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Seria o conceito de empresa, por definição, socialista?

Em
uma coluna publicada no The New York
Times
, o renomado economista Hal Varian [no Brasil, seus livros-texto de microeconomia são amplamente utilizados
nas universidades
], citando o economista Prêmio Nobel Ronald Coase,
argumenta,

Aquilo que os economistas chamam de empresas . . . são
essencialmente grupos de atividades para as quais, para realizar o que querem,
é mais eficaz e menos custoso utilizar um sistema de controle centralizado em
vez do mercado. 

Esta
noção de empresa o leva a crer que

paradoxalmente, se analisarmos bem, esta unidade essencial
do capitalismo, a empresa, se parece muito com um esquema de planejamento
centralizado.

Pode
isso realmente ser verdade?  Será que
este elemento essencial da cooperação social e da divisão do trabalho, tão
essencial para o bem-estar material do ser humano, é, em sua essência, uma
entidade socialista?  A resposta é:
somente se você não for capaz de distinguir corretamente entre a genuína
cooperação social baseada em interações voluntárias e a interação social
baseada na violência, na ameaça de violência e na fraude — isto é, o verdadeiro
ambiente do planejamento e do controle centralizado.

Talvez
tenha havido essa confusão porque há tendência de nos referirmos ao livre
mercado ou ao mercado como sendo o componente primordial daquilo que deveria
ser mais corretamente chamado de economia livre ou sociedade livre.  Embora as trocas de mercado sejam um
elemento-chave das possíveis interações econômicas entre os indivíduos de tal
sociedade, elas não são a única forma de cooperação social.  Uma economia livre é caracterizada pelo uso
dos meios econômicos e pela ausência do uso dos meios políticos — ou do
intervencionismo — para satisfazer os desejos humanos.

Os
desejos são satisfeitos pela combinação entre o trabalho dos indivíduos e a
utilização de outros recursos.  O produto
desta associação, por sua vez, será utilizado em cooperação com terceiros para
a produção de bens e serviços que podem ser usados (1) para proveito próprio,
(2) para trocas comerciais com outros produtores/consumidores, ou (3) para a
oferta voluntária e gratuita de bens e serviços valiosos para outros indivíduos
— a verdadeira compaixão ou caridade.

Em
tal sistema, os indivíduos tomam suas decisões baseando-se nos preços de
mercado, os quais servem de guia para avaliar e calcular os melhores métodos em
potencial para se alcançar vários fins e objetivos.  Tais escolhas, em uma economia livre, não
estão limitadas a escolhas puramente de mercado — devo comprar da
pessoa/empresa A ou da pessoa/empresa B, devo comprar ao preço X ou ao preço Y,
qual deve ser a qualidade etc. –, pois sempre há a opção da produção autônoma
em vez da compra direta de terceiros.

A
formação de uma empresa, portanto, não é um exemplo de um planejamento
centralizado propriamente entendido.  Uma
empresa “se parece muito com um esquema de planejamento centralizado” somente
se alguém for incapaz de entender a real diferença entre planejamento central e
planejamento feito por indivíduos baseando-se no cálculo de preços e na
avaliação de métodos possibilitados por uma economia livre.

Em
uma economia livre, ninguém estabelece e expande uma empresa adquirindo recursos
para ela por meio de ameaças a terceiros; ninguém cria uma empresa apontando
uma arma para outros indivíduos.  Da
mesma maneira, ninguém se torna empregado de uma empresa em decorrência de
recrutamento compulsório ou trabalho forçado. 
Empresas são formadas e as pessoas se juntam a elas em decorrência de um
processo de cooperação voluntária, o qual nós normalmente chamamos de
mercado.  São as condições de mercado
(inclusive a avaliação dos custos de transação) que levam os indivíduos a
acreditar que seus fins são mais bem servidos pela criação de uma empresa ou
por sua associação a uma empresa já estabelecida, assim como famílias
normalmente optam pela produção autônoma de certos serviços — como criação de
filhos, preparo de alimentação, conservação do jardim — em vez de adquiri-los
no mercado.

Empresas,
portanto, são um elemento primordial do processo de planejamento feito por
indivíduos, processo este o qual normalmente chamamos de “mercado”, que gera
prosperidade e paz.  Elas não são um
elemento do caos e da pobreza gerados por este intervencionismo chamado
planejamento central.

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29 comentários em “Seria o conceito de empresa, por definição, socialista?”

  1. Realmente, a diferença básica se encontra no ato voluntario, é incrível como essa premissa básica da liberdade não é reconhecida no meio acadêmico, para alguns professores meus a diferença entre “capitalismo” e “socialismo” é uma questão puramente ideológica.

  2. Concordo com o autor que a diferença central está justamente no uso da violência e coerção, mas em minha opinião, existem muitas outras diferenças importantes e advindas justamente deste fato. Como nem todos conseguem partir deste princípio e deduzir as outras acho interessante citá-las.\r
    \r
    A primeira diferença “secundária”, por assim dizer, é o fato de empresas estarem sujeitas à concorrência e à falência. Diferente de um sistema qualquer de planejamento centralizado que, justamente por se valer da violência e da coerção, se eximem de qualquer concorrência (exceto de outro estado estrangeiro que possua poderio militar superior ou algum arranjo semelhante a esse) e da falência (exceto quando o próprio povo se cansa da coerção, resolve revidar e consegue derrubar o sistema atual através da violência, mas infelizmente, via de regra gera outro sistema de planejamento central baseado na violência e na coerção).\r
    \r
    A partir dessas diferenças, podemos deduzir o fato que a sobrevivência de qualquer empresa é ameaçada constantemente pela concorrência, obrigando todas as empresas a tentarem entender melhor as preferências das pessoas e atendê-las da maneira mais eficiente possível. Só sobrevivem as que conseguem fazer isso melhor que suas rivais. Isso não acontece num sistema de planejamento centralizado.\r
    \r
    Empresas, por atuarem num ambiente competitivo e terem a sobrevivência ameaçada pela concorrência, delimitam suas áreas de atuação de acordo com sua capacidade de atender eficientemente ao mercado. Sistemas de planejamento centralizados tentam abraçar o mundo e ditar às pessoas como elas devem viver suas vidas, como se fossem capazes de entender toda a complexidade envolvida no que é melhor pra elas, afinal, se eles errarem, não irão à falência, como acontece com empresas que erram nas preferências de seus clientes.\r
    \r
    A partir daí é possível deduzir muitas outras diferenças, pena que os intelectuais de maior influência no mundo não tenham a capacidade de entender diferenças tão básicas.

  3. governo recebe seus recursos através de impostos, que são tomados a força da população, e do monopólio da moeda, como é que alguém em sã consciencia pode achar que isso tem a mínima semelhança com livre mercado

    não haveria nenhum problema se os impostos fossem voluntários e o governo não tivesse monopólios, isso seria legitimo, mas eh claro, não faria mais sentido chamá-lo de governo

  4. De jeito nenhum é socialista. Empresa privada trata os funcionários como meros fatores de produção, tal como máquinas e equipamentos ou matérias primas. Se servem ficam, se não são descartados como um sapato furado. O funcionamento do mercado impõe todo esse rigor.

  5. Poxa.. Vocês nem citaram a questão da burocracia e corrupção, que chato… Até mesmo porque se um empresário resolver roubar o seu sistema de planejamento centralizado estará roubando apenas a si mesmo

  6. Impressinante como tem gente que não consegue ver a diferença entre milhões de pessoas/empresas atuando voluntariamente num sistema de preços e um sistema onde meia dúzia de burocratas determinam tudo que deve ser produzido numa economia e como deve ser produzido, usando para isso a força e a violência…. tudo igual…

  7. Amarílio Adolfo da Silva de Souza

    Desculpe a franqueza, mas esse texto é totalmente desnecessário. Não existe a menor “competição” entre o Capitalismo e qualquer “outro” “sistema” econômico. O Capitalismo é a ÚNICA forma de trazer felicidade e prosperidade aos humanos por um sistema feito por humanos. Qualquer outra discussão, além de ser uma perda de tempo, é bastante tediosa. Claro, estou me referindo a seres humanos em seu juízo perfeito.

  8. Chamar uma empresa de “alheia ao mercado” por ser um “controle centralizado” é piada total, e das mais sem graças. Esses prêmios Nobels de hoje em dia tem sorte de trabalhar com charlatanismo econômico ao invés de humor, pois não pegariam lugar nem no zorra total. Em um livre-mercado as empresas são simples fruto da livre-associação de pessoas em busca dos seus interesses pessoais. E não tem nada de ordenado ou centralizado: a estrutura e tamanho das empresas que competirão em certo mercado é algo sempre mudando, dinâmico, quase caótico (e certamente imprevisível). Inclusive empresas com estruturas mais centralizadas e hierárquicas ou menos centralizadas e mais horizontais competem entre si vendendo os mesmos produtos para as mesmas pessoas, e o livre mercado determina qual é o modelo que deve prevalecer.

  9. A questão da empresa ser um micro-socialismo dentro do livre-mercado é uma questão importante e difícil, essa resposta desse Cochran é uma porcaria. Até a do Per Bylund é melhor.

  10. A resposta é muito boa, embora a questão me pareça meio absurda. Não entendo que tipo de mente perturbada tentaria comparar o sistema político socialista com organizações privadas

  11. O planejamento empresarial é baseado na cooperação e no sistema de preços.

    O planejamento central é baseado na coerção e na supressão dos preços.

    * * *

  12. “A livre escolha é fator determinante para separar conceitos como “estupro vs sexo consentido”, “roubo vs. cooperação”, “sequestro vs. companhia”, “invasão vs. visita”, etc.”

  13. O autor apresentou justificativas ingênuas e ridículas! Ótimas pra servir de entretenimento barato após 3 ou 4 doses de pinga, de tão descoladas da realidade que são! Vejamos:

     

    1) O capitalismo não emprega coação, medo, violência e terror??? Certo que ele omite os trabalhos análogos à escravidão no campo e na cidade;

     

    2) É tudo resultado da criação iluminada de um “indivíduo”??? O que seria de uma empresa se apenas uma única pessoa realizasse tudo?! Logo, o capitalista pode até de forma questionável o meio de ter acumulado uma reserva financeira, mas de nada adiantaria empreender sozinho! Portanto, sempre haverá a necessidade de uma cooperação coletiva arranjada conforme o contexto;

     

    3) Existe direito de escolha de produto A ou B, preço X ou Y, no capitalismo real se notoriamente vemos a sistemática de Cartéis Empresariais (que funcionam como Clube de Gangsters) definindo localmente o que se deve vender e qual preço se deve praticar em quase todos os locais do Brasil, vide o caso de distribuição de gás doméstico!!!;

     

    4) Teria mesmo qualquer pessoa a tão abstrata “LIBERDADE” no sistema de mercado? Se a tal “liberdade” é um conceito habilidosamente definido pela indústria do marketing, do consumo, das relações limitantes do Poder Aquisitivo de cada pessoa.

     

    Isso só pra citar alguns pontos que no texto são totalmente falhos! FICOU EVIDENTE QUE O AUTOR É UM IGNORANTE E QUE ENTENDE TANTO DE ECONOMIA, QUANTO EU DE FISSÃO SUBATÔMICA! kkkkk

    Convido o Rábula que redigiu o texto-mãe a ESTUDAR e se QUALIFICAR! Na vida, não se vence no grito, na ameaça, propagando o terror ou a fake news!

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