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quinta-feira, 14 nov 2013
98º Podcast Mises Brasil - Carlos Vázquez Padín

logo_baixa.jpgPODCAST 98 – CARLOS VÁZQUEZ PADÍN


É uma pena que o ensino no Brasil ignore a riqueza histórica de nossa cultura, a começar pelo idioma. Não sei se as crianças atualmente aprendem que o português brasileiro nos foi legado pelos portugueses, mas, admitindo que sim, presumo que não lhes seja ensinado que a origem do nosso idioma é o galego-português, o idioma que remonta ao século XI e às atuais regiões da Galícia e de Portugal. Foi no século XIV que o galego-português se dividiu nas duas línguas hoje conhecidas.

 

Essa identidade linguística comum com os galegos é a moldura para o Podcast do Instituto Mises Brasil desta semana que foi encontrar na Galícia, a região autônoma localizada no norte da Espanha, Carlos Vázquez Padín, cientista político e um intelectual ativo nos debates públicos.


Leitor do site do IMB e estudioso do pensamento liberal/libertário, nesta entrevista, Carlos falou sobre o ambiente e a situação das ideias da liberdade na Galícia. “Para todos os efeitos, fazemos parte da Europa do Sul, com tudo o que isso implica em termos de ambiente político e social, e diria até mesmo intelectual, muito pouco favorável às ideias da liberdade. A Galícia é uma nação sem estado próprio. E desse ponto de vista, a liberdade é um assunto que pode ser abordado sob enfoques distintos e há de alguma maneira o enfoque da liberdade nacional e da possibilidade da secessão e, portanto, da liberdade individual. (...) Do ponto de vista libertário, Mises já mencionava na sua obra “Nação, Estado e Economia” que a liberdade nacional emana, ou deve emanar, da liberdade individual”.

 

Autor do livro Galeguismo e liberdade, um panorama teórico e prático sobre o liberalismo/libertarianismo na Galícia, Carlos é um intelectual atuante no debate público na região e revelou nesta conversa quais são os principais problemas enfrentados pelos liberais na Galícia na defesa e divulgação das ideias da liberdade, o que, desconsideradas as especificidades culturais, são bastante parecidos aos verificados no Brasil. Também lá, é elevada a influência cultural, política e intelectual da esquerda e a intervenção do estado.

 

Carlos não apenas exerce a função de intelectual público, mas também participa do processo político como membro da Assembléia Municipal da cidade de Tui. Ele é filiado ao Converxencia XXI, partido libertário que ajudou a fundar em 2009. Se hoje o partido, pela sua dimensão reduzida, não tem poder ou influência, nos lugares onde elegeu representantes, serve, pelo menos, como contraponto aos partidos tradicionais da esquerda e da direita espanhola que preservam a visão de que cabe ao governo ser o grande agente político e econômico.





  • Pedro Ivo  30/11/2013 14:01
    Mas que excelente entrevista!!! Excepcional ver um exemplo de como uma ordem espontânea (como exemplificada por von Hayek) advinda de uma nacionalidade nos fornece exemplares de raciocínio sobre como uma "ordem natural" (como definida por HHH) pode emergir numa sociedade e opor-se a um estado (Galícia vs Espanha)!

    Recomendo fortemente ao IMB e ao Bruno Garschagen, divulguem os podcasts do IMB entre os galegos, pois este link que o Bruno faz entre Brasil e Portugal tem de incluir aos galegos, por conta da enorme proximidade lingüística entre o português e o galego. Certamente que um dialogo entre a experiência galega, portuguesa e a nossa tem mui a frutificar.


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