John
Kenneth Galbraith, aquele insuportável moralista, escreveu em 1958 um bizarro livro
intitulado A
Sociedade Afluente, o qual exerceu uma enorme influência sobre várias
gerações de ativistas anti-mercado.
A
ideia do livro era a de descaradamente alterar os termos do debate sobre
socialismo e capitalismo. Se antes os
socialistas argumentavam que o capitalismo produzia muito pouco, agora eles
haviam mudado de ideia. Utilizando a nova retórica de Galbraith, passaram a
dizer que o capitalismo na verdade produz de forma excessiva as coisas erradas
(coisas para serem consumidas) e muito pouco das coisas certas (bens públicos,
igualdade etc.).
Um
dos vários alvos do livro era a chamada “obsolescência programada” — a prática
dos fabricantes de criar e desenvolver seus produtos de modo que eles se
desgastem rapidamente e estraguem em um determinado momento no futuro, o que
obrigaria os consumidores a terem de sair para comprar um novo e similar
produto.
Segundo esta teoria, para
disfarçar esta obsolescência programada, estes espertos fabricantes fazem algumas
mudanças cosméticas no produto para dar a impressão de que houve algum
aprimoramento, mas tudo não passa de um mero truque para enganar o consumidor e
fazê-lo crer que vale a pena pagar por este item remodelado, quando na verdade
ele estaria apenas sendo espoliado, pois estaria pagando duas vezes por aquilo
que deveria ser comprado apenas uma vez.
O
problema é que há várias pressuposições artificiais e insustentáveis nesta
premissa.
Primeiro, o modelo presume que
os fabricantes são muito mais espertos do que os consumidores, que são tratados
como vítimas passivas e inanimadas dos poderosos interesses dos
capitalistas. Com efeito, no mundo real,
são os fabricantes que estão sempre implorando para que os consumidores sejam
mais fieis às marcas e menos instáveis, imprevisíveis, minuciosos,
discriminadores e exigentes. Tudo que um
fabricante quer é que seu consumidor não abandone seu produto em prol de outros
sem nenhum motivo racional ou aparente.
Segundo,
o modelo pressupõe, de forma excêntrica e normativa, que os produtos devem
durar o máximo de tempo possível. Mas a
realidade é que não existe nenhuma preferência de mercado predefinida acerca de
quanto tempo os bens devem durar. Esta é
uma característica de fabricação que é determinada totalmente pela demanda dos
consumidores.
E
sempre vale lembrar que, na medida em que os fabricantes possuem algum poder de
impor seus gostos aos consumidores, isso ocorre apenas em economias fechadas
(cujas importações são dificultadas pelo governo) e em economias excessivamente
reguladas e burocratizadas, em que não há livre entrada de concorrentes no
mercado.
Estes
“argumentos” galbraithianos voltaram com força total recentemente, pois vários
comentaristas da mídia observaram que utensílios de cozinha e outros aparelhos
elétricos, bem como vários outros produtos, simplesmente parecem não durar
tanto quanto duravam antigamente. Naqueles bons e velhos tempos, você ganhava um liquidificador de
presente de casamento e, dali a vários anos, a sua filha ainda o utilizaria
sempre que chegasse da faculdade. Nos
dias de hoje, temos sorte se um liquidificador ou uma batedeira durarem alguns
poucos anos.
O mesmo parece ser válido
para máquinas de lavar e secadoras, roupas e equipamentos eletrônicos,
amoladores e cortadores de grama, e até mesmo imóveis. Nada dura o mesmo tanto ou possui a mesma
robustez que antigamente.
Mas
seria isso um argumento contra o mercado ou seria meramente um reflexo da
preferência dos consumidores por valores (preços baixos, tecnologia de última
geração, e várias outras amenidades) em detrimento da longevidade? Sugiro que seja esta última.
Com a acentuada inovação tecnológica que
vivenciamos, vários processos de produção se tornaram mais eficientes e, logo,
mais baratos. Consequentemente, faz mais
sentido substituir continuamente um produto do que criar um que dure para
sempre. Você prefere um liquidificador
de $200 que dure 30 anos ou um liquidificador de $10 que dure cinco anos? Aquilo que os consumidores preferem no longo
prazo será aquilo que irá dominar o mercado.
Como
podemos estar certos disso? Concorrência. Digamos que todos
os fabricantes produzam liquidificadores que durem apenas 5 anos, e que este
fato seja amplamente desprezado pelos consumidores. Um fabricante poderia roubar vários clientes
da concorrência ao ofertar um produto que enfatize a longevidade em detrimento
de outros aspectos. Se os consumidores
realmente valorizam a longevidade, eles estarão dispostos a pagar a
diferença.
A mesma lógica se aplica a
automóveis, computadores, apetrechos eletrônicos, imóveis e tudo mais. Podemos saber qual é a preferência dominante
(em um livre mercado) ao simplesmente olharmos qual prática é a mais comum no
mercado.
Imagine
que um fabricante de computadores produzisse uma máquina que fosse
comercializada como sendo um computador de duração vitalícia, o último
computador que você necessitaria ter enquanto vivesse, completo com softwares
que irão similarmente durar para sempre. Qualquer pessoa com algum conhecimento seria cética quanto a essa
proposta, pois é fácil perceber que este arranjo é a última coisa que você
realmente quer. Idealmente, o seu
computador deve durar o tempo que você quiser que ele dure até você estar
pronto para adquirir um modelo superior.
Longe de ser uma espoliação, portanto, a obsolescência é um sinal de
crescente prosperidade.
Em
uma época de maciços e frequentes aprimoramentos tecnológicos, seria um enorme
desperdício se os fabricantes direcionassem recursos caros e escassos para a
manufatura de produtos que durassem muito além de sua utilidade. No caso de computadores, por exemplo, fazer
com que todos eles durassem mais de 6 anos seria um grande erro no ambiente de
hoje. Ele seria caro e rapidamente já
estaria obsoleto.
O mesmo, inclusive,
pode ser dito sobre casas. Casas antigas podem ser charmosas, mas também são extremamente difíceis de
serem manuseadas em termos de aquecimento, refrigeração, encanamento, fiação e
todas as outras amenidades. Em
determinados casos, a solução mais eficiente pode ser simplesmente a de derrubar
a casa antiga e construir uma nova em vez de tentar implantar várias
melhorias na antiga.
Existe desperdício apenas quando você força o quesito longevidade em
detrimento do aperfeiçoamento tecnológico. Um indivíduo consumidor é livre para querer isso e buscar produtos que
tenham essa configuração, mas não há nenhuma base para se declarar que tal
preferência é a melhor e, por isso, deveria ser fixa e imutável para todos. Não vivemos, e nem queremos viver, em um
mundo estático, no qual o desenvolvimento jamais ocorre, onde o que existe
sempre existiu e sempre irá existir.
Pense
em termos de vestuário, mobílias e outros bens. À medida que a renda disponível das pessoas vai aumentando, elas querem
ser capazes de substituir o que usam de acordo com sua mudança de gostos. Uma sociedade em que as roupas fossem sempre
remendadas, os aparelhos eletrônicos fossem sempre consertados, e todos os
produtos sofressem a famosa “gambiarra” para que pudessem se arrastar o máximo
de tempo possível não seria uma sociedade rica. Poder descartar o que está desgastado e quebrado é um sinal de crescente
riqueza e prosperidade.
É
comum as pessoas olharem para uma porta oca ou para uma mesa simples de madeira
compensada e dizer: “Que coisa barata e fajuta!
Antigamente, os marceneiros e artesãos se preocupavam com a qualidade do
que faziam! Já hoje ninguém se importa com nada, e acabamos rodeados por coisas
baixa qualidade!” Bem, a verdade é que
aquilo que chamamos de ‘alta qualidade do passado’ não estava disponível para
as massas com a mesma facilidade que está hoje. Automóveis, casas e alguns outros utensílios podiam até ser mais
duráveis no passado, mas eram muito poucas as pessoas capazes de adquirir
aqueles produtos, pois eles eram muito mais caros (em termos reais).
Hoje, um mesmo produto está disponível para
todas as classes sociais, sua qualidade variando exatamente de acordo com seu
preço. Nada é mais inclusivo do que
isso.
Em
uma economia de mercado, aquilo que é chamado de ‘qualidade’ é algo que está
sempre sujeito a mudanças de acordo com as preferências do público
consumidor. Se os produtos devem ser
vitalícios (como alianças de casamento) ou devem durar apenas um dia (pão
fresco) é algo que não pode ser determinado fora do arcabouço de uma economia
de mercado. Nenhum planejador central
pode dizer com certeza e exatidão. É
algo constantemente sujeito a mudanças.
Se
o seu livro se despedaça, se suas roupas se rasgam com facilidade ou se a sua
máquina de lavar repentinamente pára de funcionar, resista à tentação de
denunciar o declínio da civilização. Lembre-se de que você pode substituir todos estes itens a uma fração do
preço que sua mãe ou sua avó tiveram de pagar por eles. E você pode fazer isso rapidamente, com o
mínimo de aborrecimento e transtorno. Você pode até comprar pela internet, sem ter de sair de casa. E é bastante provável que as novas versões do
produto que você comprar tenham mais apetrechos e amenidades do que as antigas.
Pode
chamar isso de obsolescência programada caso queira. Ela é programada pelos fabricantes porque os
consumidores preferem o aperfeiçoamento à continuidade, a disponibilidade à
longevidade, a substitutibilidade à reparabilidade, o progresso e a mudança à
durabilidade. Não se trata de
desperdício justamente porque estão sendo utilizados os processos de produção
de menor custo possível.
Ademais, não há
um padrão eterno e imutável por meio do qual podemos mensurar e avaliar a
racionalidade econômica por trás do uso de recursos na sociedade. Isso é algo que pode ser determinado e
julgado somente por indivíduos utilizando recursos escassos em um arranjo de
mercado.
É
claro que uma pessoa deve ser livre para morar em uma gélida casa de pedra,
para ouvir música em uma vitrola, para lavar roupas sobre uma tábua com um
esfregão, para marcar as horas com um relógio de sol ou com uma ampulheta, e
para fazer as próprias roupas com sacos de farinha. Hoje, tudo isso ainda é possível. Uma pessoa deve ser livre para ser
completamente obsoleta.
Mas, por favor,
não igualemos este comportamento à riqueza, e não aspiremos a viver em uma
sociedade na qual todos são obrigados a preferir coisas permanentes em
detrimento de coisas aperfeiçoadas.
Lembrando que temos no Brasil uma cota de insumos nacionais a serem utilizados pelos fabricantes, o que diminui em muito a qualidade. E ao contrario do que muitos dizem, ainda há objetos com alta qualidade e por um bom preço, como uma máquina de lavar e secar que adquiri recentemente e que possui garantia de 10 anos para o motor. Seria este um produto descartável?
O texto deixa de considerar – na verdade,ignora completamente – o impacto ambiental decorrente do descarte de produtos que são substituídos. Essa não é uma variável importante a ser considerada na análise da questão? Embora seja bom poder substituir produtos que se desgastam, a uma fração do que custavam tempos atrás, é possível perceber que essa substituição, muitas vezes, ocorre sem que tenha ocorrido o desgaste do produto ou sem que ele tenha deixado de atingir de maneira satisfatória sua finalidade, apenas em virtude de haver surgido um produto mais “novo” (muitas vezes, pouco diferente de seu antecessor). Embora a liberdade de trocar o produto me pareça boa, tal comportamento provoca um impacto no ambiente que não pode ser ignorado.
Quem compra algum produto também é responsável pelo seu descarte, isso não pode ser responsabilidade apenas do fabricante, pois, isso, elevaria sem necessidade os custos do produto e seu preço. Os governos deveriam incentivar a atividade de reciclagem. O capitalismo, a liberdade, a cultura, geram riqueza, sem dúvida. O acesso a informação permite que as pessoas evoluam. A função dos governos é dar às pessoas meios para o acesso a sistemas educacionais de qualidade, mas não necessáriamente gratuitos. Os países asiáticos são o exemplo mais recente disso, investiram na qualificação profissional, em rígidas normas de disciplina e o Brasil, antes uma grande promessa, ficou comendo poeira.
No caso específico de produtos de madeira, a resposta está mais nos recursos disponíveis do que em qualquer intenção, seja dos consumidores, seja dos produtores.
No passado, quando haviam menos pessoas e mais florestas virgens, as madeiras preferidas para a fabricação de móveis, pisos, estruturas de telhados (e até casas, nos lugares node elas são feitas de madeira) eram as madeiras duras, escuras, muito duráveis. Tais madeiras provém de árvores que crescem naturalmente em florestas e capoeiras nativas.
Eventualmente, a quantidade de pessoas aumentou, a quantidade de florestas diminuiu, e tornou-se bastante caro utilizar tais madeiras. Além disso, as árvores que ainda existem desse tipo são normalmente sujeitas a maior controle através de leis ambientais. Isso torna sua ainda mais restrita a produção, e portanto, mais caro o preço.
Essas madeiras extremamente duráveis foram substituidas por madeiras de reflorestamento, menos duras, menos duráveis, menos pesadas, e com uma taxa de crescimento muito maior. Ora, essa é uma mudança que veio para ficar, pois simplesmente não haveria madeira durável para todos. A tentativa de suprir todos com madeiras duráveis levaria à rápida extinção desse tipo de árvores. Felizmente o mercado encarece o preço dessas madeiras, tornando=as inacessíveis para a maioria das pessoas. Continuaremos, portanto, usando muita madeira reflorestadas. Eventualmente você pode ter uma mesa ou outro item feito com madeira nobre, mas seu sofá, seu telhado, ssuas portas, e seu piso provavelmente serão feitos de madeira reflorestada.
O desafio, portanto, é melhorar a qualidade dos produtos feitos com madeira reflorestada, E O MERCADO JÁ VEM FAZENDO ISTO. Anos atrás, quem não queria um piso frio na sala e dormitórios, e não tinha dinheiro para um piso de madeira maciça, se contentava com o chamado “carpete flutuante de madeira”, que era uma porcaria, e se estragava com muita facilidade. Mais tarde, veio o piso laminado, muito superior ao “carpete de madeira”, com vários níveis de qualidade, conforme o preço, e que é acessivel mesmo para pessoas pobres.
Se a importação fosse livre, teríamos pisos estrangeiros, de muito maior qualidade, e os fabricantes nacionais seriam obrigados a acompanhar essa qualidade. Se os produtos estrangeiros fossem vendidos aqui com a mesma carga de impostos dos nacionais, (preferivelmente, ambas baixas) as pessoas pobres teriam acesso a um nível de vida muito mais confortável.
Note que mesmo governos social-democratas, que cobram muitos impostos, entenderam isso. Os países nórdicos cobram muitos impostos, mas procuram evitar causar outros danos adicionais às empresas: além de cobrarem menos impostos diretamente das empresas, não lhes impõem um pesado custo em burocracia. Sendo as empresas daqueles países menos prejudicadas nesses quesitos, o governo permite a entrada de produtos estrangeiros, o que obriga as empresas locais à concorrência. O consumidor lá é menos prejudicado do que o consumidor brasileiro. Os socialistas e keynesianos brasileiros são burros demais, até em comparação com socialistas e keynesianos de outros países.
Devemos cuidar da Mãe Natureza. O capitalismo suga seus bens e joga o bagaço fora. Vejam o Tietê em SP. Quem o destrói? As fábricas. E as floresta amazônica, quem a derruba? O grande capital.
Na repartição pública onde trabalho, as copeiras reutilizam os copos descartáveis inúmeras vezes lavando com sabão. Já em muitas firmas privadas, só se usam uma vez. E ainda dizem que estatais não são exemplo pra nada. Eu, como bom cidadão, limpo o fiofó utilizando papel higiênico dos dois lados.
Veja só o seu argumento: E depois que essas pessoas que pegaram os equipamentos descartados também descartarem? haverão outras para pegá-los? E depois destas? E depois ainda? Em algum momento o utensílio se esgotará por completo e terá que ser descartado no ambiente.
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Gênio! Então a solução é não consumir nada, afinal, cedo ou tarde qualquer coisa estraga e tem que ser descartada no ambiente…
Mesmo na hipótese de que os consumidores tivessem realmente uma preferência pela longevidade em detrimento de outros quesitos, não me parece que a obsolescência programada poderia ser realmente superada através da livre concorrência pois as empresas que a praticassem tenderiam a ter um melhor fluxo de caixa podendo manter indefinidamente seus maciços investimentos em marketing. Enfim, o artigo faz uma defesa genial, porém parece subestimar o poder do marketing através do qual os fabricantes podem e conseguem influenciar as preferências dos consumidores. Então, fica a pergunta: a preferência do consumidor induzida pelo marketing é uma preferência real ou ilusória?
A riqueza proporcionada pelo livre mercado é a responsável pelo cuidado com o meio ambiente.
Quando as pessoas são ricas, os sistemas de tratamento de esgoto, de aquecimento solar, de reuso de água da chuva, etc; são acessíveis.
Quando um cidadão com boa renda e boa cultura estiver construindo sua casa, ele não se importará em investir R$ 2000 num sistema de captação e armazenagem de água da chuva para amortecimento de enchentes. Mas se o cidadão for um morto de fome, este opcional nem passará pela sua cabeça.
As barreiras alfandegárias brasileiras também contribuem para a não-otimização do uso dos recursos naturais. Eu estou construindo minha casa, e estava decidido a usar aquecimento solar com apoio a gás. Ao pesquisar os sistemas e equipamentos disponíveis, verifiquei que uma válvula termostática (importada) que custa EUR 70 na Europa, custa R$ 500 no Brasil.
Resumo da ópera. Um bom sistema de aquecimento solar custa R$ 10000 no Brasil, justamente pelo fato de os produtos importados — que são fabricados em maior escala e com menor custo no exterior — pagarem altas taxas para ingressarem no mercado brasileiro.
Como meu consumo de gás vai girar em torno de R$ 50/mês, e aqui em Curitiba o aquecedor solar vai ajudar somente durante metade de ano, concluí que esse investimento nunca iria se pagar.
Excelente texto!
Este artigo me fez lembrar de um projeto ambicioso de um carro para durar, no mínimo, dez anos. Seria robusto, carroceria em a aço inoxidável, somente materiais de altíssimo desempenho.
Quando chegou ao mercado, já tinha um design que parecia um pouco antigo, era muito caro e vendeu pouquíssimas unidades, terminando em triste fim.
Seu nome: DeLorean.
Este texto é muito bom. Entra num campo que, às vezes, dá muito pano de argumentação àqueles que defendem o ‘atraso de vida’ como solução para o mundo.
Equipamentos que duram uma eternidade existem aos montes. Se quiser, o cidadão pode comprar uma máquina de lavar ou um liquidificador muito durável. Em casa, ficará por muitos anos. São os modelos chamados ‘industriais’, mas ninguém os quer pois são bem mais caros (usar peças mais robustas), grandalhões e tem um desenho um tanto quanto feio.
Resumindo: são os compradores que desejam produtos mais simples e baratos. Os fabricantes apenas buscam atender este anseio com o menor custo possível.
Ridículo! Preferia pagar caro por algo que dure BEM mais do que algo barato que dure pouco! E design é questão de gosto individual, nem pode ser discutido aqui.
Esse artigo está cheio de falácias, uma delas é o “Apelo Á Novidade”
Esse artigo parece colocar os fabricantes “acima” dos consumidores! E a liberdade dos consumidores de exigirem produtos mais duráveis? E a liberdade de alguns produtores de terem seus produtos uma vida mais longíqua? Porque acham que nós temos que compra OBRIGATORIAMENTE os produtos mais novos, mesmo sem necessidade?
Aconselho que assistam ao documentário The Light Bulb Conspiracy [2010] e percebam como sutilmente após criticar o excesso de produção supérflua do capitalismo e a conspiração dos produtores de lâmpadas, os idealizadores do filme introduzem a ideia de um sistema mais justo e que produz para o consumo racional (dica: Socialismo/Comunismo). Para os inocentes e leigos parece ser algo óbvio acreditar nesse tipo de afirmação, afinal o que tem de errado em um sistema mais justo e que utilize os recursos de forma “sustentável”? Outro do mesmo pacote é o famigerado The Story of Stuff, um vídeo no estilo doodle que fez/faz sucesso no Youtube e planta a semente do coletivismo nos pobres leigos e inocentes. Tudo isso me faz lembrar da advertência de Hayek quando afirmou que a maior parte da propaganda socialista não provém dos teóricos do socialismo/comunismo, mas daqueles que possuem a arrogância fatal de pensar que podem substituir com êxito uma ordem espontânea por uma sociedade planejada.
Câmeras com limite de cliques são uma consequência da falta de regulamentação estatal na qual vivemos. É imprescindível que existam fortes rédeas colocadas sobre a ganância empresarial e seus impactos contra o consumidor e o empregado. O mercado é incapaz da auto-regulação, pois os consumidores de forma alguma são capazes de determinar aqueles produtos que julgam mais apropriados à sua demanda; eles consomem por serem manipulados pela propaganda e, por tal motivo, é legítima a intervenção estatal em seus hábitos consumistas visando o bem comum.
A grande proteção concedida a produtos de má qualidade é a existência da competição predatória globalizada, que vêm eliminando os bons artesãos em prol daqueles que criam o pior produto produto pelo maior preço. Sim, o mercado estará desimpedido e qualquer um poderá penetrá-lo e explorar os consumidores com um produto um pouco melhor. Entretanto, devo lembrá-los que o consumidor não se guia racionalmente em seus hábitos de consumo. Ele sofre, a todo momento, violência simbólica por parte da sociedade; sendo forçado a consumir irracionalmente.
Como resolver tais problemas? Através de uma educação pública de qualidade. Eis a solução para todos os males.
A Apple então está forçando as pessoas a comprar o telefone através do uso da propaganda hipnótica. Ainda bem que sou imune e consigo resistir ao poder da força do além emanada pelo Steve Jobs!
E qual o problema em uma empresa explorar a ignorância ou a baixa auto-estima das pessoas? Se vc acha que isso está errado, pode boicotar e tentar convencer as pessoas a não comprar.
Não tente rotular o desejo das pessoas. O que é “ilusório” para vc, pode ser muito real para outros, e vice-versa.
Henrique,
O fabricante simplesmente criou uma embalagem e testou para ver. Se deu certo foi por que agradou e não tinha outra opção. Fizeram isso tb ao mudar a tampa.
Já te passou pela cabeça que as pessoas nem sempre precisam saber o que querem? Se eu for desenhar o celular que eu quero, certamente será uma desgraça! Ainda bem que tem gente para pensar nisso.
Steve Jobs não fazia pesquisas de mercado, ele simplesmente tirava algo da cabeça (dele ou dos outros) e lançava. Algumas coisas deram certo, outras não.
Eu não quero pensar em que tipo de calça quero vestir. Quero ir na loja, ter uma porrada de opções e comprar o que quiser. Dane-se se serei induzido por propaganda ou pelos meus precários e dispensáveis conhecimentos de moda e costura.
Os jogos de video-game também são exemplos, hoje em dia. Pois, além de cobrar pelo jogo normalmente, também inventaram de lançar e cobrar por elementos adicionais ao jogo (DLCs); por exemplo: para jogar com personagens, roupas, objetos e missões diferentes, você tem que comprar cada item separado.
Hoje em dia, os jogos são lançados e quando vc compra ele já vem com um “item diferencial” que você tem que comprar “por fora”. Ai fica a pergunta: porque este item já não vem adicionado ao jogo já que ambos foram lançados praticamente ao mesmo tempo.
Quanto ao artigo, acredito que ele não refuta muito não a questão da obsolência programada.
Acredito que nesta questão o consumidor sai perdendo, pois nem percebe ou nem dá atenção. Diria que sua preocupação quanto a isso é como o seu dinheiro que vai para os impostos. Dessa forma, o mercado não favorece muito o consumidor, nesta questão. Eu diria que isso é um “jeitinho” que conseguiram para lucrar mais.
Eu acredito que os produtos não são disponibilizados com sua tecnologia total, justamente para poderem “perpetuar as vendas” até onde der.
O Instituto Brasileiro de Política e Direito da Informática (IBDI) está movendo uma ação coletiva contra a Apple, pedindo punição por obsolescência programada!
Fonte: http://www.correiodoestado.com.br/noticias/apple-pode-ter-que-indenizar-compradores-do-ipad-3-geracao_175013/
Sem palavras para essa noticia do iPad. O estado agora quer ditar a qualidade do hardware e das câmeras fotográficas embutidas nos eletrônicos?
A coisa aqui no Brasil ta cada vez pior!
[ironia on] Aposto que se o governo desapropriasse a patente do Iphone e produzisse o seu próprio smartphone, faria algo melhor! [ironia off]
Há coisas que nunca se entram num estado de obsolescência ( De obsoleto, Tornar obsoleto, quando um componente digital ou tecnológico se torna ultrapassado e esta obolescência o torna desatualizado, apesar de poder continuar a ser usado.).
Me refiro as coisas espirituais,morais e abstratas como :Sabedoria,Informação,Bom Senso.Inteligência,Cultura,Conhecimento….. No entanto as qualidades opostas a essas também existem para sempre e nunca deixam o seu possuidor, sem que ele queira ou a descarte.
Falo da Ignorância,Desinformação,Falta de Bom Senso,Burrice,falta de Cultura,Desconhecimento,etc,etc.
Como lembrei todas essas “coisas” nunca se tornam obsoletas existem eternamente. Seja no Século XXI ou 2000 anos antes de Cristo, um consumidor poderia usar de Sabedoria,Inteligência,Bom Senso para comprar um bom produto,utilizando bem o seu sempre suado dinheiro, tão difícil de ganhar em todos os tempos e lugares.
Ou usar de Ignorância,Burrice,falta de Bom Senso e torrar o seu dinheiro em um mal produto,dando seu suado dinheiro para espertos e enganadores. Levando grandes prejuízos.
Pensemos se no tempo dos faraós,Grécia Antiga,Roma como compraríamos os produtos para o nosso uso, gastando bem o dinheiro ou o torrando com produtos que não vale nada.
Se vivesse no tempo da Idade Média ou no começo do século XX como compraria os produtos e serviços de que necessito ?
O certo é que em todos os tempos,lugares,povos sempre existiu o consumidor inteligente e o consumidor burro.
Em poucos anos qualquer um vai imprimir o que quiser projetado pra durar o tempo que quiser.
Por que o pessoal se preocupa tanto com o registro de marcas e patentes num livre mercado??!! É algo muito simples de se resolver!
Ora, sendo livre mercado eu posso muito bem criar uma empresa certificadora, com consulta personalizada de marcas e produtos. Claro que uma certificadora prezará pela garantia de autenticidade de produtos, informando ao consumidor eventuais fraudes. O mercado se auto-regulará, os fraudadores serão expelidos, inclusive aqueles que comercializam tais produtos.
Acreditam, sobrarão ideias e muita criatividade no livre mercado!
NUNCA ESQUEÇAM DE LER O MANUAL DO FABRICANTE!
O manual do fabricante é muito importante, que faz o produto durar mais.
Existem pessoas que compram aquele celular, mas nunca leram seu manual, e depois de uns 2 anos ele começa a estragar. Isso significa que o usuário não seguiu as informações impressas no manual.
Outro exemplo é a bateria de laptop, geralmente dura pouco. Isso porque quando os usuários estão utilizando seus laptops, deixam o carregador ligado junto com a bateria. O ideal é carregar a bateria com o produto desligado. E apenas utilizar a bateria quando não for possível usar o carregador.
O processo de utilizar o laptop com a bateria e o carregador, faz com que a bateria fique viciada.
Justificar a diminuição da vida útil dos produtos é uma tarefa inglória. Em um mundo ideal, se o consumidor fosse também o produtor, ele fabricaria geladeira, fogões, etc. que durasse muitos anos e, depois, descansaria. Fabricaria menos, e descansaria mais, se dedicaria ao lazer e ao conhecimento. O ritmo de vida seria outro. Se capitalismo exige que as coisas se acabem logo para produzir outras, isso não quer dizer que as coisas tenham de ser assim em outro tipo de sociedade. E quem pode assegurar que outro tipo de sociedade, onde o consumidor controla a produção, não é possível?
“Espanhol é ameaçado de morte por criar lâmpada que não queima“, do portal Terra.
“