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A atual campanha do Banco Central mostra que a instituição desconhece princípios monetários básicos

O Banco Central do Brasil iniciou uma campanha para encorajar as pessoas a circularem as moedas metálicas, as quais estão "sumidas" do mercado. Em seu Twitter, a instituição está recorrendo à hashtag #MoedaTemQueCircular.

Para aumentar o apelo, a instituição está recorrendo a vídeos engraçados estrelados pelo comediante Wellington Muniz, popularmente conhecido como 'Ceará'. Sem ironias, vale a pena conferir:

Aos economistas e estudiosos de teoria monetária, esse episódio é deveras ilustrativo.

Segundo a ótica do Banco, as moedinhas metálicas, em especial a de um real, não circularem é um problema. Ok, vamos partir do princípio de que tal constatação seja correta. Isso nos leva, então, ao próximo passo.

Por que elas pararam de circular, ou, mais corretamente, por que circulam menos? Sem um diagnóstico correto, nenhuma campanha será eficaz.

E a resposta é simples: porque a contínua perda do poder de compra da moeda fez os preços dispararem. O que R$ 1,00 compra hoje em dia? E 10 centavos então? Usar centavos no comércio já não faz o menor sentido.

De julho de 1994 a agosto de 2017, o IPCA acumulado foi de 466%. Isso significa que os preços dos bens e serviços mais do que quintuplicaram na média. Aquilo que custava um real em 1994 custa hoje R$ 5,66.

Há realmente algum motivo para o espanto com o sumiço da moeda de um real?

E agora vem o principal: quem é o responsável pela corrosão do poder aquisitivo da moeda? Não, não é o empresário. Só quem tem o poder monopolista de emiti-la é capaz de desvalorizá-la. Uma auto-análise faria bem ao Banco Central.

Entretanto, nem tudo está perdido. Se a instituição realmente deseja aumentar a circulação de moedas, então a solução também é simples: basta buscar uma política monetária forte.

Façam o CMN (Conselho Monetário Nacional) reduzir a meta de inflação para 0%. A meta deve ser a estabilidade de preços e não um contínuo aumento de preços de 4,25% ao ano.

(Vale lembrar que 4,25% ao ano são nada menos que 50% em 10 anos. E isso, é claro, se esta meta de 4,25% for realmente cumprida. Desde que foi criada, em 1999, apenas em três anos — 2006, 2007 e 2009 — ela foi obedecida.)

Como é que as pobres moedinhas sobrevivem a tamanha desvalorização?

E, caso não queiram inflação zero, ao menos então, quem sabe, que abram mão da manipulação de juros e ancorem o real ao dólar. Ou, ainda, façam do real uma moeda plenamente conversível. Revoguem a proibição de pactuar contratos em moeda estrangeira. Liberem a circulação de qualquer moeda em território nacional.

Em suma, façam do real uma moeda forte, uma moeda a ser desejada. E aí, e só assim, as suas moedinhas metálicas voltarão a circular com vigor. Quase como um passe de mágica.

Quero usar moedas, claro, mas #MoedaTemQueSerForte, caro Banco Central do Brasil.

Essa campanha eu aprovo.


19 votos

autor

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 

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comentários (66)

  • JOSE F F OLIVEIRA  19/09/2017 20:08
    Estão num BANCO FORTE da Bahia !!!!
  • Eliseu  19/09/2017 20:15
    Haha, capaz de ser verdade mesmo. Aliás, depois daquela mala do Geddel, vai começar a faltar cédula de R$ 50 e R$ 100...
  • Ricardo  22/09/2017 15:05
    Na verdade é o contrário. Como acharam o banco clandestino do Geddel, este dinheiro que estava parado agora vai voltar a circular. Ou seja, vamos ter mais inflação por causa do Geddel...
  • Fabrício  22/09/2017 18:06
    Ou então, no mesmo espírito, podemos dizer que foi o Geddel que ajudou no atual arrefecimento da inflação. Tão logo essa dinheirama que ele entesourou voltar a circular, a inflação volta a subir. ;)
  • anônimo  27/09/2017 01:34
    A solução estatal agora para a inflação se controlar é que os políticos roubem cada vez mais.
  • JDavid  27/09/2017 02:12
    É interessante observar para salientar em seguida, que tanto, o comercial do Banco do Brasil como também, do Banco Central escolheram dois personagens travestis para as suas garotas propagandas. O Banco do Brasil escolheu um personagem "mulher" do Paulo Gustavo e o Banco Central, do ator Francisco Wellington de Moura Muniz, de pseudônimo Ceará, a Gabi Herpes. Ora! Com certeza, isto, está longe de ser uma casual e feliz coincidência. Saliento que tais observações em nada referem-se, aos dois atores e seus alegres personagens, entretanto, não podemos deixar de perceber a casualidade política e a linha ideológica do fato. Mas, em oportuno momento, não se poderia ausentar de fazer uma critica direta, e ainda, como se segue o por quê, da escolha desses dois personagens, que pouco ou nada tem a ver ver com a marca Banco do Brasil e Banco Central, para finalmente concluir que ambas deixam a desejar do ponto de vista estético, plástico e comercial. Agora, quanto aos atores são excelentes, sem dúvida.
  • Enéas  13/10/2017 17:31
    Verdade!
  • Diego  19/09/2017 20:23
    Um banco que precisa reforçar um comportamento na população pra que ela faça o trabalho que era dele originalmente. Um juiz que é rechaçado por dar liberdade às pessoas de fazerem o que bem entenderem com seus próprios corpos. Esse país é cômico demais. No mais, ótimo artigo.
  • Fernando  19/09/2017 20:24
    Se o Banco Central entendesse de economia ele não existiria, o paradoxo é esse.
  • Gutemberg  20/09/2017 12:21
    Taí, matou a pau.
  • Álisson Lords  20/09/2017 15:06
    hahaha... boa... e em poucas palavras. ;)
  • Francivaldo   19/09/2017 20:25
    Escondo todas que cai na minha mão e quando vejo um comercio apelando para ter moedas e pagando 10% vou lá e troco.
  • Adriano de Souza Campos  06/11/2017 20:28
    Olá, excelente a sua resposta. Se todos os Brasileiros fosse assim, ganharíamos muitos montantes com o nosso montante.

    Sds,
    Adriano de Souza Campos
    MBA em Mercado de Capitais.
  • Henrique Costa  19/09/2017 20:26
    Estou vendendo moedas de 10 e 5 centavos por 10 reais. Por favor comprem pra ajudar essas moedas a circularem. Pelo bem do país.

    Meu contato:

    www.facebook.com/henrique.costa.5?fref=ufi
  • Rodrigo  19/09/2017 20:27
    Não vai demorar muito para começarem a fazer moedas de 2 reais e notas de 3 reais
  • Don Diego de la Vega  19/09/2017 20:50
    É um sintoma inflacionário.
  • Darlan  19/09/2017 20:57
    Presenciei esse fenômeno "in loco" na época da hiperinflação. Trabalhava como operador de caixa e a falta de troco era uma constante, mas começava pelas notas e moedas de menor valor e gradualmente ia migrando para as notas mais altas. Sempre me indagava pq isso ocorria e hj aprendi !
  • O JUDEU  19/09/2017 21:42
    Deem as moedas para mim, irei cuidar bem delas...
  • tassio  19/09/2017 22:17
    Se a moeda for forte demais, ela atrapalha o câmbio: empresas que vivem do mercado externo vao simplesmente ver seus lucros despencarem, se o dolar e o real tiverem o mesmo valor. Um bom ex? Embraer.
  • Eduardo  19/09/2017 22:58
    Aí você tá de zoeira, né? A realidade é exatamente o contrário.

    As indústrias se estrepam exatamente quando o real está desvalorizado, e se recuperam exatamente quando o real está forte.

    Duvida? Eis algumas notícias de 2015, quando o dólar foi para R$ 4,25.

    g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2015/04/embraer-tem-prejuizo-de-r-196-milhoes-no-primeiro-trimestre.html

    g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2015/04/vale-tem-prejuizo-de-r-95-bilhoes-no-1-trimestre-de-2015.html


    Agora, notícias de 2016, quando o real se valorizou fortemente em relação ao dólar:

    www.valor.com.br/empresas/4893096/lucro-da-embraer-dispara-em-2016

    g1.globo.com/economia/negocios/noticia/lucro-da-vale-fica-em-r-133-bilhoes-em-2016.ghtml


    Quer entender por que é assim? Quer entender por que até hoje você entendeu tudo errado? Comece por aqui:

    A empiria comprova a boa teoria: desvalorizar o câmbio piora a economia e reduz as exportações

    Três consequências da desvalorização da moeda - que muitos economistas se recusam a aceitar

    Uma radiografia da destruição do real - ou: não há economia forte com uma moeda doente
  • Mauro  20/09/2017 16:53
    Exportadores como a Embraer conseguem neutralizar o risco cambial através de operações de hedge. E a indústria nacional é muito dependente de insumos importados, então a valorização da moeda não é tão ruim quanto a maioria das pessoas pensa.
  • Rodrigo  30/09/2017 01:11
    Outro fenômeno associado é que os lojistas estão preferindo receber em cartão de crédito a ter que correr atrás de troco. Sempre que vou pagar alguma conta de menos de R$10, meio que por um experimento social, pergunto ao caixa se prefere cartão ou dinheiro, a resposta é sempre cartão.
  • marcelo  19/09/2017 22:30
    Aí me pergunto, por que os comerciantes ainda insistem um usar preços fracionados? No McDonald's e Burger King tudo custa xx,90. Nos mercados tudo tem centavos. Que eles façam uma média dos produtos que mais tem saída e arredondem o preço pra cima e os com menos saída arredondem pra baixo, sim eu que pra nós consumidores isto é ruim, mas pelo menos a fila do caixa não fica empacada enquanto a patinadora vem trazer troco.
  • Martin Lindstrom  20/09/2017 00:38
    Psicologia de vendas, faz parecer mais barato. Eu já sou treinado em relação a isso e, quando vejo o preço, já arrendondo o valor pra cima, mas os psicólogos sociais dizem que influencia.
  • Pobre Paulista  20/09/2017 13:31
    Hoje a esmagadora maioria paga ou no cartão de débito/crédito, ou em VR, então tanto faz.
  • ramses castoldi  26/10/2017 13:44
    falar para a empresa arredondar os centavos é inflacionar ainda mais o mercado, entendi que o cerne da matéria não é a falta de moedas, mas a causa econômica delas.
  • marcelo  19/09/2017 22:31
    E lembrando que as moedas comemorativas da Olimpíada viraram item de coleção. Nunca mais vi circulando por aí.
  • Heinrich  18/11/2017 02:10
    Moeda da olimpiada já tava fadada a deflação mesmo.
    Daqui uns 20 anos vao valer muita grana
  • Andre  20/09/2017 01:39
    Muito elucidativo, o serviço mais interessante que obtenho com 1 real atualmente são 30 minutos de estacionamento em zona azul da minha cidade, e produto talvez um puxador de gaveta vendido numa loja tocada por um chinês, nos anos 90 esse real era poderoso e desejado.
  • Samuel Souza  20/09/2017 02:41
    Há aí um erro de cálculo. Inflação de 50% não reduz o poder de compra pela metade, mas em 25%. Se um produto custava R$1,00 e subiu para R$1,50, ele subiu 50%, mas o poder de compra não caiu ao meio.
  • Leandro  20/09/2017 12:05
    Bem observado. Mas permita-me uma correção da sua correção: a perda do poder de compra não será de 25%, mas sim de 33,3%.

    Para comprovar:

    Suponha que um terno custava 100 reais. Se um terno equivalia a 100 reais, então 1 real equivalia a 1/100 de um terno.

    E então ocorre a inflação de 50% e o terno passa a custar R$ 150. Se o terno passou a equivaler a R$ 150, então 1 real passou a equivaler a 1/150 do terno.

    Portanto, temos que, antes, 1 real comprava 1/100 do terno. E agora compara 1/150 do terno.

    Agora faça a conta do valor final (1/150) menos o valor inicial (1/100) e divida pelo valor inicial (1/100). Você terá o percentual de 33,3%, que foi a perda do poder de compra da moeda.

    Obrigado pela observação (já corrigida).
  • Daniel   20/09/2017 05:02
    Tem um problema nessa análise... Inflação zero é impossível num país como Brasil!além de que no momento contraria completamente os rumos da política monetária adotada para o processo de desenvestimentos que o Brasil está enfrentando por conta da crise, pois para atingir 0 de inflação os juros teriam que ser elevados, e com isso você perigosamente pode endividar mais ainda o setor privado... Além disso o Bacen está subordinado ao CMN e não o contrário... Outro ponto: 4.25% de juros ao ano dá muito mais do que 50% em dez anos porque a dinâmica é exponencial(juros compostos)
  • Professor  20/09/2017 12:09
    "Inflação zero é impossível num país como Brasil!"

    Por quê?

    "pois para atingir 0 de inflação os juros teriam que ser elevados"

    Errado. O que determina carestia é a expansão da oferta monetária (em conjunto com a taxa de câmbio, e não os juros). Os juros são usados para tentar controlar a expansão da oferta monetária, mas nem sempre são eficientes. É perfeitamente possível ter inflação zero a juros baixos. Vide Suíça;

    "Outro ponto: 4.25% de juros ao ano dá muito mais do que 50% em dez anos porque a dinâmica é exponencial(juros compostos)"

    E, pelo visto, você nem sabe fazer cálculo de juros compostos. Permita-me ensiná-lo: 4,25% durante 10 anos são: (1,0425)^10 = 1,5162.

    Ou, descrevendo em palavras, 1,0425 elevado a 10 são 1,5162, o que equivale a 51,62%., exatamente como disse o artigo.

    Antes de querer ensinar, eduque-se a si próprio.
  • Alexandre Vianna  20/09/2017 10:05
    Fiquei na dúvida quanto aos argumentos deste artigo. Tudo bem que 10 centavos não compra nada, mas ainda temos preços quebrados como 2,90... 3,90... 4,90.
    Tudo bem que nos últimos anos o poder de compra diminuiu, mas será que a baixa circulação do papel moeda não tem a ver com o fato de que a população está cada vez mais usando cartões?!
    Aliás, ainda me pergunto como em pleno século XXI o povo ainda carrega papel e metal no bolso, são hábitos seculares que já deveriam ter acabado.
    Abraço!
  • Mário  20/09/2017 12:14
    O vídeo do BC se refere às moedas de um real. Quem é que sai com moedas de um real para comprar coisas que custam mais R$ 10.

    Nem mesmo uma simples ida à padaria fica menos que R$ 6. Quem é que vai carregar moedas de um real para isso?

    E isso gera uma efeito em cadeia. Se você não considera nem as moedas de um real, por que vai considerar as de 10 centavos? O sujeito vai sair de casa com uma cédula de 20 reais e com um conjunto de moedinhas de 10 centavos? Qual o sentido disso?

    Aliás, o fato de tal constatação causar espanto mostra bem como o brasileiro tem memória curta. Na década de 1980 até meados da de 1990, o governo vivia cortando três zeros da moeda. Tão logo ele fazia isso, as moedinhas voltavam a circular. Porém, à medida que a inflação ia galopando, essas moedinhas simplesmente sumiam.

    Por que o espanto hoje?

    Ah, sim, e naquela época as pessoas usavam cheques, assim como hoje usam cartão. Portanto, não foi o meio de pagamento alternativo o que causou o sumiço das moedinhas.
  • Helio  20/09/2017 13:55
    E não pode ser o efeito de guardar as moedas de 1 real? Muitas pessoas detém esse hábito.
  • Realista  20/09/2017 16:02
    Oras, e por que guardam as moedinhas? Porque são quase inúteis para o dia a dia, 2 moedas de 1 real não dão conta de comprar pães na padaria, viraram uma brincadeira familiar de conta-las no fim do ano.
  • Arthur Gomes  20/09/2017 19:12
    As moedas são minhas e faço o que bem entender deles, se guardo, se vendo, se troco, se compro, ou a puta que o pariu. O governo toma mais 40% do meu dinheiro(suado) e não tributado todo mês e ninguém explica-me o que ele faz com tanto dinheiro, assim o dinheiro é meu e pronto e enfio as moedas onde eu bem entendo.
    Parabéns pelo artigo, as moedas perdem o valor e pronto, igual ao tempo da inflação cada vez mais alta.
  • ramses castoldi  26/10/2017 13:48
    exatamente, a questão não são as moedas, mas o poder de compra que estão perdendo pela inflação e descontrole do banco central, difícil argumentar quando as pessoas não sabem interpretar um texto.
  • ramses castoldi  26/10/2017 13:53
    Vejo aqui muitas críticas mas parece que as pessoas leem e não interpretam o artigo.
    O artigo fala da perda do poder econômico por questões inflacionárias e controle do banco central, coloca como exemplo a escassez de moedas de 1 real, e o que muitos "argumentam" é que essa falta pode ser pelo uso do cartão e quebra do valor. Países com livre moeda e juros baixos, exemplo Estados Unidos ainda usam muito as moeda em todos os meios de compra, passagens de metro, lanches na rua etc. Ainda nos estados unidos muitos estabelecimentos o modo de pagamento é apenas cash.
  • Adriano de Souza Campos  06/11/2017 20:33
    Sim. A moeda é minha tenho o costume de aplicar mensalmente em ações. Ganho dinheiro com trocado. Sabe o que é isso????? É, você guardar por mês todas as moedas recebidas de trocos. E depois efetivar aplicações em ações e Tesouro Direto. Claro, que, a longo prazo. Sou formado em MBA em Mercado de Capitais e estou a disposição para assessoria.

    Adriano S. Campos
    MBA em Mercado de Capitais.
  • Paulo  20/09/2017 23:00
    Só esqueceu que moedas também servem para complementar o uso de notas em compras de valores mais altos. Numa compra de 11,50 por exemplo vc usa as moedas e uma nota de 10.

    Portanto esse argumento sobre a inflação inutilizar o uso de moedas é pífio. Quem é comerciante percebe o quão importante é essa campanha do BC.
  • Jalaska   21/09/2017 01:01
    É mesmo? Então diz aí: quantas moedinhas circulavam na época da hiperinflação? Antes do real, quantas moedinhas você transacionava diariamente?

    Lá na Venezuela, quantas moedinhas as pessoas usam? Na Argentina?

    Dizer que o uso de moedas está completamente desatrelado da inflação revela uma profunda ignorância econômica.

    Outra coisa: você por acaso vai à padaria com uma cédula de 20 reais e com várias moedas de 10 centavos? Qual o peso da sua carteira? Usa pochete?

    Sim, é claro que o comerciante sofre com tudo isso. Mas por que você não atribui a culpa ao verdadeiro culpado? Aliás, você não só isenta o culpado como ainda o defende! E isso é impressionante: você culpa as pessoas e dá um passe livre exatamente para a instituição que causou tudo isso. Só pode ser síndrome de Estocolmo.

    Na próxima encarnação, quero voltar como um ente estatal. Não só nunca serei culpado de nada, como ainda serei ardorosamente defendido por minhas vítimas.
  • Free Thinker  21/09/2017 12:59
    A inflação é o maior roubo que um soberano/despota/ditador/burocrata faz com sua própria população.

    A tendência natural dos preços é CAIR, se a quantidade de moeda fosse a mesma, uma economia mais rica com aumento de bens e serviços teria uma constante QUEDA de preço. Nosso poder de compra aumentaria sempre, reflexo natural do capitalismo, especialização e aumento da população.

    No entanto, o monopólio da moeda por meio dos brutos violentos causa toda esta distorção. Nos contentamos quando vemos um índice de preços (tchamado pelos leigos de "inflação") ser próximo a 0%, quando ele deveria por natureza ser negativo.

    Vejo aqui alguns se dizendo "sábios" por estarem aplicando em títulos do governo ou demais títulos que pagam mais que este "índice de preços" (reitero, que os picaretas do mainstream chamam erroneamente de "inflação") quando continuam PERDENDO PODER DE COMPRA DO MESMO JEITO!

    Por isso que a saída é ouro, metais ou outros ativos escassos (inclusive bitcoin e afins). Não confiem no sistema financeiro, em nenhum aspecto, pois quem tem o monopólio da moeda irá SIM continuar lhe roubando enquanto você fica sorrindo como um pateta achando que está enriquecendo com uma LTN.

  • Cidomar Arruda  26/09/2017 00:18
    Acredito que falta maior comprometimento por parte do Banco Central para criar politicas financeiras, que atenda melhor pequenos comerciante e população em geral, onde se preocupa muito somente com o controle dos juros do mercado, enquanto muitos não resiste e fecham as portas, por que e vemos são facilidade de empréstimos as grandes empresas, e dificuldades para as pequenas e micros empresas, ainda mais nesse período de crise que muitas permanece com as portas abertas somente através de cortes de funcionários, reduzindo mais os postos de trabalho no pais. no próximo mês começa a vigora a Nova Reforma Trabalhista, vamos como será que mercado vai reagir com geração de novos empregos como esta esperando A equipe Econômica Atual... vejam a Baixo.
    br.blastingnews.com/sociedade-opiniao/2017/09/o-impacto-da-nova-reforma-trabalhista-no-brasil-002013419.html
  • Eduardo Lauschner Nascimento  26/09/2017 20:48
    Os gastos para essa campanha para a circulação da moeda geraram mais malefícios do que benefícios, além da circulação das moedas não ajudarem em quase nada ainda fizeram mais uma lambança com o dinheiro público.
  • Fernando   28/09/2017 18:00
    Além dessa perda de valor, temos um fator cultural também. Os comerciantes usam a tática de"ficar devendo" cinco centavos. Um centavo, nem se dão ao trabalho. Custa 14,99, você paga com 15 e nem te dão satisfação.

    Em países desenvolvidos não existe isso. Um centavo é dinheiro da mesma forma.
  • Felipe R  05/10/2017 17:08
    Acho que faltou o "outro lado da moeda nessa análise". Ainda que o BRL tenha perdido muito do seu valor desde a criação, os valores quebrados ainda existem, e poderiam ser pagos com notas e moedas metálicas.


    Creio que esse outro lado seja o grande avanço dos MEPs - meios eletrônicos de pagamento. Eles saíram de menos de 10% na década de 90 para mais de 40% nos dias atuais. E se olhar apenas para o varejo, cartões já chegam a mais de 2/3 das transações (dados BaCen e ABECS).

    Ou seja, a evolução tecnológica também influenciou muito no abandono das moedinhas, nmo.


    Abraços.
  • Gustavo  05/10/2017 18:21
    O vídeo do BC se refere às moedas de um real. Quem é que sai com moedas de um real para comprar coisas que custam mais R$ 10?

    Nem mesmo uma simples ida à padaria fica menos que R$ 6. Quem é que vai carregar moedas de um real para isso?

    E isso gera uma efeito em cadeia. Se você não considera nem as moedas de um real, por que vai considerar as de 10 centavos? O sujeito vai sair de casa com uma cédula de 20 reais e com um conjunto de moedinhas de 10 centavos? Qual o sentido disso?

    Na década de 1980 até meados da de 1990, o governo vivia cortando três zeros da moeda. Tão logo ele fazia isso, as moedinhas voltavam a circular. Porém, à medida que a inflação ia galopando, essas moedinhas simplesmente sumiam. Ah, e naquela época as pessoas usavam cheques, assim como hoje usam cartão. Portanto, não foi o meio de pagamento alternativo o que causou o sumiço das moedinhas.
  • Felipe R  05/10/2017 20:02
    Gustavo, perceba que eu não discordei do texto. Apenas complementei.

    Agora, com todo o respeito, essa comparação com a década de 80 que você disse está incorreta. Hoje em dia até compras pequenas, de menos de 10 reais, são pagas com o uso de cartões. Diferente daquela época, em que ninguém fazia compra de baixo valor com cheque.

    Aliás, naquela época, sim, a inflação era o ponto chave, até porque a inflação ANUAL no final daquela década passou dos 1000% (e várias vezes superou os 200% a.a.), diferente do Real, que subiu seus quase 500% em 23 anos (o que também é muito ruim, diga-se de passagem).

    Enfim, mantenho. Hoje, os MEPs tem um peso considerável nesse abandono de moedas, além da inflação.
  • Gustavo Malta  05/10/2017 21:27
    Quando vou à padaria da esquina fazer um lanche, levo um nota de R$20. Quando vou ao restaurante almoçar, levo uma de R$50.

    Por que exatamente eu deveria levar moedinhas de centavos se sei que o valor final será alto?

    Se as minhas refeições ficassem em menos de R$ 5, certamente eu levaria moedas. Porém, como ficam em muito mais que R$ 15, não faz sentido nenhum eu levar moedas. Por que eu as levaria?

    Esse é o ponto do autor do artigo: se a moeda fosse forte, os preços das coisas seriam baixos. E aí o uso de moedas seria mais disseminado.

    Agora, olha que curioso: estiva na Suíça no início do ano. Lá, é bastante comum as pessoas pagarem com moedas. Por quê? Especulo que seja pelo baixo valor nominal dos produtos. Uma coisa é você comprar algo que custa $5. Nessa situação, moedas vêm bem a calhar. Outra coisa é você comprar produtos que custam mais de $20. Nessa situação, moedas não têm utilidade nenhuma.

    E esse, ao meu ver, é o ponto do autor do artigo.
  • Gabriel  05/10/2017 21:32
    E eu faço um adendo: se as coisas custassem valores nominais baixos (como ocorreria sob moeda forte), seria raro o uso de cartões para pagar as coisas.

    Tipo assim, quem é que vai pagar R$ 0,73 no crédito?

    Por isso essa tese de que as moedinhas sumiram exclusivamente por causa dos meios de pagamento eletrônico não faz muito sentido.
  • Felipe R  06/10/2017 00:00
    Quem falou essa tese de que as moedas sumiram exclusivamente por causa dos MEPs?
  • Kevin  06/10/2017 00:20
    Você, ali em cima.
  • Felipe R  06/10/2017 11:43
    Mostra. Faça a citação direta de que eu disse isso
  • Felipe R  06/10/2017 00:06
    Como eu disse, as moedas faxpcilitam muito o troco. Americanos fazem isso. Eles circulam até as moedas de 1 cent. E é difícil sair e gastar menos que 10-15 dólares na América.


    No mais, vou dizer pla terceira vez: o texto do Ulrich está certo. Vocês têm que parar com partidarismo e começar a ler com atenção as contribuições.
  • Souza  06/10/2017 00:23
    Cara, juro que é verdade: quando fui a Nova York em 1998, mendigo recusava moeda de 1 cent. "Penny is no good", diziam eles.

    E isso em 1998, hein?

    Americanos usam moedas apenas para parquímetro, para pedágios e para cafezinhos baratos (como o café é de importação liberada, o preço dele é bem baixo).
  • Felipe R  06/10/2017 11:53
    Sua experiência foi diferente da minha, e talvez porque NYC seja uma das cidades mais caras dos EUA, diferente da cidade que fui. Voltei à Orlando ano passado, por exemplo, e fiz compras dentro dos parques temáticos, onde tudo é caro. Se você pagar no dinheiro, você recebe as moedas até no penny. E a cada 3-4 dias, eu juntava moedas de troco o suficiente para fazer compras acima de 10 USD com elas. É sempre bom andar com as moedinhas no bolso por lá.

    Depois que voltei, passei a fazer o mesmo aqui no Brasil. Tenho um estoque de moedas de centavos, e tiro um tanto por dia, pois sempre facilita minhas compras em dinheiro. E se estou afim de passar adiante, vou numa loja qualquer e troco as moedas. Eles sempre gostam, principalmente mercados varejistas.
  • Souza  06/10/2017 12:42
    Desculpe, mas se o comerciante americano fez questão de desovar em você os pennies que ele tinha, então é porque ele próprio não os queria. Aqui no Brasil, o comerciante dá as moedas dele chorando.

    Conclusão: não ha escassez de moedinhas nos EUA, pois lá elas ainda têm algum valor (é natural suas compras ficarem abaixo de US$ 5). Já aqui no Brasil, onde quase nada fica abaixo de R$ 10, moedinhas são apenas peso morto.

    Aliás, casa de câmbio não aceita moedinhas, o que faz com que elas virem um mico. Você acumula moedinhas estrangeiras e, no final, ou fica com elas ou desova numa cafeteria do aeroporto.
  • Andre  06/10/2017 15:19
    No interior do nordeste com baixíssima bancarização impedindo meios de pagamento eletrônico e cheque também faltam moedas no comércio de produtos minimamente elaborados, as moedas só são encontradas com crianças e comércios de produtos toscos locais como macaxeira, banana, picolés e beijus caseiros.
  • Fartura  06/10/2017 18:00
    Acabei de reparar que só tem pessoas do sexo masculino nesses comentários.

    Creio que precisamos atrair nossas 'evas' para partilhar destes conhecimentos, afinal compõem uma expressiva parte da população, não acham?

  • Heinrich  18/11/2017 02:20
    To falando isso há anos... Se a gente tivesse mais mulher nesse meio, comporíamos uma parcela de influencia que dobraria.

    Mas também, o que que a gente pode fazer? Se mulher não se interessa por determinados assuntos não é culpa nossa. Por mais que os esquerdistas bradem "culpa do machismo intrinseco secreto subconsciente"...
  • Sábio austríaco   13/10/2017 23:46
    Privatizem o Banco Central,transformar-lo em uma cooperativa de bancos seria a melhor solução,os bancos privados compartilhariam os lucros e prejuízos da atividade de emissão e controle do meio-circulante da economia,o tesouro deve cuidar do dinheiro dos impostos e parar de enganar a população com esse papo de cuidar da emissão e controle da moeda em nome do bem-comum.
  • Stênio  09/11/2017 17:12
    Viram essa lindeza?

    Proposta no Senado quer colocar prazo de validade em dinheiro

    Para autor da proposta, ideia é evitar o "entesouramento" de dinheiro e estimular a sua circulação, a fim de dinamizar a economia

    Começou a tramitar no Senado uma proposta que visa restringir o período de tempo que cada brasileiro pode guardar notas de dinheiro. Caso seja aprovado, o Projeto de Lei n° 435, de 2017, irá definir datas de validade para as cédulas de papel-moeda, que será definido pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).

    Segundo o autor da proposta, o senador Sérgio Petecão (PSD-AC), o projeto se justifica porque "a aprovação do presente Projeto de lei evitará que a moeda guardada impeça um maior dinamismo da economia". Para ele, a ideia é evitar o "entesouramento" de dinheiro e estimular a sua circulação, a fim de dinamizar a economia.

    Pelo texto, assim como ocorre com alguns elementos das notas, como a figura da República, a tarja contendo a palavra "REAIS" e os números indicativos do valor das cédulas, o prazo de validade também seja incorporado em alto-relevo.

    A proposta está disponível no portal E-cidadania para que a população possa dar sua opinião e até a noite desta quarta-feira (8), eram cerca de 3.500 votos contrários e apenas 56 favoráveis.

    www.infomoney.com.br/mercados/noticia/7066969/proposta-senado-quer-colocar-prazo-validade-dinheiro
  • Gabriel  09/11/2017 17:26
    1) Trata-se de uma ideia completamente anti-pobre.

    O coitado que consegui juntar umas economias e pretende guardá-las para o futuro verá toda a sua poupança ser dizimada ao ver suas cédulas "se apagarem".

    Na prática, o fenômeno é idêntico ao de uma hiperinflação, que é quando o dinheiro vai derretendo diariamente.

    2) É anti-poupança, anti-frugalidade e anti-longo prazo, e pró-consumismo, pró-imediatismo e pró-curto prazo.

    Ter dinheiro será o equivalente a ter uma batata-quente nas mãos. Você irá querer se livrar dele o mais rápido possível. Com todo mundo querendo gastar o mais rápido possível, a estrutura de produção da economia será totalmente encurtada. Todo mundo viverá pensando apenas no amanhã.

    Também nesse ponto o efeito é exatamente o mesmo de viver em uma economia sob hiperinflação.

    3) Com pouca produção voltada para o longo prazo e tudo visando apenas ao curto prazo, a oferta de bens (que dependem de processos de produção longos e complexos) irá desabar.

    Em conjunto com a maior demanda presente (já que todo mundo é obrigado a gastar dinheiro), os preços irão disparar, gerando uma efetiva hiperinflação. Com preços nas nuvens e sem oferta de bens de qualidade, o padrão de vida irá desabar.

    4) Voltaríamos a viver de subsistência.

    Uma sociedade que consumisse 100% da sua renda não teria um único bem de capital existente. Dado que ela não poupa, ela não consegue acumular capital. Sem capital acumulado, não consegue aumentar sua produtividade. Sem aumento de produtividade, não sai da pobreza.

    Assim, em uma sociedade extremamente consumista não haveria moradias, não haveria fábricas, não haveria infraestruturas, não haveria meios de transporte, não haveria maquinários, não haveria escritórios e imóveis comerciais, não haveria laboratórios, não haveria cientistas, não haveria arquitetos, não haveria universidades, não haveria nada.

    Simplesmente, todos os indivíduos estariam permanentemente ocupados produzindo bens de consumo básicos — comidas e vestes — e não se dedicariam à produção de bens de capital, que são investimentos de longo prazo que geram bens futuros. Por definição, se uma sociedade consumisse 100% da sua renda, ela não produziria nenhum outro bem que não fosse de consumo imediato.


    Esse projeto de lei é apenas o keynesianismo levado ao seu paroxismo. É por isso que Keynes tem que morrer para que a economia sobreviva
  • Economista  09/11/2017 17:36
    Sim, é óbvio que a ideia em si é totalmente ignara e boçal. Ela, aliás, não tem nada de nova: já havia sido proposta por Silvio Gesell, guru de Keynes.

    Tudo isso que você falou está certo, mas engana-se quem acha que o objetivo dessa proposta é realmente "forçar as pessoas a gastar dinheiro". O objetivo é outro, e já foi seguidas vezes abordado por este site: nada mais é do que a guerra ao dinheiro em espécie.

    O objetivo é simplesmente abolir o uso do dinheiro vivo, pois ele não paga impostos e não é rastreável, e obrigar todos a usarem o sistema bancário. Com todo mundo sendo obrigado a usar o sistema bancário, não há sonegação. Os bancos repassam para o governo todos os impostos e relatam direitinho cada movimentação financeira de cada indivíduo.

    O objetivo real é apenas esse: aumentar a arrecadação do governo. Surpresos?


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