O que realmente é a "sociedade"

O ser humano nasce em um ambiente socialmente organizado. Somente nesse sentido é que podemos aceitar quando se diz que a sociedade — lógica e historicamente — antecede o indivíduo. Com qualquer outro significado, este dito torna-se sem sentido ou absurdo. O indivíduo vive e age em sociedade. Mas a sociedade não é mais do que essa combinação de esforços individuais.

A sociedade em si não existe, a não ser por meio das ações dos indivíduos. É uma ilusão imaginá-la fora do âmbito das ações individuais. Falar de uma existência autônoma e independente da sociedade, de sua vida, sua alma e suas ações, é uma metáfora que pode facilmente conduzir a erros grosseiros.

É inútil perguntar se é a sociedade ou o indivíduo o que deve ser considerado como fim supremo, e se os interesses da sociedade devem ser subordinados aos do indivíduo ou vice-versa.  Ação é sempre ação de indivíduos. O elemento social ou relativo à sociedade é a orientação específica das ações individuais. A categoria fim só tem sentido quando referida à ação.

A teologia e a metafísica da história podem discutir os fins da sociedade e os desígnios que Deus pretende realizar no que concerne à sociedade, da mesma maneira que discutem a razão de ser de todas as outras partes do universo. Para a ciência, que é inseparável da razão — instrumento evidentemente inadequado para tratar de problemas desse tipo —, seria inútil envolver-se em especulações desta natureza.

Sociedade é ação concertada, cooperação.

A sociedade é a consequência do comportamento propositado e consciente. Isso não significa que os indivíduos tenham firmado contratos por meio dos quais teria sido formada a sociedade.  As ações que deram origem à cooperação social, e que diariamente se renovam, visavam apenas à cooperação e à ajuda mútua, a fim de atingir objetivos específicos e individuais.  Esse complexo de relações mútuas criadas por tais ações concertadas é o que se denomina sociedade.  Sociedade é divisão de trabalho e combinação de esforços.  Por meio da colaboração e da divisão do trabalho, o homem substitui uma existência isolada — ainda que apenas imaginável — pela existência conjunta. Por ser um animal que age, o homem torna-se um animal social.

No quadro da cooperação social podem emergir, entre os membros da sociedade, sentimentos de simpatia e amizade e uma sensação de comunidade. Esses sentimentos são a fonte, para o homem, das mais agradáveis e sublimes experiências. Elevam a espécie animal homem às alturas de uma existência realmente humana; são o mais precioso adorno da vida.  Entretanto, esses sentimentos são fruto da cooperação social e só vicejam no seu quadro; não precederam o estabelecimento de relações sociais e não são as sementes de onde estas germinam.

Os fatos fundamentais que fizeram existir a cooperação, a sociedade e a civilização, e que transformaram o animal homem em um ser humano, é o fato de que o trabalho efetuado valendo-se da divisão do trabalho é mais produtivo que o trabalho solitário, e o fato de que a razão humana é capaz de perceber esta verdade.  Não fosse por isso, os homens permaneceriam sempre inimigos mortais uns dos outros, rivais irreconciliáveis nos seus esforços para assegurar uma parte dos escassos recursos que a natureza fornece como meio de subsistência. Cada homem seria forçado a ver todos os outros como seus inimigos; seu intenso desejo de satisfazer seus próprios apetites o conduziria a um conflito implacável com seus vizinhos.  Nenhum sentimento de simpatia poderia florescer em tais condições.

Alguns sociólogos têm afirmado que o fato subjetivo original e elementar na sociedade é uma "consciência da espécie".  Outros sustentam que não haveria sistemas sociais se não houvesse um "senso de comunidade ou de propriedade comum". Podemos concordar, desde que estes termos um pouco vagos e ambíguos sejam corretamente interpretados. Podemos chamar de consciência da espécie, senso de comunidade ou senso de propriedade comum, o reconhecimento do fato de que todos os outros seres humanos são virtuais colaboradores na luta pela sobrevivência, pois são capazes de reconhecer os benefícios mútuos da cooperação, ao passo que os animais não têm essa faculdade.

Entretanto, não devemos esquecer que são os dois fatos essenciais acima mencionados que fazem existir tal consciência ou tal senso de existência.  Em um mundo hipotético, no qual a divisão do trabalho não aumentasse a produtividade, não haveria sociedade. Não haveria qualquer sentimento de benevolência e de boa vontade.

O princípio da divisão do trabalho é um dos grandes princípios básicos da transformação cósmica e da mudança evolucionária. Os biologistas tinham razão em tomar emprestado da filosofia social o conceito de divisão do trabalho e em adaptá-lo a seu campo de investigação.

Existe divisão do trabalho entre as várias partes de qualquer organismo vivo. Mais ainda: existem, no reino animal, colônias integradas por seres que colaboram entre si; tais entidades, formadas, por exemplo, por formigas ou abelhas, costumam ser chamadas, metaforicamente, de "sociedades animais". Mas não devemos jamais nos esquecer de que o traço característico da sociedade humana é a cooperação propositada; a sociedade é fruto da ação humana, isto é, apresenta um esforço consciente para a realização de fins.

Nenhum elemento desse gênero está presente, ao que se saiba, nos processos que resultaram no surgimento dos sistemas estruturais e funcionais de plantas e de corpos animais ou no funcionamento das sociedades de formigas, abelhas e vespas. A sociedade humana é um fenômeno intelectual e espiritual.  É a consequência da utilização deliberada de uma lei universal que rege a evolução cósmica: a maior produtividade gerada pela divisão do trabalho.

Como em todos os casos de ação, o reconhecimento das leis da natureza é colocado a serviço dos esforços do homem desejoso de melhorar suas condições de vida.

A cooperação humana

A cooperação humana é diferente das atividades que ocorreram sob as condições pré-humanas no reino animal e daquelas que ocorriam entre pessoas ou grupos isolados durante as eras primitivas.  A faculdade humana específica que distingue o homem do animal é a cooperação.  Os homens cooperam.  Isso significa que, em suas atividades, eles preveem que as atividades incorridas por outras pessoas irão produzir certas coisas que possibilitarão os resultados que eles objetivam com seu próprio trabalho.

O mercado é uma situação, ou um conjunto de situações, em que eu dou algo para você a fim de receber em troca algo de você.  Um ditado em latim, há mais de 2.000 anos, já apresentava a melhor descrição do mercado: do ut des — dou algo para que assim você também dê.  Eu contribuo com algo de modo que você contribua com algo mais.  Com base nisso desenvolveu-se a sociedade humana, o mercado, a cooperação pacífica entre os indivíduos.  E cooperação social significa divisão do trabalho.

Os vários membros, os vários indivíduos de uma sociedade não vivem suas próprias vidas sem qualquer ligação ou conexão com outros indivíduos.  Graças à divisão do trabalho, estamos constantemente associados a terceiros: trabalhando para eles e recebendo e consumindo o que eles produziram para nós.  Como resultado, temos uma economia baseada nas trocas e que consiste totalmente na cooperação entre vários indivíduos.  Todo mundo produz, não apenas para si próprio, mas para outras pessoas também, na expectativa de que essas outras pessoas irão produzir para ele.  Esse sistema requer atos de troca.

A cooperação pacífica, as conquistas pacíficas dos homens, são todas efetuadas e realizadas no mercado. Cooperação necessariamente significa que as pessoas estão trocando serviços e bens, sendo estes últimos os produtos dos serviços.  São essas trocas que criam o mercado.  O mercado representa precisamente a liberdade de as pessoas produzirem, consumirem e determinarem o que deve ser produzido, em qual quantidade, com qual qualidade e para quem esses produtos devem ir.  Um sistema livre sem um mercado é impossível.  O mercado é a representação prática desse sistema livre.

Tem-se aquela ideia de que as instituições criadas pelo homem são (1) o mercado, que é a livre troca entre indivíduos, e (2) o governo, uma instituição que, na mente de muitas pessoas, é algo superior ao mercado e poderia existir na ausência do mercado.  A verdade é que o governo — que representa necessariamente o recurso à violência, pois não passa de um poder policial com seu correspondente aparato de compulsão e coerção — não pode produzir nada.  Tudo que é produzido de bom é produzido somente pelas atividades desempenhadas por indivíduos, e é disponibilizado no mercado com o intuito de se receber algo benéfico em troca.

É importante lembrar que tudo o que é feito, tudo que o homem já fez, tudo que a sociedade já fez, é o resultado da cooperação e dos acordos voluntários.  A cooperação social entre os homens — e isso significa o mercado — é o que cria a civilização.  E foi essa cooperação que permitiu todas as melhorias ocorridas nas condições humanas, melhorias essas que podemos usufruir hoje.


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SOBRE O AUTOR

Ludwig von Mises
foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico.  Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política.  Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico.  Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".



O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Prezado Paulo, você reclama que teve emprego e salário, mas não ganhava tanto quanto os funcionários mais antigos e experientes. Você foi contratado a um salário menor e achou isso injusto. Queria já chegar ganhando o mesmo tanto que funcionários melhores e mais experientes, que já estavam lá há anos. É isso mesmo?

Não posso acreditar.

Outra coisa: você teve salário e emprego (e ainda teve plano de saúde!) graças à possibilidade de terceirização. E se fosse proibida a contratação de terceirizados? Será que você teria tido esse emprego e esse salário? Será que você sequer teria tido essa chance?

Desculpe, mas parece que você está cuspindo no prato que comeu. Você teve emprego e renda (e plano de saúde!) graças a uma liberdade de contrato, e agora vem dizer que essa liberdade foi ruim para você? Bom mesmo seria se o mercado de trabalho fosse restrito. Aí sim você já seria contratado como presidente...

É interessante como você parte do princípio de que o mundo não só lhe deve emprego e renda (e plano de saúde!), como ainda lhe deve um emprego extremamente bem-remunerado imediatamente após a contratação (você já quer entrar ganhando o mesmo tanto que os funcionários mais antigos e experientes).

De fato, ainda estamos deitados em berço esplêndido. Aqui todo mundo só quer saber de direitos.


P.S.: ainda no aguardo de você responder à pergunta do Leandro (a que aparentemente te deixou assim tão zangado): a terceirização nada mais é do que permitir que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Esse comentário não faz o menor sentido. Vc usa a linguagem jurídica e estatal para condenar pessoas, mas sem nenhum processo. Ter um cargo publico não pode ser crime no regime atual. Se vc se revelasse seria claramente processado por calunia e difamação. Pois não crime sem lei que o prescreva. Que é isso? Os libertários querem se unir aos marxistas para ditar regras de moral ao mundo. A existência de um aparato que extorque e atrapalha o desenvolvimento da população, pode ser imoral mas não pode ser considerado crime no sistema atual. Tente convocar uma assembleia constituinte libertaria e acabe com o sistema atual e talvez no seupais seja crime. Como podemos responder por crimes, contra uma legislação ideológica que ignoramos, que não aprendemos nem em casa e nem na mídia. Embora os recursos da receita federal sejam usados de ma fé, isso não faz da sua existência um crime. Antes de tudo existe um regulamento, produzido pelo consentimento da sociedade que prevê a existência daquele órgão. Pelo seu ponto de vista todas as pessoas são criminosas porque o estado não tributa tudo, mas regulamenta tudo. Então para ser um libertário coerente eu teria que cancelar meu CPF, abrir mão de todo beneficio estatal que veio parar nas minhas mão, mesmo sem que eu ferisse ninguém, renunciar minha cidadania brasileira, o que mais. Resumindo ter pessoas que respeitem os direitos civis e as liberdades individuais dentro do estado, é bem melhor do que ficar se gabando e massageando o próprio ego dizendo pra todo mundo, olha só nós estamos certo, todos vocês são ladroes, sem fazer nada pela liberdade.
Se há custos trabalhistas artificialmente altos e estes puderem ser reduzidos, então eles serão reduzidos.

Se uma empresa opera com custos trabalhistas artificialmente altos -- por imposição do governo -- e estes custos podem ser reduzidos -- porque há outros trabalhadores dispostos a fazer mais por menos --, então eles serão reduzidos.

Se a empresa não fizer isso, então ela estará -- por definição -- operando de forma ineficiente. Ele não durará muito. Com efeito, essa empresa só irá durar se operar com uma reserva de mercado garantida pelo governo. Aí sim. Excetuando-se isso, ela estará queimando capital e comprometendo sua capacidade de investimento e expansão no futuro. Será rapidamente abarcada pela concorrência.

No mais, é interessante notar que as pessoas querem livre concorrência para tudo e todos, menos para elas próprias. Todos nós queremos competição entre empresas para que haja produtos melhores e preços menores, mas não queremos competição para o nosso emprego. Quando a concorrência chega até nós, queremos que políticos criem leis que garantam nossa estabilidade. Agora, querem até proibir empresas de contratar outras pessoas que não nós mesmos. Há totalitarismo maior do que esse?

Vale ressaltar o óbvio: essa lei da terceirização nada mais é do que uma permissão para que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente -- por favor, me digam -- seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Ei, Marcelo Siva, quer falar de escravidão? Vamos lá (aliás, é hora de você começar a responder perguntas, como todos fizeram com as suas):

Quem é que adota políticas -- como déficits orçamentários e expansão do crédito via bancos estatais -- que destroem o poder de compra do dinheiro, perpetuando a pobreza dos mais pobres?

Quem é que, além de destruir o poder de compra do dinheiro -- gerando inflação de preços -- ainda impõe tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial, com isso impedindo duplamente que os mais pobres possam adquirir produtos baratos do exterior?

Quem é que, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encarece artificialmente os preços das moradias e joga os pobres para barracões, favelas e outras áreas com poucas expectativas de vida?

Quem é que impede que os moradores de favelas obtenham títulos de propriedade, os quais poderiam ser utilizados como garantia para a obtenção de crédito, com o qual poderiam abrir pequenas empresas, fornecer empregos e, de forma geral, se integrar ao sistema produtivo?

Quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da renda dos pobres?

Quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente os mais pobres?

Quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente e mão-de-obra e, com isso, gera desemprego, estimula a informalidade e impede que os salários sejam maiores?

Quem é que confisca uma fatia do salário do trabalhador apenas para que, no futuro, quando este trabalhador estiver em situação ruim, ele receba essa fatia que lhe foi roubada de volta (e totalmente desvalorizada pela inflação)?

No aguardo das suas respostas.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2383

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Emerson Luís, um Psicólogo  16/12/2013 13:51

    O senso de individualidade e o impulso de cooperar em busca do benefício próprio (obtido através do benefício do outro e vice-versa) fazem parte da própria estrutura neurobiológica do ser humano. O socialismo só funcionaria (talvez) se fôssemos insetos sociais em vez de primatas sociais.

    * * *
  • Rodrigo  16/12/2013 17:32
    Ah, agora descobri porque os socialistas fazem de tudo para, com doutrinação, "cultura", leis, escolas e outros artifícios, transformar-nos todos em insetos!
  • Marcio Silva  16/12/2013 14:09
    Mises estava descrevendo a sociedade humana como uma espécie de formigueiro ou de uma colméia de abelhas egoístas, onde os indivíduos nascem aptos à divisão do trabalho, e desde o primeiro dia de vida já percebem que terão mais vantagens se trabalharem em equipe.
    Pois ele se esqueceu que o ser humano nasce totalmente indefeso e só teria alguma chance de sobreviver com muita dificuldade, sozinho na natureza selvagem, depois de adulto e depois de adquirir conhecimentos de outro ser humano... Não é por puro interesse material que os seres humanos se associam e não é nem mesmo uma coisa consciente, pois se as sociedades humanas se originassem como na exata descrição do Mises, nenhuma mãe cuidaria do seu bebê pois desde que o mundo é mundo, um bebê, até conseguir sustentar-se a si próprio só traz desvantagens materiais para mãe, para a família e para sociedade onde ele nasce. Aliás, nessas idéias materialistas está o gérmem do eugenismo, que prega o aborto e a eutanásia de indivíduos que não poderão cooperar com a sociedade.
    Nesse caso, só a metafisica pode explicar porque as pessoas se associam quando só terão desvantagens materiais.
  • Malthus  16/12/2013 14:22
    "Não é por puro interesse material que os seres humanos se associam e não é nem mesmo uma coisa consciente,[...] nessas idéias materialistas está o gérmem do eugenismo[...] Nesse caso, só a metafisica pode explicar porque as pessoas se associam quando só terão desvantagens materiais."

    É nisso que dá palpitar sem nem sequer se dar ao trabalho de ler o artigo. Falou uma bobagem tremenda. Veja este trecho do artigo:

    "No quadro da cooperação social podem emergir, entre os membros da sociedade, sentimentos de simpatia e amizade e uma sensação de comunidade. Esses sentimentos são a fonte, para o homem, das mais agradáveis e sublimes experiências. Elevam a espécie animal homem às alturas de uma existência realmente humana; são o mais precioso adorno da vida. Entretanto, esses sentimentos são fruto da cooperação social e só vicejam no seu quadro; não precederam o estabelecimento de relações sociais e não são as sementes de onde estas germinam."

    Gentileza ler o artigo antes de sair poluindo o espaço. Grato.
  • Marcio Silva  16/12/2013 14:38
    Malthus,

    Em que parte do texto Mises explica o porquê, mesmo em sociedades primitivas , uma família cuidaria do seu bebê que obviamente só traria desvantagens materiais para mãe, para a família e para sociedade onde ele nasce por 10 ou 15 anos até esse indivíduo poder sustentar-se a si próprio?
  • anônimo  16/12/2013 16:58
    Marcio Silva, tenha a bondade de primeiro ler o texto atentamente e observar o que de fato está escrito, e não o que o que os seus preconceitos e achismos estúpidos preconceberam.

    Você arrogantemente vem aqui exigir que respostas para afirmações que nem existem no texto. Em nenhum momento Mises escreve que a cooperação tem fins 'materiais', como você supõe, ele sequer menciona qualquer coisa parecida. Releia o que vem logo antes do trecho que o Malthus sublinhou: "As ações que deram origem à cooperação social, e que diariamente se renovam, visavam apenas à cooperação e à ajuda mútua, a fim de atingir [u] objetivos específicos e individuais [/]".




  • Gustavo Torres  16/12/2013 18:25
    Marcio, vale lembrar, também, que em sociedades mais primitivas, a eugenia é sim bastante praticada. Em diversas tribos indígenas e outros tipos de sociedade mais primitivas, indivíduos que serão absolutamente incapazes de produzir para sustentar-se a si próprio, são mortos ao nascimento.
    Neste caso, inclusive, o que permite que sociedades mais complexas possam permitir que alguém viva sem jamais produzir nada, é a maior produtividade dos outros indivíduos - i.e. a divisão do trabalho e o avanço tecnológico que permitem a maior produtividade.
  • Malthus  16/12/2013 14:49
    Êpa! De onde você tirou que um bebê "obviamente só traria desvantagens materiais"? Você aparentemente ignora a vantagem de longo prazo, que é quando a prole começa a trabalhar (algo que, antigamente, ocorria por volta dos 5 anos de idade) e, com isso, aumenta a renda da família e a produção da sociedade. Não dê vaticínios arrogantes.

    Sugiro fortemente que você leia este artigo, pois você definitivamente desconhece o processo histórico de formação da humanidade:

    A origem da propriedade privada e da família
  • Marcio Silva  16/12/2013 15:21
    Você não deve ter filhos, ou você é um proletário.. hahaha...

    A tal "vantagem a longo prazo" não está nesse texto de misses, ela é a sua explicação...

    O ponto é que Mises garante que a cooperação é consciente e a formação da sociedade ocorre sempre quando há a percepção de vantagem mútua, mas ele sequer menciona o fato de que toda sociedade humana tem sua primeira associação entre indivíduos, na FAMÍLIA e ela se dá pela HERANÇA GENÉTICA e PELOS LAÇOS CRIADOS PELO AMOR MATERNO da mãe pelo filho ainda bebê.
    Isso derruba a tese de que as sociedades são exclusivamente formadas pelo interesse mútuo entre indivíduos e na sua divisão de trabalho, pois quando nasce um filho a mãe e o pai sempre vão estar, SEMPRE, em posição de desvantagem material por muitos anos, que seja 5 anos, ainda mais numa sociedade primitiva onde a expectativa de vida do ser humano era de 25 anos, até que um filho possa sustentar-se e mais alguns até filho cresça e possa contribuir, primeiro com a FAMÍLIA, depois com a sociedade.


  • Malthus  16/12/2013 21:47
    "O ponto é que Mises garante que a cooperação é consciente e a formação da sociedade ocorre sempre quando há a percepção de vantagem mútua,"

    De novo, que parte do trecho abaixo você não entendeu?

    "No quadro da cooperação social podem emergir, entre os membros da sociedade, sentimentos de simpatia e amizade e uma sensação de comunidade. Esses sentimentos são a fonte, para o homem, das mais agradáveis e sublimes experiências. Elevam a espécie animal homem às alturas de uma existência realmente humana; são o mais precioso adorno da vida.

    "mas ele sequer menciona o fato de que toda sociedade humana tem sua primeira associação entre indivíduos, na FAMÍLIA e ela se dá pela HERANÇA GENÉTICA e PELOS LAÇOS CRIADOS PELO AMOR MATERNO da mãe pelo filho ainda bebê."

    Uma família formada por pai, mãe e filho não constitui sociedade. Isso é básico.

    "quando nasce um filho a mãe e o pai sempre vão estar, SEMPRE, em posição de desvantagem material por muitos anos,[...]"

    Por essa sua lógica tacanha, a esmagadora maioria dos gastos em consumo das pessoas não ocorreria.

    Um sujeito que gasta R$30 mil fazendo turismo na Europa estará em uma situação material pior após o passeio. Um sujeito que compra um carro (o qual irá se desvalorizar em 20% tão logo ele saia da concessionária) está em pior situação material após a compra. Um sujeito que compra uma roupa, ou que vai a uma boate, ou que vai ao cinema estará em situação financeira pior após o evento. Aliás, o único sujeito que estará em situação melhor após algum gasto será aquele sujeito que comprar um imóvel durante uma bolha imobiliária (pois o imóvel irá se valorizar). Exceto ele, o sujeito de todos os outros exemplos estará em pior situação financeira após ter voluntariamente incorrido em um gasto.

    A sua análise é falha justamente porque você não levou em conta a subjetividade das pessoas, algo que a teoria misesiana faz em profundidade.

    P.S.: não é Misses, mas sim Mises.
  • Marcio Silva  17/12/2013 05:59
    Malthus e Anônimo , quem não levou em conta a subjetividade das pessoas ao definir o que é a sociedade foi o próprio Mises nesse texto compilado.
    Por isso eu questiono o site por publicar dessa maneira o texto do Mises. Se Mises não está falando de fins materiais, porque ele critica qualquer explicação explicação metafísica para o surgimento das sociedades?
    Na verdade ele aborda o tema sim, vocês, sem vergonha, não foram capazes de ler o texto que me sugeriram, e preferiram o histerismo ao debate...

    "
    A fábula da comunhão mística

    A teoria praxeológica da sociedade é exprobrada pela fábula da comunhão mística. A sociedade, afirmam os defensores dessa doutrina, não é o produto da ação propositada do homem; não é a cooperação e a divisão de tarefas. Deriva de profundezas insondáveis, de um impulso intrínseco à natureza essencial do homem. É, para um grupo, fecundação pelo espírito, que é Realidade Divina, e participação no poder e no amor de Deus, em virtude de uma unio mystica.[10] Para outro grupo, a sociedade é um fenômeno biológico; é consequência da voz do sangue, o laço que une os descendentes da mesma ancestralidade com seus ancestrais e entre si; é a harmonia mística entre o lavrador e o solo por ele cultivado.

    É verdade que esses fenômenos psíquicos realmente existem. Existem pessoas que sentem a união mística e colocam esta experiência acima de tudo; e existem homens que creem escutar a voz do sangue e que sentem com o coração e a alma o aroma inconfundível de sua terra natal. A experiência mística e o êxtase arrebatador são fatos que a psicologia deve considerar reais, como qualquer outro fenômeno psíquico. O erro das doutrinas de comunhão não consiste na sua afirmativa de que tais fenômenos realmente existem, mas na crença de que são fatos primordiais não suscetíveis de exame racional.

    A voz do sangue, que aproxima o pai de seu filho, não era ouvida pelos selvagens que não percebiam a relação causal entre coabitação e gravidez. Hoje, como esta relação é conhecida de todo o homem que tenha total confiança na fidelidade de sua esposa pode percebê-la. Mas, se tem dúvidas quanto à fidelidade da esposa, a voz do sangue não lhe informa nada. Ninguém jamais se aventurou a afirmar que as dúvidas relativas à paternidade pudessem ser esclarecidas pela voz do sangue. A mãe que tenha cuidado de seu filho desde seu nascimento pode ouvir a voz do sangue. Mas, se perde o contacto com a criança muito cedo, pode mais tarde identificá-la por meio de alguma marca no corpo, como por exemplo, aquelas manchas e cicatrizes a que costumavam recorrer os novelistas. Mas o sangue é mudo, se tais observações e as conclusões daí derivadas não lhe fazem falar. "
  • Malthus  17/12/2013 06:39
    Pelo visto, você nem sequer se deu conta de que, neste trecho que você postou, Mises está justamente criticando a "explicação metafísica para o surgimento das sociedades".

    Poucas vezes uma pessoa se auto-humilhou aqui da forma como você acabou de fazer. Ao que tudo indica, além de um elevado grau de analfabetismo funcional, quem realmente é "sem vergonha" aqui é você.

    E sigo no aguardo da resposta às minhas colocações acima, das quais você "desavergonhadamente" se esquivou.
  • mogisenio  16/12/2013 18:37
    Infelizmente, não li nada sobre o "estado da natureza". Dai caberia uma indagação sobre a divisão do trabalho antes de Hobbes. (já refutando a parte absolutista deste autor).
    Todavia, ao contrário do exposto, penso que a sociedade é, sem dúvida, algo mais do que a combinação de esforços individuais. Exatamente dai, numa visão holística, extrai-se a sinergia de uma organização qualquer que vai favorecer a própria ação individual.
    Em que pese a importância de se atender aos "fins individuais" é evidente que há casos em que o fim supremo visa o todo. Basta observar o funcionamento de uma "sociedade" empresarial qualquer nos dias atuais.
    Sabe-se que os contratualistas (Rousseaunianos) existiram e ainda existem. Mesmo em Montesquieu há alguma sinalização nesse sentido, isto é, no de um "pacto anterior". Também em Locke, embora "impuro," há alguma tendência contratualista. Logo, há sim um entendimento de sociedade formada por CONTRATOS.
    Ao contrário do que foi dito, a sociedade não é apenas divisão de trabalho e combinação de esforços. É muito mais que isso. Seria preciso abordar temas como poder e seu uso (em todas as formas, inclusive, físicas) segurança, etc. para poder confirmar a tese. É possível concluir que a divisão de trabalho NÃO resolve estes problemas.
    Em que pese a importância da divisão de trabalho para a existência da produção em massa e o progresso mundial dai decorrente, não se pode concordar que esta seja a causa ou a única fonte fundamental ou mesmo a mais importante delas para embasar a EXISTÊNCIA da cooperação, da sociedade e da civilização. Talvez, o direito natural de PAZ "possível" , bem como o desejo do fim do estado de natureza, sejam os pilares mais importantes.
    Por último, nem sempre os "acordos" são voluntários, sobretudo, em ambiente cujo o todo NÃO é a soma das partes.

    Saudações
  • Sociólogo  16/12/2013 23:04
    É evidente que quem age são indivíduos, mas isso não significa que não exista algo externo ao individuo que influencie suas ações. É um erro tremendo reduzir a espécie humana a seus indivíduos, desconsiderando o papel do grupo. O nosso pensamento é determinado por nossa educação, pelo meio social em que vivemos, pela cultura na qual estamos inseridos.
  • Giovani  14/02/2014 13:43
    Seria a perspectiva de Durkheim quanto ao 'Fato social'?
    O que as pessoas sentem, pensam ou fazem, que independem de suas vontades individuais, são comportamentos estabelecidos pela sociedade. Não é algo que seja imposto especificamente a alguém, é algo que já estava lá antes e que continua depois e que não dá margem a escolhas.
  • mogisenio  14/02/2014 23:53
    Sem dúvida o todo - a sociedade - pode exercer alguma influência na parte, isto é, no indivíduo, pelas razões já expostas.

    Mas, voltando-me agora para o indivíduo gostaria de lembrar que o ser humano, embora racional , na maioria das vezes, age sob os efeitos da emoção. Somos seres racionais e emocionais.
    E essa constatação na é minha. Trata-se do estudo de um outro austríaco muito conhecido.


  • Giovani  19/02/2014 18:36
    Qual seria este austriaco?
  • Mogisenio  20/02/2014 20:45
    Sigmund Freud.
  • Felipe  17/12/2013 11:09
    Saudações caros "Imbistas", (para descontrair um pouco antes... =P)

    Gostaria de saber se neste site existem frequentadores que tem interesse em empreendedorismo no ramo de entretenimento.Caso alguem tenha interessere responder abaixo para conversar.


    Abraços!


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