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O “sonho de Keynes” é o nosso pesadelo

Como se sabe, os principais bancos centrais do mundo, a saber, o Fed, o BCE e os da Inglaterra, Suíça, Japão e Canadá resolveram cingir suas cinturas com o manto de “salvadores das economias do planeta” e decidiram intensificar (ainda mais!) o provimento de liquidez e “amparo” ao sistema financeiro global.  Decretaram também a redução dos custos de carregamento das carteiras em dólares, para o que não titubearão em emitir papéis pintados com o retrato de George Washington e outros pais da pátria, “sempre que isto se tornar necessário” (eles têm a arrogância de julgarem que sabem quando “isto” se tornará ser “necessário”)…

Além disso, como mencionou Jeffrey Tucker em seu excelente artigo A união dos bancos centrais mundiais e a transição para o sonho keynesiano, decretaram que os bancos deverão ter “acesso imediato ao dinheiro em qualquer moeda, de acordo com as condições de mercado” (eles também julgam que sabem o que realmente significa o processo de mercado)…

É um passo, sem dúvida, em direção à criação de um banco central mundial e, segundo alguns, ao estabelecimento de uma moeda global, pretensa solução advogada por Lord Keynes nos últimos anos de sua vida. Keynes chegou inclusive a dar um nome a essa excrescência: bancor.  Sua idéia era retirar o poder inflacionário de cada país e entregar esse poder, imensamente multiplicado, a um banco central mundial, o que, segundo pensava, livraria o mundo dos problemas de “ausência de coordenação” (“coordenação”, para Keynes, significava manipulação de políticas de “sintonia fina”).

Na época, como observa Tucker no mencionado artigo,“a ideia não vingou, mas as instituições que supostamente deveriam administrar tal sistema foram de fato criadas: o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial”, que acabaram se transformando progressivamente em algo como que Ongs assistencialistas, assim como a ONU.  Todos esses organismos deveriam ser sumariamente extintos, porque se transformaram em redutos de política e, em alguns casos, até, de corrupção.

O “sonho keynesiano” é na realidade um pesadelo! Um banco central mundial é uma idéia que vai contra tudo o que os economistas austríacos sempre defenderam em suas teorias dos mercados, da moeda, do capital, dos juros e dos ciclos econômicos. Sob o manto do sonho de Keynes, as recentes decisões dos bancos centrais na verdade representam, claramente, um presente para os bancos do mundo inteiro, tal como as rodadas de Quantitative Easing.

Que o sistema bancário anda há anos beirando a bancarrota não é segredo nem para um mosquito que ronda uma vaca sonolenta em um pasto qualquer, conforme mostrou Fernando Ulrich em artigo muito esclarecedor, O dilema do sistema bancário e as regras da Basileia, em que expõe claramente a fragilidade do sistema de reservas fracionárias e o caráter de “clube de banqueiros” do comitê da Basileia.

Sugiro fortemente a leitura desses dois artigos. Mas minha preocupação aqui é outra, certamente complementar às de Tucker e Ulrich: é mostrar que esses passos no sentido da criação de um banco central e de uma moeda mundial são um ataque, já não direi apenas aos ensinamentos austríacos, mas ao bom senso e, embora muitos não o percebam, às liberdades individuais.

Comecemos pelo bom senso — ou pela falta de bom senso.  Um banco central mundial, além de concentrar um grau de autoridade inadmissível, é uma afronta a um dos mais elementares princípios que regem a eficiência, seja ela política, econômica, administrativa e, mesmo, da vida de qualquer grupo: o princípio da subsidiariedade, que acaba de ser mandado às favas pelos banqueiros centrais dos países desenvolvidos. É uma ode ao planejamento central, agora globalizado, com todas as consequências nefandas que esse tipo de organização acarreta para as sociedades.

Quem comandará esse banco super-poderoso?  Economistas iluminados, com seus modelos de equilíbrio geral que tratam pessoas como aquelas esferas que deslizam em planos inclinados, que aprendemos nas primeiras aulas de Física?  Terão eles os conhecimentos suficientes para saberem que quantidades “corretas” de moeda e de crédito devem circular pela economia planetária ou estarão sujeitos às limitações e à dispersão do conhecimento, que Hayek tão bem apontou?  Saberão eles os bilhões de planos individuais de todos os agentes econômicos da terra, da Patagônia ao Alasca, das Ilhas Falkland ao leste da África, planos que acarretam ações, as quais por sua vez implicam cursos de mais e mais ações ao longo do tempo real, subjetivo e sob condições de incerteza? Para onde esses pretensiosos querem nos empurrar, Madonna mia?  Para um totalitarismo monetário mundial?  Tudo isso para salvar bancos insolventes, que acreditaram nos contos da Carochinha?  Como dizem os gaúchos, bah!

Com relação à EAE, é evidente que Bernanke e seus pares de outros países não sabem que os mercados são processos que tendem para o equilíbrio, mas que jamais alcançam esse equilíbrio, não conhecem a teoria da moeda de Mises, não desconfiam nem que existe uma teoria do capital de Böhm-Bawerk e nunca leram nada sobre a TACE (Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos)!  Só estudaram keynesianismo, monetarismo, expectativas racionais e econometria, enfim, só conhecem o paradigma falido da mainstream economics.  Se tivessem estudado os autores austríacos com a atenção que estes sempre mereceram, saberiam que a própria idéia de um banco central nacional é uma defesa descabida de um monopólio, que o valor da moeda sempre cai em relação aos dos demais bens e serviços quando as máquinas impressoras são colocadas para funcionar da maneira como está ocorrendo, que a moeda “nova” não cai de helicóptero nas mãos de todos, mas é despejada em um setor específico da estrutura de capital da economia e que expansões de crédito não lastreadas em poupança genuína — como as que vêm fazendo irresponsavelmente — acabam inexoravelmente levando à inflação e à sua consequência, o
desemprego.

Por fim, no que diz respeito à violação das liberdades individuais, é evidente que a centralização da moeda e do crédito nas mãos de uma autoridade mundial vai se constituir em um monopólio muito mais forte do que os atuais monopólios nacionais. Meia dúzia de economistas supostamente sábios vão interferir na ação humana de mais de seis bilhões de indivíduos, vão dirigir, ou afetar indiretamente a função empresarial e vão desviar recursos que os mercados alocariam de maneira diferente.

Sempre sustentei que o Euro foi um erro, mesmo quando era moda afirmar o contrário. Com o seu advento, governos de países como Grécia, Portugal e Itália, entre outros, que nunca tiveram moedas fortes, passaram a acreditar que o passe de mágica do Euro os havia colocado em tal condição.  Voilà
— pensavam os políticos desses países — agora temos uma moeda que, no fundo, é lastreada no antigo marco do Deutsche Bundesbank. Deram-nos a cornucópia inexaurível!  Preocupar-se com a dívida soberana?  Ora, isso seria coisa para as gerações futuras…

Do lado fiscal, a coisa não está menos desanimadora, haja vista a declaração da Sra. Angela Merkel de que, agora, a Europa caminha para uma “unidade fiscal”…  Como ela convencerá os taxpayers alemães a bancarem as orgias dos governos grego, português e italiano?

Parece que os governos estão se comportando como um grupo em um restaurante, em que todos já sabem que gastaram mais do que poderão pagar ao garçom, mas que continuam comendo e bebendo…

É evidente que essas medidas anunciadas não poderão dar bons resultados e nosso receio é que, com isso, venham a ser tomadas mais e mais medidas, até que o mundo inteiro seja envolvido pela nuvem negra da estagflação.

Talvez então alguns economistas não austríacos percebam que o “sonho” de um banco central mundial do senhor Keynes é um pesadelo. Como tudo o que ele escreveu, aliás. E que compreendam que Friedman, mesmo defendendo o livre mercado, no fundo, acreditava em sua própria frase: “we are all keynesians”

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51 comentários em “O “sonho de Keynes” é o nosso pesadelo”

  1. Antes de mais nada, Muito bom o artigo, alias todos os artigos postados são otimos.\r
    \r
    Primeiro muito bom salientar na ideia erronea que a maioria teve acerca do “EURO” eu mesmo tive essa ideia que o euro seria algo bom…porem estamos falando de economias diferentes, que usam de seus recursos e produzem com esses recursos de formas antagonicas, a um momento estarem compartilhando de uma mesma moeda, moeda que irá circular em pais que possuem economias diferentes porem o valor do dinheiro é igual.\r
    ´\r
    Um exemplo para a precariedade da ideia sobre um banco mundial é fazer uma comparaçao ao crescimento de um pais como a Argentina com a moeda fraca com um pais como o proprio EUA, como iriamos equalizar uma economia falida da Argentina com a força dessa nova moeda ? \r
    \r
    até mais !\r
    \r
    Boa Semana a Todos !

  2. Leninmarquisson da Silva

    Notícias como essa me deixam totalmente perdido.

    Por um lado quero acreditar no Gary North quando diz que esses planos da NOM estão insustentáveis, ou no Leandro quando me disse que a miséria resultante causaria descontentamento popular e eventualmente levaria à queda desse sistema.
    Mas por outro, penso no que diz Olavo de Carvalho quando fala sobre a hegemonia cultural da esquerda (além de que pobreza não gera revolução, consolida poder), ou mesmo na bíblia; tenho a impressão de que a profecia do governo mundial é cada vez mais concreta.

    Enfim, não é a primeira vez que discuto isso aqui, mas esses filhos da puta parecem Hydras; você corta uma maldita cabeça e nascem 2, mais fortes, no lugar.
    A criação dum banco mundial colocaria a Liberdade em xeque, para um governo mundial dar o xequemate logo em seguida.

  3. Se as políticas keynesianas não são as adequadas para lidar com a crise, pq a economia dos EUA começa a dar sinais de recuperação, por exemplo, o desemprego atingiu o menor nível desde março e 2009?

  4. Mauricio Andrade Weiss

    Bem Fernando, desculpa a demora, só vim hoje porque um amigo mandou esse link.

    O banco mundial de Keynes não tem a nada a ver com a ideia passada no texto de perda de liberdade.

    Sua proposta é a criação de uma autoridade monetária internacional emissora de uma moeda de reserva internacional (bancor) não passível de entesouramento e especulação por parte dos agentes econômicos.

    O intuito era acabar com o problema das especulações entre as moedas que trazem impactos direto nas taxas de câmbio. Essa moeda não seria a única mundial, mas àquela utilizada para compensações. Deste modo, um país deficitário recorreria a este “banco mundial” para obter a moeda (bancor) necessária para honrar seus compromissos comerciais.

    Cada país continuaria com suas moedas e seus bancos centrais.

    Outro aspecto, política keynesiana não se resume a colocar mais dinheiro em circulação.

    Quanto a tua pergunta, precisa ler mais pra entender melhor. Mas resumidamente (e isso é um problema para leigos compreender adequadamente), não é simplesmente a criação de dinheiro, mas sim do crédito. Na ausência de funding suficiente para financiamentos, um banco comercial pode financiar o investimento, criando dinheiro sem haver a necessidade de depósitos prévios. Uma vez o investimento realizado haverá um aumento na renda nacional e parte dessa virará poupança e que poderá servir para novos investimentos, quitando o financiamento inicial.

    O problema é quando a poupança é destinada para ativos líquidos que não proporcionam aumento nos rendimentos futuros.

    Quanto a política praticada pelos bancos centrais na atual conjuntura, ela é problemática e não keynesiana, pois a simples criação de dinheiro não gera estimula a demanda pois estes recursos são entesourados. Apenas traz um leve alívio à demanda por liquidez.

    Bem respondido suas colocações.
    Quanto as minhas outras discordâncias do texto fica para uma próxima, mas aí tudo bem, faz parte das crenças de vocês.
    Temos em comum a discordância do proposto pelo mainstram.

  5. Maurício Andrade Weiss

    Vamos lá Luis,

    Em nenhum momento disse que basta criar crédito.

    O financiamento deve ir para o investimento. Agora para investir não basta ter crédito, mas ele é fundamental quando não há o funding necessário. Poupança tem de monte, vocês não entendem diferenças de estoque e fluxo. Estoque de poupança foi acumulado ao longo dos anos do capitalismo, o problema é que ela não vai só para investimento. Esse é o problema do Brasil por exemplo, o estoque de riqueza permanece na forma líquida e não vai suficiente para o investimento, daí a importância da redução dos juros para estimular o investimento.

    Contudo mesmo não havendo poupança prévia, e assim que os países conseguiram se desenvolver, emite-se dinheiro para estimular o investimento, isso quando há vontade dos empresários em tomarem essa decisão. Caso não as tenham, fica mais difícil, nesse momento cabe ao governo estimular novos investimentos por meio de gastos ou ele próprio investindo.

    Uma coisa Luis, você não entende como o aumento do investimento por meio do multiplicador gera aumento da renda? Só me confirma isso, porque daí a discussão é mais no nível de 2º ano de graduação que acreditava ser dispensável nesse fórum. Outra pergunta, você sabe que os bancos trabalham alavancados? É bom pensar o sistema financeiro após o século XIX para entender isso. Não estamos mais na economia do trigo rsrs

    Agora, é óbvio que você tem que ter tecnologia e matéria-prima para a produção, isso qualquer criança sabe. Crédito sozinho não é suficiente para nada, é fundamental, mas insuficiente.

    Para sair do patamar de país subdesenvolvido, teoria keynesiana é importante mas insuficiente, precisamos nos apoiar nos autores desenvolvimentistas, como os da Cepal, Chang, Tavares, Hirshmann, Perroux etc. Essa parte da resposta vale para sua pergunta também Fernando. E uma coisa, não existem governos keynesianos, quem se aproximou foi a Suécia em largo período de sua história, a China exerce em parte também e a Dilma, o Lula não, está começando a fazer agora.

    Fernando, que bom que você nem quis mais discutir o mérito do texto estar completamente equivocado na visão do banco mundial, reconhecer os erros é o primeiro passo ao aprendizado.

  6. Mauricio Andrade Weiss

    Realmente não há como ter diálogos com pessoas que não querem entender.

    “Você, pra começar, pensa em poupança como sendo meramente dinheiro guardado, tosqueira tipicamente keynesiana. Poupança é abstenção de consumo, e quanto maior a poupança, maior a quantidade de bens não utilizados disponíveis para serem investidos e transformados tanto em bens de capital (o que aumenta a capacidade produtiva) quanto em bens de consumo, o que aumenta o padrão de vida”.

    Essa vossa definição de poupança é completamente arcaica, vocês ficam presos nos mesmos cânones dos economistas clássicos. Não faz nenhum sentido, eu deixo de consumir automóvel, aí vai se utilizar menos da capacidade produtiva e por isso vai aumentar meu potencial de investimento. Se vocês parassem um pouco de ficar viajando e fossem analisar a economia real, observariam que reduções no consumo provocam retração nos investimentos e com isso na renda. Não é só o lado da oferta que faz com que a renda cresça, vocês parecem que acreditam na Lei de Say.

    Poupança é a parcela da renda não utilizada para consumo, que pode se manter na forma líquida ou ilíquida, como já falei duas vezes, mas em cabeça teimosa isso não tem como entrar.

    Quem disse que os EUA operam com políticas keynesianas são keynesianos de araque. Eles tem uma preocupação com a política monetária para estimular a renda e só, isso não é suficiente para ser considerada keynesiana. Embora seja importante em alguns momentos.

    Mas imagina, se vocês que se dizem letrado na conseguem entender a coisa mais básica da economia que é o multiplicador keynesiano, os outros que não vão entender mesmo, mas deles já é compreensível, de vocês é lamentável. Vou explicar (pena que não posso desenhar aqui).

    Começo: Entrou dinheiro na economia (crédito bancário ou endividamento público) para investir. Investiu-se, então tanto a empresa investidora com as vendedoras de bens de capital aumentam as contratações, a demanda da economia como um todo irá aumentar, há um aumento na produção da economia como um todo ocasionada pelo aumento da demanda. Aumento na produção proporciona aumenta na renda (fatores de produção: capital, empresário, trabalhador, renda da terra todo mundo ganhou), parcela dessa renda elevada não será consumida, o investidor inicial que pegou o dinheiro emprestado obteve lucro (como obteve lucro? marx explica melhor que ninguém, mas de modo chulo, o preço vendido é mais elevado que o custo unitário) e com o lucro ele paga o financiamento inicial. Esse dinheiro pode ser alocado para novos investimentos e assim vai.

    O problema é quando o dinheiro ao invés de ser colocado para investimento se mantém na forma líquida, aí a economia trava e não cresce. Por isso (não só por isso) que em momentos de crise financeira e bancária onde o crédito míngua não há crescimento econômico. Daí vem a necessidade dos bancos centrais do mundo todo criarem dinheiro. O problema da Europa e EUA que colocar dinheiro no mercado é insuficiente, pois esse dinheiro novo não está sendo destinado ao investimento e sim aplicado em mercado de commodities e em países emergentes como o Brasil, daí a preocupação da Dilma com a guerra cambial.

    Bem agora espero que tenha entrado mais nessa cabeça dura. Se não, tenho certeza que é má vontade.

  7. Mauricio Andrade Weiss

    Caro Blah, não disse que os austríacos em momento algum aceitam a teoria do valor dos clássicos. Me referi a noção de poupança e que visão míope que basta criar oferta para elevar a renda. A teoria da utilidade marginal decrescente embora tenha seu valor, é muito limitada quando passa a necessitar da racionalidade ilimitada, mas não vem ao caso.

    Vocês tem que entender que são coisas distintas, uma coisa é o crédito criado para investimento. Outra coisa é o que ocorreu com a desregulação da economia que gerou crédito pra tudo que é lado, utilização de derivativos e produtos estruturados como se fossem ativos sem risco etc. Isso vai gerar crises sempre, por isso que já falei 3 ou 4 vezes aqui que não basta criar crédito, mas vocês não querem entender isso.

    Agora você não vai me dizer que os créditos nunca são pagos né. Basta ver a inadimplência bancária brasileira que sempre fica abaixo dos 10%.

    Leandro,

    “Veja a sua circularidade:
    Mas para que depender de poupança criada a partir de renda se o crédito pode ser criado do nada, sem necessidade de depósito prévio??”

    Não pode haver criação de crédito infinitamente, na ausência de poupança (funding melhor dizendo, poupança na forma líquida de nada adianta), cria-se crédito, acontece o mecanismo que expliquei acima, gera-se a poupança, volta pro banco, faz novos financiamentos ao investimento assim vai. O que não pode ocorrer é essa poupança não ir para investimento, se ficar indo pra formas líquidas e a todo momento depender de criação de dinheiro acarretará crises.

    “E minha pergunta permanece. Como a criação de crédito do nada pode aumentar a renda nacional?
    Afinal, os bens materiais e os meios de produção permanecem com a quantidade inalterada.
    Se um banco comercial empresta dinheiro cirado do nada para determinados investidores, estes irão apenas desviar os recursos escassoz de outras áreas, e não criar novos recursos. Esses não são criados do nada.”

    Ahammm, aí que tá. Agora eu entendi porque não entra na cabeça de vocês, vocês estão pensando numa economia em pleno emprego, onde todos os recursos são escassos. Mas aí o crédito não terá muito efeito mesmo. O problema é que as economias não operam em pleno emprego. A preocupação de Keynes é para economia fora do pleno emprego, que é o que acontece 99% da história e vocês aí ficam se prendendo aos 1% (na verdade menos).

    A pergunta de vocês então deveria ser, como fazer com que um país acelere seu crescimento já estando no pleno emprego. Essa resposta Keynes não dá, nem a Cepal e os outros que eu citei, a preocupação deles é na ausência do pleno emprego, tipo, o mundo prático. Aqui podemos recorrer às questões da importância das inovações inspiradas no Schumpeter, evolucionários e neoschumpterianos. Existem autores Keynesianos que buscam responder isso também, como Harrod, Kaldor e Robinson.
    Existem também estudos que ligam a concentração ou distribuição de renda, esses nunca chegam ao consenso.

  8. Acho que não está dando certo, ao invés de finalmente entender o keynesianismo, eu estou entendendo cada vez menos.

    Primeiro, o governo tem que estimular o setor privado a fazer investimentos? Tem que estimular as pessoas a ganhar dinheiro? As pessoas precisam ser estimuladas para isso?

    Estoque de poupança existe de monte? Não falta?
    Cara, voltamos a estaca zero.
    Você tem um sério problema em entender o fato básico de que vivemos num mundo de escassez.
    Não, poupança não é infinita. Poupança é escassa.

    Segundo ponto, os recursos são escassos no sentido de não serem infinitos, ao contrário de nossos desejos, mas a oferta de recursos produtivos é quase sempre maior que a demanda.

    Peraí.
    Nossos desejos são infinitos (=demanda), mas a oferta de recursos produtivos, que não é infinita, é maior que nossa demanda?

    Se você quiser aumentar o investimento numa fábrica automobilística, têxtil, eletrônica, etc. qual o bem escasso aqui? Precisa-se apenas de tecnologia que já existe e dinheiro para adquirir os insumos e contratar mão-de-obra, não se investe mais devida a expectativa dos empresários de que a demanda não será suficiente.

    Ahhh tá. O aço, a borracha, motores, vidro, tinta.. nada disso é escasso, pois criando-se dinheiro do nada e dando esse dinheiro para o dono de uma fábrica, ele pode comprar tudo isso. É isso? Entendi?
    E por acaso esses recursos, assumindo-se que eles já existiam e faltava apenas o dinheiro para compra-los, não eram demandados por outras pessoas e industrias também, mas que não receberam o dinheiro criado do nada, então não mais poderão comprar? Será que o que houve não foi apenas um desvio na alocação de recursos?


    Nossa divergência maior no fundo é essa. O crédito inicial que proporcionou o investimento está sim aumentando a capacidade produtiva, não precisou retirar recurso de outro lugar.

    Será que você gostaria de rever essa sua afirmação?


    Realmente minha disposição é incomum e não é sempre que tenho essa paciência.

    Estou com sorte então hein.

  9. Mauricio Andrade Weiss

    Aiai, última tentativa de compreensão.

    O governo precisa incentivar a investir em ativos ilíquidos porque se possível irão preferir aplicar em ativos líquidos que não promovem o crescimento.

    Estoque de riqueza existe sim aos montes, mas não destinada ao setor produtivo. Se você realmente acha que não existe gente com dinheiro no mundo aplicado em diversos fundos de investimento e em outros ativos líquidos, paciência, aí ignorância tem limite.

    Claro que pode, ou você acha que a GM não pode aumentar o investimento numa fábrica se tiver dinheiro para tal?

    Não precisa assumir, as empresas não operam com 100% da capacidade de produção. Caso ele não o tenha pode.

    “E por acaso esses recursos, assumindo-se que eles já existiam e faltava apenas o dinheiro para compra-los, não eram demandados por outras pessoas e industrias também, mas que não receberam o dinheiro criado do nada, então não mais poderão comprar? Será que o que houve não foi apenas um desvio na alocação de recursos?”

    Óbvio que não, como disse, as empresas não operam no limite da capacidade produtiva, além do que elas tem flexibilidade para aumentar a capacidade produtiva.

    Tais com muita sorte mesmo viu Fernando.

    Agora Púpilo, aprenda ler uma frase até o final. Esse tipo de coisa que você fez é o que eu mais desprezo no mal cientista e na imprensa. Aprenda a fazer como faz o Fernando.

  10. Mauricio Andrade Weiss

    Fernando e TL,

    Não tem problema em alguém investir em ativos líquidos caso esses sejam repassados para investimento, o problema que isso não ocorre como deveria. Pra vocês terem a noção, segundo o BIS, em 2009 havia um estoque de derivativos de U$ 600 TRI, 10 vezes maior que o PIB mundial. Sem contar os outros ativos… Então não falta poupança não. Problema que os agentes ficam mantendo nessa forma líquida, em Bretton Woods quando o mercado era mais regulado e não haviam essas opções o dinheiro era mais destinado ao investimento, com a globalização financeira isso mudou.

    Fernando, as pessoas preferem manter a riqueza na forma líquida devido as incertezas que elas tem do futuro, por isso cabe ao governo diminuir essas incertezas e estimular o investimento.

    Então Fernando, o ponto é que a indústria de aço está operando em média com menos de 80% de sua capacidade produtiva, pegue os dados e observe. Então o aumento da demanda por aço na automobilística fará com que ela opere a 90% por exemplo, e isso fará com que ela invista para aumentar sua capacidade produtiva e voltar a operar nos 80%. Então ele não vai deixar de vender à de informática (acho que ela nem usa aço mas tudo bem hehe)

    A obviedade é que as empresas operam abaixo do limite da sua capacidade física, só não fabricam mais porque não tem demanda.

    Para fabricar aço precisa de bens de capitas (podem ser produzidos sem problemas, já existe capacidade), energia (já existe capacidade) e ferro (existe quantidade suficiente das reservas já exploradas por pelo menos mais 100 anos). Então, o que limita o crescimento no mundo não é a oferta e sim a demanda.

    Para um país sem indústria passar a ter já é mais complicado, existem políticas para isso, mas aí é outra discussão.

  11. MAURÍCIO ANDRADE WEISS

    Os recursos naturais são abundantes mas as mineradoras precisam de bens de capital e mão de obra para extrai-los.Devido a essa escassez de fatores de produção(MDO,EQUIPAMENTOS E MAQUINÁRIO,ETC)sem falar em financiamentos que em uma economia de livre-mercado seria suprida por poupança real ao contrário de hoje em que o BNDES financia nossas mineradoras com um misto de poupança real e fictícia a moda keynesiana,então repense seus conceitos de abundância.

  12. Acho que o que é realmente infinita é a arrogância keynesiana… Maurício, já que você precisou estudar para obter seu mestrado, tenha a bondade de estudar um pouco mais sobre os ensinamentos da EA antes de dizer bobagens.

  13. Ainda tem gente que acredita que o bancor não seria um atentado à liberdade…kkkkkkk

    Pois bem,aos defensores do keynesianismo: a finalidade do bancor com as contas externas dos países era de OBRIGAR os países superavitários a passar seu excedente para os deficitários em bancor,gerando assim um BP=0 para todos,e esse arranjo obviamente seria extremamente bur(r)ocrático,desestimulando o comércio mundial e fechando as economias.

    Notem que acima eu coloquei em caixa alta o “obrigar”,que significa não deixar opção de livre escolha ao indivíduo.

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