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sexta-feira, 9 nov 2012
45º Podcast Mises Brasil - Ricardo Campelo de Magalhães

logo_baixa.jpgENTREVISTA 45 - RICARDO CAMPELO DE MAGALHÃES    

Logo no início desta entrevista ao Podcast do Mises Brasil, o consultor financeiro e mestre em Economia e Gestão Internacional Ricardo Campelo de Magalhães é provocado com uma questão de extrema importância para o debate sobre a possibilidade de aplicação política do liberalismo: governo liberal é oximoro? "Sou tentado a concordar que, regra geral, um governo liberal é oxímoro. Olhando para a história europeia e para os vários governos europeus, o que eu vejo é que boas medidas do ponto de vista liberal só são tomadas na mais extrema necessidade. Quando já não for possível manter o sistema atual então vai se dar uma mexida, e será uma coisa rápida, num sentido mais liberal. E, depois, vai tender para mais socialismo, mais socialismo e de forma lenta, até chegar um ponto em que cai outra vez. A tendência é sempre para o socialismo".   

Economista da Escola Austríaca, Ricardo, que nasceu em Portugal e morou em São Paulo em 2008, onde trabalhou como consultor na área financeira, fez uma análise sobre a grave situação econômica e política portuguesa, que, em certa medida, realça problemas de intervenção do estado na economia e os erros de política-econômica que também enfrentamos no Brasil. "A situação de Portugal é muito preocupante porque estamos nesse ciclo keynesiano durante muito tempo. Começamos a democracia em 1974 com muitas reservas de ouro e um baixo nível de endividamento do estado. E hoje já estamos com um nível de endividamento igual ao que Portugal tinha quando entrou em bancarrota no final do século XIX". 

Mas se a situação de Portugal é calamitosa mesmo o país estando inserido no euro, o problema poderia ser ainda mais grave se ainda existisse a moeda nacional à disposição do governo. Ricardo se alinha ao argumento do professor Jesús Huerta de Soto, que atribui à moeda única a possibilidade de exercer uma função parecida com o padrão-ouro defendido pelos austríacos ao coibir e limitar as decisões arbitrárias de políticos e burocratas e disciplinar o comportamento de todos os agentes que participam do processo democrático.

"No caso de Portugal, eu prefiro claramente a moeda única ao escudo porque eu confio mais no governo e nos economistas alemães para definir a política monetária do que confio nas elites de Lisboa (elites políticas portuguesas). Eu já sei que se fossem estas a definirem a política monetária estaríamos perante desvalorizações competitivas constantemente, como acontecia antes de entrarmos no euro. A entrada no euro disciplina porque não conseguimos mais emitir moeda, ter todos aqueles défices e financiá-los com emissão de moeda. Então, o que o euro faz é criar um mini-padrão ouro e, embora não limite tanto o estado, porque apesar de tudo há algum crescimento da massa monetária, mas já é um travão", afirmou.

Outro ponto interessante da entrevista foi a explicação sobre a sua tese de mestrado. Ricardo, que também é blogueiro do site liberal português O Insurgente, tentou responder no seu trabalho acadêmico uma interessante e sedutora questão: "Como lucrar por ser Liberal?" Neste podcast ele explica, com argumentos econômicos da Escola Austríaca, de que forma fazê-lo. "Se eu acredito que essa minha concepção liberal é a mais correta e que a escola de economia que eu sigo é superior eu queria arranjar uma estratégia de investimento para ganhar dinheiro com isso".







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