O
grande debate entre capitalismo e socialismo sofre de uma enorme falta de
clareza a respeito de suas respectivas definições. É imperativo entender que há uma diferença intransponível entre
“capitalismo genuíno” e “capitalismo corporativo”, ou, como dizem, capitalismo de
compadres.
O que exatamente você entende por ‘capitalismo’?
Diariamente,
por exemplo, lemos sobre como a bagunça econômica na Europa representa uma
“crise do capitalismo”. Oi? Já faz mais de cem anos que os governos
europeus não mais deixam suas economias crescerem por conta própria, sem
coagi-las com regulamentações, sem tributar espoliativamente o público, sem
inundar o sistema financeiro com dinheiro falso criado do nada, sem cartelizar
o sistema produtivo, beneficiando os amigos do regime, sem criar inúmeros
benefícios assistencialistas, sem financiar colossais programas de obras
públicas e por aí vai.
Alguns
defensores da liberdade de mercado acreditam que o termo “capitalismo” deveria
ser descartado permanentemente porque gera confusão. As pessoas podem pensar que você preconiza o
uso do estado para defender o capital contra o trabalho, o uso de políticas
públicas para defender importantes empresários contra os consumidores ou a
imposição de prioridades políticas que favoreçam os negócios à custa do trabalho.
Se
um termo explica uma ideia com grande acurácia, ótimo. Mas se ele causa confusão, então tem de ser
alterado. A linguagem é algo que está em
constante evolução. Nenhum arranjo
específico de letras pode embutir em si um significado imutável. E o que está em jogo neste debate sobre a
liberdade de mercado (ou o capitalismo ou o laissez-faire ou o livre mercado) é
um conteúdo de profunda importância.
É
com o conteúdo, e não com as palavras, que devemos nos importar. Não é exagero algum dizer que o futuro da
civilização, o qual está cada vez mais periclitante, depende disso.
A
seguir, cinco elementos essenciais a esta ideia de liberdade de mercado, ou
seja lá como você queira chamar este arranjo.
Trata-se de meu breve resumo sobre a visão liberal clássica a respeito
da sociedade livre e de seu funcionamento, visão esta que não se resume apenas
à economia, mas sim a tudo de que depende nossa vida.
Vontade
Mercados
se resumem ao exercício da escolha humana em todos os níveis da sociedade. Tais escolhas se estendem a todos os setores
e a todos os indivíduos. Você pode
escolher o seu trabalho. Ninguém pode
obrigar você a ter um emprego que você não queira, mas você também não pode obrigar
nenhum empregador a lhe contratar. Da
mesma forma, ninguém pode obrigar você a comprar nada, mas você também não pode
obrigar ninguém a vender algo para você.
Este
direito à liberdade de escolha reconhece a infinita diversidade que existe
dentro de todo o conjunto de indivíduos que forma uma sociedade (ao passo que
políticas governamentais têm necessariamente de supor que as pessoas nada mais
são do que meras unidades perfeitamente permutáveis). Algumas pessoas sentem uma vocação para viver
uma vida de oração e contemplação em uma comunidade de religiosos
fervorosos. Outras possuem um talento
para gerenciar ativos em fundos de alto risco.
Já outras preferem as artes, ou a contabilidade, ou qualquer outra
profissão ou vocação que você puder imaginar.
Qualquer que seja sua vocação, você pode segui-la livremente, desde que
o faça de maneira pacífica, sem iniciar violência ou coerção contra terceiros.
Você
tem liberdade de escolha; porém, em suas relações com terceiros, “acordo” ou
“concordância” é a palavra-chave. Isto
implica a máxima liberdade para todos os indivíduos na sociedade. Também implica um papel máximo para aquilo
que chamam de “liberdades civis”. Implica
ter liberdade de expressão, liberdade de consumo, liberdade de comprar e
vender, liberdade publicitária e assim por diante. Nenhum arranjo de escolhas possui privilégios
legais sobre outros.
Propriedade
Caso
houvesse uma infinita abundância de recursos no mundo, não haveria necessidade
de propriedade sobre os recursos. Porém,
considerando a realidade do mundo em que vivemos, sempre haverá potenciais
conflitos sobre recursos escassos. Estes
conflitos podem ser resolvidos por meio de uma simples e brutal guerra por
estes recursos, ou pelo reconhecimento de direitos de propriedade. Se quisermos paz em vez de guerra, vontades e
escolhas em vez de violência, produtividade em vez de pobreza, todos os
recursos escassos — sem exceção — terão de ser propriedade privada.
Todos
os indivíduos podem utilizar sua propriedade de qualquer maneira que seja
pacífica. Não há limites para a
acumulação nem a necessidade de permissão para acumulações. A sociedade não pode declarar que alguém já
está excessivamente rico (e que, logo, parte de sua riqueza deve ser
confiscada) e nem proibir o asceticismo ao declarar que alguém é excessivamente
pobre (e que, logo, terceiros devem ser roubados para que se possa enriquecer o
pobre). Em situação alguma pode alguém
pegar o que é seu sem sua permissão.
Você tem plena liberdade de estipular como será a distribuição de sua
propriedade para seus herdeiros após você morrer, sem que ninguém confisque uma
fatia desta sua propriedade.
O
socialismo realmente não é uma opção para o mundo material. Não é possível haver propriedade coletiva de
qualquer coisa que seja materialmente escassa.
Alguma facção sempre acabará exercendo o controle dos recursos em nome
da sociedade. Inevitavelmente, esta
facção será a mais poderosa da sociedade — ou seja, o estado. É por isso que todas as tentativas de se criar
socialismo sobre bens ou serviços escassos sempre degenera em sistemas
totalitários.
Cooperação
Vontade
e propriedade garantem a qualquer indivíduo o direito de viver em um estado de
total isolamento, em um estado de pura autarquia. Por outro lado, tal arranjo não levará
ninguém muito longe. O indivíduo que
assim deseja viver será pobre e sua vida, muito curta. Indivíduos necessitam de outros indivíduos
para poder viver uma vida melhor. Nós
incorremos em atividades comerciais para melhorarmos mutuamente nossa situação. Cooperamos por meio do trabalho. Criamos e desenvolvemos todas as formas de
associação mútua: comercial, familiar e religiosa. A vida de cada um de nós é aprimorada pela
nossa capacidade de cooperar, de alguma forma, com outras pessoas.
Em
uma sociedade baseada em vontades e desejos, em propriedade e cooperação, redes
de associações humanas se desenvolvem ao longo do tempo e do espaço para criar
as complexidades da ordem social e econômica.
Ninguém é o senhor da vida de ninguém.
Se quisermos ser bem sucedidos em nossas vidas, temos de aprender a bem
servir outros indivíduos — nossos clientes — da melhor maneira possível. Empresas e empreendedores servem a seus
consumidores. Gerentes servem a seus
empregados assim como os empregados servem à sua empresa.
Uma
sociedade livre é uma sociedade de relações humanas extensivas. É uma sociedade de amizade ampliada para todos
os setores. É uma sociedade de prestação
de serviço, de benevolência e de cuidado para com a qualidade dos serviços
ofertados para todos os indivíduos.
Aprendizado
Ninguém
nasce sabendo muito a respeito de qualquer coisa. Aprendemos com nossos pais e professores,
mas, ainda mais importante, aprendemos com os infinitos pedaços de informações
que chegam a nós a cada instante do dia ao longo de todas as nossas vidas. Observamos o sucesso e o fracasso de terceiros,
e aprendemos com eles. Acima de tudo,
somos livres para aceitar ou rejeitar estas lições. Isso vai de cada um. Em uma sociedade livre, temos a liberdade de
emular os outros, acumular sabedoria e colocá-la em prática, ler e absorver
ideias, extrair informações de toda e qualquer fonte, e adaptá-las ao uso que
mais nos aprouver.
Todas
as informações com as quais nos deparamos ao longo de nossas vidas são bens
gratuitos e não-escassos, desde que obtidas não-coercivamente. Elas não estão sujeitas às limitações da
escassez porque são infinitamente copiáveis.
Você, eu e todas as outras pessoas da sociedade podemos ter uma mesma
informação e ainda assim ela não será escassa.
A informação é algo que pode ser propriedade coletiva, sem limitações.
E
é justamente neste ponto que encontramos o lado “socialista” do sistema
capitalista. As receitas para o sucesso
e para o fracasso estão disponíveis em todos os cantos, e plenamente livres
para serem estudadas e utilizadas — ou descartadas. É por isso que a própria noção de
“propriedade intelectual” é hostil à liberdade: ele sempre implica a coerção de
pessoas e, consequentemente, a violação dos princípios da vontade, da autêntica
propriedade e da cooperação.
Concorrência
Quando
as pessoas pensam em capitalismo, provavelmente ‘concorrência’ é a primeira
ideia que vem à mente. Porém, tal ideia
é amplamente mal compreendida e interpretada.
Concorrência não significa a necessidade da existência de vários
ofertantes de todos os tipos específicos de bens e serviços, ou a necessidade
da existência de um determinado número de produtores de qualquer coisa. Concorrência significa apenas a não
existência de limites legais (coercivos) à entrada no mercado, o que significa
que, falando mais diretamente, não deve haver restrições à maneira como podemos
servir uns aos outros. E, realmente, há
infinitas maneiras nas quais isto pode ocorrer.
Nos
esportes, a competição possui um único objetivo: vencer. Na economia de mercado, a competição também
possui um objetivo: atender ao consumidor com um grau de excelência
continuamente crescente. Esta excelência
pode vir na forma de uma oferta de produtos ou serviços mais baratos e de
melhor qualidade, ou na forma de novas inovações que atendam às necessidades das
pessoas de forma mais eficiente e barata do que os produtos e serviços já existentes. Competição não significa “aniquilar” os
concorrentes; significa se esforçar para fazer um serviço melhor do que todos
os seus concorrentes.
Qualquer
ato competitivo é um risco, um salto rumo a um futuro desconhecido. Se o julgamento foi certo ou errado, isto é
algo que será ratificado pelo sistema de lucros e prejuízos. Lucros e prejuízos são sinais enviados pelo
mercado que servem como mensurações objetivas: eles mostram se os recursos estão
sendo utilizados corretamente ou não.
Estes sinais são derivados dos preços cobrados pelos empreendedores e
pelos custos nos quais eles incorrem para produzir, e são estabelecidos
livremente no mercado — o que significa dizer que os preços atuais são um mero
reflexo de todos os acordos prévios que foram feitos entre indivíduos com
liberdade de escolha.
Ao
contrário dos esportes, não há um ponto de chegada para a competição do
mercado. Trata-se de um processo que
nunca acaba. Não há um vencedor final;
há um contínuo e ininterrupto rodízio de excelência entre os competidores. E qualquer um pode entrar no jogo, desde que
participem dele pacificamente.
Resumo
Aí
está, portanto: vontade, propriedade, cooperação, aprendizado e
concorrência. Eis aí, a meu ver, a
essência do capitalismo, exatamente como ele foi descrito pela tradição
liberal-clássica, a qual foi aprimorada pelos teóricos sociais austríacos do
século XX. Não se trata exatamente de um
sistema, mas sim de um arranjo social — para todas as épocas e lugares — que
favorece o desenvolvimento humano.
Não
é difícil, portanto, especificar a visão política de genuínos liberais: se algo
se encaixa nestes requisitos, somos a favor; se não, somos contra. Donde vem a pergunta: a atual crise mundial é
realmente uma crise do capitalismo? Ao
contrário, um autêntico capitalismo é a solução para os maiores problemas do
mundo atual.
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Leia também:
As diferenças essenciais entre uma genuína economia de livre mercado e uma economia intervencionista
Seria o liberalismo uma ideologia a serviço de empresários?
Aprendizado acontece aqui no mises.org.
A cada dia, a cada artigo, a cada podcast, eu aprendo um pouco mais.
A cada dia, a cada artigo, a cada podcast, eu me afasto ainda mais do estatismo.
Esse artigo do Tucker tá muito didático. Só não entende quem não quer.
Muito bom artigo, desfaz alguns dos preconceitos em relação ao capitalismo, colocados na cabeça do povo pela doutrinação estatal corporativista
Adoro artigos assim, simples práticos e que mostram a essência de tudo.
Disse algo relacionado a isso esses dias para alguns amigos, falando que a culpa de todas essas crises não é o capitalismo mas a falta de um verdadeiro capitalismo.
Bom artigo..so discordo da frase ” voce pode escolher seu emprego…Nem sempre
Para nao morrer de fome alguns sao obrigados a carregar lixo!!
E duvido que alguem goste de ser lixeiro
E melhor dizer que a “a cada um segundo a sua competencia”
Ou seja, sendo franco e nao hipocrita, vai cuidar do lixo sim aquele estupido e idiota…problema dele..ou o lixo ou a fome
E cruel mas e a verdade…
E nao poesias de que e possivel escolher o trabalho
O que precisa haver e oportunidade para todos de educacao
Ai cada um fara suas escolhas..
Uma coisa que me surpreendeu e que eu sempre encontro implícita nos artigos que leio aqui é que, sem fazer proselitismo politicamente correto, a teoria liberal/austríaca estimula as pessoas a serem boas, cooperativas. Não há moralismo ostensivo, apenas a confiança num certo número de valores que embasam as leis de mercado. Muito diferente da perspectiva de esquerda, que vive tendo de apelar para discursos em prol da “ética”, como se fossem os donos da dita cuja, mas no fundo querendo apenas disfarçar as próprias trapalhadas.
Sou relativamente neófito aqui no site, mas já percebo que, em geral, a rejeição das pessoas às propostas liberais é mais um problema de auto-confiança (e, por conseguinte, de confiança no próximo) do que uma crítica ponderada.
Ótimo artigo!
Trabalhar de lixeiro na minha opinião é péssimo negócio,mas a partir do momento que ninguém mais se oferecer para este tipo de trabalho com certeza será criada novas tecnologias para fazer tal atividade,portanto enquanto houver oferta e demanda por trabalho humano neste setor ele será preenchido,quanto a satisfação laboral concordo em gênero,número e grau com o comentarista Ricardo Chaves,realmente isto é algo subjetivo.
[Ironic Mode On]
É muito radical dizer que o socialismo nunca funciona em lugar e época algum.
Pode ser que haja algum Universo Paralelo com leis naturais diferentes em que as pessoas são idênticas ou podem ser tornadas idênticas, todos os recursos são infinitos, os líderes possuem virtudes e intelectos sobre-humanos, a coerção funciona bem no longo prazo, todos podem receber sem contribuir e sem que o sistema entre em colapso, não é necessário pensar e agir com sabedoria para obter o seu próprio bem-estar, não existe concorrência e ainda assim as pessoas recebem produtos e serviços de qualidade a preços razoáveis, não existem riscos, a economia pode ser planejada com êxito por um comitê central, etc.
[Ironic Mode Off]
Ótimo artigo! Temos que ajustar nosso vocabulário, a quantidade e tipo de informação e o modo como a transmitimos aos nossos ouvintes específicos. Com pessoas menos informadas e/ou mais doutrinadas, temos que ser mais simples e começar pelo básico do básico e nos aprofundar conforme a capacidade delas aumenta.
* * *
Concordo Rene,mas havendo diminuição da mão de obra menos qualificada tal processo atrairá imigrantes de países pobres igual acontece nos EUA e EUROPA enfim o mercado soluciona os problemas que aparecem mais rápido e melhor do que os políticos com certeza e para isso não precisa do mundo ser perfeito logicamente.
Cara tem uns artigos no mises Brasil,que são uma verdadeira lição de vida. (não sei se essa era a intenção).
Muito bom.
[Off-topic] Os autores desse site bem que podiam fazer um artigo sobre essa história da correção da poupança que ronda o STF, sob o ponto de vista austríaco. O que acham ?
Paulo,
Quanto a questão da incompetência, esta é a qualidade de quem não é competente. Competente vem de competir. O funcionário público renuncia às regras de mercado, onde é preciso as regras da competência prevalecem ( aquele que é mais competente é melhor remunerado pelos clientes ).
No estado, não é a competência em prestar serviços ao público que determina quem vai ter sucesso, mas sim a competência em puxar o saco dos superiores e estar ao lado de quem está no topo. Funcionário público para subir na vida não precisa mostrar serviço, mas sim ter conexões políticas. Alías, sequer precisa servir bem o público para colocar comida na sua mesa. Diferente da iniciativa privada, onde quem não é julgado capaz pelo mercado passa fome. A renda do funcionário público está garantida, independente de fazer bem ou não seu serviço.
Neste sentido, o funcionário público é um incompetente por escolha. Ele julgou não ser apto, não ter competência, de obter os mesmos benefícios de um emprego público na iniciativa privada. Óbvio que eles vão dizer que o risco e esforço não valem a pena. Mas isto só corrobora o ponto que expus.
Olá,
o texto é interessante. Pena que o debate, a meu ver, desvirtuou-se.
Abaixo relacionei algumas passagens para tentar iniciar um debate de acordo com a proposta do texto. Vejamos:
Texto:
“Ninguém pode obrigar você a ter um emprego que você não queira, mas você também não pode obrigar nenhum empregador a lhe contratar.”
Meu comentário: Se estamos considerando a puramente o pacto – pacta sunt servanda ok, parece-me correto.
Todavia, as obrigações ao longo da vida não são, necessariamente, assumidas com racionalidade. É possível alguém errar e se ver “obrigado” a se submeter a um determinado contrato que , racionalmente, não seja bom para si próprio. Humanos erram. Além disso, não somos materialmente iguais. Lado outro, temos necessidades que, obrigatoriamente , precisam ser atendidas. Essas necessidades podem contribuir ainda mais para a nossa “irracionalidade”.
Além disso, o termo emprego , de per si, é espécie do gênero trabalho. Este sim, quando dividido, embasa a liberdade econômica.
Portanto, a proposição embora parcialmente correta não é irrefutável.
Texto:
Você pode escolher o seu trabalho.
Meus comentários:
Sim, é verdade que também temos essa possibilidade. Mas ela não esgota o tema.
Há casos nos quais NÃO podemos escolher o nosso trabalho.
E ainda, dentro da liberdade econômica, há vários outros fatores de produção que combinados, geram o ambiente de “liberdade econômica”.
Efetivamente, após combinados, não se escolhe o trabalho. Planeja-se e escolhe-se o projeto. Com base neste , o “trabalho” estará PREVIAMENTE escolhido, sob pena de não alcançar êxito.
Logo, a proposição não nos leva a uma conclusão verdadeira.
Texto:
Se quisermos paz em vez de guerra, vontades e escolhas em vez de violência, produtividade em vez de pobreza, todos os recursos escassos — sem exceção — terão de ser propriedade privada.
Meus comentários:
A proposição parece correta, porém, não possibilita um conclusão verdadeira, abrindo caminho para todo tipo de interpretação.
Ademais, o próprio entendimento do que vem a ser “paz”, nos remete ao conhecimento da guerra. Ora, só saberemos se estamos em “paz” quando houver ausência de guerra. Casos particulares podem existir dentro da própria guerra ou da paz , mas isso não nos permite definir o termo sem qualquer viés.
Ademais, a propriedade privada, de per si, não garante a paz. Ao contrário, pode ser a causa da guerra. A guerra ocorre entre seres humanos, com ou sem propriedade afora a propriedade do próprio corpo.
Texto:
Vontade e propriedade garantem a qualquer indivíduo o direito de viver em um estado de total isolamento, em um estado de pura autarquia. Por outro lado, tal arranjo não levará ninguém muito longe. O indivíduo que assim deseja viver será pobre e sua vida, muito curta.
Meus comentários:
Autarquia não parece se “enquadrar” em “arranjo. Aquela é tida como poder absoluto, em si mesmo. Este sugere a existência de um subconjunto. Uma combinação de mais de um elemento. Portanto, paradoxal o argumento pois a autarquia não pode ser e nem pode gerar um arranjo.
Ademais, não se pode concluir que o indivíduo será pobre e sua vida, muita curta, baseando-se nessas premissas. Riqueza e pobreza são gêneros que se desdobram em várias espécies.
Em que pese a interpretação “vulgar” deste fragmento do texto, não me parece possível dele tirarmos conclusões seguras.
(Robson Cruzoé haja vista o sexta feira)
Texto:
A informação é algo que pode ser propriedade coletiva, sem limitações.
Meus comentários:
Esta proposição é insegura. Informação difere de dado. Todavia, extraída dele. O dado se torna informação quando SERVE para alguém. ( bit tornando-se infon)
Uma banco de dados NÃO É NADA, sem um objetivo. Portanto, não chega a ser informação e por isso, nesse contexto, não serve para nada.
Ademais, a informação pode ser resultante do próprio conhecimento. E este , em vários casos, é protegido.
Texto:
Nos esportes, a competição possui um único objetivo: vencer. Na economia de mercado, a competição também possui um objetivo: atender ao consumidor com um grau de excelência continuamente crescente.
Meus comentários:
Em que pese a compreensão “vulgar” do que foi escrito, não se pode concordar com a conclusão.
E o embasamento parte do próprio sistema de “divisão de trabalho” e livre mercado.
O objetivo – no bom sentido – é atender a si próprio. A consequência é atender ao consumidor, como já amplamente demonstrado pela famigerada “mão invisível”.
Evidentemente, para atender às suas necessidades, o indivíduo deve observar a demanda dos consumidores, mesmo na ótica microeconômica.
Texto:
O socialismo realmente não é uma opção para o mundo material. Não é possível haver propriedade coletiva de qualquer coisa que seja materialmente escassa. Alguma facção sempre acabará exercendo o controle dos recursos em nome da sociedade.
Meus comentários:
Não se discute socialismo no mundo atual pois, como já se sabe, ele praticamente, quase não existe, exceto, em tese.
Todavia, a segunda proposição é falsa. Ora, é possível haver propriedade coletiva de várias coisas que sejam escassas. Ex: arranjo de propriedades numa sociedade em nome coletivo.
E mesmo no pilar do sistema de livre mercado, temos a sociedade anônima, na qual, VÁRIAS PESSOAS, podem possuir parte de um MESMO BEM QUE NÃO PODE SER DIVIDIDO. E podem pactuar desta forma.
Um cooperativa , atuando numa economia de mercado, será propriedade de vários proprietários.
A propriedade intelectual de um compositor não se divide da música, surgindo dali, uma nova propriedade coletiva possivelmente indivisível. Etc.
Logo, a proposição do texto é facilmente refutável não podendo servir de base para conclusões amplas e seguras para “definir” os “pilares” da liberdade econômica.
Por último, salienta-se que o objetivo não é “derrubar” os pilares da liberdade econômica mas sim, contribuir para a definição , visando encontrar argumentos seguros que, efetivamente, sirvam de pilares para a precitada liberdade econômica.
Saudações
Que contrasenso o rapaz ser criticado e tirado como incompetente e parasita só pq ele aproveitou uma oportunidade no mercado de trabalho (posso incluir os empregos públicos no mercado de trabalho?) O rapaz é livre, inteligente ( não é qq um que passa num concurso público) e não está prejudicando ninguém então qual é o problema, ô anônimo? Pq vc não mostra a cara e age como um verdadeiro liberal? Um verdadeiro liberal está ocupado demais vivendo a própria vida pra se incomodar com as escolhas dos outros. Um verdadeiro liberal aceita a realidade como ela é e não fica idealizando ela, (ah! a pobreza só existe pq existe funcionário público, buaáaa) isso é coisa de comunista! E a realidade é essa: temos um governo, todos tem um governo, até os pigmeus da áfrica tem um, ele é uma pedra no sapato de todo mundo mas a maioria acha que precisa dele, principalmente nossos empresários pequenos e grandes que procuram influência através dele e das maçonarias da vida. O pobre tb adora o governo e todas as suas bolsas. As minorias veem nele um escudo protetor contra as “injustiças sociais”. As mulheres acham que o governo as protege dos homens, os homens pequenos acham que eles os protege dos homens grandes, os gays dos héteros, o pobre do “rico malvado” e por aí vai. Na realidade o Governo é um grande sucesso hj em dia. Ele é a nossa cara! E ele esta crescendo, comandando e ocupando todas as áreas da nossa vida, todo o vácuo que deixamos, e com total concordância da “maioria democrática” .E vai continuar crescendo e roubando as nossas liberdades até que só exista ele. Um único governo mundial, autoritário, onisciente e escravizador. Não cuspa para cima anônimo, na sua forma de pensar vc é culpado tb. Talvez um dia vc precise da influência de alguém do partido para conseguir aquela vaguinha no serviço de limpeza do seu gulag e poder levar a sua cota racionada diária para casa (pra sobreviver vc pode deixar de lado os “ideais” ninguém vai achar feio) Vc vota anônimo? Vc usa os serviços do cartel bancário que está por traz de todos os big brothers do ocidente? Vc compra carro caro e vagabundo produzido pelo cartel automobilístico? Então vc tb é sócio do governo. É vc que torna o emprego do Edson possível. E pense bem: com um salário de 17.000 reais um verdadeiro liberal veria nele, não um parasita, mas um ótimo cliente…
SENSACIONAL!!
O autor foi preciso. Porém há de se ressaltar que numa sociedade amoral, dificilmente esses pilares serão respeitados. Se não há valores morais absolutos, somente sobrando a lógica evolucionista do “mais forte”, sem freios morais o capitalismo é substituído pelo socialismo, seja pelo domínio econômico do poder político colocando-o a serviço de interesses particulares (é o que acontece hoje nos estados unidos), seja pelo domínio político do poder econômico (é o que aconteceu em todos os países socialistas). Nesse sentido a moralidade cristã é um pilar fundamental, pois ela trás freios morais e valores nobres como solidariedade sem os quais o capitalismo se torna autodestrutivo.
Olá pessoal
antes de mais nada gostaria de ressaltar o prazer – se quiserem epicurista – de emitir uma opinião aqui. Isso porque a galera, que não é nada boba, sempre agrega.
Cada um traz um comentário bem embasado. Não dá pra “persuadir” simplesmente, conquanto a mídia nacional( e a internacional) tem, de “serta” forma, conseguido.
Mas essa questão de mídia é outro assunto.
Voltemos ao tema.
“Navegar é preciso. Viver, não é preciso. ” E eu concordo. Portanto, o autor, na minha opinião, jamais seria preciso.
O pessoal de cima parece tratar, equivocadamente, diga-se, os “funças”, de forma pejorativa. Ledo engano.
“Pra quem tem alguma noção de “Estado” de direito, seria coerente aplaudir os tais “funcas”.
Não podemos nos enganar, os “funcas” são necessários haja vista a “tirania, oligarquia ou demagogia” que podem existir facilmente no Estado.
É importante compreender como o “PODER” se manifesta.
Saudações
@mogisenio 02/12/2013 00:12:54
A sua proposição é que funcionários públicos são necessários para que a “tirania, oligarquia ou demagogia” inerentes ao arranjo do estado seja coibida, é isso?
Faltou provar o seu ponto. Por que você acha isso?
A maioria das pessoas que segue uma dedução lógica a partir de como o estado se forma e se consolida no poder, e como o exerce, tem os funcionários públicos como engrenagens do sistema. Colocados em sua posição para fazê-lo funcionar, e não o contrário. Então, do ponto de vista praxeológico, o funcionário público é uma ferramenta do estado contra o Mercado. Tanto com relação a salários mais altos, quanto com relação a sua função de engrenagem.
Agora, talvez você tenha, de fato, levantado uma hipótese interessante (ainda que inadvertidamente). O fato de a competência dos funcionários públicos ser de facto menor que a dos funcionários da iniciativa privada (tanto intrínseca: pessoas de fato menos qualificadas; quanto exógena: pessoas que se limitam de forma proposital para equiparar-se a seus pares e “passar abaixo do radar” – quem trabalha sempre ganha mais trabalho!) talvez sirva justamente como um limitador do poder e da abrangência do estado. É como se a engrenagem fosse ineficiente, comprometendo o funcionamento “a pleno” da máquina.
Pensando bem, pode ser até que esse efeito seja importante: se a guerra contra a pirataria fosse eficiente já teria erradicado o Mercado “paralelo” de bens piratas, afinal de contas, o estado pode despejar tanto recurso quanto necessário para atingir esse fim… mas ao empregar seres que só querem ser parasitas como fiscais, nunca atinge esse objetivo e o Mercado “paralelo” se mantém…
Interessante…
Bom dia, anônimo. Foi só um comentário jocoso. Não quis refutar nada. Só quis fazer vc pensar um pouquinho. Não tem nada a ver vc criticar algo periférico como a existência de funcionários públicos em uma sociedade que se criou e se reproduz a sombra do estado patrimonialista que sempre foi dono de tudo por aqui. Isso é um fato. Não sei se vc notou mas vc não vive em uma sociedade de livre mercado. Vc vive em uma sociedade profundamente marcada pela intervenção estatal em todos os aspectos da nossa vida. O Brasil sempre foi um país socialista…
Tudo em nossa vida economica é cartelizado, depende de autorização estatal, paga propina, suborno, requer influência… tudo aqui é ridiculamente regulamentado, burocratizado. O direto positivo do estado e seus sacerdotes a tudo e todos julgam, tudo sabem. Quem é mais parasita amigo: o auxiliar administrativo de um posto de saúde ou as empresas que mantém uma relação fascista com o estado. Pra que servem as agências regulatórias? Grandes grupos ou empresas amigas do rei precisam competir por aqui? Quem é o modelo de grande empresário pra vc, o Eike Batista? Taí um funcionário público que ganha muito bem!
O que eu quero dizer é que o estado esta tão intimamente entrelaçado em nossas vidas que não tem sentido criticar o problema menor, e que não é a causa mas a consequência, um derivado _o funcionalismo. Falei tb de mercado de trabalho e não de livre mercado que não existe em lugar nenhum a mais de 1 século. Só existe nos nossos ideais, na nossa cabeça, anônimo. E quando vc chama um simples funcionário público de algoz ou de inimigo só pq ele esta aproveitando uma oportunidade que qq um de nós aproveitaria (o cargo existe, se não ele, outro ocupa) isso soa ridiculamente esquerdista e faccioso. Se eu pudesse matar o leviatã, amigo… Ninguém precisa de governo, ou melhor, eu não preciso pq me autogoverno, talvez vc não, mas não se esqueça, amigo de que a realidade que vivemos não é formada só por nós mas por centenas de milhões de ovelhas que preferem um pastor, por pior que seja, do que a liberdade _e o risco_ de viver por conta própria.
O governo que vc critica é nada mais que a projeção do medo e da ignorância da maioria dependente que prefere a merda de uma bolsa do que arregaçar as mangas e ir trabalhar. Então, amigo, dado que há muitos culpados, aumente a sua lista de parasitas para uns 200 milhões.
É só esta a questão que coloquei. Qto a mim, eu amo a liberdade, liberdade para comprar, para vender, para amar, para seguir a minha vontade, para que os outros sigam a sua. Amo o mérito, amo o trabalho. Acredito que direito é algo conquistado. Amo as minhas duas pernas. Será que sou um liberal? Bom começo de semana, anônimo.
Leia Raimundo Faoro ou um livro simples, mas revelador “Máua, Empresário do Império” vc vai ver onde quero chegar.
Já um outro assunto q eu queria ressaltar:
O conhecimento econômico real sempre foi velado ao grande público e monopolizado por algumas dinastias bancárias. Desde os escolásticos. Fundações como a rockfeller ajudaram financeiramente o sr. Mises e os estudos da escola austríaca mas depois se apropriaram destes conhecimentos e fizeram de tudo para que o legado do sr. Mises permanecesse oculto do público até nas universidades. Aí a visão econômica predominante sempre foi keynes e Milton Friedman ou outros autores pró intervenção estatal. Qdo Von Mises diz que o conhecimento real da economia deveria ser estudado por todos e que isso seria um grande fator de liberdade do indivíduo perante o escravismo estatal ( não me lembro a fonte ou a frase correta) ele mostra o quão benfeitor da humanidade ele foi. Isso é sintomático dos nossos tempos. Os grandes heróis são esquecidos. O idiotas uteis (keynes) são promovidos.
Olá Ali Baba,
grato pelo comentário
Antes de desenvolver o tema seria necessário compreender até que ponto podemos concordar com algumas premissas.
Estou lhe dizendo isso porque se você parte do princípio de que o “Estado” não deva existir de jeito nenhum, então nosso debate não nos levaria a lugar algum. Seria dois vetores apontados para lados opostos com igual capacidade de forças. ( 180 graus)
Todavia, se combinarmos “vetores” que formam um ângulo menor que 180 graus, positivamente, então poderemos chegar a alguma resultante devidamente equilibrada que traga alguma informação nova para ambos os lados.
Como o debate aqui não é on line, por óbvio, neste momento, não sei qual seria a inclinação do seu “vetor”,(pensamento) mas partirei do princípio de que estaríamos formando um campo de forças nem próximo de 180 graus e nem próximo de Zero grau. Digamos, 90 graus. Logo, a resultante deve ficar mais ou menos ali, próxima dos 45 graus.
Portanto, partindo-se dessa condição, tenho a lhe dizer o seguinte:
As deformações do “uso” do poder pelo Estado resultam mais ou menos nesses desvios, isto é, Demagogia, tirania, e oligarquia. Creio que você já deve saber disso.
Estas deformações estão diretamente ligadas ao uso do poder. Se pudéssemos graduar o poder poderíamos traçar uma linha onde num extremo há o poder total, absoluto, irrestrito ( pleonasmos propositais) e na outra ponta a ausência de poder. Dependendo do ponto onde se encontra o tal “uso do poder” , certamente, na minha opinião, haveria equilíbrio ou desequilíbrio no sistema. Sistema que necessariamente é aberto e gera entropia positiva ou negativa. As razões para isso são várias. Tendem ao infinito, como num “limite” matemático.
Apenas mais uma ressalva: no lugar do vocábulo “Estado” , que já vem bastante carregado de ideologias, vou usar a expressão “organização”. Tratemos deste vocábulo com a máxima pureza possível. ( sem vieses e deixando claro que não estou aqui “defendendo” um ou outro tipo de Estado etc. Estou tentando uma análise imparcial dentro, obviamente, da condição possível de imparcialidade)
Temos de considerar que estamos lidando com uma organização que, essencialmente, contém o elemento humano.
Estamos falando portanto, de uma organização, isto é, algo arranjado, bem ou mal pactuado, eficaz ou ineficaz para determinados fins que , necessariamente contém “condutas” ou “comportamentos” humanos em seu bojo.
Exemplificando, para tentar ser uma pouco mais claro, e já me aproximando do cerne do tema ( trabalhadores servidores públicos e trabalhadores não servidores públicos) pode -se dizer que uma organização que se assemelha a esta a qual me refiro poderia ser uma “empresa”. Dentro de uma organização da espécie “empresa” encontramos um emaranhado de “condutas” humanas que serão organizadas e combinadas entre si e com outros elementos, para gerar algum resultado.
Algum indicador ( previamente acordado e razoavelmente objetivo) pode e deve existir para “medir” o grau de efetividade em relação ao objetivo.
A competência técnica de cada “comportamento humano” também pode ser avaliada. Enfim, qualquer insumo deve ser racional e efetivamente empregado para se chegar a algum objetivo.
Criam-se premissas que embasam a razão de ser desta “organização empresarial”. A missão, a visão definidas previamente em algum momento anterior, dão rumo, norte, direção que , necessariamente, seguirão algum algoritmo o qual a levará a um ponto estratégico diferente e superior num futuro razoavelmente próximo. Este “momento” estratégico futuro, dever ser proporcionalmente melhor do que aquele do ponto de partida.
Uma organização como esta administra um conjunto de elementos ( de insumos, de ativos ou de propriedade) para gerar algum resultado.
Nela há, necessariamente “competência” nos dois sentidos, isto é, aquele vulgar, onde se mede a capacidade de agir, a competência técnica para atingir um êxito qualquer e a competência limitadora de conduta. Nesta define-se o que “pode” e o que “não pode” ser feito. Seria a limitação do “agir” humano, dentro de algum acordo previamente pactuado. Ex: um trabalhador do tipo “empregado”, pode e deve “vender um item de ativo de curto prazo ( estoque) almejando um “resultado” superior ao CMV. Por outro lado , pode não está autorizado a vender um item do ativo não circulante que gera itens do estoque. Nessa linha , há regras internas que ele deve obedecer. Essas regras limitam o seu comportamento, a sua conduta sob pena de sanção negativa. O ambiente é livre mas há ordem. O sistema , embora aberto e com incertezas, é organizado. As condutas são previamente limitadas por “contratos” que, necessariamente contém cláusulas. Cláusulas que estabelecem o “agir”, sob pena de algum tipo de sanção. O trabalhador , por exemplo, deve atingir alguma meta, sob pena de distrato. O trabalhador não deve usar a propriedade ( que não é sua) de forma arbitrária, sob pena de sanção. Se há sanção prévia, a ,necessariamente, coação ainda que pedagógica, moral etc. Mas, no contrato os termos são claros. Ex: o trabalhador deve se apresentar para o trabalho com o uso de uniforme sob pena de dispensa por “justa causa”( entenda a justa causa do jeito que foi pactuada) Há ,portanto, a presença de “poder”. Olhando para uma organização aos moldes de Fayol, pode-se perceber, nitidamente, a estrutura hierarquizada na qual o “poder” ocorre “de cima para baixo”.( teoria clássica). Se há poder há, necessariamente, forma de propagação deste. A liberdade existe mas, necessariamente é limitada pela própria estrutura hierarquizada. Eis a importante e necessária divisão do trabalho responsável por todos os avanços que podemos perceber ao longo do século passado. A “lei” interna aqui também limita a conduta humana.
A lei heterônoma aqui permite tudo que não é proibido. Para os defensores do jusnaturalismo esta lei , atemporal, já estaria definida, “pela natureza humana”. ( Creio que seja a opinião de vários aqui). Mas é importante perceber o que foi dito pelos engenheiros da organização empresarial( Taylor e Fayol) – pilar do desenvolvimento capitalista a partir do início do século passado. ( mais tarde usado por Ford)
Mudando o que deve ser mudado, o trabalhador “servidor” público, como ser humano, racional que é, também transita nestas duas competências. Mas a competência limitadora de conduta lhe é ainda mais enfática, isto é, o servidor, ainda que ele tenha competência técnica para fazer alguma coisa só deve agir de acordo com a lei. É dizer: tudo pode ser feito somente de acordo com a lei. Diferente, portanto, do trabalhador não servidor que pode fazer tudo que a lei não proíbe.
Se quiser retirar o vocábulo “lei” tudo bem. Vamos nos referir a algo que , de alguma forma, limita a conduta humana.
Para encurtar bastante o argumento, este foi o ponto que vislumbrei no sentido de “coibir” aquele “uso do poder” gerador de “desvios” de condutas previamente pactuadas.( tirania, demagogia, oligarquia)
Numa organização do tipo “Estado”, o uso do poder também ( e ainda bem que é assim) se baseia em regras. O servidor pode e deve atuar ( dever poder) para alcançar algum fim. Todavia, o item de estoque ( o bem ) não é privado. O item de estoque é público e não visa, necessariamente, um resultado superior ao CMV, apenas. Não visa porque não é propriedade privada. Isso não quer dizer ausência de resultado. O resultado existe porém, é “medido” de outra forma. Esta forma de medir pode ser “qualquer uma” que pactuarmos.
Quem “usa o poder” não é o trabalhador servidor público. Este segue regras. O poder, ao contrário, definem as regras para todos e para si próprio( contra o absolutismo, por exemplo.) Portanto, impede, ou deveria impedir a tirania, a oligarquia e a demagogia.
Voltando os “desvios” , creio que aqui se encontra, inclusive, uma das razões para que o trabalhador servidor público tenha “estabilidade” ou “vitaliciedade”. ( tema polêmico eu sei). Como estes atuam APÓS( bem próximo ) o uso do poder estes precisam de um certo “apoio” em algo que limita o poder. Esse algo é a lei, atualmente.
Talvez por aqui seja o maior dilema entre os pensadores racionais que não admitem a propriedade pública. Aqui talvez a tal “falta de cálculo econômico apoiada pela tese capitalista. ( quanto isso , não me oponho)
Mas, mesmo entre os liberais ( não anarquistas) a Organização “estado” deve existir para atuar num meio social qualquer, visando, a segurança interna e externa etc.
Se estamos diante deste liberal que “concorda” com a existência desta “organização social” – que não é empresarial – então , necessariamente, deve existir “trabalhador do tipo “servidor” ( ou o nome que se quiser dar) para administrar por exemplo a segurança interna e externa. Deve existir alguma forma de “financiar” este “ATIVO”, para alcançar algum “resultado” prático e eficaz.
Uma outra questão é se o “investimento” em trabalhadores servidores públicos tem gerado resultado ou não, por exemplo, em segurança interna e “externa”. Lembrando que externamente, é mais razoável acreditar que estamos diante de uma ambiente ANÁRQUICO.
Nessa questão de eficiência, eficácia, efetividade, economicidade, ai sim, estaríamos longe de algo almejado. O custo supera o benefício, certamente.
Saudações
@mogisenio 02/12/2013 13:27:09,
Vou tratá-lo como trato o Típico Filósofo, como um personagem que quando comenta ou responde simplesmente aciona o Gerador de Blá Blá Blá e o deixa ligado por algum tempo.
Sua resposta é uma salada de nada com coisa nenhuma. Se você é um personagem irônico dos que gostam de frequentar esse site, parabéns, me enganou. Caso contrário tem alguma coisa muito errada com o seu pensamento… sugiro um psiquiatra.