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O Caminho da Vitória
 
"Idéias e somente idéias podem iluminar a escuridão." (Ludwig von Mises)

A liberdade sempre contou com poucos amigos verdadeiros. Estes raros defensores genuínos da liberdade muitas vezes desanimam diante da inglória luta contra os seus inimigos. O Mises Institute foi fundado por Lew Rockwell com a prioridade de manter um corpo de idéias liberais vivo, já que mesmo as grandes idéias não têm uma vida própria, ainda mais aquelas que desafiam os poderes estabelecidos. Estas idéias em prol da liberdade precisam circular para evitar a extinção. Em seu livro Speaking of Liberty, Rockwell explica melhor o que os liberais devem fazer para vencer a disputa das idéias e disseminar os ideais liberais de forma sustentável. Apesar da luta desigual, Rockwell mantém seu otimismo em relação ao resultado final.

Em primeiro lugar, Rockwell condena a reclusão de muitos liberais que, diante dos imensos obstáculos contra o sucesso, tendem a cair em desespero e buscar abrigo entre um grupo de amigos que falam apenas entre si. A postura é até compreensível, já que as barreiras colocadas pelos defensores do status quo dificultam enormemente a luta pela liberdade. Os liberais são minoria, é verdade, mas esta minoria está sempre crescendo ou diminuindo. Se diminuir demais, pode desaparecer. E nesse caso, será o fim definitivo da liberdade, com a vitória completa do totalitarismo. Logo, os liberais não devem se esconder atrás das sombras, partindo da premissa de que a derrota é certa, pois esse será o caminho da derrota mesmo. É preciso lutar, mostrar a cara, defender as idéias expondo seus argumentos, sem medo do inimigo e sem desânimo diante dos obstáculos.

Grandes defensores da liberdade foram pessoas corajosas que não recuaram diante dos riscos de fracasso. Thomas Jefferson e Thomas Paine entre os "pais fundadores" dos Estados Unidos, Bastiat e Benjamin Constant, Mises e Hayek, todos enfrentaram incríveis barreiras, mas seguiram sempre em frente. Todos eles evitaram a reclusão, engajando-se em debates públicos, levando as idéias liberais para mais pessoas. Eles acreditavam que havia muito em jogo para recuar somente aos estudos privados no conforto de suas casas. Os liberais não podem se conceder este luxo, justamente porque são minoria, e os inimigos da liberdade são organizados e poderosos. Achar que algum outro fará a tarefa de defender os ideais da liberdade, ou crer que ela sozinha irá predominar, é um grave engano. Todos aqueles que realmente acreditam na liberdade individual precisam agir, sob o risco de perderem definitivamente a batalha caso não o façam. Os governos avançam diariamente sobre nossas liberdades, e sem alternativas divulgadas claramente, o resultado pode ser a escravidão total.

Um problema comum que surge é a crença de que a resposta para o problema se dá pela organização política. A classe política não costuma se importar com idéias por si só. Os políticos normalmente estão em busca de interesses próprios e de seus aliados, até porque dependem dos votos para se manter no poder. Por isso mesmo, o fundamental é mudar a mentalidade dos eleitores. Os políticos terão que seguir esta mudança. Achar que as mudanças começam pela política, em vez de terminar lá, é inverter a ordem das coisas. Os liberais costumam reclamar - com razão - que não são nunca representados politicamente por candidatos nas eleições. É um fato, já que a política brasileira está totalmente dominada pela esquerda. Mas o problema é estrutural, e reside justamente nas crenças populares. Enquanto for praticamente pecado falar em privatização no país, nenhum candidato será louco de abraçar esta causa com vontade. Ao contrário, terão que vestir camisas e bonés de estatais, para deixar claro que não pretendem privatizar empresa alguma. Portanto, a solução não é esperar um messias salvador que desafie todos e use a bandeira das privatizações na campanha, e sim trabalhar no campo das idéias, mostrando que estatais interessam somente aos poderosos privilegiados, que exploram o restante do povo.

Outro problema diagnosticado por Rockwell diz respeito à tentação de muitos "liberais" diante da fama e reputação. Escrever para os grandes jornais, aparecer nos programas famosos de televisão, tudo isso conquista muitos intelectuais. Chegar aos maiores veículos da mídia sem dúvida é algo positivo, contanto que não seja sacrificando o conteúdo da mensagem. Quando chegar lá passa a ser o fim, e não mais apenas o meio para divulgar as idéias corretas, então tudo está perdido. Se um grande jornal ou canal de televisão pedir a opinião de um liberal, ótimo. Mas infelizmente isso não é o mais comum. Há uma exigência, ainda que tácita, por uma moderação da mensagem quando o veículo é a grande mídia. Isso pode ter um resultado nefasto para a defesa da liberdade no longo prazo, com a perda crescente da credibilidade dos seus defensores.

O que deve ser feito então? Antes de tudo, é preciso reconhecer que as idéias liberais são impopulares, pois não vendem sonhos falsos, promessas utópicas e nem retiram a responsabilidade dos indivíduos. Somos minoria. Nossos pontos de vista não são bem-vindos pelo regime. Com freqüência são ignorados pelo público indiferente. Mas algo deve ser feito, e Rockwell oferece algumas sugestões.

Para começo de conversa, todo estudante que estiver interessado nas idéias liberais deve ser educado e encorajado. Ninguém deve ser negligenciado. Não há como se saber quem poderá ser o próximo Mises ou Hayek. Além disso, é preciso encorajar uma proliferação de talentos. Cada um pode ser bom em uma coisa específica. Alguns são grandes escritores, outros possuem talento de oratória, outros são bons professores e outros bons pesquisadores. Até por coerência às crenças liberais, a divisão de trabalho deve ser estimulada, para maior eficiência na defesa da liberdade. Os meios disponíveis para divulgação dos nossos ideais não devem ser menosprezados também, desde uma pequena lista de emails até sites da Internet, ou mesmo Orkut e YouTube. Os inimigos são organizados e costumam ter a grande mídia ao seu lado. A Internet representa uma ótima oportunidade para acesso a mais ouvintes e leitores. Não há porque subestimar este importante meio.

Por fim, Rockwell lembra que é fundamental aderir ao que é verdadeiro, ou seja, evitar os modismos e tendências do momento para formar e divulgar suas idéias. Técnicas de vendas podem até ser úteis, contanto que jamais alterem o conteúdo de sua mensagem. É possível ser mais moderado na forma e radical no conteúdo. Os liberais devem defender aquilo que acreditam como verdadeiro, sem sucumbir às pressões do "politicamente correto". Não devemos temer a mensagem não-convencional, até porque a "sabedoria convencional" muitas vezes se mostrou errada no passado. Os liberais não devem trocar a construção sólida de longo prazo pela atenção no curto prazo. Devem permanecer fiéis aos seus princípios e valores, defendendo aquilo que entendem como correto. A luta é árdua mesmo, e os inimigos da liberdade sempre serão barulhentos e organizados, além de abusarem das mais baixas táticas para intimidar e calar seus opositores. Mas não podemos recuar jamais, pois isso seria entregar os pontos e sacrificar qualquer esperança por um futuro mais livre. Pode ser duro, mas é viável seguir um caminho de vitória pela liberdade.

Cada um daqueles que realmente deseja isso deve fazer algo, contribuir como for possível pela causa da liberdade. Rockwell ajudou a fundar o Mises Institute, que cresce a cada ano, espalhando mais e mais as idéias liberais pelo mundo. No Brasil, já temos agora o Instituto Ludwig von Mises Brasil ( www.mises.org.br ) , uma iniciativa louvável de alguns poucos amigos sinceros da liberdade. E você, prezado leitor? O que você está fazendo pela defesa da liberdade? Faça já a sua parte! Lembre-se que uma jornada de mil milhas começa com apenas um passo.


autor

Rodrigo Constantino
é formado em Economia pela PUC-RJ e tem MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, primeiro como analista de empresas, depois como gestor de recursos. É autor de cinco livros: "Prisioneiros da Liberdade", "Estrela Cadente: As Contradições e Trapalhadas do PT", "Egoísmo Racional: O Individualismo de Ayn Rand", "Uma Luz na Escuridão" e "Economia do Indivíduo - o legado da Escola Austríaca".


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comentários (10)

  • Djalma Cesar Rocha  16/05/2008 15:22
    A luta é difícil mais não impossível !
  • Fernando Chiocca  20/05/2008 21:44
    Apesar de tudo tambem não sou pessimista. Nosso caminho é longo e penoso e muitas vezes, devido aos rumos politicos, parece que estamos andando (ou melhor, correndo) para tras, mas mesmo assim acho que já podemos ver pequenos pontos de luz no fim do tunel. O Mises Institute já é o site de economia mais visitado do mundo e a versão brasileira é apenas mais um foco dessa expansão que se alastra mundo afora. Ainda somos muito poucos, mas temos algo muito poderoso do nosso lado, "a verdade". Abs
  • Natan Cerqueira  23/05/2008 15:44
    A luta realmente é difícil. Como jovem estudante, posso atestar o preconceito sofrido por mim oriundo de meus colegas e professores. Há uma espécie de Tribunal do Santo Ofício intelectual que ronda nossos estabelecimentos de ensino, sejam eles públicos ou privados, que bane e execra quaisquer idéias cujo conteúdo sejam liberais e anti-marxistas. Alcunham-me liberal de forma pejorativa e como modo de desqualificar argumentos. E a luta prossegue.
  • Natan Cerqueira  23/05/2008 15:45
    correção: cujo conteúdo SEJA. abraços
  • Helio Beltrao  30/05/2008 14:01
    Perfeito Rodrigo. A luta é menos utópica do que mesmo colegas liberais querem crer. Se conseguirmos voltar às liberdades vividas no início do século XIX (EUA e Europa ocidental), já terá sido um enorme progresso. Mas nossa meta é ainda mais ambiciosa. Uma sociedade livre, reflexo de indivíduos se relacionando em bases 100% voluntárias, sem espaço para a coerção iniciada. Esse último objetivo está mais longe, é certo, mas como você diz, estamos em movimento, colocando um pé à frente do outro! Grande abraço.
  • Stephen Austra-Beck  06/06/2008 13:55
    Rodrigo - obrigado por escrever isto, aquilo que eu realmente gosto de você já deve ter visto até agora. Gostaria de ler seus livros. Tenho favoritas seu blog, e estou encantado de ver aqui a escrever seu Instituto Ludwig von Mises Brasil, Cato OrdemLivre, e Instituto Milenium. Você, como meus amigos Hélio Beltrão, Fábio Ostermann, Fernando Chiocca e são verdadeiros campeões da causa. Fico a aguardar a sua apresentação a visualização Fórum da Liberdade, e esperamos que frequentam a foward evento em 2009 ou 2010. Eu realmente admiro von Mises e Hayek von para viver assim por muito tempo na obscuridade intelectual durante a sua vida útil em uma cultura intelectual que era tão opostas às suas idéias, mas nunca a verdade em última instância falhar. Estou grato por isso que o legado de suas idéias continua, especialmente no Brasil. É maravilhoso apresentar algumas ideias e formas de participação activa e eficaz transmitir os nossos princípios liberais - através dos meios de comunicação social escrita, mas também os nossos funcionários eleitos por escrito escritórios por e-mail ou correio normal é um meio eficaz de permitir que a nossa voz a ser ouvida, mesmo se as idéias são demitidos. Hélio disse-o melhor para mim em uma discussão que se tenha no outro dia a cada um aquilo que todos nós podemos fazer na nossa vida diária para promover os nossos princípios e ética libertária, ao vivo por exemplo: "A prática cotidiana e da liberdade em todo o lado. Você pode fazer uma enorme impacto sobre a sua felicidade através praticando o seu dia-a-dia livre, e no processo você irá inspirar mais pessoas." A internet, demasiado sim! Aqui estou eu, um Gáucho vivem nos Estados Unidos, e eu achei que tudo, e de tão grandes espaços para o diálogo sobre libertarianismo no Brasil através da Internet. Concordo, aqueles que não percebem, ou mesmo mais perigoso do que ingnorance, FAZER compreender, mas são ameaçados pela libertário princples será sempre um obstáculo, uma challange que devem ser satisfeitas com perseverança, consistence e de ambos os pés terra.
  • Stephen Austra-Beck  06/06/2008 16:54
    Eu também basta ler este que parecia estar relacionado com o que você está dizendo aqui: "Desilusão com o governo por si só, naturalmente, não significa um ressurgimento do libertarianismo. Porém, a perda da fé no governo é inspirador pensadores e ativistas de todo o mundo para redescobrir e ampliar idéias libertárias. Em particular, o reconhecimento da dificuldade de limitar os poderes dos governos democráticos tem gerado um novo entusiasmo por regras que seria estritamente definir o papel do governo em vez de deixar maiorias (ou coalizões de grupos de interesse) com o poder para adoptar quaisquer políticas que parecem atraentes no momento. Existe uma crescente apreciação para a coerência ea complexidade do pensamento libertário ". - David Boaz, Cato Institute, introdução "A Reader libertário". Acabei de ler este também que ele escreveu: "Os políticos despertar hoje, antes de mais, a realização que libertarianismo não é uma relíquia do passado. Trata-se de uma filosofia - mais, um plano pragmático - para o futuro. Em política, é a liderança - e não um retrocesso, mas uma vanguarda ". -- "Libertarianismo: A Primer" a partir do capítulo "A Idade Vindo libertário".
  • Stephen Austra-Beck  07/06/2008 18:59
    "In order to achieve anything," Mrs. Ludwig von Mises said at an Institute dinner in her honor, "we must all become activists. We have no choice. As my husband said so many years ago: Everyone carries a part of society on his shoulders; no one is relieved of his share of responsibility by others. And no one can find a safe way for himself if society is sweeping towards destruction. Therefore everyone, in his own interest, must thrust himself vigorously into the intellectual battle. "The Ludwig von Mises Institute," Mrs. Mises said, "will do more than 'carry its part of society on its shoulders.' We have the intellectual leadership, the managerial expertise, and the burning desire to succeed. And we have the truth on our side. If anyone doubts that, let him or her look at all the calamities, miseries, cruelties, and stupidities of every form of collectivism and interventionism. With truth on our side we cannot, we must not, we will not fail."
  • cesar augusto duarte ramos  19/06/2008 17:58
    Visando colaborar com a ciência liberal, apresento e convido os companheiros para que conheçam e usufruam de completa fonte de pesquisa epistemológica, muldisciplinar, pelo site www.allmirante.fr.cc Com votos de crescente sucesso.
  • Churras  29/05/2009 11:39
    CHURRAS!


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