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Em uma recessão, um programa estatal de obras públicas irá apenas piorar a economia
Mesmo os aparentes benefícios de curto prazo gerarão nefastas consequências

Há aquela famosa estória apócrifa de um engenheiro que, em visita à China, deparou-se com uma enorme equipe de operários construindo uma barragem com pás e enxadas.

Quando o engenheiro disse ao supervisor da obra que todo o trabalho poderia ser completado em poucos dias — em vez de em vários meses — caso os trabalhadores utilizassem escavadeiras motorizadas, o supervisor disse que não podia fazer isso, pois tal equipamento iria destruir vários empregos.

"Ah", respondeu o engenheiro, "pensei que você estava interessado em construir uma barragem. Se o seu objetivo é apenas criar empregos, então por que você não coloca seus homens para trabalhar com colheres em vez de enxadas?".

A falsa ilusão do emprego

Em épocas de recessão econômica e desemprego alto, sempre ressurge a ideia de que a solução mágica e extremamente benéfica é colocar o estado para fazer um amplo programa de obras públicas. Tal ato cumpriria a proverbial (e politicamente incorreta) promessa de matar três coelhos com uma só cajadada: geraria empregos, reativaria a economia e ainda melhoraria a infraestrutura do país.

Em primeiro lugar, é factualmente errada a percepção de que investimentos em infraestrutura geram mais empregos e, consequentemente, devem ser priorizados. A realidade é que todo investimento gera emprego. Ademais, as micro e pequenas empresas são responsáveis respondem por 80% dos postos de trabalho.

Em segundo lugar, ainda em termos de emprego, mais do que os postos de trabalho temporários durante uma obra, o que importa é a continuidade de geração de vagas ao longo do tempo. E isso não é resolvido por um programa estatal de obras públicas.

Mas isso ainda é o de menos. As consequências econômicas de um programa estatal de obras públicas é que são o real problema.

Investimentos em obras públicas são uma categoria — mas não deveriam ser

Na economia real, empreendedores incorrem em projetos que irão propiciar o melhor retorno. Essa busca por projetos que trazem maior retorno é balizada pelo sistema de preços livres. Os preços indicam as necessidades mais urgentes do consumidor. 

Por meio dos sinais de preços, o consumidor instrui os empreendedores a fabricar o que mais precisa e deseja. E o sistema de lucros e prejuízos irá informar se a decisão do empreendedor foi acertada ou não, e se ele soube atender bem às demandas dos consumidores.

Os sinais de preços emitidos pelo mercado, portanto, comandam as decisões dos empreendedores. E o sistema de lucros e prejuízos mostra como os recursos escassos estão sendo empregados. Se corretamente, os consumidores recompensam os empreendedores propiciando-lhes grandes lucros; se erroneamente, os consumidores punem impondo-lhes prejuízos. 

Este raciocínio vale para todas as áreas da economia, inclusive infraestrutura. Sempre há demandas por obras que irão reduzir custos de logística e de energia, e tornar as empresas brasileiras mais competitivas no mundo. Tais investimentos tenderão a gerar riqueza e empregos continuamente. E sempre há sinais de preço demandando tais investimentos. 

O problema, no entanto, é que a infraestrutura é um monopólio estatal. E aí tudo fica desvirtuado. O elo entre demanda e oferta fica quebrado. Não há liberdade de entrada neste setor. Empreendedores não podem livremente construir estradas, pontes, portos, aeroportos, hidrelétricas, redes de saneamento etc. sem antes conseguirem a autorização do estado — sendo que tal autorização, como sabemos, está repleta de favores políticos, conchavos e propinas.

Ainda assim, quando o estado segue as demandas dos consumidores e permite que empresas façam obras, há uma redução desta disfunção, e a genuína demanda passa a ser atendida, ainda que insatisfatoriamente e com menos eficiência do que haveria em um mercado livre. 

Porém, a partir do momento em que uma decisão de investimento ocorre exclusivamente em decorrência do dirigismo estatal, com políticos e burocratas em busca de uma métrica de empregos ou de um impulso artificial ao PIB, a chance é que tudo se afunde em um buraco keynesiano.

A ponte para o passado

Se um programa estatal de obras públicas sempre conta com entusiastas em épocas de normalidade econômica, em épocas de recessão os apoiadores tornam-se quase unânimes (as várias correntes ideológicas parecem se abraçar).

Mesmo alguns economistas ortodoxos que tendem a levar mais a sério a questão do equilíbrio orçamentário e da necessidade de se conter os gastos do governo mudam de roupagem e, do nada, passam a afirmar que gastos em obras públicas representam um tipo de gasto do governo que traz retornos positivos e aumenta o bem-estar de todos na sociedade — além de gerar empregos.

Será?

Vejamos.

Suponha que o governo decide construir uma ponte faraônica (tipo a Rio-Niterói) orçada em $ 10 bilhões

A afirmação de que toda a sociedade ganhará com isso é verdadeira ou falsa?

É indiscutível que a ponte será ótima para aquela pequena fatia da população que irá utilizá-la diariamente. A questão é: e quanto ao restante da população? Quais serão as consequências da construção desta ponte para quem não a utiliza?

Em primeiro lugar, a construção da ponte será paga ou com impostos ou com endividamento. 

Se com impostos, as pessoas e empresas que pagaram esses impostos ficarão sem esse dinheiro e, logo, não poderão despendê-lo em coisas que voluntariamente considerem mais necessárias. Consequentemente, os empreendimentos que receberiam esse dinheiro ficam agora sem receita.

Se com endividamento do governo, as pessoas e empresas que poderiam ter pegado esse dinheiro emprestado para fazer investimentos produtivos ficarão agora sem acesso a ele.

Em ambos os casos, os empreendimentos que agora não mais receberão este dinheiro — que foi desviado para a construção da ponte — começarão a demitir. Ou então não mais se expandirão.

Portanto, para cada emprego público criado pelo projeto da ponte, foi destruído, em algum lugar, um emprego no setor privado. 

Podemos ver os operários empregados na construção da ponte. Podemos vê-los trabalhando. Esta imagem real faz com que o argumento do governo — seu investimento gerou empregos — se torne vívido, tangível e convincente para a maioria das pessoas. Há, no entanto, outras coisas que não vemos porque, infelizmente, não se permitiu que surgissem. São os empregos destruídos pelos $ 10 bilhões tirados dos contribuintes ou do mercado de crédito. 

Mas tudo piora.

Vivemos em um mundo de recursos escassos. Aquilo que é utilizado em um setor foi necessariamente retirado de outro setor. Se os gastos do governo concentraram recursos em um setor, então outros setores ficaram sem estes mesmos recursos.

Se o governo está construindo uma ponte, ele irá consumir grandes quantidades de aço, cimento, vergalhões e argamassa. Isso significa que todo o resto do setor da construção civil e todas as demais indústrias do país terão agora de pagar mais caro para conseguir a mesma quantidade de minério, aço, cimento, vergalhões, argamassa, retroescavadeiras, tratores, cobre, níquel, alumínio etc. Os preços desses itens irão subir e, como consequência, todos os bens que utilizam esses itens em sua construção — como imóveis e carros — ficarão mais caros.

Quando o governo gasta, ele está consumindo bens que, de outra forma, seriam utilizados pela população ou mesmo por empreendedores para fins mais úteis e mais produtivos. Por isso, todo o gasto do governo gera um exaurimento de recursos. Bens que foram poupados para serem consumidos no futuro acabam sendo apropriados pelo governo, que os utilizará sempre de forma mais irracional que o mercado, que sempre se preocupa com o sistema de lucros e prejuízos.  

Portanto, os gastos do governo exaurem a poupança (por ''poupança'', entenda-se ''bens que não foram consumidos no presente para serem utilizados em atividades futuras'').

Os gastos do governo não possuem o poder milagroso de criar riqueza para todos. Sempre há os que ganham e sempre há os que perdem. Impossível todos ganharem.

Na melhor das hipóteses, tudo o que aconteceu foi uma transferência de empregos por causa de um projeto. Mais operários para a construção da ponte; menos operários para a indústria automobilística, menos empregados para fábricas de artigos de vestuário e para a agropecuária.

Os cariocas e niteroienses usuários da ponte se deram bem e foram os reais ganhadores. O resto do país perdeu.

Por fim, caso a obra tenha sido financiada via empréstimos contraídos pelo governo, tais empréstimos terão de ser quitados. E quem fará isso serão os pagadores de impostos de todo o país. Dado que o governo não gera riqueza, ele só poderá quitar seus empréstimos por meio de impostos confiscados da sociedade.

Como então é possível dizer que houve um enriquecimento de toda a sociedade?

Possíveis objeções

Frente ao exposto acima, é inevitável que alguém retruque dizendo algo nestas linhas:

"Mas se o setor privado fizer esta ponte, ele também irá inevitavelmente  consumir grandes quantidades desses materiais. Assim, o preço também irá subir! Logo, dá tudo no mesmo."

Não, não dá tudo no mesmo.

1) Se a obra é estatal — isto é, se ela é feita de acordo com critérios políticos —, então não há como saber que ela está sendo genuinamente demandada pelos consumidores. Não há como saber se ela realmente é sensata ou não, se ela é racional ou não. (Vide os estádios da Copa na região Norte do país). 

O que vai predominar serão os interesses dos políticos e de seus amigos empreiteiros, ambos utilizando dinheiro de impostos. Não haverá nenhuma preocupação com os custos.

2) Se a obra é estatal, haverá superfaturamento. (Creio que, para quem vive no Brasil das últimas décadas, isso não necessariamente é uma conclusão espantosa). Havendo superfaturamento, os preços desses insumos serão artificialmente inflacionados, prejudicando todos os outros consumidores. Os preços, portanto, subirão muito mais ao redor do país do que subiriam caso o investimento fosse totalmente privado e voltado para atender a uma demanda dos consumidores.

3) Por outro lado, se é o setor privado — e não o estado — quem voluntariamente está fazendo a obra, então é porque ele notou que há uma demanda pelo projeto. Ele notou que há expectativa de retorno. (Se não houvesse, não haveria obras). Consequentemente, os preços dos insumos serão negociados aos menores valores possíveis. Caso contrário — ou seja, caso houvesse superfaturamento —, a obra se tornaria deficitária, e seria muito mais difícil a empresa auferir algum lucro.

Isso, e apenas isso, já mostra por que os efeitos sobre os preços dos insumos são muito piores quando a obra é estatal. Tudo é bancado pelos impostos; não há necessidade de retorno financeiro para quem faz a obra (o governo e suas empreiteiras aliadas); não há a famosa accountability, ou seja, a responsabilização e a prestação de contas (mais especificamente, o respeito a balancete).

Os retornos são garantidos pelos impostos da população.

4) Em uma obra feita voluntariamente pela iniciativa privada, nada é bancado pelos impostos; a necessidade de retorno financeiro pressiona para baixo os custos; há accountability; os impostos da população não são usados para nada.

Dentre esses dois arranjos, é o estatal que pressiona para cima os preços dos insumos, prejudicando todos os demais empreendedores do país.

Para concluir

E é por tudo isso que obras estatais, que já são ruins em épocas de prosperidade, devem ser evitadas ainda mais em épocas de recessão econômica

Prejudicar os demais empreendedores em épocas pujantes já é anti-ético e imoral; prejudicá-los em época de profunda recessão econômica é completamente criminoso.

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Leia também:

"O Brasil tem de voltar a investir para crescer!". Mas e se os investimentos forem ruins?

O multiplicador keynesiano: mágica ou estelionato?

Ciclo nefasto: a economia cresce, o governo gasta, e os gastos do governo depredam a economia



autor

Gustavo Guimarães

é administrador de empresas pela FGV-SP, empreendedor do ramo da construção civil, e autodidata em economia.

 



  • Murilo  29/04/2020 18:15
    Muito bem explicado. Praticamente desenhado. Obrigado a todos pelo trabalho prestado.
  • Marcelo  30/04/2020 10:36
    Como você explica o milagre brasileiro de crescimento a 10% anuais durante o regime militar?
  • Murilo  30/04/2020 16:07
    Já comentado ali embaixo. Leia. Medidas para inflar o PIB artificialmente por anos (1967 a 1980) levaram a 15 anos de desintegração econômica (1980 a 1994).

    Expandir o PIB com heterodoxias é fácil. Aguentar as inevitáveis consequências que vêm depois é que é a questão. Ou você se esqueceu de que, por um bom tempo, a Venezuela de Hugo Chávez cresceu a dois dígitos?

    Quem não tem capacidade para entender causa e consequência em economia não deveria palpitar sobre o assunto.
  • Roland Matt rola  01/05/2020 14:02
    O caso venezuelano é bem distinto do brasileiro, nos anos 70.
  • Ninguém Apenas  01/05/2020 16:26
    Não é não, em fundamento não tem diferença alguma. Ambos regimes foram extremamente estatistas e adotaram as mesmas medidas. Única diferença foi que Maduro deu o passo final de nacionalizar a produção enquanto o Brasil o fez apenas parcialmente.
  • Roland Matt Rola  01/05/2020 17:06
    Permita contrariá-lo.
    O caso venezuelano simplesmente se deu em um ambiente de valorização do barril do petróleo. Assim que os preços caíram a "bonança" foi embora.
    No Brasil da década de 70, se tratou de um amplo espaço de obras de infraestrutura, expansão do parque produtivo com industrialização intensa - sendo concentrada em bens de consumo na 1ª fase e bens intermediários e de capital, na segunda - criando uma base produtiva para a geração de riqueza real e não fictícia.
    Em resumo, no primeiro caso apenas um ciclo de valorização de matérias-primas, no segundo, um programa de criação de capacidade de produzir.
  • Iuri  07/05/2020 15:16
    A política econômica no Regime Militar não foi capaz de maneira nenhuma de produzir riqueza de forma sustentável. Foi um crescimento artificial comandado por políticas estatais intervencionistas, que fizeram a dívida externa brasileira subir de 3 bilhões de dólares para 102 bilhões. A desigualdade social subiu, e a inflação era alta (60% durante o regime, em média) e após, disparou (mais de 2000%). Dizer que o Regime Militar foi bom para o Brasil é ilusão.
  • Roland Matt Rola  07/05/2020 20:43
    O crescimento descontrolado da dívida se deu por fator exógeno ao PND: devido ao 2º choque do petróleo, que por tabela provocou elevação acentuada dos juros internacionais aos quais estava indexada a dívida. E posteriormente (1982) devido à crise da dívida do chamado 3º mundo, onde os países devedores se mostraram extremamente inábeis em renegociar o pagamento; de maneira que o Brasil obteve grandes superávits comerciais na década de 80, mas tudo era desviado para o serviço da dívida e não para investimentos e poupança pública em moeda estrangeira.

    Quanto à desigualdade, vc está certo, pois enquanto a produtividade cresceu espetacularmente, os salários permaneciam estagnados, mas isso foi opção (extremamente equivocada) do governo.

    Já a inflação foi resultado da indexação realizada por Bob Fields em 1967. Foi o ponto de partida para a inflação inercial que duraria quase 30 anos. Outro fator importante na inflação foi o erro cometido no 1º PND. Como relatei anteriormente, a ênfase foi dada à produção de bens de consumo e somente no 2º PND é que foram prestar atenção no desenvolvimento da indústria de bens de capital. Isso criou lacunas na cadeia produtiva de maneira que entre a produção de bens iniciais, intermediários e a produção de bens finais, haviam gargalos que impactavam na insuficiência de oferta em alguns setores o que provocava o repasse do aumento de preços para os bens finais.

    Não sou saudosista do militarismo, mas não posso negar que apesar de todos os erros cometidos na condução dos PND's, eles foram de imensa importância na transformação do Brasil em um dos países mais industrializados do mundo. Lamentavelmente, cometeram um "erro" fatal, perdendo a oportunidade de renegociar a dívida no início dos anos 80. Isso custou todo o esforço anterior.

    Obs: as aspas se referem a minha dúvida se de fato se tratou de erro, e não de opção.
  • Leonardo  29/04/2020 18:54
    Interessante o artigo, mas gostaria de pontuar algumas percepções minhas:
    1 - O Brasil tem uma das maiores proporções do mundo de estradas concedidas. Temos tambem um amplo programa de concessão aeroportuária que ja concedeu os principais aeroportos e deve seguir até o fim do mandato Bolsonaro concedendo toda a malha

    2 - Mesmo assim a nossa infra segue deficiente e o que acabou acontecendo com esse modelo foi que os administradores das rodovias e aeroportos privados passaram a cobrar mais dos usuários, com pedágios, aluguel de hangares e cobrança de tarifas de fornecimento de combustivel para aeronaves muito mais caras que anteriormente, diminuindo o uso da infraestrutura pelos usuários

    3 - A adminsitradora do aeroporto do RJ é a Changi uma estatal asiática. Isso tem impacto no arranjo apresentado pelo autor do artigo?

    4 - Sim. Esses serviços foram passados à iniciativa mas ainda conta com regulação estatal. Mas creio que no mundo inteiro há essa regulação. Assim qual seria a diferença.

    5 - No mundo inteiro há obras públicas, Trump mesmo queria fazer o muro na fronteira com o Mexico, nem por isso eles são um país pobre.
  • Humberto  29/04/2020 19:25
    "O Brasil tem uma das maiores proporções do mundo de estradas concedidas."

    Imaterial. O estado construiu (ou seja, tomou dinheiro de todo mundo) e, depois, repassou. Estabeleceu preços do pedágio e ainda exigiu uma fortuna para fazer a concessão. E, pior, garantiu o monopólio para a empresa concessionada, garantindo a ela que nenhuma outra empresa concorrente surgirá nos próximos 30 anos.

    Isso não é livre mercado, mas sim monopólio protegido pelo estado. E não há nenhum incentivo para bons serviço.

    Empresa concessionária, que atua protegida pelo estado, só presta bons serviços por caridade. Como não há livre mercado, não há punição nenhuma para maus serviços.

    E como deveria ser? Aqui:

    www.mises.org.br/article/1614/como-privatizar-servicos-de-infraestrutura

    "Temos tambem um amplo programa de concessão aeroportuária que ja concedeu os principais aeroportos e deve seguir até o fim do mandato Bolsonaro concedendo toda a malha"

    Tal programa não tem nem um ano.

    "Mesmo assim a nossa infra segue deficiente e o que acabou acontecendo com esse modelo foi que os administradores das rodovias e aeroportos privados passaram a cobrar mais dos usuários, com pedágios, aluguel de hangares e cobrança de tarifas de fornecimento de combustivel para aeronaves muito mais caras que anteriormente, diminuindo o uso da infraestrutura pelos usuários"

    E nem poderia ser diferente:

    www.mises.org.br/article/2958/dica-ao-futuro-governo-nao-faca-concessoes-mas-sim-privatizacoes-e-desestatizacoes

    "A adminsitradora do aeroporto do RJ é a Changi uma estatal asiática. Isso tem impacto no arranjo apresentado pelo autor do artigo?"

    Não, pois, como explicado acima, trata-se um regime de concessão, ou seja, monopólio protegido pelo estado

    "Esses serviços foram passados à iniciativa mas ainda conta com regulação estatal. Mas creio que no mundo inteiro há essa regulação. Assim qual seria a diferença."

    Total. Explicado no link acima.

    "No mundo inteiro há obras públicas, Trump mesmo queria fazer o muro na fronteira com o Mexico, nem por isso eles são um país pobre."

    E isso por acaso agora é argumento? Desde quando as maluquices eleitoreiras de um político representam sólido argumento econômico?
  • VALDERI FELIZADO DA SILVA  30/04/2020 22:49
    Muito, muito, mas muito bonito na prática.
    Mas e quando não há demanda, por exemplo, de uma área carente onde não se possa pagar o esgoto tratado?
    Como a iniciativa privada se interessará?
    Como ela construirá o sistema de esgoto onde nenhum morador irá pagar?
    Oras, se é difícil pagar pela água, que é cara, quanto mais o esgoto!

    Poderia unir o útil ao agradável.

    Sim, injetar dinheiro em um programa estatal de obras públicas.
    Mas só no saneamento básico.
    100% de água e esgoto tratado.

    Enfim eu veria o Rio Jacu, aqui em Itaquera (conhecem?), como era há 100 anos.
  • Sampaio  01/05/2020 02:17
    Ué, se você já interditou o debate logo de cara, e já definiu que o atual modelo é o único aceitável, e que nenhum outro nem sequer pode ser discutido, então é fim.

    Só não vale depois reclamar de ineficiência, preços altos e corrupção. Afinal, quem defende algo, e afirma que não há nada melhor, não tem direito nenhum de reclamar de nada. Tem só que aplaudir.


    P.S.: dê uma estudadinha em como eram os serviços de infraestrutura e eletricidade nos EUA no século XIX. Aliás, aqui mesmo no Brasil também. Surpreenda-se.

    P.P.S: ao contrário do que se pode imaginar, esses conformados com tudo, que dizem que o atual arranjo é o melhor possível e que não há nenhuma alternativa que se aproxime, são os melhores para se debater. A eles cabem todos os ônus das lambanças que ocorrem. E nem é preciso se dar ao trabalho de tentar argumentar contra para fazê-los mudar de ideia. Basta apenas culpá-los. E eles gostam.
  • Humberto  29/04/2020 19:27
    "No mundo inteiro há obras públicas"

    Sim, e o real desafio é você ver as consequências.

    Você vê os empregos criados e as pessoas beneficiadas. Mas você não vê os empregos destruídos, os empregos que deixaram de ser criados, os empreendimento que não saíram da gaveta, os empreendedores que não conseguiram ir adiante por causa do aumento dos custos.

    Aliás, recentemente, tivemos esse exemplo ilustrado aqui no Brasil: Copa do Mundo de 2014, Olimpíadas de 2016, e um amplo programa de recapeamento de rodovias feito pelo governo federal no final de 2013 e início de 2014 (visando a Copa e as eleições).

    Todas essas obras garantiram um turbinada no PIB. Mas quais foram as consequências no longo prazo? O que houve com a construção civil depois disso?

    Pois é…

    É a capacidade de fazer essa distinção entre o que se vê e o que não se vê (como bem ensinou Bastiat) que separa os reais economistas dos amadores.
  • Leonardo  30/04/2020 18:47
    "E, pior, garantiu o monopólio para a empresa concessionada, garantindo a ela que nenhuma outra empresa concorrente surgirá nos próximos 30 anos."

    Não, Humberto, não há restrição para que surjam concorrentes, inclusive o risco de demanda fica alocado ao parceiro privado nessas situações.
    Dê uma olhada no site da ANTT nos contratos de concessão e vc verá. Não existe essa garantia de que não haverá concorrentes nos próximos anos

    Como não há livre mercado, não há punição nenhuma para maus serviços.

    Claro que há punição. Existem tanto indicadores de desempenho a serem cumpridos quanto a demanda que pode cair caso não haja bons serviços

    Tal programa não tem nem um ano.

    Em 2011 já houve o primeiro leilão do Aeroporto do RN.
    Em 2012 o principal aeroporto do país, Guarulhos, junto com Brasília foram leiloados.
    noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/02/06/aeroportos-de-guarulhos-campinas-e-rasilia-sao-arrematados-por-mais-de-r-24-bilhoes.htm

    Dica ao futuro governo: não faça concessões, mas sim privatizações

    Até onde sei não há país no mundo que tenha privatizado seus principais ativos de infraestrutura SEM que venha acompanhado de uma regulação.
    Aliás, os principais aeroportos dos EUA são públicos, o principal porto do mundo, de Roterdã é publico, Changi, o melhor aeroporto do mundo é estatal. Aliás, a Aena que arremotou uma penca de aeroportos no Brasil é estatal espanhola.

    Por fim, já temos proporcionalmente uma das maiores malhas rodoviárias concedidas do mundo e em breve estaremos fazendo o mesmo com os aeroportos, ainda assim estamos longe de dar um salto de qualidade nesses serviços. Enquanto temos muitos países que contam com estatais fortes e tem uma infra muito melhor que a nossa. Soma-se ainda que diversas capitais mundo a fora deram pra trás nos sistemas de saneamento e fornecimento de água que haviam sido privatizadas, por exemplo




  • Humberto  30/04/2020 20:00
    Você se contradisse fragorosamente. Primeiro você disse que há liberdade de entrada (ou seja, segundo você, eu sou totalmente livre para construir uma estrada paralela à via Dutra ou uma rede da saneamento concorrente da CEDAE). Depois, admitiu que "há regulações", que é exatamente o que proíbe a entrada da concorrência.

    Vou tentar de novo, e responda sem tergiversar: sou eu totalmente livre para construir uma estrada paralela à via Dutra? Posso começar amanhã a construir uma rede da saneamento concorrente da CEDAE e da SABESP? Posso criar uma rede paralela à da CPFL ou da CEMIG? Posso fazer tudo isso sem quaisquer empecilhos burocráticos e regulatórios?

    Se você disse que sim, então é a prova de que você não entende absolutamente nada de agências reguladoras.
  • Régis  30/04/2020 20:04
    "Soma-se ainda que diversas capitais mundo a fora deram pra trás nos sistemas de saneamento e fornecimento de água que haviam sido privatizadas, por exemplo"

    Praticamente toda semana um pau-mandado vem aqui dizer essa mesma coisa. Só que antes eles punham o link. Como apanhavam (e nunca mais voltavam), agora pararam de postar o link e apenas jogam a "notícia" no ar.

    Sem problemas. Aqui nada passa batido.

    Você deve estar se referindo a isso aqui, né?

    economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/03/07/tni-884-reestatizacoes-mundo.htm

    Já deve ser a sexta vez que eu vejo alguém vindo aqui falar isso. Pois bem.

    Todos os exemplos citados na matéria do UOL, todos, são de parcerias público-privadas e concessões monopolísticas, as quais são a antítese da livre concorrência.

    Na prática, políticos concedem o monopólio da exploração de um serviço para seus empresários favoritos. O político entrega um setor ao empresário amigo, o qual está completamente protegido da concorrência, e em troca esse empresário amigo paga propinas para o político.

    Ora, se o mercado é fechado pelo governo, o qual proíbe a concorrência e garante uma reserva de mercado para a empresa vencedora da licitação, temos um perfeito exemplo de mercantilismo, que é o oposto de um livre mercado. Obviamente, não tem como isso dar certo.

    Há vários artigos neste site explicando por que PPPs e reservas de mercado não têm como funcionar. PPP é reserva de mercado; é monopólio privado garantido e protegido pelo governo.

    A chave para tudo está na propriedade privada. Apenas aquilo que pertence genuinamente a alguém será tratado com a máxima eficiência e de modo a trazer o máximo retorno. Um encanamento ou uma estrada cuja gestão foi concessionada é como um carro alugado pelo período um mês. No início, você tem muito cuidado e carinho por ele, pois sabe que vai precisar dele em boas condições por um bom tempo. Ou seja: você precisa que ele lhe traga um bom retorno. Porém, à medida que a data de devolução vai se aproximando, você inevitavelmente passa a ser mais relapso, não se importando em verificar seus fluidos e sua calibragem de pneus. No extremo, você até se diverte fazendo um pequeno rali na lama ou jogando-o em vários buracos numa estrada.

    Por que se preocupar? A ideia é apenas extrair o máximo do recurso, exaurindo-o sem preocupações. O carro não é seu e você logo o estará devolvendo ao dono. Para que cuidar bem dele? O mesmo é válido para qualquer serviço concessionado.

    Apenas quando a estrada ou serviço de água tem um dono legítimo, que poupou, investiu e construiu com capital próprio, é que ela será gerida da melhor forma possível. Porém, apenas isso não garante a qualidade do serviço. Este serviço precisa estar submetido à livre concorrência (de outras empresas de água ou de outras estradas que fazem a mesma rota).

    Somente em um ambiente de propriedade privada e livre concorrência é que a busca pelo lucro se traduz em benefícios ao consumidor. Qualquer outro arranjo que se afaste desse será inevitavelmente pior. Entregar um serviço monopolístico a alguém e ficar regulando o preço e o modo de gestão desse serviço é algo que simplesmente não tem como dar certo.

    Artigos sobre como fazer essa livre concorrência no setor de água, saneamento básico e infraestruturas:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=646

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1614
  • Tadeu Menezes  30/04/2020 21:00
    Ora, se o mercado é fechado pelo governo, o qual proíbe a concorrência e garante uma reserva de mercado para a empresa vencedora da licitação, temos um perfeito exemplo de mercantilismo, que é o oposto de um livre mercado. Obviamente, não tem como isso dar certo.

    Errado. O mercado é criado através da concorrencia do leilão. Há uma licitação em que quem dar o melhor preço ganha e tem que seguir as regras de qualidade impostas pelo governo.
    Este arranjo envolve licitação competitiva, especificação antecipada de preços e de tipo de serviço ofertado é capaz de gerar o melhor dos dois mundos: a empresa vencedora da licitação poderá explorar todas as possíveis economias de escala na oferta de seus serviços ao mesmo tempo em que os preços cobrados, que foram determinados em um processo concorrencial, serão os menores possíveis.
    A concessionária teria então todos os incentivos para cortar seus custos e adotar novas tecnologias, pois cada centavo economizado representa um centavo de lucro.
  • Vladimir  04/05/2020 03:31
    "O mercado é criado através da concorrencia do leilão. Há uma licitação em que quem dar o melhor preço ganha e tem que seguir as regras de qualidade impostas pelo governo. Este arranjo envolve licitação competitiva, especificação antecipada de preços […]"

    Essa ingenuidade deliciosa é imperdoável quando oriunda de um brasileiro, que vivenciou a lava-jato. Não há concorrência, não há licitação. Há apenas propinas. Empresários pagam propinas para políticos e em troca são escolhidos os vencedores da licitação (e normalmente ganham o "direito" de fazer uma obra superfaturada, paga com dinheiro dos nossos impostos).

    Isso é corporativismo puro, conluio explícito entre governo e grandes empresas. O exato oposto de livre mercado e livre concorrência.

    "a empresa vencedora da licitação poderá explorar todas as possíveis economias de escala na oferta de seus serviços ao mesmo tempo em que os preços cobrados, que foram determinados em um processo concorrencial, serão os menores possíveis."

    Errado. Pra começar, os preços são definidos por agências reguladoras (e são reajustados anualmente de acordo não com oferta e demanda, mas sim com algum índice de inflação, normalmente o IGP-M).

    A qualidade dos serviços fica inteiramente a cargo da boa vontade da empresa. Como ela sabe que não há nenhum risco de surgir concorrentes (pois opera em um mercado fechado pelo governo, que lhe concedeu o monopólio), ela faz o que quer (só não pode exagerar, para não ficar muito óbvio o descaso).

    Não há livre concorrência, não há livre precificação, e o mercado é inteiramente fechado e protegido pelo governo. O exato oposto de livre concorrência. Tal arranjo não é nem sequer remotamente semelhante a livre mercado.

    "A concessionária teria então todos os incentivos para cortar seus custos e adotar novas tecnologias, pois cada centavo economizado representa um centavo de lucro."

    Outro delírio. Só controla custos quem opera em mercado concorrencial. Em um mercado concorrencial, seus lucros atraem concorrentes, e a maneira de você lutar contra os concorrentes (e assim manter sua fatia de mercado) é ou reduzindo preços ou parando de aumentar preços. E você faz isso otimizando e cortando custos.

    Já em um mercado fechado, no qual você opera sozinho, protegido pelo governo, e tendo a garantia de que não surgirá nenhuma concorrência, não há nenhum incentivo para a eficiência.

    Saia da terra da fantasia e venha para o mundo real.
  • Wesley  29/04/2020 20:13
    Esse Humberto tem uma capacidade ímpar em se contradizer. Me divirto lendo seus comentários! Venham comigo:

    Você vê os empregos criados e as pessoas beneficiadas. Mas você não vê os empregos destruídos, os empregos que deixaram de ser criados, os empreendimento que não saíram da gaveta, os empreendedores que não conseguiram ir adiante por causa do aumento dos custos.

    Bem, aqui ele diz que quando temos um gasto público, em que é financiado previamente ou por impostos ou por endividamento junto aos poupadores da economia, vc está criando uma situação em que o benefícios dos empregos criados é superado pelo dano dos empregos destruídos e que não é visto por ninguém.

    Pois bem, a tragicomédia segue:
    Todas essas obras garantiram um turbinada no PIB

    Uai! Ele acabou de dizer que os danos são maiores que os benefícios de uma obra pública, como agora ele pode dizer que deu uma "turbinada"?
    Segundo a lógica Humbertiana era pro PIB ter crescido mais sem as obras do que com as obras públicas!
    A não ser que ele tenha a pachorra de vir aqui agora e dizer que sim, o PIB na época pré Copa ia crescer dois dígitos e nao cresceu por causa do governo, ele é um sujeito bem contraditório

    Pensa que acabou? o sitdown comedy fica ainda melhor:
    Mas quais foram as consequências no longo prazo? O que houve com a construção civil depois disso?

    As construtoras quebraram depois disso, pois um tal de Dr. Sérgio Moro resolveu dilapidar o caixa das empresas (mas os donos continuam vivendo em mansões, pouco lhes foi tirado, não é curioso isso?).

    A cereja no bolo:
    Empresa concessionária, que atua protegida pelo estado, só presta bons serviços por caridade.

    É inegavel que algumas concessionárias prestam bom serviço mesmo que sob um arranjo que o querido Humberto critica ferozmente. Como ele consegue explicar isso? Dizendo que o fazem por caridade.
    Podia elaborar melhor, dizer que era pra pagar propina, pra dar voto pro político etc. Afinal, corrupção é sempre a muleta dos libertários incautos.

    Dia difícil para ser Humberto hoje!
  • Snipes  29/04/2020 20:41
    "Bem, aqui ele diz que quando temos um gasto público, em que é financiado previamente ou por impostos ou por endividamento junto aos poupadores da economia, vc está criando uma situação em que o benefícios dos empregos criados é superado pelo dano dos empregos destruídos e que não é visto por ninguém."

    Correto.

    "Pois bem, a tragicomédia segue:"

    Ué, como assim "segue"? Cadê a refutação do trecho anterior? Era esse o seu ataque? Apenas o repetir o que outro disse não configura refutação.

    "Uai! Ele acabou de dizer que os danos são maiores que os benefícios de uma obra pública, como agora ele pode dizer que deu uma "turbinada"?"

    É óbvio que dá uma turbinada! Só se espanta com isso quem não entende absolutamente nada da equação do PIB.

    O "G" cresceu. O "I" cresceu. As consequências disso só serão sentidas mais à frente, mas é inegável que, no curto prazo, se I e G crescem (ainda que de maneira totalmente artificial), o PIB cresce.

    www.mises.org.br/article/3228/a-economia-brasileira-esta-crescendo-mais-do-que-o-pib-reportado

    www.mises.org.br/article/2783/os-cinco-graves-problemas-com-o-pib

    Não é à toa que políticos só pensam em medidas que afetam o PIB no curto prazo, pois isso garante reeleição.

    Por enquanto, está dificílimo ser Wesley.

    "Segundo a lógica Humbertiana era pro PIB ter crescido mais sem as obras do que com as obras públicas!"

    No curto prazo, não. No longo prazo, sim.

    Ademais, não depreendi essa sua acusação das coisas que o Humberto disse. Realmente, hoje está difícil ser Wesley.

    "A não ser que ele tenha a pachorra de vir aqui agora e dizer que sim, o PIB na época pré Copa ia crescer dois dígitos e nao cresceu por causa do governo, ele é um sujeito bem contraditório"

    Contraditório é esse raciocínio seu, que partiu do nada, chegou a lugar nenhum, não explicou seus meandros, caluniou, imputou coisas nunca ditas, e ainda terminou apenas xingando.

    Está péssimo ser Wesley.

    "Pensa que acabou? o sitdown comedy fica ainda melhor:"

    Vejamos. Até agora, a piada esteve o tempo todo em você.

    "As construtoras quebraram depois disso, pois um tal de Dr. Sérgio Moro resolveu dilapidar o caixa das empresas."

    Ah… agora eu entendi tudo. A Lava-Jato também foi a responsável pela recessão e pela alta inflação de 2015 (o que, aliás, contradiz a sua tese, pois, se empreiteiras quebraram e as construções desabaram, era pra tudo ter barateado). As políticas do governo não tiveram absolutamente nada a ver com isso, certo?

    Conheço seu tipo. Vá discutir com os fatos narrados aqui:

    www.mises.org.br/article/2120/o-tragico-legado-da-nova-matriz-economica--um-resumo-cronologico

    [link]www.mises.org.br/article/2466/como-a-crescente-estatizacao-do-credito-destruiu-a-economia-brasileira-e-as-financas-dos-governos

    www.mises.org.br/article/2407/por-que-o-bndes-deve-ser-abolido

    "A cereja no bolo:"

    Suas promessas até agora só decepcionaram. Essa cereja, tenho certeza, será uma uva-passa bem azeda.

    "É inegavel que algumas concessionárias prestam bom serviço mesmo que sob um arranjo que o querido Humberto critica ferozmente. Como ele consegue explicar isso? Dizendo que o fazem por caridade."

    Esta é a única crítica que você fez que faz sentido. Só que a situação complica pra você. Afinal, você próprio está dizendo empresas privadas atuando sob regime de monopólio protegido pelo estado fornecem bons serviços. Não seria esse um argumento irrefutável em prol de qualquer privatização, de qualquer empresa que seja?

    "Podia elaborar melhor, dizer que era pra pagar propina, pra dar voto pro político etc."

    Não entendi. Você está dizendo que era par o Humberto ter dito que os bons serviços prestados por essas empresas monopolistas e protegidas pelo estado decorrem do fato de elas pagarem propina?!

    Pode até ser, mas confesso que desconheço por completo essa teoria. Existe algum paper sobre isso? Aliás, nem precisa ser paper não. Pode ser qualquer blog ou notícia de jornal dizendo que empresas pagam propinas a políticas e, em decorrência disso, prestam ótimos serviços.

    Estou curioso.

    "Afinal, corrupção é sempre a muleta dos libertários incautos."

    Hein?! A esmagadora maioria dos libertários que conheço vive dizendo que corrupção é o menor dos problemas da economia (com efeito, há alguns que dizem que corrupção chega a ser até a solução, pois possibilita liberdades básicas que normalmente são proibidas pelo estado).

    www.mises.org.br/article/2365/os-varios-mitos-sobre-a-corrupcao

    www.mises.org.br/article/2876/os-problemas-de-venerar-e-obedecer-as-leis

    Ao recorrer a este espantalho, você comprova que não faz a mais mínima ideia dos assuntos abordados.

    "Dia difícil para ser Humberto hoje!"

    Ano horrendo para se ser um Wesley.
  • Felipe L.  29/04/2020 21:00
    Esses caras não aprendem. Os militares fizeram isso na década de 70 e acabaram com o país. Aliás, Brasil republicano foi assim por quase todo o período. A economia quase que funcionando como um marido broxa, que quando você acha que vai melhorar as coisas, quando ver o negócio não funciona e entra em recessão. Getúlio e JK foi isso puro, assim como muitos anos do regime militar (os primeiros anos, no Humberto Castello Branco, foram de ajuste).

    Se essa porcaria do programa passar de vez, real brasileiro vai para o caminho fácil do peso argentino. Só o fato de isso ter sido pensado, além da demissão do Moro, já afundou a moeda em dezenas de centavos em poucos dias.
  • Marcos  29/04/2020 21:56
    Não que as coisas antes fossem uma maravilha, mas com Vargas, a partir 1930, que se danou nos projetos centralizadores de tudo, nós entramos numa espiral decadente da qual ainda não conseguimos sair e a cada dia que passa parece que essa possibilidade se afigura cada vez mais remota.
  • Robert  29/04/2020 23:58
    Mas vc critica justamente a época que o país mais cresceu e mais se aproximou do mundo desenvolvido!

    Veja esse estudo da FGV, uns dos institutos mais liberais do país. Não mais que este, mas ainda assim uma referência

    "Entre 1950 e 1980, o Brasil passou por uma profunda transformação. Nesse período, a economia brasileira cresceu a uma das taxas mais elevadas do mundo"

    bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/14054/O_Desenvolvimento_Econ%C3%B4mico_Brasileiro_no_P%C3%B3s_Guerra.pdf?sequence=1&isAllowed=y
  • Bernardo  30/04/2020 01:22
    E qual foi a consequência desse período de crescimento artificial? Exato: um país depenado, endividado, com o povo ainda mais pobre (um pobre em 1960 vivia melhor que um pobre em 1985) e sem nenhuma moeda.

    Estimular artificialmente o PIB durante alguns anos é fácil (até Dilma fez isso). O problema é a conta que sempre vem depois. O real desafio é criar crescimento duradouro e sustentado, sem truques e mágicas.

    Eis um verdadeiro modelo de crescimento sustentado:

    www.mises.org.br/article/3039/a-prosperidade-por-meio-da-competicao--vale-para-a-alemanha-vale-para-o-brasil
  • Robert  30/04/2020 12:17
    "Exato: um país depenado, endividado, com o povo ainda mais pobre (um pobre em 1960 vivia melhor que um pobre em 1985) e sem nenhuma moeda."

    Não fale besteira. O PIB per capita cresceu muito entre estes dois anos. O país nos anos 80 era mt mais rico que em 60.

    "Estimular artificialmente o PIB durante alguns anos é fácil (até Dilma fez isso). O problema é a conta que sempre vem depois. O real desafio é criar crescimento duradouro e sustentado, sem truques e mágicas."

    Estimular PIB por alguns anos? Foram crescimentos de décadas. Aliás, eu expandiria ainda o olhar sobre os anos 30 e 40 em que o país cresceu e iniciou sua industrialização.

    Querer comparar 50 anos de expansão e mudança estrutural, com indústrias expandindo a produtividade nossa que antes era ridícula no campo com os 5 anos da Dilma é non sense
  • Murilo  30/04/2020 16:36
    "O PIB per capita cresceu muito entre estes dois anos. O país nos anos 80 era mt mais rico que em 60."

    Em 1968, o PIB per capita era de 4.000 dólares. Em 1992, era de 8.000 dólares.

    Um crescimento de 100% em 24 anos equivale a 2,9% ao ano. Absolutamente nada de especial.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/brazil-gdp-per-capita.png?s=branygdppcapkd&v=201907021601V20191105&d1=19200525

    Insisto: querer olhar exclusivamente um período da história e ignorar completamente as consequências que este período gerou é desonestidade intelectual (e ignorância econômica)
  • Leandro  30/04/2020 01:28
    Sobre o regime militar, todo o período se resumiu a endividamento do governo em dólares para fazer obras faraônicas (ótimo negócio para as empreiteiras nacionais), inflacionismo da oferta monetária, e câmbio controlado para tentar mitigar os efeitos da inflação monetária sobre a carestia.

    Como a inflação monetária era excessiva, o câmbio controlado passava por várias e sucessivas "desvalorizações controladas", as quais faziam a carestia explodir.

    Porém, como havia o mecanismo da indexação (principalmente salarial) -- algo que o resto do mundo desconhecia --, a coisa foi sendo levada.

    De maneira bem básica, era assim:

    1) O governo gastava o que tinha, e pedia empréstimos (a bancos nacionais e estrangeiros) e também imprimia dinheiro para gastar o que não tinha.

    2) Tal política, totalmente inflacionária, era contrabalançada por uma taxa de câmbio fixa, a qual ajudava a contar os preços.

    3) Só que não há truques em economia. Se o governo gasta os tubos e aumenta continuamente a oferta monetária, essa taxa de câmbio não pode ficar fixa por muito tempo. Afinal, a moeda nacional está se desvalorizando muito mais que o dólar.

    4) Ato contínuo, o governo frequentemente tinha de fazer o inevitável: com a moeda desvalorizada, mas o câmbio artificialmente fixado, sua única alternativa era fazer mini ou maxi-desvalorizações. Caso contrários, as reservas internacionais iriam acabar.

    5) Só que a cada desvalorização do câmbio, a inflação de preços galopava, e cada vez mais rápido.

    6) E assim foi, até o Plano Verão, em janeiro de 1989 (última vez em que tal artifício foi tentado).

    Apenas neste período, nada menos que 4 moedas foram hiperinflacionadas e destruídas.

    Dentre os generais, Geisel foi o pior de todos. Pior até do que Dilma. Ninguém expandiu mais o estado do que ele; ninguém criou mais estatais do que ele. Ninguém fechou a economia mais do que ele. Ninguém foi economicamente mais socialista do que ele.

    Já no início da década de 1980, a economia brasileira estava sovieticamente fechada. Importar algo era praticamente proibido. Carestia nas nuvens, moeda sem nenhum poder de compra, e população proibida de comprar produtos estrangeiros. O exemplo mais explícito de reservas de mercado e de povo sendo tratado como gado. (Vale, adicionalmente, dizer que todas essas empreiteiras atuais cresceram justamente no período militar -- daí a afinidade com o governo petista, igualmente estatizante.)

    Não havia exatamente ciclos econômicos explícitos simplesmente porque a economia era bagunçada demais para sequer percebermos tal ocorrência (ainda assim, você nota quedas reais em meados da década de 1970, em 1981-83, e em 1987-88). O sistema de preços era uma zorra, o que impossibilitava qualquer cálculo econômico minimamente sensato. Investimentos privados de longo prazo eram suicídio, pois ninguém sabia quanto a moeda valeria nem no mês seguinte, quanto mais dali a dois ou três anos.

    Olhando em retrospecto, é impressionante que tenhamos sobrevivido àquilo tudo.
  • Felipe L.  30/04/2020 02:07
    Realmente é impressionante. Só ver as porcarias de carros que ficaram por décadas no mercado. Não sei nem como que saiu projetos modernos como o Uno em 1984, o Monza em 1982 e o Kadett em 1989. É, o Uno durou quase 30 anos, quando saiu de linha em 2013.

    Eu me arrisco a dizer que o Monza liderou as vendas por algum fenômeno inédito no país, combinando um poder aquisitivo baixíssimo (o que implicava em uma demanda por somente carros mais requintados) e a falta de algo melhor no lugar. O Fusca ficou reinando por vários anos, o carro era uma praga e isso não se repetiu em outros mercados como o americano.
  • Ex-microempresario  30/04/2020 18:40
    Não que isso tenha mudado. Se vc for aos EUA e perguntar dois exemplos de carro de pobre, aqueles que o sujeito tem vergonha de contar para os amigos, ele vai responder "Corolla e Civic".
  • Marcos  30/04/2020 01:29
    Quase parei de ler em "FGV, uns dos institutos mais liberais do país".
  • Sadib  01/05/2020 15:01
    Qual vcs acham que foi o pior presidente da história do Brasil? Eu sempre pensei no JK (que criou o monstro Brasília), e a Dilma, que nos deixou na pior recessão da história.. mas lendo esse relato do Leandro sobre o Geisel fiquei na dúvida.
  • Marcelo  29/04/2020 21:56
    Sobre a ponte Rio-Niterói, difícil haver um exemplo mais nefasto de destruição de muito para o privilégio de poucos. O INSS dos desdentados de todo o Brasil foi usado para bancá-la.

    Veja isso:

    "O sistema de repartição só funcionava bem antigamente, quando muitos trabalhavam para alimentar um fundo que sustentava poucos aposentados. Até a década de 60, para cada brasileiro aposentado havia outros seis trabalhando. Hoje, essa relação é inferior a dois para um. Isto acontece porque a população está envelhecendo e há cada vez mais aposentados para receber e menos trabalhadores para contribuir.

    Com a promulgação da Constituição de 1988, o INSS levou o último grande baque. Sob a justificativa de que estavam fazendo justiça social, os constituintes aprovaram uma lei concedendo o benefício da aposentadoria a todos os brasileiros com mais de 60 anos, no caso das mulheres, e de 65 anos, para os homens, mesmo aos que nunca contribuíram. Mais de 5 milhões de ex-agricultores passaram a receber aposentadoria, e o aumento de despesas foi na ordem de 15 bilhões de reais por ano.

    O sistema oficial de previdência foi inventado em 1923 e desde então vem sendo dilapidado. Juscelino Kubitschek tomou 6 bilhões da Previdência para construir Brasília. Os militares usaram dinheiro da Previdência para fazer a ponte Rio-Niterói e a Transamazônica. O dinheiro jamais foi devolvido."

    Revista Veja, edição 1786, de 22 de janeiro de 2003


  • Marcelo  29/04/2020 21:57
    Qual país se desenvolveu sem grandes obras públicas?
  • Caio  29/04/2020 22:04
    Sem obras? Nenhum. A construção civil é absolutamente crucial para qualquer país.

    Sem obras feitas pelo estado? Este:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1804

    A questão é: por que obras cruciais e perfeitamente viáveis têm de ser monopólio do estado? Por que despejar dinheiro de impostos nelas, sendo que são perfeitamente viáveis de serem feitas pela iniciativa privada?
  • Vladimir  29/04/2020 22:06
    Qualquer obra de infra-estrutura que será benéfica para milhões de pessoas será feita por empreendedores visando ao lucro.

    Se o governo isentar de impostos, e liberar totalmente o investimento estrangeiro (o que significa que qualquer consórcio de empresas de qualquer lugar do planeta pode vir aqui, construir alguma coisa, e ficar com 100% dos lucros, sem impostos), o país rapidamente vira um canteiro de obras e de esgotamento e saneamento.

    Qualquer pinguelinha no interior do Maranhão já geraria lucros formidáveis. Uma rede de saneamento, atendendo a milhões de pessoas e construída a custos baixos (pois não haverá contratos com o governo; logo, não haverá superfaturamento), e sem impostos sobre receitas e lucros, geraria um tsunami de dinheiro para quem a fizesse. Até eu venderia casa e carro para ser sócio disso.

    "Ah, mas se é tão simples assim, por que não é feito"?

    Porque políticos não estão dispostos a abrir mão de propinas (em troca de superfaturamento). É exatamente nas obras públicas (tocadas por ministérios e por estatais) que está o grosso do dinheiro da corrupção. Brasileiro que ainda não entendeu isso não entendeu nada do país.
  • Adilson  30/04/2020 14:40
    É facil dizer que obra pública é ruim. Difícil é vc viver sem uma Itaipu da vida, que responde por 25% da nossa energia consumida! 25%!
    Dificil é vc levar uma linha de transmissão que corte o Brasil de ponta a ponta sem que o governo garanta sua remuneração.

    Uma pergunta:
    A maior parte da infraestrutura existente atualmente no país é provida pelo Estado e, portanto, não ha cobrança de tarifas nem pedágios sobre a mesma. Isto posto, se fosse tudo privatizado, passando a cobrar pedágios e tarifas para seu uso, a demanda iria diminuir. Logo, podemos concluir que o Brasil consome muito mais serviços de infraestrutura do que deveria sob livre mercado? Usamos excessivamente nossas rodovias, portos e aeroportos? Usamo-nas muito além do ponto de equilíbrio sob livre mercado total?

    Cuidado com as cascas de banana:
    Vc pode argumentar que o dinheiro que o governo gasta com isso, seria devolvido aos cidadãos, mas ainda assim, para cada real adicional recebido pelos cidadãos ele irá gastar apenas uma fração com uso de infra, logo não voltaríamos ao nível de uso das infra estrutura "pré livre mercado total".
    Vc pode argumentar que a qualidade da rodovia irá melhorar, mas ainda assim, já trabalhei em empresa de engenharia e sei que na modelagem de demanda, toda vez que se estima a implementação de um pedágio reduz-se a demanda pela mesma, mesmo que haja melhoria da qualidade viária.
  • Vladimir  30/04/2020 16:16
    E quem é que está defendendo ficar sem Itaipu, meu bom homem?

    O que se está propondo é entender causa e consequência. Para que Itaipu fosse construída pelo governo, milhões de pessoas foram prejudicadas. Se o mercado fosse aberto, e consórcios do mundo inteiro pudessem construir aqui livremente, com isenção de impostos, você realmente acha que até hoje o Brasil estaria às escuras? Estaríamos hoje à luz de veles?

    Pois é exatamente isso que você está argumentando.

    Aparentemente você não sabe, mas quem eletrificou o Brasil foi a iniciativa privada. Mas aí veio o governo e confiscou tudo.

    www.mises.org.br/article/2138/os-primordios-do-setor-eletrico-no-brasil--o-mercado-fornecia-o-governo-atrapalhava


    "A maior parte da infraestrutura existente atualmente no país é provida pelo Estado e, portanto, não ha cobrança de tarifas nem pedágios sobre a mesma."

    Isso só pode ser piada. Você não paga IPVA? Não paga CIDE? Não paga uma caralhada de impostos sobre a gasolina e o diesel?

    Estes são os pedágios, cidadão. E, se você fizer a conta, são bem mais caros que os pedágios físicos existentes.

    Sempre impressiona a capacidade do brasileiro de endeusar e isentar políticos.

    "Isto posto, se fosse tudo privatizado, passando a cobrar pedágios e tarifas para seu uso, a demanda iria diminuir."

    E se você cortar o IPVA, a CIDE, o PIS/COFINS sobre a gasolina e os impostos sobre os automóveis? Você mantém sua posição?

    "Logo, podemos concluir que o Brasil consome muito mais serviços de infraestrutura do que deveria sob livre mercado? Usamos excessivamente nossas rodovias, portos e aeroportos? Usamo-nas muito além do ponto de equilíbrio sob livre mercado total?"

    Dado que suas considerações anteriores foram demonstradas falsas, as perguntas acima são completamente sem nexo.

  • Ex-microempresario  30/04/2020 18:37
    Só para constar, Itaipú fornece 10% da nossa energia. Não forneceria 25% nem se pegassemos a parte do Paraguai inteira.
  • Ex-microempresario  30/04/2020 18:43
    "Dificil é vc levar uma linha de transmissão que corte o Brasil de ponta a ponta sem que o governo garanta sua remuneração.

    Uma pergunta:
    A maior parte da infraestrutura existente atualmente no país é provida pelo Estado e, portanto, não ha cobrança de tarifas nem pedágios sobre a mesma."

    Sério que o cara numa frase diz que o governo garante o paqamento da infra-estrutura e na frase seguinte diz que a infra-estrutura é de graça?
  • anônimo  29/04/2020 22:14
    Os paises desenvolvidos chegaram a isso com o livre mercado, ja os pobres investem em obras publicas faraonicas. Se hoje um pais rico investe em obras publicas , foi por que antes eles eram livre mercado e tem uma população produtiva .
  • Andre  29/04/2020 22:30
    Mané se desenvolver, o Br nunca conseguiu sequer atingir níveis sociais da Argentina, um país que faz absolutamente tudo errado há 90 anos. Não consegue fazer esgotos pra metade da população e a coisa está tão mal que certamente ao final de 2021 veremos países como Peru e Colômbia passar o br em pib per capita, sendo que 30 anos atrás o Br era a segunda maior renda per capita do continente e estes 2 países estavam praticamente em guerra civil.
    Esquece desenvolvimento, daqui 6 meses (out/2020) será difícil para 60% da população colocar comida na mesa.
  • Libertário revoltado  30/04/2020 23:03
    A mais pura verdade. O Brasil nunca deixará de ser um país miserável, a população odeia liberdade. A tendência é só piorar sempre.
  • Carlos83  30/04/2020 00:58
    Estou estudando a compra de um carro usado até uns 30 mil. É uma boa hora ou vale esperar mais um pouco? Com a crise que virá, penso q nem os apps de transporte irão conseguir fazer com que os usados segurem seus preços, como estava acontecendo nos ultimos dois anos. Até os chineses, campeões de desvalorização, estavam sendo vendidos pela FIPE. Ademais, o número de leilões de recuperados tende a aumentar...
  • Guilherme  30/04/2020 01:22
    Sempre compre no auge da crise. Os descontos que você consegue de gente que está desesperada por liquidez são inacreditáveis. O cara que escreveu Pai Rico, Pai Pobres sempre ressaltou isso: poupe nos momentos de euforia e vá às compras no momento de depressão. É assim que você arruma sua vida.
  • r.raphael  30/04/2020 19:16
    depende da necessidade , o after do coronga eh onde realmente a crise começa entao ainda tem muita coisa pra rolar , no caso de usado fique esperto com a manutencao , o valor das pecas de reposicao acaba seguindo o caminho contrario , 1L de oleo do motor ontem estava 100, hoje esta 120, amanha estara beirando 150 .. muita gente se livra de um veiculo justamente pq fica dificil manter ... no grupo do meu veiculo tenho visto diversas pessoas no esquema troca por veiculo de menor valor + dinheiro ... justamente seguindo esse perfil de ser pesado manter
  • Observador  30/04/2020 01:42
    Pensando um pouco mais fundo, ninguém acha estranho que o setor público aprove orçamentos anuais baseados em previsão de receita?

    Não só o governo federal faz isso, como também os governos estaduais. E agora estão aí passando aperto por causa da Covid-19. Prometeram gastos que não mais terão como honrar (pois não há arrecadação de impostos), e estão correndo para pedir ajuda ao governo federal.
    Qualquer empresa que eu conheço faz planos baseados em seu caixa (dinheiro já existente) e com investimentos planejados e condicionados, isto é, sujeitos à ajustes no decorrer do tempo.

    Já nossos estados, municípios, etc., se reunem no começo do ano e dizem "Achamos que nossa receita vai crescer 3% este ano, então vamos aumentar nossa despesa em 3% já."

    É só mais uma das maluquices que, de tão comuns, já são consideradas normais.
  • Cobaia  30/04/2020 02:09
    O estranho não é o que o estado faz com o orçamento, o estranho é o orçamento ainda não ter batido no estado, tamanha tortura que sofre desde sempre.
  • anônimo  30/04/2020 12:49
    Por isso na estonia é proibido ao congresso aprovar um orçamento deficitaria. Se fizer é cancelado facil e insistir nisso, dentro de um regime parlamentarista um congresso hostil é dissolvido e convocado novas eleições. Eles votam as leis , mas nao tem siper poderes de detonar a nacao.
    Ja o congresso brasileiro tem o costume de enfiar gastos obrigatórios na base de detonar o executivo, e essa ação criminosa nao é punida.
    Se tiver tiver o regime parlamentarista npode ser bom pro brasil, mas nao esse parlamentarismo branco que querem passar.
    Tem que ser o raiz. Parlamentar ruim, rua.
  • Anderson  30/04/2020 14:52
    Esta loucura é o que impulsiona a democracia no Brasil. O orçamento público é feito através de previsão de receitas e, consequentemente, fixação de despesas; o problema é que quase 100% das vezes não há receitas para cobrir as demandas criadas pelas despesas, então, qual a solução? Aumentar impostos (base de cálculo ou até mesmo alíquota, mas este é mais difícil) ou endividar-se!

    Quer ver mais loucura ainda? o orçamento participativo, orçamento programa, enfim, junto às leis orçamentárias (LOA, LDO e PPA) criam um monstro sem limites, pois os "representantes do povo" (ou deveríamos chamá-los de donos do povo?) podem majorar ou criar tributos! Deputado fulaninho vai lá, mete uma pauta ao congresso, votação a favor é conseguida e passa por todas as casas, e pronto! Uma nova lei foi criada; agora, a fim de cumpri-la, é criado órgãos ou, então, é contratado concursados e comissionados para os ministérios/secretárias responsáveis pela fiscalização do cumprimento da lei. O que isso tudo significa? Mais gastos à conta! E, assim, caminha a nossa democracia, aplaudida pela mídia e especialistas.

    E não se assuste, Bolsonaro, que parecia andar por um caminho de austeridade, está fechando com o centrão e entregando as chaves dos cofres públicos a corruptos de carteirinha; bilhões vão jorrar a torto e direito pra lugares que nem sabemos ou podemos imaginar.
  • Felipe L.  30/04/2020 01:48
    Caramba pessoal, o dólar caiu bastante em pouquíssimo tempo, para R$ 5,33 (no momento). 27 de abril estava em R$ 5,65.

    Otimismo ainda não. Se for pegar aquele tal de valor correto do câmbio, pelo IPCA, o câmbio está subvalorizado (pelo IGP-M provavelmente seria o contrário).
  • Juliano  30/04/2020 01:53
    No dia da renúncia do Moro, chegou a esbarrar em R$ 5,75. Estava claramente fora do lugar.

    Pela paridade do poder de compra, o valor correto está entre R$ 3,50 e R$ 4,00. No entanto, com a Covid-19 e a consequência destruição do orçamento, o risco-país disparou (como disparou o de todos os países latinos). Segundo o Luis Stuhlberger, da Verde Asset, o novo valor correto seria entre R$ 4,60 e R$ 4,80.
  • Bruno Feliciano  30/04/2020 04:45
    Guedes ainda insiste em cambio desvalorizado, apenas veja nesse RECENTE vídeo:

    Muito triste eu não consigo crer que ele realmente pensa nisso, não pode ser meu deus

    Precisamente entre 5 minutos e 30 segundos para cima.
    www.youtube.com/watch?v=z1J9Harpw3Q
  • Thiago  30/04/2020 19:07
    O que ele falou foi keynisianismo na veia!

    O pior de tudo é que fala sem nenhum embasamento empírico pra respaldar.

    Moeda desvalorizando dia após dia, investimentos sumindo, indústrias não estavam crescendo antes da pandemia, exportações (agrícola) aumentaram mais por causa da China (problema lá e na África com a carne) que do câmbio.

    Em contra partida, preço da carne subiu forte, preços das coisas eletrônicas no país estão beirando o absurdo e a qualidade do que é fabricado aqui só cai.

    Não consigo entender o que passa na cabeça desses economistas... Eles não analisam as coisas de forma empírica?
  • Felipe L.  30/04/2020 21:34
    Uhum, as indústrias alemã, sul-coreana, japonesa, suíça, cingapuriana, americana e honconguesa são umas porcarias, eles usam moeda forte, ninguém quer comprar um carro japonês, um filtro de aquário alemão, um relógio suíço, um eletrônico honconguês, porque a indústria brasileira foi pujante na década de 80, afinal todo mundo queria comprar um Chevette e não um Datsun ou Toyota, assim como a indústria ter caído entre 2011 e 2016 foi uma mera conspiração dos burgueses contra a Dilma, que estava ajudando muito os pobres.
  • Lucius  30/04/2020 23:19
    Tem razão, mas se acha que está ruim te prepara: vai piorar! Guedes já estuda imprimir dinheiro! Realmente, ele quer ver o Real virar pó! Só nos resta comprar dólar antes que ele custe R$10,00 ou mais!!!
  • Felipe L.  30/04/2020 14:29
    Até o Delfim Netto acha o programa Pró-Brasil uma porcaria. Ele até que não é tão desenvolvimentista assim. Qual é a vertente de escola de pensamento dele? Pós-keynesiana, igual ao José Serra?

    Esse trecho da entrevista me chamou a atenção:

    "E quanto ao futuro do capitalismo? Acabou a era do domínio do sistema financeiro?

    Como o governo tem déficit de permanência, o sistema financeiro recorre à nossa poupança e compra papéis do próprio governo. Normalmente, esse é um dos grandes problemas. O sistema financeiro deveria estar trazendo recursos. Porque o governo é muito maior do que dizia ser, não cria recurso nenhum, é um mero transferidor de recursos e, para transferi-los, cobra um preço enorme. O fato é que toda essa casta que se apropriou do poder continua com seus salários intocados. Acho que uma redução dos salários traria dois efeitos positivos: melhoraria as finanças e, como eles passariam a trabalhar menos, o Brasil cresceria mais."
  • Eduardo Lins  30/04/2020 18:34
    Tudo se resume em investimento produtivo e sem corrupção. Desta forma qualquer investimento, seja ele estatal ou privado, deve ter como prioridade o retorno de seu custo e ser, no mínimo, auto sustentável, mesmo que tenha apenas retono social.
    Delfin Neto e José Serra, são exemplos de péssima conduta.
    Não culpem os servidores públicos, culpem o voto de vocês.
  • Che  30/04/2020 19:12
    E a China faz tudo o que o articulista condena e se torna a segunda economia do mundo.
  • Varudo  30/04/2020 19:47
    O PIB per capita do Brasil é de 11 mil dólares. O da China é de 7.700 dólares.

    O brasileiro médio, portanto, é 43% mais rico que um chinês.

    E isso na média. Nos rincões da China, tem gente comendo rato. Nas cidades grandes, comem morcego (e o mundo todo está sofrendo as consequências disso).

    Você inveja o chinês?

    A China tem um PIB nominal alto simplesmente porque tem 1,3 bilhão de pessoas trabalhando e produzindo. Coloque 1,3 bilhão de pessoas para trabalhar e produzir e você terá um PIB alto. Agora, qualidade de vida, que é o que interessa, é deplorável na China.

    Tanto é que você próprio não está sendo coerente: se a China fosse essa maravilha, não só você já tinha se mandado pra lá, como haveria uma leva de migrantes fazendo fila para emigrar pra lá.
  • Pobre Mineiro   01/05/2020 03:11
    Você está terrivelmente desinformado acerca da China atual, talvez suas informações estejam uns 40 anos defasadas.

    Uns 90% do que se fala sobre a China é pura mentira, e das mais irreais e espalhafatosas.

    No momento em que escrevo este texto, eu estou na China, no meio dessa crise do corona vírus.
    E digo, estou mais livre aqui do que se estivesse no Brasil, sério, aqui não obrigaram ninguém ao "lockdown", no Rio de Janeiro estavam prendendo pessoas por sair nas ruas, fiquei estarrecido com isso.

    A China atual está muito melhor do que o Brasil, e já digo que está melhor do que muitos paises da Europa Ocidental, e certamente ainda melhorará muito. Você sente que o país tem futuro.

    Ser um chinês pobre na China é muito menos ruim do que ser um brasileiro pobre no Brasil. Esse papo de escravidão é uma baita mentira.

    Por que então não tem imigração em massa para cá?. Simples, os países asiáticos, TODOS, são extremamente fechados à imigração e ao multiculturalismo, é muito difícil imigrar para a China, Japão, Coréia do Sul, etc... arriscar uma imigração ilegal é idiotice, você será facilmente identificado como estrangeiro e ilegal, e na Ásia não existe politicamente correto, mimimi de proteção às minorias, vitimização, etc...
  • Ex-microempresario  30/04/2020 20:29
    A China fornece para o mundo inteiro. Vá em qualquer loja da sua cidade e conte quantos produtos vem da China e quantos vem de outros lugares. Depois vá em uma indústria (se sobrou alguma) e conte quanto da matéria prima, das máquinas e das ferramentas vem da China.

    Achar que o crescimento da China vem só de obras públicas é típico de quem toma uma decisão primeiro e procura argumentos depois.
  • Drink Coke  30/04/2020 22:32
    A China só começou a crescer economicamente após a abertura economica de Deng Xiaoping para receber investimentos estrangeiros. O que fez Deng Xiaoping? criou areas especiais em lugares portuarios que permitia a entrada de empresas estrangeiras, oferecendo baixos impostos e farta mao-de-obra barata, assim atraindo industrias do mundo todo.

    A China simplesmente rasgou tudo o que o comunismo dizia e abraçou o mercado. É claro que não liberalizou totalmente, o estado continua enxendo o saco lá, mas essa abertura foi o suficientemente para a China começar a crescer e como era muito pobre (nível Africa), o crescimento que veio foi alto.


    A China a torto copiou o que os tigres asiaticos fizeram antes.
  • Matheus S.  03/05/2020 23:12
    Na verdade Deng Xiaoping copiou Lee Kuan Yew, onde ambos conversaram e Lee encorajou Deng a fazer o mesmo para a China, e o líder chinês não pôde ignorar o impressionante desenvolvimento que estava acontecendo em Cingapura. Lee até disse que Deng poderia fazer melhor do que ele com relação ao desenvolvimento na China, mas desconsiderou totalmente que Deng não governaria a China por muito tempo, e hoje está o Xi Jiping a frente do gigante asiático revertendo algumas políticas econômicas que fizeram da China o que ela é hoje.
  • Felipe L.  30/04/2020 23:06
    Para quem entende dessa área de indústria farmacêutica, a Lei 9.787, de 10 de fevereiro de 1999, que efetivamente introduziu os medicamentos genéricos, poderia ser entendida como um exemplo de desregulação no setor, mesmo que mínima? Aqui no Brasil eu já conheço alguns medicamentos genéricos que simplesmente não prestam, assim como certos remédios manipulados, algo que eu ainda não havia visto quando morava nos Estados Unidos (lá existe também, mas acho que ainda não "experimentei").
  • Dr Liberdade  03/05/2020 16:12
    Na verdade a regulação estatal sobre a indústria farmacêutica continua. Elas continuam com o direito de explorar seus medicamentos por pelo menos duas décadas, e depois desse período, quando a fórmula torna-se domínio público, outras empresas podem usar o princípio ativo e produzir o "genérico".

    Pouca coisa mudou para a empresa que desenvolve a fórmula já que o monopólio da patente não foi alterado pela lei.
  • Lucius  30/04/2020 23:10
    Senhores... acabo de ler no R7 que Guedes "estuda" a possibilidade de "imprimir dinheiro" para sengundo ele, evitar demissão em massa!!! Como se já não bastasse o plano de fazer obras estruturais agora teremos o pior cenário possível, impressão de moeda! Que Deus Pai nos ajude, pois o Mesias que temos parece morto frente a tudo isso!
  • Guilherme  01/05/2020 02:08
    Na verdade, esse debate gira em torno de tudo isso que foi discutido neste artigo:

    www.mises.org.br/article/3239/a-pec-do-orcamento-de-guerra-e-a-bazuca-do-banco-central

    A Câmara aprovou e foi para o Senado. Mas o Senado modificou e voltou pra Câmara. A votação na Câmara será segunda-feira agora. Se aprovada, um abraço.
  • anônimo  01/05/2020 06:07
    Tecnicamente ele defendeu o QE (quantitative easing) que só ocorre quando a política monetária usual perde força (juros básicos chegam a zero e a economia roda com risco deflacionário).

    Nada disto está no horizonte do Brasil no curto prazo - teremos juros abaixo de 3% e inflação perto de 2%.

    O que aconteceu foi que um deputado perguntou se haveria possibilidade do governo federal imprimir dinheiro. Guedes respondeu: Se cair numa situação que a inflação vai praticamente para zero, os juros colapsam, e existe o que a gente chama da armadilha da liquidez, o Banco Central pode sim emitir moeda e pode sim comprar dívida interna.

    Como estagiário de jornal tá recebendo pra meter o pau no governo, só pegou metade da frase e colocou o título garrafal já que ninguém se interessa em ler a reportagem toda. Ou seja, o pessoal que leu só a manchete caiu em fake news da imprensa (de novo).

    P.S.: Inclusive o Paulo Guedes, respondendo à pergunta, disse que caso a União se livrasse de todos os fundos públicos não seria necessário emitir moeda. Mas, quando você vai ver a reportagem, essa frase está lá na última linha.

    A gente já tem uma enxurrada de fake news e manipulações nas redes sociais. e quando nos voltamos aos veiculos de comunicação tradicionais procurando saber o que verdadeiro e falso, descobrimos que não só não esclarecem nada como eles próprios sao os principais incentivadores dessa prática.

    Aí quando "acertam" alguma coisa... estampam: Aqui não tem fake news!!
  • anônimo  01/05/2020 01:50
    Para quem não entendeu vou passar um programa da década de 90 feito para crianças porém com temas adultos:

    www.youtube.com/watch?v=GWQYsFNjSw4

    www.youtube.com/watch?v=TWAQT2gQCqM

    www.youtube.com/watch?v=m03kc07VU3U
  • Daniel  01/05/2020 02:07
    Ahaha, muito bons os vídeos. O primeiro é sensacional.
  • Felipe L.  01/05/2020 22:17
    Olhem que interessante o caso do México em questão fiscal. Os déficits do país quase sempre se mantiveram baixíssimos, aumentando só depois da crise de 2008, e voltando a cair. Em questão de endividamento, embora tenha sido bem menor, ainda é muito mais civilizado do que o Brasil.

    Estou fazendo um texto sobre o México, devo deduzir de que os governos desde a reforma fiscal e monetária de 1988 se mantiveram no compromisso de não destruírem a parte fiscal e monetária do país, correto? Em PIB per capita eles já passaram o Brasil.
  • Imperion  04/05/2020 02:49
    Índice de liberdade econômica

    pt.m.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dndice_de_Liberdade_Econ%C3%B4mica

    O do México é tudo melhor que no Brasil, e sua nota mais baixa é 3 na integridade do governo e a segunda é 3.8 na eficácia judicial. As outras não são satisfatoriamente baixas. Compare a tabela índice com mais atributos. Relembrando, a situação fiscal do brasil é 2,8 . O que indica que ele tá perto demais de zero. Tá muito perto da falência.
  • Carlos Alberto  04/05/2020 02:54
    Já escreveram em outro lugar e vou repetir:

    A política fiscal do Lopez Obrador é bastante contracionista. Pode conferir os fatos.
    É o menor déficit desde 2010:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/mexico-government-budget.png?s=2738a38&v=201904291151V20191105&d1=20100427&d2=20200427

    E um verdadeiro congelamento dos gastos:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/mexico-government-spending.png?s=mexicogovspe&v=202003211003V20191105&d1=20100430

    E a esquerda tá puta com ele, pois talvez seja o único governo que está cortando gastos em meio à pandemia:

    www.theguardian.com/world/2020/apr/24/mexico-amlo-severe-cuts-amid-coronavirus

    Só os primeiros parágrafos da notícia acima já dizem tudo.

    "He identifies as a leftist and rails constantly against neoliberalism. But Mexico's President Andrés Manuel López Obrador has introduced austerity measures so severe that his critics have compared him to Margaret Thatcher and Ronald Reagan[/i].

    This week, the president, popularly known as Amlo, unveiled more cuts in response to the Covid-19 crisis, including the [u]abolition of 10 government departments, a hiring freeze and a 25% cut in government salaries
    .

    He also eliminated Christmas bonuses."

    Ou seja, o cara aboliu 10 ministérios, cortou o salário do funcionalismo em 25% (!!!), aboliu todos os concursos e ainda acabou com a gratificação natalina.

    Paulo Guedes jamais sonhou fazer qualquer coisa minimamente parecida aqui no Brasil.

    É um fenômeno bastante semelhante ao de Portugal. Só que, como em Portugal os resultados já apareceram, a esquerda espertamente se prontificou para colher os louros.

    É questão de tempo até a esquerda, que vinha o idolatrando, jogá-lo completamente na lixeira.
  • Dirce  06/05/2020 23:25
    É, pessoal, com ou sem obras públicas tudo indica que vamos nos estrepar.
    O covidão já está a pleno vapor.....

    www.google.com/amp/s/gazetabrasil.com.br/politica/covidao-sem-licitacao-doria-gasta-r-14-mi-por-aventais-e-deputados-pedem-apuracao-do-tce/amp/

    www.google.com/amp/s/gazetabrasil.com.br/especiais/coronavirus/covidao-sc-comprou-200-respiradores-por-33-mi-de-puteiro-no-rio-de-janeiro/amp/

    rondoniaovivo.com/noticia/brasilemundo/2020/04/28/jovem-de-19-anos-ganha-contrato-milionario-de-respiradores-para-o-rio.html

    E assim vai...... Como eles dizem, "fiquem em casa".

  • Gabriel  07/05/2020 00:12
    Já escrevi em outro artigo, mas vale repetir.

    O que impressiona mesmo é a total passividade dos brasileiros. Estão acreditando que os governadores e prefeitos estão preocupados com a saúde. Europeu e americano acreditando nisso até vai. Ponto para estupidez que anda crescente no mundo, quase nas mesmas taxas do coronavírus.

    Agora brasileiro? Que viveu mensalão, petrolão e o assalto dos dois grandes eventos que cismamos em sediar ("copa das copas" e "legado olímpico")? Tudo isso é recente. Nem a estupidez explica, é caso de internação em massa mesmo.

    Enquanto isso, são desfigurados projetos no Congresso, é proposto a volta descarada do nacional-desenvolvimentismo (o mesmo que nos jogou na crise de 2014-2016) e funcionários públicos, sedentos por aumentos salariais, aproveitam a confusão para fazer valer a sua agenda corporativista.

    Mas fiquem em casa. Os políticos, preocupados com a "saúde", estão trabalhando arduamente para nos jogar em uma crise pior que nós vivenciamos em 2014-2016. Tudo certo!
  • Aluno - Ex esquerdista  07/05/2020 22:04
    "O Brasil não se desenvolveu e não tornou-se um país mais rico ao longo das ultimas décadas pois a estrutura produtiva é menos tecnológica, sofisticada e complexa (comparando com Alemanha, Suíça, Japão, Coreia do Sul, etc... países que dominam tecnologia (industria química, automobilista, robótica, etc)?
    O Brasil não produz coisas sofisticadas, só commodities (pauta de produção e exportação baseada em produtos primários). Empresas como a Embraer, por exemplo, são uma exceção, num país quase que restrito ao agronegócio, sem uma base industrial mais robusta e tecnológica."

    Considerando que existe essa correlação positiva entre complexidade da estrutura produtiva/nível de insdutrialização de um país e sua renda per capta, pode se dizer que o nível de estrutura produtiva/industrial é que determina a riqueza de uma nação?

    Análises como está são corretas? Para superar o subdesenvolvimento, o caminho ideal seria uma agenda de reindustrialização para o país? Se sim, como implementar essa agenda - o estado teria algum papel nisso?

  • Ex - esquerdista  08/05/2020 05:01
    Dúvida de um ex-keynesiano de universidade pública - aprendendo EA: com relação a abertura econômica e cambio:

    1) A abertura comercial implementada pelo Brasil nos anos 1990 foi expressiva?
    Pode-se verificar benefícios claros dela? De fato, ela contribuiu para extinção de muitas industrias diminuindo o parque industrial do país?
    Um projeito de abertura econômica deveria ser implementado mesmo que provocasse o fechamento de varias industrias nacionais, por não resistirem a competição com estrangeiros?


    2) Keynesianos relatam que um câmbio apreciado daria uma sensação momentânea de prosperidade (gerando inflação baixa, acesso a produtos importados mais baratos, viagens internacionais) e algum crescimento econômico no início, mas não sustentável (voo de galinha), pois não contribuiria para um maior nível de sofisticação produtiva e complexidade do setor industrial.(A Embraer não sobreviveria com dólar a R$ 2,90, por exemplo.)

    O câmbio apreciado seria ruim para a produção industrial, como relatam os keynesianos? Países que têm industrias fortes (Alemanha, Coreia do Sul, Tigres asiáticos, Japão, etc), ao longo das décadas recorreram manutenção de cambio competitivo para auxiliar suas industrias?
  • Sempre racional  08/05/2020 15:26
    "A abertura comercial implementada pelo Brasil nos anos 1990 foi expressiva?"

    Em relação ao que era o país antes (sovieticamente fechado), sim. Em relação a outras experiências do resto do mundo, não.

    E nem sequer foi uma abertura, pois as tarifas diminuíam e aumentavam de acordo com os lobbies.

    No segundo semestre de 1994, para ajudar no Plano Real e combater a inflação, as tarifas de importação de automóveis estrangeiros foram reduzidas para 25%. A Anfavea chiou e, em março de 1995, foram elevadas para nada menos que 75%.

    Isso é abertura comercial?

    Coisas desse tipo ocorreram por todos os setores da economia.

    "Pode-se verificar benefícios claros dela?"

    É só comparar os produtos de antes com os de depois. Carros, computadores e eletrodomésticos, por exemplo.

    "De fato, ela contribuiu para extinção de muitas industrias diminuindo o parque industrial do país?"

    Não há estatísticas sobre isso. A única coisa que os críticos mostram é que diminuiu a participação da indústria na economia total. Mas, ora, essa é exatamente a característica precípua de todas as economias desenvolvidas. Redução da participação da indústria e aumento da participação do setor de serviços. EUA, Alemanha, Suíça e Japão são assim.

    www.mises.org.br/article/1933/o-futuro-da-industria--por-que-a-participacao-da-industria-no-pib-sempre-sera-declinante

    www.mises.org.br/article/2855/a-desindustrializacao-foi-intensificada-pelos-governos-mas-e-um-fenomeno-inevitavel

    "Um projeito de abertura econômica deveria ser implementado mesmo que provocasse o fechamento de varias industrias nacionais, por não resistirem a competição com estrangeiros?"

    Sim.

    www.mises.org.br/blogpost/2321/nove-perguntas-frequentes-sobre-importacao-livre-comercio-e-tarifas-protecionistas

    www.mises.org.br/article/2853/o-livre-comercio-mesmo-quando-adotado-unilateralmente-so-traz-ganhos

    "Keynesianos relatam que um câmbio apreciado daria uma sensação momentânea de prosperidade (gerando inflação baixa, acesso a produtos importados mais baratos, viagens internacionais) e algum crescimento econômico no início, mas não sustentável (voo de galinha), pois não contribuiria para um maior nível de sofisticação produtiva e complexidade do setor industrial.(A Embraer não sobreviveria com dólar a R$ 2,90, por exemplo.)"

    Mero achismo. Estamos em um arranjo totalmente oposto a esse e nada de bom aconteceu. Nada do que prometeram se cumpriu.

    "O câmbio apreciado seria ruim para a produção industrial, como relatam os keynesianos?"

    Em sua próximo pergunta abaixo você mesmo responde a isso.

    "Países que têm industrias fortes (Alemanha, Coreia do Sul, Tigres asiáticos, Japão, etc), ao longo das décadas recorreram manutenção de cambio competitivo para auxiliar suas industrias?"

    Todos esses países têm moedas que se apreciaram em relação ao dólar.

    Pesquise e compare quanto custava um dólar em ienes, marcos alemães e francos suíços em 1971 (último ano do padrão-ouro) e em 1990, que foram as duas décadas em que tais países dominaram o setor industrial.

    Não existe indústria forte em país de moeda fraca. Indústria que opera com moeda fraca não consegue comprar bens de capital bons e baratos. E ao comprarem bens caros (por causa do câmbio), perdem competitividade (seus custos de produção aumentam, ao passo que os de seus concorrentes mundiais não, pois eles têm moeda mais forte). E quem tem custo de produção alto não consegue vender mais barato no mercado mundial. Logo, não consegue adquirir fatia de mercado. Ou então não consegue produzir bens de qualidade (pois não conseguiu comprar os bens de capital bons por não ter moeda).

    Isso é tão básico, que é necessário um profundo desconhecimento de contabilidade básica para acreditar que moeda lixo impulsiona indústria.
  • Vicente Lino  11/05/2020 23:05
    Excelente artigo, com o qual concordo quase que inteiramente. Senti falta de uma abordagem sobre, por exemplo, obras que fossem realmente necessárias para o país e que não despertem o interesse do capital privado, por conta do investimento muito alto e de retorno muito demorado. (CSN?) Parabéns!
  • Vladimir  12/05/2020 14:07
    Você está dizendo que construir uma siderúrgica não seria lucrativo?! Dado que há siderúrgicas privadas no mundo inteiro (nos EUA, todas sempre foram privadas), qual o seu argumento?

    Há várias perguntas muito mais desafiadoras do que essa. Por exemplo, transposição de rio (que creio ter sido seu ponto original) ou saneamento.

    Qualquer obra de infra-estrutura que será benéfica para milhões de pessoas será feita por empreendedores visando ao lucro.

    Se o governo isentar de impostos, e liberar totalmente o investimento estrangeiro (o que significa que qualquer consórcio de empresas de qualquer lugar do planeta pode vir aqui, construir alguma coisa, e ficar com 100% dos lucros, sem impostos), o país rapidamente vira um canteiro de obras e de esgotamento e saneamento.

    Qualquer pinguelinha no interior do Maranhão já geraria lucros formidáveis. Uma transposição de rio ou rede de saneamento, atendendo a milhões de pessoas e construída a custos baixos (pois não haverá contratos com o governo; logo, não haverá superfaturamento), e sem impostos sobre receitas e lucros, geraria um tsunami de dinheiro para quem a fizesse. Até eu venderia casa e carro para ser sócio disso.

    "Ah, mas se é tão simples assim, por que não é feito"?

    Porque políticos não estão dispostos a abrir mão de propinas (em troca de superfaturamento). É exatamente nas obras públicas (tocadas por ministérios e por estatais) que está o grosso do dinheiro da corrupção. Brasileiro que ainda não entendeu isso não entendeu nada do país.
  • Ex-microempresario  12/05/2020 18:05
    O capital privado adora investimento alto e retorno a longo prazo, desde que haja segurança de não ser expropriado ou ver as regras do jogo mudarem para beneficiar amigos do governo.
  • Miguel  25/05/2020 01:46
    Mas e em casos onde o setor privado não estiver interessado? Por exemplo, obras de saneamento ou estrada que podem trazer investimentos privados para a economia local, mas que nenhum investidor tomaria esse risco de contruir essas infraestruturas? Até porque, desde o intervencionismo excessivo no governo Dilma,muitas empresas estão quebradas e com dívidas. E com desemprego, não podemos contar com o aumento do consumo das famílias. E ainda tem juros baixos e economia global nem um pouco favoráveis ao investimento externo. Ou seja, quem poderia reverter esse quadro de recessão? Sei que o governo está com um déficit indesejável, mas ao menos é na nossa moeda e a dívida pública mundial irá crescer, o que comparativamente poderia nos manter "ao mesmo patamar atual" de % da dívida em relação ao PIB. Realmente esse fiscalismo excessivo seria o melhor caminho ?
  • Vladimir  25/05/2020 14:07
    Qualquer obra de infra-estrutura que será benéfica para milhões de pessoas será feita por empreendedores visando ao lucro.

    Se o governo isentar de impostos, e liberar totalmente o investimento estrangeiro (o que significa que qualquer consórcio de empresas de qualquer lugar do planeta pode vir aqui, construir alguma coisa, e ficar com 100% dos lucros, sem impostos), o país rapidamente vira um canteiro de obras e de esgotamento e saneamento.

    Qualquer pinguelinha no interior do Maranhão já geraria lucros formidáveis. Uma transposição de rio ou rede de saneamento, atendendo a milhões de pessoas e construída a custos baixos (pois não haverá contratos com o governo; logo, não haverá superfaturamento), e sem impostos sobre receitas e lucros, geraria um tsunami de dinheiro para quem a fizesse. Até eu venderia casa e carro para ser sócio disso.

    "Ah, mas se é tão simples assim, por que não é feito"?

    Porque políticos não estão dispostos a abrir mão de propinas (em troca de superfaturamento). É exatamente nas obras públicas (tocadas por ministérios e por estatais) que está o grosso do dinheiro da corrupção. Brasileiro que ainda não entendeu isso não entendeu nada do país.


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