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Por que uma sociedade poupadora enriquece e uma sociedade consumista empobrece
Ao contrário do que dizem os intervencionistas, o caminho para a riqueza é a poupança, não o consumo

João tem uma renda de R$ 6.000 por mês. Não está nada mal. Com esse dinheiro, todos os meses ele consegue tranquilamente bancar seus gastos fixos: ele paga o aluguel, o condomínio, a conta de luz, a conta de gás, a internet e a conta de celular.

Com o que sobra, ele decide gastar com lazer e mimos próprios. Sai para jantar com frequência, vai ao boliche duas vezes por semana, vai a baladas todos os sábados, e ainda extrapola o limite do cartão de crédito comprando roupas e perfumes. Ele chega ao final do mês zerado. Gastou tudo o que recebeu e ainda tem dívidas pendentes no cartão de crédito.

Maria trabalha em uma empresa e tem um cargo similar ao de João. Seu salário é aproximadamente o mesmo. Mas o padrão de gastos é completamente diferente. Ao contrário de João, Maria, após quitar todos os seus gastos fixos, poupa o que sobrou e investe.

Ou seja, Maria restringe seu consumo presente. Maria faz o sacrifício de gastar pouco no presente, privando-se de vários prazeres. Isso, obviamente, significa que ela nem sempre se permite a pequenos luxos. Ela não é da mentalidade do "eu mereço, por isso gasto". Muitas vezes ela tem de dizer a seus amigos e amigas que "esta noite não poderei sair".

Difícil e chata a vida de Maria, não?

No curto prazo, de fato pode parecer assim. Já no longo prazo, a história será bem diferente.

Vinte anos depois, João se tornou vítima de suas próprias escolhas. Ele gostaria de sair do seu atual e estafante emprego e poder se dedicar a outras coisas, mas está afundado em um mar de dívidas. Como ele não tem reservas — pois não poupou —, praticamente tudo o que ele recebe como salário vai diretamente para o pagamento de dívidas. Consequentemente, ele não pode se dar ao luxo de sair deste seu emprego e mudar sua rotina. Seus gastos fixos são hoje ainda mais altos, de modo que ele sempre está "com a corda no pescoço". Antigamente, ele trabalhava para ganhar dinheiro. Hoje, ele trabalha para pagar dívidas.

Já Maria está em uma situação completamente distinta. Com bastante dinheiro acumulado — consequência de sua poupança e de sua restrição de gastos —, seu trabalho não mais é uma necessidade de sobrevivência. Ela não mais precisa daquele emprego como se fosse o único recurso para continuar viva. Com efeito, ela está pensando em deixar de ser empregada e se tornar empreendedora. Ela quer investir no ramo da moda. Ela sempre gostou de design de moda e agora está animada a dar uma guinada em sua vida. Está decidida, e investirá sua poupança neste novo projeto.

Seu sonho é, em alguns anos, poder viver do seu próprio empreendimento.

A poupança, a frugalidade, e a capacidade de pensar visando ao longo prazo foi o que ajudou Maria. Se esse comportamento foi positivo para Maria, por que seria negativo caso adotado por todas as pessoas de uma economia?

A falácia de que a poupança afeta a economia

Com enorme frequência escutamos que a poupança é a inimiga do crescimento econômico. Os economistas keynesianos nunca se cansam de enfatizar que o que move a economia é o consumo. Consequentemente, a política econômica correta é aquela que estimula o consumismo, seja por meio do crédito farto e barato, seja por meio de simplesmente dar mais dinheiro às pessoas para que elas possam gastar.

"Mais consumo significa mais demanda, e mais demanda gera maior produção. Eis a receita para a prosperidade!", dizem eles.

Já a poupança — isto é, a frugalidade e a contenção os gastos — seria a inimiga número um desta receita mágica.

Quais os problemas com esta visão? Vários.

Para começar, ela se baseia na crença de que ações individuais voluntárias — as pessoas decidem poupar mais de livre e espontânea vontade — podem ser deletérias para toda a economia. Na visão keynesiana, tal comportamento não é algo racional; não é um comportamento adotado voluntariamente de acordo com as condições econômicas. Ao contrário, trata-se de um comportamento irracional, de um "espírito animal".  É algo que acontece do nada. As pessoas simplesmente param de gastar e começam a poupar.

Sim, se várias pessoas repentinamente decidirem parar de gastar toda a sua renda e decidirem poupar boa parte dela com a intenção de consumir apenas no futuro, isso obviamente terá certos efeitos sobre parte da economia, uma vez que haverá menos demanda por certos tipos de bens e serviços. Isso é algo óbvio e nada controverso.

Mas o que isso gerará? Essa é a questão principal. E ela nos leva ao principal problema com esta visão: ela ignora por completo a verdadeira "função social" da poupança.

Esta função social da poupança, e sua importância para o desenvolvimento das economias, foi destacada pelo economista austríaco Eugen von Böhm-Bawerk, que escreveu em 1910:

Aquilo que todos conhecem como "poupança" tem, como consequência imediata, um lado negativo: o não-consumo de uma fatia de nossa renda. Ou, em termos aplicáveis à sociedade que utiliza o dinheiro, o não-gasto de uma porção do dinheiro recebido anualmente.

Este aspecto negativo da poupança é o mais imediatamente evidente em nosso dia a dia e, com efeito, é o único que as pessoas imaginam existir. São muito poucas as pessoas que realmente param para pensar no destino subsequente das somas de dinheiro poupado; elas apenas imaginam que o dinheiro ficou parado dentro de uma conta bancária.

Mas é exatamente aqui que começa a parte positiva do processo da poupança, o qual irá se completar muito longe do campo de visão do poupador — cujas ações, entretanto, foram as que deram o impulso a toda a atividade que virá a seguir.

O banco irá recorrer a essa poupança de seus depositantes e irá emprestá-la para empreendedores de várias maneiras: empréstimos para a construção civil, empréstimos para a abertura de pontos comerciais, empréstimos para a ampliação de instalações industriais, empréstimos para a construção de fábricas, empréstimos para a contratação de mão-de-obra, empréstimos para capital de giro etc.

Desta maneira, a poupança de uns foi direcionada para o financiamento de atividades produtivas, as quais, sem esta ajuda, não poderiam ter êxito. No mínimo, não alcançariam a mesma eficiência.

Essa é a primeira consequência positiva da poupança: se ela não existisse, não haveria depósitos nos bancos e, consequentemente, não haveria crédito nem para o consumo e nem para o investimento.

Em suma, sem a poupança não há investimento, e sem investimento os países não cresceriam.

[N. do E.: quanto menos poupadora é uma sociedade, mais o governo tenta remediar essa situação expandindo ele próprio o crédito, por meio da simples criação de dinheiro. As consequências são a inflação de preços e os ciclos econômicos ]

No entanto, vários oferecem resistência a esta ideia de que é necessário poupar. Ao próprio Böhm-Bawerk os contrários à poupança diziam que, se todos os indivíduos decidissem poupar 25% de sua renda ao mesmo tempo, isso iria restringir a demanda por bens de consumo, levando a economia a uma forte recessão.

E haveria recessão não somente porque cairia a demanda por bens de consumo, mas também porque a demanda por bens de capital (aqueles utilizados para produzir bens de consumo, como máquinas e ferramentas) iria igualmente cair. Afinal, quem iria comprar uma máquina que fabrica sapatos se ninguém quer comprar sapatos, já que todos decidiram poupar mais? Consequentemente, quem investiria na produção de máquinas?

A esta acusação Böhm-Bawerk respondeu de maneira magistral:

Nesta premissa — de que a poupança significa necessariamente uma redução na demanda por bens de consumo — está faltando uma única, porém muito importante, palavra: 'presente'. 

Para começar, o homem que poupa reduz a sua demanda por bens de consumo presentes, mas de maneira alguma ele reduz seu desejo geral por bens que lhe deem prazer. A "abstinência" gerada pela poupança não é uma abstinência absoluta, ou seja, ela não gera uma renúncia definitiva a todo e qualquer bem de consumo. Ele continua consumindo bens básicos no presente. Mas abrirá mão do consumo, no presente, de bens mais luxuosos. Mas tal renúncia não é definitiva. Ela é apenas uma postergação.

O motivo principal daqueles que poupam é precisamente preparar-se para o consumo futuro; ter meios com os quais suprir suas demandas futuras ou as de seus herdeiros. 

Isso significa, nada mais nada menos, que eles desejam garantir que terão controle sobre os meios que permitirão a satisfação de seus desejos futuros, isto é, sobre o consumo de bens em um período futuro.

Em outras palavras, aqueles que poupam reduzem sua demanda por bens de consumo no presente justamente para poderem aumentar proporcionalmente sua demanda por bens de consumo no futuro.

Ou seja, a poupança é a restrição do consumo presente visando a um aumento do consumo futuro.

O consumismo e a lição de Crusoé

A diferença entre o Robinson Crusoé pobre e o Robinson Crusoé rico é que o rico dispõe de bens de capital.  E para ter esses bens de capital, ele teve de poupar e investir.  

Os bens de capital do Robinson Crusoé rico (por exemplo, uma rede e uma vara de pescar, construídas com bens que ele demorou, digamos, 5 dias para produzir) foram obtidos porque ele poupou (absteve-se do consumo) e, por meio de seu trabalho, transformou os recursos que ele não havia consumido em bens de capital. Estes bens de capital permitiram ao Robinson Crusoé rico produzir bens de consumo (pescar peixes e colher frutas) e com isso seguir vivendo cada vez melhor.

Já o Robinson Crusoé pobre é aquele que não poupa. Consequentemente, ele não dispõe de bens de capital. Logo, todo o seu trabalho é feito à mão. Por isso, ele é menos produtivo. E, por produzir menos e ter menos bens à sua disposição, ele é mais pobre e seu padrão de vida é mais baixo.

O Robinson Crusoé rico é mais produtivo.  E, por ser mais produtivo, não apenas ele pode descansar mais, como também pode poupar mais, o que irá lhe permitir acumular ainda mais bens de capital e consequentemente aumentar ainda mais a sua produtividade no futuro. 

Já o Robinson Crusoé pobre consome tudo o que produz. Ele não tem outra opção.  Como ele não é produtivo, ele não pode se dar ao luxo de descansar e poupar. Essa ausência de poupança compromete suas chances de aumentar seu padrão de vida no futuro.

Por isso, sociedades ultra-consumistas são necessariamente sociedades de subsistência. Uma tribo africana consome 100% de sua produção (renda). Como não consegue poupar, não consegue acumular capital. Sem capital acumulado, não consegue aumentar sua produtividade. Sem aumento de produtividade, não sai da pobreza. Nada é mais anti-capitalista que uma sociedade ultra-consumista.

Capitalismo é, acima de tudo, poupança

Não há dúvidas de que o consumo é o propósito supremo de toda atividade humana de caráter produtivo. As pessoas trabalham e produzem para poder consumir; e é assim em todo e qualquer arranjo econômico, tanto em sociedades capitalistas quanto em sociedades não-capitalistas.

Ninguém quer dedicar esforços e recursos para fabricar algo que não será utilizado no futuro.

Mas a característica distintiva do capitalismo é que ele direciona a poupança dos cidadãos para investimentos produtivos. Em outras palavras, ele transforma poupança em capital.

Aqueles que crêem que o capitalismo se sustenta sobre o consumismo desconhecem a própria raiz da palavra "capitalismo". Capitalismo advém de capital. Capitalismo é acumulação de capital. E capital é aquela fatia do nosso patrimônio que aumenta a nossa riqueza futura. Capital é toda a riqueza acumulada — que pertence a empresas ou a indivíduos — e que é utilizada para o propósito de se auferir receitas e lucros futuros.

Capital, em suma, é aquilo que cria riqueza futura para nós mesmos e para o resto da sociedade.

Para acumular capital é necessário poupar. E para poupar é necessário restringir o consumo.

Sendo assim, qual o sentido de dizer que um arranjo cuja própria existência depende da virtude da poupança e do não-consumo só pode sobreviver e prosperar quando se consome maciçamente?

O capitalismo não depende do consumo, mas sim da poupança. Uma sociedade que consome 100% da sua renda será uma sociedade anti-capitalista. Não haveria um único bem de capital existente: não haveria moradias, não haveria fábricas, não haveria infraestruturas, não haveria meios de transporte, não haveria maquinários, não haveria escritórios e imóveis comerciais, não haveria laboratórios, não haveria cientistas, não haveria arquitetos, não haveria universidades, não haveria nada.

Simplesmente, todos os indivíduos estariam permanentemente ocupados produzindo bens de consumo básicos — comidas e vestes — e não dedicariam nem um segundo para a produção de bens de capital, que são investimentos de longo prazo que geram bens futuros. Por definição, se uma sociedade consome 100% da sua renda, ela não produz nenhum outro bem que não seja de consumo imediato.

É a poupança, é o não desejo de consumir tudo o que se pode, o que nos permite direcionar nossos esforços para satisfazer não os nossos desejos mais imediatos, mas sim nossas necessidades futuras: com a poupança, produzimos bens de capital que irão, por sua vez, fabricar os bens de consumo de que podemos necessitar no futuro.

Mas como saber o que produzir?

A objeção final torna-se óbvia: dado que temos de poupar agora para consumir mais no futuro, como serão os investimentos?

Ou seja, mesmo se houver uma maior demanda futura por bens de consumo, como os empreendedores irão saber quais tipos de investimentos em capital deverão fazer?  E quais tipos de bens, e em quais quantidades, devem planejar ofertar no mercado em preparação para esta maior demanda futura?

A resposta de Böhm-Bawerk foi mostrar que a produção é sempre voltada para o futuro — um processo no qual se utiliza meios produtivos hoje com o intuito de se ter bens de consumo para serem vendidos amanhã. 

O exato propósito da concorrência empreendedorial é testar constantemente o mercado, de modo a antecipar da melhor maneira as demandas do consumidor, corrigir as existentes e perceber as que estão mudando. 

Empreendedorismo é, acima de tudo, a arte de saber antecipar corretamente as demandas dos consumidores e direcionar os recursos presentes de modo a fabricar bens que atenderão aos desejos dos consumidores no futuro. Não é fácil. É uma arte dominada por muito poucos. E estes poucos que a dominam irão auferir grandes lucros.

A concorrência, portanto, é o método de mercado que faz com que a oferta seja sempre correspondente às demandas dos consumidores.  E se erros forem cometidos — e eles serão —, os prejuízos resultantes deste prognóstico errôneo funcionam como estímulo para que se faça ajustes apropriados na estrutura de produção, ou para que se realoque mão-de-obra e recursos para outras linhas de produção.

Quando deixado funcionando livremente, o mercado exitosamente garante que as demandas tenderão a igualar a oferta, e que os horizontes temporais dos investimentos serão compatíveis com a poupança disponível necessária para manter e expandir a estrutura do capital no longo prazo.

E qualquer tentativa de manipular esse arranjo — por exemplo, por meio da redução artificial das taxas de juros — inevitavelmente gerará ciclos econômicos.

Conclusão

A poupança é vital para que exista um futuro melhor. É ela que deve ser estimulada, e não o consumismo, o endividamento, o crédito subsidiado ou o controle de preços.

Poupar sempre é bom. Se o fazemos, isso significa que somos mais pacientes e, consequentemente, podemos gerar processos de produção mais completos, de maior duração, e com mais etapas intermediárias. Sem a poupança, jamais teria sido possível o surgimento de tratores, máquinas ceifadoras, escavadeiras e, acima de tudo, nenhuma das inovações tecnológicas que hoje estão revolucionando a maneira como nos comunicamos, como Facebook, Twitter, Skype, Gmail, Instagram, SnapChat etc.

Todas estas criações foram possíveis porque alguém, em algum momento, decidiu poupar, e esta poupança foi direcionada para o investimento.

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Consumidores não criam empregos

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Iván Carrino, analista econômico da Fundación Libertad y Progreso na Argentina e possui mestrado em Economia Austríaca pela Universidad Rey Juan Carlos, de Madri.

Juan Ramón Rallo, diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.

Richard Ebeling, leciona economia na Northwood University de Midland, Michigan, é um scholar adjunto do Mises Institute e trabalha no departamento de pesquisa do American Institute for Economic Research.


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Diversos Autores

  • Consumista  04/04/2017 15:33
    Ué, mas se as pessoas não consumirem, para que investir e criar um sistema de produção em massa? O certo não seria um equilibrio entre consumo e poupança?
  • Economista  04/04/2017 15:56
    Consumo é inevitável. Nunca há consumo zero. Consequentemente, nunca há problema de demanda. Por definição.

    Demandar é algo que ocorre naturalmente; demandar é intrínseco ao ser humano. A partir do momento em que você sai da cama até o momento em que você vai dormir você está demandando coisas. Demandar coisas é o impulso mais natural do ser humano. É impossível viver sem demandar. Por isso, a ideia de que é necessário "estimular a demanda" é completamente ilógica. A demanda é algo que ocorre naturalmente pelo simples fato de sermos humanos.

    Portanto, o problema não é e nem nunca foi "estimular a demanda". O grande problema sempre foi criar a oferta. De nada adianta haver demanda se não houver oferta.

    É exatamente a oferta o que sacia a demanda.

    O que permite a oferta? A produção. E o que permite a produção? O investimento. E o que permite o investimento? A poupança. Fim.

    Uma sociedade consumista consome todos os recursos (matéria-prima e insumos) disponíveis, impossibilitando que os mesmos sejam utilizados em investimentos de longo prazo, que são os que realmente elevam o padrão de vida da população.

    Tendo entendido isso, você finalmente perceberá que "investir e criar um sistema de produção em massa" só é possível em sociedades poupadoras. Por definição. Lá no Sudão do Sul, todo mundo consome imediatamente tudo o que produz. Lá ninguém poupa. Tudo é imediatamente consumido. Como seria possível criar ali "um sistema de produção em massa"?

    "O certo não seria um equilibrio entre consumo e poupança?"

    Óbvio, até porque é impossível não consumir. Você gasta eletricidade, você consome alimentos, você consome combustível, você utiliza roupas, você gasta borracha, você compra mantimentos para a casa etc. Como não haver consumo?

    Outra coisa: sempre há aquelas pessoas que pouparam muito no passado e que hoje podem se dar ao luxo de gastar mais. Esse é um processo contínuo. Consequentemente, sempre há no presente gastos de pessoas que pouparam no passado.

    Logo, o consumo nunca cairá. Por definição.
  • Marcos A Pereira  11/04/2017 23:38
    Mas demandar é igual a poder demandar?
  • Pobre Paulista  04/04/2017 15:58
    Por isso que as taxas de juros devem ser livres.
  • 4lex5andro  04/04/2017 19:53
    É o que é exemplificado na economia japonesa que após sua bolha imobiliária, tem crescido pouco (quando não fica no zero), e nem por isso decaiu em seus níveis de desenvolvimento (educação, juros , inflação , em ótimos índices). É um país que poupa muito.
  • jotamelo  05/04/2017 12:35
    todo consumo descontrolado ou desnecessário gera falência, mesmo que você seja rico.

  • Entropia Verde  04/04/2017 15:53
    Questão Filosófica:

    E se Maria morrer antes de aproveitar seu dinheiro poupado ?
    João viveu o agora, aproveitou o presente, pq o futuro é uma promessa.



    Questão de Economia:

    Poupar para deixar o dinheiro no banco...mas o banco vai consumir meu dinheiro, certo ?
    então eu poupo, mas alguém consome. Isso é o capetalismo.
    Empreendedores estão a todo momento buscando formas de fazer VOCÊ(consumidor) NÃO POUPAR o seu dinheiro...


    Enfim...eu entendo a importância da poupança, mas o Deus Chronos é implacável



  • Professor  04/04/2017 16:12
    "E se Maria morrer antes de aproveitar seu dinheiro poupado ?"

    Aí ela legará todo o seu esforço e sacrifício para seus descendentes, por meio da herança. Aliás, um dos motivos de esses pulhas de esquerda (como keynesianos) quererem confiscar a herança é justamente obrigar todo mundo a consumir o máximo agora ("pois ativa a economia!") e poupar o mínimo possível. Keynesianismo é intrinsecamente anti-família, como era o próprio Keynes.

    "João viveu o agora, aproveitou o presente, pq o futuro é uma promessa."

    Mas e quando o futuro chegar?

    "Poupar para deixar o dinheiro no banco...mas o banco vai consumir meu dinheiro, certo ?"

    Em troca de juros futuros. Ao comprar um CDB, uma LCI, uma LCA, uma LC, ou mesmo debêntures de empresas, você, no futuro, receberá de volta principal e juros. Eu mesmo tenho mais de 70% do meu patrimônio financeiro aplicado em papeis, rendendo taxas altas de juros. Eu poupo, me abstenho do consumismo e financio os consumistas e os investidores, os quais, em troca, se tornam meus devedores.

    Dívidas são alavancas de riqueza quando você é o credor e não quando é o devedor. Você enriquece quando as pessoas devem para você e não quando você deve para as pessoas. Banqueiros enriquecem emprestando o seu dinheiro para os outros. São os outros que precisam trabalhar mais para pagar os juros que você recebe quando faz um investimento financeiro (emprestando dinheiro para os bancos ou para o governo).

    "então eu poupo, mas alguém consome. Isso é o capetalismo."

    Obrigado por comprovar que os anti-capitalistas são os verdadeiros materialistas. Para tais pessoas, não poder consumir tudo o que quer e ter de poupar para ter algum futuro é "coisa do capeta".

    "Empreendedores estão a todo momento buscando formas de fazer VOCÊ(consumidor) NÃO POUPAR o seu dinheiro..."

    Gozado, eu nunca sofri disso e nunca caí na tentação consumista. Sou diferente?

    Aliás, perceba a sua contradição: na frase imediatamente anterior, você disse que o "capetalismo" significa poupar para os outros consumirem. Agora você diz que capitalismo é os outros forçarem você a consumir e a não poupar.

    Ué, são duas coisas completamente excludentes e paradoxais. Favor ter um mínimo de coerência.
  • uai  04/04/2017 16:34
    Eu ia responder ao Entropia Verde, mas quando vi a tijolada de realidade que foi sua excelente resposta, professor, acredito que não necessito mais.

    É cada coitado que despenca aqui.
  • Perdido em Latinoamérica   05/04/2017 02:30
    "Poupar para deixar o dinheiro no banco...mas o banco vai consumir meu dinheiro, certo ? "

    Não é o banco que consome o dinheiro. E o estado, a través da inflação, que destroi ele.
  • 4lex5andro  05/04/2017 13:18
    Se tem um negócio que banco privado não quer, é deixar dinheiro parado.
  • Consumista  04/04/2017 15:57
    A história é um pouco forçada, João pode ser um bon vivant, mas também não ser acomodado, pode ser um bom funcionário e crescer na carreira, pode até mesmo um dia pegar uma herança ou vender um carro e com mais um financiamento montar uma empresa. Já Maria parece ser uma pão dura que terá medo de gasta o dinheiro que acumulou na vida inteira, fora que provavelmente morrera fustrada, enquanto joão não.
  • Lucas  05/04/2017 03:21
    Conheço pessoas que vivem de dívidas, não é muito raro encontrar delas por aí, aposto que todo mundo aqui conhece uma. De todo endividado que eu já conheci, nunca quis estar na pele de nenhum, afinal, não há coisa mais sem lógica do que ficar fazendo empréstimos pra consumir besteiras, o preço do produto sai mais caro. Quem faz dívida paga mais caro, e por isso acaba tendo menor poder aquisitivo do que uma pessoa que poupa.
  • Lel  04/04/2017 16:31
    Um dos melhores artigos dos últimos dias. Resumiu muito bem porque o verdadeiro capitalismo traz prosperidade no médio a longo prazo.
  • Henrique  04/04/2017 16:36
    Qual é a teoria liberal para a causa de desigualdade da América Latina?


    Abraços.
  • Kantynho  04/04/2017 18:27
    Comentário besta:

    Quem perguntou foi o Henrique; quem respondeu? Meirelles.. hehehehe

    Tá, confesso que a piada foi ruim. :-)
  • Pobre Paulista  04/04/2017 20:28
    Você é novo aqui né?
  • Felipe  04/04/2017 16:55
    Excesso de Estado.
  • Francisco Rypl  04/04/2017 20:43
    Henrique, numa palavra: intervencionismo.
  • Tiago  04/04/2017 16:48
    Boa tarde. O dinheiro poupado pelas pessoas, em muitos casos, está sendo usado pelo governo (através dos títulos públicos). Isto não reduz o benefício para a sociedade que a poupança deveria proporcionar?
  • Berriel  04/04/2017 17:35
    Sem dúvidas. E é exatamente por isso que o estado tem de reduzir seus gastos.

    Artigo inteiro sobre essa sua correta constatação aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2578
  • Igor  04/04/2017 16:49
    Um livro bem didático sobre o capitalismo, a poupança, o investimento e os ciclos econômicos:

    https://www.amazon.com.br/Como-Economia-Cresce-Por-Quebra/dp/8576085984/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1491324516&sr=8-1&keywords=por+que+a+economia+cresce
  • Tannhauser  04/04/2017 17:23
    Ótimo texto. O irônico é que boa parte das pessoas que criticam o consumismo crescente no Brasil não entende que a causa foi justamente a política econômica do governo, que estimulou o endividamento da população para consumo de supérfluos.
  • Wagner Pires  04/04/2017 17:55
    No Brasil, país pobre, a taxa de poupança é de míseros 14% do PIB. Já a China tem mais de 40% do PIB em poupança sustentando suas altas taxas de investimento.

    A desgraça aqui, novamente, pela falta de poupança, é fruto do roubo institucionalizado pelo governo que drena nada mais, nada menos que 35,42% do PIB em tributação.

    Se não fosse a evasão fiscal (sonegação), o aparato estatal brasileiro estaria sugando o equivalente a malditos 46% do PIB.
  • Kaique  04/04/2017 18:12
    Qual é a solução desse Instituto para reduzir o Estado brasileiro?
  • Wagner Pires  04/04/2017 18:19
    Sonegação fiscal no Brasil é uma questão de sobrevivência!
  • Capitalista Keynes  04/04/2017 17:55
    Concordo...até porque ninguém poupa e gasta a poupança ao mesmo tempo......nunca haverá consumo zero. Assim, há vários consumos futuros em D , D+1 ,D +2, etc. Não sei se me entendem. Por exemplo : Uma pessoa guarda dinheiro durante 2 anos dinheiro para trocar de carro. Um dia depois ou até mesmo no mesmo dia, outras pessoas que pouparam também, estão usando esses recursos. É um fluxo.
  • Bruno Feliciano  04/04/2017 20:10
    Pessoal, qual a opinião de vocês sobre a velocidade nas marginais e afins?

    Eu sei que é estranho e nada disso tem haver com o IMB, mas como o IMB é frequentado por pessoas inteligentes e de senso crítico, gostaria de ver o que vocês acham.

    Velocidade não causa acidente pra min, se fosse assim as estradas de SP que tem limite a 120, mataria muito mais do que as de 80. E não é isso que vemos..


    Abraços
  • Taxidermista  04/04/2017 22:13
    "Eu sei que é estranho e nada disso tem haver com o IMB"

    Meu caro Bruno, esse assunto tem a ver com liberdade individual (e libertarianismo) sim...

    Por exemplo, o libertário e economista da EA Pascal Salin fala sobre isso no seu excelente tratado sobre "Liberalismo":

    www.unioneditorial.es/la-antorcha?page=shop.product_details&flypage=flypage.tpl&product_id=12&category_id=19&manufacturer_id=144

    Olhe o cap. XIII:

    "CAPÍTULO XIII.- LA LIBERTAD DE CONDUCIR
    La velocidad mata... todos lo saben
    ¿Eslogan o razón?
    Cuando la ley no es respetable
    El crimen imaginario
    Conductores responsables"

    Ali ele defende que limitação legislativa de velocidade implica restrição à liberdade individual, além de outras considerações empíricas.

    E, próximo ao tema, vale conferir:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=115

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=453
  • uai  05/04/2017 00:13
    Bruno, vou dizer alguns fatos e depois minha simples opinião:

    Fato: maior velocidade em um momento de impacto implica maior estrago, pois há mais força aplicada.

    Fato 2: maior velocidade também requer um tempo de frenagem maior para fazer a velocidade chegar a 0.

    Agora vamos a minha opinião, que a primeira vista pode parecer contraditória aos fatos:

    O que mais vejo em termos de acidentes não são por causa da velocidade, mas sim por causa do trafego lento, por falta de pericia do motorista, desonestidade ou simplesmente falta de atenção. Muitos motoristas freiam bruscamente por qualquer motivo, andam lento ou freia e acelera por qualquer motivo (o que deixa quem está atrás impaciente, nada pior que uma pessoa que chega aos 45 km/h numa estrada de 60km/h e freia de volta para 40km/h, para depois subir para 45 km/h e repetir todo o processo o tempo todo).

    Desonestidade inclui: invadir faixa propositadamente para ganhar uns espaços, não deixar alguém passar na sua frente quando precisa, no caso de moto e/ou bicicleta: andar pela direita dos veículos (ponto cego de todo motorista), entrar no espaço a direita de um PARE de um motorista que vai dobrar para a direita, corredores de motos entre filas de carros (por si só, já é extremamente perigoso).

    Falta de atenção: Fazer curva sem olhar para frente ou para os lados (bateram no meu carro assim hoje, a mulher dobrou para a direita sem olhar pra frente). No caso de pedestre: atravessar no meio de junções de T (já vi, coisa bem imbecil, mas já vi).

    Falta de pericia: não saber o que significa uma rotatória (o número de pessoas que não sabem como elas funcionam é surpreendente, ou sabem, mas não estão nem ai).
  • Bruno Feliciano  05/04/2017 00:50
    Concordo, o que na verdade causa acidentes é a diferença de velocidade.

    Nos autódromos, os acidentes se dão assim, juntou um carro mais lento e um mais rápido, a chance de dar cagada é muito grande.

    Na estrada por exemplo aqui de são paulo, temos estradas como a bandeirantes, que o limite é 120km/h, enquanto ao mesmo tempo temos estradas com o limite de 90 ou 100. Se a velocidade fosse um fator predominante e principal, era pras estradas de maior limite de velocidade serem verdadeiro parques suicida. O que acontece é justamente o ao contrário, muita estradas com altos limites ou sem limites, tem menos acidentes do que as com um limite baixo.


    Quando o limite de velocidade é mais alto, ninguém lhe obriga a andar o tempo todo nele, veja, se na marginal o limite é 90, ninguém ti obriga a andar 90. Você pode andar a 50, 60 ou como você achar justo, somente deixe a faixa da esquerda pra quem quer andar mais rápido. Isso colaboraria pra que as pessoas andassem conforme o fluxo, na imigrantes aqui, já cansei de estar 150km/h junto com todos os carros, muito mais seguro do que andar a 80. Todos no mesmo ritmo, os mais lentos na direita e tudo certo.

    Deixou um artigo que refutou esse mito: https://www.flatout.com.br/cinco-mitos-sobre-as-reducoes-de-limites-de-velocidade/

    Abraços
  • uai  05/04/2017 11:23
    Sim, estou de acordo com você. Perfeita sua colocação.

    Acredito que muita gente acha que velocidade é responsável por acidentes porque acidentes em alta velocidade são bem mais brutais pela maior quantidade de força aplicada, ou seja, eles impressionam mais quando ocorrem. É a mesma coisa de ataques de tubarão. As ocorrências de ataques são consideradas baixas, mas as pessoas tem muito medo devido à ferocidade dos ataques.
  • Bruno Feliciano  05/04/2017 15:30
    E a esquerda aproveita justamente disso, o apelo emocional que um acidente de maior velocidade provoca, é enorme. O que condiz totalmente com a tática argumentativa deles.

    Eles só conseguem ser contra, mostrando o estrago que faz a maior velocidade, mas não conseguem argumentar(porque não convém) que o numero de acidentes aumentou por isso.

    É a famosa: APESAR DE e NÃO POR CAUSA DE.

    A velocidade pode causar acidentes fatais, mas o numero de acidentes pode ser MENOR.
    O que interessa é o numero de acidentes, o estrago que provoca é secundário.

    Se fosse assim, era pra reduzir a velocidade dos trens e metros, já que um acidente nesses veículos, tende a ser fatal.
    A intenção é provocar menos acidentes e não menos estrago, a segurança ativa é muito mais importante que a passiva.


    Abraços
  • FL  05/04/2017 16:10
    Não sei se vocês têm a mesma impressão, mas a minha é que, em São Paulo, os acidentes e o trânsito são causados principalmente pelos próprios motoristas e seus smartphones.

    Eu reparo diariamente nisso, e é inacreditável o número de pessoas que dirigem olhando e mexendo no celular. Param num semáforo, puxam o telefone e esquecem do mundo. O semáforo abre, o cabra não anda. Alguém buzina, ele acorda, engata a marcha, começa a andar... só nesse tempo, 5 carros não passaram no semáforo, e o trânsito se acumulou.

    Nas marginais, vias expressas, vejo vários motoristas andando bem abaixo da velocidade possível, freando quando não há absolutamente nenhum motivo para tal... passo do lado, o cara tá mexendo no celular ao invés de prestar atenção no trânsito e fazer o movimento fluir melhor. E vira um ciclo vicioso: o cara mexe no celular, o trânsito vai ficando mais lento até parar. Para, quem parou pega o celular e não anda.

    Nunca vi nenhum estudo sobre isso, mas essa total desatenção não deve ajudar com a diminuição de acidentes. Conheço pelo menos duas pessoas que bateram seus carros e me confessaram que estavam olhando pro celular, não viram o trânsito parando e, quando tentaram reagir, era tarde demais.

    Claro que as condições dos carros, das vias, do clima etc contribuem. Mas se os motoristas pudessem se focar em apenas dirigir os malditos carros, já seria um enorme avanço.
  • Bruno Feliciano  05/04/2017 20:36
    Faz sentido isso, de fato os acidentes aumentaram depois que inventaram o smartphone, socialistas podiam usar esse argumento pra proibir celulares, assim como usam dessa mesma retórica pra proibir armas... Hahahaha

    Mas voltando pro assunto, isso faz sentido sim.

    A questão é assim: Poe um limite alto, você NÃO É OBRIGADO a andar no limite estabelecido, se você acha 50km/h melhor, ande VOCÊ a 50. Agora se eu quiser andar mais, eu ando.
    Por esse lado o Taxidermista tem razão, tem tudo haver com liberdade.

    É básico meu, eu to na marginal, se eu não acho seguro 90, eu ando a 50.

    Se eu to na bandeirantes, nem todo mundo anda há 120, muitos andam a 100 ou a até 80. Tudo em uma boa.
    Na imigrantes já subi com a galera andando a 140, 150km/h e tudo fluindo normalmente, os mais lentos ficão na direita e deixa a a porcaria da esquerda livre(no brasil isso é quase utopia).

    É básico isso, a esquerda usa da velocidade das vias pra mandar em nossas vidas, olha o ponto que chega o negocio.
  • Wagner Pires  04/04/2017 20:34
    Não há poupança no Brasil, simplesmente porque a população brasileira está entre a cruz e a espada. De um lado a carga tributária que compromete 41% do orçamento das famílias (segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação - IBPT); do outro está o endividamento das famílias com o sistema financeiro, num total de 25% do orçamento familiar (segundo o BACEN).

    Logo temos 66% de comprometimento da renda das famílias! Os 34% restantes são para elas despenderem com gastos de manutenção diária e sobrevivência. Não há espaço para criarem poupança.

    Aforando a poupança que restou ao país (14% do PIB), segundo o BACEN, o tempo de endividamento médio das famílias é de sete anos. já o tempo de endividamento médio das empresas é de cinco anos. Ou seja, não se pode esperar reação da economia, nem pelo lado do consumo nem pelo lado do investimento. Do lado do governo o que se tem é dívida exponencial sem solução à vista. Logo não há, no horizonte de curto e médio prazos, solução de continuidade para a crise econômica que se instalou no país.

    O abismo é histórico.

    Não há poupança interna para alavancar os investimentos de que precisamos. Só para suprir a carência de infraestrutura do país, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), seria necessário um aporte de um trilhão de reais.

    Estamos totalmente dependentes do investimento estrangeiro direto. E como esse investimento não passa, anualmente, dos
    US$70,0 bilhões, podemos dizer, sem margem de erro, que o país vai patinar pelos próximos dez ou vinte anos.

  • Wagner Pires  04/04/2017 20:50
    Resultado Primário do Governo Central - 2011 a 2015 – (em % do PIB):

    DISCRIMINAÇÃO......................2011.......2012........2013........2014........2015......2016
    (+) Receita total...........................22,6%....22,1%....22,2%.....21,5%......21,1%......21,0%
    (-) Transf. a Estados e Municípios....3,7%......3,6%........3,4%.......3,5%.......3,5%......3,6%
    --------------------------------------------------------------------------------------------------------------
    (=) Receita Líquida....................18,9%.....18,5%......18,8%......18,0%.......17,6%....17,4%
    (-) Despesa total.......................16,7%.....16,9%......17,3%......18,3%.......19,5%....19,8%
    --------------------------------------------------------------------------------------------------------------
    (=) Resultado primário.................2,2%......1,6%........1,5%......-0,3%........-1,9%....-2,4%

    Fonte: Tesouro Nacional


    As receitas do governo são decrescentes, enquanto as despesas se tornam explosivamente crescentes. Esse é o resultado desastroso de uma máquina estatal gigantesca e intervencionista.
  • Alexandre Vianna  04/04/2017 22:16
    Texto magistral! Irretocável!
  • Perdido em Latinoamérica   05/04/2017 00:22
    Se alguém segue a situação na Argentina, sabe-se que a situação não está muito bem. Estão organizando uma greve. E olhem que ideia
    www.lanacion.com.ar/2004588-con-un-video-protagonizado-por-chicos-la-cgt-convoca-al-paro-del-6-de-abril
  • Perdido em Latinoamérica   05/04/2017 00:32
    Como pode ser que aqui em Latinoamérica faltem ideias, enquanto na Europa estão inventando joias como estas:
    https://www.uboatworx.com/series/models?series=47
    *
    Quantos desocupados temos no Brasil?
  • uai  05/04/2017 11:29
    A explicação é bem simples:

    O problema é o funcionalismo público aliado a falta de liberdade econômica.

    Nossos cérebros fogem para a esfera estatal por pagar salarios bem maiores e estabilidade. Quantos engenheiros, programadores, físicos, quimicos, etc nós perdemos por ano para os concursos públicos? Mesmo um engenheiro que queira inventar alguma coisa revolucionária precisaria de peças que são vindas do exterior, o que implica ter que pagar o carissimo imposto de importação + carga tributária associada.

    Alias, esse é outro efeito nefasto do nosso protecionismo, o encarecimento de materiais necessários para criar algo novo, desestimulando a criação de valor.
  • Fernandes  05/04/2017 12:41
    E no caso da sociedade americana, como ela continua enriquecendo tendo uma população tão consumista?
  • Rodrigues  05/04/2017 13:59
    Em primeiro lugar, não há nenhuma evidência de que a população americana seja "consumista". Ela é mais consumista que a brasileira, por exemplo? Sob qual critério?

    Porém, pelo bem do debate, vamos partir do princípio de que sua afirmação é verdadeira, e que a população americana é realmente consumista.

    E daí? O que é empiricamente observável é que os EUA absorvem poupança externa. Toda a poupança do resto do mundo é, de muito bom grado, direcionada aos EUA, tanto na forma de investimentos externos produtivos quanto na forma de bens de consumo.

    Ou seja, o resto do mundo poupa para bancar a população americana. O resto do mundo restringe o seu consumo para mandar bens de capital e bens de consumo para os EUA. O resto do mundo restringe o seu consumo para fazer investimentos nos EUA.


  • Mateus  05/04/2017 19:39
    Uma sugestão: Tragam dados para os textos. Tentem embasar tanto quanto possível seus textos em evidencias empíricas. É uma sugestão de um leitor que deseja boa sorte ao site.
  • e  05/04/2017 20:34
    Mas o que nunca falta são links. Todos os artigos têm links até em excesso. Este, por grande coincidência, tem poucos. Mas também, por que deveria ter quando se trata de uma abordagem teórica?

    Quer links sobre a evolução da poupança dos países? Pois não. Aqui vai um comparativo entre Suíça, Alemanha, EUA, Brasil.

    data.worldbank.org/indicator/NY.GNS.ICTR.ZS?locations=BR-CH-US-DE-BO

    Escolha seus países a gosto.
  • Etibelli  06/04/2017 01:16
    Mas será que é do interesse do empresariado em sofrer um arrefecimento no consumo daquilo que eles ofertam? Obviamente para empresários incipientes com um capital relativamente pequeno é vantajoso, pois a viabilidade, ao menos financeira, para prosseguir e expandir seu negócio é maior. Ademais, o seu custo marginal ainda que decresecente até certo ponto possui um limite inferior ao limite do CMD de uma grande empresa, de modo que seus custos com a produção são maiores, então o preço no mercado de uma unidade desse bem será maior, logo o consumo será menor, o que já é previsto tendo em vista as condições de produção (me corrijam se eu disse lorota). No entanto, para aqueles que já possuem uma certa estabilidade econômica, por desfrutar de auxílios estatais ou por operar em economia de escala, o que os possibilita ofertar bens a um custo menor, uma redução contínua do consumo, motivada por um aumento da poupança não lhe é conveniente a curto prazo, pois o crédito privado oriundo indiretamente da poupança, no tempo presente, pode ser adquirido através de empréstimos subsidiados de bancos públicos. Em síntese, a poupança de fato beneficia a todos os tipos empreendedores no futuro/longo prazo, todavia as empresas que funcionam em economia de escala, no tempo presente, preferem estimular o consumo crescente de seus produtos, por meio de inovação, propaganda, pois sabem que estão asseguradas pelo crédito público para expandir seu negócio ou salvaram-se da falência. O consumidor, portanto, é impelido a torrar sua renda com o consumo initerrupto e voraz de bens, o que beneficia as grandes empresas, alia-se a isso às ações estatais na economia que maculam e desestimulam a poupança individual e obtém-se o atual cenário de muitos países, dentre eles o Brasil.

    O que acham?
  • uai  06/04/2017 11:50
    Eu concordo com sua visão, considerando curto prazo, mas no longo prazo, essas empresas se estrepam.

    Veja o que aconteceu com a PDG e outras construtoras (prejuizos bilionários). Já a indústria automobilistica, que vira e mexe, sai uma noticia sobre pátios lotados de carros.

    Esse é o big problem do governo mexer na demanda via crédito. É inflada artificialmente. Já os produtores baseiam sua expansão em estimativas sobre o mercado. O comportamento das grandes empresas durante o BOOM de crédito já provou empiricamente que elas calculam suas expansões baseadas nisso, sem desconfiar que isso é artificial. Só que uma vez que o crédito se esgote devido ao endividamento crescente (e calote, em alguns casos) das familias, toda essa demanda cai por terra e gera um problema de super estoque.

    Nesse caso, os produtores que alcançaram um nível de estoque que sua tecnologia e métodos não permitiriam alcançar sob condições normais soferão um grande problema. Para piorar: esses estoques foram feitos com base em valores irreais (elevados pelo crédito) e descolados do poder de compra real da população.

    Então sim, pode ser interessante no curto prazo, mas a empresa sofrerá muitas dificuldades uma vez que a bonanza de crédito acabe. A melhor maneira de estimular demanda é pela produção eficiente: baixando custos, oferecendo produtos melhores e mais baratos, e não estimulando a demanda diretamente via crédito ou qualquer outro artificio.
  • Giovana Depicoli  06/04/2017 01:19
    Texto genial, estava justamente debatendo contra as ideias Keynesianas de consumo hoje com minhas amigas e futuras economistas, esse texto veio a calhar hoje, muito bom!!!
  • Carlos  06/04/2017 19:13
    Caramba. Isso é algo tão fácil de perceber. Como várias pessoas inteligentes não conseguem aceitar?
  • João  07/04/2017 14:02
    Né.
  • Yuri Quixina  17/04/2017 19:01

    Meus caros,

    Gosto bastante dos artigos do IMB e porque até defendo o liberalismo clássico. O artigo é interessante, mas gostaria de fazer um reparo sobre este trecho do texto que considero um embuste:

    Por isso, sociedades ultra-consumistas são necessariamente sociedades de subsistência. Uma tribo africana consome 100% de sua produção (renda). Como não consegue poupar, não consegue acumular capital.

    Primeiro, penso que rotular uma tribo africana como consumista é um argumento fraco e falacioso, porque o consumista não é a tribo Africana, Asiática, americana ou europeia, mas sim são as pessoas, na medida em que, são as pessoas que poupam, consomem e comercializam e não as tribos ou países (como o artigo cita o exemplo de Robinson Crusoé ). Pessoas e somente pessoas são consumistas.
    Como THOMAS SOWELL DIZ: não é através da Raça, etnia, países, religião e outros rótulos, que se devem recair o sucesso ou insucesso, mais sim as pessoas;

    Segungo, em África existem também pessoas que poupam, acumulam capital e estão em melhores situação que outras pessoas. E como na Europa, América e Ásia, também existem que não poupam através do consumismo absoluto.

    Então acho que este argumento é bastante fraco e falacioso.

    ESTE é o meu humilde reparo, de um estudante do liberalismo clássico austríaco.


    Os melhores Cumprimentos.
  • Guarani  18/04/2017 20:55
    Ainda estou em dúvida se esse comentário foi sério ou foi zoeira pura. Como sou um inabalável otimista na inteligência e na sanidade da humanidade, estou apostando vigorosamente na segunda hipótese.

    P.S.: tendo sido a segunda hipótese, digo apenas foi genial a ironia de confundir propositalmente o sentido de "tribo" e adotar a conotação politicamente correta, dizendo que tribo se refere a todas as pessoas do mundo.
  • Keynesiano  17/04/2017 19:46
    Lição de hoje, crianças: bilionários são ricos porque sempre gastaram.
  • Psycho-Pass  26/04/2017 17:57
    muito bom o artigo e melhor ainda os comentarios.
  • Emerson Luis  28/04/2017 13:33

    A doutrinação esquerdista fez com que a maioria das pessoas acreditasse que o capitalismo gera consumismo e depende dele. Quem estimula o consumismo é o governo via crédito artificial, emissão de moeda e por outros meios!

    O hábito de poupar não gera recessão porque em uma cultura de mentalidade poupadora os indivíduos não param de consumir indefinidamente e nem absolutamente, não poupam nem consomem de forma igual e nem ao mesmo tempo.

    * * *



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