O Brasil no caminho da servidão - e conduzido por um animador de circo
por , terça-feira, 29 de maio de 2012

versão para impressão


aocbw.jpgA quantidade de medidas totalitárias editadas pelo atual governo, e o ritmo em que elas são produzidas, é certamente um recorde na história da nação.  Não há absolutamente uma só semana em que não haja pelo menos três notícias que explicitem a concupiscência de poder do atual governo.  Ainda pior do que as medidas em si, é ver a mídia propagandeando tais medidas de maneira quase jubilosa, para não dizer exultante.

Ainda na década de 1940, Mises ensinou que, em economia, não há meio termo.  No final, ou você tem uma economia genuinamente livre ou você tem uma economia totalmente controlada.  Políticas intervencionistas, por mais pontuais que comecem, inevitavelmente levam a uma economia sob total controle do governo.  Leva-se tempo, é claro, mas o destino final é um só.  No Brasil, no entanto, a coisa vai degringolando em um ritmo tão alucinante, que o próprio Mises ficaria espantado.

Santo Agostinho, em seu livro A Cidade de Deus, já explicava por que o poder político é corrupto e corruptor.  O poder político gera aquilo que o teólogo e filósofo chamou de libido dominandi, a lascívia para dominar e controlar cada aspecto da vida alheia.  Esta é a essência da política, é o que impulsiona e excita todos os políticos.  A cidade dos homens é governada pela luxúria do poder, e o poder tem esta capacidade de embevecer os meros mortais.  Não é de se estranhar, portanto, que até mesmo pessoas geralmente boas se corrompam e adquiram propensões ditatoriais tão logo entrem para o estado.

A seguir, os três mais recentes exemplos da libido dominandi emanada de Brasília.

Receita Federal intensifica fiscalização nos aeroportos brasileiros

A bagagem agora passa por uma vistoria, ainda na pista do aeroporto, enquanto o passageiro desembarca.

A reportagem mostra, com o costumeiro brilho nos olhos dos jornalistas e com uma incontida exultação em sua narração, o mais novo esquema totalitário da Receita: as malas de todos os passageiros, imediatamente após serem retiradas do compartimento de bagagens dos aviões, são vistoriadas por um scanner móvel da Receita Federal, instalado dentro de uma van.  Como diz a reportagem:

Enquanto desembarcam, a bagagem [dos passageiros] passa por um scanner móvel da Receita Federal instalado em um veículo. Um funcionário da Receita monitora cada uma das malas.

Com o raio-x é possível ver a quantidade, o formato dos objetos e saber se são de metal, vidro, plástico ou material orgânico. O Aeroporto Internacional de São Paulo tem dois desses equipamentos, que são usados para vistoriar parte ou toda a bagagem do voo. Com essa ajuda, este ano aumentou em 100% o número de pessoas autuadas. Bagagem suspeita é separada e depois aberta na presença do passageiro.

"Quando o passageiro recebe a sua mala, ela já foi fiscalizada e o passageiro, então, vai mais rápido passar pela alfândega", explica André Luiz Martins, auditor da Receita Federal.

E o que seria uma "bagagem suspeita"?  Segundo a reportagem, bagagens contendo elementos de altíssima periculosidade, como roupas, relógios, remédios e suplementos alimentares.  Itens sem dúvida capazes de colocar em risco toda a segurança nacional.  Imagine trazer um remédio para a avó doente?  Não pode.  Só pode comprar das farmacêuticas brasileiras protegidas pela ANVISA.  Blusa comprada em Miami?  Sem conversa.  O certo é comprar apenas nos caríssimos Shoppings nacionais, para ajudar a mundialmente famosa indústria de roupas do país.

Para não dizerem que exagero, eis a justificativa oficial para a fiscalização do volume de roupas comprado lá fora:

Segundo a Receita Federal, o brasileiro só leva em conta o limite de US$ 500 em compras por pessoa e se esquece que também existe uma regra para a quantidade de mercadorias. O passageiro pode trazer 20 itens de até US$ 10 e 20 itens acima de US$ 10. A Receita diz que a fiscalização está mais rigorosa para evitar que as pessoas comprem lá fora para revender aqui.

Já pensaram numa coisa dessas?  Comprar lá fora pra revender aqui dentro, porca miséria!  Quem este povo pensa que é para cometer tamanha ousadia empreendedorial?  E aquela tal Constituição?  Ela não assegura o direito à livre iniciativa?  Se eu trouxer uma camisa pólo da Ralph Lauren e quiser revendê-la para o meu vizinho, o governo agora pode me proibir deste simples ato de troca?  Por quê?  A reportagem não informa.  Ela já parte do pressuposto de que, se o governo está fazendo isso, então é porque é para o bem de todos.  O governo é aquela entidade inquestionável.  Se ele decreta algo, então não pode haver discordância.  Ele está sempre certo.  Ao que tudo indica, o genial Antônio Carlos Bernardes Gomes, mais conhecido como Mussum, ainda na década de 1980, prognosticou corretamente esta mentalidade do brasileiro em relação ao governo.

Por fim, ainda insistindo nessa tal Constituição, ela também não garante o direito à privacidade?  Sair xeretando o que há dentro da mala de passageiros de avião não seria um aviltamento deste direito?

 

Passemos agora para a segunda medida totalitária da semana, desta vez anunciada pelo sempre pândego Guido Mantega (até quando este indivíduo ficará na Fazenda?).  Eis alguns trechos, comentados, de sua entrevista à Folha de São Paulo neste último fim de semana.  Mantega, como sempre, vai de vermelho.

guido-mantega-brasilia-20110426-16-size-598.jpegMantega quer que bancos baixem juros em até 40%

Ministro dá um mês para redução das taxas cobradas no sistema financeiro

Fazenda diz que vai fiscalizar cobrança de tarifas para evitar que elas subam para compensar juro menor

BANCOS E JUROS

Os bancos privados estão se organizando. Em mais um mês, tudo isso tem que estar rodando. Temos uma pesquisa semanal do Banco Central que mostra a taxa de juros que está sendo cobrada e o volume de crédito liberado. Se os bancos privados reduzirem 30%, 40% e aumentarem o volume, 30%, 40%, já estarão prestando um serviço à economia. Nossa intenção é ter um acompanhamento semanal dessa história. E eu vou cobrar.

Sujeito macho, hein?  "Vou cobrar!" Fica a pergunta: ou os bancos reduzem os juros ou... ou o quê?  O que Mantega fará?  Apontará o dedo indicador e chamará os banqueiros de bobos e feios?  Dará três pulinhos irritadiços?

Ademais, por que esta repentina tara com os juros cobrados pelos bancos?  Hoje, os juros para pessoa física (linha vermelha abaixo) estão em níveis bem menores do que na época da "economia bombante" de 2007 e 2008, e também menores que em 2011.  Para as pessoas jurídicas, os juros atuais estão maiores apenas que os de 2007, o que significa que os juros maiores de 2008, 2009 e 2010 não impediram o "vigor" da economia à época.  Em 2011, quando os juros eram bem maiores que os atuais, o governo não parecia ter se incomodado muito.  E, aparentemente, os resultados não foram catastróficos.

Taxade juros1.png

Por que os juros altos daquelas épocas foram bons mas os baixos de hoje são ruins?  Se juros reduzidos à canetada fossem algo saudável para uma economia, EUA e Europa, que hoje estão com juros negativos (o sonho de Mantega), estariam importando empregos e investimentos.

O que Mantega parece não entender — aliás, tenho certeza de que ele não entende nada — é que reduções de juros e concessão de crédito farto e barato não geram crescimento econômico.  Crescimento econômico depende de acumulação de capital e de poupança; distribuir crédito a rodo faz apenas com que haja consumismo, endividamento e aumento de preços.

"Ah, mas juros baixos estimulam o investimento!", gritam os keynesianos.  Sim, estimulam.  Estimulam investimentos insustentáveis, para os quais não há genuína demanda.  Tais investimentos terão dois destinos: ou não serão completados — porque os custos subirão além do previsto, graças ao crédito farto direcionado para a área — ou, se forem, não terão consumidores para seus produtos, pois o crédito farto endividou a população a tal ponto, que seu poder de compra ficou debilitado.  EUA e Europa passam por uma mescla destas duas situações.  O Brasil está na segunda.

Mantega exige que os bancos reduzam os juros?  Ok.  Nós, cidadãos brasileiros, exigimos que o governo reduza seus gastos, seus impostos, sua burocracia e suas regulamentações.  Mantega aceita essa nossa exigência?  Eu a acho muito justa. Se ele quer mandar nos bancos, nós queremos mandar no governo.  É a tal da democracia, certo?  "E nós vamos cobrar".

TARIFAS BANCÁRIAS

Eu vou fiscalizar a tarifa. Temos um sistema para fiscalizar isso. Os bancos públicos têm 44% do mercado interno. Isso se chama concorrência. Se eles [bancos privados] bobearem, a concorrência vai pegar os clientes. Acho que ninguém quer perder cliente.

Em primeiro lugar, falar que entidades estatais geram concorrência é, no mínimo, um aviltamento ao bom senso.  Entidades estatais gozam de privilégios governamentais — como, por exemplo, financiamento infinito garantido via impostos — que entidades privadas não possuem.  Tal concorrência é suja; nunca é de livre mercado.  Se os bancos privados forem idiotas ao ponto de concederem crédito farto para uma população já endividada e com níveis recordes de inadimplência, todo o sistema bancário estará a perigo, pois os calotes serão inevitáveis.  E, em um sistema bancário de reservas fracionárias, calotes geram efeitos múltiplos sobre todos os bancos.  Não são um fenômeno que pode ser contido a apenas um banco.

Não é possível que nem os atuais exemplos práticos da Grécia e da Espanha — cujos bancos estão completamente insolventes por causa de calotes, necessitando de contínuos pacotes de socorro de seus respectivos governos — são capazes de despertar o bom senso, esta entidade completamente adormecida, em Mantega.

Veja a que ponto chegamos: temos de ficar na torcida para que os bancos, contra os interesses do governo, se contenham e evitem a expansão de sua carteira de crédito, algo que também vai contra seus imediatos interesses lucrativos.  Ao mesmo tempo, temos um governo que praticamente os obriga a ser mais temerários, a saírem emprestando para qualquer pessoa, sem nenhuma consideração para com risco ou histórico de crédito.  E tudo isso apenas para garantir uns décimos a mais no PIB.

Quando a solidez da economia de um país passa a depender de os bancos terem de se conter para não mais aumentarem seus empréstimos, mesmo sendo estumados a isso por um lunático com amplos poderes, apenas uma deidade infinitamente poderosa pode nos salvar da catástrofe.

"LEVANTADOR DE PIB"

Não tenho característica de animador de auditório. Não tenho essa virtude, essa qualidade. Agora, levantador de PIB é a minha função desde que eu assumi. Eu me considero um "levantador de PIB".

Mantega é modesto.  Animador de auditório é muito pouco para suas reais capacidades cênicas e seu humor involuntário.  Um animador de circo — que, além de fazer palhaçadas e executar atos extremamente perigosos, também dialoga com quadrúpedes — seria uma descrição mais acurada.

DEMANDA SEM FÔLEGO

Acho isso quase uma piada. O endividamento das famílias brasileiras é dos menores do mundo. Sabe qual é o comprometimento de orçamento das famílias brasileiras [com o pagamento de dívidas]? Em torno de 20% a 22%. Sabe quanto é nos Estados Unidos? Na maioria dos países, é acima de 80%. Nós somos o lanterninha em termos de endividamento.

Ou Mantega não sabe analisar gráficos ou ele acintosamente faz chacota com a imprensa, sabendo que ela é preguiçosa demais para ir conferir a veracidade de seus despautérios.  Se, por um lado, o dado de 22% (comprometimento do orçamento das famílias brasileiras com o pagamento do serviço da dívida) está correto, a afirmação de que tal valor nos EUA é de 80% faz de Mantega um absoluto desinformado, alguém despreparado para gerenciar sequer um clube de futebol de botão.

O gráfico abaixo mostra duas variáveis.  A linha vermelha mostra o "comprometimento do orçamento das famílias americanas com o pagamento do serviço da sua dívida".  Ou seja, exatamente a mesma variável utilizada por Mantega para o Brasil.  Imediatamente antes da crise, o valor era de 14%.  Hoje está em 11%.

Já a linha azul mostra as obrigações financeiras das famílias americanas em relação ao seu orçamento.  Imediatamente antes da crise, o valor estava abaixo de 19%.  Hoje está em 16%.

fredgraph1.png

Qualquer uma destas duas variáveis é melhor do que a realidade brasileira de 22%.  Embora o endividamento total — quesito este em que os americanos são imbatíveis — seja importante, o fardo de tal endividamento sobre as famílias é algo tão importante quanto.  É ele quem determina a capacidade de consumo das famílias.  Uma coisa é você ter uma dívida de $100.000, uma renda anual de $100.000 e gastar apenas $11.000 (11% da renda) anualmente com o serviço da sua dívida.  Outra coisa é você ter uma dívida de $25.000, uma renda anual de $50.000 e gastar os mesmos $11.000 (22% da renda) anualmente com o serviço da sua dívida.  O orçamento da segunda família é claramente mais apertado.

Mas Mantega diz que falar isso é "quase uma piada".  De fato, para um animador de circo, qualquer má notícia vira coisa jocosa.

Em segundo lugar, a economia brasileira continua gerando empregos. Massa salarial é capacidade de consumo. Como a economia já está voltando a acelerar, o crédito está voltando a ser liberado. No mês de abril, houve um aumento de 8% no crédito de pessoa física e 4,5% no de pessoa jurídica. Está dando certo. Vai funcionar.

Se a economia está voltando a acelerar, então por que tamanha preocupação em soltar crédito a rodo e reduzir juros?  Mas é assim que funciona o pensamento econômico de Mantega: ele sonha com umas medidas intervencionistas, decide aplicá-las, cruza os dedos e torce: "Está dando certo. Vai funcionar".  É com este raciocínio apurado que alguém vira Ministro da Fazenda.

INFLAÇÃO EM 2012

Será menor que a do ano passado. Por enquanto, está na casa do 5,2%, 5,1%. No ano passado, foi 6,5%. Se ficar onde está, fica bom para nós.

Já que Mantega gosta de se imaginar no controle da inflação — atribuição do Banco Central —, então é justo analisarmos seu histórico.  Mantega assumiu o Ministério da Fazenda no início de 2006.  Sem ter muita autoridade à época, os estragos demoraram um pouco para surgir.  A inflação de preços daquele ano foi de 3,14%.  Em 2007, foi de 4,45%.  Em 2008, foi de 5,90%.  Em 2009, 4,31%.  Em 2010, 5,91%.  E em 2011, 6,50%.  Considerando adicionalmente a inflação acumulada até agora em 2012, temos que, sob Mantega, a inflação acumulada foi de 36,7%.  Em meros seis anos!

Um país como a Suíça, com sua taxa de inflação de preços de menos de 2%, levaria 16 anos para fazer o mesmo estrago que Mantega consegue fazer em apenas seis.  O "levantador de PIBs" é, na realidade, um "destruidor de moedas" três vezes mais eficiente que um suíço.  Disso ele pode se gabar.

LULA X DILMA

A [presidente] Dilma [Rousseff] é mais um estilo técnico. É economista. O presidente Lula tem mais da classe política. Tem mais semelhança do que diferença entre os dois. Um governo é continuação do outro.

É claro que a Dilma tem a vantagem de que ela fez o aprendizado. Passou oito anos com o presidente Lula e com isso aprendeu um monte de coisa. Ficou preparada.

Segundo Mantega, a grande qualidade de Dilma é que, tudo o que ela sabe, ela aprendeu com Lula.  Isso é reconfortante.

 

Já o último totalitarismo da semana é do tipo capaz de fazer o mais desinformado e indiferente dos cidadãos ter aquela inaceitável e ingênua ideia de que o governo parece, afinal, ser formado por pessoas intelectualmente disfuncionais.

DilmaMantega.jpgDilma quer abrir 'caixa-preta' de montadoras e cortar lucros

Governo avalia que dá incentivos ao setor sem conhecer sua situação financeira

Para o Planalto, as margens de lucro são altas e deixam os carros nacionais muito caros em relação aos demais

Após a batalha da presidente Dilma Rousseff contra os juros dos bancos, o governo abrirá em breve outro front: quer que as montadoras de veículos no país abram as contas e margens de lucro.

O Executivo avalia que dá incentivos a um setor sem conhecer a real situação financeira das fabricantes. Por isso, deseja "sair do escuro" e, eventualmente, cobrar reduções mais agressivas de preços, sobretudo, quando houver incentivos federais, como os anunciados na segunda.

Por lei, companhias de capital fechado, a maioria do setor, não são obrigadas a divulgar seus balancetes.

Interlocutores de Dilma disseram à Folha que, após as medidas emergenciais para reduzir os estoques de carros, o próximo passo é atuar para, se for o caso, reduzir o "spread" das montadoras.

Trata-se de uma investida semelhante à do Planalto junto aos bancos, ação que teria rendido, conforme pesquisas extraoficiais de opinião, alguns pontos percentuais a mais na aprovação de Dilma.

Procurada, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automores) não quis se pronunciar.

Integrantes da cúpula do governo estão convencidos de que o carro brasileiro é caro não só pelo elevado nível de imposto (cerca de 30%, conforme Anfavea). Afirmam que, se os custos nacionais são altos, a margem de lucro das fabricantes também é. Em 2009, sob o impacto da crise externa, houve prejuízo das montadoras em suas sedes, mas não no Brasil.

Representantes do setor serão chamados a Brasília para negociar a abertura de contas, e medidas legais podem torná-la obrigatória. O clima não é de guerra, mas a diferença de preços de carros no país e no mundo incomoda.

Na Argentina, o Renault Duster 2.0 4x4 é vendido pelo equivalente a R$ 56.883. No Brasil, custa R$ 61.470. Em parte, essa diferença é explicada pela carga tributária e pelo "custo Brasil" (logística e mão de obra). Mas estudos de consultorias apontam lucro até duas vezes superior à média mundial.

 

Adamastor.jpgQueimei alguns neurônios tentando inventar alguma tirada sarcástica, irônica ou bem humorada para comentar isso, mas confesso o fracasso.  Este é exatamente aquele tipo de notícia que, se fosse inventada, não teria graça, e o piadista seria chamado de raso, previsível e supérfluo.  O governo consegue a façanha de fazer com que algo que não seria aceito nem como uma piada de Adamastor Pitaco seja transformado em política séria.

Como assim?  Primeiro o governo aumentou as tarifas de importação dos automóveis, com o intuito exclusivo de encarecê-los.  Depois, ainda não satisfeito, partiu para revisões de acordo de importação com o México, dificultando ao máximo a compra daqueles automóveis de maior qualidade lá produzidos.  Após ter fechado o mercado e garantido o total monopólio das montadoras nacionais, o governo agora se diz surpreso com os altos lucros das montadoras.  Quem poderia prever isso?

Aí, em vez de abrir novamente o mercado, reduzir as tarifas de importação e permitir a concorrência, algo que, além de automaticamente reduzir os preços dos carros nacionais, seria extremamente salutar para toda a economia, qual a solução preferida do governo?  A quase-estatização das montadoras.  Este seria, como hilariamente colocou Roberto Campos,

o triunfo definitivo do burocrata sobre o mercado, coisa plenamente justificável à luz da melhor informação, maior sensibilidade social e superior velocidade de reação, características das entidades governamentais.  Isso faz emergir uma nova classe sociológica, dotada do poder de vida e morte sobre as empresas — a dos "tabuladores".

Portanto, eis a situação: no espaço de uma semana, o governo passou a confiscar roupas de passageiros em aeroportos, tornou-se o gerente de todos os bancos e decidiu assumir a contabilidade das montadoras, pois as mesmas, que operam sob um mercado fechado pelo próprio governo, estão com uma margem de lucro "estranhamente" alta. 

Destaque para o trecho: "Representantes do setor serão chamados a Brasília para negociar a abertura de contas, e medidas legais podem torná-la obrigatória. O clima não é de guerra, mas a diferença de preços de carros no país e no mundo incomoda."

Criar leis para obrigar empresas que não têm nenhuma obrigação de mostrar suas contas a mostrarem suas contas não é "um clima de guerra".  Não.  Na verdade, é apenas uma medida para aliviar um "incômodo".  O governo cria intervenções que geram consequências inesperadas (inesperadas apenas para os iluminados que habitam aquela organização), e decide então recorrer a intervenções ainda mais violentas para "sanar" as consequências não previstas das intervenções anteriores.  E esta sequência de intervenções adquiriu um ritmo espantoso no Brasil dos últimos 3 anos.  É difícil imaginar hoje um setor da economia que não esteja sob o total controle do governo.

Tudo isto que estamos vivenciando apenas confirma as constatações de Mises e Santo Agostinho: o intervencionismo, de início pontual, vai se espraiando por toda a economia, atiçando a libido dominandi dos burocratas, até chegar a um ponto em que tudo passa a ser controlado ditatorialmente pelo governo. 

E ainda há gente que diz que Mises exagerava em seus prognósticos.

 

Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

postado por Leandro Roque | 29/05/2012

91 comentários
91 comentários
Antonio 29/05/2012 12:20:29

Um país já perdeu as suas liberdades civis mais básicas quando as pessoas não tem mais sequer o direito à privacidade de seus pertences. Mas se as pessoas não podem mais comprar blusas, então a coisa já está num nível pior do que o sonhado por ditadores mais abertos. E, por fim, se as pessoas passam a temer as autoridades ao regressarem ao próprio país, então está claro qual o tipo de governo que temos.

P:S: O vídeo do Mussum é ótimo!

Responder
Eduardo W 29/05/2012 13:07:53

Sensacional!
Artigo oportuníssimo pro caminho que o Brasil está seguindo a uma velocidade cada vez maior.

Esse totalitarismo se manifesta até das maneiras mais sutis possíveis.
Outro dia vi amigos comemorando a PROIBIÇÃO do governo para shoppings que quiserem cobrar estacionamento.
Coisa que qualquer defensor dos direitos de propriedade privada lamentaria, mas que uma população de espoliadores comemora por se beneficiar imediatamente disso.
Se um sujeito não quer pagar estacionamento de shopping, que faça as compras em outro lugar e veja se vale à pena, afinal. São as mesmas pessoas que logo estarão reclamando de falta de vagas, provavelmente.

Ainda sobre estacionamento, me veio em baixo da porta o panfleto de um tirano candidato a vereador que pretendia "acabar com a cobrança da hora fracionada em estacionamentos". Me pergunto o que ele iria fazer com o estacionamento que não o dono não concordasse com as idéias do mestre. Assim, se o sujeito usou meia hora, não precisaria pagar a hora inteira... Me pergunto se logo eu vou poder comprar 1/2 BigMac ou se vou continuar sendo explorado pelo McDonald's a comprar 1 BigMac inteiro mesmo não tendo fome pra tudo isso.

O último mesmo que li foi no blog de um doutô sobre como "o capitalismo descontrolado neoliberal explora as pessoas por lucro". Como exemplo de capitalismo *descontrolado*, ele cita os supermercados *controlados* pelo governo e proibidos de dar sacolas plásticas. Que então passaram a vender sacolas alternativas, ou o cliente teria que levar as compras na mão. Assim ele diz que é crime de "venda casada", quando o supermercado te "obriga" a comprar as sacolas porque levar na mão não é plausível, assim como é "crime" um bar só servir bebida se você comprar um acompanhamento. Pede, claro, intervenção do governo pra proteger o consumidor nesse capitalismo selvagem e descontrolado.
Imagino que ele vá lá na escolinha dos filhos reclamar de "venda casada" quando a escola exploradora quiser vender o uniforme junto com a matrícula, já que não é plausível ir pelado ou com outra roupa.

Enfim, o que se vê são completos analfabetos em economia querendo usar ao máximo a máquina de coerção pra pilharem o que lhes for interessante, enquanto o estado ganha ainda mais poder e relevância, e cria situações onde este monstro seja cada vez mais "necessário", num ciclo vicioso.
E o cidadão comum não percebe o que está acontecendo, ao invés, ele aplaude sempre que uma lei totalitária o beneficiará às custas dos outros meramente porque ele acha "justo". Não poderia ser diferente de um povo cujo discurso padrão é "deveria ter uma lei para (...)" para qualquer coisa que o desagrade.


Quanto aos carros, estou recebendo essa facada agora, pois não conhecia a notícia ainda. Bom, pode-se dizer que os azêmolas daquela campanha "contra o lucro das montadoras" conseguiu seu objetivo. Sempre que alguém mencionava o quanto o protecionismo e os impostos, e portanto o governo, eram culpados pelos altos preços dos carros no Brasil, rapidamente alguém ia lá "corrigir" pra dizer que a culpa não é do governo, e sim da ganância dos empresários.
Partindo de uma premissa estranhíssima que nos outros países os empresários não são gananciosos e as montadoras são geridas por monges budistas, exceto os do Brasil, cujas montadoras foram tomadas por porcos gananciosos. A ganância é sempre uma constante, então usar a ganância pra explicar algo que varia é uma enorme falha por si só.

Parecia ser inútil tentar explicar que o maior ganancioso do mundo que tentasse vender uma carroça por 50,000 reais iria à falência se houvesse um carro vendido por 25,000. Mas caso o governo quadruplicasse o preço do carro pra 100,000, as pessoas cogitariam comprar a carroça por 50,000 reais... e a culpa vai pro cara que se aproveitou do lucro, não pra quem permitiu que esse lucro fosse possível. De tanto culparem o lucro, sem traçar a responsabilidade disso pro protecionismo e impostos do governo, conseguiram! Uma medida doentiamente totalitária que vai tentar baixar na marra o tal lucro, fazendo uma intervenção grotesca pra tentar consertar outra intervenção estatal.

Responder
Célio Beserra 05/06/2012 07:42:21

Caro Eduardo W, excelente o seu comentário, que por si vale por um artigo. Nós, libertários, somos como Cassandras, sabemos qual será o final dessa ópera, "O Brasil petista", mas ninguém nos dá ouvidos. Meu desalento com tanta mediocridade me faz ter vontade de ir embora deste lugar, mas acabo desistindo. Uma vaga esperança de ver esta terra um lugar melhor para o meu filho me faz ficar. Afinal, o que é melhor: ser um cidadão de primeira num país de segunda, ou ser um cidadão de segunda num país de primeira?

Responder
Ricardo Chaves 29/05/2012 13:09:04

Eu também preciso confessar que não aguento mais ver esse sujeito na televisão, não aguento mais ouvir sua voz e muito menos ler sobre suas últimas ideias. Nunca pensei que teria saudades de uma coisa chamada Antonio Palocci.

Responder
Jose Roberto Baschiera Junior 29/05/2012 13:14:47

A cada dia o governo consegue piorar tudo, tenho muito medo do futuro, de verdade.

Responder
Camarada Friedman 29/05/2012 13:35:56

Acabei de ler o artigo e pqp... da vontade de chorar.
Aconteceu com um amigo meu: Comprou uma guitarra de um vendedor americano pela internet, e no final o valor declarado ficou abaixo do total cobrado pela fiscalizão NOS EUA por causa da madeira do braço da guitarra.
E acabou ? Nãoooo... Como a guitarrada veio com o braço desmontado, cobraram o valor de 3 produtos de importação em apenas um (corpo, braço e a alavanca).

... O meu caso foi menos infeliz. Como nosso governo tem aquele ranço posistivista retardado, eles não taxaram o meu livro de matemática que peguei na Amazon :) (hahahah)
Sabe como é né ? A educação vai alavancar o nosso país...

Aé, se alguém ae ta querendo sorrir um pouco, da uma clicada nesse link aqui:
www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=1ADt_Nf0h1I

Só não venham me xingar.

Responder
andrade 31/05/2012 16:13:05

livro é o unico item que nao tem imposto de importação

Responder
Juliano 29/05/2012 14:04:03

Por que ninguém faz campanha contra o lucro dos sindicatos? Esses caras fecham ruas, invadem propriedades, quebram coisas, agridem, sequestram bens... tudo para defender seus lucros. Aí pode!\r
\r
É triste como as pessoas convivem pacificamente com os descalabros do governo e seus protegidos, mas ficam revoltados quando alguém decide fazer alguma coisa com sua propriedade.

Responder
Fernando Stival 29/05/2012 16:41:35

Ser liberal é uma coisa difícil e desgastante. Quando as intervenções começam e nós tentamos avisar educadamente que é um caminho perigoso a ser seguido, ninguém leva a sério e, pelo provável sucesso imediatista das políticas, perdemos espaço.

Quando os reais efeitos começam a aparecer, nós aparecemos novamente e alertamos, relembramos aquilo que tinhamos dito anteriormente e como os efeitos previstos estão ocorrendo e mesmo assim ninguém leva a sério.

Chega o momento em que está tão evidente que estamos galopando alegremente rumo ao fundo do poço e mesmo assim pouca gente começa a levar a sério alguns dos alertas, mas nesse ponto já estamos sem paciência nenhuma pra tratar dessas questões de maneira muito polida.

Este texto deixa bem claro isso, chega um ponto em que não dá mais. O jeito é chutar tudo mesmo pra ver se alguém entende de uma vez...

Responder
Marc... 29/05/2012 17:53:51

Muito bom Leandro, precisamos comentar notícias atuais para popularizar cada vez mais o site!
Ligando o estudo teórico para nossa realidade atual e neutralizando o povo da propaganda estatal/mainstream.

Responder
Ronaldo Quinto 29/05/2012 18:01:04

Parabéns pelo texto, Leandro.
Matou a pau!
Quando vi essas noticias me senti pessoalmente atingido, como se o próximo passo fosse ele dizer o que eu tenho de fazer da minha vida, o que eu tenho de comer e como criar meus filhos...nosso futuro é sombrio!
Abraço.

Responder
Willian 29/05/2012 18:19:14

Excelente artigo, excelentes comentários.
O presente é lastimável, mas o futuro pode ser pior.
Precisamos urgentemente reagir, ou teremos de sair do país :/

Responder
Marc... 29/05/2012 19:10:51

Sair? Tem gente me pedindo ajuda para fugir dos EUA para cá, você não tem noção do que tá ocorrendo lá fora, a TV não mostra.

Responder
void 29/05/2012 19:20:07

Ainda bem que os EUA não são a única opção, né?

Responder
Andre Cavalcante 29/05/2012 19:20:09

Cara, passei 2011 em Portugal e te digo, lá não tá melhor que aqui. Na Espanha, então, os jovens invadem as praças e ficam semanas inteiras em "vigília" contra o governo. É claro, eles não tem trabalho, então tem que ficar na praça mesmo...

A questão é: sair daqui para onde?

Responder
Catarinense 30/05/2012 04:52:48

Os caras do The Dollar Vigillante têm algumas sugestões boas, inclusive ajudam a obter mais de um passaporte. Só que não é lá tão barato, mas é mais rápido do que morar 5 anos num país.

Responder
Paulo Sergio 30/05/2012 05:30:02

Segundo o tio Lew:
'It is interesting, also, where many of these like-minded people are going. They've all gone to either Latin America or Asia. In this blog I've stated many times how I believe those two areas are the places to be for the future.'
lewrockwell.com/orig12/berwick4.1.1.html

Responder
Luis Almeida 30/05/2012 05:50:54

Mas Chile, Uruguai, Panamá e até mesmo a Colômbia são sim destinos interessantes para expatriados americanos, com um futuro potencialmente promissor.

O Brasil, que tem um povo trabalhador, também teria grande potencial não fosse esse governozinho safado.

Responder
Luiz Otávio Fontana 31/05/2012 19:45:42

Autrália. Fui para lá no verão e para lá vou voltar no futuro.

Responder
Gustavo Boscolo Nogueira da Gama 31/05/2012 20:56:16

Povo trabalhador? Você quis dizer a iniciativa privada, né...

Responder
Caio 17/08/2012 17:54:14

O Chile tem um sistema de visto simplificado para os brasileiros, o visto Mercosul, cujo existe entre Argentina, Uruguai, Paraguai, Brasil e Bolívia. Porém deixe de acreditar no livre mercado chileno, isso não existe. Eu acreditava nisso até ter morado lá (Morei em Valdivia e Punta Arenas).

-O custo da educação superior está muito alto graças a quantidade de crédito estatal, os planos de saúde (ISAPRE) são um lixo pela sua alta regulamentação e pela abrangência do sistema de saúde pública (FONASA), além de seguir o modelo desse sistema de saúde de serve como um mero seguro. Por exemplo, quem tem FONASA tem que pagar 7% do seu internamento, e no ISAPRE, tudo! Sim, depois eles te devolvem uma parte do dinheiro. Agora veja que viagem, você vai para o hospital em uma emergência e tem que pagar em dinheiro UHAUHAU.

-Os combustíveis são caros, apesar da qualidade, até porque existe um certo monopólio da ENAP e da COPEC, exceto no tema da distribuição.

-O IVA chileno é tem uma média de 19%. (ok, mas baixo que no Brasil). A boa notícia é que a política de redução de imposto de importação terá seu fim em 2015, quando deixará de existir esse imposto.

- O sonho da grande parte dos chilenos é um Estado grande como o brasileiro, porém quando viajam ao Brasil descobrem a realidade do estatismo. Segundo eles, a solução não é aumentar os impostos (ainda bem!), porém usar o dinheiro do cobre (que pena :()

- A economia é pouco diversificada graças aos gordos subsídios a mineração, vide CODELCO e empresas privadas; A boa notícia é que o setor do retail e investimentos lá é grande, influenciando investimentos em países sulaméricanos. Ex: Chile é um dos maiores investidores no Peru e o maior da Colômbia (excetuando o setor petrolifero.

- A Previdência privada chilena (AFP) não dá liberdade alguma praticamente.

- O Banco Central chileno era bem heterodoxo, porém está deixando crescer uma bolha imobiliária.

- A legislação trabalhista chilena é tão facista como dos demais vizinhos.

- No interior chileno geralmente o transporte público SÓ TEM carcaça. O transporte público tem regulamentações.

Boa notícia? É um país que pelo menos tem impostos mais baixos comparados aos vizinhos, menos burocratico, BASTANTE SEGURO, bem globalizado, cidades geralmente com um bom urbanismo (até porque é menos regulamentado o sistema urbano), além de poder manter alguns sonhos consumistas sem precisar de se envidar, e claro com qualidade. Respirar o ar das cordilheiras não é nada ruim hehe. É um bom país para viver.

Responder
Ricardo 03/07/2012 02:35:39

O Canadá é umas excelente opção. Mudei para cá a 5 anos e a vida é muito segura e tranqüila. Depois de torcer por décadas, eu perdi as esperanças no futuro do Brasil e, enquanto este populismo saqueador estiver presente com este apresentador de circo no picadeiro da fazenda, nao haverá esperança.. Além do que, conhecendo e vivendo outras realidades, fica fácil ver o quanto a economia brasileira está distorcida e mal administrada - diria até, sem administração nenhuma.

Responder
Ewerton Alipio 29/05/2012 21:10:59

Poxa, Leandro, bela síntese do tétrico estado de coisas. Parabéns.

Responder
Bernardo 29/05/2012 22:39:40

Não há esperança, quanto mais eu estudo economia, mais claro isso fica pra mim, o brasil está completamente infectado pela politica intervencionista keynesiana, acho semi impossível essa realidade mudar, as pessoas cada vez mais pedem por governo, elas realmente acreditam que o governo pode melhorar a vida delas, essa é a cultura brasileira, é o que ta gravado na cabeça das pessoas, e no resto do mundo a realidade é similar, acho que não tem pra onde fugir.

Responder
José Ricardo das Chagas Monteiro 30/05/2012 05:17:24

Saudações, prezado colega virtual, há algo infinitamente pior do que a influência econômica infectada pelo keynesianismo, o modo de pensar,sentir, agir e falar do brasileiro.Os sentimentos de propriedade e liberdade pessoal que nos acompanham desde a nossa percepção como ser-humano estão sob judicie, estamos fora de uma prisão e, entretanto , não somos livres, somos vítimas de uma manipulação psicológica que transbordou, há muito tempo, o campo econômico onde tudo parece ter começado.A vontade de governar, e sem dinheiro não fica possível, dos nossos eleitos trouxe-nos a um cativeiro, as paredes de nossa prisão são invisíveis, vivemos de uma servidão estritamente objetiva.
Contra uma mente ilegalmente aprisionada, nunca haverá um habeas mentem, sugiro doses cavalares no café da manhã,almoço e jantar deste sítio, Instituto Mises Brasil.
Parabéns aos organizadores do Instituto Mises Brasil por fazer todos os dias a oxigenação da mentalidade brasileira, tenho preparado apostilas dos textos publicados por assunto e feito presente a diversas pessoas amigas,desde executivos a funcionários estatais, e as reações são extraordinariamente positivas, o modo de pensar e perceber os noticiários são fantásticos.
A semeadura começou.

Responder
Leandro 30/05/2012 05:22:46

Prezado José Ricardo, muito obrigado por esse trabalho de divulgação e pelos elogios. É o nosso combustível. Continue firme na luta.

Grande abraço!

Responder
Henrique 30/05/2012 12:20:26

José Ricardo, você tem essa seleção de textos organizada em formato digital? Coloque num servidor tipo dropbox e divulgue pra gente por favor!

Eu costumo divulgar os textos daqui, mas uma seleção de alguns artigos-chave sobre EAE no formato de apostila é uma excelente idéia.

Abraços

Responder
Marco 29/05/2012 22:50:00

Leandro,

Os calotes na Grécia e na Espanha se deveram a quê? Os bancos gregos tomaram calote do governo, eu sei, mas do público em geral também? Houve expansão monetária lá? Esse é o motivo?

Abraço e parabéns pelo artigo!

Responder
Leandro 30/05/2012 05:20:59

Prezado Marco, o problema na Espanha foi o setor imobiliário. Os bancos fizeram empréstimos maciços para este setor. Com a crise, o valor dos ativos despencou, o que gerou reflexos diretos nos balancetes dos bancos.

Recomendo este artigo.

Grande abraço e obrigado!

Responder
Alemao 30/05/2012 03:40:27

nossa o video da materia sobre os aeroportos eh estarrecedor,,,mel deuz... e o reporter retardado narra aquilo com um tranquilidade...mel deuz..... q sociedade DOENTE cara,,,, pqp!!!

Responder
........ 30/05/2012 05:25:34

E isso que o artigo se limita à "alta cúpula", ao "grande escalão". Se colocar na conta o número de INs, RNs e outros canetaços sem sentido dos burocratas das agências a conta vai para a estratosfera.

Responder
amauri 30/05/2012 05:56:52

Bom dia Leandro!
Obrigado pelas explicações. No Brasil, muitas pessoas estão vivendo acima do que seu trabalho produz, via credito fácil. Também no Brasil o mercado imobiliário está sendo expandido rapidamente, não risco para ninguém, construtora e compradores. Me deixa surpreso as coisas aqui ainda parecerem estar normais. abs

Responder
Felix 30/05/2012 06:00:29

Rachei o bico
"a grande qualidade de Dilma é que, tudo o que ela sabe, ela aprendeu com Lula. Isso é reconfortante."

Responder
Juliano 30/05/2012 06:41:00

Parafraseando John Stossel, o grande problema é que os benefícios liberdade não são óbvios. A gente é criado para sempre enxergar empresários como alguém que querem o nosso dinheiro e o governo como alguém que nos protege. \r
\r
É sempre mais fácil pensar em resolver alguma coisa via imposição e o Estado pega carona nisso. Pra piorar, as conseqüências negativas das ações governamentais sempre vão para entidades abstratas: especuladores e mercado são sempre os bodes expiatórios prediletos. Quando tudo falhar, culpe alguma coisa externa: ricos de olhos azuis, crise externa, China.\r
\r
O Estado é quem aumenta o crédito e deixa a gente comprar carro, quem sobe o preço são os empresários. É óbvio que os caras maus da história são os empresários, apesar dos esforços do governo. O Mantega é quem tenta baixar os preços e os lojistas ficam estragando a festa. Na época do Sarney, tinha gente chamando a polícia pra prender gerente de supermercado e o povo repetia, aplaudindo o presidente: Deixa o homem trabalhar.\r
\r
Lutar pela liberdade é uma luta ingrata. Apesar de termos a lógica do nosso lado, os incentivos são todos contrários. Muita gente ganha com o Estado, tem muita gente vendendo o Estado, sempre existe a sensação que basta vontade pra fazer tudo funcionar. Não existe incentivo para tirar o time de campo e deixar as pessoas em paz.

Responder
Miguel 30/05/2012 07:05:29

"Mantega exige que os bancos reduzam os juros? Ok. Nós, cidadãos brasileiros, exigimos que o governo reduza seus gastos, seus impostos, sua burocracia e suas regulamentações. Mantega aceita essa nossa exigência? Eu a acho muito justa. Se ele quer mandar nos bancos, nós queremos mandar no governo. É a tal da democracia, certo? 'E nós vamos cobrar'."\r
\r
Perfeito.\r
\r

Responder
Helena 30/05/2012 07:13:13

Diante desse cenário , ao governo custa menos enganar que desenganar o povo.A mansi\r
dão e a ignorância (do povo) facilitam o engano a sua credulidade dificulta o desengano. \r
E continue assim ,Leandro, consolidanado cada vez mais o seu jovem olhar afiado e acidamente crítico.

Responder
LUIZ OLIVEIRA 30/05/2012 07:43:44

O Mantega, com sua incomensurável e arrogante "sapiência" manteguiana, parece o professor arrogante da estória do Barão de Itararé, o humorista Aparício Torelly Aporelly.

No Curso de Medicina, o professor se dirige ao aluno e pergunta:

- Quantos rins nós temos?
- Quatro! - Responde o aluno.
- Quatro? - Replica o professor, arrogante, daqueles que sentem prazer em tripudiar sobre os erros dos alunos.
- Traga um feixe de capim, pois temos um asno na sala. - ordena o professor a seu auxiliar.
- E para mim um cafezinho! - Replicou o aluno ao auxiliar do mestre..

O professor ficou irado e expulsou o aluno da sala. O aluno era, entretanto, o humorista Aparício Torelly Aporelly (1895-1971), mais conhecido como o 'Barão de Itararé'.

Ao sair da sala, o aluno ainda teve a audácia de corrigir o furioso mestre:

- O senhor me perguntou quantos rins 'nós temos'. 'Nós' temos quatro: dois meus e dois seus. 'Nós' é uma expressão usada para o plural. Tenha um bom apetite e delicie-se com o capim.


O Mantega pensa (será que ele sabe o que é isso?)que está agindo com muita sabedoria e inteligência ao adotar essas medidas idiotas. Mas gostaria de ver alguém presenteá-lo com um monte de capim, a cada intervenção econômica que ele praticasse, para que este tivesse noção um pouco mais aproximada da sua real sapiência.

Os dirigentes da ANFAVEA poderiam enviar esse tipo de presente para Mantega. Talvez ele caisse na real.

Vamos fazer uma corrente na internet: tragam capim para o Mantega! A cada medida imbecil que o Mantega tomasse (duvido que alguma não fosse imbecil), o IMB deveria enviar um pacote de capim para o Ministério da Fazenda.

Isso teria o efeito de produzir um aumento da demanda no segmento de produção de capim de nossa economia de modo espetacular, gerando empregos e renda, já que o número de medidas idiotas produzidos por Mantega e seu Ministério é gigantesco.

Aliás, se a cada decreto, norma, portaria e similares produzidos em Brasília, a cada intervenção na economia produzida por algum burocrata em nosso país, o IMB enviasse um monte de capim ou de feno para presentear os ilustres autores de tais medidas, creio que nem todo o capim ou feno do mundo seriam suficientes para atender tal demanda.

Por outro lado, nós aqui que seguimos a Escola Austríaca de Economia preferimos ficar com um cafezinho.

Responder
Hay 30/05/2012 08:55:25

Os dirigentes da ANFAVEA poderiam enviar esse tipo de presente para Mantega. Talvez ele caisse na real.

Que nada, os dirigentes da ANFAVEA querem só que o ministro projeta a indústria nacional. Aposto que em breve o governo anunciará um "ambicioso" projeto para "fomentar o desenvolvimento da indústria automobilística nacional". Algo que envolva muito mais cortes de impostos e linhas de crédito do BNDES para quem produzir carros com uma certa porcentagem de peças nacionais. Tudo isso em troca de "lucros menores". E os estatistas de plantão elogiarão a medida.

Responder
Jose Roberto Baschiera Junior 31/05/2012 06:27:35

Eu ainda acho(já vi noticias sobre isso) que logo o BNDES vai financiar investidores brasileiros para comprarem alguma montadora que esteja capengando por aí, e obviamente o BNDES entraria de sócio. Pronto, o governo têm nas mãos uma montadora 100% brasileira.

Vi uma notícia sobre isso em algum lugar. O governo quer que empresários daqui sejam proprietários de alguma grande montadora, mas acha difícil que uma seja montada do zero(empreendedorismo zero), por isso colocaria o BNDES a disposição para financiar a compra de alguma.

Responder
Fabio 30/05/2012 07:54:46

Artigo sensacional, me faz ganhar o dia. O socialismo está chegando a galope.

Responder
Helena 30/05/2012 08:09:59

Correção: ...consolidando cada vez mais.

Responder
Camarada Friedman 30/05/2012 09:58:15

Eu vejo que muitos aqui são otimistas, eu não consigo ser.

Ano passado ví uma galera da USP protestando contra a privatização de um "lixão".
Vai la falar de diminuir imposto e burocracia pra essa galera, vai la e ouve as respostas. Daqui a 5 anos esse grupo de idiotas vai ta sentado em alguma cadeirinha de faculdade, ou... vai ser redator em alguma emissora de Tv, espalhando as mesmas mentiras de sempre.

Tirando um caso na Nova Zelândia, eu não consiga achar UM exemplo de liberação por meio democrático... UM.
Na China foi Deng Xiaoping e temos exemplos no Chile, Japão e outros países da Asia. Tirando a China, todos esses países estão sofrendo com aumento de estado... Ano passado os chineses quase privatizaram duas das maiores estatais, não conseguiram por apadrinhagem de gente do Partido e eu tive que ler a Reuters defendendo a não privatização.

Reformas normalmente vem de cima pra baixo: Chinese Gold Standard

www.thestreet.com/story/11009124/1/a-chinese-gold-standard.html

China holds $2.85 trillion in foreign reserves, which means the country would need to buy roughly 66,000 tons of gold to fully back its currency. Even if the country upped the ante to just 3%, the country would need to buy 1,000 tons.
Technically, a full gold standard isn't an option. Under the IMF's first amendment to Article IV of Agreement, ratified in 1978, participating countries are not allowed to peg their currency to gold.
But that doesn't mean that China won't try to legitimize its currency by ramping up its gold holdings. The U.S., which sports the current world reserve currency, holds more than 8,000 tons of gold, more than 8 times the size of the SPDR Gold Shares(GLD).


Da até vontade morrer... Pq que eu fui descobrir esse tal de Mises Brasil, era "tão bom " quando eu era um esquerdista...

Existe uma alma aqui... umazinha só, que acha que da pra mudar isso no voto ?

Responder
Juliano 30/05/2012 10:13:51

Mudanças só ocorrem em crises. Mesmo nelas, o Estado só se retira quando todas as outras opções forem esgotadas. Aqui no Brasil, só fizemos as reformas que permitiram o Real depois de aguentar hiperinflação por muito tempo. Foi só depois de muito circo e gritaria que conseguimos diminuir um pouquinho o aparato estatal.\r
\r
Democracia é coerção por definição, é dar poder para grupos de pressão. Não tem como não descambar nisso. Vira uma festa onde quem grita mais leva.\r
\r
Concordo com vc.... também achava tudo muito mais simples quando tinha um pé na esquerda. :)

Responder
Camarada Friedman 30/05/2012 11:04:01

Depois que deixei de ser um esquerdista, meus amigos começaram a me chamar de...

Advinha ? NEOliberal... hehe:P

Responder
Victor 30/05/2012 11:16:16

Também começaram a me chamar assim. Isso os que ainda falam comigo...

Responder
Bernardo Santoro 30/05/2012 11:48:18

Camarada Friedman, não sei se podemos mudar isso no voto, mas o fato é que nunca tentamos. Não temos candidatos ou partidos libertários. Eu tento fundar um há cinco anos com alguns amigos e se conseguimos levantar R$ 30.000,00 ao longo desse tempo, foi muito. Precisamos de pelo menos cem vezes esse valor.

E aí vem a questão: se não dá pelo voto, vamos mudar por onde? Como vamos diminuir o Estado?

Abraço.

Responder
Bernardo 30/05/2012 17:37:16

Triste ler isso, eu achei que o Liber estava bem, crescendo, estava depositando minhas esperanças de alguma mudança via voto no Liber, mas pelo jeito vamos continuar afundados na mesma merda.

Responder
Julio dos Santos 31/05/2012 22:22:02

Bernardo, sei que a pergunta não foi pra mim, mas também me questiono como poderemos atingir a liberdade não sendo pelo voto, já que o próprio voto é uma das grandes distorções criadas pelo estado junto com a sua falsa ideia de democracia.
Libertários não possuem o dom das picuinhas e dos fisiologismos da politicagem, algo completamente difundido na democracia, nossos ideais são pragmáticos, não temos expertise nos processos burocráticos (onde não existe valor agregado), não vemos retorno em passeatas, protestos e comícios.
Não pude comparecer na reunião do Liber no último mês e dessa forma não sei quais foram as estratégias apresentadas, mas, na minha opinião, vejo como forma de sermos livres, em alternativa à total falta de poder do voto, pôr em prática sincronizada os ideais libertários, mesmo que isto nos leve contra às leis do estado constituído, mesmo que isto tenha que incitar a opinião pública. Não digo, dessa forma, viver uma clandestinidade cinematográfica (tipo a sonhada pelos esquerdistas), pois imagino que todos nós já trabalhamos e vivemos nossas vidas de forma honesta e não precisamos e não podemos abandoná-los. Mas podemos, de forma sincronizada, começar a desempenhar uma vida no mais puro princípio libertário, sem poder central, sem intervenções e desafiando (respeitando o pacto de não-agressão) os desmandos dos déspotas. O que precisamos para isso é estarmos juntos, não "juntos" no sentido de nação, mas juntos no sentido de alcançarmos um objetivo, a liberdade.
Cara, estou contigo nessa empreitada! Gostaria de entrar na discussão da formação do partido e contribuir, aguardo teu retorno com críticas e sugestões sobre meu ponto de vista. Abraço

Responder
mauricio barbosa 30/05/2012 16:01:02

Esses covardes nos enganaram,quando estava na academia era chamado de socialista por bradar contra as injustiças sociais,hoje estou do lado certo não porque sou comodista,o IMB nos deixa comodista em parte mas e dai, o que importa é que aprendi a ser mais liberal e lutar contra as injutiças sociais do grande leviatã.

Responder
Lucas Amaro 30/05/2012 10:08:39

"Embora o endividamento total — quesito este em que os americanos são imbatíveis — seja importante, o fardo de tal endividamento sobre as famílias é algo tão importante quanto. É ele quem determina a capacidade de consumo das famílias. Uma coisa é você ter uma dívida de $100.000, uma renda anual de $100.000 e gastar apenas $11.000 (11% da renda) anualmente com o serviço da sua dívida. Outra coisa é você ter uma dívida de $25.000, uma renda anual de $50.000 e gastar os mesmos $11.000 (22% da renda) anualmente com o serviço da sua dívida. O orçamento da segunda família é claramente mais apertado."

Leandro, não entendi bem porque a segunda família está em um orçamento bem mais apertado. A primeira família tem uma dívida de 100% de sua renda, enquanto a segunda tem uma de apenas 50% da renda. A segunda está pagando bem mais da dívida do que a primeira, como poderá a primeira continuar a gastar apenas 11% da renda com sua dívida (que é de 100% da renda) no longo prazo?

A segunda família está bem mais perto de "equilibrar" o orçamento. A primeira não tem problema em manter uma dívida de 100% de sua renda?

Responder
Leandro 30/05/2012 10:28:42

Prezado Lucas, você próprio respondeu à pergunta: a segunda família dedica ao serviço da dívida uma fatia maior do seu orçamento do que a primeira, mesmo estando menos endividada. Como isso é possível? Uma palavra: juros.

E se você acha que a segunda família consegue saldar sua dívida em dois anos, então você realmente vai se assustar ao descobrir como funciona a tabela price. E isso eu sei em primeira mão. Um empréstimo de R$ 50 mil feito em 2009, a ser quitado em 8 anos, gera um pagamento anual de mais de R$11.000 por ano. Confie em mim, a coisa não é bonita. E este exemplo que dei é totalmente realista.

Os brasileiros não estão mais confortáveis que os americanos.

Grande abraço!

Responder
Jose Roberto Baschiera Junior 30/05/2012 10:27:58

Brasil precisa desesperadamente de um crise muito profunda, que faça a década de 80 parecer fichinha... só assim para as coisas mudarem mesmo.

Responder
Eduardo 30/05/2012 12:35:24

Vejo que não é só o Brasil que vai passar isso, mas o mundo todo sofrerá com as consequências do coletivismo...

Responder
Lucas Amaro 30/05/2012 14:16:18

Se chegar uma crise profunda, não adianta, simplesmente irão fugir da realidade e responsabilizar o "neoliberalismo" dos anos 90 como um combustível gigantesco para a crise. O PT? O PT se esforçou para proteger o país, mas não conseguiu fazer o suficiente graças à oposição neoliberal capitalista.

Responder
Jose Roberto Baschiera Junior 31/05/2012 06:15:01

Mas as politicas populistas irão falhar e piorar tudo, no fim uma nova abertura pode ser alternativa.

Responder
VERA 30/05/2012 11:11:51

Parece que o nosso ministro ainda precisa aprender aquele pricípio que qualquer aluno do ensino fundamental sabe:se o crédito aumenta e os juros caem, haverá vontade de gastar e um dia esse dinheiro ACABA.Aí sim, o Mantega vai gostar, porque iremos superar a dívida interna dos americanos....

Responder
Rhyan 30/05/2012 13:45:21

Quer dizer que a situação anterior de recessão está se transformando novamente em crescimento artificial?

Responder
Leandro 30/05/2012 15:58:49

Acredito que não. Não há evidências disso. Por falar nisso, sexta-feira agora o IBGE divulgará o PIB do primeiro trimestre. Como sempre, é de se esperar que os números iniciais venham maquiados para cima.

Por exemplo, inicialmente, divulgou-se que o PIB de 2009 havia sido de -0,1%. Após muito tempo, em 2011, quando ninguém mais se importava, o IBGE disse que o PIB de 2009 havia sido, na realidade, de -0,33% -- um erro nada desprezível.

É provável, portanto, que os números do 1º trimestre venham indicando um crescimento ínfimo. No entanto, ao ler sobre ele nos jornais, sempre tenha em mente que ele foi menor do que aquele valor.

Responder
Rhyan 30/05/2012 18:51:57

Excelente, obrigado!

Responder
Jose Roberto Baschiera Junior 31/05/2012 06:16:29

Como as coisas estão, Leandro. Você acha que o governo consegue reaquecer a economia novamente no segundo semestre, com juros mais baixos, como estão dizendo?

Responder
Leandro 31/05/2012 06:20:37

Estou preparando um artigo sobre isso. A princípio, ainda não dá pra dizer nada com muita certeza, pois o BACEN andou dando umas afrouxadas. Ainda é preciso esperar a divulgação de alguns dados.

Fique no aguardo.

Abraços!

Responder
Rhyan 01/06/2012 08:03:29

O artigo do Ulrich vai bem nesse sentido.

Responder
Deilton 30/05/2012 19:41:36

Lendo os artigos do mises me sinto como neo do filme matrix e me pergunto: Por que não tomei a pílula azul? Estaria feliz, fazendo parte dos 80% que aprovam a presidAnta, aproveitando os juros baixos e despreocupado com o futuro, afinal nossos heróis estão no governo.

Responder
Angelo Viacava 31/05/2012 03:49:02

Fiquei deprimido. Vou a um psiquiatra regulamentado, pagar R$200,00 de consulta, pra ver se consigo uma receita autorizada pela ANVISA (Agência Nacional dos Vigaristas Socialistas Anônimos), pra comprar uma caixa de antidepressivo que custa R$20,00, mas que poderia custar 40% disso, se não houvesse impostos. Viva Cuba! Viva Che! Fora Imperialismo! E o pior é ter que avisar, para alguns, que é ironia. Fui!

Responder
Juliano 31/05/2012 06:42:55

Dois exemplos de como somos viciados nas bençãos do estado:\r
\r
No domingo, o Fantástico fez uma reportagem gigantesca sobre o comércio clandestino de licenças para ônibus interestaduais. Flagraram juízes e funcionários vendendo licenças e legalizaram para operação um ônibus todo zoado. Apesar de mostrarem o tempo todo fatos que comprovam a total ineficácia desse mecanismo de regulação, a mensagem era sempre de como era absurdo que existam ônibus não licenciados circulando por aí. Pra fechar com chave de ouro, mostram o caso de um acidente envolvendo um desses ônibus. Ele bateu de frente com uma carreta que estava na contra-mão. Ou seja: não foi culpa do ônibus. Tudo isso na mesma reportagem, dando a entender que o acidente foi causado pela falta de regulação.\r
\r
Outro caso no jornal de hoje: "Lutador de MMA Americano morre seis dias apos lutar em evento nao regulamentado" www.gazetadopovo.com.br/blog/lutalivre/?id=1260665&tit=lutador-de-mma-americano-morre-seis-dias-apos-lutar-em-evento-nao-regulamentado.\r
\r
O cara participou de um evento violento, foi atendido no local por um médico e morreu. A reportagem deixa explícito que não existe regulamentação naquele estado, como se isso tivesse alguma relação com as conseqüências. Seria o equivalente a usar coisas como "Lutador negro causa morte de adversário em luta de MMA", ou "Assaltante judeu entra em confronto com a polícia". \r
\r
São características irrelevantes que são sempre associadas aos fatos para fazer crer que falta de regulação contribuiu com o resultado.

Responder
Eduardo W 01/06/2012 13:28:36

"São características irrelevantes que são sempre associadas aos fatos para fazer crer que falta de regulação contribuiu com o resultado."

Exatamente, Juliano!

Essas reportagens sutis me revoltam. Mesmo porque já caí nesse golpe anteriormente.

Não sei o que é pior, notícias de coisas "desregulamentadas" falhando e com a culpa caindo na desregulamentação, ou notícias de coisas regulamentadas falhando mesmo assim.

Ocasionalmente uns desastres acontecem em coisas regulamentadas (a primeira coisa que os jornalistas vão atrás), e a notícia é algo como "a investigação concluiu que o prédio seguia todas as regulamentações da prefeitura, apesar de ter desabado".
Como se após um prédio cair fosse reconfortante saber que ele seguia as regras da prefeitura.
E, de fato, muita coisa que dá errado já é fortemente regulamentada e passa por vários níveis de burocracia. Isso em si já denota a ineficiência das regulamentações.

Responder
Sergio 01/06/2012 12:27:03

Amigos, me desculpem o liguajar, mas...
Estamos fodidos!

Responder
Fernando 02/06/2012 02:56:04

Só nos resta lamentarmos. Torço para que venha uma crise muito grande, para que o setor produtivo, que sustenta esses larápios, não consiga mais pagar impostos e o estado venha quebrar . Só assim terá sua diminuição, porque por conta propria esquece .

Responder
Bruno Romão da Silva 03/06/2012 07:21:19

Cara, esse texto é muito Neo-Liberal, o governo tem sim que intervir na economia, veja o caso Inglês por exemplo e diga-se de passagem é a economia mais sólida do mundo, ou mesmo a Suiça.......Não intervir na economia é deixar o consumidor a própria sorte, mas o problema é COMO intervir e nisso o governo anda errando um pouco, mas tem que acabar sim com os lucros absurdos de Bancos e Montadoras, nisso eu concordo com o governo.

Responder
Ricardo Chaves 04/06/2012 06:34:56

Sério, vocês publicam alguns comentários só pra humilhar o próprio autor deles, não é? Não é possível, isso é bullying e acho que o governo tem de intervir e começar a proteger as pessoas de si próprias.

Responder
Leandro 05/06/2012 04:45:15

A prova cabal da demência sem fim desta gente:

Receita encerra hoje no Rio de Janeiro semana de destruição de mercadorias apreendidas

A Receita Federal do Brasil realiza hoje, em diversas unidades espalhadas pelo País, mais um Mutirão Nacional de Destruição de Mercadorias. Durante a semana, produtos apreendidos em operações de combate ao contrabando e descaminho foram destruídos, num total de 5200 toneladas de mercadorias, que correspondem a um valor aproximado de 232 milhões de reais.

Parcela considerável destes bens foram apreendidos no âmbito das diversas ações realizadas pela Receita em todo o território nacional, dentre as quais a Maré Vermelha – a maior operação contra fraudes aduaneiras da história, que aumentou o rigor nas transações de comércio exterior e vem combatendo práticas desleais de comércio como o subfaturamento, a triangulação e a utilização de falsa classificação fiscal, que comprometem o setor produtivo nacional. A Operação Maré Vermelha vai ao encontro do Plano Brasil Maior, lançado em agosto de 2011 pelo Governo Federal, visando aumentar a competitividade industrial do País.

O Secretário da RFB, Carlos Alberto Barreto, esteve no Depósito de Mercadorias Apreendidas da Receita em Benfica, no Rio, onde participou de um ato de destruição no qual foram inutilizados caça-níqueis, óculos, CDs, relógios, armas de brinquedo e peças de vestuário, entre outros produtos falsificados e/ou com entrada ilegal no País. "Com estes atos de destruição de mercadorias, a Receita protege a indústria nacional e defende a economia do País, eliminando produtos da concorrência desleal que prejudicam a geração de empregos", afirma Barreto.

www.receita.fazenda.gov.br/AutomaticoSRFsinot/2012/06/01/2012_06_01_16_21_14_1014251420.html


Entenderam? Chegamos àquele ponto em que destruir bens é sinônimo de criação de riqueza e proteção da economia. E você achando que George Orwell, novilíngua e duplipensar eram coisas confinadas apenas à ficção.

Responder
Hay 05/06/2012 05:55:46

Carácoles! Eu esperava que argumentassem que os produtos não estavam de acordo com normas de segurança estabelecidas pelo governo ou algo semelhante. Seria uma mentira deslavada, é claro, mas ao menos não deixariam claro que o único propósito da operação é destruir qualquer produto que venha de fora e não seja desejado pelo governo. O pessoal da Associação Keynesiana deve estar tendo orgasmos múltiplos, já que eles imaginam que destruir produtos certamente deixa o mundo mais rico. O pior é que esse lixo realmente se passa por economia hoje em dia.

Responder
Lucas Amaro 05/06/2012 06:41:14

É o governo, literalmente, destruindo riquezas, na frente de todos.

Responder
Juliano 05/06/2012 07:29:20

Pelo menos é coerente.... é o mesmo povo que acha que guerras ajudam a economia de um país.

Responder
Thyago 06/06/2012 04:49:21

Governo asqueroso...

Essa Dilma está conseguindo arruinar o pouco de liberdade econômica que levou décadas pra termos no BR...

Desenvolvimentista do retrocesso.

Responder
Eduardo 08/06/2012 17:45:15

Por favor, alguma sugestão de país para emigrar?
A coisa está piorando de modo acelerado.
Não vejo o seasteading institute avançar rápido, tenho medo. O completo totalitarismo está a poucos passos.

Responder
mcmoraes 08/06/2012 18:21:40

O Jim Rogers tem mencionado o caso de Myanmar.

Responder
Ricardo 11/07/2012 09:43:24

O Canadá é umas excelente opção. Mudei para cá a 5 anos onde a vida é muito segura e tranqüila. Depois de acompanhar por anos a fio o espetaculo circense de Brasilia, eu perdi as esperanças de um futuro melhor para o Brasil. Enquanto este populismo saqueador com apresentadores de circo no picadeiro da fazenda, do planalto, etc, aí é que nao haverá esperança mesmo. E após conhecer e vivenciar outras realidades, fica fácil constatar o quanto a economia brasileira está distorcida e mal administrada; e principalmente na última década, sem administração alguma.

Responder
Alfredo Antelo 25/06/2012 20:42:36

Excelente artigo, como sempre.
O controle exagerado da Receita Federal sobre as compras de varejo, com a obrigação de usar banco para receber salário, entre outros absurdos coercitivos do Estado contra o cidadão, uma pergunta prática:
Cabe inciar a pensar sobre a estruturação de uma reação bem coordenada?

Responder
andre 11/07/2012 08:36:08

Quem fiquem espertos, caros poupadores. Em caso de crise, a dívida será "socializada", e a primeira linha a ser roubada serão os poupadores, via impressão de dinheiro.
Não esqueçam que somos o país que confiscou a poupança, e pior, o povo aceitou bovinamente. Fiquem espertos.

Responder
Angelo Viacava 24/07/2012 16:50:19

Governo é isso, e nada mais. Somos realmente tratados como retardados mentais. aqui

Responder
Leandro 17/08/2012 14:39:59

Se isso for verdade, só digo uma coisa: aproveitemos essa rara liberdade!

Policiais federais vão protestar fazendo "operação não padrão"

Por Lucas Marchesini | Valor

Impedidos pela Justiça de realizar operação-padrão em portos, aeroportos e postos de fronteira, os policiais federais planejam uma "operação não padrão" na segunda-feira e na terça-feira, informou o diretor de estratégia sindical da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Paulo Pais. Os agentes vão adotar "rigor zero" nas atividades como protesto pela suspensão da operação-padrão decidida em caráter liminar pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na quinta-feira.

"Vamos mostrar ao ministro como é não ter ninguém no posto", disse Paulo Pais em referência ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que pediu a ação da Advocacia-Geral da União (AGU) contra a operação-padrão dos agentes da PF. "Os policiais estarão lá, mas não vão fazer nada, vão deixar passar todo mundo".

www.valor.com.br/brasil/2794016/policiais-federais-vao-protestar-fazendo-operacao-nao-padrao#ixzz23qFHlcZQ


Todo apoio à PF! Se este comportamento se tornasse o procedimento diário deles, até eu defenderia seus aumentos salariais.

Responder
Andre Cavalcante 18/08/2012 01:23:13

Acho que o Brasil deve ser o único país em que há o caso de uma greve que é feita trabalhando-se mais e não menos.

De resto, a coisa ruim que vejo aqui, é eu não ter din-din AGORA pra fazer trazer umas moambas... (oops, trazer umas comprinhas) dos estates sem a PF encher o saco.

Abraços

Responder
André Luiz S. C. Ramos 30/08/2012 08:39:32

Mantega ataca novamente:\r
\r
g1.globo.com/economia/noticia/2012/08/apos-bc-reduzir-juros-mantega-critica-taxas-de-bancos.html\r
\r

Responder
Leandro 31/08/2012 18:00:54

E segue o esbulho. As quadrilhas se comunicam vias respectivas embaixadas para tolher empreendedores que se esforçam para satisfazer consumidores. Quem não paga o arrego é chamado de "fraudador".

Sapato importado da Malásia está sob suspeita

O governo identificou fraude nas importações de calçados vindas da Malásia para burlar a sobretaxa aplicada contra o produto da China. Segundo investigação concluída pelo Ministério do Desenvolvimento, o importador falsificou a origem do produto: em vez de malaio, como constava nos documentos, o calçado, na verdade, era chinês. Estavam sendo importados sapatos plásticos, botas plásticas e tênis.

A partir desta sexta-feira, as exportações de calçados vindas da Malásia feitas pela Innovation Footwear Manufacturer serão barradas. As exportações de outras origens realizadas por essa companhia também serão observadas de perto. O governo não revelou o nome do importador do produto no Brasil, porque alegou que ele poderia não estar agindo de "má-fé".

Desde que foi aplicada uma sobretaxa de US$ 13,85 por par de calçado chinês, houve um "desvio de comércio" para a Malásia. As importações de sapatos da Malásia saltaram de apenas 10,8 mil pares no primeiro semestre de 2009 para quase 3 milhões no primeiro semestre de 2010 e 1,8 milhão no mesmo período de 2011. Enquanto isso, as importações vindas da China caíram de 16,3 milhões para 6,3 milhões e dois milhões nos mesmos períodos.

[...]

O governo brasileiro tentou localizar a Innovation Footwear Manufacturer por meio dos contatos da empresa no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), mas os dados estavam incorretos. Também recorreu à Embaixada da Malásia, sem obter sucesso.
[...]

Essa é a segunda investigação feita para identificar se os importadores estão burlando o direito antidumping contra o sapato da China. Foram analisados dois tipos de prática: a circunvenção e a fraude do certificado de origem. Na circunvenção, o importador envia partes e peças chinesas para outro país e apenas faz a montagem. Na fraude do certificado de origem, o documento é simplesmente falsificado.

[...]

Ainda no processo de circunvenção, o governo também investigou se as empresas estavam trazendo partes e peças para o Brasil e montando no País. Duas companhias foram analisadas: Mega Group e São Paulo Alpargatas. A São Paulo Alpargatas, fabricante da Havaianas, que também vende tênis, foi absolvida. O Mega Group, uma empresa desconhecida no mercado, foi proibido de importar partes e peças.

"Infelizmente, não tivemos êxito na primeira rodada, mas agora foi diferente", disse Heitor Klein, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), entidade que pediu as investigações. "É preciso estar vigilante, porque os importadores são cada vez mais ágeis e criativos", completou.




É isso aí. Trazer para o Brasil bens desejados pelos consumidores, principalmente os de mais baixa renda, e não pagar o arrego para burocratas e seus poderosos financiadores é "fraude" e "circunvenção". Se possível, boicotem os calçados nacionais.

Responder
Sérgio 31/08/2012 18:48:53

Porra, justo agora que tô comprando só produtos persas, árabes, indianos e chineses para boicotar a cultura ocidental, agora o nosso governo faz isso? Mas que merda!

Governo do PT é isso aí mesmo! Vai demorar uns 100 anos para reconstruir todo este estrago causado na nação durante estes 12 anos (isso se a Dilma não se reeleger).

Responder
André Caniné 26/09/2012 07:40:03

"Mantega é modesto. Animador de auditório é muito pouco para suas reais capacidades cênicas e seu humor involuntário. Um animador de circo — que, além de fazer palhaçadas e executar atos extremamente perigosos, também dialoga com quadrúpedes — seria uma descrição mais acurada."\r
\r
\r
\r
hahahaahhaha melhor trecho do artigo.

Responder
anônimo 26/09/2012 10:59:35

Um dos melhores textos que já li sobre economia no Brasil. COM CRÍTICAS QUE, DE FORMA IRÔNICA E DELICIOSA dão punhalada mortal no cerne das ações disparatadas do atual governo na área econômica.

Aqui no Brasil, permanece o esforço "miliciano" de nosso governo de criar "dificuldade para vender facilidade" depois. Criam leis e determinações sem sentido e às vezes impossíveis para, então acoçar empreendedores com ameaças ou amarras que lhes tirem a liberdade e lhes submetam mais fortemente ao jugo deste governo que mostra cada dia com mais clareza sua face totalitária.

Responder
Arnóbio Freire 27/12/2012 20:13:58

Não concordo com absolutamente nada que foi dito neste espaço, mas sou capaz de dar a minha vida para que vocês continuem tendo a liberdade de dizê-lo...

Acho que a frase original pertence a Voltaire...

Sds.

Arnóbio Freire

Responder
Hugo 26/10/2013 15:51:27

Qualquer semelhança com a era Sarney não é mera coincidência! a única coisa que falta pra deixar os 2 governos iguaizinhos é a volta da SUNAB.

Responder

Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
  Nome
  Email   (também utilizado para o Avatar, crie o seu em www.gravatar.com)
  Website
Digite o código:

Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.







Blog  rss Assine o RSS de Blog da Mises.org.br
  Comedimento e sobriedade
        por Helio Beltrão - 10/06/2014
  Comunicado
        por Equipe IMB - 10/06/2014
  O que fazer com a Petrobras?
        por Leandro Roque - 07/04/2014
  Mises ou Marx? O jogo
        por Fernando Chiocca - 03/04/2014

Multimídia   
  Podcast Mises Brasil
        por Bruno Garschagen - 06/01/2015
  Fraude - Explicando a grande recessão
        por Equipe IMB - 31/10/2012
  III Conferência de Escola Austríaca
        por Equipe IMB - 25/06/2012
veja mais...



Instituto Ludwig von Mises Brasil



contato@mises.org.br      formulário de contato           Google+
Desenvolvido por Ativata Software