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A verdadeira Lei de Say – e não a distorção keynesiana

Keynes
. . . além de não ter entendido, deturpou a Lei de Say. . . . Este é o legado
mais duradouro de Keynes, um legado que deformou permanentemente toda a teoria
econômica.

— Steven
Kates[1]

john_maynard_keynes.jpg

Enquanto
pesquisava material para a elaboração do meu livro The
Story of Modern Economics
[A História da Moderna Ciência
Econômica], descobri um extraordinário livro escrito pelo economista
australiano Steven Kates, Say’s
Law and the Keynesian Revolution
[A Lei de Say e a Revolução
Keynesiana].  De acordo com Kates, John
Maynard Keynes deturpou a teoria original de Jean-Baptiste Say — sua famosa
lei de que os mercados sempre tendem ao equilíbrio — com o único objetivo de,
ao atacar essa teoria deturpada, poder gerar uma revolução na ciência
econômica.  Segundo Kates, toda a Teoria Geral “é uma tentativa de refutar
a Lei de Say”.

A
fim de refutar a Lei de Say, Keynes distorceu-a e adulterou-a gravemente.  Como afirma Kates, “Keynes se equivocou em
sua interpretação da Lei de Say e, ainda mais importante, se equivocou quanto
às implicações econômicas da mesma.[2]  E vale ressaltar que Kates é totalmente
simpatizante da economia keynesiana!

Como Keynes entendeu tudo errado

Na
introdução da edição francesa da Teoria Geral, de 1939, Keynes centrou-se na
Lei de Say como sendo a questão central da macroeconomia. 

Creio que, até uma época recente, a ciência econômica em
todos os lugares tem sido dominada . . . pelas doutrinas associadas ao nome de
J.-B. Say.  É verdade que sua “lei dos
mercados” já foi há muito abandonada pela maioria dos economistas; porém, eles
próprios ainda não libertaram das suposições básicas criadas por Say, particularmente
de sua falácia de que a demanda é criada pela oferta. . . . No entanto, uma
teoria baseada nesta suposição é claramente incapaz de atacar os problemas do
desemprego e dos ciclos econômicos.

Infelizmente,
Keynes não foi capaz de entender a Lei de Say. 
Ao incorretamente afirmar que a lei diz que “a oferta cria sua própria
demanda”, ele na realidade sugeriu que o objetivo de Say era dizer que qualquer
coisa que for produzida será automaticamente comprada.  Logo, a Lei de Say não pode explicar os
ciclos econômicos.[3]

Keynes
foi adiante e declarou que a Lei de Say “pressupõe pleno emprego”.  Outros keynesianos cometem este erro até
hoje, embora nada possa estar mais longe da verdade.  As condições do desemprego não proíbem a
produção e nem as vendas, ambas as quais formam a base do aumento da renda e do
aumento da demanda.

Ademais,
a Lei de Say serviu especificamente de base para a teoria clássica dos ciclos
econômicos e do desemprego.  Como
declarou Kates, “A posição dos economistas clássicos era a de que o desemprego
involuntário não somente era possível, como na realidade ocorria
frequentemente, e com sérias consequências para os desempregados.”[4]

Produção e consumo

Mas
o que é exatamente a Lei de Say?  A
descrição de sua famosa lei dos mercados pode ser encontrada no capítulo 15 do
livro de Say, A
Treatise on Political Economy
:  “Quando um produto é criado, ele, desde aquele instante, por meio de seu
próprio valor, proporciona acesso a outros mercados e a outros produtos”.[5]  Quando um vendedor produz e vende um produto,
ele instantaneamente se torna um potencial comprador, pois agora possui renda
para gastar.  Para poder comprar alguma
coisa, um indivíduo precisa antes vender. 
Em outras palavras, a produção é o que gera o consumo, e um aumento na
produção é o que permite que haja um maior gasto com consumo.

Em
suma, eis a Lei de Say: a oferta (venda) de X cria a demanda por (pela compra
de) Y.

Say
ilustrou sua lei com o exemplo de um agricultor que usufruiu uma boa colheita: “Quanto maior for a colheita, maior será o poder de compra do agricultor.  Já uma safra ruim, por outro lado, irá afetar
enormemente a venda das mercadorias.”[6]

E
Say está correto.  De acordo com as
estatísticas sobre ciclos econômicos, quando uma recessão se inicia, a produção
é a primeira variável a entrar em declínio, bem antes do consumo.  E quando a economia começa a se recuperar,
isso ocorre porque a produção foi retomada, sendo somente depois seguida pelo
consumo.  O crescimento econômico começa
com um aumento na produtividade, na produção de novos produtos e na criação de
novos mercados.  Portanto, os gastos em
produção sempre vêm antes dos gastos em consumo.

Podemos
ver como isso funciona também na escala do indivíduo.  O segredo para um maior padrão de vida é,
primeiramente, um aumento na sua renda — isto é, na sua produtividade –, seja
por meio de um aumento salarial, ou de um novo emprego, ou de uma maior
especialização ou pela criação de um empreendimento rentável.  Seria uma insensatez querer aumentar seu
padrão de vida simplesmente aumentando seus gastos ou se endividando para
comprar um imóvel maior ou um automóvel novo sem antes ter aumentado sua
produtividade.  Você pode até ser capaz
de viver luxuosamente dessa maneira por algum tempo, mas um dia inevitavelmente
a conta chegará — no caso, a fatura do cartão de crédito ou o vencimento dos
empréstimos bancários.

De
acordo com Say, o mesmo princípio se aplica às nações.  A criação de novos e melhores produtos cria
novos mercados e possibilita o aumento do consumo.  Donde se conclui que “o estímulo ao mero
consumismo não traz benefício algum para o comércio; pois a dificuldade jaz
exatamente em como criar os meios para o consumo, e não em como estimular o
desejo do consumo.  E já vimos que a
produção, por si só, fornece estes meios.” 
E Say então acrescentou: “Sendo assim, o objetivo de um bom governo
seria apenas permitir que a produção ocorresse desimpedidamente, ao passo que o
objetivo de um mau governo seria estimular o consumo.”[7]

A causa dos ciclos econômicos

A
Lei de Say afirma que recessões não são causadas por uma insuficiência na
demanda (a tese de Keynes), mas sim por um descompasso na estrutura da oferta e
da demanda.  A recessão se inicia quando
os produtores percebem que erraram em suas estimativas sobre o que os
consumidores querem consumir, o que faz com que os bens não vendidos se
acumulem nos estoques.  Ato contínuo, a
produção é reduzida, a renda cai e, só então, o consumo diminui.  Como Kates esclareceu, “A teoria clássica
explica as recessões demonstrando como os erros na produção surgem durante a
fase da expansão econômica artificial, de modo que alguns bens permanecerão nos
estoques sem serem vendidos, mesmo se cotados a preços que meramente cubram seus
custos de produção.”  O modelo clássico era
uma “teoria altamente sofisticada que explicava a recessão e o desemprego”, mas
que foi varrida e “obliterada” de uma só vez pelo ilustre Keynes.[8]

Em
seu livro, Kates destaca as contribuições de outros economistas clássicos,
dentre eles David Ricardo, James Mill, Robert Torrens, Henry Clay, Frederick
Lavington e Wilhelm Röpke, que ampliaram a Lei de Say.  Vários economistas clássicos centraram seus
esforços em explicar como a inflação monetária exacerba os ciclos
econômicos.  Eles foram os precursores
dos austríacos Ludwig von Mises e F.A. Hayek.

Logo,
nada mais apropriado do que finalizar com a própria definição de Mises sobre
a Lei de Say:

O
mais sincero defensor e pregador da inflação em nossa época, Lord Keynes,
estava certo, do seu ponto de vista, quando atacou aquilo que é
chamado de “Lei de Say”.  A Lei de Say é uma das grandes
façanhas da teoria econômica.  O francês Jean-Baptiste Say, na chamada Lei
de Say, disse que você não pode aprimorar as condições econômicas simplesmente
aumentando a quantidade de dinheiro na economia; quando os negócios não estão
indo bem, não é porque não há dinheiro suficiente.  O que Say tinha em
mente, o que ele disse quando criticou a doutrina de que deveria haver mais
dinheiro na economia, era que tudo o que alguém produz representa, ao mesmo
tempo, uma demanda por outras coisas.  Se há mais sapatos produzidos,
esses sapatos serão oferecidos no mercado em troca de outros bens.  A
expressão “a oferta cria demanda” significa que o fator produção é
essencial.  Expressada mais acuradamente, ele estava dizendo que “a
produção cria consumo”, ou, ainda melhor, que “a oferta de cada
produtor cria sua demanda pelas ofertas de outros produtores”.  Dessa
forma, um equilíbrio entre oferta e demanda sempre existirá em termos agregados
(embora Say reconheça que pode haver escassez e fartura em relação a produtos
específicos).

Em
última instância, os bens não são trocados por dinheiro — o
dinheiro é apenas um meio de troca; os bens são trocados por outros bens.
 “Você quer minhas maçãs?  O que você me dá em troca
delas?”  Say acreditava que a criação de mais dinheiro simplesmente
cria inflação de preços; mais dinheiro perseguindo a mesma quantidade de bens.

E
se você aumentar a quantidade de dinheiro, você não estará melhorando a
situação de ninguém, exceto daquele indivíduo — ou daquele grupo de indivíduos
-. para quem você dá esse dinheiro recém-criado; esse indivíduo, ou esse grupo,
poderá então comprar mais coisas, retirando mais bens do mercado, privando
outras pessoas desses bens, piorando o bem-estar delas.

 

Leia também: As pedras viram pães: o
milagre keynesiano
 



[1] Steven Kates, Say’s
Law and the Keynesian Revolution
 (Northampton, Mass.: Edward
Elgar, 1998), p. 1

[2] Ibid., p. 212.

[3] John Maynard Keynes, A Teoria
Geral do Emprego, do Juro e da Moeda
 (London: Macmillan, 1936), pp.
25-26.

[4] Kates, p. 18.

[5] Jean-Baptiste Say, A
Treatise on Political Economy 
(Augustus
M. Kelley, 1971 [1832]), p. 134.

[6] Ibid., p. 135.

[7] Ibid., p. 139.

[8] Kates, pp. 18, 19, 20.

 

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40 comentários em “A verdadeira Lei de Say – e não a distorção keynesiana”

  1. O mais incrível é que a população geral não percebe que é ROUBADA quando o governo imprime dinheiro novo. Acho essa a maior de todas as fraudes e a mais bem sucedida delas já que os expoliados não percebem o modo que se dá o roubo. Pior ainda tem muitos que acreditam que isso é bom…

  2. “Quanto maior for a colheita, maior será o poder de compra do agricultor. Já uma safra ruim, por outro lado, irá afetar enormemente a venda das mercadorias.”

    Mas e a questão da oferta nos preços?

  3. Leandro, se fosse possível gostaria de ver seu comentário sobre o post abaixo. Participo de um fórum e esse artigo foi lançado para os participantes, gostaria de respondê-lo mas poderia me equivocar com alguns pontos. Acho que a recessão é um efeito de uma política economica incorreta.. vc poderia esclarecer melhor? Desculpe pelo tamanho do texto, obrigado.

    Recessão é uma política ou efeito?
    Mailson Ferreira Da Nóbrega na Veja

    A esquerda brasileira desenvolveu um estranho raciocínio: a recessão seria o objetivo de certas políticas governamentais, não o seu efeito. Isso começou nos anos 1980, quando sobreveio uma severa crise econômica e tal raciocínio era usado para criticar o regime militar. A ideia deitou raízes.
    A recessão se caracteriza por queda de produção, do emprego, da renda, do consumo e do investimento. Nos Estados Unidos, ela se define como "um declínio significativo de atividade por toda a economia , com duração de alguns meses e percebido no PIB, na renda real, no emprego, na produção industrial e nas vendas no atacado e no varejo". Embora não seja oficial, diz-se que a recessão se instala quando o declínio ocorre por dois trimestres consecutivos.
    A recessão tem várias causas. O exemplo, é o estouro de uma bolha imobiliária, quando deprime o preço dos imóveis, diminui a riqueza das famílias e as torna menos propensas a consumir. Outro, é a inflação alta, que corrói a renda dos trabalhadores e seu poder de consumo. A causa mais comum é a ação do governo para ajustar o ritmo de atividade econômica e assim resolver problemas de crescimento excessivo, alta perigosa da inflação, endividamento público insustentável, crise no balanço de pagamentos ou parada súbita de crédito externo. Nem sempre isso acarreta recessão. Quando tal ação é bem calibrada e adotada oportunamente, apenas reduz o ritmo de crescimento, como aconteceu na economia brasileira neste ano.
    A teoria econômica evoluiu muito desde 1776, quando Adam Smith, em célebre obra, investigou as causas das riquezas das nações. A teoria mostrou como funcionam os mercados, o papel da produtividade, as formas de aumentá-la e a função das instituições. Contribuiu assim para a formulação das políticas que trouxeram mais desenvolvimento e bem-estar. Apesar disso, a economia é tida como a "ciência sinistra" (dismal science). O epíteto foi criado pelo historiador escocês Thomas Carlyle (1795-1881), em resposta às ideias de Thomas Malthus (1766/1834). Malthus previa fome e inanição para a humanidade, pois a população cresceria mais rapidamente, do que a produção de alimentos. Ela estava errado, mas a expressão ficou.
    No Brasil, os economistas também contribuíram para o desenvolvimento. As ideias de Persio Arida e André Lara Resende ajudaram a vencer o entranhado processo inflacionário. Acontece que, se defenderam reformas em favor das maiorias, que causam perdas a minorias, os economistas serão rotulados de socialmente insensíveis, contra os aposentados ou inimigos do desenvolvimento.
    Quando o médico prescreve um tratamento, o objetivo é o bem estar do paciente. Ninguém dirá que ele planeja o sofrimento. Mas, se os economistas sugerem medidas de austeridade para resolver desequilíbrios e restabelecer o crescimento sustentável, diz-se que eles propugnam ações para promover a recessão, o desemprego e a destruição de conquistas sociais.
    Para o filósofo Renato Janine Ribeiro, o receituário dos economistas, "salvo os keynesianos e os (poucos) marxistas", é conservador. Esse receituário, diz ele, "propõe corte de gastos públicos, redução de direitos sociais, até minirecessões. A presidente Dilma, talvez prisioneira do raciocínio de outros tempos, não cansa de repisá-lo: "O que nós temos visto na América Latina é uma espécie de repetição das nossas duas décadas perdidas, nas quais a recessão foi imposta como a saída para a crise".
    O receituário do médico incorpora esperança e simpatia, pois se sabe que o objetivo dele é a cura da doença. Sua ação é mais bem percebida por todos. A expectativa maior é de êxito. O diagnóstico é mais preciso, especialmente com os avanços da tecnologia. O economista não tem essas vantagens. No tratamento da crise , lida com incertezas, complexidades e situações inéditas. Nessas ocasiões, seu trabalho envolve questões difíceis de entender: juros, câmbio, riscos, déficit público, superávit primário. Os políticos e pessoas menos informadas podem associar o trabalho deles à desventura. Os economistas tendem a errar mais do que os médicos, mas seu foco jamais será a recessão pela recessão ou a austeridade sem propósito.

  4. Marcio Estanqueiro

    Leandro, me desculpe! No texto acima eu esqueci de dar meu nome. De qualquer forma gostaria, se possível, de uma análise sua. Obrigado.

  5. Li o texto e discordo. Não tive oportunidade de ler tudo que Keynes escreveu, mas pelo menos na Teoria Geral não lembro nenhuma parte onde o Keynes diga que a Lei de Say é errada pois se alguém produzir boné sem aba ninguém vai comprar. Tá no capítulo 2 da Teoria Geral que o problema da Lei de Say é que ela supõe que poupança é adiamento de consumo futuro, quando não está claro que isso seja verdade. Isso pode ser um argumento mais ou menos verídico, mas o texto postado por vocês apresenta uma versão distorcida da opinião de Keynes sobre a Lei de Say.

  6. Enquanto minhas habilidades com a retórica seguem em desenvolvimento, costumo perder algumas discussões para amigos keynesianos por não conseguir dar uma resposta de bate pronto às suas colocações.

    Compreendo o que a Lei de Say mostra, que a oferta gera a sua demanda. O problema é que os keynesianos, mesmo concordando com essa lei depois que eu explico do que se trata, continuam firmemente crendo que também é possível fazer a “economia girar” pelo lado da demanda, como se a relação entre oferta e demanda fosse um moto-perpétuo, e que não importa onde “injetamos” incentivos.

    O argumento base deles é o seguinte: dado que as pessoas demandam N produtos do tipo X. Sendo X um produto essencial, ao estimular o consumo desse produto, estamos dando um sinal aos produtores para que produzam mais (N+M), logo, nesse caso, a demanda acabaria puxando a oferta. Da mesma forma, um consumo em baixa (N-P produtos demandados) gera dois efeitos: os preços caem e a produção diminui. O “pulo do gato” pra eles é dizer que se isso se espalhar para toda a economia, temos uma recessão. Eis aí a necessidade de se estimular a tal da demanda agregada.

    Eu sei que, por definição, a demanda agregada é infinita, mas quem nunca ouviu falar de economia austríaca não sabe disso. Acaba sendo um caminho meio tortuoso ter que explicar TUDO pra essa galerinha, partindo do princípio da escassez, explicar o que são recursos e o que são demandas, praxeologia, a relação de ganho-ganho das trocas comerciais, etc, etc, etc…

    Dado que a teoria keynesiana faz sentido — a priori — o que eu queria saber é se existe uma forma de explicar isso “for dummies”, sem ter que dar uma aula completa de economia austríaca (algo que eu não estou apto a fazer ainda e mesmo que estivesse, acabaria cansando o interlocutor).

    Meu intuito não é nem convencer keynesianos convictos, mas trazer aqueles que não tem uma ideia formada sobre o assunto para o nosso lado, fugindo do senso comum que foi martelado em nossas cabeças pela economia mainstream desde sempre.

  7. Boa noite. Eu entendi que antes do consumo, logicamente, vem a produção. Mas antes dos dois vem a demanda certo? Suponhamos que um único indivíduo numa ilha nunca tenha fome, então sua demanda por comida é zero, por tabela, sua produção e consumo de qualquer coisa relacionada à comida também serão zero. Então não estaria correto dizer: a demanda gera a produção que posteriormente gera o consumo? Dando sentido a teoria do Keynes de incentivar a demanda? Abraços.

  8. “Para que haja produção, é necessário haver ferramentas, maquinários e bens de capital em geral. E para que haja essas coisas, elas têm de ter sido anteriormente produzidas. E para que elas tenham sido produzidas, várias pessoas tiveram de poupar (deixar de consumir) para permitir que matéria-prima estivesse disponível para a construção dessas máquinas, ferramentas e bens de capital.”

    Mas ainda sim foi necessário existir, antes disso, uma demanda certo? Demanda esta que não se transformou em consumo imediato, mas sim em poupança para, futuramente, uma produção e consumo maiores. Então, ao meu ver, os incentivos feitos para aumentar a demanda, pode destravar a economia, mas, por ser algo artificial, sempre vai incentivar mais o consumo imediato do que a poupança-produção-consumo, gerando, assim, inflação e uma má alocação de recursos. Eu entendi o que disse e concordo. Só quis frisar que me parece tentador manipular a demanda, como fez Keynes, já que é ela que influi na poupança, produção e consumo.

  9. É como demandar um lanche do McDonalds sem que ele nunca tenha sido produzido. O consumo vem somente depois da produção, somente depois do potencial consumidor conhecer o produto e se interessar por ele. Nesse meio tempo, o empreendedor assume o risco de queimar sua poupança em um produto que pode não ter aceitação, por isso, tem o direito moral do lucro.

  10. Agora o IMB me deixou confuso, não era justamente o mises que dizia o ao contrário?

    Ludwig Von Mises: "as pessoas não bebem whisky porque há destilarias, mas há destilarias porque as pessoas bebem whisky”

    Pra que existe oferta, precisa primeiro ter demanda. Ninguém oferta algo que as pessoas não demandam

    O McDonalds é COMIDA, e as pessoas demandam comida

    O carro é um TRANSPORTE, as pessoas demandam transporte, a oferta só TRAZ O MEIO para ATINGIR O FIM da demanda, que é o transporte

    Favor, alguém me esclareçe por que deu nó aqui.. rs rs

    Abraços

  11. Olá… Realmente é fácil se confundir pelo “time” que os fatos ocorrem.

    Vejamos se estou coerente no raciocínio:

    Um amigo me pediu se conhecia um marceneiro para algo bem simples.

    Minha área é consultoria, estava sem grana e resolvi aprender (gerando demanda para cursos e maquinários) e fazer (produzir) – como fiz e ofereci o serviço para outras pessoas 🙂

    – neste “time” a demanda (procura) gerou outras demandas e ofertas.

    – Porém, em um sentido mais amplo, meu amigo sabia que um marceneiro faria o que ele demandava – e neste sentido mais amplo, a oferta gerou demanda (procura e consumo).

    Seria por aí ???

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