A virtude do lucro

O começo do século XXI tem sido marcado pela revalorização da figura do empreendedor. Não é raro, por exemplo, que faculdades tenham cursos e seminários de empreendedorismo ou de liderança. Até que ponto esses cursos são capazes de formar empreendedores de verdade é uma questão em aberto; eles certamente indicam, contudo, um interesse no tema.  Muito tem sido escrito sobre as virtudes necessárias a um empreendedor de sucesso: qual sua motivação, como ele se relaciona com seus stakeholders, de onde ele tira as ideias que revolucionam o mercado. Neste texto, tratar-se-á do mesmo tema só que de outro ponto de vista: explorarei, de maneira introdutória, qual o papel econômico do empreendedor; isto é, qual é sua função no mercado e por que ele é importante.

Para começar a falar disso é preciso falar de valor. Mais especificamente: o que determina o valor de um bem ou serviço? O curioso dessa pergunta é que, no fundo, todo mundo sabe a resposta, mas teria dificuldade em explicar em detalhe: o que te leva, leitor, a aceitar pagar mais por um bem do que por outro? Simples: a capacidade (segundo a sua percepção) daquele bem de satisfazer a seus desejos e necessidades. Se gosto mais de sorvete de limão do que de chocolate, então eu estaria disposto a pagar mais pelo primeiro do que pelo segundo. Se eu realmente detestar sorvete de chocolate, não o compraria nem que custasse 1 centavo o litro. E se todos pensassem assim, o sorvete de chocolate logo sumiria das lojas. São os diversos desejos das diversas pessoas que, comprando e se abstendo de comprar, determinam os preços.

Espere um momento; algo não parece bem nessa explicação. Pois veja: água é essencial para a vida; anel de diamante é luxo desnecessário. Tendo que escolher entre ter um deles e abrir mão do outro, todo mundo escolheria a água. E, mesmo assim, um galão d'água é muito mais barato que o menor dos diamantes. Esse problema incomodou os economistas por muito tempo nos séculos XVIII e XIX, até que três economistas, trabalhando independentemente (um dos quais, Carl Menger, deu origem à chamada Escola Austríaca que inspira este site), resolveram a questão, apontando o fator que, integrado aos desejos e necessidades dos homens, determina o valor de um bem: a escassez relativa. Um copo d'água vale tão pouco porque a água nos é muito abundante; um copo a mais ou a menos pouco afeta os usos que fazemos da água. Mas pode ter certeza: se a água potável disponível diminuísse drasticamente de forma inesperada, em poucos dias veríamos milionários oferecendo suas joias em troca de um copo. E desperdiçar um copo d'água seria tão impensável como jogar, hoje em dia, diamantes no lixo. Isso em parte já ocorre: em países sem a abundância hídrica do Brasil a água é, de fato, mais cara.

A esses bens e serviços que satisfazem as necessidades dos consumidores (copo d'água, anel de diamante, etc.) chamamos "bens de consumo" (falarei sempre de bens, mas saibam que o mesmo se aplica a serviços, isto é, coisas que não conseguimos segurar na mão ou no copo). Existem bens, contudo, que não são usados diretamente pelos consumidores, mas que servem para produzir outros bens. São os bens de capital, também chamados de meios de produção. Alguns exemplos são matérias-primas como metais ou grãos, máquinas utilizadas na indústria, o papel que será usado na confecção de um livro, a mão-de-obra que vai transformar a matéria-prima, a energia elétrica, etc.

O que determina o valor dos bens de capital é o valor dos bens de consumo que eles podem ser usados para produzir. Imagine que, progressivamente, nossa sociedade se desencante com o automóvel, e que as pessoas passem a preferir outros meios de transporte como a bicicleta, que andem mais a pé e que o metrô se torne mais acessível, etc. A demanda por automóveis cairia. Com menos vendas de carro, algumas empresas fechariam, outras diminuiriam a escala de sua produção. Uma máquina cuja única utilidade fosse na linha de montagem de automóveis seria menos demandada e perderia valor. O lucro possível de se obter com tal máquina cairia, e portanto o industrial do ramo não estaria disposto a pagar por ela o mesmo que pagaria em tempos passados, quando o carro era visto como necessidade absoluta por todo mundo que pudesse comprá-lo.

Como tudo isso se relaciona com o empreendedor? Ora, o empreendedor é alguém que compra meios de produção (matéria-prima, energia, trabalho) e os articula para produzir outros bens (que podem ser bens de consumo ou ainda outros bens de capital). Tendo em mente a determinação do valor dos bens descrita acima, como a empresa lucra? Ela lucra quando usa bens de capital de valor X e consegue, com eles, produzir outros bens cujo valor de venda seja maior do que X.

Agora chegamos ao ponto central. Reparem: Como o valor dos bens de capital é determinado pelo valor dos bens de consumo que eles são capazes de produzir (o valor da máquina que produz carros depende do valor esperado dos carros), o valor agregado dos bens de capital de uma linha de produção deveria ser igual ao valor do produto final deles (corrigido, é verdade, por uma taxa de juros referente ao tempo que o processo produtivo leva). O esperado, portanto, é que não exista nem lucro nem prejuízo. Se consigo produzir, com um conjunto de bens de capital, bens de consumo no valor Y, então o valor dos bens de capital também deveria ser Y, e ninguém me venderia esses bens de capital por menos do que eles valem. Como é, então, que algumas empresas conseguem lucrar?

O lucro só é possível por um motivo: o mercado, isto é, a rede de pessoas que trocam umas com as outras, pode ignorar muitas coisas e errar em suas avaliações. O empreendedor que tem lucro é alguém que descobriu um modo de usar os recursos disponíveis que o resto do mercado, em sua maioria, ainda não conhece, ou nunca pensou, ou pensou e considerou uma ideia ruim. Todo ato empreendedor é um ato de risco: é um lançar-se contra a opinião estabelecida, na crença e na esperança de que há uma possibilidade de criação de valor que tem sido ignorada; que há jeitos de se atender à demanda da população que ainda não foram tentados. Todo mundo pensa que um dado bem de capital pode, no máximo, produzir o valor X; e por isso ele é vendido pelo preço X; mas o empreendedor vê nele o potencial de produzir um valor maior que X; e assim começa um negócio. Se estiver certo, sua empresa terá lucro. Se estiver errado, prejuízo.

A conclusão disso tudo é que não existe um "lucro normal", algo que todo empreendedor pode esperar e ter como garantido. Todo lucro é de certa maneira excepcional, fruto de um uso dos recursos que o resto do mercado não foi capaz de prever. É uma aposta acertada contra a opinião vigente (isto é, contra os preços que o mercado atribui aos meios de produção). É verdade que barreiras e regulamentações legais viciam um pouco essa realidade: num setor cartelizado ou até monopolizado, em que o governo impõe restrições legais à entrada de novas empresas (e ele é o único capaz de fazê-lo, por deter os meios coercitivos necessários), a empresa pertencente ao cartel pode contar com um lucro acima do que teria se houvesse livre concorrência, cobrando preços mais altos. Mesmo assim, ela ainda está sujeita à concorrência de bens substitutos vindos de outros setores (os Correios perderam muita demanda com a chegada do e-mail) e com as flutuações de demanda por seu bem; seu lucro também é excepcional e depende de algum esforço de adequar-se às demandas dos consumidores.

Ademais, todo lucro coloca em funcionamento os mecanismos que levam a sua própria extinção: ele sinaliza que há valor a ser criado numa área e dá o incentivo para outros empreendedores imitarem os exemplos de sucesso. Conforme mais gente imite a ideia lucrativa original, o valor dos bens de capital usados sobe (pois há mais demanda por eles), e o valor dos bens produzidos cai (pois há mais oferta deles), até que o lucro se esgota. O mercado encontrou um novo equilíbrio. Mas o mercado é complexo e composto de bilhões de pessoas e outras incontáveis variáveis que mudam o tempo todo. Novas mudanças estão sempre acontecendo, novas ideias sendo postas em prática o tempo todo; pessoas nascem e morrem, outras mudam suas preferências. Uma mulher resolveu cuidar de sua saúde e parar de beber refrigerante: isso já desloca o mítico ponto de equilíbrio. O mercado é, portanto, um sistema dinâmico que está sempre se dirigindo a um equilíbrio que muda de lugar a todo instante. E o empreendedor é o agente dessa mudança.

É ele que põe o processo em andamento. Todas as outras funções do mercado (trabalhadores e poupadores, basicamente) recebem dele seu direcionamento. É claro que todo mundo depende de todo mundo: sem trabalhadores para oferecer a mão-de-obra e sem poupadores para disponibilizar o capital, o empreendedor nada poderia fazer. Mas é ele que dá a finalidade para o trabalho e para o capital. Quem determina que tipo de vagas de emprego serão ofertadas? E quem determina as opções de investimento do capital? Os empreendedores, sempre tentando atender da forma mais eficiente possível à demanda dos consumidores. Eles colocam em andamento o processo pelo qual as pessoas são incentivadas a poupar (para ganhar uma taxa de retorno em seu capital) e a trabalhar (oferta de vagas de emprego a diversos salários). Se, depois de concluído o processo, depois de pagar seus trabalhadores, fornecedores e credores, sobrar algo (grande parte do qual, provavelmente, será reinvestido na empresa), isso significará que ele criou valor. Nem por isso poderá descansar; o mercado está sempre mudando, novos pontos de equilíbrio estão surgindo, as velhas oportunidades de lucro estão se esgotando. Seu trabalho, portanto, nunca para.


0 votos

SOBRE O AUTOR

Joel Pinheiro da Fonseca
é mestre em filosofia e escreve no site spotniks.com." Siga-o no Twitter: @JoelPinheiro85


"O Warren Buffett tem uma frase que para mim é sensacional, certa vez ele disse que "você deve confiar o seu dinheiro apenas a única pessoa que você tem certeza que nunca irá lhe passar a perna, você mesmo!".

Se for para investir em fundos ou qualquer outra aplicação gerida por terceiros prefiro ficar na renda fixa mesmo."

Isso me deixou curioso. Pelo que eu saiba o Warren Buffett investe em fundos de ações.

E mais, muitos empresários(ou trabalhadores que ganham muito) quando tem uma rentabilidade que deixa uma margem para investimentos pessoais, ele não o faz sozinho e sim por meio de holdings familiares apenas e exclusivamente para isso, e essas holdings são geridas por terceiros ou as mesmas se associam com um private banking de um banco ou vários bancos.
Pego exemplo o Abílio Diniz, ele tem a Península Participações, onde por meio desse fundo ele investe em outros fundos, ações, títulos e etc. Aliás os próprios banqueiros fazem isso, eles não colocam todo o dinheiro em seu próprio banco para investir, e investe parte dele em fundos de investimentos.
Os empresários que venderam recentemente suas empresas parece ser a regra, a grande maioria deles investem em fundos de invetimentos ou private banking porque não conhecem ou não sabem como gerir o dinheiro que auferiram na venda de sua empresa.

Portanto fica as seguintes perguntas: O private banking(clientes ricos) acaba se tornando pior do que investir sozinho? Se sim o por que?
Investir em um fundos de investimentos acaba se tornando pior do que investir sozinho? Se sim o por que?

Obs: Se a resposta for sim em todas as respostas, então vocês deveriam falar isso para os bilionários do private banking e dos fundos de investimentos que eles estão fazendo errado em confiar seu dinheiro em terceiros e começar a agir diferente, investir sozinho seus próprio dinheiro. E o que falar dos bancos de investimentos? Era para o UBS já ter ido a falência, porque obviamente os bilionários não são burros.
Sr. Capital Imoral

O artigo por você comentado, brilhantemente escrito, diga-se, refere-se à soberania que todo indivíduo deve ter para fazer diversas escolhas, em particular, ao direito de portar uma arma de fogo para defender-se.

O sr. dá a entender que acredita que por viver em coletividade um homem ou mulher não tem individualidade. Com todo o respeito, é algo bastante tacanho. Mas, não me surpreende vindo de alguém que diz buscar "socialismo e liberdade" ao mesmo tempo em que nega ser "dono"de si.

Por favor, divirta-nos mostrando como alguém que não é dono de si pode ser livre...

Ah, e antes que eu me esqueça, por favor, divirta-nos também contando mais sobre essa sua tese de que os traidores são os "neoliberais".

Deve ser por isso que Luiz Carlos Prestes, um comunista de carteirinha, entregou a sua esposa judia Olga Benário, grávida de 7 meses, a Getúlio Vargas, para ser deportada diretamente para a Alemanha nazista de Adolf Hitler em troca da sua liberdade.

Deve ser por isso que Fidel Castro traiu o governo dos EUA, que o apoiou na derrubada da ditadura de Fulgêncio Batista.

Certamente é por isso que socialistas/comunistas praticavam seus justiçamentos, para tanto bastando simplesmente desconfiar.

Provavelmente é por isso que governos socialistas/comunistas matam justamente o seu povo. Inclusive boa parte daqueles que ingenuamente os apoiavam por acreditar, como você, que socialismo significa liberdade e, chocados, começarem a perceber a cilada em que caíram tão logo os governos que ajudaram a subir ao poder chegam a ele.

Se isso não é "trair o coletivo", então, por favor, conte-nos o que é.

O Homem, com "H" maiúsculo, vive em coletividade. A coletividade é uma característica da espécie humana.

O homem, assim como a mulher, são indivíduos. E como tais, fazem suas escolhas. Coletivas e individuais. Inclusive quanto a quais coletivos pretendem seguir. E devem ter direito a elas. Isso inclui o poder de decisão sobre portar ou não arma de fogo.

Exatamente aí está o ponto. Aliás, vocês esquerdistas sabem muito bem usar o direito à individualidade quando ele lhes serve para vender suas idéias esdrúxulas. Ou você agora vai negar que as "feminazis" adoram bradar "meu corpo, minhas regras!"?

Seria divertido também ver o senhor, um orgulhoso filósofo e escritor, que diz que "já refutou Mises", explicando à essas mulheres sobre não ser seu dono, ser apenas uma ideia em prol do coletivo.

Sr. Capital Imoral, seus argumentos se baseiam inteiramente em uma visão completamente distorcida dos fatos. Algo, aliás, típico em esquerdistas. Distorcem a realidade ao sabor das suas conveniências para tentar adaptá-la à sua linha de raciocínio, se é que podemos dizer que há algum raciocínio em gente que nega a realidade à sua volta.

" Eu sou uma ideia, eu sou um espirito coletivo da busca pelo socialismo
e liberdade".

Sinto dizer, mas você terá de se decidir. Ou escolhe buscar o socialismo, ou o faz buscando a liberdade. Os mais de 100 milhões de mortos por esse regime nefasto e suas famílias (as que sobreviveram) certamente têm muito a dizer sobre liberdade no socialismo.

Diga em qual lugar do mundo socialismo e liberdade andaram juntos. A história mostra justamente o contrário. Socialismo sempre mostrou-se o oposto à liberdade e um sinônimo de autoritarismo. Norte-coreanos, cubanos, chineses, russos, venezuelanos, vietnamitas, cambojanos, romenos, poloneses, etc, têm muito a ensinar sobre isso.

Talvez você mesmo possa nos contar sobre como pode significar liberdade um regime que foi capaz de matar mais que a soma de todas as guerras do século XX. Pior: os mortos por esse regime eram do povo dos próprios países socialistas, não de países inimigos. Os povos que viveram sob esse regime sabem como ninguém o que é traição.

Mas, o senhor, iluminado como diz ser, poderia nos enriquecer contando quais países cujos governos adotaram idéias liberais provocaram o mesmo efeito.

Regimes socialistas só foram implementados às custas de repressão, violência e autoritarismo, com muito sangue derramado. Nem mesmo esse método e imposição garante a sua sobrevivência. Todos os regimes socialistas caíram de podres. Os que ainda sobrevivem estão cada vez mais fracos, sua vez de desmoronarem não tardará. E isso ocorre exatamente por causa da realidade. Não se pode negá-la eternamente.

Um dos grandes erros de vocês socialistas é tentar vender o capitalismo como se ele fosse uma espécie de entidade, algo criado artificialmente. Não percebem que o capitalismo é simplesmente a realidade entre as relações comerciais entre as pessoas. Liberais defendem o curso natural das coisas. O livre mercado.

Diferentemente do socialismo/comunismo, que um conjunto de teorias criadas por "pensadores" baseados exatamente na distorção da realidade. E que só pôde ser efetivamente implementado à força.

A julgar pelo fato de os mais bem sucedidos países do mundo adotarem, em variados graus, idéias liberais; mostra que quanto maior a interferência do Estado no cotidiano do cidadão, piores são as condições de vida da população, do coletivo.

Aí está uma lição para você pesquisar e estudar, sr. Capital Imoral. Tire os óculos ideológicos e observe o mundo à sua volta. Nada mais anti-socialista. Veja os rankings dos países com melhor IDH, com melhores indicadores de desenvolvimento. E veja quais são os países que mais implementam idéias liberais. Silogismo em estado puro.

Quanto à propriedade nada mais é que uma conquista daquele que trabalha duro por ela. Só questiona o direito à propriedade aquele que quer aquilo que pertence aos outros. Duvido que você abra mão das suas propriedades para ser coerente com o seu discurso contrário à ter esse direito.

Quando o fizer, senhor filósofo e escritor, aponte-nos, por favor, países sob regimes socialistas que estejam entre os primeiros em qualidade de vida, renda per capita, desenvolvimento humano, etc

Aí sim você estará refutando Mises. Do contrário, toda a sua ladainha de esquerdista só confirmará o quão ele está certo.





9 horas

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • BSJ  22/05/2012 10:07
    A propósito, alguém poderia me "ensinar", da forma mais didática e sucinta possível, a teoria esdrúxula marxista da Mais-valia?
    É que eu gostaria de dizer a meus colegas esquerdistas uma forma simplista e eficaz de como se desconstrói essa empulhação de Marx. Pois em um bate-papo, isso me pouparia um bocado de tempo.
  • Leandro  22/05/2012 11:36
    BSJ, mais-valia é a diferença entre o valor produzido pelo trabalho e o salário pago ao trabalhador, que seria a base do lucro no sistema capitalista. Porém, isso é uma total impostura.

    Aconselharia os seguintes artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=714
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=979
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=909
  • Fernando Chiocca  22/05/2012 12:58
    A mais valia foi deduzida a partir de uma teoria mais esdrúxula ainda, a teoria do valor trabalho que o próprio Adam Smith abraçou e difundiu, embora os escolásticos já tivessem tido desenvolvido a teria do valor subjetivo, que era inclusive bem difundida no continente.
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=688

    Segundo o valor trabalho, se você está passeando pela mata e encontra uma pedra de diamente, ela não vale nada, pois não te deu trabalho algum. Mas se você passa 1 ano cavando um buraco e outro ano tapando o buraco, o nada que você criou vai valer um bocado!

    Marx foi até coerente em, a partir dessa imbecilidade, chegar na mais valia.


  • Tiago Moraes  23/05/2012 07:10
    Fernando Chiocca

    Adam Smith não foi o difusor da teoria do valor-trabalho, na verdade ele apenas tentou fundamentá-la, tendo por exemplo prático, uma comunidade de homens primitivos, quando tentou evoluir o exemplo para uma sociedade capitalista complexa, Smith não conseguiu dar sustentação a teoria e terminou por abandoná-la. A teoria do valor de Smith, na verdade se restringe a tentar explicar a formação dos preços mediante a relação entre remuneração de fatores produtivos e as oscilações entre oferta e procura. O verdadeiro difusor da teoria do valor-trabalho, foi David Ricardo.

    David Ricardo, acreditou que Smith não havia conseguido consolidar a teoria por falta de experiência prática, a respeito do funcionamento de uma moderna sociedade capitalista, dado o seu conhecimento prático, como o de alguém que prosperou e enriqueceu como investidor na Bolsa de Londres, Ricardo acreditou que poderia estabelecer a teoria. David Ricardo jamais conseguiu compreender que Smith abandonou a teoria do valor-trabalho, porque na verdade ele conseguiu compreender, assim como fizera Hume antes, que não faz sentido sustentar uma teoria do valor, tendo por base uma noção de que o consumidor, conheceria perfeitamente o processo produtivo de cada item que ele consome, sendo por tanto, capaz de valorá-lo em comparação com os custos produtivos (em trabalho) de todos os outros bens passíveis de consumo.
  • Tiago Moraes  23/05/2012 07:18
    Procure ler a obra "Teoria do Juro e do Capital" de Eugen von Bohm-Bawerk. A primeira metade do livro, ele procura estabelecer as principais influências da teoria socialista da exploração, em seguida ele estabelece os fundamentos da toeria da mais-valia de Marx, de forma a fazer o leitor ter uma boa compreensão da teoria socialista da exploração do trabalho. Na segunda metade da obra, Bohm-Bawerk refuta cada elemento que sustenta essa teoria, enfim, em um único livro tu aprende a teoria e como refutá-la.

    Tem esse Ebook aqui no site, que faz um resumo das teses de Bohm-Bawerk:

    www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=219
  • Catarinense  22/05/2012 10:49
    É presunção demais achar que um comitê de especialistas pode julgar e alocar corretamente os recursos de uma nação. Ou completa falta de conhecimento mesmo. Excelente artigo, como sempre.
  • LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA  22/05/2012 12:19
    Leandro, surgiu-me uma dúvida. No artigo o Joel diz que o empreendedor é quem "dá a finalidade para o trabalho e para o capital". Mas não seria o consumidor a ter a última palavra sobre a destinação final dos fatores escassos de produção em um livre mercado? Isso porque um empreendedor X pode ter uma brilhante idéia de produzir um produto genial que ele supõe ser extremamente vendável em determinado nicho de mercado, realizar uma combinação extremamente eficiente de fatores em uma linha de produção, e, mesmo assim, os consumidores não comprarem o produto, levando a empresa de X à falência. Nesse caso, foram os consumidores que determinaram que o uso dado por X aos fatores escassos utilizados não foi uma combinação produtiva adequada aos seus interesses, vontades,desejos ou preferências.

    E então, nesse caso não seria mais correto dizer que o "rei" de um mercado livre, como diria Mises, quem determina de fato a alocação eficiente dos fatores escassos é o consumidor, ao invés do empreendedor? O empreendedor, novamente na concepção misesiana, como está dito em Ação Humana, não é verdadeiro patrão do empresário ou empreendedor, emitindo sinais de como deve ser a alocação de recursos escassos mais eficiente?

    Grato pela atenção.


  • Joel Pinheiro  22/05/2012 15:38
    Você está coberto de razão, Livio. Quem dá a finalidade última do que vingará ou não no mercado, decidindo lucros e prejuízos, são os consumidores. O empreendedor visa atender a demanda deles.

    Mas o empreendedor não tem conhecimento direto do que os consumidores querem. Ele tem que decidir baseado em sua previsão incerta. E assim, no processo produtivo em si, quem decide o que será produzido, como e quanto é o empreendedor. Por isso disse que ele dá a finalidade: pois o trabalhador não necessariamente trabalhará no que os consumidores querem; ele trabalhará na função que algum empreendedor pensou e disponibilizou. Os consumidores entram depois para confirmar ou rejeitar (com suas ações) o que os empreendedores decidiram fazer.
  • LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA  22/05/2012 18:04
    Grato pela intervenção Joel. Entendi agora o que você quis dizer. Na verdade, o máximo que o empreendedor poderia fazer a fim de minizar os riscos do seu investimento é alocar os recursos escassos nos setores mais lucrativos da economia. Para isso, também ajuda um bom plano de negócios, incluindo cenários estratégicos e uma sólida pesquisa de mercado.

    Um abraço
  • Cesar  22/05/2012 12:21
    Parabéns ao Joel por esta excelente comtribuicao manifestada na forma de artigo. Creio não ser pedir demais uma continuação do mesmo.
  • José Ricardo das Chagas Monteiro  23/05/2012 05:42
    Saudações, além de todas dificuldades para descobrir,elaborar e pesquisar, ainda o empreendedor tem que lidar com (des)governo intervencionista,mamute e corrupto, que em nome do "puder" atrapalha e dá sinais falsos, claro, sem contar com a imprenssa cooptada.
    Como dizia um certo ator comediante: [b]é muito difirci{/b].
  • Jose Ricardo das Chagas Monteiro  23/05/2012 05:52
    Saudações, este "site" merece o melhor português, desculpa, e corrigindo: "imprensa"
  • Eliel  26/05/2012 08:01
    "O mercado é, portanto, um sistema dinâmico que está sempre se dirigindo a um equilíbrio que muda de lugar a todo instante."
    Se não me falha a memória, abstraindo a palavra mercado, temos uma afirmação que remete à Teoria dos Sistemas Dinâmicos que produzem Ordem Expontânea no devir.
    O Atrator Estranho anota graficamente este equilíbrio que muda de lugar a todo instante. Esta teoria é conhecida como Teoria do Caos, mas não tem nada de anárquico.
    Condições de Contorno e Condições Iniciais é uma linguagem muito empregada em ciencias naturais. Mas por ser linguagem pode ser utilizada em economia em seu aspecto qualitativo. Nem é preciso recorrer ao Ceteri Paribus. Importa conhecer a linguagem dos economistas do mainstream para debater com eles. Inclusive com aqueles que empregam numeros em sua Teoria de Mais Valia. Que a Praxeologia é não-linear em sua análise, digamos, "matemática", é o que suspeito intuitivamente. A própria Incerteza no conhecimento futuro pode mudar o paradigma de um dado irredutível a priori.
    No fundo o que quero dizer é que se tivessemos um algoritmo básico poderíamos indicar o caminho através da computação. Os riscos poderiam ser melhor estimados.
    O assunto não se esgota e vai longe.
    Abraços.
  • vanderlei  27/05/2012 12:02
    No Brasil o Lucro das indústrias estão em torno de 10% a 20% da Receita Total.
    Lembrando que a Indústria vende para o Comérico e este para o Consumidor final.

    O preço do produto industrial será valorizado em até 100% no comércio, se o produto vale na industria R$ 100, custará no comérico até R$ 200.

    O valor do mercado é utilizado para a comercialização e não industrialização do produto.

    É no comércio que nos deparamos com o problema do preço.
    É na industria que nos deparamos com o problema tecnológico


  • O MESMO de SEMPRE  13/03/2016 19:32
    .
    O LUCRO foi demonizado dogmaticamente, mas todo tipo de remuneração ao trabalho É LUCRO.
    Uma parte do salário é lucro e a outra é custo para trabalhar.

    Lucro é a diferença entre PREÇO de VENDA e PREÇO de CUSTO.

    Assim, um assalariado tem um CUSTO para ir trabalhar: transporte, vestuário e insumos/ferramentas próprias.
    O seu salário é o total recebido pela venda/troca do seu trabalho por bens e serviços alheios. Porém, para receber essa remuneração por seu trabalho, uma parte dela é o seu gasto para realizar o seu trabalho.

    Se o sujeito trabalha em casa com ferramentas e matéria prima fornecidos na sua casa pelo empregador (comprador de sua produção), pode-se dizer que o custo de sua produção é zero para si. Portanto todo o montante recebido monetáriamente será lucro. Porém se gasta vestuário específico para trabalhar e ferramentqas próprias (que pode ser caneta, lapis, maquinas ou artefato qq) o custo destas deverá ser descontado do montante recebido para apurar o valor do LUCRO, que será a REMUNERAÇÃO POR SEU TRABALHO.

    Ou seja, por definição o LUCRO é a REMUNERAÇÃO LIQUIDA DO TRABALHO e que então será trocada por bens e serviços alheios.

    Contudo a politicagem safada resolveu CHAMAR de LUCRO somente a remuneração daqueles que não são assalariados e que podem ser patrões ou trabalhadores autônomos que vendem o seu trabalho para variados compradores.
    Por exemplo:

    Um marceneiro pode ser um assalariado e assim nada gastará com aquisição de matérioa prima. Estará então trocando seu trabalho diretamente com seu patrão.
    Um marceneiro autônomo terá que adquirir a matéria prima e adicionar ao preço do bem produzido todo o seu custo e mais um LUCRO. No final das contas poderá ter um lucro liquido sobre a venda de seus produtos (obtendo remuneração por seu trabalho indiretamente) semelhante ao que obteria vendendo seu trabalho diretamente a um empregador. Assim, poderia obter a mesma remuneração, uma remuneração maior ou mesmo menor que a de um assalariado. Se ele presume que será mais dificil ober remuneração como autônomo ele optará por ser um assalariado e ter a segurança do lucro certo.

    A palavra foi demonizada simplesmente para ANTAGONIZAR EMPREENDEDORES (patrões ou autônomos) aos assalariados. De uma forma polítioqueira canalha para jogar uns contra os outros IONVENTANDO INIMIGOS PARA ALICIAR AMIGOS.

  • manuel ferreira  25/05/2016 23:18
    PENSE BEM.
    Há apenas duas formas de avaliar a Capacidade Contributiva do Contribuinte :
    A primeira é com LIBERDADE e JUSTIÇA , através da autodeclaração do próprio . ( impostos reais e indiretos ).
    A segunda é com PREPOTÊNCIA e DITADURA , através de milhões de fiscais que durante 25 horas por dia vão infernizar a VIDA de todos até encontrarem uma agulha no palheiro . ( impostos pessoais e diretos ).
    O "" IVA – imposto único nacional "" --- é o único imposto LIVRE , JUSTO , e DIGNO --- só não vê quem não quer .
    PENSE BEM ... pensar ainda não paga IMPOSTO.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.