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Rapidinhas filosóficas

É um erro comum atribuir valor supremo à democracia quando, na verdade, ela basicamente nada mais é do que um método prático para eleger governos. A liberdade individual e a dignidade humana são valores; a democracia é um mecanismo.

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Não é que em tempos da loucura geral a voz da razão permanece em silêncio — ela simplesmente não é ouvida.

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O grande erro da modernidade é a crença de que se pode abandonar a virtude em favor da legislação.

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Todo o progresso neste mundo foi alcançado a grandes custos. No entanto, ainda há muitas pessoas que querem riqueza, liberdade e segurança gratuitamente, como se fossem direitos humanos. Ao não reconhecermos como essas conquistas foram obtidas, bem como o que é necessário para mantê-las, será apenas uma questão de tempo para que o progresso acabe.

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A paciência dos brasileiros é tão grande que às vezes parece beirar a masoquismo.

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Quando uma empresa está à beira da falência, os gerentes quase sempre reconhecem que não foi por falta do dinheiro, mas sim por falta de novas ideias. O Brasil está hoje nessa situação, como todos reconhecem — com a exceção do próprio governo.

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Nossos sistemas políticos foram concebidos em uma época em que o líder de uma nação tinha um poder extremamente limitado. Hoje, ao contrário dos séculos passados, nenhum homem em sã consciência iria, voluntariamente, conceder tamanhos poderes para os governantes, pois está ciente das ferramentas que estão à disposição deles para manipular e destruir.

Em nosso tempo, mesmo Hobbes seria um libertário.

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Os libertários devem saber lidar com o fato de que sua filosofia vai diretamente contra a resistência emocional das pessoas.  Embora o libertarianismo tenha toda a racionalidade ao seu lado, a psicologia humana atua contra o credo libertário.

E é assim porque nossa educação, desde a infância até o início da vida adulta, é, tanto dentro da família quanto dentro da escola, norteada por um ideal socialista. 

Quando bebês, somos recebedores em tempo integral do assistencialismo.  Quando crianças, somos ensinados a dividir, a controlar nosso egoísmo, e a demonstrar amor e afeição por nossos superiores.  Depois, aprendemos o que dizer e o que fazer.  Na escola, somos ensinados a respeitar autoridades públicas e políticas, e a seguir regras como um grupo e não mais como um indivíduo, como ocorria dentro da família.

Toda essa socialização propicia o surgimento de uma mentalidade socialista.

Abandonar este credo não é algo que ocorre automaticamente.  É necessário um profundo e trabalhoso esforço intelectual.  A pergunta é: quantas pessoas são capazes de uma observação racional?  A maioria dos problemas políticos resulta do fato de que a maioria das pessoas transporta os valores de sua infância e adolescência para a vida adulta, com a consequência de que elas permanecem infantis em sua mentalidade e coletivistas em suas atitudes.


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autor

Antony Mueller
é doutor pela Universidade de Erlangen-Nuremberg, Alemanha (FAU) e, desde 2008, professor de economia na Universidade Federal de Sergipe (UFS), onde ele atua também no Centro de Economia Aplicada. Antony Mueller é fundador do The Continental Economics Institute (CEI) e mantém em português os blogs Economia Nova e Sociologia econômica




  • Cleiton  18/01/2016 19:36
    "Quando crianças, somos ensinados a dividir, a controlar nosso egoísmo, e a demonstrar amor e afeição por nossos superiores."

    Isso nada tem a ver com socialismo. Socialistas é que são bem sucedidos em se apropriar desses sentimentos para espalhar sua nefasta ideologia.
  • Vagner  19/01/2016 13:42
    Controlar nosso egoísmo, dividir e demonstrar amor e afeição por nossos superiores é algo bom?
  • anônimo  19/01/2016 14:24
    Cuidado: não confunda individualismo com egoísmo.
  • Nuno Afonso  18/01/2016 20:24
    Concordo com tudo. Acho que em português nunca li um texto tão pequeno que pudesse sumarizar os meus pensamentos e ideias. É tudo verdade.
  • Rafael  19/01/2016 19:05
    "E é assim porque nossa educação, desde a infância até o início da vida adulta, é, tanto dentro da família quanto dentro da escola, norteada por um ideal socialista.

    Quando bebês, somos recebedores em tempo integral do assistencialismo. Quando crianças, somos ensinados a dividir, a controlar nosso egoísmo, e a demonstrar amor e afeição por nossos superiores. Depois, aprendemos o que dizer e o que fazer. Na escola, somos ensinados a respeitar autoridades públicas e políticas, e a seguir regras como um grupo e não mais como um indivíduo, como ocorria dentro da família.

    Toda essa socialização propicia o surgimento de uma mentalidade socialista."


    E tudo seguirá o mesmo até que as pessoas sejam ensinadas desde criança a negociar e argumentar, ao invés de seguir cegamente autoridade.



  • João Henrique  22/01/2016 23:35
    Parabéns professor,estudo engenharia elétrica lá na UFS,que pena que não peguei Fundamentos de economia com o Doutor kkkk


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