Países não comercializam com outros países; apenas indivíduos o fazem
Manipular o comércio entre os países faz tanto sentido quanto manipular o comércio entre os bairros

Cheguei à conclusão de que o mundo estaria em melhor situação caso jamais tivesse sido inventada uma sub-disciplina, dentro da economia, chamada de "economia internacional" (ou, alternativamente, "comércio exterior" ou "finanças internacionais").

A profissão de economista provavelmente também estaria em melhor situação sem tal sub-disciplina.

Países não comercializam

Somente indivíduos — separadamente ou em grupos voluntariamente formados, como empresas — comercializam. Países não comercializam.

Somente indivíduos — separadamente ou em grupos voluntariamente formados, como empresas — possuem vantagens comparativas e desvantagens comparativas[1]. Países não possuem vantagens ou desvantagens.

Somente indivíduos — separadamente ou em grupos voluntariamente formados, como empresas — se especializam em determinadas formas de produção. Países não o fazem.

Somente indivíduos — separadamente ou em grupos voluntariamente formados, como empresas — criam ou se aproveitam de economias de escala em seus processos produtivos. Países não o fazem.

Somente indivíduos — separadamente ou em grupos voluntariamente formados, como empresas — gastam, poupam e investem. Países não fazem isso.

Somente indivíduos — separadamente ou em grupos voluntariamente formados, como empresas — vivenciam ganhos ou perdas de renda, riqueza e bem-estar. Países não vivenciam nada.

Obviamente, podemos tomar a liberdade semântica de, em nome da simplicidade, falar coisas como "Os EUA comercializam com a China", "A Alemanha possui uma vantagem comparativa no ramo das cervejas", "A renda nacional da Índia está aumentando", e "O déficit comercial do Peru está diminuindo". Mas todas essas expressões apenas descrevem os resultados agregados e não-premeditados de inúmeras ações e escolhas voluntariamente feitas por cada indivíduo específico, um ser humano de carne e osso.

Adicionalmente, é claro que os governos também efetuam várias dessas atividades — por exemplo, gastar. Mas nenhum governo é um país. Cada governo é simplesmente uma organização formada por indivíduos de carne e osso e gerida por esses indivíduos específicos, que agem de acordo com determinadas regras formais e informais.

O motivo desta minha constatação — de que é lastimável que exista uma sub-disciplina chamada "economia internacional" — é que discutir "comércio exterior" e "finanças internacionais" em separado dá a impressão de que haveria algo de exclusivo e singular nas transações internacionais de bens e serviços, e nos investimentos estrangeiros e em instrumentos financeiros, que exigiriam que tais transações sejam estudadas separadamente das transações não-internacionais.

Mas o fato é que não há nada de essencialmente singular e exclusivo nas transações internacionais. Absolutamente nada.

Discutindo minúcias

Existem, obviamente, diferenças não-essenciais que separam as transações domésticas das transações internacionais.

Exemplos dessas diferenças não-essenciais incluem a necessidade de se fazer conversões de moedas; o fato de que jurisdições diferentes adotam políticas monetárias distintas; o fato de que as pessoas de uma determinada jurisdição política atuam sob diferentes leis e legislações — inclusive políticas tributárias — em relação às pessoas de outras jurisdições políticas; a realidade de que o salário médio e a riqueza em algumas jurisdições políticas frequentemente diferem daqueles em outras jurisdições políticas; e o fato de que as transações internacionais geralmente (embora nem sempre) percorrerem distâncias geográficas maiores do que as distâncias percorridas por transações domésticas.

No entanto, quaisquer eventuais ganhos analíticos que possam existir em decorrência de se tratar, de um lado, transações que são separadas por essas diferenças não-essenciais e, de outro, transações que não são separadas por essas diferenças, tais ganhos são ínfimos.

A própria noção de "comércio internacional" nos faz perder a realidade essencial do comércio, a saber: o comércio, de qualquer natureza, sempre e em todo lugar, envolve indivíduos de carne e osso negociando e transacionando entre si, de uma forma que cada um dos indivíduos envolvidos julga ser de seu melhor interesse.

Não ver as coisas dessa maneira é o resultado trágico de querer enxergar o comércio como algo feito entre países, e não entre indivíduos. Essa perspectiva coletivista — e não individualista — nos leva a querer julgar os méritos do comércio de acordo com como ele irá ou não irá aumentar o bem-estar líquido agregado (seja lá como tal coisa seja mensurada ou concebida) do conjunto de seres humanos que formam a população de cada país específico.

Porém, essa avaliação coletiva e agregada do comércio, feita "em nível nacional", é ilegítima. Ou, no mínimo, tal avaliação seria tão legítima quanto uma avaliação que levasse em conta o comércio entre estados de um país, entre cidades, e até mesmo entre bairros.

As pessoas da minha vizinhança comercializam livremente com as pessoas de fora da minha vizinhança. Em algumas ocasiões, essa liberdade de comércio traz desvantagens para meus vizinhos imediatos: por exemplo, para trocar o óleo do meu carro, eu não vou ao posto mais próximo, que está na minha vizinhança; eu vou à concessionária onde comprei meu carro, que está a vários quilômetros de distância da minha casa.

Caso existisse uma sub-disciplina econômica dedicada ao estudo do "comércio interbairros", haveria todos os tipos de nefastos estudos teóricos e empíricos sobre os malefícios desse comércio, mostrando como ele está diminuindo o bem-estar do bairro A em prol do bairro B. Tais estudos e análises, consequentemente, levariam a intervenções governamentais visando a reequilibrar a balança comercial entre os bairros, com o governo concedendo subsídios ao bairro A e impondo tarifas de importação aos habitantes do bairro B.

Felizmente, tal sub-disciplina (ainda) não existe. Consequentemente, nosso bem-estar é maior do que se ela existisse, pois não há restrições governamentais ao comércio entre bairros.

Mas e se houvesse? Primeiramente, as restrições seriam motivadas por ignorância econômica: algum gaiato diria que meus vizinhos e eu não podemos comercializar livremente com pessoas de outros bairros caso o resultado fossem um déficit comercial para o nosso bairro. Segundo, e ainda mais importante: as restrições seriam defendidas por bairros politicamente influentes, que lucrariam com a "proteção" que receberiam na forma de restrições governamentais ao comércio entre bairros.

Agora pense: não há restrições ao comércio entre bairros, entre cidades e entre estados. Não há nenhuma preocupação com balança comercial entre o seu estado e o estado vizinho. Aliás, você, alguma vez na vida, já leu alguma estatística sobre isso? Felizmente não.

Qual então é o sentido econômico de haver restrições comerciais entre países? Qual exatamente é a diferença econômica entre você comprar algo de uma pessoa que está do outro lado da rua ou do outro lado do planeta?

Comércio é comércio. Não interessam as fronteiras geográficas e políticas envolvidas. Economistas sérios deveriam estudar os efeitos do comércio em si. Ponto. Dar atenção ao comércio internacional ao mesmo tempo em que se ignora o comércio interestadual, o intermunicipal, o interbairros, o interfamílias e, acima de tudo, o interindividual é total incoerência.

O fato é que o comércio interbairros é tão importante quanto o comércio internacional. Se um não é estudado e não é manipulado, não faz sentido que o outro seja.

Conclusão

Não existisse uma disciplina separada chamada "comércio internacional", a população seria poupada de todas as miragens enganosas que são criadas quando o comércio é discutido como se seus conteúdos e características fossem fundamentalmente diferentes de acordo com as fronteiras políticas envolvidas.

Mais ainda: os poderosos grupos de interesse que auferem grandes lucros com o protecionismo teriam de realmente produzir bens e serviços de qualidade para agradar a população, em vez de apenas se esbaldarem confortavelmente em suas reservas de mercado garantidas pelo governo — e fundamentadas nas estatísticas da "economia internacional".

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Leituras complementares e indispensáveis:

Por que economistas são histéricos em relação à balança comercial?

Descubra se você é um protecionista mercantilista

A abertura comercial é imprescindível para o crescimento econômico - e isso não é folclore

Não há argumentos econômicos contra o livre comércio - o protecionismo é a defesa de privilégios

Nove perguntas frequentes sobre importação, livre comércio e tarifas protecionistas

Defender o protecionismo é defender a escassez - defender o livre comércio é defender a abundância

Protecionismo é violência - cria uma reserva de mercado para os poderosos e empobrece os mais pobres

O livre comércio nos enriquece e o protecionismo nos empobrece - como reconhece Paul Krugman



[1] Segundo a lei das vantagens comparativas de David Ricardo, se cada um se concentrar em produzir aquilo que realmente faz bem, e comercializar livremente esses produtos, a riqueza real de todos será maior.

8 votos

SOBRE O AUTOR

Donald Boudreaux
foi presidente da Foudation for Economic Education, leciona economia na George Mason University e é o autor do livro Hypocrites and Half-Wits.



"Foram mal abordados, muito mal abordados.

"imprimir dinheiro não é prática legal em um mundo civilizado" Eua imprime dólar, UE imprime Euro, Japão imprime Iene."


Eis um trecho do artigo:

"Há três respostas: ou o governo aumenta impostos; ou ele toma dinheiro emprestado de bancos, pessoas e empresas; ou ele simplesmente imprime dinheiro.

Não é preciso ser um profundo conhecedor de economia para entender que nenhuma dessas três medidas cria riqueza."


Você fala como se estivesse rebatendo alguma afirmação, que o próprio artigo mostra como é falsa; mas essa afirmação quem criou foi você próprio, sabe-se lá de onde.

É surreal você dizer que isso advêm da perda de consumo da população, a inflação desses países é próxima de zero há muito tempo. (não quero dizer que isso funcionária em todos os países do mundo)

Você está falando de "inflação de preços", aumento no preço de diversos produtos na economia geral; o artigo está falando de
inflação monetária, aumento da oferta monetária, dinheiro em circulação na economia. É possível haver baixa "inflação de preços" ou mesmo "deflação de preços" onde há inflação monetária. Basta que o aumento em produtividade e outros fatores (que diminuem preços) seja maior que o aumento dos preços por conta da inflação monetária.

Agora, se você acha que não há relação alguma entre oferta monetária e aumento de preços, creio que você descobriu o Paraíso na Terra -- podemos simplesmente imprimir dinheiro à rodo e dar para todos, e não haverá efeito colateral algum nisso.

"EUA tirou o país de uma recessão enorme em 2008 com as práticas Keynesianas, existem vários e vários exemplos da prática aplicada e funcionando, em nenhum momento é perfeita e sem qualquer tipo de ônus, mas é o melhor que pode ser feito."

Sim, o Keynesianismo tirou os EUA da recessão -- causada por esta mesma ideologia e suas taras por expansões artificiais:

Como ocorreu a crise financeira americana
Explicando a recessão europeia
Herbert Hoover e George W. Bush: intervencionistas que amplificaram recessões (1ª Parte)
A geração e o estouro da bolha imobiliária nos EUA - e suas lições para o Brasil

Creditar a teoria Keynesiana por tirar os EUA da recessão se resume à isto: o que seria de nós, se após quebrar nossas pernas, o Estado não nos desse muletas?

"Aliás uma pergunta, você já prestou ANPEC alguma vez? acredito que seu conhecimento é bem maior do que as frases feitas que posta aqui no site."

E como sempre, o grande feito para um Brasileiro é passar em concurso.

"Apesar de ter grande admiração por Keynes eu não tenho asco por nenhum grande pensador econômico, seja ele Marx ou Hayek, não é o que acontece por aqui, infelizmente. Inclusive, ressaltei que não é impossível que Keynes esteja errado em alguns pontos, visto o tempo que já se passou."

Não posso falar por todos membros que acompanham este instituto, mas pouco me importo com Keynes, Hayek, Mises, Friedman, quem quer que seja. Apenas me importo com as ideias que estes defendem. Se Marx falar algo correto, defenderei isto. Se for Keynes, também. Mises, mesma coisa.

"Peço mais uma vez que seja exposto para que haja um debate honesto. Pela segunda vez eu estou usando exemplos reais, práticas já aplicadas e com ressalvas de que nada pode ser generalizado, você escreve de forma rasa, com várias teorias que sequer foram testadas e lotado de frases feitas para atingir quem está no topo (Keynes). "

"Nada pode ser generalizado" é algo tão estúpido que eu não acho que seria preciso comentários para mostrar a estupidez desta afirmação.

"Você escreve de forma rasa" -- disse quem credita a teoria Keynesiana como positiva por tirar os EUA da recessão, causada pela mesma.

"Com várias teorias que sequer foram testadas" -- Eis o comentário feito por quem você está criticando:

"1) "Podem vir de emissão de títulos públicos"

E quem paga os juros e o principal destes títulos públicos? De onde vem o dinheiro?

2) "Impostos pagos anteriormente que geraram caixa"

Ou seja, o dinheiro veio da população.

3) "Expansão monetária direta, da forma que é feito na UE, EUA e Japão"

Ou seja, o dinheiro veio da redução do poder de compra da população.

4)"Qualquer financiamento para qualquer tipo de obra" "


Todos estes pontos são lógicos, e não empíricos. Faça um favor a si mesmo, e corra urgentemente para uma livraria e compre qualquer livro iniciante sobre lógica ou argumentação. O seu caso é grave.



Deixe que eu me preocupe com isso. quero saber o seguinte: se um meliante invadir a minha casa, o que você sugere que eu faça?

Os contra armamento nunca respondem essa pergunta e sempre a evitam. Eu vou responder de acordo com a instrução que a policia passa para a população:

1. Se der tempo, ligue para a policia, se você der sorte, eles podem passar por ali antes do bandido conseguir entrar na sua casa.

2. Faça tudo que o bandido manda. Se ele quer seus bens, dê. Se ele quer estuprar você, deixe. NÃO RESISTA DE FORMA ALGUMA.

3. No dia seguinte, faça um boletim de ocorrência e reze para que seu caso seja um dos 8% que são resolvidos no Brasil.

Agora eu tenho algumas perguntas também:

1. Se bandidos querem bens, por que não assaltam o congresso nacional? Ali está reunido várias pessoas milionárias. Enriqueceriam facil! Será que é por que ali tem seguranças armados que não hesitariam em atirar?

2. Por que não assaltam juizes e deputados quando estão fora do congresso? Será que é por que os mesmos dispõem de seguranças armados?

3. Por que não atacam carros fortes que transportam valores toda vez que os mesmos saem da garagem? Será que é por que os guardas estão bem armados?

Quem prega o desarmamento da população não entende que o bandido, seja o de colarinho branco ou o comum, é um ser de mentalidade oportunista. Independente do historico de pobreza (ou não), ele não irá atacar lugares fortemente armados porque o risco/beneficio é muito alto, e eles são inteiramente capazes de fazer esse julgamento (caso não o fossem, os lugares que citei seriam atacados diariamente).

Sabe onde eles atacam? Onde o risco/beneficio é baixo. E adivinha quem apresenta isso? Sim, uma população desarmada e instruida a não reagir de forma alguma.
Esron, expandi o comentário acima em um artigo bem mais detalhado sobre o assunto. Ei-lo:

Como funciona o mercado de cartões de crédito e por que seus juros são os maiores de todos


Após a leitura do artigo acima, convido-o a ler esta notícia, que mostra que a recente medida adotada pelo Banco Central não afetou nada, exatamente como previa o artigo acima (ou seja, o final, nada mudará, e sua anuidade tende a continuar gratuita):

blogs.correiobraziliense.com.br/vicente/juro-do-parcelamento-do-cartao-de-credito-e-recorde-e-chega-1635-ao-ano/
Além de tudo o que já foi respondido acima, é extremamente importante ressaltar que essa tese de "fazer dumping para quebrar indústrias para logo em seguida elevar preços e dominar o mercado" é completamente irreal.

Não apenas isso nunca aconteceu na prática, como também a própria teoria explica que isso seria completamente insustentável, para não dizer irracional do ponto de vista empreendedorial.

Apenas imagine: você é o gerente de uma grande empresa e quer destruir a empresa concorrente reduzindo seus preços para um valor menor do que os custos de produção. Ao fazer isso, você começa a operar no vermelho. Ao operar no vermelho, por definição, você está destruindo o capital da sua empresa; você está, na melhor das hipóteses, queimando reservas que poderiam ser utilizadas para investimentos futuros.

Pois bem. Após vários meses no vermelho, você finalmente consegue quebrar o concorrente. Qual a situação agora? Você de fato está sozinho no mercado, porém bastante descapitalizado, sem capacidade de fazer novos investimentos. A sua intenção é voltar a subir os preços para tentar recuperar os lucros de antes. Só que, ao subir os preços, você estará automaticamente convidando novos concorrentes para o mercado, que poderão vender a preços menores.

Pior ainda: estes novos concorrentes poderão perfeitamente estar mais bem capitalizados, de modo que é você quem agora estará correndo o risco de ser expulso do mercado. Seus concorrentes poderão vender a preços mais baixos e sem ter prejuízos, ao passo que você terá necessariamente de vender a preços altos apenas para recuperar seus lucros.

Ou seja, ao expulsar um concorrente do mercado, você debilitou sua empresa a tal ponto, que você inevitavelmente se tornou a próxima vítima da mesma prática que você aplicou sobre os outros.

E é exatamente por isso que tal prática não é observada no mundo real. Ela é totalmente ignara. Um empreendedor que incorrer em tal prática estará destruindo o capital de sua empresa, correndo o risco de quebrá-la completamente. Um sujeito com esta "sabedoria" não duraria um dia no livre mercado.

Se isso não vale para uma empresa dentro de um país, imagine então para uma empresa concorrendo em escala global (como é o caso do seu exemplo)?
Se enviar produtos importados baratos destrói a indústria de um país, então conclui-se que fazer o extremo -- mandar importados DE GRAÇA pra um país -- o destrói ainda mais rapidamente.

Mas o que tem de destrutivo em ganhar presentes? Se nos mandarem televisões, carros e geladeiras de graça, perderemos, sim, os empregos nessas áreas. No entanto, os trabalhadores dessas áreas poderão ir pra outras atividades produtivas e genuinamente demandadas pelos consumidores.

Em vez de termos essas pessoas produzindo televisões, carros e geladeiras, já teremos tudo isso e mão-de-obra sobrando pra produzirmos outras coisas. Em resumo, o país ficaria mais rico, às custas dos contribuintes de outros países que estão subsidiando importados gratuitos pra nós.

Outra coisa: se restringir e taxar a importação de produtos baratos é bom pra indústria nacional, bloquear as bordas do país contra todas as importações criaria uma economia fortíssima no país bloqueado.

E não pára por aí: se bloquear um país é bom pra economia interna, então bloquear os estados também. Imagine quantos empregos de paulistas os gaúchos estão tirando quando criam gado. Proibir a importação de gado e garantir empregos pra indústria interna de gado São Paulo seria uma boa idéia.

E isso continua pra cidades, pra ruas, até que se decida produzir tudo em sua casa e não trocar com ninguém.

Basta você parar de fazer compras no supermercado e estará bem ocupado o dia inteiro plantando, colhendo, costurando suas roupas, etc.

Todos terão pleno emprego, mas a produtividade será extremamente baixa dado o custo de oportunidade de produzir tudo por si mesmo, e será uma pobreza generalizada.

Um tomate que você compra com alguns segundos do seu trabalho demoraria meses pra nascer na sua terra.

Se nos casos extremos, com importados de graça, a sociedade fica mais rica e produtiva, e com importados proibidos, a sociedade fica mais pobre e improdutiva, são pra esses os caminhos que as políticas protecionistas apontam.

Não existe um ponto de equilíbrio ou um "protecionismo racional". Todo protecionismo beneficia produtores do setor protegido às custas de todo o resto.

Pode até ser que sem protecionismo nossas montadoras falissem; mas se elas não conseguem competir, é isso o que tem que acontecer.

Se custa 50.000 pra fazer um carro no Brasil que custa apenas 25.000 pra fazer o mesmo carro lá fora, ao comprar o carro de 25.000 a nossa economia tem um carro e 25.000 sobrando pra serem usados em outros setores. Ao comprar um carro de 50.000, a economia tem apenas um carro e deixa de ter 25.000 pra gastar ou investir em outros setores.

Imagine num caso extremo gastar uma fortuna com tecnologia e energia pra produzir bananas no Alasca. Se essas bananas forem produzidas num país tropical, podemos ter as mesmas bananas que teríamos do Alasca, mas sem usar todo aquele recurso: homens, máquinas e energia que poderiam ser mais bem alocados em outro lugar ao invés da produção de bananas.

A questão não são empregos, nem indústria nacional: a questão é produção. Empregos que não criam valor são inúteis, e há indústrias que não necessitam existir. O Brasil não "precisa" de uma indústria de carros assim como o Alasca não "precisa" de uma indústria de bananas, a menos que encontrem uma forma eficiente de produzir seus produtos. Não há por que preservar tais empregos.
Todas essas situações de "stress" que você citou podem perfeitamente acabar também em facadas, canivetadas, garrafadas na cabeça, pedradas, ou socos na cara (é bastante comum uma pessoa morrer em decorrência de um simples soco na cara; ver aqui e, principalmente, aqui).

Portanto, você criou uma falsa equivalência.

"Campanhas desse tipo me faz [sic] refletir que a nossa atenção e forças para cobrar do estado aparatos essenciais para que possamos viver bem, estão focalizados em assuntos que já deveriam estar superados!"

Ininteligível.

"Sobre os bandidos, opa! Se eles estão mandando no meu estado, tenho uma parcela de culpa aí!"

Você pode ter. Eu não tenho nenhuma. Por favor, me diga qual a minha culpa em haver "bandidos mandando no seu estado"?

"Não será somente com armas que inibiremos a propagação de criminosos"

Deixe que eu me preocupe com isso. quero saber o seguinte: se um meliante invadir a minha casa, o que você sugere que eu faça?

"afinal um dos motivos de se propagarem é o fato das armas estarem acessíveis!"

Errado. Um dos motivos de se propagarem é o fato de armas estarem acessíveis para eles no mercado negro e nenhuma arma estar acessível para o cidadão comum no mercado legal.

Bandidos proliferam quando sabem que suas potenciais vítimas estão completamente desarmadas pelo estado.

Beira o cômico você ignorar isso.

"Sobre quem fomenta esse tipo de campanha, cuidado! Aquele(a) deputado(a) ou senador(a) pode ter uma "amizade" muito próxima com alguém ligado a indústria que fabrica tais armas!"

Pois então cite nomes e prove que eles estão ligados a este site. Caso contrário, tenha a hombridade de se retratar.

"Ou até mesmo o cidadão de bem que compartilhou algo dessa campanha não tá nem ai para o bandido, simplesmente acha bonita armas ou quer de alguma forma usá-la!"

Que campanha?!

"E como a democracia é a chave para o entendimento! Respeito quem tem opinião contrária!"

Estamos vendo...

"Então lembram da corrupção? Ela leva desde a falta da merenda na nossa escola até a essa situação! Entregar uma arma pra tu quando estiver "grande", não vai garantir que terá um bandido a menos no mundo! É o processo educacional e o cuidado do estado que podem garantir a paz e o teu bem estar, as armas o caos! Pode parecer falácia, mas para um CIDADÃO DE BEM, faz sentido!"

Acho que sua erva venceu e você não percebeu. Sugiro trocar seu fornecedor.
Mais um que chegou rugindo, levou uma resposta (completa e educada), e agora saiu miando, praticamente de quatro.

Não só não retrucou nada que lhe foi respondido, como ainda chegou ao cúmulo de inventar uma resposta que nunca foi dada. Em nenhum momento o artigo ou algum comentarista falaram que "imprimir dinheiro não é prática legal em um mundo civilizado". Tal frase simplesmente não está escrito em lugar nenhum do artigo e nem desta seção de comentários.

Isso mostra bem o nível do desespero e da ética do cidadão. Mas, também, keynesianismo e falta de ética sempre andaram lado a lado.


P.S.: não resisti e terei de comentar esta:

"os grandes empresários começam fazendo empréstimos e assim aumentam seu patrimônio. Jorge Paulo Lemann convive com um passivo enorme e é o homem mais rico do brasil."

Com a pequena, ínfima, insignificante diferença que JPL é criador de riqueza e de valor. As pessoas voluntariamente compram os bens e serviços produzidos por JPL, e é isso o que o deixou rico. Quem cria riqueza continuamente, como faz JPL, pode se endividar muito e ainda assim se manter plenamente solvente.

Toda essa dívida será paga com capital próprio. JPL não terá de assaltar ninguém, roubar ninguém, confiscar dinheiro de ninguém para pagar suas dívidas. (E, em caso de insolvência, quem se estrepa são seus credores, e não a população inteira, que não terá de arcar com nada disso).

E o governo? Ele cria riqueza? Ele trabalha com capital próprio? Ele utiliza dinheiro próprio para pagar suas dívidas?

O fato de você dizer que o governo opera igualzinho a JPL mostra bem o seu nível de conhecimento econômico.

É cada coitado que é destroçado por aqui...
O que falo para os meus alunos sobre isso,

Primeiro, uma pergunta:

Será que todas aquelas pessoas que ainda não tenham nenhum crime registrado pela polícia, são cidadãos de bem?

Como eu posso garantir que, o estado dando o direito a posse de armas a todos(as) conseguirá evitar que,

O "brigão baladeiro" na hora da raiva cometa uma tragédia na saída da balada!

Na briga de trânsito o cidadão estressado não dispare contra o outro!

O colega de turma que, nunca imaginei que ele tivesse esquizofrenia iria disparar contra toda a turma com a arma do pai ou da mãe!

A mulher que, já sofria com as agressões do Marido, agora vive ainda mais a pressão psicológica por ter uma arma na sua cabeceira!

As crianças que sabem onde os pais guardam suas armas, e depois um tem que falar, foi uma brincadeira!

O vizinho que se estressou com som alto durante a madrugada!

Enfim são inúmeras as situações!

Sobre o uso da arma, "modestamente" posso afirmar: mesmo aquela pessoa que nunca frequentou a escola até aquela que teve o mais alto nível de educação acadêmica está suscetível ao stress, e nessa hora, para muitos, será o motivo de cometer um crime passional (o primeiro)!

Campanhas desse tipo me faz refletir que a nossa atenção e forças para cobrar do estado aparatos essenciais para que possamos viver bem, estão focalizados em assuntos que já deveriam estar superados!

Sobre os bandidos, opa! Se eles estão mandando no meu estado, tenho uma parcela de culpa aí! Não será somente com armas que inibiremos a propagação de criminosos, afinal um dos motivos de se propagarem é o fato das armas estarem acessíveis!

Sobre quem fomenta esse tipo de campanha, cuidado! Aquele(a) deputado(a) ou senador(a) pode ter uma "amizade" muito próxima com alguém ligado a indústria que fabrica tais armas! Ou até mesmo o cidadão de bem que compartilhou algo dessa campanha não tá nem ai para o bandido, simplesmente acha bonita armas ou quer de alguma forma usá-la!

E como a democracia é a chave para o entendimento! Respeito quem tem opinião contrária!

E se eu estiver numa turma com crianças ou adolescentes:
Sempre tem aquele que exclama,

- Mas só os bandidos tem o direito de possuir armas, o cidadão de bem, não!

- Então lembram da corrupção? Ela leva desde a falta da merenda na nossa escola até a essa situação! Entregar uma arma pra tu quando estiver "grande", não vai garantir que terá um bandido a menos no mundo! É o processo educacional e o cuidado do estado que podem garantir a paz e o teu bem estar, as armas o caos! Pode parecer falácia, mas para um CIDADÃO DE BEM, faz sentido!


ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • anônimo  16/01/2017 13:58
    Se tem gente passando fome, por que a importação de comida possui vários bloqueios ?

  • Blairo  16/01/2017 14:16
    Exato.

    Mas a resposta é: para proteger o agronegócio. Tudo no país se resume a lobbies e grupos de interesse. Afinal, vivemos a era do cronismo.
  • Z%C3%83%C2%A9 da Moita  16/01/2017 17:55
    vdd que a maior parte do alimento nos supermercados vem de pequenos produtores e os grandes(que sugaram o estado para enriquecer como o rei da Soja no Mato Grosso) exportam quase tudo o que produzem?
  • Zé Roberto  16/01/2017 18:50
    Se é verdade eu não sei (francamente, não vejo como os pequenos sejam capazes de alimentar 200 milhões de pessoas).

    Mas o que é realmente interessante é que tal arranjo é exatamente aquele defendido por intervencionistas desenvolvimentistas, que dizem que o crucial é exportar de tudo e ao máximo (mesmo que o mercado interno fique totalmente desabastecido).

    E para ajudar a exportar ao máximo, deve-se conceder subsídios a rodo para os exportadores. E deve-se também proibir importações.

    Ou seja, para os intervencionistas desenvolvimentistas, deve-se dar dinheiro de impostos para os grandes para que eles possam vender tudo para fora (gerando desabastecimento interno), e ao mesmo tempo deve-se restringir ao máximo as importações (gerando mais desabastecimento interno).

    Intervencionistas desenvolvimentistas defendem um duplo desabastecimento interno.
  • anônimo  16/01/2017 21:30
    Os pobres não conseguem comprar um chocolate suíço, um salmão norueguês , uma massa italiana, um azeite português,etc.

    Isso é culpa do governo, que coloca alta tributação nas comidas importadas.

    Outro ponto é a desvalorização da moeda, que causou a exportação das melhores carnes do país.

    Enfim, o governo fez os pobres comerem lixo.
  • Protecionista Aristotélico  16/01/2017 15:34
    Eis o silogismo do "protecionista consciente":

    (1) A indústria nacional não é ineficiente.

    (2) Ela é apenas oprimida pelo governo, que a sobrecarrega de impostos. Consequentemente, ela não pode concorrer livremente com os estrangeiros.

    (3) Portanto, precisamos de um governo ainda maior, ainda mais intrusivo e com ainda maiores poderes tributários para retirar esse fardo do governo sobre as indústrias.

    Entenderam?
  • 4lex5andro  16/01/2017 20:49
    Pois é; o Estado é o mesmo agente causador do problema da supercarga de impostos e, estranhamente, invoca-se a ação deste para debelar essa carga de impostos.
  • anônimo  16/01/2017 21:45
    Exportar é muito importante. Se não entra dólares, as importações são muito mais complicadas.

    Falar em exportação, com 34% de imposto de renda no Brasil, acaba virando uma piada. Depois vem as milhares de regulamentações que só servem para os fiscais multarem os empresários. Isso já seria suficiente para destruir toda as exportações, mas o governo ainda resolveu não oferecer nada em troca sobre os impostos pagos.

    Estamos exportando a 1 dólar o quilo, e importando a 20 dólares o quilo. São as exportações com o pior valor agregado do mundo.
  • Guimarães  16/01/2017 15:39
    O mais sensacional do argumento protecioanista é a sua inevitável implicação lógica: se todos os países resolvessem restringir (ou mesmo banir) as importações e subsidiar as exportações, haveria um colapso total no comércio global. Se ninguém pode importar, então ninguém pode exportar (impossível vender se não há comprador).

    A esmagadora maioria da população morreria esfaimada, todos os processos de produção seriam profundamente afetados (pois não se pode mais importar insumos) e, no final, o mundo estaria de volta às cavernas.

    Que isso seja visto como pensamento sério e comprometido é um perfeito exemplo da deterioração da nossa inteligência.
  • A84  16/01/2017 15:40
    A maioria não compraria em um supermercado de uma facção criminosa vizinho ao seu bairro, mesmo os produtos sendo 30% mais baratos. Aquele que compra produtos da China, só pq são mais baratos e com a esperança que futuramente o partido pare de oprimir a população e financiar ditaduras tipo a Venezuela é moralmente igual ao cara que compra no supermercado da facção criminosa.
  • Otávio  16/01/2017 16:06
    "A maioria não compraria em um supermercado de uma facção criminosa vizinho ao seu bairro, mesmo os produtos sendo 30% mais baratos."

    Quando começa com um exemplo esdrúxulo assim, pode ter a certeza de que lá vem merda. Vamos ver?

    "Aquele que compra produtos da China, só pq são mais baratos e com a esperança que futuramente o partido pare de oprimir a população e financiar ditaduras tipo a Venezuela é moralmente igual ao cara que compra no supermercado da facção criminosa"

    Não falei? É batata.

    Em primeiro lugar, desconheço uma única pessoa que compre produtos da China com a intenção de que "futuramente o partido pare de oprimir a população".

    Aliás, veja a ironia: você condena (corretamente) o governo que oprime a população, mas quer também proibir aquela única coisa que pode melhorar a vida dessas pessoas: o livre comércio.

    A sua moral é tão relativa e obtusa quanto a sua lógica.

    Dito isso, você tem todo o direito de criticar quem compra produtos chineses. Até aí tudo bem. Agora, o que você não tem o direito de fazer é proibir as pessoas de comprarem da China.

    Ainda pior do que esse seu autoritarismo é o seu fragoroso relativismo moral: os mesmos chineses que são oprimidos pelo seu governo também devem ser proibidos de auferir a sua única fonte de renda. Que belo humanista é você.
  • A84  16/01/2017 16:44
    Otávio, aonde eu defendi proibir as pessoas de comprar produtos da China!
    Apenas estou falando que quem compra produtos de uma Ditadura(China) que financia outras ditaduras(Venezuela), com a justificativa que vai libertar o povo da miséria via livre mercado, é apenas um idiota útil que financia ditaduras, semelhante ao cara que compra do supermercado da facção criminosa pq gera emprego para os favelados, para de criar espantalho!
  • Laércio  16/01/2017 17:05
    "Apenas estou falando que quem compra produtos de uma Ditadura(China) que financia outras ditaduras(Venezuela), com a justificativa que vai libertar o povo da miséria via livre mercado, é apenas um idiota útil que financia ditaduras,"

    Acabou de incorrer exatamente naquele erro primário que o artigo critica. Impressionante como você caiu direitinho na armadilha.

    Não existe isso de "comprar de ditaduras". "Ditadura" não é arranjo de produção. Uma "ditadura" -- seja lá o que isso signifique -- não produz nenhum bem ou serviço.

    Apenas indivíduos produzem e transacionam. João compra tecido de Sheng. Xang Lang Fang compra carne de José.

    Nenhum desses está "comprando produtos de uma ditadura" (frase completamente sem sentido). E ninguém está utilizando o argumento de que, ao "comprar de uma ditadura", está "libertando o povo".

    É cada ser bizarro que despenca por aqui...

    P.S.: ah, sim: segundo sua brilhante lógica, os pobres que utilizam ônibus lotação fabricados pela Mercedes, carros da VW ou que utilizam elevadores da ThyssenKrupp -- presentes em quase todos os edifícios -- estão aquiescendo com o nazismo. E quem utiliza GM e Ford está aquiescendo com todos os civis inocentes que foram mortos pelos americanos na Segunda Guerra (os blindados americanos foram fabricados pela GM).
  • A84  16/01/2017 22:31
    Laércio,
    Não existe ditaduras!
    E o partido maoista que controla com mão de ferro a China e massacra seu povo é o que?
    quem compra produtos de empresas chinesas, está financiando uma ditadura, já que a maioria do dinheiro fica com a burocracia maoista, que compra petróleo da democrática Venezuela, só para exemplificar como uma ditadura financia outra. Não tem lógica defender o comércio entre Brasil e China tendo como justificativa o livre mercado, é como se uma pessoa defendesse a participação de um atleta comprovadamente dopado em uma olimpíada, tendo como justificativa o Fair Play!
    Com relação ao seu exemplo das empresas alemãs que apoiaram o nazismo: não existe nada de errado em comprar ou usar os produtos dessas empresa pq o nazismo foi derrotado, todos que trabalharam nessas empresas nesse período estão mortos e os atuais proprietários não apoiam ou financiam ditaduras o mesmo vale para as empresas japonesas. A China, continua massacrando seus opositores e exportando suas práticas para o mundo, eram grandes aliados dos petistas só para lembrar. Prefiro um chinês com uma tigela de arroz na mão como na década de 60, do que o soldados de hoje que constroem ilhas militares a mando do partido, que vc diz que não existe, até eles passarem a respeitar a liberdade individual.

  • Eduardo  16/01/2017 15:47
    Se enviar produtos importados baratos destrói a indústria de um país, então conclui-se que fazer o extremo -- mandar importados DE GRAÇA pra um país -- o destrói ainda mais rapidamente.

    Mas o que tem de destrutivo em ganhar presentes? Se nos mandarem televisões, carros e geladeiras de graça, perderemos, sim, os empregos nessas áreas. No entanto, os trabalhadores dessas áreas poderão ir pra outras atividades produtivas e genuinamente demandadas pelos consumidores.

    Ao invés de termos essas pessoas produzindo televisões, carros e geladeiras, já teremos tudo isso e mão-de-obra sobrando pra produzirmos outras coisas. Em resumo, o país ficaria mais rico, às custas dos contribuintes de outros países que estão subsidiando importados gratuitos pra nós.

    Se restringir e taxar a importação de produtos baratos é bom pra indústria nacional, bloquear as bordas do país contra todas as importações criaria uma economia fortíssima no país bloqueado.

    E não pára por aí: se bloquear um país é bom pra economia interna, então bloquear os estados também. Imagine quantos empregos de paulistas os gaúchos estão tirando quando criam gado. Proibir a importação de gado e garantir empregos pra indústria interna de gado São Paulo seria uma boa idéia.

    E isso continua pra cidades, pra ruas, até que se decida produzir tudo em sua casa e não trocar com ninguém.

    Basta você parar de fazer compras no supermercado e estará bem ocupado o dia inteiro plantando, colhendo, costurando suas roupas, etc.

    Todos terão pleno emprego, mas a produtividade será extremamente baixa dado o custo de oportunidade de produzir tudo por si mesmo, e será uma pobreza generalizada.

    Um tomate que você compra com alguns segundos do seu trabalho demoraria meses pra nascer na sua terra.

    Se nos casos extremos, com importados de graça, a sociedade fica mais rica e produtiva, e com importados proibidos, a sociedade fica mais pobre e improdutiva, são pra esses os caminhos que as políticas protecionistas apontam.

    Não existe um ponto de equilíbrio ou um "protecionismo racional". Todo protecionismo beneficia produtores do setor protegido às custas de todo o resto.

    Pode até ser que sem protecionismo nossas montadoras falissem; mas se elas não conseguem competir, é isso o que tem que acontecer.

    Se custa 50.000 pra fazer um carro no Brasil que custa apenas 25.000 pra fazer o mesmo carro lá fora, ao comprar o carro de 25.000 a nossa economia tem um carro e 25.000 sobrando pra serem usados em outros setores. Ao comprar um carro de 50.000, a economia tem apenas um carro e deixa de ter 25.000 pra gastar ou investir em outros setores.

    Imagine num caso extremo gastar uma fortuna com tecnologia e energia pra produzir bananas no Alasca. Se essas bananas forem produzidas num país tropical, podemos ter as mesmas bananas que teríamos do Alasca, mas sem usar todo aquele recurso: homens, máquinas e energia que poderiam ser mais bem alocados em outro lugar ao invés da produção de bananas.

    A questão não são empregos, nem indústria nacional: a questão é produção. Empregos que não criam valor são inúteis, e há indústrias que não necessitam existir. O Brasil não "precisa" de uma indústria de carros assim como o Alasca não "precisa" de uma indústria de bananas, a menos que encontrem uma forma eficiente de produzir seus produtos. Não há por que preservar tais empregos.
  • Bob  16/01/2017 20:20
    Eduardo, EXCELENTE sua analogia da produção de bananas no Alasca!

    É uma ótima forma de demonstrar como a concorrência é o melhor mecanismo para identificar a alocação inadequada de recursos e potenciais agentes destruidores de bens de capital.

    A política de defesa artificial dessas indústrias onerosas e ineficientes sob a justificativa de proteger os empregos do setor é um fetiche com inacreditável potencial populista, e por isso mesmo difícil de derrubar.
  • Adriel  16/01/2017 17:13
    Deixa-me ver o que posso concluir: acabou toda e qualquer burocracia ou barreira à importação no Brasil e os produtos importados ficam em média 37,5% o que de cara aumentaria o poder de compra da população. Empresários iam ser obrigados a abaixarem seus preços, alguns iam falir, mas outros iriam surgir e poder importar bens de capital mais baratos agora, o que modernizaria a indústria brasileira, tornaria ela mais competitiva e aumentaria a produtividade dos brasileiros, o que, no longo prazo, ia aumentar o poder de compra ainda mais das massas. Os desempregado das indústrias que fecharam iriam trabalhar em outros setores já que a população com poder de comprar maior iria poder gastar mais com mimos como comprar uma determinada marca de iogurte só porque ela é mais gostosa, comprar mais imóveis, mais carros, ar condicionado, etc. e essa demanda nunca antes imaginada iria aumentar a demanda em outros setores da economia que demandariam mão de obra. Certo?
  • Rodrigo  16/01/2017 19:11
    Que coisa não é. Por isso que pedimos para o estado sair do caminho.
  • anonimato  16/01/2017 17:21
    Como sempre a mídia apelando para o sentimentalismo:Os 8 bilionários que têm juntos mais dinheiro que a metade mais pobre do mundo

    www.bbc.com/portuguese/internacional-37306069

    www.bbc.com/portuguese/internacional-36582610
  • Marcos  16/01/2017 17:31
    A metodologia da Oxfam já foi completamente demolida aqui:

    www.mises.org.br/BlogPost.aspx?id=2292
  • Henrique Carlos  16/01/2017 18:47
    "A pesquisa usa o valor dos ativos, principalmente bens e terras, menos dívidas, para determinar as "posses" das pessoas em questão. Os dados excluem salários e rendimentos.
    A metodologia foi criticada por considerar, por exemplo, que um estudante com muitas dívidas mas grande potencial de ganhos no futuro seja pobre."

    Então se a dívida de um imóvel que eu comprei, se custar por exemplo Um milhão, superar meus ativos, sou mais pobre que um morador de rua que tem Um real na mão e nenhuma dívida. Isso mesmo?
  • Taxidermista  16/01/2017 17:57
  • Me Refute  16/01/2017 18:51
    Vocês falam tanto de Singapura, mas ignoram que sua localização é extremamente favoravel e estratégica.

    Ignoram também alguns fatos, os preços dos carros lá: https://www.youtube.com/watch?v=Ki51vh6ihJs

    E mais, ignoram que muitas pessoas só vão lá a trabalho e não para morar, somente pra fazer negocio, já que o país é realmente bom pra fazer negocio graças a ausencia de burocracia e sua localização excelente.

    Não defendo burocracia no empreendedorismo, mas parem de glorificar Singapura como deus do livre mercado, apesar se ser um pais muito livre, ainda sim tem moeda de curso forçado e é péssimo pra viver.

    Sem contar que o estado lá, já fez financiamentos como o minha casa e minha vida, saiu até uma matéria no fantastico sobre isso....
    Parem de distorcer a verdade!

    Livre empreendedorismo é sim a solução, mas não pode negar que o estado como o escandinavío ajuda muito o lado social. Porque não ambos? Livre mercado e um estado ''médio''? É assim que é há décadas os nordicos e não param de crescer!!

    E o ANCAP utopico de vocês, já foi refutado por esse cara que é um keynesiano petista de m***, até esse cara refutou...

    https://www.youtube.com/watch?v=Ti2DRI579E0


    Vamos lá, desafio aceito. REFUTE!!!!

    PS: Vocês tem razão em certas coisas sim, mas fogem da realidade e as vezes ficam cegos pondo a culpa sempre no estado, por mais que ele seja culpado, vocês não analisam o resto... De verdade na boa.
  • Você próprio já o fez  16/01/2017 20:18
    "Vocês falam tanto de Singapura, mas ignoram que sua localização é extremamente favoravel e estratégica."

    O gozado é que o raciocínio inverso também se aplica: lá não há um mísero recurso natural.

    No mais, localização por localização, a do Brasil não é? Produtos que saem da costa leste dos EUA, da Europa, da África e do Oriente Médio, e que vão para qualquer país da América do Sul, têm obrigatoriamente de passar pelo Brasil.

    Dá pra ser mais estratégico do que isso?

    "E mais, ignoram que muitas pessoas só vão lá a trabalho e não para morar, somente pra fazer negocio, já que o país é realmente bom pra fazer negocio graças a ausencia de burocracia e sua localização excelente."

    Duh! É exatamente esta facilidade de se fazer negócios que é tida como modelo! É exatamente essa a parte que deve ser copiada!

    Entendeu ao menos isso?

    É cada jumento que despenca por aqui... (O que ficará comprovado mais abaixo)

    "Não defendo burocracia no empreendedorismo, mas parem de glorificar Singapura como deus do livre mercado, apesar se ser um pais muito livre, ainda sim tem moeda de curso forçado e é péssimo pra viver."

    Anotado.

    "Livre empreendedorismo é sim a solução, mas não pode negar que o estado como o escandinavío ajuda muito o lado social. Porque não ambos? Livre mercado e um estado ''médio''? É assim que é há décadas os nordicos e não param de crescer!!"

    Ué, você quer realmente copiar os nórdicos? Eu também!

    Sim, deveríamos ser mais parecidos com a Suécia - quer tentar?

    Cinco fatos sobre a Suécia que os social-democratas não gostam de comentar

    Todos os socialistas querem ser a Dinamarca - será mesmo?

    Mas, infelizmente, não temos como copiar os nórdicos, por esses motivos:
    A social-democracia no Brasil entrou em colapso - abandonemos os delírios e sejamos mais realistas

    "Vocês tem razão em certas coisas sim, mas fogem da realidade e as vezes ficam cegos pondo a culpa sempre no estado, por mais que ele seja culpado, vocês não analisam o resto"

    Esta sua frase será refutada por você próprio -- e duplamente -- logo abaixo:

    "Ignoram também alguns fatos, os preços dos carros lá: https://www.youtube.com/watch?v=Ki51vh6ihJs"

    Segundo esse próprio vídeo, os carros em Cingapura são caros porque o governo -- a mesma entidade sobre a qual você disse acima ser errado atribuir culpas -- tributa especificamente a importação de carros para evitar que as ruas (outro monopólio estatal em Cingapura) fiquem congestionadas!

    Ou seja, você diz que o governo não deve ser responsabilizado por coisas ruins, e logo em seguida aponta um fato ruim criado exclusivamente pelo governo e diz que este fato comprova como as coisas em Cingapura são ruins!

    Mas calma que tem mais!

    "Sem contar que o estado lá, já fez financiamentos como o minha casa e minha vida, saiu até uma matéria no fantastico sobre isso.... Parem de distorcer a verdade!" "

    E se eu lhe disser que as moradias em Cingapura estão entre as mais caras do mundo justamente porque o estado subsidia suas compras? Você terá um infarto ou enterrará a cabeça na areia e continuará dizendo que é errado culpar o estado pelas coisas ruins?

    A pergunta sincera é: você é burro mesmo ou apenas acredita que todo o resto do mundo pode ser facilmente feito de bobo?

    "Vamos lá, desafio aceito. REFUTE!!!!"

    Você próprio fez o serviço sujo. Confesso que foi a primeira vez que vi algum se auto-humilhando aqui dessa maneira vexatória. Congratulações.
  • Pobre Paulista  17/01/2017 12:27
    O mais legal é o argumento do nível "Saiu até uma matéria no fantástico sobre isso" KKKKKKKKKKKKK
  • Bartolo  16/01/2017 20:54
    Antes de mais nada, meu amigo, você tem que primeiro aprender a escrever e a expressar ideias de maneira minimamente inteligível e não-contraditória.

    Feito isso, retorne.
  • João das Coxas  16/01/2017 19:55
    Ótimo texto.
  • Bruno Feliciano  16/01/2017 20:00
    Faz tempo que eu não levanto uma polêmica aqui sobre direito. Então vamos lá:

    Crime de ameaça: Critério para definir quando é ameaça?
    Se eu apontar uma arma de brinquedo na sua cabeça, é considerado ameaça?
    E se eu falar que estou armado, sem dar a chance de você verificar, não é uma ameaça?
    Ou seja, a coerção e a ameaça existem até que certo ponto?
    E se eu ameaçar no soco? ''Passa a grana se não ti arrebento?''
    São questões um pouco subjetivas e vagas, como definir o crime de ameaça e coerção sendo objetivo?


    Direito de propriedade: Uma viagem de navio, que no contrato esta escrito que a quebra de uma clausula resultará em expulsão da embarcação, esteja aonde estiver. Não vamos partir do pressuposto que o sujeito morre, pra não entrar no conflito de assassinato que já comentei aqui. Se o sujeito fica com alguma sequela mas se salva, eai o direito de propriedade da embarcação prevalece sobre o corpo do individuo? Porque no contrato não vai estar escrito que a expulsão causaria um dano.. E se causar? Mesmo que ele sobreviva sem nenhum arranhão, como fica o sofrimento dele por lutar pela sobrevivência em alto mar?

    Imagine um condomínio relativamente grande, agora imagine a vizinhança e as casas próximas.
    Agora, imagine que uma casa pega fogo, um incêndio terrível que esta se alastrando. Mostrando um grande risco de se alastrar para outras casas, inclusive a sua que esta justamente ao lado.
    Você começa a fazer o possível para o fogo não se alastrar pra sua casa, então você chama a segurança e os bombeiros(privados) para que contenha o incêndio.
    Agora, vamos supor que você tem ou não uma seguradora.
    Se você não tem, terá que arcar com as despesas com bombeiros e afins que controlaram e apagaram o incêndio. É justo você cobrar o vizinho que começou o incêndio por essas despesas? Inclusive uma indenização?
    Porque você não gastou pra apagar o incêndio da casa dele e sim pra impedir que o fogo se alastrasse pra sua casa..
    Se você tem uma seguradora a pergunta ainda é a mesma, é justo a seguradora cobrar quem causou o incêndio?

    Vamos supor que o fogo não atingiu sua casa, só estava próximo e com um grande risco, se você não tomasse uma atitude teria a casa incendiada...


    ATO VS RISCO: Os libertários argumentam muito que só existe crime com vítima e de fato se há um crime significa que há uma vítima. Até ai sem problemas...
    Dirigir bebado é crime, mesmo que você não cause nenhum acidente.
    O problema que eu vejo aqui, é que terceiros não são obrigados assumir esse risco, imagine se o cara pega a contra mão pondo em risco a vida de centenas de motoristas, mesmo que ele consiga a proeza de chegar em casa sem atingir ninguém, ainda sim ele poderia causar um acidente, penso que ninguém é obrigado a assumir esse risco. A partir do momento em que alguém esta pondo em risco a sua vida, pode se considerar crime.

    O mesmo vale se eu prático experimentos químicos em minha casa, experimentos nucleares com substancias altamente perigosas, a vizinhança não é obrigada a sumir o risco, se o cara faz uma cagada é possível dezimar todo o bairro, somando uma indenização astronômica impagável! Podendo acabar com uma família inteira e sem nenhuma possibilidade de reparar esses danos, seja porque família morreu, ou seja por uma indenização é impagável...


    Por hoje é só hahahaha.


    Grande Abraço,
    Bruno Feliciano
  • Vinícius   17/01/2017 01:23
    Não sendo nenhum especialista mas vou tentar humildemente te responder. Sobre o caso da ameaça estes não se configuram crime pois crime é somente quando alguém feri fisicamente a vida, a propriedade e/ou liberdade. Só passam a ser crimes quando as mesmas se concretizam. No caso do navio havia uma cláusula no contrato portanto havia consentimento e consciência de ambas as partes. Um bom exemplo seria por exemplo quando alguém resolve escalar o Monte Everest e contrata alguém para subir com você. Quem entrasse em um acordo com você teria consciência e sofreria consequências dos riscos envolvidos. Assim não se configura algum crime. No último ponto em relação ao caso do incêndio, os vizinhos responsáveis pelo incêndio que se alastrou pela vizinhança deveriam restituir os memos já que violaram a propriedade dos dos outros.
  • Bruno Feliciano  17/01/2017 06:13
    Caro Vinicius, levantei essas polemicas como um exercício de reflexão.
    Obrigado pela tentativa de resposta. Vamos lá:

    ''Sobre o caso da ameaça estes não se configuram crime pois crime é somente quando alguém feri fisicamente a vida, a propriedade e/ou liberdade.''

    E ameaça não fere a minha liberdade?
    Veja, imposto é roubo, se você não pagar sofrerá as consequências. Isso é uma ameaça...
    Roubo é assim, primeiro se tem a ameaça, se você pagar pra ver acaba sofrendo as consequências.
    E no caso da arma de brinquedo? Réplica idêntica...

    ''No caso do navio havia uma cláusula no contrato portanto havia consentimento e consciência de ambas as partes.''

    Havia a cláusula, mas a cláusula não dizia que essa expulsão poderia resultar em morte ou graves ferimentos.
    Ainda sim, causar um dano a você não é algo explicito na cláusula e sim algo implícito. Se forçar a barra pode ser até subjetivo a interpretação disso...
    Vou melhorar a pergunta: E se não houver a cláusula? Somente uma cláusula que diz que a quebra de regras terá uma punição arbitraria?
    Eu entrar em uma balada, pago por um serviço. Saio de la queimado ou até morto, não é um contrato implícito de que eu não paguei para receber esse serviço ou receber um dano?

    '' Um bom exemplo seria por exemplo quando alguém resolve escalar o Monte Everest e contrata alguém para subir com você''

    Ai é forçar a barra, escalar o Monte Everest é uma situação e risco, é muito claro e explicito que os riscos existem, sem contar que a morte escalando o everest nada tem haver com expulsão de propriedade privada como foi o caso do navio, essa analogia não se encaixa. Você somente pagou pro cara ti acompanhar, se der problema lá em cima ai é outra história, completamente diferente. Até porque você não empurrou o cara la de cima, o risco era sobre externelidades e não o risco deu ti empurrar la de cima..

    ''No último ponto em relação ao caso do incêndio, os vizinhos responsáveis pelo incêndio que se alastrou pela vizinhança deveriam restituir os mesmos já que violaram a propriedade dos dos outros.''

    Me parece que você não entendeu a situação, o fogo não violou a propriedade alheia, somente pois sobre risco.
    É sobre o ônus que você teve pra evitar que sua casa fosse queimada, se a casa do vizinho não tivesse em chamas, você não teria esse ônus de defender a sua propriedade.
    A discussão aqui é se você defendeu a sua propriedade voluntariamente ou você estava sob risco de violação da mesma e por isso deve ser indenizado.
    Mais ou menos como um bandido entrar na minha casa e descer a lenha nele com o meu revolver, ai depois eu vou cobrar as balas dele ou da família dele...
    Repito: O fogo não se alastrou, ele estava ganhando proporções que poderiam atingir os vizinhos. Logo os vizinhos assumiram um ônus para evitar que sua casa se incendiasse.
    Lá em cima eu disse alastrou pela propriedade que começou o próprio fogo, pondo em risco os vizinhos.

    Abraços


  • Vinícius  17/01/2017 13:37
    Bom dia Bruno!

    Tentarei novamente responder suas questões. Vamos a reflexão!

    ''Veja, imposto é roubo, se você não pagar sofrerá as consequências. Isso é uma ameaça... '' o imposto só se torna roubo a partir do momento que o estado concretiza a ameaça. Caso ele nada fizesse, imposto não seria roubo já que seria ''opcional'', pois mesmo com a ameça nada ele faria para te impedir de sonegar. No caso da ameaça de assalto, se a pessoa ameaçada se denfendesse mesmo sem uma agressão já realizada, o risco econsequência seriam do ameaçador já que este levou o ameaçado a acreditar que haveria uma agressão e deveria ter em mente isso.

    ''Havia a cláusula, mas a cláusula não dizia que essa expulsão poderia resultar em morte ou graves ferimentos. '', ''Ai é forçar a barra, escalar o Monte Everest é uma situação e risco, é muito claro e explicito que os riscos existem, sem contar que a morte escalando o everest nada tem haver com expulsão de propriedade privada como foi o caso do navio, essa analogia não se encaixa''. Assim como no caso do Monte Everest mesmo que na cláusula não esteja escrito que esta ação tem riscos, os mesmos são explicitos tanto para a escalada quanto ser expulso do navio e havia consentimento em ambos os casos. A analogia se encaixa no caso de querer demonstrar que existe consiência dos riscos explicitos e se concorda com eles.

    ''Me parece que você não entendeu a situação, o fogo não violou a propriedade alheia, somente pois sobre risco''. Caso a propriedade estivesse sobre eminente risco, e que logo o fogo se alastraria para sua casa, você estaria previnindo algo óbvio que iria acontecer por tanto deveria haver ressarcimento por parte do vizinho.

    No último comentário esqueci de lhe responder sobre o caso do bêbado, então vamos lá. Em caso de ruas privatizadas o provavel é que haveria alguma regra do dono da rua sobre dirigir bêbado já que o risco é eminente e ninguém gostaria de andar em um local onde a qualquer momento você poderia ser atropelado ou haver uma batida, lembrando que ausência de estado não significa ausência de regra. Mesmo assim caso o dono da rua não fosse prudente e não pensasse nestas questões e fosse permitido dirigir bêbado, caso não houvesse acidente o bêbado não deveria ressarcir os outros motoristas.

    Espero ter respondido suas questões! Abraços!
  • Henrique Zucatelli  17/01/2017 11:08
    Bom dia Bruno!

    Grande questionamento.

    Primeiramente, o libertarianismo possui mais de 50 correntes filosóficas, indo do extremo anarco capitalista até a ponta comunista libertária, portanto teremos basicamente algumas dezenas de interpretações, muitas vezes antagônicas.

    Como seguidor do liberalismo clássico (Rule of Law) com uma extrema afinidade em Hoppe, digo que em um território sob jurisdição liberal bandidagem não é uma profissão que compense. Vamos as respostas:

    Crime de ameaça

    Qualquer ameaça pode ser interpretada como crime, pois mesmo que não haja dano físico, o choque provocado pela sensação de ter uma arma apontada para você causa muitos problemas psicológicos, que consequentemente causarão problemas de saúde no futuro.

    Reação do agredido e repercussões ao agressor

    Estando o agressor de posse de um simulacro ou fingindo estar armado, garante ao agredido todo o direito de se defender da maneira que puder, seja atirando contra o agressor (caso tenha uma arma de fogo), seja caindo para a porrada, seja passando com o carro encima dele rs. Ademais, caso o agressor seja flagrado cometendo esse crime de ameaça por alguma autoridade local, será preso e levado a julgamento, onde pode ser condenado até mesmo a morte, dependendo de como essa sociedade liberal encara tal crime.

    Direito de propriedade

    O exemplo (nem tão) hipotético do navio é dúvida corrente quando abdicamos o Estado de regular algumas práticas, e realmente, isso pode e vai acontecer em qualquer sociedade realmente livre, porém as repercussões são extremamente negativas para o proprietário do negócio, que pode ter até mesmo suas portas fechadas. Se não temos um Estado com seu PROCON para nos defender, também não temos um Estado para defender empresas ineficientes ou com empresários psicopatas.

    Quanto as repercussões legais de uma demanda contra o dono do navio por agressão ou mesmo tentativa de homicídio por te jogar no mar? Sim, totalmente válidas, principalmente se conseguir provar que estava seguindo o contrato assinado e que ele fez isso por pura psicopatia.

    O exemplo do condomínio é mais simples ainda.

    Caso uma casa pegue fogo, o dono é totalmente responsável pelo prejuízo causado aos seus vizinhos, independente da causa. Por isso mesmo em uma sociedade liberal é imprescindível ter uma seguradora. No caso de condomínios é ainda mais tranquilo, pois o próprio condomínio pode somar na cota o valor do seguro para todas as casas, mitigando riscos.

    Condutas em uma sociedade liberal clássica

    Sobre dirigir bêbado ou drogado, vai de cada jurisdição, que irá direcionar (ou não) recursos para fiscalizar tal ato em flagrante. Creio que seria mais simples: você quando está dentro de um veículo assume responsabilidades a priori, e se causar dano a outrem irá ter de pagar por isso, civilmente e criminalmente. O mesmo exemplo vale para experimentos. Uma seguradora jamais irá cobrir danos causados motoristas bêbados (já não cobre hoje), tão pouco irá assinar um contrato com alguém que pretende fazer testes nucleares em área residencial. Só isso diminuirá em 99% o risco de que alguém faça algo errado, pois não compensa em hipótese alguma.

    Espero que tenha conseguido expressar de forma clara como uma sociedade liberal clássica vive. O libertarianismo per se também não consegue lidar com aberrações antes delas agirem, porém dá as pessoas e empresas mecanismos simples e efetivos para que possa ser coibido e reparado qualquer dano, sendo exemplo para aqueles que pretendem fazer algo errado.
    Sempre.

    Abraços,






  • Anderson  16/01/2017 22:46
    É que tem um ponto. Abolir ou reduzir ao máximo as alíquotas de importação faria com que muitas indústrias e negócios no Brasil quebrassem, pelo menos a curto e médio prazo, e isso acarretaria em desemprego em massa, além de pouca arrecadação de impostos sobre produção e sobre empresas. Toda a economia se ferraria. É assim que os intervencionistas pensam.

    O problema da questão é ignorar o todo e não procurar responder perguntas tais quais por que a economia quebraria? e por que não é possível ter uma economia forte com as alíquotas de importação baixas? A resposta será a de que a economia nacional está totalmente aparelhada a servir os interesses estatais - é só ler a constituição - e não a de enriquecer propriamente. Não há estímulos para a produção de riqueza! Empresa no Brasil não é para o sujeito - o detentor de capital, seja o empresário e/ou as pessoas que investiram no negócio - ficar rico, não é moralmente autorizado a apenas enriquecer, por essas terras "enriquecer não é glorioso" - a não ser que o sujeito seja ligado a políticos de Brasília.

    Então, o problema da questão é que a economia no país não é saudável porque ela foi condicionada a tal, muitas regulamentações e burocracias atrasam e problematização operações que nem deveriam existir, além dos custos incorridos. Muitos tributos só fazem diminuir parte do lucro que serviria para expandir a capacidade de operação da empresa, e, com esse peso, ela deixa de ser mais sofisticada e apta a apresentar soluções inovadoras - tecnologias de última geração e pesquisas não são baratas. Os muitos encargos nas folhas salariais só fazem diminuir a oferta de emprego, além de diminuir o teto para aumentar os salários.

    Enfim, esse é um país em que tudo é feito para o estado. A economia é uma mera serviçal do arranjo estatal.
  • Publicitário de Segunda   17/01/2017 00:15
    Muito bom o artigo! E essa parte aí do carro é muito semelhante à minha inspiração do final de semana passado.

    Minha mãe estava me contando e fazendo comparações entre os preços do quilo de mussarela na venda do bairro e o de um grande supermercado, que se situa em outro bairro. E ela ficou estupefata quando viu que na venda ele chegava a ser aproximadamente dez reais mais caro que no supermercado. Além de ser de qualidade inferior. (O bom aqui é que provavelmente todo mundo já deve ter se deparado com uma situação parecida, então pode puxar pela memória e sentir toda a emoção do problema)

    Praticamente na mesma hora, eu comecei a pensar em protecionismo. Supondo-se uma administração do bairro, de olho em sua balança comercial, veja isto e decida que para proteger os empregos e o comércio local, ninguém mais poderá comprar produtos de outros bairros; obrigando assim todos a comprarem produtos mais caros e de menor qualidade. Tenho certeza que só este pequeno cenário já é suficiente para fazer com que qualquer um se sinta preso e sufocado. Agora, imagina isso em escala nacional...

    Não é muito claro e a gente dificilmente se dá conta, mas é exatamenote a mesma coisa que acontece quando estamos submetidos ao protecionismo.

    Não há nada de diferente em relação a outros comentários e nem há nada de criativo no que eu disse, mas eu pensei nisto como um excelente mote para uma campanha. Inclusive, esse pessoal da Rede Liberdade devia largar aquele projeto almofadinha (para políticos, burocratas e intelectuais) de desestatização ou quebra de monopolio dos serviço de correios e telégrafos, e se dedicar a algo asim para manipular as massas.
  • anônimo  17/01/2017 01:04
    Vamos fazer um campeonato de futebol ?

    Segue a tabela do campeonato:

    Coxinhas x mortadelas
    Comunistas x intervencionistas
    Keynesianos x Austríacos
    Socialistas x Conservadores
    Trostkistas x Yankes
    Sociais-democratas x Chicago Boys


    PS: Pode ser futebol americano
  • Joel  17/01/2017 13:44
    Só uma observação, anônimo:

    em quase todas as dicotomias aí, os supostos "inimigos" são inimigos de mentirinha; no essencial, eles concordam em suas visões de mundo.
  • marcela costa  17/01/2017 01:06
    O Zé ruela do Trump vai taxar os maravilhosos carros japoneses e alemães em 35%,forçando o povo americano a comprar os inferiores carros da Ford e GM.Além disso vai fechar as fronteiras para os baratíssimos produtos chineses,o que prejudicará os americanos mais pobres e levará a uma retaliação da China que já adiantou que não comprará mais aviões e outras coisas produzidas nos EUA.Além disso o Trump reduzirá impostos e aumentará gastos com infraestrutura,defesa e veteranos,e isso fará explodir a dívida pública.Como seu governo certamente será uma tragédia,o Bernie Sanders está virtualmente eleito em 2020,e dará seguimento à destruição da américa.Para quem acha que o império americano é indestrutível,lembre-se do império romano.Esses malucos vão acabar estragando o melhor país que o mundo já viu.
  • anônimo  17/01/2017 04:02
    Essa medida do Trump é bizarra, mas chegou a hora de zoar os protecionistas.

    Não entra um parafuso de roda na Alemanha e no Japão. Nem botão de toca-fita entra na Alemanha e no Japão.

    É bom dar um susto nos protecionistas.

    Já é hora de tocar fogo nessas barreiras. Se os protecionistas querem guerra, o fogo vai vir dos dois lados.



  • Marciano  17/01/2017 11:22
    E olha que teve liberais que torceram para o Trump, inclusive davam chiliques quando alguém o criticava.
  • Leandro  17/01/2017 12:56
    Hoje, Trump falou que "o dólar está muito forte", o que indica que ele perseguirá uma política de dólar fraco.

    Imediatamente após a fala, o mercado entendeu o recado -- Trump quer uma moeda fraca -- e o dólar desabou.

    Se continuar nessa toada, Michel Temer fará seu sucessor. Com um dólar fraco, o real fica forte, as importações mundiais ficam mais baratas, a inflação de preços fica sob controle, e o crédito pode se expandir mais rapidamente, aditivando o consumo (que é o que o povo realmente quer).

    Exatamente como ocorreu no período 2004-2011. Isso pode estar voltando.
  • Henrique Zucatelli  17/01/2017 11:31
    Só um adendo Marcela, por favor. O melhor país que o mundo já viu chama-se Suíça. Democracia direta, impostos de importação quase zerados, moeda forte, povo pacífico e acolhedor, ao mesmo tempo culturalmente tradicional.



  • Marcão  17/01/2017 11:44
    Boas observações, Marcela.
  • Capitalista Keynes  17/01/2017 12:56
    off-topic : Palavras de um integrante do governo americano de Trump..... para ele, o Estado deve existir para corrigir desigualdades e injustiças. .....Nunca haverá liberalismo, Keynes rules inclusive na América:

    "....O importante, de acordo com Scaramucci, é que os Estados Unidos puxarão a expansão global em 2017, criando um círculo virtuoso do consumo e da confiança, encabeçado mais pela classe média. "E isso é bom para o mundo", concluiu. Ele enfatizou que, historicamente, as taxas de juros americanas são baixas e que, dado o comportamento da economia global, é hora de normalizar. O integrante do governo americano disse que, como o mundo é injusto, um dos papéis do Estado é torna-lo um pouco mais igual......" Fonte : Estadão

    REPLAY : ........como o mundo é injusto, um dos papéis do Estado é torna-lo um pouco mais igual......
    CÂMERA INVERSA: .....como o mundo é injusto,um dos papéis do Estado é torna-lo um pouco mais igual......"
    SLOW MOTION : .....como o mundo é injusto,um dos papéis do Estado é torna-lo um pouco mais igual......"

    A luta de vocês é ingrata.....mas o Estado é ad aeternum....forever young....Mumm-Rá (Thundercats)....
  • Magno  17/01/2017 13:20
    "Nunca haverá liberalismo, Keynes rules inclusive na América"

    Opa, mas é exatamente isso o que sempre foi dito neste site. Keynes rules. E exatamente por isso temos todos esses violentos ciclos econômicos, nos quais períodos de crescimento moderado são seguidos por profundos anos de recessão, as quais estão se tornando cada vez mais acentuadas e duradouras.

    Obrigado por reconhecer que toda a economia sempre foi comandada por idéias keynesianas. E por isso as seguidas crises.

    Finalmente um keynesiano admitiu e reconheceu o básico. Obrigado!
  • Eliandro  22/01/2017 13:10
    Sem falar que o objetivo é tornar o mundo "mais igual" (soa comunista?!)
  • Emerson Luis  18/02/2017 19:30

    "Qual então é o sentido econômico de haver restrições comerciais entre países? Qual exatamente é a diferença econômica entre você comprar algo de uma pessoa que está do outro lado da rua ou do outro lado do planeta?"

    Tipo, carro importado taxado em 35% e ser proibido comprar carro usado de outros países?

    Para os megaempresários da indústria automotiva brasileira, faz muito sentido, muita diferença!

    * * *


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