A abolição da usura pelos bancos centrais

A cobrança de juros inquieta as mentes pensantes desde os tempos mais remotos. Aristóteles já repudiava a prática da usura sob o argumento de que ela "fazia com que o dinheiro servisse para aumentar-se a si mesmo".

A função do dinheiro é facilitar as trocas, e não reproduzir-se na ociosidade do agiota, diziam os filósofos durante séculos.

Na visão da Igreja Católica, era um grave pecado que condenava as pobres almas. Com a ascensão do Direito Canônico, a condenação moral religiosa tornou-se crime. Mais tarde, definiu-se como usura apenas a cobrança de juros excessivos. Mas ainda hoje há quem julgue quaisquer juros uma transgressão moral — como é o caso do islã em diversas nações — e proíba a prática na sociedade.

Contudo, depois de muito estudo e debate filosófico e acadêmico, hoje o fenômeno dos juros parece ser um consenso entre economistas e intelectuais. Não há nada moralmente repreensível no empréstimo de dinheiro, embora juros muito elevados sejam ainda considerados abusivos — e até ilícitos —, independentemente do fato de o devedor haver consentido em contrato.

Mas hoje vivemos um novo momento na evolução da sociedade capitalista. Após o início de um novo experimento monetário, há pouco mais de 40 anos, estamos, finalmente, testemunhando o fim da usura. O que clérigo ou filósofo algum conseguiu lograr em 2.000 anos, os bancos centrais o alcançaram em menos de uma década. Nenhuma lei canônica ou pena capital foi capaz de extirpar os juros na história da humanidade, mas os banqueiros centrais modernos — verdadeiros deuses da moeda — estão efetivamente realizando uma das maiores façanhas nos anais das finanças.  

Perdoem a retórica. Obviamente, a abolição dos juros é irrealizável, pois se trata de um fenômeno da ação humana, derivado da chamada preferência temporalceteris paribus, preferimos um bem no presente ao mesmo bem no futuro. Do ponto de vista da pura teoria econômica, uma taxa de juros negativa, ou uma preferência temporal negativa, significa que o consumo é adiado indefinidamente, ele nunca acontecerá. Trata-se, portanto, de uma premissa irreal.

Mas isso não quer dizer que os bancos centrais não possam derrubar as taxas de juros de mercado a níveis irrisórios, ou até mesmo negativos, temporariamente. Esse é o grande paradigma atual. Certamente não no Brasil, onde, na contramão do mundo desenvolvido, estamos elevando os juros — e com razão, é preciso ressaltar, mas isso é assunto para outro momento.

Nesse paradigma, as principais autoridades do planeta estabelecem as suas taxas básicas de juros em zero, muito próximo de zero, ou até mesmo abaixo de zero. Nesse paradigma, o presidente do Banco Central Europeu Mario Draghi e companhia injetam liquidez no sistema bancário, adquirindo ativos soberanos e privados, derrubando o rendimento desses papéis a patamares antes jamais imaginados.

O usureiro sumiu. Entrou em cena um personagem peculiar; há um novo perfil de investidor, cria da era das políticas monetárias não-convencionais. Esse investidor não cobra juros. Ele paga pelo privilégio de emprestar sua poupança ao soberano, e está disposto a comprar títulos do governo suíço, mesmo sabendo que, após dez anos, receberá de volta menos do que aportou. É melhor a certeza de uma pequena perda do que correr o risco de um prejuízo ainda maior.

Neste momento, há mais de € 2 trilhões de títulos de países da Zona do Euro sendo negociados com rendimentos negativos. Com o início do quantitative easing pelo Banco Central Europeu (BCE), esse montante tende a aumentar ainda mais. Cerca de um quarto dos 346 ativos contidos no Bloomberg Global Developed Sovereign Bond Index têm rendimentos abaixo de zero.

Após abandonar o piso do euro, o Banco Nacional Suíço viu a curva de juros dos títulos soberanos do seu país apresentar rendimentos negativos até 15 anos. Mais um feito surreal para os anais das finanças.

E como os yields seguem em território negativo, no fim de fevereiro foi catalogado mais um marco para os livros de história financeira: o governo alemão leiloou, pela primeira vez, títulos de cinco anos com rendimentos abaixo de zero no mercado primário. No mercado secundário, os yields já estavam nesse nível, mas foi a primeira vez que o governo realmente levantou recursos no mercado vendendo dívida a juros negativos.

Neste momento, na Europa, papéis de cinco anos de Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Holanda e Suíça são negociados com yields negativos.

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Além das consequências econômicas oriundas das políticas monetárias acomodatícias, há também repercussões práticas no cotidiano do mercado financeiro. Por toda a Europa, conforme noticiado pelo Wall Street Journal (WSJ), corretoras e outras empresas financeiras estão enfrentando complicações técnicas e legais por causa da realidade de juros negativos.

"Os mercados financeiros sempre trabalharam sob o princípio de que credores são remunerados para emprestar dinheiro", destaca a notícia, "e não com a ideia de que devedores são pagos para tomar dívida". Nenhum sistema estava preparado para operar com juros negativos; está sendo preciso redesenhar diversos sistemas operacionais para adaptá-los à realidade inédita.

E há não apenas as falhas técnicas tecnológicas, mas também as de cunho jurídico. "No ano passado, a International Swaps and Derivatives Association teve de reajustar a documentação legal padrão para um mercado de derivativos de US$ 691 trilhões", informa o WSJ.

Tudo isso é o que se vê nesta realidade paradigmática. O problema, porém, está nos efeitos não-intencionados e, na maior parte das vezes, não visíveis ou não tão previsíveis.

Os rendimentos dos papéis estão desaparecendo ou adentrando território negativo. Mas o outro lado da moeda de yields em declínio é a alta dos preços dos títulos. Embora os investidores conheçam perfeitamente a relação inversa entre rendimento e preço do ativo — em um título com juros pré-fixados, quanto maior o preço pago por ele, menor se torna a taxa de rendimento implícita —, o mercado financeiro foca-se principalmente nos juros embutidos nos títulos de dívida, relegando a segundo plano o preço pago pelos ativos.

Essa é uma convenção do mercado, é claro, que facilita a rápida comparação entre diferentes ativos sendo negociados. Mas ela acaba ofuscando a percepção de algo que deveria estar nítido e cristalino: a formação de uma bolha descomunal de títulos de dívida soberana.

E quanto mais as autoridades monetárias agem, maior se torna a bolha. É uma espécie de círculo vicioso, uma espiral intervencionista: buscando sanar alguma suposta doença nos mercados, aplica-se a droga errada em doses indevidas, provocando o surgimento de novas complicações, as quais suscitam a aplicação de um novo remédio, e assim por diante.

Um exemplo vívido dessa constatação é o recente programa de compra de ativos do BCE, intitulado Public Sector Purchase Programme (PSPP). A versão europeia de afrouxamento quantitativo tem por objetivo a aquisição de títulos de dívida do setor público — países e agências internacionais e supranacionais, como o European Financial Stability Facility — com maturidades de 2 a 30 anos, em um montante de € 60 bilhões por mês.

O propósito é trazer o índice de inflação de preços de volta à meta de 2%. Mas, além do limite de volume, há também um piso no rendimento dos títulos elegíveis no programa: estão vetados papéis com yield abaixo da taxa da deposit facility — a taxa de remuneração das reservas estacionadas no BCE, atualmente estabelecida em 20 pontos-base negativos (- 0,20%).

Em um cenário em que grande parte dos ativos com maturidade até cinco anos já se encontra com rendimentos abaixo de zero, o BCE será obrigado a trabalhar na ponta mais longa da curva de juros. E qual será o resultado? A curva de juros da Europa como um todo será achatada. Os yields dos títulos de 30 anos da Alemanha já rendem menos de 1%, cerca de 70 pontos-base. E o PSPP mal começou.

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Imaginem uma curva de juros de até 30 anos próximo de zero. Pois essa já é a realidade. Um tanto distorcida, com certeza; ainda assim, é a realidade. Mas segundo o BCE, o afrouxamento quantitativo causará o mínimo possível de distorções no mercado. "Nós realmente queremos afetar os preços de mercado, mas não vamos suprimir o mecanismo de descoberta de preços", afirmou Benoît Cœuré, membro do Conselho do BCE, em discurso durante a Second International Conference on Sovereign Bond Markets, em Frankfurt. É como dizer: "Nós realmente queremos atear fogo, mas não vamos queimar nada".

Ora, não nos enganemos: a função das intervenções no mercado financeiro é justamente desorientar o sistema de preços, impondo a vontade dos bancos centrais em detrimento dos fundamentos subjacentes.

Em face do PSPP, já se especula sobre uma eventual escassez de títulos de dívida soberana na Europa. Isso significa que o preço subirá — o quer dizer que os rendimentos cairão ainda mais. A ponto de bater no piso de 20 pontos base negativos? Possivelmente, embora pareça um cenário esticado.

Se chegar a esse ponto, ou o BCE altera a deposit facility para - 0,30% ou os países terão de colocar mais dívida no mercado, comprometendo ainda mais o endividamento total.

Felizmente, fabricar mais títulos de dívida não custa quase nada. Difícil é inflar uma bolha imobiliária por muito tempo; uma hora o aço e o concreto acabam. Mas para emitir mais dívida nem mais papel é preciso, é tudo por meio eletrônico. Obviamente, há as restrições de endividamento impostas pelo tratado de Maastricht, mas ninguém mais dá bola para esse documento antiquado e inconveniente. Se até a Alemanha está violando o limite de 60% de dívida sobre o PIB há mais de dez anos, por que os outros vão se importar?

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Mas diante dessa conjuntura, por que um investidor entraria nesse mercado de dívida soberana? Qual o racional de se investir € 1.000 hoje para receber € 995 em cinco anos?

A verdade é que grande parte dos investidores não está buscando um rendimento módico ou inexistente. Poucos estão efetivamente decididos a segurar um título soberano até o seu vencimento. O que nos remete a uma questão já abordada: o outro lado da moeda dos yields baixos é o preço do título cada vez mais alto.

Quanto mais cai o rendimento do título, mais encarece o papel. Quem investiu no German Bund a um yield de 1,25%, pode agora revender no mercado a um preço muito maior — já que o yield está em 0,25% — e realizar um belo lucro. Se os rendimentos seguirem a tendência de queda, vale a pena entrar agora e revender logo mais. Se há sempre alguém a quem vender mais caro lá na frente, vale a pena comprar agora. Sim, esse é um comportamento típico de bolha, e é precisamente o que está ocorrendo nessa classe de ativos.

A qualificação "livre de risco" comumente dada à dívida soberana com certeza exacerba esse fenômeno. O que, inclusive, causa uma situação paradoxal, uma vez que investidores buscam em massa a aparente segurança de tais ativos, inflando cada vez mais o preço, tornando o próprio ativo tido como seguro mais arriscado. Somam-se a isso programas de afrouxamento quantitativo, e está armada a arapuca.

E tem mais. O rendimento dos títulos soberanos fornece não apenas um indicador de rentabilidade aos investidores, mas também, e sobretudo, um sinal sobre o custo de refinanciamento da dívida do governo.

Em uma conjuntura em que França, Espanha e Portugal conseguem refinanciar sua dívida emitindo títulos com vencimento em dez anos pagando juros de quase 1%, a mensagem que o mercado passa é que não há o menor problema — vale lembrar que, antes de qualquer crise de dívida soberana europeia, os yields estavam em um patamar quase três vezes maior do que agora. Os soberanos podem ficar tranquilos, os investidores seguem confiando na capacidade de pagamento de seus governos.

Nesse estado de coisas, que incentivo têm esses países para efetivar um ajuste fiscal de fato? Os presidentes do Bundesbank e do Nederlandsche Bank já levantaram a bandeira amarela: o afrouxamento quantitativo ameaça a disciplina natural imposta pelos mercados, provendo aos soberanos sinais perigosos de uma falsa solidez fiscal. Qual será o resultado? Governos com uma capacidade futura de pagamento deteriorada, tornando seus papéis de dívida uma aposta cada vez mais arriscada. É uma receita para o desastre.

A manipulação da taxa de juros é o sistema vigente em todo o globo, inclusive no nosso país. É um controle de preço. E, certamente, o preço mais importante da economia. Qualquer tentativa de controlar um preço gerará graves consequências não intencionadas, desarranjando a economia e gerando desequilíbrios.

Políticas de afrouxamento quantitativo e taxas de juros ultrarreduzidas estão distorcendo o balanço dos bancos, aumentando a dependência das taxas de juros em zero. O maior risco para a estabilidade do sistema financeiro global é justamente a política de juros zero. E por quanto mais tempo ela é mantida, mais graves e profundos se tornam os desequilíbrios, mais ativos vão sendo acumulados no balanço dos bancos, mais vulnerável se torna todo o sistema bancário a qualquer elevação de juros.

Os bancos centrais estão abolindo não apenas a usura, mas também o mecanismo de preços, os incentivos naturais de mercado, a disciplina e a prudência do investidor, e instaurando um sistema anômalo em que o risco subjacente é solapado pelas vontades de banqueiros centrais sob justificativas teóricas falaciosas, com consequências práticas temerárias.

Tratando-se especificamente do PSPP, não havia a menor razão para lançar esse novo programa. Os yields de toda a Zona do Euro já estavam no chão. Não havia justificativa do ponto de vista fiscal. Mas a fobia dogmática da deflação levou Mario Draghi a embarcar em uma ousada e perigosa política de quantitative easing.

Contrariando o que afirmam muitos analistas, o problema atual não é a divergência entre as políticas monetárias nos dois lados do Atlântico. O problema é a divergência abismal entre o bom senso e as teorias econômicas prevalecentes.


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SOBRE O AUTOR

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 


www.mises.org.br/Article.aspx?id=454

[link www.mises.org.br/Article.aspx?id=306[/link]
Para começar, sua afirmação é falsa. No entanto, ainda que ela fosse verdadeira, isso seria imaterial.

Essa questão da Previdência brasileira é um assunto bastante interessante pelo seguinte motivo: talvez seja a única área da economia que não está aberta a opiniões ideológicas.

Não importa se você é de esquerda ou de direita; liberal, libertário ou intervencionista. Também pouco importa se você acredita que a Previdência atual seja superavitária (como alguns acreditam). O que importa é que o modelo dela é insustentável. E é insustentável por uma questão puramente demográfica.

E contra a realidade demográfica não há nada que a ideologia possa fazer.

Comecemos pelo básico.

Ao contrário do que muitos ainda pensam, o dinheiro que você dá ao INSS não é investido em fundo no qual ele fica rendendo juros. Tal dinheiro é diretamente repassado a uma pessoa que está aposentada. Não se trata, portanto, de um sistema de capitalização, mas sim de um sistema de repartição: o trabalhador de hoje paga a aposentadoria de um aposentado para que, no futuro, quando esse trabalhador se aposentar, outro trabalhador que estiver entrando no mercado de trabalho pague sua aposentadoria.

Ou seja, não há investimento nenhum. Há apenas repasses de uma fatia da população para outra.

Por motivos óbvios, esse tipo de esquema só pode durar enquanto a fatia trabalhadora for muito maior que a fatia aposentada. Tão logo a quantidade de aposentados começar a crescer mais rapidamente que a fatia de trabalhadores, o esquema irá ruir.

Portanto, todo o arranjo depende inteiramente do comportamento demográfico da população. A qualidade da gestão do INSS é o de menos. Mesmo que a Previdência fosse gerida por anjos probos, sagazes e imaculados, ainda assim ela seria insustentável no longo prazo caso a demografia não cooperasse.

E, no Brasil, ela já não está cooperando. Segundo os dados do IBGE, em 2013, havia 5,5 pessoas com idade entra 20 e 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos. Em 2060, a se manter o ritmo projetado de crescimento demográfico, teremos 1,43 pessoa com idade entre 20 a 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos.

Ou seja, a menos que a idade mínima de aposentadoria seja continuamente elevada, não haverá nem sequer duas pessoas trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.

Aí fica a pergunta: como é que você soluciona isso? Qual seria uma política factível "de esquerda" ou "de direita" que possa sobrepujar a realidade demográfica e a contabilidade?

Havendo 10 trabalhadores sendo tributados para sustentar 1 aposentado, a situação deste aposentado será tranquila e ele viverá confortavelmente. Porém, havendo apenas 2 trabalhadores para sustentar 1 aposentado, a situação fica desesperadora. Ou esses 2 trabalhadores terão de ser tributados ainda mais pesadamente para sustentar o aposentado, ou o aposentado simplesmente receberá menos (bem menos) do que lhe foi prometido.

Portanto, para quem irá se aposentar daqui a várias décadas e quer receber tudo o que lhe foi prometido hoje pelo INSS, a mão-de-obra jovem do futuro terá de ser ou muito numerosa (uma impossibilidade biológica, por causa das atuais taxas de fecundidade) ou excessivamente tributada (algo que não é duradouro).

Eis o fato irrevogável: contra a demografia e a matemática, ninguém pode fazer nada.

A não ser mudar totalmente o sistema.

Uma proposta para uma reforma definitiva da Previdência
"Faltou incluir o custo administrativo, o lucro e os impostos da empresa terceirizada."

Abordados explicitamente no artigo (o qual, pelo visto, você nem sequer leu).

"Lembremos que os custos sempre são repassados ao consumidor (nesse caso, seria a empresa contratante)."

Errado. Não tem como empresas repassarem integralmente seus custos ao consumidor. Isso é básico de economia.

Se você tem uma padaria, e repentinamente seus custos sobem (por exemplo, sua conta de luz subiu), você não tem como simplesmente repassar esse custo adicional ao consumidor. Se você fizer isso, perderá fatia de mercado para as padarias concorrentes. Se você aumentar seus preços, perderá clientes para as padarias vizinhas.

Outra coisa: se fosse tão simples assim sair aumentando preços para repassar custos, então por que as empresas não fazem isso (aumentam preços) agora mesmo? Afinal, não é necessário esperar que haja um aumento de custo para haver aumento de preços. Basta aumentar o preço agora mesmo. Por que elas não fazem isso?

Pois é, porque não é tão simples assim.

Aumentos de custos são sempre, em última instância, arcados pela própria empresa. Fosse realmente tão simples assim sair repassando aumento de custos para os preços, então nenhuma empresa jamais quebraria na história.

P.S.: o único mercado em que é possível "repassar custos" -- e, mesmo assim, com parcimônia -- é o mercado de postos de gasolina, que é um mercado extremamente regulado, com baixíssima entrada de novos concorrentes (por causa das regulações estatais, é caríssimo abrir um posto de gasolina), e vendendo um produto cuja demanda é inelástica. E, mesmo assim, isso só funciona em cidades pequenas, em que há poucos postos à disposição.

"Com isso o custo de se terceirizar torna-se maior."

Embora você nada tenha explicado de correto para chegar a essa conclusão, o fato é que, se você realmente acredita que o custo irá se tornar maior, então você nada tem a se preocupar. Absolutamente ninguém irá querer terceirizar.

(O engraçado é que a esquerda diz justamente o contrário: todo mundo vai querer terceirizar porque o custo vai cair. Favor entrarem num consenso).

"E mesmo se a terceirizada conseguir ser mais eficiente (pois isso depende da área de atuação), a empresa contratante não vai economizar em nada, somente na dor de cabeça com a justiça do trabalho."

Então, de novo, você absolutamente nada tem com o que se preocupar. Ninguém vai querer terceirizar. Logo, tal lei será completamente inócua. Nem sei por que você está perdendo tempo com ela.

"Fui orçamentista em uma terceirizada da construção civil. Como nossas atividades tinham que acompanhar as demais atividades, tínhamos que manter nossos operários até o final da obra. Com isso os custos eram os mesmos da empresa contratante se ela tivesse contratado diretamente os operários. Na verdade eram até maiores, porque no nosso preço final estavam embutidos o nosso custo administrativo, o lucro e os impostos."

Ou seja, não apenas a empresa que contratou os seus serviços era completamente imbecil (aumentou os próprios custos), como você próprio perdeu uma grande oportunidade de lucro: caso tivesse você próprio feito essa empreitada no lugar dessa empresa, teria ganhado um belo dinheiro.

Por que não fez? Odeia dinheiro?

"Portanto não vejo vantagem na ideia de terceirização para a empresa contratante."

Então, pela terceira vez, você nada tem com o que se preocupar. Ninguém irá terceirizar. A lei será inócua. Agora, seja coerente, vá a campo e acalme toda a esquerda. Eles estão estressados com nada. Certo?
Acabariam por voltar aos mesmos padrões de corrupção, eventualmente.

Veja bem, a idéia do sistema de freios e contrapesos foi criada justamente com esse intento. Que, ao dividir os poderes governamentais em três, impediriam que o estado fosse abusivo. A idéia funciona, em teoria, mas na prática o que acaba acontecendo é que os três poderes eventualmente acabam se aliando e legitimando um monopólio de poder. (Esse raciocinio está presente no livro do Rothbard, A anatomia do estado).

Entidades privadas policiando governos estariam sempre sob ataque dos mesmos, pois é raro um governo permitir ser controlado por uma entidade externa, já que a lógica governamental é que são entidades supremas em seus respectivos territórios e não aceitariam ter seu poder reduzido. O governo:

A) Iria recusar a entidade.
e/ou:
B) Tentaria ativamente corrompe-la ou sabota-la.

No nosso arranjo atual, a solução mais viável (não é a melhor, mas que é possivel implementar) seria que entidades internacionais (em um mercado irrestrito e de livre entrada) efetuassem ratings do governo baseado em dados já existentes (como IDH e indice de liberdade econômica, indice de corrupção). É a mesma ideia das notas de investimento, mas para estilos de governo, mas isso só funcionaria em um mercado de livre entrada que não fosse subsidiado por governos, pois assim, as empresas desonestas seriam desqualificadas pelos consumidores e perderiam seu mercado.

Embora eu pessoalmente não sei dizer quem seria o consumidor desse tipo de arranjo.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Fred  14/03/2015 18:21
    Bond Apocalipse!
  • Rud  14/03/2015 19:33
    Otimo artigo Fernando ...eu fico pensando : na Europa o que mais se escutou ultimamente foi a necessidade de diminuir a divida dos Estados para salvar o euro....agora lançam esse PSPP e o que temos ?...uma bolha dos titulos soberanos que incentivam os Estados a pisar no acelerador da divida ....será tão simples assim ou a gente que é burro e não entende nada ?
  • Pobre Paulista  14/03/2015 20:09
    Uma coisa eu realmente não entendo. Porquê comprar um título de rendimento negativo é melhor que deixar o dinheiro num cofre?
  • Rico Goiano  14/03/2015 20:55
    Pense num milionário russo que vivenciou a iminência de um esfacelamento do rublo e decidiu comprar francos suíços para se proteger.

    Agora pense que o franco se apreciou 30% em um único dia. Repito: o franco suíço se apreciou 30% em um único dia.

    Em um cenário assim, o magnata russo irá alegremente pagar 0,20% ao ano em troca de uma apreciação de 30% em um dia. Aliás, pagar 0,20% ainda está uma pechincha.

    Os europeus só podem se dar ao luxo de taxas de juros negativas porque há investidores de todo o resto do mundo fugindo da desvalorização de suas respectivas moedas.
  • breno  15/03/2015 03:04
    @Rico Goiano.

    Gostei do seu comentário e explica-se mais profundamente essa mecânica.

    Quanto ao franco apreciou 30% à que? O rublo?
  • Rico Goiano  15/03/2015 13:08
    Em relação a todas as moedas. Pô, onde você estava em 15 de janeiro deste ano?

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2010
  • Pobre Paulista  15/03/2015 11:50
    OK, então apenas "moedas fortes" podem se dar a esse luxo de taxas negativas? Não é exatamente isso que vai fazer com que ela deixe de ser uma moeda forte? Parece paradoxal.
  • Mauro  15/03/2015 13:21
    Mas o euro já deixou ele ser forte. Um euro chegou a custar 1,40 dólar. Hoje está custando menos de 1,05 dólar. Já o franco suíço resiste -- por causa do seu histórico impecável --, mas também se desvalorizou em relação ao dólar.

    O verdadeiro showdown ocorrerá quando o Fed elevar os juros. Aí sim vamos ver quem resiste.

    De resto, os países desenvolvidos podem se dar ao luxo de juros zero simplesmente porque não tem para onde os investidores fugirem. Pra onde eles irão? O Brasil paga 12,75% ao ano, mas a moeda se desvaloriza 15% ao mês. Ninguém quer uma porcaria dessas.
  • Fred  15/03/2015 13:36
    O Fed não vai subir os juros. Se ele fizer isso a "recuperação" desaparece e eles teriam q fazer QE4. E mesmo q o juros suba um pouco o tesouro terá q emitir muitos títulos para pagar os juros devido a dívida gigantesca.
  • Mohamed Attcka Todomundo  16/03/2015 18:25
    ao Pobre Paulista:

    OK, então apenas "moedas fortes" podem se dar a esse luxo de taxas negativas? Não é exatamente isso que vai fazer com que ela deixe de ser uma moeda forte?

    tudo o mais constante sim. enquanto tiver fuga de capitais em busca de segurança ("segurança" é relativa. a frança pode não ser tão segura quanto a suiça, mas é melhor q venezuela ou equador), tem mercado pros titulos soberanos de lugares com moeda forte, ou alguma segurança juridica.

    ñ atoa EUA e UE tentam acabar com os paraisos fiscais ao redor do mundo. ficariam sem concorrencia, pois tão consolidados. continuariam puchando poupança do mundo p/ financiar seu welfare/warfare state
  • Rodrigo Polo Pires  14/03/2015 23:38
    Não sou economista, nem estudante de economia, sou agrônomo. Mas fico pensando... se esse dinheiro dos titulos é para aumentar consumo, o sistema financeiro ganha. Isso dá um nó na cabeça. Falo isso por que o Fernando escreveu que o BC europeu está preocupado com a deflação.
    Bem, alguém poderia me dizer o que o BC faz com o dinheiro dos títulos que vende? Ele guarda, empresta, paga dividas, faz o que?
    Ignoro esse assunto, mas não é dificil de entender que em um sistema assim, o governo pode emitir titulos indefinidamente, sem se importar com o tamanho da divida. Como em um mata-mata, com a diferença de não pagar juros e poder cobrar.
    Alguém com paciência para explicar?
  • Rodolfo   15/03/2015 00:36
    O BC não está vendendo títulos. Ele está fazendo justamente o contrário: ele está comprando títulos. É isso que faz um quantitative easing. O BC cria dinheiro e compra títulos.

    Por que isso não funciona? Leia aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2044
  • Rodrigo Polo Pires  15/03/2015 21:04
    Obrigado pela atenção Rodolfo. Errei e escrevi BC em vez de governo, ou governos! Entendi como funciona a elevação dos preços dos titulos mesmo com rendimentos negativos.
    Mas o que me impressionou mais foi essa história de..."vamos fazer um movimento circular aqui". O governo emite títulos, eles circulam no mercado e são comprados pelo BC que vai esperar o vencimento para receber de volta menos do que pagou? Tá certo até aqui? Como o governo nunca tem dinheiro, ele vai emitir novos títulos para resgatar os antigos, que serão novamente recomprados pelo BC... até implodir! Ou explodir, ou ainda como no poema de Elliot que diz, assim expira o mundo, não com uma explosão, mas com um suspiro.
    O final será parecido com os EUA, em que todos comentam sobre o governo não poder retirar do mercado a liquidez que adicionou por este sistema de afrouxamento monetário. Até o nome é feio.
    Lembrei de um gráfico que Felipe Miranda, da Empiricus, comenta de vez em quando, em que ele fala do distanciamento do valor dos ativos, em relação ao lucro das empresas. E alerta que logo ocorrerá uma correção muito forte na bolsa dos EUA, que praticamente vai quebrar a bolsa brasileira.
  • Felipe R  15/03/2015 11:16
    Bom dia,

    Eu, como credor, vejo a deflação com muito bons olhos, pois o valor que receberei (meu crédito na praça) será relativamente maior em relação ao todo, comparado com hoje, além do meu poder de compra aumentar.
  • Gustavo Nunes  15/03/2015 13:25
    Mas estas medidas, quando a bolha dos títulos da dívida pública vier à tona, as pessoas que compraram estes títulos não irão ver que o governo é ineficiente; e consequentemente afetaria a credibilidade e confiança do mesmo. O governo não reagiria a esse colapso ou entraria com mais medidas para estancar a facada em si mesmo ?.
    Gostaria qua a equipe do IMB me respondesse.
    Desde já obrigado.
  • CORSÁRIO90(ex leandro90)  15/03/2015 14:26
    Alguém poderia me explicar se o Brasil utilizou o afrouxamento monetário e em que grau e porque os juros estariam elevados e aumentando em demasia? Corrupção elevada? O BCB não comprou muito? Juros elevados apenas para tentar atrair dólares? Ou o governo não sabe o que está fazendo.
    Será que chegaremos igual a crise da suécia nos anos 90?
    Como investidor estrangeiro, qual seria a racional preferência ou o que pesa mais: Juros altos ou valorização do preço do título?
    ABS


  • Pedro  15/03/2015 16:43
    Só os incautos, recheados de grande ignorância sobre economia, achavam que o real ficaria a $1.70 por dólar. Assim, muitos investiram em títulos em dólar, ou euro, com baixa renatabilidade e, agora, estão fazendo a festa com um ganho de quase 100%.
  • Pedro  16/03/2015 12:25
    Bom dia. Essa grande procura por títulos em moeda mais forte confirma o fim do ouro como investimento seguro? Até agora o preço do ouro continua baixo, ou seja, a procura por ele não aumentou.

    Att.
  • Barusco  16/03/2015 12:38
    Não para o coitado do brasileiro, que não tem mais moeda. A cotação do ouro chegou hoje ao seu maior valor desde a implantação do real.

    Aliás, em julho de 1994, 1 grama de ouro valia R$ 11. Hoje, vale R$ 120. Valorização de 991%. Ou 12,7% ao ano.
  • Pedro  16/03/2015 12:53
    Pois é.

    Eu havia observado isso.

    Mas acho que essa valorização do ouro pra nós brasileiros se deve mais à valorização do dólar, que é a moeda usada para precificar o metal.
  • Barusco  16/03/2015 13:53
    Não. O ouro se desvalorizou perante o dólar, que readquiriu enorme força. Já a desvalorização do real perante o ouro é um mero indicador de que a moeda continua indo inexoravelmente para a privada.
  • Pedro  16/03/2015 14:05
    Barusco, concordo com o que você falou.

    Só que minha dúvida é se o ouro ainda está sendo procurado em momentos de dificuldade econômica. Já que, segundo o artigo, na Europa estão procurando títulos de dívida pública para proteção ao invés de correrem pro ouro.
  • Lucas S.  16/03/2015 13:28
    Um keynesianista me mandou ler Mankiw após eu perguntar para ele como que o governo faz para aumentar seus gastos sem prejudicar a renda das pessoas ao mesmo tempo. Fiz essa pergunta em resposta à fórmula keynesiana Y = C + I + G, que como vocês sabem, é a desculpa técnica para aumentar os gastos do governo.
    Alguém já leu Mankiw, e por acaso contém nos livros dele a resposta para a minha pergunta?
  • Felipe  16/03/2015 14:42
    Já li Mankiw.

    Keynes utilizava-se dos multiplicador keynesiano para justifica os gastos do governo, mas não defendia gastos em qualquer situação, diferente do que é popularmente dito.

    A única situação em que keynes defendia aumento de gastos era durante uma recessão, ou, quando a economia estivesse longe do pleno emprego.

    Sua lógica era a seguinte: Recessões e crises aconteciam devido a queda nas expectativas dos agentes privados, que retraiam seus consumos e investimentos, e como consequência levava a uma espiral negativa. E é ai que devia entrar o governo que ao gastar seria capaz de reverter essa espiral, levando a economia de volta ao pleno emprego.


    Entendeu?

    Agora, keynes está certo?

    Não, o problema é que Keynes não tinha em mente uma teoria de capital estruturada, de modo que o levava a ignora as consequências da suas teorias e de ser incapaz de entender como ocorria uma crise.

    O que quero dizer é que keynes não entendia que recessão é apenas um ajuste na economia em resposta as intervenções governamentais, e que mais estímulos governamentais apenas irão adiar esse ajustes, além de endividar e inflacionar mais a economia.

    Outra coisa, para keynes o que movia uma economia eram os gastos. Já para um austríaco, o que move uma economia é acumulação de capital (feito através de poupança) e a liberdade para os agentes moverem o capital de acordo com as preferências do consumidores

    Bom para entender melhor recomendo lê o livro Ação humana, ou, Governo e mercado.

  • Lucas S.  16/03/2015 18:39
    @Silva

    Obrigado pelos links, eles realmente refutam a fórmula keynesiana.

    @Felipe

    A minha pergunta era capciosa. Não é possível o governo gastar e não prejudicar a economia ao mesmo tempo.

    Esse seu parágrafo é o cerne: _keynes não entendia que recessão é apenas um ajuste na economia em resposta as intervenções governamentais, e que mais estímulos governamentais apenas irão adiar esse ajustes, além de endividar e inflacionar mais a economia._

    Keynesianistas não entendem que o agente criador de riquezas é o indivíduo, não o estado. Quando o estado não intervem na economia, a demanda genuína dos consumidores encontra oferta, porém quando o estado intervem, ele substitui a demanda dos consumidores pelas arbitrariedades dos burocratas. O resultado mais provável quando o estado substitui os indivíduos é a má alocação de recursos e investimentos. Melhor exemplo dessa política são as cidades e shoppings fantasmas chinesas.
  • Marconi  16/03/2015 20:25
    Já falei, mas não custa repetir. Se juros fosse preferência temporal, não haveria juros negativos.

    A teoria austríaca, pelo menos nesse ponto, está errada.
  • Rico Goiano  16/03/2015 20:40
    Pense num milionário russo que vivenciou a iminência de um esfacelamento do rublo e decidiu comprar francos suíços para se proteger.

    Agora pense que o franco se apreciou 30% em um único dia. Repito: o franco suíço se apreciou 30% em um único dia.

    Em um cenário assim, o magnata russo irá alegremente pagar 0,20% ao ano em troca de uma apreciação de 30% em um dia. Aliás, pagar 0,20% ainda está uma pechincha.

    Os europeus só podem se dar ao luxo de taxas de juros negativas porque há investidores de todo o resto do mundo fugindo da desvalorização de suas respectivas moedas.

    Valorização de 30% ao dia contra uma taxa de 0,75% ao ano não é juros negativos (não em termos reais). Se for, quero um desse pra mim. Ao menos em termos reais.
  • Guibro  16/03/2015 21:43
    Dá pra antecipar as consequências concretas de um colapso nos preços dos títulos públicos? Aqueles tolos o suficiente para financiar os governos se veriam no prejuízo? Seria até bom...
  • Guibro  16/03/2015 21:56
    Vídeo da Empiricus de 16.3.15, acredito que esteja no sentido deste artigo:
    www.youtube.com/watch?v=pxtz6r_9BJs

    Chamam a tese de "dez anos de recessão".

    Confere? Tende a ser tão dramático assim?

    Só ouro salva?
  • Vinicius  18/03/2015 00:57
    Nem ouro, os governos podem simplesmente taxar de ilegal possuir ele:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=376
    Parece que está mesmo amanhecendo a mãe de todas as crises, a falência dos bancos centrais, tem muitos outros analistas indicando evento similar para breve.
    Veremos assim que o FED mexer com os juros.
  • anônimo  17/03/2015 06:56
    Vocês são muitos desonestos

    Me diz onde é que eu posso pegar 100 e devolver 98 em x anos ?

    Só se eu for banqueiro roubando a poupança alheia, aí tudo bem...

    Usura = qualquer juros sobre valor emprestado.

    A Igreja não pode mudar isso (e não mudou de fato, mais sim na prática) o fato de não ser pregado é outra coisa. E a principal causa de sua derrocada.
    Mais não pode ser mudado pois a Igreja não muda. E Usura é condenada ex cathedra, então nada pode ser mudado e quem disser algo contrário está ou será excomungado e irá para o inferno muito provavelmente (a não ser que se arrependa).
    Não só comunistas e afins.

    Por que é tão difícil entender que o dinheiro gerado por juros não tem um bem (mercadoria ou qualquer outra coisa) servindo como lastro(?), o que gera parasitas (banqueiros e todo o resto) permitindo o crescimento do estado e pragas sociais. E atividades inúteis tais como economistas, milhares de advogados, funças para cobrar o juros dos escravos etc.

    É tão difícil entender que não existe almoço grátis, seja público, seja privado ?
  • Amarilio Adolfo d Silva de Souza  21/03/2015 11:30
    O mundo está doente.
  • Emerson Luís  27/03/2015 17:07

    Existem ações intrinsecamente erradas (ou seja, erradas em qualquer forma e situação, sua essência é errônea) e existem ações extrinsecamente erradas (cuja essência não é ruim em si mesma, mas podem se tornar ruim pelo mau uso).

    Sendo o dinheiro apenas um produto para facilitar trocas de outros produtos, os juros são apenas um aluguel que se paga por uma quantia dele. Ou seja, não é intrinsecamente errado.

    Quando as leis e ações humanas ficam fora de sintonia com as leis naturais (axiomas), os resultados no longo prazo só podem ser prejudiciais. Se está sendo lucrativo pagar juros negativos, então a situação está ficando grave. Nêmesis exige ajustes de contas.

    * * *


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