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A teoria do valor-trabalho ainda assombra a humanidade e segue causando estragos
Se essa falácia for compreendida, toda a ideia de “exploração capitalista” é derrubada

Por que muitos alunos acreditam merecer notas boas por um trabalho (escolar ou acadêmico) em que gastaram muito tempo fazendo? Para eles, o parâmetro não está na qualidade do trabalho, mas sim no total de horas empenhadas em sua consecução.

Essa confusão fundamental sobre o valor do trabalho é o cerne da crítica marxista ao capitalismo.

O centro de tudo

Por milhares de anos, os seres humanos acreditaram que a terra era o centro do universo, e que o sol girava em torno dela. Com o advento das pesquisas sistemáticas, os cientistas passaram a desenvolver explicações crescentemente complexas sobre o porquê de suas observações do universo não baterem com essa hipótese. Quando Copérnico e outros ofereceram uma explicação alternativa que realmente era capaz de explicar os fatos observados, e o fizeram de maneira clara e concisa, o modelo heliocêntrico triunfou.  A revolução copernicana mudou a ciência para sempre.

Nas ciências econômicas, há uma história similar. Por centenas de anos, vários economistas acreditaram que o valor de um bem dependia do custo de se produzi-lo. Em particular, vários seguiam a 'teoria do valor-trabalho', segundo a qual o valor de um bem era determinado pela "quantidade de trabalho socialmente necessário" para a sua fabricação.

Por exemplo, se a produção de um par de sapatos consumiu quatro horas de trabalho, e se são necessárias duas horas de trabalho para preparar e assar um bolo, então a "taxa de câmbio" justa entre essas duas mercadorias deveria ser a de um par de sapatos por dois bolos. Dessa maneira, esses dois bens seriam trocados a uma taxa que representa quantidades comparáveis do tempo de trabalho gasto para produzi-los.

Assim como a visão geocêntrica do universo, a teoria do valor-trabalho tinha, superficialmente, alguma plausibilidade — afinal, com alguma freqüência, bens que demandam mais trabalho para ser produzidos possuem mais valor. 

No entanto, assim como a história da astronomia, a teoria foi se tornando cada vez mais complicada à medida que tentava explicar algumas objeções óbvias. Por exemplo, um homem pode gastar centenas de horas fazendo sorvetes de lama ou cavando buracos, mas se ninguém atribuir qualquer serventia a estes sorvetes de lama ou a estes buracos — e, portanto, não os valorizar o suficiente para pagar alguma coisa por eles —, então tais produtos não têm nenhum valor, não obstante as centenas de horas gastas em sua fabricação.

Começando na década de 1870, a ciência econômica vivenciou a sua própria versão da revolução copernicana, uma vez que a teoria do valor subjetivo se tornou a explicação preferida para o valor dos bens e serviços.

Como será demonstrado mais abaixo, o valor de um bem não deriva da quantidade de trabalho despendida em sua fabricação. O valor de um bem é subjetivo: depende do uso e do grau de importância pessoal (subjetiva) que alguém confere a ele (seja uma mercadoria ou um serviço).  Se o bem servir para algum fim ou propósito, então terá valor para ao menos uma pessoa.

Hoje, a teoria do valor-trabalho possui apenas um minúsculo número de seguidores entre os economistas profissionais, mas permanece extremamente popular em outras disciplinas acadêmicas, quando elas resolvem discutir assuntos econômicos. Permanece também bastante popular entre o público em geral. (Entre os estudantes, a teoria do valor-trabalho, como observado acima, é extremamente popular para balizar notas de monografias acadêmicas e trabalhos escolares).

O fantasma de Karl Marx (e de Adam Smith)

Um dos motivos de a teoria do valor-trabalho ainda ser a explicação favorita de várias outras disciplinas se deve ao fato de elas recorrerem ao mais famoso defensor desta teoria para utilizá-lo como base de seus estudos econômicos: Karl Marx.

Mas Marx não foi o único economista a seguir esta teoria. Tampouco a teoria do valor-trabalho era adotada exclusivamente por socialistas. Adam Smith também acreditava em uma versão mais branda desta teoria.

Para Marx, a teoria do valor-trabalho estava no centro de sua visão a respeito dos problemas do capitalismo. O argumento de que o capitalismo explorava os trabalhadores dependia crucialmente da ideia de que o trabalho era a fonte de todo o valor, e que, consequentemente, os lucros dos capitalistas eram "tomados" dos trabalhadores, que mereciam ficar com o valor daquilo que produziram.

Se o trabalho de um operário produziu três pares de sapatos durante uma jornada de trabalho de doze horas, então, para Marx, o trabalhador tem o direito ao valor destes três pares de sapatos produzidos pelo seu trabalho. Contudo, o capitalista que contratou o trabalhador não lhe paga um salário igual ao valor dos três pares de sapatos que este produziu. Isso ocorre, segundo Marx, simplesmente porque o capitalista é o proprietário da fábrica e das máquinas (a fábrica e as máquinas são a propriedade privada que o trabalhador utilizou para produzir esses sapatos). 

O empregador paga ao trabalhador um salário somente igual a, digamos, dois pares de sapatos, desta forma "roubando" uma parte do valor do seu trabalho.

Todo esse conceito de 'alienação' desenvolvido por Max se baseava no fato de que é o trabalho o que nos torna humanos e de que foi o capitalismo quem destruiu nossa capacidade de ter alegria em nosso trabalho e de controlar as condições nas quais criamos valor.

Sem a teoria do valor-trabalho, não está claro como a crítica de Marx ao capitalismo continuaria válida.

Parte do problema, para Marx e para todos os outros que aceitaram a teoria do valor-trabalho, é que havia tantos furos óbvios nesta teoria do valor-trabalho, que eles tiveram de construir explicações cada vez mais complexas para lidar com cada uma das objeções.

Por exemplo, como a teoria do valor-trabalho explica o valor dos recursos naturais? Como ela explica o valor de um lote de terra? Como ela explica o valor de grandes obras de arte que foram produzidas com uma pequena quantidade de trabalho, mas que alcançavam preços extremamente altos?

E o que dizer das diferenças de habilidade entre os indivíduos, o que significa que cada um deles gastaria tempos distintos para produzir o mesmo bem, com a mesma qualidade?

Os economistas clássicos, inclusive Marx, tentaram oferecer explicações pontuais para cada uma destas exceções, mas, assim com as crescentemente complexas explicações dos geocêntricos, eles abriram mão do cientificismo e, com isso, cederam espaço para outros apresentarem explicações melhores.

A revolução austríaca

Na ciência econômica, essa explicação surgiu quando, como Copérnico, vários economistas perceberam que a explicação antiga estava completamente invertida.

Esse ponto foi deixado cristalino na obra do economista austríaco Carl Menger (1840-1921), cujo livro, Princípios de Economia Política, de 1871, não apenas ofereceu uma nova explicação para a natureza do valor econômico, como também foi o responsável por estabelecer a Escola Austríaca de Economia.

O que Menger e outros argumentaram é que o valor é subjetivo. Ou seja, o valor de um bem não é determinado pela quantidade de trabalho consumida em sua produção. Tampouco é determinado pelos insumos físicos, inclusive mão-de-obra, que ajudaram a produzi-lo. Ao contrário, assim como a beleza, o valor — como diz o velho provérbio — está nos olhos de quem vê. O valor de um bem advém da percepção humana quanto ao seu proveito e quanto à sua função para satisfazer determinados fins aos quais os indivíduos almejam em um determinado momento. Se o bem servir para algum fim ou propósito, então terá valor para ao menos um indivíduo.

O valor não é algo objetivo e transcendente. O valor é subjetivo. O valor é uma função da utilidade que um objeto tem como um meio para se alcançar os objetivos que fazem parte dos planos e propósitos humanos.

Consequentemente, de acordo com os subjetivistas, a terra possui valor não por causa de algum trabalho humano utilizado em seu cultivo, mas sim porque as pessoas acreditavam que ela poderia contribuir para a satisfação de algum desejo ou necessidade (como produzir alimentos para ser consumidos), ou que ela contribuiria indiretamente para outros fins ao ser utilizada para produzir alimentos a serem vendidos no mercado.

Obras de arte tinham valor porque várias pessoas as consideravam belas, não importa a quantidade de trabalho utilizada em sua produção.

Com o valor de um bem sendo determinado pelo julgamento subjetivo de cada ser humano quanto à sua utilidade e função, as variações na qualidade do trabalho utilizado em sua produção não mais representavam um desafio para explicar seu valor.

Com efeito, o valor econômico representa uma categoria completamente separada das outras formas de valor, como o valor científico.  É por isso que várias pessoas estão dispostas a pagar alguém para ler seu horóscopo, mesmo que a astrologia não tenha valor científico nenhum.

O que é importante para se compreender o valor econômico de um determinado bem ou serviço é a percepção de que esse bem ou serviço possui utilidade para indivíduos que estão tentando alcançar objetivos e propósitos. E não que esse bem ou serviço possui algum valor "objetivo".

Virando Marx de cabeça para baixo

Mas a verdadeira revolução copernicana na ciência econômica ocorreu quando se demonstrou como a teoria do valor subjetivo se relacionava com a teoria do valor do trabalho. Em vez de o valor de bens e serviços ser determinado pelo valor dos insumos (como mão-de-obra e matéria prima) utilizados em sua produção, a teoria do valor subjetivo mostrou que a realidade é inversa: o valor dos insumos (mão-de-obra e matéria) é que é determinado pelo valor dos bens e serviços que eles ajudam a produzir.

O alto valor de mercado de uma comida mais elaborada e requintada não decorre do valor do trabalho do chef. Tal comida não é cara porque o salário do chef é alto. Ao contrário: o trabalho do chef é bem remunerado (seu salário é alto) exatamente porque ele é capaz de produzir uma comida que o público consumidor considera especialmente saborosa, bonita e saudável. O chef é bem pago porque ele sabe criar valor para seu público consumidor.

Por essa visão, o trabalho é remunerado de acordo com sua capacidade de produzir bens e serviços que os consumidores voluntariamente compram porque valorizam.

Quando você, então, considera as várias maneiras como a mão-de-obra combinada com bens de capital (ferramentas, máquinas e demais insumos) permite que o trabalho produza bens e serviços que indivíduos consumidores apreciem, o que por sua vez eleva a remuneração da mão-de-obra, toda a visão de mundo de Marx é imediatamente virada de ponta-cabeça. O capital não explora o trabalhador. Ao contrário, ele aumenta o valor da mão-de-obra ao fornecer ao trabalhador as máquinas e ferramentas de que ele necessita para produzir bens e serviços que os indivíduos valorizam.

Não fosse o capital disponibilizado pelos capitalistas (maquinário, ferramentas, matéria prima, insumos, instalações etc.), a mão-de-obra não teria como produzir estes bens de qualidade altamente demandados pelos consumidores. Consequentemente, os trabalhadores nem sequer teriam renda.

Quando corretamente compreendido por meio da teoria do valor subjetivo, o capitalismo passa a ser visto fundamentalmente como um processo de comunicação por meio do qual os seres humanos tentam decidir qual a melhor maneira de utilizar recursos escassos de modo a satisfazer os mais urgentes desejos e necessidades.

Transações comerciais e preços de mercado são a maneira como explicitamos — para os capitalistas, empreendedores e trabalhadores — as nossas percepções subjetivas de valor, de modo que eles possam encontrar a melhor maneira de nos fornecer as coisas que mais valorizamos.

Há muito trabalho a ser feito

Para os economistas, a teoria do valor-trabalho tem a mesma validade da visão geocêntrica do universo. Por essa razão, todo o aparato teórico de Marx, e consequentemente suas críticas ao capitalismo, são igualmente questionáveis.

Infelizmente, muitas pessoas — tanto acadêmicos quanto leigos — estão simplesmente alheios a esta revolução copernicana na economia. Derrubar a teoria do valor-trabalho continua sendo uma tarefa intensiva em mão-de-obra e muito valiosa.

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Leia também:

Os economistas austríacos que refutaram Marx e sua tese de que o trabalho assalariado é exploração

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Por que lixeiros e professores ganham menos que artistas e jogadores de futebol


18 votos

autor

Steve Horwitz
é professor de economia na St. Lawrence University e autor do livro Microfoundations and Macroeconomics: An Austrian Perspective.



  • Rene  24/10/2016 15:32
    "Derrubar a teoria do valor-trabalho continua sendo uma tarefa intensiva em mão-de-obra e muito valiosa."

    Esta última frase do artigo é completamente bizarra. E a razão de ela ser bizarra é o fato de que ela é verdadeira. A teoria do valor-trabalho é tão cheia de furos que não deveríamos precisar de mais do que cinco minutos para derrubá-la. Mas mesmo assim, ela é extremamente difundida nos meios acadêmicos, e existem pessoas que a defendem com o mesmo furor que um fanático religioso.

    Seria legal propor um desafio a um professor de história que estivesse defendendo o valor-trabalho. Se é a quantidade de trabalho que conta, então ele não pode zerar uma questão se o aluno realmente se dedicou a responde-la. Por exemplo, se a pergunta for: "Em que ano ocorreu a proclamação da República no Brasil", e eu escrever na prova duas páginas com uma resenha crítica do livro "A República" de Platão, a minha nota precisa ser maior do que a do meu colega que gastou um segundo para escrever "1889".
  • Halysson  24/10/2016 21:01
    A grande verdade é que a maioria das pessoas que defendem as ultrapassadas ideias de Marx, são pessoas que nunca estudaram economia - onde Marx é nada mais que um relicário para a maioria.

  • Terráqueo  31/10/2016 12:50
    OFF TOPIC:

    IMB diversifiquem a produção de conteúdo.
    Papers, vídeos, canal no youtube, stream live com o pessoal que comenta com frequência no site.

    Artigos é uma forma limitada de propagar informação.

    Estou a disposição e posso ajudar. Além disso contribuo monetariamente sempre que posso.
  • Vtr  23/11/2016 19:04
    Apoiado! Os artigos -que são excelentes, são ignorados pela massa das pessoas, que preferem ver e ouvir.
    Diversifiquem o conteúdo no youtube com lives, entrevistas, e quem sabe dai não surge o embrião da fox news do Brasil? Publico vocês já tem e muito, sem falar no contato de influenciadores. Está na hora do mises brasil promover debates e incomodar a "main stream media" .
    Eu me disponho a colaborar financeiramente.
    Ouça seu mercado consumidor.
  • francisco  05/12/2016 00:38
    Se levarmos a teoria do valor-trabalho a sério, uma casa feita com um pedreiro incompetente tem maior valor do que a feita por um pedreiro competente e experiente, visto que o primeiro consome muito mais tempo e recursos do que o segundo.
  • Lel  24/10/2016 16:07
    Esperando o Capital Imoral.
  • Capital Imoral  24/10/2016 18:01
    O alto valor de mercado de uma comida mais elaborada e requintada não decorre do valor do trabalho do chef. Tal comida não é cara porque o salário do chef é alto. Ao contrário: o trabalho do chef é bem remunerado (seu salário é alto) exatamente porque ele é capaz de produzir uma comida que o público consumidor considera especialmente saborosa, bonita e saudável. O chef é bem pago porque ele sabe criar valor para seu público consumidor.
    -----------
    O mesmo acontece com o funcionalismo público e com os professores públicos. Um professor deveria ganhar mais que um jogador de futebol, porque a publico considera moralmente correto, que o professor receba mais, e vê neste professor valor subjetivo verdadeiro.

    O neoliberal poderia argumentar: Ha se o publico valoriza tanto o professor, por que não consome seu serviço? Eu chamo este erro de pensamento de "curva da moral do pensamento". Eu explico:

    O livre mercado é uma péssima maneira de representar o valor subjetivo dos indivíduos. Pois o valor dos indivíduos é um valor moral e não comercial, o que o mercado faz é deturpar o faco dos valores, que sim, são objetivos.

    Por exemplo, joão é Corinthians, ele sempre assiste futebol com seu filho, Helio beltrião. Um certo dia, uma assistente social vistou João, e perguntou a ele: O que você mais valoriza para o bem de um pais, o futebol ou a educação? Após uma reflexão, joão percebe que a educação é superior ao futebol. No seu mais intimo instinto, ele sabe que a educação é superior ao futebol.

    Mas a mensagem que joão envia, através do livre mercado é: O futebol é superior a educação. È uma mensagem falsa obviamente.

    Portanto ai está, a refutação de Mises e Carl Menger: O livre mercado envia a mensagem errada do valor subjetivo. Portanto é necessário que o socialismo faça a interpretação correta.


    Capital imoral é filosofo, escritor e já refutou Mises.
  • valmir silva dos santos  24/10/2016 18:18
    O socialismo não valoriza a capacidade criativa do indivíduo e sim da coletividade, sendo que a coletividade sem o indivíduo não é nada, é por isso que acontecem as crises econômicas, sociais e morais e para finalizar o que vale não é as horas que se faz um produto ou serviço mas a o valor que a pessoa dá o valor do produto ou serviço, quanto aos funcionários públicos deveriam ter em mente que o seu real patrão é o pagador de impostos e não o governo.
  • Roma  24/10/2016 18:20
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, podem falar mal do capital imoral, mas que o cara é criativo isso é.
  • Tite  24/10/2016 18:26
    "Mas a mensagem que joão envia, através do livre mercado é: O futebol é superior a educação. È uma mensagem falsa obviamente. "

    Vai falar isso pra o Neymar, Ronaldo, Romário, Pelé e outros muitos. Eles devem estar muito arrependidos por ter dado prioridade ao futebol. Talvez fosse melhor para eles que ficassem na escola e fizessem parte de algum grupo socialista para tentar mudar o mundo. kkkkk
  • Capital Imoral  24/10/2016 18:48
    Vai falar isso pra o Neymar, Ronaldo, Romário, Pelé e outros muitos. Eles devem estar muito arrependidos por ter dado prioridade ao futebol. Talvez fosse melhor para eles que ficassem na escola e fizessem parte de algum grupo socialista para tentar mudar o mundo. kkkkk
    --------
    A sua mensagem cai novamente no erro que minha teoria refutou. Para haver uma devida refutação de meus argumentos, é necessário antes, refutar a "curva da moral do pensamento" ao qual eu expliquei.

    Sem as bases de minha teoria, não se pode contra argumentar.

    Observação: Neymar é uma vitima do capital e de seu sistema alienante. È um homem totalmente perdido, isso vai contra outra teoria minha (já escrevi em outro artigo), sobre a teoria da sociedade intelectual. Em resumo a teoria da sociedade intelectual diz: todos no mundo seriam intelectuais. È interessante porque está teoria casa perfeitamente com a minha teoria da "curva da moral do pensamento", onde os valores objetivos, casam com as escolhas subjetivas verdadeiras da sociedade intelectual.
  • Tite  24/10/2016 20:14
    Pelé seria um filósofo na teoria da sociedade intelectual:

    "Tudo o que tenho devo ao futebol. Se eu pudesse, me chamaria Édson Arantes do Nascimento Bola. Seria a única maneira de agradecer o que ela fez por mim".

    Ainda bem que ele resolveu jogar bola.
  • Dam Herzog  25/10/2016 01:38
    Gostei de sua fala Tite.ú
  • Dam Herzog  25/10/2016 02:04
    Só sei que o socialismo independente da teoria, leva a fome, miséria, perda da dignidade, sangue e morte e nunca deu certo em qualquer lugar do mundo.
  • Andre  24/10/2016 18:55
    entre educação doutrinadora marxista e deixar o moleque assistindo futebol e jogando bola na rua o dia inteiro, a segunda opção certamente é mais sensata.

    Sei que é fake mas responder é divertido mesmo assim
  • Denis  24/10/2016 19:19
    kkkkk. qual o mais fácil, contratar um professor para dar aula ou um exímio jogador de futebol capaz de entreter milhões de pessoas com suas habilidades. Ninguém estar discutindo a importância de um bom professor (não um doutrinador), para a sociedade, porém o alcance de um jogador de futebol e incrivelmente superior ao do professor, gerando, assim, muito mais valor para o esporte, clube, patrocinador e pro próprio jogador, acarretando em uma remuneração superior ao do professor. Agora me fala onde estar a imoralidade nesse arranjo.
    "Portanto é necessário que o socialismo faça a interpretação correta" Tenha santa paciência, kkkkkk, o socialismo não tem nem capacidade de fazer interpretações corretas do mundo real e seus processos.
  • Murdoch  24/10/2016 20:31
    Capital Imoral,

    sua afirmação não faz o menor sentido.
    Veja: "Por exemplo, joão é Corinthians, ele sempre assiste futebol com seu filho, Helio beltrião. Um certo dia, uma assistente social vistou João, e perguntou a ele: O que você mais valoriza para o bem de um pais, o futebol ou a educação? Após uma reflexão, joão percebe que a educação é superior ao futebol. No seu mais intimo instinto, ele sabe que a educação é superior ao futebol.

    Mas a mensagem que joão envia, através do livre mercado é: O futebol é superior a educação. È uma mensagem falsa obviamente. "

    Imagino que você esteja falando sobre o Brasil nessas questões abordadas.
    Deixemos claro uma coisa: Brasil não é livre mercado.

    Voltando ao raciocínio, países em que se adotam o livre mercado, não tem essa discrepância de salários entre jogadores e as demais profissões.
    Se fosse coerente sua afirmação, então por que a Austrália não tem os jogadores mais bem pagos do mundo?
    Por que o Canadá não tem os jogadores mais bem pagos do mundo?

    E nesses mesmos países, os professores tem um dos maiores salários do planeta.
    Confere aqui: Top 10 países com os maiores salários de professores no mundo

    Porque não adotamos o livre mercado e vamos descobrir como funcionaria essa questão dos salários.

    Vlw
  • Ricardo Bordin  24/10/2016 23:54
    Professores de escolas particulares ganham bem melhor que seus pares de escolas públicas. A solução para a "distorção" aventada, entre futebolistas e docentes, passa, portanto, pela privatização total da rede de ensino.
    Outro detalhe: 95% dos jogadores de futebol do Brasil ganham menos de R$2000. Ou seja, apenas uma ínfima parcela deles é merecedora, segundo os consumidores do esporte, de salários astronômicos. E o mesmo ocorre com os professores: a maioria ganha mal, mas alguns deles se destacam e ganham muito bem - cursos preparatórios para exames de admissibilidade estao entre eles.
  • Murdoch  25/10/2016 01:37
    Concordo. O melhor modelo para a educação seria a privatização primeiro das universidades, depois do sucesso desse modelo podemos adotar a privatização de escola de ensino fundamentai e assim o estado não mais controlaria a educação de nosso país com seus tentáculos doutrinadores(Paulo Freire que o diga). Tudo isso aliado a exclusão do MEC.

    Nas palavras de um ex-jogador de base, jogadores do Brasil ganham em media R$1.500. No clube em que eu joguei sob a regulação da FERJ, eu ganhava dois salários mínimos e quando nós jogávamos em uma cidade distante, nós é que tínhamos que pagar o transporte e outras coisas necessárias. Poucos são os jogadores que ganham acima disso, eu tenho amigos que jogam no Fluminense e outros nem mais estão jogando aqui no Brasil, todos esses tem um rendimento de pelo menos R$7.000, mas tem que ser bem habilidoso para ganhar essa quantia, a garantia mesmo é quando vai para o profissional que garante uma certa estabilidade e esse salário aumenta, mas chegar ao profissional é uma tarefa praticamente impossível.

    Com relação a professores, tem uns que ganham mais do que um jogador de um grande clube ou até mesmo mais ricos do mundo.
    Dei uma pesquisada e olha isso:
    5 richest professors in the world
    Highest paid professors world top 10 richest
    Richest teachers in the world 2013

    Mais curiosidades:
    Richest doctors world 2016 top 10 list
    Brasileiro na lista de cima.
    Richest lawyers worl top 10 richest most sucessful list
  • Rafa  25/10/2016 12:54
    Aqui mesmo no Brasil, há professores de cursinhos que ganham altíssimos salários. E esses professores de elite ganham tão bem quanto jogadores de futebol de elite porque geram alto valor para o público que consome seus serviços. Está aí mais uma prova de que a teoria do valor subjetivo é (bem) superior à ultrapassada ideia do valor-trabalho.
  • Rafa  25/10/2016 12:45
    É o troll mais elaborado que existe...
  • Ed  25/10/2016 16:28
    "Mas a mensagem que joão envia, através do livre mercado é: O futebol é superior a educação. È uma mensagem falsa obviamente. "

    Não sei como essa afirmação poderia estar mais errada.

    Capital Imoral, já parou para analisar quanto os maiores clubes de futebol realmente faturam por ano? Vamos pegar um clube médio, como o Atlético Paranaense, que cobra alguns dos ingressos mais caros do Brasil e tem um estádio com teto retrátil: seu faturamento em 2015 foi de míseros R$ 158 milhões (globoesporte.globo.com/pr/futebol/noticia/2016/05/balanco-financeiro-divida-total-de-atletico-pr-e-coritiba-cresce-em-2015.html). Na reportagem, o Coritiba, um dos 20 maiores clubes do Brasil e tradicional frequentador da primeira divisão (embora esteja normalmente fugindo do rebaixamento), não fatura nem R$ 90 milhões por ano.

    Ora, até redes locais de farmácia faturam mais que isso. Temos grupos educacionais com mais de 1 milhão de alunos. Esse papo de que o povo dá mais valor ao futebol do que à educação e à saúde, portanto, é furado.

    O que ocorre é que um clube de futebol gera tal valor contando com cerca de 20 a 30 jogadores profissionais em seu elenco, podendo, portanto, pagar salários astronômicos, equivalentes aos de altos executivos de grandes empresas. E isso ocorre porque um time, por definição, não pode entrar com mais de 11 jogadores em campo. Trata-se de uma questão de escala, portanto, não de valoração social.

    Logo, existe uma maneira simples de aumentar o valor pago ao professor e potencializar menores custos de educação para todos. Basta encher as salas de aula de alunos. Centenas a milhares de estudantes por turma. Fórmula que cursinhos pré-vestibulares já descobriram há tempos.

    O porém é que os professores descobririam uma realidade que já ocorre com jogadores de futebol: haverá uns poucos profissionais de ponta recebendo valores astronômicos, enquanto a grande maioria teria que ter uma segunda profissão para sobreviver. Estuda aí qual a porcentagem de jogadores que realmente vivem do futebol.
  • Davi  27/10/2016 00:42
    Pensei a mesma coisa quando terminei de ler.
    Mas acho que nem ele vai querer entrar nessa "briga".
  • Luis  24/10/2016 16:13
    O capitalista que esta investindo para os trabalhadors produzirem alguma coisa esta trabalhando tambem. E mais do isso, arriscando. Esta funcao tambem deve ter "valor trabalho".
  • Kakaroto  24/10/2016 16:15
    Excelente!
  • Henrique Zucatelli  24/10/2016 16:15
    O estudo da economia pós Mises se torna muito mais conceitual que propriamente ciência exata, pois hoje podemos amar Iphones por serem modernos e da moda, e amanhã odiá-los por estarem ultrapassados, como aconteceu com tecnologias soterradas por outras mais recentes.

    Carrego minha experiência com o filósofo Henri Bergson, que estudou um fenômeno chamado dureé (não possui tradução literal para o português) mas basicamente se explica pelo continuum, onde momentos extraídos da história e analisados como fotografias não explicam a essência dos seres.

    Por outro lado, podemos traduzir também para o português de boteco: o preço de qualquer produto ou serviço está baseado em oferta, demanda e na vontade do freguês de comprar tal produto.


  • PESCADOR  24/10/2016 16:23
    Muito bom. Fechou o artigo com chave de ouro!
  • Eduardo  24/10/2016 17:15
    Não sou economista, e portanto peço desculpas por minha ignorância, mas gostaria de saber o seguinte:
    Entre um telefone celular do início dos anos 90 e um iPhone de última geração, pode-se dizer que o último é mais caro pq é mais valorizado pelas pessoas (acho que essa é a lógica), mas poderia ser dito que o é porque empreendeu mais tempo (valor-trabalho) a longo prazo para ser produzido, como uma evolução, onde só se chegou a este último pq primeiramente foi feito o primeiro?
  • Saviani  24/10/2016 17:23
    Na verdade, se você descontar toda a inflação, verá que o celular do início dos anos 1990 era bem mais caro que o iPhone de hoje.

    À época, a oferta de celulares era muito menor, a tecnologia era mais escassa, e o produto era voltado exclusiva e intencionalmente para as classes mais altas, que o valorizavam intensamente.

    Hoje, celular se tornou coisa do povão exatamente por causa das características intrínsecas do capitalismo, que transforma artigos até então de luxos em artigos populares.

    Entenda esse processo aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2521
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2116
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2531
  • Gold Currency  24/10/2016 17:44
    Essa reportagem fala sobre isso:

    "O Startac, da Motorola, era um dos celulares ''queridinhos'' de 1996, graças ao design fino e com abertura flip. Ele pesava só 87g. Mas para tê-lo era necessário pagar até R$ 2.000 na época. O valor, corrigido para 2012, é de R$ 8.104,84, com o qual daria para comprar atualmente quatro iPhones 4S"

    tecnologia.uol.com.br/album/2012/10/30/conheca-quanto-custavam-antigamente-celulares-pcs-notebooks-e-windows.htm#fotoNav=4
  • Eperson  24/10/2016 17:39
    O interessante é que se você perguntar o que da valor aos bens, a maioria das pessoas dirá oferta e demanda. Entretanto, no momento que você tentar explicar que baseado na resposta anterior, a teoria da exploração estaria equivocada, muitos ficam confusos e entram em contradição.

    Excelente texto!
  • Precificardor  24/10/2016 18:47
    Teoria valor trabalho cabe certinho em cabeças vazia, formular preço é provavelmente a parte mais importante de um empreendimento e depende inerentemente da natureza de seu produto ou serviço:

    commodities: não apenas as conhecidas petróleo e etc, mas qualquer produto ou serviço que o mercado ofereça abundantemente já tem uma faixa de preço estreita que o mercado dita o preço, onde a melhor maneira de fazer dinheiro é ter um processo produtivo ou gestão que aumente a produtividade acima da concorrência. A teoria valor trabalho SEMPRE usa como exemplo de como é uma teoria perfeita.

    Inovações: estes aqui são os mais complicados, o terror da esquerda, a principal fonte de renda dos marketeiros honestos, a principal motivação do empreendedor e a razão pela qual nascem centenas de milionários neste país todos os dias. É a percepção de preço que o clientes está disposto a pagar, independente do custo, vendia minhas consultorias financeiro-agrárias por R$200/hora e quase não vendia nada, contratei um marketeiro por R$15mil e em 1 semana ele chegou a conclusão que meu trabalho deveria ser vendido por R$4mil a diária + 10% dos ganhos de produtividade em open books por 12 meses após implementação, resultados incríveis, e agora meus clientes fazem comentários EXATAMENTE como faço para o marketeiro "é caro, mas vale muito a pena".
  • Bruno Feliciano  24/10/2016 18:51
    O que a filosofia libertária fala sobre Clonagem Humana? Alguém poderia me indicar um artigo sobre isso?


    Abraços
  • Henrique Zucatelli  24/10/2016 18:55
    O estudo da economia pós Mises se torna muito mais conceitual que propriamente ciência exata, pois hoje podemos amar Iphones por serem modernos e da moda, e amanhã odiá-los por estarem ultrapassados, como aconteceu com tecnologias soterradas por outras mais recentes.

    Carrego minha experiência com o filósofo Henri Bergson, que estudou um fenômeno chamado dureé (não possui tradução literal para o português) mas basicamente se explica pelo continuum, onde momentos extraídos da história e analisados como fotografias não explicam a essência dos seres.

    Por outro lado, podemos traduzir também para o português de boteco: o preço de qualquer produto ou serviço está baseado em oferta, demanda e na vontade do freguês de comprar tal produto.


  • Renan Merlin  24/10/2016 19:22
    Leandro deixa eu perguntar, tem um antigo artigo do IMB mostrando que o panama não tem Banco Central todavia eles tem sim https://www.banconal.com.pa/ ou é apenas mais um banco estatal que supervisiona outros bancos como fazia o Banco do Brasil ate os anos 60? Outra também achei que a taxa basica de juros do panama é de 8% portanto sem a existência quem estipula a taxa basica interbancaria?
  • Leandro  24/10/2016 20:00
    Trata-se de um banco estatal que faz as funções de um Banco Central no que diz respeito às compensações bancárias e aos depósitos do Tesouro (equivalente à nossa Conta Única).

    Só isso. Ele não pode emitir moeda.

    El Banco Nacional de Panamá es la entidad bancaria oficial de Panamá. Fundado en 1904, realiza algunas funciones propias de banco central, aunque no puede emitir billetes ya que la moneda de curso legal en Panamá es el dólar estadounidense. La moneda oficial, el balboa, funciona únicamente en términos de contabilidad. Por eso, Panamá no cuenta con un banco central tradicional.

    https://es.wikipedia.org/wiki/Banco_Nacional_de_Panam%C3%A1

    Não encontrei essa taxa de juros de 8%. A taxa do interbancário está em 0,47%. Em linha com a americana.

    E a taxa paga a depósitos a prazo está em 2,14% ao ano.
  • Renan Merlin  24/10/2016 20:07
    Sem um banco central como o panama emite titulos publicos?
  • Trader  24/10/2016 21:35
    Nenhum Banco Central (de país sério) emite títulos, campeão. Quem emite títulos é o Tesouro Nacional.
  • Renan Merlin  24/10/2016 22:46
    Então a Taxa basica de juros(SELIC) ser a mesma taxa de juros dos titulos publicos só ocorre no Brasil?
  • Trader  24/10/2016 23:25
    Não, criatura, mais atenção.

    A SELIC remunera títulos públicos chamados Tesouro SELIC (ou LFT). Mas há também títulos públicos prefixados e títulos públicos atrelados ao IPCA. Cada um deles com diferentes taxas e diferentes prazos de vencimento.

    E isso é assim também no mundo inteiro.

    Atualmente, títulos atrelados à Selic representam 27,8% da dívida pública total.

    www.bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/IE4-16.xlsx

  • 4lex5andro  26/10/2016 00:08
    Esses titulos da divida publica são emitidos pelo tesouro e retornam como capital nao-produtivo que acaba financiando o Estado, mas este em vez de conter sua gastança continuou a emitir/remunerar esses papéis meio que descontroladamente.

    Entao teve que soltar a taxa de juros nas alturas, o investimento caiu, operaçao LJ, Petrobras caiu também e a recessao (ou conta pra pagar) chegou.
  • natalia  24/10/2016 20:55
    Falando de trabalho, procurei e não achei muita coisa sobre como funciona o setor do mercado editorial.
    Há muito imposto sobre essa área? Porque não escuto muito se falar sobre intervenção do governo nessa área.
  • Andre  25/10/2016 00:30
    Em geral impressão de livros tem grandes incentivos, revistas e periódicos coisa de 18% de carga tributária total e importação de livros, revistas e dados escritos em geral não são taxados independente do valor.
  • FL  25/10/2016 10:43
    Natalia, conheço um pouco deste mercado e, independente dos impostos, praticamente todo mercado editorial "depende" do governo.

    Quase todas as grandes editoras fazem livros didáticos e paradidáticos, e já perceberam que o maior comprador deste material são os governos (todos, municipais, estaduais e federal) através de vários programas, como o PNLD. No arranjo atual, não há escapatória: todo material tem que ser aprovado pelo MEC.

    Editoras de revistas, que estão cada vez mais irrelevantes, também são dependentes dos governos, seja via empréstimos ou pela verba de propaganda e divulgação que os governos gastam nas revistas.

    As poucas editoras que fazem apenas livros "comercias" ficam um pouco fora deste arranjo, mas nunca conseguem chegar perto do tamanho das outras.

    Sobre a impressão de livros e incentivos, muitas editoras compram papel na China e mandam imprimir fora do Brasil, pois assim fica mais barato. Esse é o tamanho do incentivo que o governo dá.
  • 4lex5andro  26/10/2016 00:14
    Pois é, mas o vilão da ''historia'' a cada campanha eleitoral é o empresario que ''preferiu'' ir fabricar componentes no exterior do que produzir no país, afinal quase não tem carga tributária pra sustentar o pai-Estado.

    É o outro lado não tão divulgado dessa política tributária que diz arrecadar muito para re-distribuir para vários daqueles que estão fora do mercado mas que também poderiam estar exatamente empregados (diretamente ou não) pelas empresas que precisaram montar plantas no exterior.
  • Douglas  24/10/2016 22:25
    Simples e objetivo. De fato, é impressionante o número de pessoas que defendem isso. Meu professor de história econômica é um deles, e obviamente ele tenta a todo custo enviar isso nas cabeças dos alunos.
  • Mark  25/10/2016 09:58
    Quando você, então, considera as várias maneiras como a mão-de-obra combinada com bens de capital (ferramentas, máquinas e demais insumos) permite que o trabalho produza bens e serviços que indivíduos consumidores apreciem, o que por sua vez eleva a remuneração da mão-de-obra, toda a visão de mundo de Marx é imediatamente virada de ponta-cabeça.

    É minha opinião que a teoria de valor trabalho de Marx caiu por terra há muito tempo, quando o primeiro par de chinelos foi produzido de forma mecanizada/automatizada. Se alguém sabe de algum trabalho em que ele sequer considerou que o avanço tecnológico chegaria aos níveis atuais, por favor me aponte para tal.

    O capital não explora o trabalhador. Ao contrário, ele aumenta o valor da mão-de-obra ao fornecer ao trabalhador as máquinas e ferramentas de que ele necessita para produzir bens e serviços que os indivíduos valorizam.

    Na prática - ao menos nos dia de hoje - vejo uma outra realidade.

    Primeiro pelo fato de que nunca se produziu tanto neste planeta com tão pouca mão-de-obra (devido a automatização em massa), de forma que a migração para novas ocupações já é uma realidade tida como certa para muitos, devido a extinção das ocupações antigas. Mesmo considerando que as pessoas sejam capazes economicamente de se adaptar, já que isto não envolve somente tempo e esforço, a velocidade da robotização já superou em muito a capacidade do sistema em gerar novas ocupações. Há artigos sobre isso. Seria a área de serviços capaz de absorver toda essa massa?

    Segundo, o valor subjetivo que as pessoas têm em relação a um certo bem nem sempre reflete no valor da mão-de-obra ou nas máquinas e ferramentas para produzí-lo. Se assim fosse, não existiriam sweatshops na Malásia ou Bangladesh onde coitados trabalham por quase nada para produzir uma camisa de marca ou bolsas de mulher, muitas vezes em condições de trabalho precárias e com máquinas e ferramentas sucateadas. Me refiro a exploração de outros seres humanos tendo como único objetivo o lucro. Em países onde a qualidade de vida de seus cidadãos e seus recursos naturais são vendidos a preço de banana, e suas autoridades cedem a interesses imperialistas (não necessariamente essencialmente capitalistas), não se pode esperar concorrência leal ou qualquer tipo de justiça social. Há investigações que apontam que até mesmo o passaporte destes pobres coitados são confiscados pelo empregador, de forma que eles não têm qualquer direito respeitado e sequer podem voltar para onde vieram. Desculpem o desabafo, mas não vejo como estas pessoas podem sequer sonhar em algum dia deixarem um mundo melhor aos seus filhos e netos. É bastante revoltante. Há um estudo que concluiu que no mundo existem hoje mais escravos (na definição de ser humano explorado para vantagem alheia) do que em toda a história.

    Já um serviço que é valorizado pela comunidade e provido por um profissional altamente qualificado, precisa e deve ser bem remunerado, já que é pouco provável que tal profissional se prestaria a oferecer seus serviços por quase nada através de coerção. Este sim tem maior chances de trabalhar para quem quiser, por quanto achar justo, que é o que o capitalismo essencialmente prega. Em alguns casos migram para outro país em busca de algo melhor para suas vidas e suas famílias, e estão certos.

    Não fosse o capital disponibilizado pelos capitalistas (maquinário, ferramentas, matéria prima, insumos, instalações etc.), a mão-de-obra não teria como produzir estes bens de qualidade altamente demandados pelos consumidores. Consequentemente, os trabalhadores nem sequer teriam renda.

    Verdade. Há investimento em países (pobres) como os que citei acima, onde bens de qualidade e de alta demanda são produzidos, mas seus cidadãos não vêm nem a cor desse dinheiro em termos de salário e elevação da qualidade de vida em geral (menos violência, mais educação, boa infra-estrutura de transporte, etc). Estes coitados acabam sim, virtualmente "sem renda". Precisaríamos de mecanismos para que este tipo de exploração não ocorra. No entanto, as práticas de hoje apontam para o contrário. Basta assistir algumas reportagens sobre os documentos vazados sobre tratados internacionais como o TPP para entender como essencialmente corporações têm o poder de impunemente subtrair direitos, explorar mão-de-obra barata e os recursos naturais destes países pobres.
  • Twain  25/10/2016 12:08
    Precisaríamos de mecanismos para que este tipo de exploração não ocorra. No entanto, as práticas de hoje apontam para o contrário. Basta assistir algumas reportagens sobre os documentos vazados sobre tratados internacionais como o TPP para entender como essencialmente corporações têm o poder de impunemente subtrair direitos, explorar mão-de-obra barata e os recursos naturais destes países pobres.

    Discordo. Se há tratado, há cheiro de capitalismo de estado. Livre comércio requer eliminação de regulações estatais. Alguns artigos:
    mises.org.br/Article.aspx?id=2198
    mises.org.br/Article.aspx?id=2459
    mises.org.br/Article.aspx?id=2283
    mises.org.br/Article.aspx?id=2481
  • Ismael  25/10/2016 10:55
    Artigo muito bom e direto nos exemplos utilizados que são lugares-comuns dos estudantes iludidos em salas de aula.
    Mas sugeriria que o título está um pouco deslocado do texto. Como sinônimo do termo 'assombra' nós temos a ideia de algo ao qual fugimos por ser assustador, assombroso. O principal viés do artigo não é demonstrar o posicionamento da Escola Austríaca quanto à falácia marxista....isto já está explícito. Mas sim de relatar o que se passa na sociedade (humanidade) e em salas de aula, onde continuam acatando a ilusória teoria apesar de ela já ter sido refutada à anos, falta apenas a refutação chegar até os incautos para que seja compreendida....e daí sim ser vista como algo assombroso, tal como a vemos.
    Assim, talvez um título mais próximo do texto, seria "A teoria do valor-trabalho ainda seduz a humanidade..."
  • Max STIRNER  25/10/2016 11:51
    Realmente o valor é subjetivo...nisso o artigo está correto.

    MAS ele está intimamente ligado a quem tem o PODER numa relação e isso vocês não abordaram no artigo.

    Quem tem o PODER ? o comprador ou o vendedor ? o dono da fábrica ou os trabalhadores ?

    Quem detém o monopólio, detém o poder sobre um determinado produto ou capital.

  • 4lex5andro  26/10/2016 00:20
    O poder nas relações de trabalho está (e não deveria ser diferente) com quem empreendeu o negócio assumindo os riscos inerentes á atividade econômica e não só de lucrar, mas em caso de prejúizo, até fechar o empreendimento.

    Caso não esteja o(s) empregado(s) contentes com esse arranjo não há na Ocde, pelo menos, nenhuma lei obrigando a ser contratado, é só pedir dispensa e tentar montar seu próprio negócio ou outra empresa que empregue por um salário maior.

    Parece uma explicação simplista mas o jogo é esse, e quando eivado de vícios, é só investigar quem é a peça do tabuleiro que 'interferiu' na ordem natural desse jogo: e essa peça, quase sempre, é o 'pai-Estado'.
  • Max STIRNER  25/10/2016 11:55
    Todas as vezes que esse site tenta defender o Capitalismo ele sempre apresenta uma visão míope dos fatos... se esquecendo de falar do PODER.

    O PODER está em toda parte e em todas as relações.

    Marx pode ter errado bastante ao tentar falar de economia quando na verdade o objeto de estudo (e do qual ele não conseguiu traduzir para o "economiquês") era na verdade o PODER nas relações de trabalho.
  • Marcus Lins  25/10/2016 16:07
    Meu único ponto contra algo neste artigo é a comparação com a Teoria Geocêntrica (TG). E por um motivo simples, ao contrário do valor-trabalho (VT), se você está usando a Terra como referencial inercial, a TG tem alguma utilidade e pode ser usada.

    Na verdade, o Heliocentrismo não é mais considerado "correto", já que nenhum referencial inercial tem preferência sobre o outro. Ao jogar a TG no mesmo pote do VT, dá-se ao último uma utilidade muito superior ao que ele merece.
  • francisco  05/12/2016 00:41
    Fui entender a comparação no fim, pois antes os economistas consideravam que a riqueza de um país era igual ao valor da terra. Depois, entenderam que o valor é igual a todos os bens e serviços que um país consegue produzir. Ou seja, a terra era o centro de tudo. Simples!
  • anonimo  26/10/2016 01:08
    Libertar o povo dos poderes econômicos, políticos, militares e religiosos.
    Libertar o povo do regime fascista e socialista.

    Isentar todas as empresas do pagamento e administração de todos os tributos.
    Tributar com base no consumo anual da pessoa física.
    Desvincular todos os tributos do preço de venda dos produtos e serviços.
    Creditar Cooperativa do Trabalho Regional e particular com auditoria internacional.

    Por que pagar tributo trabalhista, aposentadoria, saúde e educação ao Governo?

    Cooperativa Regional do Trabalho
  • Emerson Luis  31/10/2016 12:05

    Impressiona ver como a realidade sistematicamente mostra que funciona de forma inversa ao que Marx descreveu. Parece que ele fala de um universo alternativo em que tudo é invertido em relação ao nosso.

    Uma dúvida:

    "Se o trabalho de um operário produziu três pares de sapatos durante uma jornada de trabalho de doze horas, então, para Marx, o trabalhador tem o direito ao valor destes três pares de sapatos produzidos pelo seu trabalho. "

    Marx quis dizer é que o empresário deveria entregar TODO o dinheiro obtido com a venda desses três sapatos e ficar sem nada? Nada para pagar a matéria prima e outros insumos, para pagar os investimentos feitos e nem sequer para sua própria renda pessoal (pró-labore)? Ele quis dizer que o empresário deve trabalhar de graça e ainda pagar por isso, ficando no prejuízo? Eu devo estar entendendo mal, é absurdo demais.

    * * *
  • José  24/11/2016 13:39
    "Marx quis dizer é que o empresário deveria entregar TODO o dinheiro obtido com a venda desses três sapatos e ficar sem nada?"

    Sim. Qualquer valor menor que a totalidade isso configura "mais-valia".

    "Nada para pagar a matéria prima e outros insumos, para pagar os investimentos feitos e nem sequer para sua própria renda pessoal (pró-labore)?"

    Não. Marx nunca soube o que isso. Mesmo porque ele nunca trabalhou na vida. Muito menos empreendeu.

    "Ele quis dizer que o empresário deve trabalhar de graça e ainda pagar por isso, ficando no prejuízo?"

    Correto. Sendo ele membro da classe exploradora, ele tem de sofrer.

    "Eu devo estar entendendo mal, é absurdo demais."

    Você já viu qual foi o resultado pratico (em termos de cadáveres) da implantação do socialismo?
  • Israel Marinho  24/11/2016 12:58
    "O alto valor de mercado de uma comida mais elaborada e requintada não decorre do valor do trabalho do chef. Tal comida não é cara porque o salário do chef é alto. Ao contrário: o trabalho do chef é bem remunerado (seu salário é alto) exatamente porque ele é capaz de produzir uma comida que o público consumidor considera especialmente saborosa, bonita e saudável. O chef é bem pago porque ele sabe criar valor para seu público consumidor.

    Por essa visão, o trabalho é remunerado de acordo com sua capacidade de produzir bens e serviços que os consumidores voluntariamente compram porque valorizam"


    Imaginemos dois funcionários da Honda que produzem dois modelos de motos diferentes: um produz a Biz, o outro, CBR1000, por exemplo. Segundo essa teoria, o que produz a CBR1000 deveria ganhar mais, tendo em vista que este modelo tem um valor subjetivo maior para os consumidores do que a Biz, mas, pela minha experiência nas fábricas, esse não é o caso.
  • Pinheiro  24/11/2016 13:35
    E qual das duas é a mais vendida? Entra as duas, qual os consumidores optam voluntariamente por comprar em maior quantidade?

    Em suma, qual das duas traz mais receitas para a Honda?

    A CBR1000 pode ser a mais cara, mas não necessariamente será a mais demandada e mais vendida. Não necessariamente será ela a que traz mais lucros para a Honda.

    Se a Biz trouxer mais receitas para a Honda (porque é a mais vendida), então você não pode dizer que a CBR1000 tem um valor subjetivo maior para os consumidores. A grande massa consumidora está demonstrando, por meio de seus voluntários atos de consumo, preferir comprar a Biz e não a CBR1000. Sendo assim, não há nenhum motivo de os operários que trabalham na linha de montagem da CBR1000 ganharem mais que os da Biz.
  • saoPaulo  24/11/2016 14:56
    Complementando o comentário do Pinheiro.
    Que engenheiro genial é este que, sozinho, produz um motor moderno completo? Me apresente esta criatura, pois tenho muito a aprender com ele!
    Uma ova que ele produz o motor. Ele vende sua expertise em determinados aspectos do projeto. Se o outro funcionário efetua um trabalho semelhante, óbvio que ganhará o mesmo, pois ambos produzem valor semelhante para a fábrica.
    O valor produzido por um faxineiro da linha de montagem da Biz é o mesmo valor produzido por um faxineiro da linha de montagem da CBR1000.
  • Israel Marinho  24/11/2016 17:13
    O foco da discussão do artigo não é o que traz mais lucro pra empresa, mas sim o valor atribuído ao produto devido ao valor subjetivo dado pelo consumidor. Não é mesmo? Portanto, seguindo o argumento do artigo de que o valor subjetivo dado pelo consumidor de algum bem produzido é o que diz o valor pago ao produtor, o operário que produz a CBR devia ganhar mais.

    E as pessoas não compram mais a Biz em comparação à CBR porque dão mais valor àquela, mas sim porque simplesmente a maioria não tem dinheiro para comprar esta.
  • Ricardo  24/11/2016 17:40
    "O foco da discussão do artigo não é o que traz mais lucro pra empresa"

    É impossível uma empresa (em um ambiente de livre concorrência) ter lucro se ela não entregar ao consumidor aquilo que ele deseja e valoriza. Uma coisa é indissociável da outra.

    "mas sim o valor atribuído ao produto devido ao valor subjetivo dado pelo consumidor. Não é mesmo?"

    Não. O foco do artigo é: ganha dinheiro quem souber produzir valor para o consumidor. Ganha dinheiro quem souber entregar algo que o consumidor deseja e pelo qual está disposto a abrir mão do seu dinheiro.

    Indo para a prática: qual o número de Bizes vendidas? Multiplique o número de unidades vendidas pelo preço de cada uma delas. Agora faça o mesmo com a CBR 1000. Em qual das duas categorias os consumidores (o mercado) estão gastando mais dinheiro? Qual das duas motos faz com que um maior número de consumidores se sintam dispostos a abrir mão do seu dinheiro em troca dela?

    O porquê de os consumidores comprando mais de uma e menos da outra é imaterial; não interessa se você discorda ou concorda com a atitude deles (ou mesmo discordo de qualquer pessoa que dê mais de R$ 30 mil em um carro 1.0, mas não brigo com os fatos). O que interessa para o mercado é o que o consumidor está fazendo com o seu dinheiro por meio de sua preferência demonstrada.

    Se o consumidor está voluntariamente adquirindo mais Biz do que CBR 1000, e se é a venda de Biz que está trazendo maior receita (e lucro) para a Honda (o que significa que os consumidores voluntariamente valorizam essa categoria), então é natural que tal área seja a privilegiada (e seus funcionários ganhem bem). No dia em que a CBR 1000 virar a galinha dos ovos de ouro da Honda e a Biz virar um mico, pode saber que aí a relação vai mudar.
  • saoPaulo  24/11/2016 18:48
    Portanto, seguindo o argumento do artigo de que o valor subjetivo dado pelo consumidor de algum bem produzido é o que diz o valor pago ao produtor, o operário que produz a CBR devia ganhar mais.
    Errado! O operário NÃO produz o motor completo! O PRODUTO QUE ELE VENDE NÃO É O MOTOR, É O SEU TRABALHO, seja parafusar componentes no motor, seja efetuar determinados testes nele, seja projetar alguma parte dele. Se os dois operários fazem trabalhos semelhantes, obviamente eles deveriam ganhar salários semelhantes!

    E as pessoas não compram mais a Biz em comparação à CBR porque dão mais valor àquela, mas sim porque simplesmente a maioria não tem dinheiro para comprar esta.
    Errado novamente!
    As pessoas não compram mais a CBR, porque dão mais valor à Biz juntamente com todos os outros produtos que podem comprar ao economizarem não comprando a CBR.
  • Rael Monteiro Xavier  22/02/2017 19:36
    É por isso que na administração pública tem tanta reunião.
    Ninguém aceitaria tal desperdício se entendesse que valor não é simplesmente resultado de fazer alguma coisa.
    A maioria das pessoas não percebe a diferença entre custo e valor ou resultado e processo.
    É tão problemático que se alguém for agora procurar os indicadores de resultado de saúde não vão encontrar nenhum.
    No lugar vai ver coisas como: taxa de cobertura, número de profissionais treinados, número de consultadas agendadas, número de unidades construídas.
    Dá pra acreditar?
    É como se ao contratar um serviço de construção de uma casa, para acompanhar o andamento do processo te enviassem um índice de marretadas por minuto, taxa de pedreiros escolarizados ou o número de visitas que o mestre de obras fez.


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