O que significa ser um anarcocapitalista?
por , terça-feira, 13 de janeiro de 2009

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anarcocapitalismo.jpgOs libertários que se opõem à anarquia (no sentido literal, i.e., ausência de estado) estão atacando um espantalho.  A natureza de seus argumentos é normalmente utilitarista e se resume a "ah, mas a anarquia não funcionaria" ou "nós precisamos que o estado forneça pelo menos (preencha ao seu critério)".  Mas esses ataques são, na melhor das hipóteses, confusos; na maioria das vezes, são falsos e hipócritas.  Ser um anarquista não significa pensar que a anarquia vai "funcionar" (seja lá o que isso signifique);  também não significa predizer que a anarquia irá ou "poderá" ser alcançada — afinal, é perfeitamente possível ser um anarquista pessimista.  Ser um anarquista significa apenas acreditar que a agressão não é justificável, e que o estado necessariamente faz uso da agressão.  E, portanto, o estado, e a agressão que ele utiliza, não são justificáveis.  É algo bem simples, realmente.  Trata-se de uma visão ética — por isso, não é surpresa que confunda os utilitaristas. 

Consequentemente, qualquer um que não seja um anarquista deve argumentar duas coisas: (a) iniciar agressão é algo justificável e (b) os estados (em particular, os estados mínimos) não necessariamente empregam a agressão.

A proposição (b) é claramente falsa.  Os estados sempre tributam seus cidadãos, o que é uma forma clara de agressão.  Os estados sempre proíbem a concorrência de agências de defesa, garantindo para si o monopólio da segurança — o que também equivale a uma agressão.  (Para não mencionar as inúmeras leis contra crimes sem vítimas que eles inevitavelmente, e sem uma única exceção na história, impõem à população.  Que os minarquistas sigam acreditando que a minarquia é possível é algo no mínimo intrigante).

Quanto à proposição (a), bem, socialistas e criminosos também crêem que a agressão é justificável.  Criminosos, socialistas e antianarquistas ainda precisam mostrar como a agressão — a iniciação de força contra vitimas inocentes — pode ser justificada.  Porém, nem é preciso tentar; é impossível mostrar isso.  Mas se os criminosos não se sentem compelidos a justificar a agressão, por que então os defensores do estado deveriam?

As críticas dos conservadores e dos minarquistas-libertários ao anarquismo, baseando-se em argumentos como "não vai funcionar" ou "não é prático", são apenas confusas.  Anarquistas não (necessariamente) predizem que a anarquia será implementada — eu, por exemplo, não acredito que será.  Mas isso não significa que o estado seja justificável.

Considere uma analogia:  Conservadores e libertários concordam que crimes cometidos por indivíduos (assassinato, roubo, estupro) são injustificáveis e não deveriam ocorrer.  Entretanto, não importa o quão bondosos os homens se tornem, sempre haverá alguns elementos que recorrerão ao crime.  O crime é algo que sempre estará conosco.  E, ainda assim, continuamos condenando o crime e trabalhando para reduzi-lo.

É logicamente possível não haver qualquer tipo de crime? Claro que sim.  Todas as pessoas poderiam voluntariamente escolher respeitar os direitos das outras.  Assim, não haveria crime algum.  É fácil imaginar.  Porém, dada a nossa experiência com a natureza humana e suas interações, é seguro dizer que sempre haverá crimes.  Contudo, mesmo em face da inevitabilidade de sua recorrência, ainda consideramos que o crime é algo maligno e injustificável.  Portanto, à minha afirmação de que o crime é imoral seria estupidez e hipocrisia redarguir dizendo que "trata-se de uma visão impraticável" ou "mas isso não funcionaria," "uma vez que crimes sempre existirão".  O fato de que sempre existirão crimes — que nem todos irão voluntariamente respeitar os direitos alheios — não significa que é algo impraticável se opor a eles;  também não significa que o crime é justificável.  Não há qualquer "falha" na proposição de que o crime é errado e imoral.

Da mesma maneira, à minha afirmação de que o estado e suas agressões são injustificáveis seria hipocrisia redarguir dizendo que "a anarquia não vai funcionar" ou que ela é "impraticável" ou que "é improvável que ela venha a ocorrer".[1]  A idéia de que o estado é injustificável é uma posição normativa e ética.  O fato de não serem muitas as pessoas que estão dispostas a respeitar o direito de seus vizinhos permitirem que a anarquia surja — ou seja, o fato de haver um grande número de pessoas que (erroneamente) apoiam a legitimidade do estado, permitindo que ele exista — não significa que o estado, e suas agressões, sejam justificáveis.[2]

Outras respostas utilitárias como "mas precisamos do estado" não refutam a afirmação de que o estado emprega agressões e que a agressão é algo injustificável.  Essas respostas significam simplesmente que o defensor do estado não se importa com a iniciação de força contra vítimas inocentes — isto é, ele compartilha da mentalidade criminosa/socialista.  O criminoso pensa que as suas necessidades são a única coisa que importa; ele está disposto a usar de violência para satisfazê-las; ele não dá a mínima para o certo e o errado.  O defensor do estado crê que a sua opinião de que "nós" "precisamos" de certas coisas justifica os atos de violência contra indivíduos inocentes.  A mentalidade é exatamente essa; tão simples quanto parece.  Quaisquer que sejam seus argumentos, eles não são libertários.  Eles não se opõem à agressão.  Eles são a favor de qualquer outra coisa — garantir que certas "necessidades" públicas sejam satisfeitas, não importa o custo —, menos da paz e da cooperação.  O criminoso, o gângster, o socialista, o estatista-assistencialista, e até mesmo o minarquista, todos compartilham da mesma visão: estão dispostos a tolerar a agressão nua e crua, desde que por algum motivo.  Os detalhes variam, mas o resultado é o mesmo — vidas inocentes são subjugadas para que tal objetivo egoísta seja alcançado.  Alguns têm estômago para isso; outros — os libertários — são mais civilizados e preferem a paz à violência dirigida contra inocentes.

Assim como existem criminosos e socialistas entre nós, não é surpresa alguma que exista um grau de propensão à criminalidade na maioria das pessoas.  Afinal, o estado depende do consentimento tácito das massas, que erroneamente aceitaram a noção de que o estado é legítimo.  Mas isso não significa que todos os empreendimentos criminosos tolerados pelas massas sejam justificáveis.

Aliás, o que mais surpreende é que muitos daqueles que alegam ser a favor da liberdade não aceitam a inevitável conclusão de suas próprias premissas: que o governo é ineficiente e opera através de meios agressivos.  Se essas pessoas — os minarquistas em geral — alegam que o estado não deveria gerenciar a educação porque os resultados são monstruosos, então por que elas não aplicam o mesmo raciocínio para as outras funções que o estado cumpre, tais como a segurança, a defesa, a justiça e os tribunais?  Elas se opõem à educação estatal, ao entretenimento estatal e a todas as outras atividades estatais, porém quando se trata da polícia, da justiça e das leis, muitas delas — muitas mesmo — dão seu consentimento e seu total apoio!

Parece-me que os libertários clássicos (os minarquistas) cometeram um erro terrível.  Eles selecionaram a mais importante das instituições — a saber, a proteção dos nossos direitos — e deram-na ao monopolista.  Creio que, se fosse possível, seria preferível ter um governo que cuidasse de coisas como entretenimento e banheiros ao invés de um governo que se ocupasse de funções "ligeiramente" mais importantes, como segurança e justiça.

Em última instância, o estado não pode ser reformado e nem é do interesse do sistema político fazer tal coisa.  De fato, nada menos do que a abolição de todas as políticas estatistas — e do estado em si — é aceitável para o libertário radical.  Se o governo não serve para ser meu zelador ou educador, ele também não serve para ser minha polícia, meu juiz, meu júri, presidente, promotor ou legislador.

É hora de os libertários tomarem uma posição. Você é a favor da agressão, ou contra?

 

Notas

[1] Um adendo: do meu ponto de vista, a possibilidade de atingirmos a minarquia é tão grande quanto a de atingirmos a anarquia — ou seja, remota.  O que impressiona é que quase todas as críticas sobre a "impraticabilidade" da anarquia que os minarquistas lançam são também verdadeiras para a própria minarquia em si.  Ambas são extremamente improváveis.  Ambas requerem mudanças maciças na mentalidade de milhões de pessoas.  Ambas se baseiam na suposição de que a maioria das pessoas simplesmente não dá a mínima para idéias políticas.

[2] Embora a defesa da anarquia não dependa de sua plausibilidade ou "exequibilidade", assim como a condenação de crimes privados em nada depende de já ter havido ou não atos criminosos, pode-se dizer que a anarquia é claramente possível.  Existe anarquia na relação entre nações, por exemplo.  Há também anarquia dentro da estrutura do governo, como mostrou o seminal e infelizmente negligenciado artigo de Alfred. G. Cuzán, publicado no Journal of Libertarian Studies, "Do We Ever Really Get Out of Anarchy?". Cuzán argumenta que até o próprio governo é em si uma anarquia, internamente — afinal, o presidente não obriga as outras pessoas do governo a obedecerem suas ordens; elas obedecem voluntariamente, devido à existência de uma estrutura reconhecidamente hierárquica.  A anarquia (política) existente dentro de um governo não é uma boa anarquia, mas demonstra que a anarquia é possível — de fato, demonstra que nunca deixamos de viver em regime de anarquia.  Por exemplo, como mostra esse perspicaz artigo, vivemos em "anarquia" com os nossos vizinhos.  Se a maioria das pessoas não tivesse a natureza de respeitar voluntariamente a maioria dos direitos de seus vizinhos, a sociedade e a civilização seriam impossíveis.  A maioria das pessoas é boa o suficiente para permitir que a civilização exista, apesar da ocorrência de crimes públicos e privados em grau variável.  É concebível pensar que, no futuro, o grau de bondade possa aumentar — devido à educação ou a uma maior prosperidade econômica universal, digamos — o suficiente para fazer com que a legitimidade do estado se evapore.  Mas tal advento é bastante improvável.

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Stephan Kinsella advogado especialista na área de patentes, é autor/editor de vários livros e artigos sobre leis de propriedade intelectual, direito internacional e outros tópicos jurídicos. Visite seu website.


tags:  anarcocapitalismo  livre mercado  não agressão  liberdade  
33 comentários
33 comentários
Rhyan Fortuna 21/10/2010 23:48:04

Muito bom rever esse texto!

Responder
Vinci 23/02/2011 21:49:41

Ser anarcocapitalista? Significa ser insensato.

"...O anarquista, porém, se engana ao supor que todo mundo, sem exceção, desejará observar tais regras voluntariamente. Há dispépticos que, embora saibam muito bem que ceder ao prazer de certos alimentos significa sofrer dores fortes, quase insuportáveis mais tarde, não obstante, são incapazes de evitar o prazer e o delicioso prato. Ora, as inter-relações da vida em sociedade não são fáceis de delinear, como os efeitos psicológicos da comida, nem mesmo as consequências ocorrem tão rapidamente e, acima de tudo, tão palpáveis para o causador do mal. É, pois, possível supor-se que, sem cairmos no terreno do absurdo, a despeito de tudo isso, todo indivíduo em uma sociedade anarquista terá maior descortino e força de vontade do que um dispéptico? Em uma sociedade anarquista, estará descartada, totalmente, a possibilidade de que alguém possa, negligentemente, atirar um fósforo aceso e iniciar um incêndio ou, em um momento de raiva, ciúme ou vingança, infligir danos a seu compatriota? O anarquista compreende mal a verdadeira natureza do homem. O anarquismo somente seria praticável, num mundo de anjos e santos.

O Liberalismo não é anarquismo, nem tem, absolutamente, nada a ver com anarquismo. O liberal compreende perfeitamente que, sem recurso da coerção, a existência da sociedade correria perigo e que, por trás das regras de conduta, cuja observância é necessária para assegurar a cooperação humana pacifica, deve pairar a ameaça da força, se todo o edifício da sociedade não deve ficar à mercê de qualquer de seus membros. Alguém tem de estar em condições de exigir da pessoa que não respeita a vida, a saúde, a liberdade pessoal ou a propriedade privada de outros, que obedeça às regras da vida em sociedade. É esta a função que a doutrina liberal atribui ao estado: a proteção à propriedade, a liberdade e a paz." (Liberalismo, pg 38)

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Fernando Chiocca 24/02/2011 15:03:28

Comentar sobre anarcocapitalismo sem conhecer o assunto? Significa fazer papel de ignorante. O que Mises critica não é o anarcocapitalismo, e sim um anarquismo ingênuo:

"O anarquismo de Rothbard não era do tipo de anarquismo que seu professor e mentor Mises havia rejeitado por ser extremamente ingênuo, claro. "Os anarquistas," escreveu Mises,

afirmam que uma ordem social na qual ninguém tivesse privilégios às custas de seus concidadãos poderia existir sem necessidade de qualquer compulsão ou coerção para impedir ações prejudiciais à sociedade... Os anarquistas deixam de perceber o fato inegável de que algumas pessoas são muito limitadas intelectualmente ou muito fracas para se ajustar espontaneamente às condições da vida social... Uma sociedade anarquista estaria à mercê de qualquer indivíduo. A sociedade não pode existir sem que a maioria das pessoas esteja disposta a impedir, pela ameaça ou pela ação violenta, que minorias venham a destruir a ordem social.[10]

De fato, Rothbard concordou sinceramente com Mises que sem recorrer à compulsão, a existência da sociedade estaria ameaçada e que por trás de regras de conduta, cujas observâncias são necessárias para assegurar a cooperação pacífica entre os homens, deve haver a ameaça da força, caso contrário toda a estrutura da sociedade fica à mercê de qualquer um de seus membros. Deve-se estar na posição de compelir uma pessoa que não respeite as vidas, saúde, liberdade pessoal ou propriedade privada dos outros a se sujeitar às regras da vida em sociedade. [11]

Particularmente inspirado pelos teóricos políticos anarquistas do século XIX, Lysander Spooner e Benjamin Tucker e pelo economista belga Gustave de Molinari, desde o início o anarquismo de Rothbard tomou como certo que sempre existirão assassinos, ladrões, matadores etc., e que a vida em sociedade seria impossível se eles não fossem punidos através da força física. Como um reflexo deste realismo fundamental - anti-utopismo - de seu anarquismo de propriedade privada, Rothbard diferentemente da maioria dos filósofos políticos contemporâneos, concedeu importância central ao tema da punição. Para ele, propriedade privada e o direito de defesa física eram indissociáveis. Ninguém pode dizer-se proprietário de alguma coisa se a ele não for permitido defender sua propriedade através de violência física contra possíveis invasores e invasões. "Seria," pergunta Rothbard, "permitido a alguém 'fazer justiça com as próprias mãos'? Seria permitido à vítima, ou a um amigo da vítima, cobrar justiça pessoalmente do criminoso?" e ele responde, "é claro que Sim, já que todos os direitos de punição derivam dos direitos de autodefesa da vítima." (pág. 154). Portanto, a questão não é se o mal e a agressão existem, e sim como lidar justa e eficientemente com suas existências, e é apenas na resposta a essa questão que Rothbard chega a conclusões que o qualificam como um anarquista.

A resposta liberal-clássica, da Declaração de Independência americana à Mises, era atribuir a indispensável tarefa de proteger a vida, liberdade e propriedade ao governo, como sua única função. Rothbard rejeitou esta conclusão como um non sequitur (já que o governo era definido por seus poderes de taxar e de supremo juiz [monopólio territorial de jurisdição]). Posse de propriedade privada, sendo resultado de atos de apropriação original, produção ou troca do anterior para o próximo proprietário, implica no direito de jurisdição exclusiva do proprietário em relação à sua propriedade. Na verdade, o único propósito da propriedade privada é estabelecer domínios de exclusiva jurisdição delimitados fisicamente (assim como evitar possíveis conflitos referentes ao uso de recursos escassos). É impossível que um possuidor de propriedade privada possa renunciar a seu direito de suprema jurisdição e de defesa física de sua propriedade à alguma outra pessoa - a não ser que ele tenha vendido ou transferido sua propriedade (neste caso alguma outra pessoa teria exclusiva jurisdição sobre ela). Ou seja, até que algo tenha sido abandonado, seu proprietário deve ser considerado detentor destes direitos. No que diz respeito a relação com terceiros, todo possuidor de propriedade pode ainda participar das vantagens da divisão do trabalho, da busca de melhorias e da proteção aperfeiçoada de seus direitos imutáveis através da cooperação com outros proprietários e suas propriedades. Todo possuidor de propriedade pode vender para, comprar de, ou adquirir de outra maneira, de qualquer outro, qualquer coisa relativa à proteção suplementar da propriedade, bem como produtos e serviços de segurança. Ainda, todo possuidor de propriedade pode também interromper unilateralmente, a qualquer momento, quaisquer dessas cooperações com terceiros ou alterar suas próprias associações. Por isso, para satisfazer a demanda por proteção e segurança entre possuidores de propriedade privada, é admissível e possível que existirão especialistas ou agências fornecendo proteção, seguros e serviços de arbitragem por uma remuneração, para compradores ou não compradores, de forma voluntária. No entanto, é inadmissível para tais firmas ou agências compelirem alguém a se dirigir exclusivamente a ela para proteção, ou impedir qualquer outra agência de, da mesma maneira, oferecer serviços de proteção; ou seja, nenhuma agência de proteção pode ser financiada por impostos ou ser isentada da competição ("livre concorrência").

Em evidente contraste, um monopólio territorial de proteção e jurisdição - um estado - apoia-se desde o início em um ato inadmissível de expropriação, e assegura ao monopolista e seus agentes uma licença para promover expropriações (taxação). Isto implica que todo possuidor de propriedade fica proibido de interromper sua relação com seu suposto protetor, e que ninguém, à exceção do monopolista, pode exercer suprema jurisdição sobre sua propriedade. Mais especificamente, todos (exceto o monopolista) perdem seu direito à proteção física e à defesa contra possíveis invasões para o estado e deste modo ficam indefesos vis-à-vis às ações de seu alegado protetor. Consequentemente, o preço da justiça e da proteção tem um aumento contínuo e a qualidade da justiça e da proteção cai continuamente. Uma agência de proteção financiada por impostos é uma contradição em termos - "um protetor invasivo" - que, se permitido, resulta em mais impostos e ainda menos proteção. Igualmente, a existência de um monopólio judicial leva à uma constante deterioração da justiça. Porque se não se pode recorrer à justiça a não ser através do estado e de seus tribunais e juízes, a justiça será constantemente corrompida em favor do estado, até que a ideia de leis de conduta humana imutáveis finalmente desapareça e seja substituída pela ideia da lei como uma legislação positiva criada pelo estado. Baseado nestas análises, Rothbard considerou a solução liberal-clássica ao fundamental problema humano da proteção - de um estado mínimo ou vigia-noturno, ou governo "limitado constitucionalmente" - como uma ideia extremamente ingênua e confusa. Todo estado mínimo tem a tendência inerente a tornar-se um estado máximo, uma vez que ao permitir-se à uma agência coletar qualquer imposto, por menor que seja ou para qualquer propósito, esta tenderá naturalmente a aplicar os rendimentos de seu imposto atual na coleta de futuros impostos ainda maiores, para os mesmos e/ou outros propósitos. Semelhantemente, uma vez que uma agência possua qualquer monopólio judiciário, ela tenderá naturalmente a servir-se de sua posição privilegiada para uma nova expansão de sua extensão de jurisdição. Constituições, no fim das contas, são constituições estatais, e eventuais limitações que possam conter - o que é ou não constitucional - são julgadas pelos tribunais e juízes estatais. Portanto, não existe outra maneira possível de se limitar o poder do estado a não ser eliminando-se o estado completamente e, em conformidade com a justiça e os ensinamentos da ciência econômica, estabelecendo um mercado livre de serviços de proteção e segurança." (A Ética da Liberdade, Introdução)

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Leonardo Couto 01/01/2012 14:58:26

Mises acreditava que o Estado deveria existir, assim como impostos ( baixos ).\r
Discordava tanto da anarquia "ingênua" quanto do anarcocapitalismo, visto que ambos pregam a abolição do Estado.\r
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"Governo, como tal, não só não é um mal, mas é a instituição mais necessária e benéfica, pois sem ele nenhuma cooperação social duradoura e nenhuma civilização poderia ser desenvolvida e preservada. É um meio de lidar com uma imperfeição inerente de muitos, talvez da maioria das pessoas. [...] Não é o Estado um mal, mas as deficiências da mente humana e do caráter que exigem imperativamente a operação de um poder de polícia. Governo e Estado nunca podem ser perfeitos, porque eles devem a sua razão de ser à imperfeição do homem e pode alcançar seu fim, a eliminação do impulso inato do homem para a violência, só pelo recurso à violência, a mesma coisa que eles são chamados a evitar . [...] O principal problema político é como evitar que o poder de polícia de tornar-se tirânico. Este é o significado de todas as lutas pela liberdade."\r
Ludwig von Mises.\r
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"Tributação é uma questão de economia de mercado. É uma das características da economia de mercado que o governo não interferir com os fenômenos mercado e seu aparato técnico ser tão pequeno que a sua manutenção absorve apenas uma fração modesta do total da soma dos rendimentos do cidadão. Então os impostos são um instrumento adequado para fornecer os fundos necessários para o governo."\r
Ludwig von Mises.

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Augusto 24/02/2011 16:08:38

Em uma sociedade anarquista, estará descartada, totalmente, a possibilidade de que alguém possa, negligentemente, atirar um fósforo aceso e iniciar um incêndio ou, em um momento de raiva, ciúme ou vingança, infligir danos a seu compatriota?\r
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Esta possibilidade esta totalmente descartada hoje? Acho que nao. Nao eh o que eu vejo, todos os dias, no jornal.

Responder
Ricardo Frota 28/04/2011 16:26:37

Eu n conheço muito bem o anarquismo, muito menos o libertarianismo (se é que são coisas distintas). Aprendi na academia que as pessoas abdicaram de parte da sua autonomia para que houvesse uma entidade capaz de dar ordem às coisas, ao menos de forma a permitir que o homem não seja o lobo do homem... para evitar que o homem destrua a si mesmo ao destruir os outros! Neste sentido eu vivi acreditando que seria necessário a figura do Estado para que pudesse organizar a sociedade de tal forma que ela possa existir. Esta função talvez pudesse ser feita por entidades privadas, contanto que houvesse uma aceitabilidade da população para que assim fosse: um contrato social privado (não sei se estou falando besteira, pois estou divagando livremente). No caso destas funções serem exercidas pelo Estado, para que uma pessoa não seja poderosa ao ponto de cometer excessos indefinidamente, esta representação será escolhida democraticamente pela sociedade e terá prazo determinado! Ao terminar o prazo. Valeria lembrar que o poder não é do governante, e sim do povo! O governante só o representa! (pena que ninguém parece ter noção disto) No caso do poder ficar na mão da iniciativa privada, mudaria em que? Seria uma troca de um monopólio por outro? O poder seria indeterminado no tempo? Haveriam muitas "justiças" e "polícias" paralelas? Acho que termos um Estado é uma forma de simplificar o modelo! A sociedade seria algo muito complexa se não houvesse o Estado! Eu acho que o Estado limita as liberdades, nos Estados socialistas ou totalitários invadem até o pensamento e a forma de expressar, concordo que os impostos são atos violentos, concordo que a obrigatoriedade de votar e de se vacinar também (apesar de que neste último caso, eu faço vistas grossas ao Estado Babá, rs)!

Eu não estou convencido de que a gente deveria lutar para que não houvesse Estado. O que difere os anarquistas nos comunistas é que para ser os comunistas para se alcançar este estado de sociedade sem Estado, deveria passar pela fase socialista vinda através de revolução e expropriação. E no caso dos anarquistas, viriam através da consciência de que o indivíduo é dono de si e de seus desejos não cabendo à ninguém ou instituição intervir em sua liberdade! Neste caso, prefiro o anarquista... E MUITO! Porém, acho que poderíamos ser suficientemente felizes com o estado mínimo. Eu não sou adepto do Estado nulo, mas eu também sou mais liberal do que o liberalista clássico, que dizia que o Estado tem por funções clássicas o provento da educação, saúde, justiça, segurança, relações exteriores e defesa (Roberto Campos), eu tiraria educação e Saúde da função do Estado, por acreditar que liberalizando a universalização com um certo grau de qualidade poderia ser possível! A preocupação maior seria o de fomentar o crescimento para se aumentar o nível de emprego! Porém, conviveria muito bem num país em que o Estado propusesse oferecer educação e saúde, mas... um estado forte, como este que temos? DEUS ME LIVRE! Pagamos caro... a sociedade está sendo excluída do consumo! Não só o consumo de carros e iPads, mas educação, saúde e remédios...

Viajei um pouco... desculpe por qualquer loucura... mas me propus viajar livremente!

Responder
Norbs 28/04/2011 15:12:41

1)E quem vigia as polícias privadas?
Os consumidores?
Os consumidores não ligam se a empresa que traz petróleo pra eles polui o mar, não ligam quando resolvem comprar produtos piratas de um camelô (produtos com copyright)
e muitos outros exemplos...

2) Suponha que o sr A acuse o srB de roubar sua propriedade, e daí vai pra casa do sr B com a sua polícia privada.Chegando lá o sr B fala que não roubou nada, e tem a pp dele a postos.O que acontece depois?
obs: possíveis respostas: as pp teriam acordos pra impedir conflitos entre elas.
Então elas são inúteis.

3)Quando um minarquista fala que 'não daria certo', ele não está comentando o mérito de se aquilo é mais ou menos justo comparado com uma utopia feita de santos.O que ele está falando é que, enquanto as pessoas não forem santas, é melhor ter uma solução mais ou menos do que solução nenhuma.

Responder
augusto 28/04/2011 16:01:26

Vou tentar responder aos teus comentarios adotando uma perspectiva libertaria - nao significa que eu endosse completamente os argumentos.\r
\r
"Os consumidores não ligam se a empresa que traz petróleo pra eles polui o mar, não ligam quando resolvem comprar produtos piratas de um camelô (produtos com copyright)\r
e muitos outros exemplos..."\r
\r
O problema da poluicao nao eh do consumidor - eh de quem polui e do proprietario da area poluida. Num mundo libertario "radical", ate o mar seria privatizado, e quem poluisse teria que pagar uma indenizacao ao dono daquela area do mar.\r
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Quanto aos produtos de camelo, a maioria dos libertarios com quem eu ja interagi acham que as leis de copyright deveriam ser abolidas.\r
\r
"obs: possíveis respostas: as pp teriam acordos pra impedir conflitos entre elas.\r
Então elas são inúteis."\r
\r
Se a policia que voce contratou entrou num acordo com outra policia, voce eh, em tese, livre para sair desse contrato e procurar outra empresa de defesa. Da mesma forma, se hoje voce procurar um advogado para te defender numa causa qualquer e ele recomendar que voce aceite termos com os quais voce nao esta de acordo, voce simplesmente troca de advogado.\r
\r
"ele não está comentando o mérito de se aquilo é mais ou menos justo comparado com uma utopia feita de santos.O que ele está falando é que, enquanto as pessoas não forem santas, é melhor ter uma solução mais ou menos do que solução nenhuma."\r
\r
O seculo XX foi o seculo mais sangrento na historia: genocidios a torto e a direito, guerras em escala global, conflitos armados por recursos naturais que nem sao tao escassos assim. E ao mesmo tempo, foi o seculo de maior concentracao de poder na mao de poucos soberanos. Enquanto na Europa, na Africa e na Asia voce tinha varias centenas de reis, imperadores, principes e sultoes, no seculo XX o numero de entidades nacionais independentes foi reduzido para menos de duzentos. Nao me parece que os dois faos sejam mera coincidencia.\r
\r
Como diria o Patri Friedman - let a thousand nations blossom.

Responder
anônimo 28/04/2011 16:14:08

Os consumidores não ligam se a empresa que traz petróleo pra eles polui o mar, não ligam quando resolvem comprar produtos piratas de um camelô (produtos com copyright)
E por que deveriam?
Só porque você deseja isso?

Responder
André Ichiro 28/04/2011 17:25:02

"b" pode ser verdadeiro.

Responder
Mr.Garone 01/01/2012 13:31:12

O ANARCOCAPITALISMO É LIBERTÁRIO?

Por David Friedman

Um homem que quer proteção irá demitir patrulheiros que perdem seu tempo assediando minorias. (...) Nenhum policial privado jamais passou horas a fio espionando um banheiro público na esperança de prender pervertidos.

WILLIAM WOOLDRIDGE

Eu descrevi como um sistema privado de tribunais e polícia pode funcionar, mas não as leis que este produziria e faria valer; discuti instituições, não resultados. É por isso que usei o termo anarcocapitalista, que descreve as instituições, em vez de libertário. Ainda está para se provado que essas instituições produzirão uma sociedade libertária, uma sociedade em que cada pessoa é livre para fazer o que bem entender consigo e sua propriedade desde que não use nenhuma das duas para iniciar a força contra outros.

Sob certas circunstâncias, elas não irão. Se quase todos acreditarem piamente que o vício em heroína é tão horrível que não deve ser permitido em qualquer lugar e sob quaisquer circunstâncias, instituições anarcocapitalistas produzirão leis contra a heroína. As leis são produzidas para um mercado e é isso que o mercado quer.

Mas as demandas no mercado são em dólares, não votos. A legalidade da heroína não será determinada por quantos são contra ou a favor dela, mas pelo custo que cada lado está disposto a incorrer de forma a ter o que deseja. Pessoas que querem controlar a vida dos quase nunca estão dispostas a pagar pelo privilégio; em geral, elas esperam ser pagas pelos 'serviços' que prestam às vítimas. E os 'contemplados', sejam por leis contra as drogas, leis contra a pornografia ou leis contra o sexo, sofrem muito mais com a opressão que o prazer derivado pelos opressores. Eles estão dispostos a pagar um preço muito mais alto para serem deixados em paz do que qualquer um está disposto a pagar para mexer com eles. Por essa razão, as leis de uma sociedade anarcocapitalista devem ter uma forte tendência à liberdade.

Assim, o puritanismo compulsório dos 'crimes sem vítima' seria muito mais raro sob o anarcocapitalismo do que sob instituições políticas. Podemos ter alguma ideia de quão raro se considerarmos os custos que tais leis agora impõem às suas vítimas e o valor de tais leis para quem as apoia. Se o valor de uma lei para os apoiadores é menor que o custo para as vítimas, essa lei, pela lógica do artigo anterior, não sobreviverá numa sociedade anarcocapitalista.

Os viciados em heroína pagam mais de $2 bilhões por ano por heroína. Se a heroína fosse legal, seu custo seria muito baixo. Quase todos os $2 bilhões gastos com heroína hoje são o custo da lei, não do vício; os viciados pagam custos adicionais na forma de encarceramento, overdose causada pelo baixo controle de qualidade típico de produtos ilegais e outros efeitos colaterais das leis contra heroína. Logo, os viciados em heroína estariam dispostos, se necessário, a bancar um custo de $2 bilhões ou mais de forma a manter a droga legal. Os não-viciados precisariam de cerca de dez dólares per capita ou quarenta dólares por família, por ano, para bancar a proibição.

Se a escolha tivesse que ser feita na base de um tudo-ou-nada, a opinião pública é tão forte contra a heroína que as pessoas estariam dispostas a arcar com esse custo. Mas uma das vantagens de um sistema de mercado de leis é sua habilidade de adequar o produto, geograficamente ou de outras formas, para os clientes. Se o maior retorno vem de ter heroína ilegal em alguns lugares e legal em outros, esse será o resultado.

A maior parte da população vive em áreas onde com poucos viciados em heroína. Para essas pessoas, o custo de fazer da heroína ilegal na região seria muito pequeno; não haveria ninguém do outro lado se oferecendo para legalizá-la, exceto talvez uns poucos viciados novaiorquinos que gostariam de passar as férias fora da cidade grande e levar seu vício junto. Nessas áreas, as agências de proteção aceitariam agências de arbitragem que veem o uso ou venda de heroína como um crime. Mas as pessoas que moram nessas áreas teriam pouco a ganhar se pagassem um preço muito mais alto para proibir a heroína em Nova Iorque também.

Isso nos deixa com 8 milhões de novaiorquinos não-viciados contra 100,000 viciados, elevando o custo de manter a heroína ilegal em Nova Iorque para os não-viciados para mais de $100 por ano por pessoa. Prevejo que, se instituições anarcocapitalistas surgissem neste país amanhã, a heroína seria legal em Nova Iorque e ilegal na maioria dos outros lugares. A maconha seria legal em quase todo o país.

A essa altura o leitor pode estar ficando confuso. É natural; estou descrevendo a legislação em termos econômicos e você está acostumado a pensar nela em termos políticos. Quando falo sobre pagar por uma lei ou outra, não quero dizer que teremos uma legislatura que literalmente leiloa leis. Quero dizer o desejo de cada pessoa pelo tipo de leis que ela acredita estará refletido nos diferentes preços que ela está disposta a pagar à agência de proteção de acordo com a qualidade do serviço que esta pode prestar em obter a lei que o cliente deseja. Esse conjunto de 'demandas' por leis será reconciliado através do tipo de barganha descrita no capítulo anterior. O processo é análogo à forma que você e eu 'competimos' para que um pedaço privado de terra seja utilizado da forma que queremos. Nossas demandas pela comida que pode ser cultivada nela, pelos prédios que podem ser construídos, possíveis usos recreativos ou seja lá o que for, determinam como ela acabará sendo utilizada.

O que eu venho dizendo é que, assim como o mercado aloca recursos para produzir drogas ilegais em resposta à demanda daqueles que querem usá-las, o mercado tornaria o uso dessas drogas legal em resposta à mesma demanda. A questão óbvia é por que o argumento não se sustenta para tornar o assassinato legal. A resposta é que assassinato fere alguém, e para a vítima é muito mais valioso não ser baleada do que é para o assassino atirar nela. Eu tenho uma demanda por uma lei que diz que você não pode me matar. 'Crimes sem vítimas' não ferem ninguém, exceto no sentido vago de gerar uma indignação moral em pessoas que se aborrecem pelos pecados dos vizinhos. Há pouca demanda no mercado por leis contra eles.

O mesmo efeito geográfico que descrevi para leis contra as drogas também se aplicaria a outras leis. Sob as instituições atuais, as áreas sobre as quais leis se aplicam são determinadas por acidentes históricos. Se a maioria da população de um estado apoia um tipo de lei, todos mundo nesse estado é regido por ela. Sob o anarcocapitalismo, na medida do possível, todos teriam sua própria lei. A diversidade jurídica não pode ser ilimitada, já que a mesma lei deve cobrir ambas partes de uma disputa. Mas é possível haver uma diversidade muito maior que o nosso sistema atual permite. Quando a maioria e a minoria, ou as minorias, estão geograficamente separadas, a maioria está preocupada principalmente em ter as leis que deseja para si; é apenas o nosso sistema político que impõe essas leis à minoria também.

A essa altura do argumento, a questão das pessoas pobres muitas vezes é levantada. Como os dólares votam, os pobres não saem perdendo?

Sim e não. Quanto mais dinheiro está disposto a pagar por proteção, maior a qualidadeque você pode obter e mais você consegue definir os detalhes da lei como quer. Essa é a situação atual, como todos sabem. Nosso sistema político de polícia e tribunais presta um serviço muito melhor para aqueles com a rendas maiores. Aqui como em outros lugares, o mercado não trará igualdade, mas vai melhorar significativamente a situação dos pobres.

Por quê? Porque o mercado permite que as pessoas concentrem seus recursos naquilo que é mais importante para elas. Eu discuti esse ponto mais cedo, no contexto do homem pobre que ao comprar uma necessidade oferece mais que o homem rico que quer o mesmo bem como luxo. A proteção contra o crime não é um luxo.

Atualmente, os gastos governamentais com polícia e tribunais custam cerca de quarenta dólares por ano por pessoa. De acordo com a lei de Friedman, isso quer dizer que proteção particular da mesma qualidade média custaria cerca de vinte dólares. Muitos habitantes do gueto ficariam maravilhados em pagar vinte dólares por ano se realmente recebessem proteção em troca; muitos são roubados em mais que esse valor todo ano como resultado da péssima proteção que recebem do sistema gerenciado pelo governo. Eles ficariam ainda mais felizes se ao mesmo tempo fossem aliviados dos impostos que pagam pela proteção que a polícia do governo não fornece.

Apesar de mitos populares sobre o capitalismo oprimir os pobres, os pobres estão em pior situação naqueles serviços fornecidas pelo governo, como educação, proteção policial e justiça. O gueto tem mais bons carros do que boas escolas. Colocar a proteção no mercado significaria uma proteção melhor para os pobres, não pior.

Responder
Fabio 15/03/2012 13:41:33

E se existirem coisas que são inerentemente coletivas?

Responder
Thyago 25/03/2012 11:40:19

Artigo muito bom...

Recentemente li um livro do Meira Penna, e ele como minarquista, ataca algumas ideias anarcocapitalistas... É bacana para contrastar...

Responder
anônimo 15/11/2012 07:03:34

Oras, qualquer que seja o caso, para se chegar ao anarcocapitalismo de maneira pacífica é preciso passar pela minarquia. O nó já está feito. Você pode cortá-lo fora de uma vez ou desamarrá-lo com cuidado. As consequências serão completamente diferentes.

Chegar ao anarcocapitalismo, partindo de um Estado-Social, sem passar por um Estado mínimo, com certeza só geraria o caos. Provavelmente a sociedade iria clamar bovinamente por mais Estado se por acaso, do dia pra noite, houvesse uma revolução anarcocapitalista. No mínimo, se re-organizariam em feudos ou comunidades, o que pode até parecer bom, mas provavelmente seria feito após alguns episódios grotescos típicos do ser humano.

Sendo assim, acho que o certo seria, a princípio, que os anarcocapitalistas prestassem mais atenção para a minarquia. Diminuir o poder do Estado e aumentar o do indivíduo gradativamente. Depois que engrenar, a gravidade cuidará do resto.

Responder
Fernando Chiocca 15/11/2012 09:06:45

Claro.. antes de abolir a escravidão, precisamos passar pela lei do ventre livre e muitos outros passos... gradualismo...

Por que não podíamos abolir a escravidão ontem e não podemos abolir o governo hoje

Responder
anônimo 15/11/2012 13:52:25

Fernando,
O que você sugere? A abolição imediata do Estado?

Responder
Julio Heitor 19/05/2014 20:54:10

Concordo com você fernando. Mas acredito que o proprio autor do artigo discorda de nós dois.

"Anarquistas não (necessariamente) predizem que a anarquia será implementada — eu, por exemplo, não acredito que será. Mas isso não significa que o estado seja justificável."

É como se um padre, ao mesmo tempo que prega a fé de Cristo, não acredita que um dia a humanidade se voltará para Deus. Porque então o sujeito se dá ao trabalho de pregar???

Responder
Joao 25/02/2013 23:40:18

Hoje nós temos 2 minarquias no mundo. Pode-se ver empiricamente que o modelo funciona.

Responder
anônimo 04/05/2013 15:10:31

Vcs tão ligados que no âmbito internacional existe anarquia, né?

Se o Brasil e a Argentina celebram um tratado e uma das partes não cumpre, não há governo supranacional que a faça cumprir.

Mesmo assim, é difícil nego pedir um estado mundial.

Então porque a turma não acredita na anarquia em nivel regional ou individual? Vai entender...

Responder
Sofista 30/01/2014 13:01:00

No Ambtio Internacional existes anarquia?
Dependete do que vc entende por anarquia?veja quando há desacordo entre duas nações ambas recorrem a lideranças ou entidades regionais com suas leis que são garantidas com a "autoridade" dessas lideranças. E esse não há acordo ou pressão para o mesmo, estarão muito perto de um conflito, uma guerra. Sem a presença hegemonica do EUA na américa, eu pessoalemnte acho que teriamos muito mais conflitos, guerras que existem hj. A anarquia é um delírio, a própria natureza é ditatorial com o ser Humano, e esse sentimento anarquico é um ressentimento com o próprio fato de existir.

Responder
anônimo 02/02/2014 00:05:18

Pois é, a anarquia é só aparente, na prática os EUA são a puliça da terra.

Responder
Nairon Alencar 19/11/2013 00:39:02

Discutindo o caso de se o estado deve existir, ele deve tomar conta da segurança nacional. Perdemos o fato de que o crime é anos luz mais eficiente que o estado.
O estado por si só é estagnado, só pensa nas próximas eleições e demagogia que irão propor.
Se pararmos pra pensar, o mercado sempre foi inovador em todas as áreas que ele atuou. Se a segurança fosse totalmente retirada das mãos do estado e totalmente desregulamentada, não demoraria para vermos grandes inovações na segurança, no sistema jurídico e nas leis...
Logo...estado < crime < mercado
estado é menos eficiente que o crime, e o crime é menos eficiente que o mercado descentralizado e livre.
É fato ! Estamos esquecendo disso.

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 25/12/2013 12:09:38


Dizer que o crime existe e resulta da natureza humana é um "juízo de realidade" (declaração de como a realidade é).

Dizer que o crime é imoral e não deveria existir é um "juízo de valores" (declaração de como a realidade deveria ser).

Sendo afirmações de tipos diferentes, não há contradição entre elas, mas não devemos confundi-las.

* * *

Responder
Paulo Falcão 25/01/2014 09:45:06

Acredito que sua visão do anarquismo está alinhada com a visão idílica e mítica do comunismo, aquele pós-socialista. Gostaria de indicar uma interessante reflexão sobre o tema: questoesrelevantes.wordpress.com/2014/01/24/do-socialismo-ao-comunismo-uma-questao-de-fe-2/

Responder
Marcel 30/01/2014 11:57:37

"(b) os estados (em particular, os estados mínimos) não necessariamente empregam a agressão [...] A proposição (b) é claramente falsa."
Quer dizer que toda e qualquer ação do estado é uma agressão? Será que não existe uma situação sequer na sociedade que não é preciso que o governo atue?
O autor faz um esforco tremendo para classificar os minarquistas como defensores da agressão do estado (minimo). Ele poderia usar essa energia e chegar a uma conclusao oposta, ex. que os minarquistas sao a favor de mínimo de agressao POSSIVEL naquele determinado momento histórico realizada pelo estado. Enfim, o anarcocapitalismo anda de maõs dadas com o comunismo, utopias maravilhosas impossiveis de serem implantadas.

Responder
Rafael 30/01/2014 12:10:18

Você acha o comunismo uma "utopia maravilhosa"? É assim que o cara se entrega...

Responder
Marcel 30/01/2014 12:28:43

Ola Rafael, obrigado por me avisar, esqueci de colocar as aspas. São maravilhosas na visão de quem as defende ;)

Responder
Yonatan 27/03/2014 14:23:55

Pergunta-título do artigo: O que significa ser um anarcocapitalista?
Minha resposta, depois de ler esse artigo (e os comentários): significa ser tão utópico quanto os comunistas. Toda ação (ou princípio de ação) do Estado é agressão? Bem, eu gostaria de saber se o estado capturasse e punisse um bandido que estuprasse sua mulher você continuaria com essa mentalidade. O estado deveria deixar de existir pelo menos, então, porque várias de suas atitudes são agressões? Que pensamento interessante... talvez seria bom mudar de universo, já que a gravidade é a maior assassina de todos os tempos.

Responder
Bronson 27/03/2014 14:42:04

"Toda ação (ou princípio de ação) do Estado é agressão?"

Todas as ações que envolvem coerção contra inocentes, sim. Qualquer ação que envolva um ataque à vida e à propriedade do indivíduo é coercivaa.

Se eu quero empreender, mas as regulações do estado me proíbem, isso é agressão. Se eu trabalho e quero manter os rendimentos do meu trabalho, mas o estado rouba uma parte de mim, isso é coerção. (E se eu tentar manter para mim 100% dos rendimentos do meu suor, o estado me prende; e se eu oferecer resistência à prisão, o estado me mata).

Se eu quero ter uma arma para defender a minha família, mas o estado me proíbe, isso é agressão.

"Bem, eu gostaria de saber se o estado capturasse e punisse um bandido que estuprasse sua mulher você continuaria com essa mentalidade."

Em primeiro lugar, tal ação envolve coerção contra um violador da vida e da propriedade alheia. Um violador da vida e da propriedade alheia perdeu seus direitos à inviolabilidade de sua vida e de sua propriedade.

Isso é o básico do básico, e o fato de você fazer tal ironia mostra apenas que você quer discutir algo sem ter minimamente estudado a respeito. Isso depõe severamente contra sua honestidade e seu preparo intelectuais.

Por fim, algo importantíssimo: mesmo que o estado capture esse bandido, vale ressaltar que foi o próprio estado quem me desarmou e, com isso, deixou a mim e a minha família à mercê desses bandidos. Mais ainda: se tal crime ocorreu, então o estado fracassou miseravelmente em seu monopólio da segurança. Ele me desarma, me proíbe de me defender, se auto-atribuiu o monopólio da segurança, e fracassa totalmente nessa atribuição.

Quer coerção maior do que essa? E você compactua com tudo isso...

"O estado deveria deixar de existir pelo menos, então, porque várias de suas atitudes são agressões? Que pensamento interessante..."

Tão interessante que eu não entendi absolutamente nada da lógica. A frase é ininteligível.

"talvez seria bom mudar de universo, já que a gravidade é a maior assassina de todos os tempos"

Por incrível que pareça, esse conseguiu ser seu melhor argumento em toda a sua participação.

Responder
Yonatan 27/03/2014 19:15:14

Caro Bronson, lamento se minha ironia foi ofensiva, mas, como você sabe, se a minarquia é uma forma improvável de organização político-econômica, muito mais improvável de acontecer nos dias atuais é a anarquia, ou anarcocapitalismo, como queira; está mais para um ideal almejado por pessoas inteligentes, livres e idôneas. É claro que existiram povos que viveram um certo tipo de anarquia, mas isso nunca foi pleno, pois é algo que vai contra a natureza humana. Israel antigo, por exemplo, vivia um estilo quase que anarquista de sociedade, possuindo apenas juízes que, muitas vezes, eram voluntários, não recebiam nada por esse trabalho; eram, na verdade, homens e mulheres de séria reputação na sociedade. Quem policiava tais conflitos, punindo os agressores, era a própria vizinhança ou os amigos das vítimas, apoiados pela sociedade.(Sabemos que isso até hoje existe, como os linchamentos, por exemplo. Aqui mesmo em minha cidade, que é pequena, há muito tempo houve um linchamento de vários criminosos que virou notícia nacional). Mas, a lei que a sociedade judia se baseava naquela época não se originava de indivíduo para indivíduo, mas era uma só para toda a nação. Era a lei de Moisés, ensinada aos jovens desde a mais tenra idade.
Caro, ainda sou jovem, estou finalizando o curso de Economia e talvez eu ainda esteja um pouco despreparado intelectualmente nesses assuntos, mas eu acredito que, como ocorre com a gravidade, o Estado - ou alguma forma de governo ou ainda um conjunto de leis padronizadas - é necessário para manter certa estabilidade em nossas vidas. Acredito que, diferentemente de hoje, o custo da existência dele seria inferior às vantagens que ele poderia oferecer.
Sei que projetar o estabelecimento de tal sociedade livre e desenvolvida deve ser um trabalho muito diligente, algum tipo de engenharia social. No caso do financiamento do Estado, por exemplo, considero realmente lamentável que seja através de impostos, e pior que isso ainda é o financiamento via emissão monetária. Acredito que talvez devesse existir algum mecanismo para que somente aqueles que recebem o benefício do serviço do sistema policial, judiciário ou presidiário pagassem por ele. Colônias penais autossuficientes para infratores da lei, por exemplo. Quanto ao policiamento e o judiciário, talvez as pessoas devessem pagar diretamente por ele, nem que seja com algum financiamento, assim como já acontece, em partes, com o ensino superior aqui no Brasil (FIES). Bem, de qualquer forma, isso é só uma abstração minha!
O comportamento humano é cheio de falhas, por vezes irracional e destruidor. Como disse Agente Smith, no filme Matrix, os humanos são mamíferos mas se comportam como vírus, são um câncer desse planeta.

Responder
Morpheu 27/03/2014 19:26:10

"Como disse Agente Smith, no filme Matrix, os humanos são mamíferos mas se comportam como vírus, são um câncer desse planeta."

Então contribua para a salvação do planeta e se mate. Ao menos tenha essa coerência. Caso contrário, você não passa de um ativista de sofá. Um hipócrita.

Responder
Yonatan 27/03/2014 20:30:10

(Pessoal hostil detectado) Cara, por acaso você me conhece? Se metade dos humanos deste planeta tivessem um comportamento ético/moral como o meu, viveríamos num verdadeiro paraíso, não importando o sistema político vigente. Você é tão ignorante que leva tudo o que lê no literal?

Responder
Morpheu 27/03/2014 20:40:32

"Se metade dos humanos deste planeta tivessem um comportamento ético/moral como o meu, viveríamos num verdadeiro paraíso, não importando o sistema político vigente."

Ah, nada como a doce e gostosa arrogância da mocidade. Se todos fossem no mundo iguais a mim...

Quando eu tinha 15 anos eu também pensava assim. Eu jurava que todos os males do mundo decorriam do fato de eu não ter poder para corrigir ninguém. "O grande mal do mundo é que eu não estou mandando", dizia eu.

Eu pensava isso quando tinha 15 anos. Só que, com 16, parei de pensar. Você ainda chega lá.

Aliás, só de curiosidade: você disse que todos os humanos são um câncer neste planeta, exceto você (e ainda achou ruim de ser desafiado após falar isso). Logo, minha pergunta é: de que você é composto? Como você faz para não emitir CO2 e com isso não ser um câncer para o planeta? Como você passa a vida sem produzir lixo? Como você passa a vida sem urinar e defecar? Como você faz para se locomover grandes distâncias? E principalmente: como você está usando a internet sem consumir eletricidade (a qual é criada por termelétricas) e sem emitir ondas eletromagnéticas (que são no mínimo insalubres)?

Muito curioso.

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