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Ou temos capitalismo ou temos escravidão - não há terceira via

Há quem jure que a busca pelo lucro é algo cruel, abusivo, ultrajante, imoral e maléfico.  É fato que há pessoas desonestas que recorrem a métodos inescrupulosos para obter lucros em seus empreendimentos, mas basear-se em tais pessoas para fazer uma condenação automática do lucro é uma postura ignorante.

A verdade é que foi a busca pelo lucro o que aniquilou aquela milenar abominação que foi a escravidão humana.  Eliminar a capacidade das pessoas de buscar o lucro significaria reimplantar a escravidão no mundo.  E creio que nenhum de nós quer isso de volta.

A escravidão era um sistema econômico

O que até hoje ainda não é corretamente entendido é que a escravidão era a base do sistema econômico vigente no mundo antigo — como na Grécia e em Roma.

Todo o sistema escravocrata se baseava praticamente em um só objetivo: obter excedentes.  É claro que os defensores da escravidão sempre recorriam a justificativas criativas para defender o sistema escravocrata, mas, no final, tudo se resumia a obter excedentes.  Pode-se dizer, portanto, que a escravidão era uma espécie de poupança coercivamente impingida.

Um indivíduo rudimentar e despreparado irá, caso seja abandonado à própria sorte, gastar praticamente tudo o que ele ganha.  Se ele conseguir auferir algum excedente, ele provavelmente irá gastar este excedente em luxos, prazeres, frivolidades ou em coisas piores.  Enquanto ele não desenvolver um caráter mais forte, enquanto ele não adquirir uma personalidade mais estável, sobrará muito pouco de seu excedente para ser utilizado em outras coisas.

Um escravo, por outro lado, jamais aufere rendimentos e, consequentemente, não tem como gastá-los.  Todo o excedente produzido por um escravo é transferido para seu senhor.  Foi exatamente este tipo de arranjo gerador de excedentes o que tornou Roma um império rico.

Mas então surgiu a Europa cristã.  Antes do advento do cristianismo, não se encontra uma única cultura antiga que proibia a prática da escravidão; a escravidão era vista como algo absolutamente normal.  Sendo assim, a Europa abolir o sistema escravocrata que havia herdado de Roma foi uma mudança monumental.

Os europeus substituíram a escravidão — de maneira lenta e por causa de seus princípios cristãos, e não em decorrência de algum plano consciente e deliberado — adotando as seguintes posturas:

1. Desenvolvendo o hábito da frugalidade e da poupança em nível individual.  Isso requereu uma total mudança de postura e um enfoque vigoroso em virtudes como a temperança (autocontrole) e a paciência.

2. Substituindo o arranjo de "produção forçada de excedentes" pelo lucro.  Para isso, os europeus tiveram de recorrer à criatividade para alterar totalmente a natureza de suas atividades comerciais.  Eles tiveram de inovar, inventar e se adaptar para conseguir mais excedentes por meio do comércio.

Sob um novo sistema que acabou sendo rotulado de capitalismo, a poupança e a criatividade se tornaram os novos geradores de excedentes, e nenhum ser humano teve de ser escravizado.

Um mundo sem lucros

Por outro lado, temos exemplos bem recentes do que acontece quando uma cultura proíbe o lucro.  Pense em tudo o que ocorreu em paraísos socialistas como a URSS de Stalin, a China de Mao, e as nações escravizadas do Leste Europeu, e no que ainda ocorre na Coréia do Norte e em Cuba.

São exemplos lúgubres que ilustram exatamente o que ocorre quando toda uma população é escravizada pelo partido dominante.  Nestes sistemas, o indivíduo é obrigado a trabalhar e a produzir, mas é proibido de usufruir os frutos e os rendimentos de seu próprio trabalho, tendo até mesmo o seu consumo restringido pelo governo.

O lucro fornece incentivos para se trabalhar e empreender.  Quando ele é abolido, não apenas o ato de trabalhar e de empreender perde sua função, como também aqueles que querem prosperar não têm como fazê-lo de maneira honesta.  E isso leva ou ao desespero ou à criminalidade.

O lucro é obtido por meio de trocas comerciais inovadoras e recompensadoras.  Se o lucro é eliminado, tem-se a escravidão.  O formato dessa escravidão pode ser variável, mas será uma escravidão de algum tipo.

Com efeito, este resultado será o mesmo não importa se a eliminação do lucro ocorrer por meio do comunismo (em que o lucro é punido com a pena capital) ou do fascismo (em que todo o lucro é direcionado para os amigos do regime).

A questão principal é o excedente produzido:

  • Se o excedente pode ser produzido e acumulado pelo cidadão comum por meios honestos, a escravidão pode ser eliminada.
  • Se os cidadãos honestos não tiverem a permissão de produzir e de manter seus próprios excedentes (sendo seus excedentes confiscados ou pelo estado ou pelos parceiros do estado), o resultado será alguma forma de escravidão.

O lucro é simplesmente uma ferramenta — uma maneira de gerar excedentes sem a coerção imposta pela escravidão.

O que nos leva à conclusão definitiva: é impossível se livrar simultaneamente da escravidão e do sistema de lucros.  Você pode eliminar um dos dois, mas sempre que eliminar um, ficará inevitavelmente com o outro.

O lucro se baseia nas virtudes

Para se viver em uma civilização que prospera por meio do lucro, é necessário que o ser humano saiba domar todos aqueles seus instintos mais primitivos — algo típico dos animais —, como a inveja.  É necessário saber desenvolver o autocontrole, a paciência, a temperança e, principalmente, saber se concentrar em algo maior do que meras possessões materiais — afinal, é exatamente o materialismo o motor da inveja e do igualitarismo.

É vergonhoso que o Ocidente tenha, ao longo dos últimos séculos, se afastado de suas virtudes tradicionais, e passado a considerá-las vícios burgueses ou meras superstições.  Se algum dia finalmente perdermos todas as nossas virtudes, o sistema de lucros perderá sua proteção e não mais será visto como um motor da prosperidade, e a antiga e extinta prática da escravidão irá voltar.

Nossas ações têm consequências.

_________________________

Para uma abordagem mais técnica e aprofundada sobre a questão dos lucros, leia:

A natureza econômica dos lucros e dos prejuízos 

Condenar o lucro é defender o retrocesso da humanidade 

A função social e moral dos lucros 


1 voto

autor

Paul Rosenberg
é o presidente da Cryptohippie USA, uma empresa pioneira em fornecer tecnologias que protegem a privacidade na internet.  Ele é o editor FreemansPerspective.com, um site dedicado à liberdade econômica, à independência pessoal e à privacidade individual.


  • Pedro Ferreira  22/11/2013 12:21
    Eu concordo que o capitalismo é o melhor sistema, mas o próprio capitalismo tem uma certa dose de comunismo e fascismo, porque parte do lucro individual é tributado pelo estado, e parte do dinheiro tributado pelo estado é distribuido pelos amigos da respetiva democracia. Logo não existe um sistema capitalista puro em nenhum pais do mundo, apenas um sistema misto, com base capitalista e comunista (redistribuição da riqueza tributada pelo resto das pessoas de acordo com os recursos de cada um) e facista (redistribuição da riqueza tributada pelos vicios dos sistemas democraticos e dirigentes politicos/amigos de dirigentes).
    De notar que eu não sou a favor de comunismo nem fascismo, apenas penso que mesmo o sistema capitalista existentes nas democracias atuais, tem um pouco de tudo.
  • Leandro  22/11/2013 12:29
    Prezado Pedro, você descreveu exatamente o componente socialista que existe no atual arranjo de "capitalismo de estado" vigente nos países. Desnecessário dizer que tal excrescência não é uma "culpa" do capitalismo, pois foi introduzido no sistema pelos governos, e não pelo livre mercado.

    Logo, não faz sentido nenhum você dizer que "o próprio capitalismo tem uma certa dose de comunismo e fascismo". Se os governos distorcem o capitalismo, não é sensato atribuir ao próprio capitalismo esta distorção estatal da qual ele é vítima.
  • Pedro Ferreira  22/11/2013 15:43
    Está certo, depois a dose de desvirtuação do capitalismo puro variar de pais para pais... alguns mais perto da essência capitalista com menos funções de estado e menos tributação (tipo estados unidos), enquanto outros estão mais perto da essência comunista como os estados escandinavos em que quase todas as pessoas ganham o mesmo depois de aplicados os impostos, mas também recebem mais serviços do estado. Isto apenas a nível de tributação de impostos, e serviços fornecidos pelo estado, porque tanto os estados unidos como os paises escandinavos, são dos paises mais liberais a nível económico, um nível de liberalismo económico bem diferente do Brasil infelizmente...
  • David  31/08/2015 16:00
    Prezado Leandro,

    Não acredito que a ideia de "excrescência" do capitalismo.
    Você como outros devem entender que vive dentro de uma realidade social, indivíduos que se agruparam a fim de sobreviver no ambiente hostil. O sistema do capital deve ser um ciclo como tudo na natureza. O dinheiro foi criado com finalidade de ajudar nas compra e venda de produtos e serviços. O estado tem função de mediador do capitalismo, para evitar o comportamento animal do ser humano, de querer tudo para si mesmo. quando o estado pega uma parte do dinheiro na forma de imposto tem por função irrigar o sistema econômico financeiro para que o capitalismo continue de forma menos desigual. tentando criar um ambiente mais harmonioso. Pense em um sistema estritamente capitalista. Os primeiros competidores dominariam o sistema de tal forma que viraria um fascismo. Nesta competição que o capitalismo propõe quem não tem oportunidade não vence, esta é a função do estado, permitir que novos jogadores participem em condições parecidas.
  • Patrick dos Santos  06/12/2015 15:48
    Seu ponto de vista está equivocado, pois sugere que ninguém melhor do que o estado p/ decidir sobre às regras de competição "desleal" do capitalismo. Por acaso o estado é o supra-sumo da sabedoria? E se o indivíduo não quiser participar desse sistema capitalista, ou se o mesmo quiser viver às custas de assistencialismo estatal, sendo menos produtivo? É justo outros competidores mais dedicados se sacrificarem em prol dos acomodados? Sabemos que quando o estado intervém nesse mundo "canibalismo capitalista", seus interesses são os mesmos de quem quer crescer na vida. Mas diferente daquele trabalhador honesto, o estado obtêm riqueza através de confisco de renda de quem produz, sendo assim, eliminando a auto-suficiência do indivíduo e criando um comportamento de submissão ao Estado-babá. O mercado deve ser livre porque a escolha de ser um catador de latinha ou um grande executivo, só depende de você.
  • Marcos Rogerio de Barros  04/10/2016 15:40
    Sem uma oportunidade real não tem como um catador de latinhas se tornar um grande empresário... Hipocrisia pura. Se todos os nichos de mercado estiverem sob controle de umas poucas corporações como um indivíduos sem capital poderia crescer em tal ambiente hostil?
  • Intruso  04/10/2016 16:20
    Você está parcialmente correto.

    Mas há um pequeno problema: quem é que faz com que todos os nichos de mercado fiquem sob o controle de grandes corporações? Quem é que cria, viabiliza e protege esse cartel?

    A resposta é uma só: quem cria cartéis, oligopólios, monopólios e reservas de mercado, garantindo grandes concentrações financeiras, é e sempre foi exatamente o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

    Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, TV a cabo, internet, postos de gasolina etc.).

    Artigos para você sair desse auto-engano:

    Brasil versus Romênia - até quando nosso mercado de internet continuará fechado pelo governo?

    A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa - ou: você é pró-mercado ou pró-empresa?

    Grandes empresas odeiam o livre mercado

    Romaria de grandes empresários a Brasília - capitalismo de estado explicitado

    Por outro lado, não há e nem nunca houve monopólios no livre mercado. Empiria pura. Pode conferir aqui:

    Monopólio e livre mercado - uma antítese

    O mito do monopólio natural

    Logo, a única maneira de corrigir essa distorção é abolindo o estado, liberando todos os mercados, acabando com os privilégios, subsídios e protecionismo, e fechando todas as agências reguladoras. E acabando com todos os impostos.

    Só assim, sem o estado escolhendo ganhadores e perdedores, é que todos estarão em condições de igualdade.

    No entanto, o que faz a esquerda? Pede mais estado, mais tarifas protecionistas, mais subsídios, mais regulamentações, mais impostos.
  • Marcos  21/08/2015 15:43
    Pra mim, o que acontece é que, para manter uma sociedade sem estado as propagandas falsas do socialismo teriam que ser proibidas. Isso porque a maioria das pessoas não buscam saber o que realmente acontece, e acabam se deixando levar pelo medo que essas propagandas gera ou pela velha conversa fiada de que uma determinada medida vai ser melhor para todos. Assim, a opinião pública acaba se voltando contra o individualismo.
  • Paulo  22/11/2013 14:12
    Tomemos os conceitos:

    Estado, Organização e Indivíduo.

    Seja a abstração:

    O Mundo é formado por um conjunto de Estados, um Estado é formado por um conjunto de Organizações e uma Organização é formada por um conjunto de Indivíduos.

    Façamos a analogia:

    Uma Organização normalmente produz excedente, parte do qual é apropriada pelo Estado em que está contida, que o distribui a outras Organizações. Um Indivíduo normalmente produz excedente, parte do qual é apropriada pela Organização em que está contido, que o distribui a outros Indivíduos.

    A pergunta:

    Dado que não é aceitável que o Estado se aproprie de excedentes das Organizações, por que seria aceitável que uma Organização se apropriasse de excedentes dos Indivíduos?

    ou:

    Dado que é aceitável que uma Organização se aproprie de excedentes dos Indivíduos, por que não seria aceitável que um Estado se apropriasse de excedentes das Organizações?
  • Leandro  22/11/2013 14:15
    Essa é a confusão típica de quem desconhece o básico sobre tributação e sobre a natureza dos lucros, e de quem acredita na tal da mais-valia.

    Para começar, você é obrigado a pagar tributos. Se você não pagar tributos, você vai preso. E se você resistir à prisão, você pode ser morto. Por outro lado, você não é obrigado a trabalhar caso considere o salário ruim. Apenas isso já é o suficiente para encerrar a discussão. Mas vamos aprofundá-la e levá-la para onde você quer.

    Você diz que o lucro nada mais é do que o capitalista se apropriando do excedente produzido pelo trabalhador. Falso. Você inverteu a equação. É o capitalista quem deduz parte de seu lucro e repassa na forma de salário para seus empregados. Não fosse o capitalista arriscando seu dinheiro e fazendo investimentos em um empreendimento, nem sequer haveria emprego e salário para o proletariado.

    Mais ainda: se não houver lucro para a empresa -- isto é, se todo o lucro for convertido em salário para os empregados --, não haverá como a empresa fazer novos investimentos. Consequentemente, não haverá como conceder aumentos salariais e nem como contratar outros empregados.

    Aliás, se todo o lucro for revertido em salários, não haverá como a empresa sequer continuar existindo -- como afinal ela arcará com todos os outros custos além da mão-de-obra?

    Sem os capitalistas (detentores do capital), o operariado não é nada. São os capitalistas que dão aos trabalhadores a oportunidade de colocarem suas habilidades em prática. Sem os capitalistas e seus lucros, não haveria nem emprego e nem salário para o trabalhador. Logo, dizer que o capitalista se apropria do "trabalho adicional do operário" (o qual não existiria sem o investimento do capitalista) e dizer que o trabalhador "recebe apenas uma parcela do que produziu" (não produziria nada não fosse o capitalista) é uma afirmação que não sobrevive à mais elementar ordem cronológica dos fatos.

    E isso vale para qualquer empresa de qualquer tamanho. É inegável, por exemplo, que uma churrascaria rodízio terá grandes lucros se o serviço prestado por seus funcionários for muito bom. Porém, se não houver um capitalista fornecendo o capital, pondo em risco sua poupança nesse investimento, esses funcionários não seriam nada. Tivessem eles o capital para sua própria churrascaria, eles já a estariam gerindo.

    O dia em que essa verdade simples -- porém dolorida para alguns -- for compreendida, qualquer teoria marxista será imediatamente aposentada.

    Capitalistas e empreendedores não exploram nenhum trabalhador
  • Paulo  22/11/2013 16:59
    Obrigado por não ser agressivo na resposta, mesmo tendo confundido minhas convicções.

    Mas veja que seu segundo parágrafo não é o suficiente para encerrar a discussão: um Indivíduo não é obrigado a trabalhar caso as condições sejam ruins. Pode ir para outra Organização, mas deve produzir para sua sobrevivência. Isso vale para uma Organização. Pode fechar as portas ir para outro país, como muitas certamente devem estar fazendo neste momento na Venezuela. A opção do Indivíduo é criar um empreendimento, mas neste caso o sistema apresentado não se altera, o Indivíduo apenas passa para o outro lado, se bem sucedido. Assim como Estados vêm e vão ao longo das épocas e, ainda assim, o sistema se mantém.

    Quanto à questão do capitalista passar parte do seu lucro para o empregado, não é bem assim. Sabemos que alguns empregados são mais produtivos que outros. Se fosse como você fala, que o patrão passa uma parte do lucro para o empregado, as empresas poderiam contratar qualquer um. Aliás, é um princípio básico que deveria ser ensinado às crianças: "você quer um emprego? então você deve produzir para seu patrão mais do que você recebe." Senão não faz sentido; não posso receber um salário maior do que produzo. Não tem nada de "feio" nisso. Claro que a avaliação da produtividade envolve vários fatores, a empresa pode nem mesmo ter lucro ainda, mas o fato é que o trabalho do empregado deve, sob algum tipo de avaliação do capitalista, ter mais valor que o salário que ele recebe. Assim como, para o empregado, também é vantajoso, de algum modo, trabalhar naquele local. Não é isso? Um ganha-ganha?

    Claro que, isso tudo se inicia com o investimento inicial do capitalista, que gera o ambiente em que isso se torna possível. A existência de uma Organização é uma condição pré-existente ao trabalho do empregado. Assim como uma Organização se aproveita de um ambiente pré-existente, cujo "dono" é o Estado. Ou uma empresa não deve se estabelecer em um ambiente que "pertence" a um Estado? Assim como o capitalista lutou para ser proprietário do ambiente em que seus empregados podem trabalhar, um Estado também "lutou" para ser o dono daquele ambiente em que uma Organização exerce sua produção. Ou não lutou? É só ver a história. Não interessa aqui se é uma luta digna ou se é uma briga de gangues. Aquele Estado lutou, matou, conquistou e agora pode explorar "suas" empresas (e indivíduos). Tem até concorrência (guerras, embargos etc).

    Mas a minha questão principal não era se há exploração ou não. A exploração existe e tudo só faz sentido por que ela existe. Minha questão era simplesmente: por que uma exploração é bonita e outra é feia? Pra mim, elas são iguais: apenas existem.


  • Leandro  22/11/2013 17:27
    Não, não existe exploração nenhuma no segundo caso. De novo:

    1) Você só trabalha se quiser. Se não quiser trabalhar, não trabalha. Obviamente, você terá de arranjar alguém disposto a lhe sustentar voluntariamente, talvez seus pais. Se isso ocorrer, você pode passar a vida inteira sem trabalhar, ou seja, sem ser "explorado". Já em relação aos impostos, você simplesmente não tem essa opção. Ou paga ou vai pra cadeia.

    2) Se você quiser ganhar dinheiro, mas não quiser ser assalariado (pois considera isso uma exploração), você pode empreender e ser o seu próprio patrão. Você pode inclusive começar lá debaixo, sendo camelô ou pipoqueiro. A única organização que pode lhe impedir de fazer isso é o estado, suas regulamentações e seus impostos.

    3) Se essa sua lógica de que "utilizar a força de trabalho alheia" configura exploração, então um pipoqueiro que contrata um auxiliar é um criminoso explorador, ao passo que um playboy que passa seus dias surfando e jogando videogame seria, por definição, alguém mais decente e digno do que o pipoqueiro.

    4) Sobre os salários serem deduzidos dos lucros do capitalista, recomendei um artigo que explica em detalhes por que é assim. Você não o leu, mas insistiu no assunto. Isso é improdutivo. Para se criticar uma teoria, você tem ao menos de conhecê-la e de entender seus pontos básicos.

    Fica aqui um exemplo trivial: garçons.

    Observe que, via de regra, garçons são atividades "desnecessárias" -- no sentido de que não é preciso haver garçons para que a comida e a bebida cheguem à sua mesa.

    Nada impede que os malvados capitalistas donos de restaurante façam um conluio e, por exemplo, demitam todos os seus garçons (o que representaria um enorme corte de gastos). Aí, sob esse novo arranjo, seriam os próprios clientes que levariam suas comidas e bebidas até a mesa. O esquema seria bastante simples, porém desconfortável: você chegaria ao restaurante, iria até o balcão, faria seu pedido e iria esperar na sua mesa. Uma vez pronto o seu pedido, você se levantaria da mesa, iria até o balcão, pegaria sua comida e sua bebida e iria até a mesa. Se quisesse mais bebida, iria até o balcão e pediria.

    Se todos os restaurantes fizessem isso, duvido muito que suas receitas cairiam -- para onde mais as pessoas iriam para comer e serem servidas ao mesmo tempo? Ademais, mesmo que houvesse queda na receita, os cortes de gastos oriundos da demissão dos garçons certamente seriam suficientes para fazer com que os lucros fossem ainda maiores do que antes.

    E aí vêm as duas perguntas que ninguém faz:

    1) Por que os capitalistas abrem mão desse lucro maior preferindo gastar parte deles com garçons?

    Porque pensam no conforto dos clientes. Basta que um restaurante comece a oferecer serviços de garçom, e todos certamente irão copiá-lo. Ótimo exemplo dos benefícios da livre concorrência.

    2) De onde vem o salário dos garçons?

    Como já implícito na primeira pergunta, foi deduzido do lucro dos capitalistas.
  • Eduardo  22/11/2013 19:04
    Na verdade, a mais-valia existe sim, mas não provocada pelos "capitalistas exploradores", mas sim pela própria legislação trabalhista, que estimula o empregador a tratar todos os empregados por igual, remunerando o mesmo tanto para o mais quanto para o menos produtivo. Sendo assim, a melhor forma de acabar ou diminuir a mais-valia é o empregado tornar-se autônomo ou pessoa jurídica e passar a vender o seu serviço para o empregador tal qual um fornecedor de bens ou serviços faz a seus clientes. Afinal de contas, o empregador nada mais é do que o seu cliente principal. As pessoas que se sentem exploradas pelo capitalismo devem buscar se libertar das amarras da legislação trabalhista procurando se qualificar cada vez mais e assim prestar um serviço que agregue valor e que seja um produto mais valorizado no mercado. Caso o seu cliente principal (vulgo empregador ou "capitalista explorador") não esteja dando o devido valor a seu produto, retornando-o pouco por ele então, em vez de este "trabalhador" ficar desestimulado e passar a trabalhar menos, pelo contrário, deve aí sim trabalhar mais ainda e daí procurar novos clientes (outros empregadores ou "capitalistas exploradores") que valorizem mais seus produtos.
  • Paulo  22/11/2013 19:38
    Realmente, eu não havia lido o artigo indicado.

    Acredito que eu tenha utilizado a palavra errada: exploração. Essa palavra vem com um sentido negativo muito forte. Eu imaginei um sentido mais neutro, como quem explora a terra, para dali extrair riquezas.

    De todo modo, realmente minha comparação inicial parece forçada, se olharmos por outro ponto de vista, que talvez seja mais correto: o empregado oferece seu trabalho em troca de um salário, numa simples troca voluntária como outra qualquer. Para o patrão, o trabalho provavelmente vale mais que o salário pago, como já discutido. Para o empregado, o salário vale mais que o trabalho oferecido. Ou seja, um "explora" o outro, mas a exploração só é real dentro de cada realidade. Ou seja, não é correto uma parte do acordo tentar inferir quanto seu produto vale para o outro, do ponto de vista do outro. É aqui que entra a tal "inveja", que parece ser a origem das confusões. Por exemplo, se uma pessoa vende algo para alguém por 1000 reais, voluntariamente, ela sai satisfeita naquele momento. Se, depois, souber que o outro revendeu aquele produto por 10.000 reais, alguns irão se remoer. Com o empregado parece ocorrer o mesmo: seu trabalho pelo salário parece justo, em princípio. Mas depois que ele percebe o que o empreendedor consegue produzir utilizando o trabalho do empregado, alguns podem se sentir explorados. Parece que a origem de toda riqueza é mesmo o gênio humano.

    Já com o Estado, não sei se dá pra dizer que a troca é voluntária: "você pode operar em meus domínios e em troca uma parte da produção é minha. Não quero nem saber o que ou como você vai fazer, mas uma parte é minha." Um pouco diferente de: "você faz X e eu te pago Y".
  • Paulo  22/11/2013 19:41
    Continuando...

    Ou seja:

    Uma é feia e outra é bonita porque uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.
  • Leonardo Couto  22/11/2013 22:18

    Paulo, há um erro na frase "você quer um emprego? então você deve produzir para seu patrão mais do que você recebe".

    Para se produzir algo, em linhas bem gerais, deve-se ter o capital necessário à produção e nele exercer um trabalho. Eu sou responsável por construir algo com minhas propriedades. Este algo, logo, é meu.

    Um assalariado, por exemplo, um pedreiro, não é o responsável por produzir, digamos, uma parede de um escritório, não por si mesmo. Ele usa recursos de alguém que, em vez de pessoalmente despender sua energia na tarefa de utilizá-los na produção do que se deseja, oferta uma quantia de riqueza para que um indivíduo use de seu capital para operar o processo de produção.

    A realização toda não seria feita sem tijolos, cimento e todo o "capital" necessário à existência do bem (no caso uma simples parede). O serviço prestado pelo assalariado é apenas um meio de o proprietário substituir sua força de trabalho pela de outro alguém que voluntariamente quis fazê-lo - frise-se por um preço, o qual passam a denominar "salário".

    Caso contrário, se você chamasse um pedreiro para dividir um cômodo de sua casa erguendo uma parede, esta seria propriedade dele ao final do serviço tornado possível por você.

    Então não, o empregado não produz nada por si mesmo. Ele apenas presta um serviço de mão-de-obra. O verdadeiro responsável pelo operar de tudo, por existir os insumos, maquinário e riqueza consumida no ínterim do processo de produção é o empreendedor. O responsável por estas coisas é o que sim, deve-se dizer que produz algo.

    Confundir as coisas seria um erro influenciado pela mera "cosmética" da situação, onde se vê (literalmente) apenas o empregado perto de tudo que só está lá, e em um processo que só ocorre, graças às ações do empreendedor.
  • Pedro Ivo  22/11/2013 16:22
    A verdade é que foi a busca pelo lucro o que aniquilou aquela milenar abominação que foi a escravidão humana. Eliminar a capacidade das pessoas de buscar o lucro significaria reimplantar a escravidão no mundo. E creio que nenhum de nós quer isso de volta.

    Mas claro que tem quem queira: Raúl Castro, Nicola Maduro, Marilena Chauí, François Hollande, Cristina Kirchner, Warren Buffet, Barack Obama, Dilma Roussef, George Soros, José Genuíno, Antônio Palocci, o PC do B, o PCB, o PSTU, o PSOL, o PCO. O que + tem é gente defendendo a escravidão.
  • Bernardo  22/11/2013 19:37
    "A busca pelo lucro levou ao fim da escravidão" - Isso não deveria ser novidade nenhuma.

    Adam Smith, Riqueza das Nações

    Livro I, Cap. 9:

    The wear and tear of a slave, it has been said, is at the expense of his master; but that of a free servant is at his own expense. The wear and tear of the latter, however, is, in reality, as much at the expense of his master as that of the former. The wages paid to journeymen and servants of every kind must be such as may enable them, one with another to continue the race of journeymen and servants, according as the increasing, diminishing, or stationary demand of the society, may happen to require. But though the wear and tear of a free servant be equally at the expense of his master, it generally costs him much less than that of a slave. The fund destined for replacing or repairing, if I may say so, the wear and tear of the slave, is commonly managed by a negligent master or careless overseer. That destined for performing the same office with regard to the freeman is managed by the freeman himself. The disorders which generally prevail in the economy of the rich, naturally introduce themselves into the management of the former;
    the strict frugality and parsimonious attention of the poor as naturally establish themselves in that of the latter. Under such different management, the same purpose must require very different
    degrees of expense to execute it. It appears, accordingly, from the experience of all ages and nations, I believe, that the work done by freemen comes cheaper in the end than that performed by slaves. It is found to do so even at Boston, New-York, and Philadelphia, where the wages of common labour are so very high.



    Tocqueville - Democracia na América

    Livro I, Capítulo 18:

    Thus it is in the United States that the prejudice which repels the Negroes seems to increase in proportion as they are emancipated, and inequality is sanctioned by the manners while it is effaced from the laws of the country. But if the relative position of the two races that inhabit the United States is such as I have described, why have the Americans abolished slavery in the North of the Union, why do they maintain it in the South, and why do they aggravate its hardships? The answer is easily given. It is not for the good of the Negroes, but for that of the whites, that measures are taken to abolish slavery in the United States.

    ...

    A century had scarcely elapsed since the foundation of the colonies when the attention of the planters was struck by the extraordinary fact that the provinces which were comparatively destitute of slaves increased in population, in wealth, and in prosperity more rapidly than those which contained many of them. In the former, however, the inhabitants were obliged to cultivate the soil themselves or by hired laborers; in the latter they were furnished with hands for which they paid no wages. Yet though labor and expense were on the one side and ease with economy on the other, the former had the more advantageous system. This result seemed the more difficult to explain since the settlers, who all belonged to the same European race, had the same habits, the same civilization, the same laws, and their shades of difference were extremely slight.

    ...

    The free workman is paid, but he does his work quicker than the slave; and rapidity of execution is one of the great elements of economy. The white sells his services, but they are purchased only when they may be useful; the black can claim no remuneration for his toil, but the expense of his maintenance is perpetual; he must be supported in his old age as well as in manhood, in his profitless infancy as well as in the productive years of youth, in sickness as well as in health. Payment must equally be made in order to obtain the services of either class of men: the free workman receives his wages in money; the slave in education, in food, in care, and in clothing. The money which a master spends in the maintenance of his slaves goes gradually and in detail, so that it is scarcely perceived; the salary of the free workman is paid in a round sum and appears to enrich only him who receives it; but in the end the slave has cost more than the free servant, and his labor is less productive.
  • Lopes  23/11/2013 00:48
    Niall Ferguson em seu livro "Império" utilizou a cronologia dos fatos para refutar a crença de que a iniciativa anti-escravatura partiu de interesses econômicos por parte das autoridades britânicas, dados os imensos retornos ainda concedidos pelo tráfico negreiro. Tudo tomou princípio graças ao lobby (principalmente sob a liderança de Zachary Macaulay, se não me falha a memória, ex-proprietário de escravos que passou a lamentar seu passado por questões religiosas) de um grupo da Church of England chamado Seita de Clapham e eventualmente culminaria na proibição dos britânicos do comércio africano e na intimação de quaisquer comerciantes europeus que continuassem a executar a atividade (o que levou o ministério das relações exteriores francês da época a acusar os ingleses de estarem meramente praticando o "se eu não posso mais, ninguém pode").

    Um livro que recomendo sobre a seita de Clapham é a obra "The Clapham Sect: How Wilberforce's circle changed Britain" de Stephem Tomkins.
  • Lopes  20/08/2015 15:02
    Reforço: a tese de Eric Williams da abolição da escravatura como partindo de interesse econômico (lembrar-vos-ei que os britânicos, em suas colônias no Caribe e no tráfico de escravos, estavam no auge de seu contingente de escravos quando a escravidão foi abolida) já foi refutada há décadas, mas continua pertinente na academia brasileira (assim como era pertinente antes mesmo de o trabalho do Williams ser traduzido ao português, o que denuncia quão impetuosos são os acadêmicos brasileiros em adotar conveniências).

    Aos interessados, recomendo o novo livro do Seymour Drescher, "Abolição".
  • Opinador  20/08/2015 16:39
    Então o que motivou ? rs

    Bondade ?

  • Osmar Neves  20/08/2015 18:35
    Compaixão pelo próximo motivado pela Fé Cristã! Assistam ao filme "Jornada pela Liberdade". Fantástico! Há tmbém os livros do sociólogo Rodney Stark sobre como a Fé Cristã promoveu o capitalismo, a erudição e a liberdade.
  • Opinador  20/08/2015 16:45
    Não sei se está só na academia brasileira não..rs

    Eu acho que esse livro é mais um daquele do tipo do Piketti.

    abolition.e2bn.org/slavery_111.html

    www.bbc.co.uk/worldservice/africa/features/storyofafrica/9chapter8.shtml

    www.nalis.gov.tt/Research/SubjectGuide/EmancipationDay/tabid/189/Default.aspx?PageContentID=222
  • Opinador  20/08/2015 16:50
    Esse link desmente que o trabalho escravo é produtivo :

    Pois ninguém trabalho direito a força...

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1376
  • Felipe  20/08/2015 19:18
    Ainda acho que foi graças ao capitalismo que acabamos a escravidão. Isso porque com o advento do capitalismo não só passou a ser desvantajoso como desnecessário a escravidão, sendo assim mais fácil lutar pelo fim dela.

    Queria ver existir algum lobby para acabar com a escravidão na Grécia antiga, quando a boa vida dos homens livres era graças a mão-de-obra escrava.
  • Lopes  21/08/2015 02:41
    Certamente, Felipe. A imprensa, o estudo, a leitura e organizações religiosas - todas instituições até então expandidas por ações voluntárias entre indivíduos (no caso britânico) - possibilitaram a cruzada moral:

    A imprensa e a leitura permitiram o lobby e capacitaram indivíduos não ligados à elite política do Império a questionar suas maquinações legais. As organizações religiosas foram imprescindíveis - em especial, a Seita de Clapham supramencionada -, já que lograram unir gente disposta a enfrentar o complexo colonial-escravocrata britânico (aceita-se desde as 7 Partidas dos escolásticos espanhóis de que a escravidão não pertence às leis do divino, mas sim às leis dos homens).

    @Opinador

    Sim, Osmar não está equivocado. Foi uma cruzada moral e a maior de todas - o fato de isso haver desperto suspeitas em você não é surpresa e considero perfeitamente aceitável de um ponto de vista investigativo - afinal, a história humana não é um pote de virtudes; entretanto, gostaria que você refletisse sobre o motivo da sua reação cínica, em particular - é apenas um receio meu que você esteja a ver a "bondade" com estranheza e cinismo ao invés de uma motivação válida para as ações de uns indivíduos, o que me levou a questionar internamente os tipos de pessoas que o cercam e cercaram e deram a você motivos para seu cinismo. Não é da minha conta, mas considero uma reflexão essencial.

    Voltando ao tópico:

    Não era vantajoso financeiramente à elite britânica (apenas pense nas colônias caribenhas responsáveis por pagar boa parte das contas da coroa em troca do subsídio ao tráfico de escravos na forma da Companhia das Britânica das Índias Orientais) nem aos estrangeiros (em especial, aos franceses, portugueses e "maghrebs" - povo que até então vivia em uma sociedade escravocrata por mais de um milênio): quando questionados pela atitude violenta da frota britânica de derrubar qualquer navio negreiro que carregasse escravos, os franceses alegaram ser frustração econômica.

    Quando aos industriais, digo que o Império Britânico até então era pouquíssimo industrializado ou urbanizado e provavelmente, detinha mais escravos por todo o mundo do que gente trabalhando em chão de fábrica. Entretanto, quanto aos outros países, não estou ciente de todas as variáveis - o caso brasileiro também é muito interessante e o estado subsidiou a escravocracia por séculos através de seus capitães do mato, assim como no sul dos EUA após os anos 1800 (de 1790 até 1800, a quantidade de escravos estava declinando acentuadamente). Sobre o fim da escravidão dos EUA, clique aqui para mais detalhes.
  • Opinador  21/08/2015 13:32
    Era vantajoso, pois o trabalho era improdutivo.

    Naquela época mulheres, crianças e idosos tinham que trabalhar.

    Após a modernização e industrialização, a escravidão não só foi desvantajosa como desnecessária.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1421


    Ou seja, foi o capitalismo e não somente "valores morais" que acabaram com a escravidão.

    Vc pode me falar: mas tem trabalho escravo atualmente.

    Infelizmente tem ,mas em qual atividades ? Geralmente rurais e muitas vezes os escravocratas são latifundiários que recebem grandes ajudas do governo.

    Mas com certeza se não tivessem tal ajuda, não conseguiriam competir através do trabalho escravo.

    Vc já viu trabalho escravo em países ricos e altamente desenvolvidos ? Se tiver quase nulo.

    Geralmente existe em lugares muito pobres sem desenvolvimento algum.
  • Lopes  21/08/2015 15:06
    O problema sempre foi, porém, o subsídio que os estados fizeram à escravidão e a tornaram competitiva até o fim do século XIX (a Companhia Britânica das Índias Orientais, os capitães do mato, os Slave Catchers do Sul dos EUA e as [link=https://en.wikipedia.org/wiki/Fugitive_slave_laws]fugitive slave laws[/link] os sultões do Maghreb, as guerras da Dar Al Islam na África, na Europa - no cerco otomano de Viena, os turcos levaram consigo 67 mil europeus em uma só expedição - e na Ásia; etc). Seu raciocínio está extremamente correto, porém; entretanto, no que concerne o pioneirismo britânico, em uma época que antecedeu avanços significativos no meio rural e urbano, temo que o mérito moral deles não pode cair em indiferença.

    Lembrá-lo-ei também que os ingleses não detinham escravo algum em sua terra natal e não se envolveram na escravidão até a época colonial, diferentemente dos ibéricos, dos italianos e dos outros povos europeus mais ao mediterrâneo que usavam de escravos do Maghreb para operar suas galeiras.

    População de escravos dos EUA (1790~1860): https://eh.net/encyclopedia/slavery-in-the-united-states/
  • Palpiteiro  24/08/2015 04:09
    Verdade é que os cristãos acabaram duas vezes com a escravidão: durante a Idade Média e no século XIX.

    Pois bem, dizer que a escravidão acabou por interesses puramente econômicos não faz sentido. A escravidão é menos produtiva do que o trabalho livre? Certamente é. Uma economia fechada é mais pobre do que uma sob o livre mercado? Certamente é. Veja que até para o estado seria muito melhor uma sociedade que haja apenas trabalhadores livres atuando num mercado livre, pois isso significaria mais riqueza para tributar. No entanto, por que o estado, justamente o maior beneficiado pelo livre mercado em termos absolutos, não o promove?
  • Lopes  22/11/2013 21:43
    Pergunto-me quando a busca pelo lucro (tanto através da geração da utilidade pela produção e prestação de serviços como da busca por meios de enfraquecer os leviatãs que lesam há milênios a maximização dessa) nos levará ao próximo passo da abolição da escravidão: sociedades onde as relações sociais serão inteiramente ou virtualmente voluntárias.

    Não seria um grande prazer dormir sob uma segurança que possui algum incentivo praxeológico para prestar serviços à sua clientela? Ou simplesmente poder usufruir de bens e serviços advindos de qualquer parte do mundo sem sofrer restrições (como as recentes cotas de importação aos carros mexicanos) ou ter de pagar multas ao senhor de sua casa grande por haver estabelecido uma relação voluntária com o habitante de outra fazenda?

    Maior ainda: Não seria simplesmente incrível dormir sem o temor de que seu dinheiro será confiscado direta ou indiretamente pelo ou para o senhor da casa grande? Este desejo pela estabilidade e dela a manutenção da utilidade já conquistada que levou os iugoslavos a trocarem dólares em suas senzalas mesmo sob a proibição de seu senhor e é a mesma motivação que incentiva o crescimento de moedas independentes como o Bitcoin, que por hora alimentam as esperanças de um dia livrarmo-nos da maior chibata do fazendeiro através de um meio de troca ainda mais distante de seus tentáculos que o ouro.

    Por hora, resta apenas a esperança de que os meios de libertação crescerão mais rapidamente que a vontade dos burocratas de controlar sua fazenda.
  • Felipe  22/11/2013 23:44
    A busca pelo lucro já nos libertou dos primeiros estágios da escravidão. Se os burocratas já fazem de tudo, na cara dura, para restaurá-la, imagina o que eles farão para impedir que a liberdade, de fato, se dissemine.
  • Dam Herzog  23/11/2013 01:50
    De um modo bem simples gostaria que o primeiro passo para a obtenção do lucro é a abstinenscia a um gasto qualquer. De posse de algum capital (poupança) voce pode comprar uma ferramenta e atravez da produção indireta e usando um maquinario que produz pordutos automaticamete desenvolver um produtividade maior que minimiza seus custos. Sabedor da teoria austriaca que os preços que determinam os custos e não o contrario seu produto pode ofereceu um diferncial de custo e poderá ser oferecido a um preço mais barato,se satisfazerem os gostos dos consumidores, você vederá mais e procurando estudar a demanda do mercado obter um nivel de venda muito dai, com um faturamento alto. O LUCRO é um simples residuos. Depois de precificar o faturamento, vem os descontos dos insumos com sinal menos a serem descontados: deduções preco da materia prima, preço da mão de obra, preço da energia, preço dos impostos,preço de material que é desperdiçado,preço de reposição de suas maquinas que tem uma vida util por exemplo de 10 anos,quando deverá ser trocadas então providenciar 1/10 do preço das maquinas,como reservas.A diferença entre o faturamento e todos estes fatores da um numero residual positivo ou negativo, chamados de lucro se positivo e prejuizo quando negativo. O ideal é que estabelecida a firma,o empresario contratasse com os empregados que dando lucro ele seria usado em reservas e no caso de prejuizo seus salarios seriam rebaixados até que se obtivesse o equilibrio da firma. E reorganizassem os metodos de trabalho e buscassem inovações ou até fechar a firma se não tivesse jeito sem ajuda dos contribuintes. O incentivo a que tudo desse certo estimularia os funcionarios. Apenas um palpite. Nada do governo: segurança zero,educação nivel abaixo do anus so para doutrinação ideologica,saude racionamento: fila se você morrer antes pior para seu dependentes. Governo Obrigado. Para os que gostam de sofrer Viva o IPTU alto. Não castigue o empresario senão a riquesa diminuirá. Alguem trabalha de graça?
  • Emerson Luís, um Psicólogo  25/11/2013 18:01
    Artigo formidável e ótimos comentários.

    Esquerdistas vão esquerdalizar!

    * * *
  • leonardo couto  04/05/2017 00:24
    Esquerdizar,graças ao o que você ironiza com tanta elegância,não poderia você esgrimir estas palavras tão belas,graças a esquerda o capitalismo teve que repensar de como os ricos tão aclamados teve que dividir teus rendimentos com as outras classes,graças aos esquerdistas é que começou a haver preocupação com a saúde e o modelo previdenciário eficiente,graças as esquerdas as mulheres começaram a serem mais respeitadas e as crianças tratadas com mais dignidade,e graças ao esquerdizar o poder absoluto dos monarcas,da nobreza e da burguesia começou a ser questionada,e a própria esquerda foi também que questionou os dogmas do marxismo e da ditadura da união soviética,tu esqueceu que foi Krushov que denunciou Stalin,não que fosse uma perfeita esquerda mas pelo menos para um pais de estágio mongol czarismo e socialismo foi de certo modo o modelo menos injusto que eles tiveram,e o próprio Usa foi bem de esquerda quando libertou do colonialismo inglês,o problema foi que inglesarão com os latinos americanos,indígenas,africanos e asiático,sem esquecer com os árabes e irlandeses.
  • Thiago Teixeira  20/08/2015 18:48
    Quero deixar umas provocações (na verdade, não responder à questão sozinho):

    1) Por que a produtividade caiu no final do Império Romano, quando da transição do escravismo para o colonato?
    Devido à desorganização das cadeias de produção?
    Mas então por que não se organizaram novamente embasadas no colonato?

    2) Por que o Ocidente reintroduziu a escravidão, quando do contato com os africanos na Idade Moderna (oferta de escravos negros gerada espontaneamente pelos próprios negros, vide Narloch)?

    3) Por que nesta época preferia-se o trabalho escravo ao trabalho livre assalariado (ambos estavam disponíveis)?
    A abolição da escravidão se deu por motivação humanitária, com o movimento iniciado em Manchester e Liverpool. Era anti-econômica à época ("econocide").

    4) A produtividade do trabalho livre só superou a da escravidão após a revolução industrial?
  • Opinador  21/08/2015 13:24
    São épocas diferentes e a 4 pergunta resume tudo !

    Foi o fator tecnológico que permitiu que a escravidão não fosse mais vantajosa.

    Antigamente as crianças tinham que trabalhar, as mulheres e até idosos. Sabe porque ?

    Pois o trabalho era improdutivo !

    Quando a automação e a industrialização começaram a surgir, o trabalho humano precisou a ser mais intelectual e menos braçal !

    Você pode obrigar um escravo a carregar pedras, mas não pode obrigar um escravo a escrever um livro de maneira bem feita, nem projetar um equipamento, nem realizar uma conta.

    E nem precisa ser trabalho extremamente qualificado.

    Você não pode obrigar alguém a vender algo e ser simpático com seu cliente. Nem fazer alguém atender um telemarketing a chicotadas.

    O engraçado é o esforço em não admitir o óbvio !

    Tem que associar a riqueza com exploração !

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2045

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1649

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=459










  • felipe  21/08/2015 13:57
    Não apenas desvantajoso, mas desnecessário. Principalmente por isso.

    Pensa na Grécia antiga, qual a chance de algum lobby contra a escravidão ser ouvido? Nenhuma, pois a boa vida de qualquer homem livre era vinda da escravidão.

    Com a ascensão do capitalismo, muitos setores não tinham mais nenhuma ligação com a escravidão (serviços e indústrias). Apenas a agricultura, e só parte dela. Mas a própria modernização da agricultura já vinha tornando desnecessário e desvantajoso a escravidão. E por isso o lobby anti escravidão só ganhou importância com a ascensão do capitalismo.
  • Thiago Teixeira  21/08/2015 18:52
    Penso que temos que ampliar a análise, focando no papel do estado monárquico despótico na antiguidade como limitador das atividades economicas. E como não-garantidor da segurança interna de seus cidadãos, ou pior, como ladrão máximo.

    Só tinham posses os amigos do rei, nenhum poderia ter posses demais para nao rivalizar com o próprio rei... Qualquer um que tivesse um temperamento contrário à bajulação era aniquilado com um única ordem...

    Temos que dar o braço a torcer para a intituição republicana oligárquica romana, como eficaz diluidora desse poder absoluto. A rivalidade entre os senadores também era benéfica, e muitas vezes se traduzia em obras públicas que beneficiavam os cidadãos.
    As tropas romanas tinham na guerra uma atividade superavitária (mesmo que condenável), havia um certo grau de pressao da plebe sobre o senado, havia pax interna e a organização do trabalho pode prosperar. As pessoas atingiram um nível de bem-estar só retomado no século XVIII.

    Creio que o escravismo era uma engrenagem apenas de toda essa máquina, especialmente nos setores produtivos.

    A mudança para o império abalou toda a estrutura institucional romana. Permitiu mais dois seculos e meio de expansao, mas levou o conjunto todo ao limite. Tirou gradativamente poder dos civis e cedeu aos militares.

    As MANIPULACÕES MONETÁRIAS se intensificaram. Houve tambem controle de preços.

    O fim do processo expansionista acabou com o superávit.

    Uma coisa boa que já vinha ocorrendo, a diminuicão da parcela de escravos da população, devida tambem à crescente influencia cristã, ocorreu num ambiente de instabilidade no comando, remonarquização despótica, desorganização produtiva, invasoes estrangeiras e manipulacao monetária.

    Então, temos que relativizar a queda de produtividade na transicao Idade Antiga - Idade Média.
  • Thiago Teixeira  21/08/2015 19:12
    Hora do item 2.

    Após 1000 anos de Idade Média, núcleos europeus voltam a ter uma economia vibrante, uma vida social e cultural ativa, e estamos nos encaminhando para a modernidade.

    Aí paradoxalmente os europeus retomam o contato com a instituicao da escravidão. Portugueses chegam à costa africana, oferecem bens para comércio, são lhes oferecidos outros bens em troca... incluindo pessoas.
    A escravidão indígena não prosperou muito, devido a sua rebeldia, e à intereferencia dos jesuitas.
    Para a produção nos engenhos de cana e nas plantations, a mao-de-obra europeia, livre, recusava as condicoes de trabalho e os valores propostos. Bem, logo ali em outro continente havia mao-de-obra escrava, com mais oferta que demanda... Bastava comprá-los, alimentar-lhes com melaço, dar-lhes uns trapos para vestir... Pagar só aos capatazes, pronto! Se não houvesse essa oferta, sabe lá quanto já teríamos nos adiantado na História...


    O item 3 eu meio que já respondi.


    O item 4 responde a todos. E é incrivel constatar como o aumento da produtividade, devido à melhor organização, mais até do que a própria mecanização, permitiu que a escravidão fosse suplantada em todos os aspectos, inclusive de custo-benefício (que era o único ponto que ai da resistia).

    Impressionante também é notar como os que se dizem humanistas hoje, se importam com os outros, especialmente com os pobres, contrariam a modernização, a inovação, atravancam a marcha do processo que melhorou a vida de todos...
  • Dalton C. Rocha  21/08/2015 00:16
    Toda a história do mundo, de 1917 até hoje, nos mostra uma lição sobre escravidão. Onde exista um dito "socialista" no poder, ele restabelece o trabalho escravo. Tanto faz que na Alemanha, sob o anti-semita Hitler ou na então União Soviética, sob Trotsky. Um "socialista" no poder, mais um país o trabalho escravo. Gulag ou campo de concentração; dá no mesmo.
    Isto me lembra um artigo que eu li muitos meses atrás, na revista gringa "Soldier of Fortune". Traduzindo, o trecho do artigo teríamos algo como isto: "Sim. Existe um lugar onde todos são alimentados e alojados (sem pagar nada) pelo estado, em todos os dias do ano. Além disto, todos, tem segurança estatal e gratuita 24 horas, por dia e ninguém precisa pagar impostos ou taxas, por tudo isto. Acredite-me este lugar já existe e chama-se de cadeia. "
  • Luis  21/08/2015 11:41
    Até uma instituição de caridade precisa ter lucro. Se arrecadar com doações sistematicamente mais do gasta atendendo pessoas necessitadas ( ou outra causa), poderá ampliar o atendimento.
  • Felipe  21/08/2015 18:51
    "quando os socialistas desistem da estatização integral dos meios de produção e os capitalistas aceitam o princípio do controle estatal, o resultado, hoje em dia, chama-se "terceira via". Mas é, sem tirar nem pôr, economia fascista. De um lado, burgueses cada vez mais ricos, mas —
    como dizia Hitler — "de joelhos ante o Estado". De outro, um povo cada vez mais garantido em matéria de alimentação, saúde, habitação etc., mas rigidamente escravizado ao controle estatal da vida privada." (Olavo de Carvalho)
  • Ulisses  22/08/2015 01:58
    E os países nórdicos? Não são um exemplo de livre comércio e controle estatal nos principais setores da sociedade?
  • Homero  22/08/2015 03:51
    Não. Muito pelo contrário.

    Sabe por que os escandinavos conseguiram prosperar e enriquecer? Porque, segundo o site Doing Business, nas economias escandinavas,

    1) você demora no máximo 6 dias para abrir um negócio (contra mais de 130 no Brasil);

    2) as tarifas de importação estão na casa de 1,3%, na média (no Brasil, se você quiser importar pela internet, pagará no mínimo 60%);

    3) o imposto de renda de pessoa jurídica é de 25% (no Brasil, chega a 34%);

    4) o investimento estrangeiro é liberado (no Brasil, é cheio de restrições);

    5) os direitos de propriedade são absolutos (no Brasil, grupos terroristas invadem fazendas e a justiça os convida para um cafezinho);

    6) o mercado de trabalho é extremamente desregulamentado. Não apenas pode-se contratar sem burocracias, como também é possível demitir sem qualquer justificativa e sem qualquer custo. E tudo com o apoio dos sindicatos, pois eles sabem que tal política reduz o desemprego. Não há uma CLT (inventada por Mussolini e rapidamente copiada por Getulio Vargas) nos países nórdicos.

    O único quesito em que os nórdicos superam o Brasil em ruindade é no IRPF, cuja alíquota máxima lá é maior que a daqui.

    Aí, cabe a você explicar que o enriquece deles se deve ao alto imposto de pessoa física, e não às liberdades econômicas muito maiores que eles usufruem.

    Sugestão de artigo:

    Mitos escandinavos: "impostos e gastos públicos altos são populares"

    Verdades inconvenientes sobre o sistema de saúde sueco

    Sobre a grande depressão da Suécia
  • anônimo  22/08/2015 21:08
    Para complementar:
    Os países escandinavos adotam um modelo misto de liberalismo econômico com estado assistencialista.
    Engana-se quem acha que liberalismo é apenas questão de carga tributária. Liberalismo econômico é liberdade para ter e atuar com os meios de produção.

    Nos países escandinavos existe um fácil acesso para você adquirir meios de produção e uma alta liberdade para você atuar com eles. (Tudo isso terá como consequência um setor privado eficiente e produtivo)

    3 fatos sobre os países escandinavos:
    - Tem excelentes posições nos ranking que medem liberdade econômica (doing bussiness, Heritage)
    - São abertos economicamente. Não só a taxação para importar é baixa, como existe ampla liberdade para os investimentos externos.
    - Possuem moeda forte, a inflação poucas vezes passa dos 2%.

    Com tudo isso é fácil entender os bons indicadores desses países. O estado assistencialista só ainda não prejudicou a economia porque esses países possuem um setor privado rico e livre.

    E se você ainda acha que o assistencialismo é um ponto positivo, então leia este texto:
    Como o assistencialismo corrompeu a Suécia
  • Joao Girardi  23/08/2015 16:31
    Esquerdistas espumam de raiva com esses artigos.
  • David  31/08/2015 13:44
    o capitalismo deve ser regulado como qualquer comportamento humano. O capitalismo atual prega e desenvolve-se através da exploração e do acumulo de recursos, o capital (papel moeda) e investimentos financeiros em fundos de investimentos (pouco produtivos para a sociedade) ações (útil para sociedade na forma de investimento para ampliação das empresas e grupos econômicos) e a poupança.
    O dinheiro em espécie foi criado penso eu, e como é visto nos livros, como um instrumento que substituiu outra forma de legitimar o comércio, compra e venda de bens e serviços.
    Regular é manter o equilíbrio de poder. Não pode ser encarado como cerceamento de direitos adquiridos. A sociedade deve ser encarada com um sistema vivo, no qual o equilíbrio é saudável. O Desequilíbrio e prejudicial e danoso. Existem tipos de ganâncias produzidas por um povo (civilização) e isso determina sua trajetória na humanidade isso significa poder ou destruição.
    A regulamentação do capitalismo não é o suficiente para ter uma civilização progressista plena, os poderes burocráticos e aristocráticos dever ser regulados para que não exista um gasto exagerado no setor governamental. A ideia é mais por menos e não a lógica atual de menos gente mais salário, e com um estado que não demite funcionário. O estado deve definir um salário de acordo com a realidade proletária e não executiva.
    O Funcionalismo público deve ser ampliado e reduzido seu custo. Funcionário público, não deve ter poder sobre seu emprego, o estado não pode ser refém de seus funcionários.
    Contudo, a riqueza é o problema em questão, para defini-la deve-se usar a ciência econômica, para ajuda-lo a definir os parâmetros.
    Definir níveis de riqueza.
    A PL 130/2012 prevê 0,5 a 1% do patrimônio liquido. Contudo:
    Porque é pouco?
    Porque 8000 vezes o valor base para isenção do imposto de renda?
    De onde vem esse número?
    Existe um estudo para provar que a partir deste valor existe o melhor reinvestimento na sociedade dos recursos financeiros providos da própria sociedade?
    Acredito que deve ser feito um estudo sobre a economia. Neste estudo deve-se entender qual o dinamismo do dinheiro. A Receita Federal pode contribui muito com o desenvolvimento da pesquisa e fomentar o controle. As leis que eles precisam. Os poderes devem se comunicar, isso define a eficiência.
    Este estudo revelaria como o dinheiro "movimenta-se" entre as classes sociais. Com isto é possível projetar e definir os níveis de riqueza, e sua participação na sociedade.
    Definindo os níveis de riqueza a taxação seria de acordo com a faixa de riqueza. Esta podendo sofrer alteração de acordo do o desenvolvimento da economia. É possível usar os valores da inflação média de 2 anos atrás.
    Um exemplo dispensável mas numérico:
    - Cidadão pessoa jurídica ou física com valor de até 2 mi (milhão) líquidos, taxação de 1% a 5%.
    - Cidadão pessoa jurídica ou física com valor superior a 2 mi (milhão) líquidos, taxação de 6% a 10%.
    - Cidadão pessoa jurídica ou física com valor superior a 5 mi (milhão) líquidos, taxação de 10% a 15%.
    - Cidadão pessoa jurídica ou física com valor superior a 20 mi (milhão) líquidos, taxação de 15% a 17%.
    - Cidadão pessoa jurídica ou física com valor superior a 250 mi (milhão) líquidos ou investimentos, taxação de 19% a 22%.
    - Cidadão pessoa jurídica ou física com valor superior a 1 bi (bilhão) líquidos ou investimentos, taxação de 22% a 25%.
    -- Cidadão pessoa jurídica ou física com valor superior a 10 bi (milhão) líquidos, taxação de 30%
    Estes valores deverão ser definidos pelo estudo da economia. A arrecadação deste valor pôde-se considerado justo, por que este dinheiro emana da sociedade e deve voltar para ela na forma de modificações do ambiente social.
    O capitalismo regulado não deixará o rico pobre, possivelmente ele se entenderá mais como um provedor de mudanças fantásticas, e se continuar perspicaz prosperaram de maneira monumental, mas fará a dinâmica social ser ampliada e a melhoria da vida de todos.
    Quando não existe uma forma de controle o sistema capitalista torna-se escravista, explorador, desumano, como qualquer sistema humano sem equilíbrio de poder.
  • Sergio  08/10/2015 17:10
    Artigo muito bom. Porém, creio que faltaram alguns pontos a serem considerados.

    Como exemplo, o que dizer, então, do pseudo modelo de mercado comunista/capitalista empregado na China? Esse país está somente atrás dos EUA em quantidade de milionários (e o número de novos ricos não para de crescer por lá).

    O modelo de escravidão que foi mencionado no artigo não difere, em essência, ao modo de como os empresários chineses (e tantas outras empresas multinacionais) enriquessem explorando essa população (sem levar em conta a exploração de mão-de-obra ao redor do mundo).
    Salários de subsistência, jornada de trabalho exarcebada, condições de vida precárias... Existem meios desses trabalhadores terem excedentes? Se tiver sorte, um pai de família não deixará sua esposa e filho passar fome.

    Em meu ponto de vista, a essência continua a mesma. Escravidão, como lemos em livros, em tempos passados. Escravidão, contemporânea ao modelo global/capitalista, como vemos hoje em dia.


  • Ramos  08/10/2015 17:26
    "Como exemplo, o que dizer, então, do pseudo modelo de mercado comunista/capitalista empregado na China?"

    Você próprio já respondeu: é um pseudo-modelo que já está se esfacelando completamente.

    Por que a China vai implodir

    A grande muralha da China começa a se esfacelar

    "Esse país está somente atrás dos EUA em quantidade de milionários (e o número de novos ricos não para de crescer por lá)."

    Isso é uma besteira astronômica. Em primeiro lugar, esses milionários chineses são todos eles pessoas ligadas ao regime, empresários protegidos e subsidiados. Não é gente que enriqueceu no livre mercado, como é o caso de vários americanos.

    Em segundo lugar, um país que tem 1 bilhão e 300 milhões de pessoas, ter um grande número de milionários não é nenhum assombro. Assombroso mesmo é que ainda esteja atrás dos EUA, que tem "apenas" 300 milhões de habitantes.

    Em terceiro lugar, compare a qualidade de vida nos dois países. A diferença é abismal. Ao passo que o padrão de vida do americano médio é invejável para o mundo, a esmagadora maioria dos habitantes da China (principalmente todos os que estão fora das cinco maiores cidades do país) ainda está comendo ratos e vive em meio a uma pobreza dantesca. Beira o inacreditável que ainda haja gente que acredita em China pujante.

    Há americanos querendo fugir da pobreza do EUA para ir para a pujança chinesa?

    Sim, o país como um todo produziu muita riqueza, mas ora, um país que tem 1 bilhão e 300 milhões de habitantes trabalhando e produzindo só não irá enriquecer caso haja uma hecatombe.

    Agora, enriquecer com qualidade de vida, aí são outros 500.
  • Carlos Mello  01/02/2016 11:29
    Pois acho que há sim uma via mais inteligente que estas duas, é só pegar as boas ideias dos socialistas, que são bem poucas e juntar com as do capitalismo, que são muitas, juntarmos com um liberalismo consciente e pronto.
    O principal é combater a burrice, que predomina e é a verdadeira culpada pelos fracassos na humanidade.
  • João Barroso  13/02/2017 19:13
    Concordo Carlos, fui social democrata desde que me entendo por gente, ao ingressar em economia na faculdade comecei a abrir meus olhos ao liberalismo econômico, pois muito do que eu acreditava ser verdade era apenas desinformação que a esquerda me fez aceitar.
    Desde então não me defino como nenhum rótulo político, sou a favor de todas as liberdades humanas desde que não agridam ninguém, mas não podemos viver em um darwinismo social e achar que 100% da população vai se dar bem enquanto sabemos que não é assim que funciona. Acho que falta todos sentarem e ter uma conversa sincera sem ad hominem, analisar fatos e não sentimentos, parar de se rotular e rotular os outros também e aceitar que o monopólio da virtude não pertence a um lado da moeda ou espectro político.
  •   13/02/2017 20:17
    boas ideias dos socialistas??


    E quais seriam??
  • leonardo couto  03/05/2017 23:48
    o medo da mudança o próprio Marx temia o dogma da sua ideia,o sentido de analisar a concepção do homem exclusivamente voltado para o lucro e a acumulação que é o grande problema,o capitalismo tem a virtude do dinamismo da busca material e da inovação tecnológica mas tem também a motivação para a diferença social como da perda financeira dos não rentistas e com isto a concentração excessiva na mão de pouca gente,ai que encontra o nó de górdio,nunca fui marxista mas não dá para negar a sua analise bem singular do que representa este sistema e num país como Brasil que sofre numa encruzilhada terrível em ser um país periférico e ao mesmo tempo emergente é pior ainda,o que fazer reinventar a ideia pára cada lucro de uma acumulação em si o agente desta situação seria obrigado a doar vinte por cento do seu rendimento para o investimento publico na área de educação por exemplo,ou quem sabe ajudar os seus operários a abrirem um negócio complementativo de sua empresa e com isto criar uma especie de complementação de investimento para escoamento de seeu próprio produto, o que não dá é só malhar o socialismo e endeusar tudo que o capitalismo cria.


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