Caro Meirelles: os déficits do governo nos empobrecem; mas os gastos são ainda piores
É mais importante reduzir os gastos do que zerar o déficit

Se o governo gasta mais do que arrecada via impostos, ele está incorrendo em um déficit orçamentário. Para cobrir esse déficit, ele terá de se endividar. Somente se endividando ele poderá bancar os gastos que excederam o montante arrecadado via impostos.

No Brasil, nos últimos 12 meses, o déficit orçamentário total do governo federal foi de R$ 544 bilhões (o que equivale a nada menos que 10% do PIB do Brasil). Isso significa que o governo federal gastou R$ 544 bilhões a mais do que arrecadou. Consequentemente, isso significa que ele teve de se endividar em mais R$ 544 bilhões para poder manter seus gastos totais.

E quem emprestou esses R$ 544 bilhões para o governo federal? Bancos, empresas e pessoas físicas. Isso, por definição, significa que R$ 544 bilhões que poderiam ter sido utilizados em investimentos produtivos, expansão de negócios e contratação de mão-de-obra acabaram sendo direcionados para financiar a máquina estatal.

Portanto, quando o governo incorre em um déficit orçamentário e se endivida, isso significa que ele está tomando mais crédito junto ao setor privado. E dado que o governo está tomando mais crédito, sobrará menos crédito disponível para financiar empreendimentos produtivos. 

Para o governo conseguir todo este volume de crédito, não há segredo: ele tem de pagar juros. Qualquer instituição que tenha de se endividar o equivalente a 10% do PIB em 12 meses terá de pagar juros altos.

E isso será fatal especialmente para as micro, pequenas e médias empresas, que agora terão de pagar juros muito maiores para conseguir empréstimos.  Afinal, se investidores podem emprestar a 14% ao ano para o governo, sem risco nenhum, por que emprestariam ao mesmo valor para empreendedores, que estão mais propensos às vicissitudes da economia, podendo dar calotes? Obviamente, só emprestarão a juros muito maiores.

Por tudo isso, os déficits do governo nos empobrecem. Dinheiro que poderia estar sendo emprestado para empresas investirem foi direcionado para a burocracia estatal, fazendo com que vários investimentos não fossem concretizados por não mais serem financeiramente viáveis.

A nós resta apenas imaginar as empresas que deixaram de ser abertas, os empregos que deixaram de ser gerados e as tecnologias que deixaram de ser criadas simplesmente porque os investimentos não foram possíveis por causa da absorção de recursos pelo governo federal.  

Igualmente tenebroso é imaginar todo o custo com os juros altos que as pessoas e empresas tiveram de suportar por causa desse gigantismo do governo federal.

No entanto, todo esse raciocínio demonstra algo ainda mais premente: ainda piores do que os déficits são suas causas: os gastos do governo.

Gastos do governo — e não os déficits — são o real problema

O que realmente importa para a saúde de uma economia não é o tamanho do déficit do governo, mas sim o tamanho dos gastos do governo.

Ao contrário do que muitos imaginam, o que determina o tamanho de um governo não é a carga tributária, mas sim seu total de gastos.  A variável "carga tributária" engloba, obviamente, apenas os impostos arrecadados.  Já a variável "gastos do governo" engloba os impostos arrecadados pelo governo e mais o seu endividamento.

De um lado, a tributação nada mais é do que uma destruição de riquezas.  Parte daquilo que o setor privado produz é confiscado pelo governo e desperdiçado em salários de políticos, salários de burocratas, obras superfaturadas, agrados a lobistas, agrados a grupos de interesse e em péssimos serviços públicos.  Esse dinheiro confiscado não é alocado em termos de mercado, isto é, não é alocado de modo a satisfazer os reais desejos dos consumidores, o que significa que está havendo uma destruição da riqueza gerada.

Já a emissão de títulos públicos (endividamento) não apenas gera os problemas acima descritos (redução dos investimentos produtivos), como também gera o aumento da dívida total do governo, cujos juros serão pagos ou por meio de mais impostos ou por meio da emissão de mais títulos (que é o que chamam de "rolar a dívida").  Sim, é uma bagunça.

Por mais deletérios que sejam os impostos, eles não conseguem ser piores do que os gastos do governo.  Os impostos englobam apenas eles próprios; já os gastos do governo englobam os impostos e mais o endividamento.  É impossível haver gastos sem que pelo menos um desses dois tenha ocorrido. 

E o pior: quando os gastos aumentam, isso significa que um desses dois inevitavelmente também será aumentado no futuro.  E a hipótese mais plausível é que os dois aumentem simultaneamente.

E o ainda pior: se os gastos do governo estiverem crescendo a uma taxa superior à taxa de crescimento do PIB — como ocorre no Brasil —, isso significa que o governo está aumentando sua participação na economia e, consequentemente, o setor privado está encolhendo. 

Por isso, os gastos do governo são, sob qualquer aspecto e em qualquer situação, um fardo para toda a economia de um país. 

Mas e os gastos governamentais em investimento?

Ainda assim, há aqueles que afirmam que há ao menos um tipo de gasto do governo que traz retornos positivos e aumenta o bem-estar de todos na sociedade: os gastos em investimento.

Por exemplo, se o governo construir uma ponte, toda a sociedade ganha com isso.

Será?

É indiscutível que a ponte será ótima para aquela pequena fatia da população que irá utilizá-la diariamente. A questão é: e quanto ao restante da população? Quais serão as consequências da construção desta ponte para quem não a utiliza?

A construção da ponte será paga ou com impostos ou com endividamento. 

Se com impostos, as pessoas e empresas que pagaram esses impostos ficarão sem esse dinheiro e, logo, não poderão despendê-lo em coisas que voluntariamente considerem mais necessárias. Consequentemente, os empreendimentos que receberiam esse dinheiro ficam agora sem receita.

Se com endividamento do governo, as pessoas e empresas que poderiam ter pegado esse dinheiro emprestado para fazer investimentos produtivos, ficarão agora sem acesso a ele.

Em ambos os casos, os empreendimentos que agora não mais receberão este dinheiro — que foi desviado para a construção da ponte — começarão a demitir. Ou então não mais se expandirão.

Portanto, para cada emprego público criado pelo projeto da ponte, foi destruído, em algum lugar, um emprego no setor privado. 

Podemos ver os operários empregados na construção da ponte. Podemos vê-los trabalhando.  Esta imagem real faz com que o argumento do governo — seu investimento gerou empregos — se torne vívido, tangível e convincente para a maioria das pessoas. Há, no entanto, outras coisas que não vemos porque, infelizmente, não se permitiu que surgissem. São os empregos destruídos pelos $100 milhões tirados dos contribuintes ou do mercado de crédito. 

Na melhor das hipóteses, tudo o que aconteceu foi uma transferência de empregos por causa de um projeto. Mais operários para a construção da ponte; menos operários para a indústria automobilística, menos empregados para fábricas de artigos de vestuário e para a agropecuária.

E agora vem pior: caso a obra tenha sido financiada via empréstimos contraídos pelo governo, tais empréstimos terão de ser quitados. E quem fará isso serão os pagadores de impostos de todo o país. Dado que o governo não gera riqueza, ele só poderá quitar seus empréstimos por meio de impostos confiscados da sociedade.

Como então é possível dizer que houve um enriquecimento de toda a sociedade?

A grande lição é: vivemos em um mundo de recursos escassos. Aquilo que é utilizado em um setor foi necessariamente retirado de outro setor. Se os gastos do governo concentraram recursos em um setor, então outros setores ficaram sem estes mesmos recursos.

Se o governo está construindo uma ponte, ele irá consumir grandes quantidades de aço, cimento, vergalhões e argamassa. Isso significa que todo o resto do setor da construção civil terá agora de pagar mais caro para conseguir a mesma quantidade de aço, cimento, vergalhões, argamassa. Os preços desses itens irão subir e, como consequência, todos os bens que utilizam esses itens em sua construção — como imóveis e carros — ficarão mais caros.

Quando o governo gasta, ele está consumindo bens que, de outra forma, seriam utilizados pela população ou mesmo por empreendedores para fins mais úteis e mais produtivos.  Por isso, todo o gasto do governo gera um exaurimento de recursos.  Bens que foram poupados para serem consumidos no futuro acabam sendo apropriados pelo governo, que os utilizará sempre de forma mais irracional que o mercado, que sempre se preocupa com o sistema de lucros e prejuízos.  Portanto, os gastos do governo exaurem a poupança (por ''poupança'', entenda-se ''bens que não foram consumidos no presente para serem utilizados em atividades futuras'').

Os gastos do governo não possuem o poder milagroso de criar riqueza para todos. Sempre há os que ganham e sempre há os que perdem. Impossível todos ganharem.

O velho ditado segue impávido: quem afirma que gastos do governo geram crescimento econômico está afirmando que tomar dinheiro de uns para gastar com outros pode enriquecer a todos.  Está afirmando que tirar água da parte funda da piscina e jogá-la na parte rasa fará o nível geral de água na piscina aumentar.

Conclusão

Os déficits orçamentários do governo são péssimos. Mas seus gastos totais são ainda piores.

Se o objetivo é estimular o crescimento econômico, então o real objetivo tem de ser a redução dos gastos do governo, e não apenas "equilibrar o orçamento".

Um orçamento governamental total de $4 trilhões e um déficit de $500 bilhões representam um fardo muito maior e muito mais danoso sobre a economia privada do que um orçamento de $2 trilhões parcialmente financiado por um déficit de $1 trilhão.

Adicionalmente, se o governo aumenta seus gastos, os próprios estímulos para o empreendimento privado são reduzidos.  Por que você vai abrir uma padaria, um restaurante, um comércio ou uma atividade de serviços se você pode se tornar um burocrata bem pago trabalhando em uma repartição pública?  Por que uma pessoa qualificada vai querer fazer algum estágio em uma firma de engenharia se o governo abriu vários concursos públicos que prometem salários nababescos e estabilidade no emprego?  Enfim, por que se arriscar no setor privado, sofrendo cobranças e tendo de apresentar eficiência, se você pode simplesmente ganhar muito no setor público, tendo estabilidade no emprego e sem ter de apresentar resultados?

Por tudo isso, a atual PEC que limita o aumento dos gastos do governo à inflação do ano anterior, embora excessivamente tímida e nada audaciosa, pelo menos representa uma passo na direção correta. É a primeira vez que se tenta atacar o problema pelo lado dos gastos e não pelo lado da receita.

É exatamente assim que tem de ser.

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Gastos públicos são lucros privados: quando o governo gasta, ganham os grandes e perdem os pequenos

Como uma redução nos gastos do governo gera crescimento econômico

Gastos governamentais sempre são ruins para a economia

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Frank Shostak, scholar adjunto do Mises Institute e um colaborador frequente do mises.org.  Sua empresa de consultoria, a Applied Austrian School Economics, fornece análises e relatórios detalhados sobre mercados financeiros e as economias globais. 

Leandro Roque, editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


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SOBRE O AUTOR

Diversos Autores


A meu ver, essa "desregulamentação" estatal sobre a terceirização não passa de uma intervenção, de feição "liberal", que não implicará nos efeitos desejados e previstos.

Basicamente, pelo que eu entendi, a intenção do governo é gerar mais empregos que de fato paguem salários realmente vinculados à riqueza produzida pelo empregado. Com isso, busca se mover a economia, através de poupanças, maior capital do empregador para investimento e consumo real dos empregados. Desse modo, o Estado pode arrecadar mais, pois, na análise de Smith que é complementanda pelo autor do artigo, a especialização (terceirização) gera riqueza e prosperidade. Fugindo, portanto, do ideal keynesiano de que quanto maior o consumo de quem produz maior o progresso, negligenciando a possível artificialidade dessa troca.

Minha objeção consiste em afirmar que a regulamentação do modo que foi feita não é benéfica para o Estado, logo, como tudo no Brasil, querendo ou não, está ligado à esse ente, não torna se benéfica ao indivíduo.

Primeiro, pelo fato de que, as empresas que contratam outras empresas terceirizadas podem ter um elo empregatício direito com os empregados dessa última. Nessa perspectiva, caso uma terceirizada, receba os repasses do contratante, porém não esteja pagando os benéfícios/ salários dos seus empregados em dia, sob alegações diversas, iniciará se um processo judicial entre a empresa contratada e o contrante para solucionar esse caso, haja vista que é do interesse do terceirizado receber o que lhe é devido. Consequentemente, o tempo depreendido, os custos humanos e financeiros são extremamente onerosos para a empresa contratante, de modo que, sua produtividade e poder de concorrencia no mercado é reduzida. Ou seja, a continuidade do desrespeito aos contratos firmados e a morosidade da Justiça, práticas comuns no país, muitas vezes, anulam a ação estatal que visa gerar mais empregos e melhorar a produtividade das empresas. O que afeta principalmente os empreeendedores com um capital menor e que operam em mercados menos regulados. Logo, busca se intervir para corrigir um problema, sendo que o corolário dessa nova intervenção é exaurido por uma ação feita anteriormente

Outro ponto pouco abordado por vocês é que as terceirizações beneficiam também os empresários oriundos de reservas de mercado. Logo, uma ação estatal que, a posteriori privilegia os amigos dos políticos, não pode implicar nas consequências previstas a priori. Isso porque, a possibilidade contratação de terceirizados a partir de salários menores do que de fato seriam em um contexto natural/equilibrado torna se muito mais viável para os corporativistias, pelo simples fato de que seus acordos com agências e orgãos públicos influenciam também nas decisões judiciárias que envolvem a sua empresa e a empresa terceirizada. Desse modo, o megaempresário contrata a empresa terceirizada e estabelece um acordo onde há um repasse menor da grande empresa para a terceirizada e, na sequência, apenas uma parte muito pequena, não correspondente ao valor gerado, desse repasse para a empresa terceirizada é convertida em salários para os terceirizados, onde a empresa terceirizada acaba lucrando mais, ao ter menos gastos. Portanto, um terceirizado que trabalha para uma empresas monopolística (no sentido austríaco) possui maiores chances de ser ludibriado e não lhe resta muitas opções de mudança de nicho, haja vista que infelizmente inúmeros setores do mercado brasileiro sofrem regulação e intervenção constante do governo.

No mais, ótimo artigo.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Guilherme  29/11/2016 14:55
    Sei que não é referente ao tema do artigo, mas gostaria de saber o que o Mises pensa em relação à queeda do voo do time da Chapecoense.
    O time queria fazer um voo específico, mas voi vetado pela ANAC. De acordo com eles:

    "Esse avião teve um pedido de voo indeferido da Anac porque há acordos internacionais que quando há um fretamento de uma equipe - no caso - brasileira, ou é para o destino, uma empresa colombiana ou uma empresa brasileira. Por causa desse impasse, esse avião acabou esperando lá em Santa Cruz [de la Sierra]. A equipe brasileira embarcou aqui [em São Paulo] por volta de 16h, atrasado, em um voo regular da Boa, uma empresa boliviana regular, chegando lá em Santa Cruz, eles fizeram o traslado para [esse voo]".

    Em nota, a ANAC confirmou que foi solicitado voo da empresa boliviana Lamia Corporation para transporte do time de futebol Chapecoense para a Colômbia e que o pedido foi negado com base no Código Brasileiro de Aeronáutica e na Convenção de Chicago, que trata dos acordos de serviços aéreos entre os países.

    "O acordo com a Bolívia, no caso, não prevê operações tais como a solicitada. O solicitante foi avisado, na negativa, que a operação só poderia ser realizada por empresa brasileira ou colombiana, nos termos dos acordos internacionais em vigor. A ANAC se solidariza com os familiares."
  • Lucas  29/11/2016 15:43
    E precisa comentar? Como você corretamente apontou, por causa da legislação estatal, só se pode fretar aeronaves de empresas do país sede ou do país de destino. Não houvesse essa legislação, qualquer empresa decente de qualquer país do mundo poderia fornecer seu avião.

    Isso foi abordado em detalhes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2516

    Mas piora: a empresa cujo avião foi fretado, de origem venezuelana, estava falida por causa da situação econômica daquele país socialista.

    aeromagazine.uol.com.br/artigo/time-do-chapecoense-sofre-acidente-aereo_3018.html

    Ou seja, socialismo (e sua destruição de capital) em conjunto com leis estatais autoritárias (que impedem a correta alocação de capital, ou seja, a oferta de aviões bons de outros países). Eis as causas da queda.

    Isso poderia ser evitado? Sim. Como? Com a desestatização do setor aéreo e com o uso de seguradoras:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=129
  • mauricio barbosa  29/11/2016 16:20
    Brilhante explicação Lucas,principalmente a correlação que você fez entre a empresa e a economia venezuelana,muito boa essa constatação,ao que parece,vejam bem ao que parece a manutenção deve estar uma merda...Vamos esperar as declarações oficiais e as investigações da aeronáutica colombiana.
  • Emerson Luis  07/12/2016 16:57

    "Mas piora: a empresa cujo avião foi fretado, de origem venezuelana, estava falida por causa da situação econômica daquele país socialista."

    Então de certa forma eles foram mais vítimas fatais do socialismo.

    Obrigado, Lula, por apoiar o governo de Chaves e Maduro, que gerou o socialismo venezuelano, que contribuiu para esse desastre.

    * * *
  • Pobre Paulista  29/11/2016 15:30
    Aguardando os Minarquistas explicarem como se limita os gastos de um governo.

    Dica: Via legislação já não deu certo.
  • Otimista  29/11/2016 15:44
    "Mas é só eleger as pessoas certas!"
  • Minarquista  29/11/2016 15:46
    Não existe uma fórmula mágica para isso. As pessoas precisarão manter uma eterna vigilância sobre o estado.
  • Vladimir  29/11/2016 15:49
    Os miniarkistas falariam:
    simples, é só eliminar a entidade chamado estado assim como o governo e seus representantes diretos.
  • Tiago Moraes  02/12/2016 12:36
    Minarquismo é Estado mínimo, não é ausência do Estado, "gênio".
  • Amorim  29/11/2016 21:52
    A resposta é basicamente a mesma para a conjectura anarcocapitalista. Somente com a população tendo o entendimento e a consciência de que o estado onde ela vive deve ser mínimo e se ater as funções especificas de segurança, leis e justiça. No caso anarcocapitalista, somente com a população mundial tendo o entendimento e a consciência de que nenhum estado deve existir.
  • Vladimir  29/11/2016 16:19
    Quando se fala em contenção de despesas só a fiscalização não basta, tanto que se usam vários meios de se burlar a vigilância da população e que a maioria das pessoas não percebem é os políticos de um modo geral não agem como gestores que querem resolver o problema e sim agradar os seus patrocinadores, grupos de influência e grupos de pressão. Vejamos o caso de dos transportes, sendo o Brasil um país continental, um gestor de verdade daria prioridades aos setores ferroviários, hidrográficos, transporte aéreo de grande capacidade e se não tivesse condições de investir entregaria ao setor privado, mas não é que acontece, os políticos fazem projetos agradando a construtoras como estradas custosas, aeroportos ineficientes, metrôs fajutos, portos obsoletos, pontes podres etc. Resumindo: Políticos só estão interessados em atender a um grupo específico não o fazer o que é certo.
  • Bruno Feliciano  29/11/2016 16:28
    Mais um artigo que só faltou desenhar, mas tenho uma duvida:

    É tão obvio isso, que não entra na minha cabeça por que insistem nisso.

    É básico, o governo tira de um para dar aos outros, já é um jogo de soma zero isso, essa lógica por si só já prova que o governo não faz investimentos, apenas prejuízos.
    O governo tira recurso privado para se financiar, e como o governo não trabalha com lucros e prejuízos, logo este esta tirando recursos que seriam alocados racionalmente para alocar irracionalmente. É tirar o recurso de quem trabalha com sistema de preços e entregar para quem não trabalha, é obvio que esta fadado ao fracasso um arranjo desse.

    Você vê? Nem precisa de toda essa brilhante explicação tim tim por tim tim, um raciocínio básico e lógico já demonstra como isso não funciona. Até eu que tenho 20 anos e que curso direito já estou careca de saber o quão nefasto é esse arranjo.

    Aproveitando o espaço Leandro, ouvi falar de um Keynesiano uma vez que Keynes havia sido deturpado, como meu compromisso é com a verdade lógica e não com o que convém, eu parei e prestei atenção no que ele disse, inclusive refleti. Mas como não sou mestre em economia(apesar de ter conhecimento sobre keynes e suas teorias), fico com a duvida de até onde isso é verdade.

    Ele me disse o seguinte:

    ''-Bruno, Keynes não dizia que o estado tem que estimular a economia sempre, ele argumentava que em momentos de recessão ou depressão, o governo deveria intervir para fazer a economia voltar a normalidade, o problema é que hoje em dia os governos estimulam a economia o tempo todo, o que inevitavelmente leva a crises''.

    Eu o questionei porque então havia crises, era como se fosse curar o efeito colateral de um remédio aumentando a dose desse mesmo remédio que deu efeito colateral. A crise existiu por intervencionismo e ai você quer curar com mais intervencionismo? Você ofereceu crédito farto e barato, mexeu no juros e consequentemente causou investimentos errôneos e ai veio a crise. Ai pra fazer a economia voltar ao normal, você quer mexer ainda mais no Juros e no crédito. Pior, ainda quer que o governo aumente seu gasto achando que é investimento, tirar todo o capital privado que já esta ''quebrado'' e mandar pro governo jogar no lixo.

    Ele respondeu que simplesmente as vezes o mercado pode entrar em crises, principalmente por externalidades.
    Ele estava com pressa e precisou ir.

    Bem, queria saber se a teoria keynesiana realmente diz que o governo tem que intervir somente em recessão e depressão, ainda sim esse argumento continua invalido, porque o que causa crise são investimentos errôneos que somente o estado pode provocar, em situação de oferta e demanda real e não artificial isso não ocorre. É uma questão de real crescimento e não uma serie de bolhas.

    Obrigado,
    Grande Abraço!

  • Leandro  29/11/2016 16:58
    "Keynes não dizia que o estado tem que estimular a economia sempre, ele argumentava que em momentos de recessão ou depressão, o governo deveria intervir para fazer a economia voltar a normalidade"

    Ele de fato dizia isso. Só que seu próprio amigo, involuntariamente, apontou a exata contradição do pensamento keynesiano quando ele disse isso a seguir:

    "o problema é que hoje em dia os governos estimulam a economia o tempo todo, o que inevitavelmente leva a crises''

    Bingo! As crises e recessões são causadas exatamente pelos estímulos estatais (eis um artigo inteiro e completo sobre isso, voltado para a realidade brasileira). Não há crises e recessões sem que tenha havido estímulos estatais. Todas as crises e recessões são consequências de estímulos estatais.

    Sendo assim, qual a lógica de fazer estímulos estatais para corrigir algo que foi danificado pelos próprios estímulos estatais?

    O questionamento que você fez a ele estava correto, e não há resposta lógica a ele.

    Adicionalmente, vale lembrar que, embora keynesianos jurem ser a favor de um "orçamento equilibrado", eles próprios dizem não querer se prender a um período da contabilidade que dure apenas um ano. Sim, eles querem "equilibrar o orçamento", mas isso aconteceria ao longo de um período de tempo maior, geralmente o tempo de um ciclo econômico.

    Na prática, portanto, keynesianos nunca defenderam déficit zero. Esse "orçamento ciclicamente equilibrado" é só um truque retórico. Keynesianos defendem apenas déficits maiores durante as recessões, e déficits menores durante as expansões.
  • Bruno Feliciano  29/11/2016 17:08
    Falou Tudo Leandro, muito obrigado mais uma vez!


    Abraço Fraternal
  • Dam Herzog  30/11/2016 00:55
    Também costumam se referir aos deficits, na opiniao deles necessários, dizendo que os deficits são dividas a nós devemos mesmos, dai não devemos nos preocupar.
  • Vinicius  13/01/2017 16:38
    Caro Leandro,
    Hoje o André Lara Resende publicou um interessante artigo no Valor (mobile.valor.com.br/cultura/4834784/juros-e-conservadorismo-intelectual) Destaco alguns trechos:

    "Voltemos então ao Brasil e suas altíssimas taxas de juros. Vencida a inflação crônica, com o mecanismo engenhoso da URV, a taxa de juros no Brasil foi mantida alta. O objetivo inicial era sustentar a estabilidade do câmbio flutuante e impedir novos surtos de inflação, mas como o equilíbrio fiscal sempre foi precário, o juro continua, até hoje, extraordinariamente alto, devido à grande necessidade de financiamento do setor público. A experiência do QE deixou claro que o financiamento monetário - através da expansão de reservas remuneradas no banco central - não é inflacionário. Logo, maior necessidade de financiamento público não exige necessariamente juro alto. O único modelo analítico compatível com a evidência empírica do QE leva à conclusão de que o juro nominal alto sinaliza uma inflação alta, pauta assim as expectativas e mantém a inflação alta. Ou seja, o juro alto, não só agrava o desequilíbrio fiscal, como no longo prazo mantém a inflação alta.
    (...)A hipótese neo-fisheriana, que vê no juro alto a causa da alta inflação no longo prazo, apesar de ainda mais difícil de digerir, assim como a tese da dominância fiscal, tem sólidas credenciais analíticas. Ambas sugerem que não se pode pedir da política monetária e dos bancos centrais mais do que moderar a inflação no curto prazo. Exigir que a política monetária faça, mais do que circunstancialmente, o trabalho de controle da inflação, cuja estabilidade depende, em última instância, do equilíbrio fiscal de longo prazo, pode ser contraproducente. Sem equilíbrio fiscal não há saída. Quando o país passa por um delicado momento político e pela sua mais séria recessão em décadas, vale a pena acompanhar, sem ideias preconcebidas, a discussão na fronteira da teoria macroeconômica. O custo do conservadorismo intelectual nas questões monetárias, durante as quatro décadas de inflação crônica do século passado, já foi alto demais."
    Você poderia comentar o artigo sob a perspectiva da escola austriaca?
    Abraço
    Vinícius

  • Leandro  13/01/2017 17:14
    Na verdade, já foi. Cada frase dele.

    Permita-me:

    "Voltemos então ao Brasil e suas altíssimas taxas de juros. Vencida a inflação crônica, com o mecanismo engenhoso da URV, a taxa de juros no Brasil foi mantida alta. O objetivo inicial era sustentar a estabilidade do câmbio flutuante e impedir novos surtos de inflação,"

    O motivo de os juros terem sido altos após a implantação do real foi explicado em excruciantes detalhes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196

    "mas como o equilíbrio fiscal sempre foi precário, o juro continua, até hoje, extraordinariamente alto, devido à grande necessidade de financiamento do setor público."

    Os déficits do governo realmente explicam boa parte dos juros altos, como explica este artigo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2532

    Mas apenas os déficits não explicam tudo. O próprio histórico inflacionário do Brasil (bem como seu histórico de repetidos calotes externos) explicam o resto. Artigo sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2499

    "A experiência do QE deixou claro que o financiamento monetário - através da expansão de reservas remuneradas no banco central - não é inflacionário. Logo, maior necessidade de financiamento público não exige necessariamente juro alto."

    Esta frase, em si, é correta, mas ela esconde detalhes cruciais.

    Artigo sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2585

    "O único modelo analítico compatível com a evidência empírica do QE leva à conclusão de que o juro nominal alto sinaliza uma inflação alta, pauta assim as expectativas e mantém a inflação alta. Ou seja, o juro alto, não só agrava o desequilíbrio fiscal, como no longo prazo mantém a inflação alta. (...)A hipótese neo-fisheriana, que vê no juro alto a causa da alta inflação no longo prazo, apesar de ainda mais difícil de digerir, assim como a tese da dominância fiscal, tem sólidas credenciais analíticas."

    Essa tese da dominância fiscal estava muito em voga no início do ano passado, mas foi completamente desacreditada pelos fatos.

    Artigo sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2304

    "Ambas sugerem que não se pode pedir da política monetária e dos bancos centrais mais do que moderar a inflação no curto prazo. Exigir que a política monetária faça, mais do que circunstancialmente, o trabalho de controle da inflação, cuja estabilidade depende, em última instância, do equilíbrio fiscal de longo prazo, pode ser contraproducente."

    A segunda frase é inócua.

    Sim, a estabilidade de preços depende bastante da política fiscal (política fiscal expansionista gera moeda fraca, e moeda fraca gera carestia; ver artigo acima), mas daí a dizer que toda e qualquer política monetária será contraproducente na ausência de equilíbrio fiscal é falso. Tal frase se baseia na errônea ideia de "dominância fiscal" (discutida no artigo acima).

    Eis a verdade teórica e empírica: se o BC simplesmente parar de expandir a base monetária (e, consequentemente, interromper a expansão da oferta monetária), não há espaço para inflação de preços acelerada, por mais que o orçamento esteja desequilibrado. E foi exatamente isso que foi feito este ano no Brasil: os depósitos à vista (gráfico 5 deste artigo) recuara a níveis de 2010. Isso foi contração monetária para Paul Volcker nenhum botar defeito. E não houve nenhum reequilíbrio fiscal.

    E a inflação de preços cedeu.

    "Sem equilíbrio fiscal não há saída. Quando o país passa por um delicado momento político e pela sua mais séria recessão em décadas, vale a pena acompanhar, sem ideias preconcebidas, a discussão na fronteira da teoria macroeconômica. O custo do conservadorismo intelectual nas questões monetárias, durante as quatro décadas de inflação crônica do século passado, já foi alto demais."

    Equilíbrio fiscal é extremamente importante, como sempre defendeu este Instituto. Mas dizer que "sem ele nada feito" é uma postura não respaldada nem pela teoria nem pela empiria.
  • Taxidermista  29/11/2016 17:07
    Estimado Bruno Feliciano:

    Sobre esse ponto aí a respeito de Keynes, cabe dar uma conferida nesse artigo do Ralph Raico:

    mises.org/library/was-keynes-liberal


    Sobre a invocação das "externalidades" pelo cidadão aí referido, vale esse aqui:

    mises.org/library/accounting-unaccountable-case-externalities


    Abraço fraterno.

  • Magno  29/11/2016 17:30
    Esse artigo do Raico já está traduzido:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1657
  • Bruno Feliciano  29/11/2016 18:23
    Grande Taxidermista,

    Muito Obrigado mais uma vez, como sempre grandes complementos de sua parte.


    Abraço Fraternal
  • Igor  29/11/2016 16:31
    OFF

    Leandro,

    Não sou economista, mas tenho bastante apreço pela ciência econômica. E, por isso, tenho lido muitos artigos, blogs e livros sobre macroeconomia.

    Entretanto, como sabemos, os textos são sob as perspectivas clássicas e keynesianas, basicamente.

    Dito isso, te peço a gentileza de indicar alguma obra que tenha conceitos, análises e indicadores alternativos aos usuais. Por exemplo, o Produto Privado Bruto (PPB) ao Produto Interno Bruto, a análise cambial austríaca à análise cambial tradicional, etc.

    Agradeço antecipadamente.
  • Leandro  29/11/2016 17:01
    Sobre o Produto Privado Bruto (PPB), recomendo este livro:

    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=76

    Mas realmente recomendo este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2013


    Sobre a análise cambial, não tem jeito, tem de ser este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2402
  • Igor  29/11/2016 18:54
    Leandro, os dois artigos eu já tinha lido. Vou aproveitar e reler. O livro do Murray Rothbard conheço mas não li. Então, lerei.

    Mas, apesar de já ter lido os artigos indicados, minha ideia era encontrar algum livro pra ter como bibliografia. Não pela qualidade, pois os artigos são excelentes, mas por capricho pessoal. :-P

    Abraço e obrigado novamente!
  • Andre  29/11/2016 16:35
    Enquete: O que é mais fácil?

    A) Votar nos governantes certos para administrarem todo o aparato estatal de forma razoavelmente eficaz.

    B) Acertas as 6 dezenas da mega.
  • Vargas  29/11/2016 17:02
    C) Secessão e adoção deste modelo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2341
  • Taxidermista  29/11/2016 16:55
    Um livro sobre débito público escrito por um economista libertário (o canadense Pierre Lemieux):

    www.palgrave.com/us/book/9781137298065
  • Max Rockatansky  29/11/2016 17:21
    O exemplo emblemático de como pensam políticos:

    "Temer diz que "gostaria de ter a burra cheia" para gastar no governo":

    zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/politica/noticia/2016/11/temer-diz-que-gostaria-de-ter-a-burra-cheia-para-gastar-no-governo-8542237.html
  • Cesar  29/11/2016 17:42
    Leandro
    Como sempre grande artigo
    Só uma pergunta off

    www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/11/29/cae-aprova-limite-do-juro-do-cartao-de-credito

    Além dos bancos cobrarem outras taxas para compensar, pode ter algum efeito maior no mercado geral , tipo de confiança nos bancos, preço das ações, etc?
  • Leandro  29/11/2016 18:35
    Juros do cartão de crédito são altos porque quase todos têm e, por absoluta falta de educação financeira, muitos o utilizam na falta de dinheiro (uma constante) e acabam entrando no rotativo. E, uma vez no rotativo, vão empurrando com a barriga.

    E não há como os bancos reaverem o dinheiro. Não há consignado, não há penhoras, não há arresto de bens, não há ativos que possam ser tomados para se saldar as contas.

    Trata-se de um crédito dado a quem não tem garantia nenhuma para oferecer em troca. Daí os juros serem altos. E, se muitos entram no rotativo com os juros já astronômicos, imagina então se eles fossem baixos?

    Vou ressaltar uma obviedade: só entra no rotativo quem, por definição, não tem dinheiro para saldar a fatura. Ou seja, trata-se de um crédito concedido a quem não tem renda para quitá-lo. É uma prática extremamente arriscada. Não tem como os juros serem baixos numa modalidade dessas.

    Consequentemente, com o tabelamento dos juros, a primeira coisa que os bancos farão será restringir ao máximo a concessão de novos cartões, bem como o uso dos já existentes. Pessoas que entram frequentemente no rotativo e que têm histórico ruim não mais terão seus cartões validados. Vários cartões serão cancelados por inadimplência. Mesmo o mais disciplinado dos pobres não conseguirá um cartão. Os pobres mais economicamente prudentes pagarão pelo comportamento dos pobres mais economicamente destrambelhados.

    Com o cancelamento dos cartões, as bandeiras que os operam (Visa, Mastercard, American Express, Diner's Club) deixarão de ganhar dinheiro, pois elas ganham com as taxas cobradas nas transações. (Apenas lembrando que os juros do rotativo vão para os bancos, e não para as administradoras).

    Consequentemente, as anuidades aumentarão. E novas taxas serão criadas. Os prudentes pagarão a conta. E os destrambelhados ficarão sem nada.

    Ter cartão de crédito voltará a ser luxo dos ricos.

    E, sim, pode afetar bastante as ações dos bancos, bem como a confiança em seus balancetes.
  • Cesar  29/11/2016 20:42
    Obrigado

  • Andre  29/11/2016 19:02
    Tomara que isso vá mesmo pra frente, a agiotagem vai prosperar, esse negócio de ganhar 1% ao mês na aplicação é coisa de pobre.
  • JONATHAN  29/11/2016 17:48
    Existem artigos no portal que analisem as principais regulamentações no mercado brasileiro que travam a livre iniciativa privada?
  • gustavo  29/11/2016 18:59
    Quem disse que a república de 1889 deu certo neste país? Os mesmos que deram o golpe de estado em 15/11/1889 fazem a cabeça do povo dizendo que a monarquia brasileira era muito cara. Bobos somos nós brasileiros que deixamos a república tomar de conta o que o império do Brasil construiu.
  • Vladimir  29/11/2016 21:15
    O que aconteceu em 1889 foi:
    a) Golpe de estado.
    b) Queriam tomar o poder para eles mesmos.
    C) Não tinham e como hoje não tem intenção de tornar este país uma grande nação.
    E vai acontecer de novo só que desta vez vai ser pior com indivíduos mais insanos, desumanos, manipuladores, sem nenhum caráter, assassinos, aproveitadores etc, e virão com uma desculpa para um bem maior.
    E quanto a monarquia:
    Eles dificultaram a vidas dos empreendedores ( Barão de Mauá que o diga).
    Pouco se lixaram para inventores nacionais ex: Padre Landel.
    A nobreza tinha pouca simpatia pelos empresários.
    Gastavam demais.
    Apropriaram-se de instituições financeiras ex: Banco do Comercio que foi fundido com o falido Banco do Brasil.
    E finamente.
    Muitos grupos que queriam poder: fazendeiros, políticos ambiciosos, intelectuais etc.
    E assim iniciou-se a curta república brasileira que num momento futuro foi substituída por algo bem pior.
  • Fernando  29/11/2016 19:15
    Leandro (ou demais colegas),
    Eu não consigo achar os artigos por assunto, igual estava na parte de baixo do site no formato antigo, por gentileza, poderiam me ajudar?
    Sei que tem a lupa para inserir uma palavra, mas eu achava melhor organizado da forma antiga.
  • Rafael  30/11/2016 12:17
    www.mises.org.br/Subjects.aspx
  • Pensador  29/11/2016 19:32
    E se essa ponte que o governo construísse evitasse uma volta de, sei lá, 50km para os caminhões e ônibus, reduzindo assim o custo de combustível, tempo de viagem e o desgaste dos mesmos, portanto os fretes e passagens? O valor desperdiçado seria recomposto em um certo?t, não?
    Eu adoro escola austríaca, mas na minha noobidez não consigo enxergar como investimentos em infraestrutura não possam trazer benefícios, ao menos quando se fala em usar dinheiro tomado dos pagadores de impostos (xô, 'contribuinte', não financio ladrão por querer!). O Brasil torra mais dinheiro com corrupção do que na construção de mais rodovias, ferrovias, usinas nucleares, pontes, enfim, coisas que qualificariam a nossa parca infraestrutura.
  • Gabriel  29/11/2016 20:08
    Respondido no próprio artigo. Seria um grande benefício para os usuários dela. Esses teriam grandes ganhos. Eles estariam sendo subsidiados pelo resto do país/estado, que ficou apenas com a fatura.

    Veja a ponte Rio-Niterói, por exemplo. Ótima para os cariocas e niteroienses que a utilizam diariamente. E péssimas para os desdentados do Piauí, que viram todo o seu INPS enterrado na ponte.

    Uma obra é viável? Tem demanda? Então seus beneficiários diretos estarão mais do que dispostos a pagar por ela. Ou pagar pedágio para a empresa que se dispuser a construí-la.

    Foi assim que aconteceu em Hong Kong
  • Pedro Morais  29/11/2016 22:30
    Leandro,Prof Ubiratan,Helio,ou qualquer bem informado,vocês sabem algum autor que critica as obras de Braudel ,Immanuel Wallerstein e Arrighi?
    Obrigado
  • Henrique  29/11/2016 22:44
    Não é injusto para o com governo falar do déficit de suas contas sem abordar a cultura de sonegação do brasileiro?

    Abraços.
  • Meirelles  29/11/2016 23:31
    Vejamos.

    Segundo o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), em 2014, o país deixou de arrecadar R$ 501 bilhões por conta da sonegação. (Ou seja, um valor ainda menor que o déficit total).

    O que pouco se fala, no entanto, é que, caso esse valor tivesse sido de fato pago pelos pagadores de impostos, o governo teria arrecadado impressionantes 2,3 trilhões de reais no período: 46% do nosso PIB, que ficou em R$ 5,5 trilhões de acordo com o IBGE.

    Com uma carga tributária tão alta, tomaríamos o 3ª lugar na fila dos países que mais cobram impostos no mundo, perdendo somente para a Eritréia (50%) e a Dinamarca (48%).

    Ou seja, a carga tributária no Brasil não é de 35%, mas sim de 46% do PIB.

    Isso mesmo, 46% do PIB

    Tá pouco ainda, tributa mais. Precisamos sustentar os parasitas, os funças, os marajás, os políticos e os empresários amigos do rei.
  • Lisboa  29/11/2016 23:32
    Sou a favor do aumento dos impostos. Isso é garantia de que meus R$ 450 mil aplicados em títulos do Tesouro -- rendendo belíssimos 45% em 11 meses -- jamais serão caloteados.

    Impostos mais altos significam que o populacho terá de trabalhar ainda mais para garantir minha boa vida de rentista. Imposto na plebe!

    P.S.: sim, acho muito injusto com o governo a plebe dar tão pouco dinheiro para ele. Mas acho ainda mais injusto comigo. Quero sempre mais. É o justo.

  • Henrique Zucatelli  30/11/2016 17:15
    Gostei da ironia, mas senti pena depois que vi essa miséria que tem aplicada em tesouro direto.

    Se esforce mais na próxima vida portuga. Um abraço.

  • Doug Funny  30/11/2016 00:19
    Conforme fui pesquisando estou cada vez mais pendendo para esse lado mais liberalista, porém tenho uma dúvida: eu sei que o ideal seria fazer uma reforma geral em todos os setores da sociedade, mas considerando apenas a ideia de abrir o mercado (para gerar concorrências, mais empregos e qualidade nos serviços) como seria possível garantir o atendimento da população mais pobre do país? Há de se imaginar que o capital privado, que sempre vai em direção ao lucro, negligenciaria essa numerosa parcela da população que não teria condições de pagar, por exemplo, planos médicos. Nesse sentido, não seria necessário uma intervenção estatal para, no caso de exemplo, pelo menos manter um SUS?
  • Médico  30/11/2016 00:35
    Não entendi seu ponto.

    Você está dizendo que mais concorrência e mais oferta de serviços gerará preços mais altos? E que um mercado monopolizado e regulado pelo governo, com poucos fornecedores, gerará preços mais baixos?

    É isso mesmo? Se sim, então é a primeira vez que alguém apresenta essa teoria.

    Segundo você, quanto menos concorrência, quanto menos ofertantes e quanto mais burocracia, menores os preços. E quanto mais concorrência, quanto mais ofertantes e quanto menos burocracia, maiores os preços.

    Qual a lógica?

    Quanto ao SUS, ele já existe. É um açougue. E não teria como ser diferente.

    Recomendo estes outros artigos sobre o assunto:

    Como Mises explicaria a realidade do SUS?

    Quatro medidas para melhorar o sistema de saúde

    Como o SUS está destruindo a saúde dos brasileiros

    Um breve manual sobre os sistemas de saúde - e por que é impossível ter um SUS sem fila de espera

    Um retrato da saúde brasileira - um desabafo de dois médicos

    O mercado e o sistema de saúde de El Salvador
  • Doug Funny  30/11/2016 00:50
    Não, você não entendeu. Mais concorrência geraria serviços de mais qualidade a preços competitivos. Porém, ainda sim existiriam parcelas da população incapazes de pagar por esses serviços. Então o que poderia ser feito para atender as populações mais carentes?
  • vimanassero  30/11/2016 12:16
    Complicado... mas eu acho que as empresas poderiam ter os serviços para os pobres também. Você pagaria pouco, mas o serviço também não seria 100% bom. Acho que é uma idéia que funcionaria sem intervenção estatal.
  • Um observador  30/11/2016 12:40
    Doug,

    Outro ponto a ser considerado é o seguinte... Em um cenário de saúde livre seria muito mais fácil o surgimento de hospitais mantidos por entidades filantrópicas e de caridade, que poderiam atender aqueles que realmente não pudessem pagar.
  • a  30/11/2016 09:06
    O governo deve limitar-se à sua função: proteger a propriedade das pessoas, constitucionalmente, sem criar novas atribuições.
  • Tom Axturb  30/11/2016 09:58
    Aprendo muito com os artigos, mas aprendo muito mais com os comentários.
    Abraços!
  • Capitalista Keynes  30/11/2016 15:27
    "Se o governo está construindo uma ponte, ele irá consumir grandes quantidades de aço, cimento, vergalhões e argamassa. Isso significa que todo o resto do setor da construção civil terá agora de pagar mais caro para conseguir a mesma quantidade de aço, cimento, vergalhões, argamassa. Os preços desses itens irão subir e, como consequência, todos os bens que utilizam esses itens em sua construção — como imóveis e carros — ficarão mais caros."

    Ah tá....se o setor privado fizer uma ponte e consumir também grandes quantidades desses materiais, o preço não sobe ......nossa como é santo o setor privado....já tem lugar garantido no céu.
  • Professor  30/11/2016 16:09
    Não, querido. Vem cá, dê-me sua mão e permita-me explicar-lhe como funciona o mundo real.

    1) Se a obra é estatal -- isto é, se ela é feita de acordo com critérios políticos --, então não há como saber que ela está sendo genuinamente demandada pelos consumidores. Não há como saber se ela realmente é sensata ou não, se ela é racional ou não. (Vide os estádios da Copa na região Norte do país). O que vai predominar serão os interesses dos políticos e de seus amigos empreiteiros, ambos utilizando dinheiro de impostos. Não haverá nenhuma preocupação com os custos.

    2) Se a obra é estatal, haverá superfaturamento. (Creio que, para quem vive no Brasil das últimas décadas, isso não necessariamente é uma conclusão espantosa). Havendo superfaturamento, os preços desses insumos serão artificialmente inflacionados, prejudicando todos os outros consumidores. Os preços, portanto, subirão muito mais ao redor do país.

    3) Por outro lado, se é o setor privado -- e não o estado -- quem voluntariamente está fazendo a obra, então é porque ele notou que há uma demanda pelo projeto. Ele notou que há expectativa de retorno. (Se não houvesse, não haveria obras). Consequentemente, os preços dos insumos serão negociados aos menores valores possíveis. Caso contrário -- ou seja, caso houvesse superfaturamento --, a obra se tornaria deficitária, e seria muito mais difícil a empresa auferir algum lucro.

    Isso, e apenas isso, já mostra por que os efeitos sobre os preços dos insumos são muito piores quando a obra é estatal. Tudo é bancado pelos impostos; não há necessidade de retorno financeiro para quem faz a obra (o governo e suas empreiteiras aliadas); não há accountability; os retornos são garantidos pelos impostos do populacho.

    Já em uma obra feita voluntariamente pela iniciativa privada, nada é bancado pelos impostos; a necessidade de retorno financeira pressiona para baixo os custos; há accountability; os impostos da população não são usados para nada.

    Qual desses dois arranjos você acha que pressiona para cima os preços dos insumos, prejudicando todos os outros empreendedores do país?

    Para quem se diz um "capitalista keynesiano", seu intelecto é bastante limitado. Você é incapaz de elencar uma cadeia lógica de causa e conseqüência. Mesmo o confuso Keynes raciocinaria melhor. Bem melhor.

    Tenta de novo.

  • Eliel da Silva  01/12/2016 19:42
    No melhor estilo Bastiat: o que se vê e o que não se vê.
    Parabéns.
  • Taxidermista  30/11/2016 16:28
    Se o "capitalista Keynes" ainda não entendeu, ele pode ler a primeira parte desse livro, que utiliza como principal exemplo, justamente, a construção de uma estrada (governo x iniciativa privada):

    www.independent.org/publications/tir/article.asp?a=1009


  • Rhyan  30/11/2016 18:16
    Qual a porcentagem de gastos da União em relação ao PIB?
  • Leandro  30/11/2016 19:12
    Em 2015, as despesas totais da União foram de R$ 2,22 trilhões.

    www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/352024/Despesa_Grupo.xls

    Já o PIB total foi de R$ 5,904 trilhões.

    Logo, as despesas da União equivaleram a 37,6% do PIB
  • Rhyan  02/12/2016 05:40
    Obrigado, Leandro!
    Esperava um número bem pior, está próximo da carga tributária.
  • Felipe Lange S. B. S.  30/11/2016 21:57
    E pelo que parece, o Frouxo Temer teve a proeza de cortar o ministério da cultura e depois recolocá-lo (fez essa brincadeira e agora está sendo dedurado pelo bobalhão que tinha sido nomeado)... se tivesse cortado, teria uma economia de quase 2 bilhões.

    Mesmo que passarem a PEC dos gastos, ainda terão muita coisa para arrumar... e como a quase totalidade dos parasitas ocupando os cargos políticos gostam da constituição altamente estatista e socialista e quer torná-la intocável conforme a conveniência. Logo o Brasil será passado pela Índia em liberdade econômica do Heritage (hoje está em 122ª, a Índia 123ª).

    Se ainda cortassem o ministério da pirâmide estatal (nome correto para previdência social), minas e energia, comunicações, cidades, saúde, justiça, integração nacional, educação, ciência e tecnologia e agricultura, teriam uma economia anual de R$674 343 436 881,39! E claro, os remédios e serviços médicos, as escolas e os serviços de telefonia, internet e comunicações seriam barateados. Estou sendo moderado ainda.
  • Lauro Medeiros  03/12/2016 17:14
    Desde o começo não fui a favor do Impeachment, não porque eu sou petista ou esquerdista, mas sim porque agora abriu-se brechas deles jogarem toda a culpa da desgraça que fizeram no Brasil pro "neoliberalismo" do Temer (algo que é absurdo, já que ele não cortou nada e nem privatizou nada).

    A situação do país não precisava chegar no nível da Venezuela, mas a raiva contra os petistas e esquerdistas deveria ter chegado à situação que eles seriam quase espancados na rua.

    Pra conseguir reduzir gastos aqui no Bostil, com a CLT e com a Burocracia retardada que temos, precisa-se de algum político radical, ideologicamente motivado, que não se importa em querer agradar a todos e não um político que apenas pensa em ter ligações políticas como o Temer.
  • Regis  09/12/2016 16:48
    Para que uma sociedade enriqueça, ela precisa ser produtiva.

    Para que uma sociedade seja produtiva, é necessário que o Estado assim o permita.

    Para que o Estado assim o permita, é necessário que ele cobre menos impostos.

    Para que o Estado cobre menos impostos, é necessário que ele diminua seus gastos.

    Para que o Estado diminua seus gastos, é necessário que ele diminua seu tamanho.


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