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As dez leis fundamentais da economia
Sociedades que as respeitam e não tentam revogá-las enriquecem

Em meio a tantas falácias econômicas sendo repetidas de maneira aparentemente incessante pela mídia e pelos comentaristas, a função do economista intelectualmente honesto é desfazer essa cortina de fumaça para o público e reafirmar algumas das mais básicas leis da economia.

Este Instituto já apresentou uma lista extremamente sucinta das dez leis fundamentais da economia. Vários leitores pediram para que ela fosse aprofundada. Eis, portanto, as dez leis fundamentais da economia que sempre devem ser repetidas para jamais serem esquecidas.

1. Para consumir é necessário antes produzir

A produção necessariamente vem antes do consumo. Para consumir algo, esse algo deve antes existir. É impossível consumir algo que ainda não foi criado.

Embora essa seja uma constatação lógica e óbvia, ela é recorrentemente ignorada. A ideia de que o governo deve estimular o consumo da população para que isso então impulsione a produção e toda a economia é predominante na mídia e nos meios acadêmicos. Trata-se de uma perfeita inversão de causa e consequência.

Bens de consumo não simplesmente caem do céu. Bens de consumo são o resultado final de uma longa cadeia que envolve vários processos de produção interligados. Essa cadeia é chamada de "estrutura de produção".

Mesmo a produção de um item aparentemente simples, como um lápis ou um sanduíche, requer uma intrincada rede de processos produtivos que levam tempo para ser concluídos e que envolvem vários países e continentes.

Estimular o consumo, por definição, não pode gerar crescimento econômico.

2. O consumo é o objetivo final da produção

As pessoas produzem aquilo que outras pessoas querem consumir. Não faz sentido econômico produzir algo que ninguém irá consumir.

Por isso, o consumo é o objetivo de toda a atividade econômica. E a produção é o seu meio.

Defensores de políticas governamentais voltadas a "criar empregos" violam esta óbvia ideia. Programas voltados para a criação artificial de empregos transformam a produção no objetivo final, e não o consumo dessa produção. Criar empregos artificialmente significa estimular a produção de algo que não está sendo demandado voluntariamente pelos consumidores.

São os consumidores que atribuem valor aos bens de consumo final. Ao atribuírem valor aos bens de consumo, eles indiretamente também atribuem valor aos fatores de produção (mão-de-obra e maquinário) utilizados no processo de produção destes bens de consumo.

São os consumidores, portanto, que determinam o valor da mão-de-obra, da matéria-prima e de todos os maquinários e equipamentos utilizados em todos os processos de produção.

Ignorar as reais demandas do consumidor e querer criar empregos artificiais e processos de produção que não estão em linha com os desejos do consumidor é uma medida que tenta revogar toda essa realidade. Tal medida é economicamente destrutiva, pois imobiliza mão-de-obra e recursos escassos em atividades que não estão sendo demandadas pela população. Isso significa destruição de capital e de riqueza.

3. Nada é realmente gratuito; tudo tem custos

Não existe almoço grátis. Receber algo aparentemente gratuito significa apenas que há outra pessoa pagando por tudo.

Por trás de cada universidade pública, de serviços de saúde "gratuitos", de bolsas estudantis e de toda e qualquer forma de assistencialismo jaz o dinheiro de impostos de pessoas que trabalham e produzem.

Embora os pagadores de impostos saibam que é o governo quem confisca parte de sua renda, eles não sabem para quem ou para onde vai esse dinheiro. E embora os recebedores desse dinheiro e dos serviços custeados por esse dinheiro saibam que é o governo quem está por trás de tudo, eles não sabem de quem o governo tomou esse dinheiro.

4. O valor das coisas é subjetivo

A maneira como cada indivíduo atribui valor a um bem é subjetiva, e varia de acordo com a situação e com os gostos deste indivíduo. Um mesmo bem físico possui diferentes valores para diferentes pessoas.

A utilidade de cada bem é subjetiva, individual, situacional e marginal. Por isso, não pode haver algo como "consumo coletivo". Mesmo a temperatura de uma sala traz sensações distintas para cada pessoa ali presente. A mesma partida de futebol possui diferentes valores subjetivos para espectador, como é facilmente perceptível no momento que um dos times faz um gol.

5. É a produtividade o que determina os salários

A produção de um indivíduo durante um determinado período de tempo determina o quanto ele pode ganhar durante esse período de tempo.

Quanto mais esse indivíduo produzir um bem ou serviço voluntariamente demandado pelos consumidores em um determinado intervalo de tempo, maior poderá ser a sua remuneração.

Em um mercado de trabalho genuinamente livre, empresas contratarão mão-de-obra adicional sempre que a produtividade marginal de cada um desses trabalhadores for maior que o seu salário (custo). Em outras palavras, sempre que um trabalhador adicional for capaz de gerar mais receitas do que despesas, ele será contratado.

A concorrência entre as empresas irá elevar os salários até o ponto em que ele se equiparar à produtividade.

O poder dos sindicatos pode alterar a distribuição dos salários entre os diferentes grupos de trabalhadores, mas não pode elevar o valor total dos salários de todos esses trabalhadores. Estes dependem inteiramente da produtividade.

E o que aumenta a produtividade da mão-de-obra? Poupança, investimentos e acumulação de capital.  Sem poupança não há investimento. E sem investimento não há acumulação de capital. Sem acumulação de capital não há maior produtividade. E sem mais produtividade não há aumento da renda.

6. Gastos representam, ao mesmo tempo, renda para uns e custo para outros

Keynesianos dizem que todo gasto gera renda. Eles apenas se esquecem de que todo gasto é também um custo. O gasto é um custo para o comprador e uma renda para o vendedor. A renda é igual ao custo.

O mecanismo do multiplicador de renda keynesiano diz que, quanto mais se gasta, mais se enriquece. Quanto mais todos gastam, mais ricos todos ficam. Tal lógica obviamente ignora os custos. O multiplicador fiscal, por definição, implica que os custos aumentam junto com a renda. Se a renda se multiplica, os custos também se multiplicam. O modelo do multiplicador keynesiano ignora esse efeito do custo.

Graves erros de política econômica ocorrem quando as políticas governamentais contabilizam os gastos públicos apenas pela ótica da renda, ignorando completamente o efeito dos custos.

Gastos, portanto, são custos. O multiplicador da renda implica a multiplicação dos custos.

7. Dinheiro não é riqueza

O valor do dinheiro consiste em seu poder de compra. O dinheiro serve como um instrumento para se efetuar trocas. Quanto maior o poder de compra do dinheiro, maior sua capacidade de efetuar trocas.

Mas o dinheiro, por si só, não é riqueza. É apenas um meio de troca. Riqueza é abundância de bens e serviços e bem-estar. A riqueza de um indivíduo está, portanto, em sua capacidade de ter acesso aos bens e serviços que ele deseja

O governo criar mais dinheiro não significa criar mais riqueza. Uma nação não pode aumentar sua riqueza ao aumentar a quantidade de dinheiro existente.

Robinson Crusoé não estaria um centavo mais rico caso encontrasse uma mina de ouro ou uma valise repleta de dinheiro em sua ilha isolada.

8. O trabalho, por si só, não cria valor

O trabalho, quando combinado com outros fatores de produção (matéria-prima, ferramentas e infraestrutura), cria produtos. Mas o valor desses produtos depende do quanto ele é útil para o consumidor.

A utilidade desse produto depende da valoração subjetiva feita por cada indivíduo (ver item 4). Por isso, criar empregos apenas para que haja mais empregos é algo economicamente insensato (ver item 2).

O que realmente importa é a criação de valor, e não o quão duro um indivíduo trabalha. Para ser útil, um produto ou serviço tem de gerar benefícios ao consumidor. O valor de um bem ou serviço não está diretamente ligado ao esforço necessário para produzi-lo.

Um homem pode gastar centenas de horas fazendo sorvetes de lama ou cavando buracos, mas se ninguém atribuir qualquer serventia a estes sorvetes de lama ou a estes buracos — e, portanto, não os valorizar o suficiente para pagar alguma coisa por eles —, tais produtos não terão nenhum valor, não obstante as centenas de horas gastas em sua fabricação.

9. O lucro é o bônus do empreendedor bem-sucedido

No capitalismo de livre concorrência, o lucro econômico é o bônus extra que uma empresa ganha por ter sabido alocar corretamente recursos escassos e ter sabido satisfazer as demandas dos consumidores.

Em uma economia estacionária, na qual não ocorre nenhuma mudança, não haveria nem lucros nem prejuízos, e todas as empresas teriam a mesma taxa de retorno. Já em uma economia dinâmica e crescente, ocorrem mudanças diariamente nos desejos dos consumidores. E aqueles mais capazes de antecipar essas mudanças nos desejos dos consumidores e que souberem como direcionar recursos escassos — mão-de-obra, matéria-prima e bens de capital — para satisfazer esses consumidores irão colher os lucros econômicos.

Empreendedores capazes de antecipar as demandas futuras dos consumidores irão auferir as maiores taxas de lucro e irão crescer. Empreendedores que não tiverem essa capacidade de antecipar os desejos dos consumidores irão encolher até finalmente serem expulsos do mercado.

10. Todas as verdadeiras leis econômicas são puramente lógicas

As leis econômicas são aprioristas, o que significa que elas não precisam ser previamente verificadas e nem podem ser empiricamente falsificadas.

Ninguém pode falsificar tais leis empiricamente porque elas são verdadeiras em si mesmas. Como tal, as leis fundamentais da economia não requerem verificação empírica. Referências a fatos empíricos servem meramente como exemplos ilustrativos; elas não representam uma declaração de princípios. (Veja exemplos práticos aqui.)

 

É possível ignorar e violar as leis fundamentais da economia, mas não é possível alterá-las.  Sociedades que entenderem e respeitarem essas 10 leis econômicas — sem tentar revogá-las — irão prosperar.

 

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autor

Antony Mueller
é doutor pela Universidade de Erlangen-Nuremberg, Alemanha (FAU) e, desde 2008, professor de economia na Universidade Federal de Sergipe (UFS), onde ele atua também no Centro de Economia Aplicada. Antony Mueller é fundador do The Continental Economics Institute (CEI) e mantém em português os blogs Economia Nova e Sociologia econômica




  • Flavio Trentin  22/12/2016 14:30
    Ola, boa tarde

    Quero dar meus parabéns a este artigo, gosto muito das publicações pois me ajuda muito nos meus estudos e para poder ensinar outras pessoas.

    Sobre o Item 5 gostaria de saber um pouco mais, como a produtividade determina o salario, e nesse mesmo item, sobre a concorrência vai equiparar os salários.

    Obrigado
  • Acr%C3%83%C2%A9scimo  22/12/2016 14:39
    Clique nos hyperlinks, pois eles o levarão a artigos específicos que explicam e aprofundam essas idéias.

    Eis as sugestões:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2498

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2535

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1457

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1241
  • Acréscimo  22/12/2016 14:33
    11. Gastos do governo não aumentam a riqueza da sociedade

    Os gastos do governo não possuem o poder milagroso de criar riqueza para todos. Afinal, de onde vem o dinheiro?

    Mais dinheiro nas mãos do governo significa menos dinheiro nas mãos das pessoas que tiveram esse dinheiro confiscado pelo governo. Quanto mais o governo gasta, mais dinheiro ele toma das pessoas.

    Quando o governo gasta, sempre há os que ganham (os recebedores finais do dinheiro) e sempre há os que perdem (aqueles de quem o governo tirou esse dinheiro). Impossível todos ganharem.

    Quem afirma que gastos do governo geram crescimento econômico está afirmando que tomar dinheiro de uns para gastar com outros pode enriquecer a todos. Está afirmando que tirar água da parte funda da piscina e jogá-la na parte rasa fará o nível geral de água na piscina aumentar.

    12. Déficits do governo não impulsionam a economia

    O dinheiro que o governo pega emprestado para bancar seus gastos é o mesmo dinheiro que poderia ter sido direcionado para empreendimentos produtivos. Consequentemente, vários investimentos não puderam ser concretizados por não serem financeiramente viáveis em decorrência dos juros maiores causados pelo déficit do governo.

    Impossível mensurar os custos econômicos das empresas que deixaram de ser abertas, dos empregos que deixaram de ser gerados e das tecnologias que deixaram de ser criadas simplesmente porque os investimentos não foram possíveis por causa da absorção de recursos pelo governo.
  • 4lex5andro  09/05/2017 19:01
    Tópico basilar sobre o que é liberalismo. Favoritado.
  • Dam Herzog  22/12/2016 15:10
    13 A propriedade privada deve ser respeitada para que exista o calculo ecomomico?
    14 Deve existir um ambiente propício para que a economia desenvolva e este ambiente se chama mercado livre e desimpedido?
    15 As trocas devem ser voluntarias? Ou tudo isto esta implicito nas dez leis?
  • Ludwig  22/12/2016 15:41
    13) Sim. É impossível haver cálculo econômico -- formação de preços e cálculo de lucros e prejuízos -- se os meios de produção não forem propriedade privada.

    Se os meios de produção (fábricas, máquinas e ferramentas) não possuem proprietários definidos (eles pertencem ao estado), então não há um genuíno mercado entre eles. Se não há um mercado entre eles, é impossível haver a formação de preços. Se não há formação de preços, não há cálculo de lucros e prejuízos e, consequentemente, não há como direcionar o uso de bens de capital para atender às mais urgentes demandas dos consumidores da maneira menos dispendiosa possível.

    Sem preços livres, e sem poder fazer cálculo de custos, é impossível haver qualquer racionalidade econômica, o que significa que uma economia planejada é, paradoxalmente, impossível de ser planejada.


    14) Sim. Mas não só.
    O que gera riqueza é divisão do trabalho, poupança, acumulação de capital, capacidade intelectual da população (se a população for burra, a mão-de-obra terá de ser importada), respeito à propriedade privada, baixa tributação, segurança institucional, desregulamentação econômica, facilidade de empreender, moeda forte, ausência de inflação, empreendedorismo da população, leis confiáveis e estáveis, arcabouço jurídico sensato e independente etc.

    15) Está nas leis 2, 4 e 10. (Principalmente na 10).

    Sempre que duas pessoas, A e B, se envolvem em uma troca voluntária, ambas esperam se beneficiar desta troca. E elas devem ter ordens de preferência inversas para os bens e serviços trocados, de modo que A valoriza mais aquilo que ele recebe de B do que aquilo ele dá para B, e B avalia as mesmas coisas do modo contrário.

    Sempre que uma troca não é voluntária e ocorre em decorrência de uma coerção, uma parte se beneficia à custa da outra.

    É uma lei apriorística, a qual não tem como ser refutada e não necessita de um exemplo empírico para comprová-la.
  • Dam Herzog  23/12/2016 01:23
    Ludwig, muito obrigado pela resposta, gostei muito . Que tenha um bom natal paz saúde e amor em 2017.
  • Pedro  22/12/2016 15:24
    Saiu no Miser gringo ontem o artigo. Legal já ter sido traduzido pra cá. Ou o Prof. Mueller tenha feito também uma versão em português.

    Sobre o item 10: é uma das coisas mais fascinantes no pensamento da Escola Austríaca. Pra mim, esta sendo extraordinário entender isso.

    Abraços!
  • República de Curitiba  22/12/2016 15:38
    Venho por meio desse, agradecer aos representantes desse Instituto: Hélio Beltrão, Leandro Roque, Fernando Chiocca e Fernando Ulrich.

    Conheci o Instituto em Janeiro desse ano (apesar de anteriormente já ter lido vários outros artigos), e desde então me aprofundei em Escola Austríaca e seus ensinamentos, pelos Artigos, Livros disponibilizados aqui, Vídeos e Podcasts.

    Vocês são pessoas incríveis e que prestam um serviço para a sociedade que, mais cedo ou mais tarde, será reconhecido a importância de vocês nos entendimentos Econômicos, Filosóficos e Morais. Se eu pudesse mencionar todo o conhecimento aprendido aqui, desde o Bitcoin até o Apriorismo a lista seria extensa e cansativa para leitura.

    Conheci o Instituto em Janeiro desse ano (apesar de anteriormente já ter lido vários outros artigos), e desde então me aprofundei em Escola Austríaca e seus ensinamentos, pelos Artigos, Livros disponibilizados aqui, Vídeos e Podcasts.

    Nesse período Natalino, gostaria de agradecer a essas pessoas que citei acima e aos que sempre comentam no site, desde o Capital Imoral até o Pobre Paulista, toda essa união de fatores me fizeram uma pessoa muitíssimo melhor esse ano, não só no ramo econômico, mas de compreensão do mundo. O IMB fez eu entrar em 2016 com uma ideia de mundo e sair com outra muito mais concreta e racional.


    Vocês não imaginam o serviço que realizam, tamanho esclarecimento que as mentes saem após os ensinamentos daqui.
    As cargas de conhecimento que temos aqui nesse Sítio são absurdas.

    Vida Longa as ideias de Mises.
    Vida Longa a quem propaga e divulga essas ideias. Vida longa a todos vocês.

    Que o Natal de todos seja abençoado, ainda mais de quem se preocupa com a divulgação da VERDADE.

    O meu sincero MUITO OBRIGADO.

  • Equipe  22/12/2016 15:48
    Ficamos incrivelmente regozijados com esse seu depoimento, caro leitor. Esse é o nosso combustível; essa é a nossa motivação para tudo.

    Muito obrigado por nos deixar saber o que pensa sobre o nosso humilde trabalho. Acima de tudo, obrigado pelo prestígio e pelo reconhecimento.

    Cordiais saudações
  • Pedro  22/12/2016 16:05
    Façam uma nova campanha de doações pro Instituto. Acho que muita gente que visita aqui não doa por "esquecimento".

    Parabés, IMB!
  • Capitalista Opressor  22/12/2016 17:01
    Você pode agradecer melhor aqui ou aqui.
  • Felipe R  09/05/2017 12:44
    Esses "vouchers" do Clube Mises têm validade de um ano? Mesmo a categoria "Gold Associated Partner"?
  • Leitor  22/12/2016 15:59
    Aumentar a massa de sonegadores não vai resolver o problema. Nós não saíremos do inferno estatal.

    O melhor seria entrar na luta política. Se nós acreditamos nas ideias liberais, não podemos acreditar que seremos derrotados.

    Não podemos excluir a disputa política. Todos os caminhos são válidos. Não podemos acreditar que o estado sempre vai aumentar, se nós podemos diminui-lo.

    É nossa obrigação elaborar um novo projeto de sistema tributário. É nossa obrigação elaborar um novo projeto previdência. É nossa obrigação elaborar um novo projeto educação básica. É nossa obrigação elaborar um novo projeto de saúde básica.

    Ninguém vai conseguir baixar um decreto acabando com impostos, mas podemos reduzir os impostos, reduzir a burocracia, taxar apenas o consumo, acabar com o desperdício de dinheiro, etc.

    Não faz sentido ficar esperando o governo causar uma implosão do sistema capitalista.
  • Lúcido  22/12/2016 16:41
    Primeiro: Não há Capitalismo no Brasil, passamos longe de viver em uma Economia de Livre Mercado. Vivemos sim, em um regime Intervencionista de Servidão ao estado.

    Segundo: Sonegar é um dever moral, se a fonte do dinheiro sonegado é lícito, você apenas cumpre com seu dever sonegando.

    Terceiro - Você diz: "É nossa obrigação blablabla". Utiliza uma palavra de cunho coletivo para dissolver e tentar envolver o seu interesse pessoal. Tanto Eu como muitos que por aqui passam, NÃO temos NENHUMA obrigação politica, nem almejamos tê-la. Queremos apenas que nossas vidas sejam deixadas em paz, que respeitem nossas Liberdades Naturais: Vida, Propriedade, Liberdade.
  • João de Alexandria  22/12/2016 16:53
    Lúcido,

    Compreendo perfeitamente seu ponto de vista e o respeito,mas num mundo de coletivistas mimados politicamente corretos não há paz possível para liberais, conservadores,libertários e afins se alguns não se dedicarem a luta política,porque os progressistas continuarão no comando infernizando nossas vidas em prol da tal "justiça social".
    Você está no seu direito de não querer participar, mas alguns terão de fazê-lo.
  • Leitor  22/12/2016 17:14
    Você quer defender a sua liberdade sem fazer nada ?

    Como você não vai produzir tudo que consome, você sempre vai pagar impostos.

    Eu tenho uma visão muito clara do que são interesses pessoais. Não confunda união de forças com lobby por privilégios.

    Derrotar os confiscadores é melhor do que engana-los.
  • Magno  22/12/2016 17:26
    "Como você não vai produzir tudo que consome, você sempre vai pagar impostos."

    Mas, hein?

    Eu não produzo a minha própria roupa e nem a minha própria comida. Graças ao capitalismo e à divisão do trabalho, pessoas melhores que eu se especializam nestas funções e vendem seus serviços para mim. Em troca, tenho de produzir algo para conseguir uma renda necessária para pagar por essa roupa e por essa comida.

    Agora, por favor, me explique: de onde você conclui que tal arranjo só se mantém graças a impostos? Qual é a lógica de dizer que, se não fossem políticos extraindo dinheiro dessas pessoas, tal arranjo não existiria?
  • Leitor  22/12/2016 18:04
    Recomendo aos anarco-capitalistas que comprem uma fazenda.

    Nessa fazenda, vocês podem plantar comida. Podem construir um galinheiro e criar gado. Podem plantar algodão para fabricar roupas. Podem usar o barro para construir a sede da fazenda. Podem usar carroças de madeira com tração animal. Podem construir um lago para armazenar água e criar peixes. Podem trocar serviços de saúde por um almoço servido ao médico. Podem fabricar um gerador de energia solar ou eólica, etc.

    Com esse método de sobrevivência vocês não irão pagar impostos. Esse estilo de vida não precisa de banco central. Tem espaço na fazenda para fazer poupança.

    Enfim, escolham se irão viver isolados na fazenda ou se irão fazer luta política contra os confiscadores !
  • Tulio  22/12/2016 18:33
    Ui, que brava!

    Só porque sua "lógica" brilhante foi refutada você deu esse piti?

    Eu nem sou anarcocapitalista, mas que a sua lógica asinina foi perfeitamente apontada pelo Magno, ah, isso foi.

    Aperfeiçoe seus argumentos, cidadão. Quer defender a existência do estado, de políticos e a necessidade de impostos? Faça-o ao menos utilizando algum argumento racional.


    P.S.: nem mesmo essa sua historia de "fazenda" faz sentido, pois, a menos que tal fazenda estivesse localizada em um local totalmente isento de impostos (e, até onde sei, nenhum governo concederia essa isenção), o estado continuaria existindo e tributando essas pessoas.

    Entenda o que um anarcocapitalista realmente defende antes de inventar espantalhos.

    Se você não gosta do governo sob o qual vive, deve ter o direito de se separar e criar um outro
  • Leitor  22/12/2016 19:41
    Tulia,

    Quem está defendendo o estado ?

    Enquanto você está sonegando seus míseros reaiszinhos, os liberais que entram na briga política conseguem bloquear a expropriação de bilhões de reais.

    Fique aí com sua sonegaçãozinha de moedas.
  • anônimo  06/05/2017 22:00
    Caro leitor. Primeiro, antes de mais nada, recomendo esse artigo:

    A incoerência de esperar que o estado decrete o livre mercado

    De qualquer forma, não acredito que é com pressões de cunho coletivista que há de se mudar um país quando a mentalidade de uma grande da população foi formada por séculos de estatismo. Se você quer entrar na luta, dissemine os pensamentos discutidos aqui, ensine a todos que estão próximos de você. Não será nessa geração que teremos uma mudança, mas quem sabe na próxima.
  • Yoda  24/12/2016 03:24
    Penso que a maioria não entendeu o comentário do Leitor

    O que ele quis dizer foi que como existe um estado instalado, ativo e enraizado, mesmo que você decida vence-lo na base de sonegação, não vai conseguir nem ao menos fazer você mesmo não pagar impostos, pois na medida que consome vai sustentar o governo do mesmo jeito.

    Daí a única forma de não sustentar o governo seria produzir tudo que consome se trancando em uma fazenda, negociando apenas com outros ancaps.

    A alternativa é tentar domar o governo e diminui-lo através dá apropriação do poder político
  • Max Rockatansky  22/12/2016 20:13
    "Como você não vai produzir tudo que consome, você sempre vai pagar impostos."


    Como é que é??

    Eu sempre vou pagar pagar impostos em virtude do fato de que eu não produzo tudo que consumo?

    Há tempo que não lia um troço tão asinino.
  • Leitor  22/12/2016 20:48
    Vai num supermercado e diz que você quer comprar sem imposto. Peça para a atendente retirar os impostos. Depois você posta aqui o resultado.

    Os anarco-capitalistas estão sonegando moedinhas, enquanto os liberais que entraram na luta política estão bloqueando a expropriação de bilhões de reais.

    Essa é a realidade que precisa ser mostrada.
  • SRV  23/12/2016 11:14
    Amigos Max Rockatansky, Tulio, Magno

    Acredito que vocês não leram atentamente o que disse o amigo "Leitor".

    Os intervencionistas sempre irão fazer o lobby para aumentar seus poderes. Nós libertários precisamos lutar contra esse movimento com todas as ferramentas que pudermos. Pode ser através da educação como faz o Instituto Mises, ou através da criação de partidos políticos como tentou fazer o Partido Liber, ou quaisquer outras formas que você imaginar.

    Quando o amigo "Leitor" disse "Como você não vai produzir tudo que consome, você sempre vai pagar impostos.", ele foi brilhante. A divisão do trabalho nos "obriga" a comprar os bens e serviços que não produzimos (a existência da divisão do trabalho é algo bom pois aumenta a nossa produtividade). Porém, no mundo real, o governo cobra impostos sempre que compramos algum bem ou serviço, cobra impostos das empresas que lucram ao nos fornecer produtos, cobra tarifas se os produtos são importados, etc. Como não é viável produzirmos tudo o que consumimos no mundo real, sempre estaremos pagando impostos ao governo. Não tem como escapar. E aqui faz sentido lutarmos com todas as ferramentas possíveis.

    Muito embora ninguém tenha OBRIGAÇÃO nenhuma, como foi mencionado, e embora difundir as idéias libertárias já seja uma grande contribuição na direção correta, talvez alguns de nós possam contribuir mais em outras frentes. Me lembrei deste artigo www.mises.org.br/Article.aspx?id=2533, que fala sobre moralidade de votar, algo como "não gostaria de estar na guerra, mas já que estou forçadamente nela, vou lutar com todas as armas que tenho". É por aí que deveríamos seguir, em minha humilde opinião.

    Grande abraço a todos, ótimo Natal.
  • 4lex5andro  23/12/2016 21:52
    Existem meios até de conseguir não pagar impostos e ao mesmo tempo poder consumir além do que se produz, mas não parecem saídas honrosas (óbvio dos óbvios). Passado isto, restou a saída certa que é comprar e tendo que comprar com a riqueza que é obtida do trabalho, e nesse processo vem o estado e confisca parte desse poder de compra com impostos.

    Não tendo um consenso para a luta armada, felizmente, então resta o caminho (longo, mas proeminente) da militância pela educação e um passo político-partidário não deve ser deixado de lado nesse caminho.
  • Ricardo  22/12/2016 17:00
    O IMB deveria repostar esse artigo toda a semana, talvez dessa forma alguns cabeçudos que acham que se pode violar as leis da economia impunemente se conscientizem de que elas são tão invariáveis quanto as leis da física.
  • matheus  22/12/2016 17:05
    Esse anúncio do governo de que as pessoas podem sacar de conta inativa o FGTS, valor que pode chegar a 30 bilhões de reais, jogará 30 bilhões na economia, mas não poderia causar inflação, já que o FGTS é uma parte do salario do trabalhador , e se recebeu é porque gerou alguma riqueza .

    Certo?
  • Economista  22/12/2016 17:10
    Esse dinheiro já está na economia há muito tempo. Todo o dinheiro do FGTS foi emprestado para a construção civil e para as empreiteiras da Lava-Jato. Não existe dinheiro parado em conta nenhuma.

    Logo, ao sacarem esse dinheiro, a Caixa terá de vender ativos para poder repassar esse dinheiro a esses trabalhadores.

    Em si, a oferta monetária não será alterada. Mas pode haver maior demanda oriunda desses trabalhadores. Consequentemente, alguma pressão localizada em alguns preços de alguns bens e serviços pode ocorrer.
  • Andre  22/12/2016 17:21
    Esse dinheiro não é advindo da expansão monetária, e até uma pressão na oferta é pouco provável, primeiro que há capacidade ociosa de sobra nas empresas e se esse dinheiro tiver o mesmo destino do décimo terceiro salário, 70% irá para pagar contas.
    O que o governo está fazendo é dar um forte tranco na economia, não sei se vai funcionar, mas gostaria que o Leandro desse sua opinião quanto a essa medida da liberação das contas inativas do FGTS.
  • Leandro  22/12/2016 17:31
    É uma medida justa e correta. O governo está simplesmente devolvendo uma propriedade ao seu dono de direito.

    O ideal seria que esse dinheiro fosse utilizado para quitar dívidas. Na ausência de dívidas (uma raridade) deve ser investido.

    De resto, você está absolutamente correto em tudo o que disse: no momento -- enfatizo, no momento -- não há risco de grandes pressões sobre os preços, pois a moeda está em tendência de fortalecimento (como disse aqui em resposta a um leitor).
  • matheus  23/12/2016 19:40
    quando o governo decide por exemplo que o salario será corrigido pela inflação , então esse "dinehiro a mais " que entrará na economia iria inflacionar ainda mais o mercado?
  • Lucas  23/12/2016 22:09
    Aumento de salário mínimo ou aumento de salário de acordo com a inflação de preços passada não "injeta" dinheiro na economia.

    Quando há aumento do mínimo, esse dinheiro advém da micro e pequenas empresas (as médias e grandes já pagam acima do mínimo). Elas ficam com menos dinheiro em caixa (e, logo, podem investir menos, contratar menos e expandir menos).

    Já quando é corrigido pela inflação, o fenômeno acima abrange todas as empresas.
  • Alienado   22/12/2016 17:05
    10. Todas as verdadeiras leis econômicas são puramente lógicas

    É muita pretensão falar uma coisa dessas, vocês não acham ?
  • Culturalizado  22/12/2016 17:16
    O que seria "pretensão"? Seria algo que foi tensionado previamente?

    Eis alguns exemplos de leis econômicas puramente lógicas. Fique à vontade para refutá-las usando a lógica.

    • Sempre que duas pessoas, A e B, se envolvem em uma troca voluntária, ambas esperam se beneficiar desta troca. E elas devem ter ordens de preferência inversas para os bens e serviços trocados, de modo que A valoriza mais aquilo que ele recebe de B do que aquilo ele dá para B, e B avalia as mesmas coisas do modo contrário.

    • Sempre que uma troca não é voluntária e ocorre em decorrência de uma coerção, uma parte se beneficia à custa da outra.

    • Sempre que a oferta de um bem aumenta em uma unidade, contanto que cada unidade seja considerada idêntica em utilidade por uma pessoa, o valor imputado a esta unidade deve ser menor que o da unidade imediatamente anterior.

    • Entre dois produtores, se A é mais eficiente do que B na produção de dois tipos de bens, eles ainda assim podem participar de uma divisão de trabalho mutuamente benéfica. Isto porque a produtividade física geral será maior se "A" se especializar na produção de um bem que ele possa produzir mais eficientemente, em vez de "A" e "B" produzirem ambos os bens autônoma e separadamente.

    • Sempre que leis de salário mínimo forem impostas obrigando os salários a serem maiores do que os salários que vigorariam em um livre mercado, um desemprego involuntário será o resultado.

    • Sempre que a quantidade de dinheiro na economia aumentar sem que a demanda por dinheiro também seja elevada, o poder de compra da moeda irá diminuir.
  • distributista  22/12/2016 17:15
    11ª Lei da Economia: A economia deve estar subordinada às leis morais.
  • 4lex5andro  23/12/2016 21:57
    Parágrafo único; todas as ciências econômicas são amorais, logo seus postulados obedecem tão somente á ''moral'' da lógica e dos números.

  • Ex-microempresario  05/05/2017 16:24
    Creio que o distributista pensou, mas não escreveu, uma segunda frase:

    "Obviamente, as leis morais corretas são as minhas."
  • rand0m78923  22/12/2016 17:50
    (Não tem nada a ver com o assunto retratado no texto)
    Eu me lembro de ter visto um comentário do Leandro em algum artigo à respeito do crescimento economico nos EUA no período 1946-1980( frequentemente associado à Keynes ). Alguém poderia mandar o artigo em que ele comenta ou explicar o porque desse crescimento nessa época?
  • Leandro  22/12/2016 18:20
    Todo o crescimento econômico americano do pós-guerra (1946 a 1971) deveu-se majoritariamente ao fato de o dólar ter sido atrelado ao ouro.

    Com uma moeda forte, estável e com inflação de preços quase nula, havia a confiança e a previsibilidade necessária para impulsionar os investimentos de longo prazo, que são os que realmente geram riqueza e elevam o bem-estar.

    Adicionalmente, com o dólar atrelado ao ouro, não havia espaço para o governo americano se endividar e aumentar seus gastos livremente. Durante todo esse período, o governo americano praticamente não teve déficits. (Veja o terceiro gráfico deste artigo).

    Aí, a partir de 1971, com o rompimento do elo entre ouro e dólar, o governo ficou livre para aumentar seus gastos e se endividar. Simultaneamente, a perda de confiança na moeda (agora totalmente sob o controle do governo) fez disparar a inflação de preços.

    E tudo nunca mais foi o mesmo.

    Recomendo também este artigo, que aborda exatamente este tema de como uma moeda forte gera crescimento:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2055
  • rand0m78923  22/12/2016 18:50
    Obrigado pela resposta Leandro.
  • Taxidermista  22/12/2016 18:32

    E aqui temos o ensaio do Böhm-Bawerk sobre as consequências das tentativas de controlar politicamente as leis econômicas:


    mises.org/library/control-or-economic-law-1
  • Pedro  22/12/2016 19:22
    Alô, equipe IMB.

    Um novo livro introdutório ao pensamento de Mises foi publicado no Mises Institute.
    De repente, poderia ser traduzido para ampliar o acesso à obra dele.

    Livro impresso: store.mises.org/The-Mises-Reader-Unabridged-P11055.aspx
    Apresentação do livro e versão Epub / PDF / HTML: https://mises.org/library/mises-reader

    Abraço!
  • Vitor  22/12/2016 21:37
    Uma coisa que eu gostaria muito seria uma tradução de "Economic Harmonies" ou "Economic Sophisms" do Frédéric Bastiat. Especialmente o "Sophisms", eu acho que seria muito bom ser mais divulgado em língua portuguesa. Eu consigo traduzir e tenho tempo, mas infelizmente não tenho nada de útil ( Carreira de economista, profissão de tradutor, etc.) para traduzir.
  • anônimo  22/12/2016 22:11
    A maior incógnita do capitalismo é a realização do ciclo produtivo para a comercialização efetiva da mercadoria pelo mercado.Se o mercado não concretizar a venda o ciclo econômico se quebra,eis um paradigma que só o capitalismo consegue resolver ou com a quebra da empresa,importação, ou com inovação tecnológica que reduzirá custo,aumentará produtividade e a produção será absorvida pelo mercado.Só o capitalismo tem a capacidade de resolver seus defeitos e conflitos, os aperfeiçoandos para um novo ciclo econômico. Ao estado basta a não interferência na economia, que o próprio mercado se ajusta.
  • WDA  26/12/2016 15:26
    Em meio a tantos artigos valorosos deste site, esse é provavelmente o artigo mais útil, relevante e necessário de todos os artigos que já li aqui!

    A simplicidade e concisão do artigo só o tornam melhor!

    Parabéns, equipe IMB, por esse trabalho maravilhoso que vocês fazem. Sem exagero, vocês são heróis que estão fazendo o que é provavelmente o mais importante trabalho de divulgação de conhecimento sobre economia da história desse país. Espero que esse conhecimento se espalhe cada vez mais e frutifique!

  • anônimo  26/12/2016 19:16
    Por que os economistas desenvolvimentistas são os que mais destroem as empresas ?

    Os caras gostam baixar imposto sobre consumo, mas continuam taxando a renda e o lucro. Os caras querem crédito barato, mas não valorizam a moeda e criam inflação. Eles prejudicam os empresários dificultando a importação de matéria prima.

    Os empresários formam a base de uma sociedade capitalista. Se não existe empresários, todo o sistema capitalista será implodido.
  • anônimo  26/12/2016 19:41
    Eu exijo a canonizajavascript:__doPostBack('ctl00$ContentPlaceHolder1$cmdAddComment','')ção religiosa dos empresários !
  • Emerson Luis  08/01/2017 19:20

    Então vou repetir e ampliar o meu comentário:

    "1. A produção tem necessariamente de vir antes do consumo"

    Corolário: Estimular o consumo distorce o mercado causando má alocação de recursos, endividamento e gera inflação e recessão.


    "2. O consumo é o objetivo final da produção"

    O governo não cria empregos, apenas distorce o mercado. Quem cria empregos é a própria sociedade com suas interações econômicas. A única forma do governo realmente fazer com que haja mais empregos é diminuir seu controle burocrático sobre a economia.


    "3. Não há nada que seja realmente gratuito."

    Corolário: Em geral, o que é oferecido como "gratuito" pelo governo possui custos ocultos elevadíssimos e é mau negócio.


    "4. O valor das coisas é subjetivo."

    Mas o preço é objetivo. Valor é diferente de preço, embora totalmente ligado a ele.

    Três amigos estão em uma loja e veem um produto precificado em R$10; um considera caro demais, outro considera um preço razoável e o terceiro, bem barato. Cada um avaliou o mesmo produto conforme seus próprios critérios individuais e subjetivos, atribuindo a ele um valor diferente. Mas os três concordam e têm que concordar que o preço solicitado pela loja por aquele produto é de R$10.


    "5. É a produtividade o que determina os salários"

    Corolário: Aumentos forçados de salários diminui a quantidade de empregos e piora a situação dos mais pobres.

    Observação: Os encargos trabalhistas impostos pelo Estado diminuem grandemente os salários. Se um empregador gasta R$2000 com um empregado, apenas metade vai para este, a outra metade vai para o governo.


    "6. Gastos representam, ao mesmo tempo, renda para uns e custo para outros"

    O governo não cria riqueza, tudo o que ele gasta é confiscado da sociedade, que deixa de possuir esse montante para investir ou consumir. Obras e programas governamentais beneficiam uns às custas de outros; mesmo que isso beneficiasse de fato a sociedade, ainda assim seria errado, mas o resultado é nulo (-1+1=0); pior, é negativo, pois o governo destrói riqueza no processo financiando sua enorme burocracia e com as inevitáveis má alocação e má administração dos recursos - para não falar da corrupção.


    "7. Dinheiro não é riqueza"

    Os venezuelanos estão cheios de dinheiro, tanto que pararam de contar e agora medem por peso.


    "8. O trabalho, por si só, não cria valor"

    Não confunda valor/mérito moral com valor/mérito econômico! São diferentes e independentes um do outro.


    "9. O lucro é um bônus para o empreendedor"

    Buscar lucro não é errado em si mesmo. Até em uma economia de subsistência uma pessoa trabalha esperando obter mais do que produziu: não faria sentido plantar um quilo de sementes para colher apenas um quilo de sementes.

    Se é errado um empreendedor querer ter lucro, então é errado um empregado querer ter salário.


    "10. Todas as verdadeiras leis econômicas são puramente lógicas"

    Ninguém precisa provar que o triângulo é uma figura plana fechada com três ângulos totalizando 180º, apenas explicar isso. No máximo temos que provar que uma determinada é um triângulo.

    Um axioma de Mises é que o indivíduo age buscando um objetivo visando aumentar seu próprio conforto [ou reduzir o desconforto]. Se alguém tentar refutar esse axioma com argumentos e exemplos ou efetuando uma ação supostamente sem objetivo ou que cause desconforto a si mesmo, sua própria tentativa de refutação desse princípio é uma demonstração dele.

    PS 1: A palavra "princípio" tem vários sentidos, eu a uso como sinônimo de "axioma", "leis naturais", etc., mas o tópico 10 usa essa palavra no sentido de regra ou diretriz estabelecida por humanos, ou no sentido de "rol de crenças e valores".

    PS 2: Stephen Covey fez uma explicação muito interessante desse assunto no livro "Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes".

    * * *
  • Andre  05/05/2017 14:58
    Então está claro que o Brasil jamais enriquecerá, se deixar, os parlamentares tentam com aval do povo revogar até a lei da gravidade, leis econômicas não são nada pra essa gente.
  • Sultão  05/05/2017 16:42
    O Bananal é um navio naufragado. Às vezes a maré desce e dá a impressão que ele está subindo. Mas é só impressão.

    O jeito é ir embora daqui e não olhar para trás.

    Você quer fazer X?
    - Imposto e burocracia.
    Você quer manter X?
    - Imposto e burocracia.
    Você quer deixar de fazer X?
    - Imposto.


    Foge enquanto dá. Um dia pode ser tarde demais.

    O Brasil é um esquema de fraude com fachada de exportador de soja.
  • Alexandre Fetter  05/05/2017 19:04
    Acredito que este foi o artigo que eu mais gostei de ler na página do IMB. Parabéns ao professor Antony e aos responsáveis pela divulgação.
  • Off-topic  05/05/2017 19:18
    Uma pergunta bem off-topic

    Como evitar monopólios em um livre mercado se uma empresa fizer dumping por exemplo?

    Por exemplo: a Microsoft coloca seus produtos a um preço muito baixo e leva a concorrência a falência, principalmente as pequenas empresas

    Como evitar isso?
  • Administrador  05/05/2017 20:19
    Não precisa querer evitar algo que, por definição, é impossível de ser feito. Apenas administradores completamente imbecis fariam isso.

    essa tese de "fazer dumping para quebrar indústrias para logo em seguida elevar preços e dominar o mercado" é completamente irreal.

    Não apenas isso nunca aconteceu na prática, como também a própria teoria explica que isso seria completamente insustentável, para não dizer irracional do ponto de vista empreendedorial.

    Apenas imagine: você é o gerente de uma grande empresa e quer destruir a empresa concorrente reduzindo seus preços para um valor menor do que os custos de produção. Ao fazer isso, você começa a operar no vermelho. Ao operar no vermelho, por definição, você está destruindo o capital da sua empresa; você está, na melhor das hipóteses, queimando reservas que poderiam ser utilizadas para investimentos futuros.

    Pois bem. Após vários meses no vermelho, você finalmente consegue quebrar o concorrente. Qual a situação agora? Você de fato está sozinho no mercado, porém bastante descapitalizado, sem capacidade de fazer novos investimentos. A sua intenção é voltar a subir os preços para tentar recuperar os lucros de antes. Só que, ao subir os preços, você estará automaticamente convidando novos concorrentes para o mercado, que poderão vender a preços menores.

    Pior ainda: estes novos concorrentes poderão perfeitamente estar mais bem capitalizados, de modo que é você quem agora estará correndo o risco de ser expulso do mercado. Seus concorrentes poderão vender a preços mais baixos e sem ter prejuízos, ao passo que você terá necessariamente de vender a preços altos apenas para recuperar seus lucros.

    Ou seja, ao expulsar um concorrente do mercado, você debilitou sua empresa a tal ponto, que você inevitavelmente se tornou a próxima vítima da mesma prática que você aplicou sobre os outros.

    E é exatamente por isso que tal prática não é observada no mundo real. Ela é totalmente ignara. Um empreendedor que incorrer em tal prática estará destruindo o capital de sua empresa, correndo o risco de quebrá-la completamente. Um sujeito com esta "sabedoria" não duraria um dia no livre mercado.
  • Off-topic  06/05/2017 03:40
    Agradeço pela resposta, ajudou muito!!
  • anônimo  05/05/2017 19:32
    10. Todas as verdadeiras leis econômicas são puramente lógicas

    Uma conclusão lógica é verdadeira desde que a premissa seja verdadeira. Neste caso é possível verificar a veracidade de cada premissa.
    Não estou dizendo que alguma das premissas é falsa, mas que pode sim ser verificada. Mas se o texto fosse fazer isto seria muito extenso.
  • marcela  05/05/2017 20:56
    Se queimássemos todos os livros de economia e preservássemos apenas este texto creio que teríamos uma luz para atingirmos a prosperidade.Esse texto é uma lição e tanto!
  • Vinicius Gabriel Tanaka de Holanda Cavalcanti  06/05/2017 04:08
    Esse é sem dúvida NENHUMA o melhor artigo do instituto mises! Tentem sempre aprimora-los, isso deveria ser obra obrigatória para todos os legisladores, deveriam ser princípios econômicos enraizados na cabeça dos brasileiros.
  • Daniel Ribeiro  06/05/2017 22:52
    Concordo com todas as "leis", exceto a última:

    "Todas as verdadeiras leis econômicas são puramente lógicas".

    Já me enveredei nesse tipo de discussão aqui mesmo, em outros artigos. Aprecio muito a análise econômica que o pessoal do instituto Mises faz. Entretanto, acho que pecam quando vão tratar da questão metodológica, quando levam ao extremo a ideia da praxeologia.

    Leis puramente lógicas só existem na matemática. Por meio de demonstrações rigorosas, dedução, indução, etc., pode-se chegar a outras verdades. Todas as outras áreas dependem da experiência - Física, Biologia e - por que não? - a Economia, a Sociologia e também a História.

    No caso da ação humana, não é diferente. A ação humana não é um comportamento observável por meio puramente lógico; a ação humana se manifesta apenas por meio da experiência, e somente através desta podemos constatar sua regularidade, imprevisibilidade, especificidades, interesses, etc.

    O fato de a ação humana não ser previsível como um fenômeno físico não significa que não possa ser modelada matematicamente. Processos estocásticos são imprevisíveis, no entanto, há uma rigorosa formulação matemática em torno deles. Aliás, vários ambientes na área de tecnologia operam sob condições de turbulência, imprevisibilidade, interferências, etc., e no entanto, consegue-se, através da modelagem matemática, projetos com reduzida margem de erro - ou, falando de outro modo, consegue-se prever comportamentos, tendo-se uma diminuta margem de erro.

    PS: já li o artigo do Murray N. Rothbard indicado acima no hyperlink.

    Abraços
  • Sultão  07/05/2017 01:32
    Prezado Daniel,

    Explica Mises:

    O objetivo final da ação é sempre a satisfação de algum desejo do agente homem. Só age quem se considera em uma situação insatisfatória, e só reitera a ação quem não é capaz de suprimir o seu desconforto de uma vez por todas. O agente homem está ansioso para substituir uma situação menos satisfatória por outra mais satisfatória.

    O axioma do qual se deriva a economia e o motivo de os austríacos da linha de Mises considerarem a economia uma "lógica" é o explicado acima: o homem age racionalmente na expectativa de aumentar sua utilidade.

    Simples assim. Se eu troco uma banana por uma maçã, é porque a utilidade que eu terei com uma maçã comparada à que tenho com uma banana na mão é maior. Se não fosse, eu não faria a ação. Se eu ofereço crédito a alguém com juros é porque eu creio que a utilidade que eu terei no futuro tendo o montante + juros é maior do que a utilidade que terei se eu pegar o montante e gastar tudo hoje.

    Há também uma declaração tácita que eu faço a trocar a banana pela maçã: significa que PARA MIM, a maçã é o que eu espero valer mais comparada a todos os objetos pelos quais eu estou ciente de que eu poderia trocar minha banana.

    Mísseis de fabricação doméstica (Abraços).
  • Ninguem Apenas  07/05/2017 22:00
    Leandro,

    O que você acha sobre a Teoria dos Ciclos Reais de Negócios da Nova Escola Clássica? A Escola Austríaca concorda com essa teoria? O que você acha dela? já pensou em um futuro artigo?
  • Ninguem Apenas  09/05/2017 14:36
    Alguém tem alguma consideração sobre?
  • Leandro  23/05/2017 00:31
    Possui muitos pontos bons e é bastante austríaca em sua essência. Mas peca por dar pouca -- para não dizer nenhuma -- atenção à questão da variação da oferta monetária e seus efeitos sobre as flutuações econômicas.

    É uma boa teoria, muito melhor que qualquer keynesiana. Mas ainda é incompleta.
  • Ninguem Apenas  07/05/2017 22:31
    No Google Trends (ferramenta do google que analisa o número de pesquisas de um termo ao longo do tempo), a palavra "Instituto Ludwig von Mises" é mais pesquisada na Venezuela do que no Brasil, sendo que é na Venezuela o país onde a palavra é mais pesquisada em todo o mundo. É sério isso?
  • Ninguem  08/05/2017 16:23
    Deve ser, os venezuelanos precisam encontrar alternativas para o bolivarianismo, e muitos com a mais absoluta certeza irão migrar para a Escola Austríaca.
    Isto pode ser uma boa notícia se for verdadeira.
  • LUIZ F MORAN  08/05/2017 11:38
    As Dez leis brasileiras:
    1) O Estado é imperativo para o desenvolvimento econômico e a manutenção da ordem e da justiça
    2) Todo empresário é ganancioso e escraviza seus funcionários
    3) Impostos são usados para ajudar os mais pobres
    4) O capitalismo gera desigualdades
    5) Lucro é pecado
    6) As minorias são perseguidas
    7) Os sindicatos são imprescindíveis para garantida dos direitos do trabalhador
    8) A polícia é violenta
    9) As instituições estão cada vez mais fortalecidas
    10) A democracia tem que ser preservada a qualquer custo.
  • Típico Filósofo  08/05/2017 13:17
    Bravo, Luiz Moran. E os reacionários ainda querem impor liberdade aqui.
  • LUIZ F MORAN  09/05/2017 09:43
    Reacionários ?
    Essa porcaria de Estado brasileiro - fascista/socialista - é a maior desgraça que poderia existir para quem produz e trabalha com decência.
    Odeio parasitas do dinheiro alheio, odeio socialistas, sindicalistas e todos os burocratas medíocres que só existem para manter essa droga assim.
    Um Estado só é aceitável se tiver a genuína vocação para defender a LIBERDADE, a VIDA e a PROPRIEDADE dos cidadãos residentes, só e somente só, em NENHUMA outra área o Estado deve estar presente.


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