Igualdade: o ideal desconhecido
Todos os homens são criados iguais.

Quando Thomas Jefferson, na Declaração de Independência dos EUA, enunciou os princípios filosóficos que fundamentaram a Revolução Americana, este foi o primeiro princípio que ele anunciou.  Tal princípio seria a base e a justificativa para todo o resto.  Igualdade — e não liberdade, como seria de se esperar.

A versão original da Declaração dava ênfase à importância da igualdade de forma ainda mais percuciente.  A versão final e mais conhecida declara:

Consideramos estas verdades como auto-evidentes: que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade.

Mas o que Jefferson originalmente escreveu foi isso:

Consideramos estas verdades sagradas e inegáveis: que todos os homens são criados iguais e independentes; que desta criação igual resulta que eles possuem direitos inerentes e inalienáveis, dentre os quais estão a preservação da vida e da liberdade, e a busca da felicidade.

Até onde sei, as palavras foram alteradas não por motivos substantivos, mas sim estilísticos.  A versão final de fato flui mais suavemente.  Porém, a versão original é mais filosoficamente precisa.  Em comparação à versão final, em que igualdade e liberdade são apresentados como sendo apenas dois princípios fundamentais — sendo que a relação de um com o outro é vaga e obscura —, na versão original o valor da liberdade é explicitamente formulado como sendo secundário ao valor da igualdade.  Mais ainda: é formulado como sendo derivado da igualdade.

No entanto, nós libertários não falamos tão frequentemente, ou tão calorosamente, sobre igualdade.  Em vez disso, falamos sobre liberdade; é por isso que nos chamamos de libertários, e não de igualitários.  Por outro lado, aqueles que com mais frequência invocam a questão da igualdade nos discursos políticos atuais tendem a ser inimigos dos princípios libertários que nós esposamos.  Sendo assim, e tomando por base as palavras de Jefferson, como pode a igualdade ser nosso ideal, se é também o ideal deles?

A resposta está no fato de que é necessário especificar conceitos: igualdade de quê?  Igualdade em relação a quê?  Nossos oponentes igualitários defendem a igualdade socioeconômica — algumas vezes interpretada como igualdade de oportunidades socioeconômicas, e algumas vezes interpretada como igualdade de resultados socioeconômicos.  (Nos dias de hoje, a diferença entre as duas está cada vez mais obscura, uma vez que a desigualdade de resultados é interpretada como evidência indiscutível da desigualdade de oportunidades).  Que tipo de igualdade nós defendemos?

Com alguma frequência, sugere-se que a versão libertária de igualdade refere-se à igualdade legal — isto é, igualdade perante a lei.  De fato, é verdade que o ideal de igualdade legal é constantemente invocado por libertários contra vários programas que apresentam uma linhagem socioeconomicamente igualitária (tais como leis trabalhistas e leis antidiscriminação que dão aos empregados, ao mesmo tempo em que negam aos empregadores, o direito de terminar a relação empregador-empregado de acordo com sua vontade).

Porém, uma igualdade legal deste tipo é muito limitada para constituir o ideal libertário.  Assim como os igualitários socioeconômicos consideram que a igualdade legal é inadequada porque (na memorável frase de Anatole France) proíbe tanto os ricos quanto os pobres de dormir embaixo de viadutos, os libertários também não ganhariam muitos aplausos caso, por exemplo, ampliassem a injustiça do recrutamento militar obrigatório também para as mulheres — isso seria um avanço em termos de igualdade legal, mas dificilmente um avanço em termos de liberdade.  Como disse Murray Rothbard,

A justiça da igualdade de tratamento depende acima de tudo da própria justiça deste tratamento.  Suponhamos, por exemplo, que João, com sua comitiva, proponha-se a escravizar um grupo de pessoas.  Devemos afirmar que a "justiça" exige que cada um seja escravizado igualmente?  E suponhamos que alguém tenha a sorte de escapar.  Devemos condenar este fugitivo pelo fato de ele ter se esquivado da 'igualdade de justiça' dada aos seus companheiros?[1]

Similarmente, o conceito de igualdade de liberdade também é incapaz de capturar todo o ideal libertário.  Um mundo no qual todos os indivíduos tivessem uma ínfima e idêntica quantia de liberdade não seria um mundo libertário.  Podemos falar, como fez Herbert Spencer, sobre uma lei que estipulasse uma liberdade idêntica para todos (Lei de Igual Liberdade), mas tal lei especificaria não apenas a equalização da liberdade, mas também a sua maximização; não é o quesito 'igual' quem efetua o verdadeiro trabalho.  A lei da liberdade idêntica trata a igualdade como sendo, na melhor das hipóteses, uma restrição sobre a liberdade máxima, e não a sua base.

Digo "na melhor das hipóteses" porque a liberdade idêntica para todos é uma consequência lógica da liberdade máxima, e não algum tipo de restrição sobre ela.  Citando Rothbard novamente:

Caso uma pessoa deseje obrigar todos os homens a comprar um carro, ela pode formular tal objetivo da seguinte maneira: "Todo homem deve comprar um carro", em vez de usar termos como: "Todos os homens devem ter igualdade na compra de um carro". . . . A Lei de Igual Liberdade de Spencer é redundante.  Pois, se cada homem tem a liberdade de fazer tudo o que queira, infere-se desta mesma premissa que a liberdade de nenhum outro homem foi infringida ou invadida. . . . O conceito de "igualdade" não tem lugar legítimo na "Lei de Igual Liberdade", podendo ser substituído pelo determinante lógico "todo".  A "Lei de Igual Liberdade" poderia muito bem ser renomeada "Lei da Liberdade Total".[2]

Mas se nem a igualdade legal e nem a igualdade de liberdade são suficientes para uma sociedade livre, então em que sentido podemos deduzir que temos o direito à liberdade do mero fato de termos sido criados iguais?

Para obtermos a resposta a esta questão, temos de ir à fonte de Jefferson, John Locke, que nos diz exatamente o que é "igualdade" no sentido libertário: mais especificamente, trata-se de uma condição

onde a reciprocidade determina todo o poder e toda a jurisdição, ninguém tendo mais que os outros; evidentemente, seres criados da mesma espécie e da mesma condição, que, desde seu nascimento, desfrutam juntos de todas as vantagens comuns da natureza e do uso das mesmas faculdades, devem ainda ser iguais entre si, sem subordinação ou sujeição. . . .[3]

Em suma, a igualdade de que Locke e Jefferson falam é a igualdade de autoridade: a proibição de qualquer "subordinação ou sujeição" de um indivíduo a outro.  Dado que qualquer interferência de A na liberdade de B constitui uma subordinação ou sujeição de B a A, o direito à liberdade advém diretamente da igualdade de "poder e jurisdição".  Como explica Locke:

[S]endo todos iguais e independentes, ninguém deve lesar o outro em sua vida, sua saúde, sua liberdade ou seus bens. . . . Dotados de faculdades similares, dividindo tudo em uma única comunidade da natureza, não se pode conceber que exista entre nós uma "hierarquia" que nos autorizaria a nos destruir uns aos outros, como se tivéssemos sido feitos para servir de instrumento às necessidades uns dos outros, da mesma maneira que as ordens inferiores da criação são destinadas a servir de instrumento às nossas.[4]

Esta é uma notável declaração pré-kantiana do princípio de que seres humanos não devem ser tratados como meros meios para a consecução dos fins almejados por outros.  (Observe, também, como tanto Locke quanto Jefferson invocam a independência como sendo um corolário de igualdade de autoridade).

Podemos entender agora por que tanto a igualdade socioeconômica quanto a igualdade legal são insuficientes para se chegar ao radicalismo da igualdade lockeana.  Nenhuma destas duas formas de igualdade questiona a autoridade daqueles que administram o sistema legal; tais administradores são requeridos meramente para garantir igualdade entre os administrados.  Assim, comparada à igualdade legal, a igualdade socioeconômica, não obstante as arrojadas alegações de seus partidários, não representa nenhum desafio adicional ao poder vigente.  Ambas as formas de igualdade apelam a esta estrutura de poder para que ela tome determinadas medidas; e, ao fazerem isso, ambas pressupõem — na verdade, pedem por — uma desigualdade de autoridade entre aqueles que administram o arcabouço legal e aqueles que são os administrados.

A versão libertária da igualdade não é limitada desta maneira.  Na visão de Locke, igualdade de autoridade significa negar aos administradores do sistema legal — e consequentemente ao próprio sistema legal — quaisquer poderes além daqueles em posse dos indivíduos comuns:

[C]abe a cada um, neste estado, assegurar a "execução" da lei da natureza, o que implica que cada um tem o direito de punir os transgressores desta lei com uma severidade tal que venha a impedir sua violação.  . . . Pois nesse estado de perfeita igualdade, onde naturalmente não há superioridade ou jurisdição de um sobre o outro, o que um pode fazer para garantir essa lei, todos devem ter o direito de fazê-lo.[5]

A igualdade lockeana envolve não apenas uma igualdade perante os legisladores, os juízes e a polícia, como também, e de maneira ainda mais crucial, uma igualdade junto aos legisladores, juízes e policiais.

Por este critério, Murray Rothbard, em sua defesa do anarcocapitalismo, acaba se revelando um dos mais consistentes e completos teóricos igualitários de nossa era.  Sendo ele o autor do ensaio O igualitarismo é uma revolta contra a natureza, Rothbard pode muito bem estar se revirando em seu túmulo ao ouvir tal descrição a respeito de si próprio.  Porém, como veremos, aquilo que Ayn Rand costumava dizer sobre o capitalismo — que o capitalismo é um ideal desconhecido — se aplica a fortiori para a igualdade: o conceito de igualdade, propriamente entendido, é também de várias maneiras um ideal desconhecido — desconhecido tanto para seus defensores quanto para seus detratores.

Desde a época de Locke, libertários têm se dividido em dois campos.  Alguns, como Rothbard, adotaram a igualdade lockeana como sendo um padrão absoluto para todo e qualquer sistema legal.  Outros, seguindo o próprio Locke, consideraram que a igualdade lockeana pura gera uma restrição impraticável sobre um sistema legal.  Sendo assim, eles defenderam abrir mão de uma determinada quantidade de igualdade lockeana com o intuito de tornar praticável a proteção legal da igualdade lockeana que restasse.

Minha afinidade está com o primeiro grupo.  Da maneira como vejo, os argumentos de Locke para a incompatibilidade da igualdade lockeana com uma ordem legal operante incorrem na falácia da composição ou na falácia da reificação.  Por exemplo, da alegação de que todo mundo deveria submeter suas contendas a uma entidade externa, Locke falaciosamente infere que deveria haver uma entidade externa para quem todo mundo submeteria suas contendas. Isso é semelhante a dizer que da afirmação todo mundo gosta de pelo menos um programa de TV, pode-se inferir que existe apenas um programa de TV do qual todo mundo gosta.

No entanto, mesmo que o segundo grupo esteja certo, e de fato fosse necessário abrir mão de uma determinada quantidade de igualdade lockeana com o intuito de proteger o que restasse, ainda assim seria verdade que quaisquer poderes exclusivos do governo que fossem além do que é estritamente necessário para o funcionamento de um sistema legal constituiriam uma injustificável afronta à igualdade humana.  Ambos os grupos procuram, de qualquer forma, minimizar qualquer afastamento da igualdade lockeana.  Sendo assim, os libertários tradicionalmente direcionam sua ira contra as desigualdades de autoridade que existem entre, de um lado, o cidadão comum, e, do outro, os administradores do sistema legal (bem como os grupos de interesses privados que, por meio de lobbies e contratos, se beneficiam com os privilégios concedidos pelo governo).

A escritora Wendy McElroy pesquisou a interação dentro do movimento feminista de três ideais igualitários distintos: um ideal "convencional" — igualdade perante a lei — e dois ideais mais "radicais" — igualdade socioeconômica, a qual McElroy identifica como sendo um ideal socialista ou marxista, e aquilo que venho chamando de 'igualdade de autoridade', o qual McElroy identifica como sendo um ideal individualista ou libertário:

O significado de igualdade diverge dentro do movimento feminista.  Ao longo de grande parte de sua história, o feminismo convencional considerou a igualdade como sendo tratamento igualitário sob as leis vigentes e representação igualitária dentro das instituições vigentes.  O objetivo não era mudar o status quo, mas sim ser incluído nele.  As feministas mais radicais protestaram dizendo que as leis e as instituições vigentes eram a fonte de todas as injustiças, e, sendo assim, não poderiam ser reformadas. [...] 

Seus conceitos de igualdade refletiam isto.  Para o individualista, igualdade era um termo político que se referia à proteção dos direitos individuais; ou seja, proteção da jurisdição moral que todo ser humano possui sobre seu corpo.  Para as feministas-socialistas, era um termo sócio-econômico. ...  Ao passo que a análise de classe marxista utiliza como ponto de referência a relação de uma determinada classe para com o modo de produção, a análise de classe libertária utiliza como critério a relação de uma determinada classe para com os meios políticos.  A sociedade é dividida em duas classes: aqueles que utilizam os meios políticos — que é a força — para adquirir riqueza e poder, e aqueles que utilizam os meios econômicos, os quais requerem interação voluntária.  A primeira classe é a classe dominante, que vive à custa do trabalho e da riqueza da outra classe.[6]  

De uma perspectiva libertária, os igualitários socioeconômicos acabam se revelando, de forma muito embaraçosa, apologistas da classe dominante.

A resistência libertária a propostas socioeconomicamente igualitárias é ela própria baseada em um ideal igualitário.  Isso é algo raramente reconhecido, mas é uma verdade.  O único igualitário socioeconômico que sei que reconhece isto é Amartya Sen.  Não obstante, Sen é a exceção que comprova a regra.  Pois ele também não entendeu o ponto: ele interpreta igualdade libertária com igualdade de liberdade, uma interpretação que já vimos ser inadequada.  Eis como Sen vê a questão:

Os pensadores libertários [...] não apenas são vistos como anti-igualitários, como também são considerados anti-igualitários precisamente por causa do seu interesse prioritário na liberdade. ... [E]ste modo de ver a relação entre a igualdade e a liberdade é completamente inadequada.  Os libertários devem considerar importante que as pessoas devam ter liberdade.  Dado isso, imediatamente surgem perguntas como: quem, quanto, distribuída como, quão igual?  Por isso, o problema da igualdade aparece imediatamente como um complemento da afirmação da importância da liberdade.  A proposta libertária tem de ser complementada passando-se a caracterizar a distribuição de direitos entre as pessoas envolvidas.  Com efeito, as demandas libertárias por mais liberdade tipicamente incluem características importantes de "liberdade igual", por exemplo, a insistência na igual imunidade à interferência de terceiros. ... A liberdade está entre os possíveis campos de aplicação da igualdade, e a igualdade está entre os possíveis padrões de distribuição da liberdade.[7]

A análise de Sen é confusa neste ponto, e por dois motivos.  Primeiro, como já vimos, igualdade de liberdade não é um complemento ao valor da liberdade, mas simplesmente advém do ideal de liberdade total. (A incapacidade de Sen de reconhecer isto pode ser devido ao fato de ele pensar a liberdade em termos positivos, como liberdade de fazer isso ou aquilo, em cujo caso a necessidade de se respeitar a liberdade de terceiros seria uma limitação à própria liberdade do indivíduo, desta forma fazendo com que a liberdade para todos seja impossível.  Porém, se a liberdade for entendida em termos negativos, ou seja, liberdade de não sofrer interferências coercivas, então a liberdade total para todos é perfeitamente possível).  Segundo, Sen trata a liberdade como sendo algo que os libertários valorizam por algum acaso, e à qual subsequentemente aplicam considerações igualitárias — não reconhecendo que a própria liberdade está fundamentada em uma preocupação com a igualdade no sentido lockeano.

Como já dito, o argumento contra legislações socioeconomicamente igualitárias é, por si mesmo, igualitário; tais legislações invariavelmente envolvem a coerciva subordinação ou sujeição de indivíduos dissidentes aos tributos e regulamentações impostos pelas autoridades estatais, e desta forma pressupõem uma desigualdade de autoridade entre governantes e governados.  Como escreveu Ludwig Von Mises:

É importante lembrar que intervenção do governo significa sempre ou ação violenta ou ameaça de ação violenta. Os fundos gastos pelo governo em qualquer de suas atividades são obtidos por meio de impostos.  E os impostos são pagos porque os contribuintes não se atrevem a desobedecer aos agentes do governo; eles sabem que qualquer desobediência ou resistência seria inútil.  Enquanto perdurar esse estado de coisas, o governo tem a possibilidade de arrecadar tanto quanto queira para suas despesas.

Governo é, em última instância, o emprego de homens armados, de policiais, guardas, soldados e carrascos.  A característica essencial do governo é a de impingir os seus decretos por meio do espancamento, do encarceramento e do assassinato. Quem pede maior intervenção estatal está, em última análise, pedindo mais coerção e menos liberdade.[8]

Tampouco iria uma versão anarquista de socialismo funcionar melhor; enquanto algumas pessoas detiverem o privilégio de impor políticas redistributivas à força ou pela ameaça da força sobre terceiros que discordam de tal ideia, haverá desigualdade de autoridade entre os repressores e os coagidos, não importando se aqueles que estão praticando a coerção são cidadãos públicos ou indivíduos privados, e independentemente de eles representarem uma maioria ou uma minoria.  Tampouco iria uma selva hobbesiana, na qual qualquer um está livre para impor seu desejo sobre todos os outros, representar a igualdade de autoridade.  Pois sempre que uma pessoa for bem sucedida em subjugar uma outra, estará havendo uma desigualdade de autoridade.

A selva hobbesiana pode representar uma igual oportunidade de autoridade, mas neste contexto o libertário defende a igualdade de resultados. (Incidentalmente, é por isso que o direito à liberdade é inalienável).  Somente o uso defensivo de força é justificável, uma vez que tal uso, em vez de violar, restaura a igualdade de autoridade.  Da mesma maneira, uma democracia idealizada, na qual cada cidadão possui a mesma chance de ascender a uma posição de poder político, também representa apenas uma igual oportunidade de autoridade, e não uma igualdade de resultados; sendo assim, seria também uma afronta à igualdade lockeana.  Para um libertário, o ditado "qualquer um pode se tornar presidente", se fosse verdadeiro, teria o mesmo sentido de "qualquer um pode ser o próximo a assaltar você."

Desigualdade de autoridade é muito mais ofensivo, do ponto de vista moral, do que a mera desigualdade socioeconômica; logo, sempre que demandas por igualdade socioeconômica entrarem em conflito com demandas por igualdade libertária — algo que geralmente ocorre —, deve-se dar preferência a esta última.

Os igualitários socioeconômicos comprovam — se não por suas palavras, por suas ações — que eles consideram a desigualdade de autoridade um mal maior do que a desigualdade socioeconômica.  A maioria dos igualitários socioeconômicos que conheço certamente ficaria mais ultrajada em ser assaltada por um colega do que em saber que tal colega está recebendo um salário maior.  Logo, na prática, eles claramente reconhecem qual destas desigualdades é um mal maior.  Com efeito, a maioria dos igualitários socioeconômicos conduz suas interações pessoais diárias de acordo com uma escrupulosa aderência a princípios libertários, e espera receber o mesmo tratamento em retorno.

Os igualitários socioeconômicos também dizem que a desigualdade socioeconômica é em si mesma uma forma de desigualdade de autoridade, tendo portanto de ser proibida.  Porém, como afirmou Rothbard, esta combinação de ideias é inconsistente:

O indivíduo A recusa-se a realizar uma troca com B.  O que devemos dizer ... caso B mostre uma arma e ordene A a realizar a troca? ... B está cometendo violência; não há dúvidas quanto a isso. ... [E]ssa violência tanto é invasiva e, portanto, injusta, ou defensiva, e portanto, justa.  Caso adotemos o argumento do "poder econômico", devemos escolher a última postura.  Caso o rejeitemos, temos de adotar a primeira. ... O estatista "moderado" não pode logicamente dizer que há "muitas formas" de coerção injustificada.  Ele deve escolher uma ou outra, e manifestar-se conforme a postura escolhida.  Ou ele deve dizer que há uma única forma de coerção ilegal — a violência física evidente — ou deve dizer que só há uma forma de coerção ilegal: a recusa de se fazer uma troca.[9]

Para expandir este argumento de Rothbard: uma proibição sobre todos — ou mesmo sobre quase todos — os casos de desigualdade lockeana não é consistente com o fato de que tanto a desigualdade socioeconômica quanto a iniciação de força são formas de desigualdade lockeana, pois um banimento efetivo da desigualdade socioeconômica requer o endosso de uma sistemática iniciação de força em escala maciça.  Logo, igualitários socioeconômicos, caso queiram ser consistentes, podem oferecer seu ideal somente como um substituto para a igualdade lockeana, e não como uma extensão dela.  (O mesmo ponto se aplica àqueles estatistas que dizem que direitos negativos são muito bons, mas que precisamos também de direitos positivos — como se cada direito positivo acrescentado não significasse um direito negativo removido).

Dada a vasta desigualdade de autoridade entre o aparato estatal e seus súditos — ou seja, dada a vasta desigualdade socioeconômica entre eles —, como é possível que aqueles que se consideram tão dedicados à igualdade humana prontamente se tornem apologistas do estado?  Isso é algo que atordoa os libertários.  Não dá para entender como é que aqueles que demonstram tamanha sensibilidade em relação a restrições de escolha e a diferenças de poder de barganha, quando estas derivam de fatores de mercado, se tornam tão incrivelmente cegos para as restrições de escolha e os desiguais poderes de barganha gerados pelo braço armado do estado, o qual tem plenos poderes para impingir suas demandas por meio da violência legalizada.

O filósofo chinês do século V a.C., Mo-tzu, certa vez observou que, se alguém é capaz de reconhecer um ato de agressão injusta quando este é perpetrado por um indivíduo contra outro, mas não é capaz de reconhecer a mesma injustiça quando o mesmo ato é perpetrado por um grupo organizado de indivíduos, então tal pessoa deve ter uma mente confusa em relação ao que é certo e ao que é errado.[10]  Igualitários socioeconômicos, portanto, devem viver sob algum tipo de confusão mental.  Mas por quê?

Um cínico poderia responder dizendo que os igualitários socioeconômicos não são de modo algum confusos; sua suposta devoção à igualdade seria simplesmente um disfarce para se conseguir mais poder, sendo que eles isentam o estado de suas críticas porque planejam algum dia estar em seu comando, ou pelo menos estar em boas relações com quem está no comando.  Essa me parece ser uma análise sensata de alguns — mas somente de alguns — igualitários socioeconômicos.  A maioria dos igualitários socioeconômicos que conheço pessoalmente é sincera em seu igualitarismo e bem intencionada em seu estatismo.

Não estou com isso querendo dizer que eles são totalmente inocentes; afinal, um estatista inocente seria aquele que dissesse: "Eu reconheço — e quem não reconheceria? — que a coerciva subjugação de indivíduos ao estado por meio da violência legalizada ou da ameaça dela é um grande mal.  Mas este mal, infelizmente, é necessário para se prevenir males ainda maiores".  Um estatista que assumisse este ponto de vista não poderia se sentir jubiloso em relação ao seu estatismo; ao contrário, ele teria de se comportar com a trágica solenidade de Agamenon, que sacrificou sua filha para salvar a frota.

Igualmente, o inocente estatista dificilmente poderia se permitir chegar a esta lúgubre conclusão sem antes investigar as possíveis alternativas — as quais, para um estatista na academia, teria de envolver pesquisas cuidadosas e tentativas de refutação de (e ele desesperadamente esperaria não conseguir refutar) toda a rica literatura libertária que argumenta que a maioria dos outros males que ele cita pode ser evitada por meios não-estatistas.  Por estes critérios, poucos estatistas se qualificam como inocentes.  Buscar por alternativas à desigualdade de autoridade seria reconhecer que o estatismo envolve tal desigualdade.  Pior ainda: seria reconhecer isso antes de se certificar de que existem alternativas.  Isso forçaria o estatista a ter de fazer uma desagradável escolha, a qual ele prefere evitar.  Logo, considero o estatismo como sendo, pelo menos na maioria dos casos, um vício moral, e não um mero erro cognitivo, da mesma maneira que o racismo e o sexismo são vícios morais, e não meros erros cognitivos.

Porém — e, novamente, assim como o racismo e o sexismo —, o estatismo é um tipo de vício moral que tende a adentrar a alma por meio do auto-engano, por meio de uma osmose semi-consciente.  O estatismo é um tipo de banalidade arendtiana.  Não é algo que você abraça por meio da aceitação direta.  É uma forma de cegueira espiritual que pode, e de fato consegue, infectar até mesmo aqueles são realmente sinceros e bem intencionados (Não estou aqui sugerindo que libertários são geralmente mais virtuosos do que estatistas.  A justiça é apenas uma virtude dentre várias, e o libertarianismo é apenas uma aplicação da justiça; portanto, a única moral autocongratulatória que podemos nos permitir é que somos melhores do que nossos colegas em um aspecto de uma virtude).

Qual forma essa cegueira espiritual assume?  De um lado, a ideologia estatista tem de fazer com que a violência do estado se torne invisível.  Somente assim a afronta à igualdade que tal ideologia diz representar será encoberta.  Assim, estatistas tendem a tratar as ordens governamentais como se fossem feitiçarias, algo que passa diretamente do decreto para o resultado, sem a inconveniência dos meios; dado que, no mundo real, o principal meio empregado pelo governo é a violência — tanto sua ameaça quanto sua efetivação —, encarar os decretos estatais e sua violenta implantação como uma espécie de magia serve para disfarçar tanto a imoralidade quanto a ineficiência do estatismo, uma vez que tal postura simplesmente ignora todo o estrago deixado no caminho entre o decreto e o resultado.

No entanto, por outro lado, a efetividade de decretos governamentais depende exatamente de as pessoas estarem perfeitamente cientes da força que está por trás destes decretos.  Sendo assim, o estatismo pode manter sua plausibilidade somente ao implicitamente projetar um tipo de paródia grotesca da doutrina católica da transubstanciação: assim como o pão e o vinho devem ser transformados em sua essência no corpo e no sangue de Cristo para desempenharem seu papel espiritual necessário, ao mesmo tempo em que devem manter a aparência externa de pão e vinho para efetuarem seu papel prático necessário, a violência do estado, para ser justificada, tem de ser transubstanciada em sua essência em uma pacífica feitiçaria, ao mesmo tempo em que, para ser efetiva, deve manter a aparência externa de violência. (Esta sacralização da violência do estado explica como, por exemplo, os defensores do desarmamento se consideram genuínos oponentes da violência ao mesmo tempo em que ameaçam maciça e sistemática violência contra cidadãos pacíficos.)

erick.jpgPorém, ignorar ou mascarar a violência sobre a qual a legislação socioeconômica necessariamente se baseia é aquiescer à injusta subjugação e sujeição que tal violência personifica.  É tratar aqueles subjugados e sujeitados como meros meios para os fins almejados por aqueles que fazem a subjugação, e assim pressupor que há uma desigualdade legítima de poder e de jurisdição entre os dois grupos.  A repulsa libertária contra tal arrogante pressuposição é ipso facto um impulso igualitário.  Aqueles que não sentem nenhuma repulsa não devem esperar que suas credenciais igualitárias não sejam questionadas; eles podem até reverenciar a igualdade na teoria, mas são incapazes de reconhecê-la na prática.

Pois, à medida que passávamos, e contemplávamos a devoção daquelas pessoas, vimos um altar com esta inscrição: PARA O IDEAL DESCONHECIDO.  Aquilo que eles ignorantemente veneravam, era aquilo que nós havíamos imposto a eles.  Por muito tempo, permitimos que nossos confusos oponentes monopolizassem a bandeira da igualdade.  Temos mais direito a ela do que eles.  Já passou da hora de tomarmos essa bandeira de volta.



[1] Murray N. Rothbard, Governo e Mercado: a economia da intervenção estatal (Instituto Mises Brasil, 2012), p. 160.

[2] Rothbard, Governo e Mercado, p. 233

[3] John Locke, Segundo Tratado sobre o Governo II. 4.

[4] John Locke, Segundo Tratado sobre o Governo II. 6.

[5] John Locke, Segundo Tratado sobre o Governo II. 7.

[6] "Introduction: The Roots of Individualist Feminism in 19th-Century America," pp. 3, 23, in Wendy McElroy, ed., Freedom, Feminism, and the State, 2nd ed. (New York: Holmes & Meier, 1991), pp. 3-26.

[7] Amartya Sen, Inequality Reexamined (Cambridge: Harvard University Press, 1992), pp. 21-23.

[8] Ludwig von Mises, Ação Humana XXVII. 2.

[9] Rothbard, Governo e Mercado, pp. 245-246

[10] Burton Watson, ed. & trans., Mo Tzu: Basic Writings (New York: Columbia University Press, 1963), pp. 50-51.


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SOBRE O AUTOR

Roderick T. Long
é membro sênior do Ludwig von Mises Institute, professor de filosofia na Universidade de Auburn, Alabama, e autor do livro Reason and Value: Aristotle Versus Rand.  Ele preside o Molinari Institute e a Molinari Society.  Seu website: Praxeology.net.




Ué, se a Vale era essa barbada toda, então por que esse cara não está rico? As ações foram vendidas livremente na bolsa, o que significa que ele poderia comprá-las livremente. No mínimo, poderia formar uma sociedade com vários amigos, comprar as ações, e então ficar rico com sua valorização.

Por que não fez isso?

Dizer que a empresa se valorizou após a privatização e daí afirmar que ela foi vendida a preço de banana é impostura intelectual. Quem afirma isso não sabe como funciona mercado e nem conhece a diferença entre gerência estatal e privada. E tem também de explicar por que não enriqueceu, já que sabia perfeitamente que a empresa estava subvalorizada.

Aliás, o grupo liderado pelo Votorantim perdeu o leilão de privatização da Vale. Antônio Ermírio de Moraes perdeu a oportunidade do século de ficar podre de rico. Se era tão óbvio que a mineradora estava desvalorizada, por que cargas d'água o então homem mais rico do país não ofereceu mais pelas bananas?

Detalhes:

1) O governo detinha apenas 42% do capital votante. Ou seja, o que foi a leilão não foi a empresa inteira, mas apenas 42% do capital votante. A empresa inteira estava avaliada em aproximadamente US$ 8 bilhões, sendo que a fatia vendida valia US$3,34 bilhões.

2) O leilão se deu na bolsa de valores, a preço de mercado. Qualquer um poderia ter participado. Logo, o Armando está correto. Quem hoje esperneia que a venda foi barata tem a obrigação de explicar por que não participou da venda. Se a empresa estava "a preço de banana", então o sujeito tinha a certeza de que a empresa iria se valorizar enormemente no futuro. Por que não montaram um consórcio e compraram ações? Era dinheiro certo. Não fizeram isso por quê? Odeiam dinheiro?

3) À época, ninguém imaginava que haveria um súbito e intenso boom no preço global das commodities, o que elevou o preço do minério de ferro para a estratosfera e impulsionou fortemente o valor da Vale.

Portanto, quem diz que a Vale foi vendida a "preço de banana" revela, com toda a sinceridade, profunda ignorância econômica.
Economista da UNICAMP(com letras garrafais, por favor),

Se a Petrobrás, a IMBEL, Eletrobrás(Furnas), Copel... são empresas eficientes, por que o governo usa o protecionismo para coibir concorrentes(até mesmo internacionais)? E mais, por que subsidiam essas empresas se elas são tão eficientes?

Em uma economia liberal, nunca vamos saber se aquela empresa é realmente de fato eficiente como você afirma. Para sabermos se ela realmente é eficaz deveríamos defender o mercado livre. Você está se baseando apenas em lucros que a empresa teve ao longo dos anos, mas lucros as custas do povo que paga impostos, porque o BNDES injetou dinheiro ao longo da era petista, e lucro em cima do entrave de novos concorrentes que o nosso governo pratica ao longo desses anos.

"Dê uma passeada pelos nossos corredores e veja se tu não vais te arrepiar. Conceição Tavares, Belluzzo, Aloísio Mercadante, Márcio Pochmann, duvido achar uma outra faculdade que ostente colossos tão imponentes no mundo acadêmico. Isso sem falar dos nossos ''filhos adotados'' como o Bresser, Celso Furtado, João Sayad, entre outros. Ah, aqui foi a casa do Plano Real, só para lembrar."

Sem comentários. Parece uma piada.

"Paliativo é ficar brincando de elevar as taxas de juros ou de sobrevalorizar o câmbio."

Nós nunca brincamos de elevar as taxas de juros, pelo contrário, acreditamos que os juros é redigido pelo mercado, e não em uma canetada como os economistas da UNICAMP(letras garrafais, por favor) defendem.
Sobrevaloriza o câmbio? De novo. Parece uma piada.
Pesquisa sobre Currency Board e depois conversamos.

"No setor agrícola para amenizar a inflação de alimentos, no setor energético(que é o principal culpado por essa inflação tão alta), isso sim são medidas concretas."

Inflação de alimentos é aumento de preço localizado, como foi o caso do feijão e do tomate. A melhor medida para combater a carestia gerada essencialmente pelo governo, é reduzir os impostos e LIBERAR O MERCADO PARA A ENTRADA DE CONCORRENTES. Com a burocracia estatal que é formada para obter uma reserva de mercado, garante que os empresários que estão sob proteção do governo, possa praticar qualquer preço sem qualquer tipo de concorrência que faria com que ele perdesse fatia do mercado por uma outra empresa que com medidas eficientes pudesse reduzir o preço dos alimentos.
Por mais que abaixasse o imposto, ele poderia praticar qualquer tipo de preço sem ser incomodado. E essa redução do imposto, esse mesmo empresário teria lucros maiores que poderia ter sob a reserva de mercado.

Setor energético culpado pela inflação? É isso que estão ensinando na UNICAMP(com letras garrafais, por favor)?

Bem que o Roberto Campos avisou: "O Brasil acaba com os economistas da Unicamp, ou eles acabam com o Brasil.
Bastaram cinco anos de assessoria direta de economistas da Unicamp à Presidente Dilma Rousseff, para a previsão de Roberto Campos se tornar realidade: expansão monetária, corporocracia, expansão das obras públicas, expansão dos cargos e salários públicos, intervenção estatal em toda a economia, corrupção e protecionismo comercial.
Provavelmente nenhuma economista fez tão mal ao Brasil quanto Maria da Conceição Tavares, mas além dela podemos destacar, em tempos recentes, o mais nocivo professor do país: Luiz Gonzaga Belluzzo.
Belluzzo nunca acerta qualquer previsão econômica, e é obcecado por gastos públicos. Como principal conselheiro econômico de Dilma Rousseff, convenceu-a a enterrar a bem sucedida matriz econômica "meta de inflação/câmbio flutuante/responsabilidade fiscal" por uma matriz heterodoxa "juros baixos, câmbio desvalorizado e aumento de gastos públicos". Foi, sem dúvida, um responsável direto pelo caos econômico que vivemos.
Agora, repetindo o que Lula falou há dois meses, Belluzzo tem a desfaçatez de dizer que a crise econômica é culpa de um suposto ajuste fiscal que Joaquim Levy estaria fazendo. Segundo Belluzzo, precisamos gastar mais ainda para sair da crise."
https://www.institutoliberal.org.br/blog/previsao-de-roberto-campos-e-o-ajuste-que-nunca-aconteceu/

"Quer dizer que a empresa desde 1953 é referência nacional, mas por causa de um governo ruim ela vira ''um grande cabide de empregos''? Aliás, esse tipo de problema acontece na esfera privada também."

Cabide de emprego na esfera privada? Você desconhece qualquer atividade empresarial para falar tal bobagem, nunca um empresário faria da sua empresa um cabide de emprego, ele opera com sistema de lucro e prejuízo, ele não pode se dar ao luxo de encher a empresa de empregados ineficientes.
Palavras de um empresário.

"Não, apenas defendo que as nossas empresas não fiquem vulneráveis à imperialistas que jogam sujo contra nós. "

Eles jogam tão sujo, que em países no ranking de abertura comercial, a população paga pelo melhores produtos pelo menor preço. Parece que a UNICAMP(com letras garrafais, por favor), está doutrinando os seus alunos a ter sentimentos nacionalistas que acaba prejudicando justamente quem eles querem proteger: a população.

Obrigado por vir até aqui e comprovar que Roberto Campos sempre esteve certo tanto da UNICAMP(com letras garrafais, por favor) quanto na petrossauro.

Abraço Economista da UNICAMP(com letras garrafais, por favor)
Olá amigos, sou um estudante do ensino fundamental e eu tenho interesse em economia, tenho um irmão mais velho que acompanha o site e sempre me disse que esse era o melhor site para aprender sobre meu interesse. Portanto, gostaria de aprender mais sobre as questões abaixo:
Obs: Gostaria de respostas curtas para maximizar meu aprendizado de forma que eu não acumule muito conteúdo de primeira. Eu tenho um conhecimento prático e limitado sobre a economia, justamente pelos ensinamentos do meu irmão.
Vamos começar.

Questão 1) O que é inflação de demanda?

Questão 2) O que é demanda agregada?

Questão 3) Inflação é sempre decorrente de expansão de crédito?

Questão 4) O que é base monetária?

Questão 5) O que define a taxa de juros em um livre mercado?

Questão 6) Como é definido a taxa de juros atualmente no Brasil?

Questão 7) Aumento na taxa de juros é pelo "risco país"?

Questão 8) Como é determinado o câmbio?

Questão 9) Qual o melhor sistema de câmbio?

Questão 10) Li recentemente em um site que temos 19 montadoras no Brasil, não seria livre mercado(pelo menos no setor automotivo)? (Sei que temos monopólio de fabricante de peças)
Cade acusa Fiat, Ford e VW de monopólio em fabricação de peças

Questão 11) Temos candidatos a presidente que tem como um slogan sob a sua campanha "Abaixar os juros" por um decreto? Isso seria uma decisão ruim ou boa? Não há uma contradição pela questão 7? Dilma dizia que abaixaria os juros e acabou não ocorrendo, pelo contrário, ela aumentou? Por que seria diferente com esse candidato?

Questão 12) Por que abolir o CVM? Qualquer empresa poderia entrar na bolsa sem burocracia estatal, de modo que impulsionaremos nossa economia com as empresas estrangeiras que abririam capital na nossa bolsa? Seria uma medida que o micro-empresário poderia rivalizar com os mega-empresários?

Questão 13) Por que abolir a infraero?

Questão 14) Por que abolir ANVISA?

Questão 15) Qual o potencial do Brasil?

Questão 16) Nióbio ajudaria no nosso desenvolvimento?

Questão 17) Exportação x Importação? Qual o melhor? Por que balança comercial é importante para economistas?
Importação é produtos do estrangeiro que vieram ao Brasil para serem vendidos, mas até onde sei até chegar a loja esses produtos ainda não foram vendidos? Por que os ataques histéricos com essa balança se nem ao menos sabem se o produto foi vendido(até mesmo pelo preço pela taxa de importação)?

Questão 18) Na China existe o trabalho escravo? Encontrei essa matéria de chineses apanhando por mau desempenho no trabalho

Questão 19) Por que a China vai explodir economicamente? Todos dizem que vai ser a maior economia do mundo até 2050, vocês acreditam?

Questão 20) Pelo que obtive do meu irmão, a Índia está fazendo algumas reformas liberais, apesar de tímidas estão ajudando a economia a crescer? Índia não poderia passar a China com essas reformas?

Questão 21) Acumulação de capital x consumismo(explique seus conceitos e qual o mais importante em uma economia)?

Questão 22) O que gera recessão?

Questão 23) O que torna um país rico?

Questão 24) Existe algum limite de crescimento que um país possa se ter? Exemplo do Japão que é do território do MS(Mato Grosso do Sul) pudesse dobrar a sua economia?

Questão 25) Por que a Irlanda cresceu 26% em um ano? Milagre econômico ou livre mercado?

Questão 26) Por que os países de livre mercado são taxados de paraísos fiscais? Hong Kong, Cingapura, Panamá, Ilhas Cayman, Suíça, Luxemburgo e outros? Austrália e Nova Zelândia entrariam nesse conceito?

Questão 27) Por que o Brasil cresceu apenas 4% na média na década passada?

Questão 28) O renminbi poderá passar o dólar como a moeda de troca internacional?

Questão 29) Existe zona de livre comércio em Xangai?

Questão 30) Por que a China tem esse "poderoso" PIB? Como ela conseguiu o tal "milagre"?

Questão 31) Por que o estado mínimo não é necessário?

Questão 32) Forças Armadas estatal x Forças Armadas privada(Qual o melhor e por que)?

Questão 33) Por que a Africa é pobre?

Questão 34) Somália é anarcocapitalista?

Questão 35) Milton Friedman é importante nas matérias econômicas(o que podemos aprender com ele?)?

Questão 36) Mises foi o mais importante economista do século 20?

Questão 37) Keynes x Mises e Keynes x Milton Friedman(maiores diferenças entre eles)?

Questão 38) Keynes é comunista, socialista ou capitalista interventor?

Questão 39) O que causou a Grande Depressão?

Questão 40) Explique o conceito de ciclos econômicos?

Questão 41) Qual a contribuição da Escola Austríaca(EA) nas ciências econômicas?

Questão 42) Qual a posição da EA na colonização de planetas? Ouvi dizer que podemos praticar atividades econômicas nesses planetas com agricultura e mineração(depois da terraformação)?

Questão 43) Meio ambiente x livre mercado(Qual o papel do livre mercado na conservação do meio ambiente)?

Questão 44) Amazônia poderia se internacionalizada por não protegemos nosso patrimônio? Não é agressão internacional para com o nosso país? Estão atrás da preservação ou das riquezas que nós temos no território?

Questão 45) Zona franca de Manaus funciona(qual o papel dela na economia brasileira)?

Questão 46) Empregos se tornam obsoletos enquanto outros surgem, qual a visão dos leitores e dos autores sobre a mineração espacial, internet das coisas e viagem espacial?

Questão 47) Pobreza diminuindo com a expansão do capitalismo, até quando a pobreza absoluta poderá ser erradicada?

Questão 48) De acordo com a revista Veja, se toda a água do planeta fosse representada por 200 litros, 195 litros seria de água salgada. 5 litros seria de água doce, mas a maior parte da água doce está nas geleiras ou em depósitos subterrâneos de difícil acesso, a humanidade tem a sua disposição para consumo apenas o equivalente a 20 mililitros de água. Qual o papel da iniciativa privada nessa questão abordada? Existe o processo de dessalinização em alguns países, mas em mãos do estado. Pelo que eu pude estudar tem inventores que poderiam mudar radicalmente a forma dessa dessalinização tornando a água abundante. Por que o estado não deixa os empresários disponibilizarem essa água para a população?

Questão 49) Os que defendem o controle populacional tem como uma das formas de culparem o capitalismo por tal descontrole. Ma em um país capitalista essa questão é exatamente ao contrário. Por que esses mesmo defensores não defendem o capitalismo, já que se provou um "controle" populacional?

Questão 50) Culpam o capitalismo pela fome do mundo, mas em países capitalistas uma das doenças que mais matam é a obesidade. Não é uma contradição? São hipócritas ou aparentemente sem limites de burrice para denegrir o sistema capitalista?

Questão 51) Já leram o Livro Negro do Capitalismo? É realmente culpa do capitalismo ou ações governamentais que são os verdadeiros culpados? Se é culpa do capitalismo, como um dono de um restaurante em Ohio possa ser culpado pelas mortes no Iraque?

Abraços e em breve farei mais algumas perguntas.
"Concordo que a desigualdade econômica possa ser benéfica socialmente. Porém ainda há pessoas que nem 0,50 centavos tem para sobreviver"

Então a sua preocupação é com a pobreza absoluta e não com a pobreza relativa.

"e mesmo com as políticas assistencialistas do governo não os permitem colocar em condições de consumidores para que possam consumir os serviços ofertados e muitas vezes trabalha não da forma que gosta e sim porque precisa sobreviver."

Essa frase contradiz a primeira. Primeiro você disse que a pessoa não tem nem 1 centavo (0,50 centavo é menos que 1 centavo), e agora diz que ela trabalha naquilo que não gosta.

A pessoa trabalha e não tem nem 1 centavo? Caramba....

Qualquer catador de papel e malabarista de semáforo consegue tranquilamente uns 10 reais por dia.

"Levando em conta que as máquinas tomaram boa parte do trabalho humano"

Desde o século XVIII isso acontece. E novas e mais agradáveis formas de trabalho foram descobertas. E é isso o que continuará acontecendo.

Ou você tem a arrogância da achar que não há mais empregos a serem descobertos e que tudo o que poderia ser inventado já o foi?

"um meio de adaptação seria o "trabalho intelectual""

Não necessariamente. Há hoje vários trabalhos que não podem ser substituídos por máquinas e nem dependem de "trabalho intelectual". Esportes, por exemplo. Professor de ioga. Chef de cozinha. Operador de máquina.

"No entanto contamos com um governo que não oferece ensino público gratuito e outras estratégias para que possam lançar os menos favorecidos ao mercado de trabalho."

Ué, não sei de onde você está teclando, mas, aqui no Brasil, o que não falta é ensino público "gratuito". Do maternal à pós-graduação. E toda a grade curricular é controlada pelo governo. É uma bosta? É. Assim como tudo que o governo faz.

E as pessoas ainda querem mais governo?

"Como então poderia ser resolvida essa questão, preservando a desigualdade econômica mas que possam colocar todos em condições de consumo?"

Explicado no próprio artigo. Quanto maior a oferta de bens e serviços, menores serão os preços deles. Isso está acontecendo desde a década de 1970 nos países ricos. Os preços das coisas só caem. No Brasil isso também poderia acontecer,
mas o nosso governo não deixa.

Se a sua preocupação é com a pobreza absoluta, então você tem de defender medidas que aumentem a quantidade de bens e serviços oferecidos, de modo que os preços deles caiam a ponto de permitir que qualquer um tenha acesso a eles.
"será que o verdadeiro motivo de se combater a acumulação de riqueza (tirando a mera inveja) não seria pelo fato de conhecermos a velha cobiça e ganância que degenera o homem com excesso de poder?"

Deixe-me ver se entendi. Você está dizendo que para combater "a velha cobiça e ganância" temos de dar poderes a políticos e burocratas (que são os seres mais gananciosos e cobiçosos do planeta), os quais irão tomar o dinheiro dos outros e redistribuir este dinheiro entre si? É isso mesmo?

Faz muito sentido.

"O Estado Democrático não mínimo, para fazer frente ao poderio econômico, não seria o mal mínimo preventivo desta desconfiança da "singularidade" da acumulação dos recursos financeiro-econômicos?"

A empiria lhe refuta.

Quem cria cartéis, oligopólios, monopólios e reservas de mercado, garantindo grandes concentrações financeiras, é e sempre foi exatamente o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, TV a cabo, internet, postos de gasolina etc.).

Artigos para você sair desse auto-engano:

Brasil versus Romênia - até quando nosso mercado de internet continuará fechado pelo governo?

A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa - ou: você é pró-mercado ou pró-empresa?

Grandes empresas odeiam o livre mercado

Romaria de grandes empresários a Brasília - capitalismo de estado explicitado

E você ainda diz que é o estado quem vai impedir a concentração do mercado, aquela concentração que ele próprio cria e protege?

Por outro lado, não há e nem nunca houve monopólios no livre mercado. Empiria pura. Pode conferir aqui:

Monopólio e livre mercado - uma antítese

O mito do monopólio natural

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Um Filósofo  18/03/2013 13:55
    Como bom estudioso de Paulo Freire, confesso o ultraje sentido ao ler o artigo. Apesar de uma bela construção lógica, guarda consigo a mesma verdade e coerência com a realidade material que uma obra de ficção fantasiosa. Explico.

    O artigo utiliza como metáfora o pão e o vinho de Cristo, que significam sua carne e seu sangue e simultaneamente são meros pedaços de pão e gotas de vinho. Utilizá-la-ei para refutar o artigo e demonstrar que, na realidade, é pura retórica burguesa.

    O artigo fantasia a desigualdade socioeconômica como justiça e exalta a justiça social como uma ação maligna e violenta através de tímidos imperativos lógicos como a "igualdade de autoridade". Como vinho e pão, aparentam ser um inofensivo protesto lógico pela igualdade. Porém, como carne e sangue de Cristo, são, na realidade, uma retórica burguesa em defesa da desigualdade social, da perpetuação da pobreza e da exploração do pobre.

    O artigo frisa inúmeras vezes que todos os homens nascem com igualdade de autoridade é que violação de tal princípio é violência ou estatismo. Entretanto, será verdade?
    O filho do rei não nascera soberano ao de seus súditos? O filho do líder religioso não nascera soberano ao de seus crentes? O filho do senhor de engenho não nascera soberano ao de seus escravos? O filho do burguês não nascera soberano ao de seus empregados?

    Sobre a violência, tal raciocínio prossegue: Aquela que é feita através da humilhação mental, pressão emocional e cultural(Violência simbólica) de uma população mais pobre e marginalizada educacionalmente visando a adoção dos costumes da elite também não é uma agressão?

    No artigo, apropria-se da igualdade que favorece a burguesia. O estado é a única forma legítima de garantir qualquer tipo de igualdade e providenciar uma vida digna a todos. Negar uma educação pública de qualidade pois tal significaria o uso de um direito abusivo inato do pobre esfomeado sobre o rico que mora em um palácio de ouro é a melhor representação de como as "lógicas" da burguesia operam diferentemente daqueles nascidos em outra classe.

    "O homem é produto de seu meio. Sendo assim, se prevalecer a desigualdade socioeconômica, educacional, cultural, clínica, oportunitativa, resultabilista, geográfica, estética, alimentícia, sexual, socioeconômica e racial; uma classe sempre possuirá autoridade nata sobre a outra."
    _____________________________________________________________________________________
    (Um Filósofo/Típico Filósofo é um personagem humorístico criado com o intuito de satirizar os típicos jargões esquerdistas ouvidos nas escolas, universidades, visitas de supostas espiãs da CIA, reuniões da UJS e no governo. Qualquer semelhança com geógrafos/historiadores/economistas/filósofos/cientistas-sociais reais não é, infelizmente, mera coincidência.)
  • Pedro  18/03/2013 18:10
    O artigo apenas pondera que igualdade de autoridade e igualdade socioeconômica são incompatíveis. Como você responde a essa questão colocada no texto:

    "Desigualdade de autoridade é muito mais ofensivo, do ponto de vista moral, do que a mera desigualdade socioeconômica; logo, sempre que demandas por igualdade socioeconômica entrarem em conflito com demandas por igualdade libertária — algo que geralmente ocorre —, deve-se dar preferência a esta última.

    Os igualitários socioeconômicos comprovam — se não por suas palavras, por suas ações — que eles consideram a desigualdade de autoridade um mal maior do que a desigualdade socioeconômica. A maioria dos igualitários socioeconômicos que conheço certamente ficaria mais ultrajada em ser assaltada por um colega do que em saber que tal colega está recebendo um salário maior. Logo, na prática, eles claramente reconhecem qual destas desigualdades é um mal maior. Com efeito, a maioria dos igualitários socioeconômicos conduz suas interações pessoais diárias de acordo com uma escrupulosa aderência a princípios libertários, e espera receber o mesmo tratamento em retorno."

    ??
  • K. Lincoln  18/03/2013 18:20
    "(Um Filósofo/Típico Filósofo é um personagem humorístico criado com o intuito de satirizar os típicos jargões esquerdistas ouvidos nas escolas, universidades, visitas de supostas espiãs da CIA, reuniões da UJS e no governo. Qualquer semelhança com geógrafos/historiadores/economistas/filósofos/cientistas-sociais reais não é, infelizmente, mera coincidência.)"



    Mas fala sério, não sei como o Filósofo aguenta fazer isso em todo santo texto...
  • Andre Cavalcante  18/03/2013 20:24
    "O homem é produto de seu meio. Sendo assim, se prevalecer a desigualdade socioeconômica, educacional, cultural, clínica, oportunitativa, resultabilista, geográfica, estética, alimentícia, sexual, socioeconômica e racial; uma classe sempre possuirá autoridade nata sobre a outra."

    Esse é o ponto. Se a igualdade não for de autoridade, sempre haverá uma forma de desigualdade, de discriminação. Somente com uma igualdade de autoridade é que será possível se alcançar todas as outras. O erro do pensamento é tomar o efeito pela causa. O pobre é pobre não porque há ricos, mas porque a própria lei impede que ele possa se tornar, um dia, rico. A mulher é tratada diferente do homem porque a própria sociedade encara a mulher como subordinada daquele. Só no momento em que se encarar sobriamente a realidade que ambos tem a mesma autoridade para decidir sobre as suas vidas, não haverá mais essa subordinação.

    A causa é a igualdade de autoridade, o efeito, as demais igualdades. Não é com leis que são impostas que se consegue tal igualdade, justamente porque impor algo indica necessariamente a existência de alguém ou um órgão ou conjunto de pessoas que terão a desigualdade de autoridade para impor as demais leis de igualdade (socioeconômica, racial etc.). Logo, a base para se conseguir a maior (e melhor) de todas as igualdades é a quebra da autoridade entre os homens (= todos terem os mesmos direitos e deveres, inclusive o direito de não se subordinar a ninguém)
  • Helen Sousa  13/01/2014 23:14
    Um Filósofo, você salvou a minha leitura. Fé na humanidade restaurada, muito obrigada.
  • anônimo  14/01/2014 09:17
    Coitada dessa sua fé hein...

    (Um Filósofo/Típico Filósofo é um personagem humorístico criado com o intuito de satirizar os típicos jargões esquerdistas ouvidos nas escolas, universidades, visitas de supostas espiãs da CIA, reuniões da UJS e no governo. Qualquer semelhança com geógrafos/historiadores/economistas/filósofos/cientistas-sociais reais não é, infelizmente, mera coincidência.)

    ...mas faz sentido, esquerdista é isso mesmo, nem ler sabe.
  • Johnny Jonathan  18/03/2013 14:03
    Muito bom o texto. Parabéns ao Mises Brasil pela tradução.
  • Gustavo  18/03/2013 14:57
    Excelente artigo do Long. Que venham outros!
  • Ali Baba  18/03/2013 15:04
    Esplêndido artigo! Fantástica defesa da igualdade como derivada da liberdade e cheio de argumentos que, de fato, podemos usar em um debate com os estadistas e coletivistas em geral. Particularmente, a contradição intrínseca dos que são contra a violência advogarem a violência estatal para obrigar o desarmamento de cidadãos pacíficos é primorosa.
  • ... e os 40 ladrões  18/03/2013 17:42
    concordo
  • saoPaulo  19/03/2013 22:43
    Alguém não entendeu o texto. O autor é claro ao afirmar que a liberdade advém diretamente da igualdade de autoridade.
  • Ivan Eugenio da Cunha  18/03/2013 16:16
    Coloco esse artigo como um dos melhores que já li aqui. Absolutamente claro e com um raciocínio impecável.
  • Aline  18/03/2013 19:57
    Não é desejável nem total liberdade nem total igualdade. As duas coisas são importantes e por isso deve se buscar equilibra-las.
  • saoPaulo  19/03/2013 23:10
    Mais alguém não entendeu o texto. O autor fala, obviamente, de liberdade negativa: ninguém tem o poder de lhe impor algo por coerção, contra a sua vontade, desde que você não tente impor algo a outrém por coerção. Se você acha que isso não é desejável e quiser se ajoelhar a quem quer que seja, fique à vontade, mas não venha tentar me convercer de que eu também sou obrigado a me ajoelhar.

    Outro exemplo: Todos têm direito à moradia.

    direito negativo: fulano tem o direito a obter sua moradia honestamente, e ninguém pode impedí-lo disso.

    direito positivo: fulano tem o direito de ter sua moradia, mesmo que terceiros tenham que pagar por isso.

    Libertários discordam do segundo caso, pois necessariamente alguém deve ser coagido a se responsabilizar pela compra da moradia para fulano.

    E, novamente, se você acha que é justo abdicar de um pouco de liberdade para aumentar aquilo que você denomina igualdade, excelente! Doe seu diheiro, faça trabalho voluntário, tente convencer o maior número possível de pessoas a entrar na sua causa. Nenhum libertário tentará pará-la. Só não venha apontar uma arma para nossas cabeças e querer nos obrigar a fazer a sua vontade.

    Não estou dizendo que é o seu caso, mas a maioria das pessoas que vem com esse papinho de "igualdade" não move nem moveriam um dedo para ajudar o próximo, só defendem isso pois sabem que o grosso dos recursos não sai dos seus bolsos. É fácil amar a humanidade, o difícil é amar o próximo...
  • Anonimo  18/03/2013 20:10
    Como, em uma sociedade anarco-capitalista, funcionaria o sistema judiciário?
    Por exemplo, se eu quiser processar você por roubo, no tribunal do meu irmão(com você sendo inocente e nós querendo tirar proveito de você). Sou eu, o suposto injustiçado que escolho o tribunal e o acusado é obrigado a acatar, ou o acusado tem o poder de veto? No primeiro caso haveria muitas injustiças, no segundo, total impunidade. Quem escolhe em que tribunal as pessoas serão julgadas? E não adianta dizer que hoje em dia nós também não escolhemos em que tribunal seremos julgados, eu sei disso, mas quero visualizar como funcionaria em um anarcocapitalismo.
    Obrigado
  • Lopes  18/03/2013 20:36
    Sendo seu questionamento intuitivo e comum na comunidade, receio já existirem inúmeros artigos nesta sessão que possam respondê-lo:

    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=16

    Preferencialmente, estes:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=948
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=685
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=605 (Importantíssimo)

    Bem-vindo.
  • Renan Fernandes  18/03/2013 20:19
    Este foi o melhor e mais elucidativo texto que este site expôs, em minha opinião.
  • E.V.  18/03/2013 21:04
    Boa!

    Mises Brasil deveria postar mais textos do Roderick Long. O cara é genial.
  • "Advogado" de Keynes  18/03/2013 22:51
    [OFF-TOPIC]
    Leandro e usuários, boa noite. Venho acompanhando o estudo econômico austríaco há poucos porém significativos meses(Aproximadamente, 14), entretanto, sempre tentei realizar análises mercadológicas sobre uma visão de laissez faire, tendo encontrado na literatura do IMB uma preciosa fonte para argumentação.

    Entretanto, recentemente, decidi conhecer o outro lado da moeda. Durante meu período universitário, costumava rir dos inimigos imaginários(Liberais loucos pela adoção do terrível livre-mercado e culpados pelas crises financeiras) inventados pelos futuros filósofos, professores e sociólogos do país. Muitas vezes, senti-me de tal forma ao ler refutações de propostas keynesianas escritas por austríacos. Com exceção de Paul Krugman, quem é cansativamente derrotado semanalmente por algum economista da escola austríaca, noto pouquíssima influência de qualquer intelectual keynesiano nas esferas políticas brasileira e americana; no estudo de economia das universidades brasileiras, vejo absurdos, porém poucos deles podem ser de fato creditados a Keynes. Na realidade, parece ser senso comum no estudo econômico que o keynesianismo "morreu" em 1970 devido à inflação de custo que fora supostamente causada pelo aumento do preço do petróleo. Conversando com um amigo israelita que é estudante de economia por lá, confirmou-se minha suspeita.

    Perdoe-me pela certa arrogância, mas costumo ter a sensação de que Keynes meramente serviu como apologista de uma política fiscal e monetária já existente e praticada pelos estados como de praxe. Venho realizando a leitura de Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda(Livro que alçou Keynes à fama). A expansão de crédito que gerou a crise de 29, por exemplo, fora realizada antes da publicação de tal obra e por motivos semelhantes. Perdoe-me por algum ocasional achismo, porém questiono se Roosevelt, Carter, Obama e as autoridades econômicas de seu tempo trataram de fato as opiniões de algum keynesiano com seriedade antes de colocarem sua agenda em pauta.

    Minha humilde tese(Ainda não completamente fundamentada, apenas esperando a derrota que sofrerei da comunidade) é simples: As políticas de estímulo que dão origem a ciclos econômicos e expansão de gastos estatais antecedem Keynes(O que é óbvio) e sempre agiram independentemente do pensamento econômico de seu tempo até os dias de hoje, tendo servido os economistas do mainstream como meros apologistas dessas. Quando perguntado "quem foram os Friedmans keynesianos que dirigiram as políticas monetárias e fiscais dos EUA durante o século XX", costumo não possuir em mente qualquer economista de grande relevância.

    Peço novamente perdão por estar advogando por Keynes e de certa forma, inocentando-o acidentalmente do título de ser o maior destruidor das ciências econômicas universitárias e do laissez faire. Espero que compreendam e solucionem minha posição. Talvez, o problema esteja no fato de eu não estar sendo capaz de identificar alguma correlação entre o conhecimento acadêmico obtido por Mantega na faculdade e o keynesianismo. Receio que venho tendo dificuldades para observar a influência de Keynes tanto nas atividades dos governos recentemente como naquilo que vem sendo ensinado aos jovens economistas.
  • Leandro  18/03/2013 23:50
    Mas você está correto, nobre causídico. De fato, não há absolutamente uma única ideia original em A Teoria Geral de Keynes. Tudo foi uma requentada de ideias de Silvio Gesell e de outros malucos do século XIX. A Teoria Geral é um trabalho convoluto e rocambolesco justamente porque foi escrito às pressas apenas para dar uma justificativa mais acadêmica para as insensatezes que os governos da época começaram a adotar corriqueiramente. Todas as ideias contidas no livro já estavam sendo implantadas por alguns governos da época.

    Sobre o resto de suas considerações pertinentes, recomendo estes artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1499

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1390 (seção "Friedman, e não Keynes")
  • Felix  19/03/2013 12:27
    Concordo,
    Keynes foi só uma desculpa para exercer uma política conveniente
  • Marcio  19/03/2013 00:51
    Devo dizer que esse artigo é inspirador. Acho que foi um dos melhores que já li.
  • Guilherme  19/03/2013 12:25
    "Nada a ver com o artigo"

    Existe algum material que fala sobre o Desemprego Estrutural? Alguem poderia me passar os links...

    Desde ja agradeço !!!
  • Bernardo Santoro  19/03/2013 12:32
    Já tinha lido esse texto no Mises americano. Ele é realmente fantástico, e de certa forma destrói o velho argumento conservador (muito bem construído, por sinal) contra os libertários no sentido de que a liberdade é um valor de meios e não de fins, e que não poderia portanto validar um sistema de justiça.

    Talvez o mundo libertário ainda não tenha dado a esse artigo o valor que ele merece, pois ele realmente fecha a teoria de justiça libertária, estando a liberdade individual como causa, a igualdade de autoridade como fim e a fraternidade voluntária como efeito.

    Com isso, a teoria de justiça libertária seria única pois seus três elementos interagem e se complementam, ao contrário de outras teorias da justiça estatistas em que um dos elementos sempre entra em contradição com outro, havendo a necessidade de "ponderação", que na verdade é, em regra, a negação de um dos elementos.
  • Matheus  19/03/2013 14:45
    Excelente texto! Denso e esclarecedor! Melhor aproveitado por quem já possui alguns estudos no assunto.

    Só não entendo porque chamar "socialistas" de "igualitários socioeconômicos". Poderia ter dado nomes aos bois, oras! hehe Mas, não tenho do que reclamar, baita texto!
  • Johnny Jonathan  23/03/2013 01:26
    Ele chamou assim pro bem do texto, que fala sobre igualdade. Sociais-democratas são "liberais positivos", se tiver um texto falando de liberdade, ele seriam chamados assim.
  • André Luiz S. C. Ramos  20/03/2013 03:32
    Finalmente arrumei tempo para ler o texto todo com calma.
    Realmente, uma maravilha de texto do Roderick Long, com passagens para serem guardadas e citadas constantemente.
    Impressionante.
  • Bernardo F  21/03/2013 01:21
    De fato, um dos melhores artigos que eu li por estas plagas.
  • Andre  24/03/2013 00:10
    Muio bom.
    Igualdade de autoridade é um ponto de parida muito bom para iniciar uma argumentação à favor do libertarismo.
  • Johnny Jonathan  27/03/2013 02:48
  • Angelo T.  28/03/2013 16:38
    Texto excelente!
  • anônimo  28/03/2013 17:37
    Quando eles desistem da igualdade começam a falar em 'tratar igual os desiguais'
    Quando desistem de acabar com a pobreza, porque o mercado já fez isso, começam a falar em tirar o dinheiro do 'top one percent'
  • B.  05/03/2014 05:51
    " Assim, comparada à igualdade legal, a igualdade socioeconômica, não obstante as arrojadas alegações de seus partidários, não representa nenhum desafio adicional ao poder vigente. Ambas as formas de igualdade apelam a esta estrutura de poder para que ela tome determinadas medidas; e, ao fazerem isso, ambas pressupõem — na verdade, pedem por — uma desigualdade de autoridade entre aqueles que administram o arcabouço legal e aqueles que são os administrados."

    Alguém pode me dar algum exemplo de como ambas formas de igualdade pressupõem tal desigualdade de autoridade? Isto não ficou muito claro para mim.

    Grato.
  • marcos  03/04/2014 21:35
    Comprei um carro e concessionária me entregou outro. Ela diz que está certa e que eu me enganei. Fui "injustiçado". Classificá-la como fora da lei, promover seu ostracismo resolverá o meu problema?
  • Ricardo  03/04/2014 21:43
    Embora você tenha inventado um exemplo absurdo, não entendi qual seria o busílis neste caso. Houve uma clara quebra de contrato. E o aparato judicial (público ou privado) serve justamente para arbitrar quebras de contrato.

    A questão da obediência a contratos é um dos pilares fundamentais de qualquer arranjo civilizacional. Se você acha que liberais são contra o uso do judiciário para arbitrar quebras de contrato, você simplesmente não entendeu o mais básico da teoria.

    No mais, dado que, no atual arranjo, o estado detém o monopólio do setor judiciário, então você não terá outra opção que não seja recorrer a ele. Boa sorte e espere deitado.
  • marcos  04/04/2014 15:33
    mas e a "desigualdade de autoridade" do judiciário jovem?
  • Ricardo  04/04/2014 15:57
    O que seria um "judiciário jovem"? Desconheço. Seria um judiciário composto majoritariamente por magistrados jovens? Isso seria bom? Por quê?
  • marcos  07/04/2014 13:01
    mas e a "desigualdade de autoridade" do judiciário, jovem?
    mas, jovem, e a "desigualdade de autoridade" do judiciário?


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