Poucos
debates nas ciências sociais são ostensivamente mais enfadonhos e supérfluos do
que aqueles que envolvem a definição de palavras. Se um grupo de pessoas decide definir uma
determinada palavra de um jeito, ao passo que outro grupo resolve definir essa
mesma palavra de um jeito completamente diferente, por que alguém deveria se
importar com isso?
No
entanto, acontece que as definições das palavras podem frequentemente ter
implicações profundas para as ciências sociais.
São vários os exemplos em que as definições de palavras isoladas tiveram
um impacto importante e duradouro na história do pensamento daquela disciplina
em que elas foram adotadas. As palavras “inflação”, “capitalismo”, “socialismo”,
“direito”, “liberdade”, e até mesmo a própria palavra
“ciência” já foram definidas de incontáveis e, algumas vezes, até
mesmo contraditórias maneiras; e cada definição influenciou profundamente os
pensadores que as adotaram.
Neste
artigo, irei centrar-me na definição de uma palavra em particular: probabilidade. Tentarei demonstrar que a definição que
escolhemos adotar para esta aparentemente inócua palavra possui importantes
implicações metodológicas e epistemológicas para as ciências sociais.
Para
cumprir este objetivo, primeiro ofereço uma discussão sobre as duas definições
mais gerais de probabilidade: as chamadas definições objetivas e subjetivas. Subsequentemente, farei uma análise sobre
algumas das implicações metodológicas e epistemológicas para as ciência sociais
que inevitavelmente foram geradas pela adoção de cada uma dessas
definições. Concluirei, então, com uma
breve defesa da definição subjetiva de probabilidade, a qual, argumento, é a
definição que somos forçados a adotar em decorrência da natureza do mundo real.
As duas definições gerais de probabilidade
No
nível mais geral e abstrato, há duas definições de probabilidade que podem ser
adotadas por cientistas sociais (e também por cientistas naturalistas). De um lado, podemos optar por definir
probabilidade como sendo uma mensuração de uma característica objetiva, real e
física. De acordo com esta definição objetiva, a probabilidade
deveria ser concebida como algo que existe “lá fora” no mundo, e que deve ser
mensurada, registrada e analisada da mesma maneira que fazemos, por exemplo,
com a dureza de diferentes metais. Assim
como o alumínio e o cobalto possuem diferenças físicas reais, as quais podemos observar e mensurar, o mesmo ocorre
com coisas e eventos, os quais também possuem probabilidades físicas reais e distintas que podem ser
observadas e mensuradas.
Por
outro lado, podemos optar por definir probabilidade não como sendo uma característica
objetiva e física existente no mundo real, mas sim como uma mensuração das crenças
subjetivas do homem a respeito do que irá ocorrer no mundo. De acordo com esta definição subjetiva, não existe algo como probabilidades físicas “lá fora” no mundo, pois as coisas que existem no mundo são todas
elas governadas pelo princípio da “causalidade” — o que significa
que nada que acontece no mundo é aleatório ou acidental.[1]
Na
natureza, um evento ocorre porque alguma força ou algum conjunto de forças
fizeram com que ele ocorresse. As folhas
não caem das árvores sem nenhum motivo, assim como qualquer outro evento no
mundo não ocorre sem absolutamente nenhum motivo. Similarmente, no âmbito da ação humana, uma
ação ocorre porque o indivíduo avalia que agir é melhor do que não agir. Não existe nenhuma ação que ocorreria no
mundo sem qualquer razão aparente. Há,
portanto, uma explicação causal para tudo o que ocorre no mundo, de acordo como
a definição subjetiva; e a probabilidade é uma maneira de o homem mensurar e
tentar superar sua ignorância a respeito destas explicações causais.
O
cientista social deve decidir quais destas duas definições gerais de
probabilidade ele irá adotar. Se ele
estiver honestamente procurando entender o mundo em que vive, ele terá de
adotar aquela definição de probabilidade que corretamente descreva o fenômeno que ele está procurando definir e
estudar.
Ele
obviamente é livre para adotar uma definição de probabilidade que não tenha
relação nenhuma com o mundo real, assim como ele é livre para adotar uma
definição de “dureza” que não tenha significado algum no mundo real. No entanto, ao fazer isso, ele estará
correndo o risco de abandonar o âmbito da ciência e entrar na esfera da
fantasia. O homem comprometido com a
verdadeira ciência procura descrever e entender o mundo real, e não conceitos fictícios formados por sonhos e fantasias.
Implicações da definição objetiva de
probabilidade
Há
várias implicações metodológicas e epistemológicas importantes decorrentes da
adoção de uma definição objetiva de probabilidade. Primeiro, do lado epistemológico, há a
implicação de que existe apenas uma probabilidade “correta” para qualquer
evento ou fenômeno no mundo; e essa probabilidade deve ser relativamente bem
mensurada pelos cientistas. Assim como
existe somente uma dureza “correta” e “objetiva” para o elemento cobalto, existe
também apenas uma probabilidade “correta” e “objetiva” de chuva para amanhã em Londres. Dificilmente haveria uma
definição objetiva de probabilidade se houvesse inúmeras e concorrentes
probabilidades para um dado evento.
O
objetivo do cientista que investiga problemas desse tipo seria, portanto,
buscar métodos capazes de revelar, não importa o quão imperfeitamente, a única probabilidade objetiva e correta para
qualquer evento que ocorra a qualquer dado momento do tempo.[2] Um importante corolário disso é que os
cientistas são propensos a imaginar que há apenas um método legítimo para
mensurar corretamente as probabilidades objetivas. Assim como há métodos padronizados e
universalmente reconhecidos para se mensurar comprimentos e pesos, há também
apenas uma maneira “correta” e “científica” de se mensurar probabilidade.[3]
Outra
importante implicação de uma definição objetiva de probabilidade é que a
probabilidade irá necessariamente ser concebida como uma característica que
poderá ser conhecida apenas a posteriori,
por meio da mensuração. Assim como não
podemos saber o comprimento ou a dureza de um dado objeto antes de ele ser
mensurado, também não teríamos nenhuma indicação quanto à probabilidade de
algum evento ocorrer sem que ele fosse de fato mensurado. A óbvia implicação metodológica disso é que
os cientistas inevitavelmente terão de se concentrar exclusivamente em dados passados a fim de estipular probabilidades,
independentemente dos métodos específicos que eles escolham empregar. Em suas raízes, portanto, o defensor de uma
definição objetiva de probabilidade é apenas um empirista.
Ademais,
ao tratarem a probabilidade como uma característica que pode ser conhecida
somente a posteriori, cientistas sociais e naturais que sejam consistentes terão
inevitavelmente de tratar aqueles eventos para os quais não existem dados
passados como estando completamente fora do escopo da probabilidade. De novo, assim como não temos a capacidade de
determinar o comprimento exato de um vergalhão de aço sem que o mensuremos, nós
também somos incapazes de dizer qual é a probabilidade de algum evento futuro a
menos que tenhamos algumas mensurações a posteriori de fenômenos similares para
utilizarmos como guia. Portanto, se
adotarmos uma definição objetiva de probabilidade, não é possível fazer declarações quanto à probabilidade de eventos totalmente
peculiares e sem precedentes.[4]
Uma
mais ampla e mais importante consequência epistemológica e metodológica de se
tratar a probabilidade como sendo uma característica objetiva das coisas do
mundo é que a probabilidade torna-se propensa a ser imaginada como uma área
pertencente apenas às ciências naturais.
Se as coisas tiverem probabilidades físicas e objetivas “embutidas”
nelas, da mesma maneira que as coisas possuem pesos e comprimentos inerentes e
objetivos, então a mensuração dessa característica física em nada diferirá, em
princípio, da mensuração de qualquer outra característica física e objetiva
existente no mundo. Será simplesmente uma
característica a ser identificada e mensurada por cientistas naturalistas
isentos, da mesma forma que cientistas naturalistas mensuram o peso de
hipopótamos, a intensidade de furacões, ou a altura média de anões. Não se está dizendo que o cientista social
não pode fazer uso de mensurações baseadas em probabilidades objetivas em suas
pesquisas empíricas, mas sim que, ao coletar dados desse tipo, o cientista
social não está agindo como um cientista
social per se.
Uma
analogia adequada seria aquela do cientista social que faz medições de pressão
arterial ao longo de sua pesquisa. Ao
medir a pressão arterial, o cientista social não está atuando como um cientista
social per se; mais especificamente, ele está simplesmente adotando métodos de
mensuração que já foram desenvolvidos anteriormente pelas ciências naturais e
então utilizando os dados desta forma obtidos para a sua pesquisa social. Não faria nenhum sentido dizer que os métodos
específicos utilizados para mensurar a pressão arterial com uma máquina
especialmente criada para tal objetivo seria uma área das ciências sociais; logo,
se a probabilidade for concebida como uma característica física objetiva “embutida” nas coisas do mundo, então ninguém pode dizer que a mensuração de
probabilidades objetivas é uma área das ciências sociais.
Implicações da definição subjetiva de
probabilidade
As
implicações para a ciência social geradas pela adoção de uma definição
subjetiva de probabilidade são radicalmente distintas daquelas geradas pela
adoção de uma definição objetiva. Em
primeiro lugar, uma definição subjetiva de probabilidade não implica que os
cientistas devam imaginar que há somente uma
probabilidade “correta” ou “objetiva” para qualquer dado evento.
Ao
contrário: dado que a definição subjetiva de probabilidade significa que a
probabilidade é uma medida das crenças subjetivas
do homem acerca da possibilidade da ocorrência de algum evento, isso significa
que o número de probabilidades — que pode concebivelmente existir no mundo a
um dado momento qualquer — para o mesmo evento está limitado somente pelo
número de pessoas no planeta. Cada uma
dessas diferentes probabilidades representaria uma medida das crenças
subjetivas de algum indivíduo a respeito da possibilidade da ocorrência do
evento em questão, baseada naquela evidência que ele julga ser relevante para a
ocorrência do evento.
Isso,
no entanto, não significa que todas essas probabilidades concorrentes devem ser
tratadas como prognosticadoras igualmente valiosas para a ocorrência do
evento. Alguns indivíduos já
desenvolveram — e outros irão desenvolver — métodos que demonstram ser
prognosticadores bastante confiáveis para certos eventos, e estes métodos, bem
como as probabilidades que eles geram, ganharão sem dúvida nenhuma um respeito
que as probabilidades desenvolvidas por outros indivíduos não ganharão. Porém, uma definição subjetiva de
probabilidade abre o campo da probabilidade para uma ampla variedade de
diferentes métodos e maneiras de se mensurar probabilidades — algo que seria impossibilitado
caso se adotasse uma definição objetiva.
A
observação acima possui uma implicação acidental para a ciência social: ela faz
com que o cientista concentre sua atenção em prever corretamente os eventos
futuros em vez de obsessivamente procurar pelo método “correto” — e tentar
aperfeiçoá-lo — a ser empregado em cada ocasião. Sem nenhuma barreira em seu caminho estipulando
que ele pode empregar apenas um
determinado método de calcular probabilidades, o cientista social está livre
para utilizar quaisquer métodos que ele possa criar ou pegar emprestado para
prever resultados. Ele provavelmente irá
buscar e utilizar métodos que possuem um comprovado histórico de previsões
corretas em situações similares; porém, mesmo se ele optar por empregar um novo
e ainda não atestado método, este método estará sujeito às provações do mundo
real. Ou ele será bem sucedido ou será
incapaz de prever corretamente os resultados.
Em ambos os casos, o cientista social não poderá deixar suas previsões envoltas
em um manto de autoridade miraculosa e anormal, simplesmente porque ele,
afinal, utilizou um método específico para fazer suas previsões.
A
definição subjetiva de probabilidade também solapa a ideia de que somente dados
a posteriori podem ser legitimamente utilizados para gerar probabilidades. De acordo com a definição subjetiva,
probabilidades são apenas mensurações das crenças do indivíduo quanto à
possibilidade de que algo irá ou não irá ocorrer no mundo, de modo que não há
razão pela qual os cientistas não possam legitimamente fazer uso de informações
apriorísticas, de opiniões de especialistas, de informações indiretas, ou de
qualquer outra coisa que eles possam considerar relevantes para prever o
resultado de um determinado evento.
De
novo, com uma definição subjetiva de probabilidade, a única mensuração importante
quanto à utilidade de um método é a acurácia com que ele consegue prever
resultados futuros sobre os quais o indivíduo até então estava incerto. A definição subjetiva não obriga o cientista
social a seguir a dogmática determinação de que somente dados a posteriori
podem ser utilizados para mensurar sua incerteza. No mínimo, a definição subjetiva adverte o
cientista social de que ele deve ir a campo e coletar informações que ele possa
utilizar com o intuito de melhor prever aquilo sobre o que ele e outras pessoas
estão incertos.
Outra
implicação criticamente importante da definição subjetiva de probabilidade é
que ela permite o cálculo de probabilidade para eventos e fenômenos
peculiares. Já a definição objetiva,
como mostrado acima, baseia-se no uso de dados a posteriori coletados para
casos similares, o que impede o cálculo de probabilidades para casos singulares
que não apresentem antecedentes.
No
entanto, como a definição subjetiva não requer o uso de dados a posteriori, ela
não impede — ao contrário da definição objetiva — o cálculo de probabilidades
para casos peculiares. Todos os
fenômenos do mundo podem, portanto, ser alvo de mensurações probabilísticas,
pois o homem é ignorante ou incerto, em maior ou menor grau, quanto a
praticamente tudo o que ele encontra no mundo.
A definição subjetiva estimula o homem a ir a campo e mensurar sua
incerteza a respeito de qualquer coisa que ele encontrar pela frente.
A
implicação de tudo isso é que a definição subjetiva de probabilidade, ao
contrário da definição objetiva, não isola o cálculo de probabilidade para as
ciências naturais. Dado que a definição
subjetiva permite o cálculo de probabilidades para eventos e fenômenos
peculiares, isso obviamente inclui o cálculo de probabilidades para ações humanas
peculiares para as quais não há antecedentes e nem dados passados.
A
definição subjetiva, portanto, aceita entusiasmadamente o uso de probabilidades
em todos os campos da ciência, e não apenas nas ciências naturais. Isso é algo fortuito, pois o homem
frequentemente é tão incerto sobre se o seu vizinho irá pôr o lixo pra fora
amanha quanto o é sobre o tempo que fará hoje à tarde; e a definição subjetiva
de probabilidade o estimula a mensurar sua incerteza tanto no primeiro caso
quanto no segundo.
Qual definição é a correta?
Uma
análise das implicações das possíveis definições de probabilidade, por si só,
não nos ajuda a determinar qual delas é a correta. As implicações das definições são úteis
somente na medida em que elas ressaltam o fato de que a definição que
escolhermos adotar não será algo inconsequente ou trivial. A questão que permanece, portanto, é: qual é
a “correta”?
A
resposta, eu sugeriria, é que a definição subjetiva é a definição correta para
o mundo em que vivemos, pois vivemos em um mundo em que os eventos e ações
jamais ocorrem sem absolutamente nenhum motivo.
Os eventos e fenômenos que ocorrem na natureza ao nosso redor sempre
ocorrem por uma razão causal. As coisas
caem ao chão por um motivo. As coisas se
incendeiam por um motivo. As coisas
crescem por um motivo. Todos os eventos
naturais que ocorrem no mundo ocorrem por uma razão causal, e a própria ciência
natural se baseia na ideia de que o homem pode descobrir e entender os fatores
causais que governam o mundo.
Exatamente
por ser assim, as coisas naturais não possuem uma mística “probabilidade”
embutida nelas; mais especificamente, elas se comportam de acordo com as leis
causais da natureza. A probabilidade no
mundo real, portanto, é meramente uma mensuração da incerteza do homem quanto
aos fatores causais em ação na natureza.
Se
o homem conhecesse cada fator causal que afeta cada evento da natureza, ele
saberia o resultado de tudo antecipadamente.
Ele jamais necessitaria da probabilidade, e jamais a utilizaria.
Similarmente,
no âmbito da ação humana, as ações sempre ocorrem por uma razão causal. O indivíduo vai ao supermercado por um
motivo. Ele bebe álcool por um motivo. Ele pinta sua casa por um motivo. Toda e qualquer ação humana ocorre porque o
indivíduo subjetivamente prefere agir a não agir, e o estudo da ação humana
(praxeologia) é em si mesmo baseado na ideia de que o homem pode descobrir e
compreender a lógica que governa o âmbito da ação humana.
Por
ser assim, sabemos que os seres humanos não possuem uma mística “probabilidade”
embutida neles; mais especificamente, eles sempre agem de acordo com suas
crenças e valores subjetivos. A
probabilidade no mundo humano é, portanto, meramente uma mensuração da
incerteza do homem quanto às crenças e valores subjetivos que influenciam as
ações de outros homens.
Se
o homem conhecesse cada fator subjetivo que afeta cada ação específica, ele
saberia antecipadamente dos resultados.
Ele jamais necessitaria da probabilidade, e jamais a utilizaria.
Se,
contrariamente aos fatos, as ações e os eventos ocorressem no mundo sem
absolutamente nenhum motivo, poderia haver uma justificativa para dizer que as
coisas possuíam probabilidades “embutidas” nelas, as quais o homem poderia
mensurar. Mas o mundo não é constituído
desta forma. Tudo que ocorre no mundo
ocorre por um motivo, e se o homem conhecesse todos os fatores que afetam cada
ação ou resultado, ele saberia
antecipadamente e com exatidão quais seriam os resultados.
No
entanto, o homem não é onisciente, e é por isso que ele utiliza a probabilidade
para o ajudar a prever resultados — ele faz isso mensurando sua incerteza quanto aos possíveis
resultados. A incerteza, no entanto,
reside nele próprio, e não “lá fora” no mundo; portanto, a probabilidade é
uma mensuração subjetiva da incerteza
humana, e não uma mensuração de alguma coisa qualquer no mundo.
[1] Sobre o
princípio da causalidade, ver, por exemplo, Ludwig von Mises, Theory
and History (Auburn, Ala.: Ludwig von Mises Institute, 1985), p.
74, Ibid., Ação Humana
4th ed. (Irvington-on-Hudson, NY: Foundation for Economic Education, 1996), p.
22; e Hans-Hermann Hoppe, A Ciência Econômica e o Método
Austríaco (Auburn, Ala.: Mises Institute,
1995), pp. 77?78.
[2] Uma
analogia óbvia ao argumento sendo aqui apresentado pode ser encontrada no campo
da inferência
estatística, em que o pesquisador tenta estimar o “verdadeiro” valor de uma
determinada constante através de uma amostra populacional. Ainda que o pesquisador jamais esteja na
posição de saber o real valor dessa constante , ele mesmo assim tenta
estimar esse valor da melhor maneira
possível, considerando-se os dados disponíveis com os quais trabalhar. Similarmente, se a probabilidade é imaginada
como sendo uma propriedade física “real” das coisas, então o objetivo do
pesquisador é estimar ou descobrir esse valor da melhor forma possível,
considerando-se os dados disponíveis com os quais trabalhar.
[3] Para a
mais dogmática afirmação desta ideia, ver Richard von Mises, Probability, Statistics and
Truth (New York: Chapman and Hall, 1988).
[4] Para uma análise dessa ideia, ver Ludwig
von Mises, Ação Humana,
capítulo VI.
Se eu entendi o ponto do autor direito, surge em minha opinião 2 pontos, um positivo outro negativo, o fator subjetivo permite que cada pessoa “escolha” com qual intensidade acreditar na probabilidade e qual risco correr por exemplo, agora, isso demonstra como as pessoas ficam vulneráveis a mídia por exemplo, como se essa definição de probabilidade fosse a base daquela teoria da expiral do silencio.
Apesar de toda ciêncua buscar relações de causa-efeito, essas relações podem ocorrer de maneira probabilistica. Por exemplo temos a mecânica quântica e o behaviorismo radical, que possuem leis probabilísticas.
Artigo excelente e importantíssimo, pois a ignorância nesta área impera.
E isso foi comprovado pelas declarações e comentários estapafúrdios sobre a nova fascínora e draconiana Lei Seca.
O Mark Crovelli, filho do matemático Robert Crovelli é especialista nesta área, e, não por acaso, é um dos maiores críticos das tentativas de se coibir motoristas de dirigirem após beber.
Seus artigos sobre o tema são respostas fulminates e definitivas contra os defensores dessas “leis”:
The Pathetic Argument for Prohibiting Drunk Driving
Drunk-Driving Laws Are Absurd
A Primer on Logic – For Drunk Driving Prohibitionists
Drunk Driving vs. Sober Driving: What’s the Difference?
Drunk Driving Laws Cause Drunk Driving Accidents
The Fact That Drunk Drivers ‘Choose’ to Drive Drunk Is Completely Irrelevant
Prohibiting Drunk Driving Is Not Self-Defense
Thanks To Mothers Against Drunk Driving, I’m a Dangerous Driver
How To Convince Men To Drive Drunk
Muito interessante o artigo, compartilho da mesma opinião que o autor e também aposto na 100% de causalidade do mundo. Mas, admito que isso pode estar errado pelo mesmo argumento usado pelo autor: “o homem não é onisciente, e é por isso que ele utiliza a probabilidade para o ajudar a prever resultados — ele faz isso mensurando sua incerteza quanto aos possíveis resultados”. Não há (até então) maneira matemática de demonstrar a impossibilidade do acaso, portanto não vejo razão para admitir a questionabilidade do pressuposto de que tudo é 100% causal.
Olá a todos,
Probabilidade é simplesmente um cálculo da nebulosidade de um fenômeno qualquer. Por exemplo, alguém chega em uma loja, vê uma promoção de um item que estava a um tempo esperando e, ainda assim, há uma nebulosidade se a pessoa irá ou não comprar o item. Não tem nada a ver com o critério usado para o cálculo, se “objetivo” ou “subjetivo” como o autor coloca. Na verdade não há nada de objetivo em probabilidade: se feito a partir de medições históricas ou se leva em conta a subjetividade humana não tem a ver com a probabilidade das coisas em si, mas com o método empregado, que pode ser qualquer um, uns mais ou menos “confiáveis” (se é que se pode empregar tal termo em probabilidade).
Ao Tárik: 100% de causalidade do mundo é fato, o problema é que não temos como saber 100% dessa causalidade. O Teorema de Gödel o proíbe. Logo, uma medida estatística sobre os fenômenos é sim importantíssima e, é sim, uma forma de conhecer o mundo, justamente a sua causalidade e efeitos, mesmo dentro de uma nuvem de nebulosidade (de dúvida). Por exemplo, toda comunicação humana é passível de ruído, o que pode (e é) estudado dentro do conceito de Processos Estocásticos (probabilidades) e, mesmo considerando a nebulosidade do fenômeno, a Internet é a prova viva de a coisa funciona!
Não entendo nada de ciências humanas, mas o autor foi infeliz em suas colocações sobre o uso da probabilidade em ciências naturais (admitindo que o que ele chama de ciências naturalistas sejam a química, a física e a biologia) as quais baseiam-se em princípios matemáticos, a qual define claramente o que é probabilidade e os seus fenômenos (note que fenômenos determinísticos ainda podem ser estudados à luz das probabilidades, mas não o oposto).
Abraços
Ontem eu tentei deixar um comentário aqui, mas deu erro e pelo jeito não foi.
Eu disse que não concordava com o autor.
Cálculo probabilístico é algo objetivo. Pra mim o autor está querendo redefinir o vocabulário. O que ele chama de “probabilidade subjetiva” é especulação. E veja bem, não uso a palavra especulação aqui com o mesmo tom que esquerdistas costumam utilizá-la, carregado de conotação negativa. Especulação pode muito bem ser baseada em métodos rigorosos. Como a bela Praxygirl já nos explicou, especulação é apenas uma das formas das pessoas agirem. Ações baseadas em cálculos probabilísticos já entrariam na categoria de ação que ela chama de “engenharia”.
Além disso, o autor está incorreto quando diz que o cientista que busca definir uma probabilidade (objetiva) possui barreiras “em seu caminho estipulando que ele pode empregar apenas um determinado método de calcular probabilidades”. O melhor método conhecido não necessariamente é o melhor método possível, e podem existir especializações para casos específicos. Logo, ele pode muito bem tentar seu próprio método.
Finalmente, não vejo porque a não existência de fenômenos puramente aleatórios invalidaria o cálculo probabilístico. Pelo contrário, se tudo é uma relação de causa-efeito, então mais ainda que podemos tentar calcular probabilidades de maneira objetiva.
E Fernando, isso não tem nada a ver com a discussão que rolou no seu artigo sobre álcool no voltante. Pouco importa que exista uma probabilidade maior ou não de uma pessoa cometer um crime sob determinadas condições, isso não faz dessa pessoa um criminoso.
Concordo com o André e com o Tiago RC: Cálculo probabilístico é algo objetivo. Normalmente, quando se realiza um cálculo probabilísitico, se usa a quantidade de possibilidades que existem, por exemplo, meu vizinho pode levar o lixo pra fora amanhã ou pode não levar, são 2 possibilidades, então existe 50% de probabilidade de ocorrer uma coisa ou outra. Não interessa saber as razões que vão levá-lo a tirar o lixo de casa (por exemplo, evitar o mau cheiro ou a proliferação de baratas) ou não (por exemplo, ele simplesmente esqueceu!!! ou está com preguiça). \r
\r
Agora o cálculo probabilístico começa a se complicar quando repetimos o experimento e esperamos ter determinado resultado, por exemplo, meu vizinho tirou o lixo hoje, qual a probabilidade dele repetir isso amanhã?? Qual a probabilidade dele retirar o lixo de casa 3 dias seguidos? Novamente, não interessam as razões dele, o cálculo é feito com base na quantidade total de possibilidades.\r
\r
Pelo que entendi (não sou economista, nem cientista social), na probabilidade subjetiva, não existe exatamente um cálculo matemático. O estudioso analisaria os prós e contras de se tirar o lixo e ainda verificaria que existem razões “emocionais” ou “irracionais” (ex: o esquecimento, a preguiça, etc) para se praticar ou não determinada ação e definiria “a probabilidade” do evento ocorrer, mas não colocaria isso em termos matemáticos (numa equação). Ou seja, não seria um cálculo matemático ao pé da letra, seria talvez a elaboração de uma hipótese, uma idéia, com base na análise não matemática de dados. \r
\r
Assim, concordo que seria mais claro e de melhor compreensão usar outra palavra que já existe e cujo significado é mais próximo do que realmente é feito (como o Tiago RC sugeriu: especulação), ao invés de se definir um conceito de probabilidade subjetiva, em oposição a existência de uma probabilidade objetiva (matemática).
Sou ateu e enviei para um grupo de amigos um video em que um ônibus espreme contra um poste, ao meio, um carro de passeio e uma pessoa no banco de trás não sofreu um único arranhão.
Como no video há diálogo alegando milagre, questionei e comentei que se tratava de probabilidade e não de milagre.
Assim sendo, para esclarecer aos menos informados, vim buscar um significado claro e objetivo com palavras simples para que entendessem o que eu quis dizer com probabilidade.
Algum desses sábios aí pode me ajudar?
Desde já agradeço e aguardo resposta!