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Por que o “efeito multiplicador” é uma brutal falácia keynesiana
A teoria é completamente sem sentido

Um seguidor fervoroso da teoria do "efeito multiplicador"

Uma das coisas mais importantes ao estudar economia é saber distinguir ação de reação, causa de efeito — ou, tecnicamente falando, variável dependente de variável independente.

O cachorro ficou molhado porque saiu da casinha e pegou chuva ou está chovendo porque o cachorro saiu da casinha molhado?  Por incrível que pareça, a depender dos métodos econométricos — com os quais os economistas atuais têm praticamente uma tara —, muitas vezes essa pergunta não pode ser respondida.

No entanto, no que diz respeito à teoria keynesiana, ela também comete esse erro grotesco, confundindo ação com reação. O que vem primeiro: o consumo ou a produção?  Como todos nós sabemos, para algo ser consumido, ele primeiramente tem de ser produzido.  Não há como inverter essa relação.

No entanto, no mundo keynesiano, o consumo pode perfeitamente vir antes da produção.

A equação de Keynes

Em termos econômicos algébricos, Keynes definiu a equação da renda (na verdade, há algumas críticas até mesmo em relação à composição da equação a seguir; no entanto, por uma questão pragmática, vamos considerá-la completamente correta):

Y = C + I + G + NX             (1)

No lado esquerdo da equação acima temos Y, que é a renda, isto é, tudo o que é produzido em uma economia em determinado período de tempo — ou seja, é a oferta de bens e serviços.

No lado direito da equação temos quatro elementos: C é consumo, I é investimento, G é gasto do governo e NX são exportações líquidas (exportações menos importações) — ou seja, é a demanda de bens e serviços.

Isso significa, basicamente, que a produção interna de um país pode ser subdivida em quatro destinos: ou ela é consumida pelas famílias, ou é investida pelas firmas (ou pelo governo), ou é consumida pelo governo, ou é exportada.

De maneira simplista, mas ao menos razoavelmente correta, Keynes manipula a equação acima e descobre novos elementos.

Primeiramente, ele encontra a renda disponível ao consumidor (Yd), que é a renda nacional (Y) menos os tributos (T):

Yd = Y – T                        (2)

Em seguida, ele expande um elemento da equação, o consumo, encontrando dois determinantes dele:

C = ca + c.Yd                   (3)

C = ca + c.Y – c.T            (3.1)

O consumo privado (C) é igual a um "consumo autônomo" (ca) — ou seja, um determinado consumo que independe da renda — mais um percentual da renda disponível (c.Yd).

Ou seja, do total de renda disponível às famílias, uma porcentagem (c) dela os indivíduos gastarão (e outra eles pouparão).  Essa porcentagem foi chamada de "propensão a consumir".

Voltando à equação (1) e expandindo-a utilizando a equação anterior, então, temos o seguinte caso:

Y = ca + c.Y – c.T + I + G + NX                 (4)

Manipulando a equação anterior a fim de isolar o Y, então, chega-se à seguinte equação:

Y =     1     . (ca – c.T + I + G + NX)               (5)

        1 – c

A primeira parte do lado direito da equação acima [ 1/(1 – c) ] é conhecida como "multiplicador da renda", em que 1 – c é a propensão a poupar. A segunda parte [ca – cT + I + G + NX] é conhecida como "gastos autônomos".

Até aqui tudo está relativamente correto (em termos puramente matemáticos).  Pelo menos, ao se escolher alguns elementos internos que utilizarão a renda nacional, e ao manipular a álgebra, está tecnicamente correto.

É após isso, no entanto, que Keynes dá um golpe e promove uma verdadeira lambança na interpretação: na prática, ele iguala as necessidades da economia com o produto — isto é, trata variável dependente como se fosse variável independente.

O que normalmente seria uma causa (a produção gera um aumento da renda e do consumo), ele considera como efeito (o aumento do consumo gera aumento da renda e produção). E isso é fatal no modelo dele.

[N. do E.: o governo brasileiro, ao adotar medidas artificiais de estímulo ao consumo ao mesmo tempo em que não incentivou nem a produção (ao não desburocratizar, ao não reduzir a carga tributária e ao não desregulamentar) e nem a oferta (elevando brutalmente as tarifas de importação), cometeu o clássico erro keynesiano de acreditar que mais consumo geraria mais produção.  O resultado estamos sentindo hoje].

A partir daí, mesmo que todo o raciocínio de Keynes (e de seus adeptos que criaram modelos baseados nessa equação) possa estar tecnicamente correto, o pilar central da idéia dele, que é falacioso, invalida todo e qualquer modelo posterior.

Façamos um exemplo do que Keynes quis dizer:

Em um determinado país, a propensão marginal a consumir, em média, é de 0,8. Ou seja, de cada $100 de renda disponível ao consumidor, $80 é consumida e $20 é poupada. Caso o governo — que faz parte dos gastos autônomos — resolva gastar $1 milhão a mais do que o normal, então isso irá gerar uma renda de $5 milhões a mais para toda a economia!

Veja:

Y =       1        .  1.000.000

         1 – 0,8

Y = 5 (1.000.000)

Y = 5.000.000

Assim, tem-se uma conclusão absurda: dado que o efeito multiplicador é sempre positivo e maior que 1 — devido ao fato de que a propensão a poupar é sempre menor que 1 —, se os gastos agregados autônomos forem aumentados, a renda total da economia será sempre (muito) maior do que esse aumento absoluto nos gastos autônomos.

E quanto maior for a propensão a consumir das pessoas, maior será o impacto do aumento dos gastos autônomos sobre o produto — em outras palavras, Keynes, está cometendo um erro duplo brutal. É como se ele dissesse, hilariamente: "se saírem dois cachorros molhados da casinha, o volume de chuva será mais do que o dobro do que se sair apenas um cachorro".

Obviamente, não existe isso de, se o governo aumentar seus gastos, haverá um aumento maior na renda.  Afinal, de onde é que vieram os bens que o governo gastou, senão de alguma produção anterior? O raciocínio é tautológico: para o governo gastar, ele tem antes de confiscar de alguém (seja via impostos, seja via endividamento).  Se ele confiscou de alguém, esse alguém está agora impossibilidade de consumir ou de investir.

Como explicado neste artigo, G não cria nada.  G confisca.  G não pode gastar nada que não tenha antes extraído à força dos consumidores ou investidores. C, I e NX são baseados na produção.  Eles representam forças criativas.  G é baseada no confisco.  Não é uma força criativa.  Tudo o que é gasto por G é feito à custa de C, I e NX.  Quando G gasta, ele o faz à custa de todos os outros.

Portanto, e ao contrário do que Keynes afirmou, a verdade é que: apenas se houver um aumento na produção, poderá haver um aumento no consumo privado, nos gastos do governo, nos investimentos e nas exportações.

Por exemplo: em uma economia hipotética, 500 unidades de bens são produzidas em um dado período de tempo. Dessas 500 unidades, 250 unidades (ou seja, 50%) são destinadas ao consumo do setor privado, 100 unidades (ou seja, 20%) são destinadas ao investimento, 100 unidades (20%) são destinadas ao setor público e 50 unidades (10%) são destinadas à exportação.

Se, devido a um crescimento econômico ocorrido em um dado período, a produção aumentar em 10%, então o Y será agora no valor 550 unidades. Assim, caso a economia mantenha a mesma proporção do destino do produto de antes (50% para C; 20% para G; 20% para I e 10% NX), o resultado agora será: 275 unidades destinadas ao consumo do setor privado, 110 são destinadas ao investimento, 110 destinadas ao consumo do setor público e 55 destinadas à exportação.

"Mas, existe ou não existe o efeito multiplicador?", alguém pode perguntar. A resposta é: podemos dizer que sim, mas "funciona" exatamente ao contrário do que Keynes quis dizer e pouco agrega à ciência econômica.

Uma definição mais correta do efeito multiplicador seria: havendo um aumento da produção, o aumento nos gastos agregados autônomos será menor do que esse aumento da produção.  E será assim justamente porque a propensão a consumir não pode ser maior do que a renda.  

E quanto maior for a propensão a poupar — ou seja, quanto menor for a propensão a consumir —, maiores serão os gastos autônomos. Em outras palavras, quanto mais poupadoras forem as pessoas, menor será o consumo que depende da renda — por definição — e maior será a proporção da renda nacional destinada aos investimentos, ao setor público, às exportações e ao consumo autônomo.

Veja o exemplo anterior agora tratado corretamente:

5.000.000   =       1         .  Gastos autônomos

                       1 – 0,8

Gastos autônomos = 1.000.000

Ou seja, com uma propensão a poupar de 20%, um aumento de $5 milhões no produto tem capacidade de aumentar os gastos autônomos no valor de $ 1 milhão.

Agora, suponhamos que haja uma alteração no comportamento da população e esta se torne bem mais poupadora, com sua propensão a consumir caindo pela metade de antes:

5.000.000   =       1         .  Gastos autônomos

                       1 – 0,4

Gastos autônomos = 3.000.000

Ou seja, com uma propensão a poupar de 60%, um aumento de $5 milhões no produto tem capacidade de aumentar os gastos autônomos no valor de $ 3 milhões. Colocada nesses termos, com certeza a teoria de Keynes mereceria alguma aceitação.

Mas por que um aumento de $5 milhões na produção faz os gastos autônomos aumentarem apenas $3 milhões? Onde estão os outros $2 milhões que também foram produzidos?  

Como dito acima, por causa da inclusão da "propensão a consumir "na equação, os gastos autônomos não representam o total do que foi consumido. Ou seja, um aumento da oferta de bens em $5 milhões faz com que, retirando um determinado componente da equação da demanda de bens, ainda sobrem $3 milhões para serem investidos, gastos pelo governo, exportados, consumidos no 'consumo autônomo' e subtraído dos impostos.

Para entender melhor, considere como exemplo uma equação bem simplificada da renda (Y), onde esta é igual ao consumo (C) mais o investimento (I):

Y = C + I

Considerando que a propensão a consumir nesse caso é a mesma do primeiro exemplo, isto é, igual a 0,8, e que não há consumo autônomo, segue-se:

Y = 0,8Y + I

0,2Y = I

Y = 5I

O efeito multiplicador (ou efeito divisor, que é mais coerente), nesse caso, é igual a cinco. Caso haja uma elevação de 100 unidades da produção, então observar-se-á uma elevação de 20 unidades de investimento.

100 = 5I

100 / 5 = I

I = 20

Se I é igual a 20, então é porque o outro elemento — isto é, o consumo — é igual a 80:

Y = C + I

100 = C + 20

C = 80

Assim, conclui-se que, por definição, quanto maior for a propensão a consumir — seja no que for —, menores serão os recursos direcionados aos investimentos, e vice-versa.

Mesmo quando correta, é inútil

Além de tudo isso, mesmo a equação keynesiana tradicional sendo visualizada e interpretada nos termos corretos, ela ainda é de pouca serventia a uma análise mais apurada a respeito da variação do produto.

Por exemplo, se considerarmos a realidade mais crua a respeito do destino da renda — aquilo que as pessoas produzem e não consomem, elas colocam no sistema financeiro para auferir algum juro e, na prática, isso acaba se tornando fundos para investimentos futuros que aumentarão o produto —, então mesmo a equação keynesiana "corrigida" — ou interpretada corretamente —, além de simplista, ainda continua sendo pouco útil.

Seria necessário acrescentar elementos que mostrem o mecanismo daquilo que faz a renda crescer, ou seja, dos investimentos, como fazem a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos ou a teoria neoclássica de crescimento econômico de Robert Solow.

Na verdade, essa equação keynesiana interpretada ao revés do que seria o correto já foi refutada há mais de cinquenta anos por Murray Rothbard (aqui, na página 866), um dos expoentes da Escola Austríaca de Economia.  Infelizmente, talvez em decorrência do não conhecimento de sua refutação, esse legado falacioso de Keynes ainda segue firme e forte nos manuais de Macroeconomia, sendo ensinado nos cursos de graduação e pós-graduação de Economia.

Então, até quando aqueles que estão no comando das academias de Economia vão seguir acreditando que a existência da chuva se deve ao fato de o cachorro sair molhado de sua casinha e seguirão ensinando isso aos alunos, perpetuando a insensatez econômica, e dando supostos motivos intelectuais para governos se tornarem cada vez mais intrusos na economia e, consequentemente, na vida particular das pessoas?

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Leia também os seguintes artigos sobre o "efeito multiplicador":

Falácias keynesianas - parte II

Estímulos governamentais empobrecem a economia

Consumidores não criam empregos


3 votos

autor

Yonatan Mozzini
é economista pela Unioeste – Francisco Beltrão. É adepto dos ideais do liberalismo econômico/libertarianismo e, especialmente, da Escola Austríaca de Economia.


  • Werber Vieira  14/09/2015 14:41
    Eis um exemplo de falácia quase igual a keynesiana:

    Quando chove a grama fica molhada;

    A grama está molhada;

    Então choveu!
  • Chapeleiro Louco  14/09/2015 16:42
    Acho que seria mais apropriado dizer que a falácia de Keynes consiste em dizer que a grana precisa ficar molhada para chover.
  • Wiler Passos   14/09/2015 14:48
    Ou seja, Keynes passou a perna em Say...
  • Leandro  14/09/2015 14:54
    Exato. A Lei de Say, que é amplamente distorcida, diz que

    1) a produção tem necessariamente de anteceder o consumo;

    2) a produção cria uma demanda por outros produtos (de um lado, o produtor demanda outros bens, como matérias-primas, para fazer a sua produção; de outro, com a renda oriunda de sua produção, o produtor pode agora demandar bens de consumo).

    Daí Say ter dito que a oferta (produção) cria a própria demanda.

    Por exemplo, um agricultor pode cultivar milho para a sua própria família ou para alimentar seu rebanho, mas ele irá vender a maior parte do seu milho no mercado em troca de dinheiro. E ele utilizará esse dinheiro para satisfazer todas as suas necessidades e desejos. Sua plantação de milho, portanto, representou sua demanda por outros bens e serviços, e o dinheiro foi simplesmente o meio de troca que ele utilizou para satisfazer sua demanda.

    Keynes tentou refutar a Lei de Say alegando que a demanda, por si só -- criada artificialmente por meio da impressão de dinheiro pelo Banco Central --, iria estimular a produção. Ele tentou, de maneira ilógica e sem êxito, colocar o consumo antes da produção (exatamente como fez o governo brasileiro ao adotar a Nova Matriz Econômica). Isso gera apenas inflação de preços e endividamento.

    Até hoje, Keynes é extremamente popular entre políticos adeptos da gastança, aos quais ele concedeu a teoria intelectual e o imperativo moral de gastar o dinheiro que não têm.
  • mauricio barbosa  14/09/2015 15:46
    É Leandro Roque!Os políticos(de esquerda ou de direita)aproveitaram bem os delírios de lorde Keynes e fazem a gastança ao se respaldarem nessa teoria furada que só tem méritos enquanto as empresas estiverem com capacidade ociosa pois quando tal limite é alcançado ai vira pontos de estrangulamentos que geram pressões inflacionárias(Aumentos generalizados de preços devido a solidariedade dos preços e da oferta de dinheiro do banco central em conluio com tesouro nacional e sistema bancário oligopolista)que por sua vez geram os ciclos econômicos.Enfim esse quadro de crise e circo de horrores atual alguns gostam de falar em golpe da esquerda mas não é o caso é sim incompetência mesmo pois a esquerda só sabe gastar, eles não sabem produzir nada só sabem discursar,são eloquentes,sedutores,persuasivos e adoram culto a personalidade sei disso por que já fui simpatizante desta teoria furada e mesmo sendo um reles peão eu me imaginava no poder, arrumando a casa e fazendo justiça social ,me ahava o cara e se os outros não conseguiram eu conseguiria pois esse é o delírio de todos os esquerdistas eles se acham semi-deuses,se acham o supra-sumo da moral,da justiça e na realidade não passam de uns ridículos,bufões e outros adjetivos mais e são um bando de ditadores nojentos ...
  • Ronaldo  14/09/2015 15:50
    Bem, uma ideia de gastar sustentada por "padrões acadêmicos com ISO 9001 de certificação", aí que os políticos caem em cima mesmo, ou usam isso como lastro pra defender seus interesses XD. Tá difícil viu, muito difícil...
  • Luiz  15/09/2015 14:28
    Say também escreveu que não é o dinheiro em abundância mas os produtos em abundância que em geral facilitarão as vendas:

    "O dinheiro tem sua função mas é uma momentânea nesse mercado de troca; e quando a transação for finalmente fechada, e sempre será, aquela determinada mercadoria criará mercado para outra"
  • Anderson  14/09/2015 15:08
    E quanto maior for a propensão a consumir das pessoas, maior será o impacto do aumento dos gastos autônomos sobre o produto — em outras palavras, Keynes, está cometendo um erro duplo brutal. É como se ele dissesse, hilariamente: "se saírem dois cachorros molhados da casinha, o volume de chuva será mais do que o dobro do que se sair apenas um cachorro".

    Obviamente, não existe isso de, se o governo aumentar seus gastos, haverá um aumento maior na renda. Afinal, de onde é que vieram os bens que o governo gastou, senão de alguma produção anterior? O raciocínio é tautológico: para o governo gastar, ele tem antes de confiscar de alguém (seja via impostos, seja via endividamento). Se ele confiscou de alguém, esse alguém está agora impossibilidade de consumir ou de investir.

    Como explicado neste artigo, G não cria nada. G confisca. G não pode gastar nada que não tenha antes extraído à força dos consumidores ou investidores. C, I e NX são baseados na produção. Eles representam forças criativas. G é baseada no confisco. Não é uma força criativa. Tudo o que é gasto por G é feito à custa de C, I e NX. Quando G gasta, ele o faz à custa de todos os outros.



    É impressionante como uma coisa simples não é levada a sério por um "cientista". E, mais adiante, é mais impressionante ainda como ditos "intelectuais/economistas" não atentam para esse algo tão simples.

    Deus do céu, às vezes parece que o mundo é quadrado...
  • Jarzembowski  14/09/2015 16:03
    Eu duvido que não atentem pra isso.
    O que acontece é que não deve haver nada mais promissor e rentável do ponto de vista acadêmico do que defender as mentiras e distorções que são o fundamento teórico do estado inchado e intervencionista. É muito mais vantajoso dizer o que os burocratas querem ouvir do que dizer a verdade.
  • Anderson  14/09/2015 19:21
    Sim, eles têm interesses escusos, secundários (esperando um cargo na política ou tentando justificar o emprego numa instituição estatal de ensino). Mas, por incrível que pareça, existem vários professores que acreditam piamente no que ensinam, e são pessoas "honestas" para com o trabalho (gente que busca a verdade, mas que acaba esbarrando de primeira nas teorias keynesianistas, socialistas e etc., e seguindo-as sem contestação), só que o trabalho delas, ou melhor, o conteúdo/método do trabalho delas está errado.

    O que me espanta é como pessoas vivem uma vida inteira de ilusão, consomem desvairadamente palavras e textos desligados da realidade sem questionar uma vírgula.
  • David  15/09/2015 12:35
    E quando você vê que faculdades saoapenas escolinhas de terceiro grau, no país, a falta de crítica parece ter sido pensada e estimulada por um ser maquiavélico e diabólico para manter o Brasil eternamente parasitário. Existe uma força maligna desgraçando o país e fazendo tudo parecer um azar fruto apenas de má sorte do caos.
  • Fausto  09/12/2015 13:07
    Na primeira vez em que vi essa equação com a interpretação keynesiana, achei o raciocínio todo muito estranho, mas admito que por não ser economista (sou engenheiro), eu "aceitei" e supus que alguém devia ter tido tempo de pensar melhor nisso hahaha... as críticas do artigo me parecem acertadas.
  • Henrique  14/09/2015 15:42
    Já saquei: para priorizar a oferta devemos reduzir impostos sobre os mais ricos e desregulamentar suas atividades?


    Abraços.
  • Leandro  14/09/2015 16:15
    Quase. Reduzir impostos sobre a renda dos ricos não apenas pode aumentar a demanda deles, como também permitirá que parte de sua poupança seja direcionada para financiar investimentos (desta maneira, aumentando a oferta).

    Mas o certo mesmo seria reduzir o IRPJ, a CSLL e os encargos sociais e trabalhistas, além, obviamente, de desburocratizar e facilitar toda e qualquer atividade empreendedora.
  • Thiago Teixeira  15/09/2015 01:19
    O dinheiro do empreendedor em vez de ser confiscado pelo governo ficaria disponível para investimento, que geraria atividade economica e empregos atrelados às reais demandas do consumidor.

    Leandro, até o entesouramento de dinheiro pode ter um valor benéfico, ao diminuir o dinheiro circulante e pressionar por deflação da moeda, não?
  • Leandro  15/09/2015 01:30
    Exato. Se as pessoas entesourarem, eles estão voluntariamente demonstrando que querem uma queda de preços. O governo intervir para evitar essa queda de preços configura uma atitude de total desrespeito à preferência voluntariamente demonstrada pelos cidadãos.
  • Marconi  15/09/2015 18:35
    O que me incomoda nos austríacos é essa coisa de que a inflação é o demônio (concordo), mas que a deflação é benéfica(???).

    Quer dizer, uma hora o austríaco está preocupado que os geradores de riqueza estão sofrendo(inflação) pra sustentar vagabundos, mas de outro lado, tudo bem pra eles se uma pessoa está tendo aumento do poder de compra a custas da inovação dos outros.
  • Leandro  15/09/2015 20:32
    "tudo bem pra eles se uma pessoa está tendo aumento do poder de compra a custas da inovação dos outros"

    Não entendi.

    Todos os avanços do setor tecnológico ocorreram em meio a uma forte deflação de preços, e não me consta que as empresas deste setor tenham sido "tolhidas em suas inovações". Ao contrário: os ganhos delas só fizeram crescer.
  • Marconi  16/09/2015 00:50
    Não estou dizendo que as empresas são tolhidas da inovação, mas que os ganhos decorrentes não deveriam ir para a moeda e sim para os responsáveis pela criação de riqeuza, isto é, empregados e empregadores.

    Ficar ganhando poder de compra só por entesourar dinheiro não me parece uma coisa justa.




  • Perillo  16/09/2015 01:40
    A sua concepção sobre o que é justo e o que não é não interessa ao mundo. Lamento a sinceridade.

    O fato é que quem guarda dinheiro não está coagindo ninguém, não está atacando ninguém, não está agredindo ninguém. Sendo assim, tal ato é, do ponto de vista ético e moral, perfeitamente correto.

    Logo, não há por que atacá-lo.
  • anônimo  16/09/2015 11:15
    " entesourar dinheiro não me parece uma coisa justa."

    Mas quando eu entesouro eu deixo mais produtos para outras pessoas consumirem, isso não parece algo bom?
  • Gustavio  09/10/2015 00:17
    Marconi, mas numa deflação de preços decorrente do aumento de produtividade advindo da inovação tecnológica os ganhos vão, sim, para os inovadores/empreendedores, assim como para os consumidores.

    Imagine o petróleo. Digamos que o preço internacional do barril de petróleo esteja em 70 dólares. Para efeitos de simplificação, digamos que todos os produtores de petróleo tenham os mesmos custos para explorá-lo e comercializá-lo, e digamos que estes custos praticamente empatam os 70 dólares.

    Surge um empreendedor e uma grande inovação: ele desenvolve um método onde consegue extrair hidrocarbonetos iguais aos proveniente do petróleo, mas de uma planta, e de maneira extremamente barata. Consegue produzir o equivalente a um barril de petróleo por apenas 35 dólares. Metade do preço.

    O que acontece em seguida?

    Ele seguirá os preços internacionais e venderá seu produto a 70 dólares o barril, lucrando 100% em cima dos custos. Devido a imensa margem de lucro, aumentará imensamente e velozmente a produção, derrubando o preço internacional do petróleo, mas sem tomar prejuízo, terá uma margem de lucro menor mas um lucro total maior. Digamos que ele leve essa expansão na produção ao ponto que o preço internacional atinga 35 dólares, que é até onde ele pode chegar. Quem vai quebrar a cara é quem extrai petróleo de maneira convencional, com custo de 70 dólares, e terá de encerrar operações ou comprar tecnologia de nosso empreendedor-inovador. Por outro lado, os consumidores fazem a festa e, com a mesma quantidade de dinheiro (produção, riqueza) que trocavam por um barril de petróleo, agora conseguem dois barris. Houve empreendedorismo, inovação, lucro [geração de valor/riqueza], aumento de produtividade e de produção, aumento do poder de compra e aumento do consumo.
  • Alexandre  03/12/2016 15:02
    Os poupadores também podem ser vítimas do mercado. Quando houver muito dinheiro entesourado, sua abundância faz com que as taxas de juros caiam. Então as pessoas são levadas a gastar, o que faz com que a deflação sofra um limitador natural.
  • Borges  03/12/2016 16:40
    Não vi poupadores sendo vitimados neste arranjo. Entesouramento gera deflação de preços (ótimo para poupadores). E queda de juros, por si só, não faz ninguém gastar mais. Vide Europa e Japão, com juros negativos e consumo inalterado.
  • Anderson  16/09/2015 02:30
    Também não entendo esse medo quase que apocalíptico em relação ao "entesouramento". Até parece que todo mundo entesoura ao mesmo tempo. E, mesmo que quase todas as pessoas entesourassem, o efeito não seria catastrófico, apenas haveria "um retardo do consumo", mas esse consumo ocorreria num momento posterior, ninguém entesoura dinheiro jogando-o fora, o dinheiro vai ficar guardado para se juntar a outro dinheiro e ser aplicado (investido) em algo (que vai fazer jus aos planos do indivíduo).


    Na cabeça dos deuses da gastança é preciso que eu gaste meus rendimentos todo mês, não "deixe dinheiro parado". Mas não entendem que se eu quiser juntar certa quantia por mês para que, por exemplo, após 2 anos eu venha a pegar o montante e comprar o que eu desejava, ou tocar um negócio; o dinheiro não deixaria de existir, que ele apenas ficou "inerte" por certo período de tempo (isso num caso pragmático ao extremo, em que meu dinheiro não está guardado em bancos e nem é corroído pela inflação, porque na verdade, dinheiro, ao ficar em bancos, não fica parado).
  • Macaroni  16/09/2015 11:37
    Embora os colegas já indicaram corretamente que não há problemas com o entesouramento, a fim de orientação de leitura, segue o artigo do Rothbard a respeito: O avarento que acumula e guarda dinheiro em sua gaveta pode prejudicar uma economia?
  • anônimo  14/09/2015 15:49
    Posso está errado, mas até onde eu aprendi Keynes não saia defendendo aumentos de gastos em qualquer circunstância, mas apenas em situações de recessões, ou fora do pleno emprego.

    Como para ele uma crise era algo exógeno, então ao invés do governo esperar anos para o mercado se ajustar, ele deveria intervir para aquecer o mercado, já que no longo prazo "todo estaremos mortos".

    acho que o erro de Keynes não era seu multiplicador, mas não ter entendido o funcionamento correto do mercado.
  • Leandro  14/09/2015 16:14
    "Keynes não saia defendendo aumentos de gastos em qualquer circunstância, mas apenas em situações de recessões, ou fora do pleno emprego."

    Isso é imaterial. A teoria se mantém. Algo que não funciona nem na pujança, muito menos irá funcionar na penúria. (Obs: o artigo em momento algum entra no mérito de quando Keynes defendia aumento de gastos, pois isso, como dito, é imaterial).

    "Como para ele uma crise era algo exógeno,"

    Para Keynes, uma recessão era sempre um problema de "falta de demanda". Esse era mais um exemplo de confusão entre causa e consequência.

    Sim, em todas as recessões observa-se uma queda na "demanda agregada" (aliás, isso é tão óbvio que até chega a ser uma tautologia). Mas a questão é: o que é que causou essa queda na demanda agregada?

    A teoria keynesiana faz parecer que tudo ia maravilhosamente bem até que, repentinamente, num belo dia, as pessoas acordaram de mau humor e, coletivamente, decidiram que não iriam gastar mais nada, derrubando a demanda agregada.

    Simplesinho, não?

    Economias não entram em recessão porque a demanda caiu. A queda na demanda é consequência, e não causa.

    Crises e recessões não são um problema de baixa demanda agregada. Crises e recessões são causadas por uma expansão de crédito que, de um lado, endivida as pessoas (afetando, aí sim, sua capacidade futura de consumo) e elevam os preços, e de outro, geram vários investimentos errôneos e insustentáveis (em decorrência da distorção das taxas de juros) para os quais nunca houve demanda legítima.

    Não se trata de um problema de demanda agregada, mas sim de um problema de capital que foi desviado para aplicações que não eram genuinamente demandadas pelo público.

    Sendo assim, de nada adianta os governos incorrerem em déficits, aumentar os gastos e imprimir mais dinheiro, imaginando que tudo magicamente seria resolvido.

    O fato é que recursos escassos foram aplicados em investimentos para os quais não havia demanda. Este capital se encontra agora destruído (ou com um valor extremamente reduzido). A recessão nada mais é do que o período de reajuste desta estrutura de produção que foi distorcida pela expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros.

    Portanto, para acabar com uma recessão, é preciso fazer com que este capital mal investido seja liquidado e que os investimentos sejam voltados para áreas em que haja genuína demanda dos consumidores.

    O governo fazer políticas que estimulem a demanda agregada, de modo a não permitir que haja essa reestruturação do capital, irá apenas prolongar a recessão. O governo incorrer em déficits irá apenas retirar poupança do setor privado, justamente em um momento em que ele mais necessita dela.

    De resto, "aumentar a demanda agregada" foi exatamente o que fez o governo brasileiro. E o que isso logrou?

    "então ao invés do governo esperar anos para o mercado se ajustar, ele deveria intervir para aquecer o mercado, já que no longo prazo "todo estaremos mortos". acho que o erro de Keynes não era seu multiplicador, mas não ter entendido o funcionamento correto do mercado."

    Explicado acima.
  • Pedro  15/09/2015 01:49
    "mas sim de um problema de capital que foi desviado para aplicações que não eram genuinamente demandadas pelo público."

    Leandro, gosto muito desse site e estou aprendendo muito de economia aqui, coisa que nao consegui aprender na faculdade, na cadeira de Economia porque era Keynes pra todo lado e tudo uma complicaçao só.

    Mas queria entender melhor essa parte de o governo gastar onde não tem demanda genuína...

    Uma coisa é óbvio na China, onde o governo gastou para construir aquelas cidades fantasmas no meio do nada, que todo mundo já deve ter visto em vídeos por aí.

    Mas, por exemplo, no governo brasileiro, ele gastaria onde? Se ele gastar em construir pontes ou estradas não estaria gerando renda para as empresas de cimento, construtoras e pagando salários aos peões? Ou gastar com programas sociais, esse dinheiro vai ser usado para comprar comida e roupas, por exemplo, é uma demanda real também não? Pode parecer que estou do lado do governo, rsrs, mas não, só quero entender bem isso, até para poder debater depois.

    Grato!
  • Leandro  15/09/2015 03:58
    Atente que estou falando de investimentos errôneos feitos por empresas.

    Imagine, por exemplo, que o crédito fácil esteja estimulando alterações nas linhas de produção industrial, fazendo com que as indústrias passem a produzir vitrolas vintage com um estilo da década de 1950.

    Enquanto o crédito estiver fácil e farto, haverá uma demanda (efêmera) por essa excentricidade. No entanto, tão logo a população estiver mais endividada e os preços de todos os setores da economia estiverem subindo (por causa da expansão do crédito), não mais haverá demanda por esse produto.

    O que fazer? Deve o governo gerar estímulos artificiais para que a população continue comprando vitrolas vintage, ou deve ele permitir a falência dessa indústria e a subsequente liberação de recursos escassos para serem utilizados em outros setores?

    Esse é o ponto. (Sobre investimentos errôneos, veja a minha resposta, mais completa, para o leitor Diego, mais ali embaixo).

    "Mas, por exemplo, no governo brasileiro, ele gastaria onde? Se ele gastar em construir pontes ou estradas não estaria gerando renda para as empresas de cimento, construtoras e pagando salários aos peões?"

    Sem dúvida nenhuma ele estaria gerando ganhos para empresas de cimento, empreiteiras e peões. Mas aí você está ignorando a lição de Frédéric Bastiat: o bom economista não é aquele que vê apenas os efeitos imediatos, mas sim aquele que vê os efeitos que ninguém mais vê.

    Quem ganhou com essa política? As fabricantes de cimento, as empreiteiras que construíram, os fornecedores das empreiteiras, os fornecedores dos materiais de construção e as pessoas ligadas a essa área.

    Quem perdeu? Todo o resto do país.

    Em primeiro lugar, os cidadãos tiveram de pagar por esse populismo via impostos (as empreiteiras são pagas pelo governo). Se não foi via impostos, então o governo teve de se endividar para financiar tudo isso. E endividamento do governo gera carestia.

    Depois, os cidadãos tiveram de arcar com preços maiores de todos os materiais de construção que, ao passarem a ser direcionados para essas obras, tiveram seus preços aumentados. O que está acontecendo, por exemplo, com os preços do cimento? Como isso afetará as outras pessoas e empresas que precisam de cimento?

    Certamente, o resto do setor da construção civil, que agora teve de arcar com insumos mais caros, será afetado. Consequentemente, os preços dos imóveis subirão e afetarão várias famílias, principalmente as mais pobres (mas fizeram a alegria dos especuladores imobiliários).

    No que mais, os próprios serviços das empreiteiras não apenas encarecerão artificialmente (por causa da contratação do governo), como elas próprias -- ao serem contratadas pelo governo para fazer essas obras -- deixarão de atuar em outras áreas, como construção de infraestrutura, estradas e aeroportos.

    Em toda intervenção sempre há aquilo que você vê e aquilo que você não vê. Você viu os empregos sendo criados nessas obras do governo. Mas você não viu as consequências que essa criação forçada de empregos gerou para todo o resto do país.

    Dica: em toda e qualquer decisão política -- em absolutamente todas, sem nenhuma exceção -- sempre haverá ganhadores e perdedores. Sempre. Não há exceção a essa regra.

    Jamais procure uma explicação em que haja apenas perdedores, e jamais imagine situações em que haja apenas ganhadores. Isso não existe. Até mesmo no comunismo havia ganhadores. No próprio Plano Collor houve muita gente que se deu bem.

    Grande abraço.
  • Pedro  16/09/2015 21:26
    Então resumindo seria: o C e o G da equação, ambos são gastos, mas um vem do consumo da família, das pessoas, e outro é o do governo. O consumo (C) seria um gasto mais "autêntico", porque viria de livre e espontânea vontade das pessoas, reflitiria melhor a demanda do mercado, porque é o que as pessoas estão procurando.

    Enquanto isso, o gasto do governo (G) seria mais artificial, tendendo a gerar distorções visto que o governo não sabe exatamente onde gastar e nem tem como saber.

    Por isso também o comunismo não pode dar certo, porque se só o governo pode investir, ele vai investir errado, visto que um monte de burocratas num prédio nunca poderão planejar tudo certo...

    Você acha que é possível dizer que o intervencionismo é um ponto num contínuo onde no seu extremo está o comunismo?

    E grato pela resposta, continue com este grande site! Já está em minhas leituras diárias.
  • Jarzembowski  14/09/2015 16:06
    Até hoje, Keynes é extremamente popular entre políticos adeptos da gastança, aos quais ele concedeu a teoria intelectual e o imperativo moral de gastar o dinheiro que não têm.

    Précisément.

  • M.S. Batista  14/09/2015 16:51
    Leandro Roque,

    Poderia sugerir alguma faculdade/universidade que seja ligada ou que tenha curso com disciplinas referentes à Escola Austríaca?
  • Leandro  14/09/2015 17:00
    Informações sobre como anda o meio acadêmico, do qual felizmente já me afastei há um bom tempo, não são comigo. Não tenho ideia do que acontece nesta seara. Desculpe-me.
  • anônimo  15/09/2015 02:36
    Rapaz, lido com atendimento a diversos economistas. Vez em quando ouço mais do que devia, afinal ouvido não tem porta e se não fosse pra eu saber, não falariam na minha frente.

    Estes dias três economistas conversavam sobre um sujeito que havia assumido o dep. de economia de uma universidade (acredito que fosse a UnB). Disse que o cara era um liberal e inventou de criar uma disciplina de introdução à economia austríaca. Ele já havia tentado antes sem sucesso graças a oposição de outros professores. Porém agora, como coordenador, não teria esta oposição (ou a oposição não teria efeito). Disse que isso deu um babado, os professores ficaram loucos. Não podiam aceitar que economia austríaca fosse lecionada na universidade (que de universal só tem o nome). Agora veja bem, imagina o tanto de aluno que após assistir essa disciplina iria contextar os argumentos de keynesianos e marxistas após ouvir falar em Mises... Pode uma coisa dessas?! Não pode! Trabalho demais!
  • Tiago Moraes  21/09/2015 00:30
    Eu soube que no Insper e na Ibmec a Escola Austríaca tem espaço para ser abordada, ainda que não de forma efetiva (mas nenhuma tradição de pensamento econômico o é).
  • Thiago Teixeira  15/09/2015 15:47
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1435
  • krlsdu  14/09/2015 16:52
    Galera uma pergunta hoje no mundo existe algum país que adote o modelo econômico austríaco?
  • krlsdu  14/09/2015 17:19
    Obrigado pela resposta!
  • Tannhauser  14/09/2015 17:07
    Leandro,

    Me deparei há um tempo com outra questão relacionada à teoria econômica mainstream que utiliza modelos de um continuum de agentes econômicos ou bens.

    Segue um trecho do artigo (mises.org) com a lista de alguns autores que desenvolveram modelos econômicos com um continuum de agentes ou bens:

    "Following Aumann's example, Rudiger Dornbusch, Stanley Fischer, and Paul A. Samuelson set out to develop a generalization of Ricardo's classical international trade analysis by assuming that the number of goods is uncountably infinite."

    Um dos pressupostos de um continuum de bens é que estes NÃO SÃO ESCASSOS. Ou seja, não se aplica ao mundo real e seus resultados não podem ser extrapolados para a economia real.

    Ou seja, nossos planejadores econômicos estão utilizando modelos que funcionam SOMENTE, de acordo com os próprios modelos, para um CONTINUUM de agentes ou bens.

    Pergunto se você, Leandro, já se deparou com essa nuance dos modelos econométricos atuais. É isso mesmo? Estamos nesse nível pseudocientífico?

    Obs: já perguntei isso em outro artigo, mas não encontrei. Acho que não obtive resposta na época.
  • Leandro  14/09/2015 18:02
    Eu já havia me deparado com essa teoria antes, mas não dei muita atenção a ela. De fato, quando se parte do pressuposto de que a oferta bens é infinita, então automaticamente se está dizendo que não há problemas de oferta. E, consequentemente, se não há problemas de oferta, então todas as políticas devem ser feitas pelo lado da demanda.

    Ora, mas essa é a exata negação da realidade. Desde que o mundo é mundo, a dificuldade sempre foi a de criar oferta, e nunca a de criar demanda. Criar demanda é fácil. Aliás, demandar coisas é algo natural no ser humano. A partir do momento em que saímos da cama, estamos demandando coisas. Nunca deixaremos de demandar coisas, seja para nosso bem-estar, seja para nosso lazer, seja para nosso luxo, seja para nossa saúde. Por definição, é impossível o ser humano sofrer de um problema de baixa demanda.

    A encrenca sempre esteve na produção. Produzir é que o segredo. Demandar é fácil e natural, produzir é trabalhoso e complicado.

    Aumentar a demanda é algo fácil (no extremo, pode ser facilmente resolvido pela simples criação de dinheiro); já criar oferta é que são elas.

    Demanda sem oferta gera carestia, escassez e colapso econômico. (Vá à Venezuela e veja se há algum problema de demanda). Oferta sem demanda gera apenas falências localizadas seguidas de um redirecionamento de recursos escassos para setores econômicos mais demandados pelos consumidores (cujas demandas continuam existindo, tendo apenas sido alterada para outras áreas. Antes a demanda era por máquinas de escrever; agora é por notebooks).

    E onde se concentram as políticas econômicas? Na demanda, e não na oferta.

    Todas as políticas econômicas -- desde aumento de gastos até manipulação de juros, passando por tarifas de importação e reservas de mercado -- sempre procuram atacar a demanda, e nunca a oferta. Até mesmo cortes de impostos são feitos para se estimular a demanda e não para facilitar a oferta.

    Sim, o mundo acadêmico econômico é um hospício. E é por isso que, muito justamente, ninguém mais leva a profissão de economista a sério, e somos motivos de deboche.

    Ser economista se tornou uma profissão lastimável
  • Cassim  14/09/2015 18:08
    Em matéria de "teóricos" econômicos, há videntes, astrólogos, teóricos da conspiração, ditadores preguiçosos, hippies cheirados, pistoleiros sem dedo, matemáticos ruins e muito mais. Qualquer asneira que seja do interesse político encontra um apologista nas ciências econômicas. Sou defensor da tese do erro de Samuelson porque a alternativa é assumir que ele propositalmente mentiu e criou gerações de economistas que trabalharam sobre premissas errôneas.
  • Diego  14/09/2015 19:44
    OK, a teoria Keynesiana não é perfeita, eu concordo, mas talvez essa talvez seja mal aplicada... A sacada do Keynes foi que o que é despesa para as firmas é receita para as famílias, e assim estas deveriam despender toda sua renda em consumo para garantir um fluxo de produção crescente. Mas ele percebeu que quanto mais rica for a família menos, proporcinalmente a sua renda, ela gasta, guardando o rentante em forma de poupança no sistema financeiro (caracterizando um vazamento de renda). Esta renda entesourada financia consumo e investimentos de outras famílias e firmas, mas no auge do ciclo econômico a poupança supera o investimento gerando excesso de oferta que leva a uma redução da produção e redução da renda das famílias e a mais excesso de oferta, em um ciclo vicioso que conduz a uma crise. Assim, uma vez a crise instalada, há capacidade ociosa e assume-se que um aumento da demanda agregada pode aumentar o produto sem precionar os preços. Dessa maneira a saída proposta do Keynes foi que o governo tomasse emprestado o excesso de poupança e aumentasse o consumo. Obviamente isso só funcionaria enquanto durar a capacidade ociosa e enquanto o governo pudesse se endividar. O problema surge quando aplica-se essa receita em uma economia "saudável", ou seja, sem capacidade ociosa, o que só gera inflação. Percebam que a teoria Keynesiana se aplica ao curto prazo e em condições muito particulares para suavizar as oscilações do ciclo econômico, uma vez que quando a economia saísse da crise parte do crescimento seria sacrificado para pagar as dívidas contraídas na recessão.
  • Leandro  14/09/2015 21:04
    "mas no auge do ciclo econômico a poupança supera o investimento gerando excesso de oferta que leva a uma redução da produção e redução da renda das famílias e a mais excesso de oferta, em um ciclo vicioso que conduz a uma crise."

    Uma coisa completamente sem nexo. Como é que uma redução no investimento e na produção gera um excesso de oferta?

    "Assim, uma vez a crise instalada, há capacidade ociosa e assume-se que um aumento da demanda agregada pode aumentar o produto sem precionar os preços."

    Esse é o grande erro do raciocínio keynesiano, e já foi explicado em um dos comentários acima: vocês keynesianos partem do princípio de que a capacidade ociosa decorre simplesmente de uma redução na demanda, e não de investimentos errôneos (para os quais não havia a demanda esperada) gerados pela expansão do crédito e pela manipulação dos juros efetuados pelo Banco Central.

    Crises, recessões e capacidade ociosa não são um problema de baixa demanda agregada. Crises, recessões e capacidade ociosa são causadas por uma expansão de crédito que, de um lado, endivida as pessoas (afetando, aí sim, sua capacidade futura de consumo) e elevam os preços, e de outro, geram vários investimentos errôneos e insustentáveis (em decorrência da distorção das taxas de juros) para os quais nunca houve demanda legítima.

    Não se trata de um problema de demanda agregada, mas sim de um problema de capital que foi desviado para aplicações que não eram genuinamente demandadas pelo público.

    Sendo assim, de nada adianta os governos incorrerem em déficits, aumentar os gastos e imprimir mais dinheiro, imaginando que tudo magicamente seria resolvido.

    O fato é que recursos escassos foram aplicados em investimentos para os quais não havia demanda. Este capital se encontra agora destruído (ou com um valor extremamente reduzido). A recessão nada mais é do que o período de reajuste desta estrutura de produção que foi distorcida pela expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros.

    Portanto, para acabar com uma recessão, é preciso fazer com que este capital mal investido seja liquidado e que os investimentos sejam voltados para áreas em que haja genuína demanda dos consumidores.

    O governo fazer políticas que estimulem a demanda agregada, de modo a não permitir que haja essa reestruturação do capital, irá apenas prolongar a recessão. O governo incorrer em déficits irá apenas retirar poupança do setor privado, justamente em um momento em que ele mais necessita dela.

    "Dessa maneira a saída proposta do Keynes foi que o governo tomasse emprestado o excesso de poupança e aumentasse o consumo. Obviamente isso só funcionaria enquanto durar a capacidade ociosa e enquanto o governo pudesse se endividar"

    Fazer isso apenas perpetuaria os arranjos acima descritos. De novo: a capacidade ociosa não decorre de um problema de falta de demanda, mas sim de investimentos errôneos feitos em áreas cuja demanda foi superestimada.

    A razão pela qual há tantos recursos que repentinamente se tornaram ociosos é porque houve algum erro anterior de cálculo. Os empreendedores incorretamente imaginaram que havia uma demanda maior do que a que de fato existia, e isso os levou a fazer investimentos errôneos -- a saber, a expansão de sua capacidade instalada.

    Vou dar um exemplo básico:

    Imagine que a cidade de Teresina tenha sido escolhida a cidade-sede das Olimpíadas de 2016. Nesse cenário, imagine o dono de um restaurante da capital piauiense que, imediatamente após a chegada das delegações e dos jornalistas, vivencie um aumento sem precedentes na demanda por seus serviços.

    Esse dono de restaurante terá duas opções: ou ele mantém seus serviços no mesmo nível ou ele faz investimentos.

    Entretanto, suponha que esse dono de restaurante interprete mal esse aumento momentâneo da sua demanda e passe a acreditar que se trata de um aumento real e sustentável da mesma. Com isso, ele contrai vários empréstimos e faz investimentos vultosos em seu restaurante, contratando mais mão-de-obra, ampliando seus recintos, sua capacidade instalada (comprando mais fogões, pratos, talheres, geladeiras e churrasqueiras) e até mesmo abrindo um novo restaurante.

    O que vai acontecer assim que as olimpíadas acabarem e todas as delegações e jornalistas forem embora? Ora, acontecerá o óbvio: esse dono de restaurante ficará com recursos ociosos. Com vários empregados sem nada para fazer e um segundo restaurante totalmente vazio.

    E então? Será que o governo deveria "estimular" esses recursos, despejando dinheiro ali para tentar manter o nível anterior de atividade? Será que o governo deveria passar a comprar ativamente a comida desse restaurante, apenas para mantê-lo funcionando em plena capacidade? Isso seria um uso inteligente dos recursos? Ou seria um mero desperdício de recursos?

    Lembre-se de que essa mão-de-obra e todos esses recursos sequer deveriam ter sido alocados dessa maneira, em primeiro lugar. Portanto, esse restaurante está segurando mão-de-obra e capital que poderiam estar sendo mais eficientemente utilizados em outros setores da economia.

    A única medida correta seria deixar o mercado, sempre guiado pelo sistema de preços, realocar esses fatores da maneira mais racional possível.

    Logo, o problema não é apenas a falta de "demanda" ou de "gastos". Tampouco é economicamente sensato dizer que o governo deve preencher a "baixa demanda". O problema foi que, na esteira da farra do crédito fácil e dos subsídios, houve uma má alocação de recursos, um desequilíbrio estrutural, um descompasso entre a estrutura do capital e a demanda do consumidor.
  • Diego  14/09/2015 21:58
    Primeiro de tudo, não sou Keynesiano... como economista tive de estudar de tudo, inclusive marxismo (sic). E respondendo suas perguntas:

    1) conforme Keynes, para que tudo o que é produzido seja consumido, toda renda adquirida pelas famílias deveria ser gasta na compra de bens e serviços, como parte da renda é poupada nem toda a renda é destinada ao consumo. Mas por outro lado pessoas adiantam o consumo futuro ou fazem investimentos tomando emprestado a poupança não consumida e dquirem bens e serviços compensando a saída de recursos. No entando como a propensão marginal a consumir é decrescente com a renda, em momentos de maior prosperidade os vazamentos (poupança) superam as injeções de renda (empréstimos e investimentos) de modo que há uma retirada líquida de recursos do fluxo. O primeiro efeito seria o aumento dos estoques advindo da menor demanda por bens (pois uma parte cada vez maior da renda está sendo poupada em vez de consumida) caracterizando assim o excesso de oferta, o resto já expliquei antes.

    2)Concordo que recessões são períodos de ajuste e tal, mas o problema são os custos sociais envolvidos (desemprego), esse ajuste pode se dar de forma brusca ou ser suavizado pela ação governamental. Perceba que é indefensável a perpetuação desse tipo de políticas para além do cenário de crise, e o tipo de gastos também deve ser particular, bens públicos que não aumentem a produtividade futura e de preferência cuja construção seja intensiva em mão-de-obra. Enquanto isso acontece os produtores vão adaptando seu portfólio a nova realidade.

    3)O ponto mais etranho, em que concordamos, é que mudanças na taxa de juros causam as crises ao tornar viáveis investimentos que sob outras condições não seriam. Mas também observo que o que determina a taxa de juros é a dinâmica entre disponibilidade de poupança de um lado e a busca por crédito do outro, quando tenho um excesso de poupança (como descrito por Keynes) a taxa de juros cai e afeta diretamente as decisões de investimento, tornando os empresários menos "avessos ao risco" (a taxa de retorno baixa pode ser compensada pelos baixos juros). Por fim parece que o desequilibrio apontado por Keynes também explica seu ponto de vista...

    Como falei no início não sou Keynesiano, estou aqui dando um de advogado do Diabo, hehehe.

    Valeu Leandro.
  • Leandro  14/09/2015 22:25
    1) O primeiro item -- além de já ter sido amplamente abordado e refutado pelo texto -- não faz sentido. Não existe isso de "vazamento". No atual sistema monetário e bancário, ninguém deixa dinheiro guardado dentro de uma gaveta, "retirando recursos do fluxo". O dinheiro está todo no sistema bancário. Sempre, e a todo o momento, o dinheiro está em alguma conta bancária.

    Mesmo todo o dinheiro de todos os fundos de investimento está, em última instância, em alguma conta bancária. Não importa se o dinheiro foi investido em ações, em debêntures, em título do governo, em CDBs etc. Em última instância, esse dinheiro está em alguma conta bancária.

    E, estando em uma conta bancária, isso significa que os bancos, por meio do processo de reservas fracionárias, podem emprestá-lo para quem quiser, desta forma, para ficar na sua terminologia, "injetando renda" no sistema.

    Sendo assim, não existe isso de "vazamento". É incrível como as pessoas ainda acreditam nessa fantasia (a qual tinha algum sentido quando não havia um sistema bancário moderno e as pessoas guardavam ouro em casa).

    2) No item 2, você quer substituir a economia pelo sentimentalismo. Isso não existe. Sim, desemprego, recessão e reajustes econômicos são coisas dolorosas. Mas elas não podem ser anuladas por afetações de vitimismo e por efusões de coitadismo.

    Assim como uma pessoa com apendicite tem de passar por uma cirurgia, uma economia desajustada tem de passar por um processo (doloroso) de reajuste. Intervenções governamentais podem, no máximo, prolongar os desajustes. Mas elas não têm como atenuar a dor e, ao mesmo tempo, permitir o reajuste.

    O que o governo realmente pode, e deve, fazer é sair da frente e permitir que o reajuste seja o mais rápido possível, não fazendo intervenções que prolonguem o desequilíbrio. É preferível uma recessão profunda, mas que dure apenas alguns meses (ao final da qual os investimentos e os empregos retornam), do que uma estagnação prolongada, a qual nunca acaba (e que vai corroendo o padrão de vida das pessoas).

    3) No atual sistema monetário, não é assim que funciona. O BC intervém e manipula todo este arranjo, e, por meio de suas intervenções nos juros, fornece informações erradas aos empreendedores, desvirtuando este arranjo que você descreveu. Tal arranjo que você descreveu ocorreria em uma arranjo de free banking sem Banco Central e, em menor grau, em um arranjo de Currency Board ortodoxo.

    Valeu e grande abraço!
  • Rhyan  14/09/2015 19:53
    Desculpe a ignorância, mas como o ponto 4 da equação virou o ponto 5?
    Obrigado!
  • Leandro  14/09/2015 20:47
    Y = ca + c.Y – c.T + I + G + NX

    Y - c.Y = ca – c.T + I + G + NX

    Y (1 - c) = ca – c.T + I + G + NX

    Y = ( 1/1-c) . (ca – c.T + I + G + NX)

  • Rhyan  14/09/2015 22:17
    Nossa, como eu não percebi isso?

    Valeu!
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  14/09/2015 20:03
    Quem foi pior: Marx ou Keynes? Ou é tudo igualado na equação dos "comunistas bonzinhos"?
  • Gunnar  25/09/2015 17:20
    Depende do ponto de vista... eu particularmente creio que no âmbito social, interpessoal, das ideias e visões de mundo, nada foi mais venenoso e destrutivo do que o marxismo, especialmente o neo-marxismo da Escola de Frankfurt. Já no campo das políticas econômicas, o marxismo linha-dura caiu junto com o muro de Berlim, e nos restou o keynesianismo; o qual, particularmente, considero mais pernicioso que o marxismo, pois enquanto esse tem hoje uma feição de terror que ninguém além de estudantes maconheiros leva a sério, aquele passa por moderado e mesmo a dita "direita política" não só aceita, mas clama por medidas keynesianas (no fim, o que separa direita de esquerda é como e onde tais medidas devem ser aplicadas).
  • cmr  14/09/2015 20:05
    Puseram logo a cara desse imbecil, incomPTente, canalha, mentiroso (Guido "Manteiga").
    O dólar subia é era bom, caía e era bom, tudo era bom, tudo estava sob controle.
    Entrou para história, assim como os discursos da Dilma.


  • André Luiz Ponte Aguiar  14/09/2015 21:21
    Sou engenheiro, acompanhei o desenvolvimento matemático do artigo e pergunto: como é que uma coisa que é tão facilmente refutada(até eu que não sei economia entendi) e mesmo assim é aceita amplamente? Se eu ,como engenheiro, faço alguma consideração absurda, sou logo refutado . Objetar uma verdade óbvia não é sinal de desonestidade intelectual? Por que então o Kenesianismo é predominante?
  • Leandro  14/09/2015 22:05
    Acadêmicos seguem o keynesianismo porque, dentre outras coisas, o keynesianismo é o sistema favorito dos políticos.

    O keynesianismo diz: "Ei, gastar muito é bom para a economia; imprimir dinheiro é ótimo para economia; déficits são perfeitos para a economia; inchar a máquina estatal, dando emprego para burocratas, é maravilhoso para a economia; regulamentações, se feitas por keynesianos, são supimpa e geram muito crescimento econômico. Ah, sim, e austeridade é péssimo. Ignorem economistas insensíveis que sugerem isso. Apenas gastem os tubos e se endividem ao máximo. O paraíso é aqui, e o Jardim do Éden, onde não há escassez, pode ser perfeitamente replicado pela impressora de dinheiro."

    Qual político resiste a isso?

    Conhecendo-se a volúpia do ser humano por poder e controle sobre a vida alheia, seria genuinamente um milagre caso tais idéias não prevalecessem no mundo atual. E é por isso que os intelectuais acadêmicos, sempre ávidos por agradar o regime (sempre de olho em uma boquinha ou em um carguinho), irão defender essa teoria.

    No que mais, se você investiu toda a sua vida e toda a sua carreira acadêmica ou profissional defendendo teorias keynesianas, ou se a sua fé no estado é aquilo que dá sentido à sua vida, divorciar-se da economia keynesiana seria um choque e tanto. Dependendo da idade do sujeito, o estrago pode ser irreparável -- mais ou menos como a onda de decepção (e, dizem, de suicídios) que acometeu os comunistas românticos e bem intencionados quando eles souberam das chacinas promovidas por Stalin.
  • Diego  14/09/2015 22:15
    A explicação Keynesiana é a seguinte: conta-se o número de transações realizadas e não valor original, por exemplo:

    Suponha que você recebeu 100 reais e decidiu guardar 50 e gastar os outros 50 bebendo cerveja; ai o dono do bar pega os teus 50 e guarda 25 e com os outros 25 ele vai ao barbeiro, ai o barbeiro gasta 12,5 e gasta os outros 12,5 e assim por diante. Nesse caso o consumo total agregado será 50 seu + 25 do dono do bar + 12,5 do barbeiro + ... Perceba que isso é uma PG infinita de razão 0,5 (que exatamente sua propensão marginal a consumir "c") e dessa forma a soma será:

    S = [1/(1-c)] x 100; c = 0,5 ou S = 200. Assim, com um aumento de 100 reais nos "gastos autônomos" foi gerado 200 reais de consumo. 1/(1-c) é exatamente o multiplicador de gastos.

    Obviamente esse é um modelo hiper simplificado, que não inclui a arrecadação do governo e tal, a teoria já evoluiu muito, muito, muito... depois disso.
  • Yonatan Mozzini  15/09/2015 14:08
    Diego, não me leve a mal, mas você ainda insiste em procurar chifre em cabeça de cavalo.

    "A explicação Keynesiana é a seguinte: conta-se o número de transações realizadas e não valor original"

    Ora, isso foi justamente o que eu coloquei no exemplo:

    "Caso o governo — que faz parte dos gastos autônomos — resolva gastar $1 milhão a mais do que o normal, então isso irá gerar uma renda de $5 milhões a mais para toda a economia!"
    Eu poderia ter usado este valor de $1 milhão como valor original, mas coloquei como um aumento, para deixar ainda mais óbvia a falácia de Keynes.

    "Suponha que você recebeu 100 reais e decidiu guardar 50 e gastar os outros 50 bebendo cerveja; ai o dono do bar pega os teus 50 e guarda 25 e com os outros 25 ele vai ao barbeiro, ai o barbeiro gasta 12,5 e gasta os outros 12,5 e assim por diante."

    Novamente você está cometendo o erro keynesiano de interpretação. Se você recebeu $100, essa é a remuneração pelo seu trabalho (pela sua oferta). Ou seja, primeiro vem a oferta de bens; após isso, você gasta demandando efetivamente os bens.

    Quando você vai gastando, você está aumentando os consumo, mas não o produto (Y), isto é, a oferta. É justamente o contrário: quanto mais você gasta, mais você está consumindo os recursos da sociedade e mais está desgastando Y.

    S = [1/(1-c)] x 100; c = 0,5 ou S = 200. Assim, com um aumento de 100 reais nos "gastos autônomos" foi gerado 200 reais de consumo. 1/(1-c) é exatamente o multiplicador de gastos.

    Errado.

    Vou esclarecer uma coisa antes de tudo. Na economia keynesiana, Z é a demanda de bens; C, I, G e NX são apenas componentes da demanda. Decompor, isolar matematicamente e tratar esses elementos como variáveis independentes é uma grosseria acadêmica. Seria mais sensato você trabalhar com o conjunto, ou seja, apenas com Z.

    Por uma questão de lógica microeconômica básica, uma demanda maior poderá gerar uma ampliação da oferta para atendê-la. Um aumento de demanda de mil picolés em determinado verão, por exemplo, fará uma firma aumentar a produção em mil picolés. Ela não irá fabricar menos de mil picolés porque estará deixando de lucrar, e não fabricará mais de mil picolés porque o que exceder mil poderá não vender e terá prejuízo.
    Você percebe o que isso significa? Na microeconomia, um aumento da demanda faz com que haja um aumento igual no produto, não um aumento maior que a demanda devido algum "multiplicador" esotérico.

    Na macroeconomia, que é a soma de todos os mercados microeconômicos, por sua vez, isso, obviamente, também não funciona: não haveria como um aumento da demanda agregada gerar um aumento maior que a oferta agregada através de um "multiplicador" mágico. Mas, além disso -- e tão importante quanto --, quando você aumenta a demanda por picolés, você automaticamente deixa de demandar outros bens. O que acontece com o produto agregado? Nada se altera, obviamente. Os bens são escassos, lembra?

    Mas, olha, pelo bem do debate, vamos supor que, por uma razão totalmente exógena, os habitantes de um país passam a possuir mais renda disponível (sim, do nada mesmo, como se mais dinheiro na sua carteira surgisse espontaneamente). Desse modo, haveria um aumento de demanda para todos os bens, ou pelo menos, para quase todos os bens. Nesse caso, como a estrutura produtiva é altamente limitada (as terras agrícolas são limitadas, as fábricas possuem determinado espaço físico limitado, as pessoas tem inteligência limitada, há um tempo limitado em horas do dia para as pessoas trabalharem ou para o sol iluminar a terra, etc), haveria uma demanda extra pressionando essa estrutura. Então, o que ocorreria? Aumento de preço de todos os bens e serviços da economia, para que não haja escassez.

    Sacou? Pirotecnias de demanda não conseguem aumentar o produto macroeconômico permanentemente; conseguem apenas aumentar os preços dos produtos.

    Caso você ainda não tenha entendido ou não esteja satisfeito com essa explicação, clique no artigo "Falácias keynesianas - parte II" (linkado no final deste artigo) e verás um exemplo hilário, através de [/i]reductio ad absurdum[/i], do professor Ubiratan sobre o "efeito multiplicador".
  • Diego  16/09/2015 13:09
    Mais uma vez, isso não é uma opinião, é a explicação da teoria que posso ou não concordar. Só acho que todos merecemos ser claros... E quanto ao seu relato, quanto no artigo em se, vocês falam de causalidade, mas na verdade isso é uma identidade macroeconômica, que é tautológica por definição. Isso só significa que posso desagregar o produto nacional em categorias (C,I,G,M,X, etc...)

    Quanto a afirmação de nosso colega Leandro: "No atual sistema monetário, não é assim que funciona. O BC intervém e manipula todo este arranjo, e, por meio de suas intervenções nos juros, fornece informações erradas aos empreendedores, desvirtuando este arranjo que você descreveu. Tal arranjo que você descreveu ocorreria em uma arranjo de free banking sem Banco Central e, em menor grau, em um arranjo de Currency Board ortodoxo."

    Concordo que a atuação do BC pode atrapalhar... mas no fim das contas o que prevalece é a disponibilidade de recursos para ser emprestados, o que o BC acaba fazendo é estabelecendo uma taxa mínima (SELIC), que só gerará maiores trantornos se estiver acima da taxa de equilíbrio. Se o governo mantiver seu orçamento equilibrado, com baixo endividamento, a taxa de referência pode se manter baixa, de modo a não atrapalhar o sistema econômico como um todo. Por outro lado problemas bem mais releventes são os empréstimos subsidiados dos bancos estatais, estes sim possibilitam a viabilidade de projetos ineficientes, conduzindo a decisões erradas e ainda por cima enfraquecem a política monetária, obrigando a taxa de juros a se manter alta para conter a inflação.

    E só uma reflexão mais realista sobre uma saída para a previdência: a solução indicada seria a desvinculação dos benefícioas ao salário mínimo, enrijecimento das regras para a concessão de benefícios (idade mínima e tal) e uma redução gradual do teto de aposentadoria pelo sistema público. Perceba que no curto prazo impostos teriam que bancar o déficit, uma vez que a medida que reduzo o teto eu reduzo a arrecadação hoje, mas não os desembolsos. Com o tempo, os gastos iriam reduzindo pois os novos aposentados receberiam valores cada vez menores e ao longo de uma geração o problema estaria equacionado. A medida que a previdência social fosse reduzindo sua cobertura, a migração para sistemas de previdência complementar seriam algo natural até o ponto em que esta substituísse o modelo anterior. Obviamente o custo de transição é colossal, o que torna esse processo altamente impopular, mas o déficit do setor não pode ser financiado indefinidamente, o mais provável seria uma trasição suave com muitas faixas intermediárias antes da liquidação total do sistema.
  • Yonatan Mozzini  17/09/2015 13:07
    "E quanto ao seu relato, quanto no artigo em se, vocês falam de causalidade, mas na verdade isso é uma identidade macroeconômica, que é tautológica por definição. Isso só significa que posso desagregar o produto nacional em categorias (C,I,G,M,X, etc...)"

    Calma lá. Há identidade sim, no que se refere aos componentes da demanda. E há causalidade, no que se refere ao equilíbrio entre oferta e a demanda agregadas.

    Como eu disse, identidade é Z, que é a demanda de bens. Ou seja, Z é o mesmo que C, I, G e NX.

    Veja que Y = Z não é uma identidade. É uma função estável. Y é a origem (input) e Z é o destino (output). Y é variável regressora (independente) e Z é variável dependente (regressando).

    Em outras palavras, você não pode considerar Y = Z uma equação, de modo que tanto o lado esquerdo quanto o lado direito são variáveis independentes.

    Por exemplo: como é o funcionamento de um motor elétrico e de um dínamo? Bem, na verdade, é a mesma coisa. Ele, sim, se comporta como uma equação, pois se você passa corrente elétrica no motor, ele transforma essa energia em movimento. Se você gira o motor, ele transforma o movimento em energia elétrica. Tanto o movimento quanto a eletricidade podem ser variáveis independentes. Na física isso até que é aceitável; na economia, não.

    Em economia, só haverá gastos efetivados (em consumo, investimento, gastos do governo e exportações) se alguma produção tiver sido realizada. Não há como você efetivar o consumo para que exista a produção para esse consumo. Ponto.
  • Diego  19/09/2015 00:51
    Qualquer produto gerado pode ser incluso em uma dessas categorias, mesmo o que não for vendido, os estoques, entram como investimento. Quando vc fala de regressor e regressando... bem, esses são termos da econometria, uma ferramenta empírica que a priori não tem nenhuma relação com a formulação teórica. Inclusive, em econometria, não é possível estimar essa equação isolada de um sistema, pois ela é determinada simultaneamente. A base da teoria keynesiana é a identidade em questão, que deriva do fluxo circular de renda (o que é gasto para as famílias é receita para as firmas, e o que é gasto para as firmas é receita para as famílias).
  • Yonatan Mozzini  22/09/2015 18:54
    "Qualquer produto gerado pode ser incluso em uma dessas categorias, mesmo o que não for vendido, os estoques, entram como investimento."

    Não sei seu eu entendi exatamente o que você quis dizer, mas o fato é o seguinte: uma produção feita para atender uma determinada demanda poderá ou não ser vendida e consumida por essa demanda. Não é necessário que tenha havido consumo para produzir, nem sequer é necessário que haja consumo futuro para algo ser produzido; o máximo que pode acontecer, por exemplo, é nada do que foi produzido ser vendido e o produtor levar prejuízo.
    Mas uma venda ou um consumo não poderá ocorrer se antes não houver uma produção efetivada; é uma impossibilidade temporal, física. É necessário que haja produção para que haja consumo. Essa é a grande questão e o que precisa ficar claro.

    "Quando vc fala de regressor e regressando... bem, esses são termos da econometria, uma ferramenta empírica que a priori não tem nenhuma relação com a formulação teórica."

    Tudo bem, então ignore isso. Na verdade, veja que eu não coloquei esses termos no corpo do artigo, mas apenas no comentário anterior, e apenas para clarear em termos técnicos e acadêmicos o significado da função.

    "A base da teoria keynesiana é a identidade em questão, que deriva do fluxo circular de renda (o que é gasto para as famílias é receita para as firmas, e o que é gasto para as firmas é receita para as famílias)."

    E é por isso que é uma teoria furada. Como eu disse antes, identidade se refere apenas aos componentes da demanda agregada, chamada de Z e que pode ser decomposta em C, I, G e NX. Para evidenciar o "efeito multiplicador", Y é igualada a Z a fim de se obter o equilíbrio entre essas duas "forças". Tratar Y = Z como uma identidade é um atentado à razão e um insulto ao bom senso.

    O fluxo circular da renda tem uma ordem de funcionamento: primeiramente as firmas produzem e só então a sociedade consome. Percebendo que a sociedade consome, as firmas produzem novamente e a sociedade consome novamente. Esse é o ciclo correto, embora extremamente resumido. Algo só foi gasto porque primeiramente teve que ser produzido.

    O ciclo keynesiano, na prática, é mais ou menos assim: primeiramente a sociedade consome (não sei como!) e só então as firmas produzem (ué, mas pra que se a sociedade já consumiu?). Então as pessoas consomem novamente e então as firmas produzem novamente. Esse é o ciclo keynesiano. Algo só foi produzido porque primeiramente teve que ser gasto. Coisa de gênios...
  • Diego  23/09/2015 00:07
    Compreendo seu ponto de vista, faz sentido. Agora falando de causalidade, na verdade o produtor responde ao aumento do preço cusado por um excesso de demanda, e de fato ele só produz se a demanda por ele esperada justificar isso. O consumo obviamente não pode se concretizar se não houver produção, mas o mecanismo de preços em um mercado livre induz um aumento de oferta como resposta a um aumento de demanda (ou da expectativa de demanda). O ponto impreciso da teoria clássica é supor que sempre haverá um preço que equilibre automaticamente os mercados. Mas em tempos de crise, mesmo aceitando preços menores pode não haver demanda correspondente, já enquanto houver demanda, o preço pode frear o ímpeto de consumo e equilibrar o mercado. A razão dessa assimetria é a incerteza que afeta as expectativas de consumo e produção. No longo prazo, essas flutuações convergem para um preço de equilíbrio, mas no curto são os choques de demanda e de oferta que determinam os preços.
  • Yonatan Mozzini  23/09/2015 13:22
    "na verdade o produtor responde ao aumento do preço cusado por um excesso de demanda [...] o mecanismo de preços em um mercado livre induz um aumento de oferta como resposta a um aumento de demanda (ou da expectativa de demanda)"

    Amigo, você está andando em círculos, caindo na mesma situação de antes. Como eu disse antes, isso funciona na microeconomia, mas não na macroeconomia, pois no momento que você passa a demandar mais em um determinado mercado, você automaticamente deixa de demandar em outro. Além disso (novamente, como eu disse antes), mesmo que isso fosse verdade para a macroeconomia, não há como esse aumento de demanda gerar mais do que um aumento na oferta via "efeito multiplicador". A oferta na microeconomia tende a acompanhar a demanda, nunca excedê-la. Leia o que eu escrevi nos comentários acima.

    "em tempos de crise, mesmo aceitando preços menores pode não haver demanda correspondente, já enquanto houver demanda, o preço pode frear o ímpeto de consumo e equilibrar o mercado. A razão dessa assimetria é a incerteza que afeta as expectativas de consumo e produção."

    Como Hayek dizia, existe um mecanismo de "incerteza gerada pelo regime" que danifica a economia, mas ela não é a causa fundamental das crises, mas sim sua consequência. A causa dos ciclos econômicos -- isto é, períodos de boom seguidos de bust -- se deve a flutuações monetárias, mais especificamente através do aumento dos fundos para empréstimos e a conseqüente queda artificial dos juros, que acabam distorcendo toda a cadeia produtiva e até mesmo a preferência dos consumidores.

    Atacar o sintoma com políticas de demanda ao invés de atacar a fonte do problema -- que são a escassez de poupança, os investimentos errôneos e o consumo exagerado --, não apenas não irá resolver o problema como até mesmo poderá agravá-lo, gerando estagflação, endividamento e deterioração contínua da estrutura produtiva.
  • Gustavo  15/09/2015 00:22
    Excelente Artigo!!

    Muito bom poder enxergar algo, que devia ser obvio, a partir de outro ponto de vista. Esse efeito multiplicador passa muito desapercebido durante as aulas de economia. Por ser "fundamentado" usando lógica matemática, fica difícil refutar tal tese no primeiro contato com a fórmula. Muito esclarecedor o artigo.
  • Jean Rabelo  15/09/2015 00:29
    Olá, Yonatan!

    Yonatan, esse foi o melhor artigo que já li aqui no Mises.

    Digo isso pois foi o que claramente mais me fez aprender.

    Fiquei surpreso com a clareza com que é possível entender uma falácia do keynesianismo.

    Sempre ouvi falar que o keynesianismo era cheio de falácias, e até conheço algumas simples, mas nunca consegui entender tão profundamente essas ideias quanto eu consegui lendo esse texto.

    Muito obrigado pela informação de qualidade.

    Gostaria de saber: há algum livro além de "Ação Humana" que explique com profundidade esses temas? Ou devo deixar de preguiça (hahaha) e começar logo ler esse livro de um vez?

    Desde já, agradeço a atenção.
  • Yonatan Mozzini  15/09/2015 12:04
    Jean, é muita gentileza de sua parte.

    Na verdade, quem falou isso foi Rothbard (conforme o link no final do artigo), mas na seção de Keynesianismo aqui do IMB há vários outros artigos muito interessantes a esse respeito. Não sei se Mises escreveu algo a mais sobre isso, mas o hardcore Ação Humana é excelente para a compreensão do sistema econômico e, naturalmente, para refutar as ideias do britânico bigodudo inflacionário.

    Obrigado e abraço!
  • Rhyan  15/09/2015 00:44
    Tava batendo um papo com o Demônio, ele é keynesiano. Ele me disse que o ideal seria que todos os bancos do país fossem 100% estatais. Essa ideia faz sentido no universo demo-keynesiano?
  • Leandro  15/09/2015 01:27
    Faz, sim.

    Para keynesiano, crédito fácil é condição sine qua non para o crescimento econômico robusto. Dinheiro farto e juros baixos são o caminho da criação mágica de riqueza e da prosperidade. Quanto mais farto e barato o crédito, maior será a pujança econômica.

    Com bancos 100% estatais, que não estão preocupados nem com solvência e nem com empréstimos racionais, e que por isso não precisam de cobrar juros dos empréstimos, o maná cai do céu e todos nós estamos no Éden.

    A criação de dinheiro pelos bancos estatais fará com que surjam máquinas, automóveis, jatinhos e smartphones.

    Se Banco do Brasil e BNDES já são entidades sacrossantas para um keynesiano, bancos puramente estatais como a CEF operam milagres e, em uma espécie de transubstanciação, têm a capacidade de transformar pedras em pães. Bancos estatais, com seu crédito farto, barato e não sujeito às rigorosas "restrições de mercado", são os genuínos fomentadores do crescimento pujante e do desenvolvimento.

  • Rhyan  15/09/2015 05:52
    Que medo disso. Tem também aquela ideia de abolir o papel-moeda, o bitcoin do mal, 100% estatal, gratuito e de qualidade.
  • Vinicius  15/09/2015 18:15
    Tem também a falácia da deflação, segundo este ranking isto é igualmente ruim como inflação alta:

    exame.abril.com.br/economia/noticias/inflacao-desemprego-os-12-paises-mais-infelizes-na-economia#14

    vão argumentar que o desemprego de alguns países do ranking se deve à baixa inflação
  • Thiago Teixeira  15/09/2015 01:24
    Parabéns pro Yonattan! Belo artigo.
    Músico e economista austríaco?
  • Yonatan Mozzini  15/09/2015 12:15
    Thiago,

    Economista austríaco?
    Por enquanto, aspirante, pois o caminho é longo...

    Músico?!
    Bem, já sei fazer a posição de mãos dó, ré e mi, no violão. Será que já serve? rs

    Obrigado e abraço!
  • Thiago Teixeira  15/09/2015 16:18
    Confundi com você, perdão...
    "A música da vinheta de abertura é o Cânone do compositor alemão Johann Pachelbel executada pelo guitarrista Lai Youttitham."
    www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=398



  • Leonardo  15/09/2015 04:05
    Leandro, vc teria uma ideia de como privatatizar o nosso INSS hj?

    Seria necessario enxugar o deficit antes cortando altas aposentadorias/pensoes/etc dos parasitas para so assim vender?
  • Pedro  15/09/2015 16:49
    O ideal seria tornar o sistema de previdência no modelo de capitalização com conta individual.

    Mas dai não precisaria do INSS, o próprio sistema financeiro poderia gerir a previdência, nos moldes dos PGBL da vida de hoje.

    Ah, mas isso implicaria em acabar com a farra de benefícios sem a contribuição correspondente.
  • anônimo  15/09/2015 17:22
    É impossível modificar o sistema de previdência atual sem haver enormes prejuízos para muita gente.

    Se houve uma transição hoje, quem está aposentado ficará sem contribuição, e não é justo com quem contribuiu a vida inteira ficar assim na mão.

    E o que fazer com aquele cara de 45 anos que já contribuiu com pelo menos 25 anos para o INSS? O dinheiro que ele contribuiu já não existe mais, sua aposentadoria depende dos futuros contribuintes, então como fazer uma transição para o sistema privado?

  • Anarquista  15/09/2015 20:58
    Perderam ué, alguem vai ter que pagar a conta, a verdade é que os aposentados de hoje estarão ganhando algo, que os que contribuem hoje apenas irão perder.
    Querer um mundo justo não o faz ser justo, uma hora muitos irão perder, adiar essa hora só fará que o rombo seja maior no futuro.

    É como se eu relutasse em perder 100 reais hoje, mas sem perder isso, no futuro perderei 100 mil.

    A diferença é que quem irá pagar esses 100 mil não é o mesmo que devia 100. Bem vindo ao esquema ponzi, não é novidade, quanto mais tempo se sustentar maior sera o rombo futuro
  • Joaquim Saad  15/09/2015 22:54
    "E o que fazer com aquele cara de 45 anos que já contribuiu com pelo menos 25 anos para o INSS? O dinheiro que ele contribuiu já não existe mais, sua aposentadoria depende dos futuros contribuintes, então como fazer uma transição para o sistema privado?"

    Todo o passivo do estado (incluindo o INSS\RGPS e também o RPPS dos servidores públicos) poderia ser quitado liquidando-se seus próprios ativos através de privatizações de empresas e da infra-estrutura (rodovias, portos, ferrovias, aeroportos, escolas, universidades, hospitais, presídios, etc) atualmente pertencentes aos governos, entregando-se a cada aposentado e pensionista das previdências estatais uma soma em dinheiro cuja rentabilidade a ser obtida em aplicações a taxas médias de mercado conferisse a eles uma renda similar à atualmente auferida, restituindo aos trabalhadores da ativa as quantias corrigidas que estes já tiverem aportado ao sistema.

    Anualmente parece-me que são pagos uns R$750 bi de aposentadorias e pensões no conjunto de ambos os Regimes (Geral e Próprio), de modo que a uma taxa de retorno de uns 15% seriam necessários aprox. R$ 5 trilhões p/ se gerar tal renda nesse período, montante que deve representar conservativamente por volta de 1/3 do patrimônio estatal global, equivalendo portanto à parcela mínima a ser vendida p/ se levar a cabo tal operação de saneamento no Brasil (obviamente após o planeta Terra começar a girar ao contrário).
  • Joaquim Saad  16/09/2015 01:15
    Na conta de padeiro acima (fazendo jus ao meu nome), só ficou faltando o "detalhe" da quantia necessária p/ também ressarcir a galera ainda em atividade, o que adicionaria talvez uns R$10 trilhões à conta.
    ps: quem sabe numa próxima inversão polar...
  • Diego  19/09/2015 00:53
    E só uma reflexão mais realista sobre uma saída para a previdência: a solução indicada seria a desvinculação dos benefícioas ao salário mínimo, enrijecimento das regras para a concessão de benefícios (idade mínima e tal) e uma redução gradual do teto de aposentadoria pelo sistema público. Perceba que no curto prazo impostos teriam que bancar o déficit, uma vez que a medida que reduzo o teto eu reduzo a arrecadação hoje, mas não os desembolsos. Com o tempo, os gastos iriam reduzindo pois os novos aposentados receberiam valores cada vez menores e ao longo de uma geração o problema estaria equacionado. A medida que a previdência social fosse reduzindo sua cobertura, a migração para sistemas de previdência complementar seriam algo natural até o ponto em que esta substituísse o modelo anterior. Obviamente o custo de transição é colossal, o que torna esse processo altamente impopular, mas o déficit do setor não pode ser financiado indefinidamente, o mais provável seria uma trasição suave com muitas faixas intermediárias antes da liquidação total do sistema.
  • Emile de Laveley  01/06/2016 22:02
    Diego, os benefícios da previdência já são desvinculados do salário mínimo... há MUITO tempo, se bobear sempre foram desde a criação do RGPS em 91. Quanto ao resto, no entanto, você tem razão. E será feito. Já está sendo, na verdade, desde a primeira reforma na década de 90 com o FHC. Agora ano passado a Dilma já fez outra mini reforma, provavelmente esse ano sairá outra mais rigorosa e por aí vai, as reformas serão cada vez mais frequentes e de maior intensidade até que o sistema se equilibre e não tem jeito, tem que ser assim mesmo até pq, como você bem disse, a conta é alta de mais pra ser paga de uma vez só.
  • anônimo  15/09/2015 13:30
    OFF TOPIC -

    Quando teremos os novos livros aqui no site?
  • Luiz Silva  15/09/2015 20:59
    Ótimo artigo, mas comete o erro em achar que os petistas cometeram erros na política econômica, como se tivessem boas intenções por trás dos mesmos. A maioria dos governos, seus burocratas, principalmente do PT (que tem o projeto do Foro de São Paulo) sabem que tudo caminhará pro caos, pra quebradeira, o importante é obter o máximo de poder até lá.
  • João   23/09/2015 07:47
    Não foi Mises quem disse que "não é porque existem destilarias de whisky que as pessoas bebem whisky [...]"?

    Se mudanças na demanda afetam o nível de produção, todo o artigo é descartável e o multiplicador está correto, pela lógica:

    Mudanças na demanda levam a mudanças na produção, 1 para 1
    Mudanças na produção levam a mudanças na renda, 1 para 1
    Mudanças na renda levam a mudanças na demanda, 1 para c1
    [...]
  • Professor  23/09/2015 12:22
    "Mudanças na demanda levam a mudanças na produção, 1 para 1"

    Se fosse assim, jamais haveria qualquer aumento de preços, já que a oferta está em absoluta paridade com a demanda.

    Mas a mais espetacular contradição vem logo abaixo.

    "Mudanças na produção levam a mudanças na renda, 1 para 1"

    Vou até desconsiderar o fato de que, se fosse assim, jamais haveria margem de lucro, já que o produtor abriu mão de todo o seu ganho.

    O que realmente interessa é o seguinte: esse item está em direto conflito com o item 1.

    Neste item, você diz que toda a renda aumenta de acordo com a produção; já no item 1 você diz que a produção muda de acordo com a demanda. Ora, mas o que é que gerou aumento na demanda no item 1? De onde vem esse aumento? Mágica? Algo tem de ter acontecido para que haja um súbito aumento da demanda.

    E você, involuntariamente, e de forma espetacularmente autocontraditória, fornece a resposta: o aumento da demanda do item 1 só pode ser possível se houver um aumento da produção no item 2.

    Ou seja, pela sua própria lógica, o item 2 tem de vir antes do item 1. Afinal, a demanda não aumenta por mágica. O aumento da produção é o que gera a renda que irá possibilitar a demanda. Exatamente o que ensina a boa teoria econômica.

    Viu só como é só raciocinar um pouquinho mais para se capaz de entender o mundo?

    "Mudanças na renda levam a mudanças na demanda, 1 para c1"

    E este, na realidade, seria o item 2. (Curiosa e inexplicavelmente, este foi o único item em que você não utiliza uma relação de 1 para 1).

    Continue vindo aqui para aprender.
  • João  26/09/2015 11:29
    Professor: aumento da confiança dos consumidores (aumento de ca), déficit orçamentário ou expansão monetária. Em suma, diminuir a poupança.

    É claro que esse efeito no produto é de curto prazo. Não defendo essas ações políticas, apenas como o efeito multiplicador faz sentido no se propõe: qual o efeito no produto de um aumento da demanda agregrada. É 1 para 1? Não.

    E meu ponto principal na verdade foi a incompreensão do autor de como as variáveis alteram (a analogia dos cachorros e chuva), e agora você também questionou, então:

    Esses são preceitos da teoria. Z = Y. A demanda é igual ao produto e a renda. Vou tentar mostrar o que falei novamente tentando responder às contradições alegadas (a de que #2-#3 vem sempre antes de #1 já foi respondida).

    #1 Um aumento de Z leva a um aumento igual de Y. Há variação de preços no exemplo que eu dei de expansão monetária, afinal, não é uma igualdade absoluta, é uma equação de equilíbrio

    2# Y é o produto e a renda, portanto são iguais. O lucro não faz parte da renda? Você pode dizer que nem todo o lucro/renda será consumido, mas isso é definido em #3

    3# Como a renda aumenta, parte da renda adicionada será consumida. As pessoas só vão consumir toda a renda adicional se c1 for 100%. Por isso, 1 para c1
  • Malthus  27/09/2015 00:49
    João, você explica tão bem, com tamanha lógica e didática, que eu não entendi absolutamente nada.

    Mas a culpa nem é sua. É da teoria furada que voce defende. Melhor sorte na próxima.
  • felipe  23/09/2015 12:48
    "Não foi Mises quem disse que "não é porque existem destilarias de whisky que as pessoas bebem whisky [...]"?

    Se mudanças na demanda afetam o nível de produção, todo o artigo é descartável e o multiplicador está correto, pela lógica:"


    Sobre seu comentário:

    A lógica da produção é
    Desejo –> Produção -> Consumo

    O argumento de Mises se refere a Desejo –> Produção

    Não existe Consumo antes da Produção, é simplesmente impossível.

    O que Keynes faz é inverter a lógica : Consumo –> Produção –> Desejo

    É tão absurdo que só mesmo os autodenominados "cientistas" acreditam nisso. Enquanto nós, "pseudos cientistas", temos que aturar essas inversões lógicas.
  • felipe  23/09/2015 13:44
    Uma curiosidade, para o Marxistas a lógica seria: Produção -> Desejo -> Consumo

    Se tal lógica fosse verdadeira, então uma empresa poderia ter sucesso produzindo qualquer coisa desligada das necessidade dos consumidores, já que a necessidade seria criada apenas a pós produção. Seria possível uma empresa produzir vasos sanitários sem descarga e ter sucesso.
  • Anônimo  27/09/2015 01:50
    Eles alimentam este vácuo falando do fetiche da mercadoria. Afirmam que o consumo é historicamente determinado e esquecem completamente que nós somos só animais.
  • Emerson Luis  25/02/2016 11:55

    Incrível como teorias tão indecifravelmente complexas se mostram absurdas quando traduzidas para termos concretos. Por isso é necessário ter muito estudo para acreditar em certas estultícias, pois isso requer enorme capacidade de autoengano. Pessoas comuns não conseguem assimilá-las porque têm que viver no mundo real, pobrezinhas.

    * * *
  • Pedro   05/08/2016 12:22
    O conceito de que a produção é uma causa do consumo me parece válido agora que a produção de commodities está em queda, principalmente minerais minérios, no Brasil em de coerência da queda de consumo por parte do mercado chinês. Afirmar o contrário comcertesa e um erro se tratando de uma economia aberta.

  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  05/07/2017 22:25
    Keynes estava errado.


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