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Keynesiano confessa: "Era pra ter funcionado! Não tô entendendo o que se passa..."

Agradeço ao leitor Maurício Gonçalves pela dica deste precioso vídeo.  O keynesiano Luiz Carlos Mendonça de Barros, no programa Entre Aspas, da Globo News, após começar com aquele discurso de praxe contra a necessidade de se cortar gastos na economia americana, acaba fazendo as seguintes confissões:

(Observação: infelizmente, o vídeo original foi removido pelo autor, de modo que o vídeo acima não mais corresponde ao vídeo comentado neste artigo.)

Aos 12:50 minutos:

Acho Krugman um sujeito inteligente, muito preparado, mas eu.... que bebo na mesma água que ele, keynesiana, esse negócio todo.... eu estou meio depressivo porque era pra funcionar!  Tudo que o Banco Central fez, tudo o que o Obama fez ... [era pra ter funcionado]...

Aos 13:53 minutos, fazendo carinha de cachorrinho pidão:

Mas eu acho que [a estagnação americana] não explica a falência do modelo keynesiano...  Eu acho é que ... o que tem é que... junto disso, você tem um colapso do sistema bancário americano e no mundo todo.

Exato, Mendonção. Tal colapso é uma consequência inevitável do atual arranjo monetário, preconizado por Keynes e também pela Escola de Chicago:

1) Bancos Centrais manipulando os juros por meio da irrestrita impressão de dinheiro de papel sem nenhum lastro, e obrigando — por meio do governo — as pessoas a utilizarem esse dinheiro. 

2) Bancos Centrais cartelizando todo o sistema bancário de reservas fracionárias, protegendo-o contra qualquer tipo de concorrência monetária, e permitindo que eles expandam ainda mais a quantidade de dinheiro que os bancos centrais criaram, distorcendo ainda mais as taxas de juros. 

Nesse atual arranjo monetário em que o mundo vive, o aumento do crédito na economia não mais se dá de acordo com aquilo que as pessoas poupam (deixam de consumir), mas sim de acordo com as políticas dos bancos centrais e de acordo com a propensão do sistema bancário em criar empréstimos por meio de suas reservas fracionárias.  Essa contínua manipulação da oferta monetária — feita tanto pelos bancos centrais como pelo sistema bancário — altera toda a realidade das taxas de juros, as quais deixam de sinalizar se há escassez ou abundância de recursos, e passam apenas a estimular o endividamento excessivo.  Os investimentos passam a ser financiados não pela poupança, mas pela simples impressão de dinheiro — como se um simples aumento na quantidade de dinheiro magicamente fizesse com que houvesse maior abundância de bens disponíveis.

Um sistema bancário que pratica reservas fracionárias é naturalmente insolvente, bastando apenas alguns calotes (como ocorreu nos EUA e está ocorrendo na Europa) para tornar explícita essa sua inerente debilidade — alguns calotes fazem com que todo o sistema bancário mundial fique em pânico.  (Se um grande supermercado quebrar lá em Taiwan, será que toda a rede mundial de supermercados também virá abaixo e o mundo ficará sem comida?) 

Uma vez que essa insolvência se torna explícita e o pânico toma conta dos mercados financeiros, governos e bancos centrais implementam sucessivas rodadas de pacotes de socorro para proteger esse setor privilegiado, jogando a fatura para os cidadãos comuns. 

Mas você não vai ver Keynes explicando isso.  Daí o espanto de Mendonça.

Finalmente, aos 14:40 minutos, ele confessa o fracasso intelectual dessa doutrina nefasta que vem destruindo as economias mundiais:

Eu particularmente nunca tive tão humilde na minha profissão como eu tô hoje. Eu não tô entendendo o que tá acontecendo...

Dica ao Mendonção: o senhor não está entendendo o que está acontecendo simplesmente porque desperdiçou sua vida lendo panfletos ideológicos, e não ciência econômica verdadeira.  Passou a vida estudando aquilo que governantes gostam de ouvir, e não aquilo que eles realmente deveriam fazer.  Caso tivesse se livrado de suas ideologias de juventude, poderia estar vendo o mundo com mais clareza hoje, e não estaria tão perdido assim.

O problema é que a evidência raramente consegue mudar a mentalidade de um indivíduo contaminado pela ideologia.  Na melhor das hipóteses, a evidência serve apenas para validar a sua crença.  Eu, por exemplo, deixei de ser keynesiano (ei, eu também já fui adolescente!) e passei a seguir os preceitos da Escola Austríaca de economia não porque quisesse me juntar a alguma corrente, mas simplesmente porque eu não estava viciado em nenhuma ideologia; eu não tinha um pacote de crenças pré-concebidas que eu deveria defender árdua e cegamente, por mais que as evidências me contrariassem.  Eu simplesmente queria descobrir a verdade.

É perfeitamente possível entender essa fé cega que determinadas pessoas têm no keynesianismo.  Se você investiu toda a sua vida e toda a sua carreira acadêmica ou profissional defendendo teorias keynesianas, ou se a sua fé no estado é aquilo que dá sentido à sua vida, divorciar-se da economia keynesiana seria um choque e tanto.  Dependendo da idade do sujeito, o estrago pode ser irreparável (mais ou menos como a onda de suicídios que acometeu os comunistas românticos e bem intencionados quando eles souberam das chacinas promovidas por Stalin).

Se você quiser realmente aprender a verdade, entender como as coisas de fato funcionam (e isso vale para absolutamente qualquer área), seu estado de espírito não pode estar viciado; você não pode se deixar contaminar por nenhum "pré-conceito".  Tenha sempre a mente aberta, não se deixe contaminar por vícios de juventude, não se prenda a ideologias e utilize sempre a razão. 

Acima de tudo, siga sempre este princípio: para realmente descobrir a verdade, você tem de ter um estado de espírito que não se deixa afetar pelas consequências de suas novas descobertas.  Não se permita um estado de espírito que provoque estragos em sua vida dependendo de suas novas conclusões.

Aparentemente, é esse conflito interno que vem afetando Mendonção.




autor

Leandro Roque
é editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

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POST POR DATA
comentários (52)

  • Raphael Auto  18/08/2011 14:03
    Sério, por que vocês não mandam um e-mail para este Mendonça? Esse é um momento mega propício para ele mudar de lado.\r
    \r
    Pode parecer loucura, mas toda vez que eu vejo pessoas numa posição igual é que eu começo a tentar converter ela ao libertarianismo, EA e derivados. Praticamente sempre dá certo, pq elas estão a procura de algo novo e coerente para respaldarem suas ideias.
  • Sol Moras Segabinaze  18/08/2011 14:11
    Priceless.
  • Cristiano  18/08/2011 14:32
    Uma pena, não tive estomago pra ver o video.
  • vicente  18/08/2011 15:14
    o pior são os inabaláveis!\r
    \r
    pessoas de estômago fraco: tenham cuidado ao clicar no link que segue.\r
    \r
    www.cartacapital.com.br/economia/%e2%80%98keynes-sofre-o-mesmo-destino-de-marx%e2%80%99\r
    \r
  • Joao  18/08/2011 16:02
    Bem, marxistas e afins estão prevendo crises no capitalismo acho que desde a época dos faraós. Os Keynesianos, nessa época, ficavam extasiados com os pacotes de incentivo à economia dos líderes egípcios. Afinal, a construção de uma pirâmide elimina toda a capacidade ociosa! Não importa se, no fim, o produto não sirva para nada. O que importa é que ninguém está parado.

    Não espero uma discussão decente na Carta Capital, mas a enxurrada de besteiras ditas nessa entrevista é algo impressionante.

    Eu fico imaginando como seria a profissão de medicina se ela fosse exercida por economistas:
    - Tome aqui, esse anabolizante! É perfeito para sua atividade física!
    - Não é perigoso tomar demais?
    - Claro que não! O que importa é estimular a demanda agregada do seu corpo!
    - Mas, doutor, não seria mais interessante que eu verificasse o que preciso estimular?
    - Claro que não! Aqui está, minha curva LO/PS diz que você não chegou ao limite ótimo de demanda agregada, precisa que seu corpo consuma mais!
    - Não estou entendendo direito o que isso quer dizer.
    - Eu sei, esses cálculos não são para principiantes, são modelos altamente complexos, e só um médico consegue entendê-los. Não se preocupe, sei o que estou fazendo.
    Pouco tempo depois:
    - Bem, estou me sentindo muito melhor, consigo correr mais, e puxar muito mais peso!
    - E você ainda duvidava da minha teoria da medicina, hein?
    - Pois é, isso é fantástico! Mas ainda fico pensando se não há algo errado, às vezes sinto uma pontada no coração.
    - Muito cuidado! Você pode se sentir tentado a parar por causa de algumas dores, mas em hipótese alguma pare! A demanda agregada do seu corpo não pode diminuir! Isso seria uma tragédia!
    - Mas eu poderia parar para me reestabelecer e deixar o corpo se ajustar um pouco.
    - Definitivamente, não! Não ouça esses médicos e suas ideias estapafúrdias de que é arriscado sair por aí tomando anabolizante e fazer de conta que o corpo precisa de ajustes! Eles não entendem meus modelos, por isso não aceitam os anabolizantes!

    Um economista Keynesiano programando:
    - Veja que beleza! Meu programa usa 99,9% da CPU!
    - Não seria mais interessante você procurar os gargalos, otimizar a performance nas partes críticas, melhorar a escalabilidade nos processos mais usados?
    - Ora, não seja tolo! Precisamos estimular a demanda agregada de CPU! Não podemos deixá-lo ocioso! Isso seria uma tragédia!
  • Felipe Barbosa  18/08/2011 17:14
    Projetando um carro:

    Só precisamos usar motores maiores, estampar chapas de aço mais grossas!
    Não importa que o carro só faz 2 Km/litro e demora pra acelerar e demora muito mais pra parar... o que precisamos é consumir mais aço e mais petroleo!
  • Samuel  28/02/2012 21:09
    Um keynesiano no agronegócio...

    "Mas como! Onde já se viu! Milhões de km quadrados ociosos! O Deserto do Saara deveria ser o celeiro do mundo. Cultivá-lo seria um desafio e tanto. Muitos tolos poderiam dizer que não compensaria, mas quando eles vissem a demanda agregada aumentar (fertilizantes, irrigação, defensivos agrícolas, mecanização extensiva etc.) e o 'PIB' dos países do norte africano disparar, logo ficariam boquiabertos..."
  • Johnny Jonathan  11/06/2012 23:51
    Amei essas piadas. E há ainda os chatos que não gostam de uma boa retórica bem humorada nos debates. :-)
  • Gabriel Oliva  18/08/2011 15:22
    Pelo menos o Mendonça admite que não está entendendo o que está acontecendo, diferentemente de uns Nóbeis que insistem que os estímulos só não funcionaram porque não foram grandes o suficiente...
  • Fabricio  18/08/2011 15:23
    Meio off-topic, mas ainda se tratando do vídeo:
    Quando essa gente que vive de ser arroz de telejornal decora um mantra é um inferno. Geralmente pegam uma receita de bolo pronta na CNN e pronto, você pode estar certo de que vai ouvir a mesma coisa em praticamente todo lugar.

    A mais nova é que "republicanos tea partiers ultraconservadores extrema-direita fascistas estão torcendo o braço do congresso e condenando os Estados Unidos à recessão só pra garantir que Obama não seja reeleito."

    Ninguém chega sequer a cogitar que um congressista possa votar contra um acordo para o teto da dívida simplesmente porque o acordo é ridículo, inócuo, por mais óbvio que isso seja.
  • mcmoraes  18/08/2011 15:55
    Ouvi dizer que isso já aconteceu na década de 70, no tempo da "stagflation". Vários keynesianos americanos simplesmente "deram tilt" naquela época.
  • Leandro  18/08/2011 17:48
    mcmoraes, o problema é que o keynesianismo nunca dará 'tilt' porque se trata de uma ideologia que diz exatamente aquilo que todo político gosta de ouvir:

    "Ei, gastar muito é bom para a economia; imprimir dinheiro é ótimo para economia; déficits são perfeitos para a economia; inchar a máquina estatal, dando emprego para burocratas, é maravilhoso para a economia; regulamentações, se feitas por keynesianos, são supimpa e geram muito crescimento econômico. Ah, sim, e austeridade é péssimo. Ignorem economistas insensíveis que sugerem isso. Apenas gastem os tubos e se endividem ao máximo. O paraíso é aqui, e o Jardim do Éden, onde não há escassez, pode ser perfeitamente replicado pela impressora de dinheiro."

    Qual político resiste a isso? Não é à toa que os mais árduos defensores do keynesianismo são pessoas que trabalham no estado. É tudo gente advogando em causa própria, sempre com uma "desculpa técnica" na ponta da língua para bater sua carteira.
  • Rovison  18/08/2011 20:20
    Parabéns, Leandro, pela sua lucidez.
  • anônimo  18/08/2011 20:31
    O pior é que no Brasil não há um só partido que não defenda em maior ou menor grau o receituário keynesiano. A população não tem escolha. Só pode votar em candidatos keynesianos para a desgraça dos pagadores de impostos do País.
  • Josiany  03/07/2012 13:53
    Engraçado é que, estudando realmente as conclusões e as crenças de Keynes, é possível perceber que acima de tudo ele era liberal, defensor da propriedade privada, da existência de uma diferenciação nata entre as pessoas, "uns ganham mais porque são melhores, uns são patrões porque são melhores e outros que possuem características menos diferenciadas são empregados". Em momento algum ele defende o gasto deliberado do estado. As pessoas é que leêm, ou dizem que leram, Keynes de uma forma distorcida e se valem da preocupação que ele tinha em garantir emprego e um nível tolerável de desigualdade para, se dizendo keynesianos justificarem políticas mal feitas e gastos escessivos. Só para esclarecimentos não sou keynesiana, nem liberal. Primeiro porque lendo Keynes de verdade percebi que ele não é nenhum revolucionário e nem está preocupado de verdade com o bem estar das pessoas, mas sim que todos estejam satisfeitos a ponto de não contestarem o capitalismo. E não sou liberal porque um liberal de verdade preza o mínimo possível de intervenção do Estado, e eu acredito que essa intervenção é necessária e também porque um liberal acredita que a desigualdade é capaz de garantir crescimento e bem estar por si só e eu vejo que isso não é verdade.
  • Erick Skrabe  18/08/2011 19:32
    Mailson: "crise d 37 ... só foi resolvida com a Guerra"

    Bem... já foram os soviéticos, os chineses, os árabes... quem vai ser agora ?

    Marcianos, preparem-se !

    (Bem, que Krugman avisou)
  • Marcelo  18/08/2011 20:37
    O político escolhe um keynesiano para conduzir a economia do país, e a partir daí o keynesianismo se destaca e os seus representantes são promovidos na política, na academia e na mídia. Nesse ponto, essa corrente - que foi escolhida não por mérito científico mas por conveniência política, por mais inepta que fosse - passa a dominar o debate público em todos os níveis, ao ponto de ganhar um prêmio Nobel de Economia, e do inconcebível porém verdadeiro fato de que, bem instruído, um adolescente de 17 anos entenderá o que se passa com a economia mundial melhor do que o próprio Nobel.

    E então eu acabo me perguntando se eles são apenas muito burros ou agem politicamente.
  • Zeh  18/08/2011 22:02
    Qual a diferença?
  • Fernando Z  18/08/2011 22:59
    "Quando capaz, finja ser incapaz; Quando pronto, finja estar despreparado; Quando próximo, finja estar longe; Quando longe, façam acreditar que está próximo."

    (Sun Tzu)
  • Marco  18/08/2011 23:02
    Zeh,
    A diferença não é prática, é apenas se eu devo considerá-los ignorantes ou corruptos - e há uma grande diferença de respeitabilidade nisso.
  • Francisco Brito  18/08/2011 22:43
    Muito bom. Ótimo link para distribuir nas faculdades de economia.
  • amauri  19/08/2011 07:32
    Bom dia Leandro!
    Li a pouco um artigo do Olavo de Carvalho,e ele fala sobre a Escola Austriaca. Vale a pena.
    www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/12339-copiando-os-russos.html
    abs
  • Leandro  19/08/2011 07:54
    Hans-Hermann Hoppe, logo no capítulo de introdução de seu Democracy - The God That Failed, faz amplas considerações a esse ambiente intelectual que pairava na Áustria nas primeiras décadas do século XX. Logo, tal ambiente cultural vigoroso, bem como o contexto dentro do qual surgiu a Escola Austríaca, não é ignorado por nós, e nem poderia ser.

    No mais, acho que o Olavo deveria citar nomes.

    Grande abraço!
  • Filipe Celeti  19/08/2011 14:37
    Ele não vai citar os nomes, pois discorda da moral do libertarianismo, só concorda, em alguns pontos, com a análise estritamente econômica.
  • Mateus  19/08/2011 11:23
    Realmente é bastante difícil para alguém abandonar a teoria que serviu de base para a sua vida intelectual e até mesmo profissional. Fazer isso com 20 ou 30 anos é fácil, mas com 50 ou 60 já é um tanto complicado. Você pode até entender a situação através da razão, mas a resistência psicológica é muito forte. Espero que o Mendonça não se transforme em mais um desses céticos contra tudo e todos que preferem nivelar tudo por baixo a dar o braço a torcer.
  • Patrick  19/08/2011 22:18
    "(mais ou menos como a onda de suicídios que acometeu os comunistas românticos e bem intencionados quando eles souberam das chacinas promovidas por Stalin)."

    Leandro, tem algum texto sobre isso pra eu ler?
  • Leandro  19/08/2011 23:50
    Patrick, não temos textos específicos sobre isso. Lembro-me de ter lido isso há muito tempo em um site de internet, e também de já ter ouvido palestrantes falando sobre isso. Mas não tem a mínima chance de eu lembrar onde li ou onde ouvi. Justamente por isso dei pouca importância ao fato.

    Abraços!
  • Saulo Gomes  19/08/2011 22:55
    Sou calouro em economia, e estou começando a entender estes conceitos keinesianos sobre a natureza dos acontecimentos.Confesso que é deprimente ver um professor com esta idade, e apegado a estas idéias ver o mundo desmoronar na sua frente.Não vi nenhum sorriso sincero nesta entrevista, típico de uma mente perplexa.
  • amauri  22/08/2011 08:48
    Bom dia Leandro!
    Como os austriacos defende o padrão ouro, o que voce pode dizer sobre esta afirmação, que é a primeira vez que leio:
    "Eichengreen, que é professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, já havia estudado também a trajetória do ouro e mostrou de que forma a confiança nele (o padrão ouro) propagou a grande depressão iniciada em 1929 com a quebra da bolsa de Nova York."
    abraços
  • Leandro  22/08/2011 16:28
    Amauri, esta afirmação é uma mistura de ignorância com má fé. Ou mesmo calúnia pura. A crise de 1929 se deu justamente porque o governo americano, por meio de seu Banco Central (o Federal Reserve), burlou todos os princípios básicos de um padrão-ouro. Um padrão-ouro restringe a criação de crédito sem que haja poupança para sustentá-lo. O que o Fed fez foi promover a expansão do crédito sem que estivesse havendo aumento na poupança -- isto é, o Fed, atuando em conluio com o sistema bancário, expandiu os meios fiduciários, impedindo que os juros aumentassem em uma época de grande demanda por crédito.

    Quando finalmente deixaram os juros subir, em 1929, a bolha na bolsa de valores já estava amplamente avançada, e seu estouro foi pirotécnico.

    Vale lembrar que o padrão-ouro clássico -- o qual também era falho, mais muito superior às outras modalidades que viriam depois -- havia terminado em 1914. O que existia na década de 1920 era uma mera prestidigitação, pois o sistema bancário, coordenado pelo Fed, era livre para expandir os meios fiduciários.

    Um bom texto sobre isso:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=989

    Abraços!
  • amauri  24/08/2011 08:37
    Bom dia Leandro!
    Uma ignorancia de minha parte:
    Imposto seria uma forma de confisco?
    abs
  • Leandro  24/08/2011 16:06
    Amauri, se não fosse confisco, não seria imposto, e sim uma "doação voluntária", com o perdão do pleonasmo.

    Se você se recusar a dar dinheiro para o governo, vai pra cadeia. Se isso não é confisco ou assalto, o dicionário está carecendo de novas adições vocabulares e idiomáticas.

    Grande abraço!
  • Leonardo  24/08/2011 15:52
    Ué, se o LCMB vendeu um monte de empresas do governo como pode ser keynesiano?
  • Leandro  24/08/2011 16:02
    Prezado Leonardo, keynesianos, sejam eles neo-keynesianos ou pós-keynesianos, ao contrário do que o senso comum imagina, não dão muita pelota para esse debate "empresa estatal vs. empresa privada". É perfeitamente possível você encontrar pós-keynesianos a favor da privatização da Petrobras e da Eletrobras, por exemplo. Da mesma forma, eles não acham que o estado deva necessariamente mexer com minério, aço, aviões, petróleo, fertilizante e nanotecnologia. Essa fixação com empresa estatal é um fetiche puramente marxista, e não keynesiano.

    Eis um texto que explica bem esses conceitos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=666


    Ademais, o próprio Mendonça se afirma keynesiano, como você deve ter visto na entrevista. Ele deve saber do que fala, não?

    Grande abraço!
  • Carlos  27/08/2011 03:14
    11:50-12:10
    A explicação do Mailson sobre a situação americana pós-guerra e atual foi cômica.
    Ele analisa a economia como se fosse um paciente deitado em um divã.
  • Eduardo Rodrigues, Rio  28/08/2011 15:46
    O problema é que a evidência raramente consegue mudar a mentalidade de um indivíduo contaminado pela ideologia.

    Ótima frase, hein?
  • amauri  14/09/2011 11:28
    Bom dia Leandro!
    A taxa de juros baixos do FED é apontado como uma das principais causas desta piora economica. É estranho eu achar que os economistas não sabiam que isto ocorreria. Qual foi então a motivação desta politica? abs
  • Leandro  14/09/2011 11:52
    Prezado Amauri, mas de fato os economistas juravam que juros baixos seriam a solução para tudo, pois todos seguem as doutrinas keynesianas e chicaguistas que dizem que a solução para um recessão econômica é imprimir dinheiro e reduzir os juros.

    Eles pensam isso porque desconhecem por completo como funciona a estrutura do capital de uma economia. Eles acham que basta imprimir dinheiro e todos os bens e serviços surgirão do nada. Basta imprimir dinheiro e automaticamente um carro é fabricado, um imóvel é construído, uma carne é servida, uma pizza é criada e um iPad é manufaturado. Eles desconsideram por completo necessidade de poupança e de acumulação de capital. Eles desconsideram tudo relacionada à estrutura de produção de uma economia. Eles não sabem que, para se investir e produzir, é preciso antes haver poupança. Eles creem que a simples impressão de dinheiro pode contornar esse incômodo imperativo.

    Logo, respondendo à sua pergunta, a motivação dessa política tem um nome: ignorância.

    (Já os mais conspiracionistas dirão que tal política vem sendo feita apenas para salvar bancos, e que se dane o resto. Pode ser. Quando se trata do estado e seus amigos, tudo é possível. Mas, mesmo assim, o raciocínio acima segue válido).

    Abraços!
  • amauri  14/09/2011 11:37
    Oi Leandro!
    Pesquisas americanas mostram que a maioria dos eleitores acham o Bush mais culpado que o Obama pela crise. Quais foram as medidas que o Bush tomou na economia para piorar ainda mais?abs
  • Leandro  14/09/2011 11:54
    Bush começou os pacotes de resgate e estímulo. Obama os intensificou e elevou à lua. Ambos merecem cadeia.
  • amauri  14/09/2011 13:56
    Boa tarde Leandro!
    Foi indicado o debate abaixo, disse ter no site. Como acho? Tem legendas?abs
    Bob Murphy Vs. Karl Smith
  • Leandro  14/09/2011 17:40
    Prezado Amauri, não há legendas, mas o debate está aqui:

    www.youtube.com/watch?v=lPxzE2XM1TY

    Abraços!
  • amauri  15/09/2011 10:15
    Bom dia Leandro!
    Vejo aliados do Obama dizer que eles pensavam que o buraco na economia não fosse tão grande. Isso permite eu concluir que as atitudes que o Obama tomou não contribuíram em nada para a piora do cenário. A culpa é do antecessor. Disseram que era impossível saber da realidade...
    Se a primeira foi causada pelo excesso de liquidez mais com juros baixos, qual a causa da segunda? abs
  • Erick Skrabe  09/03/2012 10:20
    Up !

    Alguem tem este vídeo ? Parece q a Globonews apagou.
  • anônimo  20/04/2012 15:16
    O vídeo não está carregando. Será que alguem o salvou? Estranho...!
  • Leandro  20/04/2012 15:32
    É, tiraram do ar. Lamentável.
  • Douglas  09/02/2015 21:13
    Olá Leandro, tudo tranquilo? Aqui está o link para o vídeo.

    https://www.youtube.com/watch?v=O6m1mzk2s7Q
  • Lauro Valente  11/02/2015 11:32
    Olá,

    Creio que o vídeo não é o mesmo do bate-papo.
    As falas que o texto diz serem encontradas no vídeo não são as mesmas.

    :(
  • Leandro  11/02/2015 13:42
    É verdade. Infelizmente, o vídeo original foi removido pelo autor, de modo que o vídeo acima não mais corresponde ao vídeo comentado neste artigo.

    Coloquei essa observação no texto.

    Obrigado.
  • Artur  08/10/2012 10:26
    Caramba, ótimo texto e ótima mensagem no final dele! Sou das ciências naturais e concordo plenamente. Leandro Rocks!
  • marcos  17/06/2015 18:01
    Temos algum artigo sobre a ausência de inflaçao nos EUA apesar da massiva impressao de grana na última meia década?

    nao encontrei.
  • Leandro  17/06/2015 18:25
    Vários. Vou citar apenas três:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1501

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1707

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1661

    O que tem de ficar claro é o seguinte: o Fed criou dinheiro e o repassou aos bancos, mas esse dinheiro nunca entrou na economia. Logo, não há por que haver hiperinflação.

    No atual arranjo financeiro, o Fed (bem como o Banco Central brasileiro) não injeta dinheiro diretamente na economia; ele injeta dinheiro apenas nos bancos, e os bancos é que decidem se irão despejar este dinheiro na economia (por meio da criação de crédito. Se os bancos não quiserem despejar este dinheiro na economia americana, não haverá nenhum risco de hiperinflação.

    Todas as hiperinflações que já ocorreram no mundo -- inclusive a brasileira --, ocorreram sob um arranjo em que o Banco Central podia injetar diretamente dinheiro na economia (mais especificamente, comprando diretamente títulos do Tesouro), sem ter de depender do sistema bancário.

    E, dado que hiperinflação não é do interesse dos bancos (seus empréstimos seriam quitados com um dinheiro sem nenhum poder de compra, o que destruiria o valor de seus ativos e, consequentemente, seu patrimônio líquido), e dado que são os bancos que hoje controlam o dinheiro que eles jogam na economia, não há por que se preocupar com esta probabilidade nos EUA. A não ser que o Fed perca sua independência e passe a seguir ordens do Congresso.


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