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Eles nunca vão parar

Eis que acordo hoje de manhã e me deparo com a seguinte notícia: “Anvisa proíbe venda de cigarro com sabor”.  Ainda é cedo, ainda estou sonolento, deve ser minha vista embaçada….  Mas, espere um pouco, o que eles querem dizer com “com sabor”?  Qualquer coisa que se põe na boca tem algum sabor, oras.  Prosseguindo para o subtítulo, descubro que eles estão falando de mentol, cravo, e outros sabores que não o do tabaco.  Opa, o cigarro que eu fumo é de menta!  Então, como é que é essa história?  Eu vou ser proibido de comprar meu cigarro?  Por quê?  Por quem?  Quem essa tal de Anvisa pensa que é e o que ela tem a ver comigo e com o cigarro que eu fumo?  Que diabos está havendo?

Agência de vigilância sanitária não é um órgão do estado criado para vigiar e impor suas próprias condições sanitárias sobre os processos de fabricação de produtos?  Será então que esta proibição foi devida à “falta de higiene” na produção do meu cigarro?  De todas as fábricas de todas as empresas?  Não.  Parece que esta agência criada em 1999 não só tem o poder de dizer como os fabricantes devem fabricar seus próprios produtos, como agora também pode dizer quais produtos eles podem fabricar!  E de onde veio esta autoridade?  Certamente não de mim.  Muito menos do Luis Almeida.  Porém, o fato é que ela tem as armas para impor suas determinações sobre produtores e consumidores, quaisquer que sejam estas determinações. 

O jornal que estava lendo de manhã era a Folha de São Paulo.  A reportagem veio acompanhada de duas colunas, uma a favor da proibição e outra contra.  Não entendo por quê, mas esta agência autoritária tentou justificar de alguma maneira a sua decisão unilateral de banir um produto do mercado.  O motivo de eu não entender é pelo fato de que argumentos devem servir para tentar convencer a outra parte a respeito de algo, e ao contrário dos produtores e comerciantes — que devem usar da persuasão para convencer os consumidores de que seus produtos valem a pena ser comprados –, a agência em questão não precisa convencer os produtores e consumidores de nada; ela apenas vai armada ao encontro destes, e impede à bala que uma troca voluntária ocorra.  Não obstante, o colunista a favor da proibição, um tal Alberto Araújo, apresentou os argumentos dos ditadores de regras, e eu, mesmo que inutilmente — já que a ordem já foi dada — vou comentá-los.  Plagiando Leandro Roque, eu vou de preto e o Araújo vai de vermelho:

Nas últimas semanas, entidades médicas manifestaram-se favoráveis ao banimento de quaisquer formas de aditivos no tabaco, sejam açúcares, aromatizantes ou flavorizantes.

Ele está falando de entidades médicas ou de entidades escravocratas?  Médicos são profissionais que cuidam da saúde de seus pacientes, e não pessoas que determinam como outras pessoas devem viver suas vidas.  Uma entidade médica pode se manifestar sobre aditivos no tabaco, ou sobre o próprio tabaco, dizendo que eles fazem mal, bem ou nada à saúde das pessoas, mas jamais se manifestar a favor do banimento do que quer que seja.

Eu só consigo pensar em uma piada para ilustrar ao proibicionista o que é um médico:

– Oi João, como foi a consulta?

– O médico me mandou mudar meus hábitos; parar de beber, de fumar, me passou uma dieta rigorosa e me mandou fazer exercícios diariamente.

– E o que você fez?

– Mudei de médico.

Sim, senhor Arnaldo Araújo, acredite: médicos podem recomendar que as pessoas façam ou deixem de fazer algo.  Mas eles não podem obrigar as pessoas a fazerem ou a deixarem de fazer algo. 

Hoje, o tabagismo é responsável pela perda precoce de 200 mil vidas por ano no Brasil devido, principalmente, às doenças cardiovasculares e respiratórias, ao acidente vascular cerebral e ao câncer.

Mentira atrás de mentira atrás de mentira.  Se há alguma coisa pela qual o tabagismo pode ser responsabilizado é por trazer prazer a milhões de fumantes.  Quem fuma, o faz porque quer, porque gosta, porque fumar coloca o agente em um estado de maior satisfação do que o que ele estaria na ausência do ato de fumar — caso contrário ele não fumaria.  Ou seja, podemos afirmar com toda a certeza que fumar é um bem, do ponto de vista do próprio fumante.  E é igualmente uma mentira afirmar que o tabagismo seja o responsável por todas estas mortes, ou mesmo que “cigarro faz mal à saúde” (como esta agência ditatorial obriga os fabricantes de cigarro a anunciarem em suas embalagens).  Não existe nenhuma evidência científica que sustente tão leviana afirmação.  Ou, como coloca o professor Walter Block:

. . .  é o argumento de causa e efeito.  O atual estágio do conhecimento médico científico não estabelece nenhuma ligação contínua entre o consumo de cigarros e o câncer, ou enfisema etc., nem para os próprios fumantes, e muito menos para os fumantes passivos.  Um não é uma condição suficiente e nem necessária para o outro.  Existem pessoas que cedem ao desejo de fumar por toda a vida e nunca ficam doentes, enquanto outros jamais encostaram a boca num mísero cigarro, nem moraram ou trabalharam perto de fumantes, e mesmo assim morrem destas doenças.  (Por sua vez, todo mundo que leva um soco no nariz, sofre um dano físico).  O máximo que se pode estabelecer  a respeito desta etiologia é uma correlação estatística: existe uma incidência maior de doenças pulmonares entre os fumantes.  Porém, de forma similar, disparidades meramente estatísticas surgem em uma infinidade de casos.

A inclusão de sabores (mentol, cravo, chocolate etc.) nos cigarros tem se revelado uma estratégia bem-sucedida da indústria para conquistar novos fumantes e para atrair os que já fumam.

Parabéns a essa estratégia de sucesso.  Empreendedores estão sempre buscando atender as demandas dos consumidores da melhor maneira possível.  Eu, como consumidor, agradeço o empenho deles e os recompenso trocando voluntariamente meu dinheiro pelo produto deles.

Pesquisa realizada no Brasil pelo Instituto Nacional do Câncer, em parceria com a Universidade Johns Hopkins (EUA), confirmou a preferência de adolescentes por cigarros aromatizados. Entre os que fumam, 44% preferem esse tipo de cigarro.

Será que só eu percebi que se 44% preferem esse tipo de cigarro, então 56% preferem o outro tipo?  E que 56% é maior que 44%?  E que, se o objetivo dos proibicionistas é proteger “nossos” jovens contra a ganância de inescrupulosos empresários do ramo tabagistas, eles teriam de ter proibido o outro tipo?

A manutenção dos aditivos, como os açúcares e flavorizantes, atende a uma reivindicação da indústria do tabaco, que lucra com vidas humanas.

Lucra com vidas humanas?  Meu Deus, que crime hediondo é este que está sendo cometido?  Sem dúvida que a indústria do tabaco reivindica a manutenção dos aditivos, e ela só o faz pois esta é uma reivindicação dos consumidores.  Acredite, senhor Arnaldo —  que mais parece um professor marxista discursando contra o malévolo capitalismo –, uma indústria só lucra se atender à demanda dos consumidores, entregando o que eles desejam, de maneira melhor e mais barata do que seus concorrentes.  A indústria do tabaco estava até hoje atendendo à minha demanda, até aparecer o senhor e a sua agência ditatorial para ameaçar nossas vidas, impondo violentamente a interrupção deste processo de trocas voluntárias mutuamente benéficas.

A convenção-quadro diz que a proteção de uma política de controle do cigarro não deve ser alterada nem ter a interferência de interesses econômicos.

Mas, por interesses econômicos, os produtores e comerciantes de cigarros vão continuar atendendo à demanda voluntária dos consumidores dos outros tipos de cigarro!  Por que não proibir de vez o cigarro e assim acabar com esta “interferência de interesses econômicos” na saúde de seus súditos?  Logicamente, os proibicionistas irão chegar lá, mais cedo do que se imagina.

Do outro lado da página estava o texto contrário à proibição.  Um excelente texto de Luis Felipe Pondé, comentando o óbvio absurdo desta medida autoritária deste estado fascista, impondo sua política de higienização aos súditos.  O título já fala por si só: “Gosto que cada um sente na boca não é da conta do governo”, com Pondé chamando a atenção para a pior forma de totalitarismo, o “totalitarismo do bem”.  Na mesma linha, o genial escritor britânico C.S. Lewis nos alertava:

Dentre todas as tiranias, uma tirania exercida pelo bem de suas vítimas pode ser a mais opressiva.  Pode ser melhor viver sob um ditador explorador do que sob bisbilhoteiros morais onipresentes.  Pode ser que a crueldade do ditador explorador esmoreça, pode ser que uma hora sua cobiça seja saciada; mas aqueles que nos atormentam para o nosso próprio bem irão nos atormentar para sempre, pois eles fazem isso com a aprovação de suas consciências.

Esta Anvisa usa de violência reivindicando estar cuidando da saúde de nós, súditos — alguém só precisaria me explicar como é que agredir fisicamente alguém que não obedece a ordens pode fazer bem à saúde do agredido.  Você acha que eles irão parar depois de mais esta proibição?  Lógico que não.  sabor_vodka.jpgEles não descansarão enquanto o cigarro não for totalmente proibido … para o bem de nossa saúde.  E depois do cigarro, o que virá?  Na mesma página desta reportagem da Folha, havia uma chamada para outra reportagem: “Consumo de carne vermelha aumenta risco de morte“.  Seria este um presságio do próximo alvo da Anvisa?  Se algo aumenta o risco de morrermos, eles devem nos proteger e nos proibir; eles devem fazer com que todos vivam até 110 anos, ou melhor, sobrevivam, nem que seja preciso manter todos os seres humanos sob vigilância 24 horas por dia, certificando-se de que só comeremos o que eles mandarem, só beberemos o que eles deixarem, só faremos as atividades que eles liberarem, só dormiremos o tempo que eles permitirem.  Ou o próximo alvo será, similarmente aos cigarros com sabor, as vodkas com sabor?  Qual será a indústria que mais nos ameaça com seus produtos venenosos? (Ou qual será a indústria mais interessante de ser ameaçada com algum banimento, que possa oferecer um polpudo suborno para não ter seu produto banido?)

Os bisbilhoteiros morais, os totalitários do bem, não irão parar nunca.  Isso porque uma vez que a linha da propriedade privada — a começar pela propriedade sobre o próprio corpo — foi ultrapassada, não há mais limites e não há mais retornos.  O único limite era este: sou dono do meu corpo e coloco nele o que eu quiser; sou um adulto e assumo meus próprios riscos.  Quando as pessoas deixaram de respeitar esta fronteira e permitiram que o estado legislasse sobre ações individuais que em nada agrediram a propriedade alheia, um caminho sem fim foi aberto. 

Ou exigimos o respeito absoluto à propriedade privada, ou podemos dar adeus à vida e abraçar a sobrevida.  A Anvisa deve ser extinta imediatamente, só para começar.

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106 comentários em “Eles nunca vão parar”

  1. “A inclusão de sabores (mentol, cravo, chocolate etc.) nos cigarros tem se revelado uma estratégia bem-sucedida da indústria para conquistar novos fumantes e para atrair os que já fumam.

    – Parabéns a essa estratégia de sucesso. Empreendedores estão sempre buscando atender as demandas dos consumidores da melhor maneira possível. Eu, como consumidor, agradeço o emprenho deles e os recompenso trocando voluntariamente meu dinheiro pelo produto deles.”

    rsrsrsrs Genial!…pago pra ver esse tipo de argumentacao sair na “grande imprensa” rsrsrs os idiotas uteis iriam chamar daquele cliche q jah perdeu sentido “-fascista!”… estamos cercados de coletivistas autoritarios…

  2. Jose Roberto Baschiera Junior

    Realmente revoltante…
    Falando das carnes vermelhas, já teve aquele negócio com o Sódio.
    Daqui um tempo comeremos uma ração humana especialmente preparada pela Anvisa. Não sei vocês, mas comprarei chocolate no mercado negro.

  3. A anvisa informa em seu site que esta a mais de um ano em debate sobre este tema, pergunto se o consumidor foi ouvido ou seja para a anvisa o consumidor não existe.
    fora isto, é uma invasão a sua privacidade e liberdade de escolha
    Parabéns pelo Artigo.

  4. Falando em evidências científicas, olha só o que eu achei no site da Aliança de Controle do Tabagismo

    Proibir o fumo em bares e restaurantes acarreta prejuízos econômicos para o estabelecimento?
    Não há nenhuma evidência científica de que a proibição de fumar em ambientes fechados resulte em perdas econômicas. Estudos independentes feitos em Nova York, na Irlanda e no Canadá (entre outros) demonstram que a freqüência nos locais permaneceu estável e/ou aumentou. Os únicos estudos com resultados diferentes foram patrocinados pela indústria do tabaco.

  5. Fernando, parabéns pelo artigo!

    Queria ver isso sair na mídia mainstream…

    Não gosto de cigarro, mas é absurdo proibir quem gosta. Mas gosto de charutos, e tenho certeza que em breve meus cubanos serão alvo da Anvisa (não têm filtro, a fumaça é forte, ou qualquer outra justificativa). Parece que somos um bando de crianças à espera de que o todo poderoso governo venha nos salvar.

  6. Sei bem o que é ser perseguido pela Anvisa.\r
    Nos últimos meses passei a comprar suplementos em sites americanos (incomparavelmente mais sofisticados e imensuravelmente mais baratos que os nacionais), contudo, se forem flagrados pela Anvisa certamente serão retidos. A Anvisa tem autoridade para abrir(!) as minhas encomendas e decidir se o produto pode entrar no Brasil. Ou seja, esta agência se arroga o direito de decidir o que eu posso ou não consumir, tratando-me como uma criança potencialmente suicida que necessita de um tutor para protegê-la. E eu ainda tenho que ficar agradecido pela atenta vigilância desses burocratas, já que ( para eles) não sou capaz de avaliar os possíveis malefícios causados pelos suplementos. \r
    O curioso é que, para pagar impostos, eu sou considerado um adulto responsável e apto, por outro lado, para ponderar o custo-benefício de uma ação voluntária, sou tratado como incapaz, obtuso e imaturo.

  7. O pior é que mesmo pessoas que poderiam ser aliados nessa luta pela liberdade acabam ficando junto ao governo em casos como esses.

    O cigarro já foi tão atacado pela mídia global que defender o uso do cigarro é visto como uma defesa do câncer, das doenças, do sofrimento e até do homicídio! A pessoa é colocada como alguém que odeia a humanidade. Se o Chioca fosse colocar esses argumentos num debate, a réplica seria algo nas linhas de “nazista” ou “fascista”.

    Paradoxalmente, Hitler odiava o cigarro e provavelmente aprovaria essa ação do governo brasileiro.

    É uma batalha muito difícil conseguir explicar para essas pessoas, após décadas de propaganda estatal, que o direito de ingerir o que quiser se aplica a qualquer substância e o que está em jogo aqui não é apenas o cigarro. Onde eles vão parar?

  8. Mais um ótimo texto com a marca registrada do Fernando Chiocca.\r
    Gostaria apenas de acrescentar uma coisa.\r
    Há um argumento muito escroto que estatistas usam para tentar “justificar” essas proibições: os doentes vão aumentar o custo do sistema de saúde pública.\r
    Ou seja: eles usam um absurdo (o sistema socialista de saúde pública, o qual por sua vez se funda noutro absurdo, que é existência do esdrúxulo “direito à saúde”) para justificar o absurdo maior, que é a proibição de a pessoa buscar sua satisfação pessoal em seus hábitos, ainda que estes configurem vícios.\r
    Já passou da hora de a ANVISA ser riscada do mapa!

  9. Parabéns, Fernando. Excelente artigo.\r
    \r
    Maldito governo, que me arrumou um problema de como vou conseguir meus cigarros mentolados, já que a minha demanda por eles continuará.\r
    \r
    Um abraço.

  10. Fernando talvez eu tenha um ponto de vista um pouco menos radical do que você em relação a EA, mas isso que você acabou de produzir foi uma arte. Cara vou acabar virando anarc-cap desse jeito! Você se expressou por mim e por todos que se importam e se incomodam com o caminho de servidão que nossa sociedade tomando. Parabéns! O/

  11. Dia desses me deparei com um alerta fixado na entrada de uma academia:

    "O uso de anabolizantes prejudica o sistema cardiovascular, causa lesões nos rins e no fígado, degrada a atividade cerebral e aumenta o risco de câncer". Lei nº 13.679.

    Os burocratas filhas da mãe agora obrigam os proprietários a colarem cartazes com qualquer merda que eles ditem nos estabelecimentos que estes são donos. As academias autuadas por não terem o cartaz fixado pagam multa diária de R$ 600,00 (DF) e se o dono for alguém com o mínimo de respeito pela sua propriedade, e manter a posição de não fazer nenhuma intervenção na sua propriedade por ordem arbitrária de quem quer que seja, em 30 dias, os hijos de madre fecham (!) sim, fecham o estabelecimento.

    Absurdo.

  12. Kadur Albornoz da Rosa

    Caro Fernando,\r
    \r
    Tenho acompanhado o site faz alguns meses, li algumas obras disponíveis e muitos dos artigos também, e admiro muito o trabalho aqui realizado de divulgar as ideias de Ludwig von Mises, Hayek, Rothbard dentre outros, que se destacam pela sua logicidade e clareza. \r
    Não obstante compartilhe de seu asco pela recente decisão paternalista da ANVISA, não concordo com o caminho empreendido para chegar à repreensão.\r
    \r
    Em primeiro lugar, conforme genialmente expôs Stuart Mill, o limite de sua liberdade é a esfera de liberdade de outro indivíduo, e o limite de autoridade de um governo é intervir nas relações inter-pessoais para solucionar conflitos.\r
    \r
    Postas estas premissas, qualquer decisão do governo que influa diretamente na esfera do indivíduo sem implicações DIRETAS nas relações interpessoais é considerada indevida e excesso de autoridade. Falo em implicações diretas pois é possível de, a partir de uma cadeia de causalidade infinita, dizer-se que a sociedade é a culpada pelo criminoso ter cometido o crime, como os socialistas adoram fazer, por exemplo.\r
    \r
    Neste contexto, toda a medida do governo que vise proteger o indivíduo de si mesmo (extrafiscalidade indutivo-proibitória sobre gordura, cigarros, açúcar, álcool e outras medidas já em prática e/ou sendo defendidas por políticos paternalistas) é abusiva e foge dos limites da constituição e dos motivos da criação do Estado.\r
    \r
    O próprio Ron Paul, principal político americano de visão libertária, defende que a Constituição é um acordo entre o povo para criar um ente que sirva para estabelecer poderes limitados que simplesmente cuidem de questões básicas (ex.: poder judiciário para resolver conflitos), pois o crescimento do governo significa o encolhimento das liberdades, e o sacrifício de liberdade empreendido na instituição do Estado deve ser sempre reduzido ao invés de expandido.\r
    \r
    Ainda, considero legítimas as intervenções a fim de proibir o fumo em locais públicos fechados, ou no mínimo que imponham a divisão do espaço fechado entre fumantes e não fumantes, pois o fumo pode não estar ligado diretamente por causa-consequência a problemas como câncer, mas a fuligem provocada pela fumaça está diretamente ligada a problemas pulmonares (provocados por qualquer espécie de poluição, inclusa a do cigarro), implicando violação direta de Direito do mais importante direito 1ª geração, a vida.\r
    \r
    Discordo veementemente quando exponhas que somente existe o Direito de Propriedade. Existem pelo menos três direitos fundamentais: Vida, Liberdade e Propriedade, sendo os dois primeiros anteriores ao Estado, e o terceiro posterior (antes do Estado só existe a Posse, a Propriedade necessita de um aparelho estatal coator para que todas os seus requisitos para sua existência sejam atendidos), sendo o Direito à Vida (em sua eficácia negativa, ou seja, no sentido de ninguém poder prejudicar diretamente sua vida e sua saúde; não na eficácia positiva, ou seja, de que todos devam colaborar para lhe salvar e lhe dar o melhor tratamento possível de saúde, como defendem a maioria dos socialistas e neo-constitucionalistas) o mais importante dentre os três, escala axiológica extraída do sistema penal, onde o primeiro bem atingido é a propriedade (multas), o segundo é a liberdade (penas privativas de direitos, penas privativas de liberdade) e o terceiro, somente em casos extremos, a vida (somente em caso de traição em período de guerra).\r
    \r
    Ou seja, embora não seja negócio do governo decidir o que você pode usar ou não, ou se você deva levar uma vida saudável ou não, ele pode intervir quando suas ações estiverem influindo diretamente na liberdade dos outros. Lembre-se que o fim da liberdade é propiciar a busca da felicidade (pursuit of happiness) e que cada um deve definir o que é a felicidade para si e poder buscá-la, desde que não prejudique diretamente outro, pois neste caso estarás sendo um tirano, ou um socialista, já que eles defendem que os que não querem trabalhar devem ter ajuda em sua busca da felicidade dos “ricos malvados” que tem um “ideal de felicidade torpe”.\r
    \r
    Cuide para em sua busca pela liberdade não acabar incorrendo nos erros dos próprios inimigos dela.

  13. Concordo com o Rhyan. Essa discussão sobre se é ou não provado que o tabaco faz mal à saúde é irrelevante para o argumento do texto. Parece que se está argumentando dentro da linha de justificativa da ANVISA para proibir esses tais cigarros.

    De qualquer forma, achei o artigo excelente. Parabéns Fernando.

  14. Boma dia,
    Este foi um texto bem escrito, porém falta argumento FORTES contra a proibição, um exemplo seria o direito “magno de ir e vir e de exercer suas atividades de livre vontade” , não podemos ser impedidos de consumir ou adquirir nenhum bem, o que pode e deve ser feito são políticas públicas de incentivos a mudança de habito dos fumantes, tendendo a deixarem de fumar, ou aumentar os impostos sobre os produtos “nocivos” ao bem estar ‘psico-físico-motor’ das pessoas fato que provocaria tendenciosamente a redução do consumos destes produtos, ou regularizar os estabelecimentos que podem vender tais produtos, a ação conjunta destas três ações provavelmente teriam um resultado mais eficaz que a atitude autoritária “sem fundamentos sólido” que está sendo empregada no caso descrito no texto.
    ps: não sou fumante.
    Atenciosamente.

  15. Como eventual leitor dos artigos publicados aqui, vários deles por você, sou contra qualquer tipo de intervencionismo do estado nas relações de livre associação entre dois indivíduos. Não existe razão benéfica que venha justificar restrições como a citada por você aqui. Parabéns.
    Mas não me venha com esse papo “científico” sobre ser ou não ser maléfico ou sobre existir ou não existir risco para a saúde o fato de alguém fumar! O médico pode lhe dar sugestões sobre maneiras mais saudáveis de viver, com ou sem propriedade para isso, você pode trocar de médico, sim. Troque de médico, porque você escolheu fumar, como eu escolhi beber somente água, mas não tente provar que ele está errado em um artigo sobre economia.

  16. Quanta ignorância.

    Se seguirmos a linha de pensamento então maconha, cocaína, heroína e afins deveriam ser liberados para a venda pois cada pessoa tem direito a fazer o que bem entender …

    Defendam seus próprios interesses.

    Dá para perceber pela falta de educação do autor desse texto que ele não passa de mais um reprimido que já não pode comprar seus bens de luxo.

    A ANVISA deixou o assunto em discussão por um ano. Diversos consumidores participaram da discussão. Todas as atas estão publicadas para consulta. Falar que foi arbitrário é muito ridículo. A discussão envolveu todos os setores da sociedade, inclusive os fabricantes de cigarro.

    Enquanto pessoas mal educadas acham que podem fazer tudo porque “é seu direito”, esse país não vai para a frente.

    “Vou fumar no restaurante e quem não gostar, mude de restaurante”. É um dos argumentos mais idiotas que eu posso ouvir e que justifica claramente o subdesenvolvimento e a violência que vemos nessa terra.

    Uma pena que pessoas mais esclarecidas tenham tal pensamento tacanho na qual julgam que sua individualidade deve prevalecer pelo bem comum.

  17. Meu caro Fernando:
    Deixe-me explicar a você, que deve entender facilmente, intelectual e conselheiro que é:
    A ANVISA, neste caso, não está dando a mínima para a sua saúde, para a sua boca ou para o seu amado cigarro. Ela está salvaguardando os cofres públicos de despesas decorrentes do tratamento do seu futuro câncer. Só isso. Por ela você pode fumar o que quiser, nada demais. Ninguém sentirá pena. O problema é só a despesa para "curar" um mal evitável que não terá cura. Será como atirar pérolas aos porcos.
    Bem, surge aqui uma sugestão, acho que algo que resolveria de vez esse impasse. Sua veemência e a dos brilhantes autores citados levou-me a pensar no seguinte:
    Proponha uma barganha com o governo ou com os planos de saúde: será permitido que você fume o que quiser, coloque na sua boca o sabor que bem entender e em troca você pagará o seu tratamento, como paciente particular. Fica bom assim ? Assinem um contrato, você e o Luis Felipe Condé. Os fabricantes de cigarros vão lucrar, o governo não terá despesas, os hospitais vão faturar, as agências funerárias vão adorar e vocês terão mortes lentas, cruéis e sem um centavo nos bolsos.
    Quanto à manipulação do governo e suas agências na vida das pessoas, eu como você também tenho queixas. Eu por exemplo adoro correr de carro, a 200 por hora, adoro sonegar impostos, adoro comprar produtos piratas, mas o governo cruel e enxerido me impede de realizar tão prazerosas ações. Tiram-me da boca o sabor da aventura. Crápulas ! Bisbilhoteiros morais onipresentes !
    A ANVISA cuida dos interesses do estado baseada em opiniões médicas, algumas brilhantes, como a do Dr. Alberto "Arnaldo" Araújo. Interesses financeiros, bem frisado.
    Quanto aos burros, idiotas de plantão, que enfiam lixo pulmão adentro… danem-se. Mas que arquem com tudo e principalmente que permaneçam coerentes e arrogantes, que permaneçam admirando os empreendimentos bem sucedidos dos fabricantes de cigarros, principalmente após a deteção daquela mancha na radiografia pulmonar.

  18. “Será que só eu percebi que se 44% preferem esse tipo de cigarro, então 56% preferem o outro tipo? E que 56% é maior que 44%?”

    Ri demais com isso.

  19. vocês não vão acreditar!!! www1.folha.uol.com.br/mundo/1066530-europa-precisa-de-um-banqueiro-de-governo-defende-economista.shtml Folha: Por que o atual acordo sobre a Grécia não é suficiente para resolver os problemas? \r
    \r
    Thomas Palley: Há uma tremenda incerteza econômica e política. O acordo comprou algum tempo. A eurozona precisa consertar os seus problemas. Foi criada uma separação completa entre o sistema monetário e os orçamentos dos governos dos países. Foi um desenho neoliberal intencional com objetivo de limitar o poder do Estado. Os governos ficaram muito vulneráveis a especulações e foi dado um tremendo poder econômico e político aos bancos.

  20. Nesse caso, eu dou razão à ANVISA. Meu deus do céu, como alguém tem coragem de fumar cigarro mentolado? Isso é um crime contra o bom gosto! Tem de ser proibido mesmo!

    A gente tem que rir pra não chorar… é foda! com o perdão do termo

  21. Fernando Chiocca

    Como eu disse, eles nunca vão parar mesmo!

    The Smoking Police State

    Imagine the day when cops break through your door, and not because they suspect dope or other non-criminal “criminal” acts, but because a neighbor called the local police hotline to report smelling cigarette smoke? We’re almost there. The creep Bloomberg doesn’t want to “ban” you from smoking in your own apartment. He just wants to use government force to rewrite housing rules so it looks and smells like a ban, but we can’t call it a ban. Thanks to reader Chris Bieber for the link.

  22. O IMB deveria criar um banco de dados de notícias de interferências estatais na nossa vida cotidiana. Isso se os bytes do servidor do site forem suficientes…\r
    \r
    www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1099204-nova-lei-exige-atestado-medico-semestral-para-frequentar-academia.shtml\r
    \r
    A nossa velha conhecida coerência do governo: quer obrigar todo mundo a ser saudável, mas dificulta a vida das academias. Teve lobby, sim ou claro?

  23. Fernando Chiocca, o texto que você citou foi escrito pelo Rodrigo Constantino, e não por Luiz Felipe Pondé.

    ”A tirania do bem”
    rodrigoconstantino.blogspot.com.br/2012/03/tirania-do-bem.html

  24. Essa ANVISA virou mais um órgão de controle de mercado que de vigilância sanitária.

    O que o amigo ali em cima falou (“Daqui um tempo comeremos uma ração humana especialmente preparada pela Anvisa. Não sei vocês, mas comprarei chocolate no mercado negro”) se tornará verdade se a coisa não parar.

    Lamentável.

  25. Gerando renda Online

    eu também Não gosto de cigarro, mas é absurdo proibir quem gosta. Mas gosto de charutos, e tenho certeza que em breve meus cubanos serão alvo da Anvisa (não têm filtro, a fumaça é forte, ou qualquer outra justificativa). Parece que somos um bando de crianças à espera de que o todo poderoso governo venha nos salvar.

  26. Dissidente Brasileiro

    Depois da demonização do cigarro e bebidas, agora os psicopatas esquerdistas dos infernos miram no açúcar; chegam ao ponto de compará-lo com a cocaína (!!!), álcool e tabaco. Falam também em criar um imposto para frear o consumo de bebidas adoçadas, semelhante ao que ocorreu no México em 2014, pois segundo eles: “se não vai por bem, vai por taxa”.

    Se esses desgraçados não forem impedidos, sistematicamente caçados e destruídos como vermes imundos que são, dentro em breve teremos que pedir permissão a eles até para respirar e caminhar. Alguma coisa precisa ser feita imediatamente.

    O GOSTO AMARGO DO AÇÚCAR

  27. Brendon Quintanilha

    Eles querem obrigar a todos a fazerem o que esses querem!Não faço uso de tabacos, mas acho que deve-se respeitar quem gosta! Saúde e bem estar são questões totalmente individuais!

  28. Viver sempre melhor agora

    Exatamente isso. O proprietário do seu corpo e mente é você, e só você pode decidir o que consumir ou o que não consumir. Simples assim.

  29. Libidmax Funciona

    Acho que o cigarro sempre foi muito polemico. Antigamente era normal ver comerciais na tv, incentivando o consumo do tabaco. Hoje em dia existem novas leis que eu jamais pensei que iriam vingar, com os anúncios de morte e câncer no próprio maço. Não concordo com a anvisa, mas, não duvido nada que eles consigam fazer isso!

  30. A máquina de vendas online

    A pessoa sabe que o cigarro faz mal, se ela gosta e quer continuar, ela esta assumindo o risco! Agora, em que vai mudar e adiantar proibir? O uso da maconha esta ai como um exemplo caro de que proibir não vai mudar o fato da pessoa consumir ou não!

  31. Não querendo ser “advogado do diabo”, porém, grande parte dos jovens que iniciam no vício do tabagismo, começam com esse tipo de cigarro(saborizado). Digo isto por experiência própria. Já fui fumante e os primeiros cigarros que tive contato foram os mentolados e com aroma de cravo e canela. Depois de largar o vício, grande parte dos fumantes ainda passa por momentos que podem levá-los a uma recaída e retomada do vício (também já passei por isso). O aroma desses cigarros é bem agradável e cria o desejo de experimentar.

    Não acredito que esta ação da ANVISA irá resolver o problema, mas, sem dúvida irá retardar alguns.

  32. Facebook Ads Para Afiliados Funciona

    Vi meu tio morrer da formas mais terrível possível por causa do cigarro! Apesar de saber que isso mata, a ANVISA não pode limitar o uso, digo isso por que tudo que se proíbe, se prolifera muito mais rápido. Acho que devemos salvar o futuro, iniciando a mudança nas escolas, colocando na mente dos jovens o quão isso é prejudicial a saúde. Mas não só não falar que isso mata, mas mudar toda a base de ensino para que isso seja evitado em massa lá na frente! Artigo rico em conteúdo e eu sinceramente não sabia dessa noticia!

  33. Cara, nesse cenário, com certeza, abririam um restaurante só para não fumantes. apesar de o livre mercado ser menos discriminador, quando se abre um nicho como esse logo logo aparece alguém pra atender essa demanda.

  34. Na minha opinião, esse assunto gera inúmeros comentários negativos devido aos problemas que o cigarro causa no corpo humano. A Anvisa, como órgão regulador, deve , além de estabelecer normas de conscientização sobre o uso do tabaco, criar iniciativas para ajudar os fumantes a largarem o vício. É um processo lento, mas pode ser uma solução para salvar vidas no futuro.

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