Hoover e a fraudulenta história da Grande Depressão

Desde o final de 2007, mais e mais comentaristas econômicos vêm delineando paralelos entre a atual crise financeira e a Grande Depressão.  Prêmios Nobel e conselheiros presidenciais confiantemente proclamam que foi Herbert Hoover e sua frugalidade laissez-faire que exacerbaram a Depressão, e que a economia americana foi salva somente depois que Franklin Delano Roosevelt ousadamente gerou vários déficits orçamentários para lutar contra os nazistas.  Mas como documentado em meu novo livro, The Politically Incorrect Guide to the Great Depression and the New Deal, essa história oficial é totalmente falsa.

Primeiro vamos falar claramente sobre as políticas fiscais de Herbert Hoover.  Contrariamente ao que você ouviu na escola ou tem lido recentemente, Hoover adotou um comportamento típico de um livro-texto keynesiano após a queda da bolsa de valores.  Ele imediatamente cortou as alíquotas do imposto de renda em 1% (válida para o ano fiscal de 1929) e começou a ampliar os gastos federais, aumentando-os em 42% entre os anos ficais de 1930 e 1932.

Mas para que realmente avaliemos as credenciais genuinamente keynesianas de Hoover, vale lembrar que esse imenso aumento dos gastos ocorreu em simultâneo a um colapso das receitas de impostos, decorrentes tanto do declínio da atividade econômica quanto da deflação de preços do início da década de 30.  Essa combinação fez com que a administração Hoover gerasse um nível de déficits até então sem precedentes na história americana, para períodos de paz.  E o que é mais interessante: a plataforma da campanha presidencial de Roosevelt atacava justamente esses feitos de Hoover!

Quão grandes foram os déficits de Hoover?  Bem, seu antecessor, Calvin Coolidge, havia gerado superávits em absolutamente todos os seis anos de sua presidência, e ele foi capaz de manter o orçamento federal praticamente em níveis constantes, não obstante toda a prosperidade (e o consequente aumento da arrecadação) dos anos 20.  Contrariamente a Coolidge - que realmente foi um presidente que prezava um estado pequeno - Herbert Hoover conseguiu transformar um superávit inicial de $700 milhões em um déficit de $2,6 bilhões já em 1932.  E exatamente esses anos de forte aumento de gastos e déficits, foram os anos em que o desemprego mais subiu.

É verdade que, pelas cifras atuais, esses números não parecem grande coisa; durante o último ano do governo Bush, o Secretário do Tesouro Henry Paulson dava valores muito maiores aos banqueiros - durante o café de manhã.  Mas tenha em mente algo muito importante: o déficit de $2,6 bilhões ocorreu porque Hoover gastou $4,6 bilhões ao mesmo tempo em que coletou $2,6 bilhões de impostos.  Ou seja: como porcentagem do orçamento total, esse déficit de 1932 foi algo estarrecedor - mais de 56% do orçamento.  Seria o equivalente aos EUA terem tido um déficit de $3.3 trilhões em 2007 (quando o déficit naquele ano foi de $162 bilhões).  Em termos do PIB, o déficit de 1932 foi o equivalente a 4%, o que dificilmente classificaria Hoover como um 'desalmado' cortador de gastos.

O real motivo de o desemprego ter explodido durante o mandato de Hoover não foi seu 'aversão' a déficits ou sua 'paixão' pelo padrão-ouro.  Não.  A conduta que distanciou Hoover de todos os presidentes americanos anteriores foi a sua insistência de que as grandes empresas não diminuíssem os salários como resposta ao colapso econômico.  Hoover tinha a errônea noção de que o poder de compra dos trabalhadores era a fonte de solidez de uma economia, e que, portanto, haveria um ciclo vicioso se as empresas começassem a demitir empregados e a cortar salários em decorrência de uma queda na demanda.

Os resultados falam por si sós.  Durante a cruel e insensível era "liquidacionista", antes de Hoover, as depressões (ou "pânicos") regularmente acabavam em menos de dois anos.  Sim, certamente não era nada divertido para os trabalhadores ver seus contracheques encolhendo rapidamente.  Porém isso assegurava uma rápida recuperação - e, em todo caso, o impacto era amortecido porque os preços também caíam.

Assim, qual foi o destino dos trabalhadores durante a presumivelmente compassiva era Hoover, quando os 'esclarecidos' líderes empresariais mantiveram inalterados os salários em meio a uma forte queda nos preços e lucros?  Bom, a economia básica nos ensina que preços mais altos fazem com que uma menor quantidade de algo seja comprada.  E como o "salário real" (isto é, o valor nominal ajustado pela deflação nos preços) dos trabalhadores aumentou mais rapidamente nos início dos anos 30 do que havia aumentado até mesmo durantes os "Vibrantes anos 20", as empresas não podiam bancar a contratação de mais gente.  Não havia recursos para tal.  Foi por isso que o desemprego disparou para inimagináveis 28% em março de 1933.

"Isso tudo é muito interessante", o leitor cético pode dizer, "mas é inegável que a enorme gastança da Segunda Guerra Mundial tirou os EUA da Depressão.  Portanto, é óbvio que Herbert Hoover não gastou o suficiente."

Ah, agora chegamos a um dos maiores mitos da história econômica, o suposto "fato" de que os gastos militares americanos salvaram a economia.  Em meu livro, baseei-me enormemente no trabalho pioneiro e revisionista de Bob Higgs, que mostrou em vários artigos e livros que a economia americana estava atolada na depressão até 1946, sendo este o ano em que o governo federal finalmente relaxou seu controle sobre a economia, liberando os recursos e trabalhadores do país.  Foi esse o ano em que o governo federal cortou nada menos que 33% de seu orçamento, liberando recursos para o setor produtivo da economia.

Para uma completa exposição, você terá (naturalmente) de comprar meu livro.  Mas aqui vai um rápido resumo: é óbvio que as taxas de desemprego caíram acentuadamente depois que os EUA começaram a recrutar compulsoriamente homens para as forças armadas.  Isso não deveria ser nada surpreendente.  Da mesma forma, se Obama quiser reduzir o desemprego americano hoje, basta ele pegar dois milhões de trabalhadores demitidos, equipá-los com armas e botes infláveis, e mandá-los para combater piratas.  Voilà!  A taxa de desemprego cairia.

As medidas oficiais do governo americano, que mostram um PIB crescente durante os anos da guerra, também são enganosas.  Os números do PIB incluem o gasto governamental, o que faz com que os magnânimos dispêndios militares sejam considerados globalmente.  Porém sabemos que $1 milhão gasto em tanques dificilmente representa a mesma genuína produção econômica decorrente de $1 milhão gasto pelas famílias na compra de carros, por exemplo.

Além dessa distorção, Higgs nos lembra que o governo americano instituiu controle de preços durante a guerra.  Se o Banco Central imprime muito dinheiro para possibilitar ao governo comprar enormes quantidades de bens (tais como munições e bombardeiros, neste caso), o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) vai disparar.  Assim, quando os estatísticos econômicos forem calcular os números do PIB nominal, eles terão de ajustá-los para baixo por causa do forte aumento ocorrido no custo de vida, o que fará com que o PIB "ajustado pela inflação" (real) não pareça tão impressivo.  Mas esse ajuste não pôde ocorrer à época, pois o governo proibiu que o IPC aumentasse.  Portanto, os números oficiais que mostram o "PIB real" americano aumentando durante a Segunda Guerra Mundial são tão falsos quanto os anúncios da União Soviética sobre suas façanhas industriais.

Nesse artigo, tratei apenas superficialmente todos os mitos que permeiam a Grande Depressão e o New Deal.  Por exemplo, também nos é dito constantemente - dessa vez pelos economistas de Chicago, e não pelos keynesianos - que "aprendemos durante a Depressão" que o Banco Central precisa expandir rapidamente a base monetária para evitar o desastre.  Oops, mais uma fraude.  A base monetária aumentou 31% do final de 1930 até o início de 1933, ano dos piores números.  Mas você terá de comprar meu livro para entender melhor.

 

N. do T.: O livro anterior de Murphy, The Politically Incorrect Guide to Capitalism, foi traduzido pela editora Saraiva sob o título (ruim) de Pecados do Capital.  A tradução, porém, tem erros graves.  Um trecho em que Murphy fala claramente que o padrão-ouro funcionaria no mundo atual foi traduzido como 'não funcionaria'.  Sugerimos ao leitor fluente em inglês optar pela edição original.  

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Mais sobre o assunto:

O New Deal ridicularizado (novamente)

Como Franklin Roosevelt piorou a Depressão

À espera de um novo New Deal

Por que os bancos devem aumentar os juros em uma recessão

Friedman e o Fed: será que liquidez é a solução?

 

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SOBRE O AUTOR

Robert P. Murphy

é Ph.D em economia pela New York University, economista do Institute for Energy Research, um scholar adjunto do Mises Institute, membro docente da Mises University e autor do livro The Politically Incorrect Guide to Capitalism, além dos guias de estudo para as obras Ação Humana e Man, Economy, and State with Power and Market.  É também dono do blog Free Advice.




Pessoal,estou em duvida sobre uma polemica nos contratos.Assunto meio OFF,mas aproveitando o espaço,gostaria de levantar essa questão para saber a visão de cada um.

O proprietário de um barco ou navio,pode expulsar um individuo de sua propriedade no meio do oceano?

O proprietário de um avião,pode expulsar um individuo de sua propriedade no meio do céu?

O proprietário de um motor-home,pode expulsar um individuo de sua propriedade no meio de uma floresta?

O contrato aqui como fica?O proprietário deve responder penalmente caso expulse o indivíduo nos casos citados acima?

Se eu contrato um barco,para realizar um passeio e o barco pega fogo,eu acredito que o consumidor detêm responsabilidade própria de verificar se havia seguro ou clausulas contratuais como garantia contra acidentes,ou seja,ele assume o risco de contratar tal serviço.Porem ate onde vai a quebra de contrato e a legitimidade de um processo penal?(resposta judicial)
Acontece que,se o indivíduo quebra o contrato ou a regra da dessa embarcação em alto mar,é ou não é legitimo o proprietário expulsa-lo em pleno oceano?Entendo que neste caso,o contrato poderia ter uma clausula dispondo sobre as consequências de eventuais quebras de regras,fazendo assim o consumidor esta consciente e livre para decidir.
O problema é quando há contratos meio ''implícitos'',como um serviço de balsa ou até mesmo uma casa noturna.Ao usufruir de tais serviços,você não assina um contrato ao pé da letra,é implícito de que a balsa não vai afundar,assim como é implícito que a casa noturna não ira incendiar ou desmoronar.Entendem?

Como eu faço direito e tenho somente 20 anos,ainda estou na longa caminhada de estudos,principalmente por gostar dessa parte de defesa da propriedade privada(contratos),por isso acompanho o IMB e defendo a liberdade sempre.Mas como eu disse,poucos anos de vida me obrigam a correr atrás do que ainda não deu tempo de aprender ou refletir.

Outra questão parecida é sobre invasão de propriedade indireta e oculta.
Por exemplo:

Eu tenho uma empresa de fornecimento de energia,que operam com cataventos.
Certo dia,um empresario resolveu construir algo que consequentemente muda a direção e o ritmo dos ventos,afetando assim a minha produção de energia com cataventos.Imagine que o empresario vizinho construiu um Castelo,uma muralha,um prédio...Qualquer coisa física com magnitude suficiente para influenciar na corrente de ventos que passam pela minha propriedade.
Como fica essa situação?Ouve uma invasão ou agressão a minha propriedade?
De cara é fácil dizer que sim,mas imagina o empresario vizinho,ele também teve seu direito de propriedade violado,já que o mesmo ficou completamente limitado a construir em sua propriedade,devido ao vizinho.Ele comprou a propriedade mas não pode construir o que bem entender devido ao vizinho e seus cataventos.
O mesmo vale para diversos exemplos como,poluição.Já li o artigo que saiu essa semana sobre libertarianismo e poluição,estou de completo acordo e compreendo.
Se eu forneço o serviço de abastecimento de aguá,que depende quase exclusivamente das chuvas,e alguns indivíduos desmantaram as florestas próximas que eram responsáveis pela regulação dessas chuvas.Houve uma violação na minha propriedade indiretamente,mas ao mesmo tempo os vizinhos que comprarem essas propriedades florestais,terão que manter as arvores lá pro resto da vida!?!Houve uma limitação no direito de propriedade deles também,pois terão que manter a floresta em sua propriedade para não influenciar na minha propriedade.Entendem?

Por enquanto é isso,de vez em quando tenho essas questões martelando na minha cabeça pedindo por respostas.Hoje foi sobre isso,tive um tempo e comentei aqui.Já já apareço com outras polemicas rs rs...

Grande Abraço!
Bruno Feliciano.



A questão é que Mises não defendeu a secessão até o nível do indivíduo. Os problemas de ordem técnica que ele via eram os mesmos problemas da própria anarquia. Esses problemas, segundo ele, "tornam necessário que uma região seja governada como uma unidade administrativa e que o direito de autodeterminação se restrinja à vontade da maioria dos habitantes de áreas de tamanho suficiente, para conformar unidades territoriais na administração de um país." (Liberalismo, p. 129) Por isso a secessão deva ser tal que forme uma unidade administrativa independente, com um conjunto de pessoas que realmente seja capaz de formar uma "sociedade", e que seja feita por meio de um plebiscito:

"O direito à autodeterminação, no que se refere à questão de filiação a um estado, significa o seguinte, portanto: quando os habitantes de um determinado território (seja uma simples vila, todo um distrito, ou uma série de distritos adjacentes) fizeram saber, por meio de um plebiscito livremente conduzido, que não mais desejam permanecer ligados ao estado a que pertenciam na época, mas desejam formar um estado independente ou ligar-se a algum outro estado, seus anseios devem ser respeitados e cumpridos." Ludwig von Mises, Liberalismo – Segundo a Tradição Clássica, p. 128

O problema da anarquia é basicamente o mesmo da secessão individual. Imagine que qualquer um possa se separar do Estado, quando quiser. Uma pessoa que quebra as regras da sociedade, um criminoso, pode facilmente pedir secessão e não se ver sujeito à punição. E essa é a mesma situação que acontece na anarquia. Por isso há a necessidade de um governo monopolista, para Mises, já que o poder de uso da força ficaria a cargo da comunidade como um todo, e nenhum indivíduo específico poderia se dizer na autoridade de matar, roubar, etc, sem que receba a punição necessária:

"A fim de estabelecer e preservar a cooperação social e a civilização são necessárias medidas para impedir que indivíduos antissociais cometam atos que poderiam desfazer tudo o que o homem realizou desde que saiu das cavernas. Para preservar um estado de coisas onde haja proteção do indivíduo contra a ilimitada tirania dos mais fortes e mais hábeis, é necessária uma instituição que reprima a atividade antissocial. A paz — ausência de luta permanente de todos contra todos — só pode ser alcançada pelo estabelecimento de um sistema no qual o poder de recorrer à ação violenta é monopolizado por um aparato social de compulsão e coerção, e a aplicação deste poder em qualquer caso individual é regulada por um conjunto de regras — as leis feitas pelo homem, distintas tanto das leis da natureza como das leis da praxeologia. O que caracteriza um sistema social é a existência desse aparato, comumente chamado de governo."

Ludwig von Mises, Ação Humana, capítulo XV, "Liberdade"

Em razão justamente disso ele nunca defendeu a secessão individual. Na citação mesmo que ele fala que "deveria ser assim", se fosse possível, ele rejeita. Mas, "se fosse possível...",da mesma forma com a anarquia, e ele achava ambos impossíveis. E lembrando que Mises não defendia as coisas por moral, mas sim por utilidade, e nem a anarquia, nem a secessão individual eram úteis para ele. Segundo ele:

"Tudo o que sirva para preservar a ordem social é moral; tudo o que venha em detrimento dela é imoral. Do mesmo modo, quando concluímos que uma instituição é benéfica à sociedade, ninguém pode objetar que a considera imoral. É possível haver divergência de opinião entre considerar-se socialmente benéfica ou prejudicial uma determinada instituição. Mas, uma vez julgada benéfica, ninguém pode mais argumentar que, por alguma razão inexplicável, deva ser considerada imoral."

Ludwig von Mises, Liberalismo – Segundo a Tradição Clássica, p. 62
"Comprar produtos britânicos está mais barato, por causa da desvalorização da libra, e o ftse subiu porque está mais barato comprar ações na bolsa de Londres."

Ué, por essa lógica, no Brasil de Dilma em que o real foi pra privada, era para o Ibovespa ter disparado e para as exportações terem bombado. Afinal, nossos produtos ficaram baratinhos.

No entanto, ocorreu o exato oposto. Bolsa e exportações desabaram.

Por outro lado, no período 2003 a 2011, em que o real se fortaleceu acentuadamente, o Ibovespa disparou, assim como as exportações. Pela sua lógica, era para acontecer o oposto.

Aliás, também segundo esse raciocínio, era para a bolsa americana ter desabado e suas exportações terem despencado desde 2011. Afinal, para todo o mundo, o dólar encareceu bastante desde lá. No entanto, aconteceu o exato oposto.

A pessoa dizer que a bolsa reflete o câmbio e não a saúde financeira das empresas e da economia é uma abissal ignorância econômica.

Para entender por que exportações e saúde das empresas andam de acordo com a força da moeda, ver estes artigos:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2394
www.mises.org.br/Article.aspx?id=2378
www.mises.org.br/Article.aspx?id=2175

"Agora, bancos e empresas japonesas já estão pensando em tirar o time, os hate crimes aumentaram."

Então não tem lugar nenhum no mundo para onde elas irem. Em qualquer país há hate crimes.

"Como manter as multinacionais sem as mesmas vantagens? Como as universidades ficarão em recursos, uma vez que o dinheiro vem da UE?"

Você está terrivelmente desinformado. O Reino Unido é um pagador líquido para a União Européia: paga 136 milhões de libras por semana para a União Europeia. Repito: por semana.

Portanto, se a sua preocupação é com os "recursos das universidades", então aí sim é que você tem de ser um defensor do Brexit.
"Os interesses privados do livre mercado vão capturar o estado sempre, tenha ele o tamanho que for."

Belíssima contradição. Livre mercado, por definição, significa um mercado cuja entrada é livre. Não há impeditivos burocráticos, regulatórios e tarifários para os novos entrantes e, principalmente, não há privilégios estatais para os já estabelecidos.

Empresas capturarem o estado para impor barreiras à entrada de novos concorrentes e para garantirem privilégios a si próprias é o exato oposto de livre mercado. Isso é mercantilismo, protecionismo, cartorialismo e compadrio.

Seu começo já foi triunfal.

"Grandes grupos vão seguir sua trajetória de "sucesso" através de consolidações e aquisições, se tornando cada vez mais megacorporações mono ou oligopolistas, ditando as regras."

Se a entrada no mercado é livre, não há como existir oligopólios e monopólios.

Não é à toa que quem cria cartéis, oligopólios, monopólios e reservas de mercado, garantindo grandes concentrações financeiras, é e sempre foi exatamente o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, TV a cabo, internet, postos de gasolina etc.).

Artigos para você sair desse auto-engano:

Brasil versus Romênia - até quando nosso mercado de internet continuará fechado pelo governo?

A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa - ou: você é pró-mercado ou pró-empresa?

Grandes empresas odeiam o livre mercado

Romaria de grandes empresários a Brasília - capitalismo de estado explicitado

E você ainda diz que é o estado quem vai impedir a concentração do mercado, aquela concentração que ele próprio cria e protege?

Por outro lado, não há e nem nunca houve monopólios no livre mercado. Empiria pura. Pode conferir aqui:

Monopólio e livre mercado - uma antítese

O mito do monopólio natural

"Temos ai, a título de exemplo de livre mercado, o Uber, que através de concorrência desleal leva prejuízo a setores regulados como os taxistas e escraviza motoristas, impondo jornadas de trabalho de até 12 horas."

Sensacional!

Primeiro você reclama das corporações que utilizam o estado para conseguir uma reserva de mercado e, com isso, manter oligopólios e monopólios. Aí, logo em seguida, derrama lágrimas porque uma corporação que utiliza o estado para conseguir uma reserva de mercado (os taxistas) está sendo quebrada pelo livre mercado!

Fazia tempo que eu não via alguém se auto-refutar de maneira tão pirotécnica quanto você.

"Esse papo furado de que o mercado regula tudo é para iludir os tolos e facilitar a vida das megacorporações."

Tipo, o megacartel dos taxistas desafiados pela Uber e pela Lyft? As grandes redes hoteleiras, que agora estão sofrendo com o AirBnB, que permite que qualquer dona de casa concorra com grandes corporações globais do setor hoteleiro? Os grandes bancos, que agora sofrem a concorrência das FinTechs e de sites como o "Descola Aí" e o "Banca Club"? As grandes redes varejistas, agora desafiadas pelo OpenBazaar?

É...

"Me parece que os "libertários" são os cães de guarda ideológicos delas."

Já a realidade mostra que são idiotas inconscientes como você os verdadeiros defensores dos monopólios e oligopólios concedidos pelo estado, via regulamentações, às grandes empresas.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Luiz Eduardo  27/07/2013 17:36
    Este livro tem somente esse erro?
  • Emerson Luis, um Psicologo  18/01/2014 21:06

    É sempre assim: o intervencionismo causa problemas, que são atribuídos ao laissez-faire e a solução proposta é ainda mais intervencionismo!

    Tomara que esse livro receba uma nova tradução, a começar pelo título marxista.

    * * *
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  23/03/2015 20:45
    É notável que um grande país, como os EUA, tenham acreditado por tanto tempo nos supostos poderes das regulações econômicas, como forma de crescimento. Pensei que os únicos burros fossem os brasileiros.


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