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Explicando as pedaladas fiscais: por que são crime e por que prejudicaram exatamente os mais pobres

Comecemos por uma explicação sucinta, em sugestivas 13 etapas, do que são as pedaladas fiscais.

1) Em épocas normais, o Tesouro Nacional repassa dinheiro para os beneficiários de vários programas sociais, como Bolsa Família, seguro-desemprego e abono salarial.

2) Também em épocas normais, o Tesouro Nacional repassa dinheiro — só que agora na forma de empréstimos subsidiados — para os beneficiários dos programas Minha Casa, Minha Vida, Pronatec, e Fies.  Igualmente, ele também repassa — e também na forma de empréstimos, só que a um volume muito maior — para as grandes empresas, para os compradores de imóveis, e para os ruralistas de grande e médio porte

3) No item 1, o Tesouro transfere o dinheiro para a Caixa Econômica Federal e para o Banco do Brasil, que em seguida repassa esse dinheiro para os beneficiados.

4) No item 2, o esquema é o mesmo, só que agora ocorre na forma de empréstimos, e não de meros repasses.  Ou seja, o Tesouro transfere dinheiro aos bancos estatais e estes emprestam esse dinheiro, a juros bem abaixo da SELIC, para estudantes, grandes empresas, compradores de imóveis, e ruralistas. Além de CEF e BB, o BNDES também entra em cena.

5) Esse esquema, embora sempre tenha existido, foi turbinado a partir do último trimestre de 2008, com o intuito de estimular a economia em meio à crise financeira mundial. Até o ano de 2013, ele funcionou como o esperado.

6) Em 2014, porém, as contas públicas entram em desordem.  O governo federal, que até então sempre conseguira fechar suas contas anuais com um superávit primário (isto é, tendo receitas maiores que as despesas, excluindo o pagamento de juros da dívida), vislumbra a possibilidade de fechar o ano com um déficit primário (isto é, receitas menores que as despesas, mesmo desconsiderando os gastos com juros).  Este seria o primeiro déficit primário desde o início da série histórica.

7) Para evitar esse vexame, principalmente em um ano eleitoral, o governo inventa uma artimanha: com a intenção de maquiar as contas e transformar um déficit em superávit, o Tesouro pede para os bancos estatais repassarem, utilizando capital próprio, o dinheiro dos programas citados nos itens 1 e 2, sem que ele, Tesouro, tenha antes de transferir aos bancos esse mesmo dinheiro.

8) Ou seja, em vez de transferir dinheiro para os bancos estatais e os bancos estatais então repassarem esse dinheiro para seus destinatários finais, o Tesouro simplesmente pede para que os bancos estatais repassem eles próprios esse dinheiro, sob a promessa de que, futuramente, o Tesouro os ressarcirá.

9) O objetivo é claro: ao não transferir esse dinheiro para os bancos estatais — ou, dizendo de outra forma, ao atrasar a transferência desse dinheiro para os bancos estatais —, o Tesouro poderá utilizá-lo livremente em outras áreas.  O dinheiro que antes seria gasto em repasses aos bancos estatais agora pode ser gasto em outras atividades sem que isso piore a contabilidade do orçamento.  Cria-se a mágica de fazer dois gastos distintos com um dinheiro só.

10) Na prática, portanto, o Tesouro pede para os bancos estatais financiarem algo que era de sua responsabilidade.  Isso passa a ocorrer mensalmente.

11) Ao deixar de transferir mensalmente o dinheiro para os bancos estatais, o governo fica livre para utilizar esse dinheiro como bem entender. Efetivamente, isso representa um aumento não-contabilizado de gastos: os gastos totais (gastos do governo mais gastos financiados pelos bancos) aumentaram, mas os gastos contabilizados permaneceram inalterados. Excelente estratégia para um ano eleitoral .

12) Ou seja, os gastos sociais — agora financiados pelos bancos — seguem ocorrendo normalmente, mas como nenhum dinheiro do governo foi direcionado para este fim, o que se tem, na prática, é um governo livre para utilizar esse dinheiro como quiser, sem que tais aumentos de gastos sejam contabilmente registrados.  Agindo desta forma, o governo passa a apresentar mensalmente em seu balancete despesas menores do que as que realmente ocorreram.  Assim, ele não apenas espera conseguir um superávit primário, ainda que artificial, como ainda consegue aditivar seus gastos em ano eleitoral sem que isso apareça na contabilidade.

13) A intenção do governo é enganar o mercado financeiro, os especialistas em contas públicas e as agências de classificação de risco.

Essa, em suma, é a definição de "pedaladas fiscais": a prática do Tesouro Nacional de atrasar, propositalmente, a transferência de dinheiro para bancos estatais com o objetivo de melhorar artificialmente as contas públicas, ao mesmo tempo em que obriga esses bancos a arcarem por conta própria com essas despesas, que são de responsabilidade do Tesouro.

Ao deixar de transferir o dinheiro para os bancos estatais, o governo apresentava despesas contabilmente menores do que as que ocorreram na prática, numa tentativa de ludibriar os agentes econômicos.

As duas encrencas

Mesmo um leigo em economia e em contabilidade não teria nenhuma dificuldade para perceber que, na mais branda das hipóteses, há algo de desonesto nesta prática.  No mínimo, está havendo uma adulteração das contas, o que pode ser entendido como fraude.

Mas a coisa é ainda pior.  Aliás, é duplamente pior.  Essa prática não apenas infringe duas leis criadas pelo próprio governo, como também é danosa para a economia.

Comecemos pela primeira parte.

Infração de leis

A definição precípua de crédito é: um valor disponibilizado por uma entidade (o credor) para alguém (o mutuário ou devedor) por um período de tempo determinado.

As pedaladas fiscais, como descritas, são claramente uma operação de crédito entre os bancos estatais e o governo federal: os bancos estatais (credores) disponibilizaram para o governo federal (mutuário), por um período de tempo (a princípio, indeterminado), uma quantia de dinheiro, a qual deveria ser quitada no futuro.

E daí?

E daí que eis o que diz o artigo 36 da Lei de Responsabilidade Fiscal:

Art. 36. É proibida a operação de crédito entre uma instituição financeira estatal e o ente da Federação que a controle, na qualidade de beneficiário do empréstimo.

Parágrafo único. O disposto no caput não proíbe instituição financeira controlada de adquirir, no mercado, títulos da dívida pública para atender investimento de seus clientes, ou títulos da dívida de emissão da União para aplicação de recursos próprios.

Ou seja, falando em termos populares, um banco estatal não pode financiar o governo federal na forma de repasses diretos.  O que um banco estatal pode legalmente fazer é comprar títulos do Tesouro; ele não pode simplesmente repassar dinheiro para o Tesouro ou (o que dá no mesmo) gastar dinheiro em nome do Tesouro.

Em termos puramente legais, portanto, as pedaladas fiscais atentam contra o artigo 36 da Lei de Responsabilidade Fiscal.

E foi exatamente assim que o Tribunal de Contas da União entendeu a situação.  Esses atrasos rotineiros e volumosos nas operações entre o governo federal e os bancos estatais caracterizam uma "operação de crédito entre uma instituição financeira estatal e o ente da Federação que a controla" com o claro intuito de maquiar as contas públicas.

Apenas em 2014, nada menos que R$ 40 bilhões foram usados em pedaladas, o que significa que essa prática retirou indevidamente R$ 40 bilhões da apuração da dívida pública.

Eis a participação de cada banco estatal nas pedaladas apenas em 2014 (lembrando que o FGTS está sob responsabilidade da Caixa):

pedaldasgrafico2.png

A própria Caixa Econômica Federal reconheceu que tinha de mensalmente bancar os gastos do Tesouro, às vezes em montantes que chegavam a quase R$ 6 bilhões de reais.

graficopedaladas.png

(O principal banco a fazer as pedaladas, como mostra o primeiro gráfico, foi o BNDES, por meio do PSI (Programa de Sustentação de Investimento), criado em 2009.  Quem tomava dinheiro por essa linha, para comprar máquinas e equipamentos, pagava juros de 2,5% ao ano, o que equivalia a taxas reais negativas, considerando o IPCA de mais de 6% à época.)

Mas tudo isso foi em 2014.  Ao final de 2015, ano em que as pedaladas continuaram, tudo piorou: o valor total já estava em incríveis R$ 72,4 bilhões.

E Dilma com tudo isso?  Desrespeitar um artigo da Lei de Responsabilidade Fiscal é motivo para impeachment?

A encrenca está em outra lei: a Lei 1.079/50 (alterada em outubro de 2000 pela Lei 10.028/00).  Segundo esta lei, são crimes de responsabilidade do presidente da República:

Artigo 10, inciso 6:

Ordenar ou autorizar a abertura de crédito em desacordo com os limites estabelecidos pelo Senado Federal, sem fundamento na lei orçamentária ou na de crédito adicional ou com inobservância de prescrição legal.

Artigo 11, inciso 3:

Contrair empréstimo, emitir moeda corrente ou apólices, ou efetuar operação de crédito sem autorização legal.

Dado que o TCU considerou que as pedaladas foram uma operação de crédito, e que tal operação nunca foi votada pelo Senado, nem nunca foi fundamentada na lei orçamentária, e nem nunca teve prescrição ou autorização legal, então tal prática claramente violou duas leis: a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei 1.079/50, esta última sendo clara ser sua violação crime de responsabilidade do presidente da República.

Há base para impeachment?  Isso é um assunto que deixo para os nobres causídicos.  Mas que Dilma cometeu crimes, isso é inegável.

No entanto, o pior crime foi aquele que, estranhamente, não é considerado crime passível de punição.

Inflação e destruição da economia

Quando o Tesouro transfere dinheiro para os bancos estatais, e estes então repassam esse dinheiro para terceiros, tal operação, por si só, não é inflacionária.  A quantidade de dinheiro na economia permaneceu inalterada. 

Aquilo que o Tesouro arrecadou via impostos, ele transferiu para os bancos, que então repassaram para terceiros.  O dinheiro mudou de mãos e gerou privilégios para uns e desvantagens para outros; mas, por si só, tal operação não é inflacionária.

Já quando o Tesouro não transfere nada para os bancos, mas os obriga a repassar dinheiro para terceiros, a situação muda completamente.  Nesse caso, os bancos repassarão dinheiro (no caso dos gastos sociais) ou emprestarão dinheiro (no caso de financiamentos) para terceiros, e ficarão à espera do Tesouro lhes transferir esse valor.

Mas os bancos — e esse é o pulo do gato — não emprestam ou repassam um dinheiro que está "guardado dentro da gaveta" ou em um "cofre para emergências".  Não é assim que funciona o atual sistema bancário.  No atual sistema bancário, que opera com reservas fracionárias, bancos criam dinheiro eletrônico do nada e emprestam (ou repassam, no caso das pedaladas) esse dinheiro.

No caso das pedaladas, a operação dos bancos estatais segue a mesma mecânica de um empréstimo convencional: os bancos criam dinheiro do nada — na verdade, meros dígitos eletrônicos —, repassam esse dinheiro para pessoas ou empresas (acrescentam esses dígitos na conta do beneficiado), e então ficam à espera de que o Tesouro lhes transfira o valor desse repasse.  E, enquanto o Tesouro não fizer isso, a quantidade de dinheiro na economia terá aumentado.

Veja a sequência:

1) Suponha que você é o governo e tem $ 100 para gastar.

2) Destes $ 100, $ 90 você gasta com despesas correntes, e os outros $ 10 você repassa aos bancos estatais. 

3) Aí você percebe que é mais negócio "pedalar". Você chega para a CEF e para o BB e diz: "Olha só, repassem vocês aí os $ 10, que mais tarde a gente acerta".

4) Ato contínuo, liberado desta obrigação de repassar $ 10 para os bancos estatais, você agora tem $ 100 para gastar com suas despesas correntes, e não mais $ 90.

5) Observe que o seu gasto total continua em $ 100. Antes, você gastava $90 em despesas correntes, e $ 10 com repasses. Agora você gasta todos os $ 100 exclusivamente em despesas correntes.

6) Simultaneamente, os bancos estatais criam os $ 10 e os transferem para seus destinatários.

7) Como consequência, a quantidade de dinheiro na economia aumentou de $ 100 para $ 110, o governo ficou com $ 10 extras para gastar no que quisesse, e os programas sociais e demais empréstimos subsidiados dos bancos estatais seguiram impávidos.

Fraude total.

Mais ainda: uma fraude inerentemente inflacionária.  Ela aumenta a quantidade de dinheiro na economia.  De um lado, os bancos criaram dinheiro eletrônico e repassaram esses dígitos eletrônicos para terceiros.  De outro, o Tesouro não subtraiu igual quantia (de dígitos eletrônicos) de ninguém para repassá-la ao banco.  Portanto, no saldo final, a quantidade de dinheiro na economia aumentou.

E, como mostrado acima, o total das pedaladas — isto é, a quantidade de dinheiro que foi criada e jogada na economia apenas por essa modalidade inventiva — foi de R$ 72,4 bilhões.

Para se ter uma ideia, tal valor é igual à quantidade total de crédito concedida pelos bancos privados neste mesmo intervalo de tempo (anos de 2014 e 2015). 

Vale repetir: apenas com as pedaladas, os bancos estatais jogaram na economia a mesma quantidade de dinheiro que os bancos privados jogaram em todas as suas modalidades de empréstimo durante esse mesmo período de tempo.

Mais ainda: esse valor das pedaladas representou o valor em que o governo aumentou seus gastos sem ter receitas equivalentes — o que, na prática, representa um déficit.

E você estranha que a carestia esteja alta, que o real tenha se desvalorizado tão acentuadamente, e que os juros não tenham surtido efeito?

Conclusão

Quais foram, portanto, as consequências diretas das pedaladas?

Aumento da quantidade de dinheiro na economia (inflação monetária), aumento não-contabilizado de gastos, e subsequente destruição do orçamento do governo causada por essa maquiagem contábil.

Quais foram as consequências indiretas? 

Consolidação do déficit orçamentário em níveis recordes (nada menos que 9% do PIB) por causa do aumento de gastos possibilitado pelas pedaladas, perda do grau de investimento pelas três agências de classificação de risco, disparada da taxa de câmbio, aumento da inflação de preços a dois dígitos, queda da renda real dos trabalhadores (gráfico 14) e, inevitavelmente, aumento da pobreza.

Este foi o verdadeiro crime do governo Dilma.


14 votos

autor

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Conservador  31/03/2016 09:49
    Muito bom, Leandro.
  • cesar weinmann  14/04/2016 20:31
    https://www.facebook.com/levantepopulardajuventude/videos/1134363399962546/
  • Loiva   19/04/2016 18:41
    Quem é Leandro? De onde vem as informações? Ele é político?
  • Porta-Voz  19/04/2016 19:27
    "Quem é Leandro?"

    Um ser humano comum.

    "De onde vem as informações?"

    Todos os números e fatos citados no artigo estão devidamente linkados (tá vendo aquelas palavrinhas em azul? Pois é, são hyperlinks. Clique nelas e você será levada a todas as fontes).

    "Ele é político?"

    Nem daqui a treze encarnações.
  • Porta-Voz  19/04/2016 19:52
    Você pode se deliciar inteiramente com ele aqui:

    www.youtube.com/watch?v=R5fvo7yBxJo
  • Cascatinha  19/04/2016 19:39
    Eu queria saber como ele é, o que faz, se é rico, a impressão que dá é que ele é o arauto dos investimentos. Pelo nome ele deve ter menos de 40 anos.
  • LeX  01/06/2016 02:01
    "pelo nome ele deve ter mais de 40 anos..."
    De onde a criatura tira uma ideia dessas?????
    conheço Leandros com 60 e mais de 70 anos.
    Eu mesmo tenho 42.

    "a impressão que dá é que ele é o arauto dos investimentos..."

    Não cara, é só estudar economia e ter conhecimentos minimos de mercado pra entender.
  • Oneide teixeira  30/08/2016 15:34
    Não entendeu.
    A origem do agente determina a sua "verdade de classe".
  • Emerson Luis  31/03/2016 10:47

    O incrível é ver a "elementa" dizendo com toda a arrogância que ela não pode ser punida neste mandato pelo que fez no mandato imediatamente anterior. Por essa ilógica, qualquer prefeito, governador ou presidente pode arrombar as contas públicas no fim do mandato para se reeleger e a reeleição extinguiria os crimes.

    É claro que ela própria sabe que está mentindo. E a maioria dos seus defensores também.

    Os 7 crimes de Dilma

    1- Crime de responsabilidade

    2- Crime de desobediência

    3- Extorsão

    4- Crime eleitoral

    5- Crime de responsabilidade fiscal

    6- Falsidade ideológica

    7- Improbidade administrativa

    * * *
  • anônimo  01/04/2016 13:10
    Ótimo artigo!! Parabéns.
  • Duro Golpe nos Esquerdistas   01/04/2016 15:51
    Daqui a pouco aparece os papagaios de pirata do PT falar que é golpe, golpe foi o PT que deu e estamos lutando para desfazer o Golpe demoníaco
  • Antonio Elias Jasmim Reis  05/04/2016 21:30
    Excelente artigo. Muito didático e esclarecedor. Parabéns!
  • Carlos  20/04/2016 01:13
    Os fatos analisados na questão do impedimento se restringem ao ano de 2015, esqueceram?
  • Josh  29/04/2016 13:12
    "Falsidade ideológica" rsrsrsrs
  • Fabio Moretto  31/03/2016 11:08
    A melhor explicação sobre os efeitos econômicos até agora! Parabéns pelo artigo!
  • Leandro  31/03/2016 13:54
    Obrigado pelo elogio, Fabio. Forte abraço!
  • Angelo T.  31/03/2016 11:37
    Artigo bem esclarecedor.
    Obrigado, Leandro!
  • Leandro  31/03/2016 13:54
    Obrigado pelo reconhecimento, Ângelo. Abração!
  • fabio xavier  31/03/2016 12:18
    considerando um mundo de fantasia onde esse governo (ou o próximo) desfaz as pedaladas sem entrar em deficit, isto é, faz economia de algum modo legal. Considerando também que a inflação de 2013 (antes das grandes pedaladas) foi em torno de 6% e a dos últimos 12 meses esta na casa de uns 11% . Então numa conta de padaria, só com isso (a arrumação dessa bagunça) a inflação ja cairia para uns 5% por causa da diminuição da quantidade de dinheiro na economia ?
  • Leandro  31/03/2016 13:44
    A questão é que é impossível pagar as pedaladas -- as quais, supostamente, já foram pagas -- sem entrar em déficit.

    Como explica a própria notícia acima, o governo teve de emitir títulos para quitar essas dívidas. Ou seja, se endividou mais para pagar a dívida anterior.

    No mais, ao repassar dinheiro para os bancos estatais, estes agora terão ainda mais caixa para empresar, o que não combina exatamente com uma redução da carestia.
  • Gustavo  17/04/2016 19:45
    Leandro ali nesse artigo do Valor o que isso quer dizer: ""sem a necessidade de nova emissão de títulos para recompor o 'colchão da dívida", informou em nota o Ministério da Fazenda."?

    O governo está manipulando palavras? Pelo que entendi eles pagaram se endividando, e depois dizem que não emitiram novos títulos... wtf.

    Obrigado pelo texto!!

  • Felix  31/03/2016 12:42
    Creio que o BB e a CEF não podem criar dinheiro dessa maneira,
    eles só podem expandir em reservas fracionárias dinheiro que foi depositado por clientes.
    Como o dinheiro depositado pelos clientes foi o mesmo, com ou sem pedaladas, o banco retirou de suas próprias reservas para pagar as pedaladas. Ele deixou de fazer empréstimos mais lucrativos para atender ordem do governo.
  • Leandro  31/03/2016 13:40
    "eles só podem expandir em reservas fracionárias dinheiro que foi depositado por clientes"

    Não.

    Essa ideia de que bancos só podem emprestar estritamente aquilo que têm em depósitos é uma confusão extremamente comum, muito difundida pelos livros-textos de macroeconomia.

    Na prática, o evento ocorre de maneira inversa: primeiro os bancos criam crédito, e depois, só depois, eles vão atrás do dinheiro para lastrear esse crédito.

    Em outras palavras, primeiro os bancos criam dígitos e emprestam; depois, só depois, eles vão ao Banco Central (que está lá exatamente para isso) ou ao mercado interbancário pegar fundos para compor suas reservas.

    E não precisa acreditar em mim, não. Pode ir direto a uma fonte nada suspeita: o BC da Inglaterra. Nessa monografia feita para o público leigo (a qual eu fortemente recomendo, pois é extremamente esclarecedora sobre o sistema bancário), o BC inglês explica exatamente como funciona esse mecanismo, e explica por que o BC -- ao contrário do que muita gente pensa -- não tem como controlar a quantidade de dinheiro na economia.

    Em termos puramente didáticos, não faz muita diferença dizer que primeiro o BC cria dinheiro e então, só então, os bancos emprestam. Afinal, os efeitos finais são os mesmos.

    No entanto, em termos práticos, faz toda a diferença.

    O modelo-padrão dos livros-textos leva a entender que os bancos esperam passivamente por depósitos de seus correntistas para então, só então, começar a emprestar. Isso é falso. Não é assim que os bancos operam. No mundo real, os bancos criam crédito -- e, nesse processo, criam depósitos -- e então, só então, vão buscar reservas.

    Primeiro vêm os empréstimos -- que criam depósitos -- e depois, só depois, vêm as reservas.

    Imagine esse cenário: o Banco A está com exatos $10.000 em suas reservas bancárias, e há exatamente $100.000 nas contas-correntes, e o compulsório é de $10%.

    Nesse cenário, ele já está no limite máximo permitido.

    Aí, um correntista vai a uma loja e passa um cartão de crédito desse banco no valor de, por exemplo, $500. Ato contínuo, o Banco A vai perder reservas de $500 (os quais vão parar no banco em que o dono da loja tem conta). Consequentemente, o Banco A ficará agora com $9.500 em suas reservas, mas continua com $100.000 nas contas-correntes.

    Se levarmos ao pé da letra o que diz os livros-textos -- que os bancos só emprestam após o BC ter lhe dado reservas --, então essa transação acima teria sido impossível. O cartão de crédito do cidadão seria recusado pelo motivo de "insuficientes reservas bancárias do Banco A junto ao Banco Central".

    Agora, vamos um ponto adiante. E se todos os bancos estiverem nessa mesma situação do Banco A? Pela lógica dos livros-textos, todas as transações seriam congeladas.

    Eu realmente sugiro a leitura da monografia do BC da Inglaterra linkada logo acima. É bem esclarecedora. Ela mostra que a exata função de um Banco Central é permitir todo esse processo de expansão de crédito, fornecendo dinheiro aos bancos sempre que eles precisarem.

    "o banco retirou de suas próprias reservas para pagar as pedaladas"

    Perceba que os efeitos são absolutamente os mesmos. Se o banco retira dinheiro de suas reservas bancárias (que, por definição, estão depositadas junto ao Banco Central), então duas coisas ocorrerão:

    1) A quantidade de dinheiro na economia aumentou (dinheiro que estava fora da economia entrou na economia);
    2) As reservas do banco caíram, o que significa que ele terá de ou ir ao mercado interbancário ou recorrer ao Banco Central (vendendo títulos para ele) para recompor suas reservas.

    Ou efeito é absolutamente o mesmo.
  • Carlos  22/04/2016 03:21
    Leandro, por favor, traduza essa monografia.
  • Sebastiao Jorge  27/04/2016 03:48
    Leandro,peço vênia para me envolver nessa explicação que deu a outro colega. Em 2010 numa discussão em sala de aula, fiz críticas a expansão do crédito que estava em curso. Um colega, demonstrando muita surpresa argumentou:"mas o crédito não é tudo?". É muito difícil todo mundo entender a economia. Nem todo remédio faz bem para a saúde. Mesmo aqueles que o fazem, em doses erradas podem fazer um estrago. Não sou contra as operações de crédito e entendo que você também não. Mas...use com moderação.

    A questão da oferta monetária é um ponto pacífico. Nem mesmo comunista ou socialista são capazes, atualmente, de negar a importância da moeda, principalmente como instrumento de troca, a importância do controle da sua oferta e consequente controle da inflação. Entendo que o partido do governo também não. Tanto a Presidenta Dilma, quanto o próprio Lula, reconhecem a importância desse controle. Entretanto, nem todos compreendem com a mesma extensão da sua clareza.

    Estou analisando todo seu trabalho,inclusive os links que passou, e tentando encontrar o que procuro. Estou achando que tem algo mais. Por outro lado acho muito difícil a presidência acompanhar o dinamismo de todo este processo. Toda a equipe precisa funcionar bem. Eleições ainda estão interferindo. Não pode!

    Em relação ao impeachment, sou contra. Primeiro porque esta havendo um esforço grande para corrigir os erros. O custo existiu, mas a oposição e a própria mídia também têm contribuído muito com ele. Em segundo porque isto não vai resolver o problema, mas vai acirrar ainda mais a disputa política e novos prejuízos serão certos.

    Não esquece de me dizer como pretende acessar meu currículo para que eu possa disponibilizá-lo.

  • Terror dos petralhas  05/05/2016 20:28
    Aí, um correntista vai a uma loja e passa um cartão de crédito desse banco no valor de, por exemplo, $500. Ato contínuo, o Banco A vai perder reservas de $500 (os quais vão parar no banco em que o dono da loja tem conta). Consequentemente, o Banco A ficará agora com $9.500 em suas reservas, mas continua com $100.000 nas contas-correntes.

    Leandro,a conta corrente diminui em R$500,00 e passa a ser de R$99.500,00,ela deixa de ser R$100.000,00.
    Isso não invalida seu raciocínio,mas é um equivoco.

    Aquele abraço e aguardo a réplica para engrandecimento deste rico debate.
  • Leandro  05/05/2016 20:51
    Sua descrição está errada.

    Se o cara passou um cartão de crédito, então a sua conta-corrente não será imediatamente reduzida. Se fosse um cartão de débito, aí sim sua descrição estaria correta, pois o cartão de débito atua diretamente sobre a conta-corrente. Já o cartão de crédito não atua diretamente sobre a conta-corrente do indivíduo.

    Como o próprio nome diz, ele fornece um crédito para o indivíduo. Nesse caso, o banco faz um empréstimo para o indivíduo, cujo principal será cobrado apenas em uma data específica no futuro. O banco perde reservas imediatamente, mas a conta-corrente do indivíduo não é alterada. Esta só será alterada quando sua fatura do cartão de crédito chegar e ele quitá-la.

    Perdoe-me a sinceridade, mas com esse seu conhecimento de economia, você não conseguirá ser o "terror dos petralhas".

    Grande abraço.
  • Terror dos petralhas  05/05/2016 22:10
    Valeu Leandro e vou levar em consideração seu puxão de orelhas,você tem crédito para isso,por ser o mestre deste site.

    Abraços!!!
  • Gustavo Marinho  30/08/2016 17:49
    Pensei exatamente isso que você falou sobre cartões de débito e crédito, enquanto lia a SUA explanação (texto maior) inicial nos comentários, Leandro. O erro NÃO foi do colega "Terror dos Petralhas", MAS SEU, no que se refere ao trecho: "Aí, um correntista vai a uma loja e passa um cartão de crédito desse banco no valor de, por exemplo, $500...". Este texto é seu e foi COPIADO pelo colega "Terror". Foi você quem citou cartão de CRÉDITO, no exemplo. Seu "puxão de orelha" nele foi injusto. Sei que a postagem tem um tempo, mas entendo que nunca é tarde para reconhecermos nossos erros e pedirmos desculpas, a quem as devemos. E acredito que você partilha de tal crença.

    Boa tarde e vamos comemorar o INÍCIO da libertação tupiniquim, amanhã...
  • Leandro  30/08/2016 19:01
    Desculpe, mas parece que foi você quem não entendeu.

    Sim, eu sei que o leitor acima apenas colou um trecho meu, só que ele se confundiu com dois conceitos distintos.

    Vou repetir:

    Quando você compra algo no cartão de crédito -- atenção, cartão de crédito e não de debito --, a sua conta-corrente não é afetada.

    O que acontece quando uma pessoa compra algo no cartão de crédito é: o banco do comprador (no exemplo, o Banco A) credita dinheiro na conta do vendedor e, consequentemente, tem de transferir esse dinheiro, via reservas bancárias, para o banco do vendedor.

    O Banco A, que é o banco do comprador, perde reservas bancárias para o Banco B, que é o banco do vendedor.

    Reservas bancárias foram transferidas do Banco A para o Banco B, e dinheiro foi creditado na conta-corrente do vendedor (que tem conta no Banco B). Mas o comprador não teve a sua conta-corrente debitada. Isso só ocorrerá quando ele receber a fatura do cartão de crédito e pagá-la.

    Ou seja: ao passo que estou falando de transferência de reservas, o leitor "Terror dos Petralhas" está falando em redução de conta-corrente. Ao passo que estou falando dos efeitos do cartão de crédito, ele está falando dos efeitos do cartão de débito.

    Leitores deste site não têm o direito de se confundir com esses dois conceitos. Logo, receba também o meu carinhoso "puxão de orelha". ;)

    Saudações e mantenha esse otimismo.
  • Marcelo Vasconcelos  30/08/2016 19:21
    Gustavo Marinho,

    Minha nossa! Que dificuldade para interpretar um texto!

    "Este texto é seu e foi COPIADO pelo colega "Terror". Foi você quem citou cartão de CRÉDITO, no exemplo."

    Esse trecho foi escrito pelo Leandro e está correto. O problema é que o Sr. "Terror dos petralhas" fez uma citação do comentário anterior do Leandro sem colocar aspas, mesmo assim dá para entender o que foi dito.


    A resposta do Leandro (que foi excelênte) ao "Terror dos petralhas" se deu em virtude deste trecho "Leandro,a conta corrente diminui em R$500,00 e passa a ser de R$99.500,00,ela deixa de ser R$100.000,00. Isso não invalida seu raciocínio,mas é um equivoco."

    O sujeito que fez o comentário entendeu e até aceitou a resposta do Leandro, o que demonstra bom senso.


    "Boa tarde e vamos comemorar o INÍCIO da libertação tupiniquim, amanhã..."

    Ou talvez depois de amanhã, quando o povo "tupiniquim" aprender a interpretar um texto!
  • Igor  31/03/2016 13:42
    Criam dinheiro do nada, sim. Mas dentro dos limites de Basiléia.
  • Leandro  31/03/2016 13:55
    Correto. E vale lembrar que, em termos de Basiléia, os bancos brasileiros -- mesmo os estatais -- sempre estiveram bem capitalizados.

    O Banco Central sempre disponibilizava os valores nesta página. Aí, "estranhamente", logo após a descoberta das pedaladas (as quais afetaram os até então bons números dos bancos estatais), tal estatística foi abolida.
  • Pobre Paulista  31/03/2016 14:27
    Como assim "bons"? A CEF não está mais de 30x alavancada?
  • Leandro  31/03/2016 14:31
    Alavancados todos os bancos são. Essa é alma do negócio deles.

    Mas as alavancagens máximas permitidas por Basiléia são maiores do que as alavancagens até então (antes da retirada das estatísticas) apresentadas pelos bancos estatais brasileiros.
  • José Dias  31/03/2016 18:30
    Prezado Leandro,
    Pesquisando no site do BC, encontrei as informações do índice de Basiléia no seguinte link: https://www3.bcb.gov.br/informes/relatorios?lingua=pt
  • Gustavo Greco  31/03/2016 12:59
    Melhor texto sobre as pedaladas fiscais! Agr sim eu entendi haha
  • Leandro  31/03/2016 14:16
    A intenção era exatamente essa, Gustavo: fazer com que até leigos pudessem entender essa coisa diabólica.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Igor  31/03/2016 13:09
    Parabéns, Leandro!

    Mais um brilhante artigo.

    Abraço!
  • Leandro  31/03/2016 13:53
    Obrigado, Igor. Grande abraço!
  • Rene  31/03/2016 13:32
    Leandro, estou com uma dúvida: As pedaladas também não teriam como consequência um aumento dos juros reais no crédito para pessoas normais? Pelo que eu entendi, as pedaladas são um empréstimo para o governo a juros zero, visto que o governo não se compromete a repassar um valor maior do que o combinado para os bancos, depois de um tempo. Por conta disso, os bancos terão menos dinheiro para emprestar para as pessoas comuns. Menos dinheiro, maiores juros para modalidades como empréstimo a pessoas físicas, cheque especial ou pagamento da taxa mínima de cartão de crédito.

    Isso não traria como consequência também forçar a Selic para cima, visto que, ao atrasar o repasse, os bancos se veriam obrigados a recorrer ao mercado interbancários ou mesmo ao compulsório para manter o nível das reservas fracionárias? E isso não forçaria o Banco Central a tomar outras medidas para manter o nível da Selic?

    De qualquer forma, a análise foi precisa e imparcial, como sempre.
  • Leandro  31/03/2016 14:22
    É uma ótima observação, caro Rene. Não vejo falhas nela. Aliás, a própria empiria a corrobora:

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/02/1741511-banco-publico-volta-a-ter-juro-para-o-consumidor-igual-ao-dos-privados.shtml

    Em todo caso, a simples inflação monetária e de preços que as pedaladas geraram, bem como a desvalorização cambial que impulsionara, já levaria automaticamente a um aumento dos juros.

    Grande abraço e obrigado pelas palavras.
  • Rafael Ribeiro  31/03/2016 15:11
    Primeiramente, excelente artigo. Os comentários também são igualmente brilhantes. Porém, me surgiu uma dúvida. O governo repassa dinheiro aos bancos para que estes operem o financiamento de programas sociais (o item 2). Obviamente, há cobrança de juros. Minha dúvida aqui é: após as pedaladas, para quem fica os juros? Esse dinheiro é devolvido ao governo ou fica com os bancos?

    Outra dúvida: geralmente esses juros são financiados pelo próprio governo. Os bancos oferecem os empréstimos com taxas reduzidas e subsidiadas por dinheiro público. Então, ao quitar as pedaladas através de títulos, o governo não só criou um buraco na ordem de 74 bilhões, mas terá que arcar ainda mais com o financiamento desses juros. Esses juros que foram/serão pagos pelo governo podem ser acrescidos à lista de dinheiro inventado do nada?
  • Leandro  31/03/2016 15:26
    Funciona assim:

    1) Em condições normais, o BB emprestaria $ 100 e cobraria, digamos, $ 15 de juros em um ano (taxa de juros de 15% ao ano).

    2) Para reduzir os juros, o Tesouro repassa, digamos, $ 7 ao BB.

    3) Sendo assim, em vez de cobrar $ 15, o BB agora cobra apenas $ 8.

    Observe que, no final, o ganho nominal do BB foi o mesmo ($ 15). Mas as taxas de juros cobradas caíram de 15% para 8%.

    Tendo isso em mente, vamos às perguntas:
    "para quem fica os juros? Esse dinheiro é devolvido ao governo ou fica com os bancos?"

    Como dito, os $ 15 ($ 7 do Tesouro mais $ 8 dos juros cobrados) ficam com o banco estatal.

    Porém, vale lembrar que, na condição de estatal, o banco -- que tem como acionista o Tesouro -- tem de repassar dividendos ao Tesouro. E, além dos dividendos, há também todos os impostos.

    Portanto, cria-se aquela situação tipicamente keynesiana: o governo tira dinheiro de nós, repassa aos bancos estatais, e estes, no final, devolvem uma parte ao Tesouro. E eles juram que isso é um moto-perpétuo para o crescimento econômico.

    "Então, ao quitar as pedaladas através de títulos, o governo não só criou um buraco na ordem de 74 bilhões, mas terá que arcar ainda mais com o financiamento desses juros. Esses juros que foram/serão pagos pelo governo podem ser acrescidos à lista de dinheiro inventado do nada?"

    Correto.

    O Tesouro emite títulos para quitar seu rombo orçamentário. Esses títulos são comprados majoritariamente pelos bancos. E como os bancos compram títulos? Pelo mesmo processo de criação de dinheiro explicado no texto.

    Por isso, todo e qualquer déficit é inerentemente inflacionário.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Robson Santos  31/03/2016 13:32
    Se isso não é crime após todo esse panorama, eu não sei mais o que é...
    Fica óbvio que não tinha como tal governo não ser reeleito, pois tal cenário criado se revelaria um desastre se parasse nas mãos da oposição, óbvio e ululante é que se as urnas "deixassem" que Aécio vencesse pela apertadíssima margem de votos o mesmo não iria assumir devido a intervenção governista que iria se formar para invalidação do processo. Não tinha como a oposição assumir, caso contrário veríamos uma debandada ( exílio ) em massa de vários desses criminosos, não após armarem perseguições contra eles e alguns acordos com a nova situação governista, claro...
  • Roberto Cláudio  31/03/2016 14:19
    Concordo com você. Eu sempre dizia aos meus amigos e familiares (nenhum petista com a graça de Deus): é melhor o PT vencer e encarar as consequências de suas próprias cagadas do que deixar a sujeira para outro limpar.

    Se o PT tivesse perdido em 2014, o atual descalabro seria tranquilamente jogado na responsabilidade de quem tivesse vencido, e o partido voltaria em 2018 para nunca mais sair do poder.
  • Luiz  31/03/2016 18:39
    Roberto Claudio, foi exatamente o que aconteceu aqui no rio grande do sul, o tarso genro (petista) destruiu a economia e tentou a reeleição, muitos diziam que ele deveria ser eleito pra que a bomba explodisse na mão dele, acabou sendo eleito o candidato da oposição e no SEXTO DIA do governo, o tarso já tava criticando a situação do estado e culpando o atual governador.
  • Robson Santos  31/03/2016 13:40
    Se o Bolsonaro fosse um cara reacionário mesmo, estaria agora levantando a bandeira da pena de morte por tiros de fuzis com o custo dos pentes para as famílias dos criminosos. Ou no mínimo por enforcamento, pois por injeção letal seria digno demais para criminosos que destroem vidas de várias famílias.
  • anônimo  31/03/2016 14:19
    O impeachment é o mínimo que ela merece, porque em um país justo ela deveria ser é presa.
  • Pobre Paulista  31/03/2016 14:22
    É golpe!
  • Professor da UERJ  31/03/2016 14:26
    Concordo com você, Pobre Paulista. Não vai ter golpe, vai ter luta! Vamos lutar pela democracia!
  • Eduardo  31/03/2016 14:26
    Cara, vc tem o dom pra escrever!!!
  • Capital imoral  31/03/2016 14:31
    O unico erro do governo Dilma, foi ter usado bancos públicos em vez de privados.

    Os exploradores do capital deveriam pagar por essa conta. E sim o governo deveria dar o calote nos bancos privados. Esse é o preço de explorar os pobres.
  • FL  31/03/2016 14:43
    Artigo extramamente claro e didático!
    Aliás, esse é o maior "problema" do site: poucos artigos escritos pelo Leandro Roque. Muito obrigado por mais uma aula.
  • Leandro  31/03/2016 14:56
    Pelas exageradas e irreais palavras eu lhe agradeço, caro FL. Obrigado pelo reconhecimento.

    Grande abraço!
  • Juliano  31/03/2016 14:48
    Ótimo artigo, como sempre.

    Essas pedaladas são inéditas? Nenhum governo anterior teve essa magnífica ideia?

    Abraços,
    Juliano
  • Auxiliar  31/03/2016 14:56
    Segundo o PT, tudo começou, é claro, com FHC.

    É bem possível que sim, mas ainda não houve comprovação. E caso tenha havido, dificilmente foi algo tão explícito e volumoso quanto.
  • Gabriel  31/03/2016 15:01
    Grande Leandro, estava sentindo falta dos seus artigos sobre economia aqui no IMB, e como de costume mais um ótimo artigo.

    Essa questão das pedaladas é algo absurdo, somente fanáticos partidários não conseguem enxergar a cara de pau desse governo.
  • Leandro  31/03/2016 15:24
    Mas é necessário ser fanático partidário para defender governos, Gabriel. O que de bom eles nos trazem?

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Novededos  31/03/2016 18:42
    "O que de bom eles nos trazem?"
    Trazem segurança para você poder processar alguém, sem governo não pode existir justiça, nem polícia para dar segurança.
  • Malthus  31/03/2016 23:01
    Sem governo não pode existir justiça nem segurança?!

    Tá, tá, não vou nem entrar no mérito, pois há artigos específicos sobre justiça e segurança privada neste site.

    Minha questão é: já que o governo deve só prover segurança e justiça, então por que um governo deste tamanho, se intrometendo em tudo? Um governo que consumisse 1% do PIB já estaria de ótimo tamanho.
  • O MESMO de SEMPRE  31/03/2016 23:11

    Pois é!!!

    Só que o governo consome bem mais de 50% do PIB real.

    O calculo do PIB vale tanto quanto um traque. Como parâmetro seria válido e recomendável para se avaliar VARIAÇÕES e não como uma medida válida de quantitativo de produção de bens e serviços.

    Sendo válido apenas como PARÂMETRO a fórmula não poderia variar ao sabor dos interesses politiqueiros. Porém, a fórmula varia e neste caso o tal PIB não serve para nada além de iludir a população habituada a CRER e somente crer no que lhe falam através dos MEIOS MANIPUALDORES de OPINIÃO.
  • Rafael  31/03/2016 15:01
    Excelente texto, parabéns!
  • Leandro  31/03/2016 15:24
    Obrigado, Rafael. Aquele abraço!
  • Daniel  31/03/2016 15:10
    Excelente análise, é interessante que muitos querem justificar as pedaladas dizendo que outros presidentes também fizeram, soa como tentar justificar um roubo dizendo que ''semana passada um cara roubou um carro aqui na rua e não foi preso, agora eu vou? que mundo injusto meoo''.
  • Pedro  31/03/2016 15:46
    Eu li o artigo sobre bancos criarem dinheiro eletrônico, mas como isso ocorre? O que permite essa maluquice de criar dinheiro sem lastro?
  • Leandro  31/03/2016 17:37
    O sistema foi criado já voltado para ser assim.

    Sugiro a monografia do BC da Inglaterra, que explica tudo o que tem para ser explicado sobre o assunto:

    www.bankofengland.co.uk/publications/Documents/quarterlybulletin/2014/qb14q1prereleasemoneycreation.pdf
  • Daniel  31/03/2016 16:24
    (off)
    Outro dia vi numa discussão esse link contrário a ideia de cidades privadas citando como exemplo a cidade Gurgaon.
    ideas.ted.com/skyscrapers-but-no-sewage-system-meet-a-city-run-by-private-industry/
    Ate que ponto podemos considerar esse exemplo?
  • O Cavalheiro  01/04/2016 17:32
    O artigo começa dizendo que a cidade possui 2 mi de habitantes e é um ímã para a classe média e passa o resto do artigo inteiro criticando. Acho que se fosse tão ruim, as pessoas não se sentiriam atraídas.

    Não conhecia essa cidade e ainda não conheço o suficiente, mas quando o artigo critica, diz algo como: "isso é ruim, ainda que no resto da Índia também, mas é um absurdo e..."

    Então o artigo não apresenta nada de positivo, mas o que tem de negativo já acontece nas cidades públicas e se fosse tão ruim, não estaria tanta gente interessada em se mudar para essa cidade.

    Veja Detroit, parece ser um lugar ruim e as pessoas se afastam de lá, Hong Kong por outro lado, atrai pessoas, então há algo que o autor do artigo não percebeu.

    Minha opinião apenas lendo esse artigo, para uma análise mais completa eu teria que ler mais sobre o assunto.

    Obrigado.

  • Ícaro  31/03/2016 16:26
    Leandro, existe algum email (ou página privada/pública) para que eu posso contactar o senhor ?

  • Ricardo  31/03/2016 16:27
    Leandro, parabéns pela explicação!

    Muitos comentam que os governos estaduais e até mesmo outros presidente também "pedalaram". É correta esta análise? Pois, os governos estaduais não possuem bancos para realizar esta operação de tal forma como o governo federal, mas, estou confuso.. Agradeço a atenção.

    Abraço!
  • Leandro  31/03/2016 17:32
    É, sim, possível, mas apenas nos estados que possuem bancos estatais estaduais -- como o Rio Grande do Sul, por exemplo.

    É bem provavel que o senhor Tarso Genro tenha "lavado a égua" no Banrisul. Mas ainda não houve denúncias.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Alexandre  31/03/2016 21:15
    Leandro, o que o Tarso fez aqui no RS, usando o Banrisul (que só existe ainda por causa do Olívio Dutra) foi utilizar depósitos judiciais. Começou com o Rigotto, passou pela Yeda, mas como tudo que o PT faz, o tamanho do saque no governo petista foi assombroso. Infelizmente tudo foi feito com aprovação do legislativo. Um pouco se consertou com a nova Lei de Responsabilidade Fiscal estadual m.zerohora.com.br/284/noticias/4940556/o-que-muda-com-a-lei-de-responsabilidade-fiscal-gaucha

    Aqui no RS temos o estado mais quebrado da federação, mas talvez um dos menos corruptos. Só se pode concluir que ignorância econômica é muito pior para o desenvolvimento de um povo do que a corrupção.

    Ainda fiquei com a dúvida se essa ocultação das dívidas para não gerar déficit ocorreu no governo FHC. Quais são as pedaladas fiscais que o PT tanto fala que na época do FHC também existia?
  • Alexandre  31/03/2016 17:43
    É exatamente a mesma dúvida que possuo. Se essa operação de usar dinheiro dos bancos públicos para custear diretamente os gastos estatais também se verificou no governo de outros presidentes. Leandro, por favor, nos explique!
  • Raphael Paiva  11/04/2016 02:30
    Pois é Alexandre.

    O PT diz que isso já ocorreu em outros governos, tanto no ambito federal como estadual.

    O argumento dos petistas é que deveriam também investigar e prender os ex-presidentes e governadores, porém só querem investigar a Dilma e o Lula, o que configura uma perseguição.

    O que dizer sobre isso, Leandro e demais?
  • Leandro  11/04/2016 11:45
    Em primeiro lugar, esse "argumento" foi rejeitado pelo próprio TCU.

    No mais, eu só poderia responder a essa sua pergunta se eu trabalhasse no TCU, que é o órgão que tem acesso a essas contas e a todos os números orçamentários. Eu não tenho.

    Até o momento, e excetuando-se as extenuantes e emburrecedoras intrigas e fofocas políticas, nada de substantivo foi apresentado contra outros governos. Aliás, nem mesmo contra o governo Lula.

    Há números precisos e confirmados apenas para a gestão Dilma.


    P.S.: é a quarta vez, apenas nesta seção de comentários, que sou obrigado a copiar e colar a mesma resposta. Por obséquio, antes de fazerem uma pergunta, certifiquem-se de que ela já não foi feita e respondida antes.
  • anônimo  04/10/2016 20:43
    Quantos estados que possuem bancos estatais estaduais?
  • João Carlos  31/03/2016 16:49
    Quanto aos a ideia de juros reais negativos:
    "Quem tomava dinheiro por essa linha, para comprar máquinas e equipamentos, pagava juros de 2,5% ao ano, o que equivalia a taxas reais negativas, considerando o IPCA de mais de 6% à época.)"

    Quer dizer que na prática, levando em conta a inflação, era melhor negócio pegar dinheiro emprestado do que usar capital próprio?
    Não entendi.

    Abraços,
  • Pedro Gomes  31/03/2016 17:27
    Bingo! Exatamente.

    Daí os vários investimentos errôneos que agora estão sendo liquidados pela recessão.
  • Viking  31/03/2016 19:21
    Exatamente isso!
    valia a pena pegar o dinheiro do empréstimo no BNDES e investir. Você ganharia juros com um dinheiro que você não tinha.
  • Renato  31/03/2016 16:51
    Não adianta reclamar dos políticos enquanto ainda existir a classe política.

    Se queremos ficar livres dessa corja temos que aos poucos alertar a todos sobre como é danoso para o bolso das pessoas e para os cofres do país a existência dessa classe parasitária chamada político.

    Em artigos anteriores eu percebi o aumento dos interessados que gostaram da minha ideia de criar um grupo para essa finalidade: A ELIMINAÇÃO DOS POLÍTICOS COMO CLASSE.

    Eu já expus aqui um principio de como iniciaríamos essa empreitada:

    Criaríamos um empreendimento para a função de alerta aos empreendedores. Sejam eles pequenos, médios ou grandes empreendedores.

    Um grupo poderia ser criado, mostrando o nosso cartão de visita, para fazer o trabalho de divulgação entre os empresários. Assim que contratados, de comum acordo com os mesmos (troca voluntária), estabeleceríamos um preço razoável para começar a imprimir cartilhas explicando as pessoas, dentro do estabelecimento do contratante, se assim esse desejar, mais principalmente nas ruas.

    Poderíamos também criarmos grupos de associados para que cada vez mais a mensagem de anti-políticos ganhasse mais força através de palestras e encontros.

    Mostraríamos aos poucos para as pessoas que pagar impostos é uma falácia. Só serve para sustentar a classe política...e também mostraríamos a existência de moedas digitais, como o bitcoin, por exemplo, para o empresário e para as pessoas comuns.

    Aos poucos vamos tirar essa mentalidade estatal da cabeça das pessoas.

    Como eu sou da CIDADE do Rio de Janeiro, ficaria melhor que pessoas daqui entrassem em contato comigo.

    Trabalharíamos como se fossemos "fantasmas". O investimento seria feito diretamente com empresários que assim solicitasse nosso serviço.

    É claro que esse grupo crescendo vamos criar e ter contato com pessoas de outros estados e até mesmo em nações estrangeiras.

    Para os interessados meu email é galenolima@ibest.com.br
  • Conhecido do Pobre Paulista  31/03/2016 23:08
    EXCELENTE IDEIA, RENATO

    EXCELENTE!
  • Rafael Lustosa  31/03/2016 17:01
    Leandro, parabéns pela excelente análise.
    Seus artigos são sempre muito bem embasados. Percebe-se que o Sr. tem uma grande bagagem teórica e prática de economia. Além dos livros básicos da Escola Austríaca (já presentes aqui no site), tem alguma outra fonte de informação (livros, artigos, dissertações) sobre o funcionamento da economia em geral que possa recomendar? Algo na área de Macroeconomia e Economia Monetária? Pergunto isso porque fico muito impressionado com o nível de suas análises, não só neste texto, como nos diversos outros do site (principalmente aquele do "cambalacho argentino").
    Parabéns mais uma vez!

  • Airton  31/03/2016 17:03
    muito bom o text, parabéns Leandro.
  • Pedro Ivo  31/03/2016 17:41
    Só passei para manifestar meu elogio ao Leandro, e mais especialmente às pessoas que fazem comentários e perguntas em seus artigos. Sempre que leio os comentários aos artigos do Leandro, sinto que aprendi algo mais. Antigamente me sentia assim em todos os artigos do IMB. Mas de tempos para cá creio que o livro de comentários virou um 'muro das lamentações' (assim em minúsculas mesmo, pois o Muro das Lamentações de verdade é para ser levado à sério), onde há poucas perguntas e comentários úteis, e muitos desabafos de conservadores, libertários e liberais melindrados, desapontados ou coléricos (sentimentos justificáveis, claro!). Deixou de ter aquela tensão epistêmica de antigamente, instigando a pesquisar e estudar mais.

    Ainda bem que nos artigos do Leandro o leite repousa e produz nata.

    Sim, é uma crítica à boa parte dos leitores do IMB. Espero tenha sido construtiva.
  • Sandro Lima  31/03/2016 17:51
    Era um artigo assim que estava a procura para entender melhor essas pedaladas e qual o custo disso para a população.
    Me elucidou 100%!

    Parabéns!

    Agora, não sei se fico "mordido" por conta da irresponsabilidade dessa gente, ou por não ter pego empréstimo no BNDES quando me foi oferecido, na época nem fiz questão de saber sobre taxas.



  • Bruno George de Moraes  31/03/2016 17:56
    Ola, Gostei do artigo mas creio que inflacao tbm fere a [b]Lei 1079/50 e a LRF[b];

    1) Comite Monetario Nacional define metas de inflacao([b]6.5% max[b]) com antecedencia de 2 anos que as submete para aprovacao no Congresso;
    2) O Congresso aprovandoas o BC fica limitado em emitir titulos de divida ou moeda até as metas.

    Logo, ao constatar inflacao oficial no limite da metas tanto BC e Tesouro nao poderiam emitir titulos/moeda como nas leis citadas. Tivemos inflacao bem acima do limte portanto seria mais um crime de responsabilidade!

    www.anpec.org.br/encontro2009/inscricao.on/arquivos/000-fc26fd6ab1435d412c360b6fdf958499.pdf sobre impactos do descumprimento no embito economico. Mesmo neste trabalho a existencia da punicao na 1079/50 nao foi citada ou conhecida e pelo que procurei so dizem que LRF faz mencao direta a um relatorio com acoes de ajuste caso as metas sejam ultrapassadas.
  • Joaquim Saad  31/03/2016 18:00
    Outro artigo muito bom e bastante oportuno, contribuindo p/ rebater a mendacidade descarada e ilimitada p/ a qual descambou a "presidenta", negando na maior cara-de-pau ter infringido qualquer lei e/ou artigo constitucional após a re-eleição (assim confessando implicitamente ter cometido ilícitos em sua primeira gestão), sendo que toda a imprensa já vem reportando a continuidade das pedaladas mesmo em 2015 (o que, ainda que não tivesse sido o caso, não eximiria a chefe do executivo de responder no 2º mandato por transgressões perpetradas no 1º).

    Gostaria apenas de entender por quê esse (des)governo simplesmente não lançou mão dos crescentes e enormes recursos já há muitos anos disponíveis em sua conta no Banco Central ao invés de incorrer em crime ao atrasar repasses financeiros à Caixa, BB e BNDES, sendo que ambas as alternativas provavelmente redundariam em intervenções esterilizadoras por parte da autoridade monetária (aumentando em alguma medida o montante da dívida bruta) enxugando excessos de liquidez gerados nos dois casos.
    Não parece ser devido a uma obediência extraordinária à LRF2000 e sua vedação ao uso do saldo daquela conta c/ propósito distinto do resgate de papeis federais (preferencialmente em poder do BC).

    A propósito, a MPV704 de 23/Dez/2015 autorizaria justamente tal manobra ?! Neste caso, estaria configurado mais um ataque à Lei de Responsabilidade Fiscal editando-se regras frontalmente contraditórias a ela, prática pelo visto já banalizada da qual a mais significativa teria sido aquela lei "ordinária" de 2008 criando a malandra "equalização cambial" contribuindo em boa medida c/ o (cúmulo do :-) acúmulo de todo aquele dinheiro represado no BaCen em nome do governo ?

    Obrigado.

    [ ]'s
  • Leandrão do Futebol  30/08/2016 22:48
    Obrigado por tudo e desculpa qualquer coisa.
  • Tulio  31/03/2016 18:04
    Leandro, parabéns pelo texto!

    Você realmente tem uma elouquência excelente.

  • Rafael Isaacs  31/03/2016 18:26
    Juros e inflação naõ tenderiam a subir mesmo sem pedaladas?
  • Fernando Buglia  31/03/2016 18:51
    Parabéns, Leandro!

    Uma explicação simples, mas que nada tem de superficial, sobre as fraudes fiscais do governo.

    Uma pena que este artigo (e outros de sua autoria!) não seja lido pela grande maioria dos brasileiros.

    Darei minha humilde contribuição, compartilhando nas redes sociais.

    Novamente dou-lhe meus cumprimentos.

    Forte abraço

    Fernando
  • anônimo  31/03/2016 19:41
    Parabéns Leandro.

    Obrigado pela explicação sobre o atual governo populista do Brasil.

    E digo: se realmente o Estado do Brasil fosse eficiente, o país já seria de 1° mundo.
  • Erick  31/03/2016 19:46
    Aí quando a casa cai, afinal "It´s the economy, stupid" e o povo se revolta pelo arrebento da economia, a Bandilma chama um canalha denunciado pela justiça para tentar salvar a própria pele, cometendo outro crime, dessa vez obstruindo a justiça. E apesar de tudo isso, ainda usam mais dinheiro pra comprar o apoio de miseráveis com pão com mortadela e dinheiro. Depois ainda temos que ouvir que "é golpe". O Brasil não tem jeito. Esqueçam!
  • Ze  31/03/2016 19:52
    Para onde vai o spread dos bancos estatais?
  • Pobre Paulista  31/03/2016 20:23
    Pro resultado do banco. Assim como em qualquer banco.
  • Ze  31/03/2016 21:29
    Sim eu entendi. Fiz uma pergunta meio boba.
  • Ex-Dissidente  06/04/2016 21:14
    Também concordo plenamente com você: É GOLPE!
  • Paulo Falcao  31/03/2016 20:30
    Claro e bem fundamentado. Parabéns.
  • Manuella  31/03/2016 20:37
    Adorei o texto. Linguagem simples e sintetizada. Compreendi melhor sobre as pedaladas. Obrigada!
  • Marco Delinardo  31/03/2016 20:42
    Olá Leandro, interessante o texto, principalmente quando entra nos termos econômicos relacionados as tais pedaladas fiscais. Quanto aos termos jurídicos, eu tenho um pouco de dúvida. O jurista e Prof. Dr. Ricardo Lodi Ribeiro, da UFRJ, afirmou hoje (31/03/2016) que as ditas pedaladas fiscais não constituem crime de responsabilidade da presidente. A explicação mais detalhada está neste link do YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=MNX391sXunk (a partir de 1:12:15). Acho que cabe a discussão sobre a legalidade do processo de impeachment! Abs
  • Teori  31/03/2016 20:54
    Lodi? O sócio do sobrinho do ministro Luís Barroso, indicado pelo PT e protegido de Lula?
  • Ontem  31/03/2016 21:13
    "discussão sobre a legalidade do processo de impeachment"

    O processo de impeachment está previsto na Constituição e na Lei, meu caro. Logo, é legal e constitucional.


    "Ricardo Lodi Ribeiro, da UFRJ, afirmou hoje (31/03/2016) que as ditas pedaladas fiscais não constituem crime de responsabilidade da presidente"

    Ontem os Profs. Drs. Janaína Paschoal e Miguel Reale Jr. afirmaram que as pedaladas fiscais constituem crime de responsabilidade da presidente. E aí? Só vale a opinião do fulano de hoje para você?
  • Marazul  31/03/2016 20:43
    Ela alega que os governos anteriores também fizeram...e aí como é que fica? Há diferença entre ela e os governos anteriores?
  • TCU  31/03/2016 21:11
    esse "argumento" foi rejeitado pelo próprio TCU
  • Pedro  31/03/2016 21:29
    Leandro, me corrija, por gentileza. O processo inflacionário começa apenas em 2014? Eu tinha em mente que os bancos estatais começaram a ser utilizados para aditivar os números da economia em 2009, através de inflação monetária, culminando em aumento de preços e início da liquidação dos investimentos errôneos. Onde eu me perdi?
  • Leandro  31/03/2016 22:49
    "O processo inflacionário começa apenas em 2014?"

    Não. Começa, de fato, em 2004. Mas se intensifica realmente no segundo semestre de 2008, principalmente com os bancos estatais.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1943

    "Eu tinha em mente que os bancos estatais começaram a ser utilizados para aditivar os números da economia em 2009, através de inflação monetária, culminando em aumento de preços e início da liquidação dos investimentos errôneos."

    Correto.

    "Onde eu me perdi?"

    Em lugar nenhum. Você se manteve no caminho certo o tempo todo. A partir do segundo semestre de 2013, os bancos estatais ultrapassam os bancos privados no saldo de crédito. Para completar, em 2014, começam as pedaladas, que agravam completamente uma situação já extremamente distorcida.
  • Pedro  31/03/2016 23:40
    Não, eu sei que foi em 2004(lendo este site), estava falando especificamente do perío
    do 2009-2014.
    Mas como houve prática inflacionária se estava havendo repasse do tesouro, como bem aponta o texto?

  • Leandro  01/04/2016 00:58
    Não há prática inflacionária somente na seguinte ocasião: quando, de um lado, há transferência do governo para os bancos e, de outro, repasse dos bancos para pessoas. Ou seja, não há prática inflacionária quando há apenas repasses e transferências.


    Já quando há criação de crédito, não importam os juros, isso é inflacionário. Mesmo com os subsídios do Tesouro aos bancos estatais, o processo de concessão de crédito destes é inflacionário.

    (Vou repetir o que já escrevi aqui mesmo nesta seção de comentários:

    Funciona assim:

    1) Em condições normais, o BB emprestaria $ 100 e cobraria, digamos, $ 15 de juros em um ano (taxa de juros de 15% ao ano).

    2) Para reduzir os juros, o Tesouro repassa, digamos, $ 7 ao BB.

    3) Sendo assim, em vez de cobrar $ 15, o BB agora cobra apenas $ 8.

    Observe que, no final, o ganho nominal do BB foi o mesmo ($ 15). Mas as taxas de juros cobradas caíram de 15% para 8%.
    Observe também que, com ou sem subsídios do Tesouro, o banco criou $100 em crédito. E com ou sem subsídios, ele cobrará um total de $ 115.)


    Por fim, quando os bancos fazem repasses, mas não recebem as transferências equivalentes do governo -- como no caso das pedaladas --, aí também é inflacionário, pois houve criação de dinheiro.


    Em suma: o único processo não-inflacionário é quando, sem pedaladas, o Tesouro transfere para os bancos para que estes então repassem para pessoas (não há empréstimos). Exemplos dessa prática são seguro-desemprego, Bolsa-Família e abono salarial.
  • Pedro   01/04/2016 15:17
    Muito obrigado, Leandro!
  • Felipe  09/04/2016 05:12
    Leandro

    Há também processo inflacionário se o Tesouro lança títulos para captar o montante a ser repassado ao BNDES ou não há como se fazer essa distinção?

    Grato e felicitações.
  • Auxiliar  09/04/2016 14:31
  • paulo  31/03/2016 21:30
    Leandro, obrigado pelo artigo, esclarecedor.
    voce pode comentar a argumentacao desta professora na folha?
    sinceramente nao entendi muito bem...
    www1.folha.uol.com.br/colunas/laura-carvalho/2016/03/1755851-os-escafandristas-virao.shtml
    procede de alguma forma o que ela afirma?
    grato, paulo
  • pensador radical  31/03/2016 22:40
    MARAZUL

    Dilma cometeu crime de responsabilidade isto é fato.

    Quanto aos outros governantes que também cometeram tais crimes isso não irá livrar a barra dela e o que passou já é passado e se você esta tão incomodado,peça ao PT para questionar os governantes anteriores no STF,pois a corte constitucional do Brasil irá analisar com carinho tal questionamento e só relembrando se as legislaturas anteriores cochilaram ou fizeram vista grossa para tal crime a atual legislatura não tem nada a ver com isso e portanto a Dilmentira arrogante está na berlinda e logo,logo,será derrubada a não ser que aconteça um milagre,coisa que não é impossível em política,mas ela continuará a ter de encarar a oposição das ruas,enfim ela está tão encurralada e parece estar vivendo em um mundo imaginário onde ela é a mandatária absolutista,pois ela tem um perfil autoritário ao contrário de Lula que é mais negociador e é uma pena que ele seja pró-comunismo.

    Não haverá golpe,mas sim impeachment pois o STF chancelou o processo de abertura no congresso nacional e cabe a Dilmentira se defender só isso e parar de se vitimizar achando que a população é tola e cairá nesse chororô.

    Um abraço e petistas aceitem vocês estão eliminados de governar nosso Brasil .
  • Eduardo  31/03/2016 23:03
    Muito claro o seu artigo, parabéns! Algumas pessoas com quem discuto, argumentam que vários governadores fizeram o mesmo artifício empregado por Dilma (incluindo o governador Geraldo Alckmin). Sabe dizer se isto é verdade?
  • Margarethe  31/03/2016 23:20
    "Aquilo que o Tesouro arrecadou via impostos, ele transferiu para os bancos, que então repassaram para terceiros. O dinheiro mudou de mãos e gerou privilégios para uns e desvantagens para outros; mas, por si só, tal operação não é inflacionária."

    Leandro, "as desvantagens" que citou, são tudo que você listou no fim do texto: inflação, carestia, dólar caro, etc?

    Obrigada

  • Leandro  01/04/2016 00:57
    Essas desvantagens ocorrem no caso das pedaladas e também quando há expansão do crédito. Já o trecho que você destacou lida apenas com repasses sem pedaladas, os quais não envolvem nenhum tipo de empréstimos.
  • Nobre  31/03/2016 23:34
    Profalças pela lucidez e didática de esclarecimento.


    Pergunto: porque indivíduos como Leandro Roque não tem espaço na "grande mídia"?

    E respondo: porque simplesmente a dose de realidade seria massacrante para os pobres de espírito que habitam essa terra chamada "brasil", também conhecida como Pindorama.

    Quadrúpedes tem espaço: Delfim, Mendonça de Barros, Belluzo, mainstream Unicamp, entre outras "cabeças pensantes". Lastimável.

    Off Topic:
    Para completar hoje os "vermelhos" simplesmente resolveram parar a zona central de Brasília (Plano Piloto).

    O progresso se foi, por hora RETROCESSO. A ordem então, onde está?
  • Tulio  01/04/2016 17:40
    Só complementando o seu comentário,

    Isso não é só no Brasil, e sim no mundo todo. Vide as manifestações na França contra as reformas trabalhistas.

    As pessoas não conseguem mais andar com seus próprios pés, precisam da ajuda do pai (governo)
  • Joselito  31/03/2016 23:49
    Leandro, a força inflacionária gerada pela introdução de dinheiro "criado" antes da quitação pelo Tesouro não seria contrabalanceada no momento do pagamento da dívida, em que o Tesouro teria um gasto sem que esse dinheiro vá para a economia?
  • Leandro  01/04/2016 00:57
    Esta é exatamente a mecânica de um simples repasse sem pedaladas, como ocorre com seguro-desemprego, Bolsa-Família e abono salarial.
  • Carlos José Ferlin Lopes  01/04/2016 00:00
    A Presidente pode por ato próprio fazer a pedalada fiscal sem aprovação de ninguém?
    O Congresso não precisa aprovar a pedalada fiscal?
  • Policial  01/04/2016 00:24
    Quando alguém saca dinheiro de uma conta que está zerada, isso se caracteriza empréstimo.

    O governo é proibido por lei de ter conta com limite de crédito, LIS, crédito consignado, empréstimo empresarial e cheque especial em bancos públicos.

    Está mais do que claro que houve pedalada nos bancos públicos. Quem saca dinheiro de conta zerada está fazendo um empréstimo.

    É bizarro discutir isso em um país com um dos juros mais altos do mundo.
  • Ernesto Mello  01/04/2016 00:50
    O governo remunerou os valores que os bancos oficiais desembolsaram. Isso caracteriza uma operação de crédito, mesmo que não tenha havido um empréstimo oficializado. Esse tipo de manobra é bem típica dos vigaristas que estão no governo.
  • Ricardo  01/04/2016 01:11
    Leandro, parabéns pelo artigo, o mais didático que já li sobre o assunto.
    É verdade que esse procedimento foi utilizado de forma corriqueira também em governos anteriores e governos estaduais? Essa é a principal linha de argumentação do governo. Houve alguma particularidade que você destacaria que tornam as pedaladas da Dilma mais graves?
  • Leandro  01/04/2016 01:20
    Só poderia saber disso se eu trabalhasse no TCU, que é o órgão que tem acesso a essas contas e a todos os números orçamentários. Eu não tenho.

    Até o momento, e excetuando-se as extenuantes e emburrecedoras intrigas e fofocas políticas, nada de substantivo foi apresentado contra outros governos. Aliás, nem mesmo contra o governo Lula.

    Há números precisos e confirmados apenas para a gestão Dilma.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Andre Dias  01/04/2016 02:33
    Olhe o gráfico (Fonte Caixa), lá fica evidente que o expediente de usar o dinheiro dos bancos para alimentar o tesouro começou a se pratica frequente no governo Dilma. Antes disso, havia raros momentos de saldo negativo, que eram rapidamente cobertos novamente.
    O padrão observado com Dilma mostra não só negligência quanto ao que ocorreria, pior, indica dolo, visto que fica clara a intenção por trás da ação (usar o dinheiro dos bancos para dar ao tesouro e alimentar os programas populistas).
  • Ricardo  06/04/2016 11:32
    É verdade. Acabo de encontrar que o Banco Central fez um levantamento a pedido do TCU que responde à minha pergunt? Veja quão obsceno é esse gráfico.

    www1.folha.uol.com.br/poder/2016/04/1757921-pedaladas-fiscais-dispararam-sob-dilma-diz-relatorio-do-banco-central.shtml
  • Gislene Vieira  01/04/2016 01:46
    Eu sabia que tinha algo de errado, muito errado, desde a época em que as coisas apertaram, veio a época da eleição e via a mulher mentir feito uma tresloucada, mas nunca imaginava que a coisa fosse tão feia a esse ponto. Vamos passar por dias muito difíceis, que ainda virão, e eu achando que já tinha passado pelos piores apertos..... viajei....
    Bem esclarecedor, Leandro. Muito obrigado!!!
  • LUCIANO SILVA  01/04/2016 01:47
    Situação hipotética: um país foi descoberto por "13" caravelas vindas de Portugal em 22 de abril de 1500. Desde então, segue sendo roubado por Reis, Vice-Reis, Nobres, Governadores-Gerais, Presidentes, Governadores de Estado entre outros que zombam das leis (são eles quem as criaram) e da cara de seus conterrâneos, pobres pagadores de impostos. No entanto, em 2016, as coisas parecem mudar e as autoridades policiais e jurídicas desse país levantam várias provas que são mais que suficientes para incriminar seus dirigentes ladrões e levá-los à cadeia.

    Vamos aos desdobramentos da situação hipotética na visão de pessoas normais e na visão de socialistas/comunistas e seus MAVs.
    PARA PESSOAS NORMAIS:
    Houve um crime e o mesmo ficou comprovado? Sim, então não cabe a justificativa de que outros roubaram antes e que não foram julgados e nem condenados. Se for possível pegá-los futuramente, será feito. Ponto.
    PARA UM SOCIALISTA/COMUNISTA E SEUS MAVs:
    Os ladrões roubaram de seus parentes, vizinhos, amigos, conhecidos, enfim, de todos os indivíduos e de todas as propriedades da sua pátria? Sim, masssssss, como fomos beneficiados pelas migalhas caídas das bocas esfomeadas dos ratos e como antes também roubaram, então o erro se justifica pelo erro.

    Em virtude desse pensamento, imagino a situação em que a casa deles é invadida diversas vezes, e então, num belo dia se deparam com um bandido no ato da invasão (Nota: socialista/comunista é o mesmo que bandido). Por instinto, ficarão revoltados e clamarão por justiça. Nesse momento, surgirá o seguinte diálogo entre a "vítima" e o ladrão:
    — O que é isso? Pergunta o comuna.
    O bandido responde:
    — É justiça social, pois estou vendo aqui muito materialismo e coisas que só a burguesia gosta. Vou tirar de você e distribuir, pois toda propriedade deve ser comunal, informa o "Zelador".
    — Não! Não! É um roubo e vou chamar a polícia diz o amante da foice e do martelo nas mãos dos outros.
    Por se tratar de um comuna o bandido fica na dúvida:
    — Mas, você já foi furtado outras vezes e os outros não foram presos. Não é verdade?
    Após se acalmar o comuna retoma seu verdadeiro juízo e responde ideologicamente:
    — Ah, sim sr. Ladrão. Já havia me esquecido. Minha carteira está no meu bolso "esquerdo", não vai quer levá-la também?

    Não há lógica alguma. É o mesmo que entrar em um avião e ao olhar pela janela ver que a turbina está prestes a se soltar. E então, após comunicar o fato ao piloto, receber como resposta a informação que nos voos anteriores o erro também existiu e que nada aconteceu.
  • Pedro  01/04/2016 02:00
    Li a maioria dos comentarios mas nao vi algo que rebata o que a oposicao alega: que isso sempre foi feito.


    O que sempre foi feito? Deficits mensais, mas que eram saldados depois para o anual fechar no azul?
  • Prof. Sociologia  01/04/2016 02:39
    Excelente artigo, parabéns ao autor!

    Uma questão que gostaria de saber a opinião de vocês, é o fato de Marina Silva aparecer liderando algumas pesquisas eleitorais para presidente em 2018. A questão é, todo esse povo que foram às ruas, de fato era uma oposição ao governo de esquerda, ou eram inconformados com as benesses gerada nesse governo terem se extinguido, e daí acreditarem que basta substituir um governo que se dizia "bonzinho" por outro que eles acreditam que seja mais "bonzinho"? Com essas manifestações estava acreditando numa verdadeira onda conservadora que iria varrer a esquerda ou minimizar sua influência na política, mas com Marina Silva liderando pesquisa já não sei de mais nada.

    Alguém poderia escrever um artigo sobre isso.
  • JAIME COSTA  01/04/2016 02:55
    Não entendi uma coisa: esses empréstimos dos bancos estatais não eram registrados em seus balanços?
  • Leandro  01/04/2016 03:38
    Em uma situação de empréstimo comum, eis o que ocorre:

    Imediatamente após o banco criar o crédito (por exemplo, $1.000), haverá duas entradas em seu balancete: $1.000 no lado dos ativos (crédito concedido) e $1.000 no lado do passivo (dígitos eletrônicos criados na conta-corrente do tomador de empréstimo).

    Porém, assim que o tomador de empréstimo gastar seu dinheiro, o valor criado na conta-corrente (passivo) cai para zero e o total de reservas (ativo) deste banco será subtraído deste mesmo valor.

    Ou seja, haverá agora apenas uma entrada na coluna de ativos escrita "ativos a receber".

    Quando o empréstimo for quitado, o principal ($1.000) volta para as reservas bancárias e o juro cobrado vai para o capital do banco, aumentando seu patrimônio líquido.

    (Obs: na prática, a redução das reservas raramente ocorre, pois ao mesmo tempo em que o banco A expande o crédito e perde reservas para o banco B, o banco B expande o crédito e perde reservas para o banco A.)

    No caso dos bancos estatais nas pedaladas, o processo seguia esse mesmo roteiro, terminando com uma rubrica do tipo "ativos a receber" no lado dos ativos.


    E isso não é chute meu, não. Eis o que diz o jornalista Claudio Humberto (negrito meu):

    "Demonstrações contábeis do Banco do Brasil do primeiro trimestre de 2015 contêm as provas das "pedaladas fiscais" no novo mandato de Dilma.

    O Tesouro, que deveria repassar ao Banco do Brasil os bilhões que bancam o Bolsa Família, reteve o dinheiro. Isso forçou o Banco do Brasil a bancar sozinho o programa social do governo: no 4º balanço de 2014 a dívida era de R$ 10,9 bilhões, e passou para R$ 12,7 bilhões em 31 de março de 2015.

    Apenas com o Banco do Brasil, graças a um único programa, as pedaladas fiscais no ano de 2015 foram de mais de R$ 3 bilhões.

    Consta em uma nota de rodapé da demonstração contábil do Banco do Brasil, nas fls. 87 e 88, a confissão do crime de responsabilidade praticado.

    Segundo o Banco do Brasil, os bilhões que faltavam da demonstração contábil eram referentes às "operações de alongamento de crédito rural".

    O valor devido pelo Tesouro Nacional ao BB por equalização da taxa de juros pelo Plano Safra alcança a cifra de R$ 13,4 bilhões."


    Ou seja, o banco simplesmente criou um "ativo a receber" em seu balancete. E assim foi.
  • Guilherme  02/04/2016 13:48
    Leandro

    Seria correto afirmar que esse crédito criado do nada, embora no exemplo vá ser "retirado" da economia no momento do pagamento do empréstimo, gera todo aquele efeito de alteração dos preços relativos e redistribuição de renda (efeito Cantillon)?

    Abraço;
  • Auxiliar  02/04/2016 17:38
    Perfeitamente. Aliás, este é exatamente o fundamento dos investimentos errôneos que ocorrem durante a expansão artificial do crédito.
  • Alexandre  01/04/2016 06:27
    No meu simples entendimento o crime ocorre quando se deixa de contabilizar o gasto. O pagamento de despesas cuja responsabilidade é do governo federal é feito por bancos públicos sem contabilizar essa dívida que no futuro deverá ser ressarcida, mas deixa de ser contabilizada para criar um superávit artificial. Quanto à isso não me parece restar dúvidas estar diante de uma fraude contábil.
    Entretanto, é nesse quesito de "fraude contábil" que fiquei com dúvidas a respeito das gestões anteriores ou até mesmo as gestões estaduais e municipais. A AGU apresentou texto ao TCU afirmando que: "Os números da Caixa, relativos ao pagamento do seguro-desemprego e do abono salarial, mostram que, de fato, houve casos nos governos anteriores em que os montantes repassados pelo Tesouro foram insuficientes para o pagamento dos programas".
    É afirmado ainda que "entre 1999 e 2002, no governo FHC, o maior deficit, em valores corrigidos, foi o de R$ 918 milhões em maio de 2000, com o seguro-desemprego. Na maior parte dos casos os déficits mensais não chegavam a R$ 100 milhões. Nos dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 2003 a 2010, os déficits caíram. O rombo mais expressivo, de R$ 750 milhões, ocorreu em novembro de 2007, com o abono salarial. Na virada de 2013 para 2014, por exemplo, o banco federal apresentava um déficit de R$ 4,3 bilhões com o pagamento desses benefícios de amparo ao trabalhador".
    A minha dúvida reside se esse pagamento realizado pelo banco, mas sem o repasse total, criando dívida ao governo, foi contabilizado como despesa nas gestões anteriores.
  • Gunnar  01/04/2016 10:10
    O mais ironico (e mais dificil de explicar para a turma "anti-corrupcao vem-pra-rua" de verde e amarelo é justamente a ultima parte: o grande mal que o PT causou ao país NAO é a corrupcao.
  • Conhecido do Pobre Paulista  01/04/2016 12:34
    "o grande mal que o PT causou ao país NAO é a corrupcao"

    Desculpa, meu caro, mas tem uma boa dose de pretensão nesse seu comentário.

    Todos os anti-petistas que conheço sabem bem disso: para além da corrupção, o petralhismo destruiu com a economia do país, e, consequentemente, detonou com os mais pobres, em virtude do dirigismo irracional da economia (pedaladas, inflação decorrente do aumento da quantia de dinheiro na economia, transferências de renda para amigos, etc, etc).
  • Pobre Paulista  01/04/2016 14:38
    Não te conheço, portanto pode trocar seu nick.

    A corrupção, per se, não causa danos adicionais aos mais pobres do que a simples coleta de impostos. Ao taxar tudo, o estado prejudica os mais pobres e pronto. Se o dinheiro taxado foi para pesquisa aeroespacial, construção de estádios ou para a corrupção, isso é irrelevante.

    Porém o PT ainda insistiu em políticas expansionistas (utilizando de meios legais e ilegais para isso), e isso sim causou mais mal aos pobres do que a simples taxação.

    O que o comentarista disse não tem "uma boa dose de pretensão" e está em total acordo com a conclusão do artigo.


  • Conhecido do Pobre Paulista  01/04/2016 15:47
    O artigo não chega nem perto de abordar a suposta "dificuldade" de explicar para as pessoas o mal que o PT causou à economia (e para os mais pobres) para além da corrupção.

    A pretensão do comentarista está aí: achar que só ele seria o iluminado de entender isso, e que para todas as demais pessoas seria uma "dificuldade" "entender" os danos à economia (e aos mais pobres) causados pelo governo PT. E isso não pode "estar de acordo" com o artigo pq o artigo não fala sobre isso; repito: o artigo não fala sobre suposta "dificuldade" de as pessoas entenderem os danos à economia causados pelo governo PT.

    O comentarista acha que descobriu a pólvora.

  • Amigo do Assíduo  01/04/2016 18:37
    Concordo com o Conhecido do Pobre Paulista e discordo do Pobre Paulista.
  • Jarzembowski  01/04/2016 12:46
    É impressionante como as pessoas são incapazes de ligar os pontos. Ficam esperando uma revolução moralizadora na política, que comprovadamente atrai majoritariamente sociopatas, em vez de optar pelo óbvio e infinitamente mais simples: restringir os meios de ação.
    NUNCA vai acontecer uma renovação moral no ambiente político, não importa o quando se proteste ou mesmo se puna - é só ler o livro do Andrew Lobaczewski, ou artigos aqui no mises.org sobre a natureza moral de quem segue a carreira política - se essas pessoas tiverem meios de ação elas SEMPRE vão optar pelo crime e pela iniquidade.
    A única forma de reduzir a corrupção é fazer com que não haja o que corromper.
  • André Cavalcante  01/04/2016 12:56
    Pior é que a Dilma tá certa em dizer que, se ela for condenada por causa das pedaladas todos os seus antecessores também deveriam sofrer sanções...

    É tudo farinha do mesmo saco.
  • Conhecido do Pobre Paulista  01/04/2016 13:14
    Um erro não justifica o outro; dois erros não fazem um acerto.

    O fato de um ladrão não ter sido condenado (quando deveria ter sido) ontem não justifica a não-condenação de outro ladrão pego hoje com a boca na botija.

    Entender diferente é solapar toda a base moral do tecido social.
  • paulo  01/04/2016 16:23
    concordo com a prerrogativa que um mal não condenado não pode ser desculpa de livramentos posteriores...
    muito fácil falar...
    mas vai você se sentar na cadeira do Presidente e governe tendo que conviver lado a lado e precisar dos Presidentes da Câmara e do Senado, ambos sendo processados criminalmente e se valendo de tudo quanto artifício para continuarem como estão...
    não é o mesmo caso de o mal estar ao seu lado, cara a cara ???
  • Amigo do Comentarista  01/04/2016 18:34
    "vai você se sentar na cadeira do Presidente e governe tendo que conviver lado a lado e precisar dos Presidentes da Câmara e do Senado, ambos sendo processados criminalmente e se valendo de tudo quanto artifício para continuarem como estão"


    Se isso é justificativa para presidente cometer crime de responsabilidade, então podemos considerar a Lei de Responsabilidade Fiscal, a Lei do Impeachment, e a Constituição Federal como inexistentes.
  • paulo  18/04/2016 16:24
    falar e dar opiniões, julgar pelo que a imprensa divulga sem você estar presente aos atos, é tudo muito fácil.... te pergunto se você iria encarar cair lá no meio daquela tigrada do Congresso como um boi no meio das piranhas, ter de agir sob pressão de todos os lados (de dentro e de fora do país)... e todo mundo sabe que depois que Collor saiu, muito pouco ou quase nada melhorou neste rico país a não ser para os que sempre de tudo tiveram, como se o restante da população não passassem de mera quantidade... sim, a Dilma saíra e, de novo, não veremos bolhufas de melhorias, pois só mudarão os fantoches e o circo continuará...
  • pensador radical  01/04/2016 21:39
    Os MAVs petistas estão assanhados de novo,calem a boca seus nojentos voltem para suas tocas,todo mundo está cansado das mentiras e trapalhadas da gerentona,ela e o PT podem até continuar governando,visto o congresso ser trapaceiro e cheio de interesseiros,mas as ruas já disseram não para o PT ninguém mais aguenta vocês e aquela gerentona incompetente e tresloucada que ela seja feliz,mas bem longe do planalto.
  • anônimo  01/04/2016 13:30
    Isso é só mais uma razão para ela sofrer o Impeachment. Ela mesma confessou.
  • edu  01/04/2016 14:16
    Não está, não. Antes da Dilma era esporádico e de baixo volume. Google: gráfico pedaladas TCU
  • Uber  01/04/2016 15:51
    Ela cometeu o famoso truque de jardim da infância dizendo "eu fiz, mas outros fizeram" – também conhecido como a falácia tu quoque – tentando se livrar da culpa pelo crime de responsabilidade.

    Ela mesma confessou a justificativa para ela sofrer o Impeachment.
  • O Cavalheiro  01/04/2016 22:02
    A LRF foi feita no governo FHC, então tecnicamente, apenas FH, LUla e Dilma poderiam descumpri-la.
  • Andre Dias  02/04/2016 03:06
    Não é nem questão de um erro justificar o outro ou não (é óbvio que não justifica). A questão é bastante clara: o que Dilma fez, da forma que fez e no volume que fez não só é um crime tipificado em lei, como é algo sem precedentes em termos de volume. Veja o gráfico meu Deus do céu. Olhe o rombo da CEF depois de 2013. Leia a denúncia exposta no pedido de impeachment (muito bem fundamentada), veja os relatórios do TCU. Não há dúvida cabivel.
    Portanto, o argumento de que "os outros também faziam" é não só canalha (o outro ser corrupto não te dá o direito para tal) como falso (nunca na história desse país se movimentaram quantias tão volumosas de maneira tão sistemática entre bancos públicos e tesouro para não só cobrir rombos, mas para dar a falsa idéia de prosperidade das contas e manter programas populistas durante período eleitoral).
  • Marcos Braz  01/04/2016 13:05
    Parabéns!!!
    Simplesmente o melhor artigo que li sobre os assuntos que mais se falam no momento, acerca das bases jurídicas que sustentam o Impeachment, que são as"Pedaladas Fiscais" e configuração de"Crime de Responsabilidade Fiscal" da Presidente, linguagem fácil, e esclarecedora!!!
  • Vladimir  01/04/2016 15:02
    Agora sim deu para entender bem o que são pedaladas fiscais. Tinha apenas uma noção. Me parece que alteraram até a LDO para que as pedaladas não fossem consideradas crimes de responsabilidade.
    As pessoas não entendem e acham que é golpe o impedimento de Dilma, pois alegam que o congresso é corrupto e não tem ninguém que substitua a Dilma. Mas, com ela as coisas podem ser piores do que com o congresso corrupto.
    Ainda mais com os planos do PT e a UNASUL e o novo sistema e governo SOCIALISTA que pretendem implantar no Brasil.
    E, ainda a Dilma e o PT queria mudar o sistema de governo sem consulta popular. Isso também deve contar para o impedimento de Dilma, quando o Lula seria o Primeiro Ministro, ou seja, governaria o país sem que precisasse passar por novas eleições. Claro que o Lula já governa dos bastidores. Não é a Dilma, na verdade, quem governa, ou desgoverna.
  • Felipe Lange S. B. S.  01/04/2016 16:08
    Brasil se tornará melhor no dia em que eliminarem o BC, bancos estatais e liberarem a entrada de moedas estrangeiras, ainda que o bitcoin seja a melhor moeda nos dias de hoje.

    Muito bom artigo Leandro! Vai ter podcast seu nesse ano?
  • DOUGLAS FERREIRA  01/04/2016 16:32
    Olá, Leandro Roque...
    Excelente texto, pois mesmo pra mim que não entendo bulhufas de economia e de contas ficou bem claro. Meus humildes parabéns!!
  • Jackson  01/04/2016 16:53
    Deixe-me tentar entender o que ocorre.

    O governo confisca 50% da minha renda, e me presta péssimos serviços de educação, saúde, estradas, saneamento, entre outros.

    Emprega milhões de pessoas apenas para gerar burocracia.

    Em vez de dar liberdade aos indivíduos pobres, confisca deles também - 50% - da sua renda miserável, e finge que os ajuda com programas socais.

    Além de todas as suas mordomias - que nenhuma empresa privada tem - eles ainda praticam corrupção a torta direita, sem um mínimo de vergonha na cara.

    E ainda conseguem gastar mais do que arrecadam e precisam fazer tudo isso? Como pode tanta incompetência?
  • Anna Kalil  01/04/2016 17:22
    Leandro, boa tarde!

    Gostei muito de seu texto, foi extremamente esclarecedor.

    Meu professor de economia é petista e vive falando bobagens.

    Muito obrigada, agora posso argumentar melhor com ele.

    Se puder ou quando puder, por favor, escreva sobre as altas taxas de juros que meu professor insiste em dizer que o governo a eleva apenas para ''frear'' o consumo da população. Não vejo lógica nisso, uma vez que ninguém compra nem vende nada no momento...

    Obrigada!!
  • Felipe Lange S. B. S.  01/04/2016 20:58
    Anna, a taxa SELIC brasileira é alta simplesmente por causa da dívida externa. Tem um artigo à respeito do Leandro. Veja se consegue achá-lo.

    Me corrijam caso eu tenha cometido qualquer erro.
  • Carol  01/04/2016 18:00
    Nossa! Adorei o artigo! Muito boa a explicação! Parabéns, Leandro! Foi a matéria mais esclarecedora que eu já li a respeito do assunto. Obrigada!
  • Bruno  01/04/2016 19:13
    Leandro Rocks!!!
  • fernando ferreira  01/04/2016 20:17
    Bárbaro, muito esclarecedor. Parabéns.
  • Henrique  01/04/2016 21:21
    Excelente artigo. Prova de forma cabal que todos os governadores e prefeitos do Brasil merecem impeachment e os antigos presidentes receberem algum tipo de punição. Sem contar o nosso querido primeiro-demo Michel Temer, que também autorizou algumas pedaladinhas. Estou certo, Leandro?
  • Andre Dias  02/04/2016 02:53
    Você ou não leu o artigo, ou leu e não entendeu nada. Prefeitura nenhuma do país tem banco público para emprestar dinheiro para o tesouro municipal, então prefeitura não pedala dessa maneira. E quanto aos Estados,nem todos tem banco público estatal também. Logo, eles não poderiam utilizar do expediente exposto no texto.
    Com relação aos períodos presidenciais, há gráficos no próprio texto que deixam claros os volumes desproporcionais movimentados por Dilma dessa maneira, de forma evidentemente proposital (dada a reincidência do método e o volume).
    As pedaladas, como descritas no artigo e na forma e volume expressivos, são uma exclusividade do governo Dilma na esfera federal. Essa é a única conclusão correta e baseada em fatos. E nas esferas estaduais podem ou não ter ocorrido (seria preciso verificar os balanços detalhados dos bancos públicos e tesouros estaduais).
  • anônimo  02/04/2016 03:51
    Juros sobre juros é inconstitucional também.
  • Thiago Teixeira  02/04/2016 04:01
    Eu já tinha entendido as pedaladas sozinho, mas depois de ter passado umas 3 horas pesquisando.
    Coisas que o Leandro Roque ensinou melhor em um texto de apenas 5 minutos de leitura.

    Parabéns!
  • willian frota toledo  02/04/2016 04:28
    Não bastasse o artigo ser excelente, ainda tem discussões bastante interessantes acontecendo nos comentários. Vou tirar um tempo para lê-las também. Parabéns ao autor!
  • Renato  02/04/2016 12:49
    Leandro, o dólar já está bem há umas 3 semanas na casa dos 3,60 e agora está em 3,55.

    Quanto tempo leva pra haver uma (leve) queda geral de preços na economia?
  • Auxiliar  02/04/2016 17:27
    Renato, por que deveria haver deflação? Não entendi.

    Em abril do ano passado, o dólar estava a R$ 2,90. Hoje, um ano depois, está a R$ 3,60.

    Por que deveria haver queda de preços?
  • Felipe R  02/04/2016 16:14
    A explicação foi boa, mas esse pedido de impeachment feito pelos esquerdistas Reale e Paschoal é frágil. E se o critério técnico prevalecer, a Vadilma fica.


    Isso me entristece...
  • anônimo  03/04/2016 01:10
    Pq é "frágil"?

    Explique.
  • Felipe R  04/04/2016 12:43
    Só posso dar a dica, por enquanto.

    Defina "operações de crédito"
  • Jarzembowski  04/04/2016 13:45
    Você parece o advogado geral da união falando.

    A Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 101/2000 - LRF), que estabeleceu, por clara intenção do legislador, um conceito amplo para o termo operação de crédito, como se verifica da leitura dos seus arts. 29, inciso III e § 1º, e 37, transcritos abaixo (grifos acrescidos):

    "Art. 29. Para os efeitos desta Lei Complementar, são adotadas as seguintes definições:
    (...)
    III - operação de crédito: compromisso financeiro assumido em razão de mútuo, abertura de crédito, emissão e aceite de título, aquisição financiada de bens, recebimento antecipado de valores provenientes da venda a termo de bens e serviços, arrendamento mercantil e outras operações assemelhadas, inclusive com o uso de derivativos financeiros;
    (...)

    Não tem choro - não importa o malabarismo que se tente fazer - as operações referentes às pedaladas fiscais são vedadas pela Lei Complementar 101/2000 - LRF. O fato de haver divergências possíveis na definição de "operações de crédito" foi claramente previsto quando se adicionou "outras operações assemelhadas" no texto da lei.

    www.tcu.gov.br/Consultas/Juris/Docs/judoc/Acord/20151211/AC_3297_51_15_P.doc

  • Felipe R  05/04/2016 00:45
    Então, vamos por partes:

    1 - sim, as pedaladas são ilegais, e imputam em crime de responsabilidade; há provas suficientes para isso;

    2 - o pedido de impeachment que está sendo analisado na comissão acusa a presidência de um crime que existe de fato, porém apresentou poucos argumentos, e os que existem são fracos.

    Resultado: o pedido em tela pode cair por formalidades, mas nada impede que outros melhores sejam protocolados na CD.

    Sinceramente, eu nunca confiei em esquerdista, caso desses juristas autores do pedido. Tiro no pé isso aí.
  • Jorge  05/04/2016 01:07
    Vc insiste em falar q os "argumentos são fracos" sem apresentar qualquer contra-argumentação.

    Ou seja, vc não tem argumento nenhum.



    PS: esse site é libertário, é a maioria aqui obviamente é contrária aos esquerdistas. Mas não é isso q está em questão no q diz respeito aos argumentos vertidos no pedido de impeachment. O q vc faz é apenas repetir o ad hominem.
  • Felipe R  05/04/2016 15:59
    Olha, se você leu minha segunda mensagem, deveria ter notado que não estou em posição de explicar em detalhes. Mesmo assim, tomei a iniciativa de iluminar o caminho. Se você quer assumir que não tenho argumento algum, tudo bem por mim. Se quiser me dar alguma credibilidade e pesquisar mais a fundo, a decisão também é sua. De qualquer modo, ao contrário de muitos, não sou profeta do passado, e gosto de publicar minhas previsões, ainda mais essas questões relacionadas ao governo federal, dado meu círculo de contatos. Sugiro vir aqui nos comentários e cobrar de mim depois, se quiser tirar alguma satisfação.

    Com relação ao "ad hominem": até que se prove o contrário, eu assumo um padrão de comportamento muito bem definido de esquerdistas, e considero-os culpados até que se prove o contrário; adoto essa "falácia" como uma medida de segurança, afinal, com tiranos estatistas não se brinca ; )

  • Masoquista  06/04/2016 16:46
    Como diz aquela expressão latina: dura lex, sed lex (a lei é dura, mas é a lei). Que a presidente cometeu, entre tantos outros, um crime de responsabilidade em que cabe o "impedimento", não há dúvidas. E, por essa perspectiva, especificamente essa denúncia das 'pedaladas' que está em apreciação na câmara dos deputados para o processo de impeachment é suficiente.

    Mas — generalizando (bastante) o que Fernando Sabino diria — pro Brasil: dura lex, sed látex (a lei é dura, mas estica). E sendo assim, não é difícil imaginar que a essas alturas, a denúncia feita pelos senhores Hélio Bicudo, Miguel Reale e Janaína Paschoal já tem bem menos força. E, já que ninguém aqui se aventurou a ouvir e trazer alguns argumentos da defesa da presidente, eu me disponho a tal tarefa (deve estar evidente que esse tipo de coisa muito me satisfaz).

    Começando pelo fato de que as 'pedaladas' de 2014 não podem constar como parte da acusação. Independente de a presidente da República poder ser ou não julgada por seu mandato anterior, o relatório do presidente da Câmara determinou que devem ser averiguadas apenas as 'pedaladas' de 2015. Certamente os defensores da presidente são os únicos que irão levar essa determinação ao pé da letra. Ninguém que seja a favor do "impichamento" vai fingir que nada aconteceu em 2014. Mesmo assim, ficou bem complicado acreditar que é nesse processo que o impeachment vai acontecer.

    Sobraram-se então apenas dois fatos principais, tipificados como crime de responsabilidade. O primeiro deles é a edição de seis decretos de crédito suplementar, não numerados — e sem a aprovação do legislativo. Resumindo bem superficialmente, de acordo com a defesa esses decretos são um instrumento de planejamento e transparência, que abrem um valor suplementar para uma ação que já consta no orçamento. Eles remanejam recursos com base na anulação de recursos já existentes ou com base em fontes predefinidas pela legislação, portanto não implicam em aumento de gastos. Para entender bem o que são esses decretos suplementares, e se eles foram emitidos completamente dentro da legislação vigente no ano de 2015 ou não, seria necessária uma explicação um pouco mais longa e mais completa. Mas mesmo que a explicação do Eduardo Cardozo na comissão não seja a mais esclarecedora, principalmente porque a maioria de nós não está acostumado com essas coisas, ao que tudo indica os decretos de crédito suplementares do ano de 2015 não comprometeram política fiscal de uma maneira que não era prevista. (É engraçado. O pessoal fica aí adulando o Leandro por fazer um artigo sobre um assunto que está mais que batido, que já tem dezenas de outros artigos explicando, além de imagens, vídeos, infográficos, gifs, etc. Agora espere que ele explique "didaticamente" uma coisa como o que são esses decretos de crédito suplementar. Quem merece mesmo muitos 'parabéns!' e palavras de agradecimento é o Nelson Barbosa, que tem que conhecer e trabalhar com todas essas coisas como contabilidade pública, Lei Orçamentária Anual, lei de não sei o quê, Decreto de Contingenciamento, decreto disso, decreto daquilo e etc., etc., etc.)

    Em segundo lugar, mas não menos importante. as 'pedaladas fiscais' ocorridas em 2015. O Cardozo tenta descaracterizar as 'pedaladas' como operações de crédito fazendo uma analogia bem simples, mas a gente vê claramente que é equivocada. Ele diz mais ou menos que se uma pessoa tem um empregado para prestar-lhe serviços e atrasa o pagamento desse empregado, essa pessoa não está tomando um empréstimo. E que no máximo, ela está em uma situação de inadimplemento. Entretanto, um exemplo que melhor mostra a pedalada do governo é a partir da imagem de que tal pessoa deixa de repassar o dinheiro que iria pagar suas contas, fazendo com que o prestador de serviços pague as contas de seu contratante com recursos próprios. Se isso "juridicamente" não é um empréstimo, essa é uma coisa que eu não sei. Mas, por outro lado, mesmo admitindo que ocorreram tais 'pedaladas', e que elas continuaram em 2015, a defesa da presidente afirma que elas sempre estavam em conformidade com o entendimento do Tribunal de Contas da União (TCU). Tão logo o TCU mudou o entendimento (acho que foi em abril do ano passado) e disse que aquilo não poderia mais ocorrer, o governo também parou com as 'pedaladas'. Mesmo que não seja verdade, já diminuiu bastante as chances de essa denúncia seguir adiante.

    E além disso, o advogado-geral da União faz outras considerações com relação à falta de provas inequívocas de dolo por parte da presidente (em 2014 é muito fácil identificar má fé da presidente; mas em 2015...) e também com relação às circunstâncias em que o presidente da Câmara acolheu o pedido de impeachment (verdade seja dita, se os autores da denúncia de crime de responsabilidade merecem desconfiança e argumentos ad hominem, muito mais merece qualquer político neste país).

    Somente pressões externas do tipo a economia piorar muito ou as pessoas ameaçarem parar o país para esse processo ir adiante...
  • Rose  02/04/2016 16:56
    Excelente artigo. Impressiona ainda mais pela forma didática como apresenta a questão.
    Parabens!!!
  • Elis  03/04/2016 00:03
    E as 31 pedaladas de Geraldo Alckmin? Como esta o pedido de Impeachment dele?
  • Regina  03/04/2016 00:11
    Ué, pergunta para os bundões que fazem oposição a ele. Este site é contra todo e qualquer governo, nos três níveis, pois é um site anarcocapitalista. Sonhamos com o fim do estado e de todos os partidos políticos. Sonhamos com o dia em que Dilma, Lula, Alckmin e Aécio terão a mesma importância em nossas vidas que o pipoqueiro da esquina.

    De resto, faça um artigo -- no mesmo nível deste -- falando sobre as pedaladas do governo do bosta do Alckmin, e poste no seu site. Certamente terá muita audiência.
  • paulo  18/04/2016 14:05
    assino embaixo deste teu comentário, pois, infelizmente, o modelo político adotado (os governos trabalham pelo interesse da minoria rica, EUA e Europa e o PT não é exceção) bem como o nosso modelo econômico neoliberal, que também é mais voltado à concentração de renda e, a corrupção generalizada, poderemos até trocar pessoas no governo, mas não nos iludamos achando que alguma coisa vai melhorar...
    O que se vê claramente é que o atual governo não tem mais como continuar dando os gordos favores (eles chamam isso de negociação com as bases) de antes e então "o navio está afundando e os ratos são sempre os primeiros a abandonar".
    Podem até usar a desculpa de pedaladas fiscais, poderia ser qualquer nome, mas na verdade verdadeira, eles querem um governo que lhes dê os favores que acabaram neste. O Collor também não queria aceitar e foi tirado. E a história vai sempre ser esta. Enquanto tiver dinheiro, o casal não briga.
  • Corregedor  18/04/2016 15:23
    Não, cidadão, o modelo econômico atual não é "neoliberal" (algo que você provavelmente nem sabe o que significa). O modelo atual é corporativista-keynesiano.

    Eis o básico sobre ele:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2231

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2251
  • Edujatahy  18/04/2016 23:36
    É impressionante,. Diante das evidências volumosas do crime, um desastre econômico sem precedentes ainda aparece elementos como este Paulo por aqui com seus clichês manjados (neoliberalismo? Sério). Triste.
  • DeusOdeia  16/09/2016 21:38
    "Sonhamos"

    Bota sonho nisso, todos os problemas do mundo são por causa da democracia. Vai me obrigar ou deixar eu fazer ?
  • Rodrigo Lopes Lourenço  03/04/2016 23:06
    Artigo conciso, didático e brilhante. Aliás, como todos da lavra de Leandro Roque. Apesar das terríveis constatações, o trecho seguinte me tranquilizou:

    "Mas tudo isso foi em 2014. Ao final de 2015, ano em que as pedaladas continuaram, tudo piorou: o valor total já estava em incríveis R$ 72,4 bilhões."

    As várias discussões sobre se a presidente pode ser responsabilizada pelas barbaridades precisamente descritas por Leandro Roque repousam no prosaico § 4º do art. 86 da terrível constituição vigente, que é reedição do art. 87 da carta de 1937, aquela que instaurou a ditadura do "Estado Novo" de Getúlio Vargas e foi apelidada de "Polaca".

    O tal § 4º do art. 87 diz que o "Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções." A interpretação prevalente no STF, a qual inclusive já serviu para resolver problemas do ex-presidente (redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=79272), é que atos anteriores ao mandato não podem ser apurados até o fim da investidura do presidente. Nessa linha de entendimento, as "pedaladas fiscais" de 2014 só poderiam ser investigadas quando, por qualquer razão, a presidente deixar o cargo.

    Por favor, não tentem matar o mensageiro da má notícia! Não redigi a tétrica constituição vigente, não imitei a carta do "Estado Novo" nem tenho responsabilidade pela interpretação do STF descrita acima. Aliás, tal entendimento nem mesmo foi caso isolado: redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=266607).

    De qualquer forma, o art. 86, § 4º, da constituição vigente NÃO impede que se responsabilize imediatamente, durante este mandato, a presidente pelas "pedaladas fiscais" cometidas em 2015. Estas podem fundamentar juridicamente a cassação do mandato da presidente.

    Mais uma vez, parabéns, Leandro, pelo texto e obrigado pelas aulas de Economia.
  • Jacinto Leite Aquino Rego  04/04/2016 01:19
    www.brasilpost.com.br/2016/04/03/impeachment-democracia_n_9597060.html?1459660523


    'Pedalada fiscal não é crime; não há fundamento jurídico para pedido de impeachment'
  • Gustavo  04/04/2016 13:17
    Huffington Post e seus derivados é um site abertamente socialista e progressista.

    Não é nenhum espanto que deem espaço para um cara que negue desonestamente que pedaladas são crimes fiscais.

    oglobo.globo.com/brasil/pedalada-fiscal-crime-de-responsabilidade-18995936
  • Rodrigo Lopes Lourenço  05/04/2016 01:30
    Nosso sistema distingue crime comum (aqueles previstos no Código Penal e outras leis federais) de crime de responsabilidade (aqueles previstos em lei específica, Lei nº 1.079/1950).

    Algumas condutas podem ser, simultaneamente, crime comum e crime de responsabilidade. No caso Collor, ele foi acusado de corrupção, o que é crime comum e crime de responsabilidade.

    O que foi cuidadosamente descrito no brilhante artigo de Leandro Roque é crime de responsabilidade contra a lei orçamentária, mencionado no art. 85, caput, VI, da Constituição e no art. 11, item 3, da Lei federal nº 1.079/1950.

    O texto de Leandro Roque explica de forma didática as conclusões do Tribunal de Contas da União das violações a legislação orçamentária brasileira. Esse conduta não é crime comum, como corrupção, mas é crime de responsabilidade.

    Quando alguém diz que "pedalada fiscal não é crime", o que faz é distorcer o sentido da afirmação pela omissão da palavra "...comum". As "pedaladas fiscais" se constituem em crime de responsabilidade contra a lei orçamentária.
  • Carlos Marx  04/04/2016 01:24
    Farsa nao é sao as pedaladas, elas existiram, farsa é dizer que nunca existi ou que so o pt fez e faz.
  • Sérgio  04/04/2016 13:01
    Bastante didático!
  • anônimo  04/04/2016 17:18
    ''Esse governo populista da Cristina Kirchner, espalhando a pobreza!!! Temos que cortar os gastos com programas sociais e adotar o liberalismo! ''

    Deu certinho.

    www.dw.com/pt/pobreza-na-argentina-%C3%A9-a-maior-em-sete-anos-afirma-estudo/a-19160564
  • Antônimo  04/04/2016 17:26
    Artigo falando exatamente sobre essa notícia:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2369

    Foi publicado semana passada. Aguardamos seus comentários lá.

    Abraços!
  • Lel  04/04/2016 19:26
    Esse anônimo só pode ser um autista.

    O seu sacrossanto populismo criou os problemas por mais de uma década e o culpado é o liberalismo que está em prática por bem menos que um ano?

    Seguindo sua brilhante lógica, no Brasil o aumento da pobreza nos últimos 2 anos é culpa de quem?
  • Marcos Queima  04/04/2016 17:54
    O mais irônico é ver tal mulher em sua bicicleta. Essas pedaladas são crimes e o artigo deixa isso de uma forma bem clara e didática.

    Uma pena que não houve uma pressão forte no Lula também, pois poderíamos ter tirado ele antes de todo o mal...
  • Magno  04/04/2016 18:02
    Governo decreta sigilo sobre dados de 'pedaladas'

    Dívida com a Caixa por gestão de programas sociais é mantida em segredo

    oglobo.globo.com/brasil/governo-decreta-sigilo-sobre-dados-de-pedaladas-19008398

  • Diego M.  05/04/2016 14:13
    Leandro....
    Bom Dia !!!

    Uma dúvida em seu texto:

    Quando você fala nos três parágrafos iniciais da sessão "INFLAÇÃO E DESTRUIÇÃO DA ECONOMIA", você cita exemplos:
    Quando o Tesouro repassa dinheiro aos bancos estatais, isso não gera ação inflacionária.
    Mas quando o Tesouro obriga os bancos a repassarem dinheiro previamente a terceiros sem antes enviar àqueles, isso gera criação de dinheiro do nada através do sistema de reservas fracionárias. Ok, entendi.

    Mas porque o primeiro exemplo não tem o mesmo efeito inflacionário, se uma vez que os bancos tem dinheiro em mãos previamente, esse valor pode ser multiplicado através do já conhecido sistema bancário ???

    Fiquei sem entender isso.

    Abraços.
  • Leandro  05/04/2016 15:11
    1) O Tesouro confisca R$ 100 meus.

    2) O Tesouro transfere esses R$ 100 para o Banco do Brasil.

    3) O BB então repasse esses R$ 100 para a dona Emengarda, que é beneficiária do Bolsa-Família.

    Não houve criação de dinheiro.


    Agora, se o BB, em vez de repassar, estivesse emprestando a juros (ainda que subsidiados), aí sim estaria havendo criação de dinheiro.

    Nesse caso, funcionaria assim:

    1) O Tesouro confisca R$ 100 meus.

    2) O Tesouro repassa esses R$ 100 meus para o Banco do Brasil.

    3) Em condições normais (isto é, sem este repasse do meu dinheiro), o BB emprestaria R$ 1.000 para um mutuário do Minha Casa, Minha Vida e cobraria, digamos, R$ 150 de juros em um ano (taxa de juros de 15% ao ano).

    4) Porém, com o meu subsídio de R$ 100, o BB pode agora emprestar R$ 1.000 e cobrar, em vez de R$ 150, apenas R$ 50 de juros em um ano (taxa de juros de 5% ao ano). Ele pode se dar a esse luxo de cobrar R$ 50 em vez de R$ 150 simplesmente porque já ganhou R$ 100 meus.

    Observe que, no final, o ganho nominal do BB foi o mesmo (R$ 150). Mas as taxas de juros cobradas caíram de 15% para 5%.

    Observe também que, com ou sem subsídios do Tesouro, o banco criou R$ 1.000 em crédito. E com ou sem subsídios, ele cobrará um total de R$ 150 a título de juros.

    No entanto, neste segundo caso, em que há empréstimo e não um mero repasse, houve criação de dinheiro, ao contrário do primeiro caso, em que houve apenas transferência e repasse.
  • Diego M.  05/04/2016 16:54
    Entendido meu caro.
    Muitíssimo obrigado pela explanação.

    Abraços.
  • Flávia Pucci  06/04/2016 03:02
    Leandro Roque, o homem que me fez entender (e gostar de) Economia! :D
  • Fernando  06/04/2016 13:18
    Essa análise foi excelente ! Foi um atentado contra a lei que proíbe empréstimos de bancos públicos para o governo federal.

    A hiperinflação da década de 80 foi causada por essas mesmas pedaladas, mas em proporções muito maiores.

    Todos os estados tinham bancos públicos e todos os governos podiam pedalar a vontade. Isso causou um endividamento absurdo em quase todos os bancos públicos estaduais, causando a hiperinflação por excesso de emissão de dinheiro.

    Enfim, essas pedaladas da Dilma foi um repeteco da década de 80.

    Eles ainda tem a cara de pau para dizer que a Dilma não fez isso, e que isso foi feito por funcionários públicos. É uma canalhice sem limites. É como se o dono de uma empresa não soubesse se tem dinheiro.
  • Joaquim Saad  06/04/2016 16:44
    Talvez o Leandro e/ou seus auxiliares se disponham a esclarecer melhor, mas creio que o efeito expansionista dos atrasos nos repasses a instituições financeiras federais na (indi)gestão Dilma seja um tanto menor do que ocorria antes do plano Real, quando a base monetária era continuamente aumentada pelo BC sem o correspondente "lastro" em títulos públicos (conta "movimento" no BB, por ex) em conjunto c/a concessão desenfreada de empréstimos aos governos estaduais por seus respectivos bancos estatais, esbornia p/cujo restabelecimento no entanto parece contribuir o que seria a traquinagem mais recente do Ministério da Fazenda PTralha ao propôr a edição de lei complementar criando (mais um) mecanismo de redução "mágica" da dívida pública desta vez através da simples substituição da carteira de papeis em posse do BC (empregada nas vendas compromissadas) por depósitos voluntários por ele remunerados conforme prática de seus pares americano, europeu, etc, transferindo p/o balanço da própria autoridade monetária o ônus (redução de seus ativos) de um passivo até então alocado na contabilidade do Tesouro, e assim driblando novamente a LRF101/2000 a qual veda a emissão de títulos pelo BaCen (meramente rebatizados no esquema proposto).
    Interessante especular se continuariam a cumprir o item da lei 11803/2008 determinando a transferência de papeis do Tesouro ao BC p/ cobertura de perdas deste último (certamente majoradas c/a sugestão de se eliminar ou reduzir significativamente seu portfolio), da maneira como religiosamente "obedecem" a equalização cambial igualmente estipulada pela referida legislação e que vinha contribuindo bastante c/o saldo da conta única do governo na autoridade monetária (incrementando enormemente os repasses desta àquele a título de "lucros" puramente contábeis, e revertidos na medida em que a moeda voltasse a se valorizar).

  • Eduardo R., Rio  06/04/2016 21:32
  • Daniel  06/04/2016 23:31
    Ainda ficaram algumas dúvidas:

    1- A diferença entre as pedaladas da Dilma e as de outros governantes é exclusivamente de proporção? Há alguma diferença no método?

    2- Quando, no gráfico, a linha volta à estaca zero (deixa de ser amarela e volta a ser preta), significa que o rombo foi pago? Se foi pago, foi com dinheiro do orçamento? De onde veio o dinheiro se o não havia? De novos impostos?

    3- Quando, no gráfico, a linha volta à estaca zero, a inflação não deveria parar de subir?

  • Leandro  07/04/2016 00:32
    1- Bom, em primeiro lugar, esse "argumento" foi rejeitado pelo próprio TCU.

    No mais, eu só poderia responder a essa sua pergunta se eu trabalhasse no TCU, que é o órgão que tem acesso a essas contas e a todos os números orçamentários. Eu não tenho.

    Até o momento, e excetuando-se as extenuantes e emburrecedoras intrigas e fofocas políticas, nada de substantivo foi apresentado contra outros governos. Aliás, nem mesmo contra o governo Lula.

    Há números precisos e confirmados apenas para a gestão Dilma.

    2- Ou de impostos ou de endividamento do Tesouro (emissão de títulos).

    3- De jeito nenhum. As pedaladas são apenas uma das várias maneiras como o dinheiro entra na economia. Quando o governo incorre em déficits orçamentários, está ocorrendo inflação monetária. Quando os bancos (estatais ou privados) emprestam para pessoas ou empresas, está ocorrendo inflação monetária. Quando o câmbio se desvaloriza abruptamente, há pressão sobre os preços.

    A quitação das pedaladas pode, no máximo, reduzir a pressão sobre a inflação de preços. Mas não há razão nenhuma para que ela zerasse completamente a inflação.

    Recomendo este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1854
  • Daniel  07/04/2016 17:59
    Obrigado, Leandro.
  • Leandro  07/04/2016 00:40
    Flávia Pucci, Gislene Vieira, Anna Kalil, Carol, Rose, Prof. Sociologia, Marcos Braz, Vladimir, Felipe Lange S. B. S., Douglas Ferreira, Bruno, Fernando Ferreira, Henrique, Thiago Teixeira, Willian Frota Toledo, Rodrigo Lopes Lourenço, Sérgio, Fernado:

    Meu muito obrigado -- coletivo e socializado, mas sincero -- pelos elogios. São um grande combustível.

    Cordiais saudações.
  • Alan  07/04/2016 03:37
    Primeiramente obrigado pelo artigo.

    Há alguns meses ouvi dizer que a CEF (caixa economica federal) estaria sem recursos para dar continuidade aos programas sociais. Pelo que vimos aqui na verdade a Caixa está apenas pressionando o Tesouro pois escassez de recursos não são o verdadeiro problema.

    Segundo vosso artigo, o fator multiplicador de moeda dos bancos estatais foi estimulado, mas analisando o balanço do BB (banco do Brasil) vemos o IB (indice de basiléia) se reduzindo desde 2010 (de 0% a 16% em 2015).

    "5) Esse esquema, embora sempre tenha existido, foi turbinado a partir do último trimestre de 2008, com o intuito de estimular a economia em meio à crise financeira mundial. Até o ano de 2013, ele funcionou como o esperado."
    Na sua visão professor, o fator preponderante do estouro das contas foi a eleição de 2014? O TCU condenou as contas de apenas UM ano de governo? Se de 12 anos de governo petista, tivemos 2 anos ruins (com déficit), é realmente isso que eles estão desaprovando?

    Mais uma vez obrigado pelo artigo e desculpe por minhas duvidas.




    Segundo o mesmo balanço a receita com operacoes financeiras do BB quase dobrou de 2013 a 2015 (passou de 103 bi para 180 bi). Porem o lucro que era de 15% caiu para 7,80%.
    certamente não voltará aos niveis anteriores até porque foi uma das razoes do lucro recorde do BB.




  • Marcelo  07/04/2016 12:53
    Alan, multiplicador monetário nada tem a ver com índice de Basiléia.

    Multiplicador monetário é o M1 dividido pela base monetária.

    Índice de Basiléia é o patrimônio líquido dividido pelo total de ativos.
  • Alan  08/04/2016 22:22
    Marcelo,

    O que eu quis dizer é: incrementando o fator multiplicador o indice deveria baixar, no entando não é isso que vimos no balanço divulgado.

    Obrigado por comentar.

    Alan
  • Juan  07/04/2016 22:16
    Sempre cirúrgico! Ótimo artigo.
  • Luís Gustavo Schuck  08/04/2016 20:24
    Fora que ainda o governo interfere na atuação do Bacen. Segundo o FAQ do próprio Bacen:

    "banco central é a instituição de um país à qual se tenha confiado o dever de
    regular o volume de dinheiro e de crédito da economia."

    Como o Bacen controla as pedaladas eu não sei...quer dizer sei, ele não controla.

    Se o Bacen fosse independente logo sairia para o ataque contra o Tesouro...

    link do FAQ do Bacen: www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus/faq%2011-fun%C3%A7%C3%B5es%20do%20banco%20central.pdf

    Outra coisa que não entendo é o seguinte: se o regime das despesas do governo é regime de competência como ele pode não "lançar" as despesas com bancos em seus balanços, mesmo que realmente não tenha repassado os valores...

    Seria uma dupla pedalada ou uma pedala ao quadrado?

    Se alguém souber me explicar...
  • Emir  16/04/2016 16:46
    Bom artigo, mas gostaria de saber se houve tal artifício antes do governo Lula, já que o gráfico só consta informações depois do governo Lula.
    Obrigado.
  • Leandro  16/04/2016 17:10
    Vamos lá, pela quinta vez:

    1) Esse "argumento" de que as pedaladas já foram feitas antes foi rejeitado pelo próprio TCU.

    2) Eu só poderia responder a essa sua pergunta se eu trabalhasse no TCU, que é o órgão que tem acesso a essas contas e a todos os números orçamentários. Eu não tenho.

    3) Até o momento, e excetuando-se as extenuantes e emburrecedoras intrigas e fofocas políticas, nada de substantivo foi apresentado contra outros governos. Aliás, nem mesmo contra o governo Lula.

    4) Há números precisos e confirmados apenas para a gestão Dilma.
  • Coeficiente 100%  19/04/2016 19:42
  • F. Brasil  17/04/2016 20:07
    Ouvi gente dizendo que não era operação de crédito e sim crédito suplementar, que é previsto em constituição.

    Como diferenciar operação de crédito e crédito suplementar?

  • Rafael  19/04/2016 01:35
    É dito no texto que as pedaladas foram uma artimanha para ludibriar o mercado e os especialistas em contas públicas. Mas como uma transferência tão volumosa de dinheiro, a qual tem sempre um destino certo passaria batido do mercado e dos especialistas?
  • Auxiliar  19/04/2016 03:25
    Ué, e passou despercebido?

    Pelo que me consta, Dilma está sendo impichada justamente porque descobriram a tramoia.

    Tramoia essa, aliás, cujos inventores -- ignorantes que são -- realmente acreditavam ser legítima e inofensiva, mas muito útil em ano eleitoral, pois permitia aumento de gastos com programas sociais (eleitoreiros) sem que isso fosse imediatamente percebido.

    Fizeram algo errado jurando ser temporário, inócuo é inofensivo, mas foram descobertos e se estreparam. Qual parte você não entendeu?
  • Ernesto de Carvalho  19/04/2016 12:58
    A maquiagem das contas públicas no governo da sra. Dilma não só é um problema antigo, mas constante, extensamente criticado pela imprensa nacional e internacional, e minou a credibilidade do país, com o rebaixamento da nota de crédito.

    Um crime de lesa pátria que os lulopetistas minimizam como algo menor e sem importância. É mister a punição da presidente, e que sirva de exemplo a qualquer um que ocupe cargo máximo no executivo.

    blogs.ft.com/beyond-brics/2013/01/15/brazils-monetary-jeitinho/
  • Vitor  19/04/2016 14:07
    Leandro,

    Parabéns. Só gostaria de complementar a fundamentação jurídica para o crime de responsabilidade da Lei de Impeachment. Você não mencionou o artigo 4.

    "Art. 4º São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentarem contra a Constituição Federal, e, especialmente, contra:
    .
    .
    VI - A lei orçamentária;"

    Se a operação de crédito tem que constar na LOA e que obviamente não constava porque a LRF proíbe e não passaria no Congresso (se bem que o Congresso né.. rsrs), logo, qualquer operação de crédito fere a LOA e fere frontalmente a Lei de Impeachment, que é a lei que se aplica ao Presidente da República (mais especifica do que a Lei de Improbidade Administrativa, que se aplica a outros agente públicos).

    O desrespeito foi frontal à lei que aponta a prática como crime.
  • Isis Monteiro  19/04/2016 14:28
    No meu modo de ver houve crime de responsabilidade da presidente Dilma. Realmente ela infringiu o artigo da lei sobre responsabilidade fiscal. Este foi um problema recorrente deste governo que tentou maquiar as contas públicas gerando problema de credibilidade no mercado.
  • Augusto de Bem  19/04/2016 15:29
    O aumento no balanço dos bancos não é inerentemente inflacionário. Ou o QE trouxe inflaçao aos EUA? To até hoje esperando a inflação que nunca vem.
    Se não há demanda para o crédito ele simplesmente contará nos balanços dos bancos e serão remunerados por instrumentos que não influenciam em nada a demanda.
    Enxergar a inflação de 2015 como de demanda é absurdo. Os choques de custos foram contínuos e o o contingenciamento de despesas foi substancial. O déficit primário foi inflado pelas despedaladas, o que fez com que a despesa total crescesse 2% em termos reais, o que de outra forma teria sido uma queda.
    E o resultado ruim está na conta da redução de receitas devido ao gasto grotesco com subsídios e desonerações somados a desaceleração econômica. Em 2015 ainda foram pagos valores expressivos em termos de subsídios, porém tivemos que da na demanda. Os subsídios foram então inflacionários?
    Como se explica essa inflação de demanda concomitantemente com queda da demanda que vocês tanto citam?
  • Thomas  19/04/2016 18:37
    "O aumento no balanço dos bancos não é inerentemente inflacionário. Ou o QE trouxe inflaçao aos EUA? To até hoje esperando a inflação que nunca vem."

    Explicado 217 vezes neste site. A última vez foi aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2213

    "Enxergar a inflação de 2015 como de demanda é absurdo."

    Correto. Explicado em detalhes aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2304

    "Os subsídios foram então inflacionários?"

    Totalmente.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2092

    "Como se explica essa inflação de demanda concomitantemente com queda da demanda que vocês tanto citam?"

    Vocês quem, ignaro? Este site nunca falou de inflação de demanda. Posto de novo o link que explica as causas da inflação:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2304

    Vá tentar dar golpe em cima de outro.
  • Augusto de Bem  19/04/2016 18:44
    Discordo frontalmente desta argumentação de dominância fiscal. É argumento casuístico que sob algumas condições teóricos as encaixam para justificar como se existisse conexão automática entre déficit público e inflação, o que é mentiroso.
    Em períodos recentes diversos países o déficit fiscal ocorreu concomitantemente a uma quase deflação, vide por exemplo o Japão, ou inflação muito baixa, como os EUA no pós crise.
    É possível que o aumento do déficit público ocorra por conta de queda das receitas maiores que das despesas. ou até mesmo com estas constantes caso as receitas caiam. No Brasil de 2015 esse é o caso, cai o crescimento da demanda pública - que só fica positivo por conta do pgto das pedaladas em 31/12/15- e cai demanda privada ao mesmo tempo em que o déficit aumenta. Ao mesmo tempo sobem custos como gasolina, energia e do cÂmbio. Como jogar no colo de dominância fiscal? Realmente não concordo co os argumentos qeu apresenta mas pelo visto deveria ser obrigado a concordar.
  • Ricardo  19/04/2016 18:57
    Do que você está falando?!

    Ah, você está se referindo a este artigo, que apenas explicou o conceito de dominância fiscal, sem jamais endossá-lo ou dizer que ele explica a inflação de preços?

    É isso?

    E você está dizendo que o artigo fala que a causa da inflação de preços é a dominância fiscal?! Santo Deus, quer dizer agora que explicar um conceito significa endossá-lo? Se uma pessoa explicar, sei lá, o que era o apartheid sul-africano, ela estará automaticamente endossando o apartheid?

    Mais atenção, pelo amor...

    Dica: a moeda é monopólio do governo. O governo está no completo controle da moeda. Sendo a moeda um monopólio do governo, a qualidade do governo que a gerencia influencia diretamente a qualidade desta moeda.

    Se o governo tem uma política fiscal ruim, se ele não gera nenhuma confiança na população, se ele trava os investimentos, se sua política creditícia é ruim, e se ele é visto como relutante em atacar seu déficit e estancar o crescimento da dívida, então sua moeda será fraca e, consequentemente, o poder de compra dela será declinante.
  • Andre  19/04/2016 16:23
    E aqueles empréstimos para outros países sem passar por aprovação na camara e no senado, que foram usados para construção de obras faraônicas? E aquelas dividas perdoadas de ditadores da áfrica?
  • Ruth Lione  19/04/2016 19:24
    Parabéns Leandro!!! Texto incrivelmente didático aprendi muito! Obrigada.
  • Adrian Ferraz  19/04/2016 20:36
    Excelente explicação.
    Alega-se que os estados cometeram os mesmos crimes, poderia nos contemplar com uma análise semelhante dos estados, para verificarmos, percentualmente, se estes também cometeram o mesmo crime?
    Tentei pegar as informações no site do tcu dos estados mas não consegui. Lá explica o crime, mas não tão bem quanto você.
    Obrigado!
    Adrian
  • Leandro  19/04/2016 21:24
    É, sim, possível que isso também tenha acontecido nos estados, mas apenas nos estados que possuem bancos estatais estaduais -- como o Rio Grande do Sul, por exemplo.

    É bem provável que o senhor Tarso Genro tenha "lavado a égua" no Banrisul. Mas ainda não houve denúncias.

    E, como você bem disse, não há informações públicas disponíveis a respeito. Continua uma caixa-preta.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • anônimo  19/04/2016 22:05
    Muito bom, mas seria enriquecedor se fosse comentado ou disponibilizado os valores da pedaladas dos governos anteriores.
  • Leandro  19/04/2016 22:28
    Vamos lá, pela sexta vez apenas nesta seção de comentários:

    1) Esse "argumento" de que as pedaladas já foram feitas antes foi rejeitado pelo próprio TCU.

    2) Se há números de outros governos, eles estão bem escondidos.

    3) Se os outros governos também pedalaram, isso é algo que só o TCU sabe. E eu só poderia apresentar estes números se trabalhasse no TCU, que é o órgão que tem acesso a essas contas e a todos os números orçamentários. Eu não tenho.

    4) Até o momento, e excetuando-se as extenuantes e emburrecedoras intrigas e fofocas políticas, nada de substantivo foi apresentado contra outros governos. Aliás, nem mesmo contra o governo Lula.

    5) Há números precisos e confirmados apenas para a gestão Dilma.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Anônimo  20/04/2016 03:55
    Há reportagens na mídia que dizem que alguns governadores em exercício também fizeram pedaladas fiscais, se trata realmente do mesmo crime de responsabilidade?
  • Tayná  20/04/2016 05:57
    Amei o artigo. Explicação simples, bastante compreensível e muito bem escrito.
  • Cleidinei Augusto da Silva  20/04/2016 09:59
    Prezado Senhor Leandro,

    Parabenizo-o pelo Excelente TRABALHO !!

    Artigo objetivo e sintético.

    Que Mais e Mais pessoas possam entender essas "pedaladas fiscais"

    att.


    Cleidinei Silva
    Prof. de Economia
  • Marcelo  20/04/2016 12:12
    PArabéns, artigo esclarecedor!
  • Carolina  20/04/2016 14:53
    Gostei muito do artigo... parabéns!

    Sou defensora do mandato da Presidente Dilma, nem por isso achei o artigo ruim;
    Por sinal, achei esclarecedor...

    A pesar de já saber que as pedaladas tinham haver com o atraso de repasses aos bancos públicos, foi esclarecedor ler seu ponto de vista em relação a operação de crédito e a clara violação, defendida por você, das leis citadas. Obrigada!

    No entanto, com muito respeito a sua publicação, não fica claro para mim que houve operação de crédito... Gostei do exemplo dado em defesa de Dilma publicamente: Se você paga algum serviço por x R$ para ser pago até o dia Y, mas só consegue pagar posteriormente no dia Z, por acaso considera-se que, do dia Y ao dia Z o fornecedor do serviço te emprestou o dinheiro do serviço até a quitação? O que estou querendo dizer que considerar a operação realizada como "operação de crédito", é uma questão de ponto de vista. Não é algo que fica muito claro, me parece uma decisão discricionária.

    Quanto aos prejuízos gerados, não posso opinar,por falta de entendimento. Mas faço uma pergunta: quando o dinheiro foi pago pelo governo, como anunciado em dez./2015, os danos podem retroceder? (não é deboche, é uma pergunta honesta e respeitosa de alguém que quer saber de verdade)

    Outra pergunta: se as pedaladas fiscais vem desde FHC, não poderia se dizer que os prejuízos são cumulativos e não exclusivos a um único mandato?

    Quanto aos comentários odiosos aos esquerdistas, digo que a maior ignorância de todas é quando tentam ridicularizar seus "opositores", para que não seja necessário argumentos fortes para convencê-los; pois, melhor que ter um "inimigo vencido", é convencê-lo a ser um aliado.

    Mais uma vez Parabéns Leandro Roque.

    Apesar de perceber que o site é "direitista", continuarei acompanhando sempre que possível os artigos...

    Obrigada!
  • Leandro  20/04/2016 16:13
    "Se você paga algum serviço por x R$ para ser pago até o dia Y, mas só consegue pagar posteriormente no dia Z, por acaso considera-se que, do dia Y ao dia Z o fornecedor do serviço te emprestou o dinheiro do serviço até a quitação?"

    Ele lhe concedeu um crédito. Essa é a definição precípua de crédito. Crédito é um termo que traduz confiança, e deriva da expressão "crer", acreditar em algo, ou alguém. O crédito, sob o aspecto financeiro, significa dispor a um tomador, recursos financeiros para fazer frente a despesas ou investimentos, financiar a compra de bens etc.

    "O que estou querendo dizer que considerar a operação realizada como "operação de crédito", é uma questão de ponto de vista. Não é algo que fica muito claro, me parece uma decisão discricionária."

    Não é ponto de vista. A definição de crédito é bem específica.

    "Quanto aos prejuízos gerados, não posso opinar,por falta de entendimento. Mas faço uma pergunta: quando o dinheiro foi pago pelo governo, como anunciado em dez./2015, os danos podem retroceder? (não é deboche, é uma pergunta honesta e respeitosa de alguém que quer saber de verdade)"

    Não entendi muito bem.

    O que é um fato, e isso foi explicado no artigo, é que os bancos estatais criaram dinheiro para bancar as despesas do governo. Ao fazerem isso, impulsionaram a inflação de preços (carestia). Isso, com efeito, é um dano para toda a economia.

    "Outra pergunta: se as pedaladas fiscais vem desde FHC, não poderia se dizer que os prejuízos são cumulativos e não exclusivos a um único mandato?"

    Embora o próprio TCU não tenha dado procedência a esse argumento, e embora não existam números disponíveis, a resposta é: caso tenha ocorrido pedaladas no governo FHC, então elas também pressionaram a inflação de preços.

    Perceba que o cerne do artigo nem é a legalidade jurídica da coisa, mas sim seus efeitos econômicos.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • F. Brasil  25/04/2016 17:15
    "Quanto aos prejuízos gerados, não posso opinar,por falta de entendimento. Mas faço uma pergunta: quando o dinheiro foi pago pelo governo, como anunciado em dez./2015, os danos podem retroceder? (não é deboche, é uma pergunta honesta e respeitosa de alguém que quer saber de verdade)"

    Acredito que ela quis dizer que o fato do governo ter pago as pedaladas poderia compensar a carestia no periodo. (Substitua o termo retroceder por deflacionar).

    Me corrijam se eu estiver errado, mas esse argumento só faria sentido se de fato houvesse uma deflacao. Tanto nao houve, que os preços continuam subinbo.


  • Vitor  20/04/2016 17:47
    Leandro,

    Existem números das pedaladas ocorridas nos governos FHC, Lula e Dilma. O TCU, como qualquer entidade de auditoria, dá sua opinião sobre as contas do presidente como "aprovado sem ressalvas", "aprovado com ressalvas" (que é quando tem inconsistências, mas não são relevantes), "abstenção de opinião" (quando não há dados suficientemente disponibilizados para se emitir opinião) e "rejeição" (que é quando existem fortes evidências de possibilidade de ocorrência de fraude e/ou erro de maneira relevante). Relevância costuma ser o montante, e o prazo de atraso nesse caso também influencia.

    Não tem como a moça querer comparar um atraso qualquer de pagamento com um atraso de um pagamento a um banco, até porque a dívida não é do banco, é da união. O banco não poderia assumir essa dívida, em tese, pois o contrato não é entre banco e união, mas entre união e beneficiários dos programas. Mesmo se o banco pudesse intervir, o atraso, a pedalada, geram efeitos econômicos sim: atrasar um pagamento em dinheiro para alguém que realizou o pagamento de benefícios para você não é o mesmo que atrasar o pagamento de um serviço ou obra, porque nesse caso envolve a criação de dinheiro, como você explicou. Sendo assim, o banco emprestou dinheiro sim à união. E como o montante e o prazo de atraso são relevantes, pode ter causado a inflação e o aumento de juros observados em 2015.
  • José Eduardo Cardozo  20/04/2016 23:45
    Não houve operação de crédito. Operação de crédito ocorre quando alguém empresta dinheiro ao outro e se paga juros por isso. Peço dinheiro ao banco e pago. Como se pode entender que há uma operação de crédito no caso das pedaladas? O que aconteceu na verdade, é que a União tem um contrato de prestação de serviços com o BB, CEF, BNDES, e atrasou o pagamento do contrato. Atraso de pagamento de um contrato não é emprestimo. Ou será que quando um empregador atrasa o pagamento do salário do seu empregado, o empregado está emprestando dinheiro ao empregador? Essa é a lógica das chamadas "pedaladas fiscais".
  • Vitor  23/04/2016 00:51
    José, comparação ruim essa do empregador atrasar pagamento ao empregado.

    O contrato entre a União e o BB, CEF e BNDES é de que os mesmos façam repasses de verbas e de gestão dos recursos dos programas sociais.

    Em NENHUM momento o contrato diz que os bancos devem arcar com os atrasos dos repasses das verbas, porque isso afrontaria a lei. O fato de a União manter um fundo junto à Caixa e receber juro caso a Caixa use os recursos depositados pelo Tesouro é totalmente distinto de a Caixa honrar ou disponibilizar fundos à União (mesmo que o Tesouro pague juros a Caixa depois). Fazer isso é dar volta na Lei de Responsabilidade Fiscal.

    Alguns juristas não vão entender que isso não é subjetivo, por que muitos juristas não entendem muito bem de finanças. Ou estão fazendo jogo político. A votação do impeachment é um processo político, mas a pedalada ser operação de crédito não tem nada a ver com isso.
  • Felipe Moura Brasil  23/04/2016 01:40
    Aí, Cardozo! Se liga que a minha explicação está bem mais de acordo com a realidade do que a sua.

    1) Imagine que você dê R$ 2000,00 por mês à sua empregada para fazer as suas compras de supermercado. Com os preços em alta, a última compra do mês dá R$ 250,00, mas ela nota que só sobraram R$ 50,00 do dinheiro que você havia dado. Como ela sabe que não tem mais comida na sua geladeira, ela tira R$ 250,00 do próprio bolso para ajudar você a pagar a conta. No dia seguinte, ela lhe mostra as notas das compras, informa que gastou R$ 200,00 do próprio dinheiro e você repõe o valor. Ou seja: você paga R$ 200,00 à empregada para quitar a sua dívida com ela — e almoça feliz.

    Se você não tem o dinheiro na hora, diz que paga no dia seguinte ou depois, mas logo paga. E ela aceita, sem problemas, porque vocês já têm uma relação antiga de confiança.

    Isto é uma coisa.

    2) Agora, imagine que sua empregada gaste R$ 2.000 das compras do mês e você não reponha nem um centavo do valor. No mês seguinte, mais uma vez ela gasta R$ 2.000, enquanto você compra presentes aos amigos, prometendo-lhes mais presentes para o ano que vem. No outro mês, de novo. Mais um mês igual. E outro. E vários outros também, sem reposição. Por mais de um ano, a empregada paga todas as suas compras de supermercado, enquanto você promete mundos e fundos aos outros, literalmente. Sem querer, ela passa a financiar uma parte das suas despesas, enquanto você usa em novas despesas o dinheiro que deveria cobrir essa parte.

    Isto é coisa bastante distinta do caso 1. Sem contar que depois você vai ter compensar a sua empregada, pagando juros à Selic.

    Essa é a lógica das "pedaladas fiscais". E não há defesa para isso, meu caro. Tire o seu time de campo enquanto é tempo.
  • Alexandra Moraes  22/04/2016 15:36
    No meu modo de ver as peladas fiscais são crime de responsabilidade. É um jeito de tornar mais sexy as contas do governo. Utilizar bilhões de reais de bancos públicos é empréstimo.
    A lei é clara: o governo (controlador) não pode pegar empréstimo de bancos públicos. Sim foi crime de responsabilidade e com isto o governo embaralhou toda a sua gestão financeira tendo grande impacto nos mercados.
  • Isis Monteiro  22/04/2016 20:40
    As pedaladas fiscais podem ser consideradas crime de responsabilidade? Se ouvirmos 1000 juristas, 500 vão dizer que sim e 500 vão dizer que não.
    O fato é que a constituição estabelece que o congresso nacional, deputados e senadores, é que julgarão se é crime de responsabilidade ou não. Portanto é muito mais um processo político do que técnico-jurídico. As regras do jogo são claras.
  • Alexandra Moraes  23/04/2016 13:43
    Realmente houve crime de responsabilidade. Não dá para discutir. O governo tentou fraudar as contas públicas. Quis vender ao mercado que as contas estavam controladas.
    Governo muito irresponsável. Transformou o Brasil em uma nação em estado falimentar.
  • Araújo  25/04/2016 03:13
    Caríssimos amigos, gostaria de dispor de tempo e recursos para analisar linha por linha deste texto, mas, infelizmente, não disponho. Sendo assim, vamos em linha reta e curta.

    O texto afirma que tudo funcionou bem até 2013 e que as contas se desorganizaram a partir de 2014. SENDO ASSIM faço meus questionamentos básicos.

    Se em 2013 tudo estava bem, gostaria que alguém me explicasse de onde veio aquela confusão iniciada nos 20 centavos de aumento na passagem dos ônibus? Qual o efeito daqueles episódios, de todo o vandalismo que se espalhou pelo Brasil, sobre a taxa de investimento da economia e seu efeito contínuo sobre a arrecadação tributária?

    Onde podemos situar as "pautas bombas do Cunha e outros congressistas" na produção do déficit orçamentário? Por que nesta situação, nossos Congressistas não podem ser também responsabilizados pelo déficit?

    Em 2014, alguém poderia me explicar se ocorreu algum efeito da lava jato sobre a atividade econômica e a taxa de investimento da economia? Quais efeitos? Como esse processo impactou a arrecadação tributária?

    Quanto a inflação, que alcançou nível anualizado de apenas 12% ao ano,qual contribuição podemos atribuir: 1. a forte oscilação no preço do petróleo. 2. à estiagem (chuvas abaixo da média durante cinco anos seguidos)com consequente ampliação da geração de energia elétrica, mais cara, através das termoelétricas. 3. à desvalorização cambial (analisaremos suas causas e consequências em outro momento se for necessário. Aguardo vocês

    Quanto ao rebaixamento do Brasil pelas agências de risco, gostaria de saber se a operação lava jato com seus vazamentos seletivo e repercussão midiática, sempre de forma muito negativa em relação ao partido do governo, pode ser apontada como uma de suas causas e em que medida?

    A operação lava jato pode ser apontada como uma das causas da desvalorização cambial?
  • Leandro  25/04/2016 05:06
    "O texto afirma que tudo funcionou bem até 2013 e que as contas se desorganizaram a partir de 2014."

    Já começou totalmente errado.

    Eis o que realmente diz o texto:

    "Esse esquema [bancos estatais emprestando dinheiro a juros bem abaixo da SELIC, para estudantes, grandes empresas, compradores de imóveis, e ruralistas], embora sempre tenha existido, foi turbinado a partir do último trimestre de 2008, com o intuito de estimular a economia em meio à crise financeira mundial. Até o ano de 2013, ele funcionou como o esperado."

    Traduzindo para os apressados: o trecho se refere aos empréstimos subsidiados feitos pelos bancos estatais aos vários setores da economia. Essa prática sempre existiu, mas foi turbinada a partir do final de 2008. Até o ano de 2013, tal prática -- empréstimos subsidiados feitos pelos bancos estatais -- funcionou como o esperado [ou seja, aditivando artificialmente o PIB].

    Artigos específicos sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1854
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1943
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2120

    "Se em 2013 tudo estava bem"

    Não estava. Era tudo artificial. Explicado aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1943

    "gostaria que alguém me explicasse de onde veio aquela confusão iniciada nos 20 centavos de aumento na passagem dos ônibus?"

    Aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1635

    "Qual o efeito daqueles episódios, de todo o vandalismo que se espalhou pelo Brasil, sobre a taxa de investimento da economia e seu efeito contínuo sobre a arrecadação tributária?"

    Olhando em retrospecto, mínimo. Aquilo, que durou menos de um mês, foi "uma porçãozinha de amendoim" comparado ao que viria depois.

    "Onde podemos situar as "pautas bombas do Cunha e outros congressistas" na produção do déficit orçamentário?"

    Cunha entrou em 2015. Comece por aí.

    Mas uma dica: o chefe do Executivo tem total poder de veto sobre qualquer decisão de gastos feita pelo Congresso Nacional. Cunha pode fazer a pauta-bomba que quiser. Dilma sempre terá o poder final de vetá-la.

    "Por que nesta situação, nossos Congressistas não podem ser também responsabilizados pelo déficit?"

    Por mim, pode mandar bala. Mas jamais escuse a presidente de seu poder de veto.

    "Em 2014, alguém poderia me explicar se ocorreu algum efeito da lava jato sobre a atividade econômica e a taxa de investimento da economia?"

    Não.

    "Quanto a inflação, que alcançou nível anualizado de apenas 12% ao ano,qual contribuição podemos atribuir:"

    Aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1854
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2018
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2304

    "Quanto ao rebaixamento do Brasil pelas agências de risco, gostaria de saber se a operação lava jato com seus vazamentos seletivo e repercussão midiática, sempre de forma muito negativa em relação ao partido do governo, pode ser apontada como uma de suas causas e em que medida?"

    Não. A responsabilidade é única e exclusiva do governo, pois é ele quem estipula gastos acima das receitas, aumenta seu endividamento de maneira explosiva e, com isso, gera desconfiança no mercado internacional.

    Artigo sobre isso aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2184

    "A operação lava jato pode ser apontada como uma das causas da desvalorização cambial?"

    Não.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2175
  • Sebastião Jorge  26/04/2016 03:02
    Leandro,gostaria de agradecer sua resposta e dizer-lhe que compreendi perfeitamente suas explicações, apenas não concordo 100% com elas. Creio que faz parte. O conhecimento é algo em constante construção. Quando for possível vou ler todos os textos indicados. Se não se importar vou continuar lhe incomodando. Também gostaria de conhecer seu currículo profissional. Esta disponível?

    Tinha consciência de que algumas das minhas colocações estavam fora do "time". O poder de veto da Presidenta foi usada em 2015, não sei se tem conhecimento, entretanto os efeitos negativos no parlamento foram notados. Nossa estrutura política esta com muitos problemas.

    Você afirmou que a lava jato não interferiu na análise de risco, mas me parece que interferiu na estabilidade política. A instabilidade política foi citada pelo menos por uma das agências como fator importante do aumento do risco.

    "Traduzindo para os apressados: o trecho se refere aos empréstimos subsidiados feitos pelos bancos estatais aos vários setores da economia. Essa prática sempre existiu, mas foi turbinada a partir do final de 2008. Até o ano de 2013, tal prática -- empréstimos subsidiados feitos pelos bancos estatais -- funcionou como o esperado [ou seja, aditivando artificialmente o PIB]."

    Qual seria a saída para o Brasil a partir de 2008 para evitar os efeitos da crise financeira internacional principalmente sobre o emprego? Se é que existiria alguma saída.



  • Leandro  26/04/2016 16:36
    "Você afirmou que a lava jato não interferiu na análise de risco, mas me parece que interferiu na estabilidade política. A instabilidade política foi citada pelo menos por uma das agências como fator importante do aumento do risco."

    A sua pergunta sobre a Lava-Jato referia-se especificamente ao ano de 2014. Copio abaixo exatamente as suas palavras:

    "Em 2014, alguém poderia me explicar se ocorreu algum efeito da lava jato sobre a atividade econômica e a taxa de investimento da economia?"

    E a minha resposta a essa pergunta específica foi 'não'. A Lava-Jata gerou conseqüências apenas a partir de 2015, que foi quando ela realmente se intensificou.

    "Qual seria a saída para o Brasil a partir de 2008 para evitar os efeitos da crise financeira internacional principalmente sobre o emprego?"

    Aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1943

    E aqui para o que não deveria ter sido feito:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2120

    "gostaria de agradecer sua resposta e dizer-lhe que compreendi perfeitamente suas explicações, apenas não concordo 100% com elas. Creio que faz parte."

    Dado que apenas citei fatos, e não opiniões ou juízos de valor, fica estranho dizer se há ou não discordância. Falar que o sol é amarelo não é algo que está à mercê de discordâncias.

    "Também gostaria de conhecer seu currículo profissional. Esta disponível?"

    Disponível apenas para quem conheço e tem algo a oferecer.

    Grande abraço!
  • Carolina  25/04/2016 12:41
    Gostei muito de ler os comentários... Boa, galera!

    Gostaria de saber se há brechas para uma discussão também politica do caso.

    Felipe Moura Brasil, achei o final do seu comentário muito agressivo. Todos temos direito de manter nosso time em campo para uma disputa intelectual e sadia...

    Sou apoiadora do atual governo... E tenho lido com muita atenção cada critica feita... mas gostaria de levantar questões politicas, que para mim são as mais relevantes para manter meu apoio (não incondicional) a Presidente Dilma...

    Bom Dia!
  • Alexandra Moraes  25/04/2016 14:40
    Carolina,
    Quais são os motivos para apoiar o atual governo?
  • Andre  25/04/2016 14:51
    "Sou apoiadora do atual governo"?


    E pq? Apoia esse governo pq razão?
  • Felipe Moura Brasil  25/04/2016 16:15
    Bem, Carolina, confesso que não era para parecer um final agressivo, mas sim engraçado. É que José Eduardo Cardozo do primeiro comentário é claramente o pseudônimo e a explicação do advogado-geral da União para o que são as "pedalada fiscais". Da mesma forma eu fiz com o Felipe Moura Brasil, e sua explicação para as o que são as "pedaladas". O 'tirar o time de campo' era para o advogado-geral (que nunca nem vai ler isso), e não para o autor do comentário.
  • Carolina  25/04/2016 19:21
    Obrigada Felipe! Desculpe o mal entendido! :)

    Então, sou apoio o atual governo (com muitas críticas) e há vários motivos pra isso...

    1° Influência familiar --> Meu pai sempre foi um entusiasta do PT. Cresci ouvindo sobre o Lula e sobre o sonho de um país mais igualitário e justo para os mais necessitados.

    2° Formação política ideológica --> Quando entrei na Universidade Pública, minha primeira formação foi Marxista, como acontece com a maioria dos universitários na área de Humanas e das Ciências Sociais...

    Me tornei opositora ao Governo Lula, porém com uma crítica mais voltada para a dita "Revolução" protagonizada pelo proletariado... Com o tempo vem o amadurecimento, e então deixei de ser Marxista, porém continuei a pensar que o Capitalismo enxerga o Capital a cima do ser humano.

    3° Consciência ambiental --> Com a leitura do livro: "A História das Coisas" e acompanhamento das idéias de Michael Moore, percebo o quanto as idéias capitalistas de mercado são macabras (sentido ambiental) e não claras (sentido econômico mesmo), passei então a optar por uma crítica política mais centrista, buscando a "reconciliação" do Capital com o povo e a diminuição das inferências da industria no meio ambiente.

    4° Classe social --> sou de uma classe muito favorecida pelo governo. Negra, Pobre, suburbana... Concordo em dizer que é uma análise unilateral, por isso procuro ler e me informar ao máximo.

    5° Teoria do menos pior --> Não vejo a saída da Presidente Dilma a solução de todos os problemas... Entendo que houve avanços, principalmente com o Lula, que conseguiu manter TODAS as classes (Banqueiros, empresários, povão, intelectuais) ganhando durante dois mandatos. As economias entram em crise, isso é normal. Entendo que o Brasil é um país promissor, em todos os sentidos (ambiental, cultural, industrial), e acho que a atual oposição ao governo não está mais apta de dirigir o desenvolvimento da nação.

    Tenho medo das medidas Neoliberais, que de acordo com alguns (preciso pesquisar mais sobre isso) deixou 40% da População do Chile abaixo da linha de pobreza...

    Entendo que para existir país rico é preciso um país pobre e miserável... não acho que o desenvolvimento vale a vida de nenhuma pessoa do mundo... por menos e mais miserável que seja...

    Gostei desse site, pois procuro entender melhor as idéias Neoliberais.


    Tenho mais a dizer... Vou esperar os comentários... Amanhã respondo!


    Obrigada pelo respeito!

  • Gabriel  25/04/2016 21:36
    ''Classe social --> sou de uma classe muito favorecida pelo governo. Negra, Pobre, suburbana... Concordo em dizer que é uma análise unilateral, por isso procuro ler e me informar ao máximo.''

    Classe muito favorecida pelo governo? Se você chama de ''favorecimento'' inflação, desemprego e caos social...

    ''Não vejo a saída da Presidente Dilma a solução de todos os problemas...''

    E alguém disse isso? Estão pedindo a saída da presidente porque ela cometeu um crime. Não concorda? Vai reclamar com o TCU, que rejeitou as contas do governo Dilma com unanimidade.

    ''Tenho medo das medidas Neoliberais, que de acordo com alguns (preciso pesquisar mais sobre isso) deixou 40% da População do Chile abaixo da linha de pobreza...''

    Eu também tenho medo das ''medidas neoliberais''. Eu e todos que acompanham esse site.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=920
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1775
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=835

    ''Gostei desse site, pois procuro entender melhor as idéias Neoliberais.''

    É melhor procurar outro site então. Aqui, como mostrei nos links acima, ninguém defende ideias neoliberais.
  • Carolina  26/04/2016 12:59
    Obrigada Gabriel pelo esclarecimento.

    Encontrei este site por pura curiosidade pessoal e não vou deixar de ler por vc achar que estou no "lugar errado"... Quanto a procurar outros sites, pode ter certeza que procuro me informar sempre que possível.

    Gabriel, não li os links, mas vou ler...

    Minha impressão sobre o site defender idéias Neoliberais, foi formada por três dias (quarta, segunda e terça) de acesso. Posso estar errada; obrigada por me alertar.

    Tive esta impressão ao ler frases como: "Esta análise torna evidente o caráter imoral do intervencionismo, o qual deve ser entendido como 'todo e qualquer sistema de agressão institucional e sistemática contra o LIVRE EXERCÍCIO da função empresarial'", no artigo "Redistribuição de riqueza e liberdade de empreender - conceitos eticamente opostos" e a frase "As causas da pobreza são bem simples e diretas. Em qualquer lugar em que não haja empreendedorismo, respeito à propriedade privada, segurança jurídica, acumulação de capital e investimento, a pobreza será a condição predominante", lida no artigo "Vamos debater as causas da pobreza!". Não concordei com a maior parte dos artigos sitados, mas nem por isso deixei de lê-los, nem fiz comentários contra seus autores, pois zelo pelo respeito incondicional.
  • Austregesilo Athayde Flamarion  25/04/2016 22:42
    Só pode ser brincadeira isso.
  • Otimista  25/04/2016 22:47
    Carolina, reserve alguns minutos (se possível, horas) dos seus dias e comece a ler todos os artigos do IMB.

    Qual assunto mais te interessa? Meio ambiente? "Classes sociais"? Político menos pior? Aqui vc vai encontrar uma visão totalmente diferente do que vc teve durante toda sua vida (segundo seu próprio relato).

    Acho que vc ganhou o benefício da dúvida por apenas estar aqui e se mostrar interessada. Quando começar a ler (e, torcemos, realmente absorver) o que realmente é o viés do IMB, vai entrar num caminho sem volta. Aqui vc não vai encontrar nada remotamente "pró governo" X ou Y, vai encontrar aquilo que faz sentido para qualquer pessoa minimamente racional.

    Como diria o Morpheus para o Neo, vc está vivendo num mundo de fantasia... e agora pode escolher a pílula vermelha e ver a verdade.
  • Alexandra Moraes  25/04/2016 23:35
    Oi Carolina, muito obrigada pelas suas considerações.
    Por muito tempo voltei nos candidatos do PT acreditando que o País iria melhorar. Fiquei muito decepcionada com este partido nos últimos tempos. Vi que na prática todos são iguais. Cada um procura sanar seus próprios desejos e necessidades e a coletividade que se exploda.
    Precisamos mudar este estado de coisa. No entanto não dá mais para acreditar no PT. Este partido nos traiu. Deixou o Brasil em uma situação de terra arrasada.
  • Carolina  26/04/2016 13:18
    Austregesilo Athayde Flamarion, por que brincadeira? Posso deixar de comentar minhas "brincadeiras", se quiseres. :P

    Otimista e Alexandra Moraes, obrigada pela vontade de esclarecer pessoas interessadas. Em muitos pontos sinto-me traída pelo PT. Mas também reconheço avanços no governo. Pelo que entendi a resposta do Gabriel supõe que esses avanços são "fake", por isso procuro me informar de todos os lados e aceitar opiniões contrárias, sem preconceitos ou resistência.

    A visão que tenho de minha própria vida e família quanto a avanços alcançados:

    fui beneficiada pela ampliação de vagas nas Universidades Públicas, meu companheiro é beneficiário do Fies, estudando no Conservatório Brasileiro de Musica, nascido e criando em comunidade carioca, é o primeiro primo a cursar universidade. Sou a primeira de minha família a estudar em uma Universidade Federal (UNIRIO). Uma parte de minha família (primos de minha vó), passaram por 3 gerações MENDIGANDO para sobreviver. Hoje, a nova geração: um entrou pra Marinha, outra cursa universidade PróUni... Tenho uma amiga, que sempre passou necessidade, digo de passar fome mesmo, que foi sortiada no Minha Casa Minha Vida, paga R$70,00 por mês, o irmão dela está cursando Direito pelo ProUni.

    Essas são opiniões pessoais, mas como podem perceber, não quero tê-la unilateralmente, por isso gostei do site e pretendo continuar a ler os artigos, sempre que possível, enquanto estiverem me acrescentando. Obrigada!
  • Cleiton  27/04/2016 15:11
    Também votei no PT várias vezes, entretanto ao entender melhor as coisas percebi que o governo Lula não fez nada por nenhum pobre, o governo dele fez muito pouco e se beneficiou da estabilidade econômica entregue pelo governo anterior e principalmente pelo crescimento econômico mundial (a própria Dilma em um de seus discursos recentes falou sobre o recente fim do "superciclo das commodities"), ou seja, o Lula teve uma chance incrível de mudar de verdade o Brasil, não fez.

    Do grande crescimento mundial e via de consequência nacional experimentado, apenas algumas migalhas foram dadas aos pobres, e pior, não foi nada estrutural, foi apenas consumismo fútil que desapareceu com o menor sinal de crise. Pro Uni, Fies, Minha casa Minha vida deixaram o povo com o diploma frágil (desempregados com nível superior) e pouco conhecimento de fato, entretanto bancos, universidades privadas e construtoras enriqueceram demais, além dos próprios políticos e dele mesmo, o Lula.

    O Brasil perdeu uma chance de ouro, o sofrimento vai continuar por mais tempo, poderíamos ter dado um salto, mas não saímos do lugar. A violência continua atingindo os pobres com força total, o trânsito é um caos, a educação, inclusive a superior, é péssima, o impostos só sobem e a inflação também, só temos tecnologia a reboque dos países desenvolvidos, nada novo é criado aqui, cadê as empresas nacionais?

    Lula se gaba que hoje pobre tem celular e internet, entretanto isso se deve ao desenvolvimento da tecnologia que certamente não foi devidamente fomentada no governo dele, o Brasil poderia ter se tornado um país de primeiro mundo em saúde, educação, baixa violência, tecnologia, geração de emprego e renda, mas não só tivemos o consumo patético. Me arrependo de ter votado nele e feito campanha pra ele, mas agora faço de tudo pra reverter o mal que fiz... espero que um dia tenhamos uma nova chance de mudar de verdade.
  • Alexandra Moraes  27/04/2016 17:38
    Infelizmente temos que concluir que todos os "avanços" do governo petista foram perdidos como palavras ao vento. A dura realidade nos mostra o quanto fomos enganados. Hoje, o que resultou de um governo irresponsável são milhões de desempregados, empresas falindo e o estado em condição pré-falimentar. Na realidade estamos retrocedendo pelo menos 15 anos. É uma pena.
  • Alexandra Moraes  28/04/2016 22:55
    As pedaladas fiscais são crimes. Ou melhor crime de responsabilidade e deve punir exemplarmente o responsável.
    É importante que o PT agora reconheça que errou, perdeu totalmente o seu rumo e que volte para o cenário político daqui alguns anos. É bastante vergonhoso o que fizeram ao País. Qualquer um no lugar dos dirigentes do PT estariam com muita vergonha de colocar o nariz para fora da porta. É o momento do partido se recolher lamber suas feridas e tentar voltar daqui uns 25 anos.
  • Josh  29/04/2016 13:19
    Se não me engano, li pelo G1 e Estadão (setor da mídia que apoia o impeachment) que quando o governo não faz os repasses do tesouro os bancos ou um banco específico é obrigado a fazê-lo. Me chama atenção o uso dos termos que sugerem a "obrigatoriedade" dos bancos em cobrir as despesas, só posso supor que a obrigação se dá por meio de leis ou decretos e etc, o que meio que fere a teoria da ilegalidade dos "empréstimos". Aguardo respostas.
  • Peck  29/04/2016 15:07
    Você deu um tiro no pé e, sem perceber, acabou complicando a situação do governo: você disse que o governo inventou uma lei que diz que "quando o governo não faz os repasses do tesouro os bancos ou um banco específico é obrigado a fazê-lo".

    Ora, tal "lei" -- se é que ela existe -- frontalmente contradiz outras duas leis anteriores (o artigo 36 da Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei 1.079/50), as quais já existiam e nunca foram revogadas.

    Isso, sim, seria golpe.

    P.S.: Enquanto você "aguarda repostas" para esse seu devaneio, eu aguardo as fontes do seu devaneio. Poste-as aqui.
  • JÉSSICA  30/04/2016 07:05
    Eu queria, do fundo do meu coração, sentar com um pró-governo, ler o presente artigo, e esperar uma conclusão sobre quando dizem que pedalada fiscal não é crime.
  • Alexandra Moraes  03/05/2016 16:33
    Dilma pedalou e cometeu crime de responsabilidade. A presidente perdeu completamente a credibilidade e já não tem mais condições de presidir a nação. Fora as pedaladas, a nossa presidente mentiu descaradamente na campanha. Dilma acabou com o Brasil. Teremos que pagar nos próximos anos uma fatura muito cara.
  • Felipe  05/05/2016 14:27
    Duas questões ao caro Leandro ou quem puder responder:
    1. Ficou claro que os adiantamentos feitos por BB e Caixa foram feitos por criação de credito. Mas para o BNDES, qual foi a origem das verbas?
    2. Havia indícios de que as pedaladas haviam sido pagas nao apenas com montantes arrecadados via emissão de títulos, mas também com algumas manobras junto ao banco central. Ja existe informação concreta a respeito?

    Saudações a todos do IMB.
  • Leandro  05/05/2016 15:45
    "Ficou claro que os adiantamentos feitos por BB e Caixa foram feitos por criação de credito. Mas para o BNDES, qual foi a origem das verbas?"

    Originalmente, os recursos do BNDES eram oriundos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador -- fundo destinado a custear o seguro-desemprego e o abono salarial). E os fundos do FAT advêm das arrecadações do PIS e do PASEP. Sob esse arranjo, o BNDES era uma máquina de redistribuir recursos, mas não era inerentemente inflacionário, pois ele não criava dinheiro.

    O problema é que essa matriz, já ruim, foi alterada para pior a partir de 2009. Se antes o BNDES se financiava exclusivamente via impostos, agora ele passou a se financiar também via endividamento do Tesouro, o que significa que ele se financia via inflação monetária.

    Funciona assim: como o BNDES não tem todo o dinheiro necessário para fazer todos os empréstimos que o governo quer conceder a seus empresários e grupos favoritos, o Tesouro começou a emitir títulos da dívida com o intuito de arrecadar esse dinheiro para complementar os empréstimos.

    E quem compra esses títulos? Majoritariamente, o sistema bancário. Como ele compra? Criando dinheiro do nada, pois opera com reservas fracionárias. Ou seja, a atual forma de financiamento do BNDES é inerentemente inflacionária. Ela aumenta a quantidade de dinheiro na economia.

    O Tesouro vendia títulos e os repassava para o BNDES, o qual então os transferia para seus destinatários finais.

    No caso das pedaladas, o BNDES repassou tudo o tinha consigo: os recursos que havia auferido via FAT, os recursos que recebeu de repasses do Tesouro (e que ainda não tinham um destinatário específico), os juros que auferiu de empréstimos anteriores, e provavelmente utilizou até mesmo capital próprio.

    "Havia indícios de que as pedaladas haviam sido pagas nao apenas com montantes arrecadados via emissão de títulos, mas também com algumas manobras junto ao banco central. Ja existe informação concreta a respeito?"

    novojornal.jor.br/politica/governo-fez-manobra-com-recursos-do-bc-para-pagar-pedalada-diz-estudo
  • Felipe  08/05/2016 19:03
    Leandro, muito grato.
    Apesar de ter lido tudo nesse site sobre o BNDES, resta-me uma dúvida, possivelmente pela falta de conhecimentos contábeis. Voce diz que o BNDES não criava dinheiro até 2009. Entretanto, mesmo nessa situação, ele nao expande o crédito além dos repasses que recebe? Ele não cria contas para seus beneficiários? Tive essa impressão ao analisar os dados fornecidos pelo BC, aqueles que mostram o ativo, patrimonio líquido, basileia, etc. Os ativos do BNDES parecem ser muito maiores do que as capitalizações e outros recursos que ele já recebeu.

    Aproveitando o ensejo, mas um pouco fora do assunto: na sua opinião, essas fintechs, que hoje são intermediárias financeiras, podem vir um dia a operar com reservas fracionárias?
  • Leandro  08/05/2016 20:00
    Mas o ativo tem de ser maior que o passivo, mesmo.

    Se eu empresto $ 1.000 para você, a juros de 15% ao ano, então o meu ativo a receber será de $ 1.150, ao passo que o passivo (a conta corrente que criei em seu nome para lhe emprestar o dinheiro) foi de $ 1.000.

    Sobre as fintechs, não estou a par de como o Banco Central as regula. Sei que algumas delas operam conta-corrente e fazem empréstimos, o que é sempre um prato cheio para a prática de reservas fracionárias. Mas não irei fazer previsões.

    Abraços!
  • FL  09/05/2016 13:11
    Leandro, me perdoe a ignorância, mas pelo que eu entendi:

    Se o governo se financia emitindo títulos do Tesouro, investir em títulos do Tesouro é "ajudar" no aumento da inflação, ao invés de "se proteger" da mesma. É isso?

    Imaginando um cenário onde ninguém comprasse esses títulos, ajudaria a controlar a inflação?
  • Andre Fernandes  30/08/2016 15:35
    Não sei se você ainda vai ver a resposta depois de tanto tempo haha mas segue a minha contribuição. Peço ao Leandro ou a quem souber que me corrija caso esteja pensando errado.

    Entendo que se pessoas comuns (eu, vc ou qq outro aqui) comprarem os títulos do Tesouro, não existe risco de estimular um aumento de inflação. Pq? Pois estamos comprando com dinheiro já existente na economia, portanto não deveria gerar uma pressão nos preços. E caso este dinheiro não volte para a economia, deveria reduzir a oferta monetária e desacelerar a inflação (não sei se é uma situação real). Já não sei se o título for comprado via criação de dígitos eletrônicos por bancos se existirá aceleração da inflação. Alguém pode ajudar?

    Acho que o impacto mais direto é na taxa de juros. Quanto maior a dívida do governo, maior tem que ser a taxa de juros oferecida para atrair investidores. E quanto maior essa taxa, mais interessante fica para os bancos emprestarem dinheiro ao governo ao invés da população. Isso leva a um aumento da taxa de juros para nós, já que o risco de calote do governo é sempre menor por possuir uma impressora de dinheiro.

    Já em um segundo momento eu acho que a sua pergunta faz mais sentido. Certamente o governo irá recomprar esses títulos quando os mesmos vencerem e se isso for feito com dinheiro novo impresso pelo BC, aí eu entendo que teríamos uma pressão na inflação.

    Espero que ajude! Abs
    André
  • Eduardo R., Rio  10/05/2016 02:58
    Esta excelente entrevista com um procurador, provavelmente a melhor sobre o tema em questão, deve ser vista.
  • Vanderson  11/05/2016 22:47
    Boa noite a todos.

    Desculpem-me pela ignorância e se essa pergunta já tenha sido feita e eu não percebi. Gostaria de saber como fica essa questão das pedaladas demonstrada contabilmente, pois o que entendi pela explicação do artigo, é que há na prática um duplo gasto com um mesmo crédito.

    Uma vez gasto um montante em outra área, "pedindo" para que os bancos estatais invistam diretamente com a "promessa" de que posteriormente o governo quitaria o débito, como ficaria isto numa demonstração contábil? Não consigo visualizar como conseguiram ter essa proeza de fazer tal maquiagem, pois para se criar um débito, tem que haver um crédito.

    O governo simplesmente não registra esse gasto fantasma?

    Parabéns pelo site!
  • Leandro  11/05/2016 23:52
    Em uma situação de empréstimo comum, eis o que ocorre:

    Imediatamente após o banco criar o crédito (por exemplo, $1.000), haverá duas entradas em seu balancete: $1.000 no lado dos ativos (crédito concedido) e $1.000 no lado do passivo (dígitos eletrônicos criados na conta-corrente do tomador de empréstimo).

    Porém, assim que o tomador de empréstimo gastar seu dinheiro, o valor criado na conta-corrente (passivo) cai para zero e o total de reservas (ativo) deste banco será subtraído deste mesmo valor.

    Ou seja, haverá agora apenas uma entrada na coluna de ativos escrita "ativos a receber".

    Quando o empréstimo for quitado, o principal ($1.000) volta para as reservas bancárias e o juro cobrado vai para o capital do banco, aumentando seu patrimônio líquido.

    (Obs: na prática, a redução das reservas raramente ocorre, pois ao mesmo tempo em que o banco A expande o crédito e perde reservas para o banco B, o banco B expande o crédito e perde reservas para o banco A.)

    No caso dos bancos estatais nas pedaladas, o processo seguia esse mesmo roteiro, terminando com uma rubrica do tipo "ativos a receber" no lado dos ativos.


    E isso não é chute meu, não. Eis o que diz o jornalista Claudio Humberto (negrito meu):

    "Demonstrações contábeis do Banco do Brasil do primeiro trimestre de 2015 contêm as provas das "pedaladas fiscais" no novo mandato de Dilma.

    O Tesouro, que deveria repassar ao Banco do Brasil os bilhões que bancam o Bolsa Família, reteve o dinheiro. Isso forçou o Banco do Brasil a bancar sozinho o programa social do governo: no 4º balanço de 2014 a dívida era de R$ 10,9 bilhões, e passou para R$ 12,7 bilhões em 31 de março de 2015.

    Apenas com o Banco do Brasil, graças a um único programa, as pedaladas fiscais no ano de 2015 foram de mais de R$ 3 bilhões.

    Consta em uma nota de rodapé da demonstração contábil do Banco do Brasil, nas fls. 87 e 88, a confissão do crime de responsabilidade praticado.

    Segundo o Banco do Brasil, os bilhões que faltavam da demonstração contábil eram referentes às "operações de alongamento de crédito rural".

    O valor devido pelo Tesouro Nacional ao BB por equalização da taxa de juros pelo Plano Safra alcança a cifra de R$ 13,4 bilhões."


    Ou seja, o banco simplesmente criou um "ativo a receber" em seu balancete. E assim foi.
  • Vanderson  12/05/2016 00:42
    Muito obrigado pela explicação, Leandro. Então, o governo ia empurrando com a barriga para maquiar os resultados, fazendo parecer que houve um até um superávit, pois não contabilizou o empréstimo de fato (ilegal) dado pelos bancos estatais. Porém, em relação ao gasto duplo, aqui ainda persiste minha dúvida.

    Na verdade o governo utilizou tal montante para outra área, que por exemplo deveria ser empregado num programa social, e no final com um valor X, ele gastou 2X (sendo um para uma outra área e outro para o banco estatal)? E se é exatamente assim, na contabilidade da União (Tesouro Nacional ou Banco Central), como fica registrado?

    Eu gostaria de explicar que faço essas perguntas pelo fato de eu estar acompanhando o processo de impeachment que está acontecendo e ouço muito as palavras "pedalada fiscal" e "créditos suplementares" e fico sem entender como funciona de fato esses mecanismos. Por isso recorri ao Instituto Mises para obter essas explicações, e mais uma vez agradeço pela resposta, Leandro.

  • Leandro  12/05/2016 01:10
    É bem isso mesmo. Eis um exemplo simples que ajudará a entender.

    1) Suponha que você é o governo e tem $ 100 para gastar.

    2) Destes $ 100, $ 90 você gasta com despesas correntes, e os outros $ 10 você repassa aos bancos estatais.

    3) Aí você percebe que é mais negócio "pedalar". Você chega para a CEF e para o BB e diz: "Olha só, repassem vocês aí os $ 10, que mais tarde a gente acerta".

    4) Ato contínuo, liberado desta obrigação de repassar $ 10 para os bancos estatais, você agora tem $ 100 para gastar com suas despesas correntes, e não mais $ 90.

    5) Observe que o seu gasto total continua em $ 100. Antes, você gastava $90 em despesas correntes, e $ 10 com repasses. Agora você gasta todos os $ 100 exclusivamente em despesas correntes.

    6) Simultaneamente, os bancos estatais criam os $ 10 e os transferem para seus destinatários.

    7) Como consequência, a quantidade de dinheiro na economia aumentou de $ 100 para $ 110, o governo ficou com $ 10 extras para gastar no que quisesse, e os programas sociais e demais empréstimos subsidiados dos bancos estatais seguiram impávidos.

    Fraude total.
  • Vanderson  12/05/2016 01:55
    Meus Deus! Agora consegui ver melhor como funciona. Realmente não há como defender tais operações. A maquiagem por si só já denota má intenção, mas com sua explicação, percebi que "a coisa é feia" mesmo. Muito obrigado Leandro!
  • Gold Currency  02/09/2016 15:42
  • Clovis Maia  03/08/2016 21:11
    artigo tem o mérito de ser bem didático, mas comete um erro factual grave, a saber:

    "Mas tudo isso foi em 2014. Ao final de 2015, ano em que as pedaladas continuaram, tudo piorou: o valor total já estava em incríveis R$ 72,4 bilhões."

    Tal ponto leva o leitor a crer que as pedalas continuaram em 2015, e isso não é verdade pelo próprio link apresentado nesse trecho, que cita: "O total pago pelo governo federal para quitar os passivos com bancos públicos, que foram chamados de "pedaladas fiscais", chegou a R$ 72,4 bilhões neste ano. Desse valor, R$ 55,6 bilhões se referem a dívidas acumuladas até o fim do ano passado. O restante (R$ 16,8 bilhões) são obrigações de 2015."

    Ou seja, R$55,6 foram dívidas de 2014 e - posteriormente - análises por parte do Senado e do próprio MPF isentaram o governo de que os restantes R$16,8 bilhões fossem "pedaladas".

    Qual o ponto? O primeiro governo Dilma cometeu crime. O segundo - que se iniciou em 2015 - não. Isso é relevante para o impeachment, ou deveria ser em um país sério. Note que isso não é uma defesa do governo Dilma, mas do Estado de Direito - mude-se as leis se alguns pensam que certos atos devem ser punidos, mas o que fazemos no momento é jogar fora das regras. Infelizmente, nossas leis não dispuseram da possibilidade de se castigar um governo reeleito pelos atos anteriores.

    Alguns ainda veêm justiça divina no impeachment mesmo assim. Eu creio que a mesma irresponsabilidade a la Brasil que regeu os crimes da Dilma também rege nosso impeachment. É o contrário da estabilidade jurídica e respeito a lei que o Instituto Mises costuma pregar, em última análise.
  • Leandro  03/08/2016 22:00
    Prezado Clovis, lamento, mas você está errado -- ou apenas desatualizado.

    Para começar, o próprio trecho que você citou confirma que as pedaladas continuaram em 2015. Você, numa escolha estranha de palavras, diz que o trecho desmente isso. Não entendi.

    Mas piora.

    Em seguida, ainda mais estranhamente, quem desmente que as pedaladas tenham continuado é você, mas sem fonte nenhuma. E o curioso é que você jura que a sua afirmação sem fontes é em si uma fonte.

    Já eu lhe apresento uma fonte, de 29 de junho de 2016, confirma que as pedaladas continuaram em 2015.

    TCU confirma pedalada em 2015 e implica Levy

    Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que o governo da presidente afastada Dilma Rousseff fez empréstimos ilegais com dois bancos públicos em 2015


    E tem também essa, um pouco mais antiga, de abril de 2016

    www.valor.com.br/politica/4527447/valor-revelou-medidas-de-2015-que-sustentam-pedido-de-impeachment

    Mais cuidado na próxima. Informe-se melhor antes de sair fazendo alardes caluniosos dizendo que o artigo "contém um erro factual grave". Este Instituto é extremamente cuidadoso e criterioso em suas pesquisas e afirmações. Não somos amadores.
  • Clovis Maia  04/08/2016 13:41
    Caro Leonardo,

    Para quem se auto intitula "extremamente cuidadoso e criterioso", faz-se necessário algumas correções de rota:

    1) Repostar aqui minha crítica, que publiquei no Facebook, sem sequer dar um aviso ao autor, não se configura a melhor prática. Aparenta subterfúgio até. Algum outro usuário avisou-me e pediu-me que lhe respondesse aqui. Você acredita estar sendo de fato cuidadoso ao repostar meu texto, acusar-me de ser mal informado, e o fazê-lo de maneira que sequer chegaria ao alvo dessa resposta?


    2) Vamos a sua resposta em si:

    ---
    Leonardo: Para começar, o próprio trecho que você citou confirma que as pedaladas continuaram em 2015. Você, numa escolha estranha de palavras, diz que o trecho desmente isso. Não entendi.
    ---
    O trecho separa a pedalada em passivos de 2014 (logo não pertencem a 2015 - do contrário, fosse outro governante, você ainda o acusaria de ter pedalado por pagar dívidas herdadas do governo anterior?) e um menor montante referente a 2015. O menor montante está, segundo perícias técnicas isentas, descartado como sendo crimes de responsabilidade direta do Presidente. Links abaixo.


    ---
    Leonardo: Em seguida, ainda mais estranhamente, quem desmente que as pedaladas tenham continuado é você, mas sem fonte nenhuma. E o curioso é que você jura que a sua afirmação sem fontes é em si uma fonte.
    ---
    Peço desculpas pela falta de links, mas por julgar que se tratava de interlocutor bem informado - você mesmo afirma não ser um "amador" - fiz o erro de julgar que as informações, de domínio público, seriam conhecidas. Corrijo-o abaixo.


    ----
    Leonardo: Já eu lhe apresento uma fonte, de 29 de junho de 2016, confirma que as pedaladas continuaram em 2015.
    TCU confirma pedalada em 2015 e implica Levy
    ----
    O que em nada nega meu ponto. Note que o TCU *implica Levy* (não Dilma!), enquanto o parecer do Senado é justamente o de que a Presidente não teria responsabilidade direta nesses atos (ao contrário dos de 2013-2014):

    www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/07/05/assistente-pericial-da-defesa-diz-que-decretos-e-pedaladas-nao-foram-acoes-criminosas-e-isenta-Dilma


    Deveria chamar a atenção de pessoas isentas, a qual uma dose de ceticismo sobre órgãos fiscalizadores que mudam suas versões ao sabor do vento é recomendável, também as mudanças de atitude do TCU no próprio processo:

    ultimosegundo.ig.com.br/politica/2016-06-29/ministro-do-tcu-minimiza-pedalada-apos-pericia-isentar-dilma-nao-e-importante.html



    ---
    Leonardo: E tem também essa, um pouco mais antiga, de abril de 2016
    www.valor.com.br/politica/4527447/valor-revelou-medidas-de-2015-que-sustentam-pedido-de-impeachment
    ---
    E depois sou eu o desatualizado?

    O parecer do MPF e do Senado negam diretamente a pedalada no plano Safra (que é citado na reportagem do Valor):

    oglobo.globo.com/brasil/pedalada-de-dilma-no-plano-safra-nao-foi-operacao-de-credito-nem-crime-diz-mpf-19712360

    www.conjur.com.br/2016-jul-15/pedaladas-fiscais-plano-safra-nao-sao-crime-mpf


    ---
    Leonardo: Mais cuidado na próxima. Informe-se melhor antes de sair fazendo alardes caluniosos dizendo que o artigo "contém um erro factual grave". Este Instituto é extremamente cuidadoso e criterioso em suas pesquisas e afirmações. Não somos amadores.
    ---

    Leonardo, se ao invés de preocupar-se com comentários ad hominem sobre minha pessoa - lançados em outra plataforma sem meu conhecimento - você se preocupasse em verificar meus pontos e fazer uma busca mais cuidadosa em seu Google, eu tenderia a considerá-lo nos termos que você se auto afirma. Até agora, infelizmente, seu auto-elogio não me me parece estar auto-demonstrado.

    Todos somos passíveis de erros (factuais, de interpretação, de comunicação, entre outros). Superá-los exige um interesse honesto nos fatos, não nas pessoas. Não dediquei meu tempo a escrever-lhe para um duelo sobre quem está certo ou errado, melhor ou pior informado, mais ou menos capaz, e nem pretendo fazer parte de discussões nesse nível.
  • Leandro  04/08/2016 15:04
    Prezado Clovis, para começar, meu nome não é Leonardo.

    Em segundo lugar, seu comentário surgiu aqui no site e eu o respondi. Se não foi você quem o postou, então alguma outra pessoa o fez. Você imaginar que eu seria desocupado ao ponto de pinçar um comentário desconexo em uma página de Facebook, postá-lo aqui, e ainda me dar ao trabalho de responder às suas trivialidades, isso sim é ofensivo para mim. Não quero quebrar o seu ego, mas você não é tão importante assim nem para mim e nem para o resto do mundo.

    Terceiro, o fato de você não ter gostado de ver a sua postagem aparecer aqui mostra bem que você próprio não se sente seguro com ela. E, pela sua resposta acima, isso é perfeitamente compreensível. Vejamos.

    Pelo que entendi de toda a sua parolagem (e, especialmente, dos links que você enviou, os quais li todos), você agora não nega que ocorreram pedaladas em 2015. Aliás, todos os seus próprios links confirmam que elas ocorreram. Já é um avanço. Antes, você negava que elas tinham ocorrido; agora, não nega mais.

    Você disse:

    "O trecho separa a pedalada em passivos de 2014 [...] e um menor montante referente a 2015. O menor montante está, segundo perícias técnicas isentas, descartado como sendo crimes de responsabilidade direta do Presidente. [...] Note que o TCU *implica Levy* (não Dilma!), enquanto o parecer do Senado é justamente o de que a Presidente não teria responsabilidade direta nesses atos (ao contrário dos de 2013-2014)."

    Ou seja, primeiro você havia dito que não ocorreram pedaladas em 2015. Agora, confirma que ocorreram, mas apenas nega que Dilma seja a responsável. Para você, o responsável pelas pedaladas de 2015 foi Joaquim Levy.

    Por mim, ok. Que ele também seja punido.

    Agora, a pergunta inevitável é: quem nomeou Joaquim Levy? Quem é/era o responsável direto por ele? Quem era seu superior imediato? Quem, em suma, tem a responsabilidade por ele ter estado no governo?

    Se você quer apenas apontar dedos (isentando Dilma e culpando Levy), fique à vontade. Para mim, que estou mais interessado na análise puramente econômica (as pedaladas serem ou não crime constitucional é de interesse secundário para mim, como deixa claro todo o artigo), a questão segue intacta: as pedaladas continuaram ocorrendo em 2015. O responsável por elas? O governo. As consequências econômicas? Listadas no artigo.

    Agora, esteja livre para apontar o dedo e culpar o agente do governo que mais lhe aprouver. Apenas não negue um fato: não diga que algo que ocorreu não ocorreu.
  • Clovis Maia  05/08/2016 07:05
    Leandro,

    Desconheço quem postou meu texto, e peço desculpas por acusa-lo de fazê-lo.

    Interpretação de texto, as vezes, exige boa vontade, para não se enxergar coisas que não estão escritas. Quando afirmei que não houve pedaladas em 2015, simplesmente quis dizer que não houve pedaladas por parte da Presidente - oras, ela é que era a fonte da postagem inicial e que sofre o impeachment.

    Há - e lhe faria bem ler o parecer técnico do Senado para entender esse ponto - uma cadeia enorme de ações que não estão sob supervisão direta da Presidência, e são tomadas sem conhecimento direto dela. O parecer do Senado alega que, o que tem sido chamadas de pedaladas de 2015, foge completamente ao controle possível da Presidência, que é um dos motivos que a isenta. Note que não fora o caso nos anos anteriores, em que as ações do Arno Augustin contaram com conivência explícita da Presidência.

    Não é porque um Jornal (o Valor) acusa um governo de "pedalar" que necessariamente isso é verdade. Há que se ler além das manchetes e entender as entrelinhas: a linguagem usada pelos que insistem que a Presidente haveria pedalado em 2015 é, após os pareceres de Junho e Julho, ou desinformada ou propositadamente enganosa. Somente agora percebi que seu texto é de 31 de Março, no que fui levado ao engano: em meu Facebook, apareceu como uma postagem de ontem - se essa troca de plataformas não tivesse me levado a esse erro, eu teria usado outra linguagem em minha primeira missiva, pois você não cometera um erro factual naquele momento (embora, na forma presente, o artigo esteja errado nesse ponto).

    ---
    Agora, esteja livre para apontar o dedo e culpar o agente do governo que mais lhe aprouver. Apenas não negue um fato: não diga que algo que ocorreu não ocorreu.
    ---
    Continuo sustentando minha argumentação inicial: não há "pedaladas" em 2015 que justifiquem o Impeachment. E isso não deveria ser levado como um detalhe inócuo, ele é fundamental.

    A injustiça é maior ainda quando percebe-se que os indícios necessários para aferir-se práticas ilegais na eleição de 2014 estão todos aí, e são bem mais fortes do que o argumento das pedaladas de 2015. O TSE, ao invés de julgar o caso, tem seu Presidente (Gilmar Mender) em encontros a portas fechadas com o Presidente Interino da chapa que deveria estar julgando.

    Essas distorções da Justiça - atropelando o escrito para condenar na forma que interessa, e ignorando o escrito para não condenar na que não interessa a determinadas facções no poder - que nos tornam servos, não cidadãos desse país.
  • Paulo  30/08/2016 14:30
    Leandro Roque com sua habitual clareza
    (e quase exaustão de cada temas. Gosto muito dessa estrutura de
    tópicos).
  • Leandro  30/08/2016 15:14
    Paulo, realmente, esta sempre foi a intenção: tentar esgotar ao máximo cada tópico.

    Isso deixa os artigos mais longos, mas ao menos não deixa muito espaço para dubiedades e lacunas.

    Muito obrigado pelas palavras. Abraço!
  • Renan Merlin  30/08/2016 15:29
    Leandro e moderadores gostaria de sugerir um artigo mostrando como era a econômia no periodo do imperio onde foi o periodo mais li