tomam, ou pelo menos
deveriam tomar, medidas educativas para lidar com a questão do bullying?  Se o debate acerca da intimidação vexatória
está presente nos ambientes escolares, com aprendizados sobre alteridade e
diversidade cultural, a pena proposta é mais do mesmo.  Sendo assim, o alvo desta proposta de lei é
criminalizar adultos.  Foca-se no
bullying, mas indiretamente se criminaliza a palmada, por exemplo. Punirá, na
verdade, os pais e os professores.  O
efeito jurídico será a possibilidade de enquadrá-los em mais delitos.

Portanto, esta proteção das crianças e adolescentes tem como
efeito criar uma geração de incapacitados em lidar com aqueles que não o
aceitam.  Serão mimados, não mais pelos
pais frouxos, mas pelo estado e por todo o poder coercitivo que este possui para
criminalizar e punir aqueles de quem os mimados não gostam.  Em vez de ensinar a grandeza do gostar de si
e de aprender que no mundo há gente disposta a humilhar e diminuir terceiros e
que é preciso estar blindado para combater este tipo de gente, estamos
ensinando que ser perdedor e psicologicamente abalável é algo bom.  O problema não está em aprender a lidar com os
chatos, mas o problema é a existência dos chatos, que merecem cadeia.  Neste tipo de inversão lógica é que avançamos
para a ruína de nossa sociedade.  Exaltamos
a incapacidade de enfrentar o mundo, quando deveríamos fazer exatamente o
oposto.

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163 comentários em “Uma sociedade de perdedores”

  1. O artigo todo foi bom, mas o último parágrafo foi excelente! O estado quer (des)educar as crianças e criar uma futura sociadade de fracotes imbecilizados, imcapazes de lidar com as pessoas e sempre pedindo ajuda … tchan tchan tchan tchan… ao estado! Não é apenas a economia que a esquerda destroe, mas também a sociedade. Muito bom ler esse artigo aqui no IMB, afinal de contas essa lei do bullying é um ataque contra a liberdade e precisa ser combatida.

  2. Pedro Valadares

    Seguindo a lógica dos parlamentares, deveríamos ter hoje uma sociedade de traumatizados, pois antes não tínhamos essa “brilhante” lei para nos proteger dos nossos malvados colegas.

    Quando eu era mais novo, estava acima do peso. Recebi os mais diversos apelidos. Não gostava de nenhum, era chato ouvir, mas era muito pior ver outras pessoas terem pena de mim.

  3. Excelente texto. Até compartilhei-o na minha timeline no FB.\r
    Gostei da apropriação da perspectiva nietzscheana. O bigodudo foi foi profético ao falar de “moral de rebanho”, pois é em prol desse ‘ideal’ que estamos nos aproximando cada vez mais. O “politicamente correto” é apenas um novo nome para um problema antigo.\r
    P.S.: Concordo, o último parágrafo foi o melhor.

  4. A nova onda do “politicamente correto” não é nada mais do que uma nova roupagem para a censura. É evidente, por exemplo, o fato de que os grupos esquerdistas estão cada vez mais sensíveis contra qualquer crítica, por mais branda que seja, permitindo que as suas idéias sejam propagadas livremente. Qualquer opositor pode ser processado, e será, bastando que a pessoa diga que se sentiu ofendida com aquele argumento. Além disso, sempre que um artista processa alguém por se sentir ofendido com algo, é dado uma cobertura absurda pela imprensa, como ocorreu naquele caso envolvendo a Vanessa Camargo e o Rafinha Bastos.\r
    \r
    As leis anti bulling, anti palmada, anti segregação, e similares, são maneiras de fazer com que a população aceite o politicamente correto sem reclamar, pois estas tornam normal a idéia de uma pessoa ultra sensível, como um castelo de cartas capaz de desmoronar com um simples toque. Assim, um processo contra um opositor vai ser visto como algo normal, até o momento em que um opositor só possa existir se estiver calado e não incomodar quem está no poder. Com o tempo, poderá até existir uma legislação que puna qualquer um que simplesmente tenha opiniões divergentes, mesmo que este as guarde para si (A Crimidéia).\r
    \r
    O futuro é sombrio.

  5. Camarada Friedman

    Eles querem transformar isso aqui numa Suécia… Nunca vão conseguir, a gente é pobre de mais pra perder tempo com leis.

  6. Fernando Chiocca

    Muito bom.
    Gozações na escola tornam as pessoas mais fortes e preparadas para a vida.
    Podem também “traumatizar” algumas pessoas.. mas este é um risco da vida.
    O que não nos mata, nos fortalece.
    Esta lei é absurda, com certeza idealizada e apoiada por losers traumaizados, e que teria consequências terríveis para a sociedade.

    Eu só acho que é preciso diferenciar os tipos de bullying, pois nos EUA me parece que o termo é mais usado para agressões físicas, para grandões que roubam lanche e dinheiro e batem nos mais fracotes, etc.. Isso deve ser coibido, punido e combatido. Já no Brasil o termo parece estar sendo mais empregado para simples gozações, e isso não deve ser punido e sequer seria possível de se punir, pois entra no campo da subjetividade.

    E eu não misturaria a lei da palmada com essa grotesca lei contra bullying. Nem sei se sou contra essa lei da palmada. Ninguém tem o direito de agredir outro ser humano, e isso não muda para pais agredindo crianças.

  7. Eu lidava com bullying, digo, com esses chatos na escola. Sofri pra caramba, mas hoje, sei muito bem lidar com todos esses babacas. Ainda bem que tive essa oportunidade. Fico imaginando se eu tivesse a “proteção” do estado para esses assuntos… Definitivamente seria um cara imaturo sem um pingo de força emocional. A intervenção do estado está cada vez maior.

  8. Conforme citaram nos comentários acima, eu vejo tudo isso como forma de censura também. O objetivo dessas leis são criar uma sociedade que está constantemente com medo de expor sua opnião. Quem é acostumado desde pequeno a não falar mal do coleguinha, não irá falar mal do governo tampouco.

  9. ‘Por último ficou a segregação. Eis outra palavra-coringa do modismo intelectual brasileiro, seguindo a estrada aberta pelo multiculturalismo. Segregar é separar, excluir, não querer manter contato. Agora, as crianças sem amigos podem acusar os colegas de segregação.’

    Exato!! Eu falo há muito tempo que o multiculturalismo é um câncer, pois é, está aí a metástase.Se um moleque gosta de anime e mangá e prefere ficar junto com os colegas japoneses que também gostam de anime e mangá, em vez do resto todo, taí, esse é um criminoso agora.

    Eu n sou Olavete mas nisso vcs tem que dar o crédito pro Olavo de novo, isso ele já fala há mto tempo, vc tem que ter uma visão razoavelmente ampla pra notar certas coisas, tudo tá relacionado, se vc só olha pra economia o cerco se fecha por outras áreas e vc se ferra, é coincidência que os espíritos sensíveis e fracos sejam os primeiros a ser atraídos e a defender essas coisas? Ainda mais aqui no Brasil, com todos os defeitos eu nunca ví essas coisas que aparecem em filmes americanos, de um monte de moleque se juntar pra jogar lama nos outros encima do palco, roubar lanche, jogar o outro na lata de lixo.
    Coincidentemente (será?) o autor é bacharel em filosofia, não economia.

  10. Excelente abordagem Filipe. Pode ter certeza que você escreveu o quê muitos gostariam de expressar, mas já se sentem acuados pela ditadura do politicamente correto.

    Paralelamente, prestem atenção como o homem (ente masculino) vem sofrendo sucessivos ataques nas últimas décadas. Se me permite, fica aí uma sugestão para uma próxima análise.

  11. Vai ser muito interessante porque a Constituição Cidadã não preve a punição de menores de 18 anos. Isso quer dizer que até 23:59 da vespera de copletar 18 anos um individuo poderá praticar a “intimidação vexatória” pelo que eu entendo. Na realidade eu entendo que bullying, a exemplo de outras práticas, ocorre porque o praticante se sente seguro. O dia que alguem reagir e o camarada levar um tiro essa prática diminuirá muito. É claro que vão culpar o porte de armas.

  12. Gustavo Augusto R. Abreu

    O artigo acerta na critíca ao estado como um insituição assistencialista que deve passa a mão na cabeçinha de todo membro, e que serve como cabidal psicológico das frustações pessoais dos indivíduos, cabe a todo individuo saber lidar com suas proprias frustações e crises existencias.\r
    \r
    Mas por outro lado só diz generalizações, chegando á idissioncrasias que sem entrar nesse meríto mais já entrando, afinal um pouco de sarcasmo não faz mal a nimguém mais parece em algumas partes uma critica feitas por um estudante de filosofia que pega meia-duzia de frases de Nietzsche e já acha um “destruidor inato” dos valores da sociedade, um bad-boy teórico no sentido do termo. \r
    \r
    Sem contar a velha polêmica do “politicamente correto e incorreto” que é moda hoje em dia, mas sem definir bem que graus de doutrinação de fato o estado impoê aos indivuos (afinal numa sociedade libertária também existe leis, mas elas deve ser o minimo regulador de todas as ações humanas), generalizando toda forma vexátoria de humilhação do individuo (e estou falando APENAS de casos de agressão fisica onde a integridade do outro é colcado em risco) como direito alíenavel, não só justo, mas que deve ser apoiado na sociedade, uma fetichização e analogia estúpída da competição como se isso de fato fizesse “homens” mais aptos a selva urbana (como se todo “menino chato” e bulinador de fato será alguém bem sucedido na sociedade, quando ás vezes é o exemplo contrário que impera), até porque entra em choca com alguns principios libertários como o direito da não agressão.\r
    \r
    A lógica do texto é totalmente coerente ao criticar o estado como pai tutelador de todas as mazelas humanas, mas quando vai discorrer filosoficamente “sobre o principio primitivo e selvagem do ser humano” só ouvi clichês e generalização, sem entrar nos pormenores que todo estudante de filosofia na vida já passou ( e como eu fui um, sei bem do que estou falando).\r
    \r
    Se é caso que a sociedade deve apoiar atos de violência contra o próximo principalmente, porque com isso ela não vai estar ferindo a isonomia da liberdade, acho que seria legitimo também a sociedade apoiar homicidios e formas de vingança feita com as proprias mãos, afinal o estado e o policiamento que ele oferece não tem direito de decidir as razões que leva os individuos a violentar o outro e a agredi-ló fisicamente e até mesmo deliberar a sua morte.\r
    \r
    A lógica das escolas e do jardim da infância pode não ser tão cruel a este ponto para alguns, mas é obvio que todo sistema educacional é um espelho da sociedade, e o que aconteçe é que quase sempre, a escola forma não crianças aptas a liderar, mas deliquentes.\r

  13. Só quem sofreu bullying sabe o quanto isso doi e prejudica sua vida no futuro. Se você deseja que os que sofrem bullying reajam, sinto muito, mas você está incentivando a barbárie, já que o modo de reagir a uma ofensa pode ser muito exagerada. Como por exemplo, pegar a arma no armario do pai e matar um colega na escola, fato que presenciei no meu periodo escolar.

  14. No livro Intervencionismo, escrito por Mises em 1940, o grande professor e economista já dizia: “No estágio atual, com o desenvolvimento dos meios de comunicação e de transporte, a delegação de poderes é inteiramente injustificável.”

    Se Mises dizia isso em 1940, imagine-se o que não diria se estivesse vivo hoje. Em dias de internet, de celulares e de comunições online, em tempo real, é um verdadeiro anacronismo a existência de instituições como o Congresso, com 513 deputados federais supostamente para nos representar, e de 81 senadores para supostamente representar os estados. Viajando de seus rincões para Brasília e se reunir três dias por semana. Com toda a montanha de assessores e de funcionários “trabalhando” para o Congresso “funcionar”. Bilhões de reais gastos anualmente para quê? Para termos uma usina de produção de leis absurdas e invasivas de nossas liberdades?

    Cada um de nós, não sendo retardado mental, ou criança, tem condições de se representar a si mesmo. Que gastos inúteis, quanto desperdício de recursos manter um Congresso Nacional, assembléias legislativas, câmaras de vereadores para produzir leis contraproducentes, ridículas e autoritárias, que destroem as liberdades individuais, subvertem a moralidade e a ética, atacam a propriedade privada, geram caos institucional e jurídico, e minam o desenvolvimento do país.

    Se ainda quisessem manter esses verdadeiros monumentos ao atraso, mas que pelo menos não votassem essas leis ridículas, já seria de bom tamanho. Se recebessem salários mas não fizessem uma única lei desse tipo seria excelente. Claro que os recursos poderiam ser melhor aplicados se não houvesse um Congresso caríssimo. Mas os nossos parlamentares querem mostrar serviço, mostrar que estão “trabalhando” e aí, na falta do que fazer, inventam essas leis a fim de aumentar o seu grau de “produtividade legislativa” . E aí mora o perigo.

    Seria bem vinda a discussão de outro meio de representação que não esse atual. Não precisamos de deputados para nos representar. Eles não me representam. Representam a si mesmos, aos seus interesses e aos dos grupos de pressão a que estão ligados. A única área em que os parlamentares tupiniquins têm muita eficiência é na produção de leis estapafúrdias e na fabricação de atos de corrupção.

    Gostaria de poder representar a mim mesmo, sem ter deputados que me representassem. Não precisamos de Brasília. Brasília é apenas uma ilha da fantasia que mantém cativa toda uma nação com seus impostos escorchantes e um estado disfuncional, inchado e autoritário, que já se desviou da única função que, segundo Mises, poderia justificar sua existência: a proteção da propriedade privada, da vida dos cidadãos e do cumprimento de contratos. Nada mais que isso.

    Mas um estado que está se lixando para cerca de 50.000 assassinatos que ocorrem atualmente em nosso país, onde apenas cerca de 5% dos crimes desse tipo são esclarecidos, viola as liberdades individuais e ataca a propriedade privada, não tem como justificar sua existência.

    É um monstro que devora seus próprios cidadãos, como fazia, segundo a mitologia greco-romana, Saturno com seus próprios filhos ao nascer.

  15. Estou acompanhando o blog a bastente tempo, estava empolgado com muitas coisas. Mas agora vi que o Liberalismo é intolerante com a dor alheia, é fraco tem que ser chutado da sociedade. Reforçei isso a ler o blog do “liberal” Individuo onde ainda sugere o Darwinismo Social.

    Pra mim caiu a máscara do Liberalismo hoje.

  16. Quando se fala em bullyng, geralmente muitos acabam caindo em generalizações e falácias. É necessário separarmos chacota de agressão, entendermos quando termina uma e começa a outra.

    Vamos supor um menino de nariz “avantajado”, uma coisa é seus colegas zoarem ele o chamando de “narigudo”, outra coisa é seus colegas baterem nele todos os dias por isso, fazerem montagens suas e divulgarem pela net, destruírem e roubarem suas coisas por causa disso, ou lhe humilharem tão frequentemente a ponto de provocar problemas psicológicos, levando inclusive ao suicídio da “vítima” (são extremamente comuns casos de suicídio infantil provocados por bullyng, dos quais a maioria não são noticiados pela mídia, para não incentivar pessoas com a mesma vontade).

    Não estou dizendo que o Estado tenha que combater isso (o que eu acho impossível), na verdade eu acho que é justamente o Estado, com sua alta regulamentação educacional, que acaba ajudando a criar esses casos, colocando 50 alunos diferentes numa sala e os obrigando a aprenderem todos a mesma coisa.

    Pra mim, o Bullyng só se combate com liberdade educacional.

  17. Um ponto interessante é que um dos lugares do mundo onde o problema do bullying é mais sério é justamente nos EUA. O sistema de ensino deles é muito controlado de cima pra baixo, quase todo público e com uma gigantesca interferência dos sindicatos. O próprio ato de escolher em que escola colocar o filho já é muito difícil. Em vários casos, é o governo que te diz qual escola usar.\r

  18. Anderson Saraiva

    Excelente artigo!

    O desfecho:
    “Neste tipo de inversão lógica é que avançamos para a ruína de nossa sociedade. Exaltamos a incapacidade de enfrentar o mundo, quando deveríamos fazer exatamente o oposto.”
    é simplesmente exato, perfeito.

  19. Existem pessoas sendo expostas aos meios de comunicação e sem defesa.

    A pessoa que é assediada moralmente não tem a quem recorrer.

    Sem defesa, perde oportunidades, changes.

    Um apelido, uma fama mal atribuida, pode depreciar e influir nas decisões;.

  20. Pedro Valadares

    Vanderlei, concordo com você. Mas porque você acha que o estado é o ente mais competente para evitar assédios? Os burocratas não são seres iluminados e com maior discernimento que eu ou você.

  21. Sidervan Poindexter

    Sempre gostei dos artigos do Mises, mas este sinceramente me deixou contrariado. O bullying, o trote, o assédio são violências sérias, que devem ser tratadas como quaisquer outras. Não há nada de esquerdista neste ponto. Pelo contrário, é um apoio à meritocracia, pois é sabido que CDFs e Nerds são as maiores vítimas, e nestes pequenos guerreiros repousam oportunidades de progresso para as nações.

  22. Acompanho faz algum tempo as postagens do Mises e são sempre muito boas. Concordo plenamente com a posição do autor. Interessante que nesse momento estou assistindo a entrevista do Danilo Gentile no programa do Roberto Justus. E o que está sendo discutido é basicamente a questão do bullyng, da ofensa e da liberdade de expressão. O Roberto disse: – eu acho que tem que ter limite, nem tudo pode ser dito. O Danilo respondeu: e quem está apto para julgar o que pode ou não ser dito?
    Depois dessa, o entrevistador inexperiente gaguejou, porque não tem resposta.
    Recomendo que depois vocês vejam a entrevista no youtube. Está longe de ser um teórico discutindo sobre o assunto, mas ele usou a ironia e o bom humor para combater os argumentos politicamente corretos do Justus.

  23. A lei é absurda porque dá margem a qualquer interpretação arbitrária. E o ECA ainda atrapalha mais do que ajuda.

    No entanto é amadora a caracterização de “fracotes e dependentes” utilizada para vítimas de bullying. Qualquer um aqui pode ser quebrado psicologicamente, basta estar na mão de um profissional. Só porque o dano psicológico não sangra não significa que ele não exista, é tão real e prejudicial quanto uma perna quebrada. A psiquiatria e a psicologia já estão faz tempo lidando com isso.. Qualquer imbecil que tenha estudado dois minutos de psicologia social conhece a “profecia autorealizadora”, mecanismo mais-do-que-bem-descrito que demonstra efeitos bizarros do bullying.

    Mas não basta falar, é preciso demonstrar né? Está aqui então: http://www.youtube.com/watch?v=ft4GjEAZMzg&feature=related

  24. Definitivamente o estado não é o melhor meio de resolver esse problema, ainda mais se estamos falando de bullying na escola. Basta dar liberdade para as escolas resolverem, começando por queimar o ECA.

  25. Mesmo que o Estado deseje coibir a prática do bullying, ele não conseguirá. Qualquer um que lembre da sua época de escola, sabe disso e sabe também que quanto mais se tenta proibir, pior é.

    Óbviamente existem situações em que é intolerável(agressão física e tal), mas o Estado não pode resolver isso.

    Outra coisa é que é impossível agradar a todos e fazer todos gostarem de vc. Apelidos, gozações, etc fazem parte da vida escolar e inclusive da vida adulta. É necessário aceitar isso se vc não quiser se tornar um ‘spoiled brat’.

    Eu sou da opinião de que a ofensa deixa de existir a partir do momento em que vc não se ofende mais, entretanto é dificil demais para uma criança entender isso. Quando somos pequenos, nossos pais nos protegem de tudo que nos desagrada e garantem (quase) todas as nossas vontades… Aí quando começa a vida escolar, carregamos a idéia de que deve ser assim também… E muitos carregam até o final de suas vidas, substituindo pais pelo Estado.

    E não sou insensível quanto a isso. Vivi metade da minha vida no exterior, e além de tudo, sou homossexual, de ‘bullying’ entendo bem. Quando estava em idade escolar, sofria bem mais do que bullying, era discriminação hardcore mesmo por ser estrangeira.

    Hoje em dia fico pensando o que poderia ter sido feito na época pra evitar isso. Quanto mais os professores e diretores pediam para que as outras crianças não discriminassem os estrangeiros, pior era, pois as outras crianças passavam a me ver como ‘protegida’ e aí sentiam mais raiva de mim. Ou talvez se houvesse uma lei antibullying/discriminação na época e meus pais tivessem acionado-a, provávelmente causaria ainda mais ressentimento contra estrangeiros e eu teria sido ainda mais isolada. MAS eventualmente nada disso foi necessário, superei tudo isso, dominei bem o idioma e me inseri perfeitamente na cultura local, concluí o período escolar e cá estou.

    Sei que nem todos tem um ‘final feliz’ assim, mas não vejo solução externa pra essas situações, só interna: aceitar que a vida é assim mesmo e que precisamos aprender a passar por situações que nos desagradam, que a vida não é cor de rosa. Enfim… Dói muito quando somos pequenos, mas eventualmente a maioria de nós supera isso e não há milagre estatal que resolva.

  26. Preciso urgentemente fazer um alerta aqui

    A T E N Ç Ã O !!!

    Essa lei não tem nada haver com escola, ao propor punir ofensa e segregação isso não é nada mais que um INTRUMENTO DE PERSEGUIÇÃO POLÍTICA.

    Poucos se deram conta disso mas a agenda para censurar a imprensa é essa. Há tempos que Nassif e Paulo Henrique Amorim vem difamando outros orgãos de imprensa (a quem eles cham de PiG) e se dizem perseguidos.

    Essa lei está vindo pra calar o Reinaldo Azevedo, Demetrio Magnoli e Instituto Millenium.

    Quanto a segregação, pior ainda, pois o racialismo estatal e opressor agora tem uma carta na manga. Se um negro passar por uma entrevista de emprego e saber que dentro da empresa só existem brancos, ele poderá denunciar a empresa por racismo. O crime de segregação coloca uma arma retórica na mão de cada negro, é passo enorme para a tensão e luta de classes no Brasil

    Por favor, acordem e parem de achar que isso tem haver com escola. Ontem mesmo a Delta afirmou que está sofrendo bullying na CPI, o termo já está sendo utilizado incorretamente e fora do contexto escolar.

  27. Esse artigo foi oportuníssimo. A meu ver, o que está ocorrendo é que, simplesmente, a nossa civilização está ficando doente através dessa idiologia do “politicamente correto” que foi urdido e está sendo impingido pelas esquerdas. Cabe as pessoas que ainda restaram lúcidas reagirem de todas as formas possíveis energicamente contra essa onda maldita. A passividade só vai piorar a situação…

  28. O bullyng é mais um dos problemas criados pela esquerda para depois apresentar sua “solução”. Claro, mais poder do estado na criação das crianças.

    Podem perguntar para qqr pessoa com 80 anos ou mais, que estudou em escola até os anos 50, esse tal de bulliyng praticamente não existia. Pois se algum aluno perturbasse a aula levava reguada na mão ou ajoelhava no milho… Os mais desordeiros eram expulsos da escola, mesmo nas públicas (hj nas escolas publicas é muito dificil conseguir expulsar um aluno e ainda por cima ainda colocam reclusos da fundação CASA em colégios normais).

    Boa parte do que chamam de “bullyng” é crime e pronto. Roubar dinheiro do colega, agredir, ameaçar, extorquir… É pra mandar pra FEBEM e pronto.

  29. A propósito, se eles estão tão interessados em acabar com bullyng, poderiam começar por uma das instituições que mais usa dessa estratégia para conseguir o que quer: sindicatos. \r
    \r
    Experimente se colocar contra uma greve ou contra os interesses de uma dessas “associações” pra ver o que é agressão, tanto física como psicológica. Por sinal, diferente das escolas, nesse caso só existe adultos, portanto muito mais coerente em relação à discussão de delitos criminais.

  30. 99% do “bulling” nao tem maiores conseguencias. O resto pode precisar de um especialista. Em regra, todo mundo sacanea todo mundo no colegio. O melhor é aprender a superar a situacao, de preferencia sem os burocratas.

  31. César Ricardo de Andrade

    Esse negócio de “civilização” é para os fracos!

    A selvageria e a barbárie brasileira deviam servir de inspiração para o mundo!

    E tem gente que pergunta como um partido como o PT chegou ao poder…

  32. Cesar Ricardo de Andrade

    O autor desse texto e os que o aplaudiram deveriam ser estuprados…

    Essa experiência os levará a serem pessoas mais confiantes, seguras, fortes, dominantes…

  33. Apenas a título de exemplo pessoal, tenho uma filha que nasceu com uma síndrome e, em razão de características típicas de tal síndrome que se reflete em seu comportamento, é vítima de bulling na escola que frequenta. No entanto, por mais desagradável que seja você saber que minha filha é alvo de atitudes indevidas dos demais alunos, o fato é que não necessito da intervenção estatal para defender seus direitos como ser humano. Isto é algo que procuro resolver diretamente com a coordenação pedagógica da escola, com a diretoria e pais de outros alunos. Logo, ser liberal não significa deixar as coisas acontecerem por si só, mas saber agir e reagir com o necessário equilíbrio, não outorgando ao Estado o poder de fazer por mim e pela minha filha aquilo que podemos fazer por conta própria, e se não surtir efeito, tenho a liberdade de tirá-la da escola que frequenta e matriculá-la em outra que, efetivamente, pratica a inclusão social.

  34. Aroldo Rosenberg

    Eu acho que antes de defender o bule nas escolas como elemento fortalecedor e formador de caráter é preciso lembrar que ele é uma coisa causada justamente pela forma como as coisas acontecem nas escolas. Normalmente o que ocorre é um coleguinha agredir o outro de maneira física ou verbal. Aí a vítima no caso tem duas opções (ou mais, mas é uma simplificação que eu acho válida): a) responder de forma violenta e b) contar pros professores, diretores, autoridades escolásticas. O que acontece depois da alternativa A é que a vitima é suspensa por tentar se defender e provavelmente vai acabar apanhando depois (quando deveria ganhar uma medalha), e o que acontece depois da alternativa B é que não acontece nada e as agressões continuam. Todas as opções acabam se tornando motivo pra ser um bundão, e esse comportamento é carregado pelo resto da vida.

    Interessantemente isso não acontece em escolas que adotam pedagogias alternativas e ignoram toda a hierarquia burocrática tradicional, por exemplo nas que adotaram o modelo da Sudbury Valley, onde os “alunos” têm a liberdade pra fazer o que quiserem enquanto for possível com os recursos disponíveis e não interferirem na liberdade alheia (vocês sabem onde já ouviram ou leram isso ou coisa parecida). Não que deixem as crianças quebrarem as caras umas das outras, mas pra mim parece que a mera presença de autoridades às quais recorrer desde criança condiciona o indivíduo a esquecer (por vontade própria ou não) que tem também responsabilidade sobre a própria vida e o direito (que lhe é negado pelo estado) de defender a sua integridade física e propriedade.

  35. Cesar Ricardo de Andrade

    Já ouviu falar em “reductio ad absurdum”?

    Foi o que eu fiz…

    CLARO que estupro e bullying NÃO estão no mesmo nível…

    Mas algumas pessoas têm a mania de levar tudo ao pé da letra…

    Enfim, vamos ao texto:

    O texto começa mencionando Nietzsche:

    Antes que alguém diga “saúde”, Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900) foi um filósofo alemão, ao qual ALGUNS, entre outras coisas, imputam ser “um nazista avant la lettre”, um nazista que existiu antes mesmo do nazismo e dos nazistas, um substrato, filosófico, do que a Alemanha se tornaria, concretamente, um pouco mais tarde…

    O autor do texto recorre ao NOME de Nietzsche, quase como uma “fonte de autoridade” mas sem explicar exatamente o porquê…

    Ao longo do texto, nenhuma obra ou frase do filósofo alemão é mencionada, em momento algum…

    Então, POR QUE Nietzsche?

    Talvez pelos mesmos motivos LEVIANOS E OPORTUNISTAS que fizeram com que, posteriormente, muitos dos nazistas o considerassem como seu PRECURSOR, um ideólogo do nazismo, a nascente onde, depois, todos eles foram batizados…

    Sua irmã, Elizabeth Foerster-Nietzsche e seu cunhado, Bernhard Förster, ardorosos antissemitas, colaboraram avidamente para essa impressão e defenderam, abertamente, essa premissa…

    Sua obra foi desfigurada e deturpada após sua morte e seus ataques literários contra a democracia, o capitalismo, o socialismo, o liberalismo e os “mais fracos” foram lidas como a uma “abertura”, uma “permissão” para todo o horror que viria logo em seguida…

    Sangue e barbárie, no coração da Europa…

    Da minha parte, penso que Nietzsche não foi coisa alguma…

    Deve se ler sua obra mais como literatura do que como filosofia, isto é, se entendermos a filosofia como uma argumentação teórica para uma prática…

    Penso que ESSE filósofo alemão, jamais quis arquitetar qualquer coisa, nem mesmo a ruína da civilização…

    Um outro, também filósofo e também alemão, Karl Marx, escreveu, certa vez, que “os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de modos diferentes; o que importa, porém, é transformá-lo”…

    Bobagem: desde Sócrates, diferentes filósofos, queriam mesmo era transformar o mundo a sua volta, construir uma nova sociedade, planejar um novo homem…

    Longe de ser um especialista em sua obra, penso que Nietzsche não quis fazer o mesmo; quis apenas criticar, acidamente, tudo e todos a sua volta, mas sem oferecer uma verdadeira alternativa para o que ele via…

    Um filósofo niilista, se preferirem; um observador do comportamento humano, um aforista desaforado que se contradizia e negava a si mesmo, aforismo após aforismo…

    Suas palavras sobre a “decadência da sociedade”, sobre a “vontade do poder” e o “triunfo da vontade”, sobre o “super-homem”, seu desprezo em relação à religião judaica (mas não aos judeus), sobre a “opressão dos mais fortes sobre os mais fracos”, sobre “a moral de rebanho da democracia” e seu “desapreço pela compaixão”…

    Tudo isso e muito mais deve ser lido com o mesmo filtro da literatura. Leiam Nietzsche como quem lê Kafka…

    É justo culpar Marx pelo comunismo? Acredito ser justo, porém prefiro evitar entrar, aqui, em maiores e intermináveis detalhes sobre o porquê dessa minha opinião…

    É justo culpar Nietzsche pelo nazismo? É injusto, afinal ele não planejou nada do que estava por vir e jamais imaginou o que iria acontecer…

    Mas, um pensamento me percorre: se ele não foi um dos culpado, tampouco ele foi uma das vítimas…

    Seus livros não foram queimados, suas obras não foram censuradas, suas palavras não foram proibidas.

  36. Quanto ao site:

    “Propriedade”? Que desgraça hein, a legitimização da propriedade de um homem no planeta sempre será impossível. Não há propriedade plena se não existe controle verdadeiro sobre seu próprio ser, não vivemos em um sistema isolado, esse conceito exala egoísmo e egocentrismo.

    Quanto ao artigo:

    No momento em que fica claro que na opinião do autor a problematização humana vem da ideia de “vencedor e perdedor” perdeu-se a credibilidade. Qual é a civilidade da ideia de “competição” se não tivemos nem a competência de resolver os problemas mais simples da humanidade, os problemas tangíveis da humanidade. Riquinho é um bicho pomposo mesmo, põe os olhos em qualquer mesquinharia para tirar os olhos da desgraça humana que a organização de interesses corporativistas(estas que não tem interesse no bem estar alheio) dessa sociedade causou.

    Que civilidade temos nós?

    Quanto ao bullying, só posso dizer que sua ignorância do trauma psicológico que leva a uma sociedade paranoica é o que realmente se configura em uma sociedade de perdedores. Sua mentalidade nos faz PERDER o potencial de uma cultura de felicidade e liberdade plena no lugar da nossa cultura de opressão familiar e coerção social.

    A ciência nos abriu um leque de novas possibilidades quanto a erradicação da fome e das condições de vida inaceitáveis mas existe uma névoa cultural que cobre nossos olhos, ocupando-nos com picuinhas como esta do artigo, ideias nobres de pseudomeritocracia enevoando o potencial que a humanidade tem.

    Pra um macho, branco, rico, heterossexual é fácil falar que é “frescura” dos outros. Aparentemente quem passa fome é só peão no seu jogo de bonecas, Felipe.

  37. Adendo:

    Uma criança é um ser incompleto biologicamente, da mesma maneira que você não pede que um bebê saiba falar você não pode querer que toda criança tenha o colosso de força necessária para fazer oposição a um menino mais velho, mais forte e mais popular. E se ela não teve ela não foi selecionada para o clube do bolinha é? Mas que piada de mau gosto. Desumano. Muitas vezes o estrago já está feito, o cérebro não é só “desejo”, ele é química e um trauma pode desregular essa química até o último dia da sua vida.

  38. Sei que estou comentando em um artigo meio antigo, mas textos assim esfriam bastante meu interesse pelo liberalismo, como aconteceu com o anônimo lá em cima. Sei que é complicado diminuir a liberdade de expressão para proteger a dignidade do indivíduo, mas ser contra punições a ameaças e intimidações, que obviamente vão contra a liberdade do indivíduo, e transformar isso em questão puramente pessoal é jogar no lixo o estado de direito e recorrer à autotutela. É um retorno à barbárie. Ou vão dizer que a sociedade vai voltar à barbárie porque estamos impedindo as pessoas de ameaçar e agredir umas às outras? O autor utiliza como argumento conceitos subjetivos como “sociedade de fracotes”, “vencedores” e “perdedores” para combater uma lei que usa como critério de punição outro conceito subjetivo, o de ofensa. Pior: se a lei é boba por ficar do lado dos “mais fracos”, o autor entra na mesma dança e fica do lado dos “mais fortes”, em vez de refutá-la por seu caráter vago e subjetivo. É um ataque definitivamente idiota a uma lei provavelmente idiota.

  39. A lei é espantosa. Foi feita na onda da indignação popular contra as agressões e humilhações entre crianças e adolescentes nas escolas, vendida como uma resposta a elas. Mas é uma lei criminal. E além disso é uma lei que “tipifica” extremamente mal o crime, deixando brechas para ser entendida ao arbítrio do juiz.\r
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    Considerando que foi vendida como uma solução para as agressões físicas e psiquicas que ocorrem nas escolas, qual é o seu escopo? Destina-se às crianças e adolescentes? Qualquer um que não seja louco perceberá que internar um menor na nossa maravilhosa Fundação Casa, junto com ladrões, assassinos e estupradores, apenas por ter se envolvido numa briga, ou menos ainda, apenas por ter xingado um colega, é uma insanidade. Neste caso, o verdadeiro crime seria a sentença. Nas escolas, houvesse mais bom senso na determinação das normas, mais sabedoria na orientação, e mais sensibilidade na percepção, o problema seria imensamente menor. Nas escolas públicas, o problema é gravíssimo. Nas particulares, varia muito de escola para escola, e em muitas delas o problema é muito pequeno, em razão da postura mais sábia dos professores. Transformar atritos entre as crianças em caso de polícia, isso é coisa de país de doidos…como o nosso.\r
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    Ora, se essa lei não se presta para ser aplicada às crianças e adolescentes, usou-se um subterfugio para inventar um “crime” mal definido.\r
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    Agora imaginemos essa lei sendo aplicada entre adultos. Já existem uma série de leis, há muito tempo, que proibem toda a agressão física e verbal. Então porque criar uma outro lei, com tipo penal tão mal definido. Creio que justamente para isso, para que ao sabor das conveniências, a lei seja usada por determinados grupos contra outros. Talvez o problema das leis anteriores fosse justemente definir bem a tipificação do crime… eita admirável mundo novo!

  40. A falta de sensibilidade do autor e de alguns comentaristas é impressionante e chega a ser ofensiva.

    Tudo bem que todo esse exagero estatal em relação ao bullying é uma sandice, mas existem coisas ditas por aqui que me fizeram sentir nojo.

    Eu sofri bullying por toda a minha infância e adolescência e preciso fazer tratamento psicológico e psiquiátrico até hoje. Toda a construção de autoestima foi abalada na fase de desenvolvimento psicológico de minha pessoa.

    “Portanto, esta proteção das crianças e adolescentes tem como efeito criar uma geração de incapacitados em lidar com aqueles que não o aceitam. Serão mimados, não mais pelos pais frouxos, mas pelo estado e por todo o poder coercitivo que este possui para criminalizar e punir aqueles de quem os mimados não gostam.”

    Eu atualmente sou um adulto e não sou mimado, pelo contrário, e sou bem capacitado, apesar dos danos psicológicos, de lidar com a rejeição. Em suma, eu sou devidamente espancado, humilhado, excluído, por motivos absolutamente irracionais mesmo sendo uma pessoa gentil e diplomática por toda minha infância e adolescência, e EU sou o incapacitado, EU sou o mimado e meus pais são frouxos.

    “Em vez de ensinar a grandeza do gostar de si e de aprender que no mundo há gente disposta a humilhar e diminuir terceiros e que é preciso estar blindado para combater este tipo de gente, estamos ensinando que ser perdedor e psicologicamente abalável é algo bom.”

    Posso estar errado, mas o autor implicitamente associa as crianças que não souberam lidar com isso com perdedoras. Em suma, os “bullys”, que são pessoas imaturas, selvagens, que tem uma crença baseada no “might makes right” são vencedores, enquanto eu, apenas por ter dificuldades de lidar com isso sou um perdedor. Eu poderia ter feito como os malucos de Columbine e ter partido para a ignorância, eu podia ter reagido, isso teria feito de mim um perdedor, mas eu resolvi continuar com os bons valores que me ensinaram mesmo a preço da minha autoestima e sanidade mental. Não obstante, aparentemente eu sou um perdedor por isso.

    Agora o post de pessoas discutindo aqui:

    “Gozações na escola tornam as pessoas mais fortes e preparadas para a vida.”

    Isso é um mito, quando você humilha uma criança em estado de desenvolvimento psicológico incompleto, quando a personalidade está sendo criada, você pode acabar criando adultos inseguros e ansiosos, odeio dizer isso, mas foi o meu caso. Claro que muitos simplesmente dão a volta por cima, mas certamente não é a maioria entre aqueles que assim como eu, TODO O DIA era devidamente humilhado e socado pelos próprios colegas.

    Repito, eu NÃO apoio intervenção estatal para Bullying, isso é um precedente perigoso, agora se eu por exemplo CRITICAS (e não humilhar) uma pessoa homossexual, ela pode usar um argumento parecido e me colocar na cadeia, simples assim.

    O problema deveria ser resolvido com as famílias impondo valores morais mais sólidos, com a volta da boa e velha palmada (ou cintada mesmo), e, porque não? no direito do aluno que sofre bullying de utilizar seu direito natural de legitima defesa socando em pedaços a cara dos bullies!

    Eu sinceramente agradeço ao autor por ter me chamado de perdedor, marica, frango e de indivíduo medíocre. Eu sou realmente um perdedor porque talvez deveria mesmo ter retribuído na mesma moeda as agressões, talvez até desproporcionalmente, eu sou um marica porque não parti para a violência, eu resolvi acreditar nessa farsa chamada civilização, eu sou um frango porque não brutalizei meus bullies, e claro sou um individuo medíocre, pois deveria ter passado por cima de todos os bullies e meus colegas. Se tem alguém que está mais perto do übermensch são os bullies, eu deveria ter me unido a eles e ter espancado e humilhado os fracos ou “undermensch” como eu que insistem em seguir valores minimamente humanos ao invés de destruí-los todos para uma moral subjetivista para atender impulsos primitivos.

    O artigo e os comentários daqui de certa forma baixaram muito a visão que eu tinha em relação aos libertários, vocês soam darwinistas sociais. O sofredor de bullying deve aprender a lidar com isso ou é um perdedor, e se ele chorar e ficar traumatizado, ele é um fraco. Eu era libertário anos atrás, mas quando vejo artigos e comentaristas assim eu me aproximo do niilismo cada vez mais.

    Esse artigo consolidou a minha crença niilista em relação a direito:

    MIGHT MAKES RIGHT!

    Talvez Eric Harris e Dylan Koboldt estavam certos afinal! Se não fosse por eles ninguém falaria de bullying… eles talvez sejam uma espécie de anti-heróis.

    Meu objetivo ao dizer isso não é trollar e nem brigar. Não odeio o autor e nem nenhum dos comentaristas aqui, só quis expressar minha indignação em relação ao que eu percebi aqui. Eu posso estar errado em relação a minha percepção, mas de qualquer forma senti a necessidade de expressar minha indignação.

    Peço para que me desculpem se de qualquer maneira eu pareci grosseiro em minhas colocações.

    Gostaria sinceramente que respondessem a esse meu comentário, pode ser uma boa oportunidade para provarem que eu estou errado (e se provarem vou humildemente mudar de opinião, sem problemas) e reverter a crença niilista que esse artigo me confirmou.

    Obrigado.

  41. Tem certas “brincadeiras” que devem ser repreendidas ou punidas. Por exemplo, uma coisa é chamar um gordo de “bola”, outra coisa é chutar um gordo e gritar “GOOOOOL”…. No primeiro caso, foi um insulto, no segundo caso, foi uma agressão física (embora o primeiro abra precedentes para o segundo). Outra coisa: é correto atacar as propriedades do colega (roubar, esconder ou sujar a mochila, por exemplo)? Pelo PNA isso constitui um crime contra a propriedade. Isso que constitui bullying. E acho que deve ser repreendido.

  42. Agradeço a cada babaca que avacalhou minha vida na infância e na adolescência, pois foram eles que moldaram o meu caráter e me fizeram ser infinitamente melhor do que eles.

    Uma pena que as próximas gerações estarão “protegidas” de amadurecer.

  43. Após muita versar o Sr não nos disse o que realmente nos interessa saber.
    O que devemos fazer quando uma pessoa perturbada entra em uma escola com uma AK47
    e descarrega o pente de balas?
    Devemos considerá-los vencedores?

  44. Entendo a ideia, mas discordo totalmente… Sou psicóloga e conheço diversos casos de pessoas que tiveram suas vidas arruinadas por causa de bullying. Sim, existem pessoas que realmente não conseguem lidar com isto, existem pessoas que realmente são fracas possuem problemas emocionais, familiares e sociais. São as mesmas que crescem entram na escolas com armas e matam vários inocentes, as mesmas que se matam, se automutilam porque não conseguem lidar com a dor, que se fecham em casa, entram em depressão, etc..etc.. A lei é para estes, para que tenham como pedir socorro, quando sozinhos não conseguem mais.. os fortes e que conseguem se defender não precisarão pedir socorro… Não precisam da lei. Sei sim que é importante aprender a se defender, mas na escola ocorrem diversos outros conflitos que não são bullying e que vão continuar e precisam continuar, para que as crianças aprendam, mas não o bullying… Porque o bullying não é xingar, brigar, etc..É um ato sistemático, contínuo e cruel e sim precisa ser eliminado, para que muitas pessoas possam estudar em um ambiente de paz e ter seus direitos garantidos.

  45. Cara, você não sabe o que fala. Eu pratiquei bullying durante alguns anos, mas nunca contra aqueles que poderiam ter alguma reação. Sempre escolhíamos os melhores alunos e mais fracos fisicamente. Eu e uma turma, assim como eu, de repetentes, todos usuários de qualquer coisa que nos fizesse sentir que éramos diferentes daqueles garotos que iam para a escola cumprir suas obrigações e fazer algo por um mundo melhor. Meninos com dois ou três anos a menos que nós, encurralados sozinhos, longe do olhar de um inspetor que pudesse auxilia-los. Filipe, tenho pena de você. Pena por falar de algo que certamente passou muito longe da sua realidade e assim mesmo, graças a sua eloquência, influenciar pessoas que amanhã poderão estar agindo covardemente como eu agi durante minha adolescência. Saiba que tem sorte de nunca ter encontrado pela frente colegas de turma “legais” como eu e minha turma éramos. Posso te garantir que hoje você não estaria destilando essas asneiras como verdades. Instruo meus filhos a ficarem longe de gente como eu fui no passado, e sinceramente gostaria (se isso fosse possível) de pedir desculpas aos muitos garotos que abusei covardemente, devolver o único dinheiro que tinham para o ônibus e que nós arrancávamos de suas mãos apenas para vê-los chorar e implorar nossa misericórdia. Claro que nunca devolvíamos. Éramos os fodões, todos tinham medo de nossa turma. Turma sim, porquê quem pratica bullying é covarde, não encara os problemas e substitui essa incapacidade pela humilhação que infringe aos outros. Violência não se combate com violência. Atitudes extremas geram reações extremas, e os extremos estão bem longe do equilíbrio. Quem já viu uma gangorra sabe do que estou falando, não se combate o mal com o mau.

  46. Bullying não seria apenas apenas um colega chato que poem apelido. Bullying na maioria da vezes é uma agressão e humilhação constante sobre algum colega.

    Ser o motivo de chacota da sua classe durante anos e sem ter feito nada por isso, não te torna mais forte. Mesmo que não haja agressão física, o bullying é muito traumático para quem sofre, eu mesmo sofri e sei o quanto isso foi horrível.

  47. “Caso você adote qualquer posição anti-esquerdista nas redes sociais, você será zombado e vão tentar destruir sua imagem de todas as formas possíveis. Muitos chegam a vasculhar sua vida e até te acusar de crimes para tentar fazer você sofrer e rir de você. Essa é a hipocrisia extrema de esquerdistas quando eles falam de bullying.”

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