Imagine
um indivíduo que esteja letárgico e sem nenhuma energia para funcionar ao seu
nível normal de concentração porque, além do cansaço acumulado, não conseguiu
dormir nada na noite passada. Ele pode
utilizar algumas drogas que o farão se sentir plenamente revigorado, mesmo após
uma noite de completa insônia, e aparentemente capacitado para estudar e
trabalhar no dia seguinte com total eficiência.
No
entanto, utilizar tais drogas definitivamente não é uma boa ideia. Isso porque o problema fundamental desse
indivíduo — poucas horas de sono — não apenas não é resolvido por esse
estímulo narcotizante, como na verdade é piorado por ele. Afinal, esse estímulo irá apenas exaurir
ainda mais a já pequena reserva de energia que tal indivíduo ainda possui,
levando-o ao caminho da completa exaustão.
Essa
descrição se aplica à atual recessão econômica nos EUA e na Europa, bem como aos
esforços de se revertê-la por meio do uso de “políticas fiscais” e de “pacotes
de estímulos”. O significado desses
termos é ‘mais gastos governamentais” e ‘menos impostos voltados especificamente
para estimular o consumismo’. Isso
inclui dar dinheiro de restituição de imposto de renda para pessoas que não
pagam imposto de renda e as quais compreensivelmente, justamente por causa de
sua baixa renda, saíram correndo às compras, consumindo mais à medida que mais
dinheiro foi lhes sendo repassado pelo governo.
A
principal diferença entre estes “estimulantes” econômicos e os estimulantes
farmacêuticos é que os estimulantes econômicos são incapazes de fazer com que o
sistema econômico retorne, nem mesmo temporariamente, ao seu nível normal de
atividade.
Um
sistema econômico que entra em uma grande recessão ou depressão está em uma
situação muito similar àquela do nosso imaginário e insone indivíduo. Tudo o que é necessário fazer para se adaptar
uma situação à outra é substituir a falta de sono necessária para o
funcionamento adequado do organismo pela perda de algo necessário para o
funcionamento adequado do sistema econômico.
Capital
No
caso do sistema economia, esse algo necessário é o capital. O sistema econômico
atual não está funcionando adequadamente porque ele perdeu capital. Capital é toda a riqueza acumulada que
pertence a empresas ou a indivíduos, e que é utilizada para o propósito de se
auferir lucro ou juros.
O
capital abrange todas as fábricas, minas e fazendas agrícolas, bem como todos
os maquinários e equipamentos, todos os meios de transporte e de comunicação,
todos os armazéns, lojas, escritórios, imóveis comerciais e residenciais, e
todos os estoques de materiais, componentes, suprimentos, bens
semimanufaturados e bens acabados que são propriedades de empresas.
O
capital também abrange o dinheiro que pertence às empresas, embora o dinheiro
esteja em uma categoria especial.
Adicionalmente, abrange os fundos que são emprestados aos consumidores,
a juros, para que estes possam comprar bens de consumo como imóveis, automóveis,
aparelhos eletrodomésticos e tudo mais que seja muito caro para ser comprado
com a renda obtida em um período salarial e para o qual o comprador não possua
poupança suficiente.
A
quantidade de capital em um sistema econômico determina sua capacidade de
produzir bens e serviços, de empregar mão-de-obra e também de comprar bens de
consumo a crédito. Quanto maior o
capital, maior a capacidade de os indivíduos realizarem todas essas atividades;
quanto menor o capital, menor a sua capacidade de realizar qualquer uma dessas
atividades.
Poupança
O
capital advém da poupança. Ele só pode ser acumulado por meio da poupança. Poupar é o ato de se abster do consumo; é o
ato de se abster de consumir fundos que foram adquiridos através da venda de
bens ou de serviços.
Poupar
não significa não gastar. Não
significa guardar dinheiro dentro da gaveta (ao que chamam tecnicamente de
“entesourar”). Poupar significa não
incorrer em gastos que sejam voltados para o consumo. Abster-se de gastar
com consumo torna possível que haja um gasto equivalente voltado para a produção. Qualquer indivíduo que poupa está em posição
de — na medida do volume de sua poupança — comprar bens de capital e pagar
salários a trabalhadores, emprestar fundos para outras pessoas para que estas
comprem de bens de consumo caros, ou emprestar fundos para terceiros para que
estes os utilizem da maneira que mais lhe aprouverem.
É
extremamente necessário salientar estes fatos por causa do predominante estado
de suprema ignorância que domina este assunto.
Tal ignorância é perfeitamente exemplificada por keynesianos — seja na
imprensa, seja na política, seja no meio acadêmico — que recorrentemente fazem
declarações do tipo: “Quando as pessoas poupam, o dinheiro não circula pela
economia. Logo, uma maior poupança se
traduz em menor consumo, menores vendas e, consequentemente, menos receitas
para empresas. As demissões
aumentam.”
Tais
declarações são feitas com tamanha convicção, com tanta certeza de que sua
veracidade é inquestionável, que elas são tidas como praticamente incontroversas.
Se
levarmos ao pé da letra a lógica da declaração acima, tudo indica que
keynesianos acreditam que imóveis e outros bens de consumo caros são comprados
com os rendimentos obtidos em um mês de trabalho — que é o tempo normal entre
dois contracheques. Pois, para o
keynesiano, qualquer tipo de poupança representa risco de estagnação
econômica. Se a lógica keynesiana fosse
verdade, absolutamente nenhuma poupança seria necessária para se comprar bens
de consumo. A verdade, é claro, é que a
compra de um imóvel tipicamente requer uma soma igual a toda a renda acumulada
pelo comprador durante anos, às vezes durante décadas. A compra de um automóvel, a renda de vários
meses. E a compra de inúmeros outros
bens, uma fatia bastante expressiva da renda de um período salarial, o que
significa que tal compra seria impraticável caso financiada exclusivamente com
a renda auferida durante esse período, pois os fundos para tal seriam muito
limitados, e não sobraria dinheiro para mais nada.
Para
todos esses casos, um processo de poupança é essencial para a compra de
bens de
consumo. A poupança acumulada pode ser
aquela do próprio comprador — que reduz seu consumo ao máximo possível
–, ou
pode ser aquela de outra pessoa, a qual emprestará para esse comprador.
Pode também ser uma combinação dos dois. Porém, em todos os casos, a
poupança é
essencial para a compra de bens de consumo caros.
Os
keynesianos que recitam essas tolices sobre os “perigos da poupança” também não
conhecem outros, e ainda mais importantes, fatos sobre a poupança. Eles não sabem que poupar é uma precondição
para que varejistas possam comprar bens de atacadistas; para que atacadistas
possam comprar bens de fabricantes; e para que fabricantes, e todos os outros
produtores, possam comprar bens de seus fornecedores, e assim por diante. A poupança é também a precondição para que os
vendedores, em todos esses estágios da cadeia produtiva, possam pagar salários.
Todos
esses gastos, por via de regra, têm de ser feitos antes de o empreendedor em
questão receber qualquer dinheiro pela venda de seus bens. Um varejista vai gastar adquirindo bens antes de receber dinheiro com a revenda
desses bens. O mesmo se aplica ao
atacadista, ao fabricante e aos fornecedores.
Montadoras de automóveis e siderúrgicas não podem pagar seus empregados
e fornecedores com o dinheiro auferido na venda de automóveis, dinheiro esse
que será obtido exatamente como resultado da utilização da mão-de-obra e dos
bens de capital comprados. E mesmo nos
casos em que os pagamentos são feitos utilizando-se as receitas das vendas dos
bens produzidos, o vendedor em questão deve se abster de consumir estes fundos
— isto é, ele deve poupá-los e utilizá-los para pagar pelos bens de capital e
pela mão-de-obra que adquiriu previamente.
Contrários
a essa realidade, os keynesianos acreditam que vendedores nada mais fazem do
que consumir ou entesourar o dinheiro que obtêm. Eles são parvos demais para entender que, se
isso fosse realmente verdade, não haveria
demanda por mais nada na economia senão por bens de consumo. Isso se torna claro ao simplesmente seguirmos
o padrão de raciocínio apresentado nos livros-textos keynesianos quando
descrevem o processo de gastos na economia.
Assim,
um consumidor compra, digamos, $100 em camisas em uma loja de departamentos. O proprietário da loja, por conseguinte,
seguindo sua keynesiana “propensão marginal ao consumo” de 0,75, irá gastar $75
comendo em um restaurante, e supostamente irá entesourar os $25 restantes de
sua renda. O proprietário do
restaurante, por sua vez, irá gastar $56,25 (0,75 x $75) comprando livros, e
supostamente entesourará os restantes $ 18,75, e assim por diante. Porém, o que os keynesianos aparentemente
ignoram é que, se tal sequência de gastos realmente ocorresse, tudo o que
existiria na economia seria uma soma de gastos em consumo e nada mais.
O
fato é que a maior parte dos gastos no
sistema econômico tem de estar fundamentada na poupança. O vendedor das camisas irá provavelmente
poupar e consequentemente gastar produtivamente uns $95 ou mais 1) comprando
novas camisetas para repor seu estoque, 2) pagando seus empregados e 3) fazendo
outras compras necessárias para a manutenção e condução de seu
empreendimento. Ele talvez gastará
apenas $5 em consumo próprio. O mesmo é
válido para a) aqueles que vendem para ele, b) para os fornecedores destes
fornecedores, c) para os fornecedores destes últimos fornecedores, e assim por
diante.
Qualquer
balanço ou declaração de renda de uma empresa pode fornecer uma simples
confirmação destes fatos. A razão entre custos
e receitas de vendas de uma empresa é um indicador de como a empresa utiliza sua
poupança para gastos com mão-de-obra e bens de capital em relação às suas
receitas de vendas. Os custos declarados
no balanço hoje representam os gastos com mão-de-obra e bens de capital que
foram feitos no passado. A poupança e os
gastos produtivos (gastos que geram receitas futuras, isto é, gastos com
mão-de-obra e bens de capital), ambos financiados por meio das atuais receitas
de vendas, aparecerão como custos no futuro.
Quanto maior a proporção dos custos em relação às vendas, maior o grau
de poupança e de gastos produtivos em relação às receitas de vendas. Uma empresa com custos de $95 e receitas de
vendas de $100 é uma empresa que está poupando e gastando produtivamente $95
retirados de sua receita de venda de $100.
Essa relação se aplica por todo o sistema econômico.
Entesouramento versus poupança
Quando
algum “entesouramento” ocorre — ou, mais corretamente, quando há um aumento na
demanda por dinheiro para ser mantido como encaixe –, não é porque as pessoas
decidiram poupar. O que realmente está
acontecendo é que as empresas e os investidores decidiram que precisam alterar a composição da poupança que já
acumularam, aumentando mais a quantidade de dinheiro em encaixes e
diminuindo suas aplicações e investimentos em outros ativos.
Por
exemplo, um indivíduo pode decidir que, em vez de aplicar 90% de sua poupança
total em ações e em outros papeis e ter apenas 10% em dinheiro na
conta-corrente, ele precisa aumentar seus encaixes para 20 ou 25% de sua
poupança.
Similarmente,
uma grande empresa pode decidir que precisa aumentar seus encaixes em relação a
seus outros ativos a fim de estar mais bem preparada para honrar o vencimento
de suas contas. Isso normalmente
acontece no início de recessões, quando o crédito se torna escasso (por causa
do aumento dos juros) e as empresas descobrem que não mais podem contar com
empréstimos para quitar suas pendências.
Ademais,
os aumentos nos encaixes que ocorrem em tais circunstâncias não representam um acréscimo à poupança,
uma vez que ocorrem em meio a um acentuado declínio
na quantia total de poupança acumulada.
Por exemplo, o aumento na demanda por encaixes que ocorreu após o início
da crise financeira se deu em reação à enorme queda nos mercados imobiliários e
de ações, à quebra de várias empresas de tamanho considerável, e a enormes
prejuízos apresentados por bancos e outras instituições financeiras.
Tudo
isso representa uma redução nos
valores de ativos, isto é, no valor da poupança acumulada. As pessoas vendem ativos e aumentam seus
encaixes com o intuito de evitar mais perdas em sua poupança acumulada. É claro que essa ampla conversão de ativos em
dinheiro provoca ainda mais declínios no valor das poupanças acumuladas, uma
vez que a fuga desses ativos reduz seus valores.
Depressões e expansão do crédito
A
perda de poupança acumulada está no cerne do problema das depressões
econômicas. Recessões e depressões, bem
como os prejuízos que geram, são resultado da tentativa de criar capital não
por meio da poupança, mas por meio da expansão
do crédito. Expandir o crédito
significa que o sistema bancário está criando, do nada, quantidades adicionais
de dinheiro para serem emprestadas para pessoas e empresas. Tudo isso é feito com o estímulo e a proteção
do governo e do banco central. O
dinheiro assim criado e emprestado aparenta ser capital novo e adicional, mas
não é.
O
fato de aparentar ser um capital novo e adicional cria uma falsa e exagerada
noção a respeito da quantidade de capital que está disponível para sustentar a
atividade econômica. Assim como um
indivíduo que acredita ter ficado
mais rico no decorrer de uma bolha financeira, e que foi levado a adotar um
padrão de vida muito além de suas posses, as empresas são levadas a empreender
projetos que estão muito além de suas capacidades financeiras.
Para
um indivíduo consumidor, a compra financiada de um imóvel ou de um automóvel,
sob a ilusão de que ele está mais rico do que realmente é, irá mais tarde se
transformar em um grande prejuízo quando os preços e, consequentemente, os
juros começaram a subir, o crédito escassear, a economia entrar em recessão e
ele finalmente perceber que, na realidade, ele não tem como bancar essas
coisas, e que teria sido melhor ele não tê-las comprado. Da mesma maneira, os empreendimentos das
empresas, seja a abertura de novas lojas, ou a aquisição de outras empresas e
afins, levadas a cabo sob a ilusão de uma súbita abundância de capital, acabam
se revelando fontes de grandes prejuízos quando esse delírio da abundância de
capital se evapora.
A
expansão do crédito também estimula uma redução artificial na demanda por
dinheiro para encaixes, algo que justamente irá preparar o terreno para o
futuro aumento na demanda por dinheiro explicada alguns parágrafos acima. A redução na demanda por dinheiro em caixa
ocorre porque, enquanto a expansão do crédito continua, passa a ser possível
para as empresas pegarem empréstimos baratos e de maneira ainda lucrativa, de
modo que eles passam a crer que podem abrir mão do dinheiro em caixa em prol de
empréstimos baratos e de curto prazo. Adicionalmente,
o dinheiro que foi recentemente criado pelos bancos e injetado na economia gera
uma crescente receita de vendas, o que estimula o gasto com a reposição de
estoques, reduzindo ainda mais os incentivos para se manter dinheiro em caixa
— tudo na convicção de que os novos estoques podem ser liquidados rápida e
lucrativamente.
Recessões
e depressões são o resultado da perda do capital que foi desperdiçado tanto em
investimentos insustentáveis quanto na explosão consumista, ambos fenômenos
provocados pela expansão do crédito. As
perdas são adicionalmente intensificadas pelo aumento na demanda por dinheiro
para encaixes que se segue a esse fenômeno.
E elas podem ser intensificadas ainda mais caso haja uma redução na
quantidade de dinheiro na economia, algo que pode ocorrer caso os prejuízos
sofridos pelos bancos os obriguem a pedir a quitação de vários empréstimos
pendentes — ago que, no sistema bancário de reservas fracionárias, gera uma
redução múltipla na quantidade de dinheiro disponível na economia. Esse redução da quantidade de dinheiro na economia
faz com que pessoas e empresas endividadas tenham ainda mais dificuldades para
quitar suas pendências.
Conclusão
Desde
o início da crise financeira, a poupança acumulada no sistema econômico foi
dizimada em vários trilhões de dólares, e nada poderia ser mais incrível do que
o fato de que, em meio a tudo isso, existam várias pessoas, incluindo-se aí a
grande maioria dos economistas profissionais, criticando qualquer perspectiva
de aumento na poupança, na crença de que é necessário estimular o consumo e
reduzir ainda mais a poupança para que a economia volte a crescer. Impossível haver uma mais completa e rematada
falta de conhecimento econômico.
Seria
de se esperar que pessoas que se gabam de seu empirismo, como a maioria dos
economistas da atualidade, ao menos se dessem ao trabalho de dar uma olhada nos
fatos reais do mundo em que vivem.
Talvez assim, em meio a essa perda de trilhões de dólares em poupança
acumulada, eles finalmente começassem a suspeitar de que há alguma necessidade
de se repor toda essa poupança que foi dizimada. Mas, na realidade, o que estas mentes
brilhantes estão empenhadas em fazer é exatamente o oposto: impedir que haja
essa reposição e fomentar novas rodadas de consumo de capital.
Eu discordo da frase: “Poupar não significa não gastar. Não significa guardar dinheiro dentro da gaveta (ao que chamam tecnicamente de “entesourar”). Se alguém recebe R$100,00 de salário, gasta R$90,00 e mantêm consigo R$10,00, eu considero que ele poupou esses R$10,00, independente se ele manteve esse recurso em dinheiro, ou se realizou algum investimento. Portanto para mim guardar dinheiro na gaveta significa sim poupar. Mas eu sei que esse assunto é polêmico mesmo entre os principais economistas austríacos.
Leandro,
Sendo assim, a falta da palavra “apenas” que me causou confusão. Obrigado pelo esclarecimento.
Edik:\r
\r
Essa é só uma questão de nomenclatura. Você acha que o nome para esse “guardar dinheiro na gaveta” é poupar, o autor (penso como ele) diz que o nome para isso é “entesourar”. Não é esse o ponto, não é isso que o autor discute. O “x” da questão é a ideia falaciosa keynesiana de que aquilo que não for entesourado (ou poupado, na sua concepção do termo) será necessariamente gasto em consumo, o que é uma tremenda bobagem. \r
\r
Grande abraço. \r
\r
Uma aula econômica em um artigo!! Existe alguma perspectiva de tradução do Capitalism de Reisman?
Abraços!!!
Leandro:\r
\r
Uma pergunta que não tem muito a ver com o artigo, mas também não está fora completamente: \r
Se cada indivíduo desse mundo, se cada pessoinha que vive nessa terra, se cada um de nós tivéssemos todas as condições necessárias para o desenvolvimento econômico, se todos nós tivéssemos habilidades empreendedorísticas, se tivéssemos a exata motivação para negócios, se todos tivéssemos a noção da importância de poupar e automaticamente de acumular capital, e tivéssemos fundamentalmente todas as liberdades individuais necessárias para esse desenvolvimento… após divagar muito, é possível pensar em um mundo onde todos viveriam igualmente bem? Não estou querendo com isso fazer nenhuma campanha em prol disso, até porque creio que “os pobres sempre existirão” citando o próprio Cristo, mas apenas fazendo um esforço imaginativo para saber se de fato ter esse arcabouço de condições para o crescimento seria atingível a todos igualmente e ao mesmo tempo. Pela minha mentalidade desenvolvida sobre teses keynesianas e esquerdistas, onde só há 1 ano e meio venho tentando eliminar completamente das minhas percepções de mundo, ainda tenho uma tendência de acreditar que o mundo é feito desse “jogo de soma zero”, onde pra um ganhar outro tem que perder. \r
Se puder me ajudar com essa questão, fico muito grato. Se puder indicar alguns livros que tratem desse tema, também ficarei muito alegre. \r
Grande abraço!\r
Leandro:\r
\r
Acho que não fui claro. Minha pergunta não é essa, e também não é uma “tese”, é só uma “dúvida”. Não estou falando do mundo real, das coisas como elas são mesmo, mas estou fazendo um esforço imaginativo. É claro que o mundo como ele é, e existindo nele pessoas completamente diferentes como existe, pensar nessa possibilidade é uma completa idiotice, e acho que não sou um completo idiota (só em partes (risos)). O que estou lhe perguntando é: em um mundo utópico, em um planeta chamado Imaginação, considerando que as pessoas desse “mundo” tenham tudo o que seja necessário e façam tudo o que seja preciso para serem prosperas economicamente falando, é possível essa relação de troca que beneficia a todos? Não em igualdade de riqueza, mas em igualdade de bem-estar; um mundo sem pobres, quero dizer. \r
\r
Entendeu? Se não, deixa pra lá, é só loucura da minha cabeça (risos). \r
\r
Muito obrigado!
Leandro,\r
\r
Ficou sim. \r
\r
Abração!\r
\r
PS.: O que você acha do economista indiano Amartya Sen? Conhece o trabalho dele? \r
\r
Abração!
Se entosourar fosse o mesmo que poupar, ficaria facinho pro Mantega ou qualquer outro burocrata com poder sobre a casa da falsificação, digo casa da moeda, dizer que o Brasil é poupador. Bastaria imprimir trocentos zilhões de reais, enfiar tudo no cofre e dizer: vejam aqui o tamanho da nossa poupança.
Muito boa síntese. A alegoria inicial é perfeita e mostra como uma mente sã aborda um problema. Pena que Descartes estava errado quando disse que “juízo é a coisa mais bem distribuída do mundo”.
Prezados Leandro e demais,
aqui está o link de um artigo de Prof.Samir Keedi.Achei interessante.
http://www.dcomercio.com.br/index.php/opiniao/sub-menu-opiniao/71714-repensando-o-ensino-da-economia
Abs.
Esses artigos são muito bons, Muito Obrigado!
As pessoas precisam encarar o fato simples de que não existem “milagres” na Economia. A Razão deve prevalecer sempre quando tratamos de assuntos econômicos. Isso implica aceitar a matemática. 1+1 = 2(SEMPRE).
Lendo a citação de Mahoney, fiquei sabendo que não sou um poupador e sim entesourador.
Sendo eu assalariado, gostaria de saber como tornar produtivo tudo que deixo de gastar com consumo, também tendo em vista a possilibidade de resgate, haja vista, eu ter planos de começar a construção de minha casa daqui uns 3 anos?
Leandro, preciso ainda entender esse conceito de poupança que vc descreveu:
“Você, na condição de pessoa física, se não estiver consumindo, estará aplicando seu dinheiro em algum depósito bancário, em ações ou em algum fundo de investimento. Isso é poupar.
Da mesma forma, você, na condição de pessoa jurídica, se não estiver consumindo (inclusive mão-de-obra), estará comprando máquinas, equipamentos e outros bens de capital. Isso é investimento, e investimento só é possível se houver poupança — se não for a sua poupança, então será a poupança daquela pessoa que está lhe emprestando o dinheiro.”
Por essa explicação, poupar e investir é exatamente a mesma coisa?
Outra coisa, você dá a entender que o gasto de mão-de-obra como um consumo, ou seja, um gasto (não é investimento), mas o autor do artigo parece considerar que qualquer despesa que o empreendedor gasta, seja em mão-de-obra, seja em maquinário, seja em estoques, tudo é investimento, ou seja, tudo é poupança. Ele diz aqui:
“O vendedor das camisas irá provavelmente poupar e consequentemente gastar produtivamente uns $95 ou mais 1) comprando novas camisetas para repor seu estoque, 2) pagando seus empregados e 3) fazendo outras compras necessárias para a manutenção e condução de seu empreendimento. Ele talvez gastará apenas $5 em consumo próprio.”
Assim, tudo que não é consumo próprio, é poupança, já que poupar é se abster de consumir. Está certo?
Já viram isso? Se alguém puder tecer um comentário, agradeço. Pode ser irônico, não me importo.
Leandro, pode me tirar uma dúvida a respeito da TACE? Venho lendo muito sobre esse assunto, mas ainda não encontrei nenhum material que me pudesse sanar essa dúvida, que é a seguinte: reduzido nível de consumo da população e aumentada a poupança, que incentivos teriam os empresários para aumentar os investimentos (seja na indústria de bens de capital ou na de bens de consumo)? É certo que, com a maior oferta de fundos para investir resultante do aumento da frugalidade, as taxas de juros baixariam. Porém, diante de prejuízos constantes e preços declinantes, não seria mais razoável supor uma REDUÇÃO dos investimentos por parte do empresariado? A TACE sustenta que, assim que o consumo de bens de primeira ordem baixasse, os recursos retidos nas indústrias que se dedicam à produção desses bens migrariam naturalmente para as indústrias de bens de capital, que os empregariam de modo a promover um alargamento da estrutura produtiva da economia e garantir uma maior oferta de bens de consumo no futuro. No entanto, por que essas mesmas indústrias de bens de capital não estariam também sujeitas ao efeito depressor originário da queda do consumo? Também elas não sofreriam prejuízos contábeis e se veriam na obrigação de dispensar recursos ociosos, assim como as indústrias que atuam na etapa final do processo de produção?
Veja bem: imaginemos que a população decide parar de consumir um pneus. Imediatamente, as empresas que atendem diretamente o consumidor final, percebendo essa queda abrupta no consumo de pneus, cancelam todas as encomendas feitas, ou por fazer, aos seus fornecedores. Neste ponto, o que a EA diz é que esses fornecedores (ou outras empresas ainda mais afastadas na estrutura produtiva, da perspectiva do consumidor, como as que produzem os bens de capital utilizados pelas fábricas de pneus etc.), ao invés de dispensar funcionários e cortar gastos como reflexo do cancelamento em massa de encomendas, iriam, na verdade, EXPANDIR seus gastos com investimentos em novas ferramentas, novo maquinário, com a contratação de mais funcionários etc. Simplesmente não faz sentido.
Ficarei MUITO agradecido se você puder esclarecer isso para mim. Muito mesmo! Abraços!
Veja sobre os Triângulos Hayekianos neste link.
Vou tentar explicar resumidamente. No caso de aumento de poupança haverá inevitavelmente uma redução de consumo dos produtos já fabricados que estão prontamente disponíveis em estoque. Essa redução irá fatalmente esfriar este mercado – sobrarão estoques, os preços inevitavelmente terão que baixar, e certamente haverão demissões – aumentando a oferta de mão de obra na economia.
Agora olhe pelo ponto de vista do empresário: Poupança aumentando = juros baixos. Oferta de mão de obra = salários baixos. Porquê algum empresário não investiria num cenário desses? E uma vez que está claro que os produtos atuais das prateleiras não satisfazem os consumidores atuais, os empresários certamente irão investir ou em novos produtos de prateleira, ou em setores mais iniciais dos estágios de produção.
Ou seja, redução de consumo não é uma “crise”, é apenas uma readequação (muito provavelmente um alongamento) da cadeia produtiva de um modo geral.
Espero ter esclarecido. De qualquer modo, leia o artigo citado, ele responde muito bem à sua pergunta.
Prezado Leandro e/ou amigos do site,
Gostaria de uma uma sugestão sobre qual dos grandes tratados de economia escrito pelos nossos gigantes austríacos vocês recomendam como primeira leitura, desconsiderando qualquer empecilho na leitura da obra no idioma original: Ação Humana (Mises), Man, Economy and State (Rothbard) ou Capitalism (Reisman).
Acho que Ação Humana seria uma escolha natural por ser a mais antiga das obras e ter sido a influência dos outros dois autores, mas tenho que admitir que acho a prosa do Rothbard fantástica. Como escreve bem! E quanto a Reisman, sempre gostei muito dos artigos dele aqui publicados.
Este artigo merece ser republicado!
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