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Vai, Romário! Brilha muito fora do Congresso!

A imprensa está indócil porque Romário, que foi eleito deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro, foi flagrado cabulando uma sessão do Congresso, na última quinta-feira. 

Enquanto os deputados se reuniam para "apresentar 170 projetos de lei, uma emenda constitucional, cinco projetos de resolução e três projetos de lei complementar", o craque apenas se limitou a curtir o sol da Barra da Tijuca jogando futevôlei.  

Ou seja, segundo a imprensa, o país estaria melhor se Romário, ao invés de ficar jogando futevôlei na Barra, gastasse suas preciosas tardes criando projetos de lei para controlar nossas vidas, regular ainda mais a economia, e tomar dinheiro do setor produtivo para redistribuí-lo para Sarneys, Calheiros, e organizações e grupos de interesse com boas conexões políticas.

Em uma sociedade livre, medidas como essas que ocorrem diariamente no Congresso seriam vistas como o que realmente são: assaltos, um crime digno de cadeia para seus efetuadores; na democracia, no entanto, elas repentinamente adquirem um status de alto gabarito moral.  Hans-Hermann Hoppe, em seu livro sobre a democracia, explicou detalhadamente como o sistema democrático gera uma crescente degeneração moral, inversão de valores éticos, declínio cultural e desintegração social.  No caso em questão, um sujeito que escolhe não participar do processo de pilhagem passa a ser visto como criminoso e arrogante, ao passo que os verdadeiros criminosos e arrogantes, que saqueiam o setor produtivo para proveito próprio e de seus cupinchas, são vistos como pessoas trabalhadoras e preocupadas com o tal do "bem comum".

Romário, ao agir assim, faz um bem ao país e à sua biografia: desmoraliza esse sistema pernicioso que é a democracia e, de quebra, se recusa a participar do processo de espoliação de nossas riquezas e de redução de nossas liberdades civis e econômicas.

A se lamentar apenas o fato de as outras excelências não compartilharem do mesmo hobby do baixinho.  Afinal, como o Brasil estaria melhor: com Sarney passando suas tardes no Senado ou com Sarney passando suas tardes fazendo embaixadinhas na praia, tabelando de cabeça com Edison Lobão e Eduardo Cunha?




autor

Leandro Roque
é editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

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comentários (16)

  • Eusébio  05/02/2011 03:32
    Craque!!!
  • Renê  05/02/2011 04:36
    O IMB espera que algum dia, tudo o que se escreve aqui, será aplicado na prática?
  • Ricardo  05/02/2011 15:31
    O objetivo, ao que me parece, sempre foi o mesmo: mostrar que o roubo, qualquer um, bem como a iniciação de violência contra inocentes, é algo imoral e antiético.

    De alguma forma, pedir para que essas duas coisas sejam respeitadas hoje em dia virou coisa de radical.

    Vai entender o mundo...
  • Angelo Noel  05/02/2011 16:56
    Cara, eu acho que todas as pessoas envolvidas em qualquer atividade de disseminação dos ideais da Escola Austríaca ou que estejam relacionadas ao Liberalismo aqui no país ou são muito altruístas ou não tem uma sensibilidade bem apurada.

    Graças ao trabalho da equipe daqui do Mises Brasil, meu pensamento mudou completamente sobre o que realmente está acontecendo e quais são as verdades sobre a economia.

    Mas acho que 20 anos vai ser pouco tempo pra mudar a mentalidade da maioria de brasileiros médios como eu.

    Não sei mais o que tá faltando pro Brasil jogar nas mãos do estado.
  • André Ramos  07/02/2011 17:50
    Mises disse que "idéias e somente idéias podem iluminar a escuridão".
    Não tenho procuração para falar pelo IMB, mas acho que esse é o norte moral dos que o fazem.
    Leandro e toda a equipe do IMB nos oferecem "idéias e somente ideias..." todos os dias.
    E é por isso que eu lhes sou muito grato.
    Abs.
  • Fernando Chiocca  07/02/2011 18:26
    No caso do artigo acima, isto já é aplicado na prática. Se vocês forem pra praia da barra num dia de sol, perto da Barraca do Pêpe, verão o Hummer preto do Romário estacionado na rua e ele jogando futevôlei.
  • Joao  04/04/2011 11:47
    Acho que o objetivo não é mudar o Brasil, mudar o mundo, mas oferecer às pessoas uma visão diferenciada, mais realista. Antigamente, eu achava que o problema do Brasil era a falta de "vontade política". Encontrei neste site bons artigos que me mostravam, por exemplo, como são idiotas os argumentos de que a crise mundial ocorreu por causa do liberalismo econômico quando, na verdade, os governos estavam fomentando um ciclo desenvolvimentista insustentável.
    Pela primeira vez, eu consigo ler sobre economia sem quase ficar louco! Eu achava que o problema do Brasil era a ineficiência das agências reguladoras, que deveriam evitar práticas abusivas, etc. Penso, agora, que seria melhor que as empresas tivessem liberdade para prover seus serviços, sem uma agência controlando tudo. Comecei a perceber como a mentalidade estatista domina os brasileiros. Tudo gira em torno de um suposto estado eficiente. Os políticos amam isso, é claro. Podem sempre prometer que, se eleitos, farão algo diferente.
  • Publius  15/02/2011 12:37
    Bom texto. Mas qual seria a alternativa a "esse sistema pernicioso que é a democracia"?\r
    \r
    Obs.: isto não é uma pergunta maliciosa.
  • mcmoraes  15/02/2011 12:51
    Hoppe, no artigo de hoje:

    Ao contrário de seus predecessores, que apenas tentaram substituir um governo grande por um menor, os novos liberais levam a lógica da secessão até seu extremo. Eles propõem secessão ilimitada, isto é, a proliferação irrestrita de territórios livres e independentes, até que o alcance da jurisdição do estado se esvaeça. Para este fim - e em completo contraste com projetos estatizantes como "Integração Europeia", ALCA, NAFTA, "Nova Ordem Mundial" -, eles promovem a visão de um mundo com dezenas de milhares de países, regiões e cantões livres, de centenas de milhares de cidades livres - como as atuais e singulares Mônaco, Andorra, Sam Marino, Liechtenstein, Hong Kong e Cingapura. Ou, para serem ainda mais livres, distritos e vizinhanças completamente autônomos e integrados economicamente por meio do livre comércio (quanto menor o território, maior a pressão econômica para se aceitar o livre comércio) e um padrão monetário baseado em alguma commodity, muito provavelmente o ouro.
  • Renato Bourdon  15/02/2011 17:18
    E isso não seria um retorno a 1300 d.C., só que com internet?
  • Augusto  15/02/2011 19:04
    Obviamente, você nunca esteve em Mônaco ;-)
  • Tiago  03/03/2011 12:09
    Mônaco, Singapura, Liechtenstein, Hong Kong, Macau... todas essas "cidades-estados" (ou quase, as duas últimas não são formalmente independentes mas na prática são) normalmente se saem muito melhor do que os grandes estados a sua volta.
  • Marcella  15/02/2011 14:19
    Adorei ver o Romário jogando bola - a única coisa que ele faz muito bem, além de falar mal do Pelé, claro.

    Logo que saiu a notícia eu disse aos meus amigos: "Ótimo! Pelo menos não tá lá inventando leis pra controlar quanto sal devo colocar na comida, que tipo de cadeirinha tenho que instalar no meu carro ou quantas vezes tenho que me limpar depois de usar o banheiro..."

    Grande Romário! Craque é craque!
  • void  01/03/2011 21:55
    Gostaria de aproveitar este artigo pra fazer um pedido: algum artigo que trate dessa confusão que se criou recentemente no futebol brasileiro entre CBF e Clube dos 13 e seu apelo pela intromissão do Cade no assunto. Que tal?
  • gucci online  12/03/2011 05:21
    interesting.thank you
  • Angelo T.  13/03/2011 23:52
    Spam!


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