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O que os economistas sabem de economia

Vale muito a pena ler a íntegra da notícia a seguir e comprovar como os nossos economistas estão cada vez mais perdidos quando o assunto é teoria econômica.  O excesso de keynesianismo que infectou suas mentes faz com que um marxista roxo subitamente adquira uma profundidade intelectual aristotélica.

Para contextualizar melhor a crítica, recorro ao artifício de comentar cada estrofe separadamente.  O original vai de vermelho e eu vou de preto.

Moradores de SP e Rio perdem poder de compra em dez anos, diz pesquisa

Quem já não teve a sensação de que as coisas estão ficando cada vez mais caras, mesmo quando os dados oficiais de inflação indicam que os preços não subiram tanto assim?

Todo mundo tem essa sensação constantemente, e só se assustam com ela aqueles que confiam nas estatísticas divulgadas por agências do governo, cuja função principal é suavizar os efeitos da depreciação monetária premeditada feita pelo Banco Central, que age desta forma para benefício do governo, do sistema bancário que ele protege e de todos aqueles com boas conexões políticas. 

Ou que muita coisa é bem mais barata quando comprada no exterior?

Porque a carga tributária é alta aqui e baixa lá fora.  Além do protecionismo, que nos impede de importar produtos baratos para proteger a ineficiência de algumas indústrias nacionais.

Esse sentimento do brasileiro tem razão de ser, dizem especialistas.

Dados mostram que o poder de compra em São Paulo e no Rio de Janeiro teve queda nos últimos anos, ou seja, as pessoas têm que trabalhar mais para comprar os mesmos produtos.

A inflação monetária provocada pelo Banco Central faz com que os preços subam mais que os salários médios, o que provoca uma queda nos salários reais - aliás, se não fosse assim, o desemprego estaria muito maior.  Eis aí uma das conseqüências deletérias da expansão monetária: queda do padrão de vida.

O banco suíço UBS faz a cada três anos uma pesquisa comparando o custo de vida em mais de 70 cidades do mundo. Mas, além de converter o preço de vários produtos e serviços para dólar e fazer um ranking das cidades mais caras, a pesquisa também faz comparações levando em conta quanto os trabalhadores do local ganham, em média. Assim, conseguem comparar o poder de compra dos cidadãos das várias cidades.

"Os preços medidos em reais subiram consideravelmente nos últimos dez anos em São Paulo e no Rio de Janeiro. O preço da nossa cesta de bens e serviços subiu aproximadamente 135% entre 2000 e 2009", diz Thomas Berner, economista norte-americano que faz parte do grupo de pesquisa do UBS.

De 2000 a 2009, a base monetária aumentou 243% e o M1, 250%.  Esse aumento de 135% nos preços acabou sendo pequeno, em comparação - o que significa que, caso a oferta monetária tivesse ao menos crescido a taxas menos bárbaras, tipo 2% ao ano, o que daria uns 20% em 9 anos (mais ou menos como cresce o estoque de ouro) - teria havido queda de preços dessa cesta de bens e serviços. 

Mas como keynesianos e chicaguistas pensam que preços em queda geram recessão - o que significa, por lógica, que as indústrias de computadores, DVDs, câmeras, laptops e celulares nunca saíram da depressão profunda, dado que os preços só fazem cair desde que surgiram -, o BC, que está sob o comando dessa turma, está sempre expandindo a oferta monetária.  E depois acham estranho que o padrão de vida cai porque o preço do feijão e do cabeleireiro só sobe.

"Como o rendimento médio não acompanhou a velocidade do aumento de preços, o poder de compra doméstico caiu e ainda está abaixo do que era em 2000, ou seja, as pessoas têm que trabalhar mais para comprar a mesma cesta de produtos. O Rio e São Paulo ficaram mais caros do ponto de vista de seus cidadãos", explica o especialista.

Se a expansão monetária é maior que a produtividade - e convenhamos que não é fácil aumentar a produtividade em mais de 240% - os preços fatalmente crescerão mais que os salários.  Algo a se estranhar?

Comparando o poder de compra nas diferentes cidades, São Paulo ficou em 45º lugar no ano passado, entre 73 cidades, enquanto o Rio de Janeiro ficou em 48º. Usando o poder de compra em Nova York como referência, com o valor de 100 pontos, em São Paulo esse número é menos da metade: 45,2 pontos.

No Rio, o valor encontrado é 38,6 pontos. Isso significa que um paulistano médio consegue, com seu rendimento, consumir menos da metade do que um nova-iorquino consegue.

Outra comparação famosa feita pelo UBS é o chamado "índice Big Mac", que mede quanto tempo uma pessoa tem que trabalhar para comprar o famoso sanduíche. Em Nova York, esse tempo é de 14 minutos; em São Paulo, são necessários 40 minutos, e no Rio, 51 minutos.

O UBS também fez uma comparação semelhante, calculando o tempo necessário para comprar um iPod Nano. Para o novaiorquino médio, são 9 horas de trabalho, enquanto o paulistano precisa de 46,5 horas e o carioca, 56 horas.

Tá, isso são estatísticas um pouco mais subjetivas e eu não quero entrar no mérito delas.  Mas a melhor parte vem agora.

Os economistas acreditam que o próprio crescimento econômico é um dos vilões dos preços. "O crescimento econômico geralmente leva a preços mais altos. Então, a expansão forte da economia brasileira nos últimos anos deve ser uma das principais explicações para a alta dos preços", diz Berner.

Como não rir?  Crescimento econômico, por definição, significa que há uma disponibilidade maior de bens e serviços.  E se há maior oferta, então a tendência é que o preço caia, e não que ele suba. 

Quando os EUA estavam no padrão-ouro clássico, de 1814 a 1913, o preços caíam ano após ano.  Aliás, até antes de Primeira Guerra Mundial, em 1914, inflação de preços era um fenômeno extremamente raro.  A norma era que os preços caíssem constantemente.  E por que caíam?  Porque havia crescimento econômico e a base monetária (lastreada em ouro) crescia a taxas ínfimas - para deixar claro, os bancos praticavam reservas fracionárias desde aquela época, mas não podiam se entusiasmar muito justamente porque a base monetária era bastante rígida.  Caso se entusiasmassem muito, eles facilmente poderiam se tornar insolventes. 

Por causa desse arranjo monetário, 100 dólares em 1913 tinham o mesmo poder de compra que 177 dólares tinham em 1814.  O que significa que algo que custava 177 dólares em 1814 passou a custar apenas 100 dólares em 1913.  Ou seja: o americano guardava dinheiro e ele se valorizava com o tempo.  E tudo isso com um crescimento econômico de 4% ao ano.  (Você pode conferir todas as estatísticas aqui e aqui).

Portanto, crescimento econômico causa queda de preços, e não um aumento.  Se está havendo crescimento e aumento de preços é porque a oferta monetária está crescendo a um ritmo maior do que o crescimento econômico.  Um economista dizer que "crescimento econômico geralmente leva a preços mais altos" é de gerar impulsos homicidas num monge beneditino.

Para Robson Gonçalves, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio, um dos fenômenos que explica o fato de muitos produtos serem caros no Brasil é uma mudança no patamar de desenvolvimento do país. "Quando os países chegam a um nível médio de desenvolvimento, a vida urbana fica mais cara", diz ele. "Muitos itens ainda são elitizados no Brasil. Um exemplo é o vinho, visto como um produto de elite, que por isso tem um sobrepreço."

A vida é mais cara nos centros urbanos principalmente porque ali há um volume de dinheiro maior do que nas cidades do interior.  O mesmo fenômeno pode ser observado entre as capitais.  Um mesmo produto tende a ser mais caro em São Paulo do que em Belo Horizonte ou Porto Alegre, simplesmente porque há mais dinheiro em São Paulo (algo que por si só gera maior demanda, sem, no entanto, necessariamente gerar um equivalente aumento na produção).

Se não levássemos em conta esses fatores monetários, então os preços numa cidade do interior da Bahia, por exemplo, teriam de ser mais caros do que em Salvador, uma vez que as péssimas estradas de acesso ao interior elevariam em muito os custos desses produtos.

O especialista explica que isso acontece porque, com o crescimento econômico e uma maior mobilidade social, há um aumento rápido da demanda, já que as pessoas querem consumir produtos a que não tinham acesso antes.

Fenômeno idêntico aconteceu durante mais de um século nos EUA, só que em proporção muito maior que no Brasil, e os preços caíram anos após ano.  Aumento na demanda em um cenário com oferta monetária rígida não causa elevação geral dos preços.  Mesmo porque, para que uma pessoa possa demandar algo nesse cenário, ela precisa antes ter produzido algo - e isso elevaria a oferta de bens e serviços para toda a economia, reduzindo os preços.

Aumento da demanda só causa aumento de preços quando essa maior demanda surge em decorrência de um aumento da oferta monetária - nesse caso, a pessoa não precisa produzir nada para poder demandar algo; ela simplesmente utiliza o dinheiro recém-criado e já aumenta o seu consumo.

É isso que vem acontecendo no Brasil.

A tendência, porém, é que isso mude conforme o país continuar crescendo. "Vai quebrar esse consumo esnobe. As pessoas vão passar a exigir qualidade e preço baixo", diz Gonçalves.

De fato, qualidade só pode ser exigida quando há livre concorrência.  Porém, mesmo nesse cenário, se estiver havendo expansão monetária - como sempre está -, o máximo que pode ser exigido é que os preços subam a um ritmo menor; nunca que eles caiam ou que pelo menos fiquem constantes.

No entanto, o economista faz a ressalva de que, nos grandes centros urbanos, os serviços são muito caros. "Essa pesquisa tem um viés, é muito influenciada pelo fato de São Paulo e o Rio serem cidades muito grandes. A pesquisa não retrata as cidades médias, no interior de São Paulo e norte do Paraná, por exemplo, que têm renda elevada e onde o custo de vida é muito mais baixo."

Exatamente pelos fatores explicados duas estrofes acima.

Otto Nogami, professor do Insper (ex-Ibmec São Paulo), concorda que a vida nos grandes centros é mais cara. "Nas metrópoles existe um excesso de demanda e poucos produtos, porque falta infraestrutura", diz ele.

A maior demanda, como já dito, está ligada à maior oferta monetária.  Da maneira como a frase foi colocada, dá a impressão de que a falta de infraestrutura nas metrópoles leva a preços mais altos ao passo que no interior os preços são mais baixos porque há uma melhor infraestrutura.  A infraestrutura da cidade de São Paulo é pior que a de Coronel Macedo? Cruzália? Emilianópolis? Guarani d'Oeste? Iporanga?  No entanto, nessas cidades os preços são menores. 

Ignorar a quantidade de dinheiro em cada lugar impossibilita qualquer análise sobre diferença de preços.

O economista do Insper acredita que uma das causas dos preços altos no país é o chamado "custo Brasil". Para ele, as empresas brasileiras são muito menos produtivas que as estrangeiras e por isso o custo dos produtos é maior. Outros fatores como alta carga tributária e alto custo da mão-de-obra (devido a encargos trabalhistas) também influenciam, diz ele.

Isso, sim, é indiscutível.

"Nos Estados Unidos, por exemplo, um Honda Civic custa em torno de US$ 15 mil. Aqui custa R$ 65 mil. Existe uma desproporcionalidade que é reflexo desses fatores", diz ele. 

Mas essa desproporcionalidade não é só uma questão de carga tributária e custo da mão-de-obra. Tem também o protecionismo contra as importações.  Se você pudesse importar BMW sem qualquer tarifa protecionista, pode apostar que o preço do Honda não seria esse.

Porém, como não há esse risco, as montadores seguem confortáveis.  Suas altas margens de lucro - que num livre mercado imediatamente atrairiam concorrência de fora - estão devidamente protegidas pelo governo.

Muitos brasileiros já perceberam há tempos os preços bem mais baixos de certos produtos no exterior e tratam de fazer compras lá fora quando possível.
A securitária Flávia Lopes Pereira, 33 anos, foi aos Estados Unidos em setembro e comprou todo o enxoval de sua filha, que deve nascer no próximo dia 20. "Mega vale a pena. Comprei coisas lindas e baratas", diz ela, que estima ter gasto cerca de US$ 3.500.

"Comprei roupinhas para quando a bebê tiver 3 meses até os 2 anos, além de carrinho com bebê conforto, brinquedos, acessórios", conta ela. "Lá você compra um kit com macacão, babador, várias peças, por US$ 17, ou as peças avulsas por US$ 3, US$ 5. Aqui uma roupinha bonita custa R$ 80", diz Flávia. O carrinho de bebê que ela queria custa cerca de R$ 2.000 aqui; ela achou por US$ 199 nos EUA.

O fisioterapeuta David Homsi, 33 anos, gosta de comprar roupas, sapatos, relógios e eletrônicos quando vai aos EUA, o que costuma fazer duas vezes ao ano. "Aqui custa cerca de 300% mais caro. Da última vez comprei dois sapatos Prada. Uma calça jeans, que você paga US$ 140 no SoHo, em Nova York, aqui custa R$ 1.200."

Homsi diz que já comprou roupas e sapatos de grife no Brasil, mas só "na liquidação da Daslu". Se não pudesse comprar no exterior, ele diz que consumiria os produtos de que gosta em menor quantidade.

Nem precisa comentar.  Apenas sorria.



autor

Leandro Roque
é editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

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comentários (25)

  • Thames  09/02/2010 18:56
    Muito bom! Façam mais desse tipo, porque aguentar o que imprensa expele diariamente é dose.
  • anônimo  09/02/2010 19:46
    "A vida é mais cara nos centros urbanos principalmente porque ali há um volume de dinheiro maior do que nas cidades do interior."
    Mas acho que isso não explica tudo. Nas cidades do interior, produtos eletrônicos, por exemplo, custam muito mais caro que em grandes cidades - mesmo com uma menor oferta de dinheiro. Me parece que nas pequenas cidades há um "déficit" de oferta desse tipo de produto, abundante nas capitais. Ocorre exato oposto com alimentos, abundantes no interior e escassos nas metrópoles, devido à enorme população. Há aí também o custo de logística, que não pode ser desprezado em nenhum dos lados. Assim como no interior se produzem alimentos que precisam ser levados para os grandes centros, nestes centros se produzem produtos mais sofisticados que precisam ser levados para o interior.
    É evidente que a oferta monetária elevada aumenta os preços, e talvez a diferença de oferta monetária em diferentes cidades possa ser um fator do desnível de preços, mas, no meu entender, certamente não é o único.
  • Leandro  09/02/2010 20:08
    Boas colocações, anônimo. Mas eu me refiro mais aos itens básicos do dia a dia, como roupas, alimentação (não sei até que ponto é válida essa colocação de que os alimentos são abundantes no interior), aluguel, diversão e afins.

    Um exemplo curioso: um anticoncepcional que é fabricado no estado de São Paulo custa R$60 na capital e R$45 em Belo Horizonte. É claro que a demanda em São Paulo é maior, mas não se pode dissociar a demanda da maior oferta monetária.
  • Rafael Crivelli  09/02/2010 20:54
    Parece que esqueci meu nome ali..

    O anticonpecional poderia ser mais barato em BH devido a uma concorrência com uma outra marca fabricada em Minas Gerais, ou porque a população mineira é mais religiosa, etc (puro chute, mas poderiam ser hipóteses).

    E uma correção: quando disse que "alimentos são abundantes no interior", quis dizer "mais abundantes" em comparação com a capital, devido à sua maior proximidade com o local de produção e menor demanda - e até porque bem sabemos que nada é, no mais estreito sentido da palavra, "abundante". E isso também é válido em maior grau nos alimentos mais primários, não-industrializados, na questão dos preços.

    Veja bem, não estou pretendendo dissociar preços de oferta monetária, mas também considero demasiado simplista atribuir a definição - e variação - de preços a um único fator.
    Tenho que talvez esse não seja nem mesmo o fator de maior importância: há o "custo metrópole" - que carrega custos mais básicos, como o da alimentação básica do trabalhador; e a demanda exageradamente elevada - "Um mesmo produto tende a ser mais caro em São Paulo do que em Belo Horizonte ou Porto Alegre, simplesmente porque há mais dinheiro em São Paulo (algo que por si só gera maior demanda, sem, no entanto, necessariamente gerar um equivalente aumento na produção)." - O preço maior em São Paulo não poderia ser também explicado em parte pela maior demanda e alguma dificuldade (infraestrutura talvez) em suprí-la?
  • Leandro  09/02/2010 22:09
    Mas observe que em momento algum foi negada a questão da demanda - e nem poderia.

    Mas também não dá pra negar que a demanda está intimamente relacionada com a oferta monetária. Uma maior oferta de dinheiro estimula uma maior demanda por bens e serviços. Porém não necessariamente estimula a produção e a oferta - isso requer poupança e bens de capital.

    Quanto aos alimentos, não fez sentido dizer que uma cidade do interior está mais próxima ao local de produção do que a cpaital. Isso certamente é válido para uma ou outra cidade, mas não para todas cidades do interior. Até porque, se fosse assim - se todas as cidades do interior estivessem próximas do local de produção - então por uma questão de lógica geográfica a capital acabaria também estando próxima a algum centro produtor (a menos que ela fosse uma ilha isolada de tudo).

    Por fim, se tudo isso ainda não lhe convenceu, podemos recorrer a um exemplo prático ainda mais simples: Por que os preços de determinados produtos em um bairro chique (por exemplo, manicure, pão, roupas, oficina mecânica) são maiores do que os preços desses mesmos produtos em um bairro mais pobre? Seria a oferta no bairro mais pobre mais abundante que no bairro mais rico? A infraestrutura do bairro mais pobre seria mellhor? Ou seria muito mais uma questão de demanda gerada por maior estoque de dinheiro existente nos bairros mais ricos?
  • Eduardo Rodrigues  10/02/2010 00:34
    Leandro, você está ficando bom nisso, hein? ha ha Parabéns por mais este artigo. Concordo com a sugestão do Thames. Essa confrontação de opiniões é muito boa para que ignorantes em economia como eu identifiquem com mais facilidade bobagens escritas e/ou faladas na mídia e as ignorem. Como religiosamente acesso este site dos austríacos e, devido à clareza dos textos, já entendo um pouco do assunto, suspeito que algumas coisas que leio por aí sobre economia estão erradas, mas sempre fico sem saber se estou certo, já que não há quem me confirme. Como a matéria expõe, o Rio está caro mesmo. E o metrô está uma porcaria. Se puder indicar um texto daqui ou escrever um artigo explicando o porquê da situação do metrô ficarei grato. Tem a ver com PPP? Abraço.
  • Leandro  10/02/2010 10:19
    Prezado Eduardo, muito obrigado pelos elogios. Seja bem vindo ao clube. Bom, para ser franco, confesso que vergonhosamente estou por fora da situação do metrô no Rio. Sendo assim, não tenho nenhuma base em que me sustentar. Porém, sei que o arranjo é uma PPP. Logo, realmente não há como o resultado ser minimamente satisfatório. Naquele textos sobre as PPPs de Salvador, há três links logo no início para outros textos sobre PPP. Já dá pra ter pelo menos uma ideia.\n\nAbração!
  • Gustavo  10/02/2010 19:52
    Parabéns Leandro, como estudante de economia só tenho a agradecer pelo esforço de vocês em nos apresentar a verdadeira economia. Confesso que depois de 6 anos de curso estou estuperfato da suprema ignorâcia que impera no ambiente acadêmico em geral. Não consigo nem mais olhar para cara dos meus "professores" que não tem nem a metade do conhecimento do infame Maílson da Nóbrega, ou seja, tem mais que o dobro da ignorância. Quando me passam as estapafúrdias teorias de ótimo de Pareto e insumo-produto de Leontief fico pensando: "como conseguem acreditar nisso?". Infelismente não vejo nenhuma luz no fim do túnel e muitas crises e recessões virão.
  • anônimo  14/02/2010 00:36
    A tese de que crescimento gera inflação não se explica porque durante um período de prosperidade,aumenta a produção.Aumentando a produção,aumenta a demanda por trabalhadores causando um aumento nos salários.Aumentando os salários,os produtores condicionam os preços a esse aumento nos salários.Aumento o preço já que sabe que seus consumidores tem mais dinheiro para gastar.
  • Leandro  15/02/2010 10:51
    Anônimo, mas essa sequência só ocorre em cenários em que a oferta monetária cresce mais rapidamente que a própria economia. Se a oferta monetária estivesse contida, seria impossível haver esse aumento generalizado de preços e salários. Afinal, de onde viria o dinheiro?
  • Angelo Viacava  15/02/2010 19:28
    Muitíssimo obrigado, por dar um nome a meus sentimentos inconscientes. É complexo ter sensações intuitivas que a própria razão não alcança para explicá-las, por ignorância em determinado domínio intelectual, sentindo-se um anormal em meio à multidão. Agora sinto-me curado deste mal, ao menos. O que sinto é real, não ilusório. Meu dinheiro pode cada vez menos a cada dia, mesmo contrariando os "otimistas" de plantão.
  • Ulisses  15/02/2010 20:45
    Leandro, vc poderia explicar melhor o que seria uma maior oferta monetária em algumas cidades? Sempre achei que o que explica diferenças de preços dentro Brasil é, além das diferenças no padráo de demanda, a escassez e alto preço relativo dos imóveis nas grandes cidades (além é claro de questóes de infraestrutura, que sao relevantes em lugares de difícil acesso).
  • Leandro  15/02/2010 21:12
    Ulisses, é simples. Onde há uma maior quantidade de dinheiro: em São Paulo ou em São Tomé das Letras? No Rio de Janeiro ou em Xique-Xique?

    Obviamente, naqueles lugares onde a oferta monetária é maior, tudo o mais constante, os preços também serão maiores. Mesmo a maior demanda (seja por imóveis ou por bens quaisquer) que porventura exista em uma cidade também é decorrência da maior oferta monetária. E vale lembrar que uma maior demanda não necessariamente gera uma maior oferta de bens (o que evitaria subida de preços). Aumento da oferta depende de poupança, que é o que financia a produção.
  • Stefan Carrao Pinto  13/05/2013 21:52
    Leandro
    Como estou me iniciando em economia a partir da leitura de seus artigos, ficou um pouco confuso o que você disse sobre oferta, procura e preços, ao colocar a expansão monetária como fator determinante na equação. Estou acostumado a ver isso sob a perspectiva de um produto apenas (quando apenas uma alteração na oferta ou na procura mexe com o preço).
    Você pode me explicar isso, ou indicar um texto esclarecedor?
  • Leandro  13/05/2013 22:11
    Prezado Stefan, se você tem mais dinheiro na carteira, sua demanda por bens e serviços irá aumentar ou diminuir? Da mesma maneira, se, tudo o mais constante, a quantidade de dinheiro na economia aumenta, a demanda das pessoas por bens ou serviços irá aumentar ou diminuir?

    Como dito acima, onde você acha que há mais demandas por bens e serviços de qualidade: São Paulo e Rio de Janeiro ou São Tomé das Letras e Xique-Xique? Onde há mais dinheiro circulando?

    No nosso atual sistema monetário e financeiro -- em que o dinheiro é criado do nada por meio do sistema bancário, que por sua vez trabalha sob os auspícios do Banco Central --, alterações na oferta monetária são o principal estímulo à demanda. E onde houver mais dinheiro haverá mais demanda. Isso, aliás, é questão de lógica pura, e não chega nem sequer a ser ciência econômica.

    Seria impossível indicar artigos sobre isso, pois praticamente todos os artigos que envolvem o assunto "oferta monetária" falam sobre isso. Caso queira uma palestra recente sobre isso, recomendo esta:

    www.youtube.com/watch?v=yNTEGeIWGbQ


    Grande abraço!
  • Jonatasmand  13/05/2013 23:18
    Leandro, quando a palestra foi proferida? Aula magnífica. Aprendi mais com ela do que com todo o meu curso de economia!
  • Leandro  13/05/2013 23:45
    Prezado Jonatasmand, foi no dia 20 de abril. Bom saber que ela teve sua utilidade. Obrigado pelo elogio.

    Abraços!
  • Stefan  14/05/2013 14:19
    Leandro
    Por favor, releve se te pareceu que perguntei algo que seu excelente artigo já havia deixado bem claro. É que eu não havia formulado precisamente minha pergunta.
    O que me confundiu foi sua afirmação de que "aumento na demanda em um cenário com oferta monetária rígida não causa elevação geral dos preços", quando minha visão simplista me dizia que aumento na demanda – independentemente de ser decorrente de aumento da oferta monetária ou de maior interesse pelo produto – seria suficiente para aumentar o preço.
    Essa visão do dinheiro como objeto de demanda e oferta não é algo inato; deve ser assimilado primeiro para entrar na minha percepção lógica.
    Contudo, segui sua sugestão e encontrei o artigo de Rothbard, "Qual é a oferta monetária 'adequada' para uma economia?", cuja forma metódica de abordar esse tema me esclareceu devidamente.
    Muito obrigado pela atenção.
    Abç.
  • anônimo  13/05/2013 22:49
    "Obviamente, naqueles lugares onde a oferta monetária é maior, tudo o mais constante, os preços também serão maiores."
    - Vai depender também da produtividade dos bens e serviços. Se a produtividade em São Paulo é igual ou menor à de São Tomé das Letras, e a oferta monetária é maior, então os preços sobem..
  • Stefan  15/05/2013 01:46
    ??
  • Adenoid Hinkel  09/05/2010 03:08
    Parabéns pelo esclarecedor artigo!!!

    Continuem assim, desmascarando esses pseudo-economistas, que, pelo simples fato de possuirem um papel emoldurado, preso a uma parede e nele escrito que o ditos cujos frequentaram um curso de economia, é sufuciente para que a grande mídia recorra à eles, toda vez que queira "informar" seus leitores sobre determinados fatos econômicos.

    A pergunta que eu me faço, e que também mais me causa estranheza, é como eles conseguem (mesmo falando tanta besteira e demonstrando tanta falta de conhecimento básico de teoria econômica), que tantas pessoas os olçam e ainda os considerem expertos no assunto?





  • Julio  10/09/2012 07:37
    Leandro, não sou economista, mas estou aprendendo muito aqui.
    Gostaria de perguntar...

    g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2012/09/governo-decide-aumentar-o-imposto-de-importacao-de-cem-produtos.html

    essa notícia que o governo aumentou imposto de importação de batatas, vidros, sola de sapato... só coisas que "exigem alta tecnologia", é impressão minha ou estão nos chamando de muito imbecis e incapazes de produzir batatas.
    Ou existe uma outra intenção por trás disso que eu desconheço?
  • Leandro  10/09/2012 07:54
    Jamais tente procurar lógica e bom senso em nenhuma medida coerciva do governo. Procure apenas quais os grupos de interesse são beneficiados por tal medida. Como dizem os americanos, para entender a real lógica das medidas intervencionistas, "follow the money". (Neste caso específico, produtores rurais e a indústria nacional de vidros e calçados.)

    Políticos e burocratas existem pra proteger os interesses de seus financiadores e mantenedores. Eles atendem aos desejos de lobistas e demais doadores de campanha. Como o cidadão consumidor e pagador de impostos não possui grupos organizados de pressão, ele nunca terá voz. O único direito que ele tem é o de pagar artificialmente mais caro por tudo.
  • Stefan Carrao Pinto  13/05/2013 21:54
    Leandro
    Considero um privilégio o acesso que tenho aos textos deste instituto. Leio-os cada vez mais e venho aprendendo muito.
    Você poderia fazer esse mesmo exercício de crítica com o artigo de hoje do Fábio Giambiagi no Globo (p. 13)?
    oglobo.globo.com/opiniao/juro-real-zero-8357224
  • Mr Richards  19/02/2017 22:53
    "Os economistas acreditam que o próprio crescimento econômico é um dos vilões dos preços. "O crescimento econômico geralmente leva a preços mais altos. Então, a expansão forte da economia brasileira nos últimos anos deve ser uma das principais explicações para a alta dos preços", diz Berner."

    kkkkkkkkkkkkkkk
    Sem palavras diante desta ignorância econômica.


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