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sexta-feira, 6 jul 2012
27º Podcast Mises Brasil - João Pereira Coutinho

logo_baixa.jpgENTREVISTA  27 -- JOÃO PEREIRA COUTINHO

  

Doutor em Ciência Política e professor da Universidade Católica Portuguesa, João Pereira Coutinho é um dos principais colunistas de dois dos mais importantes jornais do Brasil e de Portugal: Folha de S. Paulo e Correio da Manhã. Também comentarista político da tvi24, canal de TV português, Coutinho sempre utilizou a sua opinião também como um instrumento de defesa das liberdades contra as investidas autoritárias de governos, partidos políticos, instituições, entidades ou pessoas físicas com projeção pública.

Coutinho tem dois livros publicados (Vida Independente e Avenida Paulista) e veio ao Brasil esta semana para participar do lançamento do recém-lançado Por que Virei à Direita, do qual é coautor junto com Luiz Felipe Pondé e Denis Rosenfield. Aproveitando a vinda dele, fui entrevistá-lo para este Podcast e a conversa teve como eixo central a crise européia, o problema do euro e de que forma isto afeta a liberdade. "O euro revela bem todos os fracassos em que a Europa esta mergulhada neste momento. A União Européia procurava ser um projeto de unidade, mas é, neste momento, um exemplo de desunião e de atrito, às vezes até com contornos nacionalistas entre diferentes estados."

A entrevista também abordou o papel do coletivismo na Europa e a influência do politicamente correto lá e aqui. "O Brasil está a seguir o mesmo tipo de políticas politicamente corretas que já foram testadas em quase todas as partes do mundo Ocidental. Penso que o Brasil está a chegar com 20 anos de atraso a políticas que já foram testadas e fracassaram. Por exemplo, o caso das cotas raciais, que apresentam problemas que já foram muito bem estudados em outros países, sobretudo nos Estados Unidos. No entanto, o Brasil avança na adoção de cotas raciais com a ideia de que os indivíduos devem ser discriminados positivamente pela sua cor da pele quando esse tipo de política já gerou situações perversas noutros países, como nos Estados Unidos, segundo mostrou Thomas Sowell, que desenvolveu um estudo muito bom sobre cotas raciais, o Affirmative Actions Around the World, em que mostra vários problemas gerados por elas.

(...) O politicamente correto parte do pressuposto errado de que existem grupos homogêneos. E esse é um tipo de pensamento que se aceita em sociedades totalitárias, em que você identifica, por exemplo, os judeus, quando, na realidade, não existem grupos, existem indivíduos, existem o João, a Teresa, a Maria, o Manuel, e cada indivíduo tem uma história particular, tem méritos, tem vícios e virtudes particulares. (...) E, nesse sentido, é muito curioso que as pessoas que partilham o pensamento politicamente correto são muito parecidas com, por exemplo, os racistas. Porque os racistas também só pensam em grupos. Para o racista, não há o Manuel, o João, a Teresa, só há os brancos e os negros. Uma pessoa favorável às cotas raciais é um racista do avesso. Enquanto um discrimina negativamente, o outro quer discriminar positivamente."




  • Pedro Valadares  11/07/2012 11:57
    Concordo plenamente com a questão do discriminação positiva. é um dos maiores erros que podem ocorrer. Pior ainda são cotas raciais, que trazem de volta os chamados tribunais raciais com uma junta que decide quem é ou não é negro, índio etc.
  • Eduardo R., Rio  10/01/2013 01:17
    Trecho de um artigo de João Pereira Coutinho:

    Eis a questão: Depardieu está cansado de pagar impostos. Durante a sua longa carreira, já pagou mais de € 145 milhões (cerca de R$ 384 milhões). Chega. Sobretudo quando o governo de Hollande promete taxar com redobrada dureza os mais ricos do país.

    Comento essa história com alguns amigos progressistas que não se conformam: se o Estado francês deseja aumentar para 75% o Imposto de Renda de quem ganha mais de € 1 milhão (R$ 2,6 milhões), como é possível que Depardieu se recuse a contribuir?

    Claro que o verbo, na minha opinião, não é "contribuir". É "permitir". No caso, "permitir" ser roubado pelo Estado.


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