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A moral de Piketty - por alguém que realmente leu todo o livro

Segundo a Amazon, fui um dos poucos compradores de O Capital do Século XXI, de Thomas Piketty, que realmente leram o livro.

Seu programa Kindle registra que, dos mais de 80 mil cópias vendidas, a grande maioria dos leitores não passa da página 26, considerando que o livro possui quase 700 páginas. Isso me lembra muitos socialistas que se dizem influenciados por Marx, apesar de nunca terem lido seus livros; e que também odeiam o liberalismo sem ter a menor noção do que se trata.

Um amigo, ao me flagrar com o tal livro, não vacilou em fazer piada: "Lendo a nova bíblia da esquerda?!". "Pois é... Sou liberal exatamente por saber o que os marxistas pensam", respondi.

Mesmo não sendo da área econômica, política ou do direito, sinto-me obrigado a ler essas "coisas", já que me interesso pelo assunto.

O Capital do Século XXI é apenas mais uma reedição de alguns devaneios marxistas, com o autor tentando relacionar dados selecionados com crendices ideológicas impregnadas com uma das piores fraquezas humanas: a inveja.

Entre tantos gráficos, Piketty não esconde sua interpretação moral sobre a riqueza e, principalmente, sobre a herança. Chega a ser engraçado suas recorrentes citações aos romances de Balzac para ilustrar e "comprovar" as distâncias entre trabalhadores e herdeiros.

Seu livro tem um único objetivo: julgar moralmente o direito de uma pessoa guardar para si o fruto de seu próprio trabalho e decidir, por si mesma, qual o destino desse fruto. A "moralidade" de Piketty chega ao nível de condenar os herdeiros pelo sucesso dos pais! 

Seu raciocínio é muito simples: quanto mais rico, mais imoral. Exercendo a arrogância típica dos socialistas, Piketty ignora completamente a história, os esforços e os talentos de indivíduos, enlatando-os como se formassem uma única e homogênea massa de pessoas de caráter condenável pelo simples fato de terem enriquecido.  

Piketty tenta inúmeras vezes nos fazer crer que questiona Marx, aquele que "...escreveu tomado por grande fervor político, o que muitas vezes o levou a se precipitar e a defender argumentos mal embasados", em suas palavras, mas em seguida enaltece a coerência de algumas ideias do pai do comunismo.

Logo no começo, o neomarxista francês dá o tom do livro:

"...o capitalismo produz automaticamente desigualdades insustentáveis, arbitrárias, que ameaçam de maneira radical os valores de meritocracia sobre os quais se fundam nossas sociedades democráticas".

Oi? Um socialista que defende taxações e confiscos dizendo que o sistema de trocas voluntárias entre indivíduos e empresas é arbitrário?  Pois é... Ouço e leio coisas parecidas todos os dias no Facebook, ditas e escritas por pessoas que nunca leram nada além de panfletos da esquerda.

Piketty, em sua tentativa de desmerecer a melhoria na qualidade de vida da população mundial promovida pelo capitalismo, reduz o aumento da expectativa de vida a um... "fato biológico"!  Insiste, o tempo todo, que a desigualdade é algo terrível por si mesma, ignorando, portanto, as diferenças entre os diversos países do mundo no que se refere a estas "desigualdades".  Fica bem claro que sua preocupação não é com a pobreza, mas sim com a riqueza.  Eis um socialista.

Em seu esforço para distorcer a realidade, Piketty chega a citar o caso chinês do que seria um exemplo de desenvolvimento social promovido pelo estado.  Cita os investimentos em educação e em infraestrutura, mas se "esquece" de que nenhuma escola ou ponte é construída sem dinheiro, e que esse dinheiro vem da arrecadação de impostos, e que a quantidade de impostos arrecadada depende do poder e da liberdade econômica da sociedade como um todo. 

Ou seja: ignora que centenas de milhões de chineses se livraram da extrema pobreza simplesmente porque o estado deu um passo para trás, lhes dando a liberdade para empreender negócios visando o lucro, com direito de propriedade e com a possibilidade de ficarem ricos.

Piketty se "esqueceu" de muitas coisas.  Esqueceu-se de falar sobre o papel do estado nos problemas sociais e econômicos dos países atrasados. Esqueceu-se de falar sobre os desajustes fiscais, sobre a emissão irresponsável de moeda, sobre as arbitrariedades dos bancos centrais, sobre as concessões de créditos e de subsídios a determinados setores, empresas e até pessoas ligadas aos governos, o que sempre prejudica os mais pobres. Sua única referência pejorativa ao estado se dá ao afirmar que foi graças à corrupção do governo mexicano que Carlos Slim se tornou um dos homens mais ricos do mundo.

Sua facilidade em tecer julgamentos morais sobre a "riqueza excessiva" de empresários, executivos e herdeiros é proporcional à sua indiferença com o enriquecimento de políticos e ditadores mundo a fora.

Tentando desmoralizar a natureza do capitalismo, Piketty faz uma pergunta: "Podemos ter a certeza de que o 'livre' funcionamento de uma economia de mercado, fundamentado na propriedade privada, conduz sempre e por toda parte a esse nível ótimo, como que por magia?".

Pelo que sei, quem defende a "magia" nas soluções dos problemas do mundo são os socialistas, com seus planos sempre muito poéticos no púlpito e muito trágicos na realidade. Economistas liberais afirmam que todo e qualquer desenvolvimento depende de um longo período de liberdade econômica, o que possibilita o aperfeiçoamento espontâneo das interações entre mercado e sociedade, sem milagres.

A propósito, o mesmo Piketty que ignora os autores liberais mais importantes, tais como Milton Friedman, Ludwig von Mises, Friedrich Hayek e Carl Menger, faz questão de enaltecer Paul Krugman, o pai da bolha imobiliária norte-americana, defensor da inflação como ferramenta de crescimento, palestrante em evento da revista Carta Capital.  Nessa altura do livro, não me surpreendeu ler que, na prática, a "mão invisível" descrita por Adam Smith não existe porque "o mercado sempre é representado por instituições específicas, como as hierarquias corporativas e os comitês de remuneração". De onde ele tirou isso?

Como todo "bom socialista", Piketty não deixaria de mirar seu furor ideológico na cultura norte-americana, citando meia dúzia de séries de TV como exemplos do culto à "desigualdade justa". O francês se empolga:

"A sociedade meritocrática moderna, sobretudo nos Estados Unidos, é muito mais dura com os perdedores, pois baseia a dominação sobre eles na justiça, na virtude e no mérito, e, portanto, na insuficiência de sua propriedade".

Isso é o que chamo de cretinice e desonestidade intelectual, por ignorar os mais estridentes dados de melhoria de qualidade de vida e de inclusão social registrados ao longo dos últimos 150 anos. Não por acaso, Cuba não é citada uma única vez no livro. 

Também me provocou espécie alguns termos utilizados pelo economista, tais como "extremismo meritocrático", "fortunas indevidas" e "arbitrariedade do enriquecimento patrimonial".

Sua motivação ideológica, sempre ancorada em sua própria interpretação moral do mundo, nos oferece frases dignas de líderes estudantis:

"O problema é que a desigualdade (...) conduz frequentemente a uma concentração excessiva e perene da riqueza (...) as fortunas se multiplicam e se perpetuam sem limites e além de qualquer justificação racional possível em termos de utilidade social". 

No mundo de Piketty, a maioria das fortunas de hoje estão nas mesmas famílias há séculos e continuarão assim para sempre caso o estado não intervenha taxando-as progressivamente, para que assim, só assim, prevaleça o "interesse geral em detrimento do interesse privado" — Luciana Genro diria o mesmo.

Todavia, nada me provocou mais espasmos do que ele confessando que não gosta do termo "ciência econômica" por lhe parecer "terrivelmente arrogante".  Ele prefere a expressão "economia política".  Acredito!

"Impostos não são uma questão técnica", afirma Piketty; "Impostos são, isso sim, uma questão proeminentemente política e filosófica, talvez a mais importante de todas as questões políticas."  Piketty ignora completamente o que diz a história política da galáxia: taxações e confiscos beneficiam principalmente os burocratas que vivem de arbitrar essas mesmas taxações e esses mesmos confiscos. Piketty ignora também o resultado de todas as experiências socialistas: quanto mais se arbitra sobre a riqueza privada, mais se intimida o indivíduo comum a tentar enriquecer, provocando, assim, uma desmotivação coletiva. A produtividade cai.

De fato, a desigualdade diminui, afinal, a sociedade deixa de ser dividida entre ricos e pobres e passa a ser formada apenas por pobres, vide Cuba e Coreia do Norte, sociedades tragicamente igualitárias.

Piketty não aprendeu que, em vez de rechaçarmos os ricos, deveríamos tentar mantê-los voluntariamente junto de nós, para que eles possam gastar sua fortuna consumindo nossos produtos e serviços, não dos outros.  Piketty parece que não enxergou sequer o que aconteceu em seu próprio país quando o governo decidiu sobretaxar as maiores fortunas: seus donos simplesmente foram embora, foram gastar seus bilhões noutros países. 

O The Guardian referiu-se a Thomas Piketty como o "rock star da economia". O The Economist o chamou de "ícone pop". Bem coerente. Mas eu prefiro minha descrição: Piketty é o economista que faz os ignorantes se sentirem cultos, os idiotas se sentirem inteligentes e os socialistas se sentirem honestos.

________________

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autor

João César de Melo
é arquiteto, artista plástico e escritor. Escreveu o livro Natureza Capital.


  • Ricardo Almeida  16/01/2015 12:52
    Problema de muitos socialistas que nem ideias diferentes sobre como utilizar os recursos eles tem, diferente de muitos liberais que aceitam ideias como vouchers, etc.

    Deveria ser assim, é a favor de hospitais públicos e escolas/faculdades públicas? Então continua pagando impostos do jeito que é, caso seja contra, não pagará nenhum tipo de imposto, no entanto não vai usufruir de nenhum, simples assim.
  • Rodrigo  16/01/2015 13:14
    "Piketty é o economista que faz os ignorantes se sentirem cultos, os idiotas se sentirem inteligentes e os socialistas se sentirem honestos."

    Resumiu tudo!!
  • Sport87  16/01/2015 13:31
    Excelente artigo! Confesso que estou preparando o estômago para ler este livro!
  • Trader Carioca  16/01/2015 13:44
    Apenas um comentário

    Quando se fala da China recuando e abrindo espaço para a população investir em busca de lucro etc., muitos esquerdistas acabam apontando para países na África em que não há um Estado e há apenas guerra/guerrilha.

    Acho que devemos deixar claro que apenas um Estado menor não é suficiente, mas também propriedade privada respeitada, direito de defesa. A "não existência do Estado" (ou no formato "Estado mínimo") não é condição suficiente para desenvolvimento.





  • N'importe qui  16/01/2015 16:08
    Mas não é natural acreditar que o Estado existe em parte para tanto?
    Na ausência do Estado os direitos de propriedade privada e de defesa seriam garantidos por quem?
    As etapas não são mais ou menos essas?:
    -Há um anarquismo desordenado e violento, tipo o da Somália;
    -Diversos grupos se organizam em gangues ora para se proteger ora para pilhar a produção alheia;
    -Uma gangue (ou uma aliança de gangues) acaba se consolidando no poder e promete defender seus súditos;

    A partir do governo dessa gangue podem surgir diversos tipos de Estado.
    Um que se contenta em pilhar seus súditos em troca de pequenos favores.
    Um que estabelece instituições sólidas que fortalecem a livre iniciativa, o comércio, e a não agressão a ponto do poder central eventualmente se tornar desnecessário.
  • Andre Cavalcante  16/01/2015 18:37
    Caraca,

    Esse negócio de Somália tá recorrente demais. Desde quando? 2011?

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1031

  • Trader Carioca  16/01/2015 20:22
    N'importe qui,

    Entendo que este "passo-a-passo" apontado deve ter sido a origem de diversos Estados.
    Contudo, não concordo que seja a única forma de surgimento de Estado, e nem que a própria existência em si do Estado seja condição necessária.

    Poderíamos ter a seguinte sequência, hipotética, na qual a população fortemente armada, se organiza em grupos de proteção e repele todos os grupos que disputam o poder. Estes terminariam sem recursos e com grandes baixas, por fim se dissolvendo. Restaria uma sociedade organizada de forma descentralizada sem necessariamente culminar em Estado.

    Mas voltando ao ponto que estávamos discutindo, um argumento importante em favor do Estado Leviatã é de que o caos reinaria caso o Estado fosse mínimo. Coisas do tipo "teríamos guerra civil", ou "quem faria as estradas?", por mais que soem repetitivas dentro de nosso grupo de discussão libertário, ainda são tabus para a maioria esmagadora da população. Há que se ter cuidado para mostrar que não é apenas reduzir o Estado, mas fortalecer a propriedade privada, o respeito aos direitos naturais, etc. É sobre isso que estou pontuando.
  • Augusto  16/01/2015 13:56
    Ótima análise. Fatos, não julgamentos morais. Agradeço ter lido a "nova bíblia da esquerda" por mim.
  • felipe  16/01/2015 14:33
    Excelente crítica do livro.

    E é curioso como um arquiteto tem mais capacidade para refutar ideias neomarxistas do que um professor de economia.

    É muito provável que este livro será o romance dos universitários de unha suja (e que provavelmente nunca irão lê mais de 20 páginas).

    Universitários semianalfabetos e preguiçosos, que nunca irão se dá o trabalho de lê um texto de Friedman ou Mises, mas que aceitam facilmente as ideias de professores de quinta categoria que veneram a ditadura de cuba e odeiam a liberdade americana.
  • Saskia Teren  02/04/2015 13:57
    Estou na metade do livro citado, mas confesso que não consigo avançar mais de duas páginas por noite, e os comentários do autor deste artigo abriram um novo horizonte interpretativo. Ao menos para mim, hoje, fecho este link com mais conhecimento do que quando o abri. Estes debates são mais enriquecedores que os cursos de graduação que frequentei e conclui, os quais, em nenhum momento apontaram como leitura necessária ou ao menos sugerida, as obras de Milton Friedman, Ludwig von Mises, Friedrich Hayek e Carl Menger. Vejo que os comentários à obra de Piketty são um livro a parte!
  • Eduardo Leonhardt  16/01/2015 14:34
    "Piketty é o economista que faz os ignorantes se sentirem cultos, os idiotas se sentirem inteligentes e os socialistas se sentirem honestos."

    Fechou com chave de ouro :-)
  • anônimo  16/01/2015 14:35
    ótimo artigo! Mas cadê o podcast do Leandro??
  • Antônimo  16/01/2015 15:13
    Ué, tá na seção de podcasts. É o último:

    www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=131
  • Senhor A  16/01/2015 14:38
    O pior é que, além da manipulação acadêmica para elevar (e põe elevar nisso) o nível desses "intelequituais", a mídia ocidental, formada majoritariamente por progressistas, fica a bajular esse bosta de Picketty, trazendo toda aquela cena "novíssima" (!) de "revolucionário que luta contra os exploradores capitalistas".

    É por essas e outras coisas que eu leio, sim, ler mesmo (pois já não assisto TV), cada vez menos jornais. "Só sai merda".
  • Felipe  16/01/2015 15:01
    Também estou encarando a leitura deste livro. Acabo de iniciar a Terceira Parte.

    Saliento que, antes dele escrever que "...o capitalismo produz automaticamente desigualdades insustentáveis, arbitrárias, que ameaçam de maneira radical os valores de meritocracia sobre os quais se fundam nossas sociedades democráticas", cinco páginas antes ele afirma que não há nenhum destino inexorável para a desigualdade, ou seja, é impossível dizer qual o resultado de uma desigualdade crescente.

    Além disso, em diversos momentos do livro Piketty desacredita pesquisas de economistas anteriores porque, supostamente, estes não teriam "distanciamento histórico" suficiente para analisar a questão. Entretanto, não tem nenhum remorso em pegar um punhado a mais de anos na sua série histórica e fazer previsões históricas de cem anos no futuro com base na manutenção do comportamento atual (padrão impossível de ser identificado nas séries históricas).

    Bem analisado, o livro não passa de gráficos bem selecionados (mas sem nenhuma correlação importante) para tentar suportar uma argumentação muito mais "política" e "filosófica" (termos do autor) do que econômica ou científica.
  • Giuliano  16/01/2015 16:42
    Péssima crítica, cade a refutação dos dados apresentados? Eu vi apenas a tentativa rasa de uma análise de discurso para refutar toda e qualquer argumentação do autor baseado nas suas crenças.

    No fim fostes apenas mais um que leu e não entendeu, tal qual vários esquerdistas idiotas.
  • Um observador  16/01/2015 18:23
    Giuliano,

    "cade a refutação dos dados apresentados?"

    Veja este outro artigo:

    O que houve com os ricaços da década de 1980?
  • Cleiton  19/01/2015 12:53
    Você realmente espera a refutação de um livro de 700 em apenas um artigo?
  • Ricardo  19/01/2015 13:29
    A refutação ponto a ponto de alguém que também leu o livro de Piketty está aqui:

    georgereismansblog.blogspot.com.br/2014/07/pikettys-capital-wrong_28.html
  • Um observador  19/01/2015 14:38
    Cleiton,

    Refutar ponto a ponto o livro inteiro obviamente não cabe em um artigo. E nem é necessário.

    Basta refutar a teoria central do livro: a teoria de que os ricos obtém um retorno sobre o seu capital acima do crescimento da economia, de forma que irão ficar cada vez mais ricos.

    E é essa teoria que aquele artigo refuta. E se o artigo tem alguma falha no raciocínio, adoraria escutá-la.
  • Marconi  16/01/2015 16:50
    Comprei o livro pelo kindle e ainda tô no início. rsrsrs

    Mas acho que essa questão debatida é o cerne que explica o porquê da esquerda ter ganho o espaço que tem.

    A direita "foge" desse assunto.

    A questão moral é fundamental de ser analisada junto com a econômica, digamos assim.

    Portanto, concordo com a frase de que o certo é "economia política" e não "ciência econômica"

    E a questão da meritocracia é sim o valor mais importante a ser perseguido num senso de justiça.

    Não cheguei lá no livro, mas é provável que a "solução" dele seja totalmente errada para alcançar esse objetivo.

    Mas isso não diminui a importância da afirmação de que a enorme disparidade de renda está ligada ao simples domínio do capital e não a meritocracia.

    E, sim, herança não é meritocracia.

    O jeito certo de combater Piketty não taxando-o de invejoso, mas sim da forma como está no texto abaixo


    Piketty diz que o "problema" do capitalismo é que o capital investido gera retornos mais altos do que os ganhos do trabalho. Se esse é o problema, eis então uma solução libertária para esse "problema": corte radical de impostos, desestatização, abolição de tarifas protecionistas e desregulamentação de todos os setores da economia. Essas quatro medidas imediatamente criariam mais liberdade econômica, mais liberdade de entrada, mais concorrência e, por conseguinte, menores lucros e uma menor taxa de retorno sobre o capital investido.

    Haveria mais liberdade para que trabalhadores comuns se tornassem empreendedores e capitalistas, gerando uma necessária concorrência para os setores já estabelecidos.

    Se o mundo for inundado por mais empreendedores capitalistas, a taxa de retorno do capital — que é o grande pecado do capitalismo, segundo Piketty — seria instantaneamente diminuída.


    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2001


  • felipe  16/01/2015 19:10
    "isso não diminui a importância da afirmação de que a enorme disparidade de renda está ligada ao simples domínio do capital e não a meritocracia"

    Como assim não há meritocracia? Quem obteve sua riqueza, num sistema de livre produção e trocas, foi por melhor servir aos desejos dos outros.

    Só não enriqueceram por mérito aqueles que obtiveram seus bens através de trocas involuntárias, que são o governo e seus amigos.

    Mostre-me apenas um caso de um capitalista que obteve sua riqueza sem mérito (e que não tenha ligação com o governo).

    E não adianta criticar a herança, quem criou a riqueza tem todo o direito de repassa-la para quem quiser, e isso não tira o mérito da fortuna.
  • Thiago  22/01/2015 01:26
    Boa noite,

    Vale frisar que o Pikkety não discute o mérito das pessoas em receber a herança. Ele afirma que a herança permite ao sucessor obter um rendimento do capital alto (acima da taxa de crescimento econômico - diferença "r-g") e que essa dinâmica permite acumular capital.
    O governo não vai expropriar a heranças de ninguém. A proposta dele é tributar em 10%. Se você receber uma fazenda de herança no valor de R$ 1 milhão. Vai ter que recolher ao governo R$ 100 mil reais. Isso já existe. Chama-se um tributo estadual o ITCMD (imposto sobre transmissão causa mortis e doações). Em SP a alíquota do ITCMD é de 4%.

    Sobre esse tema pag. 389 da trad. portugues.
  • Magno  22/01/2015 01:32
    "Ele afirma que a herança permite ao sucessor obter um rendimento do capital alto (acima da taxa de crescimento econômico - diferença "r-g") e que essa dinâmica permite acumular capital."

    O que não é comprovado pela prática. A regra, aliás, é o herdeiro ser mais pobre que seus pais. Logo, a afirmação de que um herdeiro irá automaticamente acumular capital é falsa.

    "O governo não vai expropriar a heranças de ninguém. A proposta dele é tributar em 10%."

    Isso é expropriar. Uma fatia do que é meu está sendo confiscado pelo governo. Isso é expropriar. A menos que você esteja interessado em jogo de semântica e considere que só expropriação ser for 100%.

    [i]"Se você receber uma fazenda de herança no valor de R$ 1 milhão. Vai ter que recolher ao governo R$ 100 mil reais. Isso já existe. Chama-se um tributo estadual o ITCMD (imposto sobre transmissão causa mortis e doações). Em SP a alíquota do ITCMD é de 4%."[/I]

    Bacana. Então você próprio admite que a ideia de Piketty já é aplicada aqui. E então, como está nossa desigualdade? Deve estar despencando, né? Ooopss...
  • Carlos  19/07/2016 15:28
    Até que fim, alguém crítico, que não se deixa levar pelo furor da guerra ideológica e consegue ver a necessidade de vencer o inimigo no próprio território dele, campo de batalha que nunca será extinguido enquanto não houver soluções liberais para as questões que, apesar de serem a fonte do poder da esquerda, nunca foram solucionadas por eles. E a escola austríaca não é a panaceia universal, tem seus erros e efeitos colaterais, mas é mais eficaz do que a linda teoria socialista, que sempre gerou mais ônus do que bônus em todos locais aplicados. Acho inclusive perfeitamente plausível alguns olhares e ações sociais "ditas de esquerda" serem aplicados dentro de uma política macro liberal, mas tem que se estar claro o que é o macro, a regra, e o que é o micro, a exceção.
  • Magno  19/07/2016 15:50
    "tem seus erros e efeitos colaterais"

    Quais? Cite-os e justifique-os.
  • Gabriel  16/01/2015 17:17
    Eu tentei várias vezes começar a ler o livro. Afinal de contas, para poder criticar é preciso conhecer. Porém, eu sempre fico com um receio desgraçado, pois tenho certeza que é uma leitura que vai me deixar estressado.
  • Gisele Dutra  16/01/2015 18:16
    Surpresa!
    Há poucos meses encontrei esses oásis:Mises. Arquiteta que sou, fiquei surpresa em constatar que este breve texto sobre o novo _Highlander-lefts_ foi escrito por um colega.

    Atordoada com as esquisitices dos _reds_ que estão nos arrastando para o caos social,neste espaço encontrei muitas respostas.

    Hoje,com o conhecimento obtido aqui e em leituras auxiliares me sinto mais segura para refutar e contra argumentar com esses heróis-da-riqueza-alheia.

    Porém, sinto um pouco de dificuldade com os artigos postados de forma aleatória, haveria algum roteiro de leitura recomendado pelos moderadores para melhor compreensão dos temas abortados?

    Mises foi um fofo!
  • anônimo  18/01/2015 19:11
    Talvez seja interessante ler alguns dos livros da biblioteca aqui do site, já leu As Seis Lições? Economia Numa Única Lição também é bastante recomendado para quem está começando.
  • Gabriel  18/01/2015 23:16
    De fato As Seis Lições é ótimo pra começar. É de compreensão muito fácil e extremamente completo.
  • André Fernandes Rocha   16/01/2015 19:33
    Falta muito embasamento, de fato, para a esquerda. Para a direita também. Isso é um problema sério, que concluí, depois de "árdua tarefa", depois de "muitos estudos". Esse problema é tido no debate como "matéria inaugural". Se chama: PREGUIÇA. A maldita assola a mente dos discípulos de qualquer extremo nesse espectro político-ideológico: direita, esquerda, foice e GANCHO (martelo, não!). Nocaute na esquerda!

    A esquerda é acomodada, cita os parlamentares (da estirpe de Jean Willys e Maria do Rosário) que os representam, quer construir um cenário atual com teorias de um século e meio de fracassos. A direita, por sua vez... Ah, que vergonha essa direita. Seus "profetas" são gente mesquinha, foram na modinha Constantino, pularam para a linha mais próxima a Olavo por um prestígio maior (?). No final das contas, são todos farinha do mesmo saco.

    Quanto à publicação, queria saber mais, do autor, sobre esse tal cenário empreendedor na China... (risos)
  • Ricardo  16/01/2015 20:41
    Você realmente está negando que o chinês seja um povo empreendedor?!
  • Tiago Moraes  16/01/2015 19:33
    Comprei o livro pelo kindle e ainda tô no início. rsrsrs

    Mas acho que essa questão debatida é o cerne que explica o porquê da esquerda ter ganho o espaço que tem.

    A direita "foge" desse assunto.


    R: Então você lê muito pouco...


    A questão moral é fundamental de ser analisada junto com a econômica, digamos assim.

    R: Sim, mas desde que não seja a sua, a minha ou a concepção pessoal do Piketty, do que seja moral. A controvérsia é importante para ser debatida, não para ser sustentada por pretensa ciência.

    Portanto, concordo com a frase de que o certo é "economia política" e não "ciência econômica"

    R: Pensamento retrógrado, pois está balizado na negação da existência de leis que regem a Economia, uma tentativa de endossar uma pretensa engenharia social que almeja, inclusive, refundar a consciência humana.

    Mas isso não diminui a importância da afirmação de que a enorme disparidade de renda está ligada ao simples domínio do capital e não a meritocracia.

    Sim, mas e a causa disto? E se o simples domínio não-meritocrático do capital for um subproduto de uma economia com forte intervenção estatal? A solução do Piketty desmoronaria, uma vez que ele atribui ao vilão da história o papel de salvador.

    E, sim, herança não é meritocracia.

    É mérito da pessoa que amealhou um patrimônio deixa-lo à sua descendência. Quem tem que julgar se o herdeiro é digno do que herdou é o mercado. Se ele não fizer jus a essa herança, irá perdê-la para outros, do contrário, no mínimo irá manter a herança ou mesmo amplia-la. Além disso, um herdeiro que não contribuiu em nada para a construção do patrimônio que herdou é um tipo específico de pessoa, não são todos. Como bem mostra o artigo, o Piketty peca pela generalização e age como se todo herdeiro não fosse digno da herança, e aqueles que ajudaram seus familiares a ampliarem o patrimônio, ou contribuíram, de alguma forma, como ficam? E outra, a questão do mérito não é tão objetiva assim como o Piketty alude, muitas vezes, o simples fato de se ter filhos é um incentivo para que as pessoas amealhem algum patrimônio em nome da sua prole. Os filhos, ainda que nada contribuam diretamente para a formação patrimonial dos pais, tem o mérito de serem o incentivo para eles construírem este mesmo patrimônio. Além disso, uma outra questão, qual o mérito do burocrata do governo, ao confiscar a herança de alguém? Este sim, não contribuiu em nada na construção do patrimônio que almeja confiscar, nem direta e muito menos indiretamente houve contribuição alguma do burocrata confiscador, na formação do patrimônio em litígio.
  • Nilo BP  17/01/2015 00:37
    Minhas sinceras felicitações ao autor por possuir a fortitude intestinal necessária para ler uma coisa dessas de ponta a ponta.
  • leandro90  17/01/2015 02:29
    Vi um documentário sobre a torre de DAVI, acho q foi em ogotá ou caracas, não lembro. Não a presença do Estado. A sociedade do prédio se autorregula. Não traficantes, violência e o mercado é livre. Achei bem interessante. Existe toda uma regulação própria e totalmente baseada em costume. Todos trabalham honestamente.
  • leandro90  17/01/2015 02:33
    Segue o LINk sobre a Torre de DAVID em Caracas
    globotv.globo.com/globonews/globonews-documentario/v/torre-de-david-mostra-a-vida-na-maior-favela-vertical-do-mundo/3741949/
  • Emerson Luis  17/01/2015 18:39

    Ótimo texto! O que será que Piketty está fazendo com o dinheiro que está recebendo com esse livro? Está sendo coerente, doando 80% para a receita federal? Ou está investindo para manter e aumentar seu montante e deixá-lo de herança aos seus filhos?

    "De fato, a desigualdade diminui, afinal, a sociedade deixa de ser dividida entre ricos e pobres e passa a ser formada apenas por pobres, vide Cuba e Coreia do Norte, sociedades tragicamente igualitárias."

    Os países socialistas sempre têm uma pequena elite de planejadores centrais e controladores da maioria que são "mais iguais do que os outros": Fidel mora em uma mansão, o dono da Coreia do Norte tem sobrepeso em um país de famélicos, Lula vive no luxo, etc. Os "igualitários" se consideram superiores à maioria e merecedores de privilégios.

    * * *
  • Zara  17/01/2015 22:05
    Sei perfeitamente que meu comentário foge totalmente do tema. Porem gostaria de saber a posição do IMB sobre dois assuntos que chamaram atenção nos últimos dias: O assassinato dos cartunistas na França e a pena de morte submetida ao brasileiro na Indonesia.
    Interessante sabermos a posição libertaria desses fatos: Liberdade de expressão e pena capital. Obrigado.
  • Ermenegildo  18/01/2015 00:53
    A posição já foi dada ao longo dos mais de 2 mil artigos desse site: fazer charges (não importa do quê) e vender drogas não constituem atividades criminosas, pois não há agressão à vida, à liberdade e à propriedade de terceiros inocentes.

    Quem compra drogas o faz porque quer. E quem vende drogas, o faz porque há otários e imbecis para comprar. Portanto, trata-se de um "crime sem vítimas involuntárias".

    Quanto a matar alguém por causa de um desenho, bom, creio realmente que isso dispensa comentários. Por outro lado, tenho certeza de que o IMB não caiu no conto hipócrita daqueles que dizem defender a "liberdade de expressão", mas são os primeiros a querer calar humoristas que fazem piadas politicamente incorretas.

    Veja os dois podcasts do IMB com o Danilo Gentili.

    www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=292
    www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=339
  • anônimo  18/01/2015 14:14
    Veja como é engraçado a hipocrisia dos defensores da liberdade de expressão:
    'Meanwhile, the hypocrisy of all the ado about free speech is beginning to sink in. We learn that "Charlie Hebdo" fired one of its cartoonists for mocking the son of Sarkozy's marriage to a wealthy Jewish heiress. A French-African not very funny comic faced charges of anti-Semitism.'

    www.lewrockwell.com/2015/01/eric-margolis/charlie-hebdo-boosts-socialist-jerk/
  • anônimo  18/01/2015 14:18
    Mais da hipocrisia desse pessoal.Sério, quem acredita em político defendendo 'liberdade de expressão' deve ter alguma doença mental:

    'Prime Minister Manuel Vals lists four. "There is a fundamental difference between the freedom to be impertinent and anti-Semitism, racism, glorification of terrorist acts, and Holocaust denial, all of which are crimes, that justice should punish with the most severity."

    Vals' list brings to mind another quote of Voltaire's, "To learn who rules over you, simply find out who you are not allowed to criticize."

    Why did Vals not include slanders against Catholicism and Islam, the world's largest religions, both of which have been repeatedly insulted by Charlie Hebdo?

    www.lewrockwell.com/2015/01/patrick-j-buchanan/die-for-charlie-hebdo/
  • BrunoD  17/01/2015 23:07
    Ontologic:

    "Lendo a nova bíblia da esquerda?!". "Pois é... Sou liberal exatamente por saber o que os marxistas pensam",

    Não vou fazer como os marxistas, vou terminar de ler o artigo!

    Abçs
  • Vander  19/01/2015 11:54
    Para mim a melhor definição de socialismo foi a que encontrei em um site americano de discussão política:

    "The Gospel of Envy" (traduzindo: "o evangelho da inveja").
  • Valatráquio  19/01/2015 23:51
    Socialismo é muito mais que a simples inveja meu caro! É a maior "esquema em pirâmide" montado desde os primórdios da história.

    É uma pena que a maioria esmagadora das pessoas vêem o socialismo somente pela sua ideologia e aplicação (coincidentemente sempre 'fracassada'), mas ficam completamente cegas quanto à sua organização.

    Socialismo é a máfia elevada quase à perfeição. O papinho de ideologia é só para manter os idiotas úteis na inutilidade...
  • Valetudinário  20/01/2015 01:59
    Uma coisa não elimina a outra. Todo golpe só pode funcionar com a colaboração das vítimas, as quais acreditam que estão levando uma vantagem indevida ou desproporcionalmente favorável. E é justamente a inveja e a ganância de suas vítimas que faz com que elas se ceguem e mordam a isca do golpista. A inveja e a ganância fazem com que elas deixem de se perguntar: mas isso não é bom demais para ser verdade?

    As vítimas, cegas pela inveja, acreditam que elas podem viver às custas dos outros, no entanto, no fim das contas, são elas que acabam pagando a boa vida dos outros. Por isso mesmo, não consigo ter dó das pessoas que apostam suas fichas no socialismo/comunismo. Esses imbecis acreditam que se pode simplesmente tirar de uns para dar para outros, sem maiores conseqüências. E o que é pior, elas acreditam que se tirará de uns para que o produto do esbulho seja dado a elas. Por isso que não tenho dó de "vítimas" de estelionatários. Por isso que não tenho dó dos cubanos, dos venezuelanos, dos argentinos, dos brasileiros e dos bolivianos. São, em sua maioria, invejosos e cúpidos.

    Se o povo não se entregasse aos sentimentos mais vis, sobretudo a inveja, o socialismo não floresceria. Como o socialismo só cresce nas terras mais pútridas, se ele cresce (e cresce), é porque o povo tem mais que se lascar mesmo.
  • Thiago  22/01/2015 01:17
    Boa noite, muito bom artigo. Permita-me fazer alguns comentários sobre tributos que é a minha área de especialização.

    1. "Piketty ignora completamente o que diz a história política da galáxia: taxações e confiscos beneficiam principalmente os burocratas que vivem de arbitrar essas mesmas taxações e esses mesmos confiscos."

    Quando você cita os burocratas acredito que você está citando a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) por meio da qual é direcionado os recursos previstos no orçamento do governo para saúde, educação, fundos de participação do estados e municipios, etc. Você é contra destinação que a LDO dá aos recursos arrecadados é isso? Ou você acha que não deveriam haver SUS, escolas públicas, universidade públicas, INSS, etc? A iniciativa privada vai prover? (sobre o "estado social" ver cap. 13 do livro - lá ele discute as universidades e as aposentadorias).

    2. "Piketty ignora também o resultado de todas as experiências socialistas: quanto mais se arbitra sobre a riqueza privada, mais se intimida o indivíduo comum a tentar enriquecer, provocando, assim, uma desmotivação coletiva. A produtividade cai."

    Nós somos desmotivados a não ganhar mais porque nossa renda vai cair na alíquota de 27,5% da tabela progressiva de imposto de renda? Seu pensamento é o seguinte: "bom já que o governo vai me tributar mais, eu vou trabalhar menos e continuar ganhando menos. Prefiro continuar ganhando menos e ser menos produtivo". Tenho a leve sensação de que sua lógica está furada. =)

    3. "Piketty não aprendeu que, em vez de rechaçarmos os ricos, deveríamos tentar mantê-los voluntariamente junto de nós, para que eles possam gastar sua fortuna consumindo nossos produtos e serviços, não dos outros."

    E se o seu produto não fosse escolhido por ele? Lembre-se do "véu da ignorância" de John Rawls.

    4. "Piketty parece que não enxergou sequer o que aconteceu em seu próprio país quando o governo decidiu sobretaxar as maiores fortunas: seus donos simplesmente foram embora, foram gastar seus bilhões noutros países."

    Isso chama-se "base erosion profit shifting" no qual há um esforço mundial para "fechar o cerco" sobre os paraísos fiscais de modo a evitar que as rendas sejam transferidas a outros países (pag 504 da trad. brasileira)

    Estou aberto ao debate! Abraços!
  • Alves  22/01/2015 01:23
    1. Não. Ele está citando os que são realmente beneficiados pela maior parte do butim, mesmo. Funças, políticos, gente que trabalha nos ministérios e nas agências reguladoras.

    2. Não se faça de tolinho. Uma coisa é 27,5%. Outra coisa é 90%. Essa alíquota já vigorou na Inglaterra na década de 1970. Aliás, uma alíquota de 75% vigorou na França de 2013 até o início desse ano, quando foi abolida justamente por causa das consequências mencionadas pelo autor.

    Sugiro ir falar com o governo francês que a fuga de milionários da França (como aconteceu com Gerard Depardieu) foi apenas uma "lógica furada".

    Pra quem diz ser da área tributária, você está um tantinho mal informado.

    3. Aí eu me esforçaria mais para fabricar produtos que eles querem comprar. Ao contrário de você, não agüentaria viver sabendo que os outros são coagidos a comprar de mim, em vez de voluntariamente me escolherem.

    4. Gerard Depardieu ter saído da França (junto com centenas de outros menos famosos) é "base erosion profit shifting"? A França elevar a alíquota para 75% é uma medida que evita "que as rendas sejam transferidas a outros países"?!

    Que lógica é essa?!
  • ocarinha  10/03/2015 18:35
    É Pikaretty!
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  30/03/2015 23:17
    Não percam tempo lendo livros de esquerda. Prefiram os de Matemática, com exceção dos que dizem, como a rede globo, que "menos é mais".
  • MIT  02/04/2015 14:34
    Mais um tapa na cara do Pikaretty: exame.abril.com.br/economia/noticias/o-estudante-que-desafiou-piketty-com-um-comentario-em-blog
  • Realmente  02/04/2015 19:46
    Cheio de esquerdopauts na pag fazendo esquerdices. Tem um lá que disse que Marx é mais coerente que Mises. Tenho dó dele.
  • Assis  12/06/2015 11:41
    Apesar dos imensos esforços intelectuais levados a cabo pelos excelentes trabalhos dos principais teóricos liberais, pelo autor do artigo e na quase unanimidade dos comentários, a economia NÃO é uma ciência exata, é uma ciência social e política com arrogância e prepotência de se achar exata por se utilizar de modelos matemáticos e econométricos consistentes, mas com premissas e variáveis frágeis. Thomas Piketty fez um trabalho brilhante de pesquisa e análise de mais de 20 anos, levantando cuidadosamente dados econômicos de mais de um século, muitas vezes obtidos com grande resistência e dificuldade. Além dele muitos outros autores já chamaram a atenção para as crises cíclicas do capitalismo, as quais são provocas em boa parte pela brutal concentração de renda retida por 0,3% da população mundial. A ONU, a OCDE, o BID, o Banco Mundial e até mesmo o FMI também reconhecem o problema em seus relatórios, alguns há várias décadas, só não enxerga quem não quer e faz do liberalismo uma religião, cometendo o mesmo, ou mais grave erro, dos socialistas. Tenho certa tristeza por ver toda uma geração de jovens de classe média e alta, educados nas melhores escolas, moradores dos melhores bairros, defenderem com grande empenho um modelo econômico e social que está falido há mais de 50 anos. Se o estado não pode cobrar impostos dos muito ricos, os quais estão muito distantes das classes sociais desses mesmos jovens, se não pode regular a economia para reduzir as desigualdades brutais de nossas sociedades, qual o sentido dele existir? Apenas para proteger a propriedade e os contratos dos herdeiros de grandes fortunas?! Neste caso deveríamos seguir os dogmas liberais e acabar de vez com o estado, deixando a imensa parcela miserável e pobre da população negociar seus "direitos hereditários exclusivamente meritocráticos" diretamente com a parcela abastada e rica...
  • Chateaubriand  12/06/2015 15:08
    "a economia NÃO é uma ciência exata"

    Concordo plenamente, e este site também. A economia é um ramo da praxeologia, que é a ciência da ação humana.

    "é uma ciência social e política"

    Completamente errado. Economia não tem nada de social e muito menos de política. A economia é uma ciência que não faz juízo de valor. Sua única função é explicar as possíveis consequências de determinadas medidas econômicas.

    E só.

    Agora, avaliar a desejabilidade ou a ética ou a moralidade de determinadas medidas econômicas, isso é função da filosofia e até mesmo da sociologia. Não da economia.

    "com arrogância e prepotência de se achar exata por se utilizar de modelos matemáticos e econométricos consistentes, mas com premissas e variáveis frágeis."

    Este site é líder em criticar a matematização da economia, e possui vários artigos criticando o uso da econometria. Se você realmente está interessado em debate, procure esses artigos.

    "Thomas Piketty fez um trabalho brilhante de pesquisa e análise de mais de 20 anos, levantando cuidadosamente dados econômicos de mais de um século, muitas vezes obtidos com grande resistência e dificuldade."

    Tão "brilhante" que um universitário, com uma simplesmente postagem de blog, encontrou um erro gravíssimo em sua metodologia. O universitário foi entrevistado por vários jornais e Piketty se recusa a debatê-lo e até mesmo a contra-argumentar.

    Além disso, há vários outros erros e invenções no livro de Piketty. Veja dois exemplos aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1855

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2012

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1836

    "Além dele muitos outros autores já chamaram a atenção para as crises cíclicas do capitalismo, as quais são provocas em boa parte pela brutal concentração de renda retida por 0,3% da população mundial."

    Os ciclos econômicos são causados pela concentração de renda?! Essa é nova. Por gentileza, desenvolva essa teoria.

    Se a questão é essa, então não deve haver crise nenhuma no Afeganistão, que, segundo o índice de GINI, é uma das nações mais igualitárias do mundo. Também não deve haver problema nenhum no Senegal, em Bangladesh, no Timor Leste, no Cazaquistão, no Nepal e na Etiópia, todos esses mais igualitários que os países europeus.

    "A ONU, a OCDE, o BID, o Banco Mundial e até mesmo o FMI também reconhecem o problema em seus relatórios, alguns há várias décadas, só não enxerga quem não quer e faz do liberalismo uma religião, cometendo o mesmo, ou mais grave erro, dos socialistas."

    Exato! Se a ONU (e seus estupradores), o FMI e o Banco Mundial falam alguma coisa, então a causa está encerrada. Se tais organismos suprancionais defendem a criação de políticas que irão fortalecer seus poderes (afinal, são eles que irão "supervisionar" as políticas de transferência de renda), então não há motivo algum para divergência.

    E que ousar discordar em conceder poderes para esses burocratas não passa de gente que "faz do liberalismo uma religião, cometendo o mesmo, ou mais grave erro, dos socialistas".

    E aí, você deixaria sua filha sob os cuidados das tropas da ONU?

    "Tenho certa tristeza por ver toda uma geração de jovens de classe média e alta, educados nas melhores escolas, moradores dos melhores bairros, defenderem com grande empenho um modelo econômico e social que está falido há mais de 50 anos."

    Não, o socialismo não faliu há mais de 50 anos. Embora ele já tenha nascido falido, ele só faliu mesmo em 1989, com a queda do muro. Ou seja, podemos dizer que ele está falido há mais de 25 anos. E não há 50 anos.

    E eu concordo com você. É lamentável ver pessoas ricas e estudadas defendendo socialismo (como acontece nos cursos de humanas das principais universidades do Brasil) ou social-democracia, que é uma versão mais light do socialismo.

    "Se o estado não pode cobrar impostos dos muito ricos,"

    Ele cobra impostos dos muito ricos. Aliás, os muito ricos pagam alíquotas muito maiores do que a classe média (e os pobres não pagam imposto de renda).

    "os quais estão muito distantes das classes sociais desses mesmos jovens,"

    Quais jovens?

    "se não pode regular a economia para reduzir as desigualdades brutais de nossas sociedades,"

    Como assim?! A economia, principalmente a brasileira, é uma das mais reguladas do mundo. E, justamente por isso, é uma das mais desiguais.

    Quer entender a relação? Pode começar por aqui (que é um estudo do IPEA, hein? Ninguém menos que o governista IPEA):

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2117

    "qual o sentido dele existir?"

    O estado existe para enriquecer seus membros à custa do confisco da renda dos setores produtivos da sociedade. É para isso que o estado serve.

    E isso nem é opinião minha, não. Pergunte para qualquer jovem: "o que você quer fazer da vida?". E ele responderá: "Quero fazer concurso e virar funcionário público".

    Ou seja, ele quer utilizar o estado para ter uma boa vida à custa dos pagadores de impostos, a maioria deles formada pelos pobres que você diz amar e defender.

    E você ainda vem dizer que o estado deve intervir e regular ainda mais? Ora, é justamente por causa da forte intervenção e da forte regulação que todo mundo quer virar funcionário público. Empreender neste país é um inferno por causa do estado. E você ainda quer mais?

    "Apenas para proteger a propriedade e os contratos dos herdeiros de grandes fortunas?!"

    O estado não protege a propriedade. Ele viola a propriedade. Ele confisca a minha renda (que é minha propriedade) para transferir para seus nababos e para seus empresários favoritos. O estado é um violador da minha propriedade.

    "Neste caso deveríamos seguir os dogmas liberais e acabar de vez com o estado,"

    Ótima ideia.

    "deixando a imensa parcela miserável e pobre da população negociar seus "direitos hereditários exclusivamente meritocráticos" diretamente com a parcela abastada e rica..."

    Não faço a mais mínima ideia do que sejam "direitos hereditários exclusivamente meritocráticos". Mas sei que, como o próprio IPEA reconheceu que quem gera miséria é o estado, o fim do estado traria uma imediata melhora de vida para os mais pobres.
  • Ignorante Economico  19/09/2015 20:44
    Bom artigo. Gostei do trecho abaixo:

    Sou liberal exatamente por saber o que os marxistas pensam", respondi.

    Mesmo não sendo da área econômica, política ou do direito, sinto-me obrigado a ler essas "coisas", já que me interesso pelo assunto.



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