clube   |   doar   |   idiomas
Nós não humanizamos o capitalismo; foi o capitalismo quem nos humanizou
Graças à acumulação de capital, o trabalho infantil foi abolido e a jornada de trabalho, reduzida

Sempre que há um feriado prolongado, várias pessoas dizem que foram os sindicatos e as intervenções do governo que "humanizaram o capitalismo" ao nos dar a jornada de trabalho de 8 horas, a semana de cinco dias de trabalho, a abolição do trabalho infantil e tudo mais.

Infelizmente, essas pessoas inverteram as relações de causa e efeito.

Não fomos nós que humanizamos o capitalismo; foi o capitalismo que nos humanizou.  A riqueza produzida pelo capitalismo nos permitiu satisfazer nossas demandas humanitárias de maneiras que não eram nem sequer sonháveis em outras épocas, quando todos os seres humanos viviam, diariamente, no limiar da sobrevivência.

Era absolutamente impossível trabalhar apenas 8 horas por dia, ter uma semana de trabalho de apenas 40 horas, e abrir mão do trabalho infantil quando as condições materiais que permitem esse luxo ainda não existiam. Ao contrário do que alguns gostam de imaginar, os trabalhadores não trabalhavam longas jornadas e as crianças não trabalhavam desde muito cedo porque os empregadores apontavam uma arma para suas cabeças. Igualmente, eles não trabalhavam tanto só porque gostavam de laborar por longas, duras e desconfortáveis horas.

Eles, assim como nós, teriam preferido trabalhar menos, ganhar mais, e usufruir melhores condições de trabalho.  No entanto, quando o capital — ferramentas tecnológicas, maquinários de alta produção, e de meios de transporte rápidos e eficientes —  é escasso, a produtividade é baixa.  Sendo a produtividade baixa, os salários inevitavelmente também serão baixos.  Sendo assim, para se alimentar toda uma família, serão necessárias várias horas de trabalho e muito mais pessoas trabalhando.

Cuidando de si próprio

Como Ludwig Von Mises nunca se cansou de repetir, foi a acumulação de capital o que tornou o trabalho mais produtivo. 

Capital é tudo aquilo que aumenta a produtividade e, em última instância, o padrão de vida de uma sociedade. Capital são todos os fatores de produção — como ferramentas, maquinários, edificações, meios de transporte etc. — que tornam o trabalho humano mais eficiente e produtivo. 

Capital, em termos físicos, são os ativos físicos das empresas e indústrias.  São as instalações, os maquinários, os estoques e os equipamentos de escritório de uma fábrica ou de uma empresa qualquer.

Trabalhar menos e produzir mais é o resultado direto da acumulação de capital. Assim como um trator multiplica enormemente a produção agrícola em relação a uma enxada, o uso de máquinas e equipamentos modernos multiplica enormemente a produtividade dos trabalhadores — e, consequentemente, seus salários e sua qualidade de vida.

Foi a acumulação de capital ocorrida ao longo dos séculos o que permitiu que os trabalhadores produzissem mais com menos horas de trabalho. Em decorrência disso, eles passaram a poder alimentar a si próprios e a seus familiares — bem como educar seus filhos — ao mesmo tempo em que trabalhavam menos horas.

Nos países ricos, em que os trabalhadores possuem uma grande quantidade de maquinários e bens de capital tecnológicos à sua disposição, tais trabalhadores tendem a ser mais produtivos. Sendo assim, eles podem se dar ao luxo de trabalhar menos horas.  Já nos países ainda em desenvolvimento, que não usufruem de bens de capital abundantes e de qualidade para seus trabalhadores — o que faz com que eles sejam menos produtivos —, não há alternativa senão trabalhar mais para produzir o mesmo tanto que um trabalhador de um país desenvolvido.

Os salários dos trabalhadores dependem de sua produtividade e do valor daquilo que produzem para os consumidores. Quando trabalhadores têm mais e melhores bens de capital com os quais trabalhar, sua mão-de-obra se torna mais produtiva. E quando os consumidores demandam aquilo que eles produzem, seus salários, por causa da maior produtividade, podem aumentar.

Quando os proprietários do capital — isto é, os donos dos meios de produção — têm de concorrer pela mão-de-obra, eles têm de oferecer maiores salários para atrair essa mão-de-obra mais produtiva, retirando-a de seus concorrentes.  A consequência é que mais e melhores bens de capital levam a maiores salários, e isso permite que mais famílias possam sobreviver sem ter de colocar seus filhos para trabalhar, e que mais trabalhadores e empresas possam reduzir as horas de trabalho e a jornada semanal.

E todo esse processo já estava a pleno vigor antes de qualquer tipo de sindicalização ou de regulamentações governamentais sobre a jornada de trabalho. A linha de tendência de queda nas horas de trabalho não foi alterada quando sindicalizações e regulamentações governamentais começaram a aparecer.

trendline.png

Horas semanais de trabalho na indústria, 1830-1997; a cada regulamentação que surge, a tendência de queda não é alterada

O economista Robert Whaples observa que a jornada semanal média vem caindo progressivamente desde os anos 1830.

Em 1938, quando o então presidente americano Franklin Roosevelt assinou a Fair Labor Standards Act (FLSA), uma lei que estipulava a jornada semanal máxima em 40 horas, tal lei já era praticamente desnecessária.  Ao longo do século anterior, as forças de mercado já haviam derrubado a jornada semanal média nas indústrias, de quase 70 horas para apenas 50 horas.  Em outras indústrias, a jornada era ainda menor.  Em 1930, por exemplo, operários das ferrovias trabalhavam uma media de 42,9 horas por semana.  Já os carvoeiros trabalhavam uma média de apenas 27 horas. (Confira os números aqui).

Henry Ford implantou uma jornada semanal de 40 horas em 1926 porque ele acreditava que consumidores com mais tempo livre iriam comprar mais produtos.  Outras grandes empresas fizeram o mesmo.  Apenas um ano depois, 262 grandes empresas já haviam adotado uma semana de trabalho de 5 dias.  Pela primeira vez na história, as pessoas estavam usufruindo fins de semana livres.

De acordo com esse trabalho acadêmico do economista Robert Whaples:

Mais de 80% dos historiadores econômicos já aceitam a idéia de que "a redução na jornada de trabalho semanal nas indústrias americanas antes da Grande Depressão deveu-se majoritariamente ao crescimento econômico e aos aumentos salariais gerados por esse crescimento econômico.  Outras forças tiveram um papel apenas secundário.  Por exemplo, dois terços dos historiadores econômicos rejeitam a proposta de que os esforços dos sindicatos foram a principal causa da queda na jornada de trabalho antes da Grande Depressão.

E essa tendência de queda nas horas de trabalho pode ser observada com ainda mais intensidade no que diz respeito ao trabalho infantil.

No início do século XIX, crianças trabalhavam ou na agricultura familiar ou nas fábricas.  Em ambos os casos, as famílias necessitavam dessa contribuição do salário da criança para sobreviver.

O historiador Steven Mintz, especialista em trabalho infantil, observa que os salários de crianças entre 10 e 15 anos de idade "frequentemente representavam 20% da renda da família e podiam significar a diferença entre bem-estar e privação".  Como também disse Mintz, "nessa economia cooperativa familiar, as decisões essenciais [...] se baseavam nas necessidades da família e não na escolha individual".

É claro que se os pais daquela época fossem capazes de sobreviver sem ter de colocar seus filhos para trabalhar, eles teriam feito isso, como demonstrado pela relativa ausência de trabalho infantil entre as famílias mais ricas da época.  O problema é que a maioria dos pais simplesmente não podia se dar a esse luxo.

Quando uma demanda menor é algo bom

Evidências de que foi a acumulação de capital, e não legislações, que reduziram o trabalho infantil e a jornada de trabalho foram compiladas pelo historiador Clark Nardinelli, que mostra o contínuo declínio das horas de trabalho infantil nas fábricas britânicas de algodão e de linho nas duas décadas anteriores à promulgação do Factory Act de 1833 [que limitava a 10 horas por dia o trabalho infantil em fábricas], bem como o contínuo declínio no trabalho infantil total nas fábricas de seda até 1890, muito embora as leis de trabalho infantil não se aplicassem à indústria da seda.

Conjuntamente, todos esses dados fornecem evidências do papel da elevação dos salários reais, permitida pelo capitalismo, como a causa da redução do trabalho infantil ao longo do século.  Mesmo crianças que trabalhavam na agricultura viram suas funções diminuírem à medida que maquinários agrícolas de maior qualidade reduziram a necessidade do uso de mão-de-obra infantil e aumentaram a produtividade, o que permitiu que proprietários de terra contratassem mão-de-obra de fora da família.

Sim, não há dúvidas de que as condições nas quais as crianças trabalhavam nas fábricas (e ainda o fazem nos locais mais pobres do mundo) eram desagradáveis e desumanas para os nossos padrões atuais; mas a vida no campo, trabalhando na lavoura, certamente não era melhor. Provavelmente, era pior. Se levarmos em conta a maior renda familiar e o maior acesso a recursos, principalmente remédios, disponíveis à recém-formada mão-de-obra industrial urbana, a vida era, no geral, melhor para crianças que trabalhavam nas fábricas do que para crianças que trabalhavam na lavoura na geração anterior.

A conclusão de Nardinelli merece ser citada:

A crescente renda real observada na Grã-Bretanha do século XIX foi a mais importante força responsável por retirar as crianças das fábricas têxteis após 1835. As crianças trabalhavam nas fábricas porque suas famílias eram pobres; à medida que a renda das famílias aumentou, a mão-de-obra infantil diminuiu.  Com efeito, à medida que a renda de uma determinada família aumentava, seus filhos começavam a trabalhar em idades mais avançadas do que seus irmãos mais velhos. 

Aquela bem conhecida preocupação vitoriana com as crianças surgiu, em grande parte, como um reflexo da renda crescente.  Era de se esperar que, graças ao crescente aumento da renda na última metade do século XIX, a quantidade de mão-de-obra infantil nas fábricas têxteis teria declinado sem qualquer legislação a respeito.

É certo que as leis tiveram algum efeito em dar um empurrão ao processo, mas a "mais importante força" continua sendo o aumento na renda real produzido pelo capitalismo e pela industrialização.

Contrariamente à alegação de seus críticos, não foi o capitalismo quem criou a desagradável mão-de-obra infantil. Esse tipo de trabalho sempre existiu nas famílias e no campo. E não por uma questão de maldade, mas sim de necessidade econômica. O que obrigou agricultores a colocar seus filhos para trabalhar foi o fato de que, como a produtividade era baixa, tais pessoas simplesmente tinham de trabalhar 70-80 horas por semana se quisessem produzir o suficiente para comer. 

Foi o capitalismo e a acumulação de capital gerada pelo capitalismo quem permitiu o desaparecimento do trabalho infantil entre as massas pela primeira vez na história da humanidade, ainda que ele tenha, à primeira vista, tornado o trabalho infantil mais visível ao movê-lo do campo para as fábricas.

Se o problema fosse de tão fácil resolução, então tudo o que aqueles países do Terceiro Mundo — cuja população, inclusive crianças, ainda trabalha muitas horas por semana — têm de fazer para acabar com a pobreza, enriquecer e usufruir mais horas de lazer é criar leis. 

A sociedade supera o ego

Por tudo isso, é válido perguntar por que se tornou uma espécie de senso comum acreditar que foram leis estatais que aboliram o trabalho infantil, as longas jornadas e a semana de sete dias de trabalho. Meu palpite é que tal raciocínio provavelmente é reflexo da nosso viés intelectual e evolutivo, o qual nos leva a acreditar que de fato temos o poder de controlar o mundo social à nossa volta.

É mais fácil, bem como mais moralmente satisfatório, acreditar que fomos nós que intencionalmente abolimos algo desagradável ao simplesmente nos posicionarmos contra ele. Não é fácil aceitarmos que o responsável por tudo foi um processo que não controlamos diretamente.

Adicionalmente, parece ser uma tendência que leis contra um comportamento antigo que julgamos ser moralmente repreensível adquiram uma aura de santidade quando as práticas em questão já majoritariamente desapareceram, fazendo com que os poucos exemplos ainda remanescentes sejam ainda mais repreensíveis.  Isso certamente é válido para alto enfoque dado ao trabalho infantil ao mesmo tempo em que este foi rapidamente desaparecendo ao redor do mundo, por causa da cada vez menor necessidade de renda infantil para complementar a renda de uma família minimamente estruturada.

É mais fácil legislar contra uma prática cuja necessidade econômica, ou mesmo conveniência, já não existe mais. Leis proibindo o trabalho infantil e longas jornadas de trabalho só foram possíveis de ser implantadas quando as famílias não mais necessitavam daquelas horas extras de trabalho para sobreviver e propiciar uma vida melhor para si próprias e para seus filhos.

O real crédito pelo declínio do trabalho infantil e das longas jornadas de trabalho se deve ao capitalismo e aos mercados concorrenciais, os quais permitiram a acumulação e o crescimento do capital, o qual aumentou a produtividade da mão-de-obra e enriqueceu tanto os capitalistas quanto os trabalhadores.  Pessoas mais ricas podem se dar ao luxo de trabalhar menos e viver melhor.

Sindicatos e governos não humanizaram o capitalismo. Foi o capitalismo quem criou as condições que permitiram que cada vez mais pessoas vivessem vidas verdadeiramente humanas.

_______________________________

Leia também:

O mercado, e não os sindicatos, nos propiciou o  lazer e o descanso

Feriados e fins de semana não foram uma criação dos sindicatos - seria economicamente impossível

______________________________

Steve Horwitz é professor de economia na St. Lawrence University e autor do livro Microfoundations and Macroeconomics: An Austrian Perspective.

Julian Adorney é diretor de marketing da Peacekeeper, um aplicativo de smartphone que oferece uma alternativa para serviços de emergência.  É também historiador econômico, tendo como base a economia austríaca.  Já publicou nos sites do Ludwig von Mises Institute do EUA, Townhall, e The Hill.


13 votos

autor

Diversos Autores

  • Rene  17/10/2016 16:03
    Um cidadão do século XXI que condena o trabalho infantil no século XIX possui tão pouca compreensão da realidade como os socialistas de iphone, que condenam o capitalismo e apoiam o PT enquanto tomam uma cerveja importada no meio da semana, às 3h da tarde, em um barzinho do Leblon. Meu pai viveu em um ambiente agrícola até seus vinte e tantos anos. Ele não tinha luz elétrica em casa, o trabalho na roça era na base da enxada, não havia qualquer tipo de programa governamental de ajuda ao agricultor, além de todas as privações que eles passavam pela falta de auxílio médico. Ele estudou até a segunda série do fundamental, simplesmente porque o tempo que ele estava na escola significava menos tempo de trabalho no campo, e em consequência, menos comida na mesa da família. Quando se precisa trabalhar muito para produzir pouco, as prioridades da família são diferentes. Ninguém tem dó de colocar os pequenos para trabalhar, de matar bicho para se alimentar, ou de derrubar a mata nativa para fazer uma lavoura, pois o que está em jogo é a sobrevivência da família, visto que basta uma colheita ruim para todos passarem fome.

    O interessante é que este padrão se repete até os dias de hoje. Veja qualquer documentário que mostre o trabalho infantil. Em 100% dos casos você vai ver crianças trabalhando longas jornadas e ganhando uma miséria, com é o caso de um vídeo que eu assisti, onde mostrava crianças quebrando coquinhos com um martelo e um pedaço de borracha, para vender o miolo deles por um valor irrisório. Obviamente, nesta reportagem condenava-se os capitalistas que pagavam tão pouco ao trabalho dos pequenos, condenava-se os pais por exporem os filhos a este tipo de trabalho, condenava-se o governo, por permitir que estas coisas acontecessem. Mas ninguém pensou que, talvez, uma máquina que quebrasse os coquinhos em alta velocidade poderia melhorar a vida deles.
  • Thomas  17/10/2016 16:06
    Sempre vale repetir:

    Ainda hoje, há pessoas que realmente acreditam que no século XVIII havia o mesmo tanto de riqueza que há hoje, de modo que, se os salários eram baixos (comparado aos padrões de hoje), se a segurança no trabalho era precária (de novo, comparado aos padrões de hoje) e se mulheres e crianças trabalhavam, isso só ocorria porque os malditos e gananciosos capitalistas se recusavam a prover segurança e salários altos, e obrigavam mulheres e crianças a trabalhar.

    Tais pessoas realmente acreditam que bastava apenas um decreto governamental para que um trabalhador em 1750 gozasse dos mesmos confortos, segurança no trabalho e níveis salariais vigentes hoje! É inacreditável. Para quem está acostumado a todas as comodidades e confortos do século XXI, é claro que as condições de vida do século XVIII pareciam "sub-humanas".

    Falar que a qualidade de vida era ruim nos séculos XVIII e XIX tendo por base o século XXI, e daí tirar conclusões, é vigarice intelectual. Tal postura ignora toda a acumulação de capital que ocorreu ao logo dos séculos seguintes. Era simplesmente impossível ter nos séculos XVIII e XIX a qualidade de vida que usufruímos hoje no século XXI, a segurança no trabalho, e a renda. Naquela época, não havia a mesma acumulação de capital que temos hoje. A produtividade era menor, os investimentos eram menores, a quantidade e a variedade de bens e serviços eram menores. Era impossível ter naquela época a mesma quantidade de comodidades que temos hoje.

    Trabalhar muito e receber pouco não era uma decisão de capitalistas maldosos. Era a necessidade da época. Quem realmente acredita que era possível trabalhar 6 horas por dia nos séculos XVIII e XIX e ainda assim viver bem não entende absolutamente nada de economia. Tal raciocínio parte do princípio de que vivemos no Jardim do Éden, que a riqueza já está dada, e que tudo é uma mera questão de redistribuição.
  • Um Cão  17/10/2016 16:39
    Excelente artigo e excelentes comentários.

    Hoje, aos meus quase 30 anos, finalmente compreendo o porque dos meus pais e avós terem trabalhado tanto para dar o padrão de vida que tenho hoje. Há 4 anos atraz, eu era mais um destes que reclamava de tudo com barriga cheia, da ausência dos meus pais e até o "favor" que eu fazia de trabalhar em uma empresa. Hoje eu os admiro por contribuir para a sociedade, minha forma de pensar e por me dar as oportunidades que tenho.

    A liberdade junta com o capitalismo nos torna seres humanos melhores.
  • Viking  17/10/2016 16:15
    perfeito!
    até um jogo de videogame mostra isso.
    voce começa com poucos e fracos itens, até que vai conseguindo obter itens melhores, mais fortes e mais produtivos com o acumulo de moedas/pontos.
    até uma criança percebe.
  • Vidinha  17/10/2016 23:46
    Mais um local para o capitalismo atuar barateando a máquina :)
  • Jorge  17/10/2016 21:10
    Mas, se a máquina custar mais caro que pagar as crianças, ninguém comprará a máquina.
  • Gabriel Thom%C3%83%C2%A9  17/10/2016 23:02
    Jorge, a máquina só tem sentido de existência se trouxer mais retorno ao investidor, via aumento de produtividade, do que o trabalho barato traz. Logicamente que olhando para um período fixo (como um mês) sua compra será mais cara que possivelmente todos os salários envolvidos na produção, mas olhando desta forma estás confundindo salários produtivos, que se cristalizam em custos no produto, com formação de capital fixo. A ciência Contábil nos ensina, por método estável, como não confundirmos despesa com investimento.

    O ponto do artigo é que o aumento de produtividade via aumento de capital fixo só se torna possível após a acumulação de riqueza, seja está privada ou social (leia-se poupança). Após a compra de maquinário o aumento de produtividade traria renda adicional à toda cadeia envolvida, potencializando ainda o investimento em outros setores.

  • reinaldo  17/10/2016 22:55
    Mais ou menos a história da minha familia. Meu avô materno trabalhava sete dias por semana na roça para manter a familia, e tinha que botar os filhos desde os sete anos para ajudar, senão não tinha comida na mesa. conforme os filhos foram crecendo e produzindo mais o nivel de vida no sitio começou a melhorar. Mas conforme eles foram casando, a produçaõ caiu e os dois velhos quase acabaram na miséria.
  • Gil  20/10/2016 11:12
    Depende de quem seria o dono da máquina. Em sendo o comprador da produção das crianças, as coitadas nem a miséria que ganham poderiam ganhar. Em sendo as crianças, aí sim teriam melhoria de condições.
  • DE LUCA  23/10/2016 18:27
    Mas só em países desenvolvidos, com economia solida e um governo com menos fome, as crianças podem comprar essa maquina, Brasil Venezuela, Bolivia etc O governo não permite e te taxa com 14,25%, mais multa por ser de menor.
  • Rodrigo  17/10/2016 16:03
    A historia do trabalho sempre foi uma historia de horror foram sim os sindicados que melhoraram as condições.
  • Tulio  17/10/2016 16:12
    Rodrigo, gostei da sua argumentação e das suas fontes. Muito persuasivas e irrefutáveis.
  • Marcos  17/10/2016 16:13
    "A história do trabalho sempre foi uma história de horror." Essa frase define perfeitamente a mentalidade da esquerda-chique. Para essa gente, ter de trabalhar é realmente m horror.

    Depois eles não entendem porque a genuína classe trabalhadora não quer mais saber deles e de seu discurso morfético em prol da vagabundagem.

    Genuínos trabalhadores querem enriquecer por meio do trabalho sério e honesto, e não por meio do coitadismo.
  • Eduardo  18/10/2016 23:34
    Essa sua resposta não poderia ter sido melhor rsrsrs.... foi aquele colocado preciso onde o sujeito cai e não consegue nem pedir água rsrsrs ?.....
  • Andre  17/10/2016 16:20
    De fato o sindicato briga, faz piquete, vandalismos em geral e "consegue" as tais melhorias, aí o patrão me chama, faço um estudo de produtividade das atividades e dos empregados envolvidos, nos debruçamos sobre as planilhas de custos e os membros menos produtivos da atividade são eliminados até o limite onde os mais produtivos tenham suas melhorias.

    Muitas propriedade rurais com culturas intensivas em mão de obra estão focando no plantio de culturas que exigem pouco trato, reduzindo o quadro, ou mesmo focando no plantio de árvores para celulose e madeiras nobres, sendo os tratos feitos por uma empresa terceirizada sediada no Uruguai ou Paraguai, sindicatos contribuem bastante para a divisão do trabalho e empreendedorismo.
  • Leitor Assiduo  17/10/2016 17:27
    De fato os sindicatos ajudam mesmo. Ha pouco tempo o sindicato deu um ultimato na empresa que trabalho. Queriam o fim do banco de horas. Em um mês reduzimos o quadro em 12%, de modo a ficar apenas com os funcionários que nunca faziam hora extra (na verdade foi bem mais complexo que isso, mas já dá para entender).

    Enfim, ficaram sem o banco de horas e sem as horas extras.

    Sem querer o sindicato acaba sendo um motor para o aperfeiçoamento e é claro, para o corte de mão de obra.
  • Marcos  17/10/2016 16:59
    O pior é que pra muita gente essa é a realidade: "o trabalho é um horror".

    Aí o cara diante da contradição de ter que sobreviver, mas sem trabalhar, começa a reclamar de tudo.


  • Breaking Bad  17/10/2016 21:20
    Pois é, rodrigo, a história do trabalho é um horror mesmo, aliás, trabalhar é horrível e vai ver que é por isso que existem os sindicatos, para permitirem que seus presidentes e apaniguados vivam nababescamente sem trabalharem e por conta da contribuição sindical obrigatória imposta aos pobres-diabos que trabalham. De fato, presidir uma CUT, CGT ou qualquer outro sindicatozinho meia boca é sonho de consumo de muito socialista em progressão de vagabundagem. Haja barrigada hoje por aqui!
  • saoPaulo  18/10/2016 11:38
    Já dizia o sábio Seu Madruga: "Não existe trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar."
  • JP  17/10/2016 16:46
    Boa tarde Leandro,

    Vocês do IMB poderiam fazer um pesquisa sobre esses caras: Jim Rickards, Will Bonner e Addison Wiggin.


    https://www.amazon.com/Addison-Wiggin/e/B004V900SI/ref=dp_byline_cont_book_2

    https://www.amazon.com/s/ref=nb_sb_ss_i_2_7?url=search-alias%3Dstripbooks&field-keywords=jim+rickards+books&sprefix=Jim+Ric%2Cstripbooks%2C288

    E agorafinancial.com/about/our-books/

    Esses caras previram muita coisa com base na impressão massiva de dinheiro pelo FED. O assunto é seríssimo.

    Obrigado.
  • Viking  18/10/2016 14:54
    do Jim Rickards, a Empiricus fazia uma baita propaganda, lançaram até livro.
    a partir dai fiquei com duvidas se é confiável rs
  • Andre  18/10/2016 16:01
    Lendo os artigos do Mises e tendo conhecimentos razoáveis em economia vai chegar na mesma conclusão do Jim.
  • Horário de Verão  17/10/2016 17:46
    Boa Tarde,

    Percebi que hoje o artigo saiu um pouco mais que o costumeiro (ou não, pois meu relógio foi adiantado em uma hora). Gostaria de saber se vão manter o padrão devido ao horário de verão, que como é determinado por decreto governamental, os senhores continuarão a se basear no "horário de Deus", como minha vó costuma dizer?
  • Mario Assis  18/10/2016 21:07
    Caro,
    não é por algo ser feito pelo estado que os liberais precisam ser contra isso.
    O sentido das ruas de trânsito é determinado pelo estado, mas os liberais não andam na contra mão.
  • Vinicius   18/10/2016 23:48
    uahsuahsuah rachei! Vou aderir a isso! começar a recusar o horário estatal e aderir o horário de Deus!
  • Frugal  17/10/2016 18:00
    Muito legal o artigo.
    Muitas pessoas que conheço certamente nunca pensaram nisso.
    Elas acham que "todas as conquistas" vieram de sindicalistas.
  • Jorge  17/10/2016 21:05
    Galera eu sou "novo" no assunto, pq sempre tive acesso praticamente APENAS AO PENSAMENTO DE ESQUERDA.
    Não vou me estender, mas tudo me leva a crer que o melhor seria um governo mais "socialista" mas que não se metesse tanto na vida das pessoas, apenas se limitando a cuidar da segurança nacional, do meio ambiente e garantindo que não existisse gente passando fome por não ter onde se encaixar no mercado de trabalho.
    Só que eu quero entender a vida fora dessa bolha, então não venham com xingamento e sarcasmo. A esquerda já faz isso com quem questiona.

    Mas, enfim, os empresários também trabalhavam mais de 8 horas por dia e também colocavam seus filhos menores pra trabalhar?
    Porque pelo que eu vi até hoje, apenas os pobres trabalhavam tanto e continuavam pobres. Mas por que isso?
    Por que as pessoas precisavam trabalhar tanto? Para saciar as necessidades da população (alimentação, saneamento, etc) ou para gerar o lucro dos empresários? Por que é isso que eu vejo hoje.

    Por exemplo, eu trabalho numa banda e preciso tocar e ainda carregar o equipamento pra poder fazer o que eu gosto, e mesmo assim, estou procurando emprego em outra área porque não está sendo suficiente nem para dar um salário mínimo (e eu nem tenho carteira assinada). O que acontece é que o dono da banda está na mesma situação. Ele tem o equipamento e o ônibus da banda e além disso ele tem uma história de 60 anos de música que é o que vende a banda em termos de imagem, repertório, estilo, etc. Se ele quisesse, poderia diminuir meu salário pela metade e encontrar outro para fazer o que eu faço. Mas ele não o faz, porque há emprego fora da música e a galera tá abandonando a música como fonte de renda e indo pra indústria, (o que eu pretendo fazer) que é o que dá mais dinheiro, isso sem falar nos casos de gente que consegue estudar e já começou na música como hobby. Então, falta músico bom que tocaria pelo que eu toco. Só que enquanto o meu chefe faz isso, há outros, inclusive gente famosa em todo o país, (coisa de R$ 300 mil pra uma ou duas horas de show - eu toco 4 horas) que paga menos do que o meu chefe! Quero dizer, eu chego a ganhar R$ 600 reais por show, só que tem poucos eventos e por isso não ganho bem mensalmente, enquanto que tem músico desse outro patamar de banda que ganha R$ 3 mil por mês mais encargos, fazendo mais de 30 shows por mês! Ou seja, músico tem que trabalhar adoidado pra ganhar mal, tanto pra dono de banda que é mais ganancionso, quanto para quem é menos ganancioso. E é justamente essa ganância que prejudica a galera, porque tem gente que paga menos do que o meu chefe aqui (isso por evento) mas consegue tocar bastante, obter mais lucro e investir mais em propaganda, equipamento, etc. Só que os músicos ganham menos que eu por hora trabalhada! Ou seja, não é para sanar a necessidade da sociedade que esses músicos precisam tocar 40 shows, ganhando R$ 100 reais por evento. Eles precisam trabalhar por tão pouco para garantir o próprio sustento fazendo aquilo que gostam e estudaram. E isso só acontece porque os donos das bandas querem acumular lucros astronômicos. Se o cantor X quisesse, ele teria uma ótima condição financeira e ainda poderia garantir algo muito semelhante à sua equipe, no entanto, não é isso que ele faz, porque é mais "inteligente" pagar o mínimo necessário e obter mais lucro.

    Sendo assim, as pessoas precisavam (e ainda precisam) trabalhar tanto, para suprir a necessidade da população ou para encher os bolsos dos acionistas, empresários, etc?
  • Matheus  17/10/2016 22:00
    Prezado Jorge, lamento quebrar a sua bolha, mas você está em uma profissão que irá acabar. Veja bem, eu nada tenho contra você. Nem sequer o conheço. Mas, segundo o seu próprio relato, você está ofertando um produto que poucas pessoas querem voluntariamente consumir. Você não está criando valor para terceiros. Você, no máximo, cria uma satisfação passageira para algumas poucas pessoas, as quais, em sua maioria, são constrangidas a pagar para você via couvert.

    Você não está criando valor para as pessoas. Você não está se mostrando indispensável para a sociedade. Você é perfeitamente substituível. Igual a você há outros milhares. Há muita oferta para pouca demanda.

    Se você não descobrir rapidamente outra habilidade, passará aperto. Desculpe trazê-lo para a realidade desta maneira.

    Vou sugerir apenas dois artigos para você, que falam exatamente sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2054
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2515
  • Denison  18/10/2016 00:03
    Galera eu sou "novo" no assunto, pq sempre tive acesso praticamente APENAS AO PENSAMENTO DE ESQUERDA.

    Normal. Felizmente você está aberto a expandir seu conhecimento.

    Não vou me estender, mas tudo me leva a crer que o melhor seria um governo mais "socialista" mas que não se metesse tanto na vida das pessoas, apenas se limitando a cuidar da segurança nacional, do meio ambiente e garantindo que não existisse gente passando fome por não ter onde se encaixar no mercado de trabalho.

    Bom, se ele fosse socialista não teria como não "se meter tanto na vida das pessoas". Me parece que você está se referindo ao sozialstaat, e nao ao sozialismus. O primeiro é o que conhecemos como Estado de Bem-Estar Social, o segundo é o socialismo em si. Por terem nomes parecidos muitas pessoas confundem. O sozialstaat é o que vemos nos países nórdicos, assistencialismo "casado" com um mercado relativamente livre (a Noruega, por exemplo, tem mercado mais livre que os Estados Unidos, segundo a Heritage). O sozialismus é a centralização por parte do Estado. No primeiro, existe um mínimo de assistencialismo para "quem precisa" mas não existe teto para acumulação. No segundo, existe um mínimo de assistencialismo e um máximo em que se pode acumular pelo bem da "justiça social", com exceção, é claro, dos membros do Partido.
    É importante que você tenha em mente que assistencialismo não é coisa exclusiva de socialistas. Na verdade, grande parte dos governos autoritários da Europa no século XIX eram de "Direita" e possuíam algum nível de assistencialismo. Se tiver fôlego, busca por Otto Von Bismarck. É comum a esquerda se apropriar de ideias quando conveniente.
    Também, a adoção do Sozialstaat mais atuante nos países nórdicos somente foi possível porque eles acumularam por muito tempo. Então, se nós queremos adotar o sozialstaat como eles, temos que aumentar nossa produtividade, acumular, etc, e para isso precisamos de um ambiente que não nos atrapalhe.

    Mas, enfim, os empresários também trabalhavam mais de 8 horas por dia e também colocavam seus filhos menores pra trabalhar?

    Empresário não tem horário de trabalho como os empregados. Se a empresa for dele, ele vai trabalhar mais que seus funcionários, assim como é feito hoje. Não caia nessa de que "o capitalista só fica perseguindo o trabalhador".
    A maioria das pessoas, como dito no texto, não colocava seus filhos para trabalhar porque simplesmente queriam, e sim porque necessitavam. Lê o trecho que fala que o salário das crianças chegava a 20% da renda familiar...

    Porque pelo que eu vi até hoje, apenas os pobres trabalhavam tanto e continuavam pobres. Mas por que isso?
    Por que as pessoas precisavam trabalhar tanto? Para saciar as necessidades da população (alimentação, saneamento, etc) ou para gerar o lucro dos empresários? Por que é isso que eu vejo hoje.


    Pelo visto você nao tem uma ideia bem construida sobre produtividade. Procura entender um pouco mais, tem um motor de busca nesse próprio site com artigos que falam sobre produtividade.

    Sendo assim, as pessoas precisavam (e ainda precisam) trabalhar tanto, para suprir a necessidade da população ou para encher os bolsos dos acionistas, empresários, etc?

    Pelo que você nos contou, seu ramo possui muita oferta e pouca demanda. Um cantor famosos, ou um jogador famoso, pode cobrar mais porque eles criam mais valor que você. Nesse site também existem diversos artigos sobre criar valor.
    Você citou que pretende sair desse ramo, pelo que foi dito, faz bem!

    Bom, pela forma como você pensa, realmente você tem um viés mais esquerdista, uma maior facilidade de cair no conto simplista de que tudo é culpa do "capitalista" e deve ser corrigido por uma canetada feita por algum burocrata. Entenda isso como uma crítica construtiva, nao estou tentando desfazer de você. Todos nós temos margem para evolução, procure ler, não tenha preguiça. Nesse site existem vários artigos, basta sentar para ler.

    Espero ter ajudado com alguma coisa.
  • Jorge  18/10/2016 01:34
    kkkk
    A ideia é romper a bolha mesmo!!

    Eu não havia lido os artigos mas já conhecia a ideia do tempo de escola, quando fiz umas aulas de téc. em adm.
    Eu acho que as casas de shows, as bandas, os shows e tudo mais não acabará, porque as pessoas se sentem sozinhas e os shows (seja um mega-show em um estádio ou um violão num bar) sempre ajudam a encontrar amigos, fazer amigos, namorar, etc. E as bandas enquanto produtoras de música que as pessoas ouvem em casa, no carro, etc, também não acabarão porque não dá pra viver sem música por vários motivos.

    A música não precisa mais ser "ao vivo" assim como o retrato não precisa ser pintado a óleo, mas sempre haverá uma diferença entre você ter um quadro pintado e ter uma simples foto impressa.

    O que eu acho que vai acabar, e já deveria ter acabado, é a questão do lucro com a venda de música gravada. Acho que a música deveria ser gratuita e o show, pago. Até porque o custo de gravação atual é mínimo. Com pouco mais de R$ 10 mil e muito conhecimento você consegue montar um pequeno home-studio de áudio com qualidade muito boa. Então o preço para se gravar um CD nesse tipo de estúdio é baixíssimo. Os artistas deveriam investir na distribuição gratuita de música (áudio mp3, por exemplo, sem dispositivos de armazenamento como CD ou pendrive) como forma de chamar o público para os eventos e mostrar o próprio trabalho. O que está acabando na música é a visão de que basta tocar para agradar o público. O Kiss talvez seja o maior exemplo bem sucedido dessa questão. O show deles nunca foi apenas os músicos executando as canções. E, além disso, a questão da mídia, do dispositivo de armazenamento, também é algo que está evoluindo. O Ipod é muito mais interessante que o CD para a galera mais moderna e o vinil é muito mais interessante para o pessoal das antigas ou para os jovens "cult." Reforçando, é a mesma música que está no Ipod, no vinil e no CD, a diferença é o dispositivo em si.

    Mas eu retomo a questão: Será que a gente precisa trabalhar mais porque a sociedade exige e assim o mundo se move ou apenas para gerar lucro para os donos do capital?
    No meu trabalho o que vejo é exatamente isso: se trabalha para o patrão lucrar, e só. E isso vai de encontro ao presente artigo.
    Aliás, creio que até mesmo ao que se refere o artigo, as pessoas não precisavam trabalhar para suprir as necessidades da sociedade, mas para garantir o próprio sustento. Será que, se o dono da fábrica abrisse mão de parte dos lucros para investir mais nos salários, isso não seria suficiente para que o trabalho se tornasse mais humano? As pessoas eram pobres e os donos das fábricas pagavam pouco, então precisavam trabalhar o máximo possível, porque o salário era baixo. Se fosse mais alto, não precisariam.

    E digo mais, quem foi que disse que o trabalho atualmente está humanizado, se temos vários casos de trabalho escravo, se a produção de tantos bens se dá em fábricas construídas em países em desenvolvimento (com legislação trabalhista precária, o que diminui os custos de produção) e mesmo em países como o Brasil, há tantos casos de empresas que ignoram a CLT?
    Se é verdade que é o mercado que nos humanizou, e por isso estamos "humanizados", poderíamos supor que uma vez abolida a legislação, uma vez que se permita jornadas ininterruptas de trabalho, trabalho infantil, etc, os empresários continuariam trabalhando exatamente como administram atualmente, no entanto, quem será tão otimista a ponto de acreditar nisso? Que tipo de empresário optaria por contratar um trabalhador mais caro? Vejamos o exemplo das máquinas: Que tipo de administrador deixa de comprar determinada máquina para contratar mais funcionários e assim dar conta da demanda? Isso é burrice. A concorrência comprará a máquina, demitirá funcionários, terá um produto mais barato e melhor e o idiota que deu preferência ao número de empregos oferecidos, quebrará.
    Basta observarmos as crises e a transformação que acontece na vida de ricos e pobres. Ricos mantem a rotina e pobres precisam cortar gastos e se sujeitar ao que for preciso para não perder o emprego. Basta observar como crescem as ações trabalhistas em períodos de recessão. Desvios de função, demissões ilegais, fraudes, salários e benefícios que não são pagos, "quebras" fajutas, isso tudo é cretinisse dos empresários em si ou faz parte do jogo? Quando nossas roupas e chocolates são feitos por escravos, quando nossos alimentos se tornam venenos e quando nossos carros fraudam testes de poluição, isso é "incompetência" ou é exatamente o oposto disso?

    Outro exemplo de "desumanização" é a maneira como tratamos o meio ambiente. Observemos o desmatamento ilegal. Você pode trabalhar dentro da lei, com altos custos de produção ou desmatar ilegalmente a amazônia e depois gastar com os processos legais apenas um pequeno percentual dos lucros que obteve ilegalmente. E nem é preciso lembrar que o Brasil é proporcionalmente o país que mais desmata a Amazônia.
    Ainda nessa linha de pensamento está o recente caso de Mariana. O custo de destruir o solo por séculos, de matar pessoas e animais e apagar a história de uma cidade é muito baixo, então é mais inteligente arriscar do que gastar com medidas de segurança.

    Então, será que o capitalismo humanizou mesmo o trabalho?
  • Ricardo  18/10/2016 11:25
    "Será que a gente precisa trabalhar mais porque a sociedade exige e assim o mundo se move ou apenas para gerar lucro para os donos do capital?"

    Ninguém precisa trabalhar. Você trabalha porque quer. Se você arrumar alguém para lhe sustentar (família, amigos, cônjuge), você não precisa trabalhar.

    E, se você não quiser trabalhar para um patrão, você pode empreender. Não custa muito se tornar um vendedor de pipoca ou de picolé. Mas você irá se assustar ao constatar que terá de trabalhar muito mais do que se tivesse um patrão.

    Aliás, o brasileiro deve ser uma das poucas espécimes que acredita que empregado trabalha mais que patrão. Empregado, quando chega o fim do expediente, vai pra casa e não faz mais nada relacionado ao seu emprego. Já o patrão não desliga um minuto: quando acaba a jornada diária do empregado, o patrão vai fazer as coisas relacionadas à manutenção do empreendimento: lidar com fornecedores, pagar as contas, fazer a folha de pagamento, lidar com os impostos etc.

    "No meu trabalho o que vejo é exatamente isso: se trabalha para o patrão lucrar, e só. E isso vai de encontro ao presente artigo."

    "Vai de encontro"? O artigo por acaso diz que as pessoas criam empregos e empregam pessoas para ter prejuízos?!

    É cada analfabeto funcional que despenca por aqui...

    Aliás, sorte a sua que seu patrão tem lucro. Imagina se ele tivesse prejuízo? Você nem sequer teria emprego. Em dois meses já estaria na rua e sem renda (que é o que você parecer querer). Você deve ser a primeira pessoa que conheço que gostaria de trabalhar para alguém que tem seguidos prejuízos.

    Se meu patrão estivesse tendo seguidos prejuízos, eu já estaria extremamente preocupado.

    Quanto ao artigo, ele apenas mostra como e por que o capitalismo melhorou a vida das pessoas. Agora, no capitalismo você tem de trabalhar. Se você considerar que ter de trabalhar é um tormento, isso diz bastante sobre você.

    "Aliás, creio que até mesmo ao que se refere o artigo, as pessoas não precisavam trabalhar para suprir as necessidades da sociedade, mas para garantir o próprio sustento."

    Meu caro: como você vai garantir seu próprio sustento se você não supre as necessidades da sociedade? Será que você não percebe que uma coisa depende da outra?

    Para você conseguir renda, você tem de criar valor; você tem de ofertar algo que os consumidores voluntariamente querem consumir. Se você estiver vendendo bosta no sinal, ninguém comprará. E você passará fome.

    "Será que, se o dono da fábrica abrisse mão de parte dos lucros para investir mais nos salários, isso não seria suficiente para que o trabalho se tornasse mais humano?"

    Se ele fizesse isso, não sobraria nada para ele reinvestir na fábrica. Não haveria como ele comprar equipamentos, como ele repor máquinas estragadas, como ele ampliar a produção, como ele contratar mais pessoas e até mesmo como ele dar novos aumentos salariais.

    Você teria empregados que receberiam um salário maior durante um ou dois meses. No terceiro mês, a fábrica já estaria quebrada e todos estariam demitidos.

    Genialidade.

    Cansei. Não vou ficar dando aulas de graça (ao contrário de você, sou capitalista). Você ainda está muito cru. Vá estudar economia básica antes de vir com frases completamente destituídas de sentido. Economia não é coitadismo. O mundo não se desenvolve com vitimismo. Não é chorando na internet que você conseguirá melhorar seu padrão de vida.
  • Andre  18/10/2016 12:31
    Caro Ricardo, parabéns por sua resposta, é exatamente este sentimento que empreendedores alimentam de empregados pouco afeitos ao trabalho.
    É exatamente por isso que montei um negócio com pouca necessidade de mão de obra, moro em região de fronteira e com alto desemprego, para diminuir brutalmente os riscos e aumentar minhas opções, e vendo os serviços de consultoria para redução de custos operacionais aqui na região.
    É incrível a demonização do lucro pelo brasileiro, depois acha incrível a vida de esterco que leva, esses dias estive em sampa com uns amigos dos tempos da escola, as crianças brincavam juntas quando repentinamente minha filha veio chorando para mim, quando parou descobri que as crianças conversavam sobre o que seus pais faziam e quando ela respondeu que o pai dela tinha uma grande fazenda cheia de máquinas começaram a repudiá-la e dizer que seu pai era mal, mas mais tarde pelo privado do wats não faltaram amigos perguntando se era verdade, se podia arrumar emprego para eles ou para parentes desempregados e até paqueras daqueles tempos se oferecendo.
  • Jorge  18/10/2016 23:41
    Valeu galera! Desculpem escrever tanto...

    Na verdade a questão do patrão trabalhar mais que o empregado não se aplica na música. Há muitos donos de bandas que não participam regularmente dos shows, nem da divulgação da banda, de nada. Para essas funções pagam produtores, divulgadores, etc. No entanto, o músico precisa manter seus estudos em dia. É difícil explicar, mas um dia que você não estude, ao menos duas horas, já faz diferença. O "ensaio" do músico é como o treinamento do atleta. E mesmo no estudo teórico, você precisa absorver o conhecimento e ainda praticar no instrumento então não é como ler um livro. Na música você aprende a mensagem mas precisa ensinar o corpo a reproduzí-la e utilizá-la como ferramenta durante a composição e improvisação. Então, músico não trabalha apenas no palco. Ainda sobre isso, não acredito que todos que lucram com os negócios, trabalham mais que os funcionários. O patrão que trabalha mais que os empregados deve receber pra isso. Quero dizer, se ele trabalha fora do horário normal, deve receber hora extra, se trabalha em duas funções, deve receber salário compatível, não é isso?

    Sobre eu estar defendendo prejuízos, não é verdade! Antes de ser funcionário, eu sou fã absoluto do meu chefe e da história da banda em que eu trabalho! O que eu mais queria é que essa galera tivesse o devido reconhecimento, sobretudo financeiro! O que mais me alegra é o sucesso de músicos que eu admiro e isso não diminui pelo fato de algum deles vir a ser meu "patrão"! Eu fico feliz com o Teló tocando fora do país, com o Loureiro no Megadeth e se o meu chefe ganhar o merecido, melhor ainda! Na verdade eu não condeno nada, eu estou é tentando entender o porquê, por exemplo dessa humanização destacada no artigo e o porquê de ela ser atacada por tanta gente. Foi questionando o que ouvi que cheguei aqui e nem por isso vou deixar de questionar o que aqui se defende.

    O que eu quis dizer com "ir de encontro" foi o seguinte: Quando o artigo diz "Era absolutamente impossível trabalhar apenas 8 horas por dia" ele se refere à necessidade da população ou à necessidade de lucros? Não me refiro à demanda do mercado e à produção de bens, quero dizer, será que mesmo no período histórico comentado o único entrave para uma jornada de trabalho mais "humana" era justamente a utilização de jornadas de trabalho de 16 horas por parte da concorrência? Só se pagava pouco porque todo mundo pagava pouco e lucrava bastante? É como no tempo da escravidão: de que forma um fazendeiro poderia alforriar seus escravos e pagar salários se a concorrência não o fazia? (É claro que as leis contra a escravidão não foram "bondade" mas também não foram uma forma de humanizar o trabalho)

    No capitalismo você não tem de trabalhar. Você acabou de dizer isso: "Ninguém precisa trabalhar. Você trabalha porque quer." Mas o que eu quero dizer é que não é a melhor forma de se viver, não se pode encorajar as pessoas a não trabalharem, aliás, quem gosta disso é militante da esquerda...

    Sobre trabalhar para garantir o próprio sustento, eu estou me referindo ao trabalho em condições desumanas. Por exemplo, os 20% da renda provenientes do trabalho infantil. Ele era necessário para a sociedade, como no caso das guerras em que álguns produtos se tornam absolutamente necessários e outros, dispensáveis, ou era necessário apenas porque o salário pago aos adultos não bastava, e esse salário era baixo apenas para aumentar lucros e não para pagar a manutenção do negócio? Eu estou lendo os artigos do site e de outras fontes e não encontrei essa resposta ainda.

    Sobre os lucros e salários, eu estava ignorando o valor necessário para a manutenção do negócio. Nenhum empresário trabalhará sem lucros mas, por exemplo, em uma empresa em que o dono do negócio já recebe salário pelo trabalho desempenhado (operador de CNC, projetista, líder do PCP e motorista, por ex.), consegue manter a manutenção e até a ampliação do negócio e ainda sobra um lucro considerável, será que é inteligente ele pagar um salário baixo para os funcionários ou evitar "gastos" com segurança, sustentabilidade, acima do exigido por lei? Levando para o artigo: o dono da empresa de brita do Alegrete da década de 30 não poderia calcular o próprio salário mais a manutenção do negócio e assim passar a pagar melhores salários aos adultos contratados para que eles não precisassem colocar os filhos menores para trabalhar?

    No mais, só obrigado. Eu já tô tentando estudar sozinho mas, estudando sozinho sem falar com ninguém é complicado, daí que vem a necessidade de expôr a ignorância aqui no site. E sim, eu estou tentando sugar umas aulas!! É assim que músico faz, a gente vive sugando o conhecimento uns dos outros. É pra isso que a gente aprende a tocar as músicas dos outros, pra entender como eles chegaram naquela sonoridade. É engenharia reversa.

    Mas enfim, é exatamente essa falta de questionamento que me intriga: você vai pra escola e ouve gente de esquerda falando daquilo que acredita, você assiste palestra no YT de gente de esquerda falando de filosofia socialista, vc assiste ao "debate" e a maioria é de esquerda. Não tem como não absorver o que eles dizem porque é a única informação disponível! Se eu te falar que só existe sangue vermelho e você ver sangue vermelho em toda parte, você vai duvidar de que tem gente com sangue azul.
    O que eu noto é que a gente vive num mundo dominado pela tecnologia e pelo capital e, no entanto, quando se fala em sociedade (política, educação, etc) , a gente ouve filósofos e religiosos demais e não se ouve cientistas (seja da medicina, da energia, dos alimentos, etc) nem economistas, q são quem realmente entenderia do que é a base da sociedade.

    E sobre o trabalho, eu mudei de emprego há uns anos justamente para trabalhar mais e ainda precisava fazer 300 km para chegar no ônibus da banda ANTES de pegar a estrada para o local dos eventos, em geral no norte do PR. Em casa eu trabalhava na divulgação da banda administrando o Orkut, Facebook, YouTube, email e o site da banda além de fazer vinhetas e pedir músicas e colaborar com os arranjos (a gente ensaiava toda semana). E nada disso era remunerado. Atualmente eu toco 4 horas de baile e ainda ajudo a carregar e montar o equipamento e por isso sábado, volta e meia, ficamos sem dormir para poder tocar no domingo à tarde. E eu estou procurando emprego como auxiliar de produção porque tive que parar de tocar em um bar que eu tocava todas as quartas e perdi os alunos de guitarra. Fora isso tenho estudado 3 horas por dia por vídeo-aula porque não estou conseguindo pagar curso presencial. Não é questão de não gostar de trabalhar, é exatamente o oposto.
    Sobre as outras pessoas não estudei nada a respeito. Sei de muita gente que fala que as pessoas não querem trabalhar mas nada comprovado.
  • Jorge  19/10/2016 00:33
    Muitíssimo obrigado, Mateus!!!

    Mas, no meu caso não estou me colocando como vítima. No meu trabalho é uma simples questão de demanda e administração. Música gaúcha não tem muito mercado mesmo, e música é música. Ninguém "precisa" de música. E eu sou guitarrista, é uma "especialização" saturada. Quanto a isso eu estou tranquilo, não estou desiludido ou triste ou coisa assim, pelo contrário, eu poderia continuar sobrevivendo fazendo o que eu gosto, quantas pessoas podem escolher não é? Mas quero mais do que apenas fazer o que eu gosto podendo pagar apenas o básico e andar de ônibus.
    É natural, você trabalha com algo que não é uma necessidade e ainda por cima tem muita concorrência, vai esperar o quê?

    Andre, eu diria que não dá pra acreditar no que você conta sobre as crianças. Mas dá sim. É até esperado. Há sim um ódio a quem não é da "esquerda militante" e eu imagino que seja um pouco inveja: tristeza pela felicidade dos que tem mais grana que você. Mas também não há uma comprovação então só "acho."
    Tem muita gente que repete isso apenas porque ouviu os outros falarem, mas eu aprendi por experiência. A maioria do pessoal de esquerda odeia a todos porque acha que todo o mau do mundo se deve a todo pensamento que não seja esquerdista.
  • Mateus Nardi  18/10/2016 20:38
    Jorge, você esta no caminho, esta se questionando, e pra quem se "preparou para a vida" nas escolas públicas, é o primeiro grande passo.

    Se você quer ENTENDER o tudo que essa galera esta falando ai, você não pode ter preguiça de ESTUDAR, e principalmente, PARE DE SE VITIMIZAR E PROCURAR UM CULPADO, continue lendo os artigos do site, assista a videos no youtube, e se sobrar um tempo, leia também alguns livros disponíveis gratuitamente na biblioteca do site.

    Recomendo você assistir á alguns videos no youtube, fica mais dinâmico de se aprender:

    Canal do BOM SENSO > https://www.youtube.com/channel/UCgOwKsaqTcRa2tfB5LV-Lqw https://www.youtube.com/channel/UC-NwgkrLPYmzM-xoLr2GX-Q https://www.youtube.com/channel/UCOOCeqi5txwviDZ4M5W9QSg https://www.youtube.com/channel/UCW9jLtlONRp7W-AK9F8M66Q https://www.youtube.com/channel/UCkSjy-IOEq-eMtarZl2uH1Q https://www.youtube.com/channel/UCgfV9J6FuOXaJnp-UuNRydA <

    Acho que é isso, boa sorte com os estudos e o mais importante de tudo: SE VALORIZE PARA SER VALORIZADO
  • saoPaulo  19/10/2016 10:57
    Mas eu retomo a questão: Será que a gente precisa trabalhar mais porque a sociedade exige e assim o mundo se move ou apenas para gerar lucro para os donos do capital?
    Ual! Você quer trabalhar dando prejuízo para seu empregador?!?! O senhor é um fanfarrão! Me diga uma coisa, por acaso quando você vai cortar o cabelo, você dá uma gorda gorjeta ao cabeleireiro por puro altruísmo, ou procura o melhor serviço pelo menor preço possível?
    Caro floquinho de neve, aqui vai uma dica preciosa: a despeito do que sua mamãe te disse, você não é especial! Eu não sou especial! Ninguém é especial! Ninguém nos deve nada. A única coisa que se pode cobrar dos outros é o respeito às regras do jogo. Portanto, pare de "mimimi, ricos são egoístas", como se você fosse um anjo! Adivinha: aos olhos de um africano subsaariano, você é um milionário! E quando foi que você se preocupou com algum deles?

    No meu trabalho o que vejo é exatamente isso: se trabalha para o patrão lucrar, e só. E isso vai de encontro ao presente artigo.
    Em nenhum momento o artigo disse o contrário! O artigo chega até a mencionar que o que faz os salários aumentarem é a concorrência entre empregadores buscando funcionários produtivos. De fato, o que falta na Bananolândia são capitalistas safadões, pois quanto mais deles, melhor, eles se digladiarão por bons empregados.

    Aliás, creio que até mesmo ao que se refere o artigo, as pessoas não precisavam trabalhar para suprir as necessidades da sociedade, mas para garantir o próprio sustento.
    E está certo. Note porém que, para garantir seu próprio sustento, você tem três alternativas: 1) Tomar coisas dos outros à força; 2) Tomar coisas dos outros por pena; 3) Criar valor e trocá-lo por outras coisas. Se você não é um ladrão, nem um parasita, a única alternativa que lhe resta é criar valor para a sociedade e receber valor em troca. Uma diarista não ganha dinheiro pela boa vontade do empregador, ou roubando-lhe, mas porque lhe mantém a casa limpa. E essa é a beleza do capitalismo! A única forma de você progredir é ajudando outras pessoas, não importa o quão mesquinho e egoísta você seja.

    Será que, se o dono da fábrica abrisse mão de parte dos lucros para investir mais nos salários, isso não seria suficiente para que o trabalho se tornasse mais humano?
    Não existe lei alguma proibindo corporativas de trabalhadores que distribuam os lucros mais "justamente", retirando o capitalista safadão da jogada...
    Se pergunte por que é tão difícil encontrar tais corporativas, e verá o papel essencial dos empreendedores.

    As pessoas eram pobres e os donos das fábricas pagavam pouco, então precisavam trabalhar o máximo possível, porque o salário era baixo. Se fosse mais alto, não precisariam.
    Ual! Que observador! Obrigado pelo insight, capitão óbvio! Pessoas que ganham melhor podem se dar ao luxo de trabalhar menos! Como eu nunca pensei nisto antes?
    A questão aqui é: como eles poderiam ganhar mais, se não tinham a produtividade para isto? É somente ao se demitir dez bioas-frias que se pode juntar dinheiro para pagar mais ao operador de colheitadeira, que os substituirá de uma maneira muito mais produtiva e compensará seu maior salário.

    E digo mais, quem foi que disse que o trabalho atualmente está humanizado, se temos vários casos de trabalho escravo, se a produção de tantos bens se dá em fábricas construídas em países em desenvolvimento (com legislação trabalhista precária, o que diminui os custos de produção) e mesmo em países como o Brasil, há tantos casos de empresas que ignoram a CLT?
    Trabalho escravo? Seja mais específico. Trabalho escravo, por definição, requer coerção, não tem nada a ver com nível de remuneração. Alguém fazendo trabalho voluntário não é um escravo. Pessoas sendo obrigadas a trabalharem no campo na Venezuela são escravas, independentemente da remuneração. Sobre que trabalho escravo está falando? Está falando das fábricas chinesas, que quando abrem vagas, formam longas filas de gente querendo se aplicar? Releia o artigo até entender: o que aumenta os salários dos trabalhadores é capital acumulado mais concorrência entre empregadores, não a sua ou a minha boa vontade. Até onde eu saiba, ninguém está obrigando os chineses a trabalharem nestas fábricas. Eles o fazem por vontade própria, pois a alternativa seria talvez passar fome. E o que iluminados como você querem fazer? Comprar produtos mais caros, mas que garantam uma maior remuneração aos trabalhadores envolvidos? Claro que não! Se dependesse de gente como você, estes chineses perderiam os empregos e voltariam a passar fome.

    Se é verdade que é o mercado que nos humanizou, e por isso estamos "humanizados", poderíamos supor que uma vez abolida a legislação, uma vez que se permita jornadas ininterruptas de trabalho, trabalho infantil, etc, os empresários continuariam trabalhando exatamente como administram atualmente, no entanto, quem será tão otimista a ponto de acreditar nisso? Que tipo de empresário optaria por contratar um trabalhador mais caro?
    Existem lugares onde aprendizes cabeleireiros cortam seu cabelo por menos de um terço do preço normal. A sua namorada prefere cortar o cabelo dela lá, com uma qualidade duvidosa, ou prefere pagar mais caro por um salão de qualidade? A lógica é a mesma...
    Além disso, o empresário será obrigado a pagar mais caro se tiver que competir por bons trabalhadores. Acho que você não é um músico tão bom assim, não é mesmo? Se fosse, entenderia este conceito básico...

    Vejamos o exemplo das máquinas: Que tipo de administrador deixa de comprar determinada máquina para contratar mais funcionários e assim dar conta da demanda? Isso é burrice. A concorrência comprará a máquina, demitirá funcionários, terá um produto mais barato e melhor e o idiota que deu preferência ao número de empregos oferecidos, quebrará.
    Você está confundindo as coisas. Trabalho não é um fim em si. É apenas um meio para produzirmos o que precisamos. Há dois ou três séculos, a maior parte da população mundial trabalhava no campo. A automação deste trabalho não apenas diminuiu drasticamente os custos de alimentação, como também liberou esta mão de obra para outras atividades, como fazer música...
    Quer ter pleno emprego? Coloque todas as pessoas para abrirem e fecharem buracos. Todos morrerão de fome, mas pelo menos estarão empregados.

    Basta observarmos as crises e a transformação que acontece na vida de ricos e pobres. Ricos mantem a rotina e pobres precisam cortar gastos e se sujeitar ao que for preciso para não perder o emprego.
    Uai, e não é justamente por isso que as pessoas querem ficar mais ricas? Para terem uma vida mais tranquila? Capitão óbvio ataca novamente!

    Basta observar como crescem as ações trabalhistas em períodos de recessão. Desvios de função, demissões ilegais, fraudes, salários e benefícios que não são pagos, "quebras" fajutas, isso tudo é cretinice dos empresários em si ou faz parte do jogo?
    Enquanto isso, nos EUA não existe CLT e não vejo ninguém reclamando. Tratou fulano mal, ele se demite e vai trabalhar no concorrente. Difícil é no Brasil, onde faltam empresários safadões para concorrer por bons empregados...

    Quando nossas roupas e chocolates são feitos por escravos, quando nossos alimentos se tornam venenos e quando nossos carros fraudam testes de poluição, isso é "incompetência" ou é exatamente o oposto disso?
    Aiaiai, é tanto chavão esquerdista que até desanima... Quer mudar tudo isso? Que tal parar de consumir estes produtos? Que tal pagar mais caro por produtos que estejam de acordo com suas convicções? Aí não rola, não é mesmo? Ficar de mimimi é de graça, levantar as mangas para realmente mudar algo, aí dói no bolso!
  • Jorge  23/10/2016 07:39
    kkkkkk
    Calma, sãopaulo tentarei explicar alguns pontos e insisto, que leia tudo, mesmo que seja besteira. No final eu explico um pouco do meu jeito de pensar a vida e razão de estar aqui, de escrever, de tudo. Desculpe a demora em escrever.

    Não falo em prejuízo para o empresário, porque seria desemprego!
    A comparação da gorjeta e o cabeleireiro com o salário e o trabalhador é descabida, a meu ver, porque nós, clientes, costumamos "procura(r) o melhor serviço pelo menor preço POSSÍVEL" mas, não é o que acontece com os empresários: enquanto alguns pagam muito acima do salário médio, outros pagam valores absurdos e nem investem no negócio. Os " "malvadões" desenvolvem um sistema de "controle de qualidade", "administração de crise" (como a mudança de território) ou simplesmente trabalham com preço baixo: continua ganhando o retorno do investimento, o valor do capital, o próprio salário e mais o lucro, utilizando e prestado um serviço ruim. O que é bom em alguns casos! Melhor você ter um produto de qualidade baixa, que não ter nada! Não estou questionando a existência de lucro, mas não consigo apoiar que seja tão desproporcional com os salários. "O salário é pago no momento trabalhado, e o lucro não" No caso da música - dentre outros - o lucro E o salário são pagos no mesmo dia. Se não entra lucro, não entra cachê nem retorno, apenas divulgação, o que é benéfico e por isso eu apoio que se toque mesmo por pouco valor, afinal, o objetivo social é alcançado e a falta de lucros pode ser administrada. (Depois eu explico isso) Eu dou o caso da música como exemplo, porque é onde não existe CLT! Então, a impressão que tenho é que o trabalho só é humanizado HOJE, porque existe lei obrigando, uma vez que, onde não há lei, não há preocupação. E o mercado que, em teoria, criaria essa melhora por si, na prática, não melhora: Prova disso são as filas de espera e os gargalos das melhores empresas! Não são as empresas que disputam empregados, é o contrário! Antes que se fale em Google e coisa do gênero, basta ir nas grandes construtoras, indústrias como a Pirelli e tantas outras empresas até da hotelaria e do comércio. Porém, sso é por conta do desemprego ou por conta do excesso de empresas "desumanas"? Ah, e eu estou falando tudo isso sem nenhuma certeza! Eu não tenho evidências suficientes para provar em um método científico - o que é próprio da economia - e não estou dizendo que você esteja errado se pensa que é o mercado que humanizou o trabalho!! Tudo me leva a pensar da maneira que defendo, mas isso não significa que seja a realidade, espero que ninguém pense como eu penso só pq me ouviu falar!!!

    "Era absolutamente impossível trabalhar apenas 8 horas por dia"
    Por causa dessa frase que eu achei que o texto considerava "impossível" a melhora nas condições. Seria impossível se o objetivo for somente uma vida luxuosa a curto prazo, para o investidor. O que não sei se é realmente possível, haja vista que mesmo o dinheiro especulado auxilia no crédito de quem realmente gera riqueza.

    Não é questão de garantir lucro abaixo do salário dos trabalhadores, isso não faz sentido, mas de o cara ganhar o suficiente para gastar em besteira, enquanto tem criança trabalhando na sua fábrica. (Claro que não quero entrar no sentido filosófico de "besteira", "necessidade", etc.)

    O q eu quero saber, é se existiu e existe empresário que lucra tanto assim às custas de trabalhador passando fome ou se isso é balela da esquerda. Na música, isso praticamente não existe!!! Na realidade que eu conheço, não há dono de banda milionário com o lucro dos eventos. Os caras ganham por direito autoral, venda de discos e pelo SALÁRIO que pagam a si mesmos (pro labore??) ou então, ganham na ilegalidade, haja vista que não há trabalho formal. Ou seja, devido ao mérito e não à exploração, recebem um retorno que é muito baixo e ainda chamam de "lucro" o que não passa de salário, apenas com a "vantagem" de trabalhar para si. Mas parece que existe isso quando você emprega os tais "escravos" ou gente em "condição análoga."

    "Uma diarista não ganha dinheiro pela boa vontade do empregador, ou roubando-lhe, mas porque lhe mantém a casa limpa. E essa é a beleza do capitalismo!"
    EXATAMENTE!!!! Eu só ainda estou intrigado com a questão que falei antes, de lucros exorbitantes e funcionários na penúria que o sistema gera em um panorama mais âmplo. Se o salário dá pra sobreviver, tá legal (tb explicarei no final).

    "Se pergunte por que é tão difícil encontrar tais corporativas, e verá o papel essencial dos empreendedores. "
    É o que eu estou tentando fazer!

    kkkkk Gostei do "capitão óbvio", é que no primeiro comentário ficou confuso.
    Pois é, a ideia é que o capitalismo por si garantiu a evolução dos meios de produção e isso teria levado à possibilidade de humanização do trabalho, através do aumento de produtividade. Todo mundo sabe disso. E como você disse, é mesmo difícil encontrar as corporativas dos "malvadões" (mas não sei exatamente se é por não existir ou por não ser descoberto) mas isso se deve ao mercado ou à legislação? Aliás, mesmo na esquerda, há certo consenso com o artigo! Existe a defesa de que é exatamente essa evolução dos meios de produção - junto com um pouco de "consciência de classe" e coisa do gênero - que levaria os trabalhadores a reivindicar melhores condições. É o velho trabalhismo: político da situação concedendo ao povo o que ele teria condições de tomar à força, ou conquistar pelo desenvolvimento capitalista da técnica ou ainda, pelo fim dos entraves do próprio Estado.

    Sobre a China, eu pensara exatamente nestes casos de trabalho forçado no campo, no nosso caso, fazendas de cana. A OIT define tais casos como escravidão e se fala em "resgate". Também lembrei dos casos da indústria têxtil mas aí você tem razão, não é "escravidão" é "condição análoga." Vai de cada um, considerar escravidão ou não e considerá-la boa ou ruim. (Depois explico) Eu creio que, se a alternativa é morrer, então, a causa mortis não interfere na definição. Se você parar de trabalhar no emprego atual e não houver chance de se sustentar de outro jeito, então é escravidão. Um regime socialista que obrigue você a trabalhar, como, de fato, obrigaram, mas que garante que você não morra de fome, por distribuírem pão escasso, não é considerado escravista pra muita gente, pra mim, é, tendo em vista a castração da liberdade. No entanto, também é escravidão, o regime em que ou você trabalha ou morre de fome, enquanto há riqueza sendo produzida e acumulada, msm voluntariamente. É claro, se todo mundo tem que trabalhar, senão, morre de fome, aí nem existiria tal expressão no vocabulário humano. Entretanto, acredito que há quem não trabalhe e não morra de fome: os parasitas e ladrões que você mensionou. (Mas poderíamos caracterizá-los como geradores de valor, se considerarmos apenas a existência de alguém, um valor e também se o roubo for considerado uma forma de trabalho, o que é estranho, mas é uma possibilidade. Por exemplo, um filho vadio pode ser gerador de valor aos pais que o sustentam, pagando pela sua existência) E há quem gere riqueza expressivamente além do necessário. Não é crime! Não condeno alguém por gerar um valor quase incalculável, só não parece "bom" (depois explico tb) um empresário poupar, se especializar por décadas e trabalhar 18 horas por dia e depois só conseguir sobreviver com o mínimo, praticamente, enquanto trabalhadores (que nem são donos do negócio) receberem 100 vezes o que o capitalista recebe. E nem vou falar o caso de trabalhadores que às vezes não ganham nem esse mínimo. E depois explico pq acho parasitas péssimos para a humanidade.

    Sobre os empresários pagarem mais por melhores profissionais, eu já penso como você, só que não parece que o que eu penso teoricamente se aplique à realidade, como já falei.

    "Músico bom" é um excelente exemplo da questão do "valor subjetivo" então não tem como discutir. Se a condição da geração de valor de um músico para a sociedade fosse o caráter, muito rockstar e artista country estaria na penúria; se fosse o conhecimento, não haveria blues, nem rock; se fosse o talento, não haveria músico pobre, pois talento é condição para se tornar músico; se fosse carisma e performance fora da linguagem musical, não haveria música "clássica"; se fosse a propriedade com a obra, não haveria banda cover... Talvez a condição seja um conjunto de fatores mas, quem poderá definir o "segredo do sucesso" na música ou em qualquer outra área? E, há sim quem prefira comprar produtos sem qualidade, apenas pelo custo baixo. Estamos ficando obesos TAMBÉM por causa disso. Comida saudável há, mas é cara demais para quem não tem dinheiro ou trabalhosa demais para quem poderia pagar. É mais fácil ir no restaurante mais próximo, comprar o tempero pronto, etc, mesmo que você possa ter o mesmo sabor, a mesma satisfação, a mesma qualidade, porém com vantagens à saúde, pagando um pouco a mais, ou fazendo o próprio tempero. Somos programados para nos satisfazer. O conceito é básico, lógico, teoricamente perfeito, mas parece que na prática não é o que acontece. Reforço: talvez seja por isso que há empresas destinadas a fazer produto sem qualidade para garantir preço baixo e buscar a classe C e D. O que é ótimo! Você não pode comprar um acordeom de R$ 30 mil, mas pode comprar um de R$ 2, estudar e trabalhar com ele.

    "Trabalho não é um fim em si."
    Foi o que eu disse.

    "e não é justamente por isso que as pessoas querem ficar mais ricas?"
    Sim! Então vamos manter um regime em que sempre haja gente com poucos recursos:
    As pessoas serão motivadas a buscar a prosperidade econômica, trabalharão com empenho, buscarão qualificação, desenvolverão meios de produção otimizados, pouparão, se especializarão e investirão em empreendimentos, a técnica se desenvolverá e os esforçados alcançarão a prosperidade!
    A pobreza, então, seria benéfica.
    Podemos defender isso! É o que eu estou tentando entender.
    Grosso modo, no socialismo, vc não pode empreender (grosso modo!!) e, sem a motivação do lucro financeiro para escolher no que transformar a própria força de trabalho, ninguém se especializa nem desenvolve nada voluntariamente e se não é voluntário, não é dedicado; no capitalismo, se você é pobre, não poupará o suficiente para investir e sua condição de pobreza te afastará de possíveis investidores ou sócios, mesmo a longo prazo e num paronarma maior, sempre haverá o risco de a situação da população piorar e na verdade um pobre, sozinho com seu trabalho, não poderá garantir melhores condições para seus filhos. É aí que eu empaco: Uns dizem q o estado grande garante essa melhoria na vida dos descendentes através das políticas sociais e outros dizem que é o mercado quem garante, por meio do desenvolvimento dos meios de produção. Aí a coisa complica de vez... e entra o artigo da página.

    "nos EUA não existe CLT e não vejo ninguém reclamando."
    Não só nos EUA! Mas a gente toma estes países por base, já a partir de uma situação, já dentro do próprio sistema! Ninguém reclama pq recebe o suficiente para pagar pelo necessário à sobrevivência, certo? Mas aí eu não sei se, de fato, todos recebem o necessário; se todos conseguem chegar a um grau de educação/conhecimento que possibilite o trabalho; e se a facilidade em comprar o básico se deve à situação do trabalho e do mercado em si ou a outros tantos fatores. Quero dizer, por que o custo de vida é o que é e por que os salários e benefícios são o que são. E acho que isso vale até na velha discussão EUA vs Cuba: o povo sobrevive devido ao sistema ou APESAR do sistema? E quanto ao impacto fora do país? Eu achava isso óbvio. Cuba é uma piada, n tem como defender. Mas apenas analisando ela em um mundo em que existe capitalismo e ele define as relações exteriores. Se você imaginar um mundo em que as riquezas de todo o planeta não sejam suficientes para que toda a humanidade sobreviva; ou você toma o necessário pela força ou mantem todos vivendo dentro das possibilidades. Cuba estaria correta: Todo mundo pobre, porque o mundo é pobre, mas sobrevivendo. À medida que o trabalho delas vai desenvolvendo a técnica, a vida vai melhorando mas, dentro do planeta, inevitavelmente caminhando para o abismo da limitação de recursos, agravada pela ação do homem. Porém, se pensarmos que há a possibilidade de um mundo em que todos vivam bem e a técnica transponha os limites conhecidos ou transcenda-os, com todas as nações buscando o desenvolvimento e o mérito e esforço garantindo a desigualdade, cuja aspiração à sua superação seja o motor da humanidade, então os EUA é o país perfeito e quanto mais difusão do estilo de vida e da política norte-americana, melhor, em um contexto global de longo prazo, vide a humanização do trabalho citada no artigo.
    Bem, ainda não faço ideia se há mundo pra todos ou não.

    "Que tal parar de consumir estes produtos?"
    Mas é isso que se está fazendo! É nisso que se fudamenta o boicote: "Não compre da Renner pq eles compram de 'escravos' colombianos"; "Não compre da Hersheys" (justo a empresa de alguém que é tão elogiado!); "Não compre da Nike."
    Observe que justamente se trata das marcas mais caras no Brasa então, o que dói no bolso é justamente comprar o produto caro e de procedência questionável. E nem se trata de qualidade porque a durabilidade da Nike é uma piada, o chocolate da Hersheys é péssimo e a roupa da Renner é feia. Mas é claro, voltamos ao que eu falei antes: estamos analisando dentro de um contexto! Dentro do contexto, é melhor trabalhar por quase nada, mas e se o contexto fosse outro? Muitos já sabemos que não funcionam, mas poderíamos desenvolver outro. Mas talvez não fosse aplicável hoje em dia. Não sei.

    Enfim, agora explico um pouco tantas bobagens que falei. Se for resumir o que fui levado a acreditar (num contexto materialista), eu acho que é uma "má administração" do planeta, haver gente que passe fome e gente que tenha mais que o suficiente para uma vida luxuosa acima da expectativa de vida. Não é o dinheiro o problema, é a comida, a saúde e o desenvolvimento. Também acho péssimo que o ser humano seja tão viral em sua existência, observados crescimento populacional, produção de alimentos e impacto da ação humana no meio ambiente. Acho fundamental que se invista nas ciências, porque o mundo certamente "acabará", seja por evento geológico natural, por intervenção externa (evento cósmico também natural) ou pela continuidade da "atual gestão" humana. Sendo assim, nossa discussão é absolutamente insignificante frente ao universo enquanto não podemos subvertê-lo à nós. Mas creio que poderemos em alguns milênios. Só precisamos sobreviver até lá. Então, minha preocupação, no fundo, é o que devemos fazer para não destruirmos o planeta antes que possamos fugir dele. E ainda entra a destruição capitalista do meio ambiente, pela obsolência programada ou "administrada" e também a poluição dos indestrutíveis bens comunistas. E isso é naturalmente arrogante porque, no fundo, somos apenas replicadores de DNA tentando dominar o espaço, portante, arrogantes e individualistas enquanto espécie.
    Por isso a minha situação econômica, cultural ou intelectiva não me causa afetos desagradáveis, nem a hostilidade dos outros. Ricos e pobres são igualmente insignificantes em qualquer aspecto, seja o acúmulo de riqueza, conhecimento ou qualquer outra coisa. Estamos destinados a replicar e dominar o espaço e só não acho isso patético, porque é um desafio à vida (em todas as formas) e porque não se trata de um estranho ao Universo tentar dominá-lo, mas ao Universo conhecer a si mesmo. Nós somos fruto do Universo, portanto é horrível destruí-lo, mas é belo transformá-lo. Acho que é isso que move o MEU interesse por política. No fundo não faz tanta diferença se há pobres ou ricos, se há "desigualdade" e tudo mais. Eu vejo a questão humanitária como uma ferramenta da humanidade no objetivo de perpetuar a espécie e desenvolver a sua adaptação (toda ciência é uma forma de adaptação, dando continuidade à seleção natural). Sendo assim, eu creio que quanto mais pessoas saudáveis, mais chance de desenvolvermos as ciências, nos adaptarmos e sobrevivermos. Não é porque acho bonito ou que quero mais pessoas vivendo bem. E também não se trata de vitimismo, apenas se levar em consideração que a "vítima" com a qual me preocupo é a espécie como um todo e não o pobre de Cuba ou dos EU.
    E esse é o único sentido da vida: dar continuidade à espécie! Nesse sentido, parece que não adianta mantermos índios na Amazônia, por exemplo, mas a existência deles auxilia nosso desenvolvimento. No entanto, pobres demais e ricos demais, não auxiliam em nada. Acúmulo de riqueza só é útil se for convertida em desenvolvimento. Escassez de riqueza leva à ineficiência e acúmulo de riqueza sem vistas ao desenvolvimento é desperdício predatório, parasita e imperdoável. Todo trabalho existente nos permite desenvolver. Até mesmo a arte, nos faz pensar e proporciona o bem-estar necessário à manutenção da nossa vida, reprodução e adaptação. Nem só de pão vive o homem. Mas nem só de arte vive a espécie.

    Enfim, por isso tudo eu gostaria de encontrar o caminho para atingir o objetivo da vida (perpetuação da espécie) e essa é a minha premissa, por isso, não me coloco dentro de algum grupo político-filosófico e também porque ainda não consegui definir meu posicionamento.

    Sendo assim, muitíssimo obrigado pela contribuição meu irmão de espécie e colega de planeta! hehehe
  • Mateus Nardi  26/10/2016 13:56
    "E o mercado que, em teoria, criaria essa melhora por si, na prática, não melhora: Prova disso são as filas de espera e os gargalos das melhores empresas! Não são as empresas que disputam empregados, é o contrário! E o mercado que, em teoria, criaria essa melhora por si, na prática, não melhora: Prova disso são as filas de espera e os gargalos das melhores empresas! Não são as empresas que disputam empregados, é o contrário!"
    O que você vê hoje (principalmente no Brasil), não é um sistema capitalista genuíno, esta longe de ser considerado livre mercado. O que temos no Brasil é um intervencionismo absurdo, que limita de forma radical as empresas. O estado cria regulações e taxações absurdas para criação e manutenção de empresas, o que mais irá sofrer com isso são as pequenas empresas (já que as grandes conseguem contratar bons contadores, advogado, fiscais da receita, burocratas e políticos). Com menos empresas no país, menos a demanda de empregos, e como a oferta de empregados é a mesma, haverá escassez (Oferta de demanda se aplica a quase tudo). Por isso que é visto uma disputa por empregos, e não por empegados. E isso é de propósito, a diminuição de ofertas de emprego valoriza as poucas vagas nas grandes corporações, fazendo com que os empregados experientes e capacitados aceitem trabalhar por baixos salários, desta forma, diminuem os custos de produção, e aumentam os lucros.
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2518
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2529
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2516

    "Não é questão de garantir lucro abaixo do salário dos trabalhadores, isso não faz sentido, mas de o cara ganhar o suficiente para gastar em besteira, enquanto tem criança trabalhando na sua fábrica. (Claro que não quero entrar no sentido filosófico de "besteira", "necessidade", etc.).".
    Se você entende que o lucro do empresário é empresário, então não há o que discutir. Se ele trabalho (Ou bolou uma boa estratégia de gerenciamento, ou uma boa ideia, ou investiu o seu capital) não á o que dar "pitaco" no que ele gasta, o dinheiro e dele. Assim como você deve exigir que o Estado não gerencie o que você ganha, você não deve querer gerenciar o que o empresário ganha. Se ele gasta com "besteiras" o problema é dele. A questão é que, se ele quiser se manter ou aumentar sua fatia de mercado, ele deverá investir de alguma forma, seja repondo o estoque, seja contratando mais empregados, ou aumentando os salários dos atuais trabalhadores para aumentar a produção. Na maioria dos casos, o lucro é reposto em investimento.
    "Na música, isso praticamente não existe!!! Na realidade que eu conheço, não há dono de banda milionário com o lucro dos eventos. Os caras ganham por direito autoral, venda de discos e pelo SALÁRIO que pagam a si mesmos (pro labore??) ou então, ganham na ilegalidade, haja vista que não há trabalho formal."
    Não conheço muito o "mercado de trabalho musical", mas não acredito que os produtores musicas ganham pouco. Fazendo uma pesquisa rápida: Wesley Safadão, que em um único show, chega a cobrar 700 mil reais. Jorge e Mateus – 500 mil. Fernando e Sorocaba – 350 mil. Luan Santana – 300 mil. Paula Fernandes – 250 mil. Gusttavo Lima – 250 mil. Zezé di Camargo & Luciano – 250 mil. Chitãozinho e Xororó – 250 mil. Lucas Lucco – 200 mil. Michel Teló – 200 mil. Henrique & Juliano – 150 mil. Marcos e Belutti – 150 mil. Isso porque são produtores musicais do Brasil, imagino que cantores e produtores musicais em países mais bem sucedidos economicamente arrecadam até mais.
    Significado de escravo: Indivíduo que está ou foi privado de sua liberdade, sendo submetido à vontade de outrem, definido como propriedade.
    O significado da palavra não tem absolutamente nada a ver com trabalho, escravo é a pessoa que foi impossibilitado de exercer sua liberdade. E lamento lhe dizer meu amigo, mas o empresário engravatado não vai te OBRIGAR a trabalhar por salário X, ele simplesmente está aceitando quem trabalha por aquele valor. Se você prefere morrer de fome a trabalhar por um baixo salário, bem-vindo ao mundo real, ninguém liga (a não ser sua família). Só conheço uma "entidade" atual que te OBRIGA a financiar: o ESTADO.
    Você terá e abrir os olhos amigo, não adianta olhar as coisas de forma superficial. Se você tem tanta vontade (e tempo) para escrever, use desta mesma vontade (e tempo) para ler, tudo que você pesquisar neste site você irá encontrar, então antes de falar besteira, pesquise sobre o assunto neste site, no youtube, e depois exponha sua opinião.

  • Jorge  02/12/2016 03:36
    Realmente, escrevi tanta coisa e tão poucos pontos estão sendo observados... Continuo lendo e assistindo e as questões continuam iguais.

    O que disseste sobre os empregos é o que eu já havia dito, e não há diferença nenhuma com a desculpa dos esquerdas: "na URSS não havia socialismo de verdade"; "Cuba é muito diferente do Brasil"; "são períodos históricos diferentes" e por aí vai. Falar que o problema no país é o intervencionismo do estado já virou vírgula.
    O fato é que desde que haja capitalismo, vc precisará diminuir custos para lucrar mais, não importa quanto vc já esteja lucrando. Não existe uma reunião em que o gerente de vendas crie uma meta igual à do período anterior. Uma semana atrás vendia-se X, agora X é inadmissível. Lucro nunca é o bastante, nunca será o bastante. Prova disso é que em tempos de crise, não só há as demissões necessárias, como tb desvios de função, demissões indevidas, falta de pagamentos de salários e direitos, etc. Não se trata de lucrar menos, se trata de lucrar sempre mais, tirando dinheiro do salário e dos direitos dos trabalhadores, pois nas crises muitos "negociam" seus direitos para não perder o emprego. Vcs dirão que se trata de medidas necessárias diante das crises. Se vcs acreditam nisso...

    Sobre o empresário gastar com o que quiser, eu não entrei nesse mérito. Eu falava sobre o fato de que não era necessário que crianças trabalhassem. Mesmo sem as crianças, os empresários poderiam manter suas empresas e lucrarem, mas, como havia a possibilidade de empregar crianças e lucrar mais ainda, contratavam crianças. Se hoje deixássemos a decisão para os patrões, sem nenhuma outra intervenção, vc acha que haveria uma só empresa SEM crianças trabalhando e bem longe da escola?
    O simples fato de eu citar esse tipo de situação e vc se ater a debater sobre dar ou não pitaco no que as pessoas fazem com seu dinheiro já expõe o malabarismo necessário pra rebater a questão levantada.

    Enquanto existem uns 20 ou 30 "Safadões" que ganham rios de dinheiro, inclusive às custas de incentivos do governo, com dinheiro nosso, há milhares de bandas que fazem parte da "vida real" e é nessas que eu estou pensando. Da mesma forma, não dá pra falar em empresários pensando em acionistas de multinacionais ou em estatais trabalhando no vermelho com dinheiro público. Eu falo das bandas que estão por trás desses caras. Um cara numa banda semelhante à que eu trabalho, porém mais "famosa", que praticamente só toca na região sul do país, ganha bem mais do que os músicos do Safadão, tocando 20 shows ou bailes por mês, enquanto o WS toca mais de 30. E não se trata do "valor gerado pelo músico", se trata do fato de que qualquer um toca com o WS então, ao invés de utilizar o capital disponível para contratar o melhor instrumentista, o cara prefere aumentar lucros contratando o mais barato e garantindo o mínimo de direitos possível. Outro dia havia um baterista acionando a Ivete Sangalo, q vc citou. Ou seja, esse lance de banda disputando músico e "humanizando" o trabalho é balela. Enquanto não há uma intervenção do estado para garantir direitos aos trabalhadores da música, os patrões não humanizam nada. Aliás, observe as bandas de apoio dos artistas citados e veja quanto permanecem mais de 3 anos na equipe.

    Se vcs insistem em reduzir a questão do trabalho escravo ao significado do termo, talvez não tenham argumento melhor.
    Vc fala em "Mundo real", então eu pergunto: e a questão não é exatamente MUDAR essa realidade? O mundo real só é assim porque assim foi construído, e se foi construído, pode ser modificado. Não use a desculpa do "mundo real" para justificar que vc se sente confortável em saber que enquanto poucos vivem no luxo, milhares sobrevivem na miséria.
    Se vc se sente tranquilo em relação ao fato de que centenas de pessoas vivem sem o mínimo acesso à educação, saúde, alimentação, saneamento, etc, admita que vc não liga para os outros e não venha com o argumento do "mundo real." Não é questão de "realidade" é questão de privilégios. Nenhum rei questionará a monarquia se não for para garantir ainda mais benefícios.

    Ainda sobre o trabalho em condição análoga à escravidão, esqueçamos então o detalhe da escravidão. Então vc realmente acha maravilhoso que crianças estejam colhendo cacau sem estudar para não morrerem de fome? Que nas fazendas os agricultores tenham seus documentos retidos e devam até a alma para os fazendeiros? Que o salário de costureiras de grandes marcas não sirva pra pagar a própria alimentação? Isso tudo é admissível? É claro que os contratantes não estão obrigando ninguém a nada. Eu falo de todo o sistema que gera esse tipo de situação. Isso é plausível? É esse tipo de organização da sociedade que queremos? É realmente impossível criar algo melhor que isso? Enquanto os socialistas e comunistas acham lindo que se mate em nome do "partido" e sonham com "deuses" governantes que gerem e dividam riqueza e blábláblá a gente vai ignorar a miséria apenas pq "não há obrigação, não há escravidão"???

    Retomo: Não se trata de tratar os capitalistas de ontem ou hoje como vilões, se trata de analisar o sistema como um todo. Sem acumular riqueza, n tem como ser "bonzinho" ou "humano" mas então a única saída é ser desumano por alguns séculos e esperar que com o riqueza produzida e o capital acumulado, o mundo melhore e não se tenha mais gente sem saúde, educação, etc, mesmo desempenhando uma atividade que gera riqueza?? E novamente: o mundo não TEM DE SER como é!!! Nossa realidade não tem de ser eterna.
  • Tim  17/10/2016 22:40
    Uma pergunta básica: se o acúmulo de capital e o natural avanço do capitalismo aboliu aos poucos o trabalho infantil, então, no começo, quando a burguesia usava crianças nas fábricas, podemos dizer que nesse período inicial, o capitalismo era cruel, malvado, etc ?
  • Thomas  17/10/2016 22:57
    Impossível ser mais claro. Antes do capitalismo, não havia capital acumulado (uma obviedade que chega a ser semântica). Sem capital acumulado, impossível ser caridoso.

    As pessoas abandonavam o campo e iam trabalhar nas fábricas porque queriam. Nenhum capitalista malvadão as sequestrava e obrigava a trabalhar para eles.

    Ainda hoje, há pessoas que realmente acreditam que no século XVIII havia o mesmo tanto de riqueza que há hoje, de modo que, se os salários eram baixos (comparado aos padrões de hoje), se a segurança no trabalho era precária (de novo, comparado aos padrões de hoje) e se mulheres e crianças trabalhavam, isso só ocorria porque os malditos e gananciosos capitalistas se recusavam a prover segurança e salários altos, e obrigavam mulheres e crianças a trabalhar.

    Tais pessoas realmente acreditam que bastava apenas um decreto governamental para que um trabalhador em 1750 gozasse dos mesmos confortos, segurança no trabalho e níveis salariais vigentes hoje! É inacreditável. Para quem está acostumado a todas as comodidades e confortos do século XXI, é claro que as condições de vida do século XVIII pareciam "sub-humanas".

    Falar que a qualidade de vida era ruim nos séculos XVIII e XIX tendo por base o século XXI, e daí tirar conclusões, é vigarice intelectual. Tal postura ignora toda a acumulação de capital que ocorreu ao logo dos séculos seguintes. Era simplesmente impossível ter nos séculos XVIII e XIX a qualidade de vida que usufruímos hoje no século XXI, a segurança no trabalho, e a renda. Naquela época, não havia a mesma acumulação de capital que temos hoje. A produtividade era menor, os investimentos eram menores, a quantidade e a variedade de bens e serviços eram menores. Era impossível ter naquela época a mesma quantidade de comodidades que temos hoje.

    Trabalhar muito e receber pouco não era uma decisão de capitalistas maldosos. Era a necessidade da época. Quem realmente acredita que era possível trabalhar 6 horas por dia nos séculos XVIII e XIX e ainda assim viver bem não entende absolutamente nada de economia. Tal raciocínio parte do princípio de que vivemos no Jardim do Éden, que a riqueza já está dada, e que tudo é uma mera questão de redistribuição.
  • Denison  17/10/2016 23:30
    Mais fácil falar que o mundo era "malvado". Tente se colocar na pele de uma pessoa comum daquela época, use empatia. Imagine que sua família morava no campo e vocês tinham duas opções, continuar na agricultura ou ir trabalhar numa fábrica. Lembre-se que não havia o que temos hoje. Lembre-se que qualquer acidente, por mais simples que fosse, era mais complicado de ser tratado que hoje. Uma infecção que hoje pode ser tratada com poucos remédios, poderia ser tratada da mesma forma há 200 anos atrás? Lembre-se que no campo sua família tinha que trabalhar muito para produzir pouco. Lembre-se que não existia TV, Smartphone, automóvel, excel, etc. Naquela época, tudo era mais difícil que hoje. Não faz sentido comparar uma época tão longe com o que temos hoje.
  • NATALIA  18/10/2016 00:04
    Poderiam responder ao vídeo dessa menina? Ela é uma youtuber com conteúdo sobre livros de fama considerável.
    Começa no 03:46 até 04:15
  • NATALIA  18/10/2016 00:05
    O link está aqui, antes não enviou.
    https://www.youtube.com/watch?v=m4zzfxAGpE0
  • Vitor  18/10/2016 02:32
    Não há muito o que responder, especialmente por que ela simplesmente não mostra argumentos, mesmo por que não me parece que o vídeo seja alguma forma de tentar falar seriamente a respeito do assunto, até por que parece ser um formato básico de perguntas e respostas. Mas enfim, já que você pediu, tentarei fazer o possível.

    O argumento dela baseia-se na ideia de igualdade. Pois bem, libertários também defendem a igualdade. A diferença está em que a igualdade libertária está de acordo com a natureza humana e preserva a liberdade. A igualdade socioeconômica não, e a tentativa de segui-la na prática irá levar ao totalitarismo (Caso queiro ver uma crítica deste ideal de igualdade, recomendo este artigo).

    Em resumo, ela é "A favor de uma organização de poder que organize as pessoas", presumivelmente para que então busque-se o ideal da igualdade socieconômica. Ou, em outras palavras, a escravização de toda uma sociedade pelo Estado para que busque-se um ideal que nunca será alcançado, algo maravilhoso para qualquer filosofia política, pois dessa forma tem-se então que sempre será necessário aumentar o poder do Estado, e, ao observar todo o fracasso consequente desta ideia (pois como não tem como base as premissas mais simples da natureza humana, alcança-lo não passa de sonho infantil), em vez de abandonar a ideia, a busca por esse ideal impossível, então, dirá que na verdade precisamos tentar um pouco mais, com um pouco mais de poder ao Estado. E o ciclo repete-se.
  • Paulo  18/10/2016 12:00
    A garota além de feminista é socialista, sob o argumento de que "acredita em equidade/igualdade". E ainda reforça seu posicionamento afirmando ser totalmente contra o capitalismo por não aceitar um sistema que se baseia em desigualdade. Tudo isso transmitido via Youtube. Para a idade dela, acho compreensível. Como disse Georges Clemenceau: "Um homem que não seja um socialista aos 20 anos não tem coração. Um homem que ainda seja um socialista aos 40 não tem cérebro". Acho que isso vale para uma mulher feminista também.
  • Emerson Luis  18/10/2016 13:38
    Um artigo no Leandro Narlock explicou que em geral é justamente quando um problema social está diminuindo e até desaparecendo que as pessoas mais se indignam com ele.

    Os "progressistas" acreditam que, se não fosse o ECA, todos os pais escravizariam os próprios filhos; se não fosse a LMP, todos os maridos surrariam regularmente suas esposas; se não fosse a CLT, todos os empregados trabalhariam 16 horas por dia x 6 dias por semana por salários de fome. Ou seja, todos nós somos perversos e/ou imbecis e eles são os "corretores do mundo".

    Li em um livro de administração um case de uma empresa americana de calçados americana com fornecedores e montadores pelo mundo; os militantes descobriram que um fornecedor em certo país pobre empregava crianças e protestaram, de modo que o governo americano ordenou que a empresa a impor aos seus fornecedores o fim do trabalho infantil.

    Os administradores ficaram preocupados, pois isso significaria jogar essas crianças em trabalhos piores, na mendicância, no crime e na prostituição infantil, mas não tinham escolha. Mas daí tiveram a ideia de pagar os salários dessas crianças para que ficassem em casa e estudassem até a maioridade.

    Essa solução só foi possível porque era uma empresa lucrativa em um país capitalista. Caso a empresa mal estivesse conseguindo sobreviver, essas crianças teriam sido jogadas no submundo graças ao coração valente desses "progressistas" mais preocupados com sentirem-se bem do que com fazer o bem.

    E aposto que o país pobre era socialista em algum grau.

    * * *
  • Emerson Luis  18/10/2016 13:45

    Feminismo é uma forma de socialismo; logo, todo feminista é socialista (neomarxismo, escola de Frankfurt).

    O mesmo vale para outros militantes de "minorias".

    Um genuíno liberal e/ou conservador não pode coerentemente ser feminista.

    Feminismo é diferente de defender as mulheres. Os liberais e conservadores são os verdadeiros defensores das mulheres. E dos homens. De todos os tipos e origens.

    Socialistas buscam a igualdade material (homogeneidade), embora alguns acabem sendo "mais iguais do que os outros".

    Liberais e conservadores buscam a igualdade formal (perante as leis, isonomia).

    * * *
  • Frida Hayek  19/10/2016 00:55
    Prezado Emerson, acredito que você seja um conservador, mas muito simpático ao liberalismo. Então, nada mais natural que querer aproxima as duas correntes. E eu aprecio muito isso.

    Mas me parece um exagero dizer que todo feminista é socialista. Está certo que o feminismo está quase que irreversivelmente execrado, justamente por ser um movimento tipicamente socialista e pela figura estereotipada da mulher que não se depila, com os seios de fora, gritando 'meu corpo, minhas regras!', etc. Não sei essa imagem passou pela sua cabeça mas a grande maioria das pessoas (principalmente conservadores) faz muito esta generalização, e isto lamentável e só serve para deixar a discussão preguiçosa. É uma forma simplista de ver as coisas. Cadê a percepção do indivíduo?

    Outra coisa que eu não consegui compreender é como o liberalismo poderia proteger, no caso, as mulheres, quando ele deveria estar muito mais associado à ideia de liberá-las. Inclusive próprio feminismo teria muito mais a ganhar se flertasse forte e constantemente com o liberalismo e o com capitalismo. Você --- e todo mundo aqui --- já deve conhecer aquele caso, em que o George Hill, presidente da American Tabacco Corporation, chamou o Edward Bernays (sobrinho do psicanalista Sigmund Freud) quando percebeu que estava perdendo metade de seu mercado consumidor pelo fato de as mulheres não fumarem em público. Não quero me prolongar e contar tudo aqui, e neste vídeo (entre 00:59 e 03:38) tem um pequeno resumo da história, que é contada no episódio 1 do documentário da BBC, O Século do Ego: Máquinas de Felicidade. O que vemos é exatamente um exemplo de como o capitalismo, a busca pelo lucro, ajudou a quebrar um tabu e a empoderar as mulheres. Se eu fosse feminista, seria completamente a favor do liberalismo. E espero que não fira a inteligência de ninguém aqui, ignorar que o vídeo é sobre decisões irracionais e manipulação das massas (e o documentário completo pega mais pesado em mostrar que as coisas não são feitas exatamente pra liberar as multidões, mas sim controlá-las), mas que porém não deixou de ser sobre um evento libertador. Mas enfim, acho que este um ponto em que liberais e conservadores geralmente discordam mesmo, então está tudo dentro da normalidade.

    Pegando exemplos mais recentes a Avon, no geral, também faz campanhas muito politicamente corretas. Mas a maioria dos consumidores aprova. E isso só mostra como a inclusão social pode ocorrer naturalmente, e não precisa de nenhuma agenda progressista para isso.

    Conclusão: feministas e outras minorias deveriam confiar e ser um movimento legítimo de capitalismo e de livre mercado.
  • Emerson Luis  22/10/2016 14:38

    Olá, Frida.

    Eu defendo a liberdade responsável. Acredito que cada pessoa tem o direito de levar sua vida e buscar a felicidade como quiser, com a ressalva de respeitar essa mesma liberdade dos outros e de arcar com os custos e consequências de suas decisões.

    Também acredito que existe verdade, que existe certo e errado e que mesmo dentro do que é lícito existe melhor e pior. Ideias e comportamentos virtuosos não devem ser impostos, mas podem e devem ser defendidos para persuadir outros a adotá-los voluntariamente.

    Em resumo, sou um liberal-conservador.

    Socialismo é coletivismo, pois o coletivista abstrai um aspecto das pessoas (sexo, raça, origem, etc.) e nesta base as divide em dois grupos antagônicos. Em contraste, o liberalismo considera cada pessoa um indivíduo único, pertencente a diversos grupos, mas singular. O conservadorismo de boa estirpe também.

    Logo, quem se considera um liberal feminista (ou um feminista liberal) está defendendo ideias coletivistas e interindividualistas ao mesmo tempo, o que é contraditório. Isso se "liberal" significa as ideias de Smith, Mises, Hayek e tantos outros. Mas se por "liberal" quer dizer libertino, niilista, irresponsável, pode ser. Nem toda generlização é errada, generalizações cuidadosas podem ser verdadeiras e úteis.

    Outro detalhe: liberais em geral reconhecem que nossa liberdade é contingenciada por fatores biológicos e ambientais e que nossas ações têm consequências sociais e naturais - agir de acordo com leis naturais produz melhores resultados do que transigi-las. Já feministas geralmente acreditam que tudo é "construção social" e "preconceito" e que o governo pode determinar a realidade por decreto, concedendo "direitos positivos" que impõem obrigações a terceiros, o que é totalmente antiliberal.

    Curioso é a esquerda defende que as diferenças entre homens e mulheres são totalmente "construção social" e questão de escolha, mas ao mesmo tempo que as diferenças entre heterossexuais e homossexuais são totalmente determinismo genético. O discurso muda conforme a conveniência.

    Liberalismo e conservadorismo genuínos são complementares na proteção de todos os tipos de pessoas. O conservadorismo ensina que a vida e a dignidade humana são sagradas e que uma pessoa não pode ser usada como mero objeto; o liberalismo ensina que a liberdade responsável é essencial para essa dignidade e que todo tipo de pessoa tem direito a ela, independentemente de ser homem ou mulher, branco, negro, pardo, etc.

    Já o coletivismo considera as pessoas como meros instrumentos descartáveis, pois o importante é o coletivo e não o indivíduo. Afirma que mulheres, negros, etc. têm direito à dignidade por sererem mulheres, negros, etc., não para ajudar, mas para provocar divisão e aumentar seu próprio poder, restringindo a liberdade.

    O conservadorismo visa preservar valores que preservam a vida humana e a sua dignidade, além de terem servido de alicerce para os avanços tecnológicos e socioeconômicos. O liberalismo construiu esses avanços sobre este alicerce. O avanço tecnológico permitiu que mais trabalhos se tornassem mais leves, limpos e seguros, possibilitando que mulheres os fizessem; tornou o trabalho doméstico cada vez mais simples e a educação mais acessível, possibilitando que mais mulheres trabalhassem fora (por opção nos países ricos, as mulheres pobres, em especial as dos países pobres, já o faziam e era por necessidade). E o liberalismo mostrou que as circunstâncias haviam mudado, então certos costumes podiam mudar sem que isso ameaçasse valores conservadores.

    Sim, você está certa em afirmar que o capitalismo deu maior autonomia às mulheres. Mas a maior lição do vídeo é que o discurso de "quebrar tabus" e "empoderamento" é constantemente usado para manipular as mulheres e outros grupos. Como induzir as pessoas a agirem contra os seus próprios interesses fazendo o que os manipuladores querem? Basta apresentar o comportamento autoprejudicial como algo bom, um direito injustamente tolhido pela sociedade preconceituosa. É isso que o feminismo faz.

    Você está certa: se o feminismo realmente se importasse com as mulheres, defenderia maior liberdade econômica e menos intervencionismo estatal. Menos Marx e Keynes, Mais Mises e hayek. Mas o que os militantes profissionais realmente querem é mais poder, mesmo que isso signifique prejudicar as pessoas que fingem defender.

    Quem realmente se importa com você é quem te olha e enxerga um indivíduo único; quem olha para você e só enxerga um coletivo e lhe julga nesta base não se importa de fato com você, quer apenas usá-la como massa de manobra descartável.

    * * *
  • Frida Hayek  23/10/2016 15:05
    É que você cultiva os pensamentos mais elevados sobre as ideologias liberal e conservadora, e por isso consegue vê-las como complementares. Os conservadores que admiro são assim. É um excelente caminho, continue nele. Mas em um mundo menos excelso, onde predominam a mediocridade (não pejorativamente falando) e as questões prosaicas, liberais e conservadores vivem se engalfinhado por aí. Conservadores chamam liberais de esquerdistas. Liberais chamam conservadores de estatistas. Sobre proteger todos os tipos de pessoas, principalmente no sentido de ser contra os socialistas, eu diria que ambas as partes (na maioria das vezes) apenas se suportam.

    E não há incoerência nenhuma em um liberal ser feminista (não gosto desta palavra), desde que ele não esteja reivindicando alguma intervenção, lei ou garantia do governo. John Stuart Mill pode ser citado como um bom exemplo de um "liberal feminista" (repito: não gosto muito desta palavra).

    É uma questão de cultura e de livre circulação de ideias. É só olhar para o passado, e ver o quanto o mundo já foi "machista" (também não gosto desta palavra) e o quanto as mulheres foram limitadas em sua educação no que diz respeito a se comportarem, se vestirem e desempenharem determinados papeis na sociedade. Apesar de o ambiente hoje ser muito mais livre desse tipo de pressão social, a sociedade atual não está livre da propagação de "orientações sexistas".

    E, tendo em vista o que pensa a maioria dos conservadores, o constante questionamento ou até mesmo a 'defesa dos direitos das mulheres (ou de outras minorias)' é um papel liberal/libertário.
  • Indivíduo  24/10/2016 13:34
    A resposta do Emerson Luis foi perfeita, mas parece que você o ignorou.

    "E não há incoerência nenhuma em um liberal ser feminista (não gosto desta palavra), desde que ele não esteja reivindicando alguma intervenção, lei ou garantia do governo."

    Movimentos feministas e outros movimentos de "esquerda" nunca reivindicam alguma lei ou garantia logo de cara. A papel desses movimentos é envolver a sociedade no problema para que esta mesma sociedade reivindique a intervenção do governo. Isso é uma estratégia de manipulação: cria-se o problema para que o público reivindique a solução já esperada.
    A intervenção do estado nesse processo virá por último, impondo para todos, através da lei, a mudança.
    Essa galerinha aí, que faz parte desses movimentos, não percebe isso (e provavelmente muitos passam a vida toda sem perceber), porque é parte do processo, que é lento e ocorre normalmente de uma geração para outra.

    "É  uma questão de cultura e de livre circulação de ideias. É só olhar para o passado, e ver o quanto o mundo já foi "machista" (também não gosto desta palavra) e o quanto as mulheres foram limitadas em sua educação no que diz respeito a se comportarem, se vestirem e desempenharem determinados papeis na sociedade. Apesar de o ambiente hoje ser muito mais livre desse tipo de pressão social, a sociedade atual não está livre da propagação de "orientações sexistas"."

    As mulheres eram limitadas, mas o que garantiu liberdade para as mulheres foi o progresso do mercado que passou a oferecer trabalho que antes só era possível ser executado por homens. O trabalho é o que garante liberdade para o indivíduo, seja ele homem ou mulher, comprar a roupa e se vestir da forma que bem entender, ou então pagar um curso para investir na sua profissão.
    Crimes contra "a mulher" existe, mas é o criminoso que deve ser punido, e não a sociedade. Culpar a sociedade é tirar a culpa do criminoso e culpar um inimigo abstrato. Isso não faz sentido.
    Entrar nesse ciclo só ocasiona mais violência, uma causa disso deve ser porque o problema real está deixando de ser combatido.

    Agora me responda: quais são as "ameaças sexistas" e como você pretende resolver esse problema?
  • Frida Hayek  25/10/2016 21:13
    Sim, caro Indivíduo. Eu não discordo que a realidade seja exatamente assim, como você descreveu. O que eu ainda não entendi é o que impede de haver um feminismo, com características exclusivamente liberais.

    No caso dos crimes contra a mulher, por exemplo, certamente a melhor solução é a que é a mais liberal e também a mais feminista de todas. Liberal, em um primeiro momento, porque a sociedade em geral já seria minimamente beneficiada com a revogação do estatuto do desarmamento. Em um segundo momento, poderia começar a se fazerem campanhas para incentivar que a mulher aprenda a cuidar de sua própria defesa, principalmente engrossando as estatísticas do porte de armas. É o mínimo que se espera de alguém que acredite que a mulher não é incapaz ou inferior. E é uma das melhores formas de "empoderar" e de igualar a mulher ao homem que eu posso imaginar. Além de envolver a sociedade em uma boa causa.

    Outro caso, é que mulheres em idade de ter filhos poderiam estar sendo automaticamente descartadas para a ocupação de certos cargos. Não é uma ocorrência a qual se possa afirmar seguramente que 'sim' ou que 'não', mas ela pode muito bem estar acontecendo. Um liberal pode simplesmente ser a favor de sempre se manter o debate ativo, apenas para fazer com que cada um pense e reflita consigo mesmo. Não há incoerência nenhuma nisto.

    "Agora me responda: quais são as "ameaças sexistas" e como você pretende resolver esse problema?"

    Se alguém ainda não percebeu, eu não me ligo em nenhuma das causas dessas minorias, sejam as mulheres, os negros, os gays, etc. E não tenho muita pretensão em resolver problemas desta natureza.

    Mas se há alguma coisa com a qual me preocupo, esta coisa é a discriminação que sofrem os canhotos. Pense bem: tudo de ruim que se consideram como ideologia (socialismo, nazismo, fascismo...) é chamado de esquerda. Se for ruim, já empurram logo para dizer que é de esquerda. E o que é bom, é de direita. Parem com isto, agora! Isto pode estar criando grandes traumas nos canhotos, e ninguém se dá conta disto. Fora que o mundo é todo feito para nós, os destros. Fechaduras de portas, abridores de latas, algumas cadeiras escolares... E tudo isto estimula o sentimento de exclusão nos canhotos. Taí uma causa que vale a pena todos se engajarem.
  • Emerson Luis  30/10/2016 14:37

    Frida:

    A compatibilidade entre o genuíno liberalismo e o conservadorismo de boa estirpe não é perfeita, mas existe. Mais que isso, é mutuamente benéfica e necessária.

    Decididamente incompatíveis são a libertinagem (liberdade irresponsável) com um conservadorismo bitolado (responsabilidade imposta).

    A responsabilidade é fundamental para preservar a liberdade. E a liberdade é fundamental para haver genuína responsabilidade. Por isso eu defendo a liberdade responsável.

    Leia o livro "História do Cristianismo", do Paul Johnson. Uma das maiores lições do livro é que é impossível obrigar alguém a ser virtuoso (no contexto do livro, obrigar a alguém a ser cristão). A coerção só produz hipócritas e rebeldes. É isso que conservadores bitolados não conseguem ou não querem compreender.

    Uma pessoa pode e deve ser impedida de prejudicar outros sem o consentimento destes, mas não deve ser impedida ou obrigada a nada além disso, nem mesmo "para o seu próprio bem". Deve ser apenas persuadida, mas a escolha final é do próprio indivíduo. Isso é verdadeira virtude, escolher ser virtuoso.

    Respeitar a liberdade dos outros não significa que não deve haver limites, que tudo é aceitável, que não existe certo e errado, melhor e pior, aconselhável e desaconselhável, que nunca se deve emitir opiniões que reprovem um comportamento visando disuadir terceiros ou até mesmo os praticantes. Mas tudo deve ser feito com equilíbrio e bom senso.

    Aliás, existem diversas vertentes de autodeclarados liberais que divergem entre si, às vezes de forma beligerante. E o mesmo vale para os conservadores. Então é natural que algumas vertentes de liberais antagonizem com algumas vertentes de conservadores e vice-versa.

    Liberais podem ser usados pelos esquerdistas. Mas conservadores também.

    Sobre ser liberal e feminista, neste ponto você ainda está presa na matrix de que o feminismo e somente o feminismo defende as mulheres, que "feminismo" e "defesa das mulheres" são termos sinônimos e intercambiáveis, que quem defende as mulheres é feminista (p/ex John Stuart Mill) e quem reprova o feminismo é "contra as mulheres". Sugiro que você tome a pílula vermelha do empirismo e do raciocínio válido para sair dessa matrix.

    Vejamos.

    O feminismo basicamente diz que existem dois grupos de pessoas, os opressores e os oprimidos (neste caso, "as oprimidas"). Todo integrante do grupo opressor é culpado a priori pela opressão, mesmo que individualmente nada tenha feito de errado. E toda integrante do grupo oprimido é vítima, mesmo que individualmente nada tenha sofrido. Um membro do grupo opressor não tem permissão para debater esse assunto, pois ele não tem "vivência" e "usufrui privilégios", é um "alienado".

    Todo relacionamento, de qualquer tipo, entre um membro dos opressores e um membro das oprimidas é uma relação de poder coercitivo, mesmo que ambos acreditem que é voluntário e benéfico. Tudo o que produziu e preserva esse sistema opressor é "construção social" e ideologia. Até mesmo a física, a química, a termodinâmica, a cibernética, a biologia e outras ciências são "ideologias" feitas para dominar as oprimidas.

    Tudo era perfeito em um passado imemorial, quando havia igualdade. Mas então um grupo dividiu a sociedade e passou a oprimir o outro, dando início à História. Essa opressão só vai acabar quando todo o grupo oprimido se "conscientizar" e se unir para virar o jogo, passando a dominar os então opressores. E essa ditadura dos ex-oprimidos vai gerar uma sociedade igualitária, de paz e amor, recuperando o paraíso perdido.

    Quem acredita que é possível ser liberal e feminista ao mesmo tempo não compreende o que de fato é o feminismo, ou não compreende o liberalismo, ou ambos.

    * * *
  • Frida Hayek  30/10/2016 18:51
    Ah, sim! Voltamos ao ponto inicial. O problema aqui então é basicamente quanto a utilização do termo feminista. Eu estou plenamente de acordo que a primeira coisa a ser feita, por alguém que não seja socialista e que queira defender ativamente direitos das mulheres, é rejeitar completamente ser chamado de feminista. Inclusive para mim sempre foi visível que geralmente os melhores defensores de direitos das mulheres nunca são identificados com esse rótulo.

    Mas eu só disse que nem todo feminista é socialista justamente porque eu já vi grupos, cujos integrantes se não são liberais estão muito próximos disso, que fazem questão de assumir essa denominação. E são pessoas que conhecem minimamente o tema (eu, até hoje, sequer faço ideia do que sejam o feminismo de primeira, o de segunda ou o de terceira onda). Somente a partir daí é que eu comecei a considerar plausível existir um feminismo não ligado ao socialismo.

    Então, Emerson, não sou eu quem está na Matrix. E são estes grupos que precisam tomar a tal da pílula vermelha. E por mim, nada de errado em se ser contra o feminismo.
  • Nogueira  18/10/2016 16:27
    A garota do vídeo diz que defende o socialismo mas é contra o comunismo.

    Essa é fácil: Dizer que defende o socialismo e posicionar-se contra o comunismo não faz sentido. Socialismo não é comunismo, concordo. O socialismo é uma FASE para se chegar ao comunismo. Uma pessoa pode não ser comunista, mas, ao defender o socialismo, está CONTRIBUINDO para o comunismo.

    Ela defende também movimentos negros, LGBT, feministas (todos movimentos de esquerda) como se fosse uma luta contra opressão, e no final, diz que o mundo seria muito melhor se algumas religiões não existissem.

    Outra contradição: Defende liberdade para negros, mulheres e de opção sexual mas não defende a liberdade religiosa no mundo. Que liberdade é essa que tem apenas um lado?

    Conclusão: A menina é apenas mais uma entre os milhares de adolescente que vão para escola e recebem doutrinação socialista. Não sabe o que representa os valores que defende.
  • Igor  18/10/2016 10:47
    Bom dia a todos.

    Passando por aqui só pra dizer que a seção de comentários está cada vez mais caindo pro debate infantil. Talvez tenha mais adolescentes postando.

    Enfim, continuarei tentando filtrar o que me interessa, mas tá complicado.

    Abraço!
  • Paulo  18/10/2016 12:06
    E isso é ótimo. A última coisa que precisamos é de um clube restrito de intelectuais.
  • Igor  18/10/2016 12:35
    Paulo,

    Minha intenção não é o mimimi, mas um debate mais bem argumentado não é precisar ser restrito a "intelectuais".

    E não falo dos irônicos Filósofo da USP e seus fakes. Esses são divertidos.

    Sigamos. Abraço.
  • Taxidermista  18/10/2016 11:49
    Sobre acumulação de capital, vale lembrar o grande Eugen von Böhm-Bawerk:

    mises.org/library/positive-theory-capital


    Sobre o tema do artigo, George Reisman:

    www.capitalism.net/
  • Felipe R  18/10/2016 12:22
    Gostei bastante dos links que direcionam para os estudos sobre condições de trabalho nos últimos 200 anos. São excelentes munições para eventuais debates!
  • David-31OP  18/10/2016 12:39
    Reclamação.
    Olá, bom dia, Em defesa do trabalhador privado e pelo emprego e desenvolvimento do país e controle das contas publicas, e digo:

    A favor da PEC/ da Previdência.

    Não apoiem quem é privilegiado!
    Não apoiem quem sangra o Brasil!
    Lutem pelo trabalhador de verdade! O trabalhador privado!
    Lutem pela ordem nos gastos públicos!
    Lutem pelo certo! Diga não aos marajás!
    A favor da Familia! Filha de marajá não casa esperando a transferência de pensão! Diga não a mesada do Estado para esses adultos degenerados! A favor de uma sociedade melhor!

    Vocês já leram a LDO?
    34milhoes de pessoas valem menos que 1milhão?
    Leiam a LDO, LOA, E o projeto de orçamento da UNIÂO!

    LEIAM! De ignorância o inferno está cheio!

    Lutem pelo fim dos parasitas do Brasil! Funcionalismo caro e ineficiente! Ineficaz!
    Superávit para pagar banqueiro! O Estado que oferece 15% do seu progresso e desenvolvimento para Banqueiros, Acionistas Brasileiro e Estrangeiros! Isso é inaceitável pagar tributo a mercado financeiro!
    Vocês pagariam caro por um funcionário que não trabalha?

    CAPITALISMO JÀ/ CHEGA DE SOCIALISMO! Tributar riqueza é melhor! Socializar pobreza é para degenerados.
    Evoluir é necessidade!

    David da Fonseca.
  • Republica de Curitiba  18/10/2016 15:52
    Nessa questão de Sindicatos, lembro de meu pai, que é Sindicalista, do Sindicato dos Jornaleiros.

    E lá, a função do Sindicato é outra: Ter força política para que o Estado não destrua / retire as bancas e eles possam manter seu comércio em paz.


    Um Sindicato que o foco é defender-se do Estado...
  • Mateus Nardi  18/10/2016 21:08
    Nem tudo que cheira, FEDE (E não estou falando do Banco Central Americano, desculpa, não podia perder a piada)

    Não necessariamente todos os sindicatos agem de má fé. Assim como alguns setores do Estado, não necessariamente são originados e geridos por pessoas ou motivos ruins, mas tais setores causam varias anomalias.

    De onde vem a renda do sindicato dos Jornaleiros? É paga por opção ou obrigação? Se por obrigação, quem garante que se realize tal pagamento?
  • Elliot  18/10/2016 22:36
    „Ora, sendo o trabalho em si mesmo um sacrifício, e sendo o homem naturalmente levado a evitar os sacrifícios, segue-se daí que - e a história bem o prova - sempre que a espoliação se apresentar como mais fácil que o trabalho, ela prevalece."

    „O socialismo, como as velhas idéias de onde emana, confunde a distinção entre o governo e sociedade. Como resultado disso, cada vez que nos opomos a algo que o governo queira fazer, os socialistas concluem que estamos fazendo oposição."
  • Papa  18/10/2016 23:19
    O capitalismo destruiu, sem as substituir por coisa alguma, as corporações antigas, que eram para os trabalhadores uma proteção; os princípios e o sentimento religioso desapareceram das leis e das instituições públicas, e assim, pouco a pouco, os trabalhadores, isolados e sem defesa, têm-se visto, com o decorrer do tempo, entregues à mercê de senhores desumanos e à cobiça duma concorrência desenfreada.

    Os trabalhadores são usados como vis instrumentos de lucro.
  • Karol Wojtyla  18/10/2016 23:41
    O curioso é que, involuntariamente, você acabou dizendo uma coisa certa: sim, o capitalismo acabou com as guildas e com as reservas de mercado, abrindo todos os setores à livre concorrência.

    E foi exatamente isso que protecionistas como você jamais perdoaram.

    O sistema pré-capitalista de produção -- que é o que você defende -- era restritivo. Sua base histórica era a conquista militar. Os reis vitoriosos cediam a terra conquistada aos seus paladinos. Esses aristocratas eram lordes no sentido literal da palavra, uma vez que eles não dependiam de satisfazer consumidores; seu êxito não dependia de consumidores consumindo ou se abstendo de consumir seus produtos no mercado.

    Por outro lado, eles próprios eram os principais clientes das indústrias de processamento, as quais, sob o sistema de guildas, eram organizadas em um esquema corporativista (as corporações de ofício). Tal esquema se opunha fervorosamente a qualquer tipo de inovação. Ele proibia qualquer variação e divergência dos métodos tradicionais de produção. Era extremamente limitado o número de pessoas para quem havia empregos até mesmo na agricultura ou nas artes e trabalhos manuais.

    Sob essas condições, vários homens, para utilizar as palavras de Malthus, descobriram que "não há vagas para eles no lauto banquete da natureza", e que ela, a natureza, "o ordena a dar o fora". Porém, alguns destes proscritos ainda assim conseguiram sobreviver e ter filhos. Com isso, fizeram com que o número de desamparados crescesse desesperadoramente.

    Mas então surgiu o capitalismo. É costume ver as inovações radicais que o capitalismo produziu ao substituir os mais primitivos e menos eficientes métodos dos artesãos pelas fábricas mecanizadas. No entanto, esta é uma visão bastante superficial. A feição característica do capitalismo que o distinguiu dos métodos pré-capitalistas de produção era o seu novo princípio de distribuição e comercialização de mercadorias.

    O capitalismo não é simplesmente produção em massa, mas sim produção em massa para satisfazer as necessidades das massas. As artes e os trabalhos manuais dos velhos tempos eram voltados quase que exclusivamente para os desejos dos abastados.

    E então surgiram as fábricas e começou-se a produzir bens baratos para a multidão. Todas as fábricas primitivas foram concebidas para servir às massas, a mesma camada social que trabalhava nas fábricas

    Elas serviam às massas tanto de forma direta quanto indireta: de forma direta quando lhes supriam produtos diretamente, e de forma indireta quando exportavam seus produtos, o que possibilitava que bens e matérias-primas estrangeiros pudessem ser importados. Este princípio de distribuição e comercialização de mercadorias foi a característica inconfundível do capitalismo primitivo, assim como é do capitalismo moderno.

    O capitalismo, em conjunto com a criatividade tecnológica, foi o que livrou o Ocidente do fantasma da armadilha malthusiana. Antes da Revolução Industrial, as populações crescentes pressionavam inexoravelmente os meios de subsistência. Porém, quando as fábricas de Manchester, na Inglaterra, começaram a atrair um volume maciço de pobres que estavam ociosos no meio rural, e quando elas passaram a importar trigo barato, Malthus se tornou um profeta desacreditado em sua própria Grã-Bretanha.

    Como acabou ocorrendo, toda a criatividade e inventividade que o capitalismo desencadeou se refletiu nas estatísticas de natalidade: pessoas de classe média que não mais necessitavam gerar famílias grandes para ter filhos que trabalhasse e ajudassem no sustento começaram a limitar a quantidade de filhos.

    Essa combinação entre famílias menores e uma aplicação mais engenhosa da ciência à agricultura acabou com o problema da inanição no Ocidente. A partir daí, a pobreza deixou de ser predominante e passou a ficar restrita a um número cada vez menor de pessoas.

    A ascensão do capitalismo
  • Murdoch  19/10/2016 01:48
    Quem é que acredita na Teoria Populacional Malthusiana?
    Era de se esperar que é apenas uma teoria. Qualquer relação entre crescimento populacional e escassez de alimentos é inválida e improvada.
    Embora ela seja muito destacada nas escolas e em meios acadêmicos, mas qualquer leitor deste site sabe que qualquer possibilidade disto ser real é como acreditar no papai noel.
    A escassez sempre foi e sempre vai ser a falta de capitalismo nos países.
    Basta apenas olhar para a Africa.
  • Sérgio  19/10/2016 21:54
    "O sistema pré-capitalista de produção -- que é o que você defende -- era restritivo. Sua base histórica era a conquista militar. Os reis vitoriosos cediam a terra conquistada aos seus paladinos."

    Óbvio que vc não entende nada sobre a história da nossa civilização.

    Sem aqueles guerreiros, há muito a nossa civilização tinha sucumbido aos invasores bárbaros e muçulmanos.

    Imagine o que teria restado da nossa civilização sem grandes guerreiros como Carlos Martel, Carlos Magno, Jan III Sobieski, Duque de Lorena. Sem aqueles grandes guerreiros, hj nós seríamos muçulmanos....

    A própria Viena, terra da Escola Austríaca (onde o Mises viveu uma boa parte de sua vida), se não fosse aqueles guerreiros que resistiram aos cercos de Viena do século XVI e XVII, a Áustria teria se tornado um país muçulmano...Mises teria sido muçulmano e talvez teria sido o grande economista que foi...

    Aliás, aqueles grandes guerreiros estão fazendo falta nos dias de hj. Quantas vezes os jihadistas atacaram o Ocidente nos últimos anos, e nenhuma reação? Imagine alguém com a bravura de um Carlos Cartel...
  • Thiago AD  19/10/2016 00:45
    Boa noite,

    Mais um artigo espetacular.

    ''Fugindo'' um pouco do artigo, gostaria de saber a opinião de Leandro e demais frequentadores do site sobre:

    - A importancia da OECD nas economias globais, é um orgão importante que ajuda os mais vulneráveis economicamente e poderia indicar uma saída ao Brasil, por exemplo?

    - Proibição do UBER em países ricos e desenvolvidos (e burocráticos, estamos de acordo) como a Alemanha por exemplo. Porque tais países tão burocráticos ainda continuam sendo excelentes economias e possuindo qualidade de vida incrivelmente além do padrão mundo. Isso um dia pode acabar?

    Abraços a todos leitores e curiosos do blog que nos ensina bastante!
  • Filósofo da UFPR  20/10/2016 22:24
    Que tal o projeto vênus?
  • Flávia  14/11/2016 23:32
    Eu tenho uma dúvida. Que período da história o capitalismo passou a existir e o mercantilismo começou a ser abandonado?
  • Ribeiro  15/11/2016 00:25
    O mercantilismo nunca acabou. Aliás, está cada vez mais forte. Vide o governo Dilma, por exemplo. Raramente se viu um governo tão mercantilista quanto.

    Em todo caso, aqui vai:

    Mercantilismo versus livre comércio - os primórdios

    Como os mercantilistas institucionalizaram a inflação

    A ascensão do capitalismo
  • Marco Antonio  01/03/2017 04:27
    Olá, texto excelente. Parabéns ao Instituto Mises pelo excelente serviço prestado em esclarecer aquilo que os livros da escola não ensinam.

    Apenas gostaria de informações quanto aos "diversos autores" da matéria, para maiores esclarecimentos.
  • Rogério  01/03/2017 11:37
    Ao final do artigo.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.