
Este artigo é uma adaptação da palestra “Why the Economy Is Failing Generation Z“, apresentada no Mises Student Circle em 1º de novembro de 2025, em Grand Rapids, Michigan.
Eu leciono na Ferris State University e a maioria dos meus alunos são membros da Geração Z. Quando lhes pergunto com o que estão estressados, eles costumam mencionar passar na minha disciplina, é claro — mas, além disso, parece que estão estressados com perspectivas econômicas sombrias em relação a empregos e moradia. Em muitos casos, essa preocupação é compreensível. Eles enfrentam sérios desafios.
A inflação está corroendo a classe média e tornando a vida mais difícil para a Geração Z. No entanto, em alguns casos, a situação é exagerada — especialmente quando comparada a outros períodos históricos. Há muitas histórias sobre como as coisas eram fáceis para quem se formava no ensino médio e na faculdade 50 ou 60 anos atrás. Porém, a realidade econômica de então nem sempre era tão favorável quanto às vezes se retrata.
Uma estatística econômica útil é a proporção entre vagas de emprego abertas e desemprego. Quando as vagas abertas estão altas em relação ao desemprego, esse é um mercado de trabalho forte. No momento, ainda estamos nessa faixa favorável. O desemprego está relativamente baixo — supondo que as estatísticas oficiais sejam precisas. Claro, é possível que a inflação e o desemprego estejam subestimados por razões políticas.
O presidente do Federal Reserve [à época em que este artigo foi escrito], Jerome Powell, reconheceu que, embora o mercado de trabalho esteja atualmente relativamente forte, a situação poderia piorar, razão pela qual ele afirma que cortes nas taxas de juros podem ser necessários para evitar uma desaceleração no mercado de trabalho. É claro que aqueles que entendem a teoria austríaca dos ciclos econômicos sabem que tais ações do Federal Reserve agravarão os problemas macroeconômicos no longo prazo.
O mercado de trabalho está um tanto apertado, mas já esteve apertado antes. Vivi a estagflação dos anos 1970 e início dos anos 1980, quando o desemprego e a inflação eram muito mais altos do que hoje. Na verdade, peguei dinheiro emprestado a uma taxa de juros de cerca de 20%. Não estou dizendo que as condições são ideais para a Geração Z, apenas que precisamos ter cuidado e precisão ao comparar as realidades econômicas de hoje com as do passado.
Outra reclamação da Geração Z é a dificuldade de comprar uma casa. Mas a taxa de propriedade de imóveis é na verdade maior hoje do que era 50 ou 60 anos atrás, embora não tão alta quanto era em 2005. A propriedade de imóveis aumentou de 1995 a 2005, quando empréstimos eram amplamente concedidos a pessoas sem emprego estável, despencou a partir de cerca de 2005 e desde então se recuperou. Comparada à dos anos 1960 e 1980, no entanto, as taxas de propriedade de imóveis são ligeiramente maiores hoje. É claro que percebo que o fato de a propriedade de imóveis estar relativamente alta não implica que seja fácil para os membros da Geração Z comprar uma casa.
Os preços medianos das casas, ajustados pela inflação, são muito maiores hoje do que décadas atrás, mas as casas também são muito maiores e muito melhores. Em alguns casos, agora é ilegal construir as casas pequenas e de baixa qualidade que eram comuns décadas atrás. E o tamanho mediano das casas aumentou cerca de 65% nos últimos 60 anos. Ao comparar os preços de moradia ao longo do tempo, é importante ajustar os números pela inflação e pela qualidade das casas.
As famílias costumavam criar seis filhos em uma casa de três quartos e um banheiro. Na minha própria família, éramos cinco filhos e um banheiro em uma casa muito pequena. Na década de 1970, havíamos nos mudado para uma casa com um banheiro completo e um lavabo com chuveiro. Os eletrodomésticos eram ruins ou inexistentes — sem lava-louças, micro-ondas ou comodidades modernas. Essas diferenças importam ao fazer comparações.
Depois da faculdade, consegui comprar o condomínio mais barato possível em Denver. Ajustado pela inflação, o principal e os juros daquele pequeno apartamento eram mais altos do que o que pago atualmente pela minha casa relativamente grande em Michigan. Claro, a maior parte da razão para o meu pagamento alto no condomínio eram as altas taxas de juros devido às políticas do Federal Reserve. Meu ponto é simplesmente que a Geração Z deve ter cautela com afirmações genéricas sobre os preços de moradia.
Além da inflação e das regulamentações de construção elevarem os preços de moradia, os compradores mais jovens de hoje, em grande medida, não querem as casas ruins do passado. Eles querem as casas de hoje.
Alguns alunos também reclamam dos preços dos carros. Exigências governamentais elevaram o custo dos veículos acima da inflação ao requerer extensos recursos de segurança e tecnologia. Mais uma vez, a Geração Z deveria culpar a intervenção governamental por muitas de suas preocupações econômicas.
As exigências governamentais de fato tornam os carros menos acessíveis ao poder de compra. No entanto, os carros de hoje duram mais e têm melhor desempenho em muitos casos. O mesmo vale para os eletrodomésticos. Lembro-me do nosso primeiro micro-ondas. Custou US$ 100 e mal funcionava. Hoje, um micro-ondas de US$ 60 é imensamente superior. Esses ganhos são resultado da inovação de mercado e devem ser reconhecidos. Sim, a inflação e as intervenções governamentais tornam a vida mais difícil. Mas os empreendedores merecem crédito pelas melhorias tecnológicas que desfrutamos. Devemos sempre lembrar de elogiar o espírito empreendedor que nos permite ter um alto padrão de vida.
Nos anos 1970, muitas famílias simplesmente não tinham condições de enviar seus filhos à faculdade, e muitas pessoas sequer terminavam o ensino médio. Hoje, o acesso à faculdade se expandiu drasticamente. Claro, as mensalidades subiram muito mais rápido do que a inflação porque o ensino superior é uma grande burocracia administrada pelo governo. O ensino superior opera como um cartel. Novos programas precisam se assemelhar aos existentes, impedindo uma competição significativa. Na Ferris State, foram necessários anos de papelada e aprovações para estabelecer um programa de economia, e houve até objeções de universidades concorrentes.
Além do fato de que o ensino superior não é um mercado competitivo, as universidades ao longo do tempo acrescentaram camadas de burocracia, elevando os preços das mensalidades. Décadas atrás, a maior parte da mensalidade ia para a sala de aula, para o corpo docente e para os prédios das salas de aula. Hoje, há múltiplos níveis de burocratas, administradores e departamentos que não são diretamente dedicados ao ensino em sala de aula, e que estavam ausentes no passado. Então, é claro que os estudantes de hoje pagarão mensalidades muito mais altas do que a minha geração pagou.
Há algumas boas notícias. Os gastos das famílias com alimentação, vestuário e moradia como porcentagem da renda diminuíram ligeiramente desde os anos 1960 e 1970. A renda discricionária aumentou. As pessoas comem fora mais e gastam mais com entretenimento. Nem tudo é desgraça e tristeza.
Outra questão a mencionar é a ética de trabalho da Geração Z. Professores observaram que alguns estudantes da Geração Z têm mais dificuldade do que gerações anteriores com foco e cumprimento de prazos. Vejo que essa mudança ocorreu com alguns dos meus alunos. Os estudantes da Geração Z, pelo menos alguns deles, têm perspectivas de emprego sombrias por causa de seu comportamento.
Alguns estudantes da Geração Z não querem trabalhar 40 horas por semana devido a preocupações com o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Quando eu era mais jovem, trabalhava 70 horas, às vezes mais, por semana no campo petrolífero para conseguir pagar moradia. Se eu tivesse aceitado um emprego de professor do ensino médio naquela época, teria muito tempo livre, mas não teria conseguido comprar um imóvel. O equilíbrio entre vida pessoal e profissional não era algo com que nos preocupávamos.
Alguns argumentam que o estresse político, decisões da Suprema Corte, terrorismo ou mudanças climáticas tornam difícil para a Geração Z funcionar no trabalho. Eles também afirmam que os empregos não são gratificantes. Um livro que captura essa perspectiva é Bullshit Jobs, escrito por um baby boomer mas aplicável à Geração Z. O argumento é que muitos empregos do setor privado carecem de significado, o que leva ao desengajamento.
Esse livro coloca a maior parte da culpa por esses empregos em proprietários de empresas, gerentes e empreendedores, em vez do governo, embora reconheça brevemente o papel do governo na criação de empregos inúteis. Ele até argumenta que alguém pode estar contente em um emprego que é objetivamente não gratificante sem perceber. Você poderia estar preso em um emprego inútil sem nem saber.
A Geração Z deveria rejeitar essa mentalidade.
A Geração Z tem reclamações legítimas. Mas muitos não culpam a política governamental, e sim os baby boomers — dos quais eu sou um. Há alguma legitimidade nessa afirmação. Um livro com o título A Generation of Sociopaths: How the Baby Boomers Betrayed America [“Uma Geração de Sociopatas: Como os Baby Boomers Traíram a América“, em tradução livre] defende esse ponto. Boa parte do livro na verdade critica a política governamental, embora frequentemente atribua a responsabilidade à geração boomer em vez do próprio estado. Indiretamente, as gerações anteriores são responsáveis por algumas das dificuldades da Geração Z porque apoiaram quantidades crescentes de intervenção governamental em nossas decisões familiares e empresariais.
O livro também culpa o “neoliberalismo” — definido como mercados livres, livre comércio e desregulamentação —, uma ideia que é em grande parte um mito. Uma das falácias básicas desse livro é esse mito de que vimos um florescimento da liberdade econômica nas últimas décadas. Um capítulo até culpa as baladas (disco), indiretamente, pelo neoliberalismo. O ponto do capítulo é que a era do disco, os anos 1970, levou a mudanças culturais que resultaram na ascensão do neoliberalismo, e que o neoliberalismo é a causa de muitas das incertezas econômicas de hoje.
Capítulos mais sérios em Generation of Sociopaths corretamente se concentram na dívida governamental e no crescimento econômico de longo prazo. O crescimento econômico mais lento é uma das principais razões pelas quais é mais difícil para as gerações mais jovens prosperarem hoje. Os economistas austríacos explicam isso claramente: a intervenção governamental leva a uma má alocação de recursos, reduzindo o crescimento. Em mercados livres, os consumidores orientam a produção e os recursos são alocados de forma eficiente. Quando os recursos são alocados por mandatos burocráticos, resulta em ineficiência. Ludwig von Mises explicou isso brilhantemente em seu livro de 1944, Burocracia. Aumentar o controle do estado sobre as atividades econômicas reduzirá o crescimento econômico.
Outra reclamação legítima da Geração Z são os preços altos. A inflação é extraordinariamente prejudicial para aqueles que vivem de salários e remunerações. A inflação reduz o poder de compra do salário líquido dos trabalhadores. No entanto, ela beneficia algumas pessoas. Os preços de ativos como imóveis e ações tendem a aumentar mais rápido do que a inflação, pelo menos até que desacelerações econômicas resultem em correções desses preços. Então, a inflação beneficia aqueles com ativos enquanto destrói os salários e poupanças das classes média e baixa. Ela transfere riqueza dos trabalhadores para o setor financeiro.
Além disso, como os teóricos austríacos explicaram, a expansão monetária beneficia aqueles que recebem o dinheiro primeiro — bancos e o governo, em sua maior parte — às custas de todos os outros. Novamente, é uma transferência de riqueza para o setor financeiro da economia.
Então, a causa raiz dos problemas econômicos da Geração Z é a expansão do nosso governo federal.
O gasto federal nominal em 2006, sem ajustar pela inflação, foi 815 vezes maior do que em 1930. Claro, essa é uma comparação injusta. Nesse período, devido à expansão monetária do Federal Reserve, houve mais de 1.100% de inflação. Mas, ajustando pela inflação e pelas mudanças populacionais, o gasto do governo federal ainda foi 27 vezes maior em 2006 do que em 1930.
E a expansão do governo federal continuou nos últimos 20 anos. O gasto governamental quase triplicou desde 2006, sem ajustar pela inflação. O fardo da expansão governamental recairá sobre as gerações mais jovens.
Em suma, em grande medida, a Geração Z tem perspectivas econômicas sombrias devido às políticas governamentais, à expansão monetária e ao fardo crescente das regulamentações governamentais.
O que as gerações mais jovens devem fazer a respeito de suas dificuldades econômicas?
Primeiro, aprenda economia — economia de verdade. Essas são verdades eternas sobre a criação de Deus. Aprenda lógica, matemática e, claro, economia. Ao contrário de outras disciplinas, a economia correta não muda com as tendências. Ela ajuda você a entender o mundo, prever resultados e tomar melhores decisões. Leia os grandes economistas austríacos. Estude Ludwig von Mises e Murray Rothbard minuciosamente. Compreender essas verdades sobre o mundo o ajudará a lidar com as questões que você enfrenta.
Segundo, junte-se à luta pela liberdade. Murray Rothbard convocou os estudantes a se juntarem à luta intelectual pela liberdade e contra o socialismo, o marxismo, o keynesianismo e o poder centralizado em geral. Ele acreditava que a liberdade poderia perder no curto prazo, mas a verdade vence no longo prazo — e que defender a liberdade vale a pena, mesmo quando é difícil.
Se você ainda não se juntou à causa da liberdade, eu o encorajo a fazê-lo.
Este artigo foi originalmente publicado no Mises Institute.