Desestatizando a polícia

Atualmente, é bastante comum aceitarmos sem questionamentos a ideia completamente falaciosa de que, por algum motivo, a proteção policial, o acesso ao sistema judiciário e até mesmo o acesso a uma acessória jurídica são um "direito" dos cidadãos.  Entretanto, por maior que seja o esforço, defender a ideia de que tais serviços devem ser fornecidos "gratuitamente" (isto é, por meio da tributação) faz tanto sentido quanto dizer que aparelhos de televisão devem ser fornecidos para absolutamente todas as pessoas do país "à custa do erário".  Ou o indivíduo tem o direito de não tomarem sua vida, sua liberdade e sua propriedade, ou ele não tem direito algum.  Caso ele tenha esse direito, então nada pode justificar que ele seja obrigado a subsidiar as benesses de outra pessoa, inclusive sua proteção policial. 

Ou um indivíduo assume a responsabilidade de manter sua própria vida, ou ele é um irresponsável.  Caso ele a assuma, então ele deve ganhar por conta própria os meios necessários para sua sobrevivência, pagando ele próprio por suas necessidades e prazeres.

Em uma sociedade livre, a proteção policial, como qualquer outro serviço, seria algo ofertado em bases contratuais, e somente para aqueles que estivessem dispostos a, e fossem capazes de, pagar por ela.  Em uma sociedade de livre mercado, os serviços policiais poderiam ser financiados de quatro maneiras:

1. por meio de serviços contratuais (similares a um seguro);

2. por meio de taxas para serviços eventuais;

3. por meio de contratos especiais; e

4. por meio de multas.

Vamos discutir cada uma delas por ordem.

Serviços contratuais seriam a principal fonte de receita para um departamento de polícia laissez-faire.  Um contrato de serviço consistiria simplesmente de um acordo contratual entre um departamento de polícia e um indivíduo, pelo qual o departamento de polícia concordaria em fornecer ao indivíduo certos serviços (por exemplo, investigação, defesa física de sua propriedade etc.) caso ele venha a necessitá-los.  Em troca, esse indivíduo pagaria uma taxa anual.

Tais serviços funcionariam essencialmente como uma apólice de seguro.  Virtualmente todos em uma dada sociedade iriam se tornar clientes e pagar uma taxa anual com o intuito de terem a garantia de que, caso haja necessidade, a proteção policial estaria disponível.  Contudo, durante o período de um ano, somente uma pequena fração do número de segurados iria de fato requerer serviços policiais de maior vulto.  Portanto, o custo da proteção policial seria efetivamente dispersado entre um grande número de contribuintes segurados.

Peguemos um exemplo concreto.  Suponha que o custo de uma típica investigação policial em uma pequena cidade seja de $25.000.  Se um indivíduo necessitado de proteção policial tivesse de pagar esse custo todo de uma vez, ele provavelmente não conseguiria.  Entretanto, ao invés de pagar uma taxa específica para tal serviço, é praticamente certo que ele seria um cliente de uma agência de proteção policial, assim como milhões de outros.  Digamos que haja mil segurados, cada um pagando $500 por ano.  A renda total desse pequeno departamento de polícia local seria de $500.000 por ano.

Durante o período de um ano qualquer, é improvável que mais do que quatro ou cinco pessoas, nesse universo de mil, necessitem de proteção policial.  Se o custo dos serviços demandados por cada uma delas fosse de $25.000, o custo total seria de $125.000 por ano, deixando $375.000 para outras funções policiais.  Dado que o indivíduo paga apenas $500 por ano, ele de fato recebeu um benefício (por assim dizer) de praticamente $25.000.  É exatamente assim que funciona uma seguradora: trabalhando com o princípio de que apenas uma fração de seus segurados irá requerer seus serviços em um dado momento, ao mesmo tempo em que vários outros, em número muito maior, estão pagando suas prestações.

A segunda forma de financiamento policial é ainda mais fácil de explicar.  Para a eventualidade — um tanto rara — de um indivíduo requerer proteção policial sem que, no entanto, ele tenha assinado um contrato de longo prazo, e nem queira fazê-lo, ou mesmo para o caso de um indivíduo requisitando algum tipo de serviço especial (como, por exemplo, uma busca por alguém desaparecido), haveria taxas específicas para tais serviços.  É claro que estas seriam bastante elevadas em relação a um acordo contratual normal; porém, em determinados casos, as pessoas demandando tais serviços certamente considerariam válido o preço a se pagar. 

A terceira forma de financiamento policial seria a de contratos especiais.  Assim, por exemplo, uma empresa dona de uma rodovia provavelmente iria contratar uma força policial privada para patrulhar sua estrada, dado que é do seu interesse próprio fiscalizar motoristas imprudentes e quaisquer outros atos que porventura viessem a desestimular o uso de sua rodovia e, como consequência, a reduzir seus lucros.  Ou, similarmente, indústrias e centros comerciais iriam contratar serviços policiais para proteger suas instalações, como já ocorre hoje.

Finalmente, as forças policiais em uma sociedade livre poderiam ser financiadas por meio de multas.  Como uma condição contratual para a obtenção de proteção policial, os indivíduos poderiam autorizar os departamentos de polícia a coletar multas em decorrência de contravenções cometidas.  Isso também pouparia custos dispendiosos com serviços judiciários, tanto para a empresa judiciária quanto para o indivíduo.

Vamos agora considerar como as forças policias operariam no livre mercado.  Há dois tipos básicos de crimes operacionais: aqueles reportados (ou descobertos pela polícia) após o fato, e aqueles reportados (ou descobertos pela polícia) durante o fato.

Para o primeiro caso, o procedimento policial seria bastante claro.  Uma família, que ao retornar de um passeio ou de uma viagem descobrisse que sua residência foi invadida, iria chamar a polícia e reportar o fato, assim como faria hoje.

E então (ao contrário do que ocorre hoje), a polícia iria primeiro averiguar se essa família é cliente e está habilitada por contrato a receber essa forma de assistência.  Isso, é claro, poderia ser feito instantaneamente por meio de sistemas eletrônicos e computacionais.  Se a família for segurada e tiver direito a esse tipo de assistência, um policial seria enviado para a residência e daria início à sua investigação.  Se a família não for segurada, ou em seu contrato não constar esse tipo de proteção, um agente de vendas desse departamento policial provavelmente seria enviado junto com um investigador.

Esse agente de vendas iria explicar para a família — a qual agora se tornou uma cliente de alto risco — como ela poderia ampliar seu contrato de modo a cobrir essa situação, caso ela já fosse cliente da agência, ou ele poderia explicar para ela os tipos de contrato agora disponíveis, caso ela ainda não fosse segurada.  Ou ele poderia simplesmente dizer para essa família os custos dessa investigação específica que ela estaria agora requerendo, caso ela quisesse pagar apenas por esse serviço. 

Naturalmente, se essa família não tivesse firmado nenhum contrato para o tipo de serviço policial que ela agora está requerendo, ela teria de pagar mais por isso agora do que teria caso já estivesse coberta para esse tipo de serviço — assim como uma pessoa precisa pagar mais por um seguro de automóvel após ter sofrido um acidente.  Entretanto, o ponto principal aqui é que, após o ocorrido, é claramente possível verificar se uma família já era ou não cliente dessa agência policial.  E, em caso negativo, é perfeitamente possível determinar as taxas apropriadas para o serviço agora requerido.

Já os crimes flagrados durante o ato por um policial presente no local oferecem um cenário um tanto diferente.  Se um policial surpreende um assaltante atacando uma pessoa, ele obviamente não terá tempo de verificar se a pessoa sendo atacada é ou não segurado por sua agência policial, mesmo que tal procedimento levasse apenas alguns segundos.  Se essa vítima fosse segurada, ela muito provavelmente iria ficar muito irritada com o fato de que o policial ficou parado checando sua identidade enquanto ela estava sendo submetida a ferimentos graves.  E se ela não fosse segurada, esse policial estaria perdendo um possível cliente para seu departamento.  Por essas razões, entre outras, é bastante razoável dizer que um policial que se deparasse com essa situação sairia imediatamente em auxílio à vítima.

É claro que a pessoa que está sendo atacada não tem nenhum "direito" de exigir que seja salva, assim como ela não tem o direito de exigir que seja alimentada caso esteja com fome.  Proteção policial e comida são mercadorias que devem ser compradas no livre mercado.  O fato de que a pessoa seja uma vítima inocente não altera sua obrigação de zelar por sua própria vida.

Há, entretanto, uma séria de motivos pelos quais um policial iria automaticamente sair em auxílio da vítima nessa situação.  Primeiro, como mencionado acima, a vítima pode ser um atual cliente.  Segundo, a vítima seria um cliente em potencial.  Terceiro, é do interesse próprio do policial garantir que criminosos sejam detidos, já que isso aumentaria os lucros de sua agência policial, ou, mais diretamente, poderia aumentar seu próprio salário.  (É concebível dizer que aumentos salariais e promoções teriam por base a eficácia com a qual um policial efetuou sua função de proteger os cidadãos dos criminosos).

Mas, e se a vítima não for cliente dessa e nem de nenhuma outra agência policial?  De novo, há duas possibilidades.  Primeiro, a vítima poderia gritar "Socorro, polícia!"  Se ela assim o fizesse, ela estaria com efeito fazendo um contrato verbal de assistência policial, assim como você faz um contrato implícito de que irá pagar a conta quando entra em um restaurante e pede uma refeição.  Nesse caso, após salvá-la, o policial apresentaria a conta para a vítima, esperando que ela pague.

No segundo caso, a pessoa não grita "Socorro, polícia!" simplesmente porque está ali, derrubada, dominada e ensanguentada, enquanto o assaltante continua a espancando.  Nesse caso, não há nenhum contrato verbal.  Entretanto, pelos motivos acima mencionados, o policial teria todos os motivos para socorrer a vítima.

Sendo racional, a agência policial também mandaria uma conta para essa pessoa, a qual ela seria solicitada mas não obrigada a pagar.  Dado que a polícia salvou sua vida, há uma grande chance de que ela aceitasse pagar.  Ou, caso essa agência de polícia seja esperta, ela irá despachar um agente de vendas até a vítima para tentar vender uma apólice.  Posto que a vítima foi beneficiada pelos serviços dessa agência, seria bastante provável que ela ao menos comprasse o "pacote de proteção com desconto promocional".  Caso ela não quisesse comprar nada, e nem mesmo pagar a conta, essa pequena despesa incorrida para salvar sua vida seria facilmente coberta pelas receitas gerais da agência, e certamente nenhum habitante dessa cidade iria reclamar do fato de que o policial dedicou alguns minutos de seu tempo para salvar a vida de uma vítima inocente.

Há, finalmente, pelo menos uma outra maneira como os serviços policiais poderiam ser financiados.  Dado que a investigação de crimes, a proteção da propriedade e outras atividades afins são ações perpetradas por criminosos, seria lógico fazê-los pagar ao menos uma parte do custo de tais operações.  Assim, parte da pena do criminoso, em uma sociedade livre, seria pagar o custo da investigação e da ação que ele provocou.

Esta seria uma das maneiras de se financiar a proteção policial dos mais pobres.[*] Seria interessante ver, caso algum dia haja uma sociedade livre, qual método de financiamento — taxas de serviço ou pagamento extraído de criminosos — funcionaria melhor.

Vou considerar apenas mais uma questão ligada a departamentos policiais: prisões.  Alguns libertários afirmam que prender alguém é uma atitude inerentemente imoral porque seria, com efeito, uma iniciação de força contra pessoas cuja culpa não foi provada "sem qualquer sombra de dúvida".  Existe, entretanto, uma justificativa epistemológica muito simples para prisões em uma sociedade livre.  Ei-la:

Necessariamente, o homem age com base em seu conhecimento.  Na melhor das hipóteses, o homem pode estar epistemologicamente certo — isto é, certo dentro de um dado contexto de conhecimento.  O homem raramente pode, se é que pode, estar metafisicamente certo — isto é, certo de que não existe qualquer alternativa no universo para seu julgamento.  Estar metafisicamente certo, na maioria dos casos, requer onisciência, algo que o homem claramente não possui.  O homem geralmente pode apenas estar certo de que ele examinou todos os fatos relevantes disponíveis, e os integrou sem qualquer contradição; o que é relevante será, repito, ditado por seu estado de conhecimento.

O conhecimento da verdade das proposições não é uma condição do tipo "ou uma coisa ou outra", uma função dicotômica.  O conhecimento é uma função contínua, variando da mais completa ignorância, de um lado, até a mais completa certeza (epistemológica), do outro.

Ao atribuir a culpa ou a inocência de um homem acusado de cometer um crime, existe, consequentemente, uma série contínua e epistemologicamente evidente, variando desde a possibilidade de tal culpa até a certeza de tal culpa.  Em níveis diferentes desse continuum evidencial, ações diferentes são requeridas.

Destarte, quando se suspeita que um homem pode possivelmente ser culpado de um crime, é adequado questioná-lo.  Quando se tem evidência de que um homem é provavelmente culpado de um crime, é adequado detê-lo.  E quando se está convencido de que um homem certamente é culpado de um crime, é adequado puni-lo.  Em termos gerais, a ação apropriada em relação a criminosos suspeitos vai depender da evidência que se tem.  A prisão é, portanto, justificável quando a culpa é provável.

Agora, é claro que isso não significa que a moralidade das ações de uma pessoa vai depender da validade contextual de seu julgamento.  Se é certo ou errado questionar, deter ou encarcerar um homem, vai depender se ele de fato cometeu um crime.  Em uma sociedade livre, se a polícia prende ou os tribunais condenam uma pessoa cuja inocência, mais tarde, acaba sendo comprovada, eles serão obrigados a reparar seu erro, fazendo restituições equivalentes aos danos e inconveniências causados a essa pessoa (a menos que essa pessoa tenha contratualmente os livrado dessa obrigação).

Há duas maneiras de um sistema de justiça de livre mercado lidar com erros policiais e jurídicos.  Ou os clientes de uma agência policial concordariam contratualmente em estar sujeitos a prisões quando a polícia (ou um magistrado) julgar ter evidências suficientes (desta forma liberando-os da obrigação de fazerem restituições caso prendam uma pessoa cuja inocência seja mais tarde comprovada); ou as agências concordariam em fazer restituições caso cometessem erros.

Dessas duas possibilidades, eu prefiro a última.  Se a polícia ou os tribunais cometerem um erro, eles devem pagar por isso.  Em um livre mercado de justiça, as agências policiais que cometessem muitos erros seriam rapidamente eliminadas do mercado por falência.

__________________________________________________

Notas

[*] Um segundo e óbvio método de financiar a proteção policial para os pobres dignos seria por meio da caridade — seja de agências privadas ou do próprio departamento de polícia.

Para mais informações sobre o assunto, leia também os artigos recomendados na nossa seção anarcocapitalismo, dentre eles:

O setor público: desestatizando a segurança, as ruas e as estradas

A produção privada de serviços de segurança

Serviços de defesa no livre mercado

A possibilidade de uma justiça privada

Leis e justiça numa sociedade libertária (Concurso IMB)

Estado, violência e leis privadas

Em uma sociedade sem estado, os déspotas não assumiriam o controle?

Liberalismo Clássico versus Anarcocapitalismo

Por que um estado mínimo inevitavelmente leva a um estado máximo?

O problema com o sistema penitenciário


1 voto

SOBRE O AUTOR

Jarret Wollstein
trabalha como escritor independente e como especialista em publicidade via direct-mail.  É o fundador e diretor da International Society for Individual Liberty (ISIL), uma organização de direitos humanos e livre mercado com membros em mais de oitenta países.  É o autor de centenas de artigos e quatro livros, dentre eles Society Without Coercion (1969), do qual esse artigo foi extraído.


www.mises.org.br/Article.aspx?id=454

[link www.mises.org.br/Article.aspx?id=306[/link]
Para começar, sua afirmação é falsa. No entanto, ainda que ela fosse verdadeira, isso seria imaterial.

Essa questão da Previdência brasileira é um assunto bastante interessante pelo seguinte motivo: talvez seja a única área da economia que não está aberta a opiniões ideológicas.

Não importa se você é de esquerda ou de direita; liberal, libertário ou intervencionista. Também pouco importa se você acredita que a Previdência atual seja superavitária (como alguns acreditam). O que importa é que o modelo dela é insustentável. E é insustentável por uma questão puramente demográfica.

E contra a realidade demográfica não há nada que a ideologia possa fazer.

Comecemos pelo básico.

Ao contrário do que muitos ainda pensam, o dinheiro que você dá ao INSS não é investido em fundo no qual ele fica rendendo juros. Tal dinheiro é diretamente repassado a uma pessoa que está aposentada. Não se trata, portanto, de um sistema de capitalização, mas sim de um sistema de repartição: o trabalhador de hoje paga a aposentadoria de um aposentado para que, no futuro, quando esse trabalhador se aposentar, outro trabalhador que estiver entrando no mercado de trabalho pague sua aposentadoria.

Ou seja, não há investimento nenhum. Há apenas repasses de uma fatia da população para outra.

Por motivos óbvios, esse tipo de esquema só pode durar enquanto a fatia trabalhadora for muito maior que a fatia aposentada. Tão logo a quantidade de aposentados começar a crescer mais rapidamente que a fatia de trabalhadores, o esquema irá ruir.

Portanto, todo o arranjo depende inteiramente do comportamento demográfico da população. A qualidade da gestão do INSS é o de menos. Mesmo que a Previdência fosse gerida por anjos probos, sagazes e imaculados, ainda assim ela seria insustentável no longo prazo caso a demografia não cooperasse.

E, no Brasil, ela já não está cooperando. Segundo os dados do IBGE, em 2013, havia 5,5 pessoas com idade entra 20 e 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos. Em 2060, a se manter o ritmo projetado de crescimento demográfico, teremos 1,43 pessoa com idade entre 20 a 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos.

Ou seja, a menos que a idade mínima de aposentadoria seja continuamente elevada, não haverá nem sequer duas pessoas trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.

Aí fica a pergunta: como é que você soluciona isso? Qual seria uma política factível "de esquerda" ou "de direita" que possa sobrepujar a realidade demográfica e a contabilidade?

Havendo 10 trabalhadores sendo tributados para sustentar 1 aposentado, a situação deste aposentado será tranquila e ele viverá confortavelmente. Porém, havendo apenas 2 trabalhadores para sustentar 1 aposentado, a situação fica desesperadora. Ou esses 2 trabalhadores terão de ser tributados ainda mais pesadamente para sustentar o aposentado, ou o aposentado simplesmente receberá menos (bem menos) do que lhe foi prometido.

Portanto, para quem irá se aposentar daqui a várias décadas e quer receber tudo o que lhe foi prometido hoje pelo INSS, a mão-de-obra jovem do futuro terá de ser ou muito numerosa (uma impossibilidade biológica, por causa das atuais taxas de fecundidade) ou excessivamente tributada (algo que não é duradouro).

Eis o fato irrevogável: contra a demografia e a matemática, ninguém pode fazer nada.

A não ser mudar totalmente o sistema.

Uma proposta para uma reforma definitiva da Previdência
"Faltou incluir o custo administrativo, o lucro e os impostos da empresa terceirizada."

Abordados explicitamente no artigo (o qual, pelo visto, você nem sequer leu).

"Lembremos que os custos sempre são repassados ao consumidor (nesse caso, seria a empresa contratante)."

Errado. Não tem como empresas repassarem integralmente seus custos ao consumidor. Isso é básico de economia.

Se você tem uma padaria, e repentinamente seus custos sobem (por exemplo, sua conta de luz subiu), você não tem como simplesmente repassar esse custo adicional ao consumidor. Se você fizer isso, perderá fatia de mercado para as padarias concorrentes. Se você aumentar seus preços, perderá clientes para as padarias vizinhas.

Outra coisa: se fosse tão simples assim sair aumentando preços para repassar custos, então por que as empresas não fazem isso (aumentam preços) agora mesmo? Afinal, não é necessário esperar que haja um aumento de custo para haver aumento de preços. Basta aumentar o preço agora mesmo. Por que elas não fazem isso?

Pois é, porque não é tão simples assim.

Aumentos de custos são sempre, em última instância, arcados pela própria empresa. Fosse realmente tão simples assim sair repassando aumento de custos para os preços, então nenhuma empresa jamais quebraria na história.

P.S.: o único mercado em que é possível "repassar custos" -- e, mesmo assim, com parcimônia -- é o mercado de postos de gasolina, que é um mercado extremamente regulado, com baixíssima entrada de novos concorrentes (por causa das regulações estatais, é caríssimo abrir um posto de gasolina), e vendendo um produto cuja demanda é inelástica. E, mesmo assim, isso só funciona em cidades pequenas, em que há poucos postos à disposição.

"Com isso o custo de se terceirizar torna-se maior."

Embora você nada tenha explicado de correto para chegar a essa conclusão, o fato é que, se você realmente acredita que o custo irá se tornar maior, então você nada tem a se preocupar. Absolutamente ninguém irá querer terceirizar.

(O engraçado é que a esquerda diz justamente o contrário: todo mundo vai querer terceirizar porque o custo vai cair. Favor entrarem num consenso).

"E mesmo se a terceirizada conseguir ser mais eficiente (pois isso depende da área de atuação), a empresa contratante não vai economizar em nada, somente na dor de cabeça com a justiça do trabalho."

Então, de novo, você absolutamente nada tem com o que se preocupar. Ninguém vai querer terceirizar. Logo, tal lei será completamente inócua. Nem sei por que você está perdendo tempo com ela.

"Fui orçamentista em uma terceirizada da construção civil. Como nossas atividades tinham que acompanhar as demais atividades, tínhamos que manter nossos operários até o final da obra. Com isso os custos eram os mesmos da empresa contratante se ela tivesse contratado diretamente os operários. Na verdade eram até maiores, porque no nosso preço final estavam embutidos o nosso custo administrativo, o lucro e os impostos."

Ou seja, não apenas a empresa que contratou os seus serviços era completamente imbecil (aumentou os próprios custos), como você próprio perdeu uma grande oportunidade de lucro: caso tivesse você próprio feito essa empreitada no lugar dessa empresa, teria ganhado um belo dinheiro.

Por que não fez? Odeia dinheiro?

"Portanto não vejo vantagem na ideia de terceirização para a empresa contratante."

Então, pela terceira vez, você nada tem com o que se preocupar. Ninguém irá terceirizar. A lei será inócua. Agora, seja coerente, vá a campo e acalme toda a esquerda. Eles estão estressados com nada. Certo?
Acabariam por voltar aos mesmos padrões de corrupção, eventualmente.

Veja bem, a idéia do sistema de freios e contrapesos foi criada justamente com esse intento. Que, ao dividir os poderes governamentais em três, impediriam que o estado fosse abusivo. A idéia funciona, em teoria, mas na prática o que acaba acontecendo é que os três poderes eventualmente acabam se aliando e legitimando um monopólio de poder. (Esse raciocinio está presente no livro do Rothbard, A anatomia do estado).

Entidades privadas policiando governos estariam sempre sob ataque dos mesmos, pois é raro um governo permitir ser controlado por uma entidade externa, já que a lógica governamental é que são entidades supremas em seus respectivos territórios e não aceitariam ter seu poder reduzido. O governo:

A) Iria recusar a entidade.
e/ou:
B) Tentaria ativamente corrompe-la ou sabota-la.

No nosso arranjo atual, a solução mais viável (não é a melhor, mas que é possivel implementar) seria que entidades internacionais (em um mercado irrestrito e de livre entrada) efetuassem ratings do governo baseado em dados já existentes (como IDH e indice de liberdade econômica, indice de corrupção). É a mesma ideia das notas de investimento, mas para estilos de governo, mas isso só funcionaria em um mercado de livre entrada que não fosse subsidiado por governos, pois assim, as empresas desonestas seriam desqualificadas pelos consumidores e perderiam seu mercado.

Embora eu pessoalmente não sei dizer quem seria o consumidor desse tipo de arranjo.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • João Dantas  01/09/2010 17:00
    Alguns anos atrás o Estado do Paraná chegou a privatizar (ou a conceder a uma empresa privada a administração) algumas penitenciárias estaduais. O detento era obrigado a ter uma atividade diária (trabalhar e estudar) e os resultados foram muito bons. Gostaria que alguém detalhasse essa experiência e se ela continuou.
  • Fernando  01/09/2010 17:07
    Parabéns, o sítio está cada vez melhor.
    Falando em segurança, peço aos amigos leitores que leiam o DECRETO Nº 6.381, DE 27 DE FEVEREIRO DE 2008, que se refere à segurança de ex-presidentes da República.
    Qual é a sua opinião a respeito?
    Seria o temor a uma justa represália popular?
    Abraço.
  • Reino Unido  01/09/2010 19:25
    Não posso explicar sobre a experiência no Paraná, mas no REINO UNIDO, terra do liberalismo, a privatização foi tão "boa" que o presídio voltou a ser estatizado.
  • Miguel  10/02/2012 05:32
    "Reino Unido, terra do liberalismo".
  • anônimo  10/02/2012 13:24
    A Inglaterra é tão liberal que em pleno século XX proibia legislativamente a pratica de blasfemias e determinadas religiões.
  • Leandro  01/09/2010 19:43
    Informação falsa, anônimo.

    Primeiro que não houve desestatização do sistema carcerário britânico, mas apenas concessões e parcerias público-privadas, coisa que este instituto condena.

    E segundo que, ao contrário do que você informa, mesmo com o sistema de concessão sendo ruim, houve apenas uma só retomada estatal de uma penitenciária "privatizada": a penitenciária de Buckley Hall, em Manchester. Todas as outras que foram terceirizadas continuam sob regime de concessão.

    Por fim, leia o último artigo sugerido nos links ao final do texto para entender a visão libertária a respeito dos presídios.
  • Leandro Coelho  02/09/2010 00:51
    "Não concordo com nem uma palavra que dizes, mas, defenderei até a morte o direito de dize-las." (Autor desconhecido)

    "Ou o indivíduo tem o direito de não tomarem sua vida, sua liberdade e sua propriedade, ou ele não tem direito algum. Caso ele tenha esse direito, então nada pode justificar que ele seja obrigado a subsidiar as benesses de outra pessoa, inclusive sua proteção policial.

    Linhas abaixo o autor diz:

    "No segundo caso, a pessoa não grita "Socorro, polícia!" simplesmente porque está ali, derrubada, dominada e ensanguentada, enquanto o assaltante continua a espancando. Nesse caso, não há nenhum contrato verbal. Entretanto, pelos motivos acima mencionados, o policial teria todos os motivos para socorrer a vítima.

    Sendo racional, a agência policial também mandaria uma conta para essa pessoa, a qual ela seria solicitada mas não obrigada a pagar."


    Na segunda citação, os pagantes não estariam subsidiando o salvamento da vitima? Você, pagaria por um serviço que você não solicitou? E, considerando o raciocínio do autor: Os planos de saúde deveriam pagar um hospital privado aos seus prováveis clientes afim de conquista-los? Uma loja me dá um carro e depois envia a fatura sendo que posso ou não pagar conforme a minha vontade com o intuito de me conquistar? Até antes de ler este artigo, entendia o livre mercado como a multiplicidade de opções onde o cliente experimenta cada uma delas e se fideliza com aquela que melhor lhe atender e não contrário, a empresa fica distribuindo brindes com faturas que você pode pagar mas não é obrigado.

    O direito não é uma opção, mas, uma garantia obrigatória de quem dá tal direito. Caso contrário, os direitos do consumidor poderiam ser violadas sem qualquer consequencia, afinal, sou eu mesmo que tenho que garantir um direito que me deram, no fim não me daram nada e sim eu que o conquistei na base da "porrada". Não faz o menor sentido.
    Ah! Precisamos a averiguar se direitos são iguais a benesses!
  • Não aos Mercenários  02/09/2010 01:03
    Discordo de tal sistema.
    Isso criaria o caos, a sociedade estaria a mercê de mercenários sem escrúpulos.
    O clima de insegurança seria total.
    Goste-e ou não, deve ser papel do Estado zelar pela segurança e pelo cumprimento das leis, do contrário, seria melhor vivermos em pequenas tribos como faziam muitos residentes do Afeganistão até algumas décadas atrás, onde valia a lei da tribo e qualquer um que delas se afastasse poderia ser morto por tribos rivais, gerando um clima de guerra tribal sem fim. Esse sistema de segurança tribal é terrível, mas o sistema que o senhor propõe é ainda mais perigoso, uma temeridade e uma grande insensatez.
    Mercenários não são confiáveis.
  • Alexandre M. R. Filho  10/02/2012 07:44
    Mercenários não são confiáveis: a segurança pública funciona a base de dinheiro ou de amor?\r
    \r
    Os policiais da BA estão parados porque querem carinho ou porque querem mais dinheiro?
  • VAN ALEXANDER  06/08/2013 15:07
    o que uma agência de polícia faria se o cadáver de um mendigo fosse localizado e esta pessoa não tivesse contrato com ninguém? pra começar, como seria o enterro se a empresa funerária não seria paga por ninguém pra sepultar o infeliz e ele não tem família e é sozinho no mundo? quem pagaria a conta? ou será que não haveria investigação porque não existe contrato? quer dizer que pode-se matar e esfolar sem medo de pegar cadeia, basta que não haja contrato com a polícia. e uma mulher estuprada que não tem contrato com polícia nenhuma o que poderia fazer? se matar ou estuprar alguém pra se fazer investigação tem que ter contrato, significa que os criminosos iriam se modernizar, pesquisar quem tem contrato policial e assaltar e assassinar e estuprar e roubar justamente quem não tem. eu realmente quero entender...
  • Malthus  06/08/2013 20:57
    "o que uma agência de polícia faria se o cadáver de um mendigo fosse localizado e esta pessoa não tivesse contrato com ninguém? pra começar, como seria o enterro se a empresa funerária não seria paga por ninguém pra sepultar o infeliz e ele não tem família e é sozinho no mundo? quem pagaria a conta? ou será que não haveria investigação porque não existe contrato?"

    Ué, e como é que isso é feito atualmente? Conte-me aí como a polícia investiga exaustivamente o assassinato de mendigos...

    É inacreditável as acrobacias que as pessoas fazem para defender o estado. O pior cenário que elas conseguem enxergar em um arranjo sem estado é exatamente aquele que já vigora no arranjo atual, com estado máximo. Se isso não é um ótimo exemplo de disfunção cognitiva, então precisamos de outro termo.

    Sobre os outros cenários, eles foram abordados no artigo. Você fingiu que não viu. Aproveitando, sugiro também este:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=174

    Sim, é perfeitamente válido expressar dúvidas. Mas é necessário um mínimo de bom senso. Dizer que o que de pior que vai acontecer é exatamente aquilo que já acontece rotineiramente hoje é, no mínimo, comprovação de alienação.
  • Sociólogo  06/08/2013 21:18
    Tá louco? Se desestatizar ruas, mendigos não poderão transitar nelas. Aliás, não só mendigos. Todos aqueles que cujos donos têm aversão, não poderão circular: mendigos, negros, judeus....
  • Ex-Sociólogo  07/08/2013 00:21
    Sim, pois os donos das ruas não querem/precisam de dinheiro.

    Hoje, você pode muito bem impedir que um negro entre no seu restaurante. Basta que invente outro motivo que não seja arbitrariamente considerado crime pelo estado. A razão pela qual mesmo no sul dos EUA isso não acontece é devido à mera ganância. Esta é a beleza do mercado, ele rejeita o indivíduo em prol do serviço desse à sociedade; impõe a relação profissional em detrimento das rixas pessoais.
    Se uma rua arbitrariamente decidisse impedir que um grupo da sociedade passasse por essa, não apenas sofreria pressão por parte dos estabelecimentos comerciais e casas nessa devido à perda de consumidores(Sendo prejudicada diretamente e indiretamente) como também seria desmoralizada.

    Concordo que haverão indivíduos "com prioridades diferentes" que podem vir a rejeitar os benefícios do pragmatismo mercantil e deixar rixas pessoais influenciarem suas decisões. Entretanto, em qual arranjo há mais chances disso ocorrer, em um estabelecimento comercial onde não há qualquer interesse/dependência em prestar serviços satisfatórios aos consumidores e aumentar sua quantidade(Vide Cuba, onde o racismo contra afrodescendentes é terrível) ou em um onde o empreendedor depende e apenas tem a ganhar ao prestar serviços? Não é uma pergunta difícil.

    Além disso, tenho de lembrá-lo que se uma fatia de mercado é arbitrariamente renegada por uns empreendedores, nada impede que outros tomem posse facilmente de tal parte e obtenham competitividade rapidamente.
  • Sociólogo  07/08/2013 00:32
    Mas no exemplo citado, o mendingo continua sem a liberdade de circular, pois não tem como ganhar com um mendingo, afinal o mendingo não tem dinheiro....

    E a questão não é tão simples como vc sugere. Vamos supor que a imensa maioria da população de uma região seja antissemitas radicais. Sendo assim, se um proprietário de ruas antissemita discrimina judeus, a imensa maioria da populaçao que é antissemita vai adorar e consumir os serviços dele. Sendo assim, isso faz do antissemitismo uma idéia lucrativa e isso estimularia outros proprietários de rua a ser antissemita (digamos que pra agradar a maioria da população antissemita). E mais ainda: vamos supor que a população seja antissemita radical e até boicote aqueles empreendedores que têm clientes judeus. Ou seja, antissemitismo é lucrativo, e quem atender judeus, vai ser boicotado... Ou seja, judeus agora estão sendo discriminados pelo mercado.
  • Doutrinador  07/08/2013 00:39
    E daí? Você realmente acha que pode infundir um amor semita por meio de leis e regulações estatais? Acha mesmo que a falta de civilidade e de bons modos pode ser corrigida por éditos estatais?
  • Ex-Sociólogo  07/08/2013 00:59
    Por que um judeu viveria onde é demonizado e nada lhe é disponível?

    E mesmo que houvesse, por exemplo, uma colônia judia em uma cidade antissemita, tais consumidores rejeitados ainda poderiam enfileirar um mercado consumidor não-atendido. Apesar de questionar o motivo ou a possibilidade que levaria um indivíduo a habitar um local onde não há oportunidades de emprego ou consumo disponíveis a ele. O próprio fato de haver uma habitação permitida a ele indica que ao menos um indivíduo fora pragmático.

    E retorno ao questionamento do "Mercado VS Ausência de Mercado", qual ambiente possui ao menos motivo para ignorar a etnia/religião/sexualidade de consumidores e prestadores de serviço?
  • VAN ALEXANDER  07/08/2013 03:21
    entendi perfeitamente. o mendigo não pode transitar pelas ruas particulares. mas ele mesmo assim andou por essas rua e foi assassinado. eu quero saber é o que será feito depois que o cadáver for localizado. pelo que eu vejo, não haverá investigação nenhuma. logo, a vida de uma pessoa não vale nada nesse contexto. sei que nos dias atuais, muitos casos de morte não tem investigação nenhuma. mas fui ao extremo e quis saber mesmo é quem vai enterrar este infeliz. ele não tinha contrato com funerária nenhuma. quem vai pagar o enterro? ou o corpo será jogado aos urubus a céu aberto? é o que eu quero saber... o rapaz lá em cima que falou em bom senso, queira me dizer.
  • VAN ALEXANDER  07/08/2013 03:09
    você falou muito e não disse nada. quero saber o que seria feito após o cadáver ser localizado. e eu não me lembro de ter defendido estado nenhum aqui. falei por razão lógica. se não existe contrato, nem enterrado como indigente ele será, porque não tem quem pague. eu quero uma resposta e não rotulação de defender isso ou aquilo.
  • Blah  07/08/2013 10:42
    se não existe contrato, nem enterrado como indigente ele será, porque não tem quem pague.

    Claro, porque é o sonho de todo indivíduo deixar um cadáver sem ser enterrado. Além de ser uma paisagem linda de se ver, o cheiro depois de alguns dias é maravilhoso.
  • anônimo  07/08/2013 12:34
    'quer dizer que pode-se matar e esfolar sem medo de pegar cadeia, basta que não haja contrato com a polícia'

    Legítima defesa dispensa qualquer tipo de contrato.Numa situação de assalto, ou de tentativa de estupro, ela tem todo o direito de sacar sua arma e matar o cara
  • anônimo  07/08/2013 13:13
    'quero saber o que seria feito após o cadáver ser localizado.'

    Ele vai ser mandado pras boas almas caridosas, como você, que querem ter o trabalho de enterrar.
  • VAN ALEXANDER  07/08/2013 18:17
    ah... quer dizer que existem filantrópicos nessa selva de pedra.
  • anônimo  12/08/2013 09:32
    Sim existem.Apesar do espantalho que a esquerda tenta criar, de competição, darwinismo social, 'selva de pedra',etc, existiria sim caridade, como existia nos EUA minarquista, e ainda seria muito mais eficiente, sem os parasitas estatais pra sugar tudo e levar o crédito.
  • Carlos  30/04/2015 17:32
    Esse modelo é inviavel e insustentavel, para a maioria da população. Teríamos mafias e brigas de mafia, aonde quem tem o maior poderio de fogo, ganha. Ha tempos, o filho de um fazendeiro matou um peao. Em um caso deste, como seria feito justiça? Esse tipo de radicalismo sincero é que serve de combUstivel para partidos demagogos e populistas.
  • Tanabe  01/05/2015 14:47
    "Ha tempos, o filho de um fazendeiro matou um peao. Em um caso deste, como seria feito justiça?"

    Ora, é você quem deve respostas! O que aconteceu com o filho do fazendeiro que matou o peão? A justiça estatal o condenou?

    É engraçado como você inverte o ônus da questão. O atual arranjo sob o qual vivemos é justamente o que você defende (justiça estatal); sendo assim, em vez de cobrar respostas sobre um arranjo inexistente, você tem antes de dar respostas sobre as falhas do arranjo que você defende e que já existe hoje.

    E então: como você explica o fato de que, no arranjo que você defende, assassinos ricos saem impunes?
  • anônimo  02/09/2010 07:45
    "Não aos Mercenários",

    Creio que o seu temor não tem fundamento. Afinal, o senhor topa com os tais "mercenários" todas as vezes que vai ao banco ou ao shopping!

    Leandro Coelho,

    Do mesmo modo que um fabricante de bolachas distribui amostras grátis dos seus produtos nas redes de supermercados, uma empresa de segurança privada teria todo interesse em fazer o mesmo com relação aos seus serviços. Trata-se de marketing. O texto deixa isto bem claro.

    E sobre os tais "direitos" a que o senhor se refere nada mais são do que produtos e serviços oferecidos pelo estado. Produtos e serviços estes que também são oferecidos pela iniciativa privada a preços módicos e com qualidade. Não são, assim, "direitos", mas a simples oferta de bens e serviços. O senhor tem direito à vida, a se expressar e a se locomover livremente, à sua propriedade, etc. Estes sim são DIREITOS. Não podem ser ofertados por ninguém, inclusive pelo estado. E não podem ser suprimidos sem o consentimento EXPRESSO e INDIVIDUAL de seus detentores. Os direitos são inerentes à condição humana; faz deles jus todos os indivíduos, desde o nascimento (considero desde a concepção). Os coletivistas é que fizeram uma lavagem cerebral perversa, e hoje muitos acham que produtos e serviços são "direitos" - e dizem até "fundamentais"(!). Eles perverteram o termo "direito", como de resto tudo o que tocam.
  • Max Ricardo  02/09/2010 09:33
    Fazendo um paralelo, tal proposta iguala-se a proteção proporcionada por um anti-vírus, em que pagamos uma anuidade em troca do direito de baixar atualizações. Eis um exemlpo de segurança privatizada.\r
    \r
    \r
    Mas no tocante a essa proposta de segurança polícial privatizada, embora ela possa ser eficaz contra a criminalidade no seu bairro, como ela funcionaria contra os crimes de jurisdição federal e internacional? \r
    Como ela pode ser eficaz contra redes e quadrilhas que atuam em diversos estados? Usando como exemplo o o contrabando de remédios falsificados, e ourtos crimes que utilizam nosass fronteiras\r
  • Diogo Siqueira  02/09/2010 19:42
    Max, tentarei responder aos seus questionamentos.

    Mas no tocante a essa proposta de segurança polícial privatizada, embora ela possa ser eficaz contra a criminalidade no seu bairro, como ela funcionaria contra os crimes de jurisdição federal e internacional?

    O país interessado contrataria os serviços de uma empresa de segurança local ou usaria seu próprio pessoal. Logicamente, por espontânea vontade ou denúncia de terceiro, aqueles que se engajaram na prisão do criminoso irão responder por suas ações perante um tribunal; pois é preciso esclarecer os fatos, torná-los incontroversos aos olhos da sociedade.

    Mas no tocante a essa proposta de segurança polícial privatizada, embora ela possa ser eficaz contra a criminalidade no seu bairro, como ela funcionaria contra os crimes de jurisdição federal e internacional?

    Idem à resposta acima. O criminoso para ser detido tem que estar em algum lugar. Logo, estará sujeito a alguma jurisdição, pouco importando a sua designação (local, estadual, federal, etc).

    Como ela pode ser eficaz contra redes e quadrilhas que atuam em diversos estados? Usando como exemplo o o contrabando de remédios falsificados, e ourtos crimes que utilizam nosass fronteiras?

    Idem à resposta acima. Isto independe da conduta típica (estupro, roubo, estelionato, etc), ou do local de sua manifestação. "Havendo violação à propriedade privada (bem escasso), cana!"
  • Diego  06/09/2010 10:41
    As milícias que combateram o tráfico nas favelas cariocas, constituem exemplos que devem ser seguidos. Tiveram êxito em levar a tranquilidade para população em áreas outrora dominada por traficantes e pelo terror.\r
    \r
    Em troca de uma módica contribuição dos moradores, as milicias conseguiram banir o tráfico, coisa que a policia estadual não conseguiu.
  • Fernando Chiocca  06/09/2010 13:03
    Caro Diego

    Não sei de que exemplo você está falando, mas "banir o tráfico" é um crime, seja efetudo pelas milícias do estado ou privadas.

    A forma de se banir o tráfico é banindo a proibição.
  • Rhyan Fortuna  19/09/2010 02:14
    Fantástico esse texto!
  • Fabio  10/02/2012 04:12
    Diego, as milícias nao cobravam contribuição. Sequer ofertavam um serviço contratual. Elas agiam como uma máfia, igualzinho o estado, te OBRIGANDO pelouso da coerção a pagar a taxa de segurança.


    A todos: existem várias cidades que operam o serviço de bombeiro através de entidades privadas. É comum pessoas DOAREM livremente para financiar o serviço e os bombeiros atenderem A TODOS OS CHAMADOS. Ou seja, já existe em pleno funcionamento o serviço de terceirização da proteção física quando o estado nao chega até cidades pequenas. E as cidades continuam de pé, o mundo não acabou. Eu mesmo morei 1 ano em uma cidade assim e me sentia plenamente seguro de que seria socorrido.

    Provavelmente o serviço de segurança seria financiado através de proteção entre bairros. Quem não quer sua área segura para valorizar seu imóvel? O custo de uma policia privada seria muito menor do atual e seria possível voluntariamente e conrtatualmente garantí-lo. Além do óbvio direito de qualquer cidadao portar armas e ser responsavel pela propria segurança.
  • Hay  10/02/2012 04:33
    Outra coisa que é muito importante lembrar a respeito das milícias: elas são quase sempre compostas por policiais, políticos, etc. Ou seja, o cidadão simplesmente não tem a quem recorrer, já que não podem chamar a polícia e não têm como saber quem poderia ajudá-los. Se alguém tentar criar uma "polícia paralela", basta que os milicianos utilizem seu poder de polícia, já que, nesse caso, uma ação contra uma polícia paralela é perfeitamente legal.
  • Andre  10/02/2012 05:54
    Creio que a segurança pública, a manutenção do exército e um poder judiciário independente são premissas essenciais ao Estado por menor que seja. Do contrário, uma nação só sobreviveria sob contrato de mercenários (que podem mudar de lado conforme um acordo mais vantajoso) e a segurança pública se resumiria apenas à segurança pessoal de quem possa pagar. A economia, e não a segurança, é que deve ser exclusiva do livre mercado, separando-se do Estado.
  • Fernando Chiocca  10/02/2012 06:57
    Tem razão Andre.

    E com isso concluímos que a produção de alimentos e de moradias são premissas essenciais ao Estado por menor que seja. Do contrário, uma nação só sobreviveria sob contrato de fazendeiros, pecuaristas, mercadores e construtoras e moradia e comida se resumiria apenas à casas e alimentação de quem possa pagar.

    Pensando bem, tudo deve ficar a gargo do estado, um monopolista que impede a concorrência e que rouba dinheiro de todos, e decde o quanto rouba, que produtos e serviços oferece, como, a que preço, tudo unilateralmente.
  • Caio  10/02/2012 11:47
    Porque tem que ser tudo 8 ou 80?
  • Hay  10/02/2012 11:54
    Por que tudo tem que ser 44?
  • Diogo Siqueira  10/02/2012 11:58
    Porque se o arranjo for exclusivamente voluntário, não há problema algum...
  • André   10/02/2012 12:57
    Tentei me fazer entender que a parte de segurança pública é que poderia caber ao Estado, permitindo também a segurança privada para quem assim desejar. A segurança, mantida pela força policial ou militar, está submetida à força da lei, que vale para todos. Um Estado de Direito, ao assegurar a liberdade individual dos cidadãos e zelar pela segurança deles e de suas propriedades, precisa de leis claras dizendo que roubar, fraudar ou matar é proibido. A polícia seria o mecanismo coercivo que impede tais crimes a todos os cidadãos. Se a lei é para todos, a segurança também deve ser, tanto para o trabalhador quanto para o empreendedor, pois ambos querem que seus contratos sejam justos e seguros. O Estado seria um prestador de serviço no que se refere à vigilância da lei e a aplicação das penas sob decisão da justiça. A população pode pagar um imposto muito menor se essa for a a única tarefa do qual o Estado pode executar, deixando a parte economica à iniciativa privada (inclusive aquelas que prestam serviços de segurança). O governo que não cumpre a lei e a segurança pode ser substituído nas próximas eleições por outro que seja mais eficiente. Sei que o que expus causa desconforto aos anarco-capitalistas, mas não sejamos utópicos... saímos da barbárie justamente porque temos leis que valem para todos (no que refere à garantia de liberdades) e para manter a lei, a segurança também deve ser para todos que compactuam das mesmas leis. Do resto, as forças produtivas podem estão livres para exercer seus contratos sem interferência estatal.
  • Fernando Chiocca  10/02/2012 13:18
    Eu tenho um pouco de pena desse pessoal que vem falar em igualdade perante a lei, dizendo é o estado quem deve fazer cumprir, e, ainda pior, que sem o estado ela é impossível.

    Na verdade ela é impossível, por definição, com o estado.

    Assaltar e fraudar são crimes, mas quando cometidos pelo estado, não. O estado rouba trilhões dos seus súditos e comete fraudes zilhonárias com sua previdêcia fraudulenta e sua moeda inflacionista.

    Estado é a incineração do conceito de universalidade da lei.

    Leia meus seguintes textos, e não deixe de assistir todo o vídeo do segundo:

    O elevador que sobe para baixo

    As filosofias políticas do mundo bizarro
  • Israel Lamb  10/02/2012 06:32
    Nesse sistema, o que impediria a empresa de segurança de cometer crimes para aumentar os seus lucros? Ou de fechar os olhos aos bandidos que roubam e assaltam pessoas sem contrato, para forçá-las a aceitar um?

    Hoje, isso acontece com empresas de vigilância privada. Eles te oferecem o serviço, e se você nega, na mesma semana a sua moradia é "misteriosamente" arrombada. Depois de um aviso como esse, você se obriga a contratá-los.
  • Fernando Chiocca  10/02/2012 07:00
    O mercado impede. Ninguém vai cintratar voluntariamente empresas que agem assim. Ou você iria??

    Em uma sociedade sem estado, os déspotas não assumiriam o controle?
  • Alexandre M. R. Filho  10/02/2012 07:39
    Pense pelo lado inverso.\r
    \r
    Com o estado monopolizando a área, o que o impede de praticar atos discricionários apenas para mostrar que está trabalhando?\r
    \r
    Ou o que impede os funcionários do monopolista de pararem de trabalhar, colocando o povo em risco, para forçar um aumento salarial?\r
    \r
    Ou o que impede o chefe da polícia do estado de utilizar a força para satisfazer seus próprios interesses?\r
    \r
    Ou o que impede o estado de ser ineficiente, já que todos terão que continuar pagando impostos, mesmo que o serviço prestado seja ruim?
  • Fred  10/02/2012 06:55
    Consigo perfeitamente visualizar a segurança privada. Inclusive já vejo isso no dia-a-dia, ainda de forma bem amadora, como por exemplo - os condomínios e seus guardas, os shoppings centers e uma mais interessante: lá na rua de casa os proprietários de residências dão uma gorjeta de 20 reais mensais a um guarda noturno que fica rondado o bairro durante noite e apitando, como que dando um alerta de que alguém está vigiando.
    Eu acho 20 reais muito caro pelo serviço que ele presta, que também não acho confiável. Creio que uma empresa de segurança privada com um serviço profissional, não amador como o guarda da minha rua, poderia fazer um serviço melhor com um preço a partir de 50,00 e ainda pagar um indenização caso ocorra algum sinistro.
    Deixar que cada cidadão se proteja da forma que quiser, como por exemplo, descriminalizando o porte de arma, também faria as apólices de seguro baixarem, pois certamente, um bandido seria mais ousado em cometer crimes contra vítimas indefesas do que contra vítimas que poderia estar armadas.
  • Glelson Fontes  10/02/2012 08:35
    E se no decorrer do tempo uma Empresa "Policial" tornar-se tão efetiva em seus serviços que uma parcela grande da sociedade a contratasse, isso não criaria uma espécie de "estado"?\r
    Hipoteticamente escrevendo, supondo que a região que se denomina Brasil hoje seria uma sociedade libertária, no entanto uma empresa de segurança por sua efetividade e prestação de serviço tem clientes que envolvem regiões muito grandes (Distrito Federal, Goiás e Tocantins com exemplo). Alguns anos depois, essa Empresa torna-se algo parecido com uma milícia e ao mesmo tempo em que destrói sua reputação (motivo - dinheiro fácil), fica rica agindo coercitivamente com a sociedade local (roubando). Qual seria a alternativa da população da sociedade libertária para sair dessa situação? \r
    Um pouco absurdo, mas pode acontecer de uma empresa sobressair com as demais e quando atingir o auge querer "passar a perna" nos demais devido ao Poder grande que esta detém.\r
    Pensei na própria concorrência do livre mercado poderia ser a solução, não obstante no exemplo acima esta Empresa detêm altos recursos e bom material bélico em comparação com as demais, e antes mesmo da sua conversão "dark side", com sua efetividade na prestação de serviço poderia ter comprado todas as "concorrentes".\r
  • Alexandre M. R. Filho  10/02/2012 09:02
    Se houver possibilidade de vc trocar a empresa a qualquer tempo, não há nenhuma semelhança com o estado.
  • Alexandre M. R. Filho  10/02/2012 09:03
    Pois é... o que fazer para evitar o estado? Afinal, vc descreveu exatamente como ficam as coisas sob o monopólio da força estatal.
  • Luis Almeida  10/02/2012 08:44
    Glelson, como você corretamente aludiu, trata-se de uma situação fictícia, pois não faz nenhum sentido econômico uma empresa crescer e prestar serviços efetivamente ao mesmo tempo em que "destrói sua reputação (motivo - dinheiro fácil), fica rica agindo coercitivamente com a sociedade local (roubando)". Isso é um contra-senso.

    No entanto, pelo bem do debate, aceitemos suas premissas. O que aconteceria neste cenário? Ora, o que aconteceria é que seria criado exatamente o tipo de polícia que já existe hoje. Portanto, a sua preocupação futura é na realidade um fato que já se encontra plenamente realizado atualmente.

    Abraço!
  • Glelson Fontes  11/02/2012 09:28

    "O que aconteceria neste cenário? Ora, o que aconteceria é que seria criado exatamente o tipo de polícia que já existe hoje."
    OU seja, seria a criação de um "governo" (ou a polícia atual). A minha dúvida é como nao acontecer isso em uma sociedade libertária neste contexto?
  • Caio  10/02/2012 11:57
    Não consigo aceitar a idéia. Me parece forçado demais.

    Essa "mão invisível" do mercado que faz tudo se ajustar em direção a perfeição me parece mais demorada do que deveria.

    Eu penso pelo lado do pobre. Até que ele tenha dinheiro para pagar por um seguro saúde e que ele tenha dinheiro de bancar a segurança do seu patrimônio, ele faz o que? É obvio que será excluído da sociedade...

    É inegável que hoje nós temos ricos já formados que enriqueceram de maneira duvidosa, por "inside information" na bolsa de valores, por terceirização de trabalho escravo e por aí vai. A Apple sabidamente usa de trabalho escravo na china para fabricação das suas maravilhas tecnológicas e não vejo preocupação com queda de vendas ou uma população preocupada em boicotar tal prática. Enquanto o mercado se auto regula, dá-lha chinês se jogando pela janela da Foxconn. Ou será que toda a exploração de trabalho que acontece na china é culpa do totalitarismo chinês???

    Eu acho o liberalismo válido sim, mas até o momento que uma empresa mostra quem é, vários se ferram e normalmente com a corda estourando do lado mais fraco.
    Certos serviços essenciais, como segurança devem ser garantidos pelo estado de maneira eficiente.

    Estou aberto a mudar de idéia caso eu veja que o sistema funciona de maneira eficiente (totalmente privatizado) em algum lugar, mas não consigo abraçar a idéia apenas lendo o texto.

    Que me desculpem os libertários mais fervorosos.
  • Luis Almeida  10/02/2012 12:06
    "Eu penso pelo lado do pobre. Até que ele tenha dinheiro para pagar por um seguro saúde e que ele tenha dinheiro de bancar a segurança do seu patrimônio"

    Pois ele jamais terá esse dinheiro sob o modelo atual (o qual você parece defender). Impossivel ele acumular poupança quando o estado tributa 40% da sua renda -- e 40% da renda de seu empregador, o que impede maiores salários.

    Enquanto você não levar isso em conta, as suas reclamações sobre tudo parecer "forçado demais" não terão substância alguma.

    (O seu 4º parágrafo, por exemplo, é um emaranhado de ideias sem sentido e puro non sense que nada têm a ver com o assunto em questão; tarta-se de estratégia típica de gente que quer "refutar" uma ideia da qual não gosta apelando a coisas totalmente desconexas na esperança de que tal confusão demonstre, de alguma forma, um pensamento um pouco mais profundo).
  • Fernando Chiocca  10/02/2012 12:12
  • Caio  10/02/2012 12:43
    Luis, é verdade, o 4o parágrafo do meu texto está confuso demais. Acabei descarregando todas as minhas dúvidas num texto só, sem pé nem cabeça.
    Mas fique tranquilo que não sou nenhum comunista vindo aqui tentando converter ninguém para os ideais vermelhos ou algo do tipo. Só escrevi mal mesmo.

    Veja, eu não defendo o modelo atual totalmente. O que acredito é em um estado mais enxuto o qual já não me custaria 40% de impostos.

    Concordo com o vídeo que o Fernando postou, mas convenhamos que neste vídeo está subentendido um sistema quase que 100% liberal. E querendo ou não, deve-se haver algum imposto, não?
    Pois não vejo outra maneira de que, por exemplo, ruas sejam construídas em uma cidade. Ou que haja uma fiscalização no trânsito, por exemplo.
    O estado deve ser mínimo, não inexistente, pois aí já é anarquia.
  • Fernando Chiocca  10/02/2012 13:09
    Não consigo aceitar a idéia. Me parece forçado demais.[i]

    Nada forçada é a ideia que um monopolista que impõem serviços não demandos aos súditos e ainda determina o quanto eles serão obrigados a pagar, e que ele se importará com a satisfação dos mesmos...
    Isso é uma ideia que não faz o menor sentido na teoria..Nem precisávamos da prática pra saber que não ia dar certo, mas infelizmente emos essa prática em todo ligar nos dando tb a desnecessária comprovação empírica de seu fracasso.

    [i]Essa "mão invisível" do mercado que faz tudo se ajustar em direção a perfeição me parece mais demorada do que deveria.


    Sim, claro.. rápida é a burocrática e agressiva mão do estado, do planejamento central...

    Mas fique tranquilo que não sou nenhum comunista vindo aqui tentando converter ninguém para os ideais vermelhos ou algo do tipo. Só escrevi mal mesmo.

    Não... você está aqui pois foi condicionado pela educação e propaganda estatal para reagir dessa maneira, mesmo sem possuir um único argumento que sustente tal posição.

    E querendo ou não, deve-se haver algum imposto, não?

    óbvio.. quem é que nesse mundo poderia desejar a total eliminação de roubo! Um pouquinho tem que ter né...

    Pois não vejo outra maneira de que, por exemplo, ruas sejam construídas em uma cidade.

    Sim, inclusive ruas privadas como as de condôminios como Alphaville não existem. (e também não possuim um tapete de asfalto, ao contrário dos quijos suíços das ruas estatais)

    Ou que haja uma fiscalização no trânsito, por exemplo.

    Até porque é impossível haver fiscalização de trânsito se está não for fornecida por uma instituição que rouba dinheiro de todo mundo pra fornecer e que seja o monopolista de decisões finais em um território..

    O estado deve ser mínimo, não inexistente, pois aí já é anarquia.

    E não queremos isso, pois todos sabemos que anarquia é um bicho-papão.
  • Caio  10/02/2012 13:41
    Fernando, apesar do seu sarcasmo, eu entendi seu ponto de vista.

  • Alexandre M. R. Filho  10/02/2012 12:18
    Caio, se vc quiser ajudar os mais pobres, os mais necessitados, vc será livre para isso num ambiente sem estado.\r
    \r
    Aliás, será até mais livre. O que vc paga hoje de impostos, vc poderia destinar para atividades de caridade.\r
    \r
    Será que vc aceita isso? Ou vc só é bonzinho se for pra pegar o dinheiro dos outros e, a partir dele, promover a sua "ajuda"?
  • Caio  10/02/2012 12:51
    Sim Alexandre, aceito isso tranquilamente.
    Não quero fazer cortesia com o chapéu alheio não. Só me pergunto como seria uma transição do sistema atual para um sistema libertário.
    Como seria um cara que hoje depende dos serviços estatais de saúde, educação, segurança etc passará a ter que contratar tudo isso no particular?
    O salário dele não vai aumentar do dia para noite, porém suas necessidades sim. Certo? Amanha um cara passa a necessitar de um tratamento para uma doença grave, como ele fará para pagar? Pois não deu tempo para ele acumular renda no nosso sistema libertário. Ou não deu tempo para ele contratar uma segurança particular para zelar pelo seu patrimônio

    Logo, como seria feita a transição para que não haja um darwinismo social acentuado? (e em minha concepção, injusto pois é complicado você ensinar um cara a nadar atacando ele na água de uma vez só)

    Antes que venham as pedras (os ânimos são meio exaltados por aqui) eu estou postando uma dúvida e não uma indireta .
  • Andre  10/02/2012 13:37
    Caio, simplesmente os mesmos recursos que você cede ao governo (40% da renda nacional) você passa a comprar os serviços de saúde, segurança e educação no mercado. Nada mais simples. O salário das pessoas iria aumentar SIM e o preço das mercadorias iria cair SIM. A renda real iria aumentar 40%. Desta forma todos podem comprar no mercado os serviços e as injustiças seriam corrigidas. Por exemplo, hoje um pé rapado que não tem nada é obrigado a pagar (pelos descontos no salário) pela segurança da propriedade dos ricos, assim como um cara sem filhos é obrigado a pagar pela educação dos filhos de outros. Isso sem contar que quem trabalha é obrigado a pagar auxílio pra quem não trabalha.... este tipo de situação é insustentável, pois parte do princípio que todo mundo pode viver às custas dos outros.
  • Caio  10/02/2012 14:34
    André, quanto a isso que você citou eu concordo plenamente, sem problema algum. (não consigo visualizar ainda uma segurança totalmente privada, mas não insisto neste assunto. Sou leigo em economia, minha área é outra)

    Minha dúvida é, como deve se realizar essa transição. Imagine, como fazer a transição num país como o Brasil?
  • Matheus Polli  10/02/2012 16:13
    Se sua dúvida é como viveriam os necessitados se o estado acabasse eu te digo: não é problema meu, não assinei contrato algum quando nasci afirmando que iria ajudar desconhecidos.
  • Andre Cavalcante  11/02/2012 12:17
    Caio continue lendo os artigos do IMB que você vai perceber isso.

    Quando aqui cheguei não compreendia uma porção de coisas.
    Na verdade ainda não percebo a maioria.
    Mas é, sim, um sistema possível, sem Estado (crença anarquista), ou com um estado extremamente mínimo (crença minarquista).

    De qualquer forma:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=767
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1221
    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=61
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1208
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=824

    Abraços
  • Caio  12/02/2012 04:49
    Valeu André, irei lê-los.
  • Eduardo  12/02/2012 17:38
    Caio, esse artigo dá uma boa ideia de como seria essa transição, em 30 dias.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=74

    Mas, em essência, o estado poderia ser abolido da noite pro dia. Basta as pessoas desejarem não tolerar mais a violência. É uma revolução que só depende das pessoas acordarem dessa "matrix".
  • Caio  14/02/2012 05:39
    Obrigado, Eduardo.
  • Arion  10/02/2012 13:59
    Caro Caio,

    Imagine só que o teu exemplo nada mais é do que obrigar uma pessoa a realizar algo que tu deseja que seja realizado. Sabe o que isso significa? ESCRAVIDÃO.

    Se, qualquer pessoa que seja, se acha no direito de mandar em alguém, essa pessoa é um escravagista que se acha superior ao resto da humanidade.

    Agora, existe uma diferença mínima que justifique a existência de uma ameaça de prisão e roubo da tua propriedade por uma entidade como o estado do que é hoje? Os minarquistas acreditam que sim e que essa diferença diz que caso não haja um exército para proteger as pessoas de um lugar de uma invasão, escravizaçõ e roubo das pessoas de um determinado território por uma entidade estrangeira (uma turba, outro estado, uma associação bélica como a OTAN, uma empresa privada, etc...)e para acabar com a vingança privada em disputas entre as pessoas de seu território.

    Veja que o princípio minarquista não diz nada sobre segurança interna.

    Me obrigar a pagar escola pública para o filho dos outros é errado se eu escolho não ter filhos. Porque eu tenho que pagar por uma escolha que eu não fiz? Porque eu vou pra prisão se não pago imposto para que o governo realize um grande carnaval?

    Justificar mandar alguém pra prisão por não prestar serviço militar ou não pagar tributos para manutenção da defesa é uma coisa. É a justificativa da existência. Mas justificar prender alguém porque outra quer ter 10 filhos é outra completamente diferente.
  • Gutemberg Campos  11/02/2012 05:36
    Concordo com esse sistema. Olhem só as empresas de segurança privada que temos hoje, elas prestam seus serviços aos bancos e empresas que querem segurança com o seu patrimônio, seja ela através de pessoal ou carro forte. Imaginem se esse serviço fosse proposto pelo estado, e se um dia alguém viesse a propor que não mais seria função do estado de fazê-lo? Muitos diriam que os bancos e empresas iriam à ruína ficariam na mão de mercenários entre outras bobagens. E vemos que isso não acontece, é só uma questão de cultura adaptação.
  • Philip  11/02/2012 10:19
    Este sistema já foi tentado em algum lugar? Funcionou?
    Não sei não, o sistema proposto é muito parecido com o das milícias, diferenciando apenas no fato de que a milícia impõe o pagamento e esta polícia privada não.
  • Fernando Chiocca  11/02/2012 13:27
    Sem imposição de pagamento, agindo de acordo com a livre demanda, e com livre concorrência, perfeito não?
    Vamos tentar?

    Funciona por definição.
  • Marconi  12/02/2012 14:58
    Essa idéia de polícia privada é completamente absurda.
    Quem manda, no final, é o mais forte. Direitos só existem se existir polícia e judiciário para fazer valer, senão é a lei do mais forte que vale.

    As funções do estado em um mundo liberal já foram muito bem descritas por Milton Friedman em "Capitalismo e Liberdade". Estado sem polícia é maluquice. Tem que ser financiado por impostos, não porque é bom, mas porque é o menos pior.
  • Fernando Chiocca  12/02/2012 15:41
    Quem manda, no final, é o mais forte. Direitos só existem se existir polícia e judiciário para fazer valer, senão é a lei do mais forte que vale.

    É incrível como a mente das pessoas é tão confusa que acabam dizendo coisas diametralmente opostas a realidade.

    Primeiro os direitos existem, independente de serem respeitados ou não. Não é porque alguém matou sua mãe que ela não possuia direito a propria vida.

    Segundo, o estado representa exatamente a ausência de direitos e a lei do mais forte.

    O estado trucida o conceito de Direito, pois para uma norma ser considerada um direito justo, ela deve obedecer o critério da universalidade (a Regra de Ouro da ética e o Imperativo Catégorico Kantiano) ou seja, ser igual para todos. E o estado, por definição, possui direitos que os súditos não possuem. O estado pode roubar (impostos), e os súditos não. O estado pode fraudar (imprimir dinheiro) e os súditos não. O estado pode escravizar (serviço militar obrigatório) e os súditos não.

    O estado é um grupo mais forte que não respeita os direitos dos outros.

    Terceiro, o que tem de absurdo em A para se defender de B, não tenha que atacar C antes?

  • Marconi  13/02/2012 06:16
    Errado Fernando. Direitos não existem.
    A lei da natureza é a lei do mais forte.

    Se deixar rolar solto, alguém matará você e não será punido. O direito a vida, por exemplo, é o direito que você tem de ver preso quem comete/tenta cometer um crime contra a sua vida ou de quem você gosta.

    Não acredito em direito, mas em "direito-obrigação". O seu direito a vida é também a obrigação que você tem de não atentar contra a vida de ninguém. Ou seja, é uma limitação ao seu livre arbítrio. Quem ultrapassa isso precisa de punição e só o estado pode julgar se houve ou não desrespeito ao direito. De novo, não porque a solução é boa, mas porque não existe outra melhor.

    O estado tem que existir e cuidar da polícia, justiça, exército e só (bom, talvez, pouquíssimas coisas mais).

    O seu conceito de liberdade está mais pra o que eu chamo de livre-arbítrio.


  • Fernando Chiocca  13/02/2012 08:04
    Non sense.

    Se direitos não existem, então não temos nada à discutir.

    Novamente, a "lei" do mais forte é exatamente o desrespeito aos diretiso dos outros através da agressão. É a lei da selva, ou como os animais irracionais, que não possuem capacidade de entender o conceito de direitos agem. O leão come a zebra, apenas porque consegue comer a zebra, porque é mais forte.

    E acertou ao conceber direitos como um conceito negativo. O meu "direito a vida" consiste em outros se absterem da atacar minha vida. Mas isso não implica, como você disse, somente no direito de punir que comete uma agressão, e sim, também, de usar a força para impedir a agressão.

    Mas quando você diz "o estado tem que existir", você está violando, entre outros, o meu direito de propriedade, está me agredindo, iniciando o uso ou ameaça de uso de violência contra mim.
    E também, quando você diz que tem que "o estado tem que existir e cuidar disso ou daquilo", você está fazendo o que disse que só o estado deveria fazer; está julgando.


  • mcmoraes  13/02/2012 08:44
    @Marconi: "...só o estado pode julgar se houve ou não desrespeito ao direito..."

    E se o estado julgar que:

    - não há desrespeito na morte de judeus?
    - os ucranianos podem e devem morrer de fome?
    - metade dos frutos do trabalho de cidadãos honestos e pacíficos devem ser tomados à força?
    - o Césare Battisti não desrespeitou o direito de ninguém, ou se desrespeitou, foi por uma boa causa e, por isso, deve ser perdoado?
    - ...

  • anônimo  13/02/2012 10:09
    mcmoraes,

    é claro que não há nada de errado nestes casos, afinal estavam todos de acordo com suas legislações. Todos sabemos que lei e direito são coisas que só existem graças ao estado. Hitler fez tudo direitinho com judeus, afinal, estes não possuiam direitos na Alemanha. Também Stalin fez direito, afinal, quem não segue o internacionalismo comunista está fora do escopo das leis e do direito. Não há nada de errado, também, em espoliar o povo brasileiro em metade de seus rendimentos, afinal, os Sarneys foram eleitos para isso. E Battisti, oras, por que é que ele foi preso mesmo, se os valores que ele desejava que o estado resguardasse não eram válidos pra situação em que ele participou da morte de algumas pouquíssimas pessoas? Foi um estado natural das coisas, quer dizer, não havia o SEU estado, portanto valia a lei do mais forte para tudo aquilo em que a legislação não "civilizava". Francamente, mcmoraes.
  • Andre Cavalcante  13/02/2012 11:43

    "É claro que não há nada de errado nestes casos, afinal estavam todos de acordo com suas legislações."

    Vou colocar o meu exemplo: sou contra o IR. Acho um absurdo. Não votei em ninguém que defenda o IR. Então nem TODOS não estão de acordo. Eu não estou! E aí?

    "Todos sabemos que lei e direito são coisas que só existem graças ao estado."

    Não, não penso assim. Lei e direito existem quando há pessoas que se sujeitam a obedecer as leis e fazer valer o seu e os direitos alheios. Por exemplo: Gandhi foi contra a lei e o direito inglês. Não deu um único tiro e mesmo assim derrubou o Grande Império Britânico em terras indianas, justamente porque ninguém mais passou a pagar o imposto sobre o sal e não mais obedecer as ordens dos ingleses.

    Transportando para o Brasil: se realmente quiséssemos mudar, bastava ninguém mais obedecer as ordens de Brasília. Todo mundo passava a comprar e vender sem notas fiscais (incluindo indústrias e grandes lojas); todo mundo passaria a usar somente dinheiro vivo; quando chegassem ao aeroporto, TODOS os passageiros se negassem a mostrar documentos ou abrir as suas malas (já pensou no sufoco em São Paulo, quando umas 5000 pessoas estivessem exprimidas nos saguões para liberação!), eles teriam que abrir as portas e deixar as pessoas irem e virem. É claro que muita gente ia morrer no processo (como os indianos morreram na mão dos ingleses) mas no fim se mudariam as coias. Só que não vejo nenhuma vontade nas pessoas (apenas uma minoria) de fazer isso.

    As outras frases suas, não dá para comentar. Simplesmente não fizeram nenhum sentido pra mim.

    Abraços.

  • Glelson Fontes  13/02/2012 10:29
    "HadooOOOOUUuuken".
  • Guilherme Bauer  19/02/2012 21:42
    Acredito que a segurança privada seria possível e possívelmente melhor que a atual. Agora, não vejo motivos para que ela seja perfeita e a atual está longe disso.

    A Microsoft não atua sob as regras sugeridas? capitalista e libertária? E se houvesse uma microsoft da segurança? forçando, por meio de monopólio e poder de mercado o consumo de um produto com vários bugs?

    Tudo bem, possivelmente nenhum Estado é capaz de prover um produto melhor que a microsoft.

    Nesse quesito, sou adepto da teoria do segundo melhor. É provado matematicamente que o livre mercado gera o melhor resultado, segundo determinadas premissas. Mas na falta de uma premissa, a não completude da informação entre os individuos por exemplo, não se consegue provar que esse mesmo modelo é, ainda, o segundo melhor.

    Nesses casos, é melhor implantar todos essas premissas libertárias aos poucos, ou em pequenos países primeiro, seguindo o ceticismo-empírico.
  • Andre Cavalcante  20/02/2012 09:36
    Olá Guilherme. Olha deixo aqui algumas opiniões pessoais, ok?

    "Acredito que a segurança privada seria possível e possívelmente melhor que a atual. Agora, não vejo motivos para que ela seja perfeita e a atual está longe disso."

    Também sou da opinião que a segurança privada seria melhor, mas é claro não seria perfeita, até porque é um movimento humano e os humanos são reconhecidamente falhos.

    "A Microsoft não atua sob as regras sugeridas? capitalista e libertária? E se houvesse uma microsoft da segurança? forçando, por meio de monopólio e poder de mercado o consumo de um produto com vários bugs?"

    Não, a Microsoft não atua sob as regras libertárias. Para começar ela pode copiar de qualquer um, mas ninguém pode copiar dela (o governo não deixa ninguém usufruir de sua tecnologia para gerar outra melhor - e este é um dos motivos deles terem tantos bugs). Por outra, ela somente cresceu porque o governo dos Estados Unidos e da Europa a protegeram bastante (vide as "concorrências" em que um parâmetro era o editor de texto abrir um arquivo .doc por exemplo, nitidamente beneficiando a MS), o que permitiu que ela simplesmente fechasse os olhos para a pirataria que corria solta no 3o mundo. Daí para um domínio global é mais ou menos direto. Depois se arrependeram, mas aí já era tarde.

    "Tudo bem, possivelmente nenhum Estado é capaz de prover um produto melhor que a microsoft."

    Não vejo bem assim. Do ponto de vista técnico há produtos muito (mas muito) melhores que o Windows no mercado. Só que as pessoas não compram somente pelo lado técnico (vide o sucesso do iPod e do próprio Windows). E é aí que está o barato da coisa. Descobrir o "melhor" produto, não necessariamente significa criar o mais eficiente, ou o melhor tecnicamente, mas também aquilo que o cliente deseja. Da mesma forma vejo que um boa polícia não seria aquela que derrubasse o nível de assassinatos a zero (mas que todos temam, por exemplo). Incrível, mas a sociedade tolera um certo nível de violência, desde que essa violência aconteça com os "outros". Uma boa polícia seria aquela que eu pagasse e fizesse que eu me sentisse seguro, não necessariamente a que derrubasse os nível de violência para zero.

    "Nesse quesito, sou adepto da teoria do segundo melhor. É provado matematicamente que o livre mercado gera o melhor resultado, segundo determinadas premissas. Mas na falta de uma premissa, a não completude da informação entre os individuos por exemplo, não se consegue provar que esse mesmo modelo é, ainda, o segundo melhor."

    Matematicamente não sei se seria o termo correto. O que o Mises provou é que não é possível o cálculo econômico no socialismo. Quanto ao mercado gerar melhor resultado... bem ele vai gerar o resultado que o mercado deseja, não necessariamente o "melhor" no sentido de o mais "justo" ou "igualitário" ou "xxx" (coloque aqui qualquer abobrinha que
    os socialista costumam usar). Se encararmos como "melhor" exatamente o desejo do mercado então será o melhor.

    O problema de "Falhas de mercado e informações assimétricas" já foi discutido em outros artigos. Comece por este ligado.

    "Nesses casos, é melhor implantar todos essas premissas libertárias aos poucos, ou em pequenos países primeiro, seguindo o ceticismo-empírico."

    Essa questão de evolução ou revolução das ideias libertárias já foi discutida em outros artigos. Podes começar por aqui.

    Abraços

  • Marcel  10/03/2012 09:51
    Boa tarde,

    Confesso que sobre questões envolvendo a segurança pública tenho um pouco de dúvida à respeito desse funcionamento, não por achar o sistema estatal melhor, mas por desconhecer esse formato proposto por aqui. Desde já peço desculpas caso algum dos meus questionamentos já ter sido tratado.

    No texto discutido, estamos lidando com "crimes" que envolvem mais especificamente atos de coerção física, ou seja, latentes de transgressão ao espaço alheio. Entretanto, queria estender esse cenário para uma situação na qual acredito que tal situação foi configurada como crime, mas a outra parte não, como por exemplo maus tratos a animais que não são de minha "propriedade". Nesse sentido, como ficaria a unificação de regras de forma que todas as polícias tivessem "embasamento" para iniciarem uma investigação, assim como o fato da existência de a justiça ao menos fosse de comum acordo entre as partes envolvidas.

    Tornando mais complexa essa situação, suponhamos que duas pessoas detentoras de contratos de segurança com empresas concorrentes estivessem em conflito, em razão de investigações entre as partes em decorrência de "crimes" que, para a outra parte, não se caracteriza como crime. Como proceder diante disso, levando em conta um choque entre empresas de segurança? Isso de certa forma não geraria uma batalha de defesa aos contratados, por parte dos agentes de empresas rivais?

    Desde já agradeço o espaço, ao Leandro e todos aqueles que disseminam o Instituto. Parabéns pela iniciativa!
  • Fernando Chiocca  10/03/2012 15:51
    Marcel, leia os artigos sugeridos no final deste, principalmente o terceiro.
  • Marcos Campos  12/06/2012 20:43
    Gostei muito do post mas tenho algumas dúvidas.

    Caso seu Bairro, cidade ou estado trabalhe com uma agencia de segurança e você seja vítima em outra jurisdição, como ocorrerá a cobrança de uma suposta prestação de serviço?

    E se uma empresa dessas incorrer de incitar crimes para aumentar seus lucros? Á qual órgão ela prestará satisfações?

    Este mesmo escopo de segurança civil poderia ser usado para segurança de propriedade de nossas fronteiras? Caso um outro país adentre nossos mares para pesca irregular e ou pirataria em nossas plataformas petrolíferas. Nossas forças armadas também seriam privativas? Seriam pagas com royalties das empresas e industrias extratoras de recursos naturais, etc???
  • Andre Cavalcante  13/06/2012 00:50
    Marcos Campos: "Caso seu Bairro, cidade ou estado trabalhe com uma agencia de segurança e você seja vítima em outra jurisdição, como ocorrerá a cobrança de uma suposta prestação de serviço?"

    Eu: olha só: como é um plano de saúde nacional? você quer saber, na verdade, como e o que os contratos de segurança privada serão. Na verdade ninguém, por hora, sabe, mas podemos fazer um paralelo com outros serviços.

    Marcos Campos: "E se uma empresa dessas incorrer de incitar crimes para aumentar seus lucros? Á qual órgão ela prestará satisfações?"

    Eu: essa é idêntica a achar que não há corrupção na polícia pública. Sem falar que uma empresa de segurança existe e é paga para evitar crimes. Uma empresa de segurança que incitasse crimes é um contra-senso. Cabe a você explicar como ela aumentaria seus lucros perdendo clientes...

    Marcos Campos: "Este mesmo escopo de segurança civil poderia ser usado para segurança de propriedade de nossas fronteiras? Caso um outro país adentre nossos mares para pesca irregular e ou pirataria em nossas plataformas petrolíferas. Nossas forças armadas também seriam privativas? Seriam pagas com royalties das empresas e industrias extratoras de recursos naturais, etc???"

    Eu: olha só: defina nossas fronteiras, "nossos mares" e "nossas plataformas petrolíferas". Ah! de quebra defina igualmente "nossas forças armadas". Acho que a grande diferença entre o pensamento libertário e o que está aí é simplesmente a constatação de quem são os proprietários dos "nossos" recursos. Pense bem, o que são fronteiras, plataformas petrolíferas e campos de pesca no mar e verifique que só há problemas de segurança nesses lugares porque ninguém sabe que são os donos e, consequentemente, responsável por esses recursos...

    Abraços
  • Marcos Campos  15/06/2012 12:07
    Caro Andre Cavalcante

    Só estava tentando enriquecer minhas idéias, para debater melhor com os políticos de minha cidade que vão se candidatar a Prefeito e vereadores.
    Minha intenção é dialogar e mostrar aos candidatos que o governo pode ser menor...mesmo que eles não me deem muito credito. Não vejo porque existir Guarda Municipal, Garis, creches, hospitais, postos de emergencia, etc controlados pela prefeitura.
  • Augusto  13/06/2012 02:32
    Marcos,\r
    \r
    Nao eh possivel prever como o mercado funcionaria - em ultima analise, isso depende tanto dos desejos dos consumidores quanto da criatividade dos empreendedores para bolar solucoes.\r
    \r
    Uma saida para a sua primeira pergunta seriam seguros, como os que existem hoje na area de saude para quem viaja. Se voce um dia quiser ou precisar sair da area de cobertura do seu "plano de seguranca", voce contrataria um "seguro seguro" que te daria suporte no lugar onde voce fosse.\r
    \r
    Em relacao a segunda pergunta: sim, isso pode acontecer, como acontece hoje. Eh preciso entender que um sistema de livre-mercado nao vai acabar com a corrupcao, com o crime, ou com a violencia. Sempre existirao pessoas com mas intencoes. Na teoria do livre-mercado, uma empresa que agisse assim logo perderia seus clientes para uma empresa mais honesta. So que isso nao acontece hoje, ja que a maioria das pessoas eh violentada diariamente pelo estado e aparentemente aceita numa boa. Como ficaria? Nao sei.\r
    \r
    Em relacao a terceira pergunta: nao existe "nosso mar". O mar, a terra, o petroleo e qualquer outro recurso pertencem a quem tomar posse e tornar produtivo. Se existe uma empresa que explora petroleo no mar, sim, ela deve ser responsavel por proteger suas instalacoes. Ela pode fazer isso mantendo sua propria equipe de defesa, ou contratando esse servico no mercado. Essencialmente, a ideia eh essa.
  • Marcos Campos  15/06/2012 12:25
    Obrigado Augusto

    Quando disse "nossa" me referia as delimitações do territorio brasileiro em terra e mar, fronteiras, soberania...ou estou enganado e no libertarianismo não existe fronteiras politicas? Meu pensamento era só de tornar as forças armadas em empresas privadas de segurança pesada. Posso estar equivocado, mas a mentalidade para a mudança deve ser gradativa, ou as pessoas não vão querer ou aceitar.
    Seremos somente fundamentalistas paranoicos para eles....o angú deve ser mexido do inicio ao fim


  • Andre Cavalcante  15/06/2012 21:40
    Olá, Marcus,

    Não sou o Augusto, mas posso tecer alguns comentários.

    "Posso estar equivocado, mas a mentalidade para a mudança deve ser gradativa, ou as pessoas não vão querer ou aceitar."

    Ao meu ver estás indo pelo caminho errado. Não são as pessoas que devem mudar a mentalidade, mas você. É uma decisão individual. Para entender melhor isso, podes começar por aqui.

    Quando a crença estiver suficientemente difundida, a (r)evolução acontece.

    Quanto ao conceito de nossa, é bom termos em mente de que lado do nossa estamos, se dos donos ou dos vassalos. Por exemplo: as Forças Armadas do Brasil, apesar do nome, é uma instituição que segue uma ordem de comando bem definida: 1º o Presidente, 2º o Ministro da Justiça e depois os oficiais generais das 3 forças. Ou seja, nunca as forças armadas fará algo por mim e para mim, sob o meu comando, logo, eu não sou o dono e nem tenho meios de interferir no seu funcionamento em nenhuma instância.

    Abraços

  • Marcos Campos  17/06/2012 12:06
    Obrigado André, hoje você foi bem mais acessível e agregador!


  • Randalf  11/09/2012 17:17
    Eu gostaria de fazer uma pergunta: Como é que num mundo onde tanto a liberdade individual, a integridade humana e a propriedade privada fossem supremos, poderia ser possível investigar crimes de assassínio? Já que não se poderia 'invadir' a propriedade de um suspeito (não havia razão para a invadir, já que cada um é inocente até que provem o contrário). Como se resolveriam estas inconsistências?! Será que poderia violar-se a propriedade privada em nome da possibilidade de quebra da integridade de um ser humano?!.. Ou será que nem a investigação de crimes poderia quebrar a propriedade privada?!...

    Obrigado,
    Randalf
  • Andre Cavalcante  11/09/2012 18:55
    Às vezes eu me pergunto se as pessoas que fazem questões aqui no site realmente pensam sobre elas...

    "Eu gostaria de fazer uma pergunta: Como é que num mundo onde tanto a liberdade individual, a integridade humana e a propriedade privada fossem supremos"

    Muito bom, queria viver num mundo assim. Só um detalhe, propriedade privada não é "suprema", é simplesmente "privada".

    "poderia ser possível investigar crimes de assassínio? Já que não se poderia 'invadir' a propriedade de um suspeito (não havia razão para a invadir, já que cada um é inocente até que provem o contrário)."

    Aqui caberia uma pergunta: como é feito hoje? Pelo que eu saiba a polícia também não pode 'invadir' a vida de ninguém, mesmo suspeito (exceto com mandado judicial) e o princípio que cada um é inocente até que se prove ao contrário também é o princípio que vige hoje na sociedade. Responda à esta questão e responderá como deverá ser no futuro. Ou então você está assumindo que a polícia tem o "direito" de invadir a vida de qualquer um. Neste caso, não está sendo nem ao menos democrata, estás sendo é um ditador.

    "Como se resolveriam estas inconsistências?!"

    Que inconsistências? As suas perguntas é que estão prá lá de inconsistentes.

    "Será que poderia violar-se a propriedade privada em nome da possibilidade de quebra da integridade de um ser humano?!.."

    Defina quebra de integridade de um ser humano. Matar o bandido? Nos EUA já há pena de morte. No Brasil não. O que isto tem a ver com propriedade privada? Se o cara cometeu um crime ele não deve pagar? É isso que estás sugerindo? Absurdo, pois não?


    "Ou será que nem a investigação de crimes poderia quebrar a propriedade privada?!..."

    Novamente, hoje já é assim. Não se pode invadir a casa de ninguém, a não ser com mandado judicial. Qual a dificuldade de entender isso? Aliás, quando a polícia apronta das suas e as liberdades individuais são postas em dúvida ou são vilipendiadas, a polícia se torna o bandido. Infelizmente é a situação que vivemos atualmente. O respeito pelas liberdades individuais é que farão acabar com essa farra da polícia. Agora isso não tem nada a ver com a punição do bandido. Ninguém, em sã consciência, defende a não punição dos bandidos, seja que crime for. E se você se desse ao trabalho de esmiuçar este site saberia disso tudo.

    É cada uma que aparece?
  • Randalf  12/09/2012 11:53
    A pergunta a que eu queria que me respondessem era o que está primeiro (qual seria mais protegido): a propriedade privada ou a liberdade individual?!.. É simplesmente esta a pergunta, já que existem situações em que para proteger uma se passa por cima da outra.

    O senhor é um mal educado que pouco mais sabe do que desrespeitar as pessoas. Nem uma conversa civilizada sabe ter. Parece-me típico de alguém arrogante e que pensa que sabe mais que os outros. O que ficou demonstrado é que não percebeu nem pouco mais ou menos a pergunta e ainda atacou quem a fez.
    Portanto, agradecia que não se debruçasse mais sobre os meus comentários.
  • Ricardo  12/09/2012 12:10
    Prezado Randalf, você tem antes de definir seus termos. O que seria 'invadir' a propriedade privada de um suspeito? Como você próprio colocou o termo "invadir" entre aspas, fica claro que o significado do mesmo é pra lá de elástico.

    Eu investigar a sua vida, o seu passado, ou até mesmo seguir você pelas ruas e observar a sua rotina não configura nenhuma invasão de propriedade. Fosse assim, políticos seriam as pessoas mais espoliadas do mundo...

    Portanto, em caso de investigação da vida de uma pessoa, não há nenhuma invasão de propriedade.

    Qual seria outro exemplo? Invadir conta bancária e investigar suas movimentações? Sim, seria uma invasão. Invadir a pontapés a casa de alguém? Sim, seria uma invasão, a menos que tal pessoa estivesse mantendo outras sob cativeiro. Se uma pessoa anula a vida, a liberdade e a propriedade de terceiros, então tal pessoa também perde seus direitos a esses três itens.

    Esta é a regra básica e o fundamento de uma sociedade libertária. Qualquer exemplo que você imaginar em que uma pessoa esteja violando a vida, a liberdade e a propriedade de terceiros, então ela acabou de perder seus direitos.
  • Randalf  12/09/2012 12:39
    Eu vou colocar o que pretendo dizer num exemplo. Suponhamos que eu sou suspeito de ter raptado alguém (o seu filho por exemplo). Mas no momento presente não existem provas concretas de que eu o raptei e as 'provas' encontradas permitem que eu seja considerado suspeito mas não culpado. A pergunta que eu faço é a seguinte: Seria legítimo invadir a minha casa para procurar o seu filho?!... já que se entrasse na minha casa sem autorização, seria considerado invasão de privacidade, mas se não o fizesse poderia nunca descobrir se eu raptei a criança e portanto ninguém estaria a proteger a liberdade da tal criança. O que se coloca em primeiro lugar: a liberdade e integridade da criança, ou a propriedade privada?

    Espero ter sido claro.
  • Ricardo  12/09/2012 12:52
    O exemplo agora foi claro, mas você limitou irrealisticamente as opções de ação. A coisa não se resume a invadir ou não sua propriedade para se certificar de que houve um rapto. É totalmente factível haver uma intimação. Caso você se recuse a abrir as portas da sua casa, sua seguradora certamente ficará em apuros, pois você está se recusando a fazer algo relativamente simples. Por outro lado, se você abrir as portas da sua casa, for considerado inocente e achar que isso causou um dano moral à sua imagem, você poderá processar a seguradora da pessoa que lhe impingiu tal humilhação.

    Nada é 8 ou 80. Existe espaço para várias medidas legais e de bom senso neste intervalo -- ao contrário de hoje, em que o estado simplesmente sai arrebentando sua porta do nada, e nem faz reparação alguma aos estragos causados a um inocente.
  • Randalf  12/09/2012 13:33
    Agradeço pela resposta. Mas para o senhor está implícito que eu tenha algum contrato com alguma empresa de segurança. Além disso, eu posso não querer simplesmente abrir a porta de minha casa por vergonha das minhas condições se tornarem públicas(por exemplo), e o senhor está a colocar-me entre duas situações que me são desagradáveis ('abrir a porta' ou 'sofrer consequências de seguradoras ou até da população em geral') e parece-me que não tem esse direito, independentemente de prometer indemnizações.
  • Ricardo  12/09/2012 13:48
    Bom, quando eu disse sobre "se recusar a abrir as portas", eu não tinha em mente que tal ação deveria ser efetuada naquele exato minuto. Primeiro, você recebe a intimação; horas ou dias depois, você recebe a "visita". Não é algo instantâneo.

    Sempre vale lembrar que é justamente no atual arranjo que tal disparate que você teme já acontece: o estado chega arrombando a porta naquele exato segundo. Primeiro eles arrombam, depois mostram o mandato. Óbvio, pois o estado não está sujeito a dar explicações e nem a pagar indenizações. Logo, esse cenário que você teme ocorrer em um arranjo de liberdade já ocorre diariamente no atual arranjo estatal.

    Mas há mais diferenças: no arranjo liberal, você, por não possuir contrato com nenhuma seguradora, pode se armar e recusar a entrada de qualquer invasor, sem ir para a cadeia por isso. E, se você for inocente e ainda assim for exposto a tamanha humilhação, certamente haverá uma fila de advogados loucos para tomar dinheiro de quem lhe humilhou. No arranjo atual, por outro lado, qualquer ato de resistência ao estado pode ser punido com a morte.

    Em suma: tudo aquilo que você visualiza de pior no arranjo liberal já ocorre rotineiramente no atual arranjo estatal. E você hoje não tem direito a nada. Não entendo como podem defender isso.
  • Randalf  12/09/2012 15:43
    Ricardo, eu não estou de nenhuma forma a defender o que se pratica actualmente. Acredito fortemente que uma sociedade onde prevalecesse as liberdades individuais seria a melhor sociedade. Aliás, cada vez me sinto mais um libertário. Mas também acredito que vale a pena questionar a um nível mais profundo aquilo que acreditamos.
    Mas mais um vez penso que a irão haver inconsistências. Vou usar o exemplo que o senhor fala em que um invasor entra no território de um proprietário (sem empresa de segurança). Será que esse proprietário tem a legitimidade de matar o invasor, por exemplo? Se não tem a legitimidade de matar o invasor, a liberdade à vida é superior à da de propriedade. Se tem, então a liberdade de propriedade sobrepõe-se à liberdade à vida. Mas tem de haver uma hierarquização das diferentes liberdades. Percebe o que eu quero dizer? (eu apenas queria saber se a liberdade de propriedade privada é a liberdade suprema, ou seja, aquela que se sobreporia a qualquer outra em caso de conflito de liberdades)
    Além disso, se o proprietário não for cliente de nenhuma empresa de segurança, como se fará a justiça, já que ele não concordou em nenhum juiz para decidir sobre o conflito?

    Mais uma vez agradeço-lhe os esclarecimentos.
  • Ricardo  12/09/2012 16:02
    "[...] um invasor entra no território de um proprietário (sem empresa de segurança). Será que esse proprietário tem a legitimidade de matar o invasor, por exemplo?"[/i]

    Ele tem todo o direito de matar o invasor (estou supondo que o invasor está armado). O direito à vida, à liberdade e a não ter sua propriedade confiscada, o qual todos os homens possuem, carrega consigo o direito à autodefesa. O exercício do direito à autodefesa inclui matar aqueles que representam uma ameaça iminente à vida de uma pessoa. Inclui matar aqueles que são uma ameaça iminente à vida de um indivíduo que está apenas tentando defender sua propriedade. Ladrões armados invadindo propriedades sempre representam essa ameaça.

    "Se tem [o direito de matar o invasor], então a liberdade de propriedade sobrepõe-se à liberdade à vida."

    Por quê? Não faz sentido essa sua conclusão. Como expliquei acima, invasores armados representam um perigo real e imediato à sua vida. E o seu direito a não ter a sua vida retirada implica o seu direito de se defender contra criminosos que estão preparados para tirar a sua vida. No momento em que eles deixam claro que estão dispostos a tirar a sua vida, você adquire o direito de, em autodefesa, tirar a vida deles.

    E isso nada tem a ver com ser cliente ou não de seguradoras. É questão de direito natural. Puro e simples.
  • Randalf  12/09/2012 17:33
    Eu nunca referi que o invasor quereria roubar, matar, ou apoderar-se da propriedade. Eu digo apenas entrar em propriedade privada dá o direito ao proprietário de o matar?! É essa a minha questão. Porque para o proprietário, proteger a sua propriedade não significa apenas protege-la de ladrões ou assassinos, significa também de a proteger contra intrusos, estejam eles apenas a explorar a propriedade ou perdidos. Já que alguém que se perde e entra em propriedade privada, está na mesma situação a violar a propriedade, mesmo que não queira nenhum mal.
  • Ricardo  12/09/2012 18:00
    Em relação a pessoas perdidas, é óbvio que não, pois nesse caso não está havendo nenhuma ameaça à vida do proprietário. De resto, o cenário continua dúbio: o que é gente invadindo a propriedade alheia para "explorá-la"? Se um sujeito esquisito invadir o seu apartamento e abrir a geladeira, ele estará "explorando" a sua propriedade?

    Digo apenas que, em tal sociedade, tais atos de "exploração" tenderiam -- por motivos óbvios -- a ser reduzidos ao mínimo. Ninguém vai querer se arriscar a troca de absolutamente nada. Hoje, tai atos de invasão são perfeitamente comuns justamente porque os "invasores" sabem que absolutamente nada irá lhes acontecer, pois o estado protege os seus "direitos".

    Abraços!

    P.S.: tá percebendo como você, inevitavelmente, está sendo obrigado a criar cenários cada vez mais específicos (e implausíveis) para tentar encontrar defeitos que, no cenário atual, sobreabundam? É assim mesmo. Há algum tempo, numa rede social, um bacana chegou e disse: "Encontrei a refutação cabal do anarcocapitalismo. Imagine que um monstro gigante invada a terra. Quem irá tomar dinheiro da população para construir um aparato para proteger a terra?"
  • Randalf  12/09/2012 18:59
    Eu acho que estou a ser cada vez mais específico, mas a questão que eu queria que fosse respondida no início continuou a ser a mesma até ao final, e parece que neste seu último comentário, respondeu-me aquilo que eu queria. A questão que eu queria desde o início foi sempre 'Será que a propriedade privada (bem como a sua defesa) é a suprema das liberdades? .. Neste seu último comentário, afirma que não, já que alguém que entra em propriedade privada mesmo sendo perdido não dá direito a que sejam quebradas outras liberdades da pessoa que se perdeu. (Digamos que um individuo se perde no meio de um campo de milho, o proprietário pode dizer que ele lhe estava a estragar o milho e portanto poderia usar a força, já que a invasão de propriedade alheia depende muito da subjectividade de cada um)

    Mas sim, eu tento pensar em muitos problemas, alguns consigo resolver facilmente, outros apenas quero saber a opinião dos outros para verificar se é possível. Assim que me esclarecem, eu passo para problemas mais específicos.

    Quanto a isso do monstro, pode muito bem ser uma nação autoritária a atacar. Imagine que os Estados Unidos se tornam totalmente libertários. A China se decide atacar os EUA torna-se complicado para os EUA. É um cenário perfeitamente realista.

    Cumprimentos
  • Andre Cavalcante  12/09/2012 14:43
    Caro Randalf

    "A pergunta a que eu queria que me respondessem era o que está primeiro (qual seria mais protegido): a propriedade privada ou a liberdade individual?!.. É simplesmente esta a pergunta, já que existem situações em que para proteger uma se passa por cima da outra."

    Não existe propriedade privada sem o reconhecimento das liberdades individuais e vice-versa. Essa dicotomia que colocas não existe. Hoje é que a polícia não dá a mínima nem pra um e nem pra outro.

    A coisa, portanto, começa por aí. Defina melhor o que você quer.

    "O senhor é um mal educado que pouco mais sabe do que desrespeitar as pessoas. Nem uma conversa civilizada sabe ter."

    Onde lhe fui desrespeitoso? Onde, no meu texto, lhe agredi? Me desculpe a sinceridade, mas o Sr. se apresenta demasiado melindroso. Fiz questionamentos sobre o seu justamente para tentar entender o texto.

    "Parece-me típico de alguém arrogante e que pensa que sabe mais que os outros."

    Não, não sou melhor que ninguém. Agora, acostume-se a haver pessoas que pensam e agem diferente do que você crer que seja o politicamente correto.

    "O que ficou demonstrado é que não percebeu nem pouco mais ou menos a pergunta e ainda atacou quem a fez."

    E não percebi mesmo a sua pergunta, pois está sem pé nem cabeça. Aliás, pelo seu papo com o Ricardo deu pra perceber que tu fostes (re)fazendo o pensamento a medida que os comentários iam prosseguindo, sendo que a questão principal, sobre a propriedade privada e os direitos individuais, essa eu havia respondido no meu comentário anterior, da mesma forma que o Ricardo o fez.

    "Portanto, agradecia que não se debruçasse mais sobre os meus comentários."

    Apesar de nunca ter visto ninguém se "debruçar" sobre comentário algum em qualquer parte do mundo e em qualquer idioma reconhecível, mas entendi a colocação. Você não quer que eu lhe responda mais. OK. No entanto tenha em mente que isto é uma lista pública. Já dizia meu pai: perguntar não ofende, mas a resposta pode ofender... Se não quiser ser ofendido com respostas, também não pergunte.

    Abraços
  • Neto  12/09/2012 12:50
    Tudo isso poderia estar previsto no contrato do cara com a polícia privada
  • Fernando Chiocca  12/09/2012 15:18
    A resposta está aqui:

    12. Defesa própria

    Vamos ler vai galera. De preferência o livro inteiro.
  • Vitor Grando  22/02/2013 16:34
    Ok. Como ficaria a segurança de um sujeito que ganha um salário mínimo para sustentar sua família e trabalha mais de 10 horas por dia?

    "Caridade". Pra mim muito utópico.

    E se nenhuma alma caridosa se dispuser a financiar a segurança dos miseráveis?
    Ficarão eles sem segurança?
  • Fernando Chiocca  22/02/2013 19:40
    Bem, pra começar, esse sujeito do seu exemplo é o tempo todo apavorado pela polícia estatal atual, que chega apontando arma na fuça, mandando deitar no chão de cara pra baixo e é tratado que nem lixo. Só de acabar com a polícia estatal eles já estariam em uma situação bem melhor.


    E pra começar ainda, ele poderia comprar uma arma e se defnder, coisa que sequer pode hoje. Se ele tivesse uma arma quando fosse abordado pela polícia estatal (=bandidos), seria sequestrado e jogado na cadeia, pois, segundo seu exemplo, ele é pobre e não poderia subornar os policiais.



    E os mais pobres não precisariam de caridade.. eles podem se organizar e divir as despesas de uma segurança profissional.

    Utópico é alguém que sequer consegue enxengar como é a situação atual e vislumbrar soluções simplesquerer ainda querer ditar regras pros outros...
  • Lucas  27/06/2013 21:29
    Boa noite.

    Interrompi a leitura do artigo para vir logo levantar um questionamento. Me desculpem se ele já tiver sido feito, mas observo um claro conflito de interesses na explanação.

    Da maneira que foi proposta, haveria incentivo para a força policial de invador propriedades não vinculadas à ela por contrato, a fim de causar dano e, consequentemente, forçar os donos a aderirem ao seguro-polícia, ou mesmo, forjarem situações de assalto e em seguida, cobrar a proposta multa.

  • Anarcofobico  28/06/2013 03:01
    Exato, esse é um grande problema mesmo que ocorre muito, como se sabe, com as empresas de segurança hj em dia!
  • Andre Cavalcante  29/06/2013 16:05
    kkkkkk.

    Vamos lá. Como é hoje? A Polícia hoje tem um "vínculo" com todos e simplesmente não respeita a propriedade de ninguém. As empresas privadas de segurança não tem vínculo com todos e há respeito. Por que será?

    É cada um que aparece aqui, e ele tirou as incríveis conclusões sem ao menos ler o texto todo.

  • Joao  12/08/2013 01:01
    Mercenários não substituem militares.
  • Blah  12/08/2013 12:49
    Mercenários são utilizados pelos próprios exércitos com uma frequência muito maior do que você imagina.
  • Joao  12/08/2013 20:37
    Pois é, mas a maior parte deles pertenceu a USSOCOM antes de entrar pra Blackwater....
    São pessoas que tiveram como ofício a carreira das armas antes. Logo um mercenário nunca vai ser superior a um militar.
  • Andre Cavalcante  13/08/2013 13:23
    O que mercenários tem a ver com polícia privada?
  • Joao  14/08/2013 05:43
    É isso que iriam virar se fossem privados.
  • Andre Cavalcante  14/08/2013 14:40
    Não, não virariam.

    Por definição: "O termo designa, especificamente, os soldados que lutam objetivando o pagamento ou a divisão dos despojos, sem ideais ou fidelidade a um estado ou nação" (Wikipedia). Especificamente diz-se do soldado militar que luta em guerras, como na Wikipedia em inglês

    Polícia privada é exatamente isso: polícia. Não são mercenários, ou guerreiros ou qualquer coisa do gênero. Aliás, não por outros motivos, que se discute que as polícias militares mundo, afora, devem a ser trocadas por polícias judiciárias e/ou civis, justamente pelo alvo diferente que o militar tem, em relação ao que a polícia tem.

    Por outro lado: qual é o problema de um cara ganhar para combater uma guerra? Ou para ser policial? É errado dar salário para militares ou policiais? Não se faz isso hoje? Ou você acha que o cara se torna policial porque está interessado em "diminuir a violência do país", por puro e espontâneo patriotismo? O próprio exército dos EUA hoje não é formado essencialmente de militares que ganham muito bem. A até brasileiros em suas fileiras (e eles, por definição, também não são mercenários, mas é como se fosse: são de um país estrangeiro, estão lá por fins privados e não patrióticos, etc.)

    Criar um espantalho e bater nele não vai te dar mais crédito. Não neste site.

    Abraços
  • João  15/08/2013 01:54
    Você não deixa de estar certo, mas me diz o que acontece com uma sociedade quando ela depende de forças privadas para a manutenção de lei e ordem? Maquiavel comenta que tropas mercenárias simplesmente sugam a riqueza nacional em tempos de paz e lhe abandonam em tempos de guerra, isso acontece justamente por não terem um vínculo com o "cliente". Óbvio que se não houver uma remuneração de qualquer espécie, o soldado não irá lutar, mas e se não houver nenhum tipo de ligação com quem você irá proteger, então por que lutar? Entendeu? Patriotismo vai muito além de governo. Adam Smith também dedica um livro inteiro a isso na sua obra A Riqueza das Nações, e comenta porque exércitos são sempre superiores à milícias e grupos de mercenários, justamente devido a hierarquia e a dedicação exclusiva à função militar, em último caso, digo que o Estado é sempre melhor em coagir indivíduos justamente porque é uma instituição serve pra isso. Tanto que boa parte das companhias de segurança e forças militares privadas procuram sempre ex-soldados devido ao seu treinamento, em especial das tropas especiais do mundo, como a Força Delta, SAS, a lista é longa.
  • anônimo  15/08/2013 09:25
    Patriotismo precisa estar ligado a um governo?
    Uma nação de pessoas livres, ligadas por vínculos culturais, pela prosperidade e pela razão, não poderia inspirar o mesmo tipo de lealdade?
    Claro que nunca houve, mas isso não significa que não seja possível
  • Andre Cavalcante  16/08/2013 19:22
    João,

    Tu continuas a criar um espantalho. De novo: policiais NÃO SÃO mercenários.
    Não sei se posso ser mais claro que isso. Se qualquer coisa que cê falou fosse, de fato, real, nem as empresas privadas atuais de segurança funcionariam. MAS ELAS FUNCIONAM!

    Agora mostre que uma polícia estatal é melhor que uma polícia privada. Esse é o ponto.
  • Joao  17/08/2013 02:32
    Por causa da hierarquia e da disciplina, do rigor dos treinamentos, Adam Smith fala isso, a hierarquia e a unidade se tornam muito mais importantes do que o "manejo individual" de armas, pois com o aumento do poder de fogo, a coesão da tropa se torna quase mais importante, e eu presenciei isso quando servi no Exército, adestramento e preparo são tudo, e esse tipo de preparo dificilmente você consegue fora de uma força do Estado, seja ela policial ou militar.
  • Vargas  01/05/2014 05:16
    Quem acha que milícia é bom, deveria se mudar pro Rio de Janeiro, pra uma área dominada por milícia e passar um mes sem pagar o "imposto" cobrado pelos milicianos para ver o que acontece...
  • Getulio  01/05/2014 06:41
    Não é necessário. Eu já moro uma área geográfica chamada Brasil, que é dominado por uma milícia monopolista cujo poderio policial e militar não tem concorrentes. E se eu não pagar impostos em dia para essa milícia (aliás, ontem foi o último dia do prazo), irei para a cadeia. E se eu resistir à prisão, serei morto.

    E então, o que era mesmo que você queria comparar?
  • anônimo  02/05/2014 03:04
    "Em uma sociedade livre, a proteção policial, como qualquer outro serviço, seria algo ofertado em bases contratuais, e somente para aqueles que estivessem dispostos a, e fossem capazes de, pagar por ela."

    Quando alguém fosse tomar um tiro na rua os "milicianos privados" iriam intervir e prender o homem armado,mas caso a vítima não apresentasse o cartão comprovando que ela pagou pela empresa de segurança e pela própria integridade física, eles soltariam o bandido e deixariam a pessoa morrer e foda-se. Mas outra opção também seria contratar um plano emergencial de segurança, pagando uma taxa de afiliação mensal de apenas $4.000.00 você seria protegido do agressor, bastando acessar o seu internet banking e fazer o pagamento.
  • Fernando Chiocca  17/09/2014 21:43
  • anônimo  18/09/2014 10:01
    Ver essas casas sem muros chega a dar uma sensação de stress
  • Mohamed Attcka Todomundo  18/09/2014 20:37
    me dá a sensaçao de q o mundo pode ser lindo, meigo, fofo, precioso e cilivizado (mas civilizado nunca!)
  • sergio k,  11/02/2015 05:47
    A segurança pública antes de tudo é um direito não um comércio ,e mesmo que o estado não a supra é impossível privatiza-la em um país com realidades tão conflitantes como o brasil ,o que precisa ser mudado são as leis e o sistema carcerário ,penas mais duras e dignidade nos presidios para haver possibilidade de reabilitação de presos leves ,pois nem todos querem se corrigir ,a nossa policia é mau organizada e o critério de concurso público é inadequado pois muitos funcionários públicos sequer tem a mínima vocação para o cargo é preciso como em países desenvolvidos formar policiais vocacionados ,aqui ser policial ou outro cargo público é antes de mais nada uma alternativa esperta ao desemprego ,tem ainda os beneficios ,a estabilidade etc.... tudo pago por nós ,sem falar em corrupção etc.... ,as leis precisam ser mudadas e a estabilidade abolida ,pisou na bola rua ,´´e inadmissível o funcionário público ganhar 4 vezes ou mais o salário de um privado de igual cargo ,isso demonstra uma economia fraca e um estado centralizador que tudo pode ,e isso não é democracia.
  • Gabriel  11/02/2015 15:00
    ''isso demonstra uma economia fraca e um estado centralizador que tudo pode ,e isso não é democracia.''

    Como não? A Dilma chegou sozinha ao poder? Sarney chegou sozinho ao poder? Jean Wyllys chegou sozinho ao poder? Nenhum iluminado votou neles? Querendo ou não amigo, isso é sim democracia.

    Aliás, a democracia é assim, sempre os piores irão se eleger. Qual você acha que a população vai escolher: o líder populista que promete o Jardim do Éden com unicórnios vomitando arco-íris ou aquele líder que fala abertamente sobre como a austeridade é necessária e que o aperto econômico é inevitável?

    Ademais, você está esperando que o estado resolva os problemas que ele próprio cria.
  • Ze  11/02/2015 15:26
    "A segurança pública antes de tudo é um direito não um comércio"

    O que lhe faz concluir que segurança é um direito? e por que segurança não é um serviço como qualquer outro? é diferente de um serviço de um médico? de uma faxineira?

    Todo direito implica na obrigação do outro, dizer que temos direito a segurança pública implica em dizer que alguém será obrigado a pagar por isso.

    Assim também como dizer que toda criança tem direito a educação significa que sou obrigado a pagar pela educação do filho do vizinho.

    Não tem essa de direito não, segurança é um serviço como qualquer outro.



  • Liberal das antigas  23/10/2015 12:17
    A nossa situação está tão boa que um delegado precisa de segurança para se defender da....polícia.

  • Homero  12/04/2016 18:53
    "Durante o período de um ano qualquer, é improvável que mais do que quatro ou cinco pessoas, nesse universo de mil, necessitem de proteção policial."

    Aparentemente, o autor do texto desconsidera a existência de pessoas: más; sem educação>sem oportunidades>decepcionadas>criminosos por opção; pessoas com problemas psicológicos (é mais fácil roubar do que trabalhar); movimentos armados (velados ou não) contrários à regra social, etc.

    O anarc, por mais fantasioso que pareça, pode funcionar numa sociedade educada, culta e com alta produtividade. Implantar tal modelo social em países como o nosso seria, basicamente, uma tentativa falha. Não acho que tal tentativa deva existir em grande escala. A não ser que divida-se os cultos e bem educados dos "favelados" e "funkeiros". Mas preconceito é uma merda, então não.

    Estado mínimo, gastando os tributos apenas com a segurança e justiça, ao meu ver, é o ideal. Nada impedindo, se possível, de diminuir tais gastos com a evolução social e individual dentro de determinada sociedade. O mercado será livre, o Estado será enxuto e cada um faz o que bem entender com sua(s) propriedade(s), tendo em vista as regras sociais.

    Sou anarc, liberal anarc ou liberal clássico? Não sei, gostaria de descobrir.
  • Pobre Paulista  13/04/2016 16:31
    Você é estatista.
  • cmr  13/04/2016 17:30
    "O mercado será livre, o Estado será enxuto e cada um faz o que bem entender com sua(s) propriedade(s), tendo em vista as regras sociais."

    E que regras sociais seriam essas ?, se for o estado quem as decidir, será o começo do fim.
    Não existe mercado livre, liberdade individual, etc... com o estado decidindo as "regras sociais", seja lá o que isso signifique.

    Como disse o Pobre Paulista, você é estatista, mas ainda não sabe ou não admite.
  • Schwartz  13/04/2016 17:40
    "O anarc, por mais fantasioso que pareça, pode funcionar numa sociedade educada, culta e com alta produtividade. Implantar tal modelo social em países como o nosso seria, basicamente, uma tentativa falha. Não acho que tal tentativa deva existir em grande escala. A não ser que divida-se os cultos e bem educados dos "favelados" e "funkeiros". Mas preconceito é uma merda, então não"

    Com essa parágrafo vc pode se considerar como um daqueles que falou uma das maiores bobagens nesse espaço.
  • Rafael  22/04/2016 20:10
    Faz pouco tempo que descobri o site e suas ideias. Muitas coisas ficaram claras e a lógica dos artigos é incrível. No entanto, talvez por ser difícil romper dogmas (são séculos de doutrinação sobre a necessidade do 'estado'), ainda não consigo visualizar, claramente, o funcionamento das coisas na ausência total do 'estado'. Por exemplo, o texto fala de polícia privada, que protegeria seus clientes da práticas de crimes. Ocorre que, hoje, quem define o que é um crime, é o 'estado'. Na sua ausência, quem assumiria esse papel? Superada a questão da definição de crimes, contra quem eu poderia reclamar pelo correto cumprimento do contrato de segurança privada? Por enquanto, a imagem que me vem é a das milícias vendem 'proteção', e quem não compra arca com danos causados pela própria milícia...
  • Cortez  22/04/2016 23:15
    "Ocorre que, hoje, quem define o que é um crime, é o 'estado'. Na sua ausência, quem assumiria esse papel?"

    Crime é todo e qualquer ato que agrida contra o direito natural de cada ser humano.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2307

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1902

    Santo Tomás de Aquino e Aristóteles já haviam definido assim:

    www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=5

    www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=8

    "Superada a questão da definição de crimes, contra quem eu poderia reclamar pelo correto cumprimento do contrato de segurança privada?"

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=93

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1570

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1846

    www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=731


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.