clube   |   doar   |   idiomas
Há 30 anos, a Polônia se libertava do socialismo – eis a vida na Polônia da década de 1980
Vencendo a opressão: um tributo ao povo polonês

Já faz um bom tempo que a Polônia não frequenta os noticiários internacionais, e isso é sinal de que as coisas estão calmas nesta nação da Europa Central (eles não gostam de ser chamados de Leste Europeu). 

No entanto, durante toda a década de 1980, a Polônia foi uma fábrica contínua de notícias. Foi o país mais expressivo e agitado por trás da Cortina de Ferro.

Hoje, a Polônia é uma vibrante economia de mercado, cujas condições de vida não estão distantes daquelas da Europa Ocidental. Os supermercados e as lojas de departamentos, que estão em todos os cantos, são repletos de bens variados e oriundos de todos os cantos do mundo. As cidades ostentam grandiosas e modernas edificações. Há até mesmo novas igrejas sendo construídas — algo proibido sob o regime comunista. 

Todas as fachadas antigas e decrépitas da era comunista foram renovadas, e aquele antigo e lúgubre cinza foi substituído por cores mais vibrantes. Os problemas de transporte estão praticamente resolvidos. As rodovias são novas e modernas, e suplementam um excelente sistema ferroviário.

Restaurantes sofisticados, cafés badalados, e restaurantes para almoços prosaicos estão por todas as partes. 

Se há 30 anos turistas estrangeiros eram algo raro até mesmo na bela Cracóvia e seus locais tombados pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, hoje você os vê rotineiramente nas principais cidades do país.

Os poloneses já se acostumaram a viver com todos os luxos que o capitalismo pode oferecer, como apartamentos e imóveis prontamente disponíveis. Bens como automóveis, televisores de plasma, smartphones, notebooks etc. estão disponíveis para todas as classes sociais.

Porém, as coisas eram totalmente distintas na década de 1980. Pronta disponibilidade de bens era algo inimaginável. Fartura era algo fictício. Penúria era a regra. 

No aniversário de 30 anos do fim do, vale a pena fazermos uma breve viagem no tempo e voltarmos à Polônia da década de 80. A história não deve ser esquecida.

O cenário de fundo

Ao final da década de 1970, a economia polonesa estava em convulsão. O governo estava completamente endividado em decorrência de vários empréstimos externos, e, tendo de arrecadar os fundos necessários para pagar os encargos de sua dívida, ele optou por aumentar os preços de vários produtos. Isso foi o estopim para uma série de greves de trabalhadores. 

Um pouco antes, em 1978, um papa polonês foi eleito em Roma. Seria o primeiro papa não-italiano desde Adriano VI, que morreu em 1523. Em junho de 1979, João Paulo II (Karol Józef Wojtyla) fez sua primeira visita à Polônia já como sumo pontífice. Celebrou uma missa na Praça da Vitória perante uma multidão de 3 milhões de poloneses

Ali estava um homem que havia sido criado sob um regime nazista e que havia sobrevivido ao comunismo. Já não era segredo para ninguém que aquele papa desprezava o comunismo e iria fazer de tudo para solapar este regime na Polônia. 

Esta viagem à sua Polônia natal — um franco desafio ao regime comunista — elevou o espírito da nação, algo que culminaria, no ano seguinte, na formação de um movimento abertamente anticomunista formado por trabalhadores e operários.  

Tudo começou com uma greve geral em Lublin, em julho de 1980. Mas foi em meados de agosto que manifestações no estaleiro de Gdansk deram origem a uma série de greves que praticamente paralisaram toda a costa báltica. Pela primeira vez na história, quase todas as minas de carvão da região da Silésia foram fechadas. 

Os representantes dos grevistas no estaleiro de Gdansk, liderados por um eletricista chamado Lech Walesa, assinaram o Acordo de Gdansk, prometendo ao governo que acabariam com as greves se o governo socialista garantisse o direito dos trabalhadores de formar sindicatos independentes e também chancelasse o direito à greve. 

Após um bem-sucedido acordo — nesta que havia sido a maior confrontação trabalhista da história da Polônia —, movimentos sindicais organizados começaram a ser formar ao longo de todo o país.

No dia 17 de setembro de 1980, todos os sindicatos se reuniram em Gdansk e decidiram formar uma única organização sindical nacional chamada de Solidariedade.

cda6e4716982455e9ce6918232301a43.jpg

Tal liberdade, obviamente, desagradou Moscou, que, em fevereiro de 1981, elevou o general Wojciech Jaruzelski, então Ministro da Defesa, ao cargo de primeiro-ministro. Veterano da Segunda Guerra, sua prioridade era recorrer à força bruta para arrefecer as manifestações que irrompiam por todos os cantos do país.

Já em março de 1981, na cidade de Bydgoszcz, três ativistas foram espancados pela polícia secreta. Como consequência, uma "greve de advertência" comandada pelo Solidariedade — que a esta altura já era formado por 9,5 milhões de poloneses — voltou a paralisar todo o país, e com o apoio maciço da população. Os soviéticos já estavam perdendo a paciência.

Em setembro de 1981, em Gdansk, o Solidariedade fez o seu primeiro congresso nacional, e Walesa foi eleito líder nacional do movimento e imediatamente fez um apelo a todos os outros países do Leste Europeu para que seguissem os mesmos passos do Solidariedade. 

Para Moscou, o congresso havia sido uma "uma orgia anti-socialista e anti-soviética". Os líderes comunistas da Polônia, comandados por Jaruzelski, estavam prontos para utilizar de violência para conter o movimento.

1807.png

Em outubro, Jaruzelski foi nomeado Primeiro-Secretário do Partido Comunista, uma ascensão atípica para um militar no mundo comunista. Jaruzelski exigiu que o parlamento proibisse as greves e o concedesse poderes extraordinários. 

Em dezembro, o regime declarou lei marcial, e as tropas paramilitares ZOMO foram utilizadas para esmagar o Solidariedade. Praticamente todos os líderes locais e vários intelectuais afiliados ao movimento foram detidos e encarcerados. Nove foram assassinados na mina de Wujek. Após este ataque do governo, os agitos no país diminuíram. Embora reduzido a apenas alguns poucos milhares, o Solidariedade continuou na ativa, só que agora clandestinamente.

A rotina dos poloneses

O controle do Partido Comunista parecia inquebrantável. Tudo indicava que a Polônia ainda teria de viver sob este regime por vários anos vindouros. 

Mas como era a vida sob este regime? Quais eram as características desta rotina que fizeram com que a população polonesa ansiasse tanto por uma mudança?

O padrão de vida geral da população era desolador, assim como nos outros países sob a esfera soviética. A combinação entre escassez geral de produtos e métodos de distribuição totalmente ineficientes fazia com que o simples ato de ir às compras em busca de produtos básicos fosse uma experiência agonizante — mesmo quando havia produtos nas prateleiras.

nofood.png

Açougue em Varsóvia, 1982

Os bens de consumo se limitavam quase que exclusivamente a produtos de baixa qualidade fabricados no Leste Europeu. Simplesmente não havia produtos ocidentais, exceto nas lojas especiais da Pewex, que aceitavam apenas dólar ou marco alemão, e a preços muito acima das posses de um polonês médio.

Com a imposição da Lei Marcial, as coisas pioraram bastante. Longas filas se formavam quando produtos essenciais — como papel higiênico, xampu, lâmpadas, chá, café, utensílios domésticos, queijo, guardanapos, sapatos e roupas íntimas — apareciam nas lojas. O simples ato de fazer compras era um exercício diário que envolvia perambular pela cidade à procura de alguma loja que tivesse estoques e, caso a procura fosse bem-sucedida, entrar em uma longa fila de espera. 

E, dado que a maioria das mulheres polonesas tinha um emprego, o fardo extra de ter de fazer compras em tais condições era enorme, gerando uma grande taxa de absenteísmo e significativas dificuldades em cuidar dos filhos e em dar conta das tarefas domiciliares.

Um polonês jamais saía de casa sem estar carregando uma sacola de compras. Vai que inesperadamente ele encontrasse uma lojinha com produtos à venda e ele tivesse a rara oportunidade de poder comprar alguma coisa...

Em Varsóvia, a situação era menos desesperadora. Como o Partido Comunista tinha suas bases na capital, ele conseguia manipular as coisas de modo a garantir um suprimento mais generoso para a cidade. No entanto, em uma cidade mais afastada — como Breslávia (ou Wroclaw), que é grande e está localizada no sudoeste da Polônia —, a situação era igual à do resto do país. Uma ida ao Centrum, que então era a maior loja de departamentos da cidade, era algo que hoje parece um pesadelo. 

Havia pouquíssimos produtos disponíveis e, mesmo assim, uma multidão de pessoas se aglomerava nos corredores. Filas de centenas de pessoas se formavam em frente aos poucos balcões que ainda tinham produtos disponíveis. Aquilo que em outras épocas foi a seção de tecidos da loja havia se transformado em um mar de vazias e inúteis mesas de medidas. Seis ou sete ternos amarfanhados estavam disponíveis na seção masculina em meio a filas de cabides vazios. A seção de esportes tinha apenas dois itens: pneus de bicicleta e botas de ski.

Cartazes escritos à mão ao longo dos corredores da loja ilustravam a triste situação. Na seção de sapatos masculinos, onde em outras épocas havia centenas de diferentes pares e agora estava sempre vazia, um cartaz dizia que "149 pares serão vendidos hoje". Outro cartaz anunciava que "Nenhum tapete será vendido hoje". 

Em frente aos poucos aspiradores de pó ainda disponíveis na seção de eletrodomésticos, um cartaz dizia "Somente para Agricultores". O governo vinha tentando motivar os agricultores a produzir mais comida, e imaginou que poderia criar tal estímulo reservando somente para eles os bens de consumo mais desejáveis.

Em determinadas ocasiões, as pessoas eram obrigadas a efetuar grandes façanhas para obter itens totalmente simples. Quando alguma loja anunciava que estava vendendo máquinas de costura, pessoas de todos os cantos da Breslávia corriam para lá. De início, era necessário ficar um dia e meio em pé na fila apenas para colocar seu nome em uma lista de compradores interessados. Depois, durante três ou quatro dias consecutivos, você tinha de ir à loja três vezes por dia apenas para estar presente à chamada que os burocratas faziam para verificar os nomes da lista. Cumprida esta tarefa, todos eram instruídos a voltar dali a duas semanas, que seria quando as máquinas estariam disponíveis — e ainda assim não havia nenhuma garantia de que as pessoas na lista realmente conseguiriam uma máquina de costurar. 

Era comum alguns produtos irem parar nas mãos de amigos do burocrata encarregado de administrar a loja. Ou nas mãos de alguns membros do Partido.

Porém, dentre todos os martírios e provações que o consumidor polonês tinha de enfrentar, a busca por comida certamente era o mais humilhante e deprimente de todos. Um popular supermercado da Breslávia, que gozava a reputação de estar sempre bem suprido, tinha em suas prateleiras pão, biscoito-de-água-e-sal, dois tipos de pimenta, sal, farinha, macarrão, picles, açúcar, latas de ervilha, e água mineral. A seção de hortifruti tinha batatas, cebolas, beterrabas, cenouras, alho e alface estragada. A seção de laticínios tinha queijo branco e ovos. Carne era disponibilizada apenas para quem apresentasse todos os devidos cartões de racionamento. Este era todo o estoque do supermercado. 

Quando chegava algum carregamento de coisas mais saborosas, como geléia, iogurte ou pudim, tudo se esgotava em menos de uma hora. Em determinadas ocasiões, se você madrugasse em frente à porta do supermercado e estivesse com sorte, conseguiria comprar um pouco de leite.

pork.png

Mercado em Grójek, 1982

Quem tinha mais tempo disponível podia perambular pela cidade à procura de lojas menores que porventura vendessem alguns itens adicionais. Havia pequenas feiras ao ar livre que vendiam alguns vegetais. O difícil era conseguir criar uma dieta mais apetitosa e variada tendo pouquíssimas opções. Frutas, em especial, eram um problema. As únicas que estavam sempre à venda eram as maçãs. De vez em quando, surgiam alguns limões. Laranjas e bananas eram importadas somente em feriados.

Comprar gasolina era outra dor de cabeça. Os consumidores iam ao posto, passavam o dia todo dentro do carro esperando na fila, deixavam o carro lá durante a noite, voltavam no dia seguinte e continuavam na fila, até o momento em que conseguissem um pouco de gasolina. E isso se o posto de gasolina ainda estivesse operante no dia seguinte — era comum eles simplesmente fecharem da noite para o dia e não mais abrirem.

b62d5d7f000d47388ea7b554e67f0cb0.jpgA opressão diária não terminava aí. A escassez de apartamentos levava os jovens à beira do desespero, pois tinham de esperar 10 anos ou mais até o governo disponibilizar um mísero espaço em um apartamento apertado. Casais de meia idade e com filhos ainda moravam com os pais enquanto aguardavam seus nomes serem chamados na lista de espera dos apartamentos. Por outro lado, quem se filiava ao Partido rapidamente conseguia um alojamento.

As construções eram uniformemente funcionais, cinzas, sombrias, monótonas e repulsivas. Vários prédios começavam a se esfacelar tão logo ficavam prontos. O uso do carvão como fonte de energia jogava uma película escura sobre as cidades, tornando-as ainda mais melancólicas

O transporte público era apenas utilizável, e isso já bastava para que ônibus, bondes e trens estivessem sempre entupidos de gente. A lista de espera para comprar um carro demorava anos e o automóvel quase sempre era um exíguo e fraco Fiat polonês. Os limpadores de pára-brisa tinham de ser trancados dentro do carro, pois eram o alvo preferencial dos ladrões. Acessórios automotivos, por serem muito raros, eram muito valiosos na Polônia.

Uma coisa, no entanto, era verdade: os países do bloco soviético usufruíam pleno emprego. Bom, "usufruíam" é um termo incorreto. Quando você trabalha muito e não pode comprar nada, ou não tem a liberdade de usar os proventos do seu trabalho, você vive sob um regime de semi-escravidão. Na Polônia, o pleno emprego produzia apenas um crônico excesso de mão-de-obra mal paga e pessimamente utilizada. Praticamente todos os empregos eram enfadonhos e frustrantes. 

Os gerentes das lojas e as pessoas que trabalhavam em restaurantes e no sistema de transporte simplesmente não tinham nenhum incentivo para serem solícitos ou mesmo gentis com os clientes. O cliente era apenas um estorvo, e eles não ganhavam nada nesta interação. O serviço prestado era ou ríspido ou apático. 

Profissionais de todas as áreas tinham de lidar com a escassez de equipamentos. Professores da prestigiosa universidade técnica da Breslávia zombavam da ideia de que conseguiriam fazer alguma pesquisa séria na Polônia. Eles passavam todo o seu tempo livre escrevendo propostas para serem aceitos em universidades ocidentais, onde havia ampla disponibilidade de materiais e equipamentos sofisticados.  

A burocracia paralisava todas as transações, e impossibilitava até os mais simples pedidos. Viajar para o exterior era algo extremamente restringido. Televisão, rádio e mídia impressa eram, obviamente, atividades efetuadas exclusivamente por pessoas sob o controle do Partido, dentro da Polônia ou em algum outro lugar dentro da esfera soviética.

A lei marcial impôs restrições ainda maiores. Os passaportes foram universalmente cancelados, de modo que nenhum polonês podia viajar ao exterior. Durante os primeiros meses da lei marcial, os poloneses não podiam nem sequer viajar entre cidades da Polônia sem a devida autorização do governo. Cartas sempre eram entregues abertas, amassadas dentro de sacos plásticos e com um carimbo escrito "Censurado". Quando você discava um número no telefone, a primeira coisa que você ouvia era uma gravação repetindo "conversa monitorada, conversa monitorada".

O exército assumiu o controle de toda a radiodifusão, e a programação da TV se resumia majoritariamente a filmes russos sobre a Segunda Guerra Mundial. Âncoras de jornais foram substituídos por soldados uniformizados que mecanicamente liam as notícias diárias. E as notícias eram sempre as mesmas: o Solidariedade havia destruído a economia; o exército estava se esforçando para recolocar o país no lugar; as coisas estavam visivelmente melhorando. 

Obviamente, e ao contrário dos ocidentais de hoje, ninguém acreditava em nada do que dizia a mídia.

85493142_original.jpg

A sucessão de eventos

Após a imposição da lei marcial em dezembro de 1981 e a maciça utilização do exército e das tropas paramilitares ZOMO para esmagar o Solidariedade, o número de afiliados ao movimento caiu de 9,5 milhões para apenas alguns poucos milhares. Os agitos no país diminuíram sobremaneira, mas continuaram. O Solidariedade continuou na ativa, só que agora clandestinamente.

Após ter conseguido impor ao menos uma aparência de estabilidade, o regime polonês começou a relaxar a lei marcial. Ao longo do tempo, a lei foi sendo revogada em várias etapas. 

Em dezembro de 1982, a lei marcial foi suspensa e um pequeno número de prisioneiros políticos, dentre eles Walesa, foi libertado. Embora a lei marcial só tenha sido formalmente abolida em julho de 1983, e uma anistia parcial tenha sido promulgada, várias centenas de prisioneiros políticos continuaram encarcerados

Tornou-se mundialmente famoso o caso de Jerzy Popieluszko, um popular padre defensor do Solidariedade, que foi sequestrado e assassinado pelo serviço de segurança do governo — o Sluzba Bezpieczenstwa — em outubro de 1984.

A partir daí, os fenômenos de resistência na Polônia começaram a ser influenciados pela postura reformista de Mikhail Gorbachev na União Soviética. Em setembro de 1986, uma anistia geral foi declarada e o governo libertou quase todos os prisioneiros políticos. 

No entanto, as autoridades continuaram perseguindo os dissidentes e todos os ativistas do Solidariedade.

Já estava mais do que óbvio que os esforços do regime para organizar a sociedade de cima para baixo haviam fracassado completamente. Com a crise econômica agravada e todas as instituições sem funcionar, a clandestina resistência anti-comunista foi ganhando um número crescente de adeptos.

A Resistência

Testemunhei ao vivo estes acontecimentos. Em novembro de 1986, passei 10 dias vivendo entre os clandestinos do Solidariedade e do Liberdade e Paz, um grupo formado por jovens.

Durante esta minha visita, aprendi que, cinco anos após o início dos violentos ataques desfechados pelo governo contra os movimentos de resistência, os poloneses haviam aprendido fabulosos truques para ludibriar e se esquivar do regime de Jaruzelski, tudo de uma maneira que chega a desafiar a imaginação. A escassez total dos mais básicos produtos alimentares, a inflação de preços em dois dígitos, e uma poderosa polícia secreta não os impediram de criar formidáveis mercados negros e vigorosas instituições privadas, desde rádios e editoras de livros a até mesmo teatros e escolas. Tudo clandestinamente.

Wiktor Kulerski, um dos lideres do Solidariedade, já havia esboçado, alguns anos antes, um esquema sobre como seria a resistência polonesa. Escreveu ele:

Este movimento irá criar uma situação em que as autoridades irão controlar as lojas estatais, mas não o mercado; o emprego de trabalhadores, mas não seu meio de vida; a imprensa oficial, mas não a circulação de informações; as editoras, mas não as publicações; os correios e os telefones, mas não as comunicações; e o sistema escolar, mas não a educação.

Trinta e oito milhões de poloneses estavam menosprezando e ridicularizando o estado.  Eles já haviam aprendido por experiência própria e dolorosa que, como bem havia dito o escritor e compositor dissidente Stefan Kisielewski (que havia sido preso e espancado por causa disso), "Socialismo é estupidez". 

Eles já estavam fartos daquilo tudo.

Em um jantar organizado secretamente, em minha homenagem, por uma organização clandestina de editores em Cracóvia, fiquei mesmerizado com a amplitude daquilo que meus anfitriões chamavam de "empreendimentos editoriais independentes". Eles haviam traduzido, imprimido e editado várias obras "subversivas" de Alexander Solzhenitsyn, George Orwell, e até mesmo de Murray Rothbard e Ayn Rand.

"Onde vocês conseguem os papeis para imprimir tudo isso?", perguntei. Um jovem polonês chamado Pawel respondeu: "De dois lugares: contrabandeamos do Ocidente e roubamos dos comunistas".

Pawel explicou que havia vários empregados das casas editoriais do governo que eram simpáticos ao movimento de resistência. Eles frequentemente forneciam papeis para os movimentos clandestinos. E quando a barra estava realmente limpa — ou seja, sem nenhum agente estatal nas redondezas —, eles chegavam até mesmo a imprimir o material ilegal nas próprias impressoras do governo. 

Todo este material era distribuído e circulava amplamente nos subterrâneos de Varsóvia.

Quando o governo soube, decidiu contra-atacar criando uma operação para confiscar os carros dos distribuidores deste material proibido. Para se proteger, os editores clandestinos criaram sua própria companhia de seguros (a qual eles chamaram de "Lloyd's de Varsóvia") para cobrir os custos do confisco de seus carros, papeis e materiais.

Perguntei àqueles editores como eu poderia ajudar. Curiosamente, eles já haviam planejado um pedido específico para mim. Eles me perguntaram se eu conseguiria arrecadar US$5.000 e enviar esse dinheiro para seus aliados exilados em Paris, os quais iriam utilizar esse dinheiro para financiar a tradução para o polonês e a impressão de várias cópias do clássico Liberdade para Escolher, de Milton Friedman. Dentre as minhas mais estimadas possessões está uma edição deste livro com uma dedicatória do ativista Wojciech Modelski com estas palavras: "Obrigado, Larry!  Sem sua ajuda, não seria possível publicarmos este livro."

Mas a minha história favorita desta minha visita à Polônia envolve um casal muito corajoso e intrépido, Zbigniew e Sofia Romaszewski. Eles haviam sido soltos da prisão fazia muito pouco tempo. O crime? Comandar uma popular estação de rádio clandestina. 

Não aguentei e tive de perguntar: "Quando vocês estavam transmitindo, como sabiam se as pessoas estavam ouvindo?" 

Sofia respondeu: "Tínhamos de estar constantemente mudando de lugar para que a polícia não nos capturasse. Por isso, só conseguíamos transmitir de oito a dez minutos de cada vez. Uma certa noite, fiz o seguinte pedido: se há alguém nos ouvindo, pisquem suas luzes para mostrar que acreditam na liberdade. E então fomos para a janela. Durante horas, toda Varsóvia ficou piscando". 

Poucos dias depois, fui preso, revistado nu e deportado.

O fim da tirania

Em fevereiro de 1988, já desesperado com a situação de suas finanças, o governo implementou um aumento generalizado de 110% nos preços de todos os bens da economia. Os protestos estudantis retornaram. O colapso econômico gerou uma série de greves ao redor do país em abril, maio e agosto. O governo se sentiu obrigado a negociar. 

Com a indispensável mediação da Igreja Católica, contatos preliminares foram feitos entre o governo e membros do Solidariedade. Em setembro, o governo recorre a Lech Walesa para tentar negociar o fim das greves. No dia 18 de dezembro de 1988, o Solidariedade sai da ilegalidade.

No início de 1989, o general Wojciech Jaruzelski chegou a um acordo com Lech Walesa: os grupos políticos suprimidos seriam legalizados e eleições gerais seriam marcadas para o dia 4 de junho. O general não tinha alternativas. A Polônia, declarou ele, havia se tornado "ingovernável".

E foi exatamente no dia 4 de junho de 1989 que a Polônia eletrizou o mundo ao fazer as primeiras eleições livres na Europa comunista. Ativistas anticomunistas (e, em vários casos, também anti-socialistas) surpreenderam seus conterrâneos: eles conquistaram 99 das 100 cadeiras no Senado e absolutamente todas as 161 cadeiras do Parlamento que o regime permitiu serem disputadas na eleição. 

Tais resultados asseguraram que a guinada para a liberdade em todo o império soviético era definitiva e iria se intensificar até derrubar todos os ditadores e partidos comunistas, desde Berlim Oriental até Ulan Bator.   

Em 1989, alguns dias após a queda do Muro de Berlim, a Revolução de Veludo estava em andamento na vizinha Tchecoslováquia. A Hungria havia aberto suas fronteiras para o Ocidente algumas semanas antes. O megalomaníaco Nicolai Ceausescu, da Romênia, seria fuzilado no Natal

Mas foi a Polônia quem havia aberto o caminho.

Conclusão

A história da Polônia desde a imposição da lei marcial e do esmagamento do Solidariedade em dezembro de 1981 até as gloriosas eleições de 1989 não é a saga de um povo pessimista, derrotista ou submisso. Ao contrário: trata-se de uma notável evidência do desejo humano de ser livre. 

Embora os três poderosos líderes do Reino Unido, dos EUA e do Vaticano (Thatcher, Reagan e João Paulo II) tenham ajudado imensamente no processo da desintegração comunista, estes mesmos líderes correta e repetidamente aplaudiram e elogiaram o espírito desafiador dos poloneses. "O povo da Polônia", declarou Reagan, "está nos dando um imperecível exemplo de coragem e devoção aos valores da liberdade contra uma violenta e implacável oposição. . . . A tocha da liberdade é quente. Ela aquece aqueles que a mantêm lá no alto e queima aqueles que tentam apagá-la."

Um dos gigantes intelectuais da liberdade polonesa, o filósofo e historiador Leszek Kolakowski, que morreu em julho de 2009 aos 81 anos de idade, rotulou o marxismo de "a maior fantasia do nosso século". Segundo ele, a brutalidade totalitária é uma inevitável consequência de uma concentração de poder. 

Em uma entrevista concedida ao The New York Times em 2004, ele disse que "Supostamente, essa ideologia deveria moldar o pensamento das pessoas; no entanto, a partir de certo momento, ela se tornou tão fraca e tão ridícula, que ninguém mais acreditava nela. Nem os governados, nem os governantes."

A todos aqueles milhões de poloneses que bravamente lutaram pela liberdade e que atiraram o socialismo na lata de lixo da história há 30 anos, muito obrigado por sua coragem, sua perseverança, sua visão e seu exemplo.

cracovia.jpg

Cracóvia hoje


Mateusz Machaj e Jakub Bozydar Wisniewski colaboraram com este artigo



autor

Lawrence W. Reed

  • Carlos  27/06/2019 19:18
    Lula falando sobre Lech Walesa e sobre como ele ainda vai implantar o socialismo no Brasil


  • Maico Rodrigues  15/10/2019 13:38
    Ano 2000 no jornal valor, Walesa fez um resumo da trajetória de ambos:

    Fomos ambos carregados pelas massas, pelos sindicatos. Talvez as massas no Brasil achem que ele as traiu. E, no meu país, achem que eu as traí. Nesse ponto, talvez sejamos também similares. Mas para mim foi mais difícil, pois ele pôde se sustentar com medidas populistas, e eu não podia. Eu tinha de ser contra o populismo, tinha de construir o capitalismo, e as massas queriam socialismo, proteção social. Ele propunha o socialismo, então estava mais sintonizado com as massas. Mas quem entregou mais? Essa é a questão. Podíamos comparar, seria interessante.
  • Paulo M.  20/11/2019 18:44
    Ao ler o excelente artigo e assistir a este vídeo (me alivia saber que foi gravado em 2002), refleti acerca das influências da Igreja Católica em ambas as pontes, e percebi que a imprensa brasileira sempre incentivou a sociedade a "seguir o Papa", possivelmente, por duas razões (ou alguma delas): a própria igreja pró-socialismo exercia tal influência; e havia um plano maior, o ensejo pela figura do Papa que fizesse coro às ideias comunistas a ponto de contradizer o cristianismo em muitos aspectos, como ocorre atualmente, na tentativa de influenciar os fiéis. Ou seja, se os socialistas se apegam à religião, existe um propósito perverso por trás de tudo. Também considero a hipótese de estar equivocado... Mas sempre achei muito estranho a mídia televisiva supervalorizar cada passo do Papa, independentemente de quem estivesse no posto.
  • Rodrigo  27/06/2019 19:19
    Como esse pessoal sofreu. Fico triste quando leio sobre a vida que eles levavam.

    Não entendo como ainda pode ter gente que defende este arranjo e anseia por isso.
  • Luiz Oliveira  27/06/2019 19:27
    O pessoal que anseia por isso é porque considera que será a classe privilegiada em um regime socialista: a nomenklatura. Estes se consideram a vanguarda do processo revolucionária, a elite intelectual progressista.

    O povão não quer saber de socialismo.
  • Emerson  27/06/2019 19:35
    É por isso que Lênin ou Stalin chamou esses intelectuais (defensores do socialismo dos países democráticos) de "idiotas úteis": eles imaginavam que fariam parte da elite socialista do novo governo e sistema, mas na realidade quando o comunismo fosse instalado eles seriam presos ou executados.

    Se o processo se completar no Brasil, a Marilena Chauí, o Veríssimo, o Wagner Moura, o Chico Buarque, Já Uílis e tantos outros da esquerda caviar terão esse destino.
  • Vitor  27/06/2019 19:20
    Existe uma cartilha entre a esquerda de como destruir uma nação? Porque a história se repete em todos os países que vivem sobre esse regime.

    A falta de leitura dos brasileiros, de conhecimento histórico, de absorver essa cultura, faz que a foice e o martelo sejam símbolos de revolução, quando na verdade são símbolos de opressão.
  • Souza  27/06/2019 19:28
    Sim.

    Procura no youtube: Yuri Bezmenov

    Tem dois videos dele grandes (de uma hora cada um mais ou menos) explicando como se subverte uma nação. Legendados, inclusive.

    E faça a comparação com o que aconteceu na Venezuela e com o que foi tentado no Brasil (felizmente, aqui o processo foi abortado, ao menos temporariamente).

    Compartilhe aqui suas impressões.

    Abs
  • Marilia  29/06/2019 03:07
    No Brasil o movimento comunista não foi abortado pela eleição de Bolsonaro. Ao contrário, as forças comunistas infiltradas em todos os escalões do governo estão reagindo virulentamente ao novo governo, sabotando-o de todas as formas possíveis e inimagináveis. Infelizmente o brasileiro não tem o estofo do polonês. O brasileiro mal sabe ler e escrever e, por isso mesmo, não tem acesso à informação, transformando-se facilmente em massa de manobra dos comunistas.
  • Renato  30/06/2019 01:22
    Exatamente. E não só pessoas comunistas de fato como integrantes do PT, PSOL e outros que defendem a causa, mas também funcionários do Estado, pessoas que de alguma forma são ligadas Estado e jovens e adultos, que absorvem a ideologia socialista na forma do gransmicismo. Milhões agem como socialistas e vivem num sistema socialista sem perceber e a mídia é a principal culpada disso.
  • Revoltado  01/07/2019 12:24
    Em família, há pessoas cujo sobrenome deveria ser "politicamente correto", pois absorvem o PC em doses cavalares e, ao contrário dos poloneses dos anos 80, acreditam piamente no que a mídia mainstream lhes transmite. Sobretudo as organizações Globo no geral.
  • Delúbio  27/06/2019 19:22
    Sensacional relato, elucidativo e joga luz às atrocidades e descaminhos do comunismo. Que esta desgraça jamais se abata sobre nós (sendo que está logo ali no país vizinho).


    Obrigado ao IMB por compartilhar a história.
  • Fabrício  27/06/2019 19:26
    "Em determinadas ocasiões, se você madrugasse em frente à porta do supermercado e estivesse com sorte, conseguiria comprar um pouco de leite. [...] Comprar gasolina era outra dor de cabeça. Os consumidores iam ao posto, passavam o dia todo dentro do carro esperando na fila, deixavam o carro lá durante a noite, voltavam no dia seguinte e continuavam na fila, até o momento em que conseguissem um pouco de gasolina"

    Isso é a Polônia de ontem ou a Venezuela de hoje? Sim, na Venezuela também acabou a gasolina. Na Venezuela!

    E tem gente que ainda sonha em trazer esse inferno pra cá.
  • Rômulo  27/06/2019 19:30
    Eu tive o prazer e o privilégio de conhecer este maravilhoso país alguns anos atrás. As pessoas odeiam o maldito comunismo. São alegres e hoje vivem felizes. As mulheres são umas bonecas, as mais bonitas da Europa. E o melhor, conseguem conciliar a liberdade econômica com uma sociedade conservadora, lá movimento gayzista, feminismo e outros lixos que enfraquecem a sociedade nem pensar. Espero que a socialista U.E não estrague a Polônia.
  • Vladimir  27/06/2019 19:35
    Lá na Polônia, se você tenta lacrar falando de socialismo, corre o risco de apanhar. Veja o item 6 deste vídeo (veja a partir do minuto 3:45)


  • Revoltado  01/07/2019 12:28
    Gosto sempre de imaginar quê pensaria um polonês se passasse um mês dentro duma universidade federal aqui no Brasil...
    Na melhor das hipóteses, tal eslavo olharia aos céus e diria parafraseando Cristo "Pai, perdoa-lhes! Não sabem o que fazem e dizem"!
  • anônimo  27/06/2019 19:39
    Texto fantástico.

    Ressalvo apenas que, ao contrário do que afirma o primeiro parágrafo, a Polônia tem sim voltado aos noticiários por causa do totalitarismo do partido Lei e Justiça.

    Economicamente realmente o país está infinitamente melhor do que era (o que não é difícil ao se comparar qualquer sistema econômico ao comunismo), mas, sob o aspecto das liberdades individuais, as conquistas das últimas décadas estão regredindo.

    Esse texto da Anne Applebaum (crítica do socialismo e autora de "Gulag: Uma história", livro já citado algumas vezes neste site) é um bom exemplo:

    piaui.folha.uol.com.br/materia/o-pior-esta-por-vir/
  • Régis  27/06/2019 19:46
    "a Polônia tem sim voltado aos noticiários por causa do totalitarismo do partido Lei e Justiça."

    No mesmo sentido de que o Brasil passou a ser noticiado na imprensa chique estrangeira como estando sob um governo de "extrema-direita".

    É tudo espuma.

    O que governo polonês quer é a volta da pena de morte e a proibição de símbolos comunistas, o que já basta para causar uma súbita ardência anal no beautiful people ao redor do mundo.

    P.S.: o Partido da Lei e da Justiça já esteve no governo durante boa parte da década de 2000, e não fez nada de totalitário.
  • anônimo  27/06/2019 19:59
    Se ler o texto verá que o Lei e Justiça do começo dos anos 2000 era bem diferente do atual, justamente porque após a queda do avião que vitimou toda a cúpula do partido o comando foi assumido por pessoas de viés totalitário.

    Admito que não conheço nada do Lei e Justiça além daquilo que sai na imprensa (a qual em geral idolatra a venezuela e não sabe se referir à direita sem qualificá-la como "extrema"), porém, a Anne Applebaum, autora desse artigo, parece ser uma jornalista com boa reputação, tanto que é citada em vários textos deste site.
  • vastolorde  27/06/2019 22:17
    Se hoje em dia, um jornalista tem boa reputação, já é para ficar desconfiado, principalmente se esse jornalista trabalhou para jornais tipo Washigton Post.

    Para falar a verdade fico com o argumento do Nassim N. Taleb: ler jornais é total perda de tempo, o próprio não os lê desde os anos 90, e como disse também, não ficou desinformado.
  • Ninguem Apenas  28/06/2019 11:42
    Os livros de Anne Applebaum são excelentes, é uma das melhores historiadoras sobre o regime comunista russo e polonês. Se ela disse algo, é para se examinar pelo menos.
  • anônimo  07/10/2019 10:17
    Para quem acredita que o Lei e Justiça de hoje é o mesmo de 2000, recomendo a leitura de artigo publicado hoje no valor econômico.
    As medidas econômicas do partido parecem ter sido feitas diretamente pela Dilma e o pessoal da Unicamp:

    Com o ultra nacionalista PIS no poder a partir de 2015 houve uma mudança parcial na política econômica. O governo elevou os gastos sociais no que chamou de "reequilíbrio do modelo social"; passou a promover o consumo e aumentos salariais como motor da economia, ao custo de investimentos; aumentou o ceticismo em relação ao capital estrangeiro; foram anunciados planos de estatização, como no setor bancário, e apoio às empresas estatais. O governo também elevou a tensão com a UE, fonte de dezenas de bilhões de euros em financiamento de projetos de infraestrutura.

    O programa social "Família 500+", que paga 500 zlotys (cerca de R$ 520) por filho, deve expandir o consumo em 3% em 2020, contribuindo para o incremento da demanda interna. Pessoas com até 26 anos não pagam imposto de renda. E as promessas continuam. Os aposentados deverão ter um aumento na renda e a população em geral vai pagar 1% a menos de imposto de renda. O governo promete aumento salarial de 15% nos próximos quatro anos, num país com inflação anual inferior a 3% e taxa de desemprego de 3,8%.

    valor.globo.com/mundo/noticia/2019/10/07/polonia-acumula-riscos-com-populismo.ghtml
  • O Volta  27/06/2019 19:41
    Para provocar: Gorbachev não era reformista. O que ocorreu na URSS foi uma "glasnost", e o sentido dessa frase precisa ser mais bem entendido pelo ocidente.

    Se o comunismo caiu, como então se explica o fato de que a mídia e a academia do ocidente estejam totalmente dominadas por ideologias coletivistas?

    Recomendo a leitura do livro "Desinformation" do General Pacepa, desertor e ex-chefe do serviço de inteligência de Ceausescu. Ceausescu foi o piloto de teste da ação de desinformação chamada glasnost. E Pacepa foi um ator central nessa operação de influência dos serviços secretos do bloco comunista. O que é narrado ali vem de uma fonte primária. Alguém que conheceu Brezhnev, Antropov e fazia parte do núcleo duro dos regimes comunistas.
  • Teo  27/06/2019 19:47
    Já li esse livro. Foi recomendado pelo Olavo. Também acabei de ler "New Lies for Old", do ex-agente soviético Anatoliy Golitsyn.

    Em 1984 (!!!) ele já escrevia que o plano da KGB era "acabar" com o regime soviético apenas de forma aparente promovendo uma abertura parcial de mercado e uma democratização para abrir uma janela de comunicação (Subversão) com o Ocidente. Isso já era pensado desde o tempo de Stalin por Lavrentiy Beria.
  • Pobre Paulista  27/06/2019 20:03
    Ué? Os comunistas implantaram o capitalismo russo?
  • Marcelo  27/06/2019 20:06
    "Para provocar: Gorbachev não era reformista."

    Era sim. Mas ele era reformista no sentido de que tinha de fazer algumas reformas mínimas necessárias para tentar manter o regime socialista funcionando. Obviamente, não bastou.
  • Hoppe  28/06/2019 04:08
    O plano desde o começo era que o medo anti-comunista desaparecesse no ocidente. Para que então a dominação (que já havia começado) pudesse ser concluída sem ter um inimigo visível.

    Para combater essa estratégia, deve-se criar novos lugares iguais aos EUA no mundo, ou seja, grande território, grande população e capitalismo liberal. Mas só isso não bastaria, teria que remover fisicamente comunistas, socialistas, feministas, democratas e qualquer outro grupo subversivo para países europeus como a França que já é um caso perdido.

    Só que os próprios EUA não estão interessados nisso. Então fica nesse joguinho em que toda liberdade pode acabar a cada 4 anos.
  • Carlos Brodowski   27/06/2019 19:49
    "Uma certa noite, fiz o seguinte pedido: se há alguém nos ouvindo, pisquem suas luzes para mostrar que acreditam na liberdade. E então fomos para a janela. Durante horas, toda Varsóvia ficou piscando."

    Como descendente de poloneses, isso bombardeou meu coração de orgulho =)
  • Juliana  27/06/2019 21:58
    Uma das partes mais emocionantes!

    Desejo que a Venezuela consiga se livrar e que o Brasil jamais precise chegar a esse ponto.
  • Vinícius Costa  27/06/2019 22:12
    Eu sou a favor de a Venezuela continuar socialista. Podem me chamar de sádico mas acho ótimo que seja assim.

    Infelizmente, apenas teorias não bastam para convencer as pessoas. Elas só se convencem pela prática. Elas tem que ver a coisa realmente acontecendo. E tá acontecendo aqui do lado.

    Aliás, digo mais: o fenômeno venezuelano talvez tenha sido determinante em desanimar milhões de pessoas a votarem no PT e no PSOL. Por mais incrível que pareça, a Venezuela pode ter nos salvado de virarmos socialistas.

    Se ela deixar de ser socialista, é certeza de que vão adotar uma social democracia tosca que vai apenas manter a economia estagnada. E aí, com o tempo, vai acontecer o inevitável: as pessoas vão culpar o capitalismo por essa estagnação, vão voltar a sonhar com o socialismo (pois a memória é curta) e aqui no Brasil ficaremos sem esse crucial exemplo em tempo real sobre o que é o socialismo na prática.

    Deixe tudo como está.
  • Andre  28/06/2019 13:29
    Há uma imensa diferença entre o povo polonês e o venezuelano refletida na situação de seus países e adivinhe só com qual destes povos o brasileiro se parece mais?
  • Insurgente  28/06/2019 17:06
    Me emocionei.
  • Alvaro  27/06/2019 19:59
    Mas a Polônia era manipulada por uma superpotência gigantesca. Já o Brasil e a Venezuela foram manipulados por uma pequena ilha falida.

    Que vergonha!
  • JP  27/06/2019 20:16
    Este trecho foi uma direta:


    "Obviamente, e ao contrário dos ocidentais de hoje, ninguém acreditava em nada do que dizia a mídia." :)
  • Eduardo B.  27/06/2019 21:47
    "Supostamente, essa ideologia deveria moldar o pensamento das pessoas; no entanto, a partir de certo momento, ela se tornou tão fraca e tão ridícula, que ninguém mais acreditava nela. Nem os governados, nem os governantes."

    Acho que esse é o ponto chave.

    Perguntem-se: qual a porcentagem de funcionários públicos que acreditam nas justificativas para o que fazem? E quantos acreditavam há 20 anos?

    Percebo cada vez mais uma descrença tanto da classe privilegiada (funças) quanto da classe explorada (pagadores de impostos) sobre as justificativas ideológicas para a existência dos privilégios.

    E isso é fundamental pro sistema ruir.
  • Yuri  27/06/2019 21:50
    Se você ler o artigo suprimindo as referências às Polônia vai jurar que está lendo sobre a Veneziela de hoje.

    O tempo passa mas os efeitos do socialismo continuam os mesmos.
  • Pedro_N  27/06/2019 22:25
    Que relato comovente!

    Por alguns momentos pensei estar lendo 1984 de George Orwel.

    Eu realmente espero que este sentimento anti-comunista/socialista permaneça na Polônia nas próximas gerações. Ah, como eu gostaria de ver esse mesmo sentimento no Brasil...
  • sandra  28/06/2019 02:17
    Eu testemunhei isso. Estive na Polônia em 1986 e voltei em 2017. Quase não reconheci as cidades que havia visitado.
  • Daniel  28/06/2019 02:47
    Boa noite sei que não tem haver com o artigo mas tenho uma pergunta. É uma pergunta absurda e psicopata eu sei. Imagine que eu sou um bilionário dono de vários prédios na Times Square. Dinheiro pra mim é mato e estou afim de fazer o caos. Instalarei telões gigantes em todos os meus prédios e colocarei vídeos de um homem estuprando um bebê em todos os meus prédios. Os prédios são meus e eu faço o que eu quiser. Nesse caso ninguém poderia me impedir legalmente correto? (Lembrando: Não estou nem aí pras consequências econômicas desse ato doentio e minha identidade como dono dos prédios também estaria protegida de algum modo.)
  • Danilo  28/06/2019 05:49
    Atualmente moro na Polônia em Wroclaw, capital da Baixa Silesia. Não tenho a mínima dúvida que a Polônia dos anos 80 descrita no texto, não se parece com nada com a atual Polônia em que vivo. Acredito que todos os brasileiros que vivem aqui irá exaltar os mesmos pontos, custo de vida, segurança, educação, saúde, infraestrutura, transporte público e cultura.
  • Milton Friedman Cover's  28/06/2019 10:41
    Maravilhoso texto! Sempre admirei a Polônia e a sua resistência e luta contra os nazistas durante a horrível ocupação na Segunda Guerra. E admiro muito o Papa, Santo Papa, João Paulo II. Ele sofreu nas mãos do nazismo e do comunismo o que fez dele um grande adversário dos dois sistemas que se encontram até nas cores vermelhas. Tem um ótimo filme sobre a vida dele, basta buscar no YouTube. Está completo lá. Como está no texto, o Papa, Reagan, Thatcher, foram fundamentais para a derrubada do comunismo na Europa. Claro que no caso polonês a resiliência e força do povo foi crucial para a vitória. Sobre a imprensa mundial, hoje quase toda vermelha, afirmando que o atual governo de lá é de extrema direita, como cita um leitor acima; é comum hoje em dia. Fazem isto aqui, contra o governo Bolsonaro, e o excelente ministro, Paulo Guedes, etc. É duro ver pessoas que se guiam pelo que escrevem, falam, jornalistas das grandes mídias! Hoje, por exemplo, afirmam que a popularidade do presidente Bolsonaro caiu, por causa das denúncias, etc. Tudo mentira para fazer a cabeça dos menos interessados em buscar a verdade. Como seria bom poder multiplicar o artigo de hoje em milhões espalhados em todos os lares! É preciso implantar as reformas socioeconômicas do ministro Paulo Guedes, isto, agora, para aprofundá-las mais adiante. Que a Polônia seja exemplo a ser seguido sempre. Essa agenda das esquerdas ( feminismo, aborto, ideologia do gênero, etc....), tem que ser contestada com rigor e persistência. A Igreja Católica é referência na luta contra o comunismo, socialismo. Claro que falo na IC sem teologia da libertação e outros grupos internos que vão contra as tradições iniciadas com Cristo e mantidas pelos seus apóstolos e líderes cristãos como o Papa João Paulo II. Esquerdismo, nunca mais! Abraços.
  • Felipe Mello  28/06/2019 20:01
    Muito obrigado pelo excelente artigo!
  • Jairdeladomelhorqptras  28/06/2019 20:13
    Pessoal,
    A história da Polônia é bastante trágica.
    Durante todo o século XIX a Polônia como unidade política autônoma não existiu. Fora dividida entre o Império Russo, a Prússia, (depois Império Alemão unificado) e o Império Austro-Húngaro ainda no final do século XVIII. E só recuperou sua identidade política ao final da II Guerra, em 1918.
    Foi a população que mais sofreu na II Guerra. E acabou nas garras da União Soviética. A grosso modo, podemos dizer que por 200 anos, os Poloneses só encontraram paz e tranquilidade nestes últimos trinta anos que o texto descreve.
    Abraços
  • Red man  28/06/2019 21:55
    Enquanto isso, a África agoniza de fome.
  • Heitor  28/06/2019 23:04
    Com o histórico deles não dava pra ser diferente:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2420
  • Jose Antonio Mariano  28/06/2019 23:02
    A II Guerra Mundial, para a Polônia, durou 30 anos. Ao longo da guerra, os poloneses tiveram de lutar contra nazistas, stalinistas, ucranianos, lituanos e, as vezes, "contra" as potências ocidentais. Aguardem o livro "Enquanto formos vivos, a Polônia não perecerá - A Polônia nos campos de batalha da II Guerra", apenas um vislumbre do que esse país sofreu nas mãos de alemães e soviéticos...!
  • Renato  30/06/2019 01:52
    Eu tenho uma teoria de que na II GM, a Rússia de Stálin estava do mesmo lado da Alemanha de Hitler, da Itália e do Japão. Alguma coisa que nunca saberemos pelos livros de história, levou Stálin a unir forças com a Europa, mas só foi a II GM acabar e o mapa da Guerra Fria já estava desenhado. Esses ditadores comunistas, nazistas e fascistas, que no final são todos da mesma ideologia, tinham como objetivo dominar a Europa e a Ásia, em um governo de controle e repressão da população, tal como é hoje na Coréia do Norte e de certa forma na China também que não engana com seu "livre mercado" expansionista e predatório.
  • Claudia   01/07/2019 13:01
    Caro amigo, já existem materiais a esse respeito. O livro Stalin's War de Ernst Topitsch é um exemplo. A URSS usou a Alemanha nazista como ponta de lança.
  • Fábio dos Santos  29/06/2019 01:07
    Tenho algumas dúvidas:
    1 - Um anarcocapitalista pode defender que o estado combata crimes como o homicídio por exemplo?
    2 - Eu poderia vender bebidas alcoólicas para uma criança no ancapistão?
    3 - Negociar, fazer trocas voluntárias com um bandido seria antiético?
    4 - Como impedir (ou quais são os meios de impedir) que o estado ressurja em um ancapistão?
    5 - Como ficariam os setores da música e dos esportes em um ancapistão, sabendo que não estão representando o estado?
    6 - O ancapistão poderia revidar com a mesma força do poderio estatal em caso de invasão?
    7 - E a questão da imigração, deixaríamos os muçulmanos (por exemplo) entrarem, sabendo que há cidades que o acolheriam?
    8 - Como evitar a relativização da propriedade, ou seja, evitar que um pisão na grama seja equivalente a um estupro?
    9 - Haveria um "controle" de armas no ancapistão? Por exemplo, muçulmanos e satanistas poderiam obter armas? Alguém moraria ao lado de um vizinho que possui uma granada com mil foguetes?

    São apenas dúvidas que eu tenho, agradeço se alguém responder.
  • Ninguém Apenas  29/06/2019 19:48
    1 - Com certeza. Se realmente houver agressão contra inocentes (hoje a segurança e a justiça são monopólio do governo), a única coisa a se fazer é utilizar esse serviço. Se a produção de alimentos fosse estatal, só sendo muito idiota para ser contra as pessoas comerem por causa disso.

    2 - Não existe "o ancapistão", da mesma forma que não existe "o governistão". Tudo vai depender das leis regionais e da lei privada que existirão em cada região. Assim como hoje um país pode permitir, outro pode se opor. A verdade é que é impossível saber o futuro, tudo vai depender das vontades e ideias de seus habitantes.

    3 - Essa pergunta é uma pergunta armadilha. A verdade é que dentro do que hoje é chamado "movimento libertário" existe muita discussão acerca desse ponto. Pessoalmente eu acredito que depende de cada caso, mas explicar profundamente seria demais para esse comentário.

    4 - Nesse ponto eu concordo com o que o Kogos disse, se a civilização realmente considerar moral a agressão e tirar vantagem do outro a qualquer custo (zero de altruísmo), um Estado acabará por ser inevitável.

    No fim, nada nessa vida é garantido, é necessário que haja muita vigilância e desejo de manter a civilização de governanças privadas para evitar isso, mas se as pessoas (e as forças armadas) realmente querem a volta do Estado... paciência. Tal situação provavelmente provocaria uma guerra civil.

    5 - Tá de zoas né?

    6 - Pessoalmente, a maioria dos libertários responderia "Sim", mas eu não realmente acredito que empresas privadas preocupadas somente com o lucro lutariam até a morte e esgotamento dos recursos contra uma invasão de enormes batalhões de um poderoso Estado.

    No entanto, isso não significa que exércitos privados (até mais poderosos que os Estatais) não possam existir. Na minha visão, seria necessário que os combatentes, os financiadores e a população tenham ambos as mesmas crenças, ou seja, ambos realmente queiram defender a sua "nação", "região" ou "cultura" a qualquer custo.

    Na minha opinião (é opinião, não é fato), o localismo seria muito importante para permitir essa situação de defesa contra exércitos estatais.

    Mas a realidade é que nada nessa vida é garantido, nem com Estado e nem sem. Nos dias de hoje, você acha que o governo da Georgia e seus exércitos estatais teriam poder para enfrentar uma invasão da Rússia por exemplo?

    7 - A resposta é a mesma da pergunta 2.

    8 - Bom, quem tiver paciência que desenvolva o assunto, essa pergunta eu não responderei.

    9 - A resposta é a mesma da pergunta 2.


    Desculpa se a resposta não foi realmente o que você queria, mas imagino que até mesmo aqui no site muitos não concordarão comigo. De qualquer forma estou aberto a debates. Quem quiser adicionar algo, á vontade.
  • Carlos  30/06/2019 19:42


    1 - Um anarcocapitalista pode defender que o estado combata crimes como o homicídio por exemplo?

    Um anarcocapitalista analisa ações individuais. Estado é, para eles, uma ficção. Então falar que Estado existe é, dadas as premissas anarco-capitalistas, nonsense. Mas isso não impede de efetuar juízos de valor acerca de ações específicas, pouco importa o sujeito que as leve a cabo. Se não me engano o próprio Hoppe já exultou a ação de alguns estados Europeus que agiram com violência para reprimir a imigração muçulmana. Não porque ele aprove Estados, mas ele aprova a ação.

    2 - Eu poderia vender bebidas alcoólicas para uma criança no ancapistão?

    Claro. Apenas para ponderação: anarco-capitalistas põem muito relevo na responsabilidade individual. Se você, vendedor da bebida alcoólica, sabe que o consumo do seu produto pode causar danos a um indivíduo que, a seu julgamento, não tem o discernimento necessário para sopesar as consequências de suas ações, seria ético efetuar essa venda? Não seria de bom tom informar ao consumidor infantil dos danos que podem ocorrer com a sua propriedade (seu corpo) caso consuma? E, mesmo depois de tudo isso, a resposta provavelmente será positiva. Um porre homérico costuma ser, também, bom professor.

    3 - Negociar, fazer trocas voluntárias com um bandido seria antiético?

    No ancapistão a conduta criminosa ("bandidos") só se deve à ofensa do princípio de não-agressão contra a vida e a propriedade privada. Se os bandidos assumem essa definição, porque diabos você faria qualquer troca voluntária com quem sabe que não respeita as bases fundantes do ancapistão?

    4 - Como impedir (ou quais são os meios de impedir) que o estado ressurja em um ancapistão?

    Em termos muito simplórios, impedir que alguém detenha o monopólio da coerção.

    5 - Como ficariam os setores da música e dos esportes em um ancapistão, sabendo que não estão representando o estado?

    Iriam muito bem obrigado, como muitos artistas e alguns desportistas já o fazem em alguns países. Quando desaparece o ônus da estrovenga chamada Estado sobram recursos para todo o resto. E a nossa espécie adora música e esportes.

    6 - O ancapistão poderia revidar com a mesma força do poderio estatal em caso de invasão?

    Seria melhor definir o que é invasão. Aqui no Rio de Janeiro não existe Estado Brasileiro, existem os enclaves da máfia tradicional (milícias) e dos narcotraficantes. A máfia que adorna os uniformes da Polícia Militar é apenas mais preguiçosa que as outras duas: cobra proprina de ambas para não encher o saco de quem detém o poder nesses territórios. Então, em termos reais, já fomos invadidos, faz tempo, por organizações à la Estado faz tempo.

    De outra forma, e isso, é claro, é opinião minha, o ancapistão não teria como repelir o esforço organizado de um bando de tiranetes que espolia o gado leiteiro do seu território. A "raison d'être" do ancapistão é conflito quase zero, e os existentes, solucionados entre as partes dentro de padrões que elas mesmas escolham. Nesse estado de coisas não há um real interesse em gastar mundos e fundos inventando e/ou adquirindo meios para matar pessoas.

    7 - E a questão da imigração, deixaríamos os muçulmanos (por exemplo) entrarem, sabendo que há cidades que o acolheriam?

    Imigração é um problema se você adota a noção de um território "público", em que a gangue Estatal dita as regras. Perde o sentido no ancapistão, pois nele não há propriedade pública, apenas privada. Então é uma questão que seria definida a nível individual, de acordo com a cabeça de cada proprietário.

    8 - Como evitar a relativização da propriedade, ou seja, evitar que um pisão na grama seja equivalente a um estupro?

    Simples: um pisão na grama não é, nem nunca foi, igual a um estupro. Numa população que adote as bases anarco-capitalistas esse cenário que você descreveu é um absurdo. E o pisão na grama aconteceu por quê? Acaso o proprietário do gramado foi relapso ao ponto de não cercar sua propriedade? Viajou e um bando de adolescentes bêbados resolveu fazer uma festinha no seu quintal? Não há como fazer grandes generalizações como você coloca. Cada caso tem circunstâncias específicas que os diferenciam de quaisquer outros. Há que se ver o que ocorreu de fato, e decidir qual a reparação necessária, em cada caso.

    9 - Haveria um "controle" de armas no ancapistão? Por exemplo, muçulmanos e satanistas poderiam obter armas? Alguém moraria ao lado de um vizinho que possui uma granada com mil foguetes?

    a) Claro que NÃO.
    b) Claro que SIM. Um adendo para ponderação: indivíduos doutrinados desde muito cedo à aniquilação do indivíduo em prol da manada, ou por adotarem a sociopatia ou psicopatia como um meio de vida, iriam para o ancapistão? Seria uma tortura existencial para eles viverem em um local que é, efusivamente, contra o cerne de suas crenças / distúrbios mentais.
    c) A critério do indivíduo.
  • O estrangeirista  01/07/2019 15:22
    A resposta pra todas as suas perguntas, se resume em uma só: tudo se baseia no bom senso comum. Se ele não existir, o sistema não funciona. E se isso fosse realmente viável, esse sistema não precisaria ser implantado, ele seria vigente desde o início, por puro bom sendo comum.
  • O Liberal  29/06/2019 13:29
    Desde o início da humanidade temos a existência de um estado. Mesmo nos tempos tribais, ansiamos por uma organização social. O libertarianismo me parece uma bagunça, e com vários pontos bem questionáveis. Como a "propriedade intelectual" para mim. Se uma pessoa tem uma ideia, o produto desenvolvido é dela e ela tem exclusivamente os direitos sobre a ideia. O libertarianismo diz que "ideia" não tem propriedade. Ex: se uma empresa farmacêutica cria um remédio, os direitos sobre a fórmula são da empresa. Mas o libertarianismo diz que a ideia é de todos.
    Foquei nesse ponto. Mas tem vários outros que não concordo. Sou "Conservador em temas sociais e liberal na economia" sei que isso pode ser contraditório até mesmo na semântica. Mas "essa é a minha ideia e acabou porra"....kkkkkk. Mas eu respeito todas a ideias.


    Ps: acho que vai demorar algumas várias décadas para o libertarianismo começa a ser levado a3 sério
  • Paulo Lima  30/06/2019 16:59
    Descobri o IM a menos de um mês. Seus artigos são simples para leigos como eu, e bem escritos. Desconstroem muitas falácias que ouvi a minha vida toda!
  • Entreguista  30/06/2019 18:05
    Eu ja acredito que nunca vamos nos livrar do estado 100% assim como tambem nao acredito no comunismo 100% porque o povo pode sim passar fome,mais os donos do regime sempre vivem acima do povo. Nao existe igualdade em lugarvnenhum,isso é mentira comunista. Por isso sou a favor de estado minimo,combater burocracia e existencia de novas estatais,nunca deixar o estado crescer. Esse é o caminho. O estado nao precisa de controle de armas,drogas,combustiveis,alimentos e etc. Sou favoravel a um estado minimo so na justica,seguranca e protecao a deficientes. De resto o mercado resolve. Simples assim.
  • Rodolfo Andrello  01/07/2019 13:34
    O relato dos radialistas deu um nó na garganta.
  • Antonio  12/07/2019 12:55
    O povo polonês tem muita grandeza. Lutaram "só" contra os tiranos alemães e russos. É a nação que eu mais admiro .
  • Valdir Marques de Souza  26/07/2019 22:44
    Vida longa à Polônia, a nação mais sóbria do decadente continente europeu, o PiS está fazendo um magnífico trabalho no combate ao globalismo e em defesa do povo polonês.
  • Emerson Luis  28/07/2019 17:37

    Apenas "soldados rasos" da esquerda realmente acreditam que o socialismo visa mesmo tudo o que o discurso diz que ele busca (e nem todos). Quando mais alto na hierarquia "igualitária", mais consciente os socialistas são de que a narrativa é apenas pretexto para obter poder total e que vai gerar apenas escravidão e miséria.

    * * *
  • Willian Partica   13/10/2019 13:39
    Precisava ajeitar a página para que os gráficos, fotos e outras ilustrações apareçam quando aberto no celular...


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.