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Como funciona o mercado de cartões de crédito e por que seus juros são os maiores de todos
E quais seriam os efeitos de se impor um teto aos juros do rotativo e encurtar os prazos de repasse

Você vai a uma churrascaria rodízio e, ao final, paga a conta com seu cartão de crédito. Para você, é um ótimo negócio. Você só irá efetivamente pagar esse banquete quando quitar a sua fatura.

Isso significa que você postergou o seu pagamento. Você, literalmente, 'comeu a crédito'.

Suponha que a sua fatura vença todo dia 2 de cada mês (como é o caso da minha). Qualquer coisa que você comprar a partir do dia 28 de um mês, você só irá pagar no dia 2 do outro mês sem ser o próximo. Ou seja, se você for a essa churrascaria no dia 28 de dezembro, só irá pagar a conta dela no dia 2 de fevereiro — isto é, dali a 36 dias.

Consequentemente, você poderá deixar esse dinheiro aplicado, rendendo juros, e só desembolsá-lo 36 dias após o almoço. Excelente.

Mas, como sempre, há o outro lado da história: se você só irá pagar a conta do almoço daqui a 36 dias, isso implica que o dono do estabelecimento demorará no mínimo 36 dias para receber seu dinheiro.

Os envolvidos

Quando você paga essa conta na churrascaria com seu cartão de crédito, há nada menos que 5 partes envolvidas na transação:

1) O consumidor: que é você, o portador do cartão de crédito.

2) O estabelecimento comercial: que é a churrascaria, que está aceitando o seu cartão de crédito como forma de pagamento.

3) O emissor: que é a instituição que emitiu o cartão de crédito. A esmagadora maioria dos cartões é emitida por bancos. Há alguns emitidos por redes varejistas. São os emissores, portanto, que decidem se você terá ou não um cartão de crédito e se as suas transações serão aprovadas. São eles também que definem os limites de crédito e as taxas cobradas. E são eles que emitem a fatura e cobram os juros em caso de inadimplência.

4) O credenciador: é a empresa que, como diz o nome, credencia os estabelecimentos que podem utilizar o cartão como meio de pagamento. Em termos populares, são os credenciadores que fornecem (na verdade, alugam) as maquininhas (terminais) em que você insere o seu cartão de crédito. Cielo, Rede e Getnet são as principais. Um credenciador também recebe o pomposo nome de "adquirente".

5) A bandeira: essa é a famosa "marca" do cartão. Visa, MasterCard, American Express e Diners são as mais conhecidas. Tais empresas fazem a ligação entre o emissor do cartão (banco) e o credenciador (a maquininha). É a bandeira quem intermedeia a transação entre o emissor e o credenciador. As bandeiras também estabelecem regras e ajudam a desenvolver o sistema.

Portanto, eis o que ocorre no nosso exemplo: após o almoço, você se dirige ao caixa e insere seu cartão de crédito na máquina. Ao digitar a senha, a máquina se comunica com o credenciador (Cielo, Rede ou Getnet), que então comunica a transação para a bandeira (Visa, Mastercard, American Express, Diners). A bandeira, por sua vez, direciona o valor para o emissor (o banco que emitiu o seu cartão).

Caso a transação seja aprovada pelo emissor — e tal decisão depende inteiramente do emissor —, essa decisão é comunicada de volta à bandeira, que então comunica o credenciador, que então permite que transação seja concluída pela máquina.

Pronto, você pagou o seu almoço a crédito. Mas você ainda não gastou dinheiro nenhum. E o dono do restaurante ainda não recebeu dinheiro nenhum.

O que irá ocorrer

Como dito, seu almoço na churrascaria só será efetivamente pago quando você quitar sua fatura do cartão de crédito, o que irá ocorrer, no nosso exemplo, dali a uns 30 dias.

Mas, mesmo assim, quando você quitar a fatura, o dono da churrascaria não receberá o valor integral.

Se a sua conta ficou em, suponhamos, R$ 100, o restaurante receberá aproximadamente R$ 95.

Isso significa que ele perde aproximadamente 5% do valor total. Por quê? Porque não há almoço grátis. Todas as partes envolvidas na transação cobram por seus serviços.

O primeiro a dar uma mordida é o emissor (banco). Ao repassar os R$ 100 para o credenciador, o emissor cobra um percentual por isso. Normalmente, algo entre 1,5% e 2%. Essa taxa é chamada de "tarifa de intercâmbio". Portanto, o emissor retém algo entre R$ 1,50 e R$ 2, e repassa para o credenciador algo entre R$ 98 e R$ 98,50.

Ato contínuo, é a vez de o credenciador dar a sua mordida. Por meio da "tarifa de desconto", que é um percentual cobrado sobre o valor da compra, o credenciador também cobra pelo seu serviço.

(Vale ressaltar que, além dessa mordida do credenciador, o dono do estabelecimento também tem de pagar para o credenciador um aluguel mensal para utilizar o terminal — a maquininha —, o qual pode chegar a R$ 150 por mês.)

Por fim, falta agora a bandeira. A bandeira dará a sua mordida por meio da tarifa de acesso, a qual é paga tanto por credenciador como pelo emissor, pelo privilégio de usar a "marca" do cartão. Sim, a bandeira cobra um valor para utilização de sua marca.

Portanto, ao fim e ao cabo, daqueles R$ 100 que você pagou, aproximadamente R$ 95 vão para o dono da churrascaria, algo entre R$ 1,50 e R$ 2 vão para o emissor, e algo entre R$ 3 e R$ 3,50 são divididos entre o credenciador (que também cobra um aluguel mensal do estabelecimento) e a bandeira.

Eis um organograma:

organograma.jpg

Implicações

Hoje, o emissor do cartão de crédito só repassa o dinheiro ao estabelecimento comercial (depois de pagar o pedágio à bandeira e ao credenciador) após o cliente ter quitado a sua fatura.

Isso significa que o emissor não precisa ir ao mercado financeiro tomar empréstimos para prontamente repassar o dinheiro ao credenciador (que então o repassa ao lojista); ele pode tranquilamente esperar o cliente quitar a sua fatura.

Agora, caso o emissor fosse obrigado por lei a repassar esse dinheiro dentro de um prazo de tempo menor — como vem aventando o governo —, ele teria de recorrer ao mercado financeiro para pegar dinheiro emprestado. 

Isso traz implicações óbvias.

Caso o emissor seja um grande banco, ele não terá dificuldade nenhuma em conseguir este financiamento de forma barata. Com efeito, ele pode nem precisar recorrer a financiamento: ele pode simplesmente usar seu capital próprio. Por outro lado, caso o emissor seja uma instituição financeira pequena, de baixo capital — como uma fintech —, sua situação pode se tornar insustentável.

Uma empresa pequena, com um capital pequeno, inevitavelmente terá de pagar juros muito altos para obter empréstimos recorrentes. Não há como ela concorrer com os grandes bancos neste mercado.  

Pior: mais emissores tendo de recorrer ao mercado de crédito para pegar dinheiro emprestado para então repassar esse dinheiro a credenciadoras (e daí para lojistas) não é exatamente uma medida propícia a uma redução de juros no mercado financeiro. No mínimo, mais demanda por crédito — de um segmento que até então pouco o utilizava — tende a elevar os juros, e não a reduzi-los, como almeja o governo.

Tal medida, portanto, embora seja boa à primeira vista (principalmente para os lojistas), pode não só levar a um aumento dos juros, como pode também levar a uma concentração ainda maior do mercado de emissores. Os pequenos emissores (fintechs) simplesmente não terão como concorrer em pé de igualdade com os grandes (bancos).

Aquela que aparentemente seria uma lei punitiva para os grandes bancos, pode acabar sendo ótima para eles: sua concorrência menos poderosa será a mais prejudicada.

Adicionalmente, alem do aumento geral dos juros de mercado, tal medida tende a gerar um aumento dos juros do rotativo do cartão de crédito.

É isso o que veremos.

Por que os juros do cartão de crédito são os maiores

Voltemos ao exemplo da churrascaria. A sua fatura foi de R$ 100. Mas suponha que você opte por pagar apenas o valor mínimo permitido, que equivale a 15% da fatura total. (Para simplificar, vamos supor que toda a fatura se resuma ao gasto na churrascaria).

Portanto, em vez de pagar a fatura inteira (R$ 100), você decidiu pagar apenas R$ 15.

Ao fazer isso — pagar menos que o total —, você está entrando no chamado crédito rotativo.

Na prática, isso significa que o emissor — o banco — está lhe fazendo um empréstimo de R$ 85.

Mas não se trata de um empréstimo qualquer. Esse é o tipo mais arriscado de empréstimo que um banco pode fazer.

Para começar, não se trata de um empréstimo para investimento. Não é um dinheiro que você está pegando para abrir um empreendimento. Não é um empréstimo que será usado por você para aumentar a sua renda futura (o que possibilitaria a quitação desse empréstimo).

Trata-se, na prática, de um empréstimo voltado para o consumo puro. E pior: um empréstimo sem nenhuma garantia. É o empréstimo menos seguro possível.

Normalmente, empréstimos voltados para o consumo são os mais caros do mercado exatamente porque eles não criam renda futura. Ao não criarem renda futura, eles não facilitam a sua quitação. Uma coisa é você pegar um empréstimo para empreender (o que possibilitará uma renda futura); outra coisa, bem diferente, é você pegar um empréstimo para viajar, pagar hotel, comprar uma roupa, um sapato ou para almoçar.

Mas mesmo entre os empréstimos voltados para o consumo há diferenças.

Por exemplo, um empréstimo utilizado para comprar um automóvel fornece uma garantia para o banco: na pior das hipóteses, ele pode arrestar o carro, vendê-lo e reaver uma parte do empréstimo.

Já um empréstimo feito pelo crédito consignado permite ao banco reter o dinheiro do tomador do empréstimo sempre que entrar algum dinheiro em sua conta.

Com efeito, mesmo o cheque especial fornece mais garantias que o rotativo. Na pior das hipóteses, o banco pode confiscar o dinheiro que eventualmente entrar na conta do inadimplente.

Já com o rotativo do cartão de crédito, porém, nada disso é possível. Não há nenhuma dessas garantias. O banco do indivíduo que entrou no rotativo não necessariamente é o mesmo banco emissor do cartão. Sendo assim, simplesmente não há acesso do banco emissor ao dinheiro do inadimplente.

Mas ainda piora.

Por absoluta falta de educação financeira, muitas pessoas utilizam o cartão de crédito porque estão sem dinheiro. "Ah, quero comprar uma roupa, mas estou sem dinheiro. Vou usar o cartão de crédito". E aí, quando a fatura chega, elas continuam sem dinheiro. E então acabam entrando no rotativo. E, uma vez no rotativo, vão empurrando com a barriga. 

Vale ressaltar essa obviedade: só entra no rotativo do cartão de crédito quem, por definição, não tem dinheiro para saldar a fatura. Por mais que isso possa soar ofensivo, essa é a realidade.

Ou seja, o rotativo é um crédito concedido a quem não tem renda para quitá-lo. É uma prática extremamente arriscada para o emprestador.

E, em caso de inadimplência, não há como os bancos reaverem esse dinheiro. Não há consignado, não há arresto de bens, não há penhoras, não há ativos que possam ser tomados para se saldar as contas. 

Trata-se, portanto, de um crédito concedido a quem não tem garantia nenhuma para oferecer em troca.

Não tem como os juros serem baixos em uma modalidade dessas. 

Como adendo, eis uma informação assustadora: em 2013, 77% da população brasileira tinha cartão de crédito. E 72% não sabia quanto pagava de juros no crédito rotativo. (Fonte) Ou seja, três em cada quatro brasileiros possuem um cartão de crédito, e quase todas essas pessoas não sabem quanto pagam de juros no rotativo.

A consequência disso? Ao final de 2015, as dívidas no rotativo já estavam em incríveis R$ 32,9 bilhões. Pior: essa modalidade representava nada menos que 10% de todo o crédito às famílias. Já a inadimplência chegava a incríveis 47%. O rotativo supera inclusive o cheque especial como modalidade de crédito. 

Ao passo que, em outros países, cartão de crédito é exclusividade de rico — o que acaba tornando bastante seletiva sua posse, influenciando para baixo os juros do rotativo —, no Brasil ele é algo popular. Assim, muitas pessoas de baixa renda utilizam seu cartão de crédito sem conhecer o mais básico sobre seu funcionamento, e quase sempre recorrem ao rotativo por estarem sem renda, empurrando os juros dessa modalidade para cima. 

É realmente de se estranhar que, sob todas essas condições, os juros dessa modalidade sejam estratosféricos?

Pior: se muitos entram no rotativo com os juros já astronômicos, imagina então se eles fossem baixos? 

E se o governo reduzisse o prazo?

Agora, apenas imagine o que ocorrerá com os juros do rotativo caso o governo imponha uma lei reduzindo para 2 dias o prazo máximo de repasse dos emissores para os lojistas?

No exemplo da churrascaria acima, em que você pagou apenas 15% da fatura, o emissor primeiro recebeu seus R$ 15 e só então viu que tinha de pegar emprestado o restante para repassar ao credenciador e à bandeira.

Ou seja, após receber seus R$ 15, o emissor terá de pegar emprestado mais R$ 83,50 (e não R$ 85, pois o emissor fica com 1,5% do valor total) para repassar ao credenciador e à bandeira.

Já com a nova lei, primeiro o emissor terá inevitavelmente de pegar emprestado R$ 98,50 para repassar ao credenciador e à bandeira. Não há alternativa. E então, só depois de 36 dias é que ele saberá se a fatura será paga integralmente por você ou se você decidiu entrar no rotativo.

Se a fatura for paga integralmente por você (R$ 100), o emissor poderá quitar o empréstimo de R$ 98,50 (mais juros) que ele fez no mercado financeiro. Já se você pagar apenas R$ 15 e entrar no rotativo, o emissor ainda ficará com um empréstimo de R$ 83,50 pendente, que já está acumulando juros há 36 dias, e o qual agora terá de ser seguidamente rolado.

Com esse arranjo, você acha que os juros que os emissores cobrarão no rotativo tendem a cair ou a subir?

A proposta de reduzir os juros do rotativo na marra

Que os juros do rotativo no Brasil são estratosféricos, isso é senso comum. Não é a intenção deste artigo dizer que os valores cobrados atualmente são economicamente sensatos. Mas também não há como dizer que eles estão totalmente errados. 

Por isso, é de causar espécie um projeto de lei do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) que visa a limitar os juros do rotativo a duas vezes a taxa do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Na prática, o rotativo passaria a ser, no máximo, igual ao dobro da SELIC, que hoje está em 13,75% ao ano.

Caso isso prosperasse, o rotativo ficaria mais barato até mesmo que empréstimos para pequenas empresas.

Ou seja, se você estourasse seu cartão de crédito comprando roupas e sapatos, e entrasse no rotativo, você pagaria juros menores que empreendedores que estão expandindo seus negócios, adquirindo maquinários e contratando mão-de-obra.

Quero crer que tal proposta não será aprovada. Entretanto, não é nada impossível que uma proposta semelhante — apenas um pouco menos bizarra — venha eventualmente a ser aprovada em um futuro não muito distante.

Assim, o que ocorreria caso o governo estipulasse um teto aos juros do rotativo?

Essa é fácil.        

Dado que o rotativo deixaria de ser lucrativo para os emissores, a primeira coisa que ocorreria é que os estes iriam restringir ao máximo a concessão de novos cartões de crédito. Apenas pessoas com um ótimo histórico de crédito conseguiriam um. Adicionalmente, haveria uma restrição intensa sobre os cartões já existentes.

Pessoas que até então entravam frequentemente no rotativo e que possuíssem histórico ruim não mais teriam seus cartões validados nas máquinas. E vários outros cartões seriam cancelados por inadimplência. Não compensaria manter essas pessoas.

Mesmo o mais disciplinado dos pobres não conseguiria um cartão. Os pobres mais economicamente prudentes acabariam pagando pelo comportamento dos pobres mais economicamente destrambelhados. 

Obviamente, as anuidades subiriam. E muito.

Mas a coisa se expande. Com o cancelamento dos cartões, as bandeiras e os credenciadores deixariam de ganhar dinheiro com as taxas cobradas nas transações. Consequentemente, as tarifas aumentariam. E novas taxas seriam criadas. Os prudentes pagariam a conta. E os destrambelhados ficariam sem nada. 

No final, ter cartão de crédito voltaria a ser luxo dos ricos. 

Conclusão

Várias pessoas vibraram com o anúncio de que os emissores de cartão de crédito teriam um prazo de apenas dois dias para repassar o dinheiro aos lojistas. "Isso acabará com a farra dos bancos!", disseram os mais animados.

Aparentemente eles se esqueceram de que os bancos nunca se dão mal em uma economia. Quem se estrepa sempre são os pequenos — no caso, as fintechs.

Tal lei, caso aprovada, seria ótima para os bancões, pois aniquilaria a incipiente concorrência representada pelas fintechs.

A medida também geraria um inevitável aumento dos juros tanto do rotativo quanto do mercado em geral.

Quanto à imposição de um teto para os juros do rotativo, os bancos até poderiam ser afetados, mas os mais pobres — principalmente os mais prudentes e frugais — seriam aqueles que seriam realmente prejudicados. Eles ficariam sem nenhum cartão de crédito.

Como este Instituto não se cansa de repetir, não existe mágica na economia. Leis econômicas não podem ser repelidas por decreto e por "vontade política". Se isso fosse possível, Cuba e Venezuela seriam potências.

Quer reduzir os juros do cartão? Comece reduzindo o peso e os gastos do estado. E então defenda uma moeda sólida e estável. Sem ambas as coisas, nada feito.

Impossível haver juros baixos se há um mamute sugando todo o crédito disponível para financiar suas despesas correntes e há uma moeda que perde poder de compra aceleradamente.

Inflação de preços na meta e teto de gastos: isso já seria um bom começo para reduzir os juros do rotativo.

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32 votos

autor

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Pablo Dias  21/12/2016 04:52
    Esse é um daqueles exemplos no qual uma medida arbitrária do governo cria toda uma distorção de mercado que, posteriormente, ao tentar ser corrigida, distorceria o mercado mais ainda e acabaria quebrando empresas que só existem por causa da distorção inicial.
    Vejamos a Nubank.
    Se a Nubank, conforme alardeado por ela mesma, depende necessariamente de um período mínimo garantido de 30 dias entre a transação e o pagamento ao lojista para sobreviver, ela demonstra ser uma empresa que só existe porque foi criada com base na distorção já proposta pelo banco central desde antes (o paradigma dos 30 dias). Todo o plano de negócios da Nubank foi criado graças a esta distorção. Vivessemos um mercado livre de fato (no qual diferentes empresas poderiam praticar datas de pagamento aleatórias aos lojistas, menores ou maiores que 30 dias), talvez o modelo de negócios da Nubank não fosse sequer possível de sair do papel. Ironicamente, por isso mesmo ela surgiu no Brasil, não na Nova Zelândia, Dinamarca, no Canada ou mesmo nos EUA, economias bem mais livres.
  • comentarista amador  21/12/2016 12:20
    Pois é, e ainda tem hype de internet sobre os caras.

    Se estivéssemos em uma economia livre, eles nem teriam surgido.

    É a caverna de platão invertida.
  • Tulio  21/12/2016 12:26
    Vocês dois levantaram bons pontos, mas a crítica -- principalmente do "comentarista amador" -- é um tanto descabida.

    O Nubank surgiu de acordo com a realidade estabelecida. Dizer que ele não existiria em uma outra realidade é um exercício de futilidade. Por essa lógica, podemos também fantasiar que não haveria Uber se não fosse o monopólio, garantido pelo estado, dos taxistas.

    E é falso afirmar que não existem fintechs nos países de primeiro mundo. Fintechs são um fenômeno mundial.

    computerworld.com.br/metade-dos-clientes-de-bancos-no-mundo-ja-usa-servicos-de-fintechs
  • Pedro  21/12/2016 12:36
    Creio ter faltado só duas letras ("i" e "r") nesta afirmação. Permita-me:

    "O Nubank surgiu de acordo com a (ir)realidade estabelecida".
  • Alerson Molotievschi  21/12/2016 21:12
    Ótimos pontos! Concordando com Tulio.
  • Primo  21/12/2016 08:50
    Excelente explicação, mas faltou comentar a parte do lobby. Obrigar que o preço seja o mesmo para diferentes formas de pagamento, esse é no meu ponto de vista o maior dos problemas. É uma "CPMF" muito mais agressiva, com taxas muito maiores e envolvendo mais transações. E a questão de acumulação de pontos, é tudo gratis?
  • Leandro  21/12/2016 11:33
    Permitir diferenciação de preços é uma excelente medida. Mas não é isso o que resolverá o problema dos juros (mesmo porque, na prática, a diferenciação já ocorre). O que resolverá o problema dos juros é a redução dos gastos do governo, a reversão do histórico inflacionário da moeda, uma maior poupança da população e sua melhor educação financeira.
  • Ex-microempresário  22/12/2016 20:55
    Se o lojista der 8% de desconto para pagamento em dinheiro, em relação com cartão de crédito, as vendas com cartão despencam. Hoje o empresário é refém do cartão, porque as operadoras usam parte da sua enorme arrecadação para dar benefícios ao usuário (pontos, milhas, etc), além do prazo para pagar, e isto faz com que o cliente exija pagar com cartão. Em outras palavras, o empresário que "ousar" não aceitar cartão, perde o cliente.
  • 4lex5andro  26/12/2016 03:59
    Depende do tipo de cartão, é praxe no comércio os preços de pagto. em dinheiro na hora serem iguais aos de cartão de débito.

    O cartão de crédito sim, tem juros e preços com maior probabilidade [em tese] de inadimplência, pois é praticamente um "cheque" com microchip.
  • Lucas  23/12/2016 10:35
    Essa arbitrariedade surgiu para "estimular" o mercado de cartões. O patamar de consumo em cartões no Brasil é bem baixo, comparado com economias mais desenvolvidas, obviamente o tiro sai pela culatra, ainda estamos bem longe e aparentemente batemos num "teto" de 40% no máximo.
  • Lopez  02/01/2017 19:44
    Infelizmente o artigo é incompleto (ou até mesmo tendencioso) a maioria dos lojistas são assediados a antecipar o pagamento das vendas por taxas de descontos 2 à 5?a.m. Imaginem lojista que vendem seus produtos em 12x "sem juros". É preciso um acréscimo, fora a margem de lucro, de 20 à 30? em cima do produto para o lojista não sair no prejuízo. Assistam ao vídeo de Felipe Leão https://youtu.be/pIj-OeMkRJc
  • Marco Roberto  02/01/2017 23:31
    Caro Lopez, você está desinformado quanto à realidade.

    Você diz que lojista que vende em 12x sem juros é um coitadinho oprimido pelas operadoras de cartão de crédito, e que, para não levar prejuízo, ele tem de acrescentar um valor ao preço para ter lucro.

    Desculpe, mas isso mostra que você realmente nada sabe sobre como funciona esse mercado.

    No Brasil, vender produtos é apenas um pretexto para vender crédito. Grandes lojas de eletrodomésticos, grandes lojas de moda e fabricantes de automóveis lucram mais vendendo crédito do que vendendo produtos. É por isso que a maioria possui o cartão próprio da loja, a maioria estimula que você compre parcelado ou financiado no lugar de comprar à vista. Os empresários sabem que podem ganhar duas vezes. Eles podem ganhar vendendo o produto e emprestando o dinheiro para que você compre.

    Quando você compra qualquer coisa através do crediário de uma loja ou de financiamentos, você está pagando duas vezes.

    Não existe isso de 12 vezes sem juros no cartão. Nenhum vendedor é idiota de parcelar um produto em 12 vezes, ainda mais em um país de inflação historicamente alta como o Brasil.

    Neste valor anunciado -- que é o mesmo à vista -- já estão embutidos os juros. O que o comerciante está fazendo é justamente vendendo uma dívida para você (há uma financeira por trás de tudo).

    Tanto é que, se você se oferecer para pagar à vista em troca de um desconto, eles não aceitam.

    Coincidentemente, hoje mesmo passei por isso. Fui a um grande Shopping Center hoje à tarde. Em absolutamente todas as lojas a que fui, nenhuma delas aceita pagamento à vista com desconto. Todas elas insistem para você pagar no cartão de crédito.

    Todas as lojas operavam assim, desde lojas de material esportivo até lojas de roupas para bebê.

    Ora, isso vai totalmente contra a sua teoria. Como você explica isso?


    Mais cuidado da próxima. Seja menos afoito e sempre evite fazer acusações levianas e de cunho pessoal.
  • Lopez  03/01/2017 05:35
    Peço desculpas, mas não foi a minha intenção causar desconforto! Desculpas mesmo! Inclusive agradeço pela resposta.

    Sei que não há venda a crédito sem juros, tanto que coloquei o excerto (12x sem juros) entre aspas, visto os juros estarem embutidos na transação. As principais credenciadoras Cielo, Rede e Getnet dão aos lojistas a opção de antecipação do valor da venda em 1 ou 2 dias úteis (os lojistas não são obrigados a antecipar), seja na venda em 1 parcela ou em mais parcelas... Neste ponto gostaria de contribuir com o artigo, visto que os lojistas não precisam esperar pelos 30 dias ou mais para receber o que transacionou. A antecipação já está incorporado ao mercado há tempos (e o artigo não toca neste ponto).

    A esmagadora maioria dos lojista já levam em conta a antecipação do valor daquilo que vendeu (para receber em 1 ou 2 dias úteis o valor depositado na conta da Empresa, isso é de praxe! ), logicamente, a antecipação sofre um taxa de desconto, da mesma forma que os cheques, duplicatas e etc. A venda no cartão trás mais praticidade ao lojista de negociar o desconto da antecipação sem precisar ir ao banco ou financeira falar com gerente, também não precisa contratar carro forte para levar a grana para ser depositado no banco (caso venda no cash) . No mais, concordo com você quando afirma que: "As grandes lojas lucram mais vendendo crédito do que vendendo produtos". A industria do crédito impulsiona muito mais as vendas sem dúvida nenhuma, já que levam muitas pessoas (que em tese não poderiam comprar) a "se atolar" em dívidas.

    Obs.: Quem assumi o risco do crédito são as administradoras/financeiras do cartão... Os lojistas recebem em 1 ou 2 dias úteis pelo que transacionou e não da forma como está posta no artigo:

    "Como dito, seu almoço na churrascaria só será efetivamente pago quando você quitar sua fatura do cartão de crédito, o que irá ocorrer, no nosso exemplo, dali a uns 30 dias." (não necessariamente, visto que o lojista pode antecipar o valor e na maioria o faz assim)

    "Hoje, o emissor do cartão de crédito só repassa o dinheiro ao estabelecimento comercial (depois de pagar o pedágio à bandeira e ao credenciador) após o cliente ter quitado a sua fatura." (na prática o estabelecimento comercial já antecipou o valor da transação e não esperará pelo cliente ter quitado a sua fatura e o lojista bem antes de vender já levou em conta a antecipação do valor da transação comercial)

    Peço desculpas caso esteja errado meu raciocínio!
  • Leandro  03/01/2017 11:53
    Prezado Lopez, a antecipação de fatura de cartão de crédito não é uma modalidade muito utilizada por lojistas, ao contrário do que você disse.

    Eis os dados do Banco Central: ao passo que o gasto total de pessoas físicas com cartão de crédito está acumulado em R$ 180 bilhões, apenas R$ 3,5 bilhões foram antecipados pelas empresas.

    Pode conferir o gráfico do Banco Central aqui:

    s28.postimg.org/upk7oev31/imag1.png

    Ou seja: ao passo que há R$ 180 bilhões em faturas de cartão de crédito pendentes (de pessoas físicas), apenas R$ 3,5 bilhões foram antecipados pelos lojistas. Isso dá menos que 2% das operações.

    Portanto, dizer que "a esmagadora maioria dos lojista já levam em conta a antecipação do valor daquilo que vendeu" representa uma afirmação inverídica, não sustentada pelos fatos.

    As estatísticas mostram que a esmagadora maioria dos lojistas não leva em conta a antecipação -- mesmo porque os juros da antecipação em conjunto com as taxas que incidem sobra as operações com cartão de crédito (como mostrado no artigo) acabariam com toda a margem de lucro dos pequenos empreendedores.

    Consequentemente, a sua afirmação de que "os lojistas recebem em 1 ou 2 dias úteis pelo que transacionou e não da forma como está posta no artigo" representa uma afirmação errado (e um tanto quanto caluniosa) de sua parte.

    Cordiais saudações.

  • Alfredo  03/01/2017 12:05
    Vale também lembrar que os juros da antecipação estão em 46,2% ao ano. Isso equivale a 3,22% ao mês.

    Lojista que recorrer à antecipação e pagar juros de 3,22% ao mês (e ainda tiver de pagar os 6% das taxas do cartão de crédito) simplesmente irá quebrar.

  • Lopez  03/01/2017 17:44
    Obrigado pelas informações trazidas, Leandro. Suas explicações lançam luz em algo que não havia ficado claro no artigo.

    De antemão não tenho como objetivo depreciar seu artigo. Eu tenho conhecimento limitado sobre o assunto e venho aqui buscar conhecimento, e na medida do possível contribuir.

    No artigo é tomado como exemplo uma venda a crédito em uma churrascaria (lojista de pequeno porte) e é a esses lojista que refiro, que: (a esmagadora maioria já prevê a antecipação) , pois serve como capital de giro - por óbvio que posso estar errado, por falta de dados.

    Por hora, percebo que o exemplo do artigo (venda a crédito em uma churrascaria) não passou de mero artifício didático para tratar de um todo. Estou certo?

    A antecipação (ainda) não ocorre em larga escala devido a alguns entraves:

    "A força da garantia dos recebíveis de cartão, que serve de lastro para a linha de crédito, faz dela o equivalente, na pessoa jurídica, do crédito consignado (com desconto em folha de pagamento) na pessoa física. Uma segurança que fez com que os bancos colocassem a modalidade na ponta da lança para oferta de crédito ao varejo de menor porte. E que explica por que as instituições financeiras vêm se desdobrando para simplificar a tomada desse crédito pelo comércio, na tentativa de atrair novos lojistas ou de aumentar o uso da antecipação por quem já trabalha com ela." (ASSI, 2013) Disponível em: www.marcosassi.com.br/credito-garantido-por-venda-no-cartao-vira-nicho-disputado

    "Lojistas poderão negociar o adiantamento das vendas a prazo feitas com cartão de crédito com vários bancos. Para isso, o Banco Central (BC) publicou hoje (25) a Circular nº 3.721, que determina que instituições financeiras e de pagamento deverão utilizar arquivos padronizados da agenda de recebíveis de cartão, que equivale a um cronograma dos recebimentos previstos pelo estabelecimento comercial baseado nas vendas com cartões de crédito." (VALOR, 2014) Disponível em: www.valor.com.br/financas/3710354/bc-atua-para-elevar-competicao-no-mercado-de-credenciamento-de-cartoes

    Espero ter contribuído! E meu muito obrigado pela troca de conhecimento.
  • Elder Marco  21/12/2016 09:38
    Excelente artigo Leandro! Como sempre, muito didático e acessível.

    Quando ouvi falar pela primeira vez do Nubank, até pensei que fosse uma empresa norte americana ou de algum outro país que não fosse o Brasil, tal é a dificuldade de surgir negócios que agregam tanto valor assim por aqui. E a considerar pela fila de espera para conseguir um cartão, só se pode concluir o brasileiro adora a concorrência e o livre mercado. Só resta a ele descobrir isso.
  • Leandro  21/12/2016 12:04
    Ótimo ponto, Elder. É bem isso mesmo.

    Basta surgir uma pequena nesga de concorrência, que muitos correm para prestigiá-la, o que mostra que o brasileiro ao menos gosta de vivenciar os efeitos da livre concorrência (embora não goste de lidar com ela).

    Imagine se empreender fosse mais fácil e menos burocrático no Brasil? Vários tormentos já teriam sido resolvidos.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Amarílio  21/12/2016 09:39
    Como sempre, os políticos tentando atrapalhar nossas vidas. Sumam!
  • Antônio  21/12/2016 10:44
    Esse é o tipo de artigo que vale mais que uma graduação inteira em cursos do MEC. Parabéns ao autor.
  • A.N.A  21/12/2016 10:45
    Faltou no final permitir uma maior abertura para se montar um banco e emitir cartões de crédito.

    Hoje, bancos tem um monopólio imenso. Se eu emprestar dinheiro sou preso como agiota.

    Com mais bancos, aumentaria a concorrência e consequentemente, poderia haver juros mais baratos.
  • Leandro  21/12/2016 11:34
    Apoio resolutamente sua sugestão. Inclusive, ela é uma bandeira deste Instituto.

    Mas, por uma questão de honestidade intelectual, sou obrigado a dizer que não é isso o que mudará as coisas.

    Em primeiro lugar, o setor bancário brasileiro é idêntico ao do resto do mundo. A regulação é a mesma. Todos os bancos obedecem às regras de Basileia e todos são regulados por um Banco Central. Logo, não é aí que está a diferença.

    Facilitar a criação de novos bancos não resolve o problema dos gastos do governo, o problema da inflação, o problema da falta de poupança da população e o problema da falta de educação financeira da população.

    Sem atacar esses quatro componentes, você não resolve o problema dos juros. Juros são altos porque o governo suga todo o crédito disponível para financiar seus gastos (ano passado, o governo tomou emprestado nada menos que 10% do PIB), porque a moeda tem um firme histórico de perda do poder de compra, porque não há poupança da população, não há educação financeira, não há grande segurança jurídica e não há grande estabilidade institucional (lembre-se de que o nosso governo já deu seguidos calotes na dívida externa).

    Tudo isso pesa quando investidores emprestam dinheiro ao governo. e, se eles cobram caro para emprestar para o governo (que é tido como o empréstimo mais seguro que tem), quão mais caro irão cobrar de pessoas físicas?
  • mauricio barbosa  21/12/2016 10:47
    Graças a Deus existe o IMB para esclarecer para todos nós o que é um delírio e o que é possível na economia,quanto aos críticos apresentem argumentos defensáveis,pois de sofismas já chega a mídia golpista(Contra o consumidor e eleitor)manipuladora que faz o jogo de quem lhe pagar mais,enfim o IMB esclarece e convence,portanto viva o IMB que não se vende para os pulhas...E nem engana ninguém.
  • Pobre Paulista  21/12/2016 11:18
    Obrigado! :-)
  • Henrique  21/12/2016 11:31
    Bom dia a todos.

    Fiquei em dúvida em relação à passagem do texto que afirma que é necessário o encolhimento do governo para a diminuição dos juros do rotativo. Os governos da União Europeia não são maiores que o nosso e os juros não são baixíssimos? Os banqueiros não têm culpa no cartório? Não são eles que determinam a taxa de juros que vão cobrar?


    Abraços.
  • Leandro  21/12/2016 11:54
    "Os governos da União Europeia não são maiores que o nosso e os juros não são baixíssimos?"

    Os governos da União Europeia têm déficits orçamentários muito baixos. Ao passo que o nosso é de 10% do PIB, lá não chega nem a 2,5% do PIB.

    Para se ter uma ideia do que é um déficit de 10% do PIB, vale dizer que nem mesmo países ricos são tão permissivos assim. Por exemplo, o déficit orçamentário do "pródigo" governo Obama não passa de 2,5% do PIB. Na zona do euro é de 2,1% do PIB. Já o do governo do Reino Unido é de "apenas" 4,4% do PIB. Até mesmo os "devassos" japoneses se contentam com menos: 6% do PIB.

    E com um detalhe: todo o resto do mundo está disposto a financiar estes países fartamente. Já nós não temos essa moleza. Apenas 16,23% dos títulos do Tesouro Nacional estão em posse de estrangeiros (não-residentes). No caso dos EUA, por exemplo, esse número chega a 32,5%.

    E com outro detalhe: nenhum destes governos tem histórico de calote (ao contrário do Brasil, que já decretou várias moratórias), e nenhum tem histórico de hiperinflação.

    Portanto, se o governo de um país como o Brasil, que ainda está em desenvolvimento, já decretou moratórias, e possui um longo histórico de inflação alta, tem de pedir mais dinheiro emprestado do que os países ricos, e há menos estrangeiros dispostos a financiá-lo, é claro que os juros que seu governo terá de pagar serão estratosféricos.

    Seus governos não só recorrem ao mercado de crédito com muito menos intensidade que o nosso, como ainda têm um histórico muito melhor.

    "Os banqueiros não têm culpa no cartório?"

    Banqueiro são santos em todos os países do mundo, exceto no Brasil. Aqui, talvez por influência do clima, eles se tornam gananciosos e saem explodindo os juros sobre nós pobres coitadinhos.

    Só falta explicar por que, já que banco tem toda essa mordomia no Brasil, vários deles estão em dificuldades financeiras (veja a coluna da direita). Se aqui é esse paraíso todo, por que o HSBC teve prejuízos e achou melhor ir embora?

    Há um artigo inteiro sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2532

    E há outro também sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2499
  • Henrique  21/12/2016 12:19
    Não tenho conhecimento sobre o que se passou com o HSBC, mas os lucros do Itaú e Bradesco, por exemplo, não são exorbitantes em relação ao volume de empréstimos que conseguem, em relação aos bancos estrangeiros?


    Abraços.
  • Meirelles  21/12/2016 12:41
    Não sei. São? Mostra os comparativos aí, de uma fonte isenta.

    Que são maiores que os europeus eu não tenho dúvida nenhuma. Os governos imbecis de lá impuseram juros negativos que estão destruindo os bancos.

    Bizarrice européia: taxas de juros negativas restringem empréstimos e afetam bancos e empresas

    Mas quero ver dados que comprovem que todo o consolidado bancário brasileiro (e não apenas um ou dois bancos) é mais lucrativo que os de qualquer outro lugar do mundo.
  • Pobre Paulista  21/12/2016 12:01
    Se eles podem determinar a taxa, porquê não colocam em 200% ao mês logo de uma vez? Teriam lucros exorbitantes, não?

    Só que não é assim que a economia funciona. A taxa é um acordo entre fornecedor (banco) e consumidos (o tomador de crédito). Se a taxa de 11% ao mês está boa para o cliente, porquê o banco ofertaria por menos?
  • Fernando  21/12/2016 16:14
    No caso do Itaú, o crédito responde por uma porção bem menor das receitas. O que tem feito o Itaú lucrar são os seguros e demais serviços.
  • Alan  21/12/2016 12:58
    Ninguém -- absolutamente ninguém -- é obrigado a utilizar os juros do rotativo. É isso que as pessoas não entendem. Do jeito que elas falam e protestam, dá até a entender que entrar no rotativo é algo inevitável e obrigatório. Já outras acham que é um direito natural e sagrado, e que tal direito deve ser baratinho.

    Não quer pagar juros de rotativo? Não entre neles. Ninguém o obriga a isso.
  • FL  21/12/2016 13:02
    Isso me lembrou de uma vez em que me questionaram por eu não usar cartão de crédito, com a seguinte pergunta: "mas e se você quiser um playstation e não tiver dinheiro na conta, como faz para comprar?".

    Ué, não compro, simples. Espero ter o dinheiro e depois compro. É uma daquelas coisas tão óbvias que quase ninguém consegue ver.
  • Fernando  21/12/2016 16:26
    Ontem mesmo uma colega de trabalho me chamou de estraga-prazeres por informá-la que haveria um teto para uso do FGTS para pagar dívidas.... R$ 1.000,00, acho que isso que foi aprovado; ela queria utilizar tudo para se afundar em mais dívidas.
    E eu quase perguntei pra ela, pra que se endividar e não poupar para comprar? Me contive porque sou taxado de unha-de-fome, o único poupador autodeclarado e qdo eu toco no assunto de investir, se abster de crédito e guardar dinheiro eles vem com paus e pedras.
  • Tio Patinhas  21/12/2016 17:30
    Você está trabalhando em uma mina de ouro, para de sofrer com o bullying desses Zé prestação e comece a fazer dinheiro com eles, empréstimo com penhor, fale discretamente no individual que se ele precisar de crédito você pode fornecer, basta dar uma garantia, celular em bom estado, bicicletas pouco usadas, algum móvel chique, notebook, motos e até rodas do carro, ficaria impressionado como esses perdulários têm coisas boas, novas e pouco utilizadas, pague 60% do valor que você consegue revendendo o item no olx, se reclamarem solicite de maneira educada, porém firme que ele se dirija a um banco e peça o empréstimo, cobre 10% de juros por mês sobre o principal, se não pagar venda o item com lucro.
    Não tenha piedade de quem menospreza o valor do trabalho e os poupadores, o dinheiro não aceita desaforos.
  • Alerson Molotievschi  21/12/2016 21:25
    Acabou de criar uma startup financeira. Uma mistura de "escambo usurário". Gostei! E eu crio uma empresa de "cobradores de dívidas".
  • Oscar  22/12/2016 16:54
    Gostei da sua ideia, muito boa, é o que vou fazer com esses Zé prestação para eles aprenderem educação financeira na pele, a duras penas!!!
    Valeu pela dica!!!
  • Emerson Luis  08/01/2017 17:57

    Pessoas físicas não podem dar empréstimos a juros no Brasil, é crime de agiotagem.

    Tem que abrir uma empresa financeira, com toda a sua burocracia.

    * * *
  • Maia  21/12/2016 13:16
    E porque funciona nos EUA e na Europa?
  • Leandro  21/12/2016 13:25
    Já respondido. Irei repetir:

    Porque, para começar, ambos os governos têm déficits orçamentários muito baixos. Ao passo que o nosso é de 10% do PIB, lá não chega nem a 2,5% do PIB.

    Por exemplo, o déficit orçamentário do "pródigo" governo Obama não passa de 2,5% do PIB. Na zona do euro é de 2,1% do PIB. Já o do governo do Reino Unido é de "apenas" 4,4% do PIB. Até mesmo os "devassos" japoneses se contentam com menos: 6% do PIB.

    E com um detalhe: todo o resto do mundo está disposto a financiar estes países fartamente. Já nós não temos essa moleza. Apenas 16,23% dos títulos do Tesouro Nacional estão em posse de estrangeiros (não-residentes). No caso dos EUA, por exemplo, esse número chega a 32,5%.

    E com outro detalhe: nenhum destes governos tem histórico de calote (ao contrário do Brasil, que já decretou várias moratórias), e nenhum tem histórico de hiperinflação.

    Portanto, se o governo de um país como o Brasil, que ainda está em desenvolvimento, já decretou moratórias, e possui um longo histórico de inflação alta, tem de pedir mais dinheiro emprestado do que os países ricos, e há menos estrangeiros dispostos a financiá-lo, é claro que os juros que seu governo terá de pagar serão estratosféricos.

    Os governos dos países ricos não só recorrem ao mercado de crédito com muito menos intensidade que o nosso, como ainda têm um histórico de crédito muito melhor.

    Há um artigo inteiro sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2532

    E há outro também sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2499
  • Fernando  21/12/2016 13:26
    Esse banco central é bizarro. Essa medida do spread bancário merecia um exame toxicológico em todos os funcionários do BC.

    Eu estive em Cingapura no mês passado. O choque de capitalismo é impressionante.

    Tem até barraquinha de câmbio sem vidros blindados, não possuem cadastros para trocar moeda, pagam bem pelo dólar americano, etc.

    Por mais que todo mundo tenha medo das regras do governo de Cingapura, eles respeitam o governo, porque não são tratados como corruptos, sonegadores e mal caráter.

    É difícil ver polícia em Cingapura. O capitalismo rola solto, com ouro, diamantes, ferraris e porsches por todos os lados, e sem policiamento ostensivo.

  • Fernando  21/12/2016 13:56
    Só em Cingapura tem barraquinha de câmbio dentro do 7-Eleven.

    Foi engraçado ver um trocador de moeda dentro de uma loja de conveniência.
  • Jason  21/12/2016 13:31
    Não acho que essa medida aumente a demanda por crédito. A operação de crédito já ocorreu quando a compra foi feita no cartão. Só mudou o credor. Na situação atual quem está financiando o consumidor é o comerciante.
    Acho justa essa mudança aliada a diferenciação de preços por meio de pagamento(não é o ideal, o correto seria liberar o mercado de crédito). Quem quiser financiar o almoço que pague os juros ao emissor/banco. Quem quiser pagar à vista use outra forma de pagamento sem pagar os juros.
  • Leandro  21/12/2016 13:56
    "Não acho que essa medida aumente a demanda por crédito."

    Por favor, desculpe a minha extrema sinceridade, mas o que você "acha" não tem poder para alterar o funcionamento do mundo real.

    Tal medida, como explicado, aumenta a demanda por crédito.

    "A operação de crédito já ocorreu quando a compra foi feita no cartão."

    Não, não ocorreu.

    Quando foi feita a compra no cartão, tudo o que ocorreu foi a assinatura de uma promessa de pagamento: o emissor do cartão (banco) promete que irá repassar dinheiro ao estabelecimento em uma data futura após o proprietário do cartão (cliente) quitar a fatura. Ponto. Só isso.

    Como ocorrerá essa transferência de dinheiro é que o cerne da questão.

    Uma coisa é o cliente quitar a fatura e, só então, o emissor repassar esse dinheiro ao comerciante. Outra coisa, completamente diferente, é o emissor ter de arrumar dinheiro emprestado no mercado financeiro para quitar essa fatura antes de o cliente pagá-la.

    Este segundo cenário aumenta a demanda por empréstimos no mercado financeiro. Por definição.

    "Só mudou o credor. Na situação atual quem está financiando o consumidor é o comerciante."

    Isso é um jogo de palavras inócuo.

    O comerciante aceitou o cartão de crédito na crença de que dali a aproximadamente 30 dias o dinheiro cairá em sua conta. Ele sabe que a maneira como esse dinheiro cairá na sua conta não é problema dele; é problema do emissor do cartão.

    Logo, se o dinheiro virá de outra fonte que não o comerciante, então não é tecnicamente correto dizer que o comerciante financiou o consumidor. Só seria tecnicamente correto dizer que o comerciante financiou o consumidor se esse comerciante tivesse também uma financeira, como fazem as lojas Renner e as concessionárias de automóveis. Aí sim seria correta a sua afirmação.

    "Acho justa essa mudança aliada a diferenciação de preços por meio de pagamento(não é o ideal, o correto seria liberar o mercado de crédito)."

    Aí tudo bem. Mas você tem de entender as implicações lógicas dela, em vez de apenas dizer que "acha" alguma coisa.

    "Quem quiser financiar o almoço que pague os juros ao emissor/banco. Quem quiser pagar à vista use outra forma de pagamento sem pagar os juros."

    Concordo.
  • Jason  21/12/2016 14:33
    "Uma coisa é o cliente quitar a fatura e, só então, o emissor repassar esse dinheiro ao comerciante. Outra coisa, completamente diferente, é o emissor ter de arrumar dinheiro emprestado no mercado financeiro para quitar essa fatura antes de o cliente pagá-la. "

    Mas na situação atual é o comerciante quem tem que arrumar dinheiro emprestado ou usar capital próprio.

    Com as mudanças o emissor aumenta sua demanda por crédito, enquanto o comerciante diminui a dele.
  • Statham  21/12/2016 16:03
    "Mas na situação atual é o comerciante quem tem que arrumar dinheiro emprestado ou usar capital próprio."

    Não, cidadão, não. O comerciante não arruma dinheiro emprestado. Ele simplesmente espera o dinheiro da fatura cair na conta dele dali a 30 dias.

    Em casos muito extremos, quando o comerciante está extremamente apertado, ele pode recorrer a uma modalidade de empréstimo chamada "antecipação de recebíveis". Mas ele só faz isso em casos extremos, pois os juros não compensam. Não é uma prática corriqueira. Muito menos para pequenos empreendedores. Grandes ainda podem se dar a esse luxo; pequenos não.

    Na prática, os comerciantes simplesmente esperam 30 dias para que o dinheiro caia em sua conta.

    (Obviamente, usar capital próprio, que é o que de fato acontece, não implica aumento da demanda por empréstimos).
  • Jason  22/12/2016 11:10
    Isso tem custo, por isso muitos dão desconto para pagamento em dinheiro (ou por boleto nas lojas online). Não há almoço grátis.

    O mais importante é retirar esses custos da venda a crédito do preço à vista e cada um decide se vale a pena pagar daqui a 30 dias ou não.
  • Marcos Rocha  21/12/2016 14:00
    Pagar a lojista antes pode elevar os juros, diz setor de cartões

    As medidas para alterar o funcionamento da indústria de cartão de crédito, anunciadas pelo governo de Michel Temer na semana passada, ainda dependem de negociação com os bancos e empresas das maquininhas para sair do papel.

    Isso porque, segundo executivos de bancos ouvidos pela Folha, a redução no prazo de pagamento das compras no cartão para os lojistas teria o potencial de elevar os juros cobrados no rotativo, direção contrária da esperada pelo governo.

    Hoje, lojistas levam até 30 dias para receber o pagamento de uma compra feita no cartão de crédito. A equipe econômica de Temer disse esperar reduzir esse período para dois dias, como é em outros países.

    Emissores de cartões reclamam que isso elevaria o custo da operação porque os clientes levam até 40 dias para pagar as compras, sem juros. Por isso, teriam um custo maior com captação de dinheiro para emprestar.

    "Se for levar a ferro e fogo, aumenta o juro do consumidor. Aumentam os encargos via anuidade", afirma Boanerges Ramos Freire, sócio da consultoria Boanerges e Cia. e especialista no mercado de cartões.

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/12/1842919-pagar-a-lojista-antes-pode-elevar-os-juros-diz-setor-de-cartoes.shtml
  • Jason  22/12/2016 11:10
    É o que estou dizendo, aumenta o custo para o emissor do cartão e diminui o do lojista. Alguém vai demorar 30 dias para receber.

    O que considero mais importante nessa medidas é liberar o preço diferenciado por meio de pagamento. (Nem todo lojista dá esse desconto)
    Se eu puder pagar à vista em dinheiro mais barato do que pagar daqui a 30 dias em uma fatura já fico satisfeito. Não vejo razão para pagar por toda essa estrutura se não preciso de crédito e também não vejo porque o lojista deve ser obrigado a embutir esses custos no preço. Quem quiser comprar hoje e pagar só daqui a 30 dias que arque com os custos da operação.
  • anônimo  21/12/2016 14:08
    Cartão de credito só serve pra ajudar o governo a arrecadar imposto, pois as maquinas são conectadas a receita estatal.
  • 4lex5andro  24/12/2016 03:53
    Tem também as vantagens de segurança maior e diminuição no uso do papel.
  • João Paulo  21/12/2016 14:10
    Além dos 5% e do aluguel da máquina, há outros custos, há um certo trabalho com a conferência, e há o custo de vender hoje para receber daqui a 30 dias. Com isso o consumidor que paga em dinheiro acaba pagando por um serviço que não utiliza.

    Deveriam liberar o comércio para cobrar uma taxa de serviço de quem utiliza o cartão e diferenciar o preço do debito e do crédito.
  • Viking  21/12/2016 15:55
    Liberar, essa é a palavra chave.
    o empreendedor tem que ser livre para negociar seus produtos da forma que achar melhor, e o consumidor tem que ser livre para pagar pelo que compra da forma que achar melhor. simples assim.
  • Fernando  21/12/2016 15:59
    Pagamos a mais por conta desses juros embutidos nos preços. E também custa muito aos comerciantes. Por isso percebi que muitos lugares não aceitam cartões, eu chegava a ficar bravo com isso mas agora entendo que para o comerciante não bastam os impostos, tem que haver essas taxas de crédito, além de receberem ainda menos depois de um mês.
    Ultimamente utilizo cartão de débito/crédito apenas para compras em grandes supermercados/postos de combustíveis. Meu bendito espetinho e sorvete são pagos em cash, com muito prazer.
  • Rafael Isaacs  21/12/2016 14:33
    Gostaria de saber pq a tava nos países vizinhos são tão menores do que no Brasil.
  • Politicamente Incorreto  21/12/2016 15:58
    Essa é fácil: com a possível exceção do Chile, em todos os outros países cartão de crédito é exclusividade dos mais ricos. Não é como aqui no Brasil, em que qualquer faixa de renda adquire facilmente cartão de crédito.

    Segundo dados de 2013, nada menos que 77% da população brasileira tem cartão de crédito. Mais apavorante ainda: 72% dos usuários não sabe quanto paga pelos juros no crédito rotativo quando deixa de quitar o valor integral da fatura.

    www.gazetadopovo.com.br/economia/pesquisa-mostra-que-77-dos-brasileiros-ja-usam-cartao-de-credito-0g5nwwsjtsqepddwlg7oc51la

    Como isso pode dar certo?

    Na Argentina, por exemplo, metade da população nem sequer tem conta em banco. Se duvidar, 75% dos argentinos nem sabem o que é cartão de crédito.

    Igualmente, vá ver se os pobres da Bolívia têm cartão de crédito.

    Nesses países, sendo cartão de crédito uma exclusividade dos ricos, que raramente entram no rotativo e que ainda mais raramente dão calotes, seus juros podem ser mais baixos.

    Já aqui no Brasil, com 77% da população tendo acesso livre a cartão de crédito, e 72% nem sabendo quanto paga de juros quando entra no rotativo (o que fazem com freqüência), é claro que vai dar merda.

    Esse é o preço da popularização: mais pobres usando um determinado meio de pagamento, mais rotativo, mais calotes, mais juros.
  • Leandro  21/12/2016 16:36
    Essa sua informação foi tão boa, e tão esclarecedora, que eu a acrescentei ao artigo. Obrigado!
  • Paulo  26/12/2016 08:43
    Tem algo de errado aí, só 64% da população em idade adulta tem conta em banco. O percentual de quem tem cartão de crédito tem que ser menor que isso
    https://www.google.com.br/amp/agenciabrasil.ebc.com.br/amphtml/economia/noticia/2015-07/populacao-brasileira-com-conta-bancaria-atinge-863-milhoes-de-pessoas?client=ms-android-samsung
  • Marcos  26/12/2016 10:57
    É porque não é necessário ter conta em banco para ter um cartão de crédito (mais um motivo para os altíssimos juros do rotativo), principalmente se o cartão de crédito for emitido por loja.

    Você pode pagar a fatura no caixa de qualquer banco ou mesmo em casas lotéricas. Tudo com dinheiro vivo.

    Como diz a reportagem da Gazeta:

    "O estudo está disponível no site do SPC Brasil (www.spcbrasil.org.br). Dos usuários de cartão de crédito, 58% têm entre 25 e 49 anos e 27% têm conta bancária, indica o estudo. A principal fatia, de 36% dos consultados, tem renda média familiar mensal na faixa de R$ 906 a R$ 2,2 mil."

    www.gazetadopovo.com.br/economia/pesquisa-mostra-que-77-dos-brasileiros-ja-usam-cartao-de-credito-0g5nwwsjtsqepddwlg7oc51la
  • LG  21/12/2016 15:21
    O texto é ótimo, didático, extremamente esclarecedor.

    Só é preciso "traduzi-lo" de forma a entrar no "coração" das pessoas médias, e não apenas em seu cérebros.

    " (...) a primeira coisa que ocorreria é que os estes iriam restringir ao máximo a concessão de novos cartões de crédito. Apenas pessoas com um ótimo histórico de crédito conseguiriam um. Adicionalmente, haveria uma restrição intensa sobre os cartões já existentes.

    Pessoas que até então entravam frequentemente no rotativo e que possuíssem histórico ruim não mais teriam seus cartões validados nas máquinas. E vários outros cartões seriam cancelados por inadimplência. Não compensaria manter essas pessoas.

    Mesmo o mais disciplinado dos pobres não conseguiria um cartão. Os pobres mais economicamente prudentes acabariam pagando pelo comportamento dos pobres mais economicamente destrambelhados.

    Obviamente, as anuidades subiriam. E muito.
    "

    Este é o trecho com o qual devemos trabalhar. Este é o tipo de mensagem que as pessoas ouvem. Sugiro que martelemos isso, mais do que o "economês".
  • Kaio  21/12/2016 21:31
    Exatamente.
  • Paulo Bostermann de Carvalho  21/12/2016 16:40
    sem contar essas "associações do consumidor" que querem criminalizar lojas que cobram mais caro vender por cartão do que por dinheiro vivo!
    eu tenho certeza que o brasil mesmo sem a corrupção ainda seria um país muito ruim economicamente falando. até porque a diferença entre "corrupção" e má decisões é representada por uma linha tênue
  • Leigo  21/12/2016 17:53
    Artigo esclarecedor, parabéns!

    Mas uma dúvida: onde que o ''estabelecimento comercial'' ganha com isso?

    Porque além de ter que pagar o aluguel da maquininha, sofre taxações sobre sua venda. O arranjo atual não é prejudicial para as lojas?
  • Iniciado  21/12/2016 18:02
    Existem benefícios para o lojista: conveniência (não precisa ir ao banco depositar dinheiro), menor risco (por não receber cheques sem fundos ou notas falsas) e maior competitividade (em relação aos estabelecimentos que não aceitam cartão).

    Aceitando cartão, o lojista aumenta acentuadamente sua clientela. É raro hoje pessoas saírem de casa com dinheiro no bolso para fazer compras volumosas.

    E tais benefícios parecem ser relevantes, pois há cada vez mais estabelecimentos comerciais aceitando cartões de crédito.

    Na verdade, todos esses custos acabam sendo repassados nos preços dos produtos, sendo pagos, em última instância, pelo consumidor.

    (Mais um motivo de por que não é necessário o governo impor uma lei obrigando repasses em 2 dias).

  • 4lex5andro  22/12/2016 13:59
    Nem sempre tem de pagar aluguel, tem máquinas que podem ser compradas em definitivo, e as taxações e tributos exisitiriam em outras formas de pagamento.

    Dado que seja cheque ou cartão, em algum momento o valor da transação vai ter de ser compensado no sistema bancário.
  • Ex-microempresário  22/12/2016 21:02
    Porque se o estabelecimento não aceita cartão, perde o cliente.
  • 4lex5andro  25/12/2016 15:40
    Pois é, porém nem sempre existiu cartão de crédito, tal meio se impos por ser melhor que o papel (cheque ou np) em segurança e garantia de pagamento.
  • Júnior  21/12/2016 18:02
    Tem um vídeo bem da hora no YouTube, feito por canal grande, que diz como seria se o Anarcocapitalismo fosse implantado. O canal se chama '' Acredite ou Não" , é o mais recente do canal.
  • Torben  21/12/2016 18:51
    Como poderia funcionar um país onde ocorre isso:


    "Governo permite reajuste 'excepcional' de remédios
    Para o ministro da Saúde, Ricardo Barros, o objetivo da MP é manter no mercado medicamentos de baixíssimo custo que são comprovadamente eficazes.

    O presidente Michel Temer publicou no Diário Oficial da União de terça-feira uma medida provisória que permite reajustar ou diminuir os preços dos medicamentos "excepcionalmente". A decisão será tomada pelo conselho de ministros da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed).

    O ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse que o objetivo da MP é manter no mercado medicamentos de baixíssimo custo que são comprovadamente eficazes, mas não há mais interesse econômico na produção.

    Ele citou como exemplo a penicilina, que está em falta. "Estamos com uma epidemia de sífilis e não conseguimos resolver o problema porque não há interesse econômico na produção da penicilina nem pelos laboratórios públicos. Vamos ajustar o preço de custo para que se tenha uma margem para quem produz, seja laboratório público ou privado, e dessa forma poderemos abastecer o mercado e evitar essa epidemia", afirmou o ministro.
    "

    veja.abril.com.br/saude/governo-permite-reajuste-excepcional-de-remedios/


    O nome disso é SOCIALISMO.
  • Marcos  21/12/2016 20:18
    Mas qual seria a melhor forma de realizar esse estimulo de algo como drogas essencias?
  • Jorge  22/12/2016 02:28
    Sistema de preços de LIVRE MERCADO, meu amigo.
  • Joel  21/12/2016 20:06
    Em relação ao prazo, vocês só discutiram os efeitos da diminuição do prazo (que já foi descartada pelo BC, a propósito). Mas eu acho que um liberal poderia realizar uma discussão muito mais profunda.

    Para começar, poderíamos discutir por que é que o banco central deve intervir nestes prazos? Isso deveria ser deixado a cargo dos modelos de negócio dos emissores. Com isso, alguns emissores poderiam oferecer prazos menores para os lojistas. Os lojistas, por sua vez, poderiam encorajar o consumidor a utilizar os cartões dos emissores que fossem mais vantajosos para eles, talvez com descontos, etc. Bem, receio que isso esbarraria em outra legislação brasileira idiota que, se não me engano, estabelece que não pode haver distinção em formas de pagamento à vista, como o cartão de crédito. Mas não é este o ponto.

    A questão é que, de acordo com o mantra liberal, até onde o entendo, não deve- proteger negócios, nem grandes, nem pequenos. Deve-se garantir liberdade para que permaneçam no mercado os mais eficientes. Mas, neste caso, o poder econômico dos grandes bancos parece gerar uma distorção não? Como um liberal vê isso?
  • Santana  21/12/2016 20:22
    "Em relação ao prazo, vocês só discutiram os efeitos da diminuição do prazo (que já foi descartada pelo BC, a propósito)."

    Não foi descartada. Informe-se melhor.

    Meirelles afirma que redução de prazo para repasse de pagamento de cartões não será imediata

    "Mas eu acho que um liberal poderia realizar uma discussão muito mais profunda.
    Para começar, poderíamos discutir por que é que o banco central deve intervir nestes prazos?"


    Não sei se você sabe, mas atualmente já é assim: o BC não estipula. E agora quer estipular. Daí a crítica do artigo: querem intervir em algo que até então não sofria intervenção e, por isso mesmo, funcionava direitinho.

    "A questão é que, de acordo com o mantra liberal, até onde o entendo, não deve proteger negócios, nem grandes, nem pequenos. Deve-se garantir liberdade para que permaneçam no mercado os mais eficientes."

    Correto. E a medida do governo vai contra isso.

    "Mas, neste caso, o poder econômico dos grandes bancos parece gerar uma distorção não? Como um liberal vê isso?"

    Exatamente como a crítica do artigo. A estipulação de prazos será ótima para os bancões, pois sua pequena concorrência representada pelos bancos pequenos será profundamente afetada. Por isso tal medida é nociva. O texto é cristalino quanto a essa crítica.
  • Alerson Molotievschi  21/12/2016 21:07
    Excelente. Bem claro e com links importantes. Ah se o povo lesse e fosse "um pouquinho mais educado" financeiramente, politicamente, socialmente, ________________ mente.
  • Conservador por Força Maior  21/12/2016 21:48
    Essa medida desastrosa do BC sobre o spread tirou o brilho da negociação conforme o meio de pagamento.

    O desconto à vista foi liberado. É uma luz no fim do túnel de que haverá o mínimo de capitalismo.
  • Lucas  21/12/2016 23:57
    Concordo com tudo que foi dito.
    Mas o que me incomoda é a falta de transparência no valor deste juros do rotativo.
    Por que eles realmente são muito altos e claro que os bancos tem despesas para pagar e claro que os bancos tem que tirar um lucro deste serviço mas essa falta de transparência faz eu pensar que a verdadeira causa do alto valor dos juros do rotativo realmente é o nosso querido Cartel de Bancos.
    Um exemplo disso é a diferença dos juros entre o NuBank e o resto, a média de juros do rotativo está em 15,43% ao mês (459,53% ao ano) enquanto no NuBank é de 7,75% ao mês (144,91% ao ano), pelo menos para mim.
    E também em qualquer banco se meu cachorro abrir um conta ele vai ganhar um cartão de crédito enquanto que no NuBank ele provavelmente não ganharia um cartão.
  • Conservador por Força Maior  22/12/2016 00:06
    Off-topic.

    O Bashar Al-Assad é socialista ? Ele é do Partido Árabe Socialista Baath.

    Ele visitou o Lula, o Chavez e o Fidel antes da guerra começar.

    Já imaginou misturar terroristas socialistas com terroristas islâmicos ?

    Podemos colocar mais 500 mil mortos da guerra da Síria na conta do socialismo ?




  • Douglas  22/12/2016 18:37
    Assad é fascista, na realidade.
  • WDA  26/12/2016 17:53
    E fascimo é um tipo de socialismo.
  • WDA  26/12/2016 18:05
    errata: fascismo
  • Felipe Lange Souza Borges dos Santos  07/05/2017 18:22
    Se o Lula tivesse ainda hoje na presidência e mantivesse a amizade com o Assad, provavelmente estaria também ao lado do Putin e contra os rebeldes, apesar do histórico da diplomacia brasileira sempre se manter neutra.
  • Getúlio   22/12/2016 02:50
    Um detalhe crucial que merece ser ressaltado é que quando o emissor é um grande banco ele pode simplesmente criar dinheiro do nada (através do processo de reservas fracionárias) e repassar esse dinheiro ao adquirente (e dali ao lojista).

    Caso o prazo seja reduzido para dois dias os bancões poderão fazer isso sem problema.

    Já fintechs não usufruem esse privilégio. Elas não praticam reservas fracionadas. Logo, a única coisa que elas realmente terão de fazer é se endividar. Assim, elas realmente não têm como competir.
  • Samir  22/12/2016 11:04
    Olá amigos o IMB. Fiz um uma resposta a esse post no facebook e recebi uma contra resposta muito boa para um debate, acho que poderia ter sido menos agressiva, mas beleza, debates econômicos são calorosos e por isso interessantes.
    Você diz que na primeira metade do texto me limitei aos "mesmíssimos" do artigo: Não, eu coloquei um complemento no texto para falar de 2 modalidades de cliente (Transactor e Revolver) para dar um panorama de qual o percentual é impactado pela juros do cartão (vamos deixar claro que concordo que o % de juros seja descabido ok?)
    Mas isso foi introdutório, pois gostei da pergunta inicial do post: "Sem recorrer a xingamentos e a lugares-comuns, você sabe dizer por que os juros do rotativo do cartão de crédito são os mais altos do mercado? Há uma explicação lógica e racional para eles." Essa pergunta é muito boa para que possamos, debater, pensar etc o que me propus foi a responder ao teste, o juro é alto devido a taxa de captação, risco do produto sem garantia, operação de custo elevado, que joga o custo para cima do cliente (e o mesmo não tem culpa dessa parte). Concordo que chegamos a mesma resposta com palavras diferentes, apenas citando a qual tamanho dos clientes que são impactados, de novo não acho justo, o percentual é nocivo etc...
    Na segunda metade do texto você me responde que não apontei erros técnicos no artigo: Discordo nesse ponto, veja:
    1- reduzir o tempo de pagamento ao lojista não é ato de eliminar os menores para favorecer os maiores, na atual conjuntura é um erro estratégico dos menores brasileiros, digo isso porque o Brasil é o pais com mais longo tempo para isso, 30 dias e não mais como citado no texto, como os administradores menores em outros países sobrevivem frente aos grandes? Com plano estratégico melhor desenhado do que os nanicos brazucas, então há de se questionar Por quê só no Brasil demora-se tanto para pagar ao estabelecimento?
    Eu sei que não podemos comparar nossa absurda taxa de juros (responsável por isso) com outros países: mas quando os menores entraram nesse jogo, fizeram seu plano sempre se baseando no pagamento em 30 dias, mas há mais de 5 anos os lojistas tem feito uma pressão para que as regras de repasse no Brasil sejam iguais ao que ocorre nos demais países. Não estou dizendo que é certo sair mudando regra e que se adaptem quem pode, o que disse foi é um erro de estratégia por não considerarem essa possibilidade, agora que é real podem quebrar e isso é ruim, entrar no jogo financeiro do Brasil tem que considerar tudo senão vai pra vala. Não estou defendendo que deva ser assim mas pra entrar nesse jogo nada pode deixar de ser considerado pois é um mercado de concorrência predatória.
    IMB
    "...você apenas disse que, ao contrário do que afirma o artigo, o governo intervir no mercado e impor uma redução para 2 dias no tempo máximo de repasse do dinheiro para o lojista não trará consequências negativas. "
    Não foi isso que eu disse , eu falei o seguinte: "Haverá perda e necessidade de adequação? COM CERTEZA, pois não é justo deixar o lojista 30 dias na mão usando um segundo instrumento de rentabilização bancária não citado que são as operações de antecipação de recebíveis.
    Vamos lembrar que a RAV ou mecanismo de antecipação de recebíveis é a primeira fonte de receita do credenciador e isso mata muito os pequenos lojistas, se por um lado a regra pode colocar na berlinda pequenos administradores de cartões, do outro lado dará um enorme fôlego a milhares de pequenos lojistas. Longe de mim justificar um malefício por um benefício estou apenas citando um possível cenário e isso o texto não cita, por isso classifiquei como um erro técnico, mas poderia ter classificado diferente, de maneira alguma quero ferir os sentimentos de quem escreveu, pois eu gostei e estou aqui debatendo.
    IMB
    "Em seguida, de uma maneira um tanto convoluta, você diz que essa medida do governo impondo a redução para 2 dias no tempo máximo de repasse não afetará o mercado porque as pessoas e empresas "se adequarão a ela". E as que não se adequarem terão de se virar.""
    Por favor, não disse isso! vide acima.
    IMB
    "Por último, a sua longa dissertação sobre a função das bandeiras passa longe de qualquer enfoque do artigo. A sua acusação de que "o texto como descrito faz parecer que [as bandeiras] são aproveitadoras" ficou bastante deslocada, para não dizer totalmente incondizente."
    Aqui quis apenas comentar outra falha técnica no texto, 100% das transações NÃO passam pela bandeira como afirmado, pois isso seria de custo elevado, se o texto se propôs a explicar o funcionamento da Bandeira houve falhas na explicação desse funcionamento, e faltou observar o por quê ela também recebe uma fatia do valor transacionado. Por favor não fiz acusação alguma, eu ao corrigir o funcionamento da bandeira, não achei que ficou deslocado ou incondizente, mas respeito sua opinião.

    IMB
    "Em suma, faltou uma análise econômica de sua parte para realmente explicar por que essa intervenção do governo irá tornar o mercado melhor."
    A pergunta inicial que me motivou a debater não foi essa! E sim: "Sem recorrer a xingamentos e a lugares-comuns, você sabe dizer por que os juros do rotativo do cartão de crédito são os mais altos do mercado?
    É possível fazer uma análise econômica, e a vejo com pontos positivos e negativos em todos os cenários, afinal só tem uma forma de prever o futuro, é criá-lo! Mas isso seria um debate maior e por escrito daria muito mais texto. Eu gostaria muito de ter a oportunidade de faze-lo com vocês no futuro, pois desde que comecei a acompanhar o IMB tenho absorvido muito com os debates e os podcasts.
    Economicamente qualquer intervenção do governo não torna o mercado melhor, concordo que no processo livre sem a mão peluda do estado.
    Um forte abraço e obrigado por terem me respondido!
    Samir
  • Ricardo  22/12/2016 11:17
    Uma analogia interessante: se uma pessoa tem a reputação de bom pagador consegue pedir montantes maiores em condições melhores(menores juros, prazos mais razoáveis) e principalmente terá melhores garantias. Agora, se por outro lado um caloteiro pede um montante menor a coisa muda de figura, pois a confiança em receber o que é devido cai absurdamente, e é por isso que países mais "endividados" muitas vezes são mais confiáveis.
  • Tulio  22/12/2016 11:21
    Sim, é por isso que a dívida é um problema para o Brasil, mas nem tanto para o Japão, por exemplo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2532
  • anônimo  22/12/2016 11:19
    Os juros são altos porque um terço daqueles que parcelam não pagam. (A inadimplência no cartão de crédito já esteve acima de 30%). Sendo o risco muito elevado o valor tem que ser alto.
  • Shylock  22/12/2016 14:55
    Muito sagaz sua percepção, Leandro. Parabéns, pois praticamente matou dois assuntos em um artigo só. E aliás, só agora eu percebi que os emissores do cartão de crédito não atuam necessariamente como emprestadores, mas mais como fiadores.

    Mas qual a porcentagem de clientes que usam o rotativo do cartão de crédito? Eu tenho muita dificuldade em acreditar que as pessoas usam muito desse recurso.

  • Leandro  22/12/2016 15:33
    Eu também achava que eram poucas pessoas, pois acreditava que havia um mínimo de educação financeira para não cair nessa.

    Até que fui pesquisar. E me assustei. Ao final de 2015, as dívidas no rotativo já estavam em incríveis R$ 32,9 bilhões.

    Pior: essa modalidade representa nada menos que 10% de todo o crédito às famílias. Já a inadimplência chegava a incríveis 47%.

    O rotativo supera inclusive o cheque especial como modalidade de crédito.

    Como querer que os juros sejam baixos assim?

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Andre  22/12/2016 16:22
    Meu Deus, que número alarmante, por que as pessoas fazem isso com elas próprias? Governo proíbe casas de penhor com a desculpa de que é para preservar o patrimônio das famílias, mas não libera modalidades de crédito de 5000 anos para dar mais alternativa para as famílias conseguirem crédito se alavancando com o pouco que têm.
  • Shylock  22/12/2016 20:25
    Obrigado, Leandro! E comece já a pensar em seguir a carreira de educador financeiro, que vai começar a entrar em alta. A julgar pelo presente artigo, você está altamente capacitado.
  • Leandro  23/12/2016 01:30
    Taí algo para o qual eu jamais serviria. Parodiando o que o leitor Marcus Aurelio muito sensatamente escreveu na seção de comentários deste artigo, no que tange a finanças e educação financeira, eu tenho a solução apenas para a minha, para a da minha mulher e para a de minha filha. E só. Eu não sei o que é melhor para os outros. Não tem como saber. Cada um é que sabe de si. Há quem tenha prazer em poupar e ver o dinheiro crescendo. E há quem tenha o prazer de gastar tudo com viagens e roupas. E há quem goste de se arriscar em investimentos e empreendimentos diversificados. Não consigo entender como alguém pode acreditar ser possível alterar esses hábitos de terceiros. Eu só sei é que não sou essa pessoa.

    Sei o que é melhor apenas para mim e para as duas outras pessoas que citei.

    Mas muito obrigado pelas palavras e pelo reconhecimento. Grande abraço!
  • Alexandre Cruvinel  01/01/2017 19:07
    De fato o risco do rotativo é alto. Mas você tem uma parcela de consumidores que são bons pagadores e mesmo assim a taxa é de estratosféricos 12% a.m. Empurra para o lojista a responsabilidade de parcelamento, pois cliente nenhum em sã consciência o fará via rotativo ou mesmo parcelado emissor.
    E o lojista se vê obrigado a antecipar a 4% a.m. um dinheiro que já é dele para bancar os 10x sem juros que o mercado pratica. O cartão não tem interesse de baixar para ninguém.
    A Cielo nunca aceitou negociar nada conosco, até trocarmos 10 lojas para BIN. Agora vive ligando querendo conversar.
    Sempre prefiro que o estado se meta o mínimo possível. No caso da liberação do desconto à vista, é oficializar o que já era praticado. E deixar o mercado se acertar. Isso, na Austrália, ajudou a baixar as taxas das operadoras.
    A verdade é que Cielo e Rede sempre deitaram e rolaram. Jogo de comadres. Muito bom a First Data ter entrado. Que venham outras.
  • André Marques  22/12/2016 17:55
    Leandro, escreva mais a respeito de temas mais práticos da economia, mostrando como os gênios do estado interferem neles. Gosto muito dos seus artigos e aprendo muito com eles.
  • Leandro  22/12/2016 18:19
    Obrigado, André. Isso é algo que eu sempre tento fazer.

    Grande abraço!
  • Benjamin Franklin  23/12/2016 14:15
    Se já tem a experiência e o exemplo, então o Shylock, em partes, tem razão. O que eu penso é que não precisamos de economistas e não precisamos de educadores financeiros. O que precisamos é de comunicadores que consigam transmitir a informação de modo que as pessoas entendam e assimilem. E você, tem esse dom. Você tem um je ne sais quoi na sua comunicação, que é impressionante. Sinta-se bastante invejado nesse ponto.

    Grande abraço!
  • Leandro  24/12/2016 12:49
    Muito obrigado pelas palavras, nobre cientista. Eu, de fato, sempre me esforço para que a comunicação seja a mais clara e descomplicada possível. Agradeço o reconhecimento e o prestígio.

    Grande abraço!
  • anônimo  23/12/2016 03:13
    Leandro,

    Parabéns pelo artigo !

    Tenho uma dúvida.

    Essa tributação dos investimentos em bancos estão reduzindo o crédito disponível ? Isso não aumenta os juros e reduz o dinheiro que pode ser emprestado ? Se os bancos estiverem lotados de dinheiro, a tendência é ter juros menores ?

    Por exemplo, muita gente pode colocar o dinheiro na bolsa ou no tesouro, ao invés de deixar o dinheiro disponível nos bancos.


  • Leandro  23/12/2016 13:07

    Não estou muito certo de que entendi bem a sua dúvida. Você está se referindo ao IR que incide sobre CDBs e Fundos de Investimento? Isso sempre existiu. E mesmo com essa tributação (que, após 2 anos, cai para 15%), você ainda aufere bons ganhos líquidos. Se não quiser, pode colocar na poupança, que rende menos, mas é isenta de IR.

    Ou então você pode abrir conta em corretora ou em bancos pequenos e comprar LCIs e LCAs, que são isentas e permitem alta rentabilidade.

    E qualquer uma dessas opções é preferível a simplesmente deixar o dinheiro em casa, sendo corroído pela inflação. Nos últimos 5 anos, o IPCA acumulou 40,59%. Quem deixou dinheiro em casa se estrepou.

    Por outro lado, você tocou num ponto importante: havendo tributação desses papeis, o ganho líquido é menor. Para que esse ganho líquido menor continue sendo atrativo para os investidores, os bancos (principalmente os pequenos) têm de pagar um valor bruto maior sobre seus papeis. Consequentemente, irão também cobrar juros maiores em seus empréstimos.

    Estaria eu dizendo que se esses papéis emitidos por bancos fossem isentos os juros dos empréstimos cairiam? Não. Mas estou dizendo que, havendo tributação, não há por que eles caírem.
  • Rhyan  24/12/2016 22:35
    Há muitas vantagens em usar um cartão de crédito com responsabilidade do que só usar cartão de débito?
    Vale a pena?

    Excelente artigo, pra variar! É um tema que sempre me confundia um pouco, mas o Leandro é didático demais nos seus artigos.
  • Leandro  26/12/2016 11:10
    Sim. E muita. Principalmente em época de juros altos.

    Peguemos o próprio exemplo do artigo (que é um exemplo real): você paga a conta do restaurante com o cartão de crédito hoje e a fatura só será quitada daqui a 36 dias. Nesse meio tempo, seu dinheiro fica aplicado rendendo juros.

    Trinta e seis dias corridos equivalem a 26 dias úteis. São 26 dias úteis de juros.

    Quando a SELIC efetiva estava em 14,15%, isso equivalia a uma rentabilidade diária de 0,052%. Em 26 dias, isso dava 1,36%.

    Logo, se você tivesse apenas 10 mil reais aplicados, isso já renderia R$ 136 brutos em 26 dias úteis.

    Se o seu dinheiro já estiver aplicado há mais de 2 anos, a alíquota de IR incidente será de 15%. Portanto, em termos líquidos, você teria ganhado R$ 115. Muito mais do que os R$ 100 do almoço.

    Ou seja, só com o rendimento de juros durante esses 36 dias corridos, você pagou todo o seu almoço e ainda obteve lucro. Você nem sequer mexeu no seu principal.

    Já pagando com o cartão de débito, você mexeu diretamente no seu principal, e deixou de ganhar todos os R$ 115 líquidos do período.

    Obrigado pelos elogios, e grande abraço!
  • Rhyan  27/12/2016 13:37
    Perfeito, Leandro! Obrigado, abraço!
  • Ivan  25/12/2016 16:54
    Muito obrigado pela aula.

    Uso cartão, mas não tinha a menor noção de como funcionava o esquema.

    Não sei se está no artigo, mas lembrei que nós também pagamos para o usar o cartão. Neste caso, existe sim um certo abuso por parte destas grandes operadoras de cartões.

    Só os super ricos que gastam X por mês estão livres das taxas.

    Eu uso com sabedoria e pago a anuidade com os próprios pontos que acumulo no cartão.

    Grande abraço.


  • Apolonio  27/12/2016 12:20
    Existe algum motivo especial para que o prazo máximo para o repasse dos emissores seja algo definido pelo governo? É assim em todos os países? Como a livre concorência poderia refletir nessa área?
  • Emerson Luis  08/01/2017 18:16

    Governo legaliza desconto para compras à vista ou pagas em dinheiro vivo - UOL 27/12/2016

    "O presidente Michel Temer autorizou que os lojistas cobrem preços diferentes para um mesmo produto de acordo com a forma de pagamento (cartão de crédito, dinheiro, parcelamento etc.). A Medida Provisória 764 foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (27/12/16).

    Na prática, a MP legaliza os descontos nas compras à vista ou pagas com dinheiro em espécie. Antes, era proibido por lei cobrar um preço diferente para quem paga à vista, em cheque ou parcela a compra no cartão de crédito. As compras feitas no cartão de crédito em uma única parcela eram consideradas pagamento à vista.
    "

    Menos mau, não?

    * * *
  • Fabiana  27/01/2017 13:44
    Leandro, muito esclarecedor o seu texto! Mas ainda tenho uma dúvida, o Banco Central publicou essa semana resolução que pretende diminuir o endividamento no crédito rotativo determinando um prazo máximo para o mesmo, e que os valores sejam migrados para a modalidade de crédito parcelado. O que faz a modalidade "rotativo" ser mais cara que a outra e por que essa necessidade de mudar de modalidade? Não é o banco que decide quanto cobra? O cliente é o mesmo, o fim do crédito é o mesmo, por que os juros serão mais baixos mudando o nome?
  • Leandro  27/01/2017 14:08
    Segundo entendi, ficou assim: se o indivíduo compra no cartão de crédito e não quita a fatura integralmente, ele entrará no rotativo e assim ficará até a próxima fatura. (Ou seja, até aí, tudo continua absolutamente igual).

    Quando a próxima fatura chegar, ele poderá ou quitar tudo o que deve (também continua absolutamente igual) ou então irá financiar o que deve "mediante linha de crédito parcelado, a ser oferecida pela instituição financeira, em condições mais vantajosas ou liquidado integralmente pelo cliente".

    Esta última parte, que é realmente a mudança, ainda está em aberto e nada foi especificado. Sendo assim, não tenho condições de opinar a respeito... Não por ora.


    Obrigado pelas palavras.
  • Leandro  28/01/2017 01:25
    Li agora com mais calma a nova proposta e vi que ela é ótima -- para os bancos.

    Antes, a pessoa entrava no rotativo e podia ficar ali protelando indefinidamente, sempre pagando apenas o valor mínimo. É claro que, ao final, ela se estrepava toda, pois sua dívida se tornava impagável; porém, os bancos também acabavam recebendo "pouco" dinheiro: como a pessoa pagava apenas o valor mínimo a cada mês, e ia protelando, o dinheiro que era efetivamente pago aos bancos acabava não sendo muito. E os próprios calotes totais eram comuns.

    Agora, com a nova regra, não tem conversa: você só pode protelar por um mês; depois disso, você obrigatoriamente tem de entrar em uma linha de crédito concedida pelo banco emissor do cartão, na qual, ao contrário do que ocorre hoje, o banco estará no controle direto do seu saldo devedor (como se fosse um consignado). Consequentemente, acabam as protelações e mais dinheiro será dado aos bancos.

    Pode até ser que isso acaba diminuindo os juros, pois agora os bancos têm certeza de que terão o dinheiro (antes não havia essa certeza) e mais rapidamente.

    A grande ironia é que isso só foi possível porque o governo impôs uma lei que, na prática, obriga as pessoas a pagarem aos bancos mais pontualmente e concede aos bancos o controle sobre o saldo devedor das pessoas. Será curioso ver a reação da esquerda anti-bancos a essa medida caso ela faça os juros caírem. Os juros cairão porque foi concedido muito mais poder aos bancos.
  • Mikhail  02/02/2017 15:06
    Olá,

    Alguém poderia me explicar como nos EUA o juros do cartão de crédito é tão mais barato?
    Eu estou com duas hipóteses na cabeça, a primeira é o fato de lá a taxa de juros do banco central ser muito barata, que já chegou a ser zero, então fica facil dos bancos sempre terem dinheiro para sair emprestando. A segunda é o fato de que o governo manipula a taxa de juro do cartão para manter sempre o consumismo.
    Sou leigo no assunto mas estou tentando aprender, agradeço desde já se alguém conseguir me responder. Também peço desculpas por não ter achado a resposta eu mesmo, mas após pesquisar ainda não consegui achar uma justificativa, e eu duvido muito que essa brutal diferença entre juros seja simplesmente ao acaso.

    Muito obrigado,
  • Vitor  02/02/2017 19:23
    Eu recomendo este artigo (Não se trata de todos os aspectos do cartão de crédito, mas dá uma boa geral no sistema brasileiro): Como funciona o mercado de cartões de crédito e por que seus juros são os maiores de todos
  • João Mário  04/02/2017 23:31
    Leandro, você pode fazer um artigo sobre a teoria de que o programa "Minha Casa Minha Vida" disparou os preços dos imóveis no Brasil a partir da metade dos anos 2000 ?
  • Ricardo Pereira  04/08/2017 16:08
    A solução para ter menos juros é não usar tanto cartões de crédito de lojas com bandeira mas sim usar cartões emitidos diretamente pelo seu banco.

    Eles normalmente possuem taxas de juros mais baixas, apesar de todo o cartão de crédito vai sempre ter juros um pouco altos, afinal, é um empréstimo super rápido e com todas as facilidades e isso também tem de se pagar.

    Uma boa sugestão seria este por exemplo: https://cartaoemprestimo.com/cartao-santander-free-fatura/
  • Ricardo Pereira  15/08/2017 16:05
  • Agumon  24/10/2017 21:58
    Leandro, os juros de 0,5% da poupança também não causam distorções no sistema financeiro brasileiro?

    Digo isso porque conheço pessoas que vivem de juros da poupança, ganham entre 10 e 50 mil, sem fazer nada.
  • Leandro  24/10/2017 22:24
    São juros fixados pelo governo e idênticos para todos os bancos. Isso significa que os bancos não têm liberdade para aumentá-los ou reduzi-las de acordo com a demanda. Então sim, afetam bem. Mas não são o principal problema.

    A fixação da Selic gera efeitos muito mais deletérios.

    P.S.: para alguém ganhar R$ 50 mil por mês na poupança, ele tem de ter R$ 10 milhões. E ganharia muito mais em qualquer CDB ou LCI/LCA.


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