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quinta-feira, 29 nov 2012
48º Podcast Mises Brasil - Diogo Costa

logo_baixa.jpgENTREVISTA  48 - DIOGO COSTA

O culto à carga foi um fenômeno bastante peculiar registrado entre os habitantes de ilhas do Oceano Pacífico. Quando os nativos travaram contato com estrangeiros (e suas tecnologias) que lá se instalaram temporariamente e receberam cargas com suprimentos, seja de navio ou lançados ao solo por aviões, criaram uma espécie de ritual religioso de imitação na forma de andar e de se vestir na esperança de que essa reprodução espelhada de comportamento fizesse com que os deuses enviassem do céu as mesmas cargas que fizeram diferença na vida deles, desde grandes equipamentos aos mais simples objetos pessoais. 

Numa palestra proferida em outubro, Diogo Costa, professor de Ciência Politica do Ibmec de Minas Gerais e coordenador do OrdemLivre, usou o exemplo para estabelecer uma interessante analogia com a mentalidade desenvolvimentista tão cara aos políticos e governos no Brasil e a cópia sistemática de políticas de outros países sem atentar para o ambiente e os meios que as tornaram possíveis.

Nesta entrevista ao Podcast do Instituto Mises Brasil, Diogo observa que o Brasil é um país com vários exemplos do que se pode chamar de culto à carga. "Somos um país amarrado a uma obsessão por modelos internacionais pelo desenvolvimento dos países do Norte (Estados Unidos e Europa) e, às vezes, a gente não sabe o que produziu aquele desenvolvimento e simplesmente copia aspectos aleatórios àquela causalidade. Outro exemplo disso que se pode notar de forma bastante clara são as políticas de ação afirmativa implementadas aqui. (?) Então, se cria uma cota para resolver o problema de alguma forma e a gente acha que com isso estamos sendo progressistas em inclusão quando, na verdade, podemos estar criando mecanismos de exclusão e importando problemas raciais que o Brasil não teve".

Mestre em Teoria Política pela Universidade Columbia (Estados Unidos), Diogo também abordou neste podcast questões relacionadas ao desejo de parte dos libertários de que a política seja reduzida ao máximo, à sua defesa por um liberalismo eclético, à perspectiva libertária sobre os princípios de justiça, à mentalidade dos operadores do direito e a forma como a legislação é vista por eles e pela sociedade.

E se a história do libertarianismo brasileiro for registrada futuramente em livro, Diogo será um dos seus personagens principais por ter criado o OrdemLivre.org, uma das organizações pioneiras no Brasil na difusão, promoção e defesa das ideias libertárias. Diogo explica por quê e qual foi a sua motivação para criar o OL no Brasil quando ainda morava nos Estados Unidos.  




  • Fernando Chiocca  30/11/2012 12:17
    Essa analogia do culto a carga é fantástica.

    Falsificação não é necessariamente fraude. Fraude é roubo implícito. Se eu compro uma lata de coca-cola e dentro vem Pepsi, eu fui fraudado, pois troquei meu dinheiro por coca e me deram pepsi, ou seja, roubaram meu dinheiro, pois não era esse o acordo.

    Mas nas falsificações não é geralmente isso que ocorre. Quem compra uma bolsa Luis Vuiton de um chinês no Promocenter por 80 reais, sendo que no Shopping custa 8.000 sabe muito bem que está comprando uma cópia. E quem vende também vende dizendo se tratar de uma cópia, ou, falsificação. E ter seu produto falsificado é na verdade um grande elogio: A propriedade intelectual é a chave do sucesso?

    E não tem o menor sentido essa crítica de dizer que Rothbard defenderia uma "justiça" que resultasse no perecimento da humanidade. Ao estabelecer a ética humana, este é um dos primeiros critérios a ser respeitado, o de uma ética humana não poder levar a extinção da raça humana, pois isso seria contraditório com o próprio propósito de uma ética, e uma ética assim seria descartada na hora.
    Mas com certeza basear a ética em algum tipo de "maximização da renda monetária geral" é algo que é rechaçado por Rothbard, que denuncia o nefando Coase e Chicago pelos seus injustos e nefandos ataques a propriedade adquirida da única maneira justa através do critério de apropriação original.
  • Giovani Facchini  14/06/2016 13:53
    Excelente entrevista.

    A argumentação que ele usou quanto as políticas adotadas sobre causa/efeito foi aquele tipo de evento que abre a cabeça da pessoa para olhar para os lados e pensar mais profundamente nos problemas e nas suas possíveis soluções.

    A própria crítica a posições libertárias quando se tem dificuldade de lidar com elas (até no aspecto de sustentação), acho que foi outro ponto muito forte.

    Muito bom!


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