O dilema do sistema bancário e as regras da Basileia
Com o Deutsche Bank derretendo, junto com a banca italiana, eis a raiz do problema


N. do E.: o artigo a seguir foi originalmente publicado em novembro de 2011.  Os recentes acontecimentos com o Deutsche Bank, com a banca italiana e, em geral, com todo o sistema bancário europeu, cuja crise bancária parece não ter fim, o tornaram extremamente atual.

Para quem quer entender a raiz do problema, e como foi possível os bancos chegarem ao ponto de quebrar um país ou colapsar o sistema inteiro, este artigo é imprescindível.


"Dentre todas as maneiras de se organizar o sistema bancário, a pior é justamente a que temos hoje".  Essas palavras foram proferidas por ninguém menos que Sir Mervyn King, presidente do Banco Central da Inglaterra (Bank of England), em outubro de 2010, no seminário anual realizado pela revista The Economist (o Encontro de Buttonwood) em Nova York.  É difícil discordarmos.

A história do sistema bancário é repleta de crises, turbulências, euforias, depressões, quebras generalizadas, altos lucros e flutuações desenfreadas.  E, não obstante, o setor parece não ter aprendido muita coisa ao longo do tempo.  O dilema do sistema bancário ainda nos assombra: quando uma maioria de correntistas repentinamente resolve sacar o dinheiro de suas contas, não há dinheiro suficiente nos cofres dos bancos.

Um estudo do FMI, realizado em 2008, contabilizou 124 crises bancárias desde 1970.  Vários países estão na lista.  Devido à data do estudo, a Islândia não foi incluída.  E nem a Europa.

À luz dos atuais eventos, faz-se necessário a pergunta: pode o atual sistema bancário ser reformado?  A declaração de Sir Mervyn King deixa implícito que sim.  Certamente há outras maneiras de se organizar o sistema bancário.  Implícita também nessa afirmação está o fato de que o sistema bancário realmente já foi mais corretamente organizado.  Mas então por que o nosso atual sistema bancário é tão frágil?  Por que, em vez de progredir, regredimos nessa vital atividade econômica?  Por que esta é a única indústria que necessita de um emprestador de última instância?  Por que ela consegue fazer com que a economia de um país seja sua refém?  Quais são as reformas necessárias?

Abaixo, uma tentativa de abordar resumidamente as principais características do nosso atual sistema bancário.  Em seguida, uma análise da estrutura de Basileia III (os Acordos de Basileia III), a qual, no momento, está sendo anunciada solenemente como a suposta ferramenta que irá fortalecer a resiliência dos bancos a crises.  Ao final, serão levantadas algumas questões essenciais e, em seguida, apresentados os princípios sobre os quais deve se basear qualquer tipo de reforma bancária.

O sistema bancário atual

São vários os aspectos da atual prática bancária que devem ser discutidos.  Não obstante, vamos aqui restringir nossa análise às características que melhor definem como os bancos operam nos dias de hoje.  Os efeitos econômicos de tais práticas são não apenas relevantes como também decisivos.

A maturação descompassada

A regra de ouro sobre como deveria funcionar o sistema bancário foi cunhada em 1853 por Otto Hübner, que disse que "ativos e passivos não devem ter suas datas de maturação descompassadas".  Mas este não é um problema restrito aos bancos.  Com efeito, todas as empresas têm de aprender a como lidar com ativos e passivos que maturam em períodos de tempo distintos.  Seja uma produtora de aço ou um supermercado, os empreendedores têm de garantir que seus passivos não vencerão antes de seus investimentos.  Um problema de liquidez pode acabar se transformando em um problema de solvência caso os ativos tenham de ser vendidos a preços de liquidação ou caso os passivos não consigam ser rolados.

Em suma, os bancos emitem passivos de curto prazo (depósitos em conta-corrente, ou seja, dívida com com prazo de maturação zero) com o intuito de financiar investimentos de longo prazo (por exemplo, empréstimos comerciais, hipotecários etc.).  Se os correntistas constantemente renovarem suas dívidas (isto é, se absterem de sacar suas contas-correntes), os bancos não terão problemas de liquidez.  Os problemas surgem quando há uma mudança de comportamento e os correntistas decidem tirar seu dinheiro dos bancos.

O sistema bancário de reservas fracionárias

A maturação descompassada é uma especulação de risco.  E a prática de reservas fracionárias é uma maturação descompassada em ampla escala.

Se um banco utiliza $100 em dinheiro em espécie que estava em uma conta-corrente para emprestá-lo para um indivíduo qualquer a um prazo de maturação de dois anos, o banco está incorrendo em uma maturação descompassada.  Ele emitiu $100 em passivos de curto prazo para financiar ativos de longo prazo.  Se ele não conseguir converter esse ativo em $100 quando for demandado pelo correntista, o banco estará insolvente.

No entanto, no atual sistema bancário de reservas fracionárias, os bancos normalmente não emprestam o dinheiro em espécie que foi depositado.  Eles, em vez disso, criam uma nova conta-corrente (formada unicamente por dígitos eletrônicos), cujo valor é então concedido como empréstimo.  Desta forma, o balancete de um banco irá mostrar um total de $200 na forma de depósitos em conta-corrente, sendo $100 em dinheiro em espécie e $100 em empréstimos (com dinheiro exclusivamente eletrônico).  Portanto, o banco possui 50% de dinheiro em espécie (reservas) para honrar seu passivo de $200.  Ele possui apenas uma "fração" como reserva.  Ao constatarem que os correntistas raramente retiram seus fundos, os bancos se sentem confiantes para expandir o crédito, concedendo empréstimos em quantias várias vezes superiores ao dinheiro originalmente depositado.  Bancos, desta forma, criam dinheiro "ex nihilo".  Ou, como descrito nos atuais livros-texto de economia, eles multiplicam dinheiro.  Trata-se do "multiplicador monetário" (mais detalhes abaixo).

Portanto, por meio da prática de reservas fracionárias, os bancos podem emitir passivos de curto prazo ao mesmo tempo em que mantêm apenas uma pequena fração de ativos líquidos de curto prazo, sendo que a vasta maioria dos ativos está na forma de investimentos de longo prazo.  Ao longo da história, a maioria dos bancos mostrou-se incapaz de sobreviver durante muito tempo seguindo esta prática, dado que eles simplesmente não eram capazes de restituir todo o seu passivo em espécie (no passado, ouro; no presente, cédulas criadas pelo banco central).  A criação de um banco central foi a consequência lógica desse arranjo, uma criação com o objetivo de remediar essa falha.

Bancos centrais

Praticamente todos os países do planeta possuem no núcleo de seu sistema financeiro um banco central, cujas funções precípuas são a emissão de moeda nacional e o controle das taxas de juros (controlando desta forma a oferta monetária), e que age como emprestador de última instância ao setor bancários em momentos de crise.  Adicionalmente, vários bancos centrais também assumem uma função regulatória com o objetivo de supervisionar os bancos, implementando uma miríade de regulamentações que tentam garantir a estabilidade do sistema financeiro.

O sistema bancário de reservas fracionárias não somente é monitorado como também é estimulado pelo banco central, cuja principal ferramenta de política monetária é o mecanismo dos "depósitos compulsórios", isto é, a estipulação da quantidade de dinheiro que um banco deve manter como reserva para seus depósitos.  Ao reduzir a fração de reservas que os bancos são obrigados a manter, o banco central permite que o sistema bancário aumente o "multiplicador monetário".  Os bancos podem agora expandir mais crédito em cima de uma mesma quantidade de reservas.

Até aqui, foram abordados de maneira descritiva apenas os aspectos mais essenciais do sistema bancário atual, com o objetivo de nos prepararmos para a análise a seguir.  À medida que prosseguirmos, serão apresentadas algumas críticas ao atual arranjo bancário.

O arranjo da Basileia

O total fracasso de Basileia I e principalmente de Basileia II em antecipar a crise financeira de 2007 estimulou as autoridades a revisar e atualizar seu arranjo de regras sobre a regulação do sistema bancário.  Sob o título de Basileia III, um arranjo revisado foi publicado às pressas.  Há algumas diferenças substanciais entre Basileia II e Basileia III.  Embora muitas das falhas anteriores tenham sido mantidas, trata-se de um passo na direção correta, embora seja um passo muito pequeno.  (A crítica a seguir está longe de ser completa).

De acordo com o Comitê de Supervisão Bancária da Basileia (CSBB), as propostas de Basileia III têm dois principais objetivos: 1) fortalecer as regulamentações globais sobre capital e liquidez com o objetivo de promover um setor bancário mais resiliente; e 2) aprimorar a capacidade do setor bancário de absorver os choques oriundos de tensões financeiras e econômicas.

Para atingir estes objetivos, as principais propostas que o CSBB de Basileia III já desenvolveu são: a) reforma dos requerimentos de capital (incluindo a qualidade e a quantidade do capital), completa cobertura de risco, grau de alavancagem; e b) alteração da liquidez do setor (razões de curto prazo e longo prazo).

Requerimentos de Capital e Ativos Ponderados pelo Risco (APR)

Em termos de requerimento de capital, as principais alterações estão nas exigências mais severas, tanto na qualidade quanto na quantidade.  Com relação à qualidade, as regras para a qualificação do capital são mais rigorosas.  Ações ordinárias e lucros obtidos passam a ser os componentes predominantes do Capital Tier 1 ao invés de apenas os instrumentos de dívida.

Com o intuito de preservar o núcleo do Tier 1, o Comitê introduziu dois novos "colchões": o Colchão de Conservação de Capital tem o intuito de fazer com que os bancos absorvam choques durante períodos de tensão sem que saiam das especificações de capital do Tier 1, e um mais discricionário Colchão Contracíclico de capital tem o objetivo de compensar o aumento nos riscos sistêmicos em épocas de crescimento excessivo do crédito.

Em termos de quantidade, o Capital Tier 1 total agora requerido passa a ser de 6%, sendo que em Basileia II era apenas de 2% — em acréscimo aos "colchões", que requerem 5% mais capital. Veja o gráfico.

(Colchão Contracíclico em azul claro; Colchão de Conservação de Capital em rosa; Capital Mínimo de Alta Qualidade em cinza)

1.png

Período de tempo para a implementação dos novos requerimentos de capital

Adicionalmente, um novo grau de alavancagem também fará parte do aparato regulatório do sistema bancário.  Os bancos serão obrigados a manter um grau de alavancagem de 3% ou mais (33 vezes seu capital).  Os ativos não ponderados incluem provisões, empréstimos, itens não contabilizados nos balanços e que têm plena conversão, e todos os derivativos.  O principal objetivo desse grau de alavancagem é justamente restringir a alavancagem no setor bancário, ao mesmo tempo em que ajuda a proteger contra riscos de modelo (riscos envolvidos na utilização de modelos matemáticos que precificam papeis financeiros) e erros de mensuração.

É certamente meritório implementar regras mais rígidas sobre requerimentos de capital, mas isso ainda está longe de ser o bastante.  Vale lembrar que, no início da crise financeira, várias instituições financeiras estavam adequadamente capitalizadas, isto é, mais do que compatível com Basileia.  Não obstante, elas sucumbiram em menos de um mês.  Um exemplo emblemático foi o de um famoso banco hipotecário no Reino Unido.  Após a adoção de Basel II pelo Reino Unido em 2007, dentre todos os grandes bancos, aquele que mais rigorosamente seguia as determinações de requerimento de capital de Basileia II era o Northern Rock.  Apenas alguns dias após anunciar sua intenção de retornar seu capital em excesso aos seus acionistas, o banco simplesmente ficou sem dinheiro.  Em mais de 150 anos, foi a primeira "corrida bancária" clássica ocorrida na Grã-Bretanha.

Definir exatamente os requerimentos de capital é um trabalho em grande medida arbitrário.  Mais arbitrário ainda é a classificação de ativos de risco sob as regras da Basileia.  Na "abordagem padrão" (definida pelo Comitê da Basileia), títulos da dívida pública classificados entre AAA e AA- não requerem absolutamente nenhum capital, ao passo que A+ requer apenas 20%.  Entidades do setor público também desfrutam de um status de grande "segurança" sob Basileia.

Vejamos a Itália, por exemplo.  Um banco em posse de títulos italianos necessita de apenas 2,1% de Capital Tier 1 (20% de ativos ponderados pelo risco vezes 10,5% do necessário requerimento de capital estipulado por Basileia).  Isso significa que uma mera redução contábil de 5% na dívida italiana (na forma de calote) pode acabar com toda a base de capital de um banco.  Não nos esqueçamos de que a recente redução contábil proposta para a dívida grega foi de 50%.

Em dezembro de 2009, Grécia e Itália foram classificadas pela agência Fitch como A- e A+, respectivamente.  Isso significa que apenas 1,6% de Capital Tier 1 era requerido (20% de ativos ponderados pelo risco vezes 8% do requerimento de capital estipulado por Basileia).  Enquanto isso, títulos de Portugal, Irlanda e Espanha não requeriam absolutamente nenhuma reserva de capital.

As regras da Basileia geram um incentivo: acumular ativos de baixo risco e de risco nulo, o que faz com que a base de capital de um banco seja alavancada ao máximo.  Basileia III ao menos limita a alavancagem máxima.  Basileia II não impunha tal limite.  As securitizações foram um subproduto direto desta regras de requerimento de capital.  Várias hipotecas de risco foram empacotadas conjuntamente dentro do mesmo conjunto de títulos para serem revendidas no mercado secundário, e as agências de classificação de risco concederam AAA para esse conjunto de ativos podres (como que hipotecas ruins, ao serem empacotadas juntamente com centenas de outras hipotecas ruins, podem se transformar em ativos de alta qualidade é algo que ainda assombra).  Essa prática permitiu que os bancos concessores de empréstimos hipotecários retirassem ativos ruins de seus balancetes e, ao mesmo tempo, estimulava os bancos de investimento a acumular esses títulos sem jamais ter de se preocupar em manter uma quantidade suficiente de capital (pois eram AAA).

No entanto, em vez de utilizarem classificações externas, os bancos também podiam utilizar seus próprios parâmetros de risco para calcular seu capital, método esse conhecido como abordagem baseada na classificação interna (ABCI).  Por esse método, os bancos puderam empregar sofisticados modelos financeiros para determinar seu grau de exposição a vários riscos.  Apesar do total fracasso em utilizar complexos modelos de risco — os quais geraram a crise da LTCM (Long Term Capital Management) em 1998 —, os bancos estavam seguidamente determinando seu próprio requerimento de capital por meio de tais ferramentas (modelagem de risco é um tópico crucial, mas não será abordado em profundidade neste espaço).

Em suma, a modelagem financeira é algo amplamente imperfeito e bastante arbitrário.  Vários tipos de risco são irreconhecíveis e, por definição, não quantificáveis.  Ademais, modelos de risco estão sujeitos a grandes abusos e manipulações.  O principal incentivo dos bancos ao utilizar seus próprios modelos é subestimar os riscos de modo a permitir uma base de capital mais alavancada (e, logo, mais lucrativa).

Embora requerimentos de capital mais rígidos sejam de fato uma alteração bem-vinda, a estimativa de quanto capital é prudente é algo que depende de julgamentos arbitrários.  Adicionalmente, a avaliação de ativos de risco é completamente deficiente.  Ambas as abordagens — a padrão e a ABCI — são inerentemente falhas.

Por fim, os requerimentos de capital da Basileia são amplamente enviesados em prol da dívida governamental.  No Acordo da Basileia original (1988), as dívidas de todos os governos da OCDE receberam risco zero.  E isso permaneceu praticamente inalterado desde então.  Deveriam os reguladores se surpreender com o fato de que a maior ameaça para o sistema bancário europeu no momento seja exatamente a dívida soberana?

Índice de Liquidez

Basileia II centrou-se amplamente nos ativos dos balancetes dos bancos e negligenciou a liquidez e a estrutura dos passivos do sistema bancário.  Os novos Índices de Liquidez introduzidos por Basileia III tentam adereçar esta grave inconsistência.

Além do capital que os bancos devem ter como reserva para ativos ponderados pelo risco, as instituições financeiras hoje têm mais dois novos requerimentos para cumprir: Relação de Cobertura de Liquidez (RCL) e Relação Líquida de Financiamento Estável (RLFE).  A RCL foi criado para promover a resiliência de curto prazo do risco de liquidez de um banco, garantindo que ele possua uma quantidade suficiente de ativos altamente líquidos para sobreviver a um significativo cenário de tensão que dure 30 dias completos.  E a RLFE tem o objetivo de promover a resiliência de longo prazo ao exigir que os bancos possuam capital ou financiamento de longo prazo de alta qualidade para poderem sobreviver por um período de um ano de tensão um pouco menos severa.

Por mais louvável que seja esta regulação, ela se baseia em fundamentos questionáveis.  A RCL tem o objetivo de garantir que um banco possua uma quantidade suficiente de ativos líquidos desimpedidos e de alta qualidade que o permitam sobreviver (isto é, que o permitam satisfazer as crescentes exigências de restituição de dinheiro) durante um curto período (30 dias completos) de tensão bastante severa.  Isto, portanto, requer que um banco especule quais serão o fluxo de saída e o fluxo de entrada de dinheiro ao qual ele estará sujeito durante este período.  Considerando-se que é provável que eles sofram um aumento das exigências e uma diminuição dos recursos disponíveis, os bancos deveriam manter um colchão de ativos líquidos de alta qualidade em valor igual ou maior do que seu esperado fluxo líquido total de saída de dinheiro.  Os bancos serão obrigados a satisfazer A RCL a todo o momento.

A RCL supostamente possui uma função similar àquela dos compulsórios (definidos pelos bancos centrais).  Os compulsórios definem quanto de dinheiro em espécie (ou de dinheiro eletrônico na forma de reservas depositadas no banco central, conversíveis em dinheiro a qualquer momento) os bancos devem ter para lastrear seus depósitos em conta-corrente.  A RCL é exatamente a mesma coisa, com o acréscimo de que ativos de alta qualidade também se qualificam para satisfazer o regulador.  Os compulsórios no atual sistema bancário são menores do que 10% na maioria dos países, chegando até mesmo a 0% em alguns casos extremos (Austrália, Canadá e Nova Zelândia).

Duas críticas devem ser feitas: o arranjo de ativos de alta qualidade e o método de se estimar um "curto período de tensão bastante severa".  Não é difícil adivinhar qual classe de ativos vai mais uma vez receber a imerecida classificação de alta qualidade.  Sim, naturalmente, as dívidas soberanas.  Não querendo soar repetitivo, deixemos aos mercados de capital decidir quão boas elas são.

Quanto à segunda crítica: como podem os bancos estimar o que constitui um período de tensão severa?  De acordo com o CSBB, as instituições financeiras devem calcular seu esperado fluxo líquido total de saída de dinheiro durante um cenário de 30 dias de tensão.  Com relação à saída de dinheiro, ela é "calculada multiplicando os saldos pendentes de várias categorias ou tipos de passivo e itens não contabilizados nos balanços por taxas esperadas de saques" (ênfase minha).

O eterno dilema do sistema bancário jaz exatamente no fato de que estas taxas não são quantificáveis.  A RCL da Basileia baseia-se no mesmo princípio utilizado para respaldar o valor percentual do compulsório: a "lei dos grandes números".  Ou seja, para satisfazer as normais exigências de liquidez de seus clientes, os bancos precisam ter em mãos, na forma de dinheiro, apenas uma fração do dinheiro total que foi neles depositado.  No caso da RCL, para aguentar 30 dias de tensões severas, é necessário ter em mãos dinheiro e mais alguns outros ativos altamente líquidos.

No entanto, pelo simples fato de que o fenômeno bancário recai dentro do âmbito da ação humana, os riscos de retiradas de depósitos não são nem quantificáveis e nem seguráveis.  A ação humana está sempre sujeita a uma permanente incerteza.  Consequentemente, não se trata de um risco segurável (ou mensurável).  Ao longo da história, os bancos nunca se mostraram capazes de permanecer solventes mantendo como reservas apenas uma fração de seus depósitos.  A RCL da Basileia irá impor um colchão mais grosso contra esta incerteza, é fato.  Mas não será capaz de evitá-la indefinidamente.  Não nos esqueçamos de que uma corrida bancária necessita de muito menos de que 30 dias para derrubar uma instituição financeira.

A Relação Líquida de Financiamento Estável (RLFE) é similar às regras de requerimento de capital, embora um pouco mais rígida.  Ela ataca as dificuldades geradas pela maturação descompassada obrigando os bancos a financiar determinadas classes de ativos com passivos de prazo mais longo (Capital Tier 1 e 2 incluídos).  Evidentemente, a dívida soberana está entre a classe de ativos da alta qualidade.  No final, a RLFE claramente representará um empecilho adicional ao crescimento dos balancetes.

Como um todo, Basileia III representa um aprimoramento sobre seu fracassado antecessor.  Os requerimentos de capital foram elevados.  E o Comitê finalmente reconheceu que a iliquidez pode rapidamente se transformar em insolvência.  Infelizmente, suas arbitrárias ponderações de risco se mantêm praticamente inalteradas desde 1988, concedendo a determinadas classes de ativos uma classificação de baixo risco (no mínimo) questionável.  Talvez a mais desapontadora peculiaridade seja seu longo cronograma de implementação.  Propostas essenciais foram postergadas para anos mais à frente e a conformidade completa às novas regras ficou apenas para 2019.  Algo que me diz que os bancos não têm todo esse tempo.

A lucratividade dos bancos (retorno sobre o patrimônio) sofrerá um bom impacto, tudo o mais o constante.  Mas é difícil prever como os bancos irão reagir para compensar esta perda de renda.  E há também os fardos burocráticos: relatórios, divulgações, transparências e aquiescência às regras de Basileia III certamente irão afetar o resultado financeiro dos bancos.

No final, o arranjo da Basileia é como um motorista indo em direção a um penhasco a 145 km/h e que repentinamente reduz para 95 km/h, ao mesmo tempo em que decide parar de fumar.  Isso certamente irá reduzir seus riscos.  Sua vida pode até se prolongar.  Mas o resultado final não será alterado.

Reformas verdadeiras

Portanto, como podemos aperfeiçoar o pior sistema bancário que já houve?  Como podemos garantir que os bancos internalizem os custos de suas maturações? 

A primeira reforma a ser proposta já foi na realidade apresentada por dois membros do Parlamento britânico, Steven Baker e Douglas Carswell, por meio de um projeto de lei que proibiria os bancos e as sociedades de crédito imobiliário de emprestar dinheiro depositado em contas-correntes sem a permissão do respectivo correntista.

Seu propósito é distinguir os depósitos destinados à custódia dos depósitos destinados a serem emprestados por instituições financeiras.  Um projeto de lei simples e direto, que exigiria que os bancos especificassem no momento do depósito se o desejo do correntista é unicamente pedir que o banco guarde seu dinheiro ou se, ao contrário, ele autoriza o banco a emprestar seu dinheiro para terceiros.  Essa simples mudança na legislação teria um enorme impacto, uma vez que ela iria organizar a confusão e impedir que os bancos emprestassem dinheiro de correntistas que jamais intencionaram destinar seus fundos a empréstimos.  Emprestadores seriam recompensados com um pagamento de juros, por satisfazerem as necessidades de financiamento de um tomador de empréstimos; e os correntistas não mais se tornariam emprestadores involuntária e compulsoriamente, da noite para o dia.

Sim, correntistas que desejassem um serviço de custódia provavelmente teriam de pagar por ele.  No final, tudo vai depender do contrato entre o correntista e o banco; a única  desde que o contrato seja claro exequível.  Esta iniciativa iria diminuir enormemente os riscos de maturação descompassada que os bancos acentuadamente praticam no presente, o que iria reduzir as ameaças de crises de liquidez.

Consequentemente, o sistema bancário de reservas fracionárias (SBRF) teria de ser reavaliado, o que nos leva à segunda proposta.  A capacidade de criar depósitos por meio da expansão creditícia ex nihilo coloca todo o sistema bancário sob um enorme risco sistêmico.  Primeiramente, há o argumento legal, que considera ser uma fraude os bancos criarem múltiplos direitos de reivindicação sobre o mesmo dinheiro originalmente depositado por um único correntista (um argumento que este autor endossa).  Em segundo lugar, ao expandir o crédito independentemente de ter havido uma prévia formação de poupança, o SBRF gerará investimentos insustentáveis em diversas áreas, os quais mais cedo ou mais tarde terão de ser liquidados, exatamente por não haver recursos que deveriam ter sido previamente poupados.  Um típico exemplo de um ciclo econômico.

Reduzir a maturação descompassada a um mínimo e abolir o SBRF iria aperfeiçoar amplamente a solidez do sistema bancário.  Certamente o deixaria menos propenso a quebras sistêmicas.  Sob esse cenário, um banco central seria irrelevante, uma vez que sua principal função — prover liquidez — tornar-se-ia virtualmente desnecessária.

A terceira e última proposta possivelmente irá fazer com que as duas primeiras se tornem redundantes: a adoção de um free banking (sistema bancário livre, sem regulamentações, sem barreiras à entrada e sem moeda de curso forçado).  O free banking acarretaria a liberdade de se ser bem sucedido e, ainda mais importante, a liberdade de ir à falência; uma restauração dos incentivos adequados e uma abolição do sistema regulatório.  Acima de tudo, uma completa retirada do estado do sistema financeiro.  Isso significaria o fim do banco central.  Também significaria o fim de todos os seguros governamentais dos depósitos.  E, obviamente, nenhum tipo de pacote de socorro.

Internalizar os custos do sistema financeiro é algo central para restaurar a confiança no setor bancário.  Instituições deveriam ser livres para colher os altos (e arriscados) lucros oriundos da prática de tomar emprestado a curto prazo e emprestar a longo prazo.  Mas elas não deveriam poder socializar seus prejuízos para o restante da sociedade quando esses investimentos dessem errado.  Os bancos devem ser totalmente responsáveis por suas decisões.

Esse conjunto de reformas iria atacar várias questões que ameaçam o atual sistema bancário, como os derivativos.  Amplamente reconhecidos como "armas de destruição em massa", a verdade é que eles só podem ser assim considerados em um cenário de garantia implícita de socorro.  A realidade é que o banco central foi criado não para impedir que os bancos assumissem riscos excessivos, mas sim para impedir que eles quebrassem como consequência desta assunção de riscos excessivos.  Jaz aí um de seus principais defeitos.

Seria preferível a adoção de todas as três propostas acima.  Nesta ordem.  E então poderíamos finalmente ter um free banking sujeito aos tradicionais princípios legais.  Um conceito tão simples e, no entanto, tão revolucionário em tempos modernos.  Tem funcionado para todas as outras indústrias.  Não há razão para crer que ela não funcionaria para os bancos.

Conclusão

Para utilizar outra frase de Sir Mervyn King, "esta é a pior crise financeira que já vivenciamos pelo menos desde a Grande Depressão, se não da história".  Não há dúvidas a respeito.  E suas causas fundamentais estão intimamente ligadas à maneira como o sistema bancário é organizado.

Abolir o sistema bancário de reservas fracionárias e deixar claro quando os depósitos serão mantidos sob custódia é uma medida que irá aprimorar a solidez dos bancos.  No entanto, essas duas reformas podem fracassar se um emprestador de última instância continuar em operação, uma vez que os bancos encontrariam maneiras inovadoras de contornar essas restrições.

É válido lembrar que, dada a presença de uma implícita garantia de socorro, as regulamentações simplesmente se tornam o principal obstáculo no caminho dos bancos.  O incentivo do setor passa a ser o de contorná-las de modo a obter os maiores lucros possíveis.  Derivativos, exposições não contabilizadas nos balanços e tudo o mais que esteja fora do escopo das regulamentações se tornam válidos.  Perigosas inovações financeiras são o subproduto de regulamentações bancárias combinadas com uma implícita garantia de socorro.  O regulador sempre estará vários passos atrás.

A atual estrutura do sistema bancário estimula uma excessiva assunção de risco, embora desconsidere as consequências de tal postura.  Regulamentações bancárias (inclusive Basileia) induzem instituições financeiras a operarem no limite.  Aquiescer a regras mínimas, aceitar riscos máximos, e confiar em pacotes de socorro do banco central são atitudes que jamais podem infundir prudência à prática bancária.  Porém, o temor de falência certamente pode alterar o comportamento.

Um sistema financeiro sólido não pode se basear somente na confiança ou na ideia de que a maioria dos correntistas não irá exigir a restituição de seu dinheiro depositado.  Retornar a um sistema bancário sólido significa estender aos bancos as mesmas regras e incentivos que se aplicam a todo o resto da economia.  Nada de privilégios.  Nada de subsídios.  Bancos prudentes e capazes irão prosperar.  Os imprudentes e fraudulentos irão perecer.  E toda a economia irá se desenvolver sobre bases mais sólidas.


7 votos

SOBRE O AUTOR

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 


O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Prezado Paulo, você reclama que teve emprego e salário, mas não ganhava tanto quanto os funcionários mais antigos e experientes. Você foi contratado a um salário menor e achou isso injusto. Queria já chegar ganhando o mesmo tanto que funcionários melhores e mais experientes, que já estavam lá há anos. É isso mesmo?

Não posso acreditar.

Outra coisa: você teve salário e emprego (e ainda teve plano de saúde!) graças à possibilidade de terceirização. E se fosse proibida a contratação de terceirizados? Será que você teria tido esse emprego e esse salário? Será que você sequer teria tido essa chance?

Desculpe, mas parece que você está cuspindo no prato que comeu. Você teve emprego e renda (e plano de saúde!) graças a uma liberdade de contrato, e agora vem dizer que essa liberdade foi ruim para você? Bom mesmo seria se o mercado de trabalho fosse restrito. Aí sim você já seria contratado como presidente...

É interessante como você parte do princípio de que o mundo não só lhe deve emprego e renda (e plano de saúde!), como ainda lhe deve um emprego extremamente bem-remunerado imediatamente após a contratação (você já quer entrar ganhando o mesmo tanto que os funcionários mais antigos e experientes).

De fato, ainda estamos deitados em berço esplêndido. Aqui todo mundo só quer saber de direitos.


P.S.: ainda no aguardo de você responder à pergunta do Leandro (a que aparentemente te deixou assim tão zangado): a terceirização nada mais é do que permitir que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Ubiratan Jorge Iorio  11/11/2011 11:45
    Parabéns, Fernando!\r
    Excelente artigo! Você é um verdadeiro austríaco!\r
    Acho que vai contribuir para tirar dúvidas que muitos têm sobre o sistema bancário.
  • Cristiano  11/11/2011 12:51
    Excelente explicação.
    Não consegui esperar as conclusões finais e imagino que reduzir o nível de alavancagem (é isso que as medidas se propõem) irá fazer com que as taxas de juros aumentem muito. Exatamente o oposto que querem os bancos centrais.
  • José Roberto Baschiera Junior  11/11/2011 13:46
    O que é Capital Tier?
  • Leandro  11/11/2011 14:27
    José, clique exatamente no palavra (na 1ª vez que ela aparece). Você será levado a um artigo da Wikipedia que descreve corretamente o que é Tier I. Veja abaixo:

    pt.wikipedia.org/wiki/Basileia_III#Principais_pontos

    O acordo de Basileia III deve forçar bancos a aumentarem suas reservas de capital para se protegerem de crises. Os bancos terão que triplicar, passando a 7 %, o total de suas reservas de proteção contra uma futura crise.

    O capital mínimo de alta qualidade, que inclui apenas ações ordinárias e lucros retidos, vai aumentar de 2% para 4,5% dos ativos ponderados pelo risco, gradualmente, entre 2013 e 2015. O chamado Capital Tier I, que inclui além das ações ordinárias e lucros retidos, as ações preferenciais, instrumentos híbridos de capital e a dívida sem vencimento, passará dos atuais 4% para 6% até 2015...

  • Helio Beltrão  11/11/2011 14:33
    Capital é dinheiro dos acionistas que pode servir de colchão antes da insolvência de um banco, e portanto mede o nível de resistência de um banco perante os reguladores.

    O que normalmente chamamos de patrimônio líquido seria o que os reguladores chamam de core capital. O capital Tier 1 inclui o core capital, mas também inclui outros instrumentos que normalmente não chamaríamos de capital ou patrimônio líquido, como títulos que pagam juros fixos e que são subordinados aos empréstimos (as chamadas "preferred stocks", que não têm nada a ver com ações preferenciais no conceito brasileiro).



  • Henrique  06/07/2015 20:36
    Mr. President, desculpe reviver este tópico do tempo do êpa, mas qual é a diferença entre uma preferred stock gringa e uma ação preferencial tupininquim?

    Grato.
  • Alexandre M. R. Filho  11/11/2011 15:53
    Alguém me explica por que motivo nem o Hélio, nem o Ubiratan, nem o Fernando, nem o Leandro aparecem na TV???\r
    \r
    Pô, será que o Jô, o pessoal da Band, o pessoal da GloboNews têm interesse em entrevistas esses caras??\r
    \r
    O Constantino não tem uns contatos nesses locais??
  • Rene  11/11/2011 20:00
    Se esse povo tivessem uma postura de esquerda, defendendo o socialismo, o keynesianismo, e qualquer outra idéia semelhante a essas, é bem possível que seriam chamados constantemente na TV.
  • Marcelo  11/11/2011 23:33
    Eu costumava ver o prof. Ubiratan em algumas matérias da Globo News de quando em quando.
  • Rafael Hotz  11/11/2011 20:17
    Impressionante que os intervencionistas nunca falam de Basiléia quando mencionam "o sistema financeiro desregulamentado". Não é a toa. Todos eles, sem excessão, defendem sistemas monetários elásticos e nos quais a oferta monetária possa ser alterada. Bancos centrais e Basiléia são o aparato para tanto.

    Basiléia nada mais é que um esquema para que a monetização da dívida pública seja feita de forma mais ágil e organizada - ao invés de financiar o setor privado, os bancos lotam seus balanços de dívida pública para cumprir as regulações de ativos ponderados ao "risco". Cumpridas as regulações, vamos alavancar.

    O cronograma de implantação é longo justamente porque eles não querem implantar! E eu não duvidaria nada se tudo isso for redescutido ou jogado fora nos próximos anos...

    O ótimo artigo do Prof. Ulrich concluiu bem. Essa regulação vai fracassar, assim como Basiléia II - os erros na estrutura temporal de passivo a ativo na economia contunuam, já que as reservas fracionárias e a moeda elástica continuam. Mas ao menos ela coloca um pequeno freio nos erros.
  • oneide teixeira  12/11/2011 15:19
    O seu belo artigo foi publicado no site do nassif

    www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-sistema-bancario-e-o-aprendizado-possivel-a-luz-da-basileia#more
  • Vanderlei  12/11/2011 19:29
    O crédito sendo uma entrega de valor presente mediante a promessa de pagamento, pos-sibilita a circulação de riquezas, produção, lucro, alimentos, roupas, faz tudo girar.\r
    \r
    A crise atual relaciona-se ao crédito, o problema não está em oferecer crédito, e sim no não recebimento dos créditos, é o risco do crédito tão discutido no acordo da Basiléia.(governança corporativa inexistente no Brasil)\r
    \r
    Títulos negociáveis dos empréstimos não recebidos, vendidos ao mundo todo com ga-rantias, garantias de garantias de garantias.(crise norte americana)\r
    \r
    Por que não se reproduziu as condições iniciais para os empréstimos?\r
    O que aconteceu, por que o mercado se retraiu?\r
    \r
    Exemplo: Securitização de recebíveis que visa captar recursos no mercado, dando-se como garantia as contas a receber que a instituição possui, o comprador é um TRUST que é monitorado pelo TRUSTEE.\r
    \r
    A fraude do Panamericano do grupo Silvio Santos (Golpe do Baú) onde toda a diretoria, inclusive parentes do amado apresentador foram afastados do sistema financeiro nacio-nal por vinte anos, porém, nada se falou do enriquecimento ilícito, pela fraude no siste-ma contábil do banco.\r
    \r
    Diríamos que a CEF (apoio do sistema financeiro nacional é um TRUST)
  • anônimo  12/11/2011 21:11
    O que você responderia para o sujeito que escreveu isso no site do Luiz Nassif?

    "Graças à desregulamentação do sistema financeiro posta em prática progressivamente desde meados da década de 1970, os bancos tiveram liberdade para lançar o mundo na terceira Grande Depressão da história do capitalismo (as duas primeiras sendo as de 1873 e 1929). Aí, um gênio über-liberal descobre que o remédio para curar a doença causada pela desregulamentação é... desregulamentar!! Só pode ser sacanagem...

    AL, você pode até levar a sério o que esta coiozada misesiana escreve. Mas, por favor, para seu bem, leia História. Não acredite em bobagens só porque foi um sujeito da sua turma que as escreveu."
  • Fernando Ulrich  12/11/2011 21:33
    Sistema financeiro com banco central e reserva fracionária e desregulamentado, sim é o pior dos mundos. Dentro deste cenário é melhor que seja muito regulamentado. Mas mesmo assim as regulamentações serão falhas. \r
    \r
    O melhor como defendi no artigo é um sistema financeiro sem nenhum privilégio legal e sem banco central (prestamista de última instância). \r
    \r
    Os problemas que o sistema financeiro causou ao longo da história se devem a sucessivos privilégios legais concedidos pelos governos.\r
    \r
    Me parece que quem não sabe história é quem escreveu esta crítica.
  • João  13/11/2011 10:56
    Levar a sério algo escrito no site do Luis Nassif é algo bastante triste. O Nassif é um desses puxa-sacos que trocam o amor próprio por uma puxação de saco sem-vergonha de quem está no poder. Ele é o que eu chamo de um ecocônomista, do mesmo quilate (e quimorde, pois o QI é equivalente ao de um cachorro) que o Belluzzo. Se quiser conhecer um pouco mais sobre Nassif, leia esse texto.
  • oneide teixeira  13/11/2011 14:54
    João vou discordar(um pouco), só o fato de colocar o artigo do Fernando já cai meio por terra a sua critica.
    Mas não vem ao caso o importante é a divulgação, sair um pouco do circulo é o que importa.
    Aquela coisa não vim salvar os justos e sim para salvar os pecadores.
  • Rhyan  13/11/2011 05:23
    Excelente!\r
    \r
    Só não entendi a parte do Free Banking. Free Banking não significa que não teria limites para as Reservas Fracionárias?\r
    \r
    Abraço!
  • Fernando Ulrich  13/11/2011 19:57
    Free banking yes. Outlaw banking no.\r
    Dentro da corrente de free banking há alguns teóricos que defendem reservas fracionárias como sendo perfeitamente legal e outros que, em total contraste, condenam este mecanismo como sendo um ataque aos princípios do direito. Me incluo neste segundo time.\r
    Portanto, banca livre sujeita aos princípios tradicionais do direito. Reserva fracionária significa uma agressão aos direitos de propriedade.
  • Carlos  13/11/2011 21:53
    Grau de alavancagem do setor bancário é a razão entre passivo emitido (dinheiro criado em conta corrente) e ativo?
  • Leandro  13/11/2011 22:22
    Prezado Carlos, não exatamente. Alavancagem é o inverso dos requerimentos de capital. E requerimentos de capital são a razão que os bancos devem manter entre seu patrimônio líquido (ativos menos passivo) e seus ativos de risco (empréstimos e títulos).

    Por exemplo, se os requerimentos de capital forem de 3%, então o patrimônio líquido (ativos menos passivos) dos bancos deve ser 3% do valor de seus ativos de risco (empréstimos e títulos).

    Sendo 3% (0,03), o grau de alavancagem é de (1/0,03) = 33%

    Esse artigo explica em detalhes o que é alavancagem:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1145

    Abraços!
  • Carlos  13/11/2011 22:57
    E o que acontece com a alavancagem quando o patrimônio líquido é negativo?
  • Carlos  13/11/2011 23:02
    O que é contabilizado como ativo e como passivo de um banco?
  • Leandro  14/11/2011 00:04
    Dentre os ativos, temos o papel-moeda nos cofres dos bancos, as reservas bancárias depositadas junto ao banco central, todos os tipos de empréstimo (pessoa física, jurídica, empréstimos interbancários, imobiliários, leasing etc.) e todos os tipos de títulos (privados e governamentais), todos os tipos de papeis, ações etc.

    Dentre os passivos, temos depósitos em conta-corrente, depósitos a prazo, e todos os tipos de passivos exigíveis a longo prazo (por exemplo, empréstimos tomados junto a outros bancos).

    A diferença entre ativos e passivos será o patrimônio líquido. A divisão do patrimônio líquido pelos ativos que são considerados de risco (empréstimos e títulos privados; títulos governamentais geralmente são considerados seguros) fornecem os requerimentos de capital, cujo inverso é a alavancagem.

    Quando o patrimônio líquido é negativo, isso normalmente significa que o valor dos ativos se tornou menor do que o empréstimo (passivo) tomado para comprar esse ativo. Isso é recorrente em crises imobiliárias. Em termos gerais, significa que os passivos valem mais do que os ativos da empresa. Logo, a empresa que possui patrimônio líquido negativo está tecnicamente falida -- a solução óbvia seria aumentar seus ativos (reduzir passivos é complicado, pois é bastante difícil reduzir passivo sem a concomitante redução de ativos).

    Confesso nem saber se, nosso ponto de patrimônio líquido negativo, ainda se usa o conceito de alavancagem.

  • Carlos  14/11/2011 00:44
    Se empréstimo é contado como ativo e depósitos em conta-corrente como passivo, quer dizer que o dinheiro depositado em conta corrente e emprestado diminuiu o passivo dos bancos?
  • Leandro  14/11/2011 06:11
    Não ocorre essa alteração, não, Carlos. Fica a mesma coisa.

    Veja: se você depositar $1.000 em dinheiro vivo na sua conta-corrente, o ativo do banco será elevado em $1.000 (dinheiro no cofre), e o passivo também será elevado em $1.000 (sua conta-corrente).

    Se dos seus $1.000, ele emprestar $900 para outra pessoa, ele vai criar uma conta-corrente para essa pessoa. Logo, o ativo será elevado em $900 (empréstimos) e o passivo (outra conta-corrente) também será elevado em $900.

    Observe que o ativo já subiu pra $1.900 e o passivo também. Não dá pra criar conta-corrente e ao mesmo tempo diminuir o passivo. A conta-corrente é um passivo. E ela será contrabalanceada por um ativo na forma ou de dinheiro vivo no cofre ou de empréstimos.
  • Carlos  14/11/2011 07:27
    Entendi. A propósito, qual era o grau de alavancagem dos bancos americanos e europeus quando estourou a crise em 2008, ele diminuiu? E qual o grau de alavancagem dos bancos brasileiros?
  • Leandro  14/11/2011 07:41
    Carlos, veja esta palestra realizada pelo presidente do IMB, Helio Beltrão, no segundo semestre de 2008, ainda no auge da crise. Ali tem, de forma completa e didática, todas as respostas numéricas.

    www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=26

    Grande abraço!
  • Carlos  14/11/2011 10:01
    Muito obrigado.
  • klauber Cristofen Pires  18/11/2011 18:15
    Bom, se entendi corretamente, temos motivo para nos regozijarmos!

    De restrição em restrição, lá pela Baliseia 38 ou 39 vão, enfim, pôr fim ao sistema de reservas fracionárias, e lá pela Basileia 44 ou 45, vão instituir novamente o padrão ouro! :):):):)
  • Arthur M M  23/08/2012 06:03
    Em suma, de forma prática, o que eu tenho entendido após ler vários textos aqui no mises sobre o sistema financeiro é que para os governos manterem o seu estado de bem estar social eles precisam de um sistema financeiro que possa emprestar sem limite.
    E como desculpa para eventuais falhas, eles socializam as dívidas, simplesmente fazem a população pagar essa dívida.

    Leandro, num sistema bancário liberal (lastro em ouro, sem fracionamento e sem banco central) o que aconteceria se os governos se endividassem como se endividam hoje ?

    Eles consumiriam todo o crédito do sistema financeiro e daí as empresas que precisassem de crédito quebrariam. A economia pararia.

    Enfim, isso faz parte do sistema atual.
  • Leandro  23/08/2012 06:23
    Exato, Arthur. Neste arrnjo, o governo seria obrigado a operar com um orçamento estritamente equilibrado. Com uma oferta monetária rígida e fora do controle do governo, caso ele não se adequasse ao seu orçamento, ele rapidamente se tornaria insolvente, pois não poderia ficar pegando ouro emprestado ad eternum da população. Os juros iriam às alturas, e o crédito ao setor privado simplesmente sumiria. A economia ficaria totalmente estagnada.

    É por isso também que todos os governos tremem só de ouvir falar em padrão-ouro. Trata-se de um arranjo monetário que retira completamente toda a sua capacidade de expansão.
  • eduardo  05/11/2012 07:03
    Leandro,\r
    \r
    o multiplicador bancário é grande apenas pensando-se no sistema financeiro como um todo ou num banco muito grande, certo?\r
    \r
    Um pequeno banco sozinho, cujos empréstimos nao retornassem sob a forma de novos depósitos, seria limitado pela quantidade de caixa/disponibilidades que tem e poderia multiplicar os seus depósitos apenas por 2?\r
    \r
    Por exemplo, um banco com $100 de capital e apenas $100 de depósitos, teria seu balanço assim:\r
    \r
    Ativo -> Disponibilidades: $200\r
    Passivo -> Depósitos: $100\r
    PL: $100\r
    \r
    Ao emprestar os $200, ele criaria $200 em depósitos e crédito e ficaria assim:\r
    Ativo-> Disponibilidades: $200\r
    Operação de Crédito: $200 (+ 200)\r
    Passivo -> Depósitos: $300 (+ 200)\r
    PL: $100\r
    \r
    A seguir, é razoável supor que o(s) tomador(es) sacasse(m) os $200:\r
    Ativo-> Disponibilidades: $0 (- 200)\r
    Operação de Crédito: $200 \r
    Passivo -> Depósitos: $100 (- 200)\r
    PL: $100\r
    \r
    Como as disponibilidades chegaram em zero, o banco nao poderia mais dar crédito. A criação de disponibilidades seria fraude até para o sistema atual e isso deve ser monitorado via sistema de pagamento pelos BCs, correto?
  • Leandro  05/11/2012 08:21
    Prezado Eduardo, este banco poderia recorre a pequenos truques que envolvessem a migração de contas -- por exemplo, retirar recursos da conta-corrente, que possuem compulsórios altos, e enviá-los para a conta-poupança ou para depósitos a prazo, que possuem compulsório menores.

    Tudo isso foi explicado em detalhes neste artigo:

    O sistema bancário brasileiro e seus detalhes quase nunca mencionados

    Abraço!
  • Daniel  07/01/2013 18:36
    De tudo o que eu li, e gostei, não compreendi o conceito de free banking. Como um sistema de banco livre, sem regulação e sem moeda de curso forçado, iria promover a redução do risco sistêmico do atual sistema bancário/financeiro baseado nas reservas fracionárias? Se não há regulação e se não há moeda de curso forçado os bancos poderiam, em tese, arbitrar o que fariam com o dinheiro e em barreiras poderiam levar ao que havia na economia americana a muito atrás, na qual havia 33 bancos não oficiais que emitiam moeda.

    Gostaria de mais explicações sobre o free banking para compreendê-lo. :)

    Obrigado
  • RAIMUNDO ABEN ATHAR  01/07/2014 16:47
    Caro Prof. Fernando,

    O Indice de Basileia publicado no Balanço Patrimonial dos Bancos brasileiros deveria (creio) apontar uma condição de "quanto maior melhor", todavia, separei indicadores de quatro bancos brasileiros, dois privados e dois públicos e relacionei três indicadores obtidos a partir dos Balanços Patrimoniais publicados em 31.12.2013, a saber: (1) Alavancagem Financeira : (Ativo Total sobre Patrimônio Líquido), (2) Basileia (PRx100/(PRE/0,11) e (3) Empréstimos Totais sobre Ativo Total

    Bancos Alavancagem Índ. Basileia Emp/Ativo
    BB 17 14,5 48%
    CEF 31 15,1 56%
    Itau 11 16,5 34%
    BRADESCO 11 16,6 37%

    Ora, se para cada R$ 1,00 de capital próprio na CEF há R$ 30,00 de capitais de terceiros (poupadores em sua maioria) e que os 56% de empréstimos no ativo da CEF são 85% Financiamentos imobiliários, como explicar um índice de basileia menor que Itaú e Bradesco?

  • Leandro  01/07/2014 17:29
    Prezado Raimundo, acho que você se embananou. É justamente porque CEF tem a maior alavancagem, que o seu índice de Basileia é o menor.

    Acho que você se atrapalhou foi neste trecho:

    "se para cada R$ 1,00 de capital próprio na CEF há R$ 30,00 de capitais de terceiros (poupadores em sua maioria)"

    Esses R$ 30 não são "capitais de terceiros"; eles são empréstimos concedidos pelos bancos e bens adquiridos (como debêntures e ações) pelos bancos. "Capitais de terceiros" representam um passivo para o banco, e não um ativo.

    Ativo é aquilo que o banco empresta para terceiros ou adquire de terceiros. Passivo é aquilo que ele tem como obrigação para com terceiros, como as contas bancárias que você e eu temos.

    Portanto, no caso da CEF, o patrimônio líquido dela (seu capital) é apenas 3% (segundo seus números) do seu ativo total. Daí seu pífio índice de Basileia.
  • RAIMUNDO ABEN ATHAR  01/07/2014 19:01
    Prezado Leandro,
    O Balanço Patrimonial é, na verdade, uma identidade contábil, expressa pela seguinte fórmula: Ativo = Passivo Exigível + Patrimônio Líquido. O Ativo, são os bens e direitos (investimentos), o Passivo Exigível, os capitais de terceiros e o Patrimônio Líquido, os capitais próprios. Ora, Se AT = PE + PL (esta é a identidade a que me refiro) e, no caso da CEF, o Ativo suplanta o PL 31 vezes, logo o PE é igual a 30. E o que é basicamente o PE da CEF? Eu respondo: depósitos de Poupança. Relativamente na CEF temos: Ativos 100%, Passivos 97% e PL 3%. Então, minha dúvida é pertinente, pois, 56% dos 97% de capitais de terceiros são ativos de risco, em sua maioria, financiamentos imobiliários. Daí a pertinência da questão. Forte abraço.
  • Leandro  01/07/2014 19:24
    "O Balanço Patrimonial é, na verdade, uma identidade contábil, expressa pela seguinte fórmula: Ativo = Passivo Exigível + Patrimônio Líquido."

    Correto. Até aí, tudo certo.

    "O Ativo são os bens e direitos (investimentos),"

    Correto.

    "o Passivo Exigível, os capitais de terceiros e o Patrimônio Líquido, os capitais próprios."

    Certo.

    "Ora, Se AT = PE + PL (esta é a identidade a que me refiro) e, no caso da CEF, o Ativo suplanta o PL 31 vezes, logo o PE é igual a 30. E o que é basicamente o PE da CEF? Eu respondo: depósitos de Poupança."

    Errado. De acordo com informações do Banco Central, (www4.bcb.gov.br/top50/port/top50.asp), eis os números da CEF:

    Passivo exigível: R$ 883.503.154

    Depósitos em poupança: R$ 214.614.189 (ou seja, meros 24% do passivo exigível).

    Depósitos totais (Conta-corrente, poupança, a prazo, interfinanceiros e outros): R$ 374.857.368. (42% do passivo exigível)

    Onde está o restante? Nas seguintes rubricas: captações no mercado aberto, recursos de aceites e emissão de títulos (letras financeiras etc.), obrigações por empréstimos e repasses, outras obrigações e exercícios futuros.

    "Relativamente na CEF temos: Ativos 100%, Passivos 97% e PL 3%. Então, minha dúvida é pertinente, pois, 56% dos 97% de capitais de terceiros são ativos de risco, em sua maioria, financiamentos imobiliários. Daí a pertinência da questão. Forte abraço."

    Não consegui ligar uma coisa à outra.

    Você começou dizendo que o Índice da Basileia da CEF não pode ser baixo, pois ela opera majoritariamente com "capital de terceiros", sendo o "principal a poupança". Só que os números não confirmam isso.

    A CEF é bastante alavancada (e isso de acordo com a equação utilizada por Basileia) simplesmente porque fez empréstimos excessivos em relação ao capital próprio, de modo que, na eventualidade de alguns calotes, o banco fica insolvente (e será socorrido pelo governo, obviamente).
  • anônimo  01/07/2014 22:27
    Olá Leandro,

    É muito simples a lógica, vejamos: Se 97% dos investimentos de um banco são capitais de terceiros, (lembrando que Passivo Exigível é igual a Passivo Circulante + Passivo Não Circulante, curto e longo prazo, respectivamente), e que 56% destes investimentos são empréstimos, e destes empréstimos, a maioria são financiamentos imobiliários.

    Estas estruturas da CEF nos levam a ficar atentos sobre os prazos de captação, aplicação e fundamentalmente a qualidade dos empréstimos da CEF, "amplificando" assim os riscos a que uma instituição bancária está sujeita. Daí, alavancagem, na literatura contábil, ser um indicador de risco.

    Os Deps. de Poupança são passivos de curto prazo (Circulantes no jargão contábil), já os financiamentos imobiliários são, majoritariamente, ativos de longo prazo. Quando eu afirmei que o PE da CEF era "basicamente" Depósitos de Poupança foi porque 64% do PE da CEF é de curto prazo e destes 40% são depósitos de poupança, daí a expressão "basicamente" por mim utilizada.

    Finalmente: meus dados são, como afirmei desde o início de dez/2013. Os seus são de mar/2014. Não há muito de diferenças relativas, mas apenas para constar.

    Estou a perguntar para o Prof. Fernando sobre conceitos. Toda a relativização por mim apresentada está correta.

    Forte abraço Leandro.
  • Al  02/07/2014 12:47
    Raimundo,

    nenhum dos dois índices leva em consideração a forma de captacao ou o volume dos recursos de terceiros. Eles tratam apenas dos ativos do banco.

    Simplificando bem, o índice de basiléia (capital/ativos) é o inverso do índice de alavancagem (Ativos/capital). Daí que maior a alavancagem, menor o IB.

    Bancos Alavancagem Índ. Basileia Emp/Ativo
    BB 17 14,5 48%
    CEF 31 15,1 56%
    Itau 11 16,5 34%
    BRADESCO 11 16,6 37%

    Como a CEF é mais alavancada que Itaú e Bradesco, seu IB será menor. O curioso é comparar BB e CEF: o BB é menos alavancado, mas, ainda assim, tem IB menor. Isso ocorre pq as regras de Basiléia preveêm ponderações para os ativos, segundo seu risco de perda. Como a CEF tem maior proporção de empréstimos imobiliários, considerados de menor risco por Basiléia, o IB acaba maior do que o do BB.
  • Márcio  30/09/2016 15:14
    Nome e coisas que sirvam para a identificação( cpg, rg e etc...) são propriedades privadas?

  • Pobre Paulista  30/09/2016 17:42
    Se um assaltante lhe der um tiro e a bala te perfurar, a bala se torna propriedade sua?
  • Renan Merlin  30/09/2016 15:46
    Deixa eu perguntar. A Taxa Selic não é o juro interbancario? Mas e se um banco quiser emprestar pra outro banco a um juro diferente da SELIC?
    Outra pergunta o deposito compulsório, o que o BC faz com aquele dinheiro?
  • Magno  30/09/2016 16:27
    "Mas e se um banco quiser emprestar pra outro banco a um juro diferente da SELIC?"

    Apenas raciocine: se o Itaú quiser emprestar para o Bradesco mais, o Bradesco simplesmente poderá pedir emprestado mais barato ao Banco Central, que fará as operações de recompra seguindo a Selic.

    Já se o Itaú quiser emprestar mais barato para o Bradesco, ele simplesmente estaria sendo burro, pois poderia emprestar a uma taxa muito maior.

    "Outra pergunta o deposito compulsório, o que o BC faz com aquele dinheiro?"

    Nada. Apenas paga juros sobre aquele valor.
  • Renan Merlin  30/09/2016 18:12
    Os juros que o BC paga no deposito compusorio e o mesmo da Selic?
  • Joaquim Saad  02/10/2016 01:13
    No Brasil o bc ainda não remunera compulsórios, só os EUA efetivamente incorrem em tal prática (a qual também está prevista há algum tempo nas regras da Inglaterra e da UE).
  • Leandro  02/10/2016 03:34
    Prezado Joaquim, no Brasil, os compulsórios dos depósitos a prazo são remunerados pela Selic, os compulsórios da poupança são remunerados pelos juros da poupança, e os compulsórios dos depósitos e, conta-corrente não são remunerados por nada.

    Veja as observações (notas de rodapé) 1, 2 e 3

    www.bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/IE2-14.xlsx

    Por isso bancos odeiam que o cliente deixe dinheiro na conta-corrente, chegando até mesmo a cobrar taxas. O compulsório é alto e os bancos não ganham nada.

    Já nos EUA, o Fed paga juros sobre absolutamente todo e qualquer dinheiro que os bancos depositem no Fed, compulsória ou voluntariamente. Tal política foi adotada a partir de 2009, como forma de impedir que o forte aumento da base monetária gerada pelas políticas de Quantitative Easing se transformasse em aumento do M1 e, consequentemente, gerasse uma hiperinflação. Isso já foi seguidamente comentado em artigos deste site.

    Já na Europa, a situação é inversa: o BCE está cobrando juros sobre qualquer dinheiro que os bancos deixem deposita no BCE. Isso tornou a situação dos bancos ainda mais claudicante.

    O que este seu link comenta é a possibilidade de se adotar aqui o atual modelo americano, em que todo e qualquer depósito -- e não apenas os compulsórios -- que os bancos façam no Banco Central, inclusive os voluntários, seja remunerado. Uma mamata.

    Enviado do meu iPad
  • Joaquim Saad  03/10/2016 01:10
    Grato pelo retorno, Leandro. "Só" esqueci de mencionar em meu comentário anterior (ao Magno) que na verdade referia-me apenas a recolhimentos obrigatórios sobre os depósitos a vista (M1) nos bancos (compulsórios não remunerados, por sinal apresentando níveis geralmente bem menores do que os demais rentabilizados pelo BCB).

    Quanto à proposta de instituir por aqui a mesma prática do Fed, parece-me mais outro drible na LRF2000 e sua vedação à emissão de títulos por parte da autoridade monetária, legislação já bem vilipendiada pela Lei 11.803/2008 e sua velhaca equalização cambial (a respeito de cujo papel a meu ver crucial no saldo da cta única do Tesouro a propósito pelo visto discordamos...).

    []'s.
  • Joaquim Saad  02/10/2016 02:21
    SBRF também não incrementaria ainda mais a demanda cativa dos bancos por títulos públicos com os quais se necessário podem aumentar sua liquidez para enquadramento de compulsórios, reduzindo convenientemente ao estado os juros de sua dívida emitida nos leilões primários em relação a um full reserve, onde a competição do tesouro com o setor privado por financiamento seria maior na inexistência da capacidade de criação alavancada de um proxy (i.e. créditos depositados em contas) do dinheiro de base monetária (liberando tais reservas bancárias p/ aquisição de papeis do governo sem ter de abrir mão de financeiro "produzido" instantaneamente do nada p/ empréstimo ao público no esquema "frauducionário") ?
  • Leandro  02/10/2016 03:35
    Correta observação.
  • Pobre Paulista  30/09/2016 17:30
    Os bancos negociam livremente.

    Porém, se o Bacen acreditar que as taxas estão "altas" ou "baixas" demais, ele intervém no interbancário, aumentando ou reduzindo a oferta monetária, de maneira a deixar as taxas negociadas dentro da meta da Selic.
  • GARRU JOAO LUIZ GARRUCINO  30/09/2016 17:37
    Epa tão falando em crise nos bancos da Europa....Em texto na relação na foto de perfil divulgo declarações do analista Felipe Miranda da conhecida consultoria do mercado, a EMPIRICUS, afirmando que a crise de 2008 ainda não foi resolvida e estão apenas empurrando ela com a barriga mas ela vai explodir em algum momento e que tentarão resolver a crise ainda não resolvida com uma guerra a caminho EUA X Rússia e China que seria nuclear e global e não resolveria nada e sim detonaria tudo e todos. Até sugerimos em outro texto que o novo papa deveria resgatar o cristianismo primitivo sobretudo e inclusive o do grupo de Maria Madalena e Tomé pois detonaria as 3 ideologias materialistas atuais gerando os males do mundo e inclusive a guerra, as religiosas, as políticas e as econômicas, além das demais áreas das ciências também ainda presas ao velho paradigma materialista newtoniano devido ao cartório dos negócios e privilégios todos ignorando ou ocultando das massas as comprovações da mecânica quântica como explica o Hélio Couto em seus vídeos mas também comprovadas pelos livros do físico quântico Amit Goswami.. Obama bem que tentou regular o cassino financeiro global depois da crise de 2008 mas boicotaram isto e ainda vão pagar elevado preço devido a estarem permitindo esta zona ou baderna ou pirataria deste cassino financeiro global ou bando de salteadores reduzindo a pó as soberanias e as democracias dos povos do planeta inclusive dos EUA. Não live saco para entrar e ler tudo mas deixo a quem queria ler e comentar. Os textos das minhas pesquisas estão numa relação com links na foto de perfil e de capa da minha página no face GARRU JOÃO LUIZ GARRUCINO.
  • Luis  30/09/2016 18:09
    Se o Trump for eleito, nao duvido de uma guerra.
  • Murdoch  30/09/2016 21:12
    Não sou defensor do Trump, mas ele gerar uma guerra contra a Rússia e China é sem nexo algum.
    De acordo com algumas mídias esquerdistas, ele é amigo de Putin e a família Trump vive sendo rodeada de amigos e pessoas próximas a Putin.
    Por outro lado, mídia que pode ser considerada de direita sempre afirma que o objetivo de Trump é reduzir os impostos fazendo com que os empresários invistam nos EUA e não em outros lugares. Porém, reatando relações comerciais com a Rússia, iria reparar todo o arsenal nuclear e fortalecer as Forças Armadas dos EUA. É uma estratégia de acalmar o "urso" e tornar os EUA a mais poderosa força militar do mundo.
    De qualquer modo, ele vai estar acalmando a Rússia sem qualquer previsão de uma futura guerra entre as nações.
    Me abstenho de comentar sobre a Hillary, porque ela é a ameaça de uma futura guerra, vive acusando a Rússia disso e daquilo.
  • Murdoch  30/09/2016 21:15
    Ao adotar uma política de manter um câmbio fixo em um valor claramente depreciado é vantajoso?

    Ou adotar um câmbio valorizado é melhor?
  • Murdoch  30/09/2016 21:27
    Alguém poderia me informar onde está o artigo do IMB falando sobre os ativos da União, se não me engano é entre 4 a 6 trilhões de reais.
    Agradeço
  • Bruno Feliciano  30/09/2016 21:33
    Tem algum país que não opera com reservas fracionarias?
    Ou pelo menos já existiu algum?

    E qual argumento dos burocratas para defender essa fraude?Na lógica deles,qual a vantagem e beneficio de tal arranjo?

    Abraços
  • Gabriel  01/10/2016 00:29
    Ótimo artigo esse ein, eu sempre tive dúvidas sobre como funcionava na pratica essas questões mais operacionais dos bancos, e o artigo explica muito bem a coisa toda.

    Eu só fiquei com uma dúvida, porque me pareceu meio confuso a relação entre os depósitos compulsórios e a exigência de capital.

    No caso dos compulsórios eu consigo visualizar de maneira fácil, o banco deve reter um percentual dos depósitos a vista que receber no Banco Central, OK. Mas essa exigência de capital funciona como? Se eu adquirir um ativo que valha x% eu devo ter um patrimônio de x/2% para garantir a solidez do banco durante um eventual período de stresse? E esse patrimônio (o capital exigido) seria o que exatamente? Os saldos dos depósitos que os correntistas fizeram no banco?

    No caso dos compulsórios eu consigo visualizar a situação facilmente, agora essa exigência de capital não vejo com muita clareza. Na verdade eu acho que a minha grande dúvida é, o que exatamente é esse capital exigido? Os depósitos dos correntistas (ou o percentual deles que está junto ao BC)?
  • Thomas  01/10/2016 01:47
    Em termos bem simples, se um banco possui Índice de Basiléia de 20%, significa que, para cada R$ 100,00 emprestados (ativos), o banco possui patrimônio líquido (capital) de R$ 20.

    Ou seja, quanto mais elevado for este índice, maior será a garantia de que o banco terá capacidade de honrar com seus compromissos.

    O índice mínimo exigido pelo Banco Central do Brasil é 11%.
  • Gabriel  01/10/2016 04:45
    Opa até aí eu entendi, mas o capital do Banco seria exatamente o que? Dinheiro dos acionistas ou de lucros operacionais?

    E esse capital fica aonde? Investido em títulos públicos?
  • Thiago Iatarola  01/10/2016 00:35
    Ótimo artigo, mas tenho uma dúvida: Ao abolirmos o sistema de reservas fracionárias, o custo de capital (juros) não se tornaria muito elevado, o que restringiria o investimento? Se alguém souber algum artigo que trate sobre isso, eu agradeço.
  • Rafael Maciel Vanat  01/10/2016 11:41
    Esse artigo foi publicado em 2011 ou ou 2016? Constam comentários com ano 2011 oO
  • Guilherme  01/10/2016 15:34
    Primeira linha do artigo:

    "N. do E.: o artigo a seguir foi originalmente publicado em novembro de 2011. Os recentes acontecimentos com o Deutsche Bank, com a banca italiana e, em geral, com todo o sistema bancário europeu, cuja crise bancária parece não ter fim, o tornaram extremamente atual."
  • 'aluno  01/10/2016 23:16
    Excelente artigo e continuo aprendendo muito sobre economia com os artigos escritos aqui no site.
  • Mais Mises...  01/10/2016 23:45
    Leandro, boa noite. Vou sair do propósito do artigo acima e por isso, desculpo-me de antemão.

    É que ontem minha esposa me enviou um texto de 11 páginas acerca da família Rothschild. Ela ficou imensamente surpresa sobre a influência que eles possuem em muitos países por aí. Daí, respondi que toda essa influência se dá justa e tão somente em função da presença do estado e seus representantes, influenciando diretamente nas legislações e demais políticas governamentais.

    Ainda assim, fiquei curioso, busquei aqui no IMB a respeito do tema, mas não encontrei nada específico. Você conhece algum site ou livro com o qual eu possa me informar melhor sobre essa família?
    Obrigado desde já.
  • Leandro  02/10/2016 03:39
    Livros e sites sobre os Rothschild há vários. Mas nenhum deles imparcial. Aliás, o verbete da Wikipedia (em inglês) acaba sendo o mais imparcial que você conseguirá.

    Em todo caso, informações acuradas sobre banqueiros são algo raro. E intencionalmente. O motivo foi explicado aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1521
  • Mais Mises...  02/10/2016 05:19
    Ok. Muito obrigado.
  • anônimo  02/10/2016 16:50
    Leandro, já que tocaram nesse assunto "obscuro", o que acha desse tipo de coisa?



    É possível? Ou não passa de teoria da conspiração?
  • Leandro  02/10/2016 18:38
    As duas coisas. É perfeitamente possível de acontecer, mas também é algo repleto de sensacionalismo e teorias conspiratórias.

    Perceba que o narrador não apresenta provas documentais de nada. Apenas fia-se em seus próprios relatos, como se eles, por si sós, fossem autoevidentes e dispensassem qualquer comprovação.

    De resto, vale enfatizar que todo este relato, em sendo verdadeiro, apenas comprova tudo aquilo que este site vive dizendo sobre este arranjo econômico baseado no conluio entre estado e grandes empresas (arranjo este tecnicamente chamado de mercantilismo é popularmente chamado de "capitalismo de estado" ou "capitalismo de quadrilha" e que chegou ao ápice no Brasil durante o governo Dilma).

    Tal arranjo é totalmente propício a gerar esse tipo de relação criminosa entre políticos e grandes empresários, sempre em detrimento da população, do livre mercado e da livre iniciativa de pequenos empreendedores.

    Enquanto as pessoas continuarem defendendo mais estado e mais intervencionismo, esse tipo de prática criminosa será a regra. Juro que não entendo o espanto da esquerda com essas consequências narradas.

    Afinal, para que serve o estado, os políticos e suas políticas intervencionistas senão para privilegiar seus comparsas? Isso é básico.
  • Douglas  03/10/2016 07:13
    Há sensacionalismo nesses vídeos, mas há muitas verdades também.
  • Douglas  24/10/2016 22:38
    Desculpe a intromissão Mais Mises, seria possível você me enviar esse artigo ou me dizer aonde encontro ele?
    Segue dois documentários sobre esta família, que creio eu, domina o mundo, ou pelo menos tem um enorme poder:
    https://www.youtube.com/watch?v=jIA-DkfJrtY
    https://www.youtube.com/watch?v=_iyM0lo15Is
  • Mane Pele  03/10/2016 14:37
    Eu assisti a documentário Inside Job, e a narrativa culpa a desregulamentação como à causa da grande crise. A culpa foi da desregulamentação ou os banqueiros sabiam que o banco central em caso de quebra do sistema financeiro iria socorrer ?
  • Hank  03/10/2016 15:03
    Segunda opção. Mas mesmo assim isso não explica tudo.

    Sobre a crise financeira, ei-la explicada em detalhes:

    Como ocorreu a crise financeira americana
  • MarcioAB  03/10/2016 16:44
    Como seria a expanção da base monetaria considerando essa "verdadeira reforma" ?
  • Erick  03/10/2016 17:08
    Amigos,

    O que dizer para alguém que ainda acha que se for eleito um prefeito "HONESTO", que "não roube", que "ACABE COM CORRUPÇÃO" ia ter dinheiro pra prefeitura fazer tudo (transporte, educação, saude, lazer, saneamento etc)? Porque dizem que "tem dinheiro! É só acabar com a corrupção"
  • MarcioAB  03/10/2016 17:41
    Obs: O contexto desse topico não é esse.

    De qquer forma, não tem dinheiro para "tudo". É uma questão de prioridade. Uma parte não tem escolha, e o pouco que sobra deveria ser decidido democraticamente (via democracia direta). A parte da corrupção é com a POLICIA.
  • Gabriel  03/10/2016 23:14
    Por acaso não seria uma boa a pessoa criar um banco apenas para poder investir alavancado? Por exemplo, criar um banco para se aproveitar da possibilidade de operar alavancado comprando uma quantia muito maior de títulos públicos do que poderia comprar se fosse investir como "pessoa física"?

    Ou até mesmo fazer isso para operar derivativos como contratos de índice e dólar?

    Porque da maneira como funciona a regulação do setor bancário isso parece ser um ótimo negócio.
  • Joaquim Saad  04/10/2016 00:55
    Não rola, bancos têm que pagar suas compras de títulos públicos nos mercados primário (leilões) e secundário (aberto) c/ recursos de suas reservas.

    Contratos de índice e dólar já são alavancados por natureza, ainda mais se for no day-trade (onde as margens cobradas por ex pela XP estão em média em apenas R$85/WDO, perfazendo no momento uma multiplicação de uns R$3,25/US$ X US$10k/mini-contrato / R$85/WDO = 382 !!!).

    (Muito) Boa sorte ! :D
  • anônimo  28/11/2016 20:02
    Opa, só agora que vi a resposta. Mas a questão que eu coloquei não é exatamente essa.

    Quanto ao fato dos bancos terem que usar suas reservas para adquirir os títulos isso OK, não há muitas dúvidas. Agora a minha questão é se os bancos podem usar o multiplicador bancário nessa operação para se favorecerem.

    Por exemplo, eu crio um banco com um capital próprio de 15 milhões. Se eu quiser adquirir títulos públicos eu poderia multiplicar em cima desses 15 milhões ou não seria possível?

    E aliás me veio outra dúvida, na prática os bancos podem usar uma parte dos depósitos a vista para conceder empréstimos ou eles podem multiplica-los para conceder empréstimos? Vou tentar resumir em dois exemplos (i) um banco que recebe um depósito de R$ 10.000,00 deve deixar R$ 3.000,00 depositado como compulsório (exemplo) e pode emprestar os outros R$ 7.000,00, fazendo com que sobre um depósito de R$ 10.000,00 seja criado R$ 7.000,00 ou (ii) o Banco pode multiplicar sobre os R$ 10.000,00 e com isso emprestar R$ 300.000,00 (por exemplo). Como ocorre na prática?

    A dúvida foi mais nesse sentido.
  • Giovana  08/10/2016 01:54
    Mas na conjuntura política-econômica, em que o governo fica gerando déficits e alimentando o lucro dos banqueiros (isso no Brasil), não consigo acreditar que um dia haverá mudança :/ mesmo que o sistema chegasse a colapsar, as pessoas depositariam suas esperanças em algum socialista qualquer...
  • Josélton  16/10/2016 06:13
    Uma pergunta sobre o sistema bancário atual, caso seja anunciado que os Estados Unidos aumentem os juros, isso seria apenas aos títulos de dívidas ou também referentes à todos os empréstimos bancários?
  • Vinícius  24/10/2016 17:51
    Fernando,Parabéns pelo artigo!

    Tenho duas dúvidas e gostaria que,se possível, você me tirasse.

    1)Os bancos centrais podem comprar um título por um valor maior do que ele vai pagar?Exemplo: Um título pré fixado que pague 1000 na data de vencimento, o bc pode comprar esse título por 1200,por exemplo?

    2)Imagine uma situação em que investidores passem a demandar títulos do governo,logo, o preço de negociação dos papéis tende a subir.Essa alta nos preços e,consequentemente,queda nos juros poderia fazer com que a selic over se descolasse da selic meta?
    Obrigado!!!
  • Trader  24/10/2016 21:45
    1) Bancos Centrais, exatamente por poderem criar dinheiro do nada, podem comprar qualquer ativo em posse dos bancos pelo preço que ele quiser (desde que o banco vendedor aceite tal preço, é claro).

    A resposta para a sua pergunta, portanto, é sim. Só que tal medida não faria absolutamente nenhum sentido.

    2) Investidores demandam vários títulos, com diferentes prazos e taxas. O BC não controla o juro de nenhum desses títulos. Mas sim, se a SELIC se decolasse da meta, tudo o que o BC tem de fazer é vender títulos para os bancos e deletar o equivalente em reservas bancárias (caso a SELIC esteja caindo) ou criar dígitos eletrônicos e comprar títulos em posse dos bancos (caso a SELIC esteja subindo).
  • Vinícius  24/10/2016 23:03
    Concordo que não faz/faria nenhum sentido.Mas o que pensei é o seguinte:Pegue o Japão como exemplo, que possui títulos com rendimentos negativos.Se o governo japonês quiser continuar injetando liquidez na economia, ele vai ter que comprar papéis nessas condições que citei!
    O que queria saber é se os bancos centrais operam com alguma restrição em relação aos ativos que ele pode adquirir!
    Obrigado pela resposta!
  • Magno  24/10/2016 23:28
    Ele nem precisa fazer isso. Os próprios investidores já o fazem:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2445

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2497
  • Vinícius  24/10/2016 23:46
    Concordo,Magno.
    O que quero saber é se eles possuem alguma restrição com relação aos ativos que eles podem adquirir.
    Valeu!
  • Mateus Amorim  27/01/2017 00:11
    Texto espetacular, parabéns e obrigado!


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.